domingo, 25 de março de 2012


Lectio Divina para a V Semana da Quaresma

«SE O GRÃO DE TRIGO, LANÇADO À TERRA, MORRER, DARÁ MUITO FRUTO».
                A pequena parábola do grão de trigo é a imagem da oferta oblativa de Jesus que por nós se dá para nossa salvação. Dando a vida, morrendo, dá muito fruto. Muitos frutos de salvação. Na última semana antes da Páscoa contemplemos todo este mistério de amor: a paixão, morte e ressurreição de Jesus.

Evangelho segundo São João (Jo 12, 20-33).
                Naquele tempo, alguns gregos que tinham vindo a Jerusalém para adorar nos dias da festa, foram ter com Filipe, de Betsaida da Galileia, e fizeram-lhe este pedido: «Senhor, nós queríamos ver Jesus». Filipe foi dizê-lo a André; e então André e Filipe foram dizê-lo a Jesus. Jesus respondeu-lhes: «Chegou a hora em que o Filho do homem vai ser glorificado. Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará muito fruto. Quem ama a sua vida, perdê-la-á, e quem despreza a sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna. Se alguém Me quiser servir, que Me siga, e onde Eu estiver, ali estará também o meu servo. E se alguém Me servir, meu Pai o honrará. Agora a minha alma está perturbada. E que hei de dizer? Pai, salva-me desta hora? Mas por causa disto é que Eu cheguei a esta hora. Pai, glorifica o teu nome». Veio então do Céu uma voz que dizia: «Já O glorifiquei e tornarei a glorificá-Lo». A multidão que estava presente e ouvira dizia ter sido um trovão. Outros afirmavam: «Foi um Anjo que Lhe falou». Disse Jesus: «Não foi por minha causa que esta voz se fez ouvir; foi por vossa causa. Chegou a hora em que este mundo vai ser julgado. Chegou a hora em que vai ser expulso o príncipe deste mundo. E quando Eu for elevado da terra, atrairei todos a Mim». Falava deste modo, para indicar de que morte ia morrer.

SEGUNDA-FEIRA

Palavra - Naquele tempo, alguns gregos que tinham vindo a Jerusalém para adorar nos dias da festa, foram ter com Filipe, de Betsaida da Galileia, e fizeram-lhe este pedido: «Senhor, nós queríamos ver Jesus».
          Para além dos judeus que participam nas festividades pascais há ainda gregos da diáspora que pedem a Filipe a possibilidade de um encontro com Jesus. Um pedido que vai unido ao desejo de mediação para um objetivo: conhecer a Jesus. Neste caso, até os que provêm do mundo pagão querem conhecer a Jesus.

Meditação
          Porque discípulos de Jesus têm mais facilmente proximidade com o Mestre. Esta proximidade convida outros ao encontro. À partilha. À proximidade. O que nos leva a perguntar: sendo nós, também hoje, seguidores de Jesus, que vontade temos de estar com Ele. E mais ainda: será que somos também nós reconhecidos como aqueles que estão próximos de Jesus, que podem(os) ser mediadores da sua atenção, misericórdia, amor? Porque não basta sermos vistos com Jesus: importante é sermos capazes de cativar para Jesus, porque estamos próximos da grandeza do seu amor e sabemos o que significa, quem é, para onde nos guia.

Oração
              Senhor Jesus: contigo vivo desse amor que tudo em mim inunda. A tua proximidade torna-me mais testemunha. Mais de ti. Mais. Contigo sei por onde caminho e em quem depositei a minha esperança e fé. Por ti, sou capaz de ir ao mais longe de mim, para te encontrar, secretamente, no recôndito do amor que se faz vida. Ajuda-me, Senhor, a cada vez te conhecer melhor. E conhecendo-te, dar-te a conhecer.

Ação
             Procura ao longo do dia de hoje ser mediador da bondade de Jesus na tua vida, com aqueles que te encontram. E porque não andar hoje com um sinal visível de que és de Jesus (uma pequena cruz, um pequeno desenho, ... ?

TERÇA-FEIRA

Palavra - Filipe foi dizê-lo a André; e então André e Filipe foram dizê-lo a Jesus. Jesus respondeu-lhes: «Chegou a hora em que o Filho do homem vai ser glorificado. Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará muito fruto.
            A introduzir esta espécie de parábola, está o anúncio de Jesus da chegada do tempo em que as palavras e os sinais chegam ao fim pois se aproxima a hora do sinal definitivo de entrega de Jesus na sua paixão e morte para nos alcançar a redenção. Tal como o grão de trigo, se não morrer, não dará fruto.

Meditação
               Esta é a mensagem mais profunda de Jesus: o seu amor feito oferta, o amor que se dá a si mesmo, porque este “perder” gera vida. Num paradoxal contra senso: é precisa a morte para que haja mais vida. É preciso um fim, para que haja um princípio. Um dar-se para que haja um receber. Na certeza do bem maior no fruto de amor novo que transborda de emoção cada vez que recordamos o quão longe Deus amou o mundo enviando-nos o Seu Filho, para que desse a vida, em nosso favor, para nos elevar até Deus, para nos fazer eternos.

Oração
               Se somos sementes, Senhor, a que devemos morrer? Tu és a Fonte do nosso existir. Suave nome. Suave história de amor que se oferece. Vida que se torna eternidade. Quero, Senhor, morrer para tudo o que me afasta de ti. Para ter vida em abundância. A tua eternidade.

Ação
             Procura uma realidade da tua vida a ser transformada. Em tempo de Quaresma, é sempre oportuno procurarmos transformar o que em nós não é de Deus.

QUARTA-FEIRA

Palavra - Quem ama a sua vida, perdê-la-á, e quem despreza a sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna. Se alguém Me quiser servir, que Me siga, e onde Eu estiver, ali estará também o meu servo. E se alguém Me servir, meu Pai o honrará.
                Um mandamento novo, síntese do Evangelho de Jesus: dar a vida por amor. Seguindo-O somos conduzidos ao encontro do Pai que se torna eternidade.

Meditação
                Amar a vida para a perder e ganhar na eternidade. Totalmente o contrário do que habitualmente a pensamos. Um novo mandamento de amor feito vida. Um mandamento que se torna forma de seguimento, um serviço, uma entrega. Não há maior amor que dar a vida. Que estamos ainda dispostos a dar em troca do amor de Deus.

Oração
Tudo quero perder, por ti, meu Senhor. Em tudo quero viver, desse amor que me faz teu. Tudo quero amar, perdendo, se necessário for, para tudo de novo ganhar. Em ti. Para que onde eu estiver, tu estejas. E onde eu sirva, tu sirvas. E onde ame, tu ames.

Ação
Procura a atenção de alguém que necessite do teu serviço, testemunha do serviço de Jesus.

QUINTA-FEIRA

Palavra - Agora a minha alma está perturbada. E que hei de dizer? Pai, salva-me desta hora? Mas por causa disto é que Eu cheguei a esta hora. Pai, glorifica o teu nome». Veio então do Céu uma voz que dizia: «Já o glorifiquei e tornarei a glorificá-lo».
                Este é o texto do Getsêmani de João (bem diferente dos outros evangelistas). Diante dos que o procuram fica sem que dizer porque partirá, em breve, para viver a hora da entrega. Do céu surge a confirmação. Deus amando o Seu Filho, glorifica-o para nossa eternidade. A glorificação é o tema mais frequente para João se referir à Páscoa de Cristo. É chegada a hora da Páscoa, confirmada na teofania do céu.

Meditação
                Todas as palavras se tornam aqui mensagem fundamental desse amor que tudo toca. É chegada a hora. A hora do encontro. A hora em que Jesus se entrega, na cruz e na glória pascal a ela associada. Uma glorificação que supõe um itinerário de dor, horror e morte. A morte de Jesus que se faz oferta oblativa de tudo em si por nós. Até onde estás disposto tu a dar a vida a Jesus?

Oração
               Rezas intensamente, libertando-te daquilo que te espera. Não temes dizer-nos que temes a morte, o sofrimento, na humanidade do teu ser. Não temes, também, no entanto, amar, tudo entregando por cada um de nós. Quando assim rezas, muito me amas. E quanto mais me amas, mais vivo. Glorifico, agora, o teu nome. Glorifico, agora, todo o teu ser. Meu Senhor e meu Deus!

Ação
           Procura ao longo do dia de hoje um momento (uma hora) para glorificar, também tu, o nome de Jesus.

SEXTA-FEIRA

Palavra - A multidão que estava presente e ouvira dizia ter sido um trovão. Outros afirmavam: «Foi um Anjo que Lhe falou». Disse Jesus: «Não foi por minha causa que esta voz se fez ouvir; foi por vossa causa. Chegou a hora em que este mundo vai ser julgado.
                A hora é também tempo de juízo. Um juízo definitivo. Um juízo de Deus. De fato, Jesus na cruz torna-se, num ápice, o sentido do juízo, no rei que triunfa sobre o mal. Sobre todos os males. Na sua entrega, um novo ciclo se inicia, julgando-se os tempos velhos, a antiga aliança, para um novo tempo. O tempo de Cristo.

Meditação
            Abre-se uma gramática nova para o sentido do que sou e do que vivo. Um novo agir é agora consequência deste amor grande de Deus. Uma vida dada que gera vida. Uma vida entregue que gera esperança e nova solidariedade, nova comunidade, nova liberdade. Nova vida em Cristo Jesus. Para quando isto em mim?

Oração
                Por mim. Foi por mim. Que mais te posso dizer? Chegou essa tua hora de entrega. Desse amor que se faz tudo. Não encontro palavras. Nem lamentos. Nem outros medos. Em tuas mãos me entrego, também eu. Para louvar e agradecer. Para amar. Para te amar, meu Senhor.

Ação
              Procura ao longo do dia de hoje fazer um tempo de pausa para avaliar, num exame de consciência, o que em ti deve ainda mudar nesta Quaresma.

SÁBADO

Palavra - Chegou a hora em que vai ser expulso o príncipe deste mundo. E quando Eu for elevado da terra, atrairei todos a Mim». Falava deste modo, para indicar de que morte ia morrer.
             Atrair é a palavra chave que permite ao amor existir. Suscitará o seguimento e o discipulado, de adesão em tudo ao que é de Deus. Falando do que sucederá. Anunciando aos seus a proximidade da sua paixão e morte. A morte não é aqui o fim da linha, mas a passagem para a glória da divindade.

Meditação
               Aproxima-se a Páscoa, momento forte da vida cristã. O mistério torna-se tempo e contemplação. O mistério torna-se entrega na paixão e morte. Para ressurgir como ressurreição. É tempo de parar. Preparar a semana maior que aí vem. Viver os últimos dias desta Quaresma para em força viver a Semana Santa.

Oração
          Vou fazer silêncio, Senhor. Quero calar o que me afasta agora de ti. Quero silenciar o que não importa. Quero viver para ti. Seguir-te. Ser teu discípulo. Vivendo intensamente a Páscoa que se aproxima. Sem muitas palavras. Contemplando.

Ação
              No dia de hoje faz um pouco de silêncio para poder preparar bem a Semana Santa. Silêncio.

sexta-feira, 23 de março de 2012


AS SETE DORES DA VIRGEM MARIA.

Queridos irmãos da Ordem Terceira do Carmo.
Hoje, sábado, damos início à celebração do Setenário das Dores de Nossa Senhora.
Assim, temos aqui a oração da Coroa de Nossa Senhora das Dores, para recitarmos até a próxima sexta-feira. 
Início:
D- Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
R- Amém!
D- Nós vos louvamos, Senhor, e vos bendizemos!
R- Porque associastes a Virgem Maria à obra da salvação.
D- Nós contemplamos vossas Dores, ó mãe de Deus!
R- E vos seguimos no caminho da fé!

Oração Inicial:
Bendito seja Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo! A Ele o louvor e a glória nos Séculos! Na sua misericórdia nos regenerou para tinia esperança viva com a Ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos. A bem-aventurada Virgem Maria avançou na peregrinação da fé e conservou com fidelidade sua união com o Filho até a Cruz, onde, não sem uni desígnio divino, esteve sofrendo profundamente com Seu Unigênito e associando-se com animo materno ao Seu sacrifício; e, finalmente, foi dada como mãe ao discípulo amado pelo mesmo Jesus que morria na Cruz. Contemplemos e vivamos a dor e a esperança da Mãe. Sua fé ilumine nossa vida; sua materna proteção acompanhe nosso caminho para o encontro com o Senhor da glória.

1ª Dor - Profecia de Simeão
Simeão os abençoou e disse a Maria, sua mãe: Eis que este menino está destinado a ser ocasião de queda e elevação de muitos em Israel e sinal de contradição. Quanto a ti, uma espada te transpassará a alma (Lc 2,34-35).
1 Pai Nosso; 7 Ave Marias; Glória ao Pai
ORAÇÃO: Ó Pai, resplandeça sempre a virgem Igreja, esposa de Cristo, pela fidelidade irrepreensível ao pacto do Vosso amor, e que, seguindo o exemplo de Maria, Vossa humilde serva, que apresentou ao Templo o autor da nova lei, conserve a pureza da fé, alimente o ardor da caridade e renove continuamente a esperança dos bens futuros. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.


 
2ª Dor - Fuga para o Egito
 O anjo do Senhor apareceu em sonho a José e disse: Levanta, toma o menino e a mãe, foge para o Egito e fica lá até que te avise. Pois Herodes vai procurar o menino para matá-lo. Levantando-se, José tomou o menino e a mãe, e partiu para o Egito (Mt 2,13-14). 
1 Pai Nosso; 7 Ave Marias; Glória ao Pai
ORAÇÃO: Ó Deus fiel, que na Virgem Maria cumpristes as promessas feitas aos nossos pais, dai-nos a graça de seguir o exemplo da Filha de Sião, que Vos agradou com a humildade e com a obediência cooperou com a redenção do mundo. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém. 



3ª Dor - Maria procura Jesus em Jerusalém
Acabados os dias da festa da Páscoa, quando voltaram, o menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que os pais o percebessem. Pensando que estivesse na caravana, andaram o caminho de um dia e o procuraram entre parentes e conhecidos. E, não o achando, voltaram a Jerusalém à procura dele (Lc 2,43b-45).
1 Pai Nosso; 7 Ave Marias; Glória ao Pai
ORAÇÃO: Ó Deus, que na Sagrada Família nos destes um verdadeiro modelo de vida, fazei que, pela intercessão da Virgem Maria e de São José, o Vosso Filho nos conceda caminhar entre as dificuldades do mundo, sempre voltados para os bens eternos. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém.

                                             4ª Dor - Jesus encontra a Sua Mãe no caminho do Calvário
Ao conduzir Jesus, lançaram mão de um certo Simão de Cirene, que vinha do campo, e o encarregaram de levar a cruz atrás de Jesus. Seguia-o grande multidão de povo e de mulheres que batiam no peito e o lamentavam (Lc 23,26-27).
1 Pai Nosso; 7 Ave Marias; Glória ao Pai
ORAÇÃO: Jesus, que no caminho do calvário voltastes os olhos para Vossa Mãe, concedei-nos, em meio aos sofrimentos da vida, a audácia e a alegria de acolher-Vos e seguir-Vos com toda a confiança. Cristo, fonte da vida, daí-nos contemplar o Vosso Rosto e encontrar, na loucura da Cruz, a promessa de nossa ressurreição. Vós que viveis e reinais com o Pai, na unidade do Espírito Santo. Amém.


                                             5ª Dor - Maria ao pé da Cruz de Jesus
Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Vendo a Mãe e, perto dela, o discípulo a quem amava, disse Jesus para a mãe: Mulher, eis aí o teu filho! Depois disse para o discípulo: Eis aí a tua Mãe! (Jo 19,15-27a).
1 Pai Nosso; 7 Ave Marias; Glória ao Pai
ORAÇÃO: Ó Deus, que em Vosso misterioso desígnio de salvação quisestes continuar a Paixão de Vosso Filho nos membros sofredores de Seu corpo, que é a Igreja, fazei que, unidos à Mãe desolada aos pés da Cruz, aprendamos a reconhecer e servir com amor o Cristo sofredor nos irmãos. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.


6ª Dor - Maria recebe Jesus descido da Cruz
Chegada a tarde, porque era o dia da Preparação, isto é, a véspera de sábado, veio José de Arimatéia, entrou decidido na casa de Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Pilatos, então, deu o cadáver a José, que retirou o corpo da cruz (Mc 15,42).
1 Pai Nosso; 7 Ave Marias; Glória ao Pai
ORAÇÃO: Ó Deus, que para redimir o gênero humano, seduzido pelo maligno, associastes à Paixão do Vosso Filho a Mãe das Dores, fazei que todos os filhos de Adão, restaurados dos efeitos devastadores da culpa, participem da criação renovada no Cristo Redentor. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.


7ª Dor - Maria deposita Jesus no Sepulcro
Os discípulos tiraram o corpo de Jesus e envolveram em faixas de linho com aromas, conforme é o costume de sepultar dos judeus. Havia perto do local, onde fora crucificado, um jardim, e no jardim um sepulcro novo onde ninguém ainda fora depositado. Foi ali que puseram Jesus (Jo 19,40-42a).
1 Pai Nosso; 7 Ave Marias; Glória ao Pai
ORAÇÃO: Pai Santo, que no mistério pascal estabelecestes a Salvação do gênero humano, concedei a todos os homens, com a graça de Vosso Espírito, serem incluídos no número dos filhos adotivos que Jesus confiou à Virgem Mãe. Por Cristo, nosso Senhor. 
Nós vos louvamos e veneramos, Senhora das Dores.
Mãe fiel junto da Cruz do Filho amado.

Salve Rainha…..

Leia, abaixo, a meditação da Paixão de Cristo e o 24º dia do Mês de Nosso Pai e Senhor São José

M E D I T A Ç Õ E S    Q U A R E S M A I S
O SERVO SOFREDOR - A história da paixão de Cristo XXXII


Verdadeiramente, este homem era justo.

Vendo o centurião o que tinha acontecido, deu glória a Deus, dizendo: Verdadeiramente, este homem era justo.  E todas as multidões reunidas para este espetáculo, vendo o que havia acontecido, retiraram-se a lamentar, batendo nos peitos (Lucas 23.47-48).

     Eram aproximadamente três horas da tarde, quando Jesus entregou o seu espírito e faleceu. Ao falecer aconteceram coisas estupendas. A terra tremeu. Sepulcros se abriram e os mortos saíram e foram vistos em Jerusalém (Mateus 27.51-53). O véu do tempo se rasgou em duas partes de alto abaixo. Uma convulsão da natureza frente ao grande pecado da humanidade. A criatura matou seu Criador. Pecadores perdidos mataram seu Salvador. Ao mesmo tempo cumpriu-se o que Jesus havia disse: E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo (João 12.32).
     Ele salvou toda a humanidade, mas nem todos se deixam atrair a ele. Muitos fariseus continuavam zombando, alguns, mais tarde, se converteram. Ao pé da cruz aconteceram coisas impressionantes. O centurião romano, que comandou toda a crucificação, de repente bate em seu peito e exclama: Verdadeiramente, este homem era justo. O evangelista Mateus dá mais alguns detalhes e escreve: O centurião e os que com ele guardavam a Jesus, vendo o terremoto e tudo o que se passava, ficaram possuídos de grande temor e disseram: Verdadeiramente este era Filho de Deus (Mateus 27.54). Que confissão. Tudo o que presenciou e ouviu ao pé da cruz, teve um forte impacto em sua alma? Ele sabia: Sob meu comando, o Filho de Deus foi morto. Como vou poder comparecer diante de Deus Pai? Mas lemos: Vendo o centurião o que tinha acontecido, deu glória a Deus. Como alguém, com tamanha culpa na consciência, pôde dar glórias a Deus? Não deveria ele ter desesperado diante desse reconhecimento? Eis que ele reconheceu não somente o fato da morte de Cristo, mas também o proveito disso para ele e a humanidade. Jesus morreu para salvar a humanidade, para reconciliá-la com Deus Pai. O centurião, portanto, não só estremeceu diante do fato, mas também creu em Cristo como seu Salvador e isso o levou a dar glórias a Deus.
       O apóstolo escreve: Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus (1 Coríntios 1.18). Assim o é até hoje. Pela palavra da cruz o Espírito Santo ilumina, chama e congrega, mas quem obstinada e insistentemente lhe resiste, se perde.

quinta-feira, 22 de março de 2012

M E D I T A Ç Õ E S    Q U A R E S M A I S
O SERVO SOFREDOR - A história da paixão de Cristo XXXI

Os que iam passando blasfemavam dele

     Os que iam passando blasfemavam dele, meneando a cabeça e dizendo:  Ó tu que destróis o santuário e em três dias o reedificas! Salva-te a ti mesmo, se és Filho de Deus, e desce da cruz!  De igual modo, os principais sacerdotes, com os escribas e anciãos, escarnecendo, diziam:  Salvou os outros, a si mesmo não pode salvar-se. É rei de Israel! Desça da cruz, e creremos nele.  Confiou em Deus; pois venha livrá-lo agora, se, de fato, lhe quer bem; porque disse: Sou Filho de Deus.  E os mesmos impropérios lhe diziam também os ladrões que haviam sido crucificados com ele (Mateus 27.39-44).

     Os crucificados estão dependurados nas suas cruzes. Os inimigos jubilam. Finalmente alcançaram seu intento. Irrompem em zombarias. Interessante é observar que tipo de zombaria. Salvou os outros, salve-se a si mesmo. Eles lembram bem os muitos milagres de Jesus. Outra zombaria: Confiou em Deus! Diz-se Filho de Deus, que Deus venha salvá-lo agora. Imaginam. Eles lembram bem os sermões de Jesus. Com isso expressam o temor de seus corações. Temia que isso fosse verdade. E agora, crucificado, parece haver neles um alívio na consciência. Lembram talvez a hora em que queria apedrejá-lo e Jesus tornou-se invisível e se retirou. Temia, agora, que na última hora pudesse dar tudo errado. Mas agora ele estava na cruz. Venceram. O medo de seus corações se transformou em jubilosa zombaria.
     Ainda hoje, os inimigos ao pé da cruz são em número maior do que os fiéis, que o reconhecem como Filho de Deus e o adoram.
     Ainda hoje a cruz é escândalo para os judeus e loucura para os gentios (1 Coríntios 1.23). A razão não pode pensar diferente. Um homem sangrando na cruz, não pode ser Deus. Que pai judiaria assim o seu próprio filho? Como Deus que é amor, poderia martirizar assim seu próprio e unigênito Filho? De fato, todo o plano da salvação nos parece loucura e nos escandaliza. A razão não o pode compreender.
    Somente a quem o Espírito Santo abrir os olhos, iluminar e chamar, este verá, como o malfeitor na cruz, aqui está o Filho de Deus, sofrendo em lugar da humanidade, para reconciliar o mundo com Deus. Aqui Deus fez aquele que não conheceu pecado, pecado por nós, para que fossemos feitos filhos de Deus. Incompreensível, maravilhoso. E quem o crê tem o que a promessa de Deus lhe diz e sela: perdão dos pecados, vida e eterna salvação. 

quarta-feira, 21 de março de 2012


M E D I T A Ç Õ E S    Q U A R E S M A I S
O SERVO SOFREDOR - A história da paixão de Cristo XXX

JESUS NAZARENO, O REI DOS JUDEUS

     Pilatos escreveu também um título e o colocou no cimo da cruz; o que estava escrito era: JESUS NAZARENO, O REI DOS JUDEUS.  Muitos judeus leram este título, porque o lugar em que Jesus fora crucificado era perto da cidade; e estava escrito em hebraico, latim e grego.  Os principais sacerdotes diziam a Pilatos: Não escrevas: Rei dos judeus, e sim que ele disse: Sou o rei dos judeus.  Respondeu Pilatos: O que escrevi escrevi (João 19.19-22).
     O ato da crucificação terminou. No monte Gólgota, que fica perto de Jerusalém, na estrada que conduz para Cesaréia e Galiléia, estavam três homens agonizando na cruz, e uma multidão aglomerada ao pé da cruz. A atenção de quase todos estava voltada para a cruz central, na qual estava fixado o letreiro: Jesus Nazareno, rei dos judeus.
     Pilatos ordenou que se escrevesse esta tabuleta para zombar dos fariseus, que exigiram a condenação de Jesus, sob a alegação: Ele se fez rei. Ao mesmo tempo era costume assinalar por uma tabuleta o motivo da condenação. 
     Jesus Nazareno, rei dos judeus. Jesus, realmente, era Rei. Ele o havia declarado a Pilatos. Eu para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz (João 18.37). O profeta Jeremias profetizou a respeito dizendo: Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que levantarei a Davi um Renovo justo; e, rei que é, reinará, e agirá sabiamente, e executará o juízo e a justiça na terra (Jeremias 23.5). E o anjo anunciou a Maria: Ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim (Lucas 1.33). Quando os Magos chegaram a Jerusalém, eles perguntaram: Onde está o recém-nascido Rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos para adorá-lo (Mateus 2.2). Quando Natanael encontrou Jesus, ele exclamou: Mestre, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel! (João 1.49)
     Este rei Jesus veio ao mundo não para estabelecer aqui um reino material, mas para libertar a humanidade da culpa do pecado, do poder da morte e da escravidão de Satanás, para reconciliar a humanidade com Deus Pai e conduzi-la ao lar celestial. Quão triste, porém. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam (João 1.11). O povo de Israel queria um rei que o libertasse do jugo romano e lhe desse dias felizes e de glória mundana. Vendo que Jesus não veio para isso, eles o rejeitaram e disseram a Pilatos: Não queremos que este reine sobre nós (Lucas 19.14). Ainda hoje muitos pensam como os judeus. Querem um rei que lhes proporcione saúde e felicidade material.
     O anjo disse a José: Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles (Mateus 1.21). Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido (Lucas 19.10). Ele recebeu também o apelido de Nazareno, porque se criou na cidade de Nazaré, como lemos: E foi habitar numa cidade chamada Nazaré, para que se cumprisse o que fora dito por intermédio dos profetas: Ele será chamado Nazareno (Mateus 2.23; Isaías 53.2,3). Assim o vemos pregado na cruz, sem formosura, nem aparência, sem majestade, sem glória. No entanto, ele é o Rei dos reis, o Senhor dos senhores, que se humilhou tão profundamente para reconciliar a humanidade com Deus e libertá-la de seus inimigos: pecado, morte e Satanás.
     No terceiro dia, ele ressuscitou. Triunfou sobre a morte e disse aos seus: Eu vivo, vós também vivereis. (João 14.19). E lemos na Escritura: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por estrado dos teus pés (Lucas 20.42,43). E os anjos nos céus cantam: Digno é o Cordeiro que foi morto de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor (Apocalipse 5.12). E o próprio Jesus afirma: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra (Mateus 28.18).
    Ele é especialmente o teu Senhor. Já o reconheceste como tal? Ainda é tempo da graça. Ainda Jesus convida, dizendo: Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei (Mateus 11.28). A ele queremos adorar e proclamar.

terça-feira, 20 de março de 2012


M E D I T A Ç Õ E S    Q U A R E S M A I S
O SERVO SOFREDOR - A história da paixão de Cristo XXIX

Gólgota

     E, chegando a um lugar chamado Gólgota, que significa Lugar da Caveira, deram-lhe a beber vinho com fel; mas ele, provando-o, não o quis beber.  Depois de o crucificarem, repartiram entre si as suas vestes, tirando a sorte (Mateus 27.33-35).

     Chegaram ao Gólgota, que significa lugar da caveira. Era um lugar que ficava a 230 metros da porta chamada Damasco, onde estava a gruta de Jeremias. É o único lugar na redondeza que ainda hoje tem esse nome. Suas rochas, de 10 metros de altura, têm grande semelhança com uma caveira. A tradição, no entanto, coloca Gólgota no lugar onde hoje se acha o Santo Sepulcro, fora do antigo muro de Jerusalém, mas dentro do muro atual. Afirmam que o lugar se chamava assim por que havia ali muitas caveiras. Isso vai, no entanto, contra o costume judaico que entravam seus mortos. Era lhes proibido deixar um cadáver humano desenterrado. Sabemos que Gólgota ficava fora do muro. E não deve ser esquecido que o terceiro muro provavelmente já tinha sido construído no tempo de Jesus. Bem, o importante não é o lugar, mas contemplar o que aconteceu ali. Para nós, por isso, Gólgota está em todo o lugar onde podemos meditar sobre os sofrimentos de Jesus e abraçá-lo em fé.
     Ali, no Gólgota aconteceu o maior milagre que esta terra já viu. Aconteceu o que é  loucura para a razão, que se escandaliza nesse acontecimento. Ali, a Trindade revelou seu imenso amor à humanidade e especialmente a ti e a mim. Ali o próprio Filho de Deus, Jesus Cristo, deu sua vida por nós. Ali Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo (2 Coríntios 5.19).
   Tendo chegado ao monte Calvário, despiram Jesus. Ofereceram-lhe vinagre com fel, para amainar as horríveis dores da crucificação, mas Jesus o recusou. Era costume dos romanos punirem seus escravos rebeldes, estrangeiros e grandes malfeitores, com a crucificação. O processo da crucificação variava. Na maioria das vezes os infelizes eram pregados na cruz que em seguida a cruz era erguida. Por vezes, cada pé era pregado separado, outras vezes os dois pés eram atravessados por um prego grande. Outros eram só amarrados à cruz. As agonias eram indescritíveis. Expostos ao sol, às nuvens de moscas, os condenados ficavam sofrendo ali dores e sede, por vezes até quatro a seis dias, conforme descrição de historiadores da época.
     Impressionante! O Senhor dos senhores, o Senhor do mundo, o Senhor da glória crucificado por suas criaturas e pelo povo que Deus formou para ser o seu povo. O apóstolo Paulo afirma: Sabedoria essa que nenhum dos poderosos deste século conheceu; porque, se a tivessem conhecido, jamais teriam crucificado o Senhor da glória (1 Coríntios 2.8).
     A crucificação de Jesus não foi somente conseqüência e expressão de ódio dos fariseus. Deus o havia planejado desde a eternidade. Ele anunciou a Adão e Eva: Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar (Gênesis 3.15). A haste com a serpente, que Moisés levantou no deserto, por ordem de Deus, era uma figura da cruz de Cristo (João 3.14). No Salmo 22, o rei Davi fala da morte de Cristo: Secou-se o meu vigor, como um caco de barro, e a língua se me apega ao céu da boca; assim, me deitas no pó da morte (Salmos 22.15). Jesus fala pelo profeta Isaías e diz: Fui contado com os transgressores (Isaías 53.12). E pelo profeta Zacarias Jesus diz: Olharão para mim, a quem traspassaram (Zacarias 12.10). Tudo se cumpriu perfeitamente.
     Mas, ao contemplarmos os acontecimentos na cruz, precisamos perguntar-nos sempre de novo: Por que tudo isso? E a única resposta é: Por minha causa. O apóstolo Paulo afirma: Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo de maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da lei, para praticá-las (Gálatas 3.10). E o apóstolo Pedro afirma: Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; por suas chagas, fostes curados (1 Pedro 2.24).
     Moisés afirma: Será, porém, que, se não deres ouvidos à voz do SENHOR, teu Deus, não cuidando em cumprir todos os seus mandamentos e os seus estatutos que, hoje, te ordeno, então, virão todas estas maldições sobre ti e te alcançarão: Maldito serás tu na cidade e maldito serás no campo.  Maldito o teu cesto e a tua amassadeira.  Maldito o fruto do teu ventre, e o fruto da tua terra, e as crias das tuas vacas e das tuas ovelhas.  Maldito serás ao entrares e maldito, ao saíres (Deuteronômio 28.15-19). Toda essa maldição Jesus tomou sobre si, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Maravilhosa salvação. Pobres e ricos, jovens e velhos, reis e mendigos, ao pé da cruz encontram perdão, vida e eterna salvação.

segunda-feira, 19 de março de 2012

M E D I T A Ç Õ E S    Q U A R E S M A I S

O SERVO SOFREDOR - A história da paixão de Cristo XXVIII

O cireneu, chamado Simão

     Ao saírem, encontraram um cireneu, chamado Simão, a quem obrigaram a carregar-lhe a cruz. (Mateus 27.32)
     O cortejo chegou ao ponto mais fundo do vale. Agora começaria a lenta subida ao monte Gólgota. Jesus caiu exausto sob o peso da cruz. Não é de admirar. Por tudo o que sofreu nas últimas horas, desde quinta-feira à noite, quando foi preso. Suas forças humanas se esgotaram.
    Os soldados viram que não adiantava chicotear. Olharam em derredor para ver quem poderia ajudar. Não fizeram isto por compaixão com Jesus ou para lhe aliviar o peso da cruz, mas simplesmente, porque não queriam atrasar a crucificação, ou talvez por medo de que ele viesse a morrer antes. Mas, em derredor deles não se achava ninguém que pudesse carregar a cruz. Lembramos a ordem de Deus: Se vires prostrado debaixo da sua carga o jumento daquele que te aborrece, não o abandonarás, mas ajudá-lo-ás a erguê-lo (Êxodo 23.5). Mesmo do jumento de um inimigo deveríamos ter compaixão. Aqui está o Filho de Deus e ninguém para lhe ajudar a carregar a cruz. Onde estavam os discípulos, especialmente Pedro que estava pronto a morrer com Jesus? Estamos nós hoje prontos a nos empenhar no trabalho de levar o evangelho a todas as nações? Ou também nos esquivamos para ficar diante da televisão, em nossos momentos de lazer e recreações?
     Os soldados não lhe ajudaram. Então um dos soldados viu um homem que veio do campo e olhou de curioso. Eles o agarraram e o obrigaram a carregar a cruz. Era Simão, de uma cidade ao norte da África, chamada Cirene. Provavelmente um judeu que veio para a festa da páscoa e se hospedou numa cidade circunvizinhança. Quando o chamaram, ele não quis, mas eles o obrigaram a isso. Realmente era algo muito vergonhoso carregar a cruz de um condenado. Além disso, isso o tornava impuro para participar das festividades da páscoa. Talvez fosse um motivo porque lançaram mão de Simão que parecia ser um estrangeiro.
    Forçaram a Simão a carregar a cruz. Na noite passada, no jardim do Getsêmani, um anjo veio confortá-lo; aqui Simão precisa ajudar a carregar a cruz. Inesperada e fulminantemente Simão viu-se sob a cruz. Era acaso? Por que ele escolheu esse caminho? Por que os soldados tomaram a ele? As pessoas dizem: Isto é acaso. Deus não vê isso assim. O profeta Jeremias afirma: Eu sei, ó SENHOR, que não cabe ao homem determinar o seu caminho, nem ao que caminha o dirigir os seus passos (Jeremias 10.23). E o salmista afirma: Ele, que forma (governa, dirige) o coração de todos eles, que contempla todas as suas obras (Salmos 33.15).
      Esta hora que parecia para Simão horrível, tornou-se uma hora de grande bênção. Nesta hora Deus lhe abriu o céu para ele e para seus familiares. Não que o carregar da cruz o tivesse purificado, mas o colocou em contato com Jesus. Provavelmente ao chegar ao Gólgota, Simão não saiu logo dali, mas observou atentamente os acontecimentos. Ouviu sobre Jesus, ouviu as palavras e a oração de Jesus. Estas palavras o levaram ao verdadeiro conhecimento de quem era Jesus, e à fé em Cristo.
     No dia de Pentecostes encontramos pessoas de Cirene em Jerusalém. Atos dos Apóstolos menciona seus filhos: Rufo e Alexandre (Atos 19.33; Romanos 16.13). Em Cirene foi fundada uma das primeiras comunidades cristãs. Este encontro transformou-se num momento de grande bênção para Simão, sua família e sua cidade. O encontro com Jesus, seja sob que condições, traz bênção para as pessoas.

 Tome a sua cruz e siga-me

     Jesus disse a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. (Mateus 16.24)
     O cortejo seguiu lentamente morro acima. Havia três condenados que portavam suas cruzes.
     Comecemos pelo primeiro, Jesus. Ele carregou sua cruz por uma boa parte do trajeto. Exausto e esgotados pelos sofrimentos, caiu. Os soldados romanos tomaram a Simão o Cireneu, e o obrigaram a carregar a cruz de Jesus. Mas Jesus continuou a carregar a cruz principal, os pecados de toda a humanidade. Nisso ninguém lhe poderia ajudar. Ele carregou sozinho esse peso até a morte na cruz.
     Após ele, vinham Simão, carregando a cruz de Jesus. Esta cruz foi-lhe imposta a força, e veio a ser lhe uma bênção. Assim Jesus, em seu grande amor, impõe por vezes cruzes aos seus fiéis, que no momento não compreendemos e nos pesam, mas que nos são uma bênção.
     Que cruzes são estas? São diversos. Por vezes o ódio e desprezo do mundo por causa do nome de Jesus. Por vezes, prejuízos materiais por causa de nosso comportamento cristão, por não compartilharmos as injustiças, fraudes e enganos do mundo. Outras vezes são enfermidades, a fim de nos afastar do amor ao mundo e das coisas que há no mundo. Enfermidades que Jesus santificou para nós (Isaias 53.4).
    Nossa carne se opõe à cruz. Simão não a quis carregar. Ao apóstolo Pedro Jesus diz: Eles te conduzirão para onde não queres ir (João 21.18). Esta cruz que Jesus impõe, no entanto, nos é uma bênção. O apóstolo Paulo escreve: E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança.  Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado (Romanos 5.3-5). Nestes momentos de cruz, Jesus não nos deixa sozinhos, ele diz: Não temas eu estou contigo. Por isso o apóstolo Paulo afirma: Tudo posso naquele que me fortalece (Filipenses 4.13). E ao apóstolo Paulo, Jesus disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo (2 Coríntios 12.9).
    Enquanto estivermos aqui na terra, sempre teremos uma cruz a carregar, ora mais pesada, ora mais leve, porque a igreja está sob a cruz. A verdadeira libertação só virá na Jerusalém celestial. Lá nos serão enxugadas todas as lágrimas (Apocalipse 21.4).
    Atrás de Jesus seguiam dois malfeitores, carregando suas cruzes. Recebiam o castigo que seus atos mereceram. O apóstolo Pedro diz: Não sofra, porém, nenhum de vós como assassino, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se intromete em negócios de outrem (1 Pedro 4.15). Há muitos sofrimentos que não são cruzes, são sofrimentos que causamos por nossos pecados. Quer por vícios que arruínam a saúde, quer por má educação de nossos filhos que nos causam sofrimentos, quer porque não fomos honestos, defraudamos e colhemos as conseqüências. Esses não têm motivos para se queixarem da cruz. Estes são sofrimentos devem nos levar ao arrependimento. E quando reconhecemos nossas culpas e recorremos a Jesus, como o malfeitor na cruz, ouviremos de Jesus também as palavras confortadoras: Perdoados são os teus pecados. E Jesus nos dará forças para suportar as aflições. Mas os que não se arrependem, a cruz lhes é um castigo e prenúncio dos grandes sofrimentos infernais.