segunda-feira, 30 de março de 2020

31 de março


Beata Joana de Toulouse
Virgem de nossa Ordem
Primeira Carmelita da Ordem Terceira.

Joana de Toulouse era filha e herdeira de Raimundo VII, Conde de Toulouse, e de Joana da Inglaterra, teria nascido em 1220. Ela mesma era Condessa de Toulouse desde 1249 até a sua morte. Decidiu viver reclusa, no convento carmelita de Toulouse (França), onde se distinguiu por sua austeridade. Joana recebeu o hábito de terciária das mãos de São Simão Stock, merecendo assim ser considerada fundadora da Ordem Terceira do Carmelo. Ela não apenas empregou inteiramente o seu tempo, como também o seu dinheiro, para a formação dos religiosos carmelitas Amava falar das coisas celestes com os jovens religiosos e rezava muito por eles, o que por sua vez lhe trazia grande proveito espiritual. Joana é citada ao mesmo tempo como terciária e como monja; não é de se excluir que tenha professado a regra carmelitana, como fizeram outras mulheres "conversas" suas contemporâneas. Faleceu em 25 de agosto de 1271. Foi oficialmente beatificada por Leão XIII em 1895.

Comum das virgens, ou das Santas Mulheres (para Religiosas)

Oração
Ouvi, Senhor, as súplicas dos vossos fiéis que devotamente celebram as virtudes da Beata Joana. e concedei-lhes a graça de crescerem sempre no vosso amor e nele perseverarem até à morte. Por Nosso Senhor.

Terça-feira da 5ª semana da Quaresma


Bta Joana de Toulouse
Virgem de nossa Ordem
1ª Carmelita da Ordem Terceira
1ª Leitura (Num 21,4-9): Naqueles dias, os filhos de Israel partiram do monte Hor para o Mar Vermelho, contornando a terra de Edom. No caminho o povo impacientou-se e falou contra Deus e contra Moisés: «Porque nos fizeste sair do Egito, para morrermos neste deserto? Aqui não há pão nem água e já nos causa fastio este alimento miserável». Então o Senhor mandou contra o povo serpentes venenosas que mordiam nas pessoas e morreu muita gente de Israel. O povo dirigiu-se a Moisés, dizendo: «Pecámos, ao falar contra o Senhor e contra ti. Intercede junto do Senhor, para que afaste de nós as serpentes». E Moisés intercedeu pelo povo. Então o Senhor disse a Moisés: «Faz uma serpente de bronze e coloca-a sobre um poste. Todo aquele que for mordido e olhar para ela ficará curado». Moisés fez uma serpente de bronze e fixou-a num poste. Quando alguém era mordido por uma serpente, olhava para a serpente de bronze e ficava curado.

Salmo Responsorial: 101
R. Ouvi, Senhor, a minha oração, chegue até Vós o meu clamor.

Ouvi, Senhor, a minha oração e chegue até Vós o meu clamor. Não escondais o vosso rosto
no dia da minha aflição. Inclinai para mim o vosso ouvido; no dia em que chamar por Vós respondei-me sem demora.

Os povos temerão, Senhor, o vosso nome, todos os reis da terra a vossa glória. Quando o Senhor reconstruir Sião e manifestar a sua glória, atenderá a súplica do infeliz e não desprezará a sua oração.

Escreva-se tudo isto para as gerações vindouras e o povo que se há de formar louvará o Senhor. Debruçou-Se do alto da sua morada, lá do Céu o Senhor olhou para a terra, para ouvir os gemidos dos cativos, para libertar os condenados à morte.

A semente é a palavra de Deus e o semeador é Cristo. Quem O encontra viverá eternamente.

Evangelho (Jo 8,21-30): De novo, Jesus lhes disse: «Eu me vou, e vós me procurareis; mas morrereis no vosso pecado. Para onde eu vou, vós não podeis ir». Os judeus, então, comentavam: «Acaso ele irá se matar? Pois ele diz: ‘Para onde eu vou, vós não podeis ir’». Ele continuou a falar: «Vós sois daqui de baixo; eu sou do alto. Vós sois deste mundo; eu não sou deste mundo. Eu vos disse que morrereis nos vossos pecados. De fato, se não acreditais que ‘eu sou’, morrereis nos vossos pecados». Eles lhe perguntaram: «Quem és tu, então? Jesus respondeu: «De início, isto mesmo que vos estou falando». Tenho muitas coisas a dizer a vosso respeito, e a julgar também. Mas, aquele que me enviou é verdadeiro, e o que ouvi dele é o que eu falo ao mundo”. Eles, porém, não compreenderam que estava lhes falando do Pai. Por isso, Jesus continuou: «Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, então sabereis que ‘eu sou’, e que nada faço por mim mesmo, mas falo apenas aquilo que o Pai me ensinou. Aquele que me enviou está comigo. Ele não me deixou sozinho, porque eu sempre faço o que é do seu agrado». Como falasse estas coisas, muitos passaram a crer nele.

«Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, então sabereis que ‘Eu Sou’»

Rev. D. Josep Mª MANRESA Lamarca (Valldoreix, Barcelona, Espanha)

Hoje, terça-feira V da Quaresma, a uma semana da contemplação da Paixão do Senhor, Ele nos convida a olhar-lhe antecipadamente redimindo-nos desde a Cruz. «Jesus Cristo é nosso pontífice, seu corpo precioso é nosso sacrifício que Ele ofereceu na ara da Cruz para a salvação de todos os homens» (São João Fisher).

«Quando tiverdes elevado o Filho do Homem...» (Jo 8,28). Efetivamente, Cristo Crucificado —Cristo “levantado”! — é o grande e definitivo signo do amor do Pai à Humanidade caída. Seus braços abertos, estendidos entre o céu e a terra, traçam o signo indelével da sua amizade com nós os homens. Ao lhe ver assim, alçado ante o nosso olhar pecador, saberemos que Ele é (cf. Jo 8,28), e então, como aqueles judeus que o escutavam, também nós creremos Nele.

Só a amizade de quem está familiarizado com a Cruz pode proporcionar-nos o adequado para adentrar-nos no Coração do Redentor. Pretender um Evangelho sem Cruz, despojado do sentido cristão da mortificação, ou contagiado do ambiente pagão e naturalista que nos impede entender o valor redentor do sofrimento, colocar-nos-ia na terrível possibilidade de ouvir dos lábios de Cristo: «Depois de tudo, para que seguir falando-vos?».

Que o nosso olhar à Cruz, olhar sossegado e contemplativo, seja uma pergunta ao Crucificado, em que sem o ruído de palavras lhe digamos: «Quem és tu, então? (Jo 8,25). Ele nos responderá que é «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida» (Jo 14,6), a Videira à qual sem estar unidos, nós, pobres ramos, não poderemos dar fruto, porque só Ele tem palavras de vida eterna. E assim, se não cremos que Ele é, morreremos pelos nossos pecados. Viveremos, no entanto, e viveremos já nesta terra vida de céu se aprendemos Dele a gozosa certeza de que o Pai está conosco, não nos deixa sozinhos. Assim imitaremos o Filho em fazer sempre o que agrada-lhe ao Pai.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* Na semana passada, a liturgia nos levava a meditar o capítulo 5 do Evangelho de João. Esta semana ela nos confronta com o capítulo 8 do mesmo evangelho. Como o capítulo 5, também o capítulo 8 contém reflexões profundas sobre o mistério de Deus que envolve a pessoa de Jesus. Aparentemente, trata-se de diálogos entre Jesus e os fariseus (Jo 8,13). Os fariseus querem saber quem é Jesus. Eles o criticam por ele dar testemunho de si mesmo sem nenhuma prova ou testemunho para legitimar-se diante do povo (Jo 8,13). Jesus responde dizendo que ele não fala a partir de si mesmo, mas sempre a partir do Pai e em nome do Pai (Jo 8,14-19).

* Na realidade, os diálogos são também expressão de como era a transmissão catequética da fé nas comunidades do discípulo amado no fim do primeiro século. Eles refletem a leitura orante que os cristãos faziam das palavras de Jesus como expressão da Palavra de Deus. O método de pergunta e resposta ajudava-os a encontrar a resposta para os problemas que, naquele fim de século, os judeus levantavam para os cristãos. Era uma maneira concreta de ajudar a comunidade a ir aprofundando sua fé em Jesus e sua mensagem.

* João 8,21-22: Onde eu vou, vocês não podem me seguir.
Aqui João aborda um novo assunto ou um outro aspecto do mistério que envolve a pessoa de Jesus. Jesus fala da sua partida e diz que, para onde ele vai, os fariseus não podem segui-lo. “Eu vou e vocês me procuram e vão morrer no seu pecado”. Eles procuram Jesus, mas não vão encontrá-lo, pois não o conhecem e o procuram com critérios errados. Eles vivem no pecado e vão morrer no pecado. Viver no pecado é viver afastado de Deus. Eles imaginam Deus de um jeito, e Deus é diferente do que eles o imaginam. Por isso não são capazes de reconhecer a presença de Deus em Jesus. Os fariseus não entendem o que Jesus quer dizer e tomam tudo ao pé da letra: “Será que ele vai se matar?”

* João 8,23-24: Vocês são aqui de baixo e eu sou lá de cima.
Os fariseus se orientam em tudo pelos critérios deste mundo. “Vocês são deste mundo e eu não sou deste mundo!” O quadro de referências que orienta Jesus em tudo que ele diz e faz é o mundo lá de cima, isto é, Deus, o Pai, e a missão que recebeu do Pai. O quadro de referências dos fariseus é o mundo cá de baixo, sem abertura, fechado nos seus próprios critérios. Por isso, eles vivem em pecado. Viver em pecado é não ter o olhar de Jesus sobre a vida. O olhar de Jesus é totalmente aberto para Deus a ponto de Deus estar nele em toda a sua plenitude (cf. Cl 1,19). Nós dizemos: “Jesus é Deus”. João nos convida a dizer: “Deus é Jesus!”. Por isso, Jesus diz. “Se vocês não acreditarem que EU SOU, vocês vão morrer em seus pecados”. EU SOU é a afirmação com que Deus se apresentou a Moisés no momento de libertar o seu povo da opressão do Egito (Ex 3,13-14). É a expressão máxima da certeza absoluta de que Deus está no meio de nós através de Jesus. Jesus é a prova definitiva de que Deus está conosco, Emanuel.

* João 8,25-26: Quem é você?  
O mistério de Deus em Jesus não cabe nos critérios com que os fariseus olham para Jesus. De novo perguntam: “Quem é você?” Eles nada entenderam porque não entendem a linguagem de Jesus. Jesus teria muito a falar a eles a partir de tudo que ele experimentava e vivia em contato com o Pai e a partir da consciência da sua missão. Jesus não se autopromove. Ele apenas diz e expressa o que ouve do Pai. Ele é pura revelação porque é pura e total obediência.

* João 8,27-30: Quando vocês tiverem elevado o Filho do Homem saberão que EU SOU. 
Os fariseus não entendem que Jesus, em tudo que diz e faz, é expressão do Pai. Só vão compreendê-lo depois que tiverem elevado o Filho do Homem. “Aí vocês saberão que EU SOU”. A palavra elevar tem o duplo sentido de elevar sobre a Cruz e de ser elevado à direita do Pai. A Boa Nova da morte e ressurreição vai revelar quem é Jesus, e eles saberão que Jesus é a presença de Deus no meio de nós. O fundamento desta certeza da nossa fé é duplo: de um lado, a certeza de que o Pai está sempre com Jesus e nunca o deixa sozinho e, de outro lado, a radical e total obediência de Jesus ao Pai, pela qual ele se torna abertura total e total transparência do Pai para nós

Para um confronto pessoal
1) Quem se fecha nos seus critérios e acha que já sabe tudo, nunca será capaz de compreender o outro. Assim eram os fariseus frente a Jesus. E eu frente aos outros, como me comporto?
2) Jesus é radical obediência ao Pai e por isso é total revelação do Pai. E eu, que imagem de Deus se irradia a partir de mim?

domingo, 29 de março de 2020

Segunda-feira (A e B) da 5ª semana da Quaresma


1ª Leitura (Dan 13,1-9.15-17.19-30.33-62): Naqueles dias, morava em Babilónia um homem chamado Joaquim. Tinha desposado uma mulher chamada Susana, filha de Helcias, muito bela e temente ao Senhor. Os seus pais eram justos e tinham instruído a filha na Lei de Moisés. Joaquim era muito rico e tinha um jardim contíguo à sua casa. Os judeus reuniam-se com ele frequentemente, porque era o mais ilustre de todos eles. Naquele ano tinham designado como juízes dois anciãos do povo, daqueles que o Senhor denunciara, dizendo: «De Babilónia veio a iniquidade de velhos que passavam por dirigentes do povo». Estes dois frequentavam a casa de Joaquim e a eles recorriam todos os que tinham alguma questão de justiça. Quando, ao meio do dia, o povo se retirava, Susana vinha passear para o jardim do seu marido. Os dois velhos observavam-na todos os dias, quando entrava no jardim para passear, e apaixonaram-se por ela. Perverteram a sua mente e desviaram os seus olhos de modo a não olharem para o Céu e não se lembrarem dos seus justos juízos. Estando eles à espera de ocasião favorável, um dia Susana veio, como de costume, acompanhada somente de duas meninas; e, como estava calor, quis tomar banho no jardim. Não se encontrava ali ninguém, senão os dois velhos escondidos a espreitá-la. Susana disse às meninas: «Trazei-me óleo e unguentos e fechai as portas do jardim, para eu tomar banho». Logo que elas saíram, os dois velhos levantaram-se, correram para junto de Susana e disseram-lhe: «As portas do jardim estão fechadas, ninguém nos vê e nós estamos apaixonados por ti. Dá-nos o teu consentimento e entrega-te a nós. Senão, acusar-te-emos dizendo que estava contigo um jovem e por isso mandaste embora as meninas». Então Susana gemeu e exclamou: «Estou cercada por todos os lados: se praticar semelhante coisa, espera-me a morte; se não a praticar, não poderei fugir às vossas mãos. Mas prefiro cair nas vossas mãos sem ter feito nada a pecar na presença do Senhor». Então Susana gritou com voz forte, mas os dois velhos gritaram também contra ela e um deles correu a abrir as portas do jardim. Logo que as pessoas da casa ouviram estes gritos no jardim, precipitaram-se pela porta do lado, para verem o que tinha acontecido. Quando os velhos contaram a sua versão, os servos coraram de vergonha, pois nunca se tinha dito de Susana semelhante coisa. No dia seguinte, quando o povo se reuniu em casa de Joaquim, marido de Susana, vieram os dois velhos cheios de rancor contra ela, pretendendo condená-la à morte. E disseram diante do povo: «Mandai chamar Susana, filha de Helcias, mulher de Joaquim». Foram buscá-la e ela veio com os pais, os filhos e todos os parentes. Os seus familiares choravam, assim como todos os que a viam. Os dois velhos levantaram-se no meio do povo e puseram as mãos sobre a cabeça de Susana. Ela, a soluçar, ergueu os olhos ao Céu, porque o seu coração confiava no Senhor. Os velhos disseram: «Enquanto passeávamos sós pelo jardim, entrou ela com duas servas; fechou as portas do jardim e mandou embora as servas. Veio então ter com ela um jovem, que estava escondido, e deitou-se com ela. Nós, que estávamos a um canto do jardim, ao ver aquela maldade, corremos sobre eles. Embora os tivéssemos visto juntos, não pudemos agarrar o jovem, porque era mais forte do que nós, e, abrindo a porta, pôs- se em fuga. A ela, porém, apanhámo-la e perguntámos-lhe quem era o jovem, mas ela não quis dizer-nos Somos testemunhas do facto». A assembleia deu-lhes crédito, por serem anciãos do povo e juízes, e condenou Susana à morte. Então Susana disse em altos brados: «Deus eterno, que sabeis o que é secreto e conheceis todas as coisas antes que aconteçam, Vós sabeis que eles proferiram contra mim um falso testemunho. E eu vou morrer, sem ter feito nada do que eles maliciosamente disseram contra mim». O Senhor ouviu a oração de Susana. Quando a levavam para ser executada, Deus despertou o espírito santo dum rapazinho chamado Daniel, que gritou com voz forte: «Eu sou inocente da morte desta mulher». Todo o povo se voltou para ele e perguntou: «Que palavras são essas que acabas de dizer?» Daniel, de pé no meio deles, respondeu: «Sois tão insensatos, ó filhos de Israel, que, sem julgamento nem conhecimento claro dos factos, condenais uma filha de Israel? Voltai ao tribunal, porque estes dois homens levantaram contra ela um falso testemunho». O povo regressou a toda a pressa e os anciãos disseram a Daniel: «Vem sentar-te no meio de nós e expõe-nos o teu pensamento, pois Deus concedeu-te a dignidade dos anciãos». Daniel disse-lhes: «Separai-os um do outro e eu os julgarei». Quando os separaram, Daniel chamou o primeiro e disse-lhe: «Envelheceste na prática do mal, mas agora aparecem os pecados que outrora cometeste, quando lavravas sentenças injustas, condenando os inocentes e absolvendo os culpados, apesar de o Senhor dizer: ‘Não dareis a morte ao inocente e ao justo’. Pois bem. Se viste esta mulher, debaixo de que árvore descobriste os dois juntos?». Ele respondeu: «Debaixo de um lentisco». Replicou Daniel: «A tua mentira cairá sobre a tua cabeça, pois o Anjo de Deus já recebeu a sentença, para te rachar ao meio». Depois de o terem afastado, Daniel ordenou que trouxessem o outro e disse-lhe: «Raça de Canaã e não de Judá, a beleza seduziu-te e o desejo perverteu-te o coração. Era assim que procedíeis com as filhas de Israel e elas por medo entregavam-se a vós. Pois bem, diz-me então: Debaixo de que árvore os surpreendeste juntos?» Ele respondeu: «Debaixo de um carvalho». Replicou Daniel: «A tua mentira cairá sobre a tua cabeça, pois o Anjo de Deus está à tua espera com a espada na mão para te cortar ao meio. Assim acabará convosco». Toda a assembleia clamou em alta voz, bendizendo a Deus, que salva aqueles que esperam n’Ele. Levantaram-se então contra os dois velhos, porque Daniel os tinha convencido de falso testemunho, pela sua própria boca. Para cumprirem a Lei de Moisés, aplicaram-lhes a mesma pena que tão impiamente tinham preparado para o seu próximo e executaram-nos; e foi salva naquele dia uma vida inocente.

Salmo Responsorial: 23
R. Ainda que passe por vales tenebrosos, nada temo, porque Vós estais comigo.

O Senhor é meu pastor: nada me falta. Leva-me a descansar em verdes prados, conduz-me às águas refrescantes e reconforta a minha alma.

Ele me guia por sendas direitas, por amor do seu nome. Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo.

Para mim preparais a mesa à vista dos meus adversários; com óleo me perfumais a cabeça e o meu cálice transborda.

A bondade e a graça hão de acompanhar-me todos os dias da minha vida, e habitarei na casa do Senhor para todo o sempre.

Eu não quero a morte do pecador, diz o Senhor, mas que se converta e viva.

Evangelho (Jo 8,1-11): Jesus foi para o Monte das Oliveiras. De madrugada, voltou ao templo, e todo o povo se reuniu ao redor dele. Sentando-se, começou a ensiná-los. Os escribas e os fariseus trouxeram uma mulher apanhada em adultério. Colocando-a no meio, disseram a Jesus: «Mestre, esta mulher foi flagrada cometendo adultério. Moisés, na Lei, nos mandou apedrejar tais mulheres. E tu, que dizes?». Eles perguntavam isso para experimentá-lo e ter motivo para acusá-lo. Mas Jesus, inclinando-se, começou a escrever no chão, com o dedo. Como insistissem em perguntar, Jesus ergueu-se e disse: «Quem dentre vós não tiver pecado, atire a primeira pedra!». Inclinando-se de novo, continuou a escrever no chão. Ouvindo isso, foram saindo um por um, a começar pelos mais velhos. Jesus ficou sozinho com a mulher que estava no meio, em pé. Ele levantou-se e disse: «Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?». Ela respondeu: «Ninguém, Senhor!». Jesus, então, lhe disse: «Eu também não te condeno. Vai, e de agora em diante não peques mais».

«Vai, e de agora em diante não peques mais»

Rev. D. Jordi PASCUAL i Bancells (Salt, Girona, Espanha)

Hoje contemplamos no Evangelho o rosto misericordioso de Jesus. Deus é Amor, e Amor que perdoa, Amor que se compadece de nossas fraquezas, Amor que salva. Os mestres da Lei de Moisés e os fariseus disseram a Jesus: «Mestre, essa mulher foi pega em flagrante cometendo adultério» (Jo 8,4) e pedem ao Senhor: «E tu, o que dizes?» (Jo 8,5). Não lhes interessa tanto seguir um ensinamento de Jesus como poder acusá-lo de que está contra a Lei de Moisés. Mas o Mestre aproveita essa ocasião para manifestar que Ele veio buscar aos pecadores, levantar aos caídos, chamá-los à conversão e à penitência. E esta é a mensagem da Quaresma para nós, uma vez que todos somos pecadores e todos necessitam da graça salvadora de Deus.

Atualmente se diz que estamos perdendo o sentido do pecado. Muitos não sabem o que está bem ou mal, nem por que. É o mesmo que dizer —em forma positiva— que se perdeu o sentido do Amor a Deus: do Amor que Deus nos tem, e —por nossa parte— a correspondência que este Amor pede. Quem ama não ofende. Quem se sabe amado e perdoado, retribui amor por Amor: «Perguntaram ao Amigo qual era a fonte do amor. Ele respondeu que é aquela onde o Amado lavou as nossas culpas» (Ramon Llull).

Por isso, o sentido da conversão e de a penitência próprias da Quaresma é colocar-nos cara a cara ante Deus, olhar aos olhos do Senhor na Cruz, e manifestar pessoalmente nossos pecados no sacramento da Penitência. E como à mulher do Evangelho, Jesus nos dirá: «Ela respondeu: «Ninguém, Senhor» Então Jesus disse: «Eu também não a condeno. Vai, e de agora em diante não peques mais» (Jo 8,11). Deus perdoa e isto nos leva a uma exigência, um compromisso: Não peques mais!

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* No Evangelho de hoje, vamos meditar sobre o encontro de Jesus com a mulher que ia ser apedrejada.
Pela sua pregação e pelo seu jeito de agir, Jesus incomodava as autoridades religiosas. Por isso, elas procuravam todos os meios possíveis para acusá-lo e eliminá-lo. Assim, levam até ele uma mulher, pega em flagrante de adultério. Sob a aparência de fidelidade à lei, usam a mulher para ter argumentos contra Jesus. Também hoje, sob a aparência de fidelidade às leis da igreja, muitas pessoas são marginalizadas: divorciados, aidéticos, prostitutas, mães solteiras, homossexuais, etc. Vejamos como Jesus reage:

* João 8,1-2: Jesus e o povo. 
Depois da discussão sobre a origem do Messias, descrita no fim do capítulo 7 (Jo 7,37-52), “cada um tinha voltado para casa” (Jo 7,53). Jesus não tinha casa em Jerusalém. Por isso, foi para o Monte das Oliveiras. Lá havia um Horto, onde ele costumava passar a noite em oração (Jo 18,1). No dia seguinte, antes do nascer do sol, Jesus já estava novamente no templo. O povo também veio bem cedo para poder escutá-lo. Eles sentavam no chão ao redor de Jesus e ele os ensinava. O que será que Jesus ensinava? Deve ter sido muito bonito, pois o povo vinha antes do nascer do sol para poder escutá-lo!

* João 8,3-6a: Os escribas armam uma cilada. 
De repente, chegam os escribas e os fariseus, trazendo consigo uma mulher pega em flagrante de adultério. Eles a colocam no meio da roda. Conforme a lei, esta mulher deveria ser apedrejada (Lv 20,10; Dt 22,22.24). Eles perguntam: "E qual é a sua opinião?" Era uma cilada. Se Jesus dissesse: "Apliquem a lei", eles diriam: “Ele não é tão bom como parece, porque mandou matar a pobre da mulher!” Se dissesse: "Não matem", diriam: "Ele não é tão bom como parece, porque nem sequer observa a lei!" Sob a aparência de fidelidade a Deus, eles manipulam a lei e usam a pessoa da mulher para poder acusar Jesus.

* João 8,6b-8: Reação de Jesus: escreve no chão.
 Parecia um beco sem saída. Mas Jesus não se apavora nem fica nervoso. Pelo contrário. Calmamente, como quem é dono da situação, ele se inclina e começa a escrever no chão com o dedo. Quem fica nervoso, são os adversários. Eles insistem para que Jesus dê a sua opinião. Então, Jesus se levanta e diz: "Quem de vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra!" E inclinando-se tornou a escrever no chão. Jesus não discute a lei. Apenas muda o alvo do julgamento. Em vez de permitir que eles coloquem a luz da lei em cima da mulher para poder condená-la, pede que eles se examinem a si mesmos à luz do que a lei exige deles. A ação simbólica da escritura no chão esclarece tudo. A palavra da Lei de Deus tem consistência. Uma palavra escrita no chão não tem consistência. A chuva e o vento a apagam logo. O perdão de Deus apaga o pecado identificada e denunciado pela lei.

* João 8,9-11: Jesus e a mulher. 
O gesto e a resposta de Jesus derrubaram os adversários. Os fariseus e os escribas se retiram envergonhados, um depois do outro, a começar pelos mais velhos. Aconteceu o contrário do que eles esperavam. A pessoa condenada pela lei não era a mulher, mas eles mesmos que pensavam ser fiéis à lei. No fim, Jesus ficou sozinho com a mulher no meio da roda. Jesus se levanta e olha para ela: "Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou!" Ela responde: "Ninguém, Senhor!" E Jesus: "Nem eu te condeno! Vai, e de agora em diante não peques mais!"

* Jesus não permite que alguém use a lei de Deus para condenar o irmão ou a irmã, quando ele mesmo ou ela mesma é pecador ou pecadora.
Este episódio, melhor do que qualquer outro ensinamento, revela que Jesus é a luz que faz aparecer a verdade. Ele faz aparecer o que existe de escondido dentro das pessoas, no mais íntimo de cada um de nós. À luz da sua palavra, os que pareciam os defensores da lei, se revelam cheios de pecado e eles mesmos o reconhecem, pois vão embora, a começar pelos mais velhos. E a mulher, considerada culpada e merecedora da pena de morte, está de pé diante de Jesus, absolvida, redimida e dignificada (cf. Jo 3,19-21).

Para um confronto pessoal
1) Procure colocar-se na pele da mulher: quais eram os sentimentos dela naquele momento?
2) Que passos nossa comunidade pode e deve dar para acolher os excluídos?

sábado, 28 de março de 2020

29 de março


São Bertoldo
Primeiro Prior Geral

(Omite-se esta Memória neste ano, por cair no dia da Páscoa Semanal)

São Bertoldo nasceu em Limoges ou Solignac, França. Por volta de 1142 viajou para a Síria com seu primo Aimérico de Malafaida, nomeado patriarca de Antioquia. Os eremitas no Carmelo viviam agrupados ou independentes. Levavam os monges cada um sua vida autônoma e regime de vida próprio. Não havia leis jurídicas que os unissem. Na Idade Média essa vida independente foi desaparecendo e o modo de viver no Carmelo começou a ser regulado juridicamente, através de constituições canônicas. Entre 1153 e 1159, Bertoldo dirige-se para o Monte Carmelo. Aí, com o auxílio do Patriarca Aymerico de Malafaida, constrói uma pequena capela em honra da Virgem Maria, perto da gruta de Elias. Aos poucos, cresce o número de eremitas que se espalham por todo o Monte, vivendo separados uns dos outros em pequenas cavernas, procurando assim imitar Elias. S. Bertoldo reuniu num convento os eremitas espalhados pelas grutas do Monte Carmelo e os fez prometer obediência a um superior e assumirem uma regra (regra primitiva). Foi o primeiro geral latino da Ordem. Faleceu no Monte Carmelo, Palestina, em 1198. 

INVITATÓRIO
Ant. Aclamemos o Senhor, na festa de São Bertoldo.

LAUDES
Hino
Condutor esclarecido
Das ovelhas do Senhor,
vivias só para elas,
À imagem do bom Pastor.

Nos momentos de perigo,
Tu nunca as deixaste sós;
Quando chamavas por elas,
Conheciam tua voz.

A pastagens verdejantes
Levavas os teus cordeiros,
Por caminhos de doutrina
Seguros e verdadeiros.

Na condução das ovelhas
Tu ias sempre adiante,
Contra todos os perigos
Sentinela vigilante.

Seus celeiros o Senhor
Entregou-te como amigo,
E a todos soubeste dar
Sua medida de trigo.

Que para sempre teu nome
Bendito e exaltado seja,
Luzeiro do firmamento
E glória da Santa Igreja.

Salmodia do dia corrente

Leitura breve - Hebr 13, 7-9a
Lembrai-vos dos vossos chefes, que vos anunciaram a palavra de Deus. Considerai o êxito da sua carreira e imitai a sua fé. Jesus Cristo é sempre o mesmo, ontem, hoje e por toda a eternidade. Não vos deixeis transviar por doutrinas incertas e estranhas.

Responsório breve
v. A lei de Deus está no seu coração.
R. A lei de Deus está no seu coração.
v. Os seus passos não vacilam.
R. A lei de Deus está no seu coração.
v. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. A lei de Deus está no seu coração

Cântico Evangélico
Ant. Este será abençoado pelo Senhor e recompensado por Deus, seu Salvador, porque esta é a geração dos que procuram o Senhor.

Preces
Peçamos a Deus Pai, fonte de toda a santidade, que, pela intercessão e exemplo dos Santos, nos conduza a uma vida mais perfeita; e digamos:

R. Fazei-nos santos, porque vós sois santo.

Pai santo, que nos destes a graça de nos chamarmos e sermos realmente vossos filhos,
— fazei que a santa Igreja cante as vossas maravilhas por toda a terra. R.

Pai santo, inspirai os vossos servos a viver dignamente, segundo a vossa vontade,
— e ajudai­nos a dar fruto abundante de boas obras. R.

Pai santo, que nos reconciliastes convosco por meio de Cristo,
— conservai-nos na unidade por amor do vosso nome. R.

Pai santo, que nos chamastes ao convívio do vosso reino,
— fazei que, comungando o Pão descido do Céu, alcancemos a perfeição da caridade. R.

Pai santo, perdoai aos pecadores as suas culpas
— e levai os defuntos a contemplar no Céu a luz do vosso rosto. R.

Pai nosso

Oração
Senhor, que destes a São Bertoldo a graça de imitar fielmente a Cristo pobre, casto e obediente, fazei que também nós, vivendo plenamente a nossa vocação, caminhemos para a santidade perfeita, à imagem de Jesus Cristo, vosso Filho. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

VÉSPERAS
Hino
Jesus, prêmio e coroa
De teus servos fiéis,
Glorifica o teu nome,
Neste dia de festa.

Concede a nós carmelitas
Peregrinos de Deus,
A paz e a liberdade
E a vitória final.

O santo prior Bertoldo
Seguindo tuas pegadas
No caminho da cruz
Agradou a Deus Pai.

Da cidade dos Santos,
Onde reina glorioso,
Ele nos guie e proteja
Nos caminhos do Reino.

Glória a Ti, Jesus Cristo,
Glória ao Pai e ao Espírito,
Na terra e nos Céus,
Agora e para sempre.

Salmodia do dia corrente

Leitura Breve - Filip 3, 7-8a
Tudo o que para mim era lucro, considerei-o como perda por causa de Cristo. Mais ainda: considero todas as coisas como prejuízo, comparando-as com o bem supremo, que é conhecer Jesus Cristo, meu Senhor. Por Ele renunciei a todas as coisas e considerei tudo como lixo, para ganhar a Cristo.

Responsório breve
v. O Senhor é justo e ama a justiça.
R. O Senhor é justo e ama a justiça.
v. Os homens retos contemplarão a sua face. R.
v. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. R.

Cântico Evangélico
Ant. O Senhor é a minha herança. O Senhor é bom para a alma que o procura.

Preces
Glorifiquemos, irmãos, a Cristo, nosso Deus e Senhor, e, pedindo-lhe que nos ensine a servi-lo em santidade e justiça na sua presença todos os dias da nossa vida, aclamemo-lo dizendo:

R. Senhor, só vós sois santo.

Senhor Jesus, que quisestes ser igual a nós, em tudo menos no pecado,
— tende piedade de nós. R.

Senhor Jesus, que nos chamastes à perfeição da caridade,
— santificai­nos sempre mais. R.

Senhor Jesus, que nos mandastes ser sal da terra e luz do mundo,
— iluminai a nossa vida. R.

Senhor Jesus, que viestes ao mundo para servir e não para ser servido,
— ensinai-nos a servir-vos humildemente nos nossos irmãos. R.

Senhor Jesus, esplendor da glória do Pai e perfeita imagem do ser divino,
— fazei que cheguemos a contemplar o vosso rosto na glória celeste. R.

Pai nosso

Oração
Senhor, que destes a São Bertoldo a graça de imitar fielmente a Cristo pobre, casto e obediente, fazei que também nós, vivendo plenamente a nossa vocação, caminhemos para a santidade perfeita, à imagem de Jesus Cristo, vosso Filho. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

Domingo V da Quaresma


1ª Leitura (Ez 37,12-14): Assim fala o Senhor Deus: «Vou abrir os vossos túmulos e deles vos farei ressuscitar, ó meu povo, para vos reconduzir à terra de Israel. Haveis de reconhecer que Eu sou o Senhor, quando abrir os vossos túmulos e deles vos fizer ressuscitar, ó meu povo. Infundirei em vós o meu espírito e revivereis. Hei de fixar-vos na vossa terra e reconhecereis que Eu, o Senhor, digo e faço».

Salmo Responsorial: 129
R. No Senhor está a misericórdia e abundante redenção.

Do profundo abismo chamo por Vós, Senhor, Senhor, escutai a minha voz. Estejam os vossos ouvidos atentos à voz da minha súplica.

Se tiverdes em conta as nossas faltas, Senhor, quem poderá salvar-se? Mas em Vós está o perdão, para Vos servirmos com reverência.

Eu confio no Senhor, a minha alma espera na sua palavra. A minha alma espera pelo Senhor mais do que as sentinelas pela aurora.

Porque no Senhor está a misericórdia e com Ele abundante redenção. Ele há de libertar Israel
de todas as suas faltas.

2ª Leitura (Rom 8,8-11): Irmãos: Os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus. Vós não estais sob o domínio da carne, mas do Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, não Lhe pertence. Se Cristo está em vós, embora o vosso corpo seja mortal por causa do pecado, o espírito permanece vivo por causa da justiça. E se o Espírito d’Aquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Cristo Jesus de entre os mortos, também dará vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós.

Eu sou a ressurreição e a vida, diz o Senhor. Quem acredita em Mim nunca morrerá.

Evangelho (Jo 11,1-45): Ora, havia um doente, Lázaro, de Betânia, do povoado de Marta e de Maria, sua irmã. Maria é aquela que ungiu o Senhor com perfume e enxugou seus pés com os cabelos. Lázaro, seu irmão, é quem estava doente. As irmãs mandaram avisar Jesus: «Senhor, aquele que amas está doente». Ouvindo isso, disse Jesus: «Esta doença não leva à morte, mas é para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela». Jesus tinha muito amor a Marta, à sua irmã Maria e a Lázaro. Depois que ele soube que este estava doente, permaneceu ainda dois dias no lugar onde estava. Depois, falou aos discípulos: «Vamos, de novo, à Judeia». Os discípulos disseram-lhe: «Rabi, ainda há pouco os judeus queriam apedrejar-te, e agora vais outra vez para lá?» Jesus respondeu: «O dia não tem doze horas? Se alguém caminha de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo. Mas, se caminha de noite, tropeça, porque lhe falta a luz». E acrescentou ainda: «Nosso amigo Lázaro está dormindo. Mas, eu vou acordá-lo». Os discípulos disseram: «Senhor, se está dormindo, vai ficar curado». Jesus falava da morte de Lázaro, mas os discípulos pensaram que ele estivesse falando do sono mesmo. Jesus então falou abertamente: «Lázaro morreu! E, por causa de vós, eu me alegro por não ter estado lá, pois assim podereis crer. Mas vamos a ele». Tomé (cujo nome significa Gêmeo) disse aos companheiros: «Vamos nós também, para morrermos com ele!». Quando Jesus chegou, encontrou Lázaro já sepultado, havia quatro dias. Betânia ficava a uns três quilômetros de Jerusalém. Muitos judeus tinham ido consolar Marta e Maria pela morte do irmão. Logo que Marta soube que Jesus tinha chegado, foi ao encontro dele. Maria ficou sentada, em casa. Marta, então, disse a Jesus: «Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido. Mesmo assim, eu sei que o que pedires a Deus, ele te concederá». Jesus respondeu: «Teu irmão ressuscitará». Marta disse: «Eu sei que ele vai ressuscitar, na ressurreição do último dia». Jesus disse então: «Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais. Crês nisto?». Ela respondeu: «Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Cristo, o Filho de Deus, aquele que deve vir ao mundo». Tendo dito isso, ela foi chamar Maria, sua irmã, dizendo baixinho: «O Mestre está aí e te chama». Quando Maria ouviu isso, levantou-se depressa e foi ao encontro de Jesus. Jesus ainda estava fora do povoado, no mesmo lugar onde Marta o tinha encontrado. Os judeus que estavam com Maria na casa consolando-a, viram que ela se levantou depressa e saiu; e foram atrás dela, pensando que fosse ao túmulo para chorar. Maria foi para o lugar onde estava Jesus. Quando o viu, caiu de joelhos diante dele e disse-lhe: «Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido». Quando Jesus a viu chorar, e os que estavam com ela, comoveu-se interiormente e perturbou-se. Ele perguntou: «Onde o pusestes?» Responderam: «Vem ver, Senhor!» Jesus derramou lágrimas. Os judeus então disseram: «Vede como ele o amava!» Alguns deles, porém, diziam: «Este, que abriu os olhos ao cego, não podia também ter feito com que Lázaro não morresse?». De novo, Jesus ficou interiormente comovido. Chegou ao túmulo. Era uma gruta fechada com uma pedra. Jesus disse: «Tirai a pedra!» Marta, a irmã do morto, disse-lhe: «Senhor, já cheira mal: é o quarto dia». Jesus respondeu: «Não te disse que, se creres, verás a glória de Deus?». Tiraram então a pedra. E Jesus, levantando os olhos para o alto, disse: «Pai, eu te dou graças porque me ouviste! Eu sei que sempre me ouves, mas digo isto por causa da multidão em torno de mim, para que creia que tu me enviaste». Dito isso, exclamou com voz forte: «Lázaro, vem para fora!» O morto saiu, com as mãos e os pés amarrados com faixas e um pano em volta do rosto. Jesus, então, disse-lhes: «Desamarrai-o e deixai-o ir!». Muitos judeus que tinham ido à casa de Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele.

«Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá»

Dr. Johannes VILAR (Köln, Alemanha)

Hoje, a Igreja apresenta-nos um grande milagre: Jesus ressuscita um defunto, morto há vários dias.

A ressurreição de Lázaro é “tipo” a de Cristo, que iremos comemorar proximamente. Jesus diz a Maria que Ele é a «ressurreição» e a vida (cf. Jo 11,25). A todos nos pergunta: «Acreditas nisto?» (Jo 1,26). Acreditamos que no batismo Deus nos ofereceu uma nova vida? Diz S. Paulo que nós somos uma nova criatura (cf 2Cor 5,17). Esta ressurreição é o fundamento da nossa esperança, que se baseia não numa utopia futura, incerta e falsa, mas num fato: «É verdade! O Senhor ressuscitou» (Lc 24,34).

Jesus manda «Desamarrai-o e deixai-o ir» (Jo 11, 34). A redenção libertou-nos das cadeias do pecado, que todos padecíamos. Dizia o Papa Leão Magno: «Os erros foram vencidos, as potestades subjugadas e o mundo ganhou um novo começo. Porque se padecemos com Ele, também reinaremos com Ele (cf Rom 8,17). Este lucro não só está preparado para os que em nome do Senhor são triturados pelos sem-deus. Pois todos os servem a Deus e vivem Nele estão crucificados em Cristo, e em Cristo conseguirão a coroa».

Os cristãos estamos chamados, já nesta terra, a viver esta nova vida sobrenatural que nos torna capazes de dar crédito da nossa sorte: sempre dispostos a der resposta a todos os que nos peçam a razão da nossa esperança! (cf 1Pe 3,13). É lógico que nestes dias procuremos seguir de perto Jesus o Mestre. Tradições como a Via Crucis, a meditação dos Mistérios do Rosário, os textos dos Evangelhos, tudo… pode e deve ser-nos uma ajuda.

A nossa esperança está também posta em Maria, Mãe de Jesus Cristo e nossa Mãe, que é por sua vez um ícone da esperança: ao pé da Cruz esperou contra toda a esperança e foi associada à obra do seu Filho.

Sai do sepulcro do pecado!

Pe. Antonio Rivero, L.C.

São Bertoldo, Religioso
1º Prior Geral de nossa Ordem
Cristo, além de ser Água viva (segundo domingo) e Luz (terceiro domingo), também é Vida e Ressurreição (quarto domingo). Cristo não quer que a nossa vida fique no sepulcro do nosso pecado e se apodreça. Quer que morramos ao nosso homem velho para depois ressuscitarmos e fazer-nos homens novos, segundo o Espírito. Por tanto, o Cristo Pascal veio para nos tirar, para nos ressuscitar do nosso sepulcro do pecado (primeira leitura e evangelho), e dar-nos uma vida nova de ressuscitados, para não viver mais segundo a carne, porém segundo o Espírito (segunda leitura).

Em primeiro lugar, a ressurreição de Lázaro do sepulcro mostra o ponto culminante da atividade de Jesus. É o maior dos seus milagres. Mediante este extraordinário milagre, o Senhor trata de vencer a incredulidade dos judeus. Na batalha entre a fé e a incredulidade, Jesus oferece o dom de um testemunho maior. Mas o coração dos judeus se fecha e isso os leva a tomar a decisão oficial de matar o Cordeiro inocente, e também de matar Lázaro, que era um testemunho vivo do poder divino de Cristo. O caminho da cruz está desde agora traçado, porém no plano de Deus a cruz será o umbral da exaltação e glorificação do Pai no seu Filho. O complot dos homens, no plano da Providência, serve para os desígnios de Deus.

Em segundo lugar, se Lázaro é amigo íntimo de Jesus, o Senhor da vida, por que Jesus permite que morra e o coloquem no sepulcro? Jesus permite um mal para manifestar a glória de Deus. Jesus não usa o seu poder divino para evitar a morte ignominiosa da cruz. Por isso, irá ao encontro da sua própria morte por decisão pessoal. Irá em busca da sua “hora”, essa hora que tanto o angustiava, mas que ao mesmo tempo desejava com ardor, porque será a hora da glorificação do seu Pai e da nossa salvação mediante o Mistério da sua morte e ressurreição. Tal é a razão pela qual não impediu a morte do seu amigo Lázaro, para que resplandecesse a glória do seu Pai, da mesma maneira como não evitaria a sua própria morte, para que o Pai fosse plenamente glorificado no Filho. Somente assim nos tiraria do sepulcro e nos daria uma vida nova. A morte e a ressurreição de Lázaro constituem um prelúdio da sua própria morte e ressurreição. Vendo esta ressurreição, os apóstolos consolidarão a sua fé e se prepararão para a grande prova da Paixão.

Finalmente, hoje Jesus também quer gritar a cada um de nós, como então gritou a Lázaro: “Lázaro, vem para fora!”. Sai do sepulcro do pecado. Sai da incredulidade. Sai da preguiça. Sai do desânimo. Sai do egoísmo. Cristo não quer que nos apodreçamos no sepulcro do pecado, pois “a glória de Deus é o homem vivente”, dizia Santo Irineu. Saiamos e veremos a luz, a vida e a ressurreição de Cristo. No sepulcro só existem vermes, escuridão, decomposição e morte. E Cristo é o Senhor da vida, e Ele quer nos fazer partícipes da sua vida divina e imortal.

Para refletir: estou no sepulcro do pecado ou já experimentei durante a Quaresma a vida nova em Cristo Jesus? Cada vez que peco, escuto a voz de Cristo: “vem para fora”? Acredito que Cristo é Vida e Ressurreição para os que o seguem?

Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail: arivero@legionaries.org