segunda-feira, 22 de abril de 2019

23 de abril


B. Teresa Maria da Cruz Manetti
Virgem de nossa Ordem.


Teresa Maria da Cruz nasceu em Campi Bisenzio (Florença) em 1846. Fundou a Congregação das Carmelitas de Santa Teresa para o serviço dos órfãos e dos pobres. Desejando viver crucificada com Cristo, suportou, nos últimos anos da sua vida, dolorosas provações no corpo e no espírito. Faleceu no dia 23 de abril de 1910.

Salmodia, leitura, responsório breve e preces do dia corrente.

Oração
Senhor, que amparaste no caminho da cruz a virgem bem-aventurada Teresa Maria da Cruz, fortalecida por um ardente amor à Eucaristia, e a cumulastes de ternura materna para com as crianças e os pobres, concedei-nos, por sua intercessão, que, fortalecidos com o pão dos anjos, nos alegremos com a participação na paixão de Cristo e colaboremos com obras de caridade para o advento do vosso Reino. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.


Terça-feira da oitava da Páscoa


1ª Leitura (At 2,36-41): No dia de Pentecostes, disse Pedro aos judeus: «Saiba com absoluta certeza toda a casa de Israel que Deus fez Senhor e Messias esse Jesus que vós crucificastes». Ouvindo isto, sentiram todos o coração trespassado e perguntaram a Pedro e aos outros Apóstolos: «Que havemos de fazer, irmãos?» Pedro respondeu-lhes: «Convertei-vos e peça cada um de vós o Baptismo em nome de Jesus Cristo, para vos serem perdoados os pecados. Recebereis então o dom do Espírito Santo, porque a promessa desse dom é para vós, para os vossos filhos e para quantos, de longe, ouvirem o apelo do Senhor nosso Deus». E com muitas outras palavras os persuadia e exortava, dizendo: «Salvai-vos desta geração perversa». Os que aceitaram as palavras de Pedro receberam o Baptismo e naquele dia juntaram-se aos discípulos cerca de três mil pessoas.

Salmo Responsorial: 32
R. A bondade do Senhor encheu a terra.

A palavra do Senhor é reta, da fidelidade nascem as suas obras. Ele ama a justiça e a retidão: a terra está cheia da bondade do Senhor.

Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem, para os que esperam na sua bondade,
para libertar da morte as suas almas e os alimentar no tempo da fome.

A nossa alma espera o Senhor: Ele é o nosso amparo e protetor. Venha sobre nós a vossa bondade, porque em Vós esperamos, Senhor.

Aleluia. Este é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria. Aleluia.

Evangelho (Jo 20,11-18): Maria tinha ficado perto do túmulo, do lado de fora, chorando. Enquanto chorava, inclinou-se para olhar dentro do túmulo. Ela enxergou dois anjos, vestidos de branco, sentados onde tinha sido posto o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. Os anjos perguntaram: «Mulher, por que choras». Ela respondeu: «Levaram o meu Senhor e não sei onde o colocaram». Dizendo isto, Maria virou-se para trás e enxergou Jesus, de pé, mas ela não sabia que era Jesus. Jesus perguntou-lhe: «Mulher, por que choras? Quem procuras?». Pensando que fosse o jardineiro, ela disse: «Senhor, se foste tu que o levaste, dize-me onde o colocaste, e eu irei buscá-lo». Então, Jesus falou: «Maria! ». Ela voltou-se e exclamou, em hebraico: «Rabûni!» (Que quer dizer: Mestre). Jesus disse: «Não me segures, pois ainda não subi para junto do Pai. Mas vai dizer aos meus irmãos: subo para junto do meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus». Então, Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: «Eu vi o Senhor», e contou o que ele lhe tinha dito.

«Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: ‘Eu vi o Senhor’»

+ Rev. D. Antoni ORIOL i Tataret (Vic, Barcelona, Espanha)

Hoje, na figura de Maria Madalena, podemos contemplar dois níveis de aceitação de nosso Salvador: imperfeito, o primeiro; completo, o segundo. Desde o primeiro, Maria se nos apresenta como uma sincera discípula de Jesus. Ela o segue, mestre incomparável; está heroicamente ligada, crucificado por amor; o busca, mais além da morte, sepultado e desaparecido. Quão impregnadas de admirável entrega ao seu “Senhor” são as duas exclamações que nos conservou, como pérolas incomparáveis, o evangelista João: «Levaram o meu Senhor e não sei onde o colocaram!» (Jo 20,13); «Senhor, se foste tu que o levaste, diz-me onde o colocaste, e eu irei buscá-lo» (Jo 20,15). Poucos discípulos contemplaram a história, tão carinhosos e leais como a Madalena.

No entanto, a boa noticia de hoje, desta terça-feira, oitava de Páscoa, supera infinitamente toda bondade ética e toda fé religiosa em um Jesus admirável, mas, em último término, morto; e nos traslada ao âmbito da fé no Ressuscitado. Aquele Jesus que, em um primeiro momento, deixando-a no nível da fé imperfeita, se dirige à Madalena perguntando-lhe: «Mulher, por que você está chorando» (Jo 20,15) e à qual ela, com olhos míopes, responde como corresponde a um hortelão que se interessa pelo seu sentimento; aquele Jesus, agora, em um segundo momento, definitivo, a interpelou com seu nome: «Maria!» e a comove até o ponto estremecê-la de ressurreição e de vida, isto é, Dele mesmo, o Ressuscitado, o Vivente por sempre. Resultado? Madalena crente e Madalena apóstolo: «Então Maria Madalena foi e anunciou aos seus discípulos: eu vi o senhor» e contou o que Jesus tinha dito (Jo 20,18).

Hoje não deixa de ser frequente o caso dos cristãos que não veem claro o mais além desta vida, assim, que duvidam da ressurreição de Jesus. Estarei entre eles? De modo semelhante são numerosos os cristãos que têm suficiente fé como para seguir-lhe privadamente, mas que temem proclamar apostolicamente. Faço parte desse grupo? Se assim for, como Maria Madalena, digamos-lhe: — Mestre! abracemo-nos aos seus pés e vamos encontrar os nossos irmãos para dizer-lhes: O Senhor ressuscitou e eu o vi.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

Bta Mª Teresa da Cruz Manetti
Virgem de nossa Ordem
* O evangelho de hoje descreve a aparição de Jesus a Maria Madalena.
A morte do seu grande amigo levou Maria a uma perda do sentido da vida. Mas ela não desistiu da busca. Foi ao sepulcro para reencontrar aquele que a morte lhe tinha roubado. Há momentos na vida em que tudo desmorona. Parece que tudo acabou. Morte, desastre, doença, decepção, traição! Tantas coisas que podem tirar o chão debaixo dos pés e jogar-nos numa crise profunda. Mas também acontece o seguinte. Como que de repente, o reencontro com uma pessoa amiga pode refazer a vida e nos fazer redescobrir que o amor é mais forte do que a morte e a derrota.

* O Capítulo 20 de João, além da aparição de Jesus a Madalena, traz vários outros episódios que revelam a riqueza da experiência da ressurreição:
(1) do discípulo amado e de Pedro (Jo 20,1-10);
(2) de Maria Madalena (Jo 20,11-18);
(3) da comunidade dos discípulos (Jo 20,19-23) e
(4) do apóstolo Tomé (Jo 20,24-29). O objetivo da redação do Evangelho é levar as pessoas a crer em Jesus e, acreditando nele, ter a vida (Jo 20,30-3).

* Na maneira de descrever a aparição de Jesus a Maria Madalena transparecem as etapas da travessia que ela teve de fazer, desde a busca dolorosa até o reencontro da Páscoa. Estas são também as etapas pelas quais passamos todos nós, ao longo da vida, na busca em direção a Deus e na vivência do Evangelho.

* João 20,11-13: Maria Madalena chora, mas busca. 
Havia um amor muito grande entre Jesus e Maria Madalena. Ela foi uma das poucas pessoas que tiveram a coragem de ficar com Jesus até a hora da sua morte na cruz. Depois do repouso obrigatório do sábado, ela voltou ao sepulcro para estar no lugar onde tinha encontrado o Amado pela última vez. Mas, para a sua surpresa, o sepulcro estava vazio! Os anjos perguntam: "Por que você chora?" Resposta: "Levaram meu senhor e não sei onde o colocaram!" Maria Madalena buscava o Jesus, o mesmo Jesus, que ela tinha conhecido e com quem tinha convivido durante três anos.

* João 20,14-15: Maria Madalena conversa com Jesus sem reconhecê-lo.
Os discípulos de Emaús viram Jesus mas não o reconheceram (Lc 24,15-16). O mesmo acontece com Maria Madalena. Ela vê Jesus, mas não o reconhece. Pensa que é o jardineiro. Como os anjos, Jesus pergunta: "Por que você chora?" E acrescenta: "A quem está procurando?" Resposta: "Se foi você que o levou, diga-me, que eu vou buscá-lo!" Ela ainda busca o Jesus do passado, o mesmo de três dias atrás. É a imagem de Jesus do passado que a impede de reconhecer o Jesus vivo, presente na frente dela.

São Jorge, Mártir
* João 20,16: Maria Madalena reconhece Jesus.
Jesus pronuncia o nome: "Maria!" Foi o sinal de reconhecimento: a mesma voz, o mesmo jeito de pronunciar o nome. Ela responde: "Mestre!" Jesus tinha voltado, o mesmo que tinha morrido na cruz. A primeira impressão é que a morte foi apenas um incidente doloroso de percurso, mas que agora tudo tinha voltado a ser como antes. Maria abraça Jesus com força. Era o mesmo Jesus que ela tinha conhecido e amado. Realiza-se o que dizia a parábola do Bom Pastor: "Ele as chama pelo nome e elas conhecem a sua voz". - "Eu conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem" (Jo 10,3.4.14).

4. João 20,17-18: Maria Madalena recebe a missão de anunciar a ressurreição aos apóstolos. 
De fato, é o mesmo Jesus, mas a maneira de ele estar junto dela já não é mais a mesma. Jesus lhe diz: "Não me segure, porque anda não subi para o Pai!" Ele vai para junto do Pai. Maria Madalena deve soltar Jesus e assumir sua missão: anunciar aos irmãos que ele, Jesus, subiu para o Pai. Jesus abriu o caminho para nós e fez com que Deus ficasse, de novo, perto de nós.

Para um confronto pessoal
1. Você já passou por uma experiência que lhe deu um sentimento de perda e de morte? Como foi? O que foi que lhe trouxe vida nova e lhe devolveu a esperança e a alegria de viver?
2. Qual a mudança que se operou em Maria Madalena ao longo do diálogo? Maria Madalena buscava Jesus de um jeito e o reencontrou de outro jeito. Como isto acontece hoje na nossa vida?

domingo, 21 de abril de 2019

Segunda-feira da oitava da Páscoa


1ª Leitura (At 2,14.22-33): No dia de Pentecostes, Pedro, de pé, com os onze Apóstolos, ergueu a voz e falou ao povo: «Homens da Judeia e vós todos que habitais em Jerusalém, compreendei o que está a acontecer e ouvi as minhas palavras: Jesus de Nazaré foi um homem acreditado por Deus junto de vós com milagres, prodígios e sinais, que Deus realizou no meio de vós, por seu intermédio, como sabeis. Depois de entregue, segundo o desígnio imutável e a previsão de Deus, vós destes-Lhe a morte, cravando-O na cruz pela mão de gente perversa. Mas Deus ressuscitou-O, livrando-O dos laços da morte, porque não era possível que Ele ficasse sob o seu domínio. Diz David a seu respeito: ‘O Senhor está sempre na minha presença, com Ele a meu lado não vacilarei. Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta e até o meu corpo descansa tranquilo. Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos, nem deixareis o vosso Santo sofrer a corrupção. Destes-me a conhecer os caminhos da vida, a alegria plena em vossa presença’. Irmãos, seja-me permitido falar-vos com toda a liberdade: o patriarca David morreu e foi sepultado e o seu túmulo encontra-se ainda hoje entre nós. Mas, como era profeta e sabia que Deus lhe prometera sob juramento que um descendente do seu sangue havia de sentar-se no seu trono, viu e proclamou antecipadamente a ressurreição de Cristo, dizendo que Ele não O abandonou na mansão dos mortos, nem a sua carne conheceu a corrupção. Foi este Jesus que Deus ressuscitou e disso todos nós somos testemunhas. Tendo sido exaltado pelo poder de Deus, recebeu do Pai a promessa do Espírito Santo, que Ele derramou, como vedes e ouvis».

Salmo Responsorial: 15
R. Defendei-me, Senhor: Vós sois o meu refúgio.

Senhor, porção da minha herança e do meu cálice, está nas vossas mãos o meu destino. O Senhor está sempre na minha presença, com Ele a meu lado não vacilarei.

Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta, e até o meu corpo descansa tranquilo. Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos, nem deixareis o vosso fiel sofrer a corrupção.

Dar-me-eis a conhecer os caminhos da vida, alegria plena em vossa presença, delícias eternas à vossa direita.

Este é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria.

Evangelho (Mt 28,8-15): E saindo às pressas do túmulo, com sentimentos de temor e de grande alegria, correram para dar a notícia aos discípulos. Nisso, o próprio Jesus veio-lhes ao encontro e disse: «Alegrai-vos!» Elas se aproximaram e abraçaram seus pés, em adoração. Jesus lhes disse: «Não tenhais medo; ide anunciar a meus irmãos que vão para a Galileia. Lá me verão».  Quando foram embora, alguns da guarda entraram na cidade e comunicaram aos sumos sacerdotes o que tinha acontecido. Reunidos com os anciãos, deliberaram dar bastante dinheiro aos soldados; e instruíram-nos: «Contai o seguinte: ‘Durante a noite vieram os discípulos dele e o roubaram, enquanto estávamos dormindo’. E se isso chegar aos ouvidos do governador, nós o tranquilizaremos, para que não vos castigue». Eles aceitaram o dinheiro e fizeram como lhes fora instruído. E essa versão ficou divulgada entre os judeus, até o presente dia.

«E saindo às pressas do túmulo, com sentimentos de temor e de grande alegria, correram para dar a notícia aos discípulos»

Rev. D. Joan COSTA i Bou (Barcelona, Espanha)

Hoje, a alegria da ressurreição faz das mulheres que foram ao túmulo, mensageiras valentes de Cristo. «Uma grande alegria» sentem em seus corações pelo anuncio do anjo sobre a ressurreição do Mestre. E foram «correndo» do túmulo a anunciar aos Apóstolos. Não podem ficar inativas e seus corações explodiriam se não o comunicavam a todos os discípulos. Ressoam em nossas almas as palavras de Paulo: «O amor de Cristo nos impele» (2Cor 5,14).

Jesus faz se o «encontradiço»: o faz com Maria Madalena e a outra Maria —assim agradece e paga Cristo sua ousadia de buscá-lo muito cedo pela manhã — e também o faz com todos os homens e mulheres do mundo.

As reações das mulheres ante a presença do Senhor expressam as atitudes mais profundas do ser humano diante de Aquele que é o nosso Criador e Redentor: a submissão—«abraçaram seus pés» (Mt 28,9) — e a adoração. Que grande lição para apreender a estar diante de Cristo Eucaristia!

«Não tenhais medo» (Mt 28,10), diz Jesus às santas mulheres. Medo do Senhor? Nunca, se é o Amor dos amores! Temor de perdê-lo? Sim, porque conhecemos a própria debilidade. Por isso abracemo-nos bem forte aos seus pés. Como aos Apóstolos no mar embravecido e os discípulos de Emaús peçamos-lhe: Senhor, não nos deixes!

E o Mestre envia as mulheres a anunciar a boa nova aos discípulos. Essa é também tarefa nossa, e missão divina desde o dia do nosso batismo: anunciar a Cristo por todo o mundo, «para que todo o mundo possa encontrar a Cristo, para que Cristo possa percorrer com cada um o caminho da vida, com a potência da verdade (...) que contém o mistério da Encarnação e da Redenção, com a potência do amor que irradia dela» (João Paulo II).

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm

* Páscoa! O evangelho de hoje descreve a experiência de ressurreição das discípulas de Jesus. No início do seu evangelho, ao apresentar Jesus, Mateus tinha dito que Jesus é Emanuel, Deus Conosco (Mt 1,23). Agora, no fim, ele comunica e amplia a mesma certeza da fé, pois proclama que Jesus ressuscitou (Mt 28,6) e que ele estará conosco sempre, até o fim dos tempos! (Mt 28,20). Nas contradições da vida, esta verdade muitas vezes é contestada. Não faltam as oposições. Os inimigos, os chefes dos judeus, se defendem contra a Boa Notícia da ressurreição e mandaram dizer que o corpo foi roubado pelos discípulos (Mt 28,11-13). Tudo isto acontece hoje. De um lado, o esforço de tanta gente boa para viver e testemunhar a ressurreição. De outro lado, tanta gente maldosa que combate a ressurreição e a vida.

* No evangelho de Mateus, a verdade da ressurreição de Jesus é contada através de uma linguagem simbólica, que revela o sentido escondido dos acontecimentos. Mateus fala de tremor de terra, de relâmpagos e anjos que anunciam a vitória de Jesus sobre a morte (Mt 28,2-4). É a linguagem apocalíptica, muito comum naquela época, para anunciar que, finalmente, o mundo foi transformado pelo poder de Deus! Realizou-se a esperança dos pobres que reafirmam sua fé: “Ele está vivo, no meio de nós!”

* Mateus 28,8: A alegria da Ressurreição vence o medo. 
Na madrugada do domingo, o primeiro dia da semana, duas mulheres foram ao sepulcro, Maria Madalena e Maria de Tiago, chamada a outra Maria. De repente, a terra tremeu e um anjo apareceu como um relâmpago. Os guardas que estavam vigiando o túmulo desmaiaram. As mulheres ficaram com medo, mas o anjo as reanimou, anunciando a vitória de Jesus sobre a morte e enviando-as a reunir os discípulos de Jesus na Galileia. É na Galileia que eles poderão vê-lo de novo. Lá, onde tudo começou, acontecerá a grande revelação do Ressuscitado. A alegria da ressurreição começa a vencer o medo. Inicia-se o anúncio da vida e da ressurreição.

* Mateus 28,9-10: A aparição de Jesus às mulheres. 
As mulheres saem correndo. Dentro delas, há um misto de medo e de alegria. Sentimentos próprios de quem faz uma profunda experiência do Mistério de Deus. De repente, o próprio Jesus vai ao encontro delas e diz: “Alegrai-vos!”. Elas se prostram e o adoram. É a postura de quem acredita e acolhe a presença de Deus, mesmo que ela surpreenda e ultrapasse a capacidade humana de compreensão. Agora é o próprio Jesus que dá a ordem de reunir os irmãos na Galileia: "Não tenham medo. Vão anunciar aos meus irmãos que se dirijam para a Galileia. Lá eles me verão".

* Mateus 28,11-15: A astúcia dos inimigos da Boa Nova. 
A mesma oposição que Jesus encontrou em vida, aparece agora depois da sua ressurreição. Os chefes dos sacerdotes se reúnem e dão dinheiro aos guardas. Eles devem espalhar o boato de que os discípulos roubaram o corpo de Jesus e inventaram essa conversa de ressurreição. Os chefes recusam e combatem a Boa Notícia da Ressurreição. Preferem acreditar que tudo não passou de uma invenção dos discípulos e das discípulas de Jesus.

O significado do testemunho das mulheres. 
A presença das mulheres na morte, no enterro e na ressurreição de Jesus é significativa. Elas testemunharam a morte de Jesus (Mt 27,54-56). No momento do enterro, elas ficaram sentadas diante do sepulcro e, portanto, podiam dar testemunho do lugar onde fora colocado o corpo de Jesus (Mt 27,61). Agora, na madrugada do domingo, elas estão lá de novo. Sabem que aquele sepulcro vazio é realmente o de Jesus! A profunda experiência de morte e ressurreição que elas fizeram transformou suas vidas. Elas mesmas ressuscitaram e se tornaram testemunhas qualificadas da ressurreição nas Comunidades cristãs. Por isso, recebem a ordem de anunciar: "Jesus está vivo! Ele ressuscitou!"

Para um confronto pessoal
1) Qual é a experiência de ressurreição na minha vida? Existe em mim alguma força que procura combater a experiência de ressurreição? Como reajo?
2) Qual é hoje a missão da nossa comunidade como discípulos e discípulas de Jesus? De onde podemos tirar força e coragem para cumprir nossa missão?

Ladainha de Jesus Ressuscitado

Senhor tende piedade de nós,
Cristo tende piedade de nós;
Senhor tende piedade de nós.

Cristo ouvi-nos,
Cristo atendei-nos.

Deus Pai do Céu, tende piedade nós.
Deus Filho Redentor do mundo, ...
Deus Espirito Santo, ...,
Santíssima Trindade que sois um só́ Deus, ...

Jesus Cristo, morto pelos nossos pecados e ressuscitado para nossa justificação,
TENDE PIEDADE DE NÓS.
Jesus, que ressuscitastes glorioso do sepulcro,
Jesus Ressuscitado, anunciado pelo anjo às santas mulheres,
Jesus Ressuscitado, que confiastes a Maria Madalena o primeiro anúncio da alegria pascal,
Jesus Ressuscitado, que caminhastes com os discípulos de Emaús,
Jesus Ressuscitado, que explicastes as Escrituras aos discípulos,
Jesus Ressuscitado, reconhecido ao partir do pão,
Jesus Ressuscitado, que vos manifestastes a Simão Pedro,
Jesus Ressuscitado, que aparecestes a Tiago,
Jesus Ressuscitado, que aparecestes aos apóstolos reunidos no Cenáculo,
Jesus Ressuscitado, que vos manifestastes a mais de quinhentos discípulos reunidos,
Jesus Ressuscitado, que concedestes à Igreja a missão de perdoar os pecados,
Jesus Ressuscitado, que confirmastes a fé de S. Tomé Apóstolo,
Jesus Ressuscitado, nosso Senhor e nosso Deus,
Jesus Ressuscitado, que vos manifestastes às margens do mar da Galileia,
Jesus Ressuscitado, reconhecido pelo discípulo amado,
Jesus Ressuscitado, que recebestes a confissão de amor do apóstolo Pedro,
Jesus Ressuscitado, que confiastes a Pedro o pastoreio das ovelhas,
Jesus Ressuscitado, que abençoastes os discípulos,
Jesus Ressuscitado, que prometestes permanecer conosco até o fim do mundo,
Jesus Ressuscitado, que subistes glorioso aos céus,
Jesus Ressuscitado, que enviastes o Espírito Santo prometido,
Jesus Ressuscitado, que aparecestes glorioso a S. Estêvão em seu martírio,
Jesus Ressuscitado, que vos manifestastes a S. Paulo no caminho de Damasco,
Jesus Ressuscitado, que morrestes e ressuscitastes para ser Senhor dos vivos e dos mortos, ...
Jesus Ressuscitado, estabelecido Filho de Deus, com poder, por sua ressurreição, ...
Jesus Ressuscitado, cumprimento das profecias e fundamento da nossa Fé, ...
Jesus Ressuscitado, pedra rejeitada pelos construtores que se tornou a pedra angular, ...
Jesus Ressuscitado, no qual todas as coisas se fazem novas
Jesus Ressuscitado, por quem nos tornamos novas criaturas, ...
Jesus Ressuscitado, primícia dos que adormeceram e promessa da nossa ressurreição, ...
Jesus Ressuscitado, em quem Deus fez habitar toda plenitude da divindade, ...
Jesus Ressuscitado, que entrando no Céu estais diante de Deus e intercedeis em nosso favor, ...
Jesus Ressuscitado, por quem Deus nos reconciliou consigo, perdoando nossos pecados, ...
Jesus Ressuscitado, pelo qual nós temos acesso ao Pai, num só́ Espirito, ...
Jesus Ressuscitado, que recebestes do Pai o Espirito, e o derramastes sobre o mundo, ...
Jesus Ressuscitado, causa e modelo da nossa Ressurreição, ...
Jesus Ressuscitado, que ressuscitareis para a vida eterna todo aquele que crê em Vós, ...
Jesus Ressuscitado, Caminho, Verdade e Vida de todo aquele que crê em Vós, ...
Jesus Ressuscitado, que enviais discípulos a anunciar o Evangelho pelo mundo inteiro, ...
Jesus Ressuscitado, que nos tornastes filhos de Deus e herdeiros do Céu, ...,
Jesus Ressuscitado, presente e atuante na Igreja, ...
Jesus Ressuscitado, que nos chamais, peļa vossa Ressurreição, a ressuscitar da morte do pecado, ...
Jesus Ressuscitado, em quem experimentamos liberdade de Filhos de Deus, ...
Jesus Ressuscitado, por quem nos tornamos morada de Deus pelo Espirito, ...
Jesus Ressuscitado, por quem nos tornamos membros do mesmo Corpo, ...
Jesus Ressuscitado, que abris nossa mente para entender as Escrituras, ...
Jesus Ressuscitado, que vos revelais a nós na Eucaristia, ...
Jesus Ressuscitado, que nos convidais a reviver a Vossa Páscoa em cada Eucaristia, ...
Jesus Ressuscitado, em quem experimentamos a vitória sobre a morte e o medo, ...
Jesus Ressuscitado, que confortais os que sofrem pela justiça, ...
Jesus Ressuscitado, em quem encontramos os meios necessários para a ressurreição da sociedade, ...
Jesus Ressuscitado, em quem já́ somos ressuscitados, ...
Jesus Ressuscitado, em quem vivemos, não para nós mesmos, mas para Deus, ...
Jesus Ressuscitado, que voltareis glorioso no fim dos tempos,
Jesus Ressuscitado, que vireis com poder e glória para julgar os vivos e os mortos, ...
Jesus Ressuscitado, que nos convidais a partilhar convosco a vida e a glória do Céu, ...

Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos Senhor.
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos Senhor.
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.

L: Salvador do Mundo salvai-nos.
T: Vós que nos libertastes pela Cruz e Ressurreição.

Oração:
Ó Deus, por vosso Filho unigênito, vencedor da morte, abristes para nós as portas da eternidade. Concedei que, celebrando a ressurreição do Senhor, e renovados pelo vosso Espírito, ressuscitemos na luz da vida nova. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

sábado, 20 de abril de 2019

Domingo de Páscoa


1ª Leitura (At 10,34a.37-43): Naqueles dias, Pedro tomou a palavra e disse: «Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo que João pregou: Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando a todos os que eram oprimidos pelo Demônio, porque Deus estava com Ele. Nós somos testemunhas de tudo o que Ele fez no país dos judeus e em Jerusalém; e eles mataram-no, suspendendo-O na cruz. Deus ressuscitou-O ao terceiro dia e permitiu-Lhe manifestar-Se¬, não a todo o povo, mas às testemunhas de antemão designadas por Deus, a nós que comemos e bebemos com Ele, depois de ter ressuscitado dos mortos. Jesus mandou-nos pregar ao povo e testemunhar que Ele foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos. É d'Ele que todos os profetas dão o seguinte testemunho: quem acredita n’Ele recebe pelo seu nome a remissão dos pecados».

Salmo Responsorial: 117
R. Este é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria.

Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, porque é eterna a sua misericórdia. Diga a casa de Israel: é eterna a Sua misericórdia.

A mão do Senhor fez prodígios, a mão do Senhor foi magnífica. Não morrerei, mas hei de viver, para anunciar as obras do Senhor.

A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se pedra angular. Tudo isto veio do Senhor: e é admirável aos nossos olhos.

2ª Leitura (Col 3,1-4): Irmãos: Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde Cristo Se encontra, sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da terra. Porque vós morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a vossa vida, Se manifestar, então também vós vos haveis de manifestar com Ele na glória.

SEQUÊNCIA PASCAL

À Vítima pascal Ofereçam os cristãos sacrifícios de louvor O Cordeiro resgatou as ovelhas: Cristo, o Inocente, reconciliou com o Pai os pecadores.

A morte e a vida travaram um admirável combate: depois de morto, vive e reina o Autor da vida. Diz-nos, Maria: Que viste no caminho? Vi o sepulcro de Cristo vivo, e a glória do ressuscitado. Vi as testemunhas dos Anjos, vi o sudário e a mortalha.

Ressuscitou Cristo, minha esperança: precederá os seus discípulos na Galileia. Sabemos e acreditamos: Cristo ressuscitou dos mortos: Ó Rei vitorioso, tende piedade de nós.

Cristo, nosso Cordeiro Pascal, foi imolado: celebremos a festa do Senhor.

Evangelho (Jo 20,1-9): No primeiro dia da semana, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, Maria Madalena foi ao túmulo e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo. Ela saiu correndo e foi se encontrar com Simão Pedro e com o outro discípulo, aquele que Jesus mais amava. Disse-lhes: «Tiraram o Senhor do túmulo e não sabemos onde o colocaram».  Pedro e o outro discípulo saíram e foram ao túmulo. Os dois corriam juntos, e o outro discípulo correu mais depressa, chegando primeiro ao túmulo. Inclinando-se, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou. Simão Pedro, que vinha seguindo, chegou também e entrou no túmulo. Ele observou as faixas de linho no chão, e o pano que tinha coberto a cabeça de Jesus: este pano não estava com as faixas, mas enrolado num lugar à parte. O outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo, entrou também, viu e creu. De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos.

«O outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo, entrou também, viu e creu»

Mons. Joan Enric VIVES i Sicília Bispo de Urgell (Lleida, Espanha)

Hoje «é o dia que o Senhor fez», iremos cantando ao longo de toda a Páscoa. Essa expressão do Salmo 117 inunda a celebração da fé cristã, O Pai ressuscitou a seu Filho Jesus Cristo, o Amado, Aquele em quem se compraz porque amou a ponto de dar sua vida por todos.

Vivamos a Páscoa com muita alegria. Cristo ressuscitou: celebremo-lo cheios de alegria e de amor. Hoje, Jesus Cristo venceu a morte, o pecado, a tristeza… e nos abriu as portas da nova vida, a autêntica vida que o Espírito Santo continua a nos dar por pura graça. Que ninguém fique triste! Cristo é nossa Paz e nosso Caminho para sempre. Ele, hoje, «revela o homem a si mesmo e descobre-lhe a sua vocação sublime» (Concílio Vaticano II, Gaudium et Spes 22).

O grande sinal que nos dá o Evangelho é que o sepulcro de Jesus está vazio. Já não temos de procurar entre os mortos Aquele que vive, porque ressuscitou. E os discípulos, que depois o verão Ressuscitado, isto é, que o experimentarão vivo em um maravilhoso encontro de fé, percebem que há um vazio no lugar de sua sepultura. Sepulcro vazio e aparições serão os grandes sinais para a fé do crente. O Evangelho diz que «o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo, entrou também, viu e creu» (Jo 20,8). Ele soube compreender, pela fé, que aquele vazio e, por sua vez, aquela mortalha e aquele sudário bem dobrados, eram pequenos sinais do passo de Deus, da nova vida. O amor sabe captar, a partir de pequenos detalhes, o que os outros, sem ele, não captam. O «discípulo que Jesus mais amava» (Jo 20,2) guiava-se pelo amor que havia recebido de Cristo.

O “ver” e o “crer” dos discípulos hão de ser também os nossos. Renovemos nossa fé pascoal. Que Cristo seja, em tudo, o nosso Senhor. Deixemos que sua Vida vivifique a nossa e renovemos a graça do batismo que recebemos. Façamo-nos seus apóstolos e seus discípulos. Guiemo-nos pelo amor e anunciemos a todo o mundo a felicidade de crer em Jesus Cristo. Sejamos testemunhos esperançosos de sua Ressurreição.

«Jesus de Nazaré, o Crucificado. Ressuscitou»

+ Mons. Ramon MALLA i Call Bispo Emérito de Lleida (Lleida, Espanha)

Hoje, a Igreja celebra com júbilo a festa principal: o triunfo de sua Cabeça, Cristo Jesus. A Ressurreição de Jesus Cristo é um fato do qual não podemos duvidar. É compreensível que não seja estranho que um fato celestial, um corpo ressuscitado, não possa ser captado por meios terrenais. Mas, logo Maria Madalena e a mãe do Apóstolo Thiago, recebiam um testemunho indubitável, comprovado depois com muitas aparições, realizadas de modo tal que excluem totalmente a suspeita de alucinações. «Não vos assusteis! Procurais Jesus, o nazareno, aquele que foi crucificado? Ele ressuscitou! Não está aqui! Vede o lugar onde o puseram!» (Mc 16,6).

Além do gozo pelo fato da Ressurreição de Cristo, este acontecimento nos trai a alegria de contar com uma resposta, jubilosa e clara, aos interrogantes do homem: Que nos espera no final da vida? Que sentido tem o sofrimento na Terra? Não podemos duvidar que, depois da morte, espera-nos uma vida nova, que será eterna: «Lá o vereis, como ele vos disse!» (Mc 16,7). São Paulo o afirma com grande convencimento: «E, se já morremos com Cristo, cremos que também viveremos com Ele. Sabemos que Cristo, ressuscitado, dos mortos, não morre mais. A morte não tem mais poder sobre ele» (Rom 6,8-9). Logicamente, à interrogante sobre o final da vida, o cristão responde com alegre esperança.

O Evangelho de hoje ressalta que o jovem —o anjo— que fala às mulheres, une os dois conceitos de dor e glória: O que ressuscitou no mesmo que foi crucificado. Diz são Leão Magno: «...(pela tua cruz) os crentes recebem a força da debilidade, glória do opróbio e, vida da morte», as cruzes quotidianas são, então, caminho da Ressurreição.

«Por que estais procurando entre os mortos aquele que está vivo? Não está aqui. Ressuscitou»

Fr. Austin NORRIS (Mumbai, Índia)

Hoje, contemplamos a Glória do Senhor resplandecente em sua vitória sobre o sofrimento e a morte. Uma vida nova é prometida a todos que buscam e creem na Verdade de Jesus. Ninguém será desapontado, como não se sentiram as mulheres que «foram ao túmulo, levando os perfumes que tinham preparado» (Lc 24,1).

Os perfumes e unguentos que devemos carregar durante nossa existência são uma vida espalhando a Palavra de Deus, quando Jesus encarnado disse: «Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, [...], viverá. [...] não morrerá jamais.» (Jo 11,25-26)

No meio de nossa confusão e dor parecemos nos tornar míopes em visão, porque não conseguimos ver além de nosso entorno imediato. E «por que estais procurando entre os mortos aquele que está vivo?» (Lc 24,5) é um chamado a seguir Jesus e a buscar a presença do Senhor no “aqui e agora”; em meio ao povo do Senhor e seu sofrimento e for. Em sua carta pela Quaresma o Santo Padre Bento XVI menciona como «De fato, a salvação é dom, é graça de Deus, mas para fazer efeito na minha existência exige o meu consentimento, um acolhimento demonstrado nos fatos, ou seja, na vontade de viver como Jesus, de caminhar atrás Dele».

«Voltando do túmulo» (Lc 24,9) de nossas misérias, dúvidas e confusões, nós, por outro lado, somos capazes de dar a outros esperança e segurança neste vale de lágrimas. A escuridão do sepulcro «dá lugar à brilhante promessa da imortalidade.» (Prefácio da Missa dos Fiéis Defuntos). Que a glória do Senhor Jesus nos mantenha de pé com os olhos fitando o céu, e que possamos sempre ser considerados como um Povo Pascal. Que possamos passar de “Povo da Sexta-feira Santa” a “Povo da Páscoa”.

 «Ele não está aqui! Ressuscitou»

Fray Josep Mª MASSANA i Mola OFM (Barcelona, Espanha)

Hoje no Evangelho da vigília pascal, late um grande dinamismo: duas mulheres correm para o sepulcro, um terramoto, um anjo faz rodar a pedra, uns guardas assustados caem como mortos. E Jesus, vivo e ressuscitado, torna-se companheiro de caminho daquelas mulheres.

As mulheres são as primeiras a experimentar a ressurreição de Jesus, apenas por terem visto o sepulcro vazio e o anjo que lhes anuncia: «Vós não precisais ter medo! Sei que procurais Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui! Ressuscitou, como havia dito…» (Mt 28,5-6). São, também, as primeiras a dar testemunho da sua experiência: «Ide depressa contar aos discípulos: ‘Ele ressuscitou´» (Mt 28,7).

Imediatamente acreditam. Mas a sua fé é uma mistura de medo e de alegria. Sentiam medo pelas palavras do anjo, com o anuncio que vai para lá das expectativas humanas. E a alegria pela certeza da ressurreição do Senhor, porque as Escrituras tinham-se cumprido, pelo imenso privilégio da primazia pascal que receberam. A fé, pois, mesmo produzindo uma grande alegria interior, não exclui o medo.

Elas vão anunciar aquela experiência do Ressuscitado, que tiveram sem a ter visto. Jesus premia-lhes esta fé e aparece-lhes durante o caminho.

O centro de toda a experiência de fé não é em primeiro lugar uma doutrina nem uns dogmas. É a pessoa de Jesus. A fé das mulheres do Evangelho de hoje está centrada nele, na sua pessoa e não noutra coisa. Experimentaram-no vivo e vão anuncia-lo vivo!

Outra mulher, Santa Clara, escrevia a Santa Inês de Praga que deveria centrar-se em Jesus ressuscitado: «Observai, considerai, comtemplai a Jesus Cristo (...). Se sofrerdes com Ele, reinareis também com Ele; se chorardes com Ele, com Ele gozareis; se morrerdes com Ele na cruz da tribulação, possuireis com Ele as eternas moradas».

DOMINGO DE PÁSCOA


“Os cinquenta dias que mediam o domingo de Ressurreição até o domingo de Pentecoste hão de ser celebrados com alegria e júbilo, como se se trata de um só e único dia festivo, como um grande domingo” (Normas Universais sobre o Calendário, de 1969, n.22).

Pe Antonio Rivero L,C.

Na Páscoa não lemos o Antigo Testamento que é promessa e figura, e na Páscoa estamos celebrando a plenitude de Cristo e do seu Espírito. Como primeira leitura, lemos os Atos dos Apóstolos. A segunda leitura, neste ano ou ciclo C, é pega do livro do Apocalipse, em que de um modo muito dinâmico se descrevem as perseguições sofridas pelas primeiras gerações e a força que lhes deu a sua fé no triunfo de Cristo, representado pelo “Cordeiro”. Os evangelhos destes domingos pascais não vão ser tanto de Lucas, o evangelista do ciclo C, mas de João.

Podemos resumir em três aspectos a que nos compromete a páscoa: primeiro, à fé em Cristo Ressuscitado; segundo, essa fé tem que ser vivida em comunidade que se reúne cada domingo para celebrar essa páscoa mediante a Eucaristia e cria laços profundos de caridade e ajuda aos necessitados; e terceiro, essa fé nos impulsiona à missão evangelizadora. 

Inspirados nas famosas perguntas do famoso filósofo alemão do século XVIII, Kant, na sua obra Crítica da Razão Pura, responderemos estas três perguntas: o que posso saber da ressurreição de Cristo, o que devo fazer pela ressurreição de Cristo e o que posso esperar da ressurreição de Cristo.

Hoje é o domingo mais importante do ano. Domingo do que recebem sentido todos os outros domingos do ano. Daremos respostas a essas perguntas

Em primeiro lugar, o que podemos saber da ressurreição de Cristo? Tenhamos em consideração às testemunhas que viram Cristo ressuscitado. Eles terão tido as suas vivencias religiosas, as suas dúvidas, os seus convencimentos e discrepâncias. Mas todos coincidem nisto: três dias depois de ir ao enterro de Jesus, como 35 horas depois de fechar a sua tumba, encontraram-na aberta, com os sentinelas à porta e atordoados. O cadáver…? Sabotagem? Sequestro? Truque? Resulta que as três mulheres madrugadoras, ao chegar no sepulcro e se encontrar com a tumba vazia e dentro a notícia: “ressuscitou”, saíram correndo para levar a notícia aos discípulos. Lendas, mas de um fato. Logo resultou que Jesus apareceu como se nada dizendo que era o jardineiro, caminhante, comensal, animador. Ausências misteriosas e presencias repentinas que os colocavam em xeque. Vivencias místicas, mas de um acontecimento. Sabemos que os Evangelhos, que isso dizem, são livros históricos porque pertencem à época e autores que se diz. Autores que viveram com Jesus, viram-no, conversaram com Ele, conviveram… E até apostaram a própria cabeça pela ressurreição. E a perderam. Ninguém morre por um mito, um bulo, um truque. Isso é assim. A ressurreição é verdade. 

Em segundo lugar, o que devemos fazer pela ressurreição de Cristo? Se realmente acreditamos na ressurreição de Cristo e na sua força transformadora, então temos que fazer algo aqui na terra para levar esta boa notícia por todos os cantos do mundo, a todas as famílias e amigos, e também inimigos. O que posso fazer por essas favelas de São Paulo ou do Rio no Brasil, ou pelas ruas do Bronx negro em Nova York? Não chamam a minha atenção as favelas de canhas e barro de Calcutá, fome em tantas regiões do mundo, guerras loucas, injustiça, pobreza, pecado? Deixam-me dormir tranquilo o analfabetismo, a enfermidade, a exploração, a amargura, a desesperança, o sangue de Abel e da terra que põem o grito no céu? E a situação sanitária, escolar, laboral, humana do mundo é um pecado social, solidário e atroz. E famílias destruídas. E jovens nos paraísos perdidos da droga. Políticos sem escrúpulos que pisoteiam a lei de Deus, a lei natural e a justiça comutativa, social e distributiva. Isto é o que devemos fazer pelos bem dos homens e mulheres do mundo, pelos quais o Filho de Deus tal dia como na sexta-feira santa morreu para a sua libertação e tal dia como hoje ressuscitou para a sua glória imortal.   

Finalmente, o que podemos nós esperar da ressurreição de Cristo? Se formos esses Tomé incrédulos, podemos esperar que Cristo ressuscitado nesta Páscoa nos ressuscite a fé Nele e na sua Igreja, e nos deixe colocar os nossos dedos nas suas chagas abertas. Se formos esses discípulos de Emaús desencantados e sem ilusão, podemos esperar que se cruze pelo nosso caminho e nos renove a esperança Nele, embora tenha que nos chamar de lerdos e sem memória por não crer ou não ler com detenção as Sagradas Escrituras. Se formos essa Madalena triste e compungida, porque caiu para nós o nosso amor, a nossa família, podemos esperar que Cristo ressuscitado nos olhe de novo e nos chame pelo nosso nome como fez com Maria nessa primeira Páscoa, e assim recobrar a alegria da presença de Cristo na nossa vida que se faz presente nos sacramentos, sobretudo da Eucaristia e da Penitência. Se nos parecermos com esses discípulos fechados no cenáculo dos seus medos, contagiando-se de tristeza e dos remorsos por ter falhado o Mestre, deixemos alguma greta do nosso ser aberta para que Cristo ressuscitado entre e nos traga a paz, a sua paz. Se nos sentirmos como Pedro que negou Cristo, esperamos que Cristo ressuscitado se faça presente para nós e possamos renovar o nosso amor: “Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que eu te amo”.     

Para refletir: Creio em Cristo ressuscitado? Onde encontro Cristo ressuscitado na minha vida de cada dia? Tenho rosto de ressuscitado ou vivo numa perpétua Sexta-feira Santa: triste, pesaroso e cheio de pesar?

Para rezar: rezemos com Santo Agostinho: “Tarde te amei, meu Deus, formosura sempre antiga e sempre nova, tarde te amei. Tu estavas dentro de mim e eu fora de ti e assim por fora te buscava e, deforme como era, lançava-me sobre estas coisas formosas que Tu criaste. Tu estavas comigo, mas eu não estava contigo. Chamaste-me e clamaste e quebrantaste a minha surdez; brilhaste e resplandeceste e curaste a minha cegueira; exalaste o teu perfume e o aspirei, agora te almejo; provei-te e agora sinto fome e sede de Ti” (Confissões, livro 10, cap.27).

Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail:  arivero@legionaries.org

VIGÍLIA DA PÁSCOA


Repassemos as partes desta Solene Vigília Pascal, desentranhando o significado profundo sacramental e espiritual.

                                                                                  Pe. Antonio Rivero, L.C.

Depois de um dia transcorrido na oração e no silêncio, no Sábado, ao redor do sepulcro do Senhor, a comunidade cristã se reúne nesta noite para a celebração principal de todo a ano; a passagem da morte e do sepulcro à vida nova. Esta Vigília é o ponto de partida para os cinquenta dias da Páscoa, sete semanas de prolongação festiva que nos levarão à solenidade conclusiva, Pentecoste.

Em primeiro lugar, tudo começa desde fora da igreja, com o fogo novo, abençoado pelo sacerdotes, aspergindo-o com água benta. Iniciamos uma procissão seguindo o Círio Pascal, símbolo de Cristo Luz do mundo, e progressivamente com círios acesos nas mãos dos fiéis. É a figura do amor de Cristo que deseja arder como uma tocha acesa em cada alma. É como uma chama divina que deseja abrasar todas as almas para acendê-las no desejo das coisas eternas. Mas é também um fogo que deve queimar as nossas misérias, um fogo abrasador que nos purifique do nosso amor próprio, que nos vazie de nós mesmos para encher-nos de Deus. Depois escutamos o pregão inicial – “Exsultet” -, da festa pascal. Hino belíssimo que se remonta aos primeiros séculos do Cristianismo; cântico impregnado de júbilo pela ressurreição de Cristo, sobre o telão de fundo do pecado do homem e da misericórdia de Deus. Júbilo do céu, da terra e da Igreja. É o rito de entrada, hoje mais solene. Poderíamos chamar festa da luz ou “lucernário”.

Em segundo lugar, a proclamação da Palavra tem hoje mais leituras, sobretudo do Antigo Testamento, que vão nos conduzindo desde a criação até a nova criação ou ressurreição de Jesus. Aqui se cumpre o que Jesus disse aos de Emaús: “tudo o que está escrito na lei de Moisés e nos profetas e salmos sobre mim, tinha que se cumprir”. Estas leituras resumem as maravilhas de Deus a favor dos homens, culminando com a do evangelho da ressurreição que nos relata São Lucas. Palavras sagradas as que devemos recorrer com frequência para alimentar a alma, para saciar a sede de eternidade. Palavras que brotam do Senhor como da sua fonte para esclarecer a nossa inteligência e acender em nós o entusiasmo pelas coisas celestiais. É a festa da Palavra.

Em terceiro lugar, a parte sacramental desta noite é mais rica: antes de tudo celebramos o Batismo, junto com a renovação das promessas batismais por parte dos que estão já batizados. Pelo batismo fomos enxertados em Cristo. Foi a nossa ressurreição espiritual, pois graças a Ele passamos da morte a vida. Nesta parte invocamos a Deus para que com o seu poder santifique a água com que serão batizados, os catecúmenos. Recorremos para isso à Igreja triunfante, à Igreja do céu, através das ladainhas, rogando aos anhos e aos santos que intercedam diante do trono de Deus por nós e pelos que serão batizados. Ao abençoar a água, o sacerdote introduz nela o círio pascal, imagem de Cristo, com cujo contato adquire a sua virtude santificadora. É a festa da água.

Em quarto lugar, passamos agora aa Eucaristia, a principal de todo ano, na que participamos do Corpo e do Sangue do Ressuscitado. É Cristo como alimento para o caminho e para a luta pela santidade. É a festa do Pão e do Vinho, convertidos em comida celestial para a nossa salvação. A Eucaristia é um banquete. Venham e comam! Não fiquem com fome! É um banquete no qual Deus Pai nos serve o Corpo e o Sangue, a alma e a divindade do seu próprio Filho, feito Pão celestial. Pão singelo, pão terno, pão sem fermento… Mas já não é pão, mas o Corpo de Cristo. Venham e comam! Só se necessita o traje de gala da graça e da amizade com Deus, senão, não podemos nos aproximar da comunhão, pois “quem comer o Corpo de Cristo indignamente, come a sua própria condenação”, diz-nos São Paulo (1 Cor 11,27). Este pão da Eucaristia nos liberta desta morte e nos dá a vida imortal. Todo alimento nutre de acordo as suas propriedades. O alimento da terra alimenta para o tempo. O alimento celestial, Cristo Eucaristia, alimenta para a vida eterna.

Finalmente, especial esta noite é também a conclusão da Eucaristia, com os “aleluias” da despedida, a saudação cantada à Virgem e a prolongação, se for possível, de um pequeno ágape dos participantes no salão principal da paróquia. É a festa da vida pascal, feita convívio e caridade fraterna.       

Para refletir: Do Pregão Pascal da Vigília Pascal, meditemos:
Esta é a noite em que,
Quebradas as correntes da morte,
Cristo ascende vitorioso do abismo.
De que serviria termos nascido
Se não fossemos sido resgatados?
Que assombroso benefício do vosso amor por nós!
Que incomparável ternura e caridade!
Para resgatar o escravo, entregaste o Filho!
Necessário foi o pecado de Adão,
Que foi apagado pela morte de Cristo.
Feliz culpa que mereceu tão grande Redentor!

Para rezar: Louvamos-te, Senhor, pela vossa ressurreição maravilhosa! Obrigado por morrer como o grão de trigo para nos gerar como os muitos grãos cheios com a vossa vida divina! Obrigado por morrer como o Unigênito de Deus e ressuscitar como o Primogênito, conosco como os muitos irmãos! Agora somos filhos e irmãos de Cristo! Obrigado por fazer-nos a semente corporativa, vossa continuação e vossa produção! Senhor, só queremos colaborar convosco o melhor possível hoje, permitindo-Vos viver em nós para nós poder viver-vos! Somos a vossa expressão e a vossa continuação, somos os vossos “longos dias”!