terça-feira, 25 de dezembro de 2018

26 de dezembro: Santo Estevão, protomártir


1ª Leitura (At 6,8-10; 7,54-60): Naqueles dias, Estêvão, cheio de graça e fortaleza, fazia grandes prodígios e milagres entre o povo. Entretanto, alguns membros da sinagoga chamada dos Libertos, oriundos de Cirene, de Alexandria, da Cilícia e da Ásia, vieram discutir com Estêvão, mas não eram capazes de resistir à sabedoria e ao Espírito Santo com que ele falava. Ao ouvirem as suas palavras, estremeciam de raiva em seu coração e rangiam os dentes contra Estêvão. Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, de olhos fitos no Céu, viu a glória de Deus e Jesus de pé à sua direita e exclamou: «Vejo o Céu aberto e o Filho do homem de pé à direita de Deus». Então levantaram um grande clamor e taparam os ouvidos; depois atiraram-se todos contra ele, empurraram-no para fora da cidade e começaram a apedrejá-lo. As testemunhas colocaram os mantos aos pés de um jovem chamado Saulo. Enquanto o apedrejavam, Estêvão orava, dizendo: «Senhor Jesus, recebe o meu espírito».

Salmo Responsorial: 30
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.

Sede a rocha do meu refúgio e a fortaleza da minha salvação. Porque Vós sois a minha força e o meu refúgio, por amor do Vosso nome guiai-me e conduzi-me.

Em vossas mãos entrego o meu espírito, Senhor, Deus fiel, salvai-me. Hei de exultar e alegrar-me com a vossa misericórdia, porque conhecestes as angústias da minha alma.

Livrai-me das mãos dos meus inimigos e de quantos me perseguem. Fazei brilhar sobre mim a vossa face, salvai-me pela vossa bondade.

Aleluia. Bendito O que vem em nome do Senhor; o Senhor é Deus e fez brilhar sobre nós a sua luz. Aleluia.

Evangelho (Mt 10,17-22): Naquele tempo, Jesus disse aos Apóstolos: «Cuidado com as pessoas, pois vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas. Por minha causa, sereis levados diante de governadores e reis, de modo que dareis testemunho diante deles e diante dos pagãos. Quando vos entregarem, não vos preocupeis em como ou o que falar. Naquele momento vos será dado o que falar, pois não sereis vós que falareis, mas o Espírito do vosso Pai falará em vós. O irmão entregará à morte o próprio irmão; o pai entregará o filho; os filhos se levantarão contra seus pais e os matarão. Sereis odiados por todos, por causa do meu nome. Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo».

«Eles vos levarão aos seus tribunais e açoitar-vos-ão»

Fray Josep Mª MASSANA i Mola OFM (Barcelona, Espanha)

Hoje, mal acabamos de saborear a profunda experiência do Nascimento do Menino Jesus, muda o panorama litúrgico. Podíamos pensar que celebrar um mártir não combina com o encanto do Natal… O martírio de Sto. Estevão, que veneramos como protomártir do cristianismo, entra plenamente na teologia da Encarnação do Filho de Deus. Jesus veio ao mundo para derramar o seu Sangue por nós. Estevão foi o primeiro a derramar o seu sangue por Jesus. Lemos neste Evangelho como o próprio Jesus o anuncia: «Eles vos levarão aos seus tribunais e (…) sereis levados diante dos governadores e dos reis: servireis de testemunha» (Mt 10, 17.18). Precisamente, “mártir” significa exatamente isto: testemunha.

Este testemunho de palavras e de obras dá-se graças à força do Espírito Santo: «O Espírito do vosso Pai (…) falará em vós» (Mt 10,19). Tal como lemos nos “Atos dos Apóstolos”, capítulo 7, Estevão, levado aos tribunais, deu uma lição magistral, percorrendo o Antigo Testamento, demonstrando que todo ele converge no Novo, na Pessoa de Jesus. N’Ele se cumpre tudo o que tinha sido anunciado pelos profetas e ensinado pelos patriarcas.

Na narrativa do seu martírio encontramos uma belíssima alusão trinitária: «Estevão, cheio do Espírito Santo, fitou o céu e viu a glória de Deus e Jesus de pé à direita de Deus» (At 7,55). A sua experiência foi como uma antecipação da Glória do Céu. E Estevão morreu como Jesus, perdoando aos que o imolavam: «Senhor, não lhes leves em conta este pecado» (At 7,60); rezou as palavras do Mestre: «Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem» (Lc 23, 34).

Peçamos a este mártir que saibamos viver como ele, cheios do Espírito Santo, a fim de que, fixando o olhar no céu, vejamos Jesus à direita de Deus. Esta experiência fará que gozemos já do céu, enquanto estamos na terra.

«Vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão »

+ Pe. Joan BUSQUETS i Masana (Sabadell, Barcelona, Espanha)

Hoje, a Igreja celebra a festa do seu primeiro mártir, o diácono São Estevão. O Evangelho, às vezes, parece desconcertante. Ontem transmitia-nos sentimentos de gozo e de alegria pelo Nascimento do Menino Jesus: «Os pastores retiraram-se, louvando e glorificando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido, de acordo com o que lhes tinha sido dito» (Lc 2,20). Hoje parece como se quisera-nos pôr sob aviso perante os perigos: «Cuidado com as pessoas, pois vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas» (Mt 10, 17). É que aqueles que queiram ser testemunhos, como os pastores na alegria do Nascimento, devem ser valentes como Estevão no momento de proclamar a Morte e Ressurreição de aquele Menino que tinha nele a Vida.

O mesmo Espirito que cobriu com sua sombra a Maria, a Mãe virgem, para que fosse possível a realização do plano de Deus de salvar aos homens; o mesmo Espirito que posou sob os Apóstolos para que saíssem do seu esconderijo e difundiram a Boa Nova — o Evangelho — pelo mundo todo, é o que dá forças àquele menino que discutia com os da sinagoga e perante o que «não podiam resistir à sabedoria e ao Espirito com que falava»

Era um mártir na vida. Mártir significa “testemunho”. E foi também mártir por sua morte. Em vida teve em consideração as palavras do Mestre: «Quando vos entregarem, não vos preocupeis em como ou o que falar. Naquele momento vos será dado o que falar» (Mt 10,19). «Cheio do Espírito Santo, Estêvão olhou para o céu e viu a glória de Deus; e viu também Jesus, de pé, à direita de Deus». (Ats.7,55). Estevão o viu e disse. Se o cristão hoje é um testemunho de Jesus Cristo, o que viu com os olhos da fé o vai dizer sem medo com as palavras mais compreensíveis, quer dizer, com fatos, com obras.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm

* O contraste é grande. Ontem, dia de Natal, foi o presépio do recém-nascido com o canto dos anjos e a visita dos pastores. Hoje é o sangue derramado de Estevão, apedrejado até a morte, porque teve a coragem de crer na promessa expressa na simplicidade do presépio. Estevão criticou a interpretação fundamentalista da Lei de Deus e o monopólio do Templo. Por isso foi morto por eles (At 6,13-14).

* Hoje, na festa de Estevão, primeiro mártir, a liturgia traz um trecho do evangelho de Mateus (Mt 10,17-22), tirado do assim chamado Sermão da Missão (Mt 10,5-42). Nele Jesus adverte os seus discípulos dizendo que a fidelidade ao evangelho traz dificuldades e perseguição: “eles entregarão vocês aos tribunais e açoitarão vocês nas sinagogas deles”. Mas para Jesus o que importa na perseguição não é o lado doloroso do sofrimento, mas sim o lado positivo do testemunho: “Vocês vão ser levados diante de governadores e reis, por minha causa, a fim de serem testemunhas para eles e para as nações”. A perseguição é uma oportunidade para dar testemunho da Boa Nova de Deus que Jesus nos trouxe.

* Foi o que aconteceu com Estevão. Ele deu testemunho da sua fé em Jesus até o último momento da sua vida. Na hora de morrer ele disse: “Vejo os céus abertos, e o Filho do Homem em pé à direita de Deus” (At 7,56). E ao cair morto debaixo das pedradas imitou Jesus gritando: “Senhor, não lhes leve em conta este pecado!” (At 7,60; Lc 23,34).

* Jesus tinha dito: “Quando entregarem vocês, não fiquem preocupados como ou com aquilo que vocês vão falar, porque, nessa hora, será sugerido a vocês o que vocês devem dizer. Com efeito, não serão vocês que irão falar, e sim o Espírito do Pai de vocês é quem falará através de vocês”. Esta profecia de Jesus também se realizou em Estevão. Os seus adversários “não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito com o qual ele falava” (At 6,10). “Os membros do sinédrio tiveram a impressão de ver em seu rosto o rosto de um anjo” (At 6,15). Estevão falava “repleto do Espírito Santo” (At 7,55). Por isso, a raiva dos outros era maior e o lincharam na hora.

* Até hoje acontece o mesmo. Em muitos lugares muita gente é arrastada diante dos tribunais e sabe dar respostas que superam em sabedoria aos sábios e entendidos (Lc 10,21).

Para um confronto pessoal
1. Colocando-se na posição de Estevão: você já sofreu alguma vez por causa da sua fidelidade ao Evangelho?
2. A simplicidade do presépio e a dureza do martírio vão de par em par na vida dos Santos e Santas e na vida de tantas pessoas que hoje são perseguidas até a morte por causa da sua fidelidade ao evangelho. Você conheceu de perto pessoas assim?

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

A Natividade do Senhor (Missa do dia)


Textos: Is 52, 7-10; Heb 1, 1-6; Jo 1, 1-18

Evangelho (Jo 1,1-18): No princípio era a Palavra, e a Palavra estava junto de Deus, e a Palavra era Deus. Ela existia, no princípio, junto de Deus. Tudo foi feito por meio dela, e sem ela nada foi feito de tudo o que existe. Nela estava a vida, e a vida era a luz dos homens. E a luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram dominá-la. Veio um homem, enviado por Deus; seu nome era João. Ele veio como testemunha, a fim de dar testemunho da luz, para que todos pudessem crer, por meio dele. Não era ele a luz, mas veio para dar testemunho da luz. Esta era a luz verdadeira, que vindo ao mundo a todos ilumina. Ela estava no mundo, e o mundo foi feito por meio dela, mas o mundo não a reconheceu. Ela veio para o que era seu, mas os seus não a acolheram. A quantos, porém, a acolheram, deu-lhes poder de se tornarem filhos de Deus: são os que crêem no seu nome. Estes foram gerados não do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E a Palavra se fez carne e veio morar entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que recebe do seu Pai como filho único, cheio de graça e de verdade.  João dá testemunho dele e proclama: «Foi dele que eu disse: ‘Aquele que vem depois de mim passou à minha frente, porque antes de mim ele já existia». De sua plenitude todos nós recebemos, graça por graça. Pois a Lei foi dada por meio de Moisés, a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. Ninguém jamais viu a Deus; o Filho único, que é Deus e está na intimidade do Pai, foi quem o deu a conhecer».

«E a Palavra se fez carne e veio morar entre nós»

Mons. Jaume PUJOL i Balcells Arcebispo de Tarragona e Primaz de Catalunha (Tarragona, Espanha)

Hoje, com a simplicidade das crianças, consideramos o grande mistério de nossa fé. O nascimento de Jesus marca a chegada da “plenitude dos tempos”. Desde o pecado de nossos primeiros pais, a linhagem humana se havia afastado do Criador. Mas Deus, compadecido de nossa triste situação, enviou o seu Filho eterno, nascido da Virgem Maria, para resgatar-nos da escravidão do pecado.

O apóstolo João o explica usando expressões de grande profundidade teológica: «No principio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus.» (Jo 1,1). João chama “Palavra” ao Filho de Deus, a segunda pessoa da Santíssima Trindade. E Complementa: «E o verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o filho único recebe do seu pai, cheio de graça e de verdade» (Jo 1,14).

Isto é o que celebramos hoje, por isso fazemos festa. Maravilhados, contemplamos Jesus acabado de nascer. É um recém-nascido… E, ao mesmo tempo, Deus onipotente; sem deixar de ser Deus, agora é também um de nós.

Veio à terra para devolver-nos a condição de filhos de Deus. Mas é necessário que cada um acolha em seu interior a salvação que Ele nos oferece. Tal como explica São João, «Mas a todos aqueles que o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus» (Jo 1,12). Filhos de Deus! Ficamos admirados ante este mistério inefável: «O Filho de Deus se fez filho do homem para fazer aos homens filhos de Deus» (São João Crisóstomo).

Acolhamos Jesus, busquemos: somente Nele encontraremos a salvação, a verdadeira solução para nossos problemas; só Ele dá o último sentido da vida e das contrariedades e da dor. Por isto, hoje lhes proponho: vamos ler mais o Evangelho, vamos meditá-lo; vamos procurar viver verdadeiramente de acordo com os ensinamentos de Jesus, ele Filho de Deus que veio a nós. E então veremos como será verdade que, entre todos, faremos um mundo melhor.

O motivo profundo da nossa alegria está aqui: O Verbo se fez carne e habitou entre nós.

Pe Antonio Rivero L.C.

Natal é o cumprimento do velho sonho de Deus: conviver com o homem. Já desde o Paraíso, quando o Senhor visitava os nossos primeiros pais no cair da tarde, assim como na tenda da reunião durante a travessia do deserto. E depois no Templo de Jerusalém, lugar privilegiado da presença de Deus no meio do seu povo. Sempre é a mesma tentativa: habitar entre os homens. E agora isto chega à sua plenitude: Deus planta a sua tenda na história. É Emanuel, isto é, Deus conosco. Alegremo-nos, porque hoje é Natal!

Em primeiro lugar, por muito preocupados que estejamos pelos problemas da vida- que existem-, e por preto que vejamos o panorama social ou eclesial- que aí está e nos ameaça!-… Escutemos a voz da Igreja mensageira que anuncia esta grande notícia na santa missa: Deus visitou o seu povo e nos traz o seu consolo e a sua paz (1 leitura). Uma paz sem limites, feita de justiça e direito. Alegremo-nos, porque hoje é Natal, e com o Natal recuperamos o sentido da vida e a força para enfrentar esses problemas da vida diária, familiar laboral, porque Deus em Cristo caminha do nosso lado, que para isso se fez homem! Contagiemos o espírito do Natal!

Em segundo lugar, por muitas palavras que escutemos de sereias enganadoras que nos assobiam prometendo-nos a libertação, o êxito, a supressão da dor e das angustias, ou palavras tentadoras do inimigo da nossa alma para que claudiquemos na nossa fé e confiança em Deus ao ver tantos excessos e desastres naturais e humanos… Deus Pai hoje pronunciou a sua última e definitiva Palavra que é o seu Filho. E essa Palavra encarnada nos purificou dos nossos pecados e nos libertou das nossas ataduras, morrendo voluntariamente por nós, revestindo-nos da filiação divina (evangelho) para que levemos uma vida digna e nobre (2 leitura). Alegremo-nos, porque hoje é Natal, e com o Natal renasce a esperança que não defrauda e nos salva! Contagiemos o espírito do Natal!

Finalmente, por muitas e espessas trevas que nos querem envolver por onde for- ideologias de cunho liberal, marxista, hedonista e pragmático-, hoje uma Luz brilhou para nós (evangelho), e graças a esta Luz podemos ver tudo desde uma nova perspectiva, a perspectiva da eternidade: as sãs e humanas alegrias, e também as tristezas e as dores; os êxitos conquistados com garra e honestidade, e também os fracassos injustos; os trabalhos bem remunerados, e também as demissões; a saúde transbordante e a doença que nos carcome; os momentos de plenitude radiante e os instantes de dúvidas e perplexidades; a aceitação entre os nossos amigos e familiares, e também o desengano e o esquecimento nos quais estamos prostrados. Tudo desde a luz de Belém se ilumina, se esclarece, retoma sentindo. Por quê? Porque o Filho de Deus se fez homem para experimentar na sua própria carne e redimir todas estas situações humanas. Alegremo-nos, porque hoje é Natal, e com o Natal renasce a fé que dissipa toda a treva do coração e da mente! Contagiemos o espírito do Natal!

Cristo è a Palavra definitiva e última que Deus 

Este menino que nasce em Belém é a Palavra definitiva do Pai que nos traz uma mensagem clara, nítida, inteligível e consoladora para todos: Deus nos ama, quer nos salvar e fazer participantes da filiação divina pela graça. As frases dos Santos Padres são muito atrevidas: “Deus se faz homem para que o homem se faça Deus pela graça e participe na vida divina… O homem é um ser que recebeu a ordem de fazer-se Deus… Eu sou homem por natureza e Deus pela graça.”

Em primeiro lugar, Deus nos falou em épocas passadas por outros mensageiros –os profetas-, mas agora o faz diretamente pelo seu Filho ao qual nomeou herdeiro de tudo, que é reflexo da sua glória, marca de seu ser, criador (segunda leitura). Palavra que anunciará a boa nova; pregará o direito, a justiça e a paz; nos consolará, nos resgatará e purificará (primeira e segunda leitura). Palavra que é Deus, vida, luz, e que se encarnou para se fazer audível, inteligível, habitar entre nós e nos fazer partícipes da filiação divina através da graça (evangelho). Palavra definitiva, última e perfeita; não esperamos outra. Esta Palavra explicará tudo e dará razão de tudo e a todos, sem exceção.

Em segundo lugar, essa Palavra definitiva necessita uns ouvidos novos que a escutem; uma mente aberta que a entenda e se deixe iluminar pela luz da fé; um coração limpo que rumine e que a interiorize e faça fecundar; uma vontade decidida para pôr em prática o que essa Palavra lhe peça; uma língua sem travas que, como autêntico mensageiro, a transmita por todas as partes com alegria, integridade e sem distorcer nem manipular.

Finalmente, como consequência, quem, podendo, não escute ou não aceite essa Palavra, e não a receba com amor e liberdade, ficará na escuridão, cairá no erro, sofrerá a tristeza, seguirá na escravidão. Como consequência não terá Natal no seu coração. Não poderá contagiar a alegria e a esperança que essa Palavra traz a todos. Não será salvo.

Para refletir: O que me impede escutar essa Palavra? Quais prejuízos há na minha mente que se fecha a esta Palavra? Por que não se fecunda essa Palavra no meu coração? Por que a minha vontade está presa a mil escravidões? De quais escravidões, Deus tem que me salvar este ano: materialismo, pessimismo, intolerância, rancor, preguiça, sensualidade, violência?

Para rezar: Com toda a Igreja rezemos o grande pregão de Natal e enchamo-nos de alegria profunda: “Anunciamos-vos, irmãos e irmãs, uma grande notícia, / uma grande alegria para todo o povo. / Escutai com um coração cheio de gozo: / Tinham passado milhares e milhares de anos / desde que, no princípio, Deus criou o céu e a terra / e fez o homem e a mulher à sua imagem e semelhança. / Milhares e milhares de anos tinham sido transcorridos / desde que cessou o dilúvio / e o Altíssimo fez resplandecer o arco íris, / sinal de aliança e de paz. / No ano 752 da fundação de Roma; / no ano 42 do império do Otávio Augusto, / quando sobre toda a terra reinava a paz, / na sexta idade do mundo, / faz muitos anos, / em Belém de Judá, povo humilde de Israel, / ocupado então pelos romanos, / num presépio, porque não eles encontraram hospedagem, / da Santa Maria a Virgem, esposa de José, / da casa e da família de Davi, / nasceu Jesus, chamado Messias e Cristo, / que é o Salvador que o povo esperava. / Alegrai-vos, irmãos. / Esta é a boa notícia do anjo: / “Nasceu-vos um Salvador: o Messias, o Senhor”.

Qualquer sugestão ou duvida podem comunicar-se com o padre Antonio neste e-mail:arivero@legionaries.org

domingo, 23 de dezembro de 2018

A Natividade do Senhor (Missa da Meia Noite)


Primeira Leitura (Is 9,1-6): O povo, que andava na escuridão, viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu. Fizeste crescer a alegria e aumentaste a felicidade; todos se regozijam em tua presença como alegres ceifeiros na colheita ou como exaltados guerreiros ao dividirem os despojos. Pois o jugo que oprimia o povo - a carga sobre os ombros, o orgulho dos fiscais - tu os abateste como na jornada de Madiã. Botas de tropa de assalto, trajes manchados de sangue, tudo será queimado e devorado pelas chamas. Porque nasceu para nós um menino, foi-nos dado um filho; ele traz aos ombros a marca da realeza; o nome que lhe foi dado é: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai dos tempos futuros, Príncipe da paz. Grande será o seu reino e a paz não há de ter fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reinado, que ele irá consolidar e confirmar em justiça e santidade, a partir de agora e para todo o sempre. O amor zeloso do Senhor dos exércitos há de realizar essas coisas.

Salmo Responsorial - Sl 95
R. Hoje nasceu para nós o Salvador, que é Cristo, o Senhor.

Cantai ao Senhor Deus um canto novo, cantai ao Senhor Deus, ó terra inteira! Cantai e bendizei seu santo nome!

Dia após dia anunciai sua salvação, manifestai a sua glória entre as nações, e entre os povos do universo seus prodígios!

O céu se rejubile e exulte a terra, aplauda o mar com o que vive em suas águas; os campos com seus frutos rejubilem e exultem as florestas e as matas

Na presença do Senhor, pois ele vem, porque vem para julgar a terra inteira. Governará o mundo todo com justiça, e os povos julgará com lealdade.

Segunda Leitura (Tt 2,11-14):  Caríssimo: A graça de Deus se manifestou trazendo salvação para todos os homens. Ela nos ensina a abandonar a impiedade e as paixões mundanas e a viver neste mundo com equilíbrio, justiça e piedade, aguardando a feliz esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo. Ele se entregou por nós, para nos resgatar de toda maldade e purificar para si um povo que lhe pertença e que se dedique a praticar o bem.

Aleluia. Hoje, nasceu para vós um Salvador. Aleluia.

Evangelho (Lc 2,1-14): Naqueles dias, saiu um decreto do imperador Augusto mandando fazer o recenseamento de toda a terra — o primeiro recenseamento, feito quando Quirino era governador da Síria. Todos iam registrar-se, cada um na sua cidade. Também José, que era da família e da descendência de Davi, subiu da cidade de Nazaré, na Galileia, à cidade de Davi, chamada Belém, na Judéia, para registrar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida. Quando estavam ali, chegou o tempo do parto. Ela deu à luz o seu filho primogênito, envolveu-o em faixas e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria.  Havia naquela região pastores que passavam a noite nos campos, tomando conta do rebanho. Um anjo do Senhor lhes apareceu, e a glória do Senhor os envolveu de luz. Os pastores ficaram com muito medo. O anjo então lhes disse: «Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que será também a de todo o povo: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo Senhor! E isto vos servirá de sinal: encontrareis um recém-nascido, envolto em faixas e deitado numa manjedoura» De repente, juntou-se ao anjo uma multidão do exército celeste cantando a Deus: «Glória a Deus no mais alto dos céus, e na terra, paz aos que são do seu agrado!».

«Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo Senhor»

Rev. D. Ramon Octavi SÁNCHEZ i Valero (Viladecans, Barcelona, Espanha)

Hoje, nasceu-nos o Salvador. Esta é a boa nova desta noite de Natal. Como em cada Natal, Jesus volta a nascer no mundo, em cada casa, no nosso coração.

Porém, contrariamente ao que a nossa sociedade consumista celebra, Jesus não nasce num ambiente de abastança, de compras, de conforto, de caprichos e de grandes refeições. Jesus nasce com a humildade de um portal e de um presépio.

E fá-lo deste modo porque é rejeitado pelos homens: ninguém quis dar-lhes guarida, nem nas casas nem nas estalagens. Maria e José, e o próprio Jesus recém-nascido, sentiram o que significa a rejeição, a falta de generosidade e de solidariedade.

Depois, as coisas mudaram, e com o anúncio do Anjo — «Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que será também a de todo o povo» (Lc 2,10) —todos correram para o presépio para adorar o Filho de Deus. Foi um pouco como a nossa sociedade, que marginaliza e rejeita muitas pessoas porque são pobres, estrangeiras ou simplesmente diferentes, e depois celebra o Natal falando de paz, solidariedade e amor.

Hoje, nós os cristãos estamos cheios de alegria, e com razão. Como afirma São Leão Magno: «Hoje não está certo que haja lugar para a tristeza, no momento em que nasceu a vida». Mas não podemos esquecer que este nascimento nos exige um compromisso: viver o Natal do modo mais parecido possível com o que viveu a Sagrada Família. Quer dizer, sem ostentações, sem gastos desnecessários, sem pôr a casa de pernas para o ar. Celebrar e fazer festa são compatíveis com austeridade e até com a pobreza.

Por outro lado, se durante estes dias não temos verdadeiros sentimentos de solidariedade para com os rejeitados, forasteiros, sem teto, é porque no fundo somos como os habitantes de Belém: não acolhemos o nosso Menino Jesus.

Missa da Aurora (Evangelho: (Lc 2,15-20) 

«Encontraram Maria e José, e o recém-nascido deitado na manjedoura»

Rev. D. Bernat GIMENO i Capín (Barcelona, Espanha)

Hoje resplandece uma luz para nós: nasceu o Senhor! Do mesmo modo que o sol sai cada manhã para iluminar e dar vida ao mundo, esta missa da aurora, celebrada ainda com pouca luz, invoca a figura do Menino nascido em Belém como o sol nascente, que vem para iluminar a família humana.

Depois de Maria e José, foram estes pastores do Evangelho os primeiros que foram iluminados pela presença de Jesus Menino. Os pastores, que eram considerados como os últimos na sociedade. Temos de ser pastores para acolher o Menino e ser conscientes do nosso nada.

Que Jesus seja luz, não nos pode deixar indiferentes. Contemplemos os pastores: era tão grande o gozo que sentiam pelo que haviam visto que não deixavam de falar disso: «Todos os que ouviram os pastores ficavam admirados com aquilo que contavam» (Lc 2,19).

«Teu Salvador já está aqui», também nos diz o profeta e isso nos enche de alegria e de paz. Queridos irmãos, isto nos falta a muitos cristãos no dia de hoje: falar Dele com alegria, paz e convencimento; cada um desde a sua vocação, quer dizer, desde o desígnio eterno que Deus tem “para mim”. E isto será possível se antes estamos convencidos da nossa identidade: os laicos, religiosos e sacerdotes. Todos formamos “o povo santo” do qual nos fala o profeta Isaías.

Foi desígnio de Deus que fossem pastores a adorar ao Menino Jesus. Todos somos pastores. Todos têm de ser pobres e humildes, os últimos... Contemplando o presépio de nossa casa, com os pastores de plástico ou de barro, vemos uma imagem da Igreja, que o profeta na primeira leitura descreve como uma “cidade-não-abandonada” e como “a querida” (Is 62,12). Neste Natal façamos o propósito de amar mais a nossa Igreja... que não é nossa, senão Dele e nós a recebemos e entramos a participar nela como indignos servos, e a recebemos como um dom, como um presente imerecido. De aí que a nossa aclamação da alegria neste Natal tem de ser uma profunda e sincera ação de graças.

Hoje, nasce Cristo para nós e nos convida a festejar conosco seu nascimento.

Pe. Antonio Rivero, L.C.

“Hoje” nasceu para nós o Salvador. Este “hoje” quer significar que o que celebramos no Natal não é um simples aniversário, mas um “sacramento’, ou seja, uma atualização sacramental do fato salvífico do nascimento humano do Filho de Deus.

Em primeiro lugar, o Natal é a condensação do “ontem” de Belém e do “amanhã” da última vinda do Senhor no “hoje” da celebração deste ano, um acontecimento sempre novo, não só uma lembrança folclórica dos fatos passados. “Hoje”, depois do duro e cruel desterro, estamos vendo uma Luz grande que brilha para nós e nos salva. “Hoje” encontramos o gozo e a alegria por esta vitória e libertação. “Hoje”, da estirpe do Rei David, nasceu para nós um Menino, que é o Libertador, o Deus Forte, o Príncipe da Paz. “Hoje” esse menino instaura o seu Reino e nos traz a sua graça divina, o direito e a justiça (primeira leitura).

Em segundo lugar, este Deus que em Cristo nos traz “hoje” a salvação, o fez através da sua entrega. Assim, nos resgatou de toda iniquidade e nos purificou. Isto nos exige, hoje, levar uma vida digna, sóbria, justa e piedosa; renunciar à impiedade e aos desejos mundanos (segunda leitura).

Finalmente, “hoje” Maria continua buscando um lugar, um coração para colocar o seu Filho Jesus. “Hoje” José nos pede ajuda para limpar e preparar o nosso presépio interior. “Hoje” Maria nos oferece o seu Filho para a nossa adoração e admiração. “Hoje” cada um de nós pode envolvê-lo com as faixas do nosso amor e carinho. “Hoje” podemos cantar para Ele, como fizeram os anjos nesta noite bendita, com as vozes da nossa fé e da nossa humildade. “Hoje” devíamos ir correndo à gruta, como os pastores, para oferecer-lhe o melhor que temos e somos.

Para refletir: Tenho o coração aberto e limpo para receber este Menino Jesus, que vem humilde para trazer-me a salvação “hoje”? Existe algo que me impede “hoje” de abrir-lhe a porta da minha hospedaria? O que é? Maria terá que passar direto porque encontrou tudo fechado em mim?

Féria privilegiada do Advento: 24 de dezembro


1ª Leitura (2Sam 7,1-5.8b-12.14a.16): Quando David já morava em sua casa e o Senhor lhe deu tréguas de todos os inimigos que o rodeavam, o rei disse ao profeta Natã: «Como vês, eu moro numa casa de cedro e a arca de Deus está debaixo de uma tenda». Natã respondeu ao rei: «Faz o que te pede o coração, porque o Senhor está contigo». Nessa mesma noite, o Senhor falou a Natã, dizendo: «Vai dizer ao meu servo David: Assim fala o Senhor: Pensas edificar um palácio para Eu habitar? Tirei-te das pastagens onde guardavas os rebanhos, para seres o chefe do meu povo de Israel. Estive contigo em toda a parte por onde andaste e exterminei diante de ti todos os teus inimigos. Dar-te-ei um nome tão ilustre como o nome dos grandes da terra. Prepararei um lugar para o meu povo de Israel e nele o instalarei para que habite nesse lugar, sem que jamais tenha receio de andar errante, nem os perversos tornem a oprimi-lo como outrora, quando Eu constituía juízes no meu povo de Israel. Farei que vivas seguro de todos os teus inimigos; e o Senhor anuncia que te vai fazer uma casa. Quando chegares ao termo dos teus dias e fores repousar com teus pais, estabelecerei em teu lugar um descendente que há de nascer de ti e consolidarei a tua realeza. Serei para ele um Pai e ele será para Mim um filho. A tua casa e o teu reino permanecerão diante de Mim eternamente e o teu trono será firme para sempre».

Salmo Responsorial: 88
R. Senhor, cantarei eternamente a vossa bondade.

Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor e para sempre proclamarei a sua fidelidade. Vós dissestes: «A bondade está estabelecida para sempre», no céu permanece firme a vossa fidelidade.

«Concluí uma aliança com o meu eleito, fiz um juramento a David, meu servo: ‘Conservarei a tua descendência para sempre, estabelecerei o teu trono por todas as gerações’».

Ele Me invocará: ‘Vós sois meu pai, meu Deus, meu Salvador’. Assegurar-lhe-ei para sempre o meu favor, a minha aliança com ele será irrevogável.

Ó Sol nascente, esplendor da luz eterna e sol de justiça: vinde iluminar os que vivem nas trevas e na sombra da morte. Aleluia.

Evangelho (Lc 1,67-79): Naquele tempo, Zacarias, seu pai, cheio do Espírito Santo, profetizou dizendo: «Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e libertou o seu povo. Ele fez surgir para nós um poderoso salvador na casa de Davi, seu servo, assim como tinha prometido desde os tempos antigos, pela boca dos seus santos profetas: de salvar-nos dos nossos inimigos e da mão de quantos nos odeiam. Ele foi misericordioso com nossos pais: recordou-se de sua santa aliança, e do juramento que fez a nosso pai Abraão, de nos conceder que, sem medo e livres dos inimigos, nós o sirvamos, com santidade e justiça, em sua presença, todos os dias de nossa vida. E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque irás à frente do Senhor, preparando os seus caminhos, dando a conhecer a seu povo a salvação, com o perdão dos pecados, graças ao coração misericordioso de nosso Deus, que envia o sol nascente do alto para nos visitar, para iluminar os que estão nas trevas, na sombra da morte, e dirigir nossos passos no caminho da paz».

«Que envia o sol nascente do alto para nos visitar, para iluminar os que estão nas trevas»

Rev. D. Ignasi FABREGAT i Torrents (Terrassa, Barcelona, Espanha)

Hoje, o Evangelho recolhe o cântico de louvor de Zacarias após o nascimento do seu filho. Na primeira parte, o pai de João dá graças a Deus, na segunda parte os seus olhos voltam-se para o futuro. Todo ele propaga alegria e esperança ao reconhecer a ação salvadora de Deus para com Israel, que culmina na vinda do próprio Deus encarnado, preparada pelo filho de Zacarias.

Já sabemos que Zacarias tinha sido castigado por Deus devido à sua incredulidade. Porém, agora quando a ação divina se manifesta totalmente na sua própria carne – pois recupera a fala — exclama aquilo que até então não podia dizer senão com o coração; e certamente que o dizia: «Bendito seja o Senhor, Deus de Israel … (Lc 1,68). Quantas vezes vemos as coisas de forma obscura, negativa, pessimista! Se tivéssemos a visão sobrenatural que Zacarias demonstra no Canto do Benedictus, viveríamos permanentemente com alegria e esperança.

«O Senhor está próximo; o Senhor já está aqui!» O pai do Percursor está consciente de que a vinda do Messias é, acima de tudo, luz. Uma luz que ilumina os que vivem na obscuridade, nas sombras da morte, ou seja, nós próprios! Oxalá nos demos conta, com plena consciência, de que o Menino Jesus vem iluminar as nossas vidas, vem guiar-nos, assinalar-nos por onde devemos andar…! Oxalá nos deixemos guiar pelas suas inspirações, por aquela esperança que nos transmite!

Jesus é o «Senhor» (cf. Lc 1,68.76), mas também é o «Salvador» (cf. Lc 1,69). Estas duas confissões (atribuições) que Zacarias faz a Deus, tão próximas da Noite de Natal, sempre me surpreenderam, porque são exatamente as mesmas que o Anjo do Senhor atribuirá a Jesus no anúncio aos pastores e que podemos escutar com emoção logo à noite na Missa da Meia Noite. É que quem nasce é Deus!

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm

* O Cântico de Zacarias é um dos muitos cânticos e refrões das comunidades dos primeiros cristãos, que até hoje estão espalhados pelos escritos do Novo Testamento: nos evangelhos (Lc 1,46-55; Lc 2,14; 2,29-32), nas cartas paulinas (1Cor 13,1-13; Ef 1,3-14; 2,14-18; Fl 2,6-11; Col 1,15-20) e no Apocalipse (1,7; 4,8; 11,17-18; 12,10-12; 15,3-4; 18,1 até 19,8). Estes cânticos nos dão uma ideia de como eram a vivência da fé e a liturgia semanal naqueles primeiros tempos. Eles deixam entrever uma liturgia que era, ao mesmo tempo, celebração do mistério, profissão de fé, animação da esperança e catequese.

* Aqui no Cântico de Zacarias, os membros daquelas primeiras comunidades, quase todos judeus, cantam a alegria de terem sido visitados pela bondade de Deus que, em Jesus, veio realizar as promessas. O Cântico tem uma estrutura bonita, bem elaborada. Parece uma lenta subida que leva os fiéis até o alto da montanha, de onde observam o caminho percorrido desde Abraão (Lc 1,68-73), experimentam o começo da realização das promessas (Lc 1,74-75) e de onde olham para frente prevendo o caminho a ser percorrido pelo menino João até o nascimento de Jesus, o Sol da justiça, que virá preparar para todos o caminho da Paz (Lc 76-79).

* Zacarias começa louvando a Deus por Ele ter visitado e redimido o seu povo (Lc 1,68) e ter realizado uma salvação poderosa na casa de Davi seu servo (Lc 1,69) conforme havia prometido pelos profetas (Lc 1,70). E ele descreve em que consiste esta salvação poderosa: na “libertação dos nossos inimigos e de todos que nos têm ódio” (Lc 1,71). Esta salvação é o resultado, não do esforço nosso, mas sim da bondade misericordiosa do pró­prio Deus que se lembrou da sua aliança sagrada e do juramento que tinha feito a Abraão, nosso pai (Lc 1,72). Deus é fiel. Este é o fundamento da nossa segurança.

* Em seguida, Zacarias descreve em que consiste o juramento de Deus a Abraão: é a esperança de “que, libertos dos inimigos, possamos viver sem medo, em santidade e justiça na presença de Deus, todos os dias da nossa vida”. Este era o grande desejo do povo daquele tempo e continua sendo o grande desejo de todos os povos de todos os tempos: viver em paz, sem medo, servindo a Deus e ao próximo, em santidade e justiça, todos os dias da nossa vida. Este é o alto da montanha, o ponto de chegada, que apareceu no horizonte com o nascimento de João (Lc 1,73-75).

* Agora, a atenção do cântico se dirige para João, o menino que acabou de nascer. Ele será o profeta do Altíssimo, pois irá à frente do Senhor para preparar-lhe o caminho e anunciar ao povo o conhecimento da salvação pelo perdão dos pecados (Lc 1,76-77). Aqui temos uma alusão clara à profecia messiânica de Jeremias que dizia: “Ninguém mais precisará ensinar seu próximo ou seu irmão, dizendo: "Procure conhecer a Javé". Porque todos, grandes e pequenos, me conhecerão, oráculo de Javé, pois vou perdoar suas culpas e não me lembrarei mais de seus pecados” (Jer 31,34). Na Bíblia, “conhecer” é sinônimo de “experimentar”. É o perdão e a reconciliação que nos fazem experimentar a presença de Deus.

* Tudo isso será fruto da ação misericordiosa do coração do nosso Deus e se realizará plenamente com a vinda de Jesus, o sol que virá do alto para iluminar todos que estão nas trevas e na sombra da morte e guiar nossos passos no caminho da Paz (Lc 1,78-79).

Para um confronto pessoal
1. Às vezes é bom ler o cântico como se fosse pela primeira vez para poder descobrir nele toda a novidade da Boa Nova de Deus.
2. Você já experimentei alguma vez a bondade de Deus? Você já experimentou alguma vez o perdão de Deus?

sábado, 22 de dezembro de 2018

IV Domingo do Advento


1ª Leitura (Miq 5,1-4): Eis o que diz o Senhor: «De ti, Belém-Efratá, pequena entre as cidades de Judá, de ti sairá aquele que há de reinar sobre Israel. As suas origens remontam aos tempos de outrora, aos dias mais antigos. Por isso Deus os abandonará até à altura em que der à luz aquela que há de ser mãe. Então voltará para os filhos de Israel o resto dos seus irmãos. Ele se levantará para apascentar o seu rebanho pelo poder do Senhor, pelo nome glorioso do Senhor, seu Deus. Viver-se-á em segurança, porque ele será exaltado até aos confins da terra. Ele será a paz».

Salmo Responsorial: 79
R. Senhor nosso Deus, fazei-nos voltar, mostrai-nos o vosso rosto e seremos salvos.

Pastor de Israel, escutai, Vós estais sobre os Querubins, aparecei. Despertai o vosso poder e vinde em nosso auxílio.

Deus dos Exércitos, vinde de novo, olhai dos céus e vede, visitai esta vinha; protegei a cepa que a vossa mão direita plantou, o rebento que fortalecestes para Vós.

Estendei a mão sobre o homem que escolhestes, sobre o filho do homem que para Vós criastes. Nunca mais nos apartaremos de Vós, fazei-nos viver e invocaremos o vosso nome.

2ª Leitura (Hb 10,5-10): Irmãos: Ao entrar no mundo, Cristo disse: «Não quiseste sacrifícios nem oblações, mas formaste-Me um corpo. Não Te agradaram holocaustos nem imolações pelo pecado. Então Eu disse: ‘Eis-Me aqui; no livro sagrado está escrito a meu respeito: Eu venho, ó Deus, para fazer a tua vontade’». Primeiro disse: «Não quiseste sacrifícios nem oblações, não Te agradaram holocaustos nem imolações pelo pecado». E no entanto, eles são oferecidos segundo a Lei. Depois acrescenta: «Eis-Me aqui: Eu venho para fazer a tua vontade». Assim aboliu o primeiro culto para estabelecer o segundo. É em virtude dessa vontade que nós fomos santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita de uma vez para sempre.

Aleluia. Eis a escrava do Senhor: faça-se em mim segundo a vossa palavra. Aleluia.

Evangelho (Lc 1,39-45): Naqueles dias, Maria partiu apressadamente para a região montanhosa, dirigindo-se a uma cidade de Judá. Ela entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou de alegria em seu ventre, e Isabel ficou repleta do Espírito Santo. Com voz forte, ela exclamou: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Como mereço que a mãe do meu Senhor venha me visitar? Logo que a tua saudação ressoou nos meus ouvidos, o menino pulou de alegria no meu ventre. Feliz aquela que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido!».

«Feliz aquela que acreditou!»

+ Mons. Ramon MALLA i Call Bispo Emérito de Lleida (Lleida, Espanha)

Hoje é o último Domingo deste tempo de preparação da chegada — o Advento — de Deus a Belém. Por ser em tudo igual a nós, quis ser concebido — como qualquer homem — no seio de uma mulher, a Virgem Maria, mas pela obra e graça do Espírito Santo, pois era Deus. Brevemente, no dia de Natal, celebraremos com alegria o seu nascimento.

O Evangelho de hoje apresenta-nos duas personagens, Maria e a sua prima Isabel, as quais nos indicam a atitude que devemos ter no nosso espírito para contemplar este acontecimento. Deve ser uma atitude de fé, de uma fé dinâmica.

Isabel com sincera humildade, «ficou repleta do Espírito Santo. Com voz forte, ela exclamou: “(…) Como mereço que a mãe do meu Senhor venha me visitar?” (Lc 1,41-43). Ninguém lhe tinha contado; apenas a fé, o Espirito Santo, tinha-lhe mostrado que a sua prima era mãe de seu Senhor, de Deus.

Conhecendo agora a atitude de fé total por parte de Maria, quando o Anjo lhe anunciou que Deus a tinha escolhido para ser a sua mãe terreal Isabel não se recatou de proclamar a alegria que a fé dá. Põe-no em relevo dizendo: «Feliz aquela que acreditou!» (Lc 1,45).

É, pois, numa atitude de fé que devemos viver o Natal. Mas, à imitação de Maria e Isabel, com fé dinâmica. Em consequência, como Isabel, se for necessário, não nos devemos conter ao expressar o agradecimento e o gozo de ter fé. E, como Maria, ainda a devemos manifestar com obras. «Maria partiu apressadamente para a região montanhosa, dirigindo-se a uma cidade de Judá. Ela entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel» (Lc 1,39-40) para felicitá-la e ajudá-la, ficando cerca de três meses com ela (cf. Lc 1,56).

Santo Ambrósio aconselha-nos que, nestas festas, «tenhamos todos a alma de Maria para glorificar o Senhor». É certo que não nos faltarão ocasiões para partilhar alegrias e ajudar os necessitados.

A visita de Maria a sua prima Isabel é um gesto de caridade e de misericórdia.

Pe. Antonio Rivero, L.C.

Hoje temos o exemplo de caridade misericordiosa de Maria. Ain Karim é o lugar da misericórdia de Maria para com a sua prima Isabel. Misericórdia feita detalhes de caridade, ternura, prontidão e serviço.

Em primeiro lugar, a viagem de Maria a Ain Karim tem ressonância bíblica: o translado entre danças e alegria da Arca da Aliança em tempos de Davi: presença de Deus cheio de misericórdia com o seu povo eleito! A Arca da Aliança é agora a Mãe do Messias: Deus continua derramando a sua misericórdia agora através de Maria! O encontro das duas mulheres que creem está cheio de simbolismo misericordioso: Maria leva no seu seio o Messias, o Deus da ternura e da misericórdia, e também Isabel vai ser mãe do Precursor. As duas estão cheias de alegria, as duas aceitaram o plano de Deus sobre as suas vidas e entoam para Ele os louvores, cantando a misericórdia divina. O encontro entre estas duas mulheres simples, representantes do Antigo e do Novo Testamento, é também o encontro entre o Messias e o seu precursor. É mais, entre Deus e a humanidade. Encontro carregado completamente de grande misericórdia. De Deus com a humanidade, simbolizada nessas duas mulheres, Maria e Isabel.

Em segundo lugar, vejamos os gestos de misericórdia de Maria neste evangelho da Visitação a sua prima Isabel. Quem deve semear em nós esta misericórdia? O Espírito Santo. O Espírito Santo é o amor do Pai e do Filho; amor feito ternura, detalhes, bondade, caridade, serviço. Maria sai apressadamente de Nazaré movida pelo Espírito Santo para ajudar a sua prima, pois a caridade misericordiosa madruga. Maria entra na casa da sua prima impulsionada pelo Espírito Santo e a saúda e abraça desejando-lhe a paz, “Shalom”, pois a caridade misericordiosa sempre deseja a paz para todos. Será o Espírito Santo quem fará pular de gozo João que estava no seio da sua mãe Isabel ao saber do fruto que Maria levava no seu ventre, Jesus cheio de misericórdia. Será o Espírito Santo quem fará exclamar Isabel: “Bendita és tu entre as mulheres”, pois a caridade misericordiosa sempre reconhece as bênçãos de Deus para com os seus filhos, sem permitir-se levar arrastar pela inveja. Maria canta o Magnificat porque reconhece com humildade a misericórdia de Deus para com Ela. E Maria fica com Isabel três meses porque a misericórdia é generosa e se dá até o final sem medida alguma.

Finalmente, nos diz o Papa Francisco: “Como desejo que os anos que estão por vir estejam impregnados de misericórdia para poder ir ao encontro de cada pessoa levando a bondade e a ternura de Deus! A todos, crentes e afastados, chegue o balsamo da misericórdia como sinal do Reino de Deus que está já presente no meio de nós” (Misericordiae Vultus, n.5). E mais adiante na mesmo bula de proclamação do ano santo da Misericórdia: “É determinante para a Igreja e para a credibilidade do seu anúncio que ela viva e testemunhe em primeira pessoa a misericórdia. A sua linguagem e os seus gestos devem transmitir misericórdia para penetrar no coração das pessoas e motivá-las a reencontrar o caminho de volta ao Pai” (n.12). Como Maria manifestou a sua misericórdia com Isabel com gestos, assim também nós no nosso dia-a-dia, em casa, no trabalho, no colégio e universidade, na paróquia e na rua, no comércio, entre os amigos e vizinhos, e também para com aqueles com os que não simpatizamos naturalmente. Gestos de perdão, ternura, bondade, compreensão, consolo, serviço, atenção, ajuda. Continua o Papa: “Abramos os nossos olhos para olhar as misérias do mundo, as feridas de tantos irmãos e irmãs privados de dignidade, e sintamo-nos provocados a escutar o seu grito de auxílio. As nossas mãos estreitem as suas mãos, e aproximemo-nos a nós para que sintam o calor da nossa presença, da nossa amizade e da fraternidade. Que o seu grito se torne o nosso e juntos possamos quebrar a barreira da indiferença que reina por todos os lados para esconder a hipocrisia e o egoísmo” (n.15)

Para rezar: Hoje com maior fervor, se possível, rezemos a Salve Rainha que aprendemos desde crianças, oração que transpira misericórdia: “Salve Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura, esperança nossa, salve! A Vós bradamos os degredados filhos de Eva. A Vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia, pois, advogada nossa, salve, volvei a nós os vossos olhos misericordiosos; e depois deste desterro, mostrai-nos o fruto bendito do vosso ventre, Jesus. Ó clemente, Ó piedosa, Ó doce sempre Virgem Maria!”.

Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail:  arivero@legionaries.org

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Féria privilegiada do Advento: 22 de dezembro


1ª Leitura (1Sam 1,24-28): Naqueles dias, Ana tomou Samuel consigo e, levando um novilho de três anos, três medidas de farinha e um odre de vinho, conduziu-o à casa do Senhor, em Silo. O menino era muito pequeno. Imolaram o novilho e apresentaram o menino a Heli. Ana disse-lhe: «Ouve, meu senhor. Por tua vida, eu sou aquela mulher que esteve aqui orando ao Senhor na tua presença. Eis o menino por quem orei: o Senhor ouviu a minha súplica. Por isso também eu o ofereço para que seja consagrado ao Senhor todos os dias da sua vida». E adoraram o Senhor.

Salmo Responsorial: 1 Sam 2
R. O meu coração exulta no Senhor, meu Salvador.

Exulta o meu coração no Senhor, no meu Deus se eleva a minha fronte. Abre-se a minha boca contra os inimigos, porque me alegro com a vossa salvação.

A arma dos fortes foi destruída e os fracos foram revestidos de força. Os que viviam na abundância andam em busca de pão e os que tinham fome foram saciados. A mulher estéril deu à luz muitos filhos e a mãe fecunda deixou de conceber.

É o Senhor quem dá a morte e dá a vida, faz-nos descer ao túmulo e de novo nos levanta. É o Senhor quem despoja e enriquece, é o Senhor quem humilha e exalta.

Levanta do chão os que vivem prostrados, retira da miséria os indigentes; fá-los sentar entre os príncipes e destina-lhes um lugar de honra.

Aleluia. Ó Rei das nações e Pedra angular da Igreja, vinde salvar o homem que formastes do pó da terra. Aleluia.

Evangelho (Lc 1,46-56): Maria então disse: «A minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque ele olhou para a humildade de sua serva. Todas as gerações, de agora em diante, me chamarão feliz, porque o Poderoso fez para mim coisas grandiosas. O seu nome é santo, e sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem. Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os que tem planos orgulhosos no coração. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Encheu de bens os famintos, e mandou embora os ricos de mãos vazias. Acolheu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre». Maria ficou três meses com Isabel. Depois, voltou para sua casa».

«A minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador»

Rev. D. Francesc PERARNAU i Cañellas (Girona, Espanha)

Hoje, o Evangelho da Missa apresenta à nossa consideração o Magnificat, que Maria entoou, repleta de alegria, em casa da sua parente Isabel, mãe de João Batista. As palavras de Maria trazem-nos reminiscências de outros cânticos bíblicos, que Ela bem conhecia e tinha recitado e contemplado em tantas ocasiões. Porém, agora aquelas mesmas palavras têm, nos seus lábios, um sentido muito mais profundo: o espírito da Mãe de Deus transparece nelas e elas mostram-nos a pureza do seu coração. A Igreja fá-las suas, todos os dias, na Liturgia das Horas quando, ao rezar Vésperas, dirige ao céu aquele mesmo canto com que Maria se alegrava, bendizia e dava graças a Deus por toda a Sua magnanimidade.

Maria obteve a graça mais extraordinária que nunca nenhuma outra mulher recebeu nem receberá: foi eleita por Deus, entre todas as mulheres da História, para ser a Mãe daquele Messias Redentor que a Humanidade esperava há séculos. É a mais elevada honra jamais concedida a um ser humano, e Ela recebe-a com total singeleza e humildade, dando-se conta de que tudo é graça, dádiva, e que Ela nada é perante a imensidão do poder e da grandeza de Deus, que Nela fez coisas grandiosas (Lc 1,49). Uma grande lição de humildade para todos nós, filhos de Adão e herdeiros de uma natureza humana profundamente marcada por aquele pecado original, cujas consequências arrastamos, dia após dia.

Estamos já a chegar ao fim do tempo do Advento, tempo de conversão e de purificação. Hoje é Maria quem nos ensina o melhor caminho. Meditar a oração da nossa Mãe – querendo fazê-la nossa – nos ajudará a ser mais humildes. Santa Maria nos ajudará, se o pedimos com confiança.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm

* O cântico de Maria era um dos cânticos das comunidades dos primeiros cristãos. Ele revela o nível de consciência e a firmeza da fé que as animava por dentro. Cantado nas Comunidades, este cântico de Maria ensina como rezar e cantar.

* Lucas 1,46-50: Maria começa proclamando a mudança que aconteceu em sua própria vida sob o olhar amoroso de Deus, cheio de misericórdia. Por isso, ela canta feliz: "Exulto de alegria em Deus, meu Salvador".

* Lucas 1,51-53: Em seguida ela canta a fidelidade de Deus para com seu povo e proclama a mudança que o braço do Senhor estava realizando a favor dos pobres e famintos. A expressão "braço de Deus" lembra a libertação do Êxodo. É esta força salvadora e libertadora de Javé que faz acontecer as mudanças: ela dispersa os orgulhosos (Lc 1,51), destrona os poderosos e eleva os humildes (Lc 1,52), manda os ricos embora sem nada e aos famintos enche de bens (Lc 1,53).

* Lucas 1,54-55: No fim, Maria lembra que tudo isto é expressão da misericórdia de Deus para com o seu povo e expressão da sua fidelidade às promessas feitas a Abraão. A Boa Nova veio não como recompensa pela observância da Lei, mas como expressão da bondade e da fidelidade de Deus às suas promessas. É o que Paulo ensinava nas cartas aos Gálatas e aos Romanos.

Para um confronto pessoal
1. O cânticos são o termômetro da vida das comunidades. Revelam o grau de consciência e de compromisso. Examine os cânticos da sua comunidade.
2. Analise a consciência social que transparece no cântico de Maria. No século XX depois de Cristo este canto foi censurado como subversivo pelos militares de um país na América Latina.