domingo, 27 de maio de 2018

Segunda-feira da 8ª semana do Tempo Comum


1ª Leitura (1Pe 1,3-9): Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, na sua grande misericórdia, nos fez renascer, pela ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos, para uma esperança viva, para uma herança que não se corrompe, nem se mancha, nem desaparece. Esta herança está reservada nos Céus para vós, que pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé, para a salvação que se vai revelar nos últimos tempos. Isto vos enche de alegria, embora vos seja preciso ainda, por pouco tempo, passar por diversas provações, para que a prova a que é submetida a vossa fé – muito mais preciosa que o ouro perecível, que se prova pelo fogo – seja digna de louvor, glória e honra, quando Jesus Cristo Se manifestar. Sem O terdes visto, vós O amais; sem O ver ainda, acreditais n’Ele. E isto é para vós fonte de uma alegria inefável e gloriosa, porque conseguis o fim da vossa fé: a salvação das vossas almas.

Salmo Responsorial: 110
R. O Senhor jamais esquecerá a sua aliança.
Louvarei o Senhor de todo o coração, no conselho dos justos e na assembleia. Grandes são as obras do Senhor, admiráveis para os que nelas meditam.

Deu sustento àqueles que O temem e jamais esquecerá a sua aliança. Fez ver ao seu povo as suas obras, para lhe dar a herança das nações.

Enviou a redenção ao seu povo, firmou com ele uma aliança eterna. Santo e venerável é o seu nome; o louvor do Senhor permanece eternamente.

Aleluia. Jesus Cristo, sendo rico, fez-Se pobre, para nos enriquecer na sua pobreza. Aleluia.

Evangelho (Mc 10,17-27): Jesus saiu caminhando, quando veio alguém correndo, caiu de joelhos diante dele e perguntou: «Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna?». Disse Jesus: «Por que me chamas de bom? Só Deus é bom, e mais ninguém. Conheces os mandamentos: não matarás, não cometerás adultério, não roubarás, não levantarás falso testemunho, não prejudicarás ninguém, honra teu pai e tua mãe!». Ele então respondeu: «Mestre, tudo isso eu tenho observado desde a minha juventude». Jesus, olhando bem para ele, com amor lhe disse: «Só te falta uma coisa: vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me». Ao ouvir isso, ele ficou pesaroso por causa desta palavra e foi embora cheio de tristeza, pois possuía muitos bens.  Olhando em volta, Jesus disse aos seus discípulos: «Como é difícil, para os que possuem riquezas, entrar no Reino de Deus». Os discípulos ficaram espantados com estas palavras. E Jesus tornou a falar: «Filhos, como é difícil entrar no Reino de Deus! É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus!» Eles ficaram mais admirados e diziam uns aos outros: «Quem então poderá salvar-se?» Olhando bem para eles, Jesus lhes disse: «Para os homens isso é impossível, mas não para Deus. Para Deus tudo é possível!»

«Vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres;(…) vem e segue-me»

P. Joaquim PETIT Llimona, L.C. (Barcelona, Espanha)

Hoje a liturgia apresenta-nos um evangelho, onde é difícil ficar indiferente se o encaramos com sinceridade de coração.

Ninguém pode duvidar das boas intenções daquele jovem que se aproximou diante de Jesus para fazer-lhe uma pergunta: «Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna?» (Mc 10,17). Segundo o que nos expressa São Marcos, é claro que nesse coração havia uma necessidade de algo mais, pois é fácil supor que —como bom israelita— conhecia bem o que dizia a Lei ao respeito, mas no seu interior havia uma inquietação, uma necessidade de ir mais além, e por isso, interpela a Jesus.

Na nossa vida cristã temos que apreender a superar essa visão que reduz a fé a uma questão de mero cumprimento. Nossa fé é mais que isso. É uma adesão a Alguém, que é Deus. Quando pomos o coração em algo, pomos também a vida, e no caso da fé, superamos o conformismo que hoje parece sufocar a existência de tantos crentes. Quem ama não se conforma com dar qualquer coisa. Quem ama busca uma relação pessoal, próxima, leva em conta os detalhes e sabe descobrir em tudo uma ocasião para crescer no amor. Quem ama se entrega.

Em realidade, a resposta de Jesus à pergunta do jovem é uma porta aberta a essa entrega total por amor: «Vende tudo o que tens, dá-lhe tudo aos pobres (…); depois, vem e segue-me» (Mc 10,21). Não é um deixar porque sim, esse deixar é um dar-se, e é um dar-se que é expressão genuína do amor. Abramos, pois, o nosso coração a esse amor-doação. Vivamos a nossa relação com Deus nessa chave. Orar, servir, trabalhar, superar-se.... Todos são caminhos de entrega e, por tanto, caminhos de amor. Que o Senhor encontre em nós, não só um coração sincero, também um coração generoso e aberto às exigências do amor. Porque —em palavras de João Paulo II— «O amor que vem de Deus, amor terno e esponsal, é fonte de exigências profundas e radicais»

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* O evangelho de hoje traz dois assuntos: (1) conta a história do homem rico que perguntou pelo caminho da vida eterna (Mc 10,17-22), e (2) Jesus chama a atenção para o perigo das riquezas (Mc 10,23-27). O homem rico não aceitou a proposta de Jesus, pois era muito rico. Uma pessoa rica é protegida pela segurança que a riqueza lhe dá. Ela tem dificuldade em abrir mão desta segurança. Agarrada às vantagens dos seus bens, vive preocupada em defender seus próprios interesses. Uma pessoa pobre não costuma ter esta preocupação. Mas pode haver pobres com cabeça de rico. Então, o desejo de riqueza cria neles uma dependência e faz com que eles também se tornem escravos do consumismo. Ficam devendo prestações em todo canto e já não têm mais tempo para dedicar-se ao serviço do próximo. Com esta problemática na cabeça, tanto das pessoas como dos países, vamos ler e meditar o texto do homem rico.

* Marcos 10,17-19: A observância dos mandamentos e a vida eterna. 
Alguém chega perto de Jesus e pergunta: “Bom mestre, o que devo fazer para herdar a vida eterna?” O evangelho de Mateus informa que se tratava de um jovem (Mt 19,20.22). Jesus responde bruscamente: “Por que me chamas bom. Ninguém é bom senão só Deus! ” Jesus desvia a atenção de si mesmo e aponta para Deus, pois o que importa é fazer a vontade de Deus, revelar o Projeto do Pai. Em seguida, Jesus afirma: “Você conhece os mandamentos: não matar, não cometer adultério, não roubar, não levantar falso testemunho, não defraudar ninguém, honrar pai e mãe”. É importante olhar bem a resposta de Jesus. O jovem tinha perguntado pela vida eterna. Queria a vida junto de Deus! Mas Jesus não mencionou os três primeiros mandamentos que definem nosso relacionamento com Deus! Ele só lembrou aqueles que dizem respeito à vida junto do próximo! Para Jesus, só conseguimos estar bem com Deus, se soubermos estar bem com o próximo. Não adianta se enganar. A porta para chegar até Deus é o próximo.

* Marcos 10,20: Observar os mandamentos, para que serve? 
O homem responde dizendo que já observava os mandamentos desde a sua juventude. O curioso é o seguinte. Ele tinha perguntado pelo caminho da vida. Ora, o caminho da vida era e continua sendo: fazer a vontade de Deus expressa nos mandamentos. Quer dizer que ele observava os mandamentos sem saber para que serviam. Do contrário, não teria feito a pergunta. É como muitos católicos de hoje: não sabem dizer para que serve ser católico. ”Nasci num país católico, por isso sou católico! ” Coisa de costume!

* Marcos 10,21-22: Partilhar os bens com os pobres e seguir Jesus.
Ouvindo a resposta do jovem, “Jesus olhou para ele, o amou e lhe disse: Só uma coisa te falta: vai, vende o que tens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu, e em seguida vem e segue-me!” A observância dos mandamentos é apenas o primeiro degrau de uma escada que vai mais longe e mais alto. Jesus pede mais! A observância dos mandamentos prepara a pessoa para ela poder chegar à doação total de si a favor do próximo. Jesus pede muito, mas ele o pede com muito amor. O moço não aceitou a proposta de Jesus e foi embora, “pois era muito rico”.

* Marcos 10,23-27: O camelo e o fundo da agulha.
Depois que o jovem foi embora, Jesus comentou a decisão dele: Como é difícil um rico entrar no Reino de Deus! Os discípulos ficaram admirados. Jesus repete a mesma frase e acrescenta: É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino! A expressão “entrar no Reino” diz respeito, não só e nem em primeiro lugar à entrada no céu depois da morte, mas também e sobretudo à entrada na comunidade ao redor de Jesus. A comunidade é e deve ser uma amostra do Reino. A alusão à impossibilidade de um camelo passar pelo buraco de uma agulha vem de um provérbio popular da época usado pelo povo para dizer que uma coisa era humanamente impossível e inviável. Os discípulos ficaram chocados com a afirmação de Jesus e perguntavam uns aos outros: "Então, quem pode ser salvo?" Sinal de que não tinham entendido a resposta de Jesus ao homem rico: “Vai vende tudo, dá para os pobres e vem e segue-me!” O jovem tinha observado os mandamentos desde a sua juventude, mas sem entender o porquê da observância. Algo semelhante estava acontecendo com os discípulos. Eles já tinham abandonado todos os bens conforme o pedido de Jesus ao jovem rico, mas sem entender o porquê do abandono! Se o tivessem entendido, não teriam ficado chocados com a exigência de Jesus. Quando a riqueza ou o desejo da riqueza ocupa o coração e o olhar, a pessoa já não consegue perceber o sentido do evangelho. Só Deus mesmo para ajudar! Jesus olhou para os discípulos e disse: "Para os homens isso é impossível, mas não para Deus. Para Deus tudo é possível."

Para um confronto pessoal
1. Uma pessoa que vive preocupada com a sua riqueza ou que vive querendo adquirir aquelas coisas da propaganda na televisão, pode ela libertar-se de tudo para seguir Jesus e viver em paz numa comunidade cristã? É possível? O que você acha? Como é que você faz?
2. Conhece alguém que conseguiu largar tudo por causa do Reino? O que significa para nós hoje: “Vai vende tudo, dá aos pobres”? Como entender e praticar hoje os conselhos que Jesus deu ao jovem rico?

sábado, 26 de maio de 2018

SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE


1ª Leitura (Dt 4,32-34.39-40): Moisés falou ao povo, dizendo: «Interroga os tempos antigos que te precederam, desde o dia em que Deus criou o homem sobre a terra. Dum extremo ao outro dos céus, sucedeu alguma vez coisa tão prodigiosa? Ouviu-se porventura palavra semelhante? Que povo escutou como tu a voz de Deus a falar do meio do fogo e continuou a viver? Qual foi o deus que formou para si uma nação no seio de outra nação, por meio de provas, sinais, prodígios e combates, com mão forte e braço estendido, juntamente com tremendas maravilhas, como fez por vós o Senhor vosso Deus no Egito, diante dos vossos olhos? Considera hoje e medita em teu coração que o Senhor é o único Deus, no alto dos céus e cá em baixo na terra, e não há outro. Cumprirás as suas leis e os seus mandamentos, que hoje te prescrevo, para seres feliz, tu e os teus filhos depois de ti, e tenhas longa vida na terra que o Senhor teu Deus te vai dar para sempre».

Salmo Responsorial: 32
R. Feliz o povo que o Senhor escolheu para sua herança.
A palavra do Senhor é reta, da fidelidade nascem as suas obras. Ele ama a justiça e a retidão: a terra está cheia da bondade do Senhor.

A palavra do Senhor criou os céus, o sopro da sua boca os adornou. Ele disse e tudo foi feito, Ele mandou e tudo foi criado.

Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem, para os que esperam na sua bondade,
para libertar da morte as suas almas e os alimentar no tempo da fome.

A nossa alma espera o Senhor: Ele é o nosso amparo e protetor. Venha sobre nós a vossa bondade, porque em Vós esperamos, Senhor.

2ª Leitura (Rom 8,14-17): Irmãos: Todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Vós não recebestes um espírito de escravidão para recair no temor, mas o Espírito de adopção filial, pelo qual exclamamos: «Abá, Pai». O próprio Espírito dá testemunho, em união com o nosso espírito, de que somos filhos de Deus. Se somos filhos, também somos herdeiros, herdeiros de Deus e herdeiros com Cristo; se sofrermos com Ele, também com Ele seremos glorificados.

Aleluia. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, ao Deus que é, que era e que há de vir. Aleluia.

Evangelho (Mt 28,16-20): Os onze discípulos voltaram à Galileia, à montanha que Jesus lhes tinha indicado. Quando o viram, prostraram-se; mas alguns tiveram dúvida. Jesus se aproximou deles e disse: «Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações, e batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-lhes a observar tudo o que vos tenho ordenado. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos».

«Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações, e batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo»

Mons. F. Xavier CIURANETA i Aymí Bispo Emérito de Lleida (Lleida, Espanha)

Hoje, a liturgia convida-nos adorar a Santíssima Trindade, nosso Deus, que é Pai, Filho e Espírito Santo. Um só deus em três pessoas, em nome do qual temos sido batizados. Pela graça do Batismo estamos chamados a formar parte na vida da Santíssima Trindade, aqui neste mundo, na obscuridade da fé e, após da morte, na vida eterna. Pelo Sacramento do Batismo, temos sido criados para participar da vida divina, chegando a ser até filho do Pai Deus, irmãos em Cristo e templos do Espírito Santo. No Batismo tem começado a nossa vida cristã, recebendo a vocação à santidade. Pelo Batismo, pertencemos a Aquele que é por excelência o Santo o «três vezes Santo». (cf.Is6,3)

O dom da santidade recebido no batismo pede a fidelidade uma tarefa de conversão evangélica que vai dirigir sempre a vida toda dos filhos de Deus: «A vontade de Deus é que sejais santos e que vos afasteis da imoralidade sexual» (1Tes 4,3). É um compromisso que afeta a todos os batizados. «Todos os fiéis, seja qual for o seu estado ou condição, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade» (Concilio Vaticano II, Lumen Gentium,n.40).

Se nosso batismo foi uma verdadeira entrada na santidade de Deus, não podemos conformarmos com uma vida medíocre, rotineira e superficial. Estamos chamados à perfeição no amor, já que o Batismo introduziu-nos na vida e na intimidade do amor de Deus.

Com agradecimento sincero, pelo desígnio benévolo de nosso Deus, que nos tem chamado a participar de sua vida de amor, o adoremos e o louvemos, hoje e sempre. «Seja abençoado Pai Deus, seu único Filho e o Espírito Santo porque teve misericórdia de nós» (Antífona de entrada da missa).

Deus é um Deus próximo.

Pe. Antonio Rivero, L.C.

Os Padres da Igreja chamavam esta verdade de condescendência divina, um “abaixar-se de Deus”, acomodar-se às capacidades do homem. E tudo por amor.

Neste ciclo B se apresenta para nós um Deus próximo a nossa vida: que por amor gratuito fez de Israel o seu povo eleito, que por amor paterno lhe dirigiu a sua Palavra, que com amor firme o libertou “com mão forte e braço poderoso” da escravidão (1ª leitura), e que aos que estamos batizados no seu Nome nos concedeu ser filhos adotivos seus (2ª leitura) e nos lançou pelo mundo para ensinar esta verdade ensinada por Cristo (evangelho).

Em primeiro lugar, esse abaixar-se de Deus até nós foi progressivo. São Gregório Nazianzeno diz: “No Antigo Testamento se revelou claramente o Pai e começou a se revelar, de forma ainda velada e escura, o Filho. No Novo Testamento, se revelou claramente o Filho e começou a fazer-se luz o Espírito Santo. Agora (na Igreja), o Espírito habita entre nós e se revela abertamente. Desse modo, por sucessivas conquistas e ascensões, passando de claridade em claridade, era necessário que a luz da Trindade brilhasse diante dos olhos já iniciados na luz” (Oratio, 31,26). Santo Agostinho viu com mais clareza este mistério: esse Deus que se aproxima e condescende com o homem é Amor, é uma Trindade de Amor na qual o Pai é o amante, o Filho, o amado, e o Espírito Santo, a amor (cf. De Trinitate, VIII, 10,14; IX, 2,2). A primeira leitura nos dá gestos de amor desse Deus: nos fala através dos patriarcas, profetas; salva-nos da escravidão. Ele será a alegria para nós, com tal de guardarmos a sua Palavra e os seus mandamentos.

Em segundo lugar, na segunda leitura de hoje este Deus tão próximo dá um passo mais: é Pai amoroso e nós somos filhos no Filho. A analogia nos permite distinguir claramente entre a nossa filiação e a do Senhor Jesus: Ele é Filho por natureza, nós somos por incorporação. A mesma analogia, embora imperfeita, não é uma filiação fictícia, mas “uma participação real na vida do Filho único” (Catecismo da Igreja Católica, 460), “por quem podemos invocar Deus Pai com o mesmo nome familiar que usava Jesus: Abba” (Juan Pablo II, Catequese do dia 16 de dezembro, 1998). Por que é uma filiação autêntica? Porque se realizou em nós uma profunda mudança na nossa natureza, uma transformação ontológica que nos configura com o Senhor Jesus e nos incorpora no seu Corpo místico, que é a Igreja (Catecismo da Igreja Católica, 1121; 1272-1273). Por um Dom do Pai os que cremos no Filho único chegamos a ser verdadeiramente filhos no Filho único (Jo 1,12), segundo a comovida expressão do apóstolo João: “Vede com que amor o Pai nos amou para nos chamar filhos de Deus, e de fato, o somos!” (1 Jo 3,1).   

Finalmente, no evangelho se dá o terceiro passo desta bela revelação de Deus. Deus é Trindade. O Deus uno e simples, vive em três Pessoas: o Pai, o Filho, que assumiu carne em Cristo, e o Espírito Santo. A Trindade significa que Deus não é um Deus solitário, mas é uma comunidade de amor. Deus é um amor feito vida: amor como pessoa. O resto do que sabemos ou podemos saber de Deus vem como consequência. E neste evangelho, Cristo nos anuncia a missão que encomendou à Igreja. É uma triple missão: evangelizadora (“Ide e fazei discípulos”), celebrativa (“batizando-os no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”) e vivencial (“ensinando-os a guardar tudo que eu vos mandei”). 

Para refletir: Como experimento na minha vida o amor da Santíssima Trindade? Como trato cada dia a Trindade Santa? Com qual Pessoa divina tenho mais intimidade: com o Pai, com o Filho, com o Espírito Santo? Com quem mais me assemelho: com o Pai na sua ternura, com o Filho na sua sabedoria, como Espírito Santo no seu bálsamo consolador?

Para rezar: Rezemos com a beata Isabel da Trindade: “Ó meu Deus, trindade adorável, ajudai-me a esquecer-me de mim por inteiro para me estabelecer em Vós!  Ó meu Cristo amado, crucificado por amor! Sinto a minha impotência e vos peço que me revistais de Vós mesmo, que identifiqueis a minha alma com todos os movimentos da vossa alma; que me substituais, para que a minha vida não seja mais que uma irradiação da vossa própria vida. Vinde a mim como adorador, como reparador e como salvador…  Ó fogo consumidor, Espírito de amor! Vinde a mim, para se faça em minha alma uma como encarnação do Verbo: que eu seja para ele uma humanidade sobre acrescentada na que ele renove todo o seu mistério. E Vós, Ó Pai, inclinai-vos sobre a vossa criatura; não vejais nela mais que o vosso amado no qual pusestes todas as vossas complacências. Ó meus três, meu tudo, minha felicidade, solidão infinita, imensidão na qual me perco! Entrego-me a Vós como uma presa; sepultai-vos em mim para que me sepultar em Vós, na espera de ir para contemplar na vossa luz o abismo das vossas grandezas”.

Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail: arivero@legionaries.org

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Sábado VII do Tempo Comum


S. Felipe Neri, presbítero
1ª Leitura (Tg 5,13-20): Caríssimos: Sofre alguém no meio de vós? Reze. Sente-se alguém alegre? Cante. Está doente alguém entre vós? Mande chamar os presbíteros da Igreja para que orem por ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração feita com fé salvará o enfermo e o Senhor o restabelecerá; e se tiver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados. Confessai uns aos outros os vossos pecados e orai uns pelos outros, para que sejais curados. A oração persistente do justo tem muito poder. Elias era um homem semelhante a nós: orou com insistência para que não chovesse e não choveu sobre a terra durante três anos e três meses. Orou novamente e o céu fez cair a chuva e a terra deu o seu fruto. Meus irmãos, se algum de vós se afastar da verdade e outro o converter, sabei que aquele que reconduz um pecador do erro à verdade salvará a sua alma da morte e obterá o perdão de muitos pecados.

Salmo Responsorial: 140
R. Suba até Vós, Senhor, a minha oração, como fumo de incenso.
Senhor, a Vós clamo, socorrei-me sem demora, escutai a minha voz quando Vos invoco. Suba até Vós a minha oração como incenso, elevem-se as minhas mãos como oblação da tarde.

Guardai, Senhor, a minha boca, defendei a porta dos meus lábios. Para Vós, Senhor, se voltam os meus olhos: em Vós me refugio, não me desampareis. me refugio, não me desampareis.

Aleluia. Bendito sejais, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque revelastes aos pequeninos os mistérios do reino. Aleluia.

Evangelho (Mc 10,13-16): Algumas pessoas traziam crianças para que Jesus as tocasse. Os discípulos, porém, as repreenderam. Vendo isso, Jesus se aborreceu e disse: «Deixai as crianças virem a mim. Não as impeçais, porque a pessoas assim é que pertence o Reino de Deus. Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele!». E abraçava as crianças e, impondo as mãos sobre elas, as abençoava.

«Deixai as crianças virem a mim»

Rev. D. Josep Lluís SOCÍAS i Bruguera (Badalona, Barcelona, Espanha)

Hoje, as crianças são notícia. Mais que nunca, as crianças têm muito que dizer, porém que a palavra "criança" significa "aquele que não fala". O vemos nos meios tecnológicos: eles são capazes de fazê-los funcionar, de usá-los e, até, ensinar aos adultos sua correta utilização. Já dizia um articulista que, «apesar de que as crianças não falam, elas pensam».

No fragmento do Evangelho de Marcos encontramos varias considerações. «Algumas pessoas traziam crianças para que Jesus as tocasse. Os discípulos, porém, as repreenderam» (Mc 10,13). Mas o Senhor, a quem no Evangelho lido nos últimos dias o vimos fazer de tudo para todos, com maior certeza se faz com as crianças. Assim, «Vendo isso, Jesus se aborreceu e disse: ‘Deixai as crianças virem a mim. Não as impeçais, porque a pessoas assim é que pertence o Reino de Deus» (Mc 10,14).

A caridade é ordenada: começa pelo mais necessitado. Quem está, pois, mais necessitado, mais "pobre" do que uma criança? Todo mundo tem direito a aproximar-se a Jesus; e a criança é a primeira que gozara deste direito: «Deixai as crianças virem a mim» (Mc 10,14).

Mas vejamos que, ao acolher aos mais necessitados, nós somos os primeiros beneficiados. Por isto, o Mestre adverte: «Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele!» (Mc 10,15). E, correspondendo ao talante simples e aberto das crianças, Ele as «abraçava (...) e, impondo as mãos sobre elas, as abençoava» (Mc 10,16).

Temos de aprender a arte de acolher o Reino de Deus. Quem for como uma criança — como os antigos "pobres de Yaveh"— percebe com facilidade que tudo é um dom, tudo é uma graça. E, para "receber" o favor de Deus, ouvir e contemplar com "silêncio receptivo". Segundo São Inácio de Antioquia, «vale mais calar e ser, do que falar e não ser (...). Aquele que possui a palavra de Jesus pode também, em verdade, escutar o silêncio de Jesus».

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* O evangelho de anteontem trazia conselhos de Jesus sobre o relacionamento dos adultos com os pequenos e excluídos (Mc 9,41-50). O evangelho de ontem trazia conselhos sobre o relacionamento entre homem e mulher, marido e esposa (Mc 10,1-12). O evangelho de hoje traz conselhos sobre o relacionamento com as mães e as crianças. Com os pequenos e excluídos Jesus pedia o máximo de acolhimento. No relacionamento homem-mulher, pedia o máximo de igualdade. Agora, com as crianças e suas mães, ele pede o máximo de ternura.

* Marcos 10,13-16: Receber o Reino como uma criança.
Trouxeram crianças para que Jesus as tocasse. Os discípulos tentam impedir. Por que impedem? O texto não diz. Talvez seja pelo fato de, conforme as normas rituais da época, crianças pequenas com suas mães, viverem quase constantemente na impureza legal. Tocar nelas significaria contrair impureza! Elas tocando em Jesus, ele também ficaria impuro! Mas Jesus não se incomoda com estas normas rituais da pureza legal. Ele corrige os discípulos e acolhe as mães com as crianças. Toca nelas, lhes dá um abraço dizendo: "Deixem as crianças vir a mim. Não lhes proíbam, porque o Reino de Deus pertence a elas”. E ele comenta: “Eu garanto a vocês: quem não receber como criança o Reino de Deus, nunca entrará nele." Então Jesus abraçou as crianças e abençoou-as, pondo a mão sobre elas. O que significa esta frase? 1) A criança recebe tudo dos pais. Ela não consegue merecer o que recebe, mas vive do amor gratuito. 2) Os pais recebem a criança como um dom de Deus e cuidam dela com todo carinho. A preocupação dos pais não é dominar a criança, mas sim amá-la e educá-la, para que cresça e se realize!

* Um sinal do Reino: Acolher os pequenos e os excluídos
Há muitos sinais da presença atuante do Reino na vida e na atividade de Jesus. Um deles é a sua maneira de acolher as crianças e os pequenos. Além do episódio do evangelho de hoje, eis uma lista de alguns outros momentos de acolhida aos pequenos e crianças:
1. Acolher e não escandalizar. Uma das palavras mais duras de Jesus é contra aqueles que causam escândalo nos pequenos, isto é, que são o motivo pelo qual os pequenos deixam de crer em Deus. Para estes, melhor seria ter uma pedra de moinho amarrada no pescoço e ser jogado nas profundezas do mar (Mc 9,42; Lc 17,2; Mt 18,6).
2. Identificar-se com os pequenos. Jesus abraça as crianças e identifica-se com elas. Quem recebe uma criança, é a "mim que recebe" (Mc 9,37). “E tudo que vocês fizerem a um destes mais pequenos foi a mim que o fizeram” (Mt 25,40).
3. Tornar-se como criança. Jesus pede que os discípulos se tornem como criança e aceitem o Reino como criança. Sem isso não é possível entrar no Reino (Mc 10,15; Mt 18,3; Lc 9,46-48). Ele coloca a criança como professor de adulto! O que não era normal. Costumamos fazer o contrário.
4. Defender o direito da criança de gritar. Quando Jesus, entrando no Templo, derruba as mesas dos cambistas, são as crianças as que mais gritam. “Hosana ao filho de Davi!” (Mt 21,15). Criticadas pelos chefes dos sacerdotes e escribas, Jesus as defende e, em sua defesa, invoca até as Escrituras (Mt 21,16).
5. Agradecer pelo Reino presente nos pequenos. A alegria de Jesus é grande, quando percebe que as crianças, os pequenos, entendem as coisas do Reino que ele anunciava ao povo. “Pai, eu te agradeço!” (Mt 11,25-26) Jesus reconhece que os pequenos entendem melhor as coisas do Reino do que os doutores!
6. Acolher e curar. São muitas as crianças e jovens que ele acolhe, cura ou ressuscita: a filha do Jairo de 12 anos (Mc 5,41-42), a filha da mulher cananeia (Mc 7,29-30), o filho da viúva de Naim (Lc 7, 14-15), o menino epilético (Mc 9,25-26), o filho do Centurião (Lc 7,9-10), o filho do funcionário público (Jo 4,50), o menino dos cinco pães e dois peixes (Jo 6,9).

Para um confronto pessoal
1) Na nossa sociedade e na nossa comunidade, quem são os pequenos e os excluídos? Como está sendo o acolhimento que nós damos a eles?
2) Na minha vida, o que já aprendi das crianças sobre o Reino de Deus?

quinta-feira, 24 de maio de 2018

25 de maio


Santa Maria Madalena de Pazzi
Virgem de nossa Ordem
Nasceu em Florença em 1566. Educada piedosamente e admitida nas monjas Carmelitas, levou uma vida escondida de oração e abnegação. Pedia incessantemente pela reforma da Igreja e dirigiu as suas irmãs no caminho da perfeição. Morreu no ano de 1607, enriquecida por Deus de graças extraordinárias.

INVITATÓRIO
R. Vinde, adoremos a Jesus, esposo das virgens, a quem Madalena muito amou. (Aleluia)

LAUDES
Hino
Tu, que já cantas o hino
que só as virgens entoam,
vê, do céu, tantos eleitos,
que o Carmelo, hoje, povoam.

Bens da terra, Madalena,
tiveste em conta de nada:
servir a Deus, só, quiseste,
como fiel desposada.

Por ser Cristo tua vida,
que imenso amor te prendeu!
Ele ungiu teu coração
e trocou-o pelo Seu.

Da mente a sublimes voos
pelo Espírito te alçaste;
de amor ardente, ferida,
alta mística ensinaste.

Simples e obediente,
teu coração ilibado
deixou no claustro e na Igreja
o seu rastro perfumado.

Glória a quem a ti, por mestra,
às almas quis apontar.
Que esse Deus Trino, prá sempre,
por ti possamos gozar.

Ant 1. Por vós suspiro como a terra sequiosa, para ver o vosso poder e a vossa glória (Aleluia!)

Salmos e cântico do domingo da I Semana.

Ant 2. Confesso livremente a Cristo, minha alma está sedenta de Cristo, desejo estar para sempre com Cristo. (Aleluia!).

Ant 3. Com o tímpano e com a dança, com a harpa e com a cítara, todo o ser vivo louve o Senhor (Aleluia!)

Leitura breve - FI 3,8ab. 10-11
Considero todas as coisas como prejuízo, comparando-as com o bem supremo que é conhecer Jesus Cristo, meu Senhor. Assim poderei conhecer Cristo, a força da sua Ressurreição e a participação nos seus sofrimentos, configurando-me à sua morte na esperança da ressurreição.

Responsório breve
Se não for Tempo Pascal
R. Falou-me o coração; * Procurei a vossa face. R. Falou-me
V. A vossa face, Senhor, eu procuro. * Procurei. Glória ao
Pai. R. Falou-me

No Tempo Pascal
R. Falou-me o coração, procurei a vossa face.
* Aleluia, aleluia! R. Falou-me
V. A vossa face, Senhor, eu procuro. * Aleluia, aleluia!
Glória ao Pai. R. Falou-me

Cântico evangélico, ant. à escolha 1 ou 2
Ant1. Provai e vede como o Senhor é bom; feliz quem nele se refugia. (Aleluia).
ou
Ant2.  O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi concedido. (Aleluia).

Preces
Rejubilemos com Cristo, Esposo das Virgens; e Lhe supliquemos com fé:

R. Jesus, prêmio das Virgens, escutai-nos!

Cristo, amado pelas santas virgens como único Esposo,
- concedei-nos que nada nos separe do vosso amor. R.

Coroastes Maria, vossa Mãe, como Rainha das virgens;
- por sua intercessão concedei-nos que vos sirvamos sempre de coração puro. R.

A solicitude de vossas servas sempre se voltou de coração íntegro para Vós, a fim de serem santas de corpo e espírito;
- por intercessão delas dai que jamais a instável figura deste mundo nos afaste de Vós.  R.

Senhor Jesus, as virgens prudentes esperavam por Vós, seu Esposo;
- concedei-nos que Vos aguardemos vigilantes na esperança. R.

Por intercessão de Santa Maria Madalena de Pazzi, uma das virgens sábias e prudentes,
- concedei-nos sabedoria e uma vida sem mancha. R.

(intenções livres)

Pai nosso

Oração
Senhor, que amais a virgindade e cumulastes de dons celestes a virgem Santa Maria Madalena, abrasada no vosso amor, concedei-nos que, celebrando hoje a sua festa, imitemos o exemplo da sua pureza e caridade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

VÉSPERAS
Hino
Como corça sequiosa
desejavas noite e dia
aquela água misteriosa
da divina Eucaristia.

Nela o Filho te levava
ao Pai, que ali adoravas;
e o Amor te abrasava
o coração que Lhe davas.

Até que um dia mereceste
receber de sua mão,
em troca do que Lhe deste,
o seu próprio Coração.

Com a voz e com a vida
cantemos também contigo
à Trindade aqui escondida
em moídos grãos de trigo.

Ant 1. O meu coração e a minha carne exultam no Deus vivo. (Aleluia!)

Salmos e cântico do Comum das Santas Virgens

Ant 2. Na casa da mãe do meu Senhor eu falava de paz e de pureza. (Aleluia!)

Ant 3. Redimidos pelo Sangue de Cristo e assinalados pelo Espírito Santo, vivamos para o louvor da glória do Pai. (Aleluia!)

Leitura breve - Ef 3,8-11
Eu que sou o último dos cristãos, recebi a graça de anunciar a insondável riqueza de Cristo e de mostrar a todos como Deus realiza o mistério desde sempre escondido em Deus, Criador do universo. Assim se manifesta agora, através da Igreja, a multiforme sabedoria de Deus, de acordo com os eternos desígnios que Deus executou em Cristo Jesus, Senhor Nosso.

Responsório breve
Fora do Tempo Pascal
R. O Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo
* nos conceda o conhecimento do amor de Cristo. R. O Pai.
V. E ficaremos saciados da plenitude de Deus. * Nos conceda.
Glória ao Pai. R. O Pai de Nosso Senhor.

No tempo pascal
R. O Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo nos conceda o
conhecimento do amor de Cristo * Aleluia, aleluia!
R. O Pai de Nosso Senhor.
V. E ficaremos saciados da plenitude de Deus. * Aleluia,
aleluia! Glória ao Pai. R. O Pai de Nosso Senhor.

Cântico Evangélico
Ant. Conduzir-te-ei ao deserto e falar-te-ei ao coração. Desposar-te-ei para sempre na misericórdia e no amor, e conhecerás o Senhor. Aleluia!

Preces
Roguemos ao Senhor que, por intercessão de Santa Maria Madalena, suscite em nós o espírito de caridade e nos faça mais diligentes e alegres no seu serviço. Digamos:

R. Dai-nos, Senhor, o vosso espírito de santidade e tornai-nos participantes do vosso imenso amor.

Cristo Salvador, assisti à Igreja, vossa Esposa, até o fim, e que o vosso Espírito, pelo amor e pela verdade, a conduza à unidade,
- para que todos os homens conheçam o Pai, fonte da vida plena. R.

Cristo Salvador, fazei que todos os sacerdotes, ministros do vosso Sangue, sejam verdadeiras testemunhas do Evangelho
- e derramai também o vosso amor e a vossa luz sobre todas as criaturas. R.

Cristo Salvador, fazei que toda a Família Carmelita enriquecida com os dons da Santíssima Trindade leve uma vida verdadeiramente fraterna
- e dê sempre na Igreja um eficaz testemunho evangélico para a vida do mundo. R.

Cristo Salvador, aumentai em todos os que participam na mesa do vosso amor a caridade para com todos os homens, que foram redimidos com o vosso Sangue,
- e uni-nos para sempre a Vós com o vínculo do vosso Espírito. R.

(intenções livres)

Cristo Salvador que, descendo à Região dos Mortos, abristes as suas portas,
- admiti no vosso Reino os nossos irmãos e irmãs defuntos, e associai-os à vossa eterna Bem-Aventurança. R.

Pai nosso ...

Oração
Senhor, que amais a virgindade e cumulastes de dons celestes a virgem Santa Maria Madalena, abrasada no vosso amor, concedei-nos que, celebrando hoje a sua festa, imitemos o exemplo da sua pureza e caridade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

Sexta-feira da 7ª semana do Tempo Comum

Sta Mª Madalena de Pazzi
Virgem de nossa Ordem

1ª Leitura (Tg 5,9-12): Irmãos: Não vos queixeis uns dos outros, a fim de não serdes julgados. Eis que o Juiz está à porta. Irmãos, tomai como exemplos de sofrimento e de paciência os profetas que falaram em nome do Senhor. Nós proclamamos felizes aqueles que foram perseverantes. Ouvistes falar da perseverança de Jó e sabeis qual o fim que o Senhor lhe concedeu, porque o Senhor é compassivo e misericordioso. Sobretudo, irmãos, não jureis nem pelo céu nem pela terra, nem por qualquer outra coisa. Seja «sim» o vosso sim e «não» o vosso não, para não vos expordes ao julgamento.

Salmo Responsorial: 102
R. O Senhor é clemente e cheio de compaixão.
Bendiz, ó minha alma, o Senhor e todo o meu ser bendiga o seu nome santo. Bendiz, ó minha alma, o Senhor e não esqueças nenhum dos seus benefícios.

Ele perdoa todos os teus pecados e cura as tuas enfermidades. Salva da morte a tua vida e coroa-te de graça e misericórdia.

O Senhor é clemente e compassivo, paciente e cheio de bondade. Não está sempre a repreender nem guarda ressentimento.

Como a distância da terra aos céus, assim é grande a sua misericórdia para os que O temem. Como o Oriente dista do Ocidente, assim Ele afasta de nós os nossos pecados.

Aleluia. A vossa palavra, Senhor, é a verdade: consagrai-nos na verdade. Aleluia.

Evangelho (Mc 10,1-12): Jesus se pôs a caminho e foi dali para a região da Judeia, pelo outro lado do rio Jordão. As multidões mais uma vez se ajuntaram ao seu redor, e ele, como de costume, as ensinava. Aproximaram-se então alguns fariseus e, para experimentá-lo, perguntaram se era permitido ao homem despedir sua mulher Jesus perguntou: «Qual é o preceito de Moisés a respeito?». Os fariseus responderam: «Moisés permitiu escrever um atestado de divórcio e despedi-la». Jesus então disse: «Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés escreveu este preceito. No entanto, desde o princípio da criação Deus os fez homem e mulher. E os dois formarão uma só carne; assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu o homem não separe!».  Em casa, os discípulos fizeram mais perguntas sobre o assunto. Jesus respondeu: «Quem despede sua mulher e se casa com outra, comete adultério contra a primeira. E se uma mulher despede seu marido e se casar com outro, comete adultério também».

«Como de costume, as ensinava»

Rev. D. Miquel VENQUE i To (Barcelona, Espanha)

Hoje, Senhor, gostaria de fazer um momento de oração para te agradecer os teus ensinamentos. Tu ensinavas com autoridade e fazia-lo sempre que te deixávamos, aproveitavas todas as ocasiões: claro! Compreendo-te, a tua missão básica era transmitir a Palavra do Pai. E assim o fizeste.

Hoje, “pendurado” na Internet digo-te: Fala-me, quero fazer um momento de oração como fiel discípulo. Em primeiro lugar, queria pedir-te capacidade para aprender o que nos ensinas e em segundo, para saber ensiná-lo. Reconheço que é muito fácil cometer o erro de fazer-te dizer coisas que Tu não disseste e, com ousadia malévola, tentar que Tu digas aquilo que eu gosto. Reconheço que provavelmente sou mais duro de coração que esses ouvintes.

Eu conheço o teu Evangelho, o Magistério da Igreja, o Catecismo, e recordo aquelas palavras do Papa João Paulo II, na Carta às Famílias: «O projeto do utilitarismo assente numa liberdade orientada segundo o sentido individualista, quer dizer, uma liberdade vazia de responsabilidade, é o constitutivo da antítese do amor». Senhor, rompe o meu coração desejoso de felicidade utilitarista e faz-me entrar na tua verdade divina, que tanto necessito.

Neste local de observação, como desde o cimo da montanha, compreendo que Tu digas que o amor matrimonial é definitivo, que o adultério - apesar de ser pecado como toda a ofensa grave cometida contra ti, que és o Senhor da Vida e do Amor— é um caminho errado para a felicidade: «Quem despede sua mulher e se casa com outra, comete adultério contra a primeira» (Mc 10,11).

Recordo um jovem que dizia: «Mossèn o pecado promete muito, não dá nada e rouba tudo». Que eu te compreenda bom Jesus, e que o saiba explicar: Aquilo que Tu uniste, o homem não o pode separar (cf. Mc 10,9). Fora daqui, fora dos teus caminhos, não encontrarei a autêntica felicidade. Jesus ensina-me de novo!

Obrigado Jesus, sou duro de coração, mas sei que tens razão.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* O evangelho de ontem trazia conselhos de Jesus sobre o relacionamento entre adultos e crianças, entre os grandes e os pequenos da sociedade. O evangelho de hoje traz conselhos sobre como deve ser o relacionamento entre homem e mulher, entre marido e mulher.

* Marcos 10,1-2: A pergunta dos fariseus: “o marido pode mandar a mulher embora?”
A pergunta é maliciosa. Ela pretende colocar Jesus à prova: “É lícito a um marido repudiar sua mulher?” Sinal de que Jesus tinha uma opinião diferente, pois do contrário os fariseus não iriam interrogá-lo sobre este assunto. Não perguntam se é lícito a esposa repudiar o marido. Isto nem passava pela cabeça deles. Sinal claro da forte dominação machista e da marginalização da mulher na sociedade daquele tempo.

* Marcos 10,3-9: A resposta de Jesus: o homem não pode repudiar a mulher.
Em vez de responder, Jesus pergunta: “O que diz a lei de Moisés?” A lei permitia o homem escrever uma carta de divórcio e repudiar sua mulher. Esta permissão revela o machismo. O homem podia repudiar a mulher, mas a mulher não tinha este mesmo direito. Jesus explica que Moisés agiu assim por causa da dureza de coração do povo, mas a intenção de Deus era outra quando criou o ser humano. Jesus volta ao projeto do Criador e nega ao homem o direito de repudiar sua mulher. Ele tira o privilégio do homem frente à mulher e pede o máximo de igualdade entre os dois.

* Marcos 10,10-12: Igualdade homem e mulher.
Em casa, os discípulos fazem perguntas sobre este assunto. Jesus tira as conclusões e reafirma a igualdade de direitos e deveres entre homem e mulher. Ele propõe um novo tipo de relacionamento entre os dois. Não permite o casamento em que o homem pode mandar a mulher embora, nem vice-versa. O evangelho de Mateus acrescenta um comentário dos discípulos sobre este assunto. Eles dizem: “Se a situação do homem com a mulher é assim, então é melhor não se casar” (Mt 19,10). Preferem não casar, a casar sem o privilégio de poder continuar mandando na mulher e sem o direito de poder pedir divórcio caso ela não lhe agradar mais. Jesus vai até o fundo da questão e diz que há somente três casos em que se permite uma pessoa não casar: "Nem todos entendem isso, a não ser aqueles a quem é concedido. De fato, há homens castrados, porque nasceram assim; outros, porque os homens os fizeram assim; outros, ainda, se castraram por causa do Reino do Céu. Quem puder entender, entenda" (Mt 19,11-12). Os três casos são: “(1) impotência, (2) castração e (3) por causa do Reino. Não casar só porque o homem se recusa a perder o domínio sobre a mulher, isto, a Nova Lei do Amor já não o permite! Tanto o casamento como o celibato, ambos devem estar a serviço do Reino e não a serviço de interesses egoístas. Nenhum dos dois pode ser motivo para manter o domínio machista do homem sobre a mulher. Jesus modificou o relacionamento homem-mulher, marido-esposa.

Para um confronto pessoal
1) Na minha vida pessoal, como vivo o relacionamento homem-mulher?
2) Na vida da minha família e da minha comunidade, como está sendo o relacionamento homem-mulher?