sábado, 24 de outubro de 2026

Segunda-feira da 30ª semana do Tempo Comum

1ª Leitura (Ef 4,32—5,8):
Irmãos: Sede bondosos e compassivos uns para com os outros e perdoai-vos mutuamente, como Deus também vos perdoou em Cristo. Sede imitadores de Deus, como filhos muito amados. Caminhai na caridade, a exemplo de Cristo, que nos amou e Se entregou por nós, oferecendo-Se como vítima agradável a Deus. A imoralidade e qualquer impureza ou avareza, nem sequer sejam mencionadas entre vós, como é próprio de cristãos. Nada também de palavras indecentes, estultas ou maliciosas, que são coisas inconvenientes. Em vez disso, dai ações de graças. Porque, como sabeis, nenhum imoral, impudico ou avarento – que é uma idolatria – terá parte na herança do reino de Cristo e de Deus. Ninguém vos iluda com vãos raciocínios: é por causa dessas desordens que a ira de Deus atinge os rebeldes. Portanto, não sejais seus cúmplices. Outrora vós éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Procedei como filhos da luz.
 
Salmo Responsorial: 1
R. Sede imitadores de Deus, como filhos muito amados.
 
Feliz o homem que não segue o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, mas antes se compraz na lei do Senhor, e nela medita dia e noite.
 
É como árvore plantada à beira das águas: dá fruto a seu tempo e sua folhagem não murcha. Tudo quanto fizer será bem-sucedido.
 
Bem diferente é a sorte dos ímpios: são como palha que o vento leva. O Senhor vela pelo caminho dos justos, mas o caminho dos pecadores leva à perdição.
 
Aleluia. A vossa palavra, Senhor, é a verdade: consagrai-nos na verdade. Aleluia.
 
Evangelho (Lc 13,10-17): Naquele tempo, Jesus estava ensinando numa sinagoga, num dia de sábado. Havia aí uma mulher que, dezoito anos já, estava com um espírito que a tornava doente. Era encurvada e totalmente incapaz de olhar para cima. Vendo-a, Jesus a chamou e lhe disse: «Mulher, estás livre da tua doença». Ele impôs as mãos sobre ela, que imediatamente se endireitou e começou a louvar a Deus. O chefe da sinagoga, porém, furioso porque Jesus tinha feito uma cura em dia de sábado, se pôs a dizer à multidão: Há seis dias para trabalhar. Vinde, pois, nesses dias para serdes curados, mas não em dia de sábado. O Senhor respondeu-lhe: «Hipócritas! Não solta cada um de vós seu boi ou o jumento do curral, para dar-lhe de beber, mesmo que seja em dia de sábado? Esta filha de Abraão, que Satanás amarrou durante dezoito anos, não devia ser libertada dessa prisão, mesmo em dia de sábado?». Essa resposta envergonhou todos os inimigos de Jesus. E a multidão inteira se alegrava com as maravilhas que ele fazia.
 
«O chefe da sinagoga, porém, furioso porque Jesus tinha feito uma cura em dia de sábado»
 
Rev. D. Francesc JORDANA i Soler (Mirassol, Barcelona, Espanha)
 
Hoje, vemos a Jesus realizar uma ação que proclama seu messianismo. E ante ela o chefe da sinagoga se indigna e repreende as pessoas para que não venham curar-se em dia de sábado: Mas o chefe da sinagoga, indignado de ver que Jesus curava no sábado, disse ao povo: «São seis os dias em que se deve trabalhar; vinde, pois, nestes dias para vos curar, mas não em dia de sábado» (Lc 13,14).
 
Eu gostaria que nos concentrássemos na atitude deste personagem. Sempre me surpreendeu que, diante de um milagre evidente, alguém seja capaz de fechar-se de tal modo que o que Ele viu, não lhe afeta no mais mínimo. É como se não tivesse visto o que acabava de ocorrer e o que isso significa. O motivo está na vivência equivocada das mediações que muitos judeus tinham naquele tempo. Por diferentes motivos - antropológicos, culturais, desígnio divino- é inevitável que entre Deus e o homem haja umas mediações. O problema é que alguns judeus fazem da mediação um absoluto. De maneira que a mediação não lhes põe em comunicação com Deus, e sim, ficam na sua própria mediação. Esquecem que são os últimos e ficam no meio. Dessa maneira não pode comunicar-lhes suas graças, seus dons, seu amor e, portanto sua experiência religiosa não enriquecerá sua vida.
 
Tudo isso lhes conduz a uma vivência rigorosa da religião, a encerrar seu deus em uns meios. Fazem um deus sob medida e não o deixam entrar em suas vidas. Na sua religiosidade acham que tudo está solucionado se cumprem com algumas normas. Compreende-se assim a reação de Jesus: «Hipócritas!, disse-lhes o Senhor. Não desamarra cada um de vós no sábado o seu boi ou o seu jumento da manjedoura, para os levar a beber?»(Lc 13,15). Jesus descobre a falta de sentido dessa equivocada vivência do Sabbat.
 
Esta palavra de Deus deveria nos ajudar a examinar nossa vivência religiosa e descobrir se realmente as mediações que utilizamos nos põe em comunicação com Deus e com a vida. Somente desde a correta vivência das mediações podemos entender a frase de Santo Agostinho: «Ama e faz o que queiras».
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«O verdadeiro templo de Cristo é a alma dos fiéis: adorna este santuário, embeleza-o, deposita nele as tuas oferendas e recebe Cristo. Qual é o sentido de decorar as paredes com pedras preciosas, se Cristo está morrendo de fome na pessoa de um homem pobre?» (São Jerônimo)
 
«Os doutores da lei repreenderam Jesus, porque ele curou no sábado. Ele fez o bem no sábado. Mas o amor de Jesus era dar saúde, fazer o bem. E isso está sempre em primeiro lugar» (Francisco)
 
«Libertação e salvação. Pela sua cruz gloriosa, Cristo obteve a salvação de todos os homens. Resgatou-os do pecado, que os retinha numa situação de escravatura. (…)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 1.741)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
* O evangelho de hoje descreve a cura da mulher encurvada.
Trata-se de um dos muitos episódios que Lucas vai narrando, sem muita ordem, ao descrever a longa caminhada de Jesus para Jerusalém (Lc 9,51 a 19,28).
 
* Lucas 13,10-11: A situação que vai provocar a ação de Jesus. Jesus está na sinagoga num dia do repouso. Ele cumpre a lei, guardando o sábado e participando da celebração com seu povo. Lucas informa que Jesus estava ensinando. Havia na sinagoga uma mulher encurvada. Lucas diz que um espírito de fraqueza a impedia de tomar posição reta. Era a maneira do povo daquele tempo explicar as doenças. Já fazia dezoito anos que a mulher estava nessa situação. Ela não fala, não tem nome, não pede para ser curada, não toma nenhuma iniciativa. Sua passividade chama a atenção.
 
* Lucas 13,12-13: Jesus cura a mulher. Vendo a mulher, Jesus a chama e lhe diz: “Mulher, você está livre da sua doença!”. A ação de libertar é realizada pela palavra, dirigida diretamente à mulher, e pelo toque da imposição das mãos. Imediatamente, ela fica de pé e começa a louvar o Senhor. Há uma relação entre o colocar-se de pé e dar glória a Deus. Jesus faz a mulher ficar de pé, para que ela possa louvar a Deus no meio do povo reunido em assembleia. A sogra de Pedro, quando curada, levantou-se e se pôs a servir (Mc 1,31). Louvar a Deus e servir aos irmãos!
 
* Lucas 13,14: A reação do chefe da sinagoga. O chefe da sinagoga ficou furioso com a ação de Jesus, por ele ter feito a cura num dia de sábado: “Há seis dias para o trabalho! Portanto, venham num destes dias para serem curados e não no dia de sábado!”. Na crítica do chefe da sinagoga ao povo ressoa a palavra da Lei de Deus que dizia: “Lembre-se do dia de sábado, para santificá-lo. Trabalhe durante seis dias e faça todas as suas tarefas. O sétimo dia, porém, é o sábado de Javé seu Deus. Não faça nenhum trabalho”. (Ex 20,8-10). Nesta reação autoritária do chefe temos uma chave para entender por que motivo o povo estava tão oprimido e por que a mulher não podia participar naquele tempo. A dominação das consciências através da manipulação da lei de Deus era muito forte. Era esta a maneira de eles manterem o povo submisso e encurvado.
 
* Lucas 13,15-16: A resposta de Jesus ao chefe da sinagoga. O chefe condenou as pessoas porque ele queria que observassem a Lei de Deus. Aquilo que para o chefe da sinagoga é observância da lei de Deus, é hipocrisia para Jesus: "Hipócritas! Cada um de vocês não solta do curral o boi ou o jumento para dar-lhe de beber, mesmo que seja dia de sábado? Aqui está uma filha de Abraão que Satanás amarrou durante dezoito anos. Será que não deveria ser libertada dessa prisão, em dia de sábado?" Com este exemplo tirado da vida diária, Jesus mostra a incoerência desse tipo de observância da lei de Deus. Se é permitido desamarrar um boi e um jumento em dia de sábado só para dar-lhes de beber, muito mais é permitido desamarrar uma filha de Abraão para libertá-la do poder do mal. O verdadeiro sentido da observância da Lei que agrada a Deus é este: libertar as pessoas do poder do mal e colocá-las de pé, para que possam glorificar a Deus e render-lhe homenagem. Jesus imita Deus que endireita os encurvados (Sl 145,14; 146,8).
 
* Lucas 13,17: A reação do povo diante da ação de Jesus. O ensinamento de Jesus deixa confusos os seus adversários, mas a multidão se enche de alegria pelas coisas maravilhosas que Jesus está realizando: “Toda a multidão se alegrava com as maravilhas que Jesus fazia”. Na Palestina do tempo de Jesus, a mulher vivia encurvada, submissa ao marido, aos pais e aos chefes religiosos do seu povo. Esta situação de submissão era justificada pela religião. Mas Jesus não quer que ela fique encurvada. Desatar e libertar as pessoas não tem dia marcado. É todos os dias, mesmo em dia de sábado!
 
Para um confronto pessoal
1. Será que a situação da mulher mudou muito de lá para cá? Qual a situação da mulher hoje na sociedade e na igreja? Tem alguma relação entre religião e opressão da mulher?
2. A multidão se alegrou com a ação de Jesus. Qual a libertação que está acontecendo hoje e que está levando a multidão a se alegrar e dar graças a Deus?

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

XXX Domingo Tempo Comum

Santo Antônio de Sant’Anna Galvão, presbítero
 
1ª Leitura (Ex 22,20-26):
Eis o que diz o Senhor: «Não prejudicarás o estrangeiro, nem o oprimirás, porque vós próprios fostes estrangeiros na terra do Egipto. Não maltratarás a viúva nem o órfão. Se lhes fizeres algum mal e eles clamarem por Mim, escutarei o seu clamor; inflamar-se-á a minha indignação e matar-vos-ei ao fio da espada. As vossas mulheres ficarão viúvas, e órfãos os vossos filhos. Se emprestares dinheiro a alguém do meu povo, ao pobre que vive junto de ti, não procederás com ele como um usurário, sobrecarregando-o com juros. Se receberes como penhor a capa do teu próximo, terás de lha devolver até ao pôr do sol, pois é tudo o que ele tem para se cobrir, é o vestuário com que cobre o seu corpo. Com que dormiria ele? Se ele Me invocar, escutá-lo-ei, porque sou misericordioso».
 
Salmo Responsorial: 17
R. Eu Vos amo, Senhor: sois a minha força.
 
Eu Vos amo, Senhor, minha força, minha fortaleza, meu refúgio e meu libertador. Meu Deus, auxílio em que ponho a minha confiança, meu protetor, minha defesa e meu salvador.
 
Na minha aflição invoquei o Senhor e clamei pelo meu Deus. Do seu templo Ele ouviu a minha voz e o meu clamor chegou aos seus ouvidos.
 
Viva o Senhor, bendito seja o meu protetor; exaltado seja Deus, meu salvador. O Senhor dá ao Rei grandes vitórias e usa de bondade para com o seu Ungido.
 
2ª Leitura (1Tes 1,5c-10): Irmãos: Vós sabeis como procedemos no meio de vós, para vosso bem. Tornastes-vos imitadores nossos e do Senhor, recebendo a palavra no meio de muitas tribulações, com a alegria do Espírito Santo; e assim vos tornastes exemplo para todos os crentes da Macedónia e da Acaia. Porque, partindo de vós, a palavra de Deus ressoou não só na Macedónia e na Acaia, mas em toda a parte se divulgou a vossa fé em Deus, de modo que não precisamos de falar sobre ela. De facto, são eles próprios que relatam o acolhimento que tivemos junto de vós e como dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir ao Deus vivo e verdadeiro e esperar dos Céus o seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos: Jesus, que nos livrará da ira que há-de vir.
 
Aleluia. Se alguém Me ama, guardará a minha palavra, diz o Senhor; meu Pai o amará e faremos nele a nossa morada. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 22,34-40): Os fariseus ouviram dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus. Então se reuniram, e um deles, um doutor da Lei, perguntou-lhe, para experimentá-lo: «Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?» Ele respondeu: «Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu entendimento!’ Esse é o maior e o primeiro mandamento. Ora, o segundo lhe é semelhante: ‘Amarás teu próximo como a ti mesmo’. Toda a Lei e os Profetas dependem desses dois mandamentos».
 
«Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração (…) Amarás teu próximo como a ti mesmo»
 
Dr. Johannes VILAR (Köln, Alemanha)
 
Hoje, a Igreja recorda-nos um resume da nossa “atitude de vida” «Toda a Lei e os Profetas dependem desses dois mandamentos» (Mt 22,40). São Mateus e São Marcos o põem nos lábios de Jesus Cristo; São Lucas nos de um fariseu. Sempre em forma de diálogo. Provavelmente fariam várias vezes, perguntas similares ao Senhor. Jesus responde com o princípio do Shema: oração composta por duas citações do Deuterômio e uma dos Números, que os judeus fervorosos recitavam pelo menos duas vezes por dia: «Ouve Israel! O Senhor teu Deus (…)». Recitando-a tem-se consciência de Deus no trabalho quotidiano, ao mesmo tempo em que nos recorda o mais importante da nossa vida: Amar a Deus sobre todos os “deusezinhos” e ao próximo como a si mesmo. Depois ao terminar a Última Ceia, e com o exemplo do lava-pés, Jesus pronuncia “um mandamento novo”: amarmo-nos como Ele nos ama, com a “força divina” (cf. Jo 14,34-35).
 
É mesmo necessária a decisão de praticar de fato este dulcíssimo mandamento —mais que um mandamento é elevação e capacidade— no trato com os outros: homens e coisas, trabalho e descanso, espírito e matéria, porque tudo é criatura de Deus.
 
Por outro lado, ao ser impregnados pelo Amor de Deus, que nos toca em todo o nosso ser, ficamos capacitados para responder “ao divino”, a este Amor. Deus Misericordioso não apenas tira o pecado do mundo (cf. Jo 1,29), mas também nos diviniza, torna-nos “participes” (apenas Jesus é Filho por Natureza) da natureza divina; somos filhos do pai, no Filho, pelo Espírito Santo. São Josemaria gostava de falar de “endeusamento”, palavra muito enraizada nos Padres da Igreja. Por exemplo, escrevia São Basílio: «Assim como os corpos claros e transparentes, quando recebem a luz, começam a irradiar luz por si próprios, assim reluzem os que foram iluminados pelo Espírito. Isto leva ao dom da graça, alegria interminável, permanência em Deus… e a meta máxima: o Endeusamento». Desejemo-lo!
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Nunca haverá outro Deus, Trifão, e desde sempre não houve outro Deus senão aquele que criou e ordenou o universo. Não pensamos que o nosso Deus seja diferente do vosso. Ele é o mesmo que tirou os vossos pais do Egipto» (S. Justo Mártir)
 
«Hoje, mais do que nunca, é preciso adorar! Talvez uma das maiores perversões do nosso tempo seja o facto de nos ser proposto adorar o humano esquecendo o divino. `Só ao Senhor adoraras´ é o grande desafio perante tantas propostas do nada e de vazio» (Francisco)
 
«(...) A primeira palavra encerra o primeiro mandamento da Lei: «Ao Senhor, teu Deus, adorarás, a Ele servirás [...]. Não ireis atrás de outras divindades» (Dt 6, 13-14). O primeiro apelo e a justa exigência de Deus é que o homem O acolha e O adore» (Catecismo da Igreja Católica, nº 2.084)
 
“Mestre, qual é o maior mandamento da lei?”
 
Do site da Ordem do Carmo em Portugal
 
* Aí está, neste 30º Domingo do Tempo Comum, mais uma pergunta armadilhada posta a Jesus, por um fariseu.
A pergunta armadilhada que o “legista” fariseu coloca a Jesus soa assim: “Mestre, qual é o maior mandamento da lei?”. A pergunta parece inofensiva, mas, na verdade, destina-se a tentar arrastar Jesus para o plano inclinado da interminável discussão académica. De facto, os mestres judeus, lendo minuciosamente a lei, ou seja, os cincos primeiros livros da Bíblia (Génesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio), e reduzindo-a a preceitos, tinham contado lá 613 preceitos, sendo 365, tantos quantos os dias do ano, negativos, e 248, tantos quantos assim se pensava então, os membros do corpo, positivos.
 
* A questão que entretinha os mestres e as suas escolas era agora a de estabelecer uma ordem nesses 613 preceitos ou mandamentos, dizendo qual consideravam o primeiro ou o mais importante ou o maior, e assim por diante. Discussão interminável e natural fonte de conflitos, pois cada mestre sua sentença. Qual seria então a posição de Jesus nesta matéria, e como a defenderia?
 
* Colocada esta introdução, vamos socorrer-nos do que o Papa Francisco disse no Angelus de 26 de Outubro de 2014 que versou a temática deste 30º Domingo do Tempo Comum, Ano A:
 
“O Evangelho de hoje recorda-nos que toda a Lei divina se resume no amor a Deus e ao próximo. O Evangelista Mateus narra que alguns fariseus concordaram em pôr Jesus à prova (cf. 22, 34-35). Um deles, um doutor da lei, dirige-lhe a seguinte pergunta: «Mestre, qual é o maior mandamento da lei?» (v. 36). Citando o Livro do Deuteronômio, Jesus responde: «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, toda a tua alma e todo o teu espírito. Este é o maior e o primeiro mandamento» (vv. 37-38). E teria podido parar aqui. Ao contrário, Jesus acrescenta algo que não tinha sido questionado pelo doutor da lei. Com efeito, diz: «E o segundo, semelhante a este, é: amarás o teu próximo como a ti mesmo» (v. 39). Também Jesus não inventa este segundo mandamento, mas tira-o do Livro do Levítico. A sua novidade consiste precisamente em unir estes dois mandamentos - o amor a Deus e o amor ao próximo - revelando que eles são inseparáveis e complementares, constituem os dois lados de uma mesma medalha. Não se pode amar a Deus sem amar o próximo, e não se pode amar o próximo sem amar a Deus. A este propósito, o Papa Bento XVI deixou-nos um comentário muito bonito na sua primeira Encíclica, Deus caritas est (nn. 16-18).
 
Com efeito, o sinal visível que o cristão pode manifestar para testemunhar o amor de Deus ao mundo, aos outros e à sua família é o amor pelos irmãos. O mandamento do amor a Deus e ao próximo é o primeiro, mas não porque está no início do elenco dos mandamentos. Jesus não o coloca no vértice, mas no centro, porque é o coração do qual tudo deve começar, para o qual tudo deve voltar e ao qual tudo deve fazer referência.
 
Já no Antigo Testamento a exigência de ser santo, à imagem de Deus que é Santo, incluía também o dever de cuidar das pessoas mais frágeis, como o estrangeiro, o órfão e a viúva (cf. Êx 22, 20-26). Jesus cumpre esta lei de aliança, Ele que resume em Si mesmo, na sua carne, a divindade e a humanidade, num único mistério de amor.
 
À luz desta palavra de Jesus, o amor já é a medida da fé, e a fé constitui a alma do amor. Não podemos mais separar a vida religiosa, a existência de piedade do serviço aos irmãos, àqueles irmãos concretos com os quais nos encontramos. Já não podemos dividir a oração, o encontro com Deus nos Sacramentos, da escuta do outro e da proximidade à sua vida, de forma especial às suas feridas. Recordai-vos disto: o amor é a medida da fé! E tu, quanto amas? Cada um responda pessoalmente. Como é a tua fé? A minha fé é como eu amo. E a fé é a alma do amor.
 
No meio da densa selva de preceitos e prescrições - dos legalismos de ontem e de hoje - Jesus faz uma abertura que permite vislumbrar dois semblantes: o rosto do Pai e a face do irmão. Não nos confia duas fórmulas ou preceitos: não se trata de preceitos e fórmulas; Ele confia-nos dois semblantes, aliás, um único rosto, o rosto de Deus que se reflete em numerosos outros rostos, porque na face de cada irmão, especialmente do mais pequenino, frágil, indefeso e necessitado está presente a imagem do próprio Deus. E deveríamos interrogar-nos, quando encontramos um destes irmãos, se somos capazes de reconhecer nele o rosto de Deus: somos capazes disto?
 
Deste modo, Jesus oferece a cada homem o critério fundamental sobre o qual devemos delinear a nossa própria vida. Mas, sobretudo, Ele concedeu-nos o Espírito Santo, que nos permite amar a Deus e o próximo como Ele, com o coração livre e generoso. Por intercessão de Maria, nossa Mãe, abramo-nos ao acolhimento desta dádiva do amor, para caminhar sempre nesta lei dos dois semblantes, que constituem um só: a lei do amor”.

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Sábado XXIX do Tempo Comum

Santo Antônio Maria Claret, bispo
Beato João Ângelo Porro, presbítero
Bta. Benigna Cardoso da Silva, virgem e mártir
 
1ª Leitura (Ef 4,7-16):
Irmãos: A cada um de nós foi concedida a graça, na medida em que recebeu o dom de Cristo. Por isso diz a Escritura: «Subiu às alturas, sujeitou um grupo de cativos, concedeu dons aos homens». Que quer dizer «subiu», senão que também desceu às regiões inferiores da terra? Aquele que desceu é o mesmo que subiu acima de todos os céus, a fim de encher o universo. Foi Ele também que a uns constituiu apóstolos, a outros evangelistas e a outros pastores e mestres, para o aperfeiçoamento dos cristãos em ordem ao trabalho do ministério e à edificação do Corpo de Cristo, até que cheguemos todos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, ao estado de homem perfeito, à medida de Cristo na sua plenitude. Assim, já não somos crianças inconstantes, levados ao sabor de todas as correntes de doutrina, à mercê da maldade dos homens, da astúcia com que induzem ao erro. Pelo contrário, praticando a verdade na caridade, cresceremos em tudo para Cristo, que é a Cabeça. É por Ele que o corpo inteiro, coordenado e unido por meio de todas as junturas, opera o seu crescimento orgânico, segundo a atividade de cada uma das partes, a fim de se edificar na caridade.
 
Salmo Responsorial: 121
R. Vamos com alegria para a casa do Senhor.
 
Alegrei-me quando me disseram: «Vamos para a casa do Senhor». Detiveram-se os nossos passos às tuas portas, Jerusalém.
 
Jerusalém, cidade bem edificada, que forma tão belo conjunto! Para lá sobem as tribos, as tribos do Senhor.
 
Segundo o costume de Israel, para celebrar o nome do Senhor; ali estão os tribunais da justiça, os tribunais da casa de David.
 
Aleluia. Eu não quero a morte do pecador, diz o Senhor, mas que se converta e viva. Aleluia.
 
Evangelho (Lc 13,1-9): Nesse momento, chegaram algumas pessoas trazendo a Jesus notícias a respeito dos galileus que Pilatos tinha matado, misturando o sangue deles com o dos sacrifícios que ofereciam. Ele lhes respondeu: «Pensais que esses galileus eram mais pecadores do que qualquer outro galileu, por terem sofrido tal coisa? Digo-vos que não. Mas se vós não vos converterdes, perecereis todos do mesmo modo. E aqueles dezoito que morreram quando a torre de Siloé caiu sobre eles? Pensais que eram mais culpados do que qualquer outro morador de Jerusalém? Eu vos digo que não. Mas, se não vos converterdes, perecereis todos do mesmo modo». E Jesus contou esta parábola: «Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi lá procurar figos e não encontrou. Então disse ao agricultor: Já faz três anos que venho procurando figos nesta figueira e nada encontro. Corta-a! Para que está ocupando inutilmente a terra? Ele, porém, respondeu: ‘Senhor, deixa-a ainda este ano. Vou cavar em volta e pôr adubo. Pode ser que venha a dar fruto. Se não der, então a cortarás’».
 
«Se não vos converterdes, perecereis todos do mesmo modo»
 
Rev. D. Francesc d’Assis LEÓN Romero (Rubí, Barcelona, Espanha)
 
Hoje, o Evangelho apresenta-nos duas situações paralelas: a dos galileus assassinados e a dos 18 que morreram na queda da torre de Siloé (cf. Lc 13,1-5). Embora estes homens tenham sofrido este castigo, isso não significa que aqueles que não o sofreram estejam isentos de culpa e da necessidade de conversão. Este é o núcleo da Palavra de hoje: a necessidade que «todos» temos de conversão, de voltar inteiramente o coração para Deus, e de o fazer continuamente, até que o nosso coração alcance a medida de Cristo, pois «Deus ama-te tal como és, mas sonha-te ainda melhor!» (Leão XIV).
 
O castigo que Deus nos inflige em consequência do pecado pessoal pode ser temporário ou medicinal e visa precisamente a nossa conversão. Mas o castigo também pode ser irrevogável e definitivo, como acreditamos que acontece no inferno, para aqueles que se fecharam definitivamente à salvação. Para Santo António Maria Claret, pensar que havia almas que sofriam este castigo horrorizava-o e comovia-o de tal maneira no seu apostolado que o apelo dos pecadores à conversão constituía o núcleo da sua pregação.
 
Na parábola da figueira (cf. Lc 13,6-9), vemos que Deus espera a nossa conversão e nos dá oportunidades para nos convertermos. Mas — atenção! — isso não acontecerá indefinidamente e, por isso, «é hoje – não amanhã – que é preciso converter-se» (Leão XIV).
 
Contudo, embora o que nos leva à conversão possa ser, num primeiro momento, o temor do castigo, o principal motivo da nossa conversão deve ser, acima de tudo, a contemplação da humanidade de Cristo e do seu amor pessoal por nós, incomparavelmente mais agradável e fonte de maior felicidade do que qualquer um dos prazeres mais intensos deste mundo! Por isso, na verdade, é em algo tão simples como a oração e a humildade que se trava o verdadeiro combate da nossa conversão. Oração e humildade! Oração e humildade! Oração e humildade!
 
«Foi lá procurar figos (...) e não encontrou»
 
Rev. D. Antoni ORIOL i Tataret (Vic, Barcelona, Espanha)
 
Hoje, as palavras de Jesus convidam-nos a meditar sobre o inconveniente da hipocrisia: «Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi lá procurar figos e não encontro» (Lc 13,6). O hipócrita aparenta ser o que não é. Essa mentira, no seu extremo, chega a parecer virtude (aspecto moral) sendo um vício, ou devoção (aspecto religioso), uma vez que procura o próprio eu e os seus interesses e não a Deus. A hipocrisia moral pulula no mundo, a religiosa prejudica a Igreja.
 
As inventivas de Jesus contra os escribas e os fariseus mais claras e diretas em outras passagens do Evangelho são terríveis. Não podemos ler ou ouvir o que acabamos de escutar e ler sem que estas palavras nos cheguem ao fundo do coração, se realmente as escutamos e entendemos.
 
O direi no plural, uma vez que todos experimentamos a distância entre o que parecemos ser e o que realmente somos. É o que se passa com os políticos quando nos aproveitamos do país, proclamando que estamos ao seu serviço; com os agentes de segurança quando protegemos grupos corruptos em nome da ordem pública; com os profissionais de saúde quando eliminamos vidas incipientes ou terminais em nome da medicina; com os meios de comunicação social quando falseamos as notícias e pervertemos as pessoas afirmando que as estamos divertindo; com os administradores dos fundos públicos quando desviamos parte deles para os nossos bolsos (individuais ou do partido) e alardeamos honestidade pública; com os leigos quando impedimos a dimensão pública da religião em nome da liberdade de consciência; com os religiosos quando vivemos das nossas instituições sem fidelidade ao espírito e às exigências dos fundadores; com os sacerdotes quando vivemos do altar mas não servimos abnegadamente os nossos fiéis, com espírito evangélico; etc.
 
Ah!: E tu e eu também, na medida em que a nossa consciência nos diz o que devemos fazer e deixamos de o fazer para nos dedicarmos unicamente a ver o argueiro no olho dos outros, sem sequer querer dar-nos conta da trave que cega o nosso. Ou não?
 
- Jesus, Salvador do mundo, salva-nos das nossas pequenas, médias e grandes hipocrisias!
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
« Tu estavas dentro de mim e eu fora, e assim por fora te procurava; e, deforme como era, me lançava sobre essas coisas lindas que tu criaste! Tu estavas comigo, mas eu não estava contigo. Segurava-me longe de ti aquelas coisas que, se não estivessem em ti, não existiriam» (Santo Agostinho)
 
«A fé autêntica, aberta aos outros e ao perdão, faz milagres. A figueira representa a esterilidade, uma vida que não produz fruto, incapaz de fazer o bem. E Jesus maldisse a árvore da figueira porque não tem feito o seu para gerar fruto» (Francisco)
 
«O pecado está presente na história do homem. Seria vão tentar ignorá-lo ou dar outros nomes a esta obscura realidade. Para tentar compreender o que é o pecado, temos primeiro de reconhecer o laco profundo que une o homem a Deus, porque, fora desta relação, o mal do pecado não é desmascarado na sua verdadeira identidade de recusa e oposição a Deus, embora continue a pesar na vida do homem e na história» (Catecismo da Igreja Católica, n° 386)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
* O evangelho de hoje traz informações que só existem no evangelho de Lucas e não tem passagens paralelas nos outros evangelhos.
Estamos meditando a longa caminhada de Jesus desde a Galileia até Jerusalém e que ocupa quase a metade do evangelho de Lucas desde o capítulo 9 até o capítulo 19 (Lc 9,51 a 19,28). É nesta parte que Lucas colocou a maior parte das informações que ele obteve sobre a vida e o ensinamento de Jesus (Lc 1,1-4).
 
* Lucas 13,1: O acontecimento que pede uma explicação. “Nesse tempo, chegaram algumas pessoas levando notícias a Jesus sobre os galileus que Pilatos tinha matado, enquanto ofereciam sacrifícios”. Quando lemos os jornais ou quando assistimos ao noticiário na TV, recebemos muitas informações, mas nem sempre avaliamos todo o seu significado. Escutamos tudo, mas não sabemos bem o que fazer com tantas informações e notícias. Notícias terríveis como tsunami, terrorismo, guerras, fome, violência, crime, atentados, etc. Assim foram levar a Jesus a notícia do terrível massacre que Pilatos, governador romano, fez com alguns peregrinos samaritanos. Notícias assim nos incomodam. Elas nos derrubam: “O que posso fazer?” Para acalmar a consciência, muitos se defendem e dizem: “Culpa deles! Não trabalharam! Povo preguiçoso!” No tempo de Jesus, o povo se defendia dizendo: “Castigo de Deus pelos pecados deles!” (Jo 9,2-3). Desde séculos se ensinava: “Os samaritanos não prestam. Eles têm uma religião errada!” (2Rs 17,24-41)!
 
* Lucas 13,2-3: A resposta de Jesus. Jesus tem outra opinião. "Pensam vocês que esses galileus, por terem sofrido tal sorte, eram mais pecadores do que todos os outros galileus? De modo algum, lhes digo eu. E se vocês não se converterem, vão morrer todos do mesmo modo”. Jesus ajuda as pessoas a ler os fatos com outros olhos e a tirar uma conclusão para a sua vida. Ele diz que não foi castigo de Deus. Pelo contrário. “E se vocês não se converterem, vão morrer todos do mesmo modo” Ele procura alertar para o apelo à conversão e mudança.
 
* Lucas 13,4-5: Jesus comenta um outro fato. “E aqueles dezoito que morreram quando a torre de Siloé caiu em cima deles? Pensam vocês que eram mais culpados do que todos os outros moradores de Jerusalém? Deve ter sido um desastre muito comentado na cidade. Um temporal derrubou a torre de Siloé e matou dezoito pessoas que estavam se abrigando debaixo dela. O comentário normal era: “Castigo de Deus!” Jesus repete: “De modo algum, lhes digo eu. E se vocês não se converterem, vão morrer todos do mesmo modo". Eles não fizeram a conversão, a mudança, e quarenta anos depois Jerusalém foi destruída e muita gente morreu assassinado no Templo como os samaritanos e muito mais gente morreu debaixo dos escombros das muralhas da cidade. Jesus tentou prevenir, mas não atenderam ao pedido de paz: “Jerusalém! Jerusalém!” (Lc 13,34). Jesus ensina a descobrir os apelos que vem dos acontecimentos da vida do dia a dia.
 
* Lucas 13,6-9: Uma parábola para fazer o povo pensar e descobrir o projeto de Deus. "Certo homem tinha uma figueira plantada no meio da vinha. Foi até ela procurar figos, e não encontrou. Então disse ao agricultor: Olhe! Hoje faz três anos que venho buscar figos nesta figueira, e não encontro nada! Corte-a. Ela só fica aí esgotando a terra. Mas o agricultor respondeu: Senhor, deixa a figueira ainda este ano. Vou cavar em volta dela e pôr adubo. Quem sabe, no futuro ela dará fruto! Se não der, então a cortarás”. Muitas vezes, a vinha é usada tanto para indicar o carinho que Deus para com seu povo, como a falta de correspondência da parte do povo ao amor de Deus (Is 5,1-7; 27,2-5; Jr 2,21; 8,13; Ez 19,10-14; Os 10,1-8; Mq 7,1; João 15,1-6). Na parábola, o proprietário da vinha é Deus Pai. O agricultor que intercede pela vinha é Jesus. Ele insiste com o Pai para alargar o espaço da conversão.
 
Para um confronto pessoal
1) O povo de Deus a vinha de Deus. Eu sou um pedaço desta vinha. Aplico a mim a parábola da vinha. Que conclusões tiro?
2) O que faço com as notícias que recebo? Procuro ter uma opinião crítica, ou sigo a opinião da maioria e dos meios de comunicação?

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Sexta-feira da 29ª semana do Tempo Comum

São João de Capistrano, presbítero
 
1ª Leitura (Ef 4,1-6):
Irmãos: Eu, prisioneiro pela causa do Senhor, recomendo-vos que vos comporteis segundo a maneira de viver a que fostes chamados: procedei com toda a humildade, mansidão e paciência; suportai-vos uns aos outros com caridade; empenhai-vos em manter a unidade de espírito pelo vínculo da paz. Há um só Corpo e um só Espírito, como existe uma só esperança na vida a que fostes chamados. Há um só Senhor, uma só fé, um só Baptismo. Há um só Deus e Pai de todos, que está acima de todos, atua em todos e em todos Se encontra.
 
Salmo Responsorial: 23
R. Esta é a geração dos que procuram o Senhor.
 
Do Senhor é a terra e o que nela existe, o mundo e quantos nele habitam. Ele a fundou sobre os mares e a consolidou sobre as águas.
 
Quem poderá subir à montanha do Senhor? Quem habitará no seu santuário? O que tem as mãos inocentes e o coração puro, que não invocou o seu nome em vão nem jurou falso.
 
Este será abençoado pelo Senhor e recompensado por Deus, seu Salvador. Esta é a geração dos que O procuram, que procuram a face do Deus de Jacob.
 
Aleluia. Bendito sejais, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque revelastes aos pequeninos os mistérios do reino. Aleluia.
 
Evangelho (Lc 12,54-59): Naquele tempo, Jesus dizia também às multidões: Quando vedes uma nuvem vinda do ocidente, logo dizeis que vem chuva. E assim acontece. Quando sentis soprar o vento sul, logo dizeis que vai fazer calor. E assim acontece. Hipócritas! Sabeis avaliar o aspecto da terra e do céu. Como é que não sabeis avaliar o tempo presente? Por que não julgais por vós mesmos o que é justo? Quando, pois, estás indo com teu adversário apresentar-te diante do magistrado, procura resolver o caso com ele enquanto ainda a caminho. Senão ele te levará ao juiz, o juiz te entregará ao oficial de justiça, e o oficial de justiça te jogará na prisão. Eu te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo.
 
«Como é que não sabeis avaliar (...) o tempo presente? Por que não julgais por vós mesmos o que é justo»
 
Rev. D. Frederic RÀFOLS i Vidal (Barcelona, Espanha)
 
Hoje, Jesus quer que levantemos os olhos para o céu. Esta manhã, depois de três dias de chuva persistente, o céu apareceu luminoso e claro num dos dias mais esplêndidos deste outono. Vamos entendendo o tema das mudanças do tempo, já que agora os meteorologistas são quase da família. Pelo contrário, custa-nos mais a entender em que tempo estamos ou vivemos: «Sabeis avaliar o aspecto da terra e do céu. Como é que não sabeis avaliar o tempo presente?». (Lc 12,56). Muitos dos que escutavam Jesus perderam uma oportunidade única na História de toda a Humanidade. Não viram em Jesus o Filho de Deus. Não perceberam o tempo, a hora da salvação.
 
O Concílio Vaticano II, na Constituição Gaudium et Spes (n. 4), atualiza o Evangelho de hoje: «Pesa sobre a Igreja o dever permanente de escutar a fundo os sinais dos tempos e interpretá-los à luz do Evangelho (...)». É preciso, portanto, conhecer e compreender o mundo em que vivemos e as suas esperanças, as suas aspirações, o seu modo de ser, frequentemente dramático.
 
Quando vemos a história, não nos custa muito assinalar as ocasiões perdidas pela Igreja por não ter descoberto o momento que então se vivia. Mas, Senhor: «Quantas ocasiões não teremos perdido agora por não descobrir os sinais dos tempos ou, o que significa o mesmo, por não viver e iluminar a problemática atual com a luz do Evangelho? Por que não julgais por vós mesmos o que é justo?» (Lc 12,57), continua a recordar-nos hoje Jesus.
 
Não vivemos num mundo de maldade, ainda que também haja bastante. Deus não abandonou o seu mundo. Como recordava São João da Cruz, habitamos uma terra onde andou o próprio Deus e que ele encheu de formosura. Santa Teresa de Calcutá captou os sinais dos tempos, e o tempo, o nosso tempo, entendeu santa Teresa de Calcutá. Que ela nos estimule. Não deixemos de olhar para o alto, sem perder de vista a terra
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«A oração intensa não nos afasta do compromisso com a história: ao abrir o nosso coração ao amor de Deus, abrimo-lo também ao amor aos nossos irmãos, e isso torna-nos capazes de construir a história de acordo com os desígnios de Deus» (São João Paulo II)
 
«Devemos caminhar firmes na fé em Cristo, firmes na verdade do Evangelho; mas a nossa atitude deve mover-se continuamente de acordo com os sinais dos tempos» (Francisco)
 
«(...) Toda a pessoa humana, criada à imagem de Deus, tem o direito natural de ser reconhecida como ser livre e responsável. Todos devem a todos este dever do respeito (...), nomeadamente em matéria moral e religiosa (...)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 1.738)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
* O evangelho de hoje traz um apelo da parte de Jesus para aprendermos a ler os Sinais dos Tempos.
Foi este texto que inspirou o Papa João XXIII a convocar a Igreja para prestar atenção aos Sinais dos Tempos e perceber melhor os apelos de Deus nos acontecimentos da história da humanidade.

* Lucas 12,54-55: Todos sabem interpretar os aspectos do terra e do céu, ... “Jesus também dizia às multidões: "Quando vocês veem uma nuvem vinda do ocidente, vocês logo dizem que vem chuva; e assim acontece. Quando vocês sentem soprar o vento do sul, vocês dizem que vai fazer calor; e assim acontece”. Jesus verbaliza uma experiência humana universal. Todos e todas, cada qual no seu país e na sua região, sabemos ler os aspectos do céu e da terra. O próprio corpo sente quando ameaça chuva ou quando o tempo começa a mudar: “Vamos ter chuva!” Jesus se refere à contemplação da natureza como sendo uma das fontes mais importantes do conhecimento e da experiência que ele mesmo tinha de Deus. Foi a contemplação da natureza que o ajudou a descobrir aspectos novos na fé e na história do seu povo. Por exemplo, a chuva que cai sobre bons e maus, e o sol que nasce sobre justos injustos, o ajudaram a formular uma das mensagens mais revolucionários: “Amais os vossos inimigos!” (Mt 5,43-45).
 
* Lucas 12,56-57: ..., mas não sabem ler os sinais dos tempos. E Jesus tira a conclusão para os seus contemporâneos e para todos nós: “Hipócritas! Vocês sabem interpretar o aspecto da terra e do céu. Como é que vocês não sabem interpretar o tempo presente?” Santo Agostinho dizia que a natureza, a criação, é o primeiro livro que Deus escreveu. Por meio dela Deus nos fala. O pecado embaralhou as letras do livro da natureza e, por isso, já não conseguimos ler a mensagem de Deus estampada nas coisas da natureza e nos fatos da vida. A Bíblia, o segundo livro de Deus, foi escrito não para ocupar ou substituir a Vida, mas para nos ajudar a interpretar a natureza e a vida e aprender de novo a descobrir os apelos de Deus nos acontecimentos. “Por que vocês não julgam por si mesmos o que é justo?” Partilhando entre nós o que enxergamos na natureza, iremos descobrindo o apelo de Deus na vida.
 
* Lucas 12,58-59: Saber tirar a lição para a vida. “Quando, pois, você está para se apresentar com seu adversário diante do magistrado, procure resolver o caso com o adversário enquanto estão a caminho, senão este o levará ao juiz, e o juiz entregará você ao guarda, e o guarda o jogará na cadeia. Eu digo: daí você não sairá, enquanto não pagar o último centavo”. Um dos pontos em que Jesus mais insistia é a reconciliação. Naquela época havia muitas tensões e conflitos entre grupos radicais com tendências diferentes, sem diálogo: zelotes, essênios, fariseus, saduceus, herodianos. Ninguém queria ceder diante do outro. As palavras de Jesus sobre a reconciliação pedindo acolhimento e compreensão iluminam esta situação. Pois o único pecado que Deus não consegue perdoar é a nossa falta de perdão aos outros (Mt 6,14). Por isso, ele aconselha procurar a reconciliação antes que seja tarde demais! Quando chegar a hora do julgamento, será tarde demais. Enquanto tiver tempo, procure mudar de vida, de comportamento e de modo de pensar e procure acertar o passo (cf. Mt 5,25-26; Col 3,13; Ef 4,32; Mc 11,25).
 
Para um confronto pessoal
1) Ler os Sinais dos Tempos. Quando escuto ou leio as notícias na TV ou nos jornais, tenho a preocupação de perceber os apelos de Deus nesses fatos?
2) Reconciliar é o pedido mais insistente de Jesus. Como procuro colaborar na reconciliação entre as pessoas, as raças, os povos, as tendências?

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Quinta-feira da 29ª semana do Tempo Comum

S. João Paulo II, papa da Fraternidade do Escapulário
 
1ª Leitura (Ef 3,14-21):
Irmãos: Eu dobro os joelhos diante do Pai, de quem recebe o nome toda a paternidade nos céus e na terra, para que Se digne, segundo as riquezas da sua glória, armar-vos poderosamente pelo seu Espírito, para que se fortifique em vós o homem interior e Cristo habite pela fé em vossos corações. Assim, profundamente enraizados na caridade, podereis compreender, com todos os santos, a largura, o comprimento, a altura e a profundidade do amor de Cristo, que ultrapassa todo o conhecimento, para que sejais totalmente saciados na plenitude de Deus. Àquele que, pela sua virtude que atua em nós, pode fazer infinitamente mais do que possamos pedir ou imaginar, a Ele a glória, na Igreja e em Jesus Cristo, em todas as gerações, pelos séculos dos séculos. Amén.
 
Salmo Responsorial: 32
R. A bondade do Senhor encheu a terra.
 
Justos, aclamai o Senhor, os corações retos devem louvá-lo. Cantai-Lhe um cântico novo, cantai-Lhe com arte e com alma.
 
A palavra do Senhor é reta, da fidelidade nascem as suas obras. Ele ama a justiça e a retidão: a terra está cheia da bondade do Senhor.
 
O plano do Senhor permanece eternamente e os desígnios do seu coração por todas as gerações. Feliz a nação que tem o Senhor por seu Deus, o povo que Ele escolheu para sua herança.
 
Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem, para os que esperam na sua bondade, para libertar da morte as suas almas e os alimentar no tempo da fome.
 
Aleluia. Considero todas as coisas como prejuízo, para ganhar a Cristo e n’Ele me encontrar. Aleluia.
 
Evangelho (Lc 12,49-53): Naquele tempo, o Senhor disse aos seus discípulos: «Fogo eu vim lançar sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso! Um batismo eu devo receber, e como estou ansioso até que isto se cumpra! Pensais que eu vim trazer a paz à terra? Pelo contrário, eu vos digo, vim trazer a divisão. Pois daqui em diante, numa família de cinco pessoas, três ficarão divididas contra duas e duas contra três; ficarão divididos: pai contra filho e filho contra pai; mãe contra filha e filha contra mãe; sogra conta nora e nora contra sogra».
 
«Fogo eu vim lançar sobre a terra»
 
Rev. D. Joan MARQUÉS i Suriñach (Vilamarí, Girona, Espanha)
 
Hoje, o Evangelho apresenta-nos Jesus como uma pessoa de grandes desejos: Fogo eu vim lançar sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso! (Lc 12,49). Jesus já queria ver o mundo a arder em caridade e em virtude. Nada menos! Tem que passar pela prova de um batismo, quer dizer, da cruz, e já queria tê-la passado. Naturalmente! Jesus tem planos e tem pressa em vê-los realizados. Poderíamos dizer que é pressa de uma santa impaciência. Também nós temos ideias e projetos, e queríamos vê-los realizados rapidamente. O tempo estorva-nos. Como estou ansioso até que isto se cumpra! (Lc 12,50), disse Jesus.
 
É a pressão da vida, a inquietude experimentada pelas pessoas que têm grandes projetos. Por outro lado, quem não tenha desejos é um covarde, um morto, um freio. E, além disso, é um triste, um amargurado que costuma desabafar criticando os que trabalham. São as pessoas com desejos que se mexem e originam movimento à sua volta, as que avançam e fazem avançar.
 
Tem grandes desejos! Aponta bem para o alto! Busca a perfeição pessoal, a da tua família, a do teu trabalho, a das tuas obras, a dos cargos que te confiem. Os santos aspiraram ao máximo. Não se assustaram diante do esforço e da pressão. Mexeram-se. Mexe-te tu também! Lembra-te das palavras de Santo Agostinho: Se dizes já chega, estás perdido. Acrescenta sempre, caminha sempre. Avança sempre; não pares no caminho, não retrocedas, não te desvies. O que não avança, pára; retrocede o que volta a pensar no ponto de partida, desvia-se o que deserta. É melhor o coxo que anda no caminho que o que corre fora do caminho. E acrescenta: Examina-te e não te contentes com o que és se queres chegar ao que não és. Porque no instante em que te deleites contigo mesmo, terás parado. Mexes-te ou estás parado? Pede ajuda à Santíssima Virgem, Mãe da Esperança.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«A oração nada mais é do que a união com Deus. Qualquer pessoa de coração puro e unido a Deus experimenta em si próprio uma suavidade e doçura que o embriaga, sente-se como se estivesse envolvido por uma luz admirável» (São João Maria Vianney)
 
«No “sim” ao abandonar-se inclui-se a coragem de se deixar queimar pelo fogo da paixão de Jesus Cristo» (Bento XVI)
 
«Da parte de Jesus, o seu baptismo é a aceitação e a inauguração da sua missão de Servo sofredor. Deixa-se contar entre o número dos pecadores. É já o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo´ (Jo 1, 29); e antecipa já o «baptismo» da sua morte sangrenta. Vem, desde já, para cumprir toda a justiça´ (Mt 3,15). Quer dizer que Se submete inteiramente à vontade do Pai e aceita por amor o batismo da morte para a remissão dos nossos pecados (...)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 536)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
* O evangelho de hoje traz algumas frases soltas de Jesus.
A primeira sobre o fogo na terra só ocorre em Lucas. As outras têm frases mais ou menos paralelas em Mateus. Isto nos remete para o problema da origem da composição destes dois evangelhos que já fez correr muita tinta ao longo dos últimos dois séculos e só será resolvido plenamente quando pudermos conversar com Mateus e Lucas, depois da nossa ressurreição.
 
* Lucas 12,49-50: Jesus veio trazer fogo sobre a terra. "Eu vim para lançar fogo sobre a terra: e como gostaria que já estivesse aceso! Devo ser batizado com um batismo, e como estou ansioso até que isso se cumpra!” A imagem do fogo ocorre muito na Bíblia e não tem um sentido único. Pode ser imagem de devastação e castigo e também pode ser imagem de purificação e iluminação (Is 1,25; Zc 13,9). Pode até evocar proteção como transparece em Isaías: “Se passar pelo fogo, estarei contigo” (Is 43,2). João Batista batizava com água, mas depois dele Jesus haveria de batizar pelo fogo (Lc 3,16). Aqui, a imagem do fogo é associada à ação do Espírito Santo que desceu no dia de Pentecostes sob a imagem de línguas de fogo (At 2,2-4). Imagens e símbolos nunca têm um sentido obrigatório, totalmente definido, que não permitiria divergência. Nesse caso já não seria imagem nem símbolo. É da natureza do símbolo provocar a imaginação dos ouvintes e expectadores. Deixando liberdade aos ouvintes, a imagem do fogo combinado com a imagem do batismo indica a direção na qual Jesus quer que a gente dirija a imaginação. Batismo é associado com água e é sempre expressão de um compromisso. Em outro lugar o batismo aparece como símbolo do compromisso de Jesus com a sua paixão: “Vocês podem ser batizados com o batismo com que serei batizado?”. (Mc 10,38-39).
 
*  Lucas 12,51-53: Jesus veio trazer a divisão. Jesus sempre fala em paz (Mt 5,9; Mc 9,50; Lc 1,79; 10,5; 19,38; 24,36; Jo 14,27; 16,33; 20,21.26). Então, como entender a frase do evangelho de hoje que parece dizer o contrário: “Vocês pensam que eu vim trazer a paz sobre a terra? Pelo contrário, eu lhes digo, vim trazer divisão”. Esta afirmação não significa que Jesus estivesse a favor da divisão. Não! Jesus não quer a divisão. Mas o anúncio da verdade de que ele, Jesus de Nazaré, era o Messias tornou-se motivo de muita divisão entre os judeus. Dentro da mesma família ou comunidade, uns eram a favor e outros radicalmente contra. Neste sentido a Boa Nova de Jesus era realmente uma fonte de divisão, um “sinal de contradição” (Lc 2,34) ou, como dizia Jesus: “Ficarão divididos: o pai contra o filho, e o filho contra o pai; a mãe contra a filha, e a filha contra a mãe; a sogra contra a nora, e a nora contra a sogra”. Era o que estava acontecendo, de fato, nas famílias e nas comunidades: muita divisão, muita discussão, como consequência do anúncio da Boa Nova entre os judeus daquela época, uns aceitando, outros negando. O mesmo vale para o anúncio da fraternidade como o valor supremo da convivência humana. Nem todos concordavam com este anúncio, pois preferiam manter seus privilégios. Por isso, não tinham medo de perseguir os que anunciavam a fraternidade e a partilha. Esta é a divisão que surgia e que está na origem da paixão e morte de Jesus. Era o que estava acontecendo. Era o julgamento em andamento. Jesus quer é a união de todos na verdade (cf. Jo 17,17-23). Até hoje é assim. Muitas vezes, lá onde a Igreja se renova, o apelo da Boa Nova se torna um “sinal de contradição” e de divisão. Pessoas que durante anos viveram acomodadas na rotina da sua vida cristã, já não querem ser incomodadas pelas “inovações” do Vaticano II. Incomodadas pelas mudanças, elas usam toda a sua inteligência para encontrar argumentos em defesa de suas opiniões e para condenar as mudanças como contrárias ao que elas pensam ser a verdadeira fé.
 
Para um confronto pessoal
1) Buscando a união, Jesus era causa de divisão. Isto já aconteceu com você?
2) Diante das mudanças na Igreja, como me situo?

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Quarta-feira da 29ª semana do Tempo Comum

S. Úrsula e suas 11 companheiras, virgens e mártires
Bto. Carlos da Áustria, imperador leigo
 
1ª Leitura (Ef 3,2-12):
Irmãos: Certamente já ouvistes falar da graça que Deus me confiou a vosso favor: por uma revelação, foi-me dado a conhecer o mistério de Cristo, como já o apresentei sumariamente. Assim podeis compreender o conhecimento que tenho do mistério de Cristo. Nas gerações passadas, ele não foi dado a conhecer aos filhos dos homens, como agora foi revelado pelo Espírito Santo aos seus santos apóstolos e profetas: os gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho. Deste Evangelho me tornei ministro, pelo dom da graça que Deus me concedeu pela força do seu poder. A mim, o último de todos os santos, foi concedida a graça de anunciar aos gentios a insondável riqueza de Cristo e de manifestar a todos como se realiza o mistério escondido, desde toda a eternidade, em Deus, criador de todas as coisas. E agora é por meio da Igreja, que se dá a conhecer aos principados e potestades celestes a multiforme sabedoria de Deus, realizada, conforme o seu eterno desígnio, em Jesus Cristo, nosso Senhor. Assim, é pela fé em Cristo que podemos aproximar-nos de Deus com toda a confiança.
 
Salmo Responsorial: Is 12
R. Ireis com alegria às fontes da salvação.
 
Deus é o meu Salvador, tenho confiança e nada temo. O Senhor é a minha força e o meu louvor. Ele é a minha salvação.
 
Tirareis água, com alegria, das fontes da salvação. Agradecei ao Senhor, invocai o seu nome, Anunciai aos povos a grandeza das suas obras, proclamai a todos que o seu nome é santo.
 
Cantai ao Senhor, porque Ele fez maravilhas, anunciai-as em toda a terra. Entoai cânticos de alegria e exultai, habitantes de Sião, porque é grande no meio de vós o Santo de Israel.
 
Aleluia. Vigiai e estai preparados, porque na hora em que não pensais virá o Filho do homem. Aleluia.
 
Evangelho (Lc 12,39-48): Naquele tempo, o Senhor disse aos seus discípulos: Ficai certos: se o dono da casa soubesse a que horas viria o ladrão, não deixaria que fosse arrombada sua casa. Vós também ficai preparados! Pois na hora em que menos pensais, virá o Filho do Homem. Então Pedro disse: Senhor, é para nós ou para todos que contas esta parábola? O Senhor respondeu: Quem é o administrador fiel e atento, que o senhor encarregará de dar à criadagem a ração de trigo na hora certa? Feliz aquele servo que o senhor, ao chegar, encontrar agindo assim! Em verdade, vos digo: ele lhe confiará a administração de todos os seus bens. Ora, se um outro servo pensar: Meu senhor está demorando e começar a bater nos criados e nas criadas, a comer, beber e embriagar-se, o senhor daquele servo chegará num dia inesperado e numa hora imprevista, ele o excluirá e lhe imporá a sorte dos infiéis. O servo que, conhecendo a vontade do senhor, nada preparou, nem agiu conforme a sua vontade, será chicoteado muitas vezes. O servo, porém, que não conhecendo essa vontade fez coisas que merecem castigo, será chicoteado poucas vezes. Portanto, todo aquele a quem muito foi dado, muito lhe será pedido; a quem muito foi confiado, dele será exigido muito mais!
 
«Vós também ficai preparados! Pois na hora em que menos pensais, virá o Filho do Homem»
 
Rev. D. Josep Lluís SOCÍAS i Bruguera (Badalona, Barcelona, Espanha)
 
Hoje, com a leitura deste fragmento do Evangelho, podemos ver que cada pessoa é um administrador: quando nascemos, nos é dada uma herança nos genes e algumas capacidades para nos realizarmos na vida. Descobrimos que estas potencialidades e a própria vida são dons de Deus, pois nós nada fizemos para consegui-las. É um presente pessoal, único e intransferível e, é isso o que nos confere a nossa personalidade. São os talentos de que o próprio Jesus nos fala (cf. Mt 25,15), as qualidades que devemos fazer crescer durante a nossa existência.
 
«Pois na hora em que menos pensais, virá o Filho do Homem» (Lc 12,40), Termina dizendo Jesus no primeiro parágrafo. A nossa esperança está na vinda do Senhor Jesus no fim dos tempos; mas agora e aqui também Jesus se faz presente na nossa vida, na simplicidade e na complexidade de cada momento. É hoje quando, com a força do Senhor, podemos viver o seu Reino. Santo Agostinho no-lo lembra com as palavras do Salmo 32,12: «Ditosa a nação cujo Deus é o Senhor, para que podamos ser conscientes disso, formando parte desta nação».
 
«Vós também ficai preparados!» (Lc 12,40), esta exortação representa uma chamada à fidelidade, a qual está subordinada ao egoísmo. Temos a responsabilidade de saber "dar resposta" aos bens que recebemos juntos com a nossa vida. «Conhecendo a vontade do senhor» (Lc 12,47), é aquilo a que chamamos a nossa "consciência" e, é o que nos torna dignamente responsáveis pelos nossos atos. A resposta generosa pela nossa parte à face da humanidade, à face de cada um dos seres vivos, é algo justo e cheio de amor.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Tomara o Senhor se dignasse a me despertar do sono de minha desídia, eu, que ainda sendo vil, sou seu servo! Tomara me inflamasse no desejo de seu amor incomensurável e me acendesse com o fogo de sua divina caridade» (São Columbano, abade)
 
«A sonolência dos discípulos segui sendo ao longo dos séculos uma ocasião favorável para o poder do mal. Essa falta de sensibilidade das almas confere um poder no mundo ao maligno» (Bento XVI)
 
«Em jesus, “o Reino de Deus está perto”. Ele apela à conversão e à fé, mas também à vigilância. Na oração, o discípulo vela, atento Aquele que é e que vem(...). Em comunhão com o Mestre, a oração dos discípulos é um combate; é vigiando na oração que não se cai na tentação» (Catecismo da Igreja Católica, n° 2612)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* O evangelho de hoje traz novamente uma exortação à vigilância com outras duas parábolas.
Ontem, a parábola era de patrão e empregado (Lc 12,36-38). Hoje, a primeira parábola é do dono de casa e do ladrão (Lc 12,39-40) e a outra fala do proprietário e do administrador (Lc 12,41-47).
 
* Lucas 12,39-40: A parábola do dono da casa e do ladrão. “Fiquem certos: se o dono da casa soubesse a hora em que o ladrão iria chegar, não deixaria que lhe arrombasse a casa. Vocês também estejam preparados! Porque o Filho do Homem vai chegar na hora em que vocês menos esperarem”. Assim como o dono da casa não sabe a que hora chega o ladrão, assim ninguém sabe a hora da chegada do Filho do Homem. Jesus deixa bem claro: "Quanto a esse dia e essa hora, ninguém sabe nada, nem os anjos, nem o Filho, mas somente o Pai!" (Mc 13,32). Hoje, muita gente vive preocupada com o fim do mundo. Nas ruas das cidades, se vê escrito nas paredes: Jesus voltará! Teve até gente que, angustiada com a proximidade do fim do mundo, chegou a cometer suicídio. Mas o tempo passa e o fim não chega! Muitas vezes, a afirmação “Jesus voltará” é usada para meter medo nas pessoas e obrigá-las a frequentar uma determinada igreja! De tanto esperar e especular em torno da vinda de Jesus, muita gente já nem percebe mais a presença dele no meio de nós, nas coisas mais comuns da vida, nos fatos do dia a dia. Pois o que importa mesmo não é saber a hora do fim deste mundo, mas sim ter um olhar capaz de perceber a vinda de Jesus já presente no meio de nós na pessoa do pobre (cf Mt 25,40) e em tantos outros modos e acontecimentos da vida de cada dia.
 
* Lucas 12,41: A pergunta de Pedro. “Então Pedro disse a Jesus: "Senhor, estás contando essa parábola só para nós, ou para todos?" Não se vê bem o porquê desta pergunta de Pedro. Ela evoca um outro episódio, no qual Jesus respondeu a uma pergunta semelhante dizendo: “A vocês é dado conhecer o mistério do Reino de Deus, mas aos outros tudo é dado a conhecer em parábolas”  (Mt 13,10-11; Lc 8,9-10).
 
* Lucas 12,42-48ª: A parábola do proprietário e do administrador. Na resposta à pergunta de Pedro Jesus formula uma outra pergunta em forma de parábola: "Quem é o administrador fiel e prudente, que o senhor coloca à frente do pessoal de sua casa, para dar a comida a todos na hora certa?” Logo em seguida, o Jesus mesmo, na própria parábola, já dá a resposta: bom administrador é aquele que cumpre sua missão de servidor, nunca usa os bens recebidos em proveito próprio, e está sempre vigilante e atento. Talvez seja uma resposta indireta à pergunta de Pedro, como se dissesse: “Pedro, a parábola é realmente para você! É para você saber administrar bem a missão que Deus lhe deu como coordenador das comunidades. Neste sentido, a resposta vale também para cada um de nós. E aí toma muito sentido a advertência final: “A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido”.
 
* A chegada do Filho do Homem e o fim deste mundo. A mesma problemática havia nas comunidades cristãs dos primeiros séculos. Muita gente das comunidades dizia que o fim deste mundo estava perto e que Jesus voltaria logo. Alguns da comunidade de Tessalônica na Grécia, apoiando-se na pregação de Paulo, diziam: “Jesus vai voltar logo!” (1Tes 4,13-18; 2Tes 2,2). Por isso, havia até pessoas que já não trabalhavam, porque achavam que a vinda fosse coisa de poucos dias ou semanas. Trabalhar para que, se Jesus ia voltar logo? (cf 2Ts 3,11). Paulo responde que não era tão simples como eles imaginavam. E aos que já não trabalhavam avisava: “Quem não quiser trabalhar não tem direito de comer!” Outros ficavam só olhando o céu, aguardando o retorno de Jesus sobre as nuvens (cf At 1,11). Outros reclamavam da demora (2Pd 3,4-9). Em geral, os cristãos viviam na expectativa da vinda iminente de Jesus. Jesus viria realizar o Juízo Final para encerrar a história injusta deste mundo cá de baixo e inaugurar a nova fase da história, a fase definitiva do Novo Céu e da Nova Terra. Achavam que isto aconteceria dentro de uma ou duas gerações. Muita gente ainda estaria viva quando Jesus fosse aparecer glorioso no céu (1Ts 4,16-17; Mc 9,1). Outros, cansados de esperar, diziam: “Ele não vai voltar nunca! (2Pd 3,4). Até hoje, a vinda final de Jesus ainda não aconteceu! Como entender esta demora? É que já não percebemos que Jesus já voltou, já está no nosso meio: “Eis que eu estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo." (Mt 28,20). Ele já está do nosso lado na luta pela justiça, pela paz, pela vida. A plenitude ainda não chegou, mas uma amostra ou garantia do Reino já está no meio de nós. Por isso, aguardamos com firme esperança a libertação plena da humanidade e da natureza (Rm 8,22-25). E enquanto esperamos e lutamos, dizemos acertadamente: “Ele já está no meio de nós!” (Mt 25,40).
 
Para um confronto pessoal
1) A resposta de Jesus a Pedro serve também para nós, para mim. Será que sou um bom administrador, uma boa administradora da missão que recebi?
2) Como faço para estar vigilante sempre?

domingo, 18 de outubro de 2026

Terça-feira da 29ª semana do Tempo Comum


1ª Leitura (Ef 2,12-22):
Irmãos: No tempo em que éreis pagãos, vós estáveis sem Cristo, privados do direito de cidadania em Israel e alheios às alianças da promessa divina, sem esperança e sem Deus no mundo. Foi em Cristo Jesus que vós, outrora longe de Deus, vos aproximastes d’Ele, graças ao sangue de Cristo. Cristo é, de facto, a nossa paz. Foi Ele que fez de judeus e gregos um só povo e derrubou o muro da inimizade que os separava, anulando, pela imolação do seu corpo, a Lei de Moisés com as suas prescrições e decretos. E assim, de uns e outros, Ele fez em Si próprio um só homem novo, estabelecendo a paz. Pela cruz reconciliou com Deus uns e outros, reunidos num só Corpo, levando em Si próprio a morte à inimizade. Cristo veio anunciar a boa nova da paz, paz para vós, que estáveis longe, e paz para aqueles que estavam perto. Por Ele, uns e outros, podemos aproximar-nos do Pai, num só Espírito. Por isso, já não sois estrangeiros nem hóspedes, mas sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus, edificados sobre o alicerce dos Apóstolos e dos Profetas, que tem Cristo como pedra angular. Em Cristo, toda a construção, bem ajustada, cresce para formar um templo santo do Senhor; e em união com Ele, também vós sois integrados na construção, para vos tornardes, no Espírito Santo, morada de Deus.
 
Salmo Responsorial: 84
R. O Senhor anuncia a paz ao seu povo.
 
Escutemos o que diz o Senhor: Deus fala de paz ao seu povo e aos seus fiéis. A sua salvação está perto dos que O temem e a sua glória habitará na nossa terra.
 
Encontraram-se a misericórdia e a fidelidade, abraçaram-se a paz e a justiça. A fidelidade vai germinar da terra e a justiça descerá do Céu.
 
O Senhor dará ainda o que é bom e a nossa terra produzirá os seus frutos. A justiça caminhará à sua frente e a paz seguirá os seus passos.
 
Aleluia. Vigiai e orai em todo o tempo, para vos apresentardes sem temor diante do Filho do homem. Aleluia.
 
Evangelho (Lc 12,35-38): Naquele tempo, o Senhor disse aos seus discípulos: Ficai de prontidão, com o cinto amarrado e as lâmpadas acesas. Sede como pessoas que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento, para lhe abrir a porta, logo que ele chegar e bater. Felizes os servos que o Senhor encontrar acordados quando chegar. Em verdade, vos digo: ele mesmo vai arregaçar sua veste, os fará sentar à mesa e passará para servi-los. E caso ele chegue pela meia-noite ou já perto da madrugada, felizes serão, se assim os encontrar!.
 
«Sede como pessoas que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento»
 
Rev. D. Miquel VENQUE i To (Solsona, Lleida, Espanha)
 
Hoje é necessário reparar nessas palavras de Jesus: Sede como pessoas que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento, para lhe abrir a porta, logo que ele chegar e bater (Lc 12,36) Que alegria descobrir que, apesar de ser pecador e pequeno, eu próprio abrirei a porta ao Senhor quando ele chegar! Sim, no momento da minha morte serei eu quem abra a porta ou a feche, ninguém o poderá fazer por mim. Persuadamo-nos que Deus nos pedirá contas não apenas pelas nossas ações e palavras, mas também pela forma como utilizamos o tempo (S. Gregório Nazianzeno).
 
Estar à porta e com os olhos abertos é uma orientação-chave e, ao meu alcance. Não me posso distrair. Estar distraído é esquecer o objetivo, querer ir para o céu mas sem uma vontade operativa; é fazer bolas de sabão sem um desejo comprometido e avaliável. Ter posto um avental significa estar na cozinha, preparado até ao último detalhe. O meu pai, que era agricultor, dizia que não se pode semear se a terra não está no momento; para fazer uma boa semeadura é necessário passear pelo campo e tocar nas sementes com atenção.
 
O cristão não é um náufrago sem bússola, ele sabe de onde vem, para onde vai e como chegar; conhece o objetivo os meios para ir e as dificuldades. Ter isto em conta nos ajudará a vigiar e a abrir a porta quando o Senhor nos avise. A exortação à vigilância e à responsabilidade repetem-se com frequência na predicação de Jesus por duas razões óbvias: porque Jesus nos ama e nos vela; o que ama não adormece. E, porque o inimigo, o diabo, não para de nos tentar. O pensamento do céu e do inferno não nos poderá distrair nunca das nossas obrigações da vida presente, mas é um pensamento saudável e encarnado, e merece a felicitação do Senhor: E caso ele chegue pela meia-noite ou já perto da madrugada, felizes serão, se assim os encontrar!(Lc 12,38). Jesus, ajuda-me a viver atento e vigilante cada dia, amando-te sempre.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Feliz, pois, aquele a cuja porta chama Cristo. Nossa porta é a fé, a qual, si for resistente, defende a casa toda» (Santo Ambrósio)
 
«Jesus quer que nossa existência seja trabalhosa, que nunca baixemos a guarda, para acolher com gratidão e estupor cada novo dia que Deus nos obsequia» (Francisco)
 
«(...) A vigilância é a “guarda do coração” e Jesus pede ao Pai que nos guarde em seu Nome. O Espírito Santo procura incessantemente despertar-nos para esta vigilância (...)» (Catecismo da Igreja Católica, n° 2849)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
*
Por meio da parábola o evangelho de hoje traz uma exortação à vigilância.
 
* Lucas 12,35: Exortação à vigilância. "Estejam com os rins cingidos e com as lâmpadas acesas”. Cingir-se significava amarrar um pano ou uma corda ao redor da veste talar, para que ela não atrapalhasse os movimentos do corpo. Estar cingido significava estar preparado, pronto para ação imediata. Na véspera da saída do Egito, na hora de celebrar a páscoa, os israelitas deviam estar cingidos, isto é, preparados, prontos para poder partir imediatamente (Ex 12,11). Quando alguém ia trabalhar, lutar ou executar uma tarefa ele se cingia (Ct 3,8). Na carta aos Efésios, Paulo descreve a armadura de Deus e diz que os rins devem estar cingidos com o cíngulo da verdade (Ef 6,14). As lâmpadas deviam estar acesas, pois a vigilância é tarefa tanto para o dia como para a noite. Sem luz não se anda na escuridão da noite.
 
* Lucas 12,36: A parábola. Para explicar o que significa de estar cingido, Jesus conta uma pequena parábola. “Sejam como homens que estão esperando o seu senhor voltar da festa de casamento: tão logo ele chega e bate, eles imediatamente vão abrir a porta”. A tarefa de aguardar a chegada do patrão exige uma vigilância constante e permanente, sobretudo quando é de noite, pois, o patrão não tem hora marcada. Ele pode voltar a qualquer momento. O empregado deve estar atento, vigilante sempre!
 
* Lucas 12,37: Promessa de felicidade. “Felizes dos empregados que o senhor encontra acordados quando chega. Eu garanto a vocês: ele mesmo se cingirá, os fará sentar à mesa, e, passando, os servirá”. Aqui, nesta promessa de felicidade, os papéis se invertem. O patrão se torna empregado e começa a servir ao empregado que virou patrão. Evoca Jesus na última ceia que, mesmo sendo senhor e mestre, se fez servidor e empregado de todos (Jo 13,4-17). A felicidade prometida tem a ver com o futuro, com a felicidade no fim dos tempos, e é o oposto daquilo que Jesus prometeu numa outra parábola que dizia: “Se alguém de vocês tem um empregado que trabalha a terra ou cuida dos animais, por acaso vai dizer-lhe, quando ele volta do campo: Venha depressa para a mesa? Pelo contrário, não vai dizer ao empregado: 'Prepare-me o jantar, cinja-se e sirva-me, enquanto eu como e bebo; depois disso você vai comer e beber'? Será que vai agradecer ao empregado, porque este fez o que lhe havia mandado? Assim também vocês: quando tiverem cumprido tudo o que lhes mandarem fazer, digam: Somos empregados inúteis; fizemos o que devíamos fazer" (Lc 17,7-10).
 
* Lucas 12,38: Repete a promessa de felicidade. “E caso ele chegue à meia-noite ou às três da madrugada, felizes serão se assim os encontra!” Repete a promessa de felicidade que exige vigilância total. O patrão pode voltar meia noite, três da madrugada, ou qualquer outra hora. O empregado deve estar acordado, cingido, pronto para poder entrar em ação.
 
Para um confronto pessoal
1) Somos empregados de Deus. Devemos estar cingidos, de prontidão, atentos e vigilantes, vinte e quatro horas por dia. Você está conseguindo? Como faz?
2) A promessa de felicidade futura é a inversão do presente. O que isto nos revela sobre a bondade de Deus para conosco, para comigo?