segunda-feira, 19 de agosto de 2019

20 de agosto


Georg Häfner
Presbítero, Mártir e Terceiro Carmelita


Nasceu em Würzburg no dia 19 de outubro de 1890, onde estudou até 1918. No dia 11 de janeiro de 1920 entrou na Ordem Terceira dos Carmelitas descalços, tomando o nome de Aloísio do Santíssimo Sacramento. Depois de seus estudos na Universidade de Würzburg, se ordenou Sacerdote em 13 de abril de 1924. Celebrou sua Primeira Missa no dia 21 de abril no Convento das Carmelitas Descalças, em Himmelspforten, onde havia sido coroinha quando criança. Passou vários anos em diversas paróquias como capelão e posteriormente como Pároco. Como bom sacerdote, sério e convencido, dedicou-se às suas obrigações e deveres. Mas foi inevitável que seu zelo pastoral o fizesse entrar em conflito com os nacional-socialistas, ao ponto de que ele, sacerdote tão bom e verdadeiramente disponível com todos, se convertesse em um ‘inimigo’ político, em um perseguido, até ser preso em 31 de outubro de 1941. No dia 12 de dezembro desse mesmo ano foi levado para o Campo de Concentração de Dachau. É o Preso nº 28876. Alí morreu em 20 de agosto de 1942 às 7h e 20 min., devido às consequências da falta de alimentação que provocaram o definhamento orgânico abrindo a porta a infecções generalizadas. Em uma de suas últimas cartas, desde Dachau, escrevia a seus pais: “Não queremos nem condenar um ser humano, nem semear o rancor contra quem quer que seja. Pelo contrário, queremos ser bons com todos”. Seus restos mortais descansam na Cripta da Basílica de Würzburg.

Salmodia, leitura, responsório breve e preces do dia corrente.

Oração
Deus Pai todo-poderoso, que destes ao Mártir Georg Häfner a graça de combater até dar a vida pela fé, concedei que a sua intercessão nos ajude a suportar a adversidade por vosso amor e a caminhar corajosamente para Vós, fonte da verdadeira vida. Por Nosso Senhor.


Terça-feira da 20ª semana do Tempo Comum

São Bernardo, Presbítero e Doutor

1ª Leitura (Jz 6,11-24) - Depois veio o anjo do Senhor e sentou-se debaixo do terebinto de Efra, que pertencia a Joás, da família de Abieser. Gedeão, seu filho, estava limpando o trigo no lagar, para escondê-lo dos madianitas. O anjo do Senhor apareceu-lhe e disse-lhe: "O Senhor está contigo, valente guerreiro!" Gedeão respondeu: "Ah, meu senhor, se o Senhor está conosco, por que nos vieram todos esses males? Onde estão aqueles prodígios que nos contaram nossos pais, dizendo: o Senhor fez-nos verdadeiramente sair do Egito? Agora o Senhor abandonou-nos e entregou-nos nas mãos dos madianitas". Então o Senhor, voltando-se para ele: "Vai, disse, com essa força que tens e livra Israel dos madianitas. Porventura não sou eu que te envio?" "Ó Senhor", respondeu Gedeão, "com que livrarei eu Israel? Minha família é a última de Manassés, e eu sou o menor na casa de meu pai". O Senhor replicou: "Eu estarei contigo e tu derrotarás os madianitas como se fossem um só homem". Prosseguiu Gedeão: "Se encontrei graça aos vossos olhos, provai-me por um sinal que sois vós quem me falais. Não vos afasteis daqui até que eu volte trazendo uma oferta, e a ponha diante de vós". "Esperarei", respondeu o Senhor, "até que voltes". Gedeão entrou em sua casa, preparou um cabrito e fez pães sem fermento com um efá de farinha. Pôs a carne num cesto e o caldo numa panela, levou tudo debaixo do terebinto e ofereceu-lho. O anjo do Senhor disse-lhe: "Toma a carne e os pães sem fermento, põe-nos sobre aquela pedra e derrama por cima o caldo". Ele assim o fez. Então o anjo do Senhor estendeu a ponta da vara que tinha na mão, tocou a carne com os pães sem fermento, e imediatamente jorrou fogo da rocha que consumiu a carne e os pães sem fermento; e o anjo do Senhor desapareceu de seus olhos. Gedeão reconheceu que era o anjo do Senhor e exclamou: "Ai de mim, Senhor Javé, que vi o anjo do Senhor face a face". O Senhor disse-lhe: "Tranquiliza-te; não temas, não morrerás". Gedeão edificou ali um altar ao Senhor e chamou-o Javé-Chalom. Esse altar existe ainda hoje em Efra de Abieser.

Salmo Responsorial - 84/85
R. O Senhor anunciará a paz para o seu povo.

Quero ouvir o que o Senhor irá falar: é a paz que ele vai anunciar;
a paz para o seu povo e seus amigos, para os que voltam ao Senhor seu coração.

A verdade e o amor se encontrarão, a justiça e a paz se abraçarão;
da terra brotará a fidelidade, e a justiça olhará dos altos céus.

O Senhor nos dará tudo o que é bom, e a nossa terra nos dará suas colheitas;
a justiça andará na sua frente e a salvação há de seguir os passos seus.

Aleluia. Jesus Cristo, Senhor nosso, embora sendo rico, para nós se tornou pobre, a fim de enriquecer-nos mediante sua pobreza. Aleluia.

Evangelho (Mt 19,23-30): Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: «Em verdade vos digo, dificilmente um rico entrará no Reino dos Céus. E digo ainda: é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha, do que um rico entrar no Reino de Deus». Ouvindo isso, os discípulos ficaram perplexos e perguntaram: «Quem, pois, poderá salvar-se?». Jesus olhou bem para eles e disse: «Para os homens isso é impossível, mas para Deus tudo é possível». Em seguida, Pedro tomou a palavra e disse-lhe: «Olha! Nós deixamos tudo e te seguimos. Que haveremos de receber?». Jesus respondeu: «Em verdade vos digo, quando o mundo for renovado e o Filho do Homem se sentar no trono de sua glória, também vós, que me seguistes, havereis de sentar-vos em doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel. E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou campos, por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá como herança a vida eterna. Ora, muitos que são primeiros serão últimos, e muitos que são últimos serão primeiros».

«Dificilmente um rico entrará no Reino dos Céus (...) Quem, pois, poderá salvar-se?»

Rev. D. Fernando PERALES i Madueño (Terrassa, Barcelona, Espanha)

Bto Georg Hafner
Presbítero e Mártir da OTC
Hoje, contemplamos a reação que suscitou entre os ouvintes o diálogo do jovem rico com Jesus: «Quem, pois, poderá salvar-se?» (Mt 19,25). As palavras do Senhor dirigidas ao jovem rico são manifestamente duras, pretendem surpreender, despertar as nossas sonolências. Não se tratam de palavras isoladas, acidentais no Evangelho: repete vinte vezes este tipo de mensagem. Devemos recordá-lo: Jesus adverte contra os obstáculos que implicam as riquezas, para entrar na vida...

E, no entanto, Jesus amou e chamou homens ricos, sem lhes exigir que abandonassem as suas responsabilidades. A riqueza em si mesma não é má, a não ser que a sua origem tenha sido adquirida de forma injusta, ou o seu destino, que se utilize de forma egoísta sem ter em conta os mais desfavorecidos, se fecha o coração aos verdadeiros valores espirituais (onde não há necessidade de Deus).

«Quem, pois, poderá salvar-se?». Jesus responde: «Para os homens isso é impossível, mas para Deus tudo é possível». (Mt 19,26). «Senhor, tu conheces bem as habilidades dos homens para atenuar a tua Palavra. Tenho que o dizer, Senhor ajuda-me! Converte o meu coração».

Depois do jovem rico ter ido embora, entristecido pelo seu apego às suas riquezas, Pedro tomou a palavra e disse: «Concede, Senhor, à tua Igreja, aos teus Apóstolos que sejam capazes de deixar tudo por Ti».

«Quando o mundo for renovado e o Filho do Homem se sentar no trono de sua glória?» (Mt 19,28). O Teu pensamento dirige-se para esse “dia”, até esse futuro. Tu és um homem com tendência para o fim do mundo, para a plenitude do homem. Nesse tempo, Senhor, tudo será novo, renovado, belo.

Jesus Cristo diz-nos: «Vós que deixastes tudo pelo Reino, vos sentareis com o Filho do Homem... Recebereis cem vezes mais do que tiveres deixado... E herdareis a vida eterna...» (cf. Mt 19,28-29).

O futuro que Tu prometes aos teus, aos que te seguiram renunciando a todos os obstáculos... É um futuro feliz, é a abundância da vida, é a plenitude divina.

«Obrigado, Senhor. Conduz-me até esse dia!».

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* O evangelho de hoje é a continuação imediata do evangelho de ontem. Traz o comentário de Jesus a respeito da reação negativa do jovem rico.

* Mateus 19,23-24: O camelo e o fundo da agulha.
Depois que o jovem foi embora, Jesus comentou a decisão dele e disse: "Eu garanto a vocês: um rico dificilmente entrará no Reino do Céu. E digo ainda: é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha, do que um rico entrar no Reino de Deus". Duas observações a respeito desta afirmação de Jesus: 1) O provérbio do camelo e do buraco da agulha se usava para dizer que uma coisa era impossível e inviável, humanamente falando. 2) A expressão “um rico entrar no Reino” trata, não em primeiro lugar da entrada no céu depois da morte, mas sim da entrada na comunidade ao redor de Jesus. E até hoje é assim. Os ricos dificilmente entram e se sentem em casa nas comunidades que tentam viver o evangelho de acordo com as exigências de Jesus e que procuram abrir-se para os pobres, os migrantes e os excluídos da sociedade.

* Mateus 19,25-26: O espanto dos discípulos
O jovem tinha observado os mandamentos, mas sem entender o porquê da observância. Algo semelhante estava acontecendo com os discípulos. Quando Jesus os chamou, fizeram exatamente o que Jesus tinha pedido ao jovem: largaram tudo e foram atrás de Jesus (Mt 4,20.22). Mesmo assim, ficaram espantados com a afirmação de Jesus sobre a quase impossibilidade de um rico entrar no Reino de Deus. Sinal de que não tinham entendido bem a resposta de Jesus ao moço rico: “Vai vende tudo, dá para os pobres e vem e segue-me!” Pois, se o tivessem entendido, não teriam ficado tão chocados com a exigência de Jesus. Quando a riqueza ou o desejo da riqueza ocupa o coração e o olhar, a pessoa já não consegue perceber o sentido da vida e do evangelho. Só Deus mesmo para ajudar! "Para os homens isso é impossível, mas para Deus tudo é possível."

* Mateus 19,27: A pergunta de Pedro.
O pano de fundo da incompreensão dos discípulos transparece na pergunta de Pedro: “Olhe, nós deixamos tudo e te seguimos. O que é que vamos receber?” Apesar da generosidade tão bonita do abandono de tudo, eles mantinham a mentalidade anterior. Abandonaram tudo para receber algo em troca. Ainda não entendiam bem o sentido do serviço e da gratuidade.

* Mateus 19,28-30: A resposta de Jesus
"Eu garanto a vocês: no mundo novo, quando o Filho do Homem se sentar no trono de sua glória, vocês, que me seguiram, também se sentarão em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel. E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos, campos, por causa do meu nome, receberá muitas vezes mais, e terá como herança a vida eterna. Muitos que agora são os primeiros, serão os últimos; e muitos que agora são os últimos, serão os primeiros".  Nesta resposta, Jesus descreve o mundo novo, cujos fundamentos estavam sendo lançados pelo trabalho dele e dos discípulos. Jesus acentua três pontos importantes: 
(1) Os discípulos vão sentar nos doze tronos junto com Jesus para julgar as doze tribos de Israel (cf. A 4,4). 
(2) Vão receber em troca muitas vezes aquilo que tinham abandonado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos, campos, e terão a herança da vida eterna garantida. 
(3) O mundo futuro será a inversão do mundo atual. Nele os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos. 
A comunidade ao redor de Jesus é semente e amostra deste mundo novo. Até hoje as pequenas comunidades dos pobres continuam sendo semente e amostra do Reino.

* Cada vez que, na história do povo da Bíblia, surge um movimento para renovar a Aliança, ele começa restabelecendo os direitos dos pobres, dos excluídos. Sem isto, a Aliança não se refaz! Assim faziam os profetas, assim faz Jesus. Ele denuncia o sistema antigo que, em nome de Deus, excluía os pobres. Jesus anuncia um novo começo que, em nome de Deus, acolhe os excluídos. Este é o sentido e o motivo da inserção e da missão da comunidade de Jesus no meio dos pobres. Ela atinge a raiz e inaugura a Nova Aliança.

Para um confronto pessoal
1) Abandonar casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos, campos, por causa do nome de Jesus.  Como isto acontece na sua vida? O que já recebeu de volta?
2) Hoje, a maioria dos países pobres não é da religião cristã, enquanto a maioria dos países ricos é da religião cristã. Como se aplica hoje o provérbio do camelo que não passa pelo fundo de uma agulha?

domingo, 18 de agosto de 2019

Segunda-feira da 20ª semana do Tempo Comum


1ª Leitura (Jz 2,11-19): Naqueles dias, os filhos de Israel procederam mal aos olhos do Senhor e prestaram culto aos ídolos. Abandonaram o Senhor, Deus dos seus pais, que os tinha feito sair da terra do Egito, e seguiram outros deuses dos povos vizinhos; adoraram-nos e provocaram a indignação do Senhor. Abandonaram o Senhor e prestaram culto a Baal e a Astarté. A ira do Senhor inflamou-se contra os israelitas. O Senhor deixou-os à mercê de salteadores que os saquearam, entregou-os nas mãos dos inimigos que os rodeavam e a quem nunca mais puderam resistir. Em todas as suas expedições, a mão do Senhor estava contra eles, como o Senhor tinha dito e jurado. E assim se viram na maior aflição. Então o Senhor suscitava juízes, que livravam os israelitas das mãos dos salteadores. Mas eles nem sequer escutavam os juízes: prostituiam-se no culto de outros deuses e prostravam-se diante deles. Depressa se desviaram do caminho que seus pais tinham seguido, na obediência aos mandamentos do Senhor. Mas eles não os imitavam. Quando o Senhor lhes suscitava um juiz, o Senhor estava com o juiz. Salvava-os das mãos dos inimigos durante o tempo em que o juiz vivia, porque o Senhor compadecia-Se quando eles gemiam por causa dos seus opressores e tiranos. Mas quando o juiz morria, voltavam a corromper-se mais do que os seus pais, seguindo outros deuses, prestando-lhes culto e prostrando-se diante deles, sem abandonarem as suas más ações nem o seu comportamento perverso.

Salmo Responsorial: 105
R. Lembrai-Vos de nós, Senhor, por amor do vosso povo.

Não exterminaram os povos, como o Senhor lhes tinha mandado, mas misturaram-se com os pagãos e imitaram os seus costumes.

Prestaram culto aos seus ídolos, que foram para eles uma armadilha; e imolaram seus filhos e suas filhas aos demónios.

Contaminaram-se com as suas próprias obras, prostituiram-se com seus crimes. Por isso se inflamou a ira do Senhor contra o seu povo e Ele abominou a sua herança.

Aleluia. Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. Aleluia.

Evangelho (Mt 19,16-22): Naquele tempo, alguém aproximou-se de Jesus e disse: «Mestre, que devo fazer de bom para ter a vida eterna?». Ele respondeu: «Por que me perguntas sobre o que é bom? Um só é bom. Se queres entrar na vida, observa os mandamentos»? «Quais?», perguntou ele. Jesus respondeu: «Não matarás, não cometerás adultério, não roubarás, não levantarás falso testemunho, honra pai e mãe, ama teu próximo como a ti mesmo». O jovem disse-lhe: «Já observo tudo isso. Que me falta ainda?». Jesus respondeu: «Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá o dinheiro aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me». Quando ouviu esta palavra, o jovem foi embora cheio de tristeza, pois possuía muitos bens.

«Que tenho que fazer de bom para ter a vida eterna?»

Rev. D. Óscar MAIXÉ i Altés (Roma, Itália)

Hoje a Liturgia da Palavra coloca para nossa consideração a famosa passagem do jovem rico, aquele jovem que não soube responder diante do olhar de amor com o qual Cristo olhou para ele (cf. Mc 10,21). São João Paulo II lembra-nos que naquele jovem podemos reconhecer a todo homem que se aproxima de Cristo e lhe pergunta sobre o sentido de sua própria vida: «Mestre, que devo fazer de bom para ter a vida eterna?» (Mt 19,16). O Papa comenta que «o interlocutor de Jesus intui que há uma conexão entre o bem moral e o pleno cumprimento do próprio destino».

Hoje, há muitas pessoas que também fazem, no seu íntimo, esta pergunta! Se olharmos à nossa volta, talvez pensemos que são poucas as pessoas que veem algo a mais, ou que o homem do século XXI não precisa se fazer este tipo de pergunta, pois não encontrará respostas que lhe sirvam.

Jesus respondeu ao jovem: «Por que me perguntas sobre o que é bom? Um só é bom. Se queres entrar na vida, observa os mandamentos» (Mt 19,17). É legítimo perguntar-se sobre o sentido da vida, pois, hoje é necessário fazê-lo! O jovem lhe perguntou o que tem que fazer de bom para chegar à vida eterna, e Cristo respondeu-lhe que tem que ser bom.

Nos dias de hoje, para alguns ou para muitos? Tanto faz! Parece ser impossível? Ser bom?... Ou melhor, pode parecer até algo sem sentido: uma bobagem! Hoje, como há vinte séculos, Jesus Cristo segue nos lembrando que para entrar na vida eterna é necessário cumprir os mandamentos da Lei de Deus: não se trata do “ótimo”, mas de seguir o caminho necessário para que o homem se assemelhe a Deus e assim possa entrar na vida eterna de mãos dadas com seu Pai-Deus. Efetivamente, «Jesus mostra que os mandamentos não devem ser entendidos como um limite mínimo que não se deve ultrapassar, mas como uma vereda aberta para um caminho moral e espiritual de perfeição, cujo impulso interior é o amor» (São João Paulo II).

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

Mês Vocacional
O evangelho de hoje traz a história do jovem que perguntou pelo caminho da vida eterna. Jesus indicou para ele o caminho da pobreza. O jovem não aceitou a proposta de Jesus, pois era muito rico. Uma pessoa rica é protegida pela segurança que a riqueza lhe dá. Ela tem dificuldade em abrir mão da sua segurança. Agarrada às vantagens dos seus bens, vive preocupada em defender seus próprios interesses. Uma pessoa pobre não tem esta preocupação. Mas há pobres com cabeça de rico. Muitas vezes, o desejo de riqueza cria neles uma grande dependência e faz o pobre ser escravo do consumismo, pois ele fica devendo prestações em todo canto. Já não tem mais tempo para dedicar-se ao serviço do próximo.

* Mateus 19,16-19: Os mandamentos e a vida eterna. 
Alguém chega perto de Jesus e pergunta: "Mestre, que devo fazer de bom para possuir a vida eterna?" Alguns manuscritos informam que se tratava de um jovem. Jesus responde bruscamente: "Por que você me pergunta sobre o que é bom? Um só é o bom!” Em seguida, ele responde à pergunta e diz: “Se você quer entrar para a vida, guarde os mandamentos". O jovem reage e pergunta: “Quais mandamentos?”  Jesus tem a bondade de enumerar os mandamentos que o rapaz já devia conhecer: "Não mate; não cometa adultério; não roube; não levante falso testemunho; honre seu pai e sua mãe; e ame seu próximo como a si mesmo".  É muito significativa a resposta de Jesus. O jovem tinha perguntado pela vida eterna. Queria a vida junto de Deus! Mas Jesus só lembrou os mandamentos que dizem respeito à vida junto do próximo! Não mencionou os três primeiros mandamentos que definem nosso relacionamento com Deus! Para Jesus, só conseguiremos estar bem com Deus, se soubermos estar bem com o próximo. Não adianta se enganar. A porta para chegar até Deus é o próximo.

Em Marcos a pergunta do jovem é diferente: "Bom Mestre, que devo fazer para herdar a vida eterna?"  Jesus respondeu: "Por que você me chama de bom? Só Deus é bom, e ninguém mais!” (Mc 10,17-18). Jesus desvia a atenção de si mesmo para Deus, pois o que importa é fazer a vontade do Deus, revelar o Projeto do Pai.

* Mateus 19,20: Observar os mandamentos, para que serve? 
O jovem respondeu: "Tenho observado todas essas coisas. O que é que ainda me falta fazer?" O curioso é o seguinte. O jovem queria conhecer o caminho que o levasse à vida eterna. Ora, o caminho da vida eterna era e continua sendo: fazer a vontade de Deus, expressa nos mandamentos. Com outras palavras, o jovem observava os mandamentos sem saber para que serviam! Se o soubesse, não teria feito a pergunta. É como muitos católicos que não sabem por que motivo são católicos. ”Nasci católico, por isso sou católico!” Coisa de costume!

* Mateus 19,21-22: A proposta de Jesus e a resposta do jovem
Jesus respondeu: "Se você quer ser perfeito, vá, venda tudo o que tem, dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu. Depois venha, e siga-me". Quando ouviu isso, o jovem foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico. A observância dos mandamentos é apenas o primeiro degrau de uma escada que vai mais longe e mais alto. Jesus pede mais! A observância dos mandamentos prepara a pessoa para ela poder chegar à doação total de si em favor do próximo. Marcos diz que Jesus olhou para o jovem com amor (Mc 10,21). Jesus pede muito, mas ele o pede com muito amor. O moço não aceitou a proposta de Jesus e foi embora, “pois era muito rico”.

* Jesus e a opção pelos pobres.
Um duplo cativeiro marcava a situação do povo na época de Jesus: o cativeiro da política de Herodes, apoiada pelo Império Romano e mantida por todo um sistema bem organizado de exploração e de repressão, e o cativeiro da religião oficial, mantida pelas autoridades religiosas da época. Por causa disso, o clã, a família, a comunidade, estava sendo desintegrada e uma grande parte do povo vivia excluída, marginalizada, sem lugar, nem na religião, nem na sociedade. Por isso, havia vários movimentos que, como Jesus, procuravam refazer a vida em comunidade: essênios, fariseus e, mais tarde, os zelotes. Dentro da comunidade de Jesus, porém, havia algo novo que a diferenciava dos outros grupos. Era a atitude frente aos pobres e excluídos. As comunidades dos fariseus viviam separadas. A palavra “fariseu” quer dizer “separado”. Viviam separadas do povo impuro. Alguns fariseus consideravam o povo como ignorante e maldito (Jo 7,49), cheio de pecado (Jo 9,34). Não aprendiam nada do povo (Jo 9,34). Jesus e a sua comunidade, ao contrário, viviam misturados com as pessoas excluídas, consideradas impuras: publicanos, pecadores, prostitutas, leprosos (Mc 2,16; 1,41; Lc 7,37). Jesus re­conhece a riqueza e o valor que os pobres possuem (Mt 11,25-26; Lc 21,1-4). Proclama-os felizes, porque o Reino é deles, dos pobres (Lc 6,20; Mt 5,3). Define sua própria missão como “anunciar a Boa Nova aos pobres” (Lc 4, 18). Ele mesmo vive como pobre. Não possui nada para si, nem mesmo uma pedra para reclinar a cabeça (Lc 9,58). E a quem quer segui-lo para conviver com ele, manda escolher: ou Deus, ou o dinheiro! (Mt 6,24). Manda fazer opção pelos pobres como propôs ao jovem rico! (Mc 10,21) Esta maneira diferente de acolher os pobres e de conviver com eles era uma amostra do Reino de Deus.

Para um confronto pessoal
1. Uma pessoa que vive preocupada com a sua riqueza ou com a aquisição dos bens que a propaganda do consumismo lhe oferece, será que ela pode libertar-se de tudo isto para seguir Jesus e viver em paz numa comunidade cristã? É possível? O que você acha?
2. O que significa para nós hoje: “Vai vende tudo, dá aos pobres”?  É possível tomar isto ao pé da letra? Conhece alguém que conseguiu largar tudo por causa do Reino?

sábado, 17 de agosto de 2019

18 de agosto


BB. João Baptista Duverneil, Miguel Luís Brulard e Tiago Gagnot,
Presbíteros e mártires


Na pequena baía de Rochefort, diocese de La Rochelle (França) morreram amontoados em dois navios 547 sacerdotes e religiosos durante a Revolução Francesa. Entre eles estavam, pelos menos, três carmelitas descalços: P. João Baptista Duverneuiln, nascido em Limoges em 1759, que morreu por padecimentos e doenças no dia 1 de julho de 1794, na idade de 35 anos; P. Miguel Luís Brulard, nascido em Chartres no dia 26 de julho de 1758, que morreu no dia 25 de julho de 1794, na idade de 36 anos; e P. Tiago Gagnot, nascido em Frolois em 1753, e que morreu no dia 10 de setembro de 1794, na idade de 41 anos. O amor incondicional a Cristo, o apego e a fidelidade à Igreja, a compaixão para com todos, o perdão para com os próprios perseguidores foram algumas das virtudes destes filhos de Santa Teresa. Foram beatificados no dia 1º de outubro de 1995, juntamente com outros 61 mártires, mortos na mesma circunstância.

Salmodia, leitura, responsório breve e preces do dia corrente.

Oração
Senhor, nosso Deus, que destes aos bem-aventurados João Baptista, Miguel Luís, Tiago e companheiros mártires, a graça da fidelidade e do perdão no meio dos mais duros tormentos, concedei-nos, por sua intercessão e exemplo, que permaneçamos sempre fiéis à Igreja e prontos para a reconciliação com os nossos irmãos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA

Textos: Ap 11, 19ª; 12, 1.3-6a. 10ab; 1 Col 15, 20-27; Lc 1, 39-57

O mistério glorioso da Assunção de Maria ao céu é como a contrapartida do mistério gozoso da Anunciação.

Pe. Antonio Rivero, L.C.

Se Maria está no céu em corpo e alma, não pode haver o pessimismo absoluto: a humanidade não está condenada à corrupção. Se Maria foi assunta ao céu, também não pode haver o orgulho prometeico: o homem não é um ser autossuficiente, pois para chegar a sua realização final depende das mãos de Deus.

Em primeiro lugar, vamos resumir um pouco a história e o conteúdo do dogma da Assunção de Maria ao céu. Desde o século VI até hoje, 15 de agosto, esta festa foi chamada Dormição da Virgem, agora é o título com que hoje é designada a solenidade em Oriente, junto com o Trânsito de Maria. No século VII foi adotada pela liturgia romana, por cuja influência mais tarde se espalhou no Ocidente, e foi chamada a Assunção de Maria. A Liturgia romana atual considera esta festa como a "festa do seu destino de plenitude e bem-aventurança, da glorificação de sua alma imaculada e de seu corpo virginal, de sua perfeita glorificação em Cristo ressuscitado; uma festa que propõe a Igreja e toda a humanidade a imagem da promessa consoladora do cumprimento da esperança final; porque este plena glorificação é o destino daqueles a quem Cristo fez irmãos e tem em comum com eles carne e sangue" (Paulo VI, Marialis Cultus, 6). A Assunção de Maria é um dogma definido por Pio XII solenemente em 01 de novembro de 1950, na Constituição Apostólica Munificentissimus Deus. Ela participa da ressurreição de Cristo por quanto esteve perfeitamente unida com ele, ouvindo a sua palavra e colocando-a em prática. A Assunção é a epifania da profunda transformação que a semente da palavra divina produziu em Maria, na integridade de sua pessoa.

Em segundo lugar, este glorioso mistério é a contrapartida do mistério gozoso da Anunciação. No mistério da Anunciação, o abismo de humildade de Maria causou a vertigem de Deus até o ponto de Ele descer ao seio de Maria. No mistério da Assunção, Nossa Senhora se rende à nostalgia vertical, pois Deus namorou sua juventude e agora lhe atrai às alturas. E assim como na Anunciação Maria abriu a Deus a entrada neste mundo tornando-se em porta para entrar na terra, na Assunção é realizada a glória como nossa Mãe, tornando-se para nós assim a porta do céu, por isso é "ianua coeli " como cantamos nas ladainhas do Santo Rosário. Ela é, portanto, a nova escada de Jacob pela que Deus vem aos homens (Anunciação), e os homens ascendemos a Deus (Assunção).

Finalmente, a glorificação de Maria assume um valor de sinal escatológico para o povo de Deus que ainda caminha para o dia do Senhor; sinal consolador para suportar com segurança escatológica a esperança de autorrealização, como Maria, e para dar incentivo para aqueles que ainda estão no meio de perigos e ansiedades lutando contra o pecado e a morte. Portanto, a assunção de Maria não é uma realidade alienante para o povo de Deus a caminho, mas um estímulo e um ponto de referência que nos compromete na realização de nosso próprio caminho histórico para a perfeição escatológica final. Celebrando a Assunção de Maria, o nosso pedido deve ser dirigido a implorar que quanto aconteceu a Maria, após a Ascensão de seu Filho, também aconteça para nós, seus filhos. Nem pessimismo: tudo termina com a nossa morte. Nem orgulho prometeico: eu alcanço minha realização e realização aqui na terra, roubando secretamente o fogo a Deus, sem necessidade dele, nem de seu céu. Como Maria foi elevada em corpo e alma ao céu imediatamente depois de terminar o curso de sua vida aqui na terra, nós também ressuscitaremos em nossos corpos, no final dos tempos, quando Jesus Cristo vier por última vez.

Para refletir: São João Damasceno, o transmissor mais ilustre desta tradição, comparando a Assunção da Santa Mãe de Deus com seus outros presentes e privilégios, diz ele, com eloquência veemente: "Convinha que aquela que no parto foi preservada intacta na sua virgindade, conservara o seu corpo também após a morte, livre da corruptibilidade. Convinha que aquela que tinha levado o Criador como uma criança em seu ventre, tivesse depois sua mansão no céu. Era justo que a mulher com quem Deus se desposara, habitasse no tálamo celestial. Convinha que aquela que tinha visto seu filho na cruz e cuja alma foi trespassada pela espada da dor, da que foi poupada no momento do parto, o contemplasse sentado à direita de Deus. Convinha que a Mãe de Deus possuísse o mesmo que seu Filho e fosse reverenciada por todas as criaturas como Mãe e serva de Deus”.

Para rezar: Hoje, vosso Filho vem te buscar, Virgem e Mãe e Vos diz: “Vinde, amada minha, Vos colocarei sobre meu trono, prendado está o Rei de vossa beleza. Quero-Vos junto a Mim, para consumar minha obra salvadora. Já tendes a vossa “casa” onde vou celebrar as núpcias do Cordeiro”. Bem-aventurada Vós que acreditaste, pois se cumpriu o que da parte do Senhor Vos foi dito. Mãe Santíssima, preparai-me um lugar no céu junto de Vós.

Assunção da Virgem Maria: “A vitória total contra a morte”

Pe. Antonio Rivero, L.C.

Btos Mártires de La Rochelle
Hoje celebramos a festa do primeiro ser humano- Maria- que, depois de Cristo seu Filho, experimentou a vitória total contra a morte, também corporalmente. Não estamos feitos para a morte, mas para a vida, para a ressurreição (segunda leitura).

Este foi o último dogma proclamado pelo Papa Pio XII em 1 novembro de 1950: “Pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que a Imaculada Mãe de Deus, sempre Virgem Maria, terminado o curso da sua vida terrena, foi assunta em corpo e alma à glória celestial”. Depois de ter lutado contra todos os inimigos da nossa alma (primeira leitura) e graças a que Cristo venceu o último inimigo- a morte- (Segunda leitura), Deus nos concederá a ressurreição do nosso corpo.

Em primeiro lugar, o que significa que Maria foi elevada al céu em corpo e alma? Maria, como primeira seguidora de Jesus, é a primeira cristã e a primeira salvada pela Páscoa do seu Filho; participa já da vitória do seu Filho, e é elevada à glória definitiva em corpo e alma. O motivo deste privilégio formula bem o prefácio de hoje: “com razão não quisestes, Senhor, que conhecesse a corrupção do sepulcro a mulher que, por obra do Espírito, concebeu no seu seio o autor da vida, Jesus Cristo”. Por que este privilégio? Porque Ela foi radicalmente dócil na sua vida respondendo com um “sim” total à sua vocação, desde a humildade radical (evangelho). Ela esteve presente com Jesus, até o final, lutando contra o dragão que queria devorar o seu Filho (primeira leitura).

Em segundo lugar, o que significa para nós esta festa? Em Maria se condensa o nosso destino. Da mesma maneira que o seu “sim” foi representante do nosso, também o “ sim” de Deus para Ela, glorificando-a, é um “sim” para todos nós, que somos os seus filhos. Sinala o destino que Ele nos prepara, se vencermos os dragões do mal que nos cercam (segunda leitura) e se caminharmos na fé e na humildade como Maria (evangelho). O nosso destino é a ressurreição final em corpo e alma, como Maria que a obteve antes, como prêmio pela sua fé, humildade e pela sua vida sem pecado, e para poder abraçar o seu querido Filho e preparar junto como Ele um lugar para nós.

Finalmente, esta festa nos infunde esperança e otimismo na nossa vida. O destino da nossa vida não é a morte, porém a vida. Toda a pessoa humana, corpo e espírito, está destinada à vida. O nosso corpo tem, pois, uma grandíssima dignidade; não podemos profaná-lo nem manchá-lo. O que Deus fez em Maria, fará também em nós. Cremos nisso. Esperamos. Desejamos. A nossa história terá um final feliz. Não terminamos no sepulcro, mas na ressurreição do nosso corpo. E a Eucaristia que recebemos semanalmente ou diariamente é a antecipação do que será a nossa glória futura: “quem come a minha Carne e bebe o meu Sangre, tem vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia”. A Eucaristia é como a semente e a garantia da vida imortal para os seguidores de Jesus. O que Maria conseguiu- a glorificação definitiva-, nós também conseguiremos, como fruto da Páscoa de Cristo.

Para refletir: ao pensar na ressurreição final, encho-me de alegria e otimismo por saber pela fé que o meu destino é a vida e não a morte no sepulcro? Já aqui na terra estou semeando as sementes da imortalidade e da ressurreição no meu corpo, comungando o Corpo de Cristo na Eucaristia? Esta festa de Maria me convida a levar uma vida de santidade, de fé, de humildade e de amor?

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

17 de agosto


Beato Ângelo Mazzinghi
Presbítero de nossa Ordem
De família nobre, nasceu em Florença ou perto desta, em data desconhecida, mas certamente antes de 1386. Entrou no convento do Carmo na capital da Toscana. Foi o primeiro filho da Reforma de Santa Maria das Selvas, da Ordem Carmelita. O nosso Beato veio a ser professor de teologia, várias vezes prior em conventos da Ordem e, depois, provincial da Toscana, consolidando a reforma (Congregação Mantuana). Distinguiu-se na pregação da palavra de Deus. Morreu em Florença em 16 de agosto de 1438. O seu culto foi confirmado por Clemente XIII a 7 de março de 1761. Conservam-se dele, em manuscrito, conferências dirigidas aos seus religiosos, sermões e um comentário dos quatro livros do Mestre das Sentenças.

LAUDES
Hino
Ó Senhor, de ti nos vem
toda a luz e dom perfeito;
só tu és o autor do bem,
que adornou o teu eleito,

Tu, que Ângelo abrasaste
de zelo sacerdotal,
e tão valoroso o tornaste
no combate contra o mal.

Que a luz do mundo, Senhor,
não se torne em cinza fria!
E o sal, se perde o sabor,
que outra coisa o salgaria?

Ajuda-nos, Pai, a rezar;
dá-nos a felicidade
de te podermos louvar
por toda a eternidade.

Salmodia, leitura, responsório breve e preces do dia corrente.

Cântico evangélico
Ant. Este será abençoado pelo Senhor e recompensado por Deus, seu Salvador, porque esta é a geração dos que procuram o Senhor.

Oração
Deus todo-poderoso e eterno, que consagrastes este dia com a gloriosa memória do bem-aventurado Ângelo, fazei que conservemos e manifestemos por obras a fé que ele pregou com incansável ardor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

VÉSPERAS
Hino
Ângelo, amigo de Deus,
também nosso padroeiro,
ajuda-nos a seguir
por caminho verdadeiro.

Servidor do Altíssimo
vigilante e fiel,
ensina-nos a servir
como tu, o Rei que é Deus.

Por caminhos de justiça
e por caminhos de amor,
teu exemplo nos conduza
aos convites do Senhor.

Louvor a Deus nosso Pai
pela graça que te deu!
Amparai nossa fraqueza
até ao Reino do Céu.

Pela glória do teu Santo
nós Te louvamos, Senhor!
Pela sua intercessão
firma-nos no teu amor.

A Ti, Deus Pai de bondade,
e a Jesus Nosso Senhor,
e ao Espírito Paráclito,
honra, glória e louvor!

Salmodia, leitura, responsório breve e preces do dia corrente.

Cântico evangélico
Ant. Vós que deixastes tudo e me seguistes, recebereis cem vezes mais e tereis como herança a vida eterna

Oração
Deus todo-poderoso e eterno, que consagrastes este dia com a gloriosa memória do bem-aventurado Ângelo, fazei que conservemos e manifestemos por obras a fé que ele pregou com incansável ardor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

Sábado XIX do Tempo Comum

Bto Ângelo Mazzinghi
Presbítero de nossa Ordem

1ª Leitura (Js 24,14-29): Naqueles dias, Josué falou ao povo, dizendo: «Temei o Senhor, servi-O com retidão e fidelidade. Afastai os deuses que os vossos pais serviram para lá do rio Eufrates e no Egito e servi o Senhor. Se não vos agrada servir o Senhor, escolhei hoje a quem quereis servir: se os deuses que os vossos pais serviram para lá do rio Eufrates, se os deuses dos amorreus em cuja terra agora habitais. Eu e a minha família serviremos o Senhor». Mas o povo respondeu: «Longe de nós abandonar o Senhor para servir outros deuses. Porque o Senhor é o nosso Deus, que nos fez sair, a nós e aos nossos pais, da terra do Egito, da casa da escravidão. Foi Ele que, diante dos nossos olhos, realizou tão grandes prodígios e nos protegeu durante o caminho que percorremos entre os povos por onde passamos. Foi o Senhor que expulsou da nossa frente todas as nações e os amorreus que habitavam nesta terra. Também nós queremos servir o Senhor, porque Ele é o nosso Deus». Então Josué disse ao povo: «Vós não podereis servir o Senhor, porque Ele é um Deus santo, um Deus zeloso, que não suportará as vossas transgressões e os vossos pecados. Se abandonardes o Senhor para servir deuses estranhos, Ele voltar-Se-á contra vós e, depois de ter sido o vosso benfeitor, vos fará mal e vos exterminará». O povo respondeu a Josué: «Não. Nós queremos servir o Senhor». E Josué disse ao povo: «Sois testemunhas contra vós mesmos de que escolhestes servir o Senhor». Eles responderam: «Somos testemunhas». Josué acrescentou: «Então afastai do meio de vós os deuses estranhos e voltai os vossos corações para o Senhor, Deus de Israel». O povo respondeu a Josué: «Serviremos o Senhor, nosso Deus, e obedeceremos à sua voz». Naquele dia, Josué fez uma aliança com o povo e deu-lhe em Siquém leis e preceitos. Depois escreveu essas palavras no livro da lei de Deus. Tomou uma grande pedra e levantou-a ali como monumento debaixo do carvalho que estava no santuário do Senhor. Josué disse a todo o povo: «Esta pedra nos servirá de testemunha, porque ouviu todas as palavras que o Senhor nos disse. Será uma testemunha contra vós, se renegardes o vosso Deus». Por fim Josué despediu o povo e cada um voltou para a sua herança. Algum tempo depois, Josué, filho de Nun e servo do Senhor, morreu com cento e dez anos de idade.

Salmo Responsorial: 15
R. O Senhor é a minha herança.

Defendei-me, Senhor: Vós sois o meu refúgio. Digo ao Senhor: «Vós sois o meu Deus». Senhor, porção da minha herança e do meu cálice, está nas vossas mãos o meu destino.

Bendigo o Senhor por me ter aconselhado, até de noite me inspira interiormente. O Senhor está sempre na minha presença, com Ele a meu lado não vacilarei.

Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta e até o meu corpo descansa tranquilo. Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos, nem deixareis o vosso fiel sofrer a corrupção.

Dar-me-eis a conhecer os caminhos da vida, alegria plena na vossa presença, delícias eternas à vossa direita.

Aleluia. Bendito sejais, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque revelastes aos pequeninos os mistérios do reino. Aleluia.

Evangelho (Mt 19,13-15): Naquele momento, levaram crianças a Jesus, para que impusesse as mãos sobre elas e fizesse uma oração. Os discípulos, porém, as repreenderam. Jesus disse: «Deixai as crianças, e não as impeçais de virem a mim; porque a pessoas assim é que pertence o Reino dos Céus». E depois de impor as mãos sobre elas, ele partiu dali.

«Levaram crianças a Jesus, para que impusesse as mãos sobre elas e fizesse uma oração. Os discípulos, porém, as repreenderam»

Rev. D. Antoni CAROL i Hostench (Sant Cugat del Vallès, Barcelona, Espanha)

Sta Beatriz da Silva e Menezes, Virgem
Hoje podemos contemplar uma cena que, infelizmente, é demasiado atual: «Levaram crianças a Jesus, para que impusesse as mãos sobre elas e fizesse uma oração. Os discípulos, porém, as repreenderam» (Mt 19,13). Jesus ama especialmente as crianças; nós, com os pobres raciocínios típicos de “gente crescida”, impedimo-los de se aproximarem de Jesus e do Pai: —Quando forem crescidos, se o desejarem, logo escolherão…! Isto é um grande erro.

Os pobres, quer dizer, os mais carentes, os mais necessitados, são objeto de particular predileção por parte do Senhor. E as crianças, os pequenos são muito “pobres”. São pobres em idade, são pobres em formação… São indefesos. Por isso a Igreja — Nossa “Mãe” — dispõe que os pais levem cedo os seus filhos a batizar, para que o Espírito Santo ponha moradia nas suas almas e entrem no calor da comunidade dos crentes. Assim o indica tanto o Catecismo da Igreja bem como o Código do Direito Canônico, ordenamentos da mais alta esfera da Igreja (que, com toda a comunidade, deve ter ordenamentos).

Mas não! Quando forem crescidos! É absurda esta maneira de proceder. E, se não, perguntemo-nos: —Que comerá esta criança? O que a sua mãe lhe der, sem esperar que a criança especifique o que prefere. —Que língua falará esta criança? A que lhe falarem os seus pais (ou seja, a criança nunca poderá escolher nenhuma língua). —Para que escola irá esta criança? Para a que os seus pais o levarem, sem esperarem que o menino defina os estudos que prefere.

—O que comeu Jesus? Aquilo que lhe deu sua Mãe, Maria. —Que língua falou Jesus? A dos seus pais. —Que religião aprendeu e praticou o Menino Jesus? A dos seus pais, a religião judia. Depois, quando já era mais crescido, mas graças à instrução que recebera de seus pais, fundou uma nova religião… Mas, primeiro, a dos seus pais, como é natural.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

Semana da Família
* O evangelho é bem curto. Apenas três versículos. Descreve como Jesus acolhia as crianças.

* Mateus 19,13: A atitude dos discípulos frente às crianças
Levaram as crianças até Jesus, para que impusesse as mãos nelas e rezasse por elas. Os discípulos repreendiam as mães. Por que? Provavelmente, de acordo com as normas severas das leis da impureza, crianças pequenas nas condições em que viviam eram consideradas impuras. Se elas tocassem em Jesus, Jesus ficaria impuro. Por isso, era importante evitar que elas chegassem perto e tocassem nele. Pois já havia acontecido uma vez, quando um leproso tocou em Jesus. Jesus ficou impuro e já não podia entrar na cidade. Tinha de ficar em lugares desertos (Mc 1,4-45)

* Mateus 19,14-15: A atitude da Jesus: acolhe e defende a vida das crianças
Jesus repreende os discípulos e diz: Deixem as crianças, e não lhes proíbam de vir a mim, porque o Reino do Céu pertence a elas." Jesus não se importa de transgredir as normas que impediam a fraternidade e o acolhimento a ser dado aos pequenos. A nova experiência de Deus como Pai marcou a vida de Jesus e lhe deu olhos novos para perceber e avaliar o relacionamento entre as pessoas. Jesus se coloca do lado dos pequenos, dos excluídos, e assume a sua defesa. Impressiona quando se junta tudo que a Bíblia informa sobre as atitudes de Jesus em defesa da vida das crianças, dos pequenos:

1. Agradecer pelo Reino presente nos pequenos. A alegria de Jesus é grande, quando percebe que as crianças, os pequenos, entendem as coisas do Reino que ele anunciava ao povo. “Pai, eu te agradeço!” (Mt 11,25-26) Jesus reconhece que os pequenos entendem mais do Reino que os doutores!

2. Defender o direito de gritar. Quando Jesus, entrando no Templo, derrubou as mesas dos cambistas, eram as crianças as que mais gritavam. “Hosana ao filho de Davi!” (Mt 21,15). Criticadas pelos chefes dos sacerdotes e pelos escribas, Jesus as defende e em sua defesa invoca as Escrituras (Mt 21,16).

3. Identificar-se com os pequenos. Jesus abraça as crianças e identifica-se com elas. Quem recebe uma criança, é a Jesus que recebe (Mc 9, 37). “E tudo que vocês fizerem a um destes mais pequenos foi a mim que o fizeram” (Mt 25,40).

4. Acolher e não escandalizar. Uma das palavras mais duras de Jesus é contra os que causam escândalo nos pequenos, isto é, são o motivo pelo qual os pequenos deixam de acreditar em Deus. Para estes, melhor seria ter uma pedra de moinho amarrada no pescoço e ser jogado no fundo do mar (Lc 17,1-2; Mt 18,5-7). Jesus condena o sistema, tanto político como religioso, que é motivo de criança, gente humilde, perder sua fé em Deus.

5. Tornar-se como criança. Jesus pede que os discípulos se tornem como criança e aceitem o Reino como criança. Sem isso não é possível entrar no Reino (Lc 9,46-48). Ele coloca a criança como professor de adulto! O que não era normal. Costumamos fazer o contrário.

6. Acolher e tocar. (O evangelho de hoje) Mães com crianças chegam perto de Jesus para pedir a bênção. Os apóstolos reagem e as afastam. Jesus corrige os adultos e acolhe as mães com as crianças. Toca nelas e lhes dá um abraço. “Deixem vir as crianças, não as impeçam!” (Mc 10,13-16; Mt 19,13-15). Dentro das normas da época, tanto as mães como as crianças pequenas, todas elas viviam, praticamente, num estado permanente de impureza legal. Tocar nelas significava contrair impureza! Jesus não se incomoda.

7. Acolher e curar. São muitas as crianças e jovens que ele acolhe, cura ou ressuscita:  a filha do Jairo de 12 anos (Mc 5,41-42), a filha da mulher Cananéia (Mc 7,29-30), o filho da viúva de Naim (Lc 7,14-15), o menino epilético (Mc 9,25-26), o filho do Centurião (Lc 7,9-10), o filho do funcionário público (Jo 4,50), o menino dos cinco pães e dois peixes (Jo 6,9).

Para um confronto pessoal
1) Crianças: o que você já aprendeu das crianças ao longo dos anos da sua vida? E o que as crianças aprenderam de você sobre Deus, sobre Jesus e sobre a vida?
2) Qual a imagem de Deus que irradio para as crianças? Deus severo, bondoso, distante ou ausente?