segunda-feira, 1 de março de 2021

Via Sacra com o Beato Tito Brandsma

ORAÇÃO INICIAL

Senhor, concede-me a graça de compartilhar contigo o caminho da cruz, penetrar teus pensamentos e sentimentos: o que pensavas, o que sentias enquanto carregavas a cruz pela humanidade, por mim?  Ajuda-me a compreender um pouco mais do que esta via dolorosa significou para ti. Com a minha pequenez, eu me atrevo a caminhar contigo nestas estações, deixando-me impressionar pela contemplação do teu mistério, buscando teu olhar de dor, de agonia, de morte, de paz.

I: Jesus é condenado a morte

 C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.

C -Querendo Pilatos satisfazer o povo, soltou-lhes Barrabás e entregou Jesus, depois de açoitado, para que fosse crucificado. (Mc 15, 15).

C - Nós Vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo e Vos bendizemos.

R - Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

L - “Há uma oposição radical entre Deus e o mundo; e esta contradição se manifesta também na vida religiosa e nos conventos. Quem ama a justiça, há de preparar-se para viver perseguido e desprezado”

C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,

R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.

II: Jesus toma a Cruz

C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.

C -Levaram então consigo Jesus. Ele próprio carregava a sua cruz para fora da cidade, em direção ao lugar chamado Calvário, em hebraico Gólgota. (Jo 19, 17).

C - Nós Vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo e Vos bendizemos.

R - Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

L -“Quem verdadeiramente ama Jesus, há de subir o Calvário”

C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,

R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.

III: Jesus cai pela primeira vez

C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.

C -Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto. (Jo 12, 24).

C - Nós Vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo e Vos bendizemos.

R - Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

L - “A paixão nos torna, no princípio, indecisos, duvidosos, desviando-nos gradualmente de Deus, direcionando-nos às criaturas, ao prazer e às distrações. Deixa-nos fracos. A açucena se vai secando, as flores começam a inclinar-se e murcham. Vem a tempestade. Põe-se um apoio na planta para melhor sustentá-la. É a Cruz. É a mortificação contínua que nos deve manter fixos em Deus”.

C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,

R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.

IV: Jesus encontra a sua Mãe

C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.

C - Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições, a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua alma. (Lc 2, 34-35).

C - Nós Vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo e Vos bendizemos.

R - Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

L - “Acorrer com Maria ao encontro de Jesus no caminho do Calvário e expressar-lhe nosso amor e nossa compaixão, nossa fidelidade e nosso afeto. Seguir com ela ao cimo do Gólgota”

C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,

R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.

V: O Cirineu ajuda a Jesus a levar a Cruz

C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.

C - Passava por ali certo homem de Cirene, chamado Simão, que vinha do campo, pai de Alexandre e de Rufo, e obrigaram-no a que lhe levasse a cruz. (Mc 15, 21).

C - Nós Vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo e Vos bendizemos.

R - Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

L - Jesus chorou uma vez sobre Jerusalém: oxalá vós pudésseis conhecer hoje o dom de Deus! Oxalá nós pudéssemos também conhecer hoje o grande valor que Deus pôs em nossos sofrimentos.

C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,

R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.

VI: Verônica enxuga o rosto de Jesus

C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.

C - O traidor tinha-lhes dado o seguinte sinal: Aquele a quem eu beijar é ele. Prendei-o e levai-o com cuidado. Assim que ele se aproximou de Jesus, disse: “Rabi”! - E o beijou. (Mc 14, 44-45).

C - Nós Vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo e Vos bendizemos.

R - Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

L -“Devemos ter um grande respeito pela dor, porque nela há algo sagrado”

C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,

R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.

VII: Jesus cai pela segunda vez

C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.

C - Jesus, prostrando-se com a face por terra, assim rezou: Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres. (Mt 26, 39).

C - Nós Vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo e Vos bendizemos.

R - Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

L - Nada se consegue sem suor, sem uma dura luta. Em nossos melhores momentos não devemos chorar sobre nossas fraquezas ou mesmo sobre a dos outros, recordemos aqui, a intimidade e a profundidade das palavras: "suficiente é a minha graça". Em união comigo tudo podeis fazer.

C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,

R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.

VIII: Jesus consola as mulheres de Jerusalém

C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.

C - Uma grande multidão do povo o seguia. E mulheres batiam no peito, e choravam por ele. Jesus, porém, voltou-se e disse: «Mulheres de Jerusalém, não chorem por mim! Chorem por vocês mesmas e por seus filhos! (Lc 23, 27-28)

C - Nós Vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo e Vos bendizemos.

R - Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

L - “Ó Jesus, deixa que eu chore por mim mesmo, pois não sou senão uma árvore seca que só serve para ser lançada ao fogo. Porém tu dás nova vida à árvore seca enxertando-a na árvore da cruz”.

C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,

R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.

IX: Jesus cai pela terceira vez

C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.

C - Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei. Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas. Porque meu jugo é suave e meu peso é leve. (Mt 11, 28-30).

C - Nós Vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo e Vos bendizemos.

R - Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

L - “Minha fé, por teu amor, procura beber o cálice de amargura que antevejo. A Tua via dolorosa é o meu único caminho para Deus.”

C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,

R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.

X: Jesus é despojado de suas vestes

C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.

C - E Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem. Eles dividiram as suas vestes e as sortearam. (Lc 23, 34).

C - Nós Vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo e Vos bendizemos.

R - Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

L - “Somos provados porque somos amados”

C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,

R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.

XI: Jesus é crucificado

C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.

C - Era a hora terceira quando o crucificaram. A inscrição que motivava a sua condenação dizia: O rei dos judeus. Crucificaram com ele dois bandidos: um à sua direita e outro à esquerda. Os que iam passando injuriavam-no e abanavam a cabeça, dizendo: Olá! Tu que destróis o templo e o reedificas em três dias, salva-te a ti mesmo! Desce da cruz! Desta maneira, escarneciam dele também os sumos sacerdotes e os escribas, dizendo uns para os outros: Salvou a outros e a si mesmo não pode salvar! (Mc 15, 25-27. 29-30).

C - Nós Vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo e Vos bendizemos.

R - Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

L - “A dor é consequência do pecado e só mediante a cruz se recupera a união com Deus e a glória perdida.  A dor é, por isso mesmo, o caminho do Céu.  Na cruz está a salvação, na cruz e vitória.  Assim dispôs Deus, que, além do mais, quis tomar sobre si mesmo o sofrimento, para com ele, conquistar a glória da redenção. Por isso, como diz São Paulo, “os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada”, quando passar o tempo de sofrer e formos participantes desta mesma glória.”

C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,

R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.

XII: Jesus morre na Cruz

C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.

C - E à hora nona Jesus bradou em alta voz: “Elói, Elói, lammá sabactáni?”, que quer dizer: Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?  Ouvindo isto, alguns dos circunstantes diziam: Ele chama por Elias! Um deles correu e ensopou uma esponja em vinagre e, pondo-a na ponta de uma vara, deu-lho para beber, dizendo: Deixai, vejamos se Elias vem tirá-lo. Jesus deu um grande brado e expirou.  (Mc 15, 33-34.37).

C - Nós Vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo e Vos bendizemos.

R - Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

L - “Ninguém pode aproximar-se de Deus sem morrer a si mesmo”

C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,

R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.

XIII: Jesus é descido da Cruz

C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.

C - À tardinha, um homem rico de Arimateia, chamado José, que era também discípulo de Jesus, foi procurar Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. Pilatos cedeu-o. José tomou o corpo, envolveu-o num lençol branco (Mt 27, 57-59).

C - Nós Vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo e Vos bendizemos.

R - Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

L - “Com Maria não hesitar em participar do desprezo de Jesus, presenciar com ela a condenação, a flagelação, a coroação de espinhos e a Via Crucis. Suportar tudo, quando a honra e a glória de Jesus o exigir”.

C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,

R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.

XIV: Jesus é sepultado

C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.

C - José tomou o corpo, envolveu-o num lençol branco e o depositou num sepulcro novo, que tinha mandado talhar para si na rocha. Depois rolou uma grande pedra à entrada do sepulcro e foi-se embora. (Mt 27, 59-60).

C - Nós Vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo e Vos bendizemos.

R - Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

L - Quando não compreendemos Jesus, quando não compreendemos o sofrimento, devemos correr com São João ao lado de Maria, para chorar nossas amarguras e buscar nela refúgio”

C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,

R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.

ORAÇÃO FINAL

Senhor, que a meditação das tuas dores e sofrimentos destrua minha soberba, suavize meu coração e o prepare para receber teu inesgotável amor e perdão. Que, consciente das minhas quedas e defeitos, em meio às minhas penas e trabalhos, eu te busque sempre e que, contemplando teu coração aberto e ferido por amor a mim, eu possa mergulhar nele como uma gota de água, e me perca para sempre na imensidão da tua misericórdia. Amém.

3 de março

 Beato Jacobino de Canepaccis

Religioso de nossa Ordem

 

Beato Jacobino de Canepaccis, preclaro por sua dedicação à oração e à penitência (1508). Nasceu em Piasca, diocese de Vercelli (Itália), em 1438. Seus pais, bons cristãos, o educaram em todas as virtudes humano-divinas. O menino e o jovem Jacobino ia pouco a pouco assimilando estes ensinamentos. Sendo já um jovem maduro e atraído pela especial devoção que conheceu que os carmelitas professavam á Santíssima Virgem, pediu ser acolhido entre eles. Desde o princípio rogou ser admitido como irmão de obediência e se pôs ao serviço de todos e à disposição incondicional tanto dos superiores como de todos os demais irmãos. Ao professar, o primeiro ofício que o encarregaram os superiores foi o de esmoler. Maus tempos aqueles para a débil economia conventual. Abundavam também as pestes e outras enfermidades. Tudo isso contribuía a penúria que reinava em quase todos os conventos. Frei Jacobino percorria, com grande sacrifício e bondade, ruas e praças, tanto de Vercelli como de outros povos vizinhos, para recolher quantas esmolas lhe davam os bons cristãos. Com estas esmolas, além de ajudar a sua própria comunidade, ajudava também, com permissão dos superiores, a quantos pobres encontrava à sua passagem. Outro cargo que também desempenhou com a admiração de todos foi o de porteiro do convento de Vercelli durante muitos anos. Ele sabia muito bem que quantos visitam os conventos a imagem que levam dele é o que lhes há dado o irmão porteiro. O Irmão Jacobino procurava dar bom exemplo sempre e a todos com sua afabilidade, humildade e distinto trato. Todos ficavam admirados de sua bondade e o tinham por santo. Morreu cheio de méritos, aos 70 anos de idade, e depois de lhe haver sido anunciado a Santíssima Virgem Maria. O papa Gregório XVI, em 5.3.1845, aprovou seu culto imemorial.

Salmodia, leitura, responsório breve e preces do dia corrente.

Oração

Deus eterno e todo-poderoso, concedei-nos o espírito de oração e de penitência que destes ao beato Jacobino, para que, seguindo seu exemplo, alcancemos a glória do Céu.  Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

MÊS DE SÃO JOSÉ - Quarta-feira da 2ª semana da Quaresma

 Beato Jacobino de Canepaccis, Religioso de nossa Ordem

ORAÇÃO PREPARATÓRIA

Com humildade e respeito aqui nos reunimos, ó Divino Jesus, para oferecer, todos os dias deste mês, as homenagens de nossa devoção ao glorioso Patriarca S. José. Vós nos animais a recorrer com toda a confiança aos vossos benditos Santos, pois que as honras que lhes tributamos revertem em vossa própria glória. Com justos motivos, portanto, esperamos vos seja agradável o tributo quotidiano que vimos prestar ao Esposo castíssimo de Maria, vossa divina Mãe a São José, vosso amado Pai adotivo. Ó meu Deus, concedei-nos a graça de amar e honrar a José como o amastes na terra e o honrais no céu. E vós, ó glorioso Patriarca, pela vossa estreita união com Jesus e Maria; vós que, à custa de vossas abençoadas fadigas e suores, nutristes a um e outro, desempenhando neste mundo o papel do Divino Padre Eterno; alcançai-nos luz e graça para terminar com fruto este devoto exercício que em vosso louvor alegremente começamos.

1ª Leitura (Jer 18,18-20): Os inimigos de Jeremias disseram entre si: «Vamos fazer uma conspiração contra Jeremias, pois não nos faltará a instrução de um sacerdote, nem o conselho de um sábio, nem o oráculo de um profeta. Vamos feri-lo com a difamação, sem fazermos caso do que ele disser». «Ajudai-me, Senhor, escutai a voz dos meus adversários. Porventura assim se paga o bem com o mal? Eles abrem uma cova para me tirar a vida. Lembrai-Vos que me apresentei diante de Vós, para Vos falar em seu favor, para deles afastar a vossa ira».

Salmo Responsorial: 30

R/. Salvai-me, Senhor, pela vossa bondade.

Livrai-me da armadilha que me prepararam, porque Vós sois o meu refúgio. Em vossas mãos entrego o meu espírito, Senhor, Deus fiel, salvai-me.

Porque eu ouvia os gritos da multidão: «Terror por toda a parte!», quando se coligaram contra mim e decidiram tirar-me a vida.

Eu, porém, confio no Senhor: Disse: «Vós sois o meu Deus, nas vossas mãos está o meu destino». Livrai-me das mãos dos meus inimigos.

Eu sou a luz do mundo, diz o Senhor. Quem Me segue terá a luz da vida.

Evangelho (Mt 20,17-28): Subindo para Jerusalém, Jesus chamou os doze discípulos de lado e, pelo caminho, disse-lhes: «Eis que estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos sumos sacerdotes e aos escribas. Eles o condenarão à morte e o entregarão aos pagãos para zombarem dele, açoitá-lo e crucificá-lo. Mas no terceiro dia, ressuscitará». A mãe dos filhos de Zebedeu, com seus filhos, aproximou-se de Jesus e prostrou-se para lhe fazer um pedido. Ele perguntou: «Que queres» Ela respondeu: «Manda que estes meus dois filhos se sentem, no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda». Jesus disse: «Não sabeis o que estais pedindo. Podeis beber o cálice que eu vou beber?» Eles responderam: «Podemos». «Sim», declarou Jesus, «do meu cálice bebereis, mas o sentar-se à minha direita e à minha esquerda não depende de mim. É para aqueles a quem meu Pai o preparou». Quando os outros dez ouviram isso, ficaram zangados com os dois irmãos. Jesus, porém, chamou-os e disse: «Sabeis que os chefes das nações as dominam e os grandes fazem sentir seu poder. Entre vós não deverá ser assim. Quem quiser ser o maior entre vós seja aquele que vos serve, e quem quiser ser o primeiro entre vós, seja vosso escravo. Pois o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos».

«Quem quiser ser o maior entre vós seja aquele que vos serve»

Rev. D. Francesc JORDANA i Soler (Mirasol, Barcelona, Espanha)

Hoje, a Igreja — inspirada pelo Espírito Santo— nos propõe neste tempo de Quaresma um texto onde Jesus sugere aos seus discípulos —e, portanto, também a nós— uma mudança de mentalidade. Jesus hoje inverte as visões humanas e terrenas de seus discípulos e lhes abre um novo horizonte de compreensão sobre qual deve ser o estilo de vida de seus seguidores.

Nossas inclinações naturais nos movem ao desejo de dominar as coisas e as pessoas, mandar e dar ordens, que seja feito o que nós gostamos, que as pessoas nos reconheçam um status, uma posição. Pois bem, o caminho que Jesus nos propõe é o oposto: «Entre vós não deverá ser assim. Quem quiser ser o maior entre vós seja aquele que vos serve, e quem quiser ser o primeiro entre vós, seja vosso escravo» (Mt 20,26-27). “Servidor”, “escravo”: não podemos ficar no enunciado das palavras! As escutamos centena de vezes, e devemos ser capazes de entrar em contato com a realidade, saber o que significa, e confrontar tal realidade com nossas atitudes e comportamentos.

O Concilio Vaticano II afirma que «o homem adquire sua plenitude através do serviço e a entrega aos demais». Neste caso, nos parece que damos a vida, quando realmente a estamos encontrando. O homem que não vive para servir não serve para viver. E nesta atitude, nosso modelo é o próprio Cristo — o homem plenamente homem— pois «Pois o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos» (Mt 20,28).

Ser servidor, ser escravo, tal e como Jesus nos pede é impossível para nós. Está fora do alcance de nossa pobre vontade: devemos implorar; esperar e desejar intensamente que nos concedam esses dons. A Quaresma e suas práticas quaresmais —jejum, esmola e oração— nos lembram que para receber esses dons nós devemos dispor adequadamente.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm

*  O evangelho de hoje traz três assuntos: o terceiro anúncio da paixão (Mt 20,17-19), o pedido da mãe dos filhos de Zebedeu (Mt 20,20-23) e a discussão dos discípulos pelo primeiro lugar (Mt 20,24-28).

*  Mateus 20,17-19: O terceiro anúncio da paixão.  Eles estão a caminho de Jerusalém. Jesus vai na frente. Sabe que vão matá-lo. O profeta Isaías já o tinha anunciado (Is 50,4-6; 53,1-10). Porém, a sua morte não é fruto de um plano já preestabelecido, mas é consequência do compromisso assumido com a missão recebida do Pai junto aos excluídos do seu tempo. Por isso, Jesus alerta os discípulos sobre a tortura e a morte que ele vai enfrentar em Jerusalém. Pois o discípulo deve seguir o mestre, mesmo que for para sofrer com ele. Os discípulos estão assustados e o acompanham com medo. Não entendem o que está acontecendo (cf. Lc 18,34). O sofrimento não combinava com a idéia que eles tinham do messias (cf. Mt 16,21-23).

*  Mateus 20,20-21: O pedido da mãe pelo primeiro lugar para os filhos.  Os discípulos não só não entendem o alcance da mensagem de Jesus, mas continuam com suas ambições pessoais. Enquanto Jesus insistia no serviço e na doação, eles teimavam em pedir os primeiros lugares no Reino. A mãe de Tiago e João, levando consigo os dois filhos, chega perto de Jesus e pede um lugar na glória do Reino para os dois filhos, um à direita e outro à esquerda de Jesus. Os dois não entenderam a proposta de Jesus. Estavam preocupados só com os próprios interesses. Sinal de que a ideologia dominante da época tinha penetrado profundamente na mentalidade dos discípulos. Apesar da convivência de vários anos com Jesus, eles não tinham renovado sua maneira de ver as coisas. Olhavam para Jesus com o olhar antigo. Queriam uma recompensa pelo fato de seguir a Jesus. As mesmas tensões existiam nas comunidades no tempo de Mateus e existem até hoje nas nossas comunidades.

*  Mateus 20,22-23: A resposta de Jesus.  Jesus reage com firmeza: “Vocês não sabem o que estão pedindo!” E pergunta se eles são capazes de beber o cálice que ele, Jesus, vai beber, e se estão dispostos a receber o batismo que ele vai receber. É o cálice do sofrimento, o batismo de sangue! Jesus quer saber se eles, em vez do lugar de honra, aceitam entregar a vida até à morte. Os dois respondem: “Podemos!” Parece uma resposta da boca para fora, pois, poucos dias depois, abandonaram Jesus e o deixaram sozinho na hora do sofrimento (Mc 14,50). Eles não têm muita consciência crítica, nem percebem sua realidade pessoal. Quanto ao lugar de honra no Reino ao lado de Jesus, quem o dá é o Pai. O que ele, Jesus, tem para oferecer é o cálice e o batismo, o sofrimento e a cruz.

*  Mateus 20,24-27: Entre vocês não seja assim.  Jesus fala, novamente, sobre o exercício do poder (cf. Mc 9,33-35). Naquele tempo, os que detinham o poder não prestavam conta ao povo. Agiam conforme bem entendiam (cf. Mc 6,27-28). O império romano controlava o mundo e o mantinha submisso pela força das armas e, assim, através de tributos, taxas e impostos, conseguia concentrar a riqueza dos povos na mão de poucos lá em Roma. A sociedade era caracterizada pelo exercício repressivo e abusivo do poder. Jesus tem outra proposta. Ele diz: “Entre vocês não deve ser assim! Quem quiser ser o maior, seja o servidor de todos!” Ele traz ensinamentos contra os privilégios e contra a rivalidade. Quer mudar o sistema e insiste no serviço como remédio contra a ambição pessoal.

*  Mateus 20,28: O resumo da vida de Jesus. Jesus define a sua missão e a sua vida: “Não vim para ser servido, mas para servir!” Veio dar sua vida em resgate para muitos. Ele é o messias Servidor, anunciado pelo profeta Isaías (cf. Is 42,1-9; 49,1-6; 50,4-9; 52,13-53,12). Aprendeu da mãe que disse: “Eis aqui a serva do Senhor!”(Lc 1,38). Proposta totalmente nova para a sociedade daquele tempo.

Para um confronto pessoal

1) Tiago e João pedem favores, Jesus promete sofrimento. E eu, o que peço a Jesus na oração? Como acolho o sofrimento e as dores que acontecem na minha vida?

2) Jesus diz: “Entre vocês não deve ser assim!” Meu jeito de viver em comunidade está de acordo com este conselho de Jesus?

ORAÇÃO

Ó glorioso S. José, a bondade de vosso coração é sem limites e indizível, e neste mês que a piedade dos fiéis vos consagrou mais generosas do que nunca se abrem as vossas mãos benfazejas. Distribui entre nós, ó nosso amado Pai, os dons preciosíssimos da graça celestial da qual sois ecônomo e o tesoureiro; Deus vos criou para seu primeiro esmoler. Ah! que nem um só de vossos servos possa dizer que vos invocou em vão nestes dias. Que todos venham, que todos se apresentem ante vosso trono e invoquem vossa intercessão, a fim de viverem e morrerem santamente, a vosso exemplo nos braços de Jesus e no ósculo beatíssimo de Maria. Amém.

LADAINHA DE SÃO JOSÉ

Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, tende piedade de nós.

Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, ouvi-nos.

Jesus Cristo, escutai-nos.

Pai Celestial, que sois Deus, tende piedade de nós.

Filho, Redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de nós.

Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós.

Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.

Santa Maria, rogai por nós.

São José, rogai por nós.

Ilustre Filho de Davi, ...

Luz dos Patriarcas, ...

Esposo da Mãe de Deus, ...

Guarda da puríssima Virgem, ...

Sustentador do Filho de Deus, ...

Estrênuo defensor de Jesus Cristo, ...

Chefe da Sagrada Família, ...

José justíssimo, ...

José castíssimo, ...

José prudentíssimo, ...

José fortíssimo, ...

José obedientíssimo, ...

José fidelíssimo, ...

Espelho de paciência, ...

Amante da pobreza, ...

Modelo dos artistas, ...

Honra da vida de família, ...

Guarda das virgens, ...

Sustentáculo das famílias, ...

Alívio dos miseráveis, ...

Esperança dos doentes, ...

Patrono dos moribundos, ...

Terror dos demônios, ...

Protetor da Santa Igreja, ...

Patrono da Ordem Carmelita, ...

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade nós.

V. - O Senhor o constituiu dono de sua casa.

R. - E fê-lo príncipe de todas as suas possessões.

ORAÇÃO

Deus, que por vossa inefável Providência vos dignastes eleger o bem-aventurado São José para Esposo de vossa Mãe Santíssima concedei-nos, nós vos pedimos, que mereçamos ter como intercessor no céu aquele a quem veneramos na terra como nosso Protetor. Vós que viveis e reinais com Deus Padre na unidade do Espírito Santo. Amém.

domingo, 28 de fevereiro de 2021

MÊS DE SÃO JOSÉ - Terça-feira da 2ª semana da Quaresma

ORAÇÃO PREPARATÓRIA

Com humildade e respeito aqui nos reunimos, ó Divino Jesus, para oferecer, todos os dias deste mês, as homenagens de nossa devoção ao glorioso Patriarca S. José. Vós nos animais a recorrer com toda a confiança aos vossos benditos Santos, pois que as honras que lhes tributamos revertem em vossa própria glória. Com justos motivos, portanto, esperamos vos seja agradável o tributo quotidiano que vimos prestar ao Esposo castíssimo de Maria, vossa divina Mãe a José, vosso amado Pai adotivo. Ó meu Deus, concedei-nos a graça de amar e honrar a José como o amastes na terra e o honrais no céu. E vós, ó glorioso Patriarca, pela vossa estreita união com Jesus e Maria; vós que, à custa de vossas abençoadas fadigas e suores, nutristes a um e outro, desempenhando neste mundo o papel do Divino Padre Eterno; alcançai-nos luz e graça para terminar com fruto este devoto exercício que em vosso louvor alegremente começamos.

1ª Leitura (Is 1,10.16-20): Escutai a palavra do Senhor, chefes de Sodoma; dai ouvidos à lei do nosso Deus, povo de Gomorra: «Lavai-vos, purificai-vos, afastai dos meus olhos a malícia das vossas ações, deixai de praticar o mal e aprendei a fazer o bem. Respeitai o direito, protegei o oprimido, fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva. Vinde então para discutirmos as nossas razões, – diz o Senhor. Ainda que os vossos pecados sejam como o escarlate, ficarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como a púrpura, ficarão brancos como a lã. Se fordes dóceis e obedientes, comereis os bens da terra. Mas se recusardes e fordes rebeldes, sereis devorados pela espada». Assim falou a boca do Senhor.

Salmo Responsorial: 49

R. A quem segue o caminho reto darei a salvação de Deus.

Não é pelos sacrifícios que Eu te repreendo: os teus holocaustos estão sempre na minha presença. Não aceito os novilhos da tua casa nem os cabritos do teu rebanho.

Como falas tanto na minha lei e trazes na boca a minha aliança, tu que detestas os meus ensinamentos e desprezas as minhas palavras.

Considerai isto, vós que esqueceis a Deus, não aconteça que vos extermine, sem haver quem vos salve. Honra-Me quem Me oferece um sacrifício de louvor, a quem segue o caminho reto darei a salvação de Deus.

Deixai todos os vossos pecados, diz o Senhor; criai um coração novo e um espírito novo.

Evangelho (Mt 23,1-12): Depois, Jesus falou às multidões e aos discípulos: «Os escribas e os fariseus sentaram-se no lugar de Moisés para ensinar. Portanto, tudo o que eles vos disserem, fazei e observai, mas não imiteis suas ações! Pois eles falam e não praticam. Amarram fardos pesados e insuportáveis e os põem nos ombros dos outros, mas eles mesmos não querem movê-los, nem sequer com um dedo. Fazem todas as suas ações só para serem vistos pelos outros, usam faixas bem largas com trechos da Lei e põem no manto franjas bem longas. Gostam do lugar de honra nos banquetes e dos primeiros assentos nas sinagogas, de serem cumprimentados nas praças públicas e de serem chamados de ‘Rabi’. Quanto a vós, não vos façais chamar de ‘Rabi’, pois um só é vosso Mestre e todos vós sóis irmãos. Não chameis a ninguém na terra de ‘pai’, pois um só é vosso Pai, aquele que está nos céus. Não deixeis que vos chamem de ‘guia’, pois um só é o vosso Guia, o Cristo. Pelo contrário, o maior dentre vós deve ser aquele que vos serve. Quem se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado».

«Um só é vosso Mestre; um só é vosso Pai; um só é o vosso Guia»

Pbro. Gerardo GÓMEZ (Merlo, Buenos Aires, Argentina)

Hoje, mais do que nunca, devemos trabalhar pela nossa salvação pessoal e comunitária, como diz São Paulo, com respeito e seriedade, já que «É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação» (2Cor 6,2). O tempo quaresmal é uma oportunidade sagrada dada pelo nosso Pai para que, numa atitude de profunda conversão, revitalizemos nossos valores pessoais, reconheçamos nossos erros e nos arrependamos de nossos pecados, de maneira que nossa vida se transforme —pela ação do Espírito Santo— numa vida mais plena e madura.

Para adequar nossa conduta à do Senhor Jesus é fundamental um gesto de humildade, como diz o Papa Bento XVI: «Reconheço-me por aquilo que sou, uma criatura frágil, feita de terra e destinada à terra, mas também feita à imagem de Deus e destinada a Ele».

Na época de Jesus, havia muitos “modelos" que oravam e agiam para serem vistos, para serem reverenciados: pura fantasia, personagens de papelão, que não podiam estimular o crescimento e a madurez dos seus vizinhos. Suas atitudes e condutas não mostravam o caminho que conduz a Deus; «Portanto, tudo o que eles vos disserem, fazei e observai, mas não imiteis suas ações! Pois eles falam e não praticam» (Mt 23,3).

A sociedade atual também nos apresenta uma infinidade de modelos de conduta que abocam a uma existência vertiginosa, aloucada, debilitando o sentido de transcendência. Não deixemos que esses falsos referentes nos façam perder de vista o verdadeiro Mestre: «Um só é vosso Mestre; (...) um só é vosso Pai; (...) um só é o vosso Guia: Cristo» (Mt 23,8.9.10).

Aproveitemos a quaresma para fortalecer nossas convicções como discípulo de Jesus Cristo. Procuremos ter momentos sagrados de “deserto”, onde nos reencontremos com nós mesmos e, com o verdadeiro modelo e mestre. E diante às situações concretas nas que muitas vezes não sabemos como reagir poderíamos nos perguntar: Que diria Jesus? Como agiria Jesus?

«Mas não imiteis suas ações! Pois eles falam e não praticam»

Rev. D. Antoni CAROL i Hostench (Sant Cugat del Vallès, Barcelona, Espanha)

Hoje Jesus chama-nos a dar testemunho de vida cristã com o exemplo, da coerência de vida e da retitude da intenção. O Senhor, referindo-se aos mestres da Lei e aos fariseus, diz-nos: «Não imiteis sua ações. Pois eles falam e não praticam» (Mt 23,3). É uma acusação terrível!

Todos temos experiência do mal e do escândalo —desorientação das almas— que causa o “anti-testemunho” quer dizer, o mau exemplo. À vez também todos lembramos o bem que nos fizeram os bons exemplos que vimos ao largo de nossas vidas. Não esqueçamos o que afirma a dita popular «vale mais uma imagem que mil palavras». Em definitiva, «hoje mais do que nunca, a Igreja tem consciência de que a sua mensagem social será aceite pelo testemunho das obras, mais do que pela sua coerência e lógica interna» (João Paulo II).

Uma modalidade do mau exemplo especialmente perniciosa para a evangelização é a falta de coerência de vida. Um apóstolo do terceiro milênio, que está chamado à santidade no meio da gestão dos assuntos temporais, deve de ter presente que «só a relação entre uma verdade consequente consigo mesma e seu cumprimento na vida pode fazer brilhar aquela evidência da fé esperada pelo coração humano; só através desta porta (da coerência) entrará o Espírito no mundo» (Bento XVI).

Por fim, Jesus lamenta aqueles que «fazem todas as suas ações só para serem vistos pelos outros» (Mt 23,5). A autenticidade da nossa vida de apóstolos de Cristo exige a retidão de intenção. Temos de agir, sobretudo por amor a Deus, para a glória do Pai. Assim como o podemos ler no Catecismo da Igreja, «Deus criou tudo para o homem, mas o homem foi criado para servir e amar a Deus e para oferecer-lhe toda a criação». Esta é a nossa grandeza: servir a Deus como filhos seus!

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm

* O evangelho de hoje traz uma crítica de Jesus contra os escribas e fariseus do seu tempo. No começo da atividade missionária de Jesus, os doutores de Jerusalém já tinham ido até a Galiléia para observá-lo (Mc 3,22; 7,1). Incomodados pela pregação de Jesus, tinham espalhado a calúnia de que ele era um possesso (Mc 3,22). Ao longo dos três anos a popularidade de Jesus cresceu. Cresceu também o conflito dele com as autoridades religiosas. A raiz deste conflito estava na maneira de eles se colocarem frente a Deus. Os fariseus buscavam sua segurança não tanto no amor de Deus para com eles, mas mais na observância rigorosa da Lei. Confrontado com esta mentalidade, Jesus acentua a prática do amor que relativiza a observância da lei e lhe dá o seu verdadeiro sentido.

* Mateus 23,1-3: A raiz da crítica: “Eles dizem, mas não fazem”. Jesus reconhece a autoridade dos escribas e fariseus. Eles ocupam a cátedra de Moisés e ensinam a lei de Deus, mas eles mesmos não observam o que ensinam. Daí a advertência de Jesus ao povo: “Fazei e observai tudo quanto vos disserem. Mas não imiteis suas ações, pois dizem mas não Fazem!” É uma crítica arrasadora! Em seguida, como num espelho, Jesus faz ver alguns aspectos da incoerência das autoridades religiosas

* Mateus 23,4-7: Olhar no espelho para fazer uma revisão de vida. Jesus chama a atenção dos discípulos para o comportamento incoerente de alguns doutores da lei. Ao meditar estas incoerências, convém pensar não nos fariseus e escribas daquele longínquo passado, mas sim em nós mesmos e nas nossas incoerências: amarrar pesos pesados nos outros e nós mesmos não os carregamos; fazer as coisas para sermos vistos e elogiados; gostar dos lugares de honra e de sermos chamados de doutor. Os escribas gostavam de entrar nas casas das viúvas e fazer longas preces em troca de dinheiro! (Mc 12,40)

* Mateus 23,8-10: Vocês todos são irmãos.  Jesus manda ter atitude contrária. Em vez de usar a religião e a comunidade como meio de auto-promoção para aparecer mais importante diante dos outros, ele pede para não usar o título de Mestre, Pai ou Guia, pois um só é o guia, o Cristo; só Deus no céu é Pai; e o próprio Jesus é o mestre. Todos vocês são irmãos. Esta é a base da fraternidade que nasce da certeza de que Deus é nosso Pai.

* Mateus 23,11-12: O resumo final: o maior é o menor. Esta frase final é o que caracteriza tanto o ensino como o comportamento de Jesus: “O maior de vocês deve ser aquele que serve a vocês. Quem se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado” (cf. Mc 10,43; Lc 14,11; 18,14).

Para um confronto pessoal

1) O que Jesus criticou nos doutores da Lei, e em que os elogiou? O que ele critica em mim e o que elogiaria em mim?

2) Você já se olhou no espelho?

ORAÇÃO

Ó glorioso S. José, a bondade de vosso coração é sem limites e indizível, e neste mês que a piedade dos fiéis vos consagrou mais generosas do que nunca se abrem as vossas mãos benfazejas. Distribui entre nós, ó nosso amado Pai, os dons preciosíssimos da graça celestial da qual sois ecônomo e o tesoureiro; Deus vos criou para seu primeiro esmoler. Ah! que nem um só de vossos servos possa dizer que vos invocou em vão nestes dias. Que todos venham, que todos se apresentem ante vosso trono e invoquem vossa intercessão, a fim de viverem e morrerem santamente, a vosso exemplo nos braços de Jesus e no ósculo beatíssimo de Maria. Amém.

LADAINHA DE SÃO JOSÉ

Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, tende piedade de nós.

Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, ouvi-nos.

Jesus Cristo, escutai-nos.

Pai Celestial, que sois Deus, tende piedade de nós.

Filho, Redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de nós.

Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós.

Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.

Santa Maria, rogai por nós.

São José, rogai por nós.

Ilustre Filho de Davi, ...

Luz dos Patriarcas, ...

Esposo da Mãe de Deus, ...

Guarda da puríssima Virgem, ...

Sustentador do Filho de Deus, ...

Estrênuo defensor de Jesus Cristo, ...

Chefe da Sagrada Família, ...

José justíssimo, ...

José castíssimo, ...

José prudentíssimo, ...

José fortíssimo, ...

José obedientíssimo, ...

José fidelíssimo, ...

Espelho de paciência, ...

Amante da pobreza, ...

Modelo dos artistas, ...

Honra da vida de família, ...

Guarda das virgens, ...

Sustentáculo das famílias, ...

Alívio dos miseráveis, ...

Esperança dos doentes, ...

Patrono dos moribundos, ...

Terror dos demônios, ...

Protetor da Santa Igreja, ...

Patrono da Ordem Carmelita, ...

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade nós.

V. - O Senhor o constituiu dono de sua casa.

R. - E fê-lo príncipe de todas as suas possessões.

ORAÇÃO

Deus, que por vossa inefável Providência vos dignastes eleger o bem-aventurado São José para Esposo de vossa Mãe Santíssima concedei-nos, nós vos pedimos, que mereçamos ter como intercessor no céu aquele a quem veneramos na terra como nosso Protetor. Vós que viveis e reinais com Deus Padre na unidade do Espírito Santo. Amém.