Sto. Alberto de Jerusalém,
bispo e Legislador de nossa Ordem
Santa Hildegarda de Bingen,
virgem e doutora da Igreja
S. Roberto Belarmino, bispo e Doutor da Igreja.
Estigmatização de São Francisco de Assis
1ª Leitura (1Cor 15,1-11):
Recordo-vos, irmãos, o Evangelho que vos anunciei e que recebestes, no qual
permaneceis e pelo qual sereis salvos, se o conservais como eu vo-lo anunciei;
aliás teríeis abraçado a fé em vão. Transmiti-vos em primeiro lugar o que eu
mesmo recebi: Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; foi
sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e apareceu a
Pedro e depois aos Doze. Em seguida apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma
só vez, dos quais a maior parte ainda vive, enquanto alguns já faleceram.
Posteriormente apareceu a Tiago e depois a todos os Apóstolos. Em último lugar,
apareceu-me também a mim, como o abortivo. Porque eu sou o menor dos Apóstolos
e não sou digno de ser chamado Apóstolo, por ter perseguido a Igreja de Deus.
Mas pela graça de Deus sou aquilo que sou e a graça que Ele me deu não foi
inútil. Pelo contrário, tenho trabalhado mais que todos eles, não eu, mas a
graça de Deus, que está comigo. Por conseguinte, tanto eu como eles, é assim
que pregamos; e foi assim que vós acreditastes.
Salmo Responsorial: 117
R. Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, porque é
eterna a sua misericórdia.
Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, porque é eterna a
sua misericórdia. Diga a casa de Israel: é eterna a sua misericórdia.
A mão do Senhor fez prodígios, a mão do Senhor foi
magnífica. Não morrerei, mas hei de viver para anunciar as obras do Senhor.
Vós sois o meu Deus: eu Vos darei graças. Vós sois o meu
Deus: eu Vos exaltarei. Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, porque é eterna
a sua misericórdia.
Aleluia. Vinde a Mim, vós todos que andais cansados e
oprimidos, e Eu vos aliviarei, diz o Senhor. Aleluia.
Evangelho (Lc 7,36-50): Naquele
tempo, um fariseu convidou Jesus para jantar. Ele entrou na casa do fariseu e
sentou-se à mesa. Uma mulher, pecadora da cidade, soube que Jesus estava à mesa
na casa do fariseu e trouxe um frasco de alabastro, cheio de perfume. Ela
postou-se atrás, aos pés de Jesus e, chorando, lavou-os com suas lágrimas. Em
seguida, enxugou-os com os seus cabelos, beijou-os e os ungiu com o perfume. Ao
ver isso, o fariseu que o tinha convidado comentou: «Se este homem fosse
profeta, saberia quem é a mulher que está tocando nele: é uma pecadora!». Então
Jesus falou: «Simão, tenho uma coisa para te dizer». Ele respondeu: «Fala,
Mestre». «Certo credor», retomou Jesus, «tinha dois devedores. Um lhe devia
quinhentas moedas de prata, e o outro cinquenta. Como não tivessem com que
pagar, perdoou a ambos. Qual deles o amará mais?». Simão respondeu: «Aquele ao
qual perdoou mais». Jesus lhe disse: «Julgaste corretamente». Voltando-se para
a mulher, disse a Simão: «Estás vendo esta mulher? Quando entrei na tua casa,
não me ofereceste água para lavar os pés; ela, porém, lavou meus pés com
lágrimas e os enxugou com seus cabelos. Não me beijaste; ela, porém, desde que
cheguei, não parou de beijar meus pés. Não derramaste óleo na minha cabeça;
ela, porém, ungiu meus pés com perfume. Por isso te digo: os muitos pecados que
ela cometeu estão perdoados, pois ela mostrou muito amor. Aquele, porém, a quem
menos se perdoa, ama menos». Em seguida, disse à mulher: «Teus pecados estão
perdoados». Os convidados começaram a comentar entre si: «Quem é este que até
perdoa pecados?». Jesus, por sua vez, disse à mulher: «Tua fé te salvou. Vai em
paz!».
«Ela postou-se aos pés de Jesus chorando»
Mons. José Ignacio ALEMANY Grau, Bispo Emérito de
Chachapoyas (Chachapoyas, Peru)
Hoje, Simon fariseu, convida para comungar o corpo de Jesus
para chamar a atenção das pessoas. Era um ato de vaidade, mas o trato que Jesus
deu ao recebê-lo, não correspondeu nem se quer ao mais elementar.
Enquanto ceiam, una pecadora pública faz um grande ato de
humildade: «Pondo-se atrás, aos pés de Jesus, começou a chorar e com suas
lagrimas lhe molhava os pés e com os cabelos, os secavam, beijava seus pés e os
ungia com o perfume» (Lc 7,38).
O fariseu em troca, ao receber Jesus, não lhe deu o beijo de
saudação, água para seus pés, toalha para secá-los, nem lhe ungiu a cabeça com
azeite. Além disso, o fariseu pensa mal, «Se este fosse profeta, saberia quem e
que tipo de mulher é a que está tocando, pois é uma pecadora» (Lc 7,39). De
fato, quem não sabia com quem tratava era o fariseu!
O Papa Francisco tem insistido muito na importância de
aproximar-se dos enfermos e assim “tocar a carne de Cristo”. Ao canonizar a
santa Guadalupe García, Francisco disse: «Renunciar a uma vida cômoda para
seguir ao chamado de Jesus amar a pobreza para poder amar mais aos pobres,
enfermos e abandonados, para servir-lhes com ternura e compaixão, isto se chama
“tocar a carne de Cristo”. “Os pobres, abandonados, enfermos, e os marginais
são a carne de Cristo». Jesus tocava os enfermos e se deixava tocar por eles e
pelos pecadores.
A pecadora do Evangelho tocou Jesus e Ele estava feliz vendo
como se transformava seu coração. Por isso lhe presenteou a paz recompensando
sua fé valente. —Tu amigo, te aproximas com amor para tocar a carne de Cristo
em tantos que passam junto a ti e de ti necessitam? Si sabes fazê-lo, tua
recompensa será a paz com Deus, com os demais e consigo mesmo.
«Tua fé te salvou. Vai em paz!»
Rev. D. Ferran JARABO i Carbonell (Agullana, Girona,
Espanha)
Hoje, o Evangelho nos chama a ficar atentos ao perdão que o
Senhor nos oferece: «Teus pecados estão perdoados» (Lc 7,48). É preciso que os
cristãos nos lembremos de duas coisas: que devemos perdoar sem julgar à pessoa
e amar muito porque fomos perdoados gratuitamente por Deus. Gera-se um duplo
movimento: o perdão recebido e o perdão amoroso que devemos dar.
«Quando alguém lhe insulte, não lhe jogue a culpa, jogue-a
ao demônio que, em todo caso, é quem faz insultar, e descarregue nele toda sua
ira; em troca, compadeça ao desgraçado que faz o que o diabo lhe mandar» (São
João Crisóstomo). Não se deve julgar à pessoa mas reprovar a má ação. A pessoa
é um objeto continuado do amor do Senhor, são as ações que nos distanciam de
Deus. Nós, então, devemos estar sempre dispostos a perdoar, acolher e amar a
pessoa, mas a rejeitar aquelas ações contrarias ao amor de Deus.
«Quem peca fere a honra de Deus e o seu amor, sua própria
dignidade de homem chamado a ser filho de Deus e o bem espiritual da Igreja, da
qual cada cristão deve ser pedra viva» (Catecismo da Igreja, n. 1487). Através
do Sacramento da Penitência, a pessoa tem a possibilidade e a oportunidade de
refazer sua relação com Deus e com toda a Igreja. A resposta ao perdão
recebido, só pode ser o amor. A recuperação da graça e a reconciliação nos
levará a amar com um amor divinizado. Somos chamados para amar como Deus ama!
Perguntemo-nos hoje, especialmente, se somos conscientes da
grandeza do perdão de Deus, se somos aqueles que amam à pessoa e lutam contra o
pecado e, finalmente, se acudimos com confiança ao Sacramento da Reconciliação.
Tudo o podemos com o auxílio de Deus. Que nossa humilde oração nos ajude.
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Como esta mulher conhecia as manchas de sua má vida, correu
a lavá-las à fonte da misericórdia, sem se avergonhar de que estavam presentes
os invitados» (São Gregório Magno)
«Deus nos espera sempre, embora nós estejamos longe»
(Francisco)
«A contemplação é a oração do filho de Deus, do pecador
perdoado que consente em acolher o amor com que é amado e ao qual quer
corresponder amando ainda mais (cf. Lc 7, 36-50) (...)» (Catecismo da Igreja
Católica, n° 2712)
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
* O evangelho de hoje traz o episódio da moça de perfume
que foi acolhida por Jesus durante uma refeição na casa de Simão, o fariseu.
Um dos aspecto da novidade que a Boa Nova de Deus traz é a atitude
surpreendente de Jesus para com as mulheres. Na época do Novo Testamento, a
mulher vivia marginalizada. Na sinagoga ela não participava, na vida pública
não podia ser testemunha. Muitas mulheres, porém, resistiam contra sua
exclusão. Desde os tempos de Esdras, crescia a marginalização das mulheres
pelas autoridades religiosas (Esd 9,1 a 10,44) e crescia também a resistência
das mulheres contra a sua exclusão, como transparece nas histórias de Judite,
Ester, Rute, Noemi, Suzana, da Sulamita e de tantas outras. Esta resistência
encontrou eco e acolhida em Jesus. No episódio da moça do perfume transparecem
o inconformismo e a resistência das mulheres no dia a dia da vida e o
acolhimento que Jesus lhes dava.
* Lucas 7,36-38: A situação que provocou o debate. Três
pessoas totalmente diferentes se encontram: Jesus, Simão, o fariseu, um judeu
praticante, e a moça, da qual diziam que era pecadora. Jesus está na casa de
Simão que o convidou para um jantar. A moça entra, coloca-se aos pés de Jesus,
começa a chorar, molha os pés de Jesus com as lágrimas, solta os cabelos para
enxugá-los, beija e unge os pés com perfume. Soltar os cabelos em público era
um gesto de independência. Jesus não se retrai nem afasta a moça, mas acolhe o
gesto dela.
* Lucas 7,39-40: A reação do fariseu e a resposta de
Jesus. Jesus estava acolhendo uma pessoa que, conforme os costumes da
época, não podia ser acolhida, pois era pecadora. O fariseu, observando tudo,
critica Jesus e condena a mulher: "Se este homem fosse um profeta, saberia
que tipo de mulher é esta que o toca, pois é uma pecadora!" Jesus usa uma
parábola para responder à provocação do fariseu.
* Lucas 7,41-43: A parábola dos dois devedores. Um
devia 500 denários, o outro, 50. Nenhum dos dois tinha como pagar. Ambos foram
perdoados. Qual dos dois terá mais amor? Resposta do fariseu: "Amará mais
aquele a quem mais se perdoa!". A parábola supõe que os dois, tanto o
fariseu como a moça, tinham recebido algum favor de Jesus. Na atitude que os
dois tomam diante de Jesus, mostram como apreciam o favor recebido. O fariseu
mostra o seu amor, a sua gratidão, convidando Jesus para o jantar. A moça
mostra o seu amor, a sua gratidão, através das lágrimas, dos beijos e do
perfume.
* Lucas 7,44-47: O recado de Jesus para o fariseu. Depois
de receber a resposta do fariseu, Jesus aplica a parábola. Mesmo estando na
casa do próprio fariseu, a convite do mesmo, Jesus não perde a liberdade de
falar e de agir. Defende a moça contra a crítica do judeu praticante. O recado
de Jesus para os fariseus de todos os tempos é este: "Aquele, a quem pouco
foi perdoado, mostra pouco amor!" Um fariseu acha que ele não tem pecado,
porque observa em tudo a lei. A segurança pessoal que eu, fariseu, crio para
mim pela observância das leis de Deus e da Igreja, muitas vezes, me impede de
experimentar a gratuidade do amor de Deus. O que importa não é a observância da lei em si, mas sim o
amor com que observo a lei. E usando os símbolos do amor da moça, Jesus dá a
resposta ao fariseu que se considerava em paz com Deus: "Você não me deu
água para lavar os pés, não me deu o beijo de acolhida, não me deu água de
cheiro! Simão, apesar de todo o banquete que me ofereceu, você tem pouco
amor!"
* Lucas 7,48-50: Palavra de Jesus para a moça. Jesus
declara a moça perdoada e acrescenta: "Tua fé te salvou! Vai em paz!"
Aqui transparece a novidade da atitude de Jesus. Ele não condena, mas acolhe. E
foi a fé que ajudou a moça a se recompor e a se reencontrar consigo mesma e com
Deus. No relacionamento com Jesus, uma força nova despertou dentro dela e a fez
renascer.
Para um confronto pessoal
1) Onde, quando e como as moças são desprezadas pelos
fariseus de hoje ?
2) A moça certamente não teria feito o que fez, se
não tivesse antes a certeza absoluta de ser acolhida por Jesus. Será que os
marginalizados e os pecadores de hoje têm a mesma certeza a nosso respeito?
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