segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Terça-feira da 29ª semana do Tempo Comum

Sto Antônio Maria Claret, Bispo
Evangelho (Lc 12,35-38): Naquele tempo, o Senhor disse aos seus discípulos: Ficai de prontidão, com o cinto amarrado e as lâmpadas acesas. Sede como pessoas que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento, para lhe abrir a porta, logo que ele chegar e bater. Felizes os servos que o Senhor encontrar acordados quando chegar. Em verdade, vos digo: ele mesmo vai arregaçar sua veste, os fará sentar à mesa e passará para servi-los. E caso ele chegue pela meia-noite ou já perto da madrugada, felizes serão, se assim os encontrar!

«Sede como pessoas que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento»

Rev. D. Miquel VENQUE i To (Barcelona, Espanha)

Hoje é necessário reparar nessas palavras de Jesus: Sede como pessoas que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento, para lhe abrir a porta, logo que ele chegar e bater (Lc 12,36) Que alegria descobrir que, apesar de ser pecador e pequeno, eu próprio abrirei a porta ao Senhor quando ele chegar! Sim, no momento da minha morte serei eu quem abra a porta ou a feche, ninguém o poderá fazer por mim. Persuadamo-nos que Deus nos pedirá contas não apenas pelas nossas ações e palavras, mas também pela forma como utilizamos o tempo (S. Gregório Nazianzeno).

Estar à porta e com os olhos abertos é uma orientação-chave e, ao meu alcance. Não me posso distrair. Estar distraído é esquecer o objetivo, querer ir para o céu mas sem uma vontade operativa; é fazer bolas de sabão sem um desejo comprometido e avaliável. Ter posto um avental significa estar na cozinha, preparado até ao último detalhe. O meu pai, que era agricultor, dizia que não se pode semear se a terra não está no momento; para fazer uma boa semeadura é necessário passear pelo campo e tocar nas sementes com atenção.

O cristão não é um náufrago sem bússola, ele sabe de onde vem, para onde vai e como chegar; conhece o objetivo os meios para ir e as dificuldades. Ter isto em conta nos ajudará a vigiar e a abrir a porta quando o Senhor nos avise. A exortação à vigilância e à responsabilidade repetem-se com frequência na predicação de Jesus por duas razões óbvias: porque Jesus nos ama e nos vela; o que ama não adormece. E, porque o inimigo, o diabo, não para de nos tentar. O pensamento do céu e do inferno não nos poderá distrair nunca das nossas obrigações da vida presente, mas é um pensamento saudável e encarnado, e merece a felicitação do Senhor: E caso ele chegue pela meia-noite ou já perto da madrugada, felizes serão, se assim os encontrar!(Lc 12,38). Jesus, ajuda-me a viver atento e vigilante cada dia, amando-te sempre.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* Por meio da parábola o evangelho de hoje traz uma exortação à vigilância.

* Lucas 12,35: Exortação à vigilância
"Estejam com os rins cingidos e com as lâmpadas acesas”. Cingir-se significava amarrar um pano ou uma corda ao redor da veste talar, para que ela não atrapalhasse os movimentos do corpo. Estar cingido significava estar preparado, pronto para ação imediata. Na véspera da saída do Egito, na hora de celebrar a páscoa, os israelitas deviam estar cingidos, isto é, preparados, prontos para poder partir imediatamente (Ex 12,11). Quando alguém ia trabalhar, lutar ou executar uma tarefa ele se cingia (Ct 3,8). Na carta aos Efésios, Paulo descreve a armadura de Deus e diz que os rins devem estar cingidos com o cíngulo da verdade (Ef 6,14). As lâmpadas deviam estar acesas, pois a vigilância é tarefa tanto para o dia como para a noite. Sem luz não se anda na escuridão da noite.

* Lucas 12,36: A parábola
Para explicar o que significa de estar cingido, Jesus conta uma pequena parábola. “Sejam como homens que estão esperando o seu senhor voltar da festa de casamento: tão logo ele chega e bate, eles imediatamente vão abrir a porta”. A tarefa de aguardar a chegada do patrão exige uma vigilância constante e permanente, sobretudo quando é de noite, pois, o patrão não tem hora marcada. Ele pode voltar a qualquer momento. O empregado deve estar atento, vigilante sempre!

* Lucas 12,37: Promessa de felicidade
“Felizes dos empregados que o senhor encontra acordados quando chega. Eu garanto a vocês: ele mesmo se cingirá, os fará sentar à mesa, e, passando, os servirá”. Aqui, nesta promessa de felicidade, os papéis se invertem. O patrão se torna empregado e começa a servir ao empregado que virou patrão. Evoca Jesus na última ceia que, mesmo sendo senhor e mestre, se fez servidor e empregado de todos (Jo 13,4-17). A felicidade prometida tem a ver com o futuro, com a felicidade no fim dos tempos, e é o oposto daquilo que Jesus prometeu numa outra parábola que dizia: “Se alguém de vocês tem um empregado que trabalha a terra ou cuida dos animais, por acaso vai dizer-lhe, quando ele volta do campo: Venha depressa para a mesa? Pelo contrário, não vai dizer ao empregado: 'Prepare-me o jantar, cinja-se e sirva-me, enquanto eu como e bebo; depois disso você vai comer e beber'? Será que vai agradecer ao empregado, porque este fez o que lhe havia mandado? Assim também vocês: quando tiverem cumprido tudo o que lhes mandarem fazer, digam: Somos empregados inúteis; fizemos o que devíamos fazer" (Lc 17,7-10).

* Lucas 12,38: Repete a promessa de felicidade
“E caso ele chegue à meia-noite ou às três da madrugada, felizes serão se assim os encontra!” Repete a promessa de felicidade que exige vigilância total. O patrão pode voltar meia noite, três da madrugada, ou qualquer outra hora. O empregado deve estar acordado, cingido, pronto para poder entrar em ação.

Para um confronto pessoal
1) Somos empregados de Deus. Devemos estar cingidos, de prontidão, atentos e vigilantes, vinte e quatro horas por dia. Você está conseguindo? Como faz?
2) A promessa de felicidade futura é a inversão do presente. O que isto nos revela sobre a bondade de Deus para conosco, para comigo?

domingo, 22 de outubro de 2017

Segunda-feira da 29ª semana do Tempo Comum

Evangelho (Lc 12,13-21): Alguém do meio da multidão disse a Jesus: Mestre, diz ao meu irmão que reparta a herança comigo. Ele respondeu: Homem, quem me encarregou de ser juiz ou árbitro entre vós? E disse-lhes: Atenção! Guardai-vos de todo tipo de ganância, pois mesmo que se tenha muitas coisas, a vida não consiste na abundância de bens. E contou-lhes uma parábola: A terra de um homem rico deu uma grande colheita. Ele pensava consigo mesmo: Que vou fazer? Não tenho onde guardar minha colheita. Então resolveu: Já sei o que fazer! Vou derrubar meus celeiros e construir maiores; neles vou guardar todo o meu trigo, junto com os meus bens. Então poderei dizer a mim mesmo: Meu caro, tens uma boa reserva para muitos anos. Descansa, come, bebe, goza a vida! Mas Deus lhe diz: Tolo! Ainda nesta noite, tua vida te será retirada. E para quem ficará o que acumulaste? Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não se torna rico diante de Deus.

«A vida não consiste na abundância de bens»

Frei Lluc TORCAL Monge do Monastério de Sta. Mª de Poblet (Santa Maria de Poblet, Tarragona, Espanha)

Hoje, o Evangelho, se não nos tapamos os ouvidos e não fechamos os olhos, provocará em nós uma grande comoção pela sua clareza: E disse então ao povo: Guardai-vos escrupulosamente de toda a avareza, porque a vida de um homem, ainda que ele esteja na abundância, não depende de suas riquezas (Lc 12,15). Que é o que garante a vida do homem?

Sabemos muito bem em que está garantida a vida de Jesus, porque Ele mesmo disse: Pois como o Pai tem a vida em si mesmo, assim também deu ao Filho o ter a vida em si mesmo (Jo 5,26). Sabemos que a vida de Jesus não somente procede do Pai, mas que consiste em fazer sua vontade, já que este é seu alimento, e a vontade do Pai equivale a realizar sua grande obra de salvação entre os homens, dando a vida por seus amigos, signo do mais sublime amor. A vida de Jesus é, pois, uma vida recebida totalmente do Pai e entregada totalmente ao mesmo Pai e, por amor ao Padre, aos homens. A vida humana poderá ser então suficiente em si mesma? Poderá negar-se que nossa vida é um dom, que a recebemos e que, somente por isso, já devemos agradecer? Que ninguém pense que é dono de sua própria vida (São Jerônimo).

Seguindo esta lógica, só falta perguntar-nos: Que sentido pode ter nossa vida se se encerra em si mesma, se tem prazer ao dizer: E direi à minha alma: ó minha alma, tens muitos bens em depósito para muitíssimos anos; descansa, come, bebe e regala-te (Lc 12,19) Se a vida de Jesus é um dom recebido e entregue sempre em amor, nossa vida; que não podemos negar ter recebido; deve converter-se, seguindo à de Jesus, em uma doação total a Deus e aos irmãos, porque, Quem ama a sua vida, perdê-la-á; mas quem odeia a sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna (Jo 12,25).

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* O episódio narrado no evangelho de hoje só se encontra no Evangelho de Lucas e não tem paralelo nos outros evangelhos. Ele faz parte da longa descrição da viagem de Jesus, desde a Galileia até Jerusalém (Lc 9,51 a 19,28), na qual Lucas colocou a maior parte das informações que ele conseguiu coletar a respeito de Jesus e que não se encontram nos outros três evangelhos (cf. Lc 1,2-3). O evangelho de hoje traz a resposta de Jesus à pessoa que lhe pediu para ser mediador na repartição de uma herança.

* Lucas 12,13: Um pedido para repartir herança
“Do meio da multidão, alguém disse a Jesus: "Mestre, dize ao meu irmão que reparta a herança comigo". Até hoje, a distribuição da herança entre os familiares sobreviventes é sempre uma questão delicada e, muitas vezes, ocasião de brigas e tensões sem fim. Naquele tempo, a herança tinha a ver também com a identidade das pessoas (1Rs 21,1-3) e com a sua sobrevivência (Nm 27,1-11; 36,1-12). O problema maior era a distribuição das terras entre os filhos do falecido pai. Sendo a família grande, havia o perigo de a herança se esfacelar em pequenos pedaços de terra que já não poderiam garantir a sobrevivência de todos. Por isso, para evitar o esfacelamento ou desintegração da herança e manter vivo o nome da família, o mais velho recebia o dobro dos outros filhos (Dt 21,17; cf. 2Rs 2,11).

* Lucas 12,14-15: Resposta de Jesus: cuidado com a ganância
“Jesus respondeu: "Homem, quem foi que me encarregou de julgar ou dividir os bens entre vocês?" Na resposta de Jesus transparece a consciência que ele tinha da sua missão. Jesus não se sente enviado por Deus para atender ao pedido de arbitrar entre os parentes que brigam entre si por causa da repartição da herança. Mas o pedido do homem despertou nele a missão de orientar as pessoas, pois “ele falou a todos: Atenção! Tenham cuidado com qualquer tipo de ganância. Porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas, a sua vida não depende de seus bens". Fazia parte da sua missão esclarecer as pessoas a respeito do sentido da vida. O valor de uma vida não consiste em ter muitas coisas, mas sim em ser rico para Deus (Lc 12,21). Pois, quando a ganância toma conta do coração, não há como repartir a herança com equidade e paz.

* Lucas 12,16-19: Parábola que faz pensar no sentido da vida
Em seguida, Jesus conta uma parábola para ajudar as pessoas a refletir sobre o sentido da vida: "A terra de um homem rico deu uma grande colheita. E o homem pensou: O que vou fazer? Não tenho onde guardar minha colheita”. O homem rico está totalmente fechado dentro da preocupação com os seus bens que aumentaram de repente por causa de uma colheita abundante. Ele só pensa em acumular para garantir-se uma vida despreocupada. Ele diz: “Já sei o que fazer! Vou derrubar meus celeiros e construir outros maiores; e neles vou guardar todo o meu trigo, junto com os meus bens. Então poderei dizer a mim mesmo: meu caro, você possui um bom estoque, uma reserva para muitos anos; descanse, coma e beba, alegre-se!”

* Lucas 12,20: Primeira conclusão da parábola
“Mas Deus lhe disse: Louco! Nesta mesma noite você vai ter que devolver a sua vida. E as coisas que você preparou, para quem vão ficar?” A morte é uma chave importante para redescobrir o sentido verdadeiro da vida. Ela relativiza tudo, pois mostra o que perece e o que permanece. Quem só busca o ter e esquece o ser perde tudo na hora da morte. Aqui transparece um pensamento muito frequente nos livros sapienciais: para que acumular bens nesta vida, se você não sabe para quem vão ficar os bens que você acumulou, nem sabe o que vai fazer o herdeiro com aquilo que você deixou para ele (Ecle 2,12.18-19.21).

* Lucas 12,21: Segunda conclusão da parábola
“Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico para Deus”. Como tornar-se rico para Deus? Jesus deu várias sugestões e conselhos: quem quer ser o primeiro, seja o último (Mt 20,27; Mc 9,35; 10,44); é melhor dar que receber (At 20,35); o maior é o menor (Mt 18,4; 23,11; Lc 9,48) preserva vida quem perde a vida (Mt 10,39; 16,25; Mc 8,35; Lc 9,24).

Para um confronto pessoal
1) O homem pediu a Jesus para ajudar na repartição da herança. E você, o que você pede a Deus nas suas orações?
2) O consumismo cria necessidades e desperta em nós a ganância. Como você faz para não ser vítima da ganância provocado pelo consumismo?

sábado, 21 de outubro de 2017

XXIX Domingo do Tempo Comum

Textos: Isaias 45, 1, 4-6; 1 Tess 1, 1-5; Mateus 22, 15-21

S. João Paulo II, Papa
da Fraternidade do Escapulário
Evangelho (Mt 22,15-21): Os fariseus saíram e fizeram um plano para apanhar Jesus em alguma palavra. Mandaram os seus discípulos, junto com alguns partidários de Herodes, para perguntar: «Mestre, sabemos que és verdadeiro e que ensinas o caminho de Deus segundo a verdade. Não te deixas influenciar por ninguém, pois não olhas a aparência das pessoas. Dize-nos o que pensas: é permitido, ou não, pagar imposto a César?». Jesus percebeu-lhes a maldade e disse: «Hipócritas! Por que me armais uma cilada? Mostrai-me a moeda do imposto!». Apresentaram-lhe a moeda. «De quem é esta figura e a inscrição?», perguntou ele. «De César», responderam. Ele então lhes disse: «Devolvei, pois, a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus»

«Devolvei, pois, a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus»

P. Antoni POU OSB Monge de Montserrat (Montserrat, Barcelona, Espanha)

Hoje, apresenta-se nos para nossa consideração uma “famosa” afirmação de Jesus Cristo: «A César o que é de César e a Deus, o que é de Deus» (Mt 22,21).

Não entenderíamos bem esta frase sem levar em conta o contexto no qual Jesus a pronuncia: «Os fariseus saíram e fizeram um plano para apanhar Jesus em alguma palavra» (Mt 22,15), e Jesus advertiu a sua maldade (cf. v. 18). Assim, pois a resposta de Jesus está calculada. Ao ouvi-la, os fariseus ficaram surpreendidos, não a esperavam. Se claramente, tivesse ido em contra do César, lhe teriam podido denunciar; se tivesse ido claramente a favor de pagar o tributo ao César, teriam marchado satisfeitos de sua astúcia. Mas Jesus Cristo, sem falar em contra do César, o tem relativizado: tem que dar a Deus o que é de Deus, e Deus é Senhor inclusive dos poderes deste mundo.

O César, como todo governante, não pode exercer um poder arbitrário, porque seu poder lhe é dado como “prenda” ou garantia; como os servos da parábola dos talentos, que têm que responder ante o Senhor pelo uso dos talentos. No Evangelho de São João, Jesus diz a Pilatos: «Tu não terias poder algum sobre mim, se não te fosse dado do alto» (Jo 19,11). Jesus não quer apresentar-se como um agitador político. Simplesmente, põe as coisas em seu lugar.

A interpretação que se tem feito às vezes de Mt 22,21 é que a Igreja não deveria “imiscuir-se em política”, senão somente ocupar-se do culto. Mas esta interpretação é totalmente falsa, porque ocupar-se de Deus não é só ocupar-se do culto, senão preocupar-se pela justiça, e pelos homens, que são os filhos de Deus. Pretender que a Igreja permaneça nas sacristias, que se faça de surda, cega e muda ante os problemas morais e humanos de nosso tempo, é tirar de Deus o que é de Deus. «A tolerância que só admite Deus como opinião privada, mas que lhe nega o domínio público (...) não é tolerância, senão hipocrisia» (Bento XVI).

Ao César, o tributo; e a Deus, o culto, e não o contrário.

Pe. Antonio Rivero L.C.

Resumo da mensagem: O Evangelho não afasta os cristãos da política, mas quer que o cristão participe com especial responsabilidade e testemunho da construção do bem comum. O difícil é como fundamentar no evangelho este compromisso, isto é, como uni-lo ao compromisso religioso para que não se perpetue aquela nefasta separação entre fé e práxis, entre o tributo que devemos dar a Deus e o tributo que devemos dar ao César. A Palavra de Deus nos ajuda hoje neste problema.

Em primeiro lugar, a Palavra de Jesus afirma que o Reino de Deus e o de César não se excluem, como pensavam os judeus. Agora bem, Jesus deixa bem claro que o poder político e militar são radicalmente relativizados, enquanto que o Reino de Deus é absoluto. A pergunta que lhe fizeram os fariseus e os de Herodes não era uma pergunta, mas uma armadilha para lobo: se Jesus disser que não paguem ao César, entra em jogo a sua cabeça; mas se disser que paguem, então entra em jogo o prestígio e, com ele, a sua campanha eleitoral pelo reinado dos céus. A pergunta era uma hipocrisia, uma tentação. Tentação de idolatria. A moeda do tributo era o denário, que levava a inscrição: “Tiberius divus et pontifex máximus” (Tibério, deus e sumo pontífice). E o segundo mandamento do decálogo dizia: “Não esculpirás imagem alguma, nada se pareça ao que existe lá em cima no céu…” (Ex 20, 4; Dt 4, 15-20). Por isso Jesus responde: a César o que é de César, que é a obediência para com a autoridade nas coisas que mandem respeitando a Lei de Deus, e o que é de Deus a Deus, que é a adoração. Velas, uma e somente para Deus. Prevê-nos do fanatismo, absolutismo e sacralização da política.

Em segundo lugar, como deve se comportar então um cristão, um discípulo de Cristo diante do reino de César, isto é, diante do Estado e da ordem constituída? Obediência ou liberdade? Este é o dilema de sempre. O Novo Testamento resolve este dilema: o discípulo de Cristo fica livre não só para resistir ao Estado, mas também para obedecê-lo. O Estado não é um absoluto, um poder divino, como era antes da vinda de Cristo. Cristo modificou o conceito de poder e o substitui com o serviço. Os nossos césares ou governantes de hoje entendem isso? O discípulo de Cristo pode aceitar o poder estatal em liberdade, sem o medo de cair no Estado-latria, ou seja, no culto ao estado ou ao imperador. Só dará o seu tributo ao César quando tem consciência de que será um compromisso justo para a transformação da sociedade, quando tem consciência de que a sua colaboração com as leis, os votos e os impostos será construtiva, e quando essas leis emanadas do poder civil concordem e respeitem a Lei divina.

Finalmente, quando é que um discípulo de Cristo deve dizer “não” ao poder estatal e fazer resistência? Quando a liberdade deve prevalecer sobre a obediência? Também o Novo Testamento responde: quando está em jogo a própria fé, isto é, quando o Estado se desvia dos planos de Deus e se erige de novo como absoluto, como era antes de Cristo, e não permite mais “dar a Deus o que é de Deus”. Não devemos dar o nosso voto para políticos vivedores, insolventes, corruptos, golfos com dinheiro dos nossos impostos, governantes prepotentes, totalitários, antidemocráticos, que criam um Estado absoluto. Não demos o nosso voto para governantes que emitem ou propõem leis em contra do bem comum, que atacam o matrimonio, a família, a vida, a liberdade de ensino, a propriedade privada, o homem e Deus. Esta situação se repete hoje, em alguns regimes políticos, onde a Igreja é forçada a guardar silêncio e o cristão não pode – não deve- com toda a sua lealdade dizer um “sim” incondicional a tal Estado. O cristão se encontra num verdadeiro estado de perseguição. E às vezes até em situação de martírio.

Para refletir: Somos conscientes de que “dar a Deus o que é de Deus” significa devolver o seu absoluto poder legislativo, executivo, judicial, que está acima de todos os parlamentos, governos, partidos e Estados do mundo? Devolvemos a Deus o título de propriedade exclusiva de todos os bens da criação e nos contentamos com o título que temos, o de administradores desses bens, exercendo a sua função social: pão, trabalho, dinheiro, bens… de Deus para todos? Pensemos nesta frase de santo Agostinho: “Deo, ait, reddendus est christianus amor, régibus humanus timor” (Livro I contra Epístola Parm, c. 7: a Deus é preciso dar o amor cristão, aos reis o temor humano).

Para rezar: Quero rezar com Calderón da Barca, poeta do século XVIII espanhol: “Ao rei, a fazenda e a vida se há de dar; mas a honra é patrimônio da alma e a alma só é de Deus”. Senhor, ajudai-me a dar-Vos minha adoração, e ao estado, meu respeito e minha submissão em tudo aquilo que respeite vossa santa Lei. Mas quando o estado me peça coisas em contra da vossa santa Lei, dai-me a força de dizer “Não”, embora isso signifique a proscrição, a defenestração e o martírio.

Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail: arivero@legionaries.org

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Sábado XXVIII do Tempo Comum

Beato Carlos da Áustria
Leigo e Imperdador
Evangelho (Lc 12,8-12): Naquele tempo, o Senhor disse aos seus discípulos: Eu vos digo: todo aquele que se declarar por mim diante do povo, o Filho do Homem também se declarará a favor dele diante dos anjos de Deus. Aquele, porém, que me renegar diante do povo será renegado diante dos anjos de Deus. Todo aquele que falar uma palavra contra o Filho do Homem será perdoado. Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo não será perdoado.  Quando vos conduzirem diante das sinagogas, magistrados e autoridades, não vos preocupeis com os argumentos para vos defender, nem com o que dizer. Pois nessa hora o Espírito Santo vos ensinará o que deveis dizer.

«Aquele que se declarar por mim diante do povo, o Filho do Homem também se declarará a favor»

P. Alexis MANIRAGABA (Ruhengeri, Ruanda)

Hoje, o Senhor desperta nossa fé e esperança Nele. Jesus nos antecipa que teremos que comparecer ante o exército celestial para sermos examinados. E aquele tenha se declarado a favor de Jesus aderindo a sua missão «também o Filho do homem se declarará por Ele» (Lc 12,8). Tal confissão pública se realizará em palavras, em atos e durante toda a vida.

Esta interpelação à confissão é ainda mais necessária e urgente em nossos tempos, nos que há pessoas que não querem escutar a voz de Deus nem seguir seu caminho de vida. No entanto, a confissão de nossa fé terá a um forte seguimento. Portanto, não sejamos confessores nem por medo de um castigo, que será mais severo para os apóstatas, nem pela abundante recompensa reservada aos fieis. Nosso testemunho é necessário e urgente para a vida do mundo, Deus mesmo nos pede, tal como disse São Juan Crisóstomo: «Deus não se contenta com a fé interior; Ele pede a confissão exterior e pública, e nos move assim a uma confiança e a um amor maior».

Nossa confissão é sustentada pela força e pela garantia de seu Espírito que está ativo dentro de nós e que nos defende. O reconhecimento de Jesus Cristo ante seus anjos é de vital importância já que este feito nos permitirá vê-lo cara a cara, viver com Ele e ser inundados de sua luz. Ao mesmo tempo, o contrário não será outra coisa que sofrer e perder a vida, ficar privado da luz e despojado de todos os bens. Peçamos, pois, a graça de evitar toda negação nem que seja por medo ao suplício ou por ignorância; pelas heresias, pela fé estéril e pela falta de responsabilidade, ou porque queremos evitar o martírio. Sejamos fortes, o Espírito Santo está conosco! E «com o Espírito Santo está sempre Maria (…) e Ela tem feito possível a explosão missionária produzida em Pentecostes» (Papa Francisco).

«O Espírito Santo vos ensinará o que deveis dizer»

+ Rev. D. Albert TAULÉ i Viñas (Barcelona, Espanha)

Hoje ressoam outra vez as palavras de Jesus convidando-nos a reconhecê-lo diante dos homens. Todo aquele que se declarar por mim diante do povo, o Filho do Homem também se declarará a favor dele diante dos anjos de Deus (Lc 12,8). Estamos num tempo, em que na vida pública reivindica-se a laicidade, obrigando aos crentes a manifestar sua fé somente no âmbito privado. Quando um cristão, um presbítero, um bispo, o Papa..., diz alguma coisa publicamente, porém seja cheia de sentido comum, incomoda, somente porque vem de quem vem, como se nós, não tivéssemos direito - como todo o mundo!- a dizer o que pensamos. Por mais que lhes incomode, não podemos deixar de anunciar o Evangelho. Igualmente, o Espírito Santo vos ensinará o que deveis dizer (Lc 12,12). São Cirilo de Jerusalém, afirmava que o Espírito Santo, que habita em aqueles que estão bem dispostos, inspira-lhes como doutor aquilo que vão dizer.

As agressões que fazem aos cristãos têm uma gravidade diferente, já que não é o mesmo falar mal de um membro da Igreja (às vezes com razão, por causa de nossas deficiências), que agredir a Jesus Cristo (se o veem somente em sua dimensão humana), ou injuriar ao Espírito Santo, já seja blasfemando, já seja negando a existência e os atributos de Deus.

Também se refere ao perdão da ofensa, até mesmo quando o pecado é leve, é preciso uma atitude prévia que é o arrependimento. Se não houver arrependimento, o perdão é inviável, já que a ponte está quebrada por um lado. Por isso, Jesus diz que existem pecados que nem Deus perdoará, se não existe por parte do pecador a atitude humilde de reconhecer seu pecado (cf. Lc 12,10).

Reflexão

O contexto. No capítulo 11, que precede a nossa história, Lucas, no caminho de Jesus para Jerusalém, mostra a sua intenção de revelar as profundezas do agir misericordioso de Deus e, ao mesmo tempo, a profunda miséria que se encontra no coração do homem, e particularmente nos que têm a missão de ser testemunhas da Palavra e da ação do Espírito Santo no mundo. Jesus apresenta esses fatos com uma série de reflexões que surtem efeito no leitor: ser atraído pela força da sua Palavra até o ponto de sentir-se julgado e despojado dentro das pretensões de grandeza que perturbam o homem (9,46). Além disso, o leitor se identifica com várias atitudes que o ensinamento de Jesus suscita: antes de tudo se reconhece no discípulo no seguimento a Jesus e no envio diante dele como mensageiro do reino; no que tem dúvidas para segui-lo; no fariseu ou o doutor da lei, escravos de suas próprias interpretações e estilo de vida. Em síntese, o percurso do leitor pelo capítulo 11 é caracterizado deste encontro com o ensinamento de Jesus que revela a intimidade de Deus, o coração misericordioso de Deus, mas também a verdade do seu ser como homem. No entanto, no capítulo 12 Jesus contrapõe ao juízo pervertido do homem a benevolência de Deus, que dá sempre de modo superabundante. Está em jogo a vida do homem. Deve-se prestar atenção à perversão do julgamento humano, ou melhor, à hipocrisia que distorce os valores para promover apenas o seu próprio interesse e vantagens, em vez de ter um interesse na vida, aquela que é recebida de graça. A palavra de Jesus lança ao leitor um apelo sobre como lidar com a questão da vida: o homem será julgado por seu comportamento diante das ameaças. É necessário preocupar-se não tanto com os homens que podem "matar o corpo", mas ter no coração o temor de Deus que julga e corrige. Jesus não promete a seus discípulos que serão protegidos das ameaças e perseguições, mas lhes assegura a ajuda de Deus nos momentos de dificuldade.

Saber reconhecer Jesus. O compromisso corajoso em reconhecer publicamente a amizade com Jesus comporta como consequência a comunhão pessoal com ele quando ele vier para julgar o mundo. Ao mesmo tempo, "aquele que me nega", o que tem medo de confessar e reconhecer publicamente a Jesus, se condena sozinho. O leitor é convidado a refletir sobre a importância crucial de Jesus na história da salvação: é preciso se decidir estar com Jesus ou contra ele e sua palavra de graça; desta decisão, reconhecer ou negar a Jesus depende a nossa salvação. Lucas evidencia que a comunhão oferecida por Jesus no tempo presente aos seus discípulos será confirmada e alcançará a perfeição no momento de sua vinda na glória (“quando vier na sua glória, na do Pai e dos santos anjos”: 9,26). O apelo às comunidades cristãs é muito evidente: mas se se é exposto às hostilidades do mundo, é indispensável dar um testemunho corajoso de Jesus, de comunhão com Ele e não se envergonhar de ser e se mostrar cristão.

A blasfêmia contra o Espírito Santo. Blasfemar é aqui entendido por Lucas como o falar ofensivo ou falar contra. Este verbo foi aplicado a Jesus  quando em 5,21 ele tinha perdoado os pecados. A questão levantada nesta passagem pode apresentar alguma dificuldade para o leitor: é menos grave blasfêmia contra o Filho do homem do que a contra o Espírito Santo? A linguagem de Jesus pode parecer um pouco forte para o leitor do Evangelho de Lucas: ao longo do evangelho vê-se Jesus mostrando a atitude de Deus que vai em busca do pecador, que é exigente, mas que sabe esperar o momento do retorno a Ele ou o amadurecimento do pecador. Em Marcos e Mateus, a blasfêmia contra o Espírito Santo é a falta de reconhecimento do poder de Deus nos exorcismos de Jesus. Mas em Lucas mais precisamente significa a rejeição consciente e livre de Espírito profético que atua nas obras e ensinamento de Jesus, ou seja, a rejeição ao encontro com o agir misericordioso e salvífico do Pai. A falta de reconhecimento da origem divina da missão de Jesus, a ofensa direta à pessoa de Jesus, podem ser perdoadas, mas aquele que nega o Espírito Santo trabalhando na missão de Jesus não será perdoado. Não se trata da oposição entre a pessoa de Jesus e do Espírito Santo, ou dum contraste ou símbolo de dois períodos distintos da história, o de Jesus e da comunidade pós-pascal, mas em última análise, o evangelista trata de demonstrar que negar a pessoa de Cristo equivale a blasfemar contra o Espírito Santo.

Para um confronto pessoal
1) Você está ciente de que de ser cristão comporta dificuldades, perigos e riscos, a ponto de arriscar a própria vida para testemunhar a amizade pessoal com Jesus?
2) Você se vergonha de ser cristão? Você prefere o julgamento dos homens, sua aprovação, ou o fato de não perder sua amizade com Cristo?

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Sexta-feira da 28ª semana do Tempo Comum

Evangelho (Lc 12,1-7): Entretanto, milhares de pessoas se ajuntaram, a ponto de uns pisarem os outros. Jesus começou a falar, primeiro a seus discípulos: Cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. Não há nada de oculto que não venha a ser revelado, e não há nada de escondido que não venha a ser conhecido. Portanto, tudo o que tiverdes dito na escuridão, será ouvido à luz do dia; e o que tiverdes pronunciado ao pé do ouvido, nos quartos, será proclamado sobre os telhados. A vós, porém, meus amigos, eu digo: não tenhais medo dos que matam o corpo e depois não podem fazer mais nada. Vou mostrar-vos a quem deveis temer: temei Aquele que, depois de fazer morrer, tem o poder de lançar-vos no inferno. Sim, eu vos digo, a este deveis temer. Não se vendem cinco pardais por duas moedinhas? No entanto, nenhum deles é esquecido por Deus. Até mesmo os cabelos de vossa cabeça estão todos contados. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais.

«Não temais, pois. Mais valor tendes vós do que numerosos pardais»

Pe. Salomon BADATANA (Wau, Sudão do Sul)

Hoje, contemplamos Nosso Senhor Jesus Cristo dirigindo-se à multidão depois de se ter enfrentado com as autoridades religiosas judaicas, ou seja, com os fariseus e os escribas. O Evangelho conta-nos que a multidão era tão grande que se atropelavam uns aos outros. Aí fica claro que estavam sedentos da Palavra de Jesus, que falava com tão extraordinária autoridade aos seus líderes religiosos.

Mas S. Lucas informa-nos que, antes de mais, Jesus começou a falar aos seus discípulos dizendo: «Guardai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia» (Lc 12,1). Nosso Senhor quer levar-nos à prática da sinceridade e transparência, superando a hipocrisia com que procediam os fariseus e os escribas, pois mostravam uma atitude externa não conforme com o seu caminho interior de vida: fingiam ser o que não eram.

É contra isto que Jesus nos quer prevenir no Evangelho de hoje quando diz: «Nada há escondido que não venha a ser conhecido.» (Lc 12,2). Sim, tudo virá a ser revelado. Por este motivo devemos lutar para ajustar a nossa vida de acordo com o que professamos e proclamamos. Obviamente, isto não é fácil. Mas não devemos temer, pois o nosso Deus está atento. Tal como disse S. João Paulo II, «o amor de Deus não impõe cargas que não possamos levar (…). Porque para tudo o que nos peça, Ele nos capacitará com a ajuda necessária». Nada se passa sem que Ele o saiba. Até os nossos cabelos estão contados! Sim, nós temos valor perante Deus. Não tenhamos medo, pois o seu amor não tem limites.

Senhor, concede-nos a sabedoria para conduzirmos a nossa vida de acordo com as exigências da nossa fé, mesmo no meio das dificuldades deste mundo. Amém.

«Cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia»

P. Raimondo M. SORGIA Mannai OP (San Domenico di Fiesole, Florença, Itália)

Hoje o Senhor nos convida a refletir sobre um tipo de má levedura que não fermenta o pão, mas sim o engrandece em aparência, deixando-o cru e incapaz de nutrir: Cuidado com o fermento dos fariseus; (Lc 12,1). Chama-se hipocrisia e é somente aparência de bem, máscara feita com farrapos de cores atraentes, mas encobrem vícios e deformidades morais, infecções no espírito e micróbios que sujam o pensamento e, por tanto, a própria existência.

Por isso, Jesus, adverte ter cuidado com esses usurpadores que, ao predicar com maus exemplos e com o brilho de palavras mentirosas, tentam semear ao redor uma infecção. Lembro que um jornalista, brilhante por seu estilo e professor de filosofia, quis afrontar a posição da Igreja sobre a questão do matrimônio entre homossexuais. E, com passo alegre e uma grande quantidade de sofismas enormes como elefantes, tentou contrariar as boas razões que o Magistério expôs em um documento recente. Vemos aqui um fariseu de nossos dias, que depois de ter-se declarado batizado e crente, afastou-se do pensamento da Igreja e do espírito de Cristo, pretendendo passar por mestre, acompanhante e guia dos fieis.

Passando a outro assunto, o Mestre aconselha distinguir entre medo e medo: não tenhais medo dos que matam o corpo e depois não podem fazer mais nada, (Lc 12,4), seriam os perseguidores da ideia cristã, que matam a dezenas de fieis em tempos de caçar homens ou de vez em quando a testemunhas singulares de Jesus Cristo.

Medo absolutamente diverso e motivado é o poder perder o corpo e a alma e, isso está nas mãos do Juiz divino; não que morra a alma (seria uma sorte para o pecador), mas sim que goste de uma amargura que se pode chamar de mortal no sentido de absoluta e interminável. Se escolheres viver bem aqui, não serás enviado às penas eternas. Aqui não podes escolher não morrer, em quanto vives escolhe o não morrer eternamente (Santo Agostinho).

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* O evangelho de hoje traz uma última crítica de Jesus contra as autoridades religiosas do seu tempo.

* Lucas 12,1ª: Milhares buscam Jesus
“Enquanto isso, milhares de pessoas se reuniram, de modo que uns pisavam nos outros”. Esta frase deixa transparecer a enorme popularidade de Jesus e o desejo do povo de encontrar-se com ele (cf. Mc 6,31; Mt 13,2). Deixa transparecer também o abandono em que se encontrava o povo. “São como ovelhas sem pastor”, dizia Jesus em outra ocasião quando via a multidão aproximar-se dele para ouvir a sua palavra (Mc 6,34).

* Lucas 12,1b: Cuidado com a hipocrisia
“Jesus começou a falar, primeiro a seus discípulos: "Tomem cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia”.  Marcos já falava do fermento dos fariseus e dos herodianos e sugeria que se tratava da mentalidade ou da ideologia dominante da época que esperava um messias glorioso e poderoso (Mc 8,15; 8,31-33). Aqui no nosso texto, Lucas identifica o fermento dos fariseus com a hipocrisia. Hipocrisia é uma atitude que inverte os valores. Esconde a verdade. Mostra uma casca bonita que encobre e disfarça a podridão dentro da casca. No caso, a hipocrisia era a casca aparente da fidelidade máxima à palavra de Deus que escondia a contradição da vida deles. Jesus quer o contrário. Quer a coerência que não deixa no escondido.

* Lucas 12,2-3: O escondido será revelado
“Não há nada de escondido que não venha a ser revelado, e não há nada de oculto que não venha a ser conhecido. Pelo contrário, tudo o que vocês tiverem feito na escuridão, será ouvido à luz do dia; e o que vocês tiverem pronunciado em segredo, nos quartos, será proclamado sobre os telhados".  É a segunda vez que Lucas fala deste assunto (cf. Lc 8,17). Em vez da hipocrisia dos fariseus que esconde a verdade, os discípulos devem ter a sinceridade. Não devem ter medo da verdade. Jesus os convida a partilhar com os outros os ensinamentos que dele aprenderam. Os discípulos não podem conservá-los só para si, mas devem divulgá-los. Um dia, as máscaras vão cair e tudo será revelado às claras, proclamado sobre os telhados (cf. Mt 10,26-27).  

* Lucas 12,4-5: Não ter medo
“Pois bem, eu digo a vocês, meus amigos: não tenham medo daqueles que matam o corpo, e depois disso nada mais têm a fazer. Vou mostrar a quem vocês devem temer: tenham medo daquele que, depois de ter matado, tem poder de jogá-los no inferno. Eu lhes digo: é a este que vocês devem temer”. Aqui Jesus se dirige aos seus amigos, os discípulos e discípulas. Eles não devem ter medo daqueles que matam o corpo, que torturam, machucam e fazem sofrer. Os torturadores podem até matar o corpo, mas não conseguem matar neles a liberdade e o espírito. Devem ter medo, isto sim, de que o medo do sofrimento os leve a esconder ou a negar a verdade e, assim, os faça ofender a Deus. Pois quem se afasta de Deus se perde para sempre.

* Lucas 12,6-7: Vocês valem mais que muitos pardais
“Não se vendem cinco pardais por alguns trocados? No entanto, nenhum deles é esquecido por Deus. Até mesmo os cabelos da cabeça de vocês estão todos contados. Não tenham medo! Vocês valem mais do que muitos pardais”. Os discípulos não devem ter medo de nada, pois eles estão na mão de Deus. Jesus manda olhar os passarinhos. Dois pardais se vendem por poucos centavos e, no entanto nenhum pardal cai no chão sem o consentimento do Pai. Até os cabelos na cabeça estão contados. Lucas diz que nenhum cabelo cai sem a licença do Pai (Lc 21,18). E caem tantos cabelos! Por isso, “não tenham medo. Vocês valem muito mais que muitos pardais”. É a lição que Jesus tirou da contemplação da natureza. (cf Mt 10,29-31).

* A contemplação da natureza
No Sermão da Montanha, a mensagem mais importante, Jesus a tirou da contemplação da natureza. Ele diz: "Vocês ouviram o que foi dito: 'Ame o seu próximo, e odeie o seu inimigo!' Eu, porém, lhes digo: amem os seus inimigos, e rezem por aqueles que perseguem vocês! Assim vocês se tornarão filhos do Pai que está no céu, porque ele faz o sol nascer sobre maus e bons, e a chuva cair sobre justos e injustos. Portanto, sejam perfeitos como é perfeito o Pai de vocês que está no céu." (Mt 5,43-45.48). A observação do ritmo do sol e da chuva levaram Jesus e esta afirmação revolucionária: “Eu lhes digo amem os seus inimigos!” O mesmo vale para o convite de olhar os lírios do campo e as aves do céu (Mt 6,25-30). Esta surpreendente atitude contemplativa diante da natureza levou Jesus a criticar verdades aparentemente eternas. Seis vezes em seguida ele teve a coragem de corrigir publicamente a Lei de Deus: “Antigamente foi dito, mas eu digo...”. A descoberta feita na contemplação renovada da natureza tornou-se para ele uma luz muito importante para reler a história com outros olhos e descobrir nela luzes que antes não eram percebidas. Hoje está em andamento uma nova visão do universo. As descobertas da ciência a respeito da imensidão do macrocosmo e do microcosmo estão sendo fonte de uma nova contemplação do universo, Já está começando a crítica de muitas verdades aparentemente eternas.

Para um confronto pessoal
1) O escondido será revelado. Tem em mim algo do qual tenho medo de que seja revelado?
2) A contemplação dos pardais e das coisas da natureza levaram Jesus a atitudes novas e surpreendentes que revelavam a bondade gratuita de Deus. Tenho costume de contemplar a natureza?

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA Presbítero (1499-1562) PADROEIRO PRINCIPAL DO BRASIL


S. Pedro nasceu em 1499. Depois de estudos feitos em Salamanca, entrou para os Frades Menores e, ordenado sacerdote, desempenhou diversos cargos na Ordem. Em 1554 obteve a licença de consagrar-se à observância mais estrita da Regra. Começou, então, a acolher seguidores, aos quais iniciou numa vida de austera pobreza, jejum e penitência e de oração mais prolongada. Impulsionado pelo zelo das almas, dedicou-se com grande fruto à pregação. E, com seus conselhos ajudou Santa Teresa de Ávila em sua atividade reformadora entre as Carmelitas. Deixou também obras escritas, nas quais narra a própria experiência ascética, baseada, sobretudo na devoção para com a paixão de Cristo. Morreu aos 18 de outubro de 1562. São Pedro de Alcântara foi confirmado Padroeiro do Brasil, por solicitação de D. Pedro I, pelo Papa Leão XII, em 31 de maio de 1826.

Laudes e Vésperas

Hino

De ilustres pais nascido
por Deus tudo deixou:
mais pobre do que os pobres
em breve se tornou.

Seu corpo castigava,
domava com rigor,
a compensar as faltas
do mundo pecador.

Buscou a fome e a sede,
de saco se vestiu;
a tantos quis salvar,
e a si é que puniu.

Cilício que trazia,
o hábito escondeu;
porém sangue manava
de cada membro seu.

Da Ordem dos Menores
foi glória sem igual;
aos filhos preste agora
ajuda paternal!

Louvor ao Pai e ao Filho
ao Espírito também;
saudemos uns aos outros,
cantando: “Paz e Bem!”

Antífonas, salmos e cânticos do Comum dos Pastores, exceto:

Antífona do Benedictus
Ant. Derramou sobre o povo torrente de graças e recebeu do Senhor a veste da glória como justa expressão da perfeita virtude.

Oração
Ó Deus, que ilustrastes São Pedro de Alcântara com os dons de admirável penitência e de altíssima contemplação, concedei, por seus méritos, que, mortificados na carne, mereçamos participar dos bens celestes.  Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Antífona do Magnificat
Ant. Vivendo na carne caminhava no Espírito.  Nada quis sobre a terra; sem cessar se ocupava das coisas do céu.

MISSA DE SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA

Antífona da Entrada
A Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo deve ser a nossa glória:
nele está nossa vida e ressurreição;
foi ele que nos salvou e libertou.

Coleta
Ó Deus, que ilustrastes São Pedro de Alcântara com os dons de admirável penitência e de altíssima contemplação, concedei, por seus méritos, que, mortificados na carne, mereçamos participar dos bens celestes. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Sobre as oferendas
Aceitai com bondade, Senhor nosso Deus, pelos méritos de São Pedro de Alcântara, esta nossa oblação, que ele, tocando com suas mãos puríssimas, ofereceu à vossa majestade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Antífona da comunhão - SI 33,9
Provai e vede quão suave é o Senhor!
Feliz o homem que tem nele o seu refúgio!

Depois da comunhão
Ó Deus todo-poderoso, concedei que também nós mereçamos receber os frutos colhidos por São Pedro de Alcântara deste celeste banquete.  Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Oração pelo Brasil

Ó grande amante da Cruz e servo fiel do divino Crucificado, São Pedro de Alcântara; à vossa poderosa proteção foi confiada a nossa querida Pátria brasileira com todos os seus habitantes. Como varão de admirável penitência e altíssima contemplação, alcançai aos vossos devotos estes dons tão necessários à salvação. Livrai o Brasil dos flagelos da peste, fome e guerra e de todo mal. Restituí à Terra de Santa Cruz a união da fé e o verdadeiro fervor nas práticas da religião. De modo particular, vos recomendamos, excelso Padroeiro do Brasil, aqueles que nos foram dados por guias e mestres: os padres e religiosos. Implorai numerosas e boas vocações para o nosso país. Inspirai aos pais de família uma santa reverência a fim de educarem os filhos no temor de Deus não se negando a dar ao altar o filho que Nosso Senhor escolher para seu sagrado ministério. Assisti, ó grande reformador da vida religiosa, aos sacerdotes e missionários nos múltiplos perigos de que esta vida está repleta. Alcançai-lhes a graça da perseverança na sublime vocação e na árdua tarefa que por vontade divina assumiram. Lá dos céus onde triunfais, abençoai aos milhares de vossos protegidos e fazei-nos um dia cantar convosco a glória de Deus na bem-aventurança eterna. Assim seja.

19 de outubro: São Pedro de Alcântara.

Evangelho (Lc 11,47-54): Naquele tempo, o Senhor disse: «Ai de vós, porque construís os túmulos dos profetas! No entanto, foram vossos pais que os mataram. Com isso, sois testemunhas e aprovais as ações de vossos pais, pois eles mataram os profetas e vós construís os túmulos. É por isso que a sabedoria de Deus afirmou: Eu lhes enviarei profetas e apóstolos, e a alguns, eles matarão ou perseguirão; por isso se pedirá conta a esta geração do sangue de todos os profetas derramado desde a criação do mundo, desde o sangue de Abel até o sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e o Santuário. Sim, eu vos digo: esta geração terá de prestar conta disso. Ai de vós, doutores da Lei, porque ficastes com a chave da ciência! Vós mesmos não entrastes, e ainda impedistes os que queriam entrar».  Quando Jesus saiu de lá, os escribas e os fariseus começaram a importuná-lo e a provocá-lo em muitos pontos, armando ciladas para apanhá-lo em suas próprias palavras.

«Construís os túmulos dos profetas! No entanto, foram vossos pais que os mataram»

Rev. D. Pedro-José YNARAJA i Díaz (El Montanyà, Barcelona, Espanha)

Hoje o Evangelho nos fala do sentido, aceitação e trato dado aos profetas: «Eu lhes enviarei profetas e apóstolos, e a alguns, eles matarão ou perseguirão» (Lc 11,49).

São pessoas de diferente condição social ou religiosa, que tem recebido a mensagem divina e tem se impregnado dela; impulsionadas pelo Espírito, o expressam com signos ou palavras compreensíveis para seu tempo. É uma mensagem transmitida através de discursos, nunca lisonjeiros, ou ações, quase sempre difíceis de aceitar. Uma característica da profecia é sua incomodidade. O dom resulta incômodo para aquele que o recebe, o esfolia internamente e, é molesto para seu entorno, que hoje, graças à Internet ou aos satélites, pode se estender ao mundo todo.

Os contemporâneos do profeta pretendem o condenar ao silêncio, o caluniam, o desacreditam, assim até que morre. Chega então o momento de lhe erigir o sepulcro e, de lhe organizar homenagens, quando já não incomoda. Não faltam atualmente profetas que gozam de fama universal. A Madre Teresa, João XXIII, Monsenhor Romero... Lembramo-nos daquilo que nos reclamavam e nos exigiam? Aplicamos o que nos fizeram ver? A nossa geração se lhe pedirá contas sob a capa de ozônio que destruiu, da desertificação que nossa dilapidação de água causou, mas também do ostracismo que temos reduzido aos nossos profetas.

Ainda há pessoas que se reservam para elas o direito de saber em exclusiva, que o compartilham “no melhor dos casos” com os seus, com aqueles que lhe permitem continuar no colo dos seus sucessos e da fama. Pessoas que fecham o passo aos que tentam entrar nos âmbitos do conhecimento, não seja que talvez saibam tanto quanto eles e os ultrapassem: «Ai de vós, doutores da Lei, porque ficastes com a chave da ciência! Vós mesmos não entrastes, e ainda impedistes os que queriam entrar».

Agora, como nos tempos de Jesus, muitos analisam frases e estudam textos para desacreditar aos que incomodam com suas palavras: É esse nosso agir? «Não há nada mais perigoso que julgar as coisas de Deus com os discursos humanos» (São João Crisóstomo).

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* Novamente, pela enésima vez, o evangelho de hoje fala do conflito entre Jesus e as autoridades religiosas da época.

* Lucas 11,47-48: Ai de vocês, que constroem túmulos para os profetas.
“Ai de vocês, porque constroem túmulos para os profetas; no entanto, foram os pais de vocês que os mataram. Com isso, vocês são testemunhas e aprovam as obras dos pais de vocês, pois eles mataram os profetas, e vocês constroem os túmulos”. Mateus diz que se trata de escribas e fariseus (Mt 23,19). O raciocínio de Jesus é claro. Se os pais mataram os profetas e os filhos construíram os túmulos, é porque os filhos  aprovaram o crime dos pais. Além disso, todo mundo sabe que profeta morto não incomoda. Deste modo os filhos tornam-se testemunhas e cúmplices no mesmo crime (cf. Mt 23,29-32).

* Lucas 11,49-51: Pedir contas do sangue derramado desde a criação do mundo.
“É por isso que a sabedoria de Deus disse: 'Eu lhes enviarei profetas e apóstolos. Eles os matarão e perseguirão, a fim de que se peçam contas a esta geração do sangue de todos os profetas, derramado desde a criação do mundo, desde o sangue de Abel até o sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e o santuário'. Sim, eu digo a vocês: pedirão contas disso a esta geração”. Comparado com o evangelho de Mateus, Lucas costuma oferecer uma versão abreviada do texto de Mateus. Mas aqui ele acrescentou a observação: “derramado desde a criação do mundo, desde o sangue de Abel”. Ele fez a mesma coisa com a genealogia de Jesus. Mateus, que escrevia para os judeus convertidos, começa em Abraão (Mt 1,1.2.17), enquanto Lucas vai até Adão (Lc 3,38). Lucas universaliza e inclui os pagãos, pois escreve o seu evangelho para os pagãos convertidos. A informação sobre o assassinato de Zacarias no Templo é dada pelo livro das Crônicas: “Então o espírito de Deus se apoderou de Zacarias, filho do sacerdote Joiada. Ele se dirigiu ao povo e disse: "Assim fala Deus: Por que é que vocês estão desobedecendo aos mandamentos de Javé? Vocês vão se arruinar. Vocês abandonaram Javé, e ele também os abandona!”Então eles se reuniram contra o profeta e, por ordem do rei, o apedrejaram no pátio do Templo de Javé”.  (2Cr 24,20-21). Jesus conhecia a história do seu povo até nas minúcias. Ele sabe que vai ser o próximo na lista de Abel até Zacarias. Até hoje a lista continua aberta. Muita gente é morta pela causa da justiça e da verdade.

* Lucas 11,52: Ai de vocês, especialistas em leis.
“Ai de vocês, especialistas em leis, porque vocês se apoderaram da chave da ciência. Vocês mesmos não entraram, e impediram os que queriam entrar". Fecham o Reino como? Eles pensam ter o monopólio da ciência a respeito de Deus e da lei de Deus e impõem o seu modo de ver aos outros, sem deixar margem para um pensamento diferente. Apresentam Deus apenas como juiz severo e em nome de Deus impõem leis e normas que não têm nada a ver com os mandamentos de Deus, falsificam a imagem do Reino e matam nos outros o desejo de servir a Deus e ao Reino. Uma comunidade que se organiza ao redor deste falso deus “não entra no Reino”, nem é expressão do Reino, e impede que seus membros entrem no Reino. É importante notar a diferença entre Mateus e Lucas. Mateus fala da entrada no Reino do céu e a frase é redigida na forma verbal do presente: "Ai de vocês, doutores da Lei e fariseus hipócritas! Vocês fecham o Reino do Céu para os homens. Nem vocês entram, nem deixam entrar aqueles que desejam” (Mt 23,13). A expressão entrar no Reino do Céu pode significar entrar no céu depois da morte, mas é mais provável que se trate da entrada na comunidade ao redor de Jesus e nas comunidades dos primeiros cristãos. Lucas fala da chave da ciência e a frase é redigida na forma verbal do passado. Lucas simplesmente consta que a pretensão dos escribas de possuir a chave da ciência a respeito de Deus e da lei de Deus impediu a eles de reconhecer Jesus como Messias e impediu que o povo judeu reconhecesse Jesus como messias: Vocês se apoderaram da chave da ciência. Vocês mesmos não entraram, e impediram os que queriam entrar.

* Lucas 11,53-54: Reação contra Jesus
A reação das autoridades religiosas contra Jesus foi imediata. “Quando Jesus saiu daí, os doutores da Lei e os fariseus começaram a tratá-lo mal, e a provocá-lo sobre muitos pontos. Armavam ciladas, para pegá-lo de surpresa em qualquer coisa que saísse de sua boca”. Considerando-se os únicos intérpretes verdadeiros da lei de Deus, tentam provocar Jesus em torno da interpretação da Bíblia para poder pegá-lo de surpresa em qualquer coisa que saísse de sua boca. Assim, continua e cresce a oposição contra Jesus e cresce o desejo de elimina-lo (Lc 6,11; 11,53-54; 19,48; 20,19-20; 22,2).

Para um confronto pessoal
1) Muitas pessoas que queriam entrar foram impedidos de entrar ou deixaram de crer por causa de atitudes ante-evangélicas de sacerdotes. Você tem experiência neste ponto?
2) Os escribas começaram a criticar Jesus que pensava e agia diferente deles. Não é difícil encontrar motivos para criticar quem pensa diferente de nós. Você tem experiência neste ponto?