sexta-feira, 19 de outubro de 2018

22 de outubro


S. João Paulo II
Papa e Terceiro Carmelita

Carlos José Wojtyła nasceu em 1920 na localidade de Wadowice na Polônia. Ordenado sacerdote, continuou os seus estudos teológicos em Roma, depois dos quais regressou ao seu país, onde exerceu diversos cargos pastorais e universitários. Foi nomeado bispo auxiliar de Cracóvia e em 1964, Arcebispo do mesmo lugar. Tomou parte no II Concílio Ecumênico do Vaticano. Eleito Papa a 16 de outubro de 1978, com o nome de João Paulo II, distinguiu-se pela extraordinária solicitude apostólica, em particular para com as famílias, os jovens e os doentes, o que o levou a realizar numerosas visitas pastorais a todo o mundo. Entre os frutos mais significativos deixados em herança à Igreja, destaca-se o seu riquíssimo Magistério e a promulgação do Catecismo da Igreja Católica e do Código de Direito Canónico para a Igreja latina e oriental. Morreu piedosamente em Roma a 2 de abril de 2005, na Vigilia do II Domingo de Páscoa ou da Divina Misericórdia.

Do Comum dos pastores da Igreja: para um Papa.

Oração
Ó Deus, rico de misericórdia, que escolhestes São João Paulo II para governar a Vossa Igreja como papa, concedei-nos que, instruídos pelos seus ensinamentos, possamos abrir confiadamente os nossos corações à graça salvífica de Cristo, único Redentor do homem. Ele que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.



22 de outubro: São João Paulo II, papa


Primeira Leitura (Ef 2,1-10): Irmãos, vós estáveis mortos por causa de vossas faltas e pecados, nos quais vivíeis outrora, quando seguíeis o deus deste mundo, o príncipe que reina entre o céu e a terra, o espírito que age agora entre os rebeldes. Nós éramos deste número, todos nós. Outrora nos abandonávamos às paixões da carne; satisfazíamos os seus desejos, seguíamos os seus caprichos e éramos por natureza como os demais, filhos da ira. Mas Deus é rico em misericórdia. Por causa do grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos por causa das nossas faltas, ele nos deu a vida com Cristo. É por graça que vós sois salvos! Deus nos ressuscitou com Cristo e nos fez sentar nos céus em virtude de nossa união com Jesus Cristo. Assim, pela bondade, que nos demonstrou em Jesus Cristo, Deus quis mostrar, através dos séculos futuros, a incomparável riqueza da sua graça. Com efeito, é pela graça que sois salvos, mediante a fé. E isso não vem de vós; é dom de Deus! Não vem das obras, para que ninguém se orgulhe. Pois é ele quem nos fez; nós fomos criados em Jesus Cristo para as obras boas, que Deus preparou de antemão para que nós as praticássemos.

Salmo Responsorial (Sl 99)
R. O Senhor mesmo nos fez, e somos seus.

— Aclamai o Senhor, ó terra inteira, servi ao Senhor com alegria, ide a ele cantando jubilosos!

— Sabei que o Senhor, só ele, é Deus, Ele mesmo nos fez, e somos seus, nós somos seu povo e seu rebanho.

— Entrai por suas portas dando graças, e em seus átrios com hinos de louvor, dai-lhe graças, seu nome bendizei!

— Sim, é bom o Senhor e nosso Deus, sua bondade perdura para sempre, seu amor é fiel eternamente!

Aleluia. Felizes os humildes de espírito, porque deles é o Reino dos Céus. Aleluia.

Evangelho (Lc 12,13-21): Alguém do meio da multidão disse a Jesus: Mestre, diz ao meu irmão que reparta a herança comigo. Ele respondeu: Homem, quem me encarregou de ser juiz ou árbitro entre vós?. E disse-lhes: Atenção! Guardai-vos de todo tipo de ganância, pois mesmo que se tenha muitas coisas, a vida não consiste na abundância de bens. E contou-lhes uma parábola: A terra de um homem rico deu uma grande colheita. Ele pensava consigo mesmo: Que vou fazer? Não tenho onde guardar minha colheita. Então resolveu: Já sei o que fazer! Vou derrubar meus celeiros e construir maiores; neles vou guardar todo o meu trigo, junto com os meus bens. Então poderei dizer a mim mesmo: Meu caro, tens uma boa reserva para muitos anos. Descansa, come, bebe, goza a vida! Mas Deus lhe diz: Tolo! Ainda nesta noite, tua vida te será retirada. E para quem ficará o que acumulaste? Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não se torna rico diante de Deus.

«A vida não consiste na abundância de bens»

Fray Lluc TORCAL Monge do Monastério de Sta. Mª de Poblet (Santa Maria de Poblet, Tarragona, Espanha)

Hoje, o Evangelho, se não nos tapamos os ouvidos e não fechamos os olhos, provocará em nós uma grande comoção pela sua clareza: E disse então ao povo: Guardai-vos escrupulosamente de toda a avareza, porque a vida de um homem, ainda que ele esteja na abundância, não depende de suas riquezas (Lc 12,15). Que é o que garante a vida do homem?

Sabemos muito bem em que está garantida a vida de Jesus, porque Ele mesmo disse: Pois como o Pai tem a vida em si mesmo, assim também deu ao Filho o ter a vida em si mesmo (Jn 5,26). Sabemos que a vida de Jesus não somente procede do Pai, mas que consiste em fazer sua vontade, já que este é seu alimento, e a vontade do Pai equivale a realizar sua grande obra de salvação entre os homens, dando a vida por seus amigos, signo do mais sublime amor. A vida de Jesus é, pois, uma vida recebida totalmente do Pai e entregada totalmente ao mesmo Pai e, por amor ao Padre, aos homens. A vida humana poderá ser então suficiente em si mesma? Poderá negar-se que nossa vida é um dom, que a recebemos e que, somente por isso, já devemos agradecer? Que ninguém pense que é dono de sua própria vida (São Jerônimo).

Seguindo esta lógica, só falta perguntar-nos: Que sentido pode ter nossa vida se se encerra em si mesma, se tem prazer ao dizer: E direi à minha alma: ó minha alma, tens muitos bens em depósito para muitíssimos anos; descansa, come, bebe e regala-te (Lc 12,19) Se a vida de Jesus é um dom recebido e entregue sempre em amor, nossa vida; que não podemos negar ter recebido; deve converter-se, seguindo à de Jesus, em uma doação total a Deus e aos irmãos, porque, Quem ama a sua vida, perdê-la-á; mas quem odeia a sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna (Jo 12,25).

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* O episódio narrado no evangelho de hoje só se encontra no Evangelho de Lucas e não tem paralelo nos outros evangelhos. Ele faz parte da longa descrição da viagem de Jesus, desde a Galileia até Jerusalém (Lc 9,51 a 19,28), na qual Lucas colocou a maior parte das informações que ele conseguiu coletar a respeito de Jesus e que não se encontram nos outros três evangelhos (cf. Lc 1,2-3). O evangelho de hoje traz a resposta de Jesus à pessoa que lhe pediu para ser mediador na repartição de uma herança.

* Lucas 12,13: Um pedido para repartir herança
“Do meio da multidão, alguém disse a Jesus: "Mestre, dize ao meu irmão que reparta a herança comigo". Até hoje, a distribuição da herança entre os familiares sobreviventes é sempre uma questão delicada e, muitas vezes, ocasião de brigas e tensões sem fim. Naquele tempo, a herança tinha a ver também com a identidade das pessoas (1Rs 21,1-3) e com a sua sobrevivência (Nm 27,1-11; 36,1-12). O problema maior era a distribuição das terras entre os filhos do falecido pai. Sendo a família grande, havia o perigo de a herança se esfacelar em pequenos pedaços de terra que já não poderiam garantir a sobrevivência de todos. Por isso, para evitar o esfacelamento ou desintegração da herança e manter vivo o nome da família, o mais velho recebia o dobro dos outros filhos (Dt 21,17; cf. 2Rs 2,11).

* Lucas 12,14-15: Resposta de Jesus: cuidado com a ganância
“Jesus respondeu: "Homem, quem foi que me encarregou de julgar ou dividir os bens entre vocês?”Na resposta de Jesus transparece a consciência que ele tinha da sua missão. Jesus não se sente enviado por Deus para atender ao pedido de arbitrar entre os parentes que brigam entre si por causa da repartição da herança. Mas o pedido do homem despertou nele a missão de orientar as pessoas, pois “ele falou a todos: Atenção! Tenham cuidado com qualquer tipo de ganância. Porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas, a sua vida não depende de seus bens". Fazia parte da sua missão esclarecer as pessoas a respeito do sentido da vida. O valor de uma vida não consiste em ter muitas coisas mas sim em ser rico para Deus (Lc 12,21). Pois, quando a ganância toma conta do coração, não há como repartir a herança com equidade e paz.

* Lucas 12,16-19: Parábola que faz pensar no sentido da vida
Em seguida, Jesus conta uma parábola para ajudar as pessoas a refletir sobre o sentido da vida: "A terra de um homem rico deu uma grande colheita. E o homem pensou: O que vou fazer? Não tenho onde guardar minha colheita”. O homem rico está totalmente fechado dentro da preocupação com os seus bens que aumentaram de repente por causa de uma colheita abundante. Ele só pensa em acumular para garantir-se uma vida despreocupada. Ele diz: “Já sei o que fazer! Vou derrubar meus celeiros e construir outros maiores; e neles vou guardar todo o meu trigo, junto com os meus bens. Então poderei dizer a mim mesmo: meu caro, você possui um bom estoque, uma reserva para muitos anos; descanse, coma e beba, alegre-se!”

* Lucas 12,20: Primeira conclusão da parábola
“Mas Deus lhe disse: Louco! Nesta mesma noite você vai ter que devolver a sua vida. E as coisas que você preparou, para quem vão ficar?” A morte é uma chave importante para redescobrir o sentido verdadeiro da vida. Ela relativiza tudo, pois mostra o que perece e o que permanece. Quem só busca o ter e esquece o ser perde tudo na hora da morte. Aqui transparece um pensamento muito frequente nos livros sapienciais: para que acumular bens nesta vida, se você não sabe para quem vão ficar os bens que você acumulou, nem sabe o que vai fazer o herdeiro com aquilo que você deixou para ele (Ecle 2,12.18-19.21).

* Lucas 12,21: Segunda conclusão da parábola
“Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico para Deus”. Como tornar-se rico para Deus? Jesus deu várias sugestões e conselhos: quem quer ser o primeiro, seja o último (Mt 20,27; Mc 9,35; 10,44); é melhor dar que receber (At 20,35); o maior é o menor (Mt 18,4; 23,11; Lc 9,48) preserva vida quem perde a vida (Mt 10,39; 16,25; Mc 8,35; Lc 9,24).

Para um confronto pessoal
1) O homem pediu a Jesus para ajudar na repartição da herança. E você, o que você pede a Deus nas suas orações?
2) O consumismo cria necessidades e desperta em nós a ganância. Como você faz para não ser vítima da ganância provocado pelo consumismo?

XXIX Domingo do Tempo Comum


LEITURA I (Is 53,10-11): Aprouve ao Senhor esmagar o seu Servo pelo sofrimento. Mas, se oferecer a sua vida como vítima de expiação, terá uma descendência duradoira, viverá longos dias, e a obra do Senhor prosperará em suas mãos. Terminados os sofrimentos, verá a luz e ficará saciado. Pela sua sabedoria, o Justo, meu Servo, justificará a muitos e tomará sobre si as suas iniquidades.

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 32 (33)
R: Desça sobre nós a vossa misericórdia, porque em Vós esperamos, Senhor.

A palavra do Senhor é reta, da fidelidade nascem as suas obras.
Ele ama a justiça e a retidão: a terra está cheia da bondade do senhor.

Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem, para os que esperam na sua bondade,
para libertar da morte as suas almas e os alimentar no tempo da fome.

A nossa alma espera o Senhor: Ele é o nosso amparo e protetor.
Venha sobre nós a vossa bondade, porque em Vós esperamos, Senhor.

LEITURA II (Heb 4,14-16): Irmãos: Tendo nós um sumo sacerdote que penetrou os Céus, Jesus, Filho de Deus, permaneçamos firmes na profissão da nossa fé. Na verdade, nós não temos um sumo sacerdote incapaz de se compadecer das nossas fraquezas. Pelo contrário, Ele mesmo foi provado em tudo, à nossa semelhança, exceto no pecado. Vamos, portanto, cheios de confiança ao trono da graça, a fim de alcançarmos misericórdia e obtermos a graça de um auxílio oportuno.

Aleluia. Jesus Cristo veio servir. Cristo veio dar sua vida. Jesus Cristo veio salvar, viva Cristo, Cristo viva! Aleluia.

Evangelho (Mc 10,35-45): Tiago e João, filhos de Zebedeu, aproximaram-se de Jesus e lhe disseram: Mestre, queremos que faças por nós o que te vamos pedir. Ele perguntou: Que quereis que eu vos faça?. Responderam: Permite que nos sentemos, na tua glória, um à tua direita e o outro à tua esquerda!. Jesus lhes disse: Não sabeis o que estais pedindo. Podeis beber o cálice que eu vou beber? Ou ser batizados com o batismo com que eu vou ser batizado?. Responderam: Podemos. Jesus então lhes disse: Sim, do cálice que eu vou beber, bebereis, com o batismo com que eu vou ser batizado, sereis batizados. Mas o sentar-se à minha direita ou à minha esquerda não depende de mim; é para aqueles para quem foi preparado.  Quando os outros dez ouviram isso, começaram a ficar zangados com Tiago e João. Jesus então os chamou e disse: Sabeis que os que são considerados chefes das nações as dominam, e os seus grandes fazem sentir seu poder. Entre vós não deve ser assim. Quem quiser ser o maior entre vós seja aquele que vos serve, e quem quiser ser o primeiro entre vós seja o escravo de todos. Pois o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos.

«Quem quiser ser o maior entre vós seja aquele que vos serve»

Rev. D. Antoni CAROL i Hostench (Sant Cugat del Vallès, Barcelona, Espanha)

Bto Carlos de Habsburgo, leigo, imperador
Hoje, novamente, Jesus altera nossos esquemas. Provocadas por Santiago e João, chegam até nós palavras cheias de autenticidade: Porque o filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em redenção. (Mc 10,45).

Como gostamos de estar bem servidos! Pensemos, por exemplo, no agradável que nos resulta a eficácia e pontualidade dos serviços públicos; ou nossas queixas quando, depois de haver pagado um serviço, não recebemos o que esperávamos. Jesus Cristo nos ensina com seu exemplo. Ele não só é servidor da vontade do Pai, que inclui nossa redenção e, que além disso paga! E, o preço de nosso resgate é seu Sangue, na que recebemos a salvação de nossos pecados. Grande paradoxo este, que nunca chegaremos a entender! Ele, o grande rei, o filho de David, o que devia vir em nome do Senhor, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens (...). E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e uma morte de cruz. (Fl 2,7-8). Que expressivas são as representações de Cristo vestido como um Rei cravado na cruz! Em Catalunha temos muitas e recebem o nome de Santa Majestade. Na catequese contemplamos como servir é reinar e, como o exercício de qualquer autoridade será sempre um serviço.

Jesus transtorna de tal maneira as categorias deste mundo que também esclarece o sentido da atividade humana. Não é melhor a encomenda que mais brilha, e sim o que realizamos mais identificados com Jesus Cristo-servo, com maior Amor a Deus e aos irmãos. Se realmente acreditamos que: Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos (Jo 15,13), então também nos esforçaremos em oferecer um serviço de qualidade humana e de competência profissional com nosso trabalho, cheio de um profundo sentido cristão de serviço. Como dizia a Madre Teresa de Calcutá: O fruto da fé é o amor, o fruto do amor é o serviço, o fruto do serviço é a paz.

Grandeza e liderança estão em servir, não em dominar, a exemplo de Jesus que veio para servir e não para ser servido.

Pe. Antonio Rivero L.C.

No domingo passado aprendemos onde está a autêntica sabedoria. Neste domingo, Jesus nos ensina onde está a verdadeira grandeza e liderança do seguidor de Cristo: em servir (Evangelho), embora isto suponha provas e sofrimentos (1ª e 2ª leituras).

Em primeiro lugar, em geral como concebe o nosso mundo social e político o uso da autoridade, dos ministérios, dos papéis e das funções? Ordinariamente escutamos estas palavras: promoção e honra, ambição e prestígio, domínio e tirania. Megalomania, arbitrariedade, tirania: eis ai a definição de muitos reinos e impérios da história passada: Nero, Sérvio Sulpicio Galba, Vespasiano… Isto é, “quantos súditos tenho para mandar, quantas bombas para disparar, quanto dinheiro para gastar”. Ambição, megalomania, exploração (ditatorial, republicana, democrática…): eis ai a definição de alguns Estados e nações na história contemporânea. Isto é: “quantos tenho que pisar para subir, que impostos impor para emagrecer os que têm e cevar os confrades do partido, quantos azulejos tenho que quebrar e corromper de religião, moral, matrimônio, família, filhos para me manter na poltrona”. E, desgraçadamente, não só no campo social e político, mas também familiar ou comunitário, isto pode acontecer. Está sempre ai a tentação de dominar e tiranizar os outros, se eles se deixam.

Em segundo lugar, como deve conceber o seguidor de Cristo a autoridade? Em clave de serviço, nunca em clave de domínio. Agora entendemos porque Jesus deixou bem claro aos apóstolos que queriam os melhores lugares- os bancos ministeriais e os lugares de renome- que esse não era o caminho do seu autêntico seguidor. Primeiro tem que passar pela cruz e pelo sofrimento. E sempre em atitude de serviço humilde. A Igreja, toda inteira, como comunidade de Jesus, deve ser servidora da Humanidade, e não a sua dona e senhora. Não apoiada no poder, mas disposta ao amor de serviço, animada pelo exemplo de Jesus no lavatório da Última Ceia, oficio de escravos. Lição difícil e dura para aprender. Mas Jesus ajusta bem as contas com os seus seguidores agora. Do contrário, depois são capazes de organizar a Igreja como um império, um reino, um Estado…civis. Cristo quer uma Igreja, não que manda nos súditos, mas que serve os filhos de Deus. Cristo quer uma Igreja que ofereça e facilite a salvação e não que a controle e coloque taxas.

Finalmente, olhemos para Cristo, o nosso exemplo supremo. Não quis prerrogativas, nem ambições. Rebaixou-se, fez-se nada, arregaçou as mangas e lavou os pés. Veio para servir, e não para ser servido. Serviu o seu Pai celestial. Serviu Maria e José, os seus pais aqui na terra. Serviu a humanidade, curando, consolando, dando de comer, pregando a mensagem da salvação. Não quis nada em troca. Veio para dar a vida em resgate por todos. Onde resgate equivale à libertação do pecado e do cativeiro do demônio, mas também libertação das estruturas sociais, políticas, econômicas, religiosas, sindicais…opressoras do homem. Cristo não é um líder divino que se abre caminho vencendo inimigos e instaurando um Reino de Deus político, não é um dominador, mas um servidor; não um vencedor, mas um vencido e rendido por amor.

Para refletir: Como me comporto no pequeno ou no grande território da minha autoridade, familiar, profissional, eclesial: sirvo como Jesus ou tiranizo e oprimo como os grandes desta terra? Reflitamos nesta frase da Madre Teresa de Calcutá: “O fruto do silencio é a oração. O fruto da oração é a fé. O fruto da fé é o amor. O fruto do amor é o serviço. O fruto do serviço é a paz”. Reflitamos também neste texto do Papa Francisco: “Um segundo elemento que gostaria de realçar no exercício da autoridade é o serviço: nunca nos devemos esquecer que o poder verdadeiro, a qualquer nível, é o serviço, que tem o seu ápice luminoso na Cruz. Bento XVI, com grande sabedoria, recordou muitas vezes à Igreja que se para o homem, com frequência, autoridade é sinônimo de posse, de domínio, de sucesso, para Deus autoridade é sempre sinônimo de serviço, de humildade e de amor; significa entrar na lógica de Jesus que se inclina para lavar os pés aos Apóstolos (cf. Angelus, 29 de Janeiro de 2012), e diz aos seus discípulos: «Sabeis que os chefes das nações as governam como seus senhores… Não seja assim entre vós — é este precisamente o lema da vossa assembleia. Entre vós não será assim — quem quiser fazer-se grande entre vós, seja vosso servo» (Mt 20, 25-27). Pensemos no dano que causam ao Povo de Deus os homens e as mulheres de Igreja que são carreiristas ou arrivistas, que «usam» o povo, a Igreja, os irmãos e as irmãs — aqueles a quem deveriam servir — como trampolim para os interesses e as ambições pessoais. Eles causam um dano grande à Igreja” (Discurso às religiosas participantes na assembleia plenária da união internacional das superiores gerais, 8 de maio de 2013).

Para rezar: Senhor, livrai-me da ambição e da tirania no trato com os meus irmãos. Colocai no meu coração a humildade para que possa servir todos com desprendimento, alegria e generosidade, como Vós.

Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail: arivero@legionaries.org

Sábado XXVIII do Tempo Comum


1ª Leitura (Ef 1,15-23): Irmãos, desde que soube da vossa fé no Senhor Jesus e do vosso amor para com todos os santos, não cesso de dar graças a vosso respeito, quando me lembro de vós em minhas orações. Que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai a quem pertence a glória, vos dê um espírito de sabedoria que vo-lo revele e faça verdadeiramente conhecer. Que ele abra o vosso coração à sua luz, para que saibais qual a esperança que o seu chamamento vos dá, qual a riqueza da glória que está na vossa herança com os santos, e que imenso poder ele exerceu em favor de nós que cremos, de acordo com a sua ação e força onipotente. Ele manifestou sua força em Cristo, quando o ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita nos céus, bem acima de toda a autoridade, poder, potência, soberania ou qualquer título que se possa nomear não somente neste mundo, mas ainda no mundo futuro. Sim, ele pôs tudo sob os seus pés e fez dele, que está acima de tudo, a Cabeça da Igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que possui a plenitude universal.

Salmo Responsorial (Sl 8,2-3a. 4-5. 6-7)
R. Vós destes o domínio ao vosso Filho sobre tudo o que criastes.

- Ó Senhor nosso Deus, como é grande vosso nome por todo o universo!
Desdobrastes nos céus vossa glória com grandeza, esplendor, majestade.
O perfeito louvor vos é dado pelos lábios dos mais pequeninos.

- Contemplando estes céus que plasmastes e formastes com dedos de artista;
vendo a lua e estrelas brilhantes, perguntamos: ‘Senhor, que é o homem,
para dele assim vos lembrardes e o tratardes com tanto carinho?’

- Pouco abaixo de Deus o fizestes, coroando-o de glória e esplendor;
vós lhe destes poder sobre tudo, vossas obras aos pés lhe pusestes: R.

Aleluia.  O Espírito Santo, a verdade, de mim irá testemunhar; e vós minhas testemunhas sereis em todo lugar. Aleluia.

Evangelho (Lc 12,8-12): Naquele tempo, o Senhor disse aos seus discípulos: Eu vos digo: todo aquele que se declarar por mim diante do povo, o Filho do Homem também se declarará a favor dele diante dos anjos de Deus. Aquele, porém, que me renegar diante do povo será renegado diante dos anjos de Deus. Todo aquele que falar uma palavra contra o Filho do Homem será perdoado. Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo não será perdoado.  Quando vos conduzirem diante das sinagogas, magistrados e autoridades, não vos preocupeis com os argumentos para vos defender, nem com o que dizer. Pois nessa hora o Espírito Santo vos ensinará o que deveis dizer.

«Aquele que se declarar por mim diante do povo, o Filho do Homem também se declarará a favor».

P. Alexis MANIRAGABA (Ruhengeri, Ruanda)

Hoje, o Senhor desperta nossa fé e esperança Nele. Jesus nos antecipa que teremos que comparecer ante o exército celestial para sermos examinados. E aquele tenha se declarado a favor de Jesus aderindo a sua missão «também o Filho do homem se declarará por Ele» (Lc 12,8). Tal confissão pública se realizará em palavras, em atos e durante toda a vida.

Esta interpelação à confissão é ainda mais necessária e urgente em nossos tempos, nos que há pessoas que não querem escutar a voz de Deus nem seguir seu caminho de vida. No entanto, a confissão de nossa fé terá a um forte seguimento. Portanto, não sejamos confessores nem por medo de um castigo, que será mais severo para os apóstatas, nem pela abundante recompensa reservada aos fieis. Nosso testemunho é necessário e urgente para a vida do mundo, Deus mesmo nos pede, tal como disse São Juan Crisóstomo: «Deus não se contenta com a fé interior; Ele pede a confissão exterior e pública, e nos move assim a uma confiança e a um amor maior».

Nossa confissão é sustentada pela força e pela garantia de seu Espírito que está ativo dentro de nós e que nos defende. O reconhecimento de Jesus Cristo ante seus anjos é de vital importância já que este feito nos permitirá vê-lo cara a cara, viver com Ele e ser inundados de sua luz. Ao mesmo tempo, o contrário não será outra coisa que sofrer e perder a vida, ficar privado da luz e despojado de todos os bens. Peçamos, pois, a graça de evitar toda negação nem que seja por medo ao suplício ou por ignorância; pelas heresias, pela fé estéril e pela falta de responsabilidade, ou porque queremos evitar o martírio. Sejamos fortes, o Espírito Santo está conosco! E «com o Espírito Santo está sempre Maria (…) e Ela tem feito possível a explosão missionária produzida em Pentecostes» (Papa Francisco).

«O Espírito Santo vos ensinará o que deveis dizer»

+ Rev. D. Albert TAULÉ i Viñas (Barcelona, Espanha)

Hoje ressoam outra vez as palavras de Jesus convidando-nos a reconhecê-lo diante dos homens. Todo aquele que se declarar por mim diante do povo, o Filho do Homem também se declarará a favor dele diante dos anjos de Deus (Lc 12,8). Estamos num tempo, em que na vida pública reivindica-se a laicidade, obrigando aos crentes a manifestar sua fé somente no âmbito privado. Quando um cristão, um presbítero, um bispo, o Papa..., diz alguma coisa publicamente, porém seja cheia de sentido comum, incomoda, somente porque vem de quem vem, como se nós, não tivéssemos direito - como todo o mundo!- a dizer o que pensamos. Por mais que lhes incomode, não podemos deixar de anunciar o Evangelho. Igualmente, o Espírito Santo vos ensinará o que deveis dizer (Lc 12,12). São Cirilo de Jerusalém, afirmava que o Espírito Santo, que habita em aqueles que estão bem dispostos, inspira-lhes como doutor aquilo que vão dizer.

As agressões que fazem aos cristãos, têm uma gravidade diferente, já que não é o mesmo falar mal de um membro da Igreja (às vezes com razão, por causa de nossas deficiências), que agredir a Jesus Cristo (se o veem somente em sua dimensão humana), ou injuriar ao Espírito Santo, já seja blasfemando, já seja negando a existência e os atributos de Deus.

Também se refere ao perdão da ofensa, até mesmo quando o pecado é leve, é preciso uma atitude prévia que é o arrependimento. Se não houver arrependimento, o perdão é inviável, já que a ponte está quebrada por um lado. Por isso, Jesus diz que existem pecados que nem Deus perdoará, se não existe por parte do pecador a atitude humilde de reconhecer seu pecado (cf. Lc 12,10).

Reflexão

O contexto. No capítulo 11, que precede a nossa história , Lucas, no caminho de Jesus para Jerusalém, mostra a sua intenção de revelar as profundezas do agir misericordioso de Deus e, ao mesmo tempo, a profunda miséria que se encontra no coração do homem, e particularmente nos que têm a missão de serem testemunhas da Palavra e da ação do Espírito Santo no mundo. Jesus apresenta esses fatos com uma série de reflexões que surtem efeito no leitor: ser atraído pela força da sua Palavra até o ponto de sentir-se julgado e despojado dentro das pretensões de grandeza que perturbam o homem (9,46). Além disso o leitor se identifica com várias atitudes que o ensinamento de Jesus suscita: antes de tudo se reconhece no discípulo no seguimento a Jesus e no envio diante dele como mensageiro do reino; no que tem dúvidas para segui-lo; no fariseu ou o doutor da lei, escravos de suas próprias interpretações e estilo de vida. Em síntese, o percurso do leitor pelo capítulo 11 é caracterizado deste encontro com o ensinamento de Jesus que revela a intimidade de Deus, o coração misericordioso de Deus, mas também a verdade do seu ser como homem. No entanto, no capítulo 12 Jesus contrapõe ao juízo pervertido do homem a benevolência de Deus, que dá sempre de modo superabundante. Está em jogo a vida do homem. Deve-se prestar atenção à perversão do julgamento humano, ou melhor, à hipocrisia que distorce os valores para promover apenas o seu próprio interesse e vantagens, em vez de ter um interesse na vida, aquela que é recebida de graça. A palavra de Jesus lança ao leitor um apelo sobre como lidar com a questão da vida: o homem será julgado por seu comportamento diante das ameaças. É necessário preocupar-se não tanto com os homens que podem "matar o corpo", mas ter no coração o temor de Deus que julga e corrige. Jesus não promete a seus discípulos que serão protegidos das ameaças e perseguições, mas lhes assegura a ajuda de Deus nos momentos de dificuldade.

Saber reconhecer Jesus. O compromisso corajoso em reconhecer publicamente a amizade com Jesus comporta como consequência a comunhão pessoal com ele quando ele vier para julgar o mundo. Ao mesmo tempo, "aquele que me nega", o que tem medo de confessar e reconhecer publicamente a Jesus, se condena sozinho. O leitor é convidado a refletir sobre a importância crucial de Jesus na história da salvação: é preciso se decidir estar com Jesus ou contra ele e sua palavra de graça; desta decisão, reconhecer ou negar a Jesus depende a nossa salvação. Lucas evidencia que a comunhão oferecida por Jesus no tempo presente aos seus discípulos será confirmada e alcançará a perfeição no momento de sua vinda na glória (“quando vier na sua glória, na do Pai e dos santos anjos”: 9,26). O apelo às comunidades cristãs é muito evidente: mas se se é exposto às hostilidades do mundo, é indispensável dar um testemunho corajoso de Jesus, de comunhão com Ele e não se envergonhar de ser e se mostrar cristão.

A blasfêmia contra o Espírito Santo. Blasfemar é aqui entendido por Lucas como o falar ofensivo ou falar contra. Este verbo foi aplicado a Jesus quando em 5,21 ele tinha perdoado os pecados. A questão levantada nesta passagem pode apresentar alguma dificuldade para o leitor: é menos grave blasfêmia contra o Filho do homem do que a contra o Espírito Santo? A linguagem de Jesus pode parecer um pouco forte para o leitor do Evangelho de Lucas: ao longo do evangelho vê-se Jesus mostrando a atitude de Deus que vai em busca do pecador, que é exigente, mas que sabe esperar o momento do retorno a Ele ou o amadurecimento do pecador. Em Marcos e Mateus, a blasfêmia contra o Espírito Santo é a falta de reconhecimento do poder de Deus nos exorcismos de Jesus. Mas em Lucas mais precisamente significa a rejeição consciente e livre de Espírito profético que atua nas obras e ensinamento de Jesus, ou seja, a rejeição ao encontro com o agir misericordioso e salvífico do Pai. A falta de reconhecimento da origem divina da missão de Jesus, a ofensa direta à pessoa de Jesus, podem ser perdoadas, mas aquele que nega o Espírito Santo trabalhando na missão de Jesus não será perdoado. Não se trata da oposição entre a pessoa de Jesus e do Espírito Santo, ou dum contraste ou símbolo de dois períodos distintos da história, o de Jesus e da comunidade pós-pascal, mas em última análise, o evangelista trata de demonstrar que negar a pessoa de Cristo equivale a blasfemar contra o Espírito Santo.

Para um confronto pessoal
1) Você está ciente de que de ser cristão comporta dificuldades, perigos e riscos, a ponto de arriscar a própria vida para testemunhar a amizade pessoal com Jesus?
2) Você se vergonha de ser cristão? Você prefere o julgamento dos homens, sua aprovação, ou o fato de não perder sua amizade com Cristo?

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA Presbítero (1499-1562) PADROEIRO PRINCIPAL DO BRASIL



Nasceu em 1499. Depois de estudos feitos em Salamanca, entrou para a Ordem dos Frades Menores e, ordenado sacerdote, desempenhou diversos cargos na Ordem. Em 1544 obteve licença para consagra-se a uma observância mais estrita da Regra. Começou então a acolher seguidores, aos quais iniciou numa vida de mais austera pobreza, jejum, e penitência e de oração mais prolongada. Impulsionado pelo zelo das almas, dedicou-se com grande fruto à pregação. E com seus conselhos ajudou Santa Teresa de Ávila em sua atividade reformadora entre as Carmelitas. Deixou também obras escritas, em que narra a própria experiência ascética, baseada sobretudo na devoção para com a Paixão de Cristo. Morreu no dia 18 de outubro de 1562.


MISSA DE SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA

Antífona da Entrada
A Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo deve ser a nossa glória:
nele está nossa vida e ressurreição;
foi ele que nos salvou e libertou.

Coleta
Ó Deus, que ilustrastes São Pedro de Alcântara com os dons de admirável penitência e de altíssima contemplação, concedei, por seus méritos, que, mortificados na carne, mereçamos participar dos bens celestes. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Primeira Leitura

“Esquecendo o que fica para trás eu corro para a meta em Cristo Jesus”.

Leitura da Carta de São Paulo Apóstolo aos Filipenses: Irmãos, na verdade, considero perda todas as coisas comparadas com o valor inexcedível do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor. Por ele tudo desprezei e considero lixo a fim de ganhar a Cristo e estar com ele, não com minha justiça, que vem da Lei, senão pela justiça que procede de Deus e se funda na fé e nos vem pela fé de Cristo. Anseio pelo conhecimento de Cristo e do poder de sua ressurreição, pela participação de seus sofrimentos, tornando-me semelhante a ele na morte, com a esperança de conseguir a ressurreição dos mortos. Não pretendo dizer que já alcancei e cheguei à perfeição. Mas eu corro por alcançá-la uma vez que também eu fui conquistado por Cristo Jesus. Irmãos, consciente de não tê-la ainda conquistado, só procuro uma coisa: esquecendo o que fica para trás, lanço-me em perseguição do que fica para frente, corro; para a meta, para a coroa da vocação nas alturas de Deus em Cristo Jesus. — Palavra do Senhor.

Salmo de Meditação                                                           Sl 15,1-2.7-8.11
R. Ó Senhor, sois minha herança.

= Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio! +
Digo ao Senhor: “Somente vós sois meu Senhor: *
nenhum bem eu posso achar fora de vós!”
Ó Senhor, sois minha herança e minha taça, *
meu destino está Seguro em vossas mãos!

Eu bendigo o Senhor, que me aconselha, *
e até de noite me adverte o coração.
Tenho sempre o Senhor ante meus olhos, *
pois se o tenho a meu lado não vacilo,

= Vós me ensinais vosso caminho para a vida, +
junto de vós, felicidades sem limites, *
delícia eterna e alegria ao vosso lado!

Aclamação Ao Evangelho

R. Aleluia, aleluia, aleluia.
V. Lança sobre o Senhor teus cuidados, porque ele há de ser teu
sustento e jamais ele irá permitir que o justo para sempre vacile!

Evangelho                                                                                  Lc 12,22-31

“Buscai antes ó seu reino e isto recebereis de acréscimo”.

Evangelho de Jesus + Cristo Segundo Lucas: E Jesus, virando-se para os discípulos, disse: Por isso vos digo: não vos preocupeis com a vida, o que comereis, nem com o corpo, o que vestireis, porque a vida é mais do que o alimento e o corpo mais do que o vestido. Olhai os corvos, não semeiam nem ceifam, não têm despensa nem celeiro, mas Deus os alimenta. Quanto mais valeis vós do que as aves? Quem de vós, com os cuidados, pode acrescentar um côvado à duração da vida? Se, pois, não podeis fazer o menos porque vos inquietais com o mais? Olhai os lírios, como crescem. Não trabalham nem tecem, mas eu vos digo: nem Salomão com toda a glória se vestiu como um deles. Se é assim que Deus veste a erva, que, hoje está no campo e amanhã será lançada no forno, quanto mais a vós, homem de pequenina fé? Não vos inquieteis com o que haveis de comer ou de beber nem andeis em ansiedade, porque os pagãos de todo ó mundo é que buscam tudo isso. Vosso Pai sabe que tendes necessidade de tais coisas. Vós, porém, buscai antes o seu reino e isto recebereis de acréscimo. — Palavra da Salvação.

Sobre as oferendas
Aceitai com bondade, Senhor nosso Deus, pelos méritos de São Pedro de Alcântara, esta nossa oblação, que ele, tocando com suas mãos puríssimas, ofereceu à vossa majestade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Antífona da comunhão  - Sl 33,9
Provai e vede quão suave é o Senhor!
Feliz o homem que tem nele o seu refúgio!

Depois da comunhão
Ó Deus todo-poderoso, concedei que também nós mereçamos receber os frutos colhidos por São Pedro de Alcântara deste celeste banquete.  Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Oração pelo Brasil
Ó grande amante da Cruz e servo fiel do divino Crucificado, São Pedro de Alcântara; à vossa poderosa proteção foi confiada a nossa querida Pátria brasileira com todos os seus habitantes.
Como varão de admirável penitência e altíssima contemplação, alcançai aos vossos devotos estes dons tão necessários à salvação.
Livrai o Brasil dos flagelos da peste, fome e guerra e de todo mal. Restituí à Terra de Santa Cruz a união da fé e o verdadeiro fervor nas práticas da religião.
De modo particular, vos recomendamos, excelso Padroeiro do Brasil, aqueles que nos   foram dados por guias e mestres: os padres e religiosos.
Implorai numerosas e boas vocações para o nosso país.
Inspirai aos pais de família uma santa reverência a fim de educarem os filhos no temor de Deus não se negando a dar ao altar o filho que Nosso Senhor escolher para seu sagrado ministério.
Assisti, ó grande reformador da vida religiosa, aos sacerdotes e missionários nos múltiplos perigos de que esta vida está repleta.
Alcançai-lhes a graça da perseverança na sublime vocação e na árdua tarefa que por vontade divina assumiram.
Lá dos céus onde triunfais, abençoai aos milhares de vossos protegidos e fazei-nos um dia cantar convosco a glória de Deus na bem-aventurança eterna. Assim seja.

19 de outubro


SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA
Presbítero (1499-1562)
PADROEIRO PRINCIPAL DO BRASIL


S. PEDRO nasceu em 1499. Depois de estudos feitos em Salamanca, entrou para os Frades Menores e, ordenado sacerdote, desempenhou diversos cargos na Ordem. Em 1554 obteve a licença de consagrar-se à observância mais estrita da Regra. Começou, então, a acolher seguidores, aos quais iniciou numa vida de austera pobreza, jejum e penitência e de oração mais prolongada.
Impulsionado pelo zelo das almas, dedicou-se com grande fruto à pregação. E, com seus conselhos ajudou Santa Teresa de Ávila em sua atividade reformadora entre as Carmelitas. Deixou também obras escritas, nas quais narra a própria experiência ascética, baseada, sobretudo na devoção para com a paixão de Cristo. Morreu aos 18 de outubro de 1562.
São Pedro de Alcântara foi confirmado Padroeiro do Brasil, por solicitação de D. Pedro I, pelo Papa Leão XII, em 31 de maio de 1826.

Laudes e Vésperas

Hino

De ilustres pais nascido
por Deus tudo deixou:
mais pobre do que os pobres
em breve se tornou.

Seu corpo castigava,
domava com rigor,
a compensar as faltas
do mundo pecador.

Buscou a fome e a sede,
de saco se vestiu;
a tantos quis salvar,
e a si é que puniu.

Cilício que trazia,
o hábito escondeu;
porém sangue manava
de cada membro seu.

Da Ordem dos Menores
foi glória sem igual;
aos filhos preste agora
ajuda paternal!

Louvor ao Pai e ao Filho
ao Espírito também;
saudemos uns aos outros,
cantando: “Paz e Bem!”

Antífonas, salmos e cânticos do Comum dos Pastores, exceto:

Antífona do Benedictus
Ant. Derramou sobre o povo torrente de graças e recebeu do Senhor a veste da glória como justa expressão da perfeita virtude.

Oração
Ó Deus, que ilustrastes São Pedro de Alcântara com os dons de admirável penitência e de altíssima contemplação, concedei, por seus méritos, que, mortificados na carne, mereçamos participar dos bens celestes.  Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Antífona do Magnificat
Ant. Vivendo na carne caminhava no Espírito.  Nada quis sobre a terra; sem cessar se ocupava das coisas do céu.

19 de outubro: SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA, PRESBÍTERO E PADROEIRO DO BRASIL.


1ª Leitura (Ef 1,11-14): Irmãos: Em Cristo fomos constituídos herdeiros, por termos sido predestinados, segundo os desígnios d’Aquele que tudo realiza conforme a decisão da sua vontade, para sermos um hino de louvor da sua glória, nós que desde o começo esperamos em Cristo. Foi n’Ele que vós também, depois de ouvirdes a palavra da verdade, o Evangelho da vossa salvação, abraçastes a fé e fostes marcados pelo Espírito Santo. E o Espírito Santo prometido é o penhor da nossa herança, para a redenção do povo que Deus adquiriu para louvor da sua glória.

Salmo Responsorial: 32
R. Feliz o povo que o Senhor escolheu para sua herança.

Justos, aclamai o Senhor, os corações retos devem louvá-l’O. Cantai-Lhe um cântico novo, cantai-Lhe com arte e com alma.

A palavra do Senhor é reta, da fidelidade nascem as suas obras. Ele ama a justiça e a retidão, a terra está cheia da bondade do Senhor.

Feliz a nação que tem o Senhor por seu Deus, o povo que Ele escolheu para sua herança. Do Céu o Senhor contempla e observa todos os homens.

Aleluia. Desça sobre nós a vossa bondade, porque em Vós esperamos, Senhor. Aleluia.

Evangelho (Lc 12,1-7): Entretanto, milhares de pessoas se ajuntaram, a ponto de uns pisarem os outros. Jesus começou a falar, primeiro a seus discípulos: Cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. Não há nada de oculto que não venha a ser revelado, e não há nada de escondido que não venha a ser conhecido. Portanto, tudo o que tiverdes dito na escuridão, será ouvido à luz do dia; e o que tiverdes pronunciado ao pé do ouvido, nos quartos, será proclamado sobre os telhados. A vós, porém, meus amigos, eu digo: não tenhais medo dos que matam o corpo e depois não podem fazer mais nada. Vou mostrar-vos a quem deveis temer: temei Aquele que, depois de fazer morrer, tem o poder de lançar-vos no inferno. Sim, eu vos digo, a este deveis temer. Não se vendem cinco pardais por duas moedinhas? No entanto, nenhum deles é esquecido por Deus. Até mesmo os cabelos de vossa cabeça estão todos contados. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais.

«Não temais, pois. Mais valor tendes vós do que numerosos pardais»

Pe. Salomon BADATANA (Wau, Sudão do Sul)

S. Paulo da Cruz, presbítero
Hoje, contemplamos Nosso Senhor Jesus Cristo dirigindo-se à multidão depois de se ter enfrentado com as autoridades religiosas judaicas, ou seja, com os fariseus e os escribas. O Evangelho conta-nos que a multidão era tão grande que se atropelavam uns aos outros. Aí fica claro que estavam sedentos da Palavra de Jesus, que falava com tão extraordinária autoridade aos seus líderes religiosos.

Mas S. Lucas informa-nos que, antes de mais, Jesus começou a falar aos seus discípulos dizendo: «Guardai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia» (Lc 12,1). Nosso Senhor quer levar-nos à prática da sinceridade e transparência, superando a hipocrisia com que procediam os fariseus e os escribas, pois mostravam uma atitude externa não conforme com o seu caminho interior de vida: fingiam ser o que não eram.

É contra isto que Jesus nos quer prevenir no Evangelho de hoje quando diz: «Nada há escondido que não venha a ser conhecido.» (Lc 12,2). Sim, tudo virá a ser revelado. Por este motivo devemos lutar para ajustar a nossa vida de acordo com o que professamos e proclamamos. Obviamente, isto não é fácil. Mas não devemos temer, pois o nosso Deus está atento. Tal como disse S. João Paulo II, «o amor de Deus não impõe cargas que não possamos levar (…). Porque para tudo o que nos peça, Ele nos capacitará com a ajuda necessária». Nada se passa sem que Ele o saiba. Até os nossos cabelos estão contados! Sim, nós temos valor perante Deus. Não tenhamos medo, pois o seu amor não tem limites.

Senhor, concede-nos a sabedoria para conduzirmos a nossa vida de acordo com as exigências da nossa fé, mesmo no meio das dificuldades deste mundo. Amém.

«Cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia»

P. Raimondo M. SORGIA Mannai OP (San Domenico di Fiesole, Florença, Itália).

Hoje o Senhor nos convida a refletir sobre um tipo de má levedura que não fermenta o pão, mas sim o engrandece em aparência, deixando-o cru e incapaz de nutrir: Cuidado com o fermento dos fariseus; (Lc 12,1). Chama-se hipocrisia e é somente aparência de bem, máscara feita com farrapos de cores atraentes, mas encobrem vícios e deformidades morais, infecções no espírito e micróbios que sujam o pensamento e, por tanto, a própria existência.

Por isso, Jesus, adverte ter cuidado com esses usurpadores que, ao predicar com maus exemplos e com o brilho de palavras mentirosas, tentam semear ao redor uma infecção. Lembro que um jornalista, brilhante por seu estilo e professor de filosofia, quis afrontar a posição da Igreja sobre a questão do matrimônio entre homossexuais. E, com passo alegre e uma grande quantidade de sofismas enormes como elefantes, tentou contrariar as boas razões que o Magistério expôs em um documento recente. Vemos aqui um fariseu de nossos dias, que depois de ter-se declarado batizado e crente, afastou-se do pensamento da Igreja e do espírito de Cristo, pretendendo passar por mestre, acompanhante e guia dos fieis.

Passando a outro assunto, o Mestre aconselha distinguir entre medo e medo: não tenhais medo dos que matam o corpo e depois não podem fazer mais nada, (Lc 12,4), seriam os perseguidores da ideia cristã, que matam a dezenas de fieis em tempos de caçar homens ou de vez em quando a testemunhas singulares de Jesus Cristo.

Medo absolutamente diverso e motivado é o poder perder o corpo e a alma e, isso está nas mãos do Juiz divino; não que morra a alma (seria uma sorte para o pecador), mas sim que goste de uma amargura que se pode chamar de mortal no sentido de absoluta e interminável. Se escolheres viver bem aqui, não serás enviado às penas eternas. Aqui não podes escolher não morrer, em quanto vives escolhe o não morrer eternamente (Santo Agostinho).

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* O evangelho de hoje traz uma última crítica de Jesus contra as autoridades religiosas do seu tempo.

* Lucas 12,1ª: Milhares buscam Jesus
“Enquanto isso, milhares de pessoas se reuniram, de modo que uns pisavam nos outros”. Esta frase deixa transparecer a enorme popularidade de Jesus e o desejo do povo de encontrar-se com ele (cf. Mc 6,31; Mt 13,2). Deixa transparecer também o abandono em que se encontrava o povo. “São como ovelhas sem pastor”, dizia Jesus em outra ocasião quando via a multidão aproximar-se dele para ouvir a sua palavra (Mc 6,34).

* Lucas 12,1b: Cuidado com a hipocrisia
“Jesus começou a falar, primeiro a seus discípulos: "Tomem cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia”. Marcos já falava do fermento dos fariseus e dos herodianos e sugeria que se tratava da mentalidade ou da ideologia dominante da época que esperava um messias glorioso e poderoso (Mc 8,15; 8,31-33). Aqui no nosso texto, Lucas identifica o fermento dos fariseus com a hipocrisia. Hipocrisia é uma atitude que inverte os valores. Esconde a verdade. Mostra uma casca bonita que encobre e disfarça a podridão dentro da casca. No caso, a hipocrisia era a casca aparente da fidelidade máxima à palavra de Deus que escondia a contradição da vida deles. Jesus quer o contrário. Quer a coerência que não deixa no escondido.

* Lucas 12,2-3: O escondido será revelado
“Não há nada de escondido que não venha a ser revelado, e não há nada de oculto que não venha a ser conhecido. Pelo contrário, tudo o que vocês tiverem feito na escuridão, será ouvido à luz do dia; e o que vocês tiverem pronunciado em segredo, nos quartos, será proclamado sobre os telhados".  É a segunda vez que Lucas fala deste assunto (cf. Lc 8,17). Em vez da hipocrisia dos fariseus que esconde a verdade, os discípulos devem ter a sinceridade. Não devem ter medo da verdade. Jesus os convida a partilhar com os outros os ensinamentos que dele aprenderam. Os discípulos não podem conservá-los só para si, mas devem divulgá-los. Um dia, as máscaras vão cair e tudo será revelado às claras, proclamado sobre os telhados (cf. Mt 10,26-27).  

* Lucas 12,4-5: Não ter medo
“Pois bem, eu digo a vocês, meus amigos: não tenham medo daqueles que matam o corpo, e depois disso nada mais têm a fazer. Vou mostrar a quem vocês devem temer: tenham medo daquele que, depois de ter matado, tem poder de jogá-los no inferno. Eu lhes digo: é a este que vocês devem temer”. Aqui Jesus se dirige aos seus amigos, os discípulos e discípulas. Eles não devem ter medo daqueles que matam o corpo, que torturam, machucam e fazem sofrer. Os torturadores podem até matar o corpo, mas não conseguem matar neles a liberdade e o espírito. Devem ter medo, isto sim, de que o medo do sofrimento os leve a esconder ou a negar a verdade e, assim, os faça ofender a Deus. Pois quem se afasta de Deus se perde para sempre.

* Lucas 12,6-7: Vocês valem mais que muitos pardais
“Não se vendem cinco pardais por alguns trocados? No entanto, nenhum deles é esquecido por Deus. Até mesmo os cabelos da cabeça de vocês estão todos contados. Não tenham medo! Vocês valem mais do que muitos pardais”. Os discípulos não devem ter medo de nada, pois eles estão na mão de Deus. Jesus manda olhar os passarinhos. Dois pardais se vendem por poucos centavos e, no entanto nenhum pardal cai no chão sem o consentimento do Pai. Até os cabelos na cabeça estão contados. Lucas diz que nenhum cabelo cai sem a licença do Pai (Lc 21,18). E caem tantos cabelos! Por isso, “não tenham medo. Vocês valem muito mais que muitos pardais”. É a lição que Jesus tirou da contemplação da natureza. (cf. Mt 10,29-31).

* A contemplação da natureza
No Sermão da Montanha, a mensagem mais importante, Jesus a tirou da contemplação da natureza. Ele diz: "Vocês ouviram o que foi dito: 'Ame o seu próximo, e odeie o seu inimigo!' Eu, porém, lhes digo: amem os seus inimigos, e rezem por aqueles que perseguem vocês! Assim vocês se tornarão filhos do Pai que está no céu, porque ele faz o sol nascer sobre maus e bons, e a chuva cair sobre justos e injustos. Portanto, sejam perfeitos como é perfeito o Pai de vocês que está no céu." (Mt 5,43-45.48). A observação do ritmo do sol e da chuva levaram Jesus e esta afirmação revolucionária: “Eu lhes digo amem os seus inimigos!” O mesmo vale para o convite de olhar os lírios do campo e as aves do céu (Mt 6,25-30). Esta surpreendente atitude contemplativa diante da natureza levou Jesus a criticar verdades aparentemente eternas. Seis vezes em seguida ele teve a coragem de corrigir publicamente a Lei de Deus: “Antigamente foi dito, mas eu digo...”. A descoberta feita na contemplação renovada da natureza tornou-se para ele uma luz muito importante para reler a história com outros olhos e descobrir nela luzes que antes não eram percebidas. Hoje está em andamento uma nova visão do universo. As descobertas da ciência a respeito da imensidão do macrocosmo e do microcosmo estão sendo fonte de uma nova contemplação do universo, Já está começando a crítica de muitas verdades aparentemente eternas.

Para um confronto pessoal
1) O escondido será revelado. Tem em mim algo do qual tenho medo de que seja revelado?
2) A contemplação dos pardais e das coisas da natureza levaram Jesus a atitudes novas e surpreendentes que revelavam a bondade gratuita de Deus. Tenho costume de contemplar a natureza?