quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Sexta-feira da 2ª semana do Advento


Sta Luzia, Virgem e Mártir
1ª Leitura (Is 48,17-19): Eis o que diz o Senhor, o teu redentor, o Santo de Israel: «Eu sou o Senhor, teu Deus, que te ensino o que é para teu bem e te conduzo pelo caminho que deves seguir. Se tivesses atendido às minhas ordens, a tua paz seria como um rio e a tua justiça como as ondas do mar. A tua descendência seria como a areia e como os seus grãos a tua posteridade. Nunca o teu nome seria tirado nem riscado da minha presença».

Salmo Responsorial: 1
R. Quem Vos segue, Senhor, terá a luz da vida.

Feliz o homem que não segue o conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores nem toma parte na reunião dos maldizentes; mas antes se compraz na lei do Senhor e nela medita dia e noite.

É como árvore plantada à beira das águas: dá fruto a seu tempo e a sua folhagem não murcha. Tudo quanto fizer será bem sucedido.

Bem diferente é a sorte dos ímpios: são como a palha que o vento leva. O Senhor vela pelo caminho dos justos, mas o caminho dos pecadores leva à perdição.

Aleluia. O Senhor está perto, ide ao seu encontro; Ele é o príncipe da paz. Aleluia.

Evangelho (Mt 11,16-19): Naquele tempo, Jesus disse: «Com quem vou comparar esta geração? É parecida com crianças sentadas nas praças, gritando umas para as outras: ‘Tocamos flauta para vós, e não dançastes. Entoamos cantos de luto e não chorastes!’ Veio João, que não come nem bebe, e dizem: ‘Tem um demônio’. Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: ‘É um comilão e beberrão, amigo de publicanos e de pecadores’. Mas a sabedoria foi reconhecida em virtude de suas obras».

«Com quem vou comparar esta geração?»

Rev. D. Antoni CAROL i Hostench (Sant Cugat del Vallès, Barcelona, Espanha)

Hoje devêssemos remover-nos diante do suspiro do Senhor: «Com quem vou comparar esta geração?» (Mt 11,16). Jesus fica aturdido com nosso coração, muitas vezes inconformista e desagradecido. Nunca estamos contentos; sempre nos queixamos. Inclusive nos atrevemos a acusá-lo e a culpá-lo daquilo que nos incomoda.

«Mas a sabedoria foi reconhecida em virtude de suas obras» (Mt 11,19): basta contemplar o mistério do Natal. E nós? Como é a nossa fé? Será que com essas queixas tratamos de encobrir a ausência de nossa resposta? Boa pergunta para o tempo do Advento!

Deus vem ao encontro do homem, mas o homem —particularmente o homem contemporâneo¬— se esconde Dele. Alguns lhe têm medo, como Herodes. Outros, incluso, lhes molesta sua simples presença. «Fora! Fora! Crucifica-o!» (Jo 19,15). Jesus é o Deus-que-vem» (Bento XVI) e nos parecemos “o homem-que-se-vai”: «Ela veio para o que era seu, mas os seus não a acolheram» (Jo 1,11).

Por que fugimos? Por nossa falta de humildade. São João Batista recomendava-nos “minguarmos”. E a Igreja nos lembra disto cada vez que chega o Advento. Para tanto, façamo-nos pequenos para poder entender e acolher ao "Pequeno Deus". Ele se nos apresenta na humildade das fraldas: Nunca antes tinha predicado um “Deus-com-fraldas”! Ridícula imagem damos à vista de Deus quando os homens pretendemos encobrir-nos com desculpas e falsas justificações. Já nos alvores da humanidade Adão lançou as culpas a Eva; Eva à serpente e havendo transcorrido os séculos, continuamos igual.

Mas, chega Jesus-Deus: No frio e na pobreza extrema de Belém não vociferou nem nos reprochou nada. Tudo o contrário! Já começa a carregar sob suas pequenas costas todas nossas culpas. Então, teremos-lhe medo? De verdade valerão nossas desculpas diante esse “Pequeno-Deus"? «O sinal de Deus é o Menino: Aprendemos a viver com Ele e a praticar com Ele a humildade da renúncia» (Bento XVI).

«A sabedoria foi reconhecida em virtude de suas obras»

+ Rev. D. Pere GRAU i Andreu Les Planes, Barcelona, Espanha)

Hoje vemos que com muita frequência temos que assistir a enterros. Mas... poucas vezes pensamos no nosso próprio funeral. Vem a ser como uma jogada do subconsciente que subordina sine die a própria morte.

A mesma contemplação do ritmo da natureza que nos rodeia lembra-nos também esse fato. Deduzimos que — em certo modo—não estamos tão distantes de uma planta, de um ser vivo... estamos submetidos, tanto se nos agrada como se não, à mesma lei natural das criaturas que nos rodeiam. Com a diferença, importante, da origem da nossa vida, da vida a imagem e semelhança de Deus, com projeção de eternidade.

Todo o Advento está informado por esta ideia. O Senhor chega com grande esplendor a visitar o seu povo, com a paz, comunicando-lhe a vida eterna. É um toque de alerta: «A sabedoria foi reconhecida em virtude de suas obras» (Mt 11,19). Tenhamos uma atitude receptiva ante o Senhor!

«Preparai o caminho do Senhor, endireitai as veredas para ele» (Mc 1,3), anunciado no domingo II do Advento (ciclo B). Vigiai as condutas sociais! É o que nos vem a dizer hoje. É como se nos quisesse dizer: «não ponhais dificuldades à comunicação amorosa de Deus».

Temos de polir o nosso caráter. Temos de reconstruir nossa maneira de atuar. Tudo aquilo que, em definitiva, falseia nossa responsabilidade: o orgulho, a ambição, a vingança, a dureza de coração, etc. Aquelas atitudes que nos fazem deuses do poder no mundo, sem querer reconhecer que não somos os senhores do mundo. Somos uma pequena parte dentro da extensa história da Humanidade.

Os discípulos de João experimentavam a purificação dos seus erros. Nós, os discípulos de Jesus, nosso Amigo, podemos viver a insuperável experiência da purificação de todo aquilo que é pecado, com esperança de vida eterna: Outro Natal!

Renovemos nosso diálogo com Ele. Façamos nossa oração de esperança e amor, sem fazer caso do barulho mundano que nos rodeia.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm

* Os líderes, os sábios, não gostam quando alguém os critica ou questiona. Isto acontecia no tempo de Jesus e acontece hoje, tanto na sociedade, como na igreja. João Batista veio, criticou, e não foi aceito. Diziam: ”tem o demônio!” Jesus veio, criticou e não foi aceito. Diziam: - “Beberão!”, – “Louco!” (Mc 3,21), - “Tem o diabo!” (Mc 3,22), - “É um samaritano!” (Jo 8,48), - “Não é de Deus!” (Jo 9,16). Hoje acontece o mesmo. Há pessoas que se agarram ao que sempre foi ensinado e não aceitam outra maneira de explicar e viver a fé. Logo inventam motivos e pretextos para não aderir: - “É marxismo!” - “É contra a Lei de Deus!” - “É desobediência à tradição e ao magistério!”

* Jesus se queixa da falta de coerência do seu povo. Eles inventavam sempre algum pretexto para não aceitar a mensagem de Deus que Jesus lhes trazia. De fato, é relativamente fácil encontrar argumentos e pretextos para refutar os que pensam diferente de nós.

* Jesus reage e mostra a incoerência deles. Eles se consideravam sábios, mas não passavam de crianças que querem divertir o povo na praça e que reclamam quando o povo não brinca conforme a música que eles tocam. Os que se diziam sábios não têm nada de realmente sábio. Apenas aceitavam o que combinava com as ideias deles. E assim eles mesmos pela sua atitude incoerente se condenavam a si mesmos.

Para um confronto pessoal
1. Até onde sou coerente com a minha fé?
2. Tenho consciência crítica com relação ao sistema social e eclesiástico que, muitas vezes, inventa motivos e pretextos para legitimar a situação e impedir qualquer mudança?

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

12 de dezembro: Nossa Senhora de Guadalupe (Rainha do México, Padroeira das Américas e Filipinas)


1a Leitura (Gálatas 4,4-7) - Mas quando veio a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, que nasceu de uma mulher e nasceu submetido a uma lei, a fim de remir os que estavam sob a lei, para que recebêssemos a sua adoção A prova de que sois filhos é que Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai! Portanto já não és escravo, mas filho. E, se és filho, então também herdeiro por Deus.

Salmo Responsorial - 95/96
R. Manifestai a sua glória entre as nações.

Cantai ao Senhor Deus um canto novo, cantai ao Senhor Deus, ó terra inteira!
Cantai e bendizei se santo nome!

Dia após dia anunciai sua salvação, manifestai a sua glória entre as nações
e, entre os povos do universo, seus prodígios!

Publicai entre as nações: "Reina o Senhor!
Ele firmou o universo inabalável, e os povos ele julga com justiça"

Aleluia. Maria, alegra-te, ó cheia de graça, o Senhor é contigo; és bendita entre todas as mulheres da terra! Aleluia.

Evangelho (Lc 1,39-48): Naqueles dias, Maria partiu apressadamente para a região montanhosa, dirigindo-se a uma cidade de Judá. Ela entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou de alegria em seu ventre, e Isabel ficou repleta do Espírito Santo. Com voz forte, ela exclamou: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Como mereço que a mãe do meu Senhor venha me visitar? Logo que a tua saudação ressoou nos meus ouvidos, o menino pulou de alegria no meu ventre. Feliz aquela que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido!» Maria então disse: «A minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque ele olhou para a humildade de sua serva. Todas as gerações, de agora em diante, me chamarão feliz».

«Todas as gerações me proclamarão bem-aventurada»

Rev. D. Antoni CAROL i Hostench (Sant Cugat del Vallès, Barcelona, Espanha)

Hoje, o México celebra solenemente a festa de Nossa Senhora de Guadalupe, venerada como Rainha do povo mexicano. Toda a América a celebra também como sua Padroeira. Mas ainda há mais: todo o mundo se alegra com esta festa da nossa Mãe. Não foi em vão que o Espírito Santo lhe inspirou estas palavras: «Todas as gerações me proclamarão bem-aventurada» (Lc 1,48).

Todas as gerações e de todo o mundo! Parece exagero? Pois não é. Perguntemo-nos, por exemplo: quantas vezes hoje mesmo repetiremos no mundo inteiro “bendita és tu entre as mulheres”? Milhões e milhões de vezes. Num só dia! E assim todos os dias! Afinal, o Espírito Santo não se enganou!

Santa Maria é um caso único: nenhuma outra pessoa é tão recordada como ela em todos os lugares do mundo. É um “caso único”, como o é também o seu Filho Jesus, pois «debaixo do céu nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo qual devamos ser salvos» (Act 4,12).

Em relação à Virgem ainda há outro fato impressionante: Ela é venerada em tantas regiões e lugares diferentes do mundo e, por vezes, frequentemente, é representada de acordo com a fisionomia e os traços próprios do lugar. Isto acontece porque Maria é Mãe de todos e, logicamente, cada um, cada povo a representa de acordo com a sua própria imagem. Os filhos parecem-se fisicamente com a sua Mãe! Por isso, no México, a vemos morena e com traços mestiços. E também não foi por acaso que Maria tenha falado a Juan Diego na língua azteca.

Mas tratemos de nos parecer a Ela, sobretudo, espiritualmente. A Virgem de Guadalupe reflete nos seus olhos o seu querido filho Juan Diego. A Nossa Mãe observa-nos! Que responsabilidade tão grande temos! - Mãe, quisera que nos teus preciosos olhos só se refletissem coisas boas, como a piedade, humildade e obediência de S. Juan Diego… e as flores que tu própria lhe deste e de que tanto gostas…

Nossa Senhora de Guadalupe, Padroeira principal da América Latina

Dom Raymundo Cardeal Damasceno Assis (Arcebispo Emérito de Aparecida)

Celebramos com alegria a festa litúrgica de Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira principal da América Latina. A Palavra de Deus nesta celebração nos convida uma vez mais a contemplar o mistério de Cristo realizado em Maria e a assumirmos também uma atitude proativa em favor do Reino e de nossos irmãos e irmãs com a mesma solicitude de Maria que não poupa esforços para amar e servir, mas tem pressa em encontrar-se com sua prima Isabel para levar-lhe o fruto bendito que está em seu ventre e comunicar-lhe a alegria da realização das promessas de Deus, como escutamos a pouco no relato do evangelista Lucas, pois nós também somos inseridos pelo Batismo a este mistério de salvação.

Grande deve ser nossa alegria, pois somos homens e mulheres da plenitude dos tempos. Deus manifestou-se em nosso meio, assumindo nossa condição, ensinando-nos a viver, restaurando nossa dignidade e tornando-nos em Cristo, filhos e filhas amadas, herdeiros da salvação como nos recorda São Paulo na Carta aos Gálatas. Maria também é a mulher da plenitude dos tempos, pois acolhe a graça divina em seu coração, ela, a bem-aventurada, porque acreditou. Felizes, pois, aqueles que creem como Maria e realizam na vida a vontade do Senhor.

A festa de hoje também nos convida a contemplar a imensidão do amor de Deus manifestado aqui na América Latina. Guadalupe é uma mensagem de consolo e esperança. Nossa Senhora de Guadalupe reflete a misericórdia do Senhor para com os pobres e pequeninos. A solidariedade missionária de Maria nos revela esta verdade, ela é a esperança dos povos sofridos de nosso continente. Recordemos os fatos que nos ajudam a crescer na fé:

No dia 9 de dezembro do ano de 1531, a Virgem Maria apareceu a um indígena chamado Juan Diego, que, saindo de seu povoado caminhava para a cidade do México, a fim de participar da catequese e da Santa Missa. Quando estava na colina de Tepeyac perto da capital mexicana, Maria apareceu-lhe. A Juan Diego, hoje santo de nossa Igreja, a Virgem suplicou para que fosse até o Bispo, pedindo para construir um santuário naquele mesmo local.

O Bispo local com toda prudência pediu ao indígena um sinal da Virgem, e esse sinal somente foi concedido na terceira aparição. Foi quando Juan Diego estava indo buscar um sacerdote para seu tio doente e a Virgem lhe apareceu e disse:

"Escute, meu filho, não há nada que temer, não fique preocupado nem assustado; não tema esta doença, nem outro qualquer dissabor ou aflição. Não estou eu aqui, a seu lado? Eu sou a sua Mãe dadivosa”. Convidando aquele pobre homem à confiança no seu amor materno, a mesma lhe propõe levar ao bispo rosas colhidas num terreno infértil e pede que diga em seu nome para que nessas rosas, ele veja e cumpra a vontade dela.

Assim o fez o embaixador de Nossa Senhora: chegou diante do bispo e desdobrou o manto em sua presença. E se deu o milagre: junto das rosas, estampado no manto de Juan Diego, estava a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, desenhada com muita beleza e esplendor que ninguém até hoje consegue explicar tal prodígio. A partir do milagre foi construído o santuário que acolhe peregrinos do mundo inteiro para manifestar sua devoção à Virgem Maria que sob o título de Guadalupe é também nossa mãe e padroeira.

Recordo aqui as palavras do Papa Bento XIV, proferidas em 1754, a respeito da Nossa Senhora de Guadalupe: "Nela tudo é milagroso: uma Imagem que provém de flores colhidas num terreno totalmente estéril, no qual só podem crescer espinheiros... uma Imagem estampada numa tela tão rala que através dela pode se enxergar o povo e a nave da Igreja tão facilmente como através de um filó; uma Imagem em nada deteriorada, nem no seu supremo encanto, nem no brilho de suas cores, pelas emanações do lago vizinho que, todavia, corroem a prata, o ouro e o bronze... Deus não agiu assim com nenhuma outra nação.”

Lembro ainda que estamos nesta caminhada rumo à solenidade do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo e somos convidados neste tempo do Advento a converter nosso coração ao Senhor, tirando de dentro dele todo obstáculo que impede a vinda de Jesus em nosso mundo. Tempo de renovar a esperança e a fé de que um mundo novo é possível, um ser humano melhor e uma sociedade mais justa e fraterna serão realidades à medida que Cristo renascer em nossos corações e deixarmos sua graça produzir em nós frutos de salvação.

Pedimos ao Senhor, que, pela intercessão da Virgem de Guadalupe, Mãe solícita nas tribulações, sejamos despertados e estimulados à prática da caridade cristã. Sob sua proteção, o povo da América Latina progrida na fé, na fraternidade, na justiça, na igualdade, na promoção da dignidade humana e da paz.

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

11 de dezembro


Beato Franco de Siena
Leigo eremita de nossa Ordem


Nasceu em Grotti (Sena, Itália), provavelmente no séc. XIII. Reconhecido pelas suas ásperas penitências, foi converso carmelitano. Sepultado em Sena, seu culto difundiu-se no séc. XVII, depois de aprovado pelo Papa Clemente X em 1670, na diocese e também na Ordem do Carmelo. Entre os conversos religiosos da Ordem no passado a devoção do B. Franco ocupou um lugar privilegiado e por isso foi por eles escolhido como protetor. Em sua honra também foram dedicados altares e nasceram confrarias, especialmente as espanholas do séc. XVII.

Oração
Deus eterno e todo-poderoso, concedei-nos, por intercessão do Beato Franco, a graça de nos considerarmos peregrinos neste mundo e caminhando ao vosso encontro com espírito de penitência, nos reconheçamos necessitados de vossa misericórdia. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.


11 de dezembro


Santa Maria Maravilhas de Jesus
Virgem de nossa Ordem
                       

Maria de las Maravillas de Jesus Pidal y Chico de Guzmán nasceu em Madrid no ano 1891. Entrou nas Carmelitas Descalças de El Escorial, Madrid (Espanha) no dia 12 de outubro de 1919. Em 1924, movida por uma inspiração divina, fundou um Carmelo no “Cerro de los Ángeles” (o centro geográfico de Espanha), junto ao monumento do Coração de Jesus. A esta fundação seguiram-se outras nove na sua pátria e uma na Índia. Concedeu sempre a primazia à oração e à imolação. Tinha verdadeira paixão e zelo pela glória de Deus e pela salvação das almas. A partir da clausura, e vivendo uma vida pobre, socorreu os necessitados, fomentando iniciativas apostólicas e obras sociais e caritativas. Ajudou de modo particular a sua Ordem, os sacerdotes e diversas congregações religiosas. Morreu com 83 anos no mosteiro de La Aldehuela (Madrid) no dia 11 de dezembro de 1974. Foi beatificada a 10 de maio de 1998 e canonizada no dia 4 de maio de 2003 por João Paulo II.

Salmodia, leitura, responsório breve e preces do dia corrente.

Oração
Senhor, nosso Deus, que atraístes Santa Maria Maravilhas de Jesus aos segredos do Coração do vosso Filho, concedei-nos, pelo seu exemplo e intercessão, que, experimentando as delícias do vosso amor, trabalhemos pela salvação das almas Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

Quarta-feira da 2ª semana do Advento

Sta Maria Maravilhas de Jesus
Virgem de nossa Ordem

1ª Leitura (Is 40,25-31): «A quem Me comparareis que seja semelhante a Mim? – diz o Deus Santo – Erguei os olhos para o alto e olhai. Quem criou estas estrelas? Aquele que as conta e as faz marchar como um exército e as chama a todas pelos seus nomes. Tal é a sua força e tão grande é o seu poder, que nenhuma falta à chamada. Jacob, porque dizes; Israel, porque afirmas: ‘O meu destino está oculto ao Senhor e a minha causa passa despercebida ao meu Deus’? Não o sabes, não o ouvistes dizer? O Senhor é um Deus eterno, criador da terra até aos seus confins. Ele não Se cansa nem Se fatiga e a sua inteligência é insondável. Dá força ao que anda exausto e vigor ao que anda enfraquecido. Os jovens cansam-se e fatigam-se e os adultos tropeçam e vacilam. Mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças, formam asas como as águias. Correm sem se fatigarem, caminham sem se cansarem».

Salmo Responsorial: 102
R. Ó minha alma, louva o Senhor.

Bendiz, ó minha alma, o Senhor e todo o meu ser bendiga o seu nome santo. Bendiz, ó minha alma, o Senhor e não esqueças nenhum dos seus benefícios.

Ele perdoa todos os teus pecados e cura as tuas enfermidades; salva da morte a tua vida e coroa-te de graça e misericórdia.

O Senhor é clemente e compassivo, paciente e cheio de bondade; não nos tratou segundo os nossos pecados, nem nos castigou segundo as nossas culpas.

Aleluia. O Senhor vem salvar o seu povo; felizes os que estão preparados para ir ao seu encontro. Aleluia.

Evangelho (Mt 11,28-30): Naquele tempo, respondendo Jesus, disse: «Vinde a mim, todos vós que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e sede discípulos meus, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vós. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve».

«Meu jugo é suave e o meu fardo é leve»

P. Jacques PHILIPPE (Cordes sur Ciel, França)

Bto Franco de Siena
Leigo de nossa Ordem
Hoje, Jesus leva-nos a repousar em Deus. Ele, certamente, é um Pai exigente, porque nos ama e nos convida a dar-lhe tudo, não é um verdugo. Quando nos exige alguma coisa é para nos fazer crescer no seu amor. O único mandamento é o de amar. Pode-se sofrer por amor, mas também nos podemos alegrar e descansar por amor...

A docilidade de Deus libera e enaltece o coração. Por isso Jesus, convida-nos a renunciar a nós mesmos para tomarmos a nossa cruz e segui-lo, diz-nos: «O meu jugo é suave e o meu fardo é leve» (Mt 11,30). Mesmo que por vezes nos custe obedecer à vontade de Deus, cumpri-la com amor acaba por nos encher de gozo: «Dirige-me na senda dos teus mandamentos, porque nela está minha alegria» (Sal 119,35).

Gostava de vos contar uma coisa. Por vezes, quando depois de um dia bastante esgotante, me vou deitar, percebo uma ligeira sensação dentro de mim que me diz: —Não entrarias um momento na capela para me fazeres companhia? Após uns instantes de desconcerto e resistência, termino por consentir e passar uns momentos com Jesus. Depois vou dormir em paz e tão contente, no dia seguinte não acordo mais cansado que de costume.

Não obstante, por vezes sucede-me o contrário. Perante um problema grave que me preocupa, penso: —Esta noite, durante uma hora, na capela, rezarei para que se resolva. E ao dirigir-me para a dita capela, uma voz diz-me no fundo do meu coração: —Sabes? Conformava-me mais que te fosses deitar imediatamente e confiasses em mim; eu ocupo-me do teu problema. E recordando a minha feliz condição de “servidor inútil”, vou dormir em paz, abandonando tudo nas mãos do Senhor...

Com tudo isto quero dizer que a vontade de Deus está onde existe o máximo amor mas não forçosamente onde está o máximo sofrimento... Há mais amor em descansar, graças à confiança do que em nos angustiarmos pela inquietude!

«Vinde a mim, todos vós que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso»

Rev. D. Jaume GONZÁLEZ i Padrós (Barcelona, Espanha)

Hoje, acaba o ciclo de leituras semanais que tem como protagonista o profeta Isaías. Ele nos faz ver que a atualidade da vinda do Messias foi anunciada profeticamente.

Esperar o regresso do Senhor, seu “adventus”, exige do crente um claro propósito de não desfalecer, aconteça o que acontecer até então. Porque não podemos ignorar que a espera nem sempre resulta ligeira, e se pode chegar a pensar que, de fato, considerando a própria fraqueza, não se alcançará a perseverança de uma vida cristã com tenacidade. A tentação do desânimo está sempre perto dos que somos fracos por natureza.

Também pode nos trair o esquecimento de que o Reino vai abrindo passagem, sobretudo pela vontade de Deus, apesar das resistências dos que não temos uma “determinação determinada”, suficientemente decidida, para buscá-lo acima de tudo e com absoluta prioridade. Muitas vezes nos lamentamos do nosso cansaço: refletimos um pouco e damo-nos conta dos poucos resultados obtidos e, sem o poder evitar, sai-nos da alma uma queixa dirigida ao Senhor, mais ou menos explicita, perguntando-lhe como é que não nos ajudou o suficiente, como é possível que não tenha reparado no trabalho que realizamos. Aqui está nosso pecado! Convertemos Deus em nosso ajudante, ao invés de compreender que a iniciativa é sempre dele e que é dele o esforço principal.

Isaías, nesta perspectiva escatológica que marca as primeiras semanas do Advento, nos lembra quanto é grande e irresistível o poder do Senhor.

Em Jesus Cristo vemos cumprirem-se estas palavras do Profeta. «Vinde a mim (...) e encontrareis descanso» (Mt 11,28). No Senhor, no seu coração amoroso, todos encontramos o descanso necessário e a força para não desfalecer e, assim, poder esperá-lo com uma renovada caridade, enquanto nossa alma não cessa de O bendizer e nossa memória não esquece seus favores.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm

* Certos textos dos Evangelhos só revelam todo o seu sentido quando colocados diante do pano de fundo do Antigo Testamento. Assim é este texto tão breve e tão bonito do evangelho de hoje. Nele ressoam dois temas muito amados e lembrados do Antigo Testamento, um de Isaías e outro dos livros chamados sapienciais.

* Isaías fala do Messias-Servo e o apresenta como um discípulo que está sempre em busca de uma palavra de conforto para poder animar os desanimados: “O Senhor me concedeu o dom de falar como seu discípulo, para eu saber dizer uma palavra de conforto a quem está desanimado. Cada manhã, ele me desperta, para que eu o escute, de ouvidos abertos, como o fazem os discípulos”. (Is 50,4) E o Messias servo faz um convite: “Vocês que estão com sede, venham buscar água. Venham também os que não têm dinheiro: comprem e comam sem dinheiro e bebam vinho e leite sem pagar” (Is 55,1). Estes textos povoavam a memória do povo. Eram como os cânticos da nossa infância. Quando a gente os escuta dá uma nostalgia, uma saudade! Assim, a palavra de Jesus: “Venham a mim!” despertava a memória e trazia para perto o eco longínquo daqueles textos bonitos de Isaías.

* Os livros sapienciais apresentam a sabedoria divina sob a figura de uma mulher, uma mãe, que transmite aos filhos a sua sabedoria e lhes diz: "Comprem a sabedoria sem dinheiro. Coloquem o pescoço debaixo do seu jugo e acolham a sua instrução. A sabedoria está próxima, e pode ser encontrada. Vejam com seus próprios olhos como trabalhei pouco, e acabei encontrando profundo repouso”.(Eclo 51,25-27). Jesus repete quase a mesma frase: “Vocês encontrarão repouso!”

* Por esta sua maneira de falar ao povo, Jesus despertava a memória do povo e fazia com que o coração se alegrasse e dissesse: “Chegou o messias que tanto esperamos!” Jesus transformava a saudade em esperança. Fazia o povo dar um passo. Em vez de agarrar-se à imagem de um messias glorioso, rei e dominador, ensinadas pelos escribas, o povo mudava de visão e aceitava Jesus como o messias servidor. Messias humilde e manso, acolhedor e cheio de ternura, que fazia os pobres se sentirem em casa junto de Jesus.

Para um confronto pessoal
1. A lei de Deus é para mim um jugo leve que me anima, ou é um peso que me cansa?
2. Já senti alguma vez a alegria e a leveza do jugo da lei de Deus que Jesus nos revelou?

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Terça-feira da 2ª semana do Advento


S. Joana F. de Chantal, Viúva e Religiosa
1ª Leitura (Is 40,1-11): Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus. Falai ao coração de Jerusalém e dizei-lhe em alta voz que terminaram os seus trabalhos e está perdoada a sua culpa, porque recebeu da mão do Senhor duplo castigo por todos os seus pecados. Uma voz clama: «Preparai no deserto o caminho do Senhor, abri na estepe uma estrada para o nosso Deus. Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas. Então se manifestará a glória do Senhor e todo o homem verá a sua magnificência, porque a boca do Senhor falou». Uma voz dizia: «Clama». E eu respondi: «Que hei de clamar?» – «Todo o ser humano é como a erva, toda a sua glória é como a flor do campo. A erva seca e as flores murcham, quando o vento do Senhor sopra sobre elas. A erva seca e as flores murcham, mas a palavra do nosso Deus permanece eternamente» –. Sobe ao alto dum monte, arauto de Sião; grita com voz forte, arauto de Jerusalém; levanta sem temor a tua voz e diz às cidades de Judá: «Eis o vosso Deus. O Senhor Deus vem com poder, o seu braço dominará. Com Ele vem o seu prémio, precede-O a sua recompensa. Como um pastor apascentará o seu rebanho e reunirá os animais dispersos; tomará os cordeiros em seus braços, conduzirá as ovelhas ao seu descanso».

Salmo Responsorial: 95
R. O nosso Deus virá com poder e majestade.

Cantai ao Senhor um cântico novo, cantai ao Senhor, terra inteira. Cantai ao Senhor, bendizei o seu nome, anunciai dia a dia a sua salvação.

Publicai entre as nações a sua glória, em todos os povos as suas maravilhas. Dizei entre as nações: O Senhor é Rei. Governa os povos com equidade.

Alegrem-se os céus, exulte a terra, ressoe o mar e tudo o que ele contém, exultem os campos e quanto neles existe, alegrem-se as árvores dos bosques.

Diante do Senhor que vem, que vem para julgar a terra: julgará o mundo com justiça e os povos com fidelidade.

Aleluia. Está próximo o dia do Senhor; Ele vem salvar-nos. Aleluia.

Evangelho (Mt 18,12-14): Naquele tempo, Jesus disse aos discípulos: «Que vos parece? Se alguém tiver cem ovelhas, e uma delas se extraviar, não deixará as noventa e nove nos morros, para ir à procura daquela que se perdeu? E se ele a encontrar, em verdade vos digo, terá mais alegria por esta do que pelas noventa e nove que não se extraviaram. Do mesmo modo, o Pai que está nos céus não deseja que se perca nenhum desses pequenos».

«O Pai que está nos céus não deseja que se perca nenhum desses pequenos»

Fr. Damien LIN Yuanheng (Singapore, Singapura)

Hoje, Jesus nos lança um desafio: «´´O que você acha”? (Mt 18,12); que tipo de misericórdia você pratica? Talvez nós, “católicos praticantes”, tendo muitas vezes gostado da misericórdia de Deus em seus sacramentos, estamos tentados a pensar que já estamos justificados diante dos olhos de Deus. Corremos o perigo de converter-nos inconscientemente no fariseu que menospreza ao publicano (cf. Lc 18,9-14). Mesmo que não o digamos em voz alta, talvez pensamos que estamos livres de culpa ante Deus. Alguns sintomas de que este orgulho farisaico cria raízes em nós podem ser a impaciência ante os defeitos dos demais, ou pensar que as advertências nunca vão para nós.

O “desobediente” profeta Jonas, um judeu, se manteve inflexível quando Deus mostrou pena pelos habitantes de Nínive. Javé rejeitou a intolerância de Jonas (cf. Jon 4,10-11). Aquela olhada humana punha limites à misericórdia. Por acaso também nós pomos limites à misericórdia de Deus? Devemos prestar atenção à lição de Jesus: «Seja misericordiosos como vosso Pai é misericordioso» (Lc 6,36). Com toda probabilidade, ainda nos falta um longo caminho por percorrer para imitar a misericórdia de Deus!

Como deveríamos entender a misericórdia de nosso Pai celestial? O Papa Francisco disse que «Deus não perdoa mediante um decreto, e sim com um abraço». O abraço de Deus para com cada um de nós se chama “Jesus Cristo”. Cristo manifesta a misericórdia paternal de Deus. No capítulo quarto do Evangelho de São João, Cristo não ventila os pecados da mulher samaritana. Em lugar de disso, a divina misericórdia cura à Samaritana ajudando-a a afrontar plenamente a realidade de seu pecado. A misericórdia de Deus é totalmente coerente com a verdade. A misericórdia não é uma desculpa para rebaixar-se moralmente. No entanto, Jesus devia ter provocado seu arrependimento com muito mais ternura do que a mulher sentiu mulher adúltera “ferida pelo amor” (cf. Jo 8,3-11). Nós também devemos aprender como ajudar aos demais a encarar seus erros sem envergonhá-los, com grande respeito para com eles como irmãos em Cristo, e com ternura. No nosso caso, também com humildade, sabendo que nós mesmos somos “vasilhas de barro”.

«O Pai que está nos céus não deseja que se perca nenhum desses pequenos»

Rev. D. Joaquim MONRÓS i Guitart (Tarragona, Espanha)

Hoje, Jesus faz-nos saber que Deus quer que todos os homens se salvem e que não deseja «que se perca nenhum desses pequenos» (Mt 18,4). Junto à parábola do pastor que procura a ovelha perdida, nos apresenta uma personagem que comoveu os primeiros cristãos. Na capa do Catecismo da Igreja Católica está gravada esta figura de Jesus Bom Pastor, que já nas catacumbas de Roma está presente entre as primeiras imagens do Senhor.

É tão forte a vontade do Senhor de salvar-nos, que desde essas palavras até sua entrega incondicional na Cruz, é Cristo quem nos procura a cada um para que —livremente— voltemos à amizade com Ele.

Do mesmo jeito que Jesus, os cristãos devemos ter esse mesmo sentimento: que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade! Como dizia São Josemaria Escrivá, «todos somos ovelha e pastor». Há algumas pessoas —o próprio esposo ou a esposa, os filhos, os parentes, os amigos, etc.— para os quais nós talvez sejamos a única oportunidade para poderem recuperar a alegria da fé e da vida da graça.

Sempre podemos deixar noventa e nove por cento das coisas que estamos fazendo, para rezar e ajudar as pessoas que temos perto de nós, que amamos e que sabemos que padecem de alguma necessidade em sua alma.

Com a nossa oração e mortificação, e nossa fé amorosa, podemos dar-lhes a graça da conversão, como Santa Mônica conseguiu que seu filho Agostinho, se convertesse no “primeiro homem moderno” que sabe explicar em “Confissões” como a graça atuou nele até chegar à santidade.

Peçamos à Mãe do Bom Pastor muitas alegrias de conversões.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm

* Uma parábola não é um ensinamento a ser recebido passivamente e a ser decorado de memória, mas é um convite para participar na descoberta da verdade. Jesus começa perguntando: “O que vocês acham?” Uma parábola é uma pergunta com resposta não definida. A resposta vai depender da nossa reação e participação como ouvintes. Então, vamos buscar a resposta desta parábola da ovelha perdida.

* Jesus conta uma história muito breve e muito simples: um pastor tem 100 ovelhas, perde uma, deixa as 99 nas montanhas e vai em busca da ovelha perdida. E Jesus pergunta: “O que vocês acham?” Ou seja: “Vocês fariam o mesmo?” Qual terá sido a resposta dos pastores e das outras pessoas que ouviram Jesus contar esta história? Fariam a mesma coisa? Qual a minha resposta à pergunta de Jesus? Pense bem antes de responder.

* Se você tivesse 100 ovelhas e perdesse uma, o que faria? Não esqueça de que as montanhas são lugares de difícil acesso, cheios precipícios, onde rondam animais perigosos e onde ladrões e assaltantes se escondem. E lembre-se que você perdeu apenas uma única ovelha. Você continua na posse de 99 ovelhas. Perdeu pouco! Você iria abandonar as 99 naquelas montanhas? Será que uma pessoa com um pouco de bom senso faria o que fez o pastor da parábola de Jesus? Pense bem!

* Os pastores que escutaram a história de Jesus, devem ter pensado e comentado: “Só um pastor sem juízo age desse jeito!” Eles devem ter perguntado a Jesus: “Jesus, desculpe, mas quem é esse pastor de que o senhor está falando? Fazer o que ele fez é uma loucura total!”

* Jesus responde: “Esse pastor é Deus, nosso Pai, e a ovelha perdida é você!” Com outras palavras, esta loucura, quem a comete é Deus por causa do seu grande amor para com os pequenos, os pobres, os excluídos! Só mesmo um amor muito grande é capaz de cometer uma loucura assim. O amor com que Deus nos ama é maior que a prudência e o bom senso humano. O amor de Deus comete loucuras. Graças a Deus! Senão fosse assim, estaríamos perdidos!

Para um confronto pessoal
1. Coloque-se na pele da ovelha perdida e anime a sua fé e sua esperança. Você é essa ovelha!
2. Coloque-se na pele do pastor e verifique se o seu amor para com os pequenos é verdadeiro.

domingo, 8 de dezembro de 2019

Segunda-feira da 2ª semana do Advento

São Juan Diego, Leigo

1ª Leitura (Is 35,1-10): Alegrem-se o deserto e o descampado, rejubile e floresça a terra árida, cubra-se de flores como o narciso, exulte com brados de alegria. Ser-lhe-á dada a glória do Líbano, o esplendor do Carmelo e de Saron. Verão a glória do Senhor, o esplendor do nosso Deus. Fortalecei as mãos fatigadas e robustecei os joelhos vacilantes. Dizei aos corações perturbados: «Tende coragem, não temais: Aí está o vosso Deus, que vem para fazer justiça e dar a recompensa. Ele próprio vem salvar-vos». Abrir-se-ão os olhos dos cegos e os ouvidos dos surdos. Então o coxo saltará como um veado e a língua do mudo cantará de alegria. As águas brotarão no deserto e as torrentes na aridez da planície; a terra seca transformar-se-á em lago e a terra sequiosa em nascentes de água. No covil dos chacais crescerão canas e juncos. Aí haverá uma estrada, que se chamará «caminho sagrado»; nenhum homem impuro passará por ele e nele os insensatos não se perderão. Nesse caminho não haverá leões, nem andarão por ali animais ferozes. Por ele caminharão os resgatados e voltarão os que tiver libertado o Senhor. Hão-de chegar a Sião com brados de alegria, com eterna felicidade a iluminar-lhes o rosto. Reinarão o prazer e o contentamento e acabarão a dor e os gemidos.

Salmo Responsorial: 84
R. O Senhor, nosso Deus, vem salvar-nos.

Escutemos o que diz o Senhor: Deus fala de paz ao seu povo e aos seus fiéis. A sua salvação está perto dos que O temem e a sua glória habitará na nossa terra.

Encontraram-se a misericórdia e a fidelidade, abraçaram-se a paz e a justiça. A fidelidade vai germinar da terra e a justiça descerá do Céu.

O Senhor dará ainda o que é bom e a nossa terra produzirá os seus frutos. A justiça caminhará à sua frente e a paz seguirá os seus passos.

Aleluia. Eis que vem o Rei, Senhor de toda a terra, libertar-nos do jugo do nosso cativeiro. Aleluia.

Evangelho (Lc 5,17-26): Num desses dias, ele estava ensinando na presença de fariseus e mestres da Lei, que tinham vindo de todos os povoados da Galileia, da Judeia e de Jerusalém. O poder do Senhor estava nele para fazer curas. Vieram alguns homens carregando um paralítico sobre uma maca. Eles tentavam introduzi-lo e colocá-lo diante dele. Como não encontrassem um modo de introduzi-lo, por causa da multidão, subiram ao telhado e, pelas telhas, desceram o paralítico, com a maca, no meio, diante de Jesus. Vendo a fé que tinham, ele disse: «Homem, teus pecados são perdoados». Os escribas e os fariseus começaram a pensar: «Quem é este que fala blasfêmias? Quem pode perdoar pecados, a não ser Deus?». Jesus, penetrando-lhes os pensamentos, perguntou: «Que estais pensando no vosso íntimo? Que é mais fácil, dizer: ‘Teus pecados são perdoados’, ou: ‘Levanta-te e anda?’ Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem poder de perdoar pecados na terra, — e dirigiu-se ao paralítico — eu te digo: levanta-te, pega tua maca e vai para casa». No mesmo instante, levantando-se diante de todos, pegou a maca e foi para casa, glorificando a Deus. Todos ficaram admirados e glorificavam Deus, cheios de temor, dizendo: «Vimos hoje coisas maravilhosas».

«Teus pecados são perdoados»

Rev. D. Joan Carles MONTSERRAT i Pulido (Cerdanyola del Vallès, Barcelona, Espanha)

9 de dezembro
1ª aparição de NSra de Guadalupe

Hoje, o Senhor ensina e, ao mesmo tempo, cura. Hoje, vemos o Senhor que ensinava os que se consideravam sábios naqueles tempos: os fariseus e os mestres da lei. Às vezes, podemos pensar que neste século em que vivemos, ou pelos estudos que temos feito, pouco temos para aprender. Esta lógica não sobrenatural nos leva frequentemente a querer fazer que os caminhos de Deus sejam os nossos e não ao contrário.

Na atitude dos que querem a cura de seu amigo vemos os esforços humanos para conseguir aquilo que verdadeiramente desejam. O que queriam era algo muito bom: que o doente pudesse levantar-se. Mas isso não é suficiente. Nosso Senhor deseja fazer conosco uma cura completa. E por isso começa com o que Ele tinha vindo fazer neste mundo, o que significa o Seu santo nome: Salvar o homem de seus pecados.

A fonte mais profunda de meus males são sempre os meus pecados: «Homem, teus pecados são perdoados» (Lc 5,20). Frequentemente, nossa oração ou nosso interesse é só material, mas o Senhor sabe o que mais nos convém. Como naqueles tempos os consultórios dos médicos estão lotados de doentes. Mas, como aqueles homens, corremos o risco de não ir com tanta diligência ao lugar onde de verdade nos restabelecemos inteiramente: ao encontro com o Senhor no sacramento da Penitência.

É fundamental em todo o tempo para o crente, o encontro sincero com Jesus Cristo misericordioso. Ele, rico em misericórdia, recorda-nos especialmente hoje que neste Advento não podemos desatender o perdão que Ele nos dá de mãos cheias. E, se for preciso, joguemos fora os impedimentos — o telhado — que nos impedem de O ver. —Eu também preciso de retirar as telhas de meus preconceitos, das minhas comodidades, das minhas ocupações, das desconfianças, que são um impedimento para "olhar acima das telhas".

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm

O Evangelho de hoje é um espelho. Ele evoca em nós as palavras que dizemos durante a Missa na hora da comunhão: “Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e serei salvo”. Olhando no espelho deste texto, ele sugere o seguinte:

* Sentado, Jesus ensinava. O povo gostava de ouvi-lo. Qual era o assunto do ensino de Jesus? Ele sempre falava de Deus, seu Pai, mas dele falava de um jeito novo e atraente, diferente dos escribas e fariseus (Mc 1,22.27). Jesus apresentava Deus como a grande Boa Notícia para a vida humana; um Deus Pai/Mãe que ama e acolhe as pessoas, e não um Deus que nos ameaça e condena.

* Um paralítico é carregado por quatro pessoas. Jesus é a única esperança deles. Vendo a fé, ele diz ao paralítico: Teus pecados estão perdoados! Naquele tempo, o povo achava que defeitos físicos (paralisia, etc.) fossem castigo de Deus por algum pecado. Por isso, os paralíticos e tantos outros deficientes físicos sentiam-se rejeitados e excluídos por Deus! Jesus ensinava o contrário. A fé tão grande do paralítico era um sinal evidente de que ele e seus carregadores estavam sendo acolhidos por Deus. Por isso, Jesus declara: Teus pecados estão perdoados! Ou seja: “Você não está afastado de Deus!”

* A afirmação de Jesus não combinava com a ideia que os doutores da lei tinham de Deus. Por isso, eles reagem: Ele blasfema! Conforme o ensinamento deles, só Deus podia perdoar os pecados. E só o sacerdote podia declarar uma pessoa perdoada e purificada. Como é que Jesus, homem sem estudo, um leigo, podia declarar o paralítico como perdoado e purificado dos pecados? Pois, se um simples leigo podia perdoar os pecados, os doutores e os sacerdotes perderiam o seu poder e também a sua fonte de renda! Por isso reagem e se defendem.

* Jesus justifica a sua ação: O que é mais fácil dizer: ‘Teus pecados estão perdoados!’ ou dizer: ‘Levanta-te e anda!’? Evidentemente, é muito mais fácil dizer: “Teus pecados estão perdoados”. Pois ninguém pode verificar se, de fato, o pecado foi ou não foi perdoado. Mas se eu digo: “Levanta-te e anda!”, aí todos poderão verificar se tenho ou não esse poder de curar. Por isso, para mostrar que, em nome de Deus, tinha o poder de perdoar os pecados, Jesus disse ao paralítico:” Levanta-te, toma teu leito e vá para casa!” Curou o homem! Provou que a paralisia não é um castigo de Deus pelo pecado, e mostrou que a fé dos pobres é uma prova de que Deus os acolhe no seu amor.

Para um confronto pessoal
1. Colocando-me na posição dos carregadores: será que eu seria capaz de carregar o doente, subir no telhado e fazer o que os quatro fizeram? Será que eu tenho tanta fé?
2. Qual a imagem de Deus que está em mim e que se irradia nos outros? A dos doutores ou a de Jesus? Deus compassivo ou ameaçador?