quarta-feira, 27 de maio de 2020

Quinta-feira da 7ª semana da Páscoa


1ª Leitura (At 22,30;23,6-11): Naqueles dias, querendo o tribuno obter informações seguras sobre as acusações dos judeus contra Paulo, mandou que lhe tirassem as algemas e reunissem os príncipes dos sacerdotes e todo o Sinédrio. Fez então descer Paulo para comparecer diante deles. Paulo, sabendo que o Conselho era constituído pelo partido dos saduceus e pelo partido dos fariseus, exclamou no meio do Sinédrio: «Irmãos, eu sou fariseu, filho de fariseus, e é pela nossa esperança na ressurreição dos mortos que estou a ser julgado». Estas palavras desencadearam um conflito entre fariseus e saduceus e a assembleia dividiu-se. De fato os saduceus dizem que não há ressurreição, nem Anjos, nem espíritos, ao passo que os fariseus afirmam uma e outra coisa. Levantou-se enorme gritaria e alguns escribas do partido dos fariseus ergueram-se e começaram a protestar com energia, dizendo: «Não encontramos nenhum mal neste homem. E se foi um espírito ou um Anjo que lhe falou?». A discussão redobrou de violência, a tal ponto que o tribuno, receando que eles despedaçassem Paulo, ordenou que os soldados descessem para o tirarem do meio deles e o reconduzissem à fortaleza. Na noite seguinte, o Senhor apareceu a Paulo e disse-lhe: «Coragem! Assim como deste testemunho de Mim em Jerusalém, deverás dar testemunho também em Roma».

Salmo Responsorial: 15
R. Defendei-me, Senhor: Vós sois o meu refúgio.

Defendei-me, Senhor; Vós sois o meu refúgio. Digo ao Senhor: Vós sois o meu Deus. Senhor, porção da minha herança e do meu cálice, está nas vossas mãos o meu destino.

Bendigo o Senhor por me ter aconselhado, até de noite me inspira interiormente. O Senhor está sempre na minha presença, com Ele a meu lado não vacilarei.

Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta e até o meu corpo descansa tranquilo. Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos, nem deixareis o vosso fiel conhecer a corrupção.

Dar-me-eis a conhecer os caminhos da vida, alegria plena em vossa presença, delícias eternas à vossa direita.

Aleluia. Todos sejam um, ó Pai, como Tu em Mim e Eu em Ti, para que o mundo acredite que Tu Me enviaste. Aleluia.

Evangelho (Jo 17,20-26): Naquele tempo, Jesus, alçando os olhos ao céu, disse: «Eu não rogo somente por eles, mas também por aqueles que vão crer em mim pela palavra deles. Que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim, e eu em ti. Que eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes dei a glória que tu me deste, para que eles sejam um, como nós somos um: eu neles, e tu em mim, para que sejam perfeitamente unidos, e o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste como amaste a mim. Pai, quero que estejam comigo aqueles que me deste, para que contemplem a minha glória, a glória que tu me deste, porque me amaste antes da criação do mundo. Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu te conheci, e estes conheceram que tu me enviaste. Eu lhes fiz conhecer o teu nome, e o farei conhecer ainda, para que o amor com que me amaste esteja neles, e eu mesmo esteja neles».

«Eu não rogo somente por eles, mas também por aqueles que vão crer em mim»

P. Joaquim PETIT Llimona, L.C. (Barcelona, Espanha)

Hoje, encontramos no Evangelho um sólido fundamento para a confiança: «Eu não rogo somente por eles, mas também por aqueles que (...) vão crer em mim...» (Jo 17,20). É o Coração de Jesus que, na intimidade com os seus, abre-lhes os tesouros inesgotáveis do seu Amor. Quer afiançar seus corações afligidos pelo ar de despedida que têm as palavras e gestos do Mestre durante a Santa Ceia. É a oração indefectível de Jesus que sobe junto ao Pai pedindo por eles. Quanta segurança e fortaleça encontrarão depois nessa oração ao longo da sua missão apostólica! Em meio de todas as dificuldades e perigos que tiveram que afrontar, essa oração os acompanhará e, será a fonte na que encontrarão a força e ousadia para dar testemunho da sua fé com a entrega da própria vida.

A contemplação dessa realidade, dessa oração de Jesus pelos seus, tem que atingir também as nossas vidas: «Eu não rogo somente por eles, mas também por aqueles que (...) vão crer em mim... ». Essas palavras atravessam os séculos e chegam, com a mesma intensidade com que foram pronunciadas, até o coração de todos e cada um dos crentes.

Na lembrança fresca da última visita de São João Paulo II a Espanha, encontramos nas palavras do Papa o eco dessa oração de Jesus pelos seus: «Com meus braços abertos, levo-os a todos no meu coração — disse o Pontífice na frente de mais de um milhão de pessoas —. A recordação desses dias vai transformar-se em oração pedindo para vos a paz em fraterna convivência, animados pela esperança cristã que nunca engana». E, já não tão próximo no tempo, outro Papa fazia uma exortação que nos chega ao coração depois de muitos séculos: «Não há nenhum doente a quem seja negada a vitória da cruz, nem há ninguém a quem não lhe ajude a oração de Cristo. Já que se esta foi de proveito para os que o maltrataram, quanto mais o será para os que se convertem a Ele?». (São Leão Magno)

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* O Evangelho de hoje traz a terceira e última parte da Oração Sacerdotal, na qual Jesus olha para o futuro e manifesta o seu grande desejo pela unidade entre nós, seus discípulos, e pela permanência de todos no amor que unifica, pois sem amor e sem unidade não merecemos credibilidade.

* João 17,20-23: Para que o mundo creia que tu me enviaste
Jesus alarga o horizonte e reza ao Pai: Eu não te peço só por estes, mas também por aqueles que vão acreditar em mim por causa da palavra deles, para que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti. E para que também eles estejam em nós, a fim de que o mundo acredite que tu me enviaste. Aqui transparece a grande preocupação de Jesus pela união que deve existir nas comunidades. Unidade não significa uniformidade, mas sim permanecer no amor, apesar de todas as tensões e conflitos. Amor que unifica a ponto de criar entre todos uma profunda unidade, como aquela que existe entre Jesus e o Pai. A unidade no amor revelada na Trindade é o modelo para as comunidades. Por isso, é através do amor entre as pessoas que as comunidades revelam ao mundo a mensagem mais profunda de Jesus. Como o povo dizia dos primeiros cristãos: “Veja como eles se amam!” É trágica a atual divisão entre as três religiões nascidas a partir de Abraão: judeus, cristãos e muçulmanos. Mais trágica ainda é a divisão entre nós cristãos que dizemos crer em Jesus. Divididos não merecemos credibilidade. O ecumenismo está no centro da última prece de Jesus ao Pai. É o seu Testamento. Ser cristão e não ser ecumênico é um contrassenso. Contradiz a última vontade de Jesus.

* João 17,24-26: Que o amor com que me amaste esteja neles
Jesus não quer ficar só. Ele diz: Pai, aqueles que tu me deste, eu quero que eles estejam comigo onde eu estiver, para que eles contemplem a minha glória que tu me deste, pois me amaste antes da criação do mundo. A felicidade de Jesus é que todos nós estejamos com ele. Ele quer que os discípulos e as discípulas tenham a mesma experiência que ele mesmo teve do Pai. Quer que conheçam o Pai como ele o conheceu. Na Bíblia, a palavra conhecer não se reduz a um conhecimento teórico racional, mas implica experimentar a presença de Deus na convivência amorosa com as pessoas na comunidade.

* Que sejam um como nós! (Unidade e Trindade no evangelho de João)
O evangelho de João nos ajuda muito na compreensão do mistério da Trindade, a comunhão entre as três pessoas divinas: o Pai, o Filho e o Espírito. Dos quatro evangelhos, João é o que mais acentua a profunda unidade entre o Pai e o Filho. Vemos pelo texto do evangelho (Jo 17,6-8) que a missão do Filho é a suprema manifestação do amor do Pai. É esta unidade entre Pai e Filho que faz Jesus proclamar: Eu e o Pai somos um (Jo 10,30). Entre ele e o Pai existe uma unidade tão intensa que quem vê o rosto de um vê também o do outro. É cumprindo esta missão de unidade recebida do Pai, que Jesus revela o Espírito. O Espírito da Verdade vem de junto do Pai (Jo 15,26). A pedido do Filho (Jo 14,16), o Pai o envia a cada um de nós para que permaneça conosco, nos animando e nos fortalecendo. O Espírito também nos vem do Filho (Jo 16,7-8). Assim, o Espírito da Verdade, que caminha conosco, é a comunicação da profunda unidade que existe entre o Pai e o Filho (Jo 15,26-27). O Espírito não pode comunicar outra verdade que não seja a Verdade do Filho. Tudo o que se relaciona com o mistério do Filho, o Espírito nos faz conhecer (Jo 16,13-14). Esta experiência da unidade em Deus foi muito forte nas comunidades do Discípulo Amado. O amor que une as pessoas divinas Pai e Filho e Espírito nos permite experimentar Deus através da união com as pessoas numa comunidade de amor. Assim também era a proposta da comunidade, onde o amor deveria ser o sinal da presença de Deus no meio da comunidade (Jo 13,34-35). E este amor constrói a unidade dentro da comunidade (Jo 17,21). Eles olhavam para a unidade em Deus para poder entender a unidade entre eles.

Para confronto pessoal
1) Dizia o bispo Dom Pedro Casaldáliga: “A Trindade ainda é a melhor comunidade”. Na comunidade da qual você faz parte, você percebe algum reflexo humano da Trindade Divina?
2) Ecumenismo. Sou ecumênico?

terça-feira, 26 de maio de 2020

Quarta-feira da 7ª semana da Páscoa


1ª Leitura (At 20,28-38): Naqueles dias, disse Paulo aos anciãos da Igreja de Éfeso: «Tende cuidado convosco e com todo o rebanho, do qual o Espírito Santo vos constituiu vigilantes para apascentardes a Igreja de Deus, que Ele adquiriu com o sangue do seu próprio Filho. Eu sei que, depois da minha partida, se hão de introduzir entre vós lobos devoradores que não pouparão o rebanho. De entre vós mesmos se hão de erguer homens com palavras perversas, para arrastarem os discípulos atrás de si. Por isso, sede vigilantes e lembrai-vos que, durante três anos, noite e dia, não cessei de exortar com lágrimas cada um de vós. Agora entrego- vos a Deus e à palavra da sua graça, que tem o poder de construir o edifício e conceder a herança a todos os santificados. Não desejei prata, ouro ou vestuário de ninguém. Vós próprios sabeis que estas mãos proveram às minhas necessidades e às dos meus companheiros. Em tudo vos mostrei que é trabalhando assim que devemos acudir aos mais fracos; e recordo-vos as palavras do Senhor Jesus: ‘Há mais felicidade em dar do que em receber’». Dito isto, Paulo pôs-se de joelhos e orou com eles. Todos romperam em pranto e, lançando-se ao pescoço de Paulo, começaram a abraçá-lo, consternados sobretudo por ele lhes ter dito que não mais tornariam a ver o seu rosto. Em seguida, acompanharam-no até ao barco.

Salmo Responsorial: 67
R. Povos da terra, cantai ao Senhor.

Mostrai, Senhor, o vosso poder, confirmai o que por nós fizestes. No vosso templo, em Jerusalém, os reis vos oferecem presentes.

Reinos da terra, cantai a Deus, entoai hinos ao Senhor, a Ele que avança pelos céus altíssimos e faz ouvir a sua voz poderosa.

Sobre Israel resplandece a sua majestade e nas nuvens está o seu poder. O Deus de Israel dá força e poder ao seu povo. Bendito seja Deus.

Aleluia. A vossa palavra, Senhor, é a verdade: santificai-nos na verdade. Aleluia.

Evangelho (Jo 17,11b-19): Naquele tempo, Jesus alçando os olhos ao céu, disse: «Pai Santo, guarda-os em teu nome, o nome que me deste, para que eles sejam um, como nós somos um. Quando estava com eles, eu os guardava em teu nome, o nome que me deste. Eu os guardei, e nenhum deles se perdeu, a não ser o filho da perdição, para se cumprir a Escritura. Agora, porém, eu vou para junto de ti, e digo estas coisas estando ainda no mundo, para que tenham em si a minha alegria em plenitude. Eu lhes dei a tua palavra, mas o mundo os odiou, porque eles não são do mundo, como eu não sou do mundo. Eu não rogo que os tires do mundo, mas que os guardes do maligno. Eles não são do mundo, como eu não sou do mundo. Consagra-os pela verdade: a tua palavra é a verdade. Assim como tu me enviaste ao mundo, eu também os enviei ao mundo. Eu me consagro por eles, a fim de que também eles sejam consagrados na verdade».

«Que tenham em si a minha alegria em plenitude»

Fr. Thomas LANE (Emmitsburg, Maryland, Estados Unidos)

Hoje, vivemos em um mundo que não sabe como ser verdadeiramente feliz com a felicidade que vem de Jesus, um mundo que procura a alegria de Jesus nos lugares errados e da maneira errada. Procurar a felicidade sem Jesus leva somente à infelicidade ainda mais profunda. É só ver as novelas na TV, há sempre alguém em apuros. As novelas na TV nos mostram a miséria de uma vida sem Deus.

Mas queremos viver o dia de hoje com a alegria de Jesus. Jesus orou ao Pai em nosso Evangelho de Hoje, «digo estas coisas estando ainda no mundo, para que tenham em si a minha alegria em plenitude» (Jo 17,13). Percebamos que Jesus quer que sua alegria seja completa em nós. Ele quer que sejamos plenos de alegria. Isto não quer dizer que não teremos cruzes, porque «o mundo os odiou, porque eles não são do mundo» (Jo 17,14), mas Jesus espera que vivamos com sua alegria independentemente do que o mundo pensa de nós. A alegria de Jesus deve nos permear até o mais íntimo de nosso ser, enquanto os rugidos superficiais de um mundo sem Deus não devem nos penetrar.

Hoje então vivamos a alegria de Jesus. Como podemos adquirir mais e mais dessa alegria de Jesus? Obviamente dele mesmo. Jesus é o único que nos dá a verdadeira alegria que está ausente no mundo, como podemos ver nas novelas de TV. Jesus disse, «Se permanecerdes em mim, e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e vos será dado» (Jo 15,7). Então passemos tempo a cada dia em oração com as palavras de Jesus nas Escrituras, comamos e consumamos as palavras de Jesus nas Escrituras, deixemos que elas sejam nosso alimento, para que sejamos saciados com a alegria que vem de Jesus: «Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte» (Bento XVI).

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* Estamos na novena de Pentecostes, aguardando a vinda do Espírito Santo. Jesus diz que o dom do Espírito Santo só é dado a quem o pede na oração (Lc 11,13). No cenáculo, durante nove dias, desde a ascensão até pentecostes, os apóstolos perseveraram na oração junto com Maria a mãe de Jesus (At 1,14). Por isso conseguiram em abundância o dom do Espírito Santo (At 2,4). O evangelho de hoje continua colocando diante de nós a Oração Sacerdotal de Jesus. É um texto bem apropriado para nos preparar nestes dias para a vinda do Espírito Santo em nossas vidas.

* João 17, 11b-12: Guarda-os em teu nome!
Jesus transforma a sua preocupação em prece: "Guarda-os em teu nome, o nome que tu me deste, para que sejam um como nós!" Tudo que Jesus fez em toda a sua vida, ele o fez em Nome de Deus. Jesus é a manifestação do Nome de Deus. O Nome de Deus é Javé, JHWH. No tempo de Jesus, este Nome era pronunciado como Adonai, Kyrios, Senhor. No sermão de Pentecostes, Pedro disse que Jesus, pela sua ressurreição, foi constituído Senhor: “Portanto, que todo o povo de Israel fique bem ciente que a esse mesmo Jesus, que vocês crucificaram, Deus o fez Senhor e Messias” (At 2,36). E Paulo diz que isto foi feito “para que todos proclamem, para glória de Deus Pai: Jesus Cristo é o Senhor!” (Fl 2,11). É o “Nome que está acima de todo nome” (Fl 2,9), JHWH ou Javé, o Nome de Deus, recebeu um rosto concreto em Jesus de Nazaré! É em torno a este Nome que deve ser construída a unidade: Guarda-os em teu nome, o nome que tu me deste, para que sejam um como nós. Jesus quer a unidade das comunidades, para que possam resistir frente ao mundo que as odeia e persegue. Povo unido ao redor do Nome de Jesus jamais será vencido!

* João 17,13-16: Que tenham a plenitude da minha alegria
Jesus está se despedindo. Vai partir em breve. Os discípulos e as discípulas continuam no mundo, vão ser perseguidos, terão aflições. Por isso estão tristes. Jesus quer que tenham alegria plena. Eles vão ter que continuar no mundo sem fazer parte do mundo. Isto significa, bem concretamente, viver no sistema do império, seja ele romano ou neoliberal, sem se deixar contaminar por ele. Como Jesus e com Jesus devem viver na contramão do mundo.

* João 17,17-19: Como tu me enviaste, eu os envio ao mundo
Jesus pede que sejam consagrados na verdade. Isto é, que sejam capazes de dedicar toda a sua vida para testemunhar suas convicções a respeito de Jesus e de Deus como Pai. Jesus se santificou na medida em que, durante a sua vida, revelava o Pai. Ele pede que os discípulos e as discípulas entrem no mesmo processo de santificação. A missão deles é a mesma de Jesus. Eles se santificam na mesma medida em que, vivendo o amor, revelam Jesus e o Pai. Santificar-se significa tornar-se humano como Jesus foi humano. Dizia o Papa Leão Magno: “Jesus foi tão humano, mas tão humano, como só Deus pode ser humano”. Por isso devem viver na contramão do mundo, pois o sistema do mundo desumaniza a vida humana e a torna contrária às intenções do Criador.

Para confronto pessoal
1) Jesus viveu no mundo, mas não era do mundo. Viveu na contramão do sistema e, por isso, foi perseguido e morto. E eu? Será que vivo na contramão do sistema de hoje, ou adapto minha fé ao sistema?
2) Preparação para Pentecostes. Invocar o dom do Espírito Santo, o Espírito que animou a Jesus. Nesta novena de preparação a Pentecostes convém tirar um tempo para pedir o dom do Espírito de Jesus.

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Terça-feira da 7ª semana da Páscoa

S. Felipe Neri, Presbítero

1ª Leitura (At 20,17-27): Naqueles dias, estando Paulo em Mileto, mandou a Éfeso chamar os anciãos da Igreja. Quando chegaram junto dele, disse-lhes: «Sabeis como me comportei sempre convosco, desde o primeiro dia em que pus os pés na Ásia. Servi o Senhor com toda a humildade, com lágrimas e no meio de provações que me vieram das ciladas dos judeus. Em nada que vos pudesse ser útil me furtei a pregar-vos e a instruir-vos, publicamente e de casa em casa. Exortei judeus e gregos a converterem-se a Deus e a acreditarem em Jesus, nosso Senhor. Agora vou para Jerusalém, prisioneiro do Espírito, sem saber o que lá me espera. Só sei que o Espírito Santo me avisa, de cidade em cidade, que me aguardam cadeias e tribulações. Mas por título nenhum eu dou valor à vida, contanto que leve a bom termo a minha carreira e a missão que recebi do Senhor Jesus: dar testemunho do Evangelho da graça de Deus. Agora, eu sei que não tornareis a ver o meu rosto, vós todos entre os quais passei anunciando o Reino. Por isso posso garantir-vos, hoje, que não me sinto responsável pela perda de nenhum de vós, pois não me furtei a anunciar-vos todo o desígnio de Deus a vosso respeito».

Salmo Responsorial: 67
R. Povos da terra, cantai ao Senhor.

Derramastes, ó Deus, uma chuva de bênçãos, restaurastes a vossa herança enfraquecida. A vossa grei estabeleceu-se numa terra que a vossa bondade, ó Deus, preparara ao oprimido.

Bendito seja o Senhor, dia após dia. Preocupa-se conosco Deus, nosso Salvador. O nosso Deus é um Deus que salva, da morte nos livra o Senhor.

Aleluia. Eu pedirei ao Pai, que vos dará o Espírito Santo, para estar convosco para sempre. Aleluia.

Evangelho (Jo 17,1-11a): Assim Jesus falou, e elevando os olhos ao céu, disse: «Pai, chegou a hora. Glorifica teu filho, para que teu filho te glorifique, assim como deste a ele poder sobre todos, a fim de que dê vida eterna a todos os que lhe deste. Esta é a vida eterna: que conheçam a ti, o Deus único e verdadeiro, e a Jesus Cristo, aquele que enviaste. Eu te glorifiquei na terra, realizando a obra que me deste para fazer. E agora Pai, glorifica-me junto de ti mesmo, com a glória que eu tinha, junto de ti, antes que o mundo existisse. Manifestei o teu nome aos homens que, do mundo, me deste. Eles eram teus e tu os deste a mim; e eles guardaram a tua palavra. Agora, eles sabem que tudo quanto me deste vem de ti, porque eu lhes dei as palavras que tu me deste, e eles as acolheram; e reconheceram verdadeiramente que eu saí de junto de ti e creram que tu me enviaste. Eu rogo por eles. Não te rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. Tudo o que é meu é teu, e tudo o que é teu é meu. E eu sou glorificado neles. Eu já não estou no mundo; mas eles estão no mundo, enquanto eu vou para junto de ti».

«Pai, chegou a hora»

Rev. D. Pere OLIVA i March (Sant Feliu de Torelló, Barcelona, Espanha)

Hoje, o Evangelho de São João —que há dias estamos lendo— começa falando-nos da “hora”: «Pai, chegou a hora. Glorifica teu filho, para que teu filho te glorifique» (Jo 17,1). O momento culminante, a glorificação de todas as coisas, a doação máxima de Cristo que se entrega por todos... “A hora” é ainda uma realidade escondida aos homens; se revelará à medida que a trama da vida de Jesus nos abre a perspectiva da cruz.

Chegou a hora? A hora de que? Pois chegou a hora em que os homens conheçam o nome de Deus, ou seja, sua ação, a maneira de dirigir-se à Humanidade, a maneira de falarmos no Filho, em Cristo que ama.

Os homens e as mulheres de hoje, conhecendo Deus através de Jesus («porque eu lhes dei as palavras que tu me deste»: Jo 17,8), chegamos a ser testemunhas da vida, da vida divina que se desenvolve em nós pelo sacramento batismal. Nele vivemos nos movemos e somos; Nele encontramos palavras que alimentam e que nos fazem crescer; Nele descobrimos o que Deus quer de nós: a plenitude, a realização humana, uma existência que não vive de vanglória pessoal, mas sim de uma atitude existencial que se apoia em Deus mesmo e em sua glória. Como nos lembra São Irineu, «a glória de Deus é que o homem viva». Louvemos a Deus e sua glória para que a pessoa humana chegue a sua plenitude!

Estamos marcados pelo Evangelho de Jesus Cristo; trabalhamos para a glória de Deus, tarefa que se traduz em um maior serviço à vida dos homens e mulheres de hoje. Isto quer dizer: trabalhar pela verdadeira comunicação humana, a felicidade verdadeira da pessoa, fomentar o gozo dos tristes, exercer a compaixão com os débeis... definitivamente: abertos à Vida (em maiúscula).

Pelo Espírito, Deus trabalha no interior de cada ser humano e habita no mais profundo da pessoa e não deixa de estimular a todos a viver dos valores do Evangelho. A Boa Nova é expressão da felicidade libertadora que Ele quer dar-nos.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* Nos evangelhos de hoje, de amanhã e de depois de amanhã, vamos meditar as palavras que Jesus dirigiu ao Pai no momento da despedida. João conservou estas palavras e as colocou como pronunciadas por Jesus durante o último encontro de Jesus com seus discípulos. É o Testamento de Jesus em forma de prece, também chamada Oração Sacerdotal (Jo 17,1-26).

* O capítulo 17 do evangelho de João é o final de uma longa reflexão de Jesus, iniciada no capítulo 15, sobre a sua missão no mundo. As comunidades conservaram estas reflexões para poderem entender melhor o momento difícil que elas mesmas estavam atravessando: tribulação, abandono, dúvidas, perseguição. A longa reflexão termina com a oração de Jesus pelas comunidades. Nela transparecem os sentimentos e as preocupações que, conforme o evangelista, estavam em Jesus no momento de ele sair deste mundo para o Pai. É com estes sentimentos e com esta preocupação que Jesus está agora diante do Pai, intercedendo por nós. Por isso, a Oração Sacerdotal é também o Testamento de Jesus. Muita gente, no momento de se despedir para sempre, deixa alguma mensagem. Todo mundo guarda palavras importantes do pai e da mãe, sobretudo quando são dos últimos momentos da vida. Preservar estas palavras é como preservar as pessoas. É uma forma de saudade.

* O capítulo 17 é um texto diferente. É mais de amizade do que de raciocínio. Para captar bem todo o seu sentido, não basta a reflexão da cabeça, da razão. Este texto deve ser meditado e acolhido também no coração. É um texto não tanto para ser discutido mas sim para ser meditado e ruminado. Por isso, você não se preocupe se não entender logo tudo. O texto exige toda uma vida para meditá-lo e aprofundá-lo. Um texto assim, a gente deve ler, meditar, pensar, ler de novo, repetir, ruminar, como se faz com um doce gostoso na boca. Vai virando e virando, até se gastar todo. Por isso, feche os olhos, faça silêncio dentro de você e escute Jesus falando para você, transmitindo no Testamento sua maior preocupação, sua última vontade. Procure descobrir qual o ponto em que Jesus insiste mais e que ele considera o mais importante.

* João 17,1-3:  Chegou a hora!
“Pai, chegou a hora!" É a hora longamente esperada (Jo 2,4; 7,30; 8,20; 12,23.27; 13,1; 16,32). É o momento da glorificação que se fará através da paixão, morte e ressurreição. Chegando ao fim da sua missão, Jesus olha para trás e faz uma revisão. Nesta prece, ele vai expressar o sentimento mais íntimo do seu coração e a descoberta mais profunda da sua alma: a presença do Pai em sua vida.

* João 17,4-8: Pai, reconheceram que vim de Ti!
Revendo sua vida, Jesus se vê a si mesmo como a manifestação do Pai para os amigos e as amigas que o Pai lhe deu. Jesus não viveu para si. Viveu, para que todos pudessem ter um lampejo da bondade e do amor que estão encerrados no Nome de Deus que é Abba, Pai.

* João 17,9-11a: Tudo que é meu é teu, tudo que é teu é meu!
No momento de deixar o mundo, Jesus expõe ao Pai a sua preocupação e reza pelos amigos e amigas que ele deixa para trás. Eles continuam no mundo, mas não são do mundo. São de Jesus, são de Deus, são sinais de Deus e de Jesus neste mundo. Jesus está preocupado com as pessoas que ficam, e reza por elas.

Para confronto pessoal
1) Quais as palavras de pessoas queridas que você guarda com carinho e que orientam a sua vida? Caso você fosse embora, qual a mensagem que você deixaria para sua família e para a comunidade?
2) Qual a frase do Testamento de Jesus que mais me tocou? Por que?

domingo, 24 de maio de 2020

25 de maio


Santa Maria Madalena de Pazzi
Virgem de nossa Ordem


Nasceu em Florença em 1566. Educada piedosamente e admitida nas monjas Carmelitas, levou uma vida escondida de oração e abnegação. Pedia incessantemente pela reforma da Igreja e dirigiu as suas irmãs no caminho da perfeição. Morreu no ano de 1607, enriquecida por Deus de graças extraordinárias.

INVITATÓRIO
R. Vinde, adoremos a Jesus, esposo das virgens, a quem Madalena muito amou. (Aleluia)

LAUDES
Hino
Tu, que já cantas o hino
que só as virgens entoam,
vê, do céu, tantos eleitos,
que o Carmelo, hoje, povoam.

Bens da terra, Madalena,
tiveste em conta de nada:
servir a Deus, só, quiseste,
como fiel desposada.

Por ser Cristo tua vida,
que imenso amor te prendeu!
Ele ungiu teu coração
e trocou-o pelo Seu.

Da mente a sublimes voos
pelo Espírito te alçaste;
de amor ardente, ferida,
alta mística ensinaste.

Simples e obediente,
teu coração ilibado
deixou no claustro e na Igreja
o seu rastro perfumado.

Glória a quem a ti, por mestra,
às almas quis apontar.
Que esse Deus Trino, prá sempre,
por ti possamos gozar.

Ant 1. Por vós suspiro como a terra sequiosa, para ver o vosso poder e a vossa glória (Aleluia!)

Salmos e cântico do domingo da I Semana.

Ant 2. Confesso livremente a Cristo, minha alma está sedenta de Cristo, desejo estar para sempre com Cristo. (Aleluia!).

Ant 3. Com o tímpano e com a dança, com a harpa e com a cítara, todo o ser vivo louve o Senhor (Aleluia!)

Leitura breve - FI 3,8ab. 10-11
Considero todas as coisas como prejuízo, comparando-as com o bem supremo que é conhecer Jesus Cristo, meu Senhor. Assim poderei conhecer Cristo, a força da sua Ressurreição e a participação nos seus sofrimentos, configurando-me à sua morte na esperança da ressurreição.

Responsório breve
Se não for Tempo Pascal
R. Falou-me o coração; * Procurei a vossa face. R. Falou-me
V. A vossa face, Senhor, eu procuro. * Procurei. Glória ao
Pai. R. Falou-me

No Tempo Pascal
R. Falou-me o coração, procurei a vossa face.
* Aleluia, aleluia! R. Falou-me
V. A vossa face, Senhor, eu procuro. * Aleluia, aleluia!
Glória ao Pai. R. Falou-me

Cântico evangélico, ant. à escolha 1 ou 2
Ant1. Provai e vede como o Senhor é bom; feliz quem nele se refugia. (Aleluia).
ou
Ant2.  O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi concedido. (Aleluia).

Preces
Rejubilemos com Cristo, Esposo das Virgens; e Lhe supliquemos com fé:

R. Jesus, prêmio das Virgens, escutai-nos!

Cristo, amado pelas santas virgens como único Esposo,
- concedei-nos que nada nos separe do vosso amor. R.

Coroastes Maria, vossa Mãe, como Rainha das virgens;
- por sua intercessão concedei-nos que vos sirvamos sempre de coração puro. R.

A solicitude de vossas servas sempre se voltou de coração íntegro para Vós, a fim de serem santas de corpo e espírito;
- por intercessão delas dai que jamais a instável figura deste mundo nos afaste de Vós.  R.

Senhor Jesus, as virgens prudentes esperavam por Vós, seu Esposo;
- concedei-nos que Vos aguardemos vigilantes na esperança. R.

Por intercessão de Santa Maria Madalena de Pazzi, uma das virgens sábias e prudentes,
- concedei-nos sabedoria e uma vida sem mancha. R.

(intenções livres)

Pai nosso

Oração
Senhor, que amais a virgindade e cumulastes de dons celestes a virgem Santa Maria Madalena, abrasada no vosso amor, concedei-nos que, celebrando hoje a sua festa, imitemos o exemplo da sua pureza e caridade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

VÉSPERAS
Hino
Como corça sequiosa
desejavas noite e dia
aquela água misteriosa
da divina Eucaristia.

Nela o Filho te levava
ao Pai, que ali adoravas;
e o Amor te abrasava
o coração que Lhe davas.

Até que um dia mereceste
receber de sua mão,
em troca do que Lhe deste,
o seu próprio Coração.

Com a voz e com a vida
cantemos também contigo
à Trindade aqui escondida
em moídos grãos de trigo.

Ant 1. O meu coração e a minha carne exultam no Deus vivo. (Aleluia!)

Salmos e cântico do Comum das Santas Virgens

Ant 2. Na casa da mãe do meu Senhor eu falava de paz e de pureza. (Aleluia!)

Ant 3. Redimidos pelo Sangue de Cristo e assinalados pelo Espírito Santo, vivamos para o louvor da glória do Pai. (Aleluia!)

Leitura breve - Ef 3,8-11
Eu que sou o último dos cristãos, recebi a graça de anunciar a insondável riqueza de Cristo e de mostrar a todos como Deus realiza o mistério desde sempre escondido em Deus, Criador do universo. Assim se manifesta agora, através da Igreja, a multiforme sabedoria de Deus, de acordo com os eternos desígnios que Deus executou em Cristo Jesus, Senhor Nosso.

Responsório breve
Fora do Tempo Pascal
R. O Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo
* nos conceda o conhecimento do amor de Cristo. R. O Pai.
V. E ficaremos saciados da plenitude de Deus. * Nos conceda.
Glória ao Pai. R. O Pai de Nosso Senhor.

No tempo pascal
R. O Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo nos conceda o
conhecimento do amor de Cristo * Aleluia, aleluia!
R. O Pai de Nosso Senhor.
V. E ficaremos saciados da plenitude de Deus. * Aleluia, aleluia!
Glória ao Pai. R. O Pai de Nosso Senhor.

Cântico Evangélico
Ant. Conduzir-te-ei ao deserto e falar-te-ei ao coração. Desposar-te-ei para sempre na misericórdia e no amor, e conhecerás o Senhor. Aleluia!

Preces
Roguemos ao Senhor que, por intercessão de Santa Maria Madalena, suscite em nós o espírito de caridade e nos faça mais diligentes e alegres no seu serviço. Digamos:

R. Dai-nos, Senhor, o vosso espírito de santidade e tornai-nos participantes do vosso imenso amor.

Cristo Salvador, assisti à Igreja, vossa Esposa, até o fim, e que o vosso Espírito, pelo amor e pela verdade, a conduza à unidade,
- para que todos os homens conheçam o Pai, fonte da vida plena. R.

Cristo Salvador, fazei que todos os sacerdotes, ministros do vosso Sangue, sejam verdadeiras testemunhas do Evangelho
- e derramai também o vosso amor e a vossa luz sobre todas as criaturas. R.

Cristo Salvador, fazei que toda a Família Carmelita enriquecida com os dons da Santíssima Trindade leve uma vida verdadeiramente fraterna
- e dê sempre na Igreja um eficaz testemunho evangélico para a vida do mundo. R.

Cristo Salvador, aumentai em todos os que participam na mesa do vosso amor a caridade para com todos os homens, que foram redimidos com o vosso Sangue,
- e uni-nos para sempre a Vós com o vínculo do vosso Espírito. R.

(intenções livres)

Cristo Salvador que, descendo à Região dos Mortos, abristes as suas portas,
- admiti no vosso Reino os nossos irmãos e irmãs defuntos, e associai-os à vossa eterna Bem-Aventurança. R.

Pai nosso ...

Oração
Senhor, que amais a virgindade e cumulastes de dons celestes a virgem Santa Maria Madalena, abrasada no vosso amor, concedei-nos que, celebrando hoje a sua festa, imitemos o exemplo da sua pureza e caridade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.