S. Úrsula e suas 11
companheiras, virgens e mártires
Bto. Carlos da Áustria, imperador leigo
1ª Leitura (Ef 3,2-12): Irmãos:
Certamente já ouvistes falar da graça que Deus me confiou a vosso favor: por
uma revelação, foi-me dado a conhecer o mistério de Cristo, como já o
apresentei sumariamente. Assim podeis compreender o conhecimento que tenho do
mistério de Cristo. Nas gerações passadas, ele não foi dado a conhecer aos
filhos dos homens, como agora foi revelado pelo Espírito Santo aos seus santos
apóstolos e profetas: os gentios recebem a mesma herança que os judeus,
pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por
meio do Evangelho. Deste Evangelho me tornei ministro, pelo dom da graça que
Deus me concedeu pela força do seu poder. A mim, o último de todos os santos,
foi concedida a graça de anunciar aos gentios a insondável riqueza de Cristo e
de manifestar a todos como se realiza o mistério escondido, desde toda a
eternidade, em Deus, criador de todas as coisas. E agora é por meio da Igreja,
que se dá a conhecer aos principados e potestades celestes a multiforme
sabedoria de Deus, realizada, conforme o seu eterno desígnio, em Jesus Cristo,
nosso Senhor. Assim, é pela fé em Cristo que podemos aproximar-nos de Deus com
toda a confiança.
Salmo Responsorial: Is 12
R. Ireis com alegria às fontes da salvação.
Deus é o meu Salvador, tenho confiança e nada temo. O Senhor
é a minha força e o meu louvor. Ele é a minha salvação.
Tirareis água, com alegria, das fontes da salvação.
Agradecei ao Senhor, invocai o seu nome, Anunciai aos povos a grandeza das suas
obras, proclamai a todos que o seu nome é santo.
Cantai ao Senhor, porque Ele fez maravilhas, anunciai-as em
toda a terra. Entoai cânticos de alegria e exultai, habitantes de Sião, porque
é grande no meio de vós o Santo de Israel.
Aleluia. Vigiai e estai preparados, porque na hora em que
não pensais virá o Filho do homem. Aleluia.
Evangelho (Lc 12,39-48): Naquele
tempo, o Senhor disse aos seus discípulos: Ficai certos: se o dono da casa
soubesse a que horas viria o ladrão, não deixaria que fosse arrombada sua casa.
Vós também ficai preparados! Pois na hora em que menos pensais, virá o Filho do
Homem. Então Pedro disse: Senhor, é para nós ou para todos que contas esta
parábola? O Senhor respondeu: Quem é o administrador fiel e atento, que o
senhor encarregará de dar à criadagem a ração de trigo na hora certa? Feliz
aquele servo que o senhor, ao chegar, encontrar agindo assim! Em verdade, vos
digo: ele lhe confiará a administração de todos os seus bens. Ora, se um outro
servo pensar: Meu senhor está demorando e começar a bater nos criados e nas
criadas, a comer, beber e embriagar-se, o senhor daquele servo chegará num dia
inesperado e numa hora imprevista, ele o excluirá e lhe imporá a sorte dos
infiéis. O servo que, conhecendo a vontade do senhor, nada preparou, nem agiu
conforme a sua vontade, será chicoteado muitas vezes. O servo, porém, que não
conhecendo essa vontade fez coisas que merecem castigo, será chicoteado poucas
vezes. Portanto, todo aquele a quem muito foi dado, muito lhe será pedido; a
quem muito foi confiado, dele será exigido muito mais!
«Vós também ficai preparados! Pois na hora em que menos
pensais, virá o Filho do Homem»
Rev. D. Josep Lluís SOCÍAS i Bruguera (Badalona, Barcelona,
Espanha)
Hoje, com a leitura deste fragmento do Evangelho, podemos
ver que cada pessoa é um administrador: quando nascemos, nos é dada uma herança
nos genes e algumas capacidades para nos realizarmos na vida. Descobrimos que
estas potencialidades e a própria vida são dons de Deus, pois nós nada fizemos
para consegui-las. É um presente pessoal, único e intransferível e, é isso o
que nos confere a nossa personalidade. São os talentos de que o próprio Jesus
nos fala (cf. Mt 25,15), as qualidades que devemos fazer crescer durante a
nossa existência.
«Pois na hora em que menos pensais, virá o Filho do Homem»
(Lc 12,40), Termina dizendo Jesus no primeiro parágrafo. A nossa esperança está
na vinda do Senhor Jesus no fim dos tempos; mas agora e aqui também Jesus se
faz presente na nossa vida, na simplicidade e na complexidade de cada momento.
É hoje quando, com a força do Senhor, podemos viver o seu Reino. Santo
Agostinho no-lo lembra com as palavras do Salmo 32,12: «Ditosa a nação cujo
Deus é o Senhor, para que podamos ser conscientes disso, formando parte desta
nação».
«Vós também ficai preparados!» (Lc 12,40), esta exortação
representa uma chamada à fidelidade, a qual está subordinada ao egoísmo. Temos
a responsabilidade de saber "dar resposta" aos bens que recebemos
juntos com a nossa vida. «Conhecendo a vontade do senhor» (Lc 12,47), é aquilo
a que chamamos a nossa "consciência" e, é o que nos torna dignamente
responsáveis pelos nossos atos. A resposta generosa pela nossa parte à face da
humanidade, à face de cada um dos seres vivos, é algo justo e cheio de amor.
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Tomara o Senhor se dignasse a me despertar do sono de minha
desídia, eu, que ainda sendo vil, sou seu servo! Tomara me inflamasse no desejo
de seu amor incomensurável e me acendesse com o fogo de sua divina caridade»
(São Columbano, abade)
«A sonolência dos discípulos segui sendo ao longo dos
séculos uma ocasião favorável para o poder do mal. Essa falta de sensibilidade
das almas confere um poder no mundo ao maligno» (Bento XVI)
«Em jesus, “o Reino de Deus está perto”. Ele apela à
conversão e à fé, mas também à vigilância. Na oração, o discípulo vela, atento
Aquele que é e que vem(...). Em comunhão com o Mestre, a oração dos discípulos
é um combate; é vigiando na oração que não se cai na tentação» (Catecismo da
Igreja Católica, n° 2612)
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
* O evangelho de hoje traz novamente uma exortação à
vigilância com outras duas parábolas. Ontem, a parábola era de patrão e
empregado (Lc 12,36-38). Hoje, a primeira parábola é do dono de casa e do
ladrão (Lc 12,39-40) e a outra fala do proprietário e do administrador (Lc
12,41-47).
* Lucas 12,39-40: A parábola do dono da casa e do ladrão.
“Fiquem certos: se o dono da casa soubesse a hora em que o ladrão iria
chegar, não deixaria que lhe arrombasse a casa. Vocês também estejam
preparados! Porque o Filho do Homem vai chegar na hora em que vocês menos
esperarem”. Assim como o dono da casa não sabe a que hora chega o ladrão, assim
ninguém sabe a hora da chegada do Filho do Homem. Jesus deixa bem claro:
"Quanto a esse dia e essa hora, ninguém sabe nada, nem os anjos, nem o
Filho, mas somente o Pai!" (Mc 13,32). Hoje, muita gente vive preocupada
com o fim do mundo. Nas ruas das cidades, se vê escrito nas paredes: Jesus
voltará! Teve até gente que, angustiada com a proximidade do fim do mundo,
chegou a cometer suicídio. Mas o tempo passa e o fim não chega! Muitas vezes, a
afirmação “Jesus voltará” é usada para meter medo nas pessoas e obrigá-las a frequentar
uma determinada igreja! De tanto esperar e especular em torno da vinda de
Jesus, muita gente já nem percebe mais a presença dele no meio de nós, nas
coisas mais comuns da vida, nos fatos do dia a dia. Pois o que importa mesmo
não é saber a hora do fim deste mundo, mas sim ter um olhar capaz de perceber a
vinda de Jesus já presente no meio de nós na pessoa do pobre (cf Mt 25,40) e em
tantos outros modos e acontecimentos da vida de cada dia.
* Lucas 12,41: A pergunta de Pedro. “Então Pedro
disse a Jesus: "Senhor, estás contando essa parábola só para nós, ou para
todos?" Não se vê bem o porquê desta pergunta de Pedro. Ela evoca um outro
episódio, no qual Jesus respondeu a uma pergunta semelhante dizendo: “A vocês é
dado conhecer o mistério do Reino de Deus, mas aos outros tudo é dado a
conhecer em parábolas” (Mt 13,10-11; Lc
8,9-10).
* Lucas 12,42-48ª: A parábola do proprietário e do
administrador. Na resposta à pergunta de Pedro Jesus formula uma outra
pergunta em forma de parábola: "Quem é o administrador fiel e prudente,
que o senhor coloca à frente do pessoal de sua casa, para dar a comida a todos
na hora certa?” Logo em seguida, o Jesus mesmo, na própria parábola, já dá a
resposta: bom administrador é aquele que cumpre sua missão de servidor, nunca
usa os bens recebidos em proveito próprio, e está sempre vigilante e atento.
Talvez seja uma resposta indireta à pergunta de Pedro, como se dissesse: “Pedro,
a parábola é realmente para você! É para você saber administrar bem a missão
que Deus lhe deu como coordenador das comunidades. Neste sentido, a resposta
vale também para cada um de nós. E aí toma muito sentido a advertência final:
“A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito
mais será exigido”.
* A chegada do Filho do Homem e o fim deste mundo. A
mesma problemática havia nas comunidades cristãs dos primeiros séculos. Muita
gente das comunidades dizia que o fim deste mundo estava perto e que Jesus
voltaria logo. Alguns da comunidade de Tessalônica na Grécia, apoiando-se na
pregação de Paulo, diziam: “Jesus vai voltar logo!” (1Tes 4,13-18; 2Tes 2,2).
Por isso, havia até pessoas que já não trabalhavam, porque achavam que a vinda
fosse coisa de poucos dias ou semanas. Trabalhar para que, se Jesus ia voltar
logo? (cf 2Ts 3,11). Paulo responde que não era tão simples como eles
imaginavam. E aos que já não trabalhavam avisava: “Quem não quiser trabalhar
não tem direito de comer!” Outros ficavam só olhando o céu, aguardando o
retorno de Jesus sobre as nuvens (cf At 1,11). Outros reclamavam da demora (2Pd
3,4-9). Em geral, os cristãos viviam na expectativa da vinda iminente de Jesus.
Jesus viria realizar o Juízo Final para encerrar a história injusta deste mundo
cá de baixo e inaugurar a nova fase da história, a fase definitiva do Novo Céu
e da Nova Terra. Achavam que isto aconteceria dentro de uma ou duas gerações.
Muita gente ainda estaria viva quando Jesus fosse aparecer glorioso no céu (1Ts
4,16-17; Mc 9,1). Outros, cansados de esperar, diziam: “Ele não vai voltar
nunca! (2Pd 3,4). Até hoje, a vinda final de Jesus ainda não aconteceu! Como
entender esta demora? É que já não percebemos que Jesus já voltou, já está no
nosso meio: “Eis que eu estarei com vocês todos os dias, até o fim do
mundo." (Mt 28,20). Ele já está do nosso lado na luta pela justiça, pela
paz, pela vida. A plenitude ainda não chegou, mas uma amostra ou garantia do
Reino já está no meio de nós. Por isso, aguardamos com firme esperança a
libertação plena da humanidade e da natureza (Rm 8,22-25). E enquanto esperamos
e lutamos, dizemos acertadamente: “Ele já está no meio de nós!” (Mt 25,40).
Para um confronto pessoal
1) A resposta de Jesus a Pedro serve também para nós,
para mim. Será que sou um bom administrador, uma boa administradora da missão
que recebi?
2) Como faço para estar vigilante sempre?