domingo, 16 de agosto de 2026

18 de agosto

 B. Tiago Retouret, João Baptista Duverneil, Miguel Luís Brulard e Tiago Gagnot,
Presbíteros e mártires de nossa Ordem

 
Tiago Retouret (1746-1794) fazia parte de um grupo de 64 sacerdotes, representantes de centenas de eclesiásticos, amontoados como animais numas embarcações imundas na baía de Rochefort (França) durante o período mais quente da Revolução Francesa. Quando soube que era inválido o juramento à Constituição Civil do Clero, retratou oficialmente a sua adesão, sendo, por isso, considerado como inimigo do povo, a quem tinha servido como irmão observante e pregador no seu convento de Limoges. Depois de ter suportado, com os seus companheiros, ultrajes, torturas, privações de qualquer ajuda espiritual, especialmente apoquentado pelo frio [«sofreu terrivelmente por causa de uma dolorosa ciática, que pôs à prova durante bastante tempo a sua paciência; mas nunca perdeu a coragem», testemunha ocular], morreu de peste em 26 de agosto de 1794 e foi sepultado na ilha Madame.
 
P. João Baptista Duverneuiln, nascido em Limoges em 1759, que morreu por padecimentos e doenças no dia 1 de julho de 1794, na idade de 35 anos; P. Miguel Luís Brulard, nascido em Chartres no dia 26 de julho de 1758, que morreu no dia 25 de julho de 1794, na idade de 36 anos; e P. Tiago Gagnot, nascido em Frolois em 1753, e que morreu no dia 10 de setembro de 1794, na idade de 41 anos. O amor incondicional a Cristo, o apego e a fidelidade à Igreja, a compaixão para com todos, o perdão para com os próprios perseguidores foram algumas das virtudes destes filhos de Santa Teresa. Foram beatificados no dia 1º de outubro de 1995, juntamente com outros 61 mártires, mortos na mesma circunstância.
 
Salmodia, leitura, responsório breve e preces do dia corrente.
 
 
Oração
Senhor, nosso Deus, que destes aos bem-aventurados Tiago Retouret, João Baptista, Miguel Luís, Tiago e companheiros mártires,  a graça da fidelidade e do perdão no meio dos mais duros tormentos, concedei-nos, por sua intercessão e exemplo, que permaneçamos sempre fiéis à Igreja e prontos para a reconciliação com os nossos irmãos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

Terça-feira da 20ª semana do Tempo Comum

Santa Helena, imperatriz, viúva
B. Tiago Retouret (ocarm), João Baptista Duverneil (ocd), Miguel Luís Brulard (ocd) e Tiago Gagnot (0cd), presbíteros e mártires de nossa Ordem
 
1ª Leitura (Ez 28,1-10):
O Senhor dirigiu-me a palavra, dizendo: «Filho do homem, diz ao soberano de Tiro: Assim fala o Senhor Deus: O teu coração encheu-se de orgulho e dizes: ‘Eu sou um deus, estou sentado em trono divino no meio dos mares’. Mas tu que és um homem e não Deus, alimentas em teu coração pretensões divinas! És então mais sábio que Daniel e nenhum segredo é obscuro para ti! Pela tua habilidade e inteligência, adquiriste grandes riquezas e acumulaste ouro e prata nos teus tesouros. Tão grande é a tua habilidade no comércio que multiplicaste a tua fortuna e com ela se encheu de orgulho o teu coração. Por isso, assim fala o Senhor Deus: Porque alimentas em teu coração pretensões divinas, vou fazer que venham estrangeiros contra ti, os mais ferozes de entre os povos. Eles brandirão a espada contra a tua fina habilidade e profanarão o teu esplendor. Far-te-ão descer à cova e morrerás de morte violenta, no meio dos mares. Ainda irás dizer na presença dos teus executores: ‘Eu sou um deus’? Mas tu és um homem e não um deus, nas mãos daqueles que vão matar-te. Terás a morte dos infiéis às mãos dos estrangeiros, porque Eu falei» – diz o Senhor Deus.
 
Salmo Responsorial:
R. Eu sou o Senhor da morte e da vida.
 
O Senhor disse: «Vou reduzi-los ao pó da terra e apagar a sua memória de entre os homens. Mas temi a arrogância do inimigo, o desprezo dos seus adversários.
 
Porque diriam: ‘Triunfou o nosso poder, à nossa força não resiste o seu Deus’; porque são um povo de insensatos, neles não há discernimento.
 
Como poderia um só homem perseguir mil e dois pôr em fuga dez mil, se o seu Protetor os não tivesse abandonado, se o Senhor não os entregasse às suas mãos?»
 
Está próximo o dia da ruína, iminente o seu destino, porque o Senhor defenderá o seu povo, terá piedade dos seus servos.
 
Aleluia. Jesus Cristo, sendo rico, fez-Se pobre, para nos enriquecer na sua pobreza. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 19,23-30): Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: «Em verdade vos digo, dificilmente um rico entrará no Reino dos Céus. E digo ainda: é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha, do que um rico entrar no Reino de Deus». Ouvindo isso, os discípulos ficaram perplexos e perguntaram: «Quem, pois, poderá salvar-se?». Jesus olhou bem para eles e disse: «Para os homens isso é impossível, mas para Deus tudo é possível». Em seguida, Pedro tomou a palavra e disse-lhe: «Olha! Nós deixamos tudo e te seguimos. Que haveremos de receber?». Jesus respondeu: «Em verdade vos digo, quando o mundo for renovado e o Filho do Homem se sentar no trono de sua glória, também vós, que me seguistes, havereis de sentar-vos em doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel. E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou campos, por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá como herança a vida eterna. Ora, muitos que são primeiros serão últimos, e muitos que são últimos serão primeiros».
 
«Dificilmente um rico entrará no Reino dos Céus (...) Quem, pois, poderá salvar-se?»
 
Rev. D. Fernando PERALES i Madueño (Terrassa, Barcelona, Espanha)

Hoje, contemplamos a reação que suscitou entre os ouvintes o diálogo do jovem rico com Jesus: «Quem, pois, poderá salvar-se?» (Mt 19,25). As palavras do Senhor dirigidas ao jovem rico são manifestamente duras, pretendem surpreender, despertar as nossas sonolências. Não se trata de palavras isoladas, acidentais no Evangelho: repete vinte vezes este tipo de mensagem. Devemos recordá-lo: Jesus adverte contra os obstáculos que implicam as riquezas, para entrar na vida...
 
E, no entanto, Jesus amou e chamou homens ricos, sem lhes exigir que abandonassem as suas responsabilidades. A riqueza em si mesma não é má, a não ser que a sua origem tenha sido adquirida de forma injusta, ou o seu destino, que se utilize de forma egoísta sem ter em conta os mais desfavorecidos, se fecha o coração aos verdadeiros valores espirituais (onde não há necessidade de Deus).
 
«Quem, pois, poderá salvar-se?». Jesus responde: «Para os homens isso é impossível, mas para Deus tudo é possível». (Mt 19,26). «Senhor, tu conheces bem as habilidades dos homens para atenuar a tua Palavra. Tenho que o dizer, Senhor ajuda-me! Converte o meu coração».
 
Depois do jovem rico ter ido embora, entristecido pelo seu apego às suas riquezas, Pedro tomou a palavra e disse: «Concede, Senhor, à tua Igreja, aos teus Apóstolos que sejam capazes de deixar tudo por Ti».
 
«Quando o mundo for renovado e o Filho do Homem se sentar no trono de sua glória?» (Mt 19,28). O Teu pensamento dirige-se para esse “dia”, até esse futuro. Tu és um homem com tendência para o fim do mundo, para a plenitude do homem. Nesse tempo, Senhor, tudo será novo, renovado, belo.
 
Jesus Cristo diz-nos: «Vós que deixastes tudo pelo Reino, vos sentareis com o Filho do Homem... Recebereis cem vezes mais do que tiveres deixado... E herdareis a vida eterna...» (cf. Mt 19,28-29).
 
O futuro que Tu prometes aos teus, aos que te seguiram renunciando a todos os obstáculos... É um futuro feliz, é a abundância da vida, é a plenitude divina.
 
«Obrigado, Senhor. Conduz-me até esse dia!».
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«É mais fácil o sol não brilhar ou não aquecer do que um cristão deixar de iluminar. Não inflija uma ofensa a Deus!: se ordenarmos bem a nossa conduta, tudo o resto se seguirá como consequência natural» (São João Crisóstomo)
 
«A vocação cristã é antes de tudo um apelo de amor que atrai e remete para algo além de si mesmo, para a sua libertação na entrega de si» (Bento XVI)
 
«A Igreja ora para que ninguém se perca: ‘Senhor [...], não permitais que eu me separe de Vós’. Sendo verdade que ninguém se pode salvar a si mesmo, também é verdade que ‘Deus quer que todos se salvem’ (1Tm 2,4) e que a Ele ‘tudo é possível’ (Mt 19, 26)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 1058)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

*
O evangelho de hoje é a continuação imediata do evangelho de ontem. Traz o comentário de Jesus a respeito da reação negativa do jovem rico.
 
* Mateus 19,23-24: O camelo e o fundo da agulha.. Depois que o jovem foi embora, Jesus comentou a decisão dele e disse: "Eu garanto a vocês: um rico dificilmente entrará no Reino do Céu. E digo ainda: é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha, do que um rico entrar no Reino de Deus". Duas observações a respeito desta afirmação de Jesus: 1) O provérbio do camelo e do buraco da agulha se usava para dizer que uma coisa era impossível e inviável, humanamente falando. 2) A expressão “um rico entrar no Reino” trata, não em primeiro lugar da entrada no céu depois da morte, mas sim da entrada na comunidade ao redor de Jesus. E até hoje é assim. Os ricos dificilmente entram e se sentem em casa nas comunidades que tentam viver o evangelho de acordo com as exigências de Jesus e que procuram abrir-se para os pobres, os migrantes e os excluídos da sociedade.
 
* Mateus 19,25-26: O espanto dos discípulos. O jovem tinha observado os mandamentos, mas sem entender o porquê da observância. Algo semelhante estava acontecendo com os discípulos. Quando Jesus os chamou, fizeram exatamente o que Jesus tinha pedido ao jovem: largaram tudo e foram atrás de Jesus (Mt 4,20.22). Mesmo assim, ficaram espantados com a afirmação de Jesus sobre a quase impossibilidade de um rico entrar no Reino de Deus. Sinal de que não tinham entendido bem a resposta de Jesus ao moço rico: “Vai vende tudo, dá para os pobres e vem e segue-me!” Pois, se o tivessem entendido, não teriam ficado tão chocados com a exigência de Jesus. Quando a riqueza ou o desejo da riqueza ocupa o coração e o olhar, a pessoa já não consegue perceber o sentido da vida e do evangelho. Só Deus mesmo para ajudar! "Para os homens isso é impossível, mas para Deus tudo é possível."
 
* Mateus 19,27: A pergunta de Pedro. O pano de fundo da incompreensão dos discípulos transparece na pergunta de Pedro: “Olhe, nós deixamos tudo e te seguimos. O que é que vamos receber?” Apesar da generosidade tão bonita do abandono de tudo, eles mantinham a mentalidade anterior. Abandonaram tudo para receber algo em troca. Ainda não entendiam bem o sentido do serviço e da gratuidade.
 
* Mateus 19,28-30: A resposta de Jesus.
"Eu garanto a vocês: no mundo novo, quando o Filho do Homem se sentar no trono de sua glória, vocês, que me seguiram, também se sentarão em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel. E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos, campos, por causa do meu nome, receberá muitas vezes mais, e terá como herança a vida eterna. Muitos que agora são os primeiros, serão os últimos; e muitos que agora são os últimos, serão os primeiros".  Nesta resposta, Jesus descreve o mundo novo, cujos fundamentos estavam sendo lançados pelo trabalho dele e dos discípulos. Jesus acentua três pontos importantes: (1) Os discípulos vão sentar-se nos doze tronos junto com Jesus para julgar as doze tribos de Israel (cf. Ap 4,4). (2) Vão receber em troca muitas vezes aquilo que tinham abandonado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos, campos, e terão a herança da vida eterna garantida. (3) O mundo futuro será a inversão do mundo atual. Nele os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos. A comunidade ao redor de Jesus é semente e amostra deste mundo novo. Até hoje as pequenas comunidades dos pobres continuam sendo semente e amostra do Reino.
 
* Cada vez que, na história do povo da Bíblia, surge um movimento para renovar a Aliança, ele começa restabelecendo os direitos dos pobres, dos excluídos. Sem isto, a Aliança não se refaz! Assim faziam os profetas, assim faz Jesus. Ele denuncia o sistema antigo que, em nome de Deus, excluía os pobres. Jesus anuncia um novo começo que, em nome de Deus, acolhe os excluídos. Este é o sentido e o motivo da inserção e da missão da comunidade de Jesus no meio dos pobres. Ela atinge a raiz e inaugura a Nova Aliança.
 
Para um confronto pessoal
1) Abandonar casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos, campos, por causa do nome de Jesus.  Como isto acontece na sua vida? O que já recebeu de volta?
2) Hoje, a maioria dos países pobres não é da religião cristã, enquanto a maioria dos países ricos é da religião cristã. Como se aplica hoje o provérbio do camelo que não passa pelo fundo de uma agulha?

sábado, 15 de agosto de 2026

17 de agosto

 

Beato Ângelo Mazzinghi
Presbítero de nossa Ordem
 
De família nobre, nasceu em Florença ou perto desta, em data desconhecida, mas certamente antes de 1386. Entrou no convento do Carmo na capital da Toscana. Foi o primeiro filho da Reforma de Santa Maria das Selvas, da Ordem Carmelita. O nosso Beato veio a ser professor de teologia, várias vezes prior em conventos da Ordem e, depois, provincial da Toscana, consolidando a reforma (Congregação Mantuana). Distinguiu-se na pregação da palavra de Deus. Morreu em Florença em 16 de agosto de 1438. O seu culto foi confirmado por Clemente XIII a 7 de março de 1761. Conservam-se dele, em manuscrito, conferências dirigidas aos seus religiosos, sermões e um comentário dos quatro livros do Mestre das Sentenças.
 
LAUDES
Hino
Ó Senhor, de ti nos vem
toda a luz e dom perfeito;
só tu és o autor do bem,
que adornou o teu eleito,
 
Tu, que Ângelo abrasaste
de zelo sacerdotal,
e tão valoroso o tornaste
no combate contra o mal.
 
Que a luz do mundo, Senhor,
não se torne em cinza fria!
E o sal, se perde o sabor,
que outra coisa o salgaria?
 
Ajuda-nos, Pai, a rezar;
dá-nos a felicidade
de te podermos louvar
por toda a eternidade.
 
Salmodia, leitura, responsório breve e preces do dia corrente.
 
Cântico evangélico
Ant. Este será abençoado pelo Senhor e recompensado por Deus, seu Salvador, porque esta é a geração dos que procuram o Senhor.
 
Oração
Deus todo-poderoso e eterno, que consagrastes este dia com a gloriosa memória do bem-aventurado Ângelo, fazei que conservemos e manifestemos por obras a fé que ele pregou com incansável ardor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
 
VÉSPERAS
Hino
Ângelo, amigo de Deus,
também nosso padroeiro,
ajuda-nos a seguir
por caminho verdadeiro.
 
Servidor do Altíssimo
vigilante e fiel,
ensina-nos a servir
como tu, o Rei que é Deus.
 
Por caminhos de justiça
e por caminhos de amor,
teu exemplo nos conduza
aos convites do Senhor.
 
Louvor a Deus nosso Pai
pela graça que te deu!
Amparai nossa fraqueza
até ao Reino do Céu.
 
Pela glória do teu Santo
nós Te louvamos, Senhor!
Pela sua intercessão
firma-nos no teu amor.
 
A Ti, Deus Pai de bondade,
e a Jesus Nosso Senhor,
e ao Espírito Paráclito,
honra, glória e louvor!
 
Salmodia, leitura, responsório breve e preces do dia corrente.
 
Cântico evangélico
Ant. Vós que deixastes tudo e me seguistes, recebereis cem vezes mais e tereis como herança a vida eterna
 
Oração
Deus todo-poderoso e eterno, que consagrastes este dia com a gloriosa memória do bem-aventurado Ângelo, fazei que conservemos e manifestemos por obras a fé que ele pregou com incansável ardor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

Segunda-feira da 20ª semana do Tempo Comum

 
Santa Beatriz da Silva, virgem
Beato Ângelo Mazzinghi, presbítero de nossa Ordem
 
1ª Leitura (Ez 24,15-24):
O Senhor dirigiu-me a palavra, dizendo: «Filho do homem, vou tirar-te repentinamente aquela que é a alegria dos teus olhos. Não deverás lamentar-te, nem chorar, nem derramar lágrimas; suspira em silêncio, mas não pratiques o luto habitual pelos mortos. Mantém a cabeça coberta, calça as sandálias, não cubras a barba, nem comas o pão trazido pelos outros». De manhã falei ao povo, à tarde minha mulher morreu. Na manhã seguinte, fiz o que me tinha sido ordenado. Então o povo perguntou-me: «Não nos explicas o que significa para nós o que estás a fazer?». Eu respondi-lhes: «O Senhor dirigiu-me a palavra, dizendo: ‘Diz à casa de Israel: Assim fala o Senhor Deus: Vou profanar o meu santuário, orgulho do vosso poder, alegria dos vossos olhos e paixão das vossas almas. Os filhos e filhas que deixastes em Jerusalém cairão ao fio da espada’. Então fareis como eu fiz. Não cobrireis a barba, não comereis o pão trazido pelos outros, ficareis com a cabeça coberta, com sandálias nos pés, e não vos lamentareis, nem chorareis. ‘Ireis morrendo por causa das vossas iniquidades e gemereis uns com os outros. Ezequiel será para vós um símbolo: fareis como ele fez. Quando isto acontecer, reconhecereis que Eu sou o Senhor Deus’».
 
Salmo Responsorial: Dt 32
R. Abandonaste a Deus que te criou.
 
Desprezaste o Rochedo que te gerou, esqueceste a Deus que te deu a vida. O Senhor viu e ficou indignado e rejeitou teus filhos e tuas filhas.
 
O Senhor disse: «Vou ocultar-lhes o meu rosto e ver qual será o seu futuro, porque são uma geração perversa de filhos que não conhecem a fidelidade.
 
Provocaram-Me com um deus falso, irritaram-Me com inúteis ídolos; e Eu vou provocá-los com um povo falso, vou irritá-los com uma nação insensata».
 
Aleluia. Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 19,16-22): Naquele tempo, alguém aproximou-se de Jesus e disse: «Mestre, que devo fazer de bom para ter a vida eterna?». Ele respondeu: «Por que me perguntas sobre o que é bom? Um só é bom. Se queres entrar na vida, observa os mandamentos». ?«Quais?», perguntou ele. Jesus respondeu: «Não matarás, não cometerás adultério, não roubarás, não levantarás falso testemunho, honra pai e mãe, ama teu próximo como a ti mesmo». O jovem disse-lhe: «Já observo tudo isso. Que me falta ainda?». Jesus respondeu: «Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá o dinheiro aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me». Quando ouviu esta palavra, o jovem foi embora cheio de tristeza, pois possuía muitos bens.
 
«Que tenho que fazer de bom para ter a vida eterna?»
 
P. Enrique AMAT i Busquets (Terrassa, Barcelona, Espanha)
 
Hoje, o Evangelho apresenta-nos o jovem rico, um rapaz que tinha uma profunda sede de eternidade: «Mestre, que devo fazer de bom para alcançar a vida eterna?» (Mt 19,16). Este desejo de felicidade está inscrito na alma de cada pessoa, pois todos fomos criados pelo Amor e destinados à plena comunhão com Ele. Então, qual foi o obstáculo que impediu este jovem de seguir Jesus? O seu coração continuava apegado aos bens temporais. Aquele jovem tinha um desejo nobre, mas entendia o caminho da salvação como o mero cumprimento de uma série de normas: «Tudo isso tenho cumprido. Que me falta ainda?» (Mt 19,20).
 
Para alcançarmos a salvação das nossas almas, devemos deixar que Deus reine na nossa vida, para que o Espírito Santo nos vá despojando de tudo aquilo que não vem d’Ele, até mesmo daquelas coisas que, sendo boas, podem constituir um obstáculo à nossa santidade. O seu amor por nós não tem limites e, por isso, não quer deixar-nos encerrados no nosso egoísmo e na nossa iniquidade: «A cada um de vós digo: Deus ama-te tal como és, mas sonha-te ainda melhor!» (Leão XIV).
 
Jesus convida-nos a apostar tudo e a elevar o olhar para os bens eternos. Abre-nos um caminho de salvação que encontra o seu fundamento no amor e na liberdade que só Ele nos pode dar. Mostra-nos que o caminho cristão não consiste apenas em fazer coisas — cumprir os mandamentos —, mas sobretudo em deixar-nos transformar pela sua graça, sem impor condições: «Se, portanto, és obra de Deus espera pacientemente a mão do teu artífice que faz todas as coisas em tempo oportuno. Apresenta-lhe coração dócil e flexível, guarda a forma que o artífice te deu e a humildade que está em ti para que não endureças e percas o modo que os seus dedos te dão» (Santo Irineu).
 
Peçamos a Deus que nos ajude a ser generosos e audazes no seu seguimento e a não ter medo de nos entregarmos à sua vontade. A recompensa é muito grande: «Receberá cem vezes mais e terá como herança a vida eterna» (Mt 19,29).
 
«Que tenho que fazer de bom para ter a vida eterna?»
 
Rev. D. Óscar MAIXÉ i Altés (Roma, Itália)
 
Hoje a Liturgia da Palavra coloca para nossa consideração a famosa passagem do jovem rico, aquele jovem que não soube responder diante do olhar de amor com o qual Cristo olhou para ele (cf. Mc 10,21). São João Paulo II lembra-nos que naquele jovem podemos reconhecer a todo homem que se aproxima de Cristo e lhe pergunta sobre o sentido de sua própria vida: «Mestre, que devo fazer de bom para ter a vida eterna?» (Mt 19,16). O Papa comenta que «o interlocutor de Jesus intui que há uma conexão entre o bem moral e o pleno cumprimento do próprio destino».
 
Hoje, há muitas pessoas que também fazem, no seu íntimo, esta pergunta! Se olharmos à nossa volta, talvez pensemos que são poucas as pessoas que veem algo a mais, ou que o homem do século XXI não precisa se fazer este tipo de pergunta, pois não encontrará respostas que lhe sirvam.
 
Jesus respondeu ao jovem: «Por que me perguntas sobre o que é bom? Um só é bom. Se queres entrar na vida, observa os mandamentos» (Mt 19,17). É legítimo perguntar-se sobre o sentido da vida, pois, hoje é necessário fazê-lo! O jovem lhe perguntou o que tem que fazer de bom para chegar à vida eterna, e Cristo respondeu-lhe que tem que ser bom.
 
Nos dias de hoje, para alguns ou para muitos? Tanto faz! Parece ser impossível? Ser bom?... Ou melhor, pode parecer até algo sem sentido: uma bobagem! Hoje, como há vinte séculos, Jesus Cristo segue nos lembrando que para entrar na vida eterna é necessário cumprir os mandamentos da Lei de Deus: não se trata do “ótimo”, mas de seguir o caminho necessário para que o homem se assemelhe a Deus e assim possa entrar na vida eterna de mãos dadas com seu Pai-Deus. Efetivamente, «Jesus mostra que os mandamentos não devem ser entendidos como um limite mínimo que não se deve ultrapassar, mas como uma vereda aberta para um caminho moral e espiritual de perfeição, cujo impulso interior é o amor» (São João Paulo II).
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Se você não é senhor de si mesmo, mesmo que seja poderoso, sua senhoria me causa dor e riso» (São Josemaría)
 
« Jesus apresenta que os mandamentos não devem ser entendidos como um limite mínimo que não há que sobrepassar, si não como uma senda aberta para um caminho moral e espiritual de perfeição, cujo impulso interior é o amor» (São João Paulo II)
 
«” Mestre, que devo fazer de bom para ter a vida eterna?” Ao jovem que Lhe faz esta pergunta, Jesus responde, primeiro, invocando a necessidade de reconhecer a Deus como (...) o Bem por excelência (...). Depois, declara-lhe: “Se queres entrar na vida, observa os mandamentos” (...). Finalmente, Jesus resume estes mandamentos de modo positivo: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”» (Catecismo da Igreja Católica, n° 2052)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
* O evangelho de hoje traz a história do jovem que perguntou pelo caminho da vida eterna. Jesus indicou para ele o caminho da pobreza.
O jovem não aceitou a proposta de Jesus, pois era muito rico. Uma pessoa rica é protegida pela segurança que a riqueza lhe dá. Ela tem dificuldade em abrir mão da sua segurança. Agarrada às vantagens dos seus bens, vive preocupada em defender seus próprios interesses. Uma pessoa pobre não tem esta preocupação. Mas há pobres com cabeça de rico. Muitas vezes, o desejo de riqueza cria neles uma grande dependência e faz o pobre ser escravo do consumismo, pois ele fica devendo prestações em todo canto. Já não tem mais tempo para dedicar-se ao serviço do próximo.
 
Mateus 19,16-19: Os mandamentos e a vida eterna.  Alguém chega perto de Jesus e pergunta: "Mestre, que devo fazer de bom para possuir a vida eterna?" Alguns manuscritos informam que se tratava de um jovem. Jesus responde bruscamente: "Por que você me pergunta sobre o que é bom? Um só é o bom!” Em seguida, ele responde à pergunta e diz: “Se você quer entrar para a vida, guarde os mandamentos". O jovem reage e pergunta: “Quais mandamentos?”  Jesus tem a bondade de enumerar os mandamentos que o rapaz já devia conhecer: "Não mate; não cometa adultério; não roube; não levante falso testemunho; honre seu pai e sua mãe; e ame seu próximo como a si mesmo".  É muito significativa a resposta de Jesus. O jovem tinha perguntado pela vida eterna. Queria a vida junto de Deus! Mas Jesus só lembrou os mandamentos que dizem respeito à vida junto do próximo! Não mencionou os três primeiros mandamentos que definem nosso relacionamento com Deus! Para Jesus, só conseguiremos estar bem com Deus, se soubermos estar bem com o próximo. Não adianta se enganar. A porta para chegar até Deus é o próximo.
 
* Em Marcos a pergunta do jovem é diferente: "Bom Mestre, que devo fazer para herdar a vida eterna?"  Jesus respondeu: "Por que você me chama de bom? Só Deus é bom, e ninguém mais!” (Mc 10,17-18). Jesus desvia a atenção de si mesmo para Deus, pois o que importa é fazer a vontade do Deus, revelar o Projeto do Pai.
 
Mateus 19,20: Observar os mandamentos, para que serve?   O jovem respondeu: "Tenho observado todas essas coisas. O que é que ainda me falta fazer?" O curioso é o seguinte. O jovem queria conhecer o caminho que o levasse à vida eterna. Ora, o caminho da vida eterna era e continua sendo: fazer a vontade de Deus, expressa nos mandamentos. Com outras palavras, o jovem observava os mandamentos sem saber para que serviam! Se o soubesse, não teria feito a pergunta. É como muitos católicos que não sabem por que motivo são católicos. ”Nasci católico, por isso sou católico!” Coisa de costume!
 
Mateus 19,21-22: A proposta de Jesus e a resposta do jovem
Jesus respondeu: "Se você quer ser perfeito, vá, venda tudo o que tem, dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu. Depois venha, e siga-me"Quando ouviu isso, o jovem foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico. A observância dos mandamentos é apenas o primeiro degrau de uma escada que vai mais longe e mais alto. Jesus pede mais! A observância dos mandamentos prepara a pessoa para ela poder chegar à doação total de si em favor do próximo. Marcos diz que Jesus olhou para o jovem com amor (Mc 10,21). Jesus pede muito, mas ele o pede com muito amor. O moço não aceitou a proposta de Jesus e foi embora, “pois era muito rico”.
 
* Jesus e a opção pelos pobres. Um duplo cativeiro marcava a situação do povo na época de Jesus: o cativeiro da política de Herodes, apoiada pelo Império Romano e mantida por todo um sistema bem-organizado de exploração e de repressão, e o cativeiro da religião oficial, mantida pelas autoridades religiosas da época. Por causa disso, o clã, a família, a comunidade, estava sendo desintegrada e uma grande parte do povo vivia excluída, marginalizada, sem lugar, nem na religião, nem na sociedade. Por isso, havia vários movimentos que, como Jesus, procuravam refazer a vida em comunidade: essênios, fariseus e, mais tarde, os zelotes. Dentro da comunidade de Jesus, porém, havia algo novo que a diferenciava dos outros grupos. Era a atitude frente aos pobres e excluídos. As comunidades dos fariseus viviam separadas. A palavra “fariseu” quer dizer “separado”. Viviam separadas do povo impuro. Alguns fariseus consideravam o povo como ignorante e maldito (Jo 7,49), cheio de pecado (Jo 9,34). Não aprendiam nada do povo (Jo 9,34). Jesus e a sua comunidade, ao contrário, viviam misturados com as pessoas excluídas, consideradas impuras: publicanos, pecadores, prostitutas, leprosos (Mc 2,16; 1,41; Lc 7,37). Jesus re­conhece a riqueza e o valor que os pobres possuem (Mt 11,25-26; Lc 21,1-4). Proclama-os felizes, porque o Reino é deles, dos pobres (Lc 6,20; Mt 5,3). Define sua própria missão como “anunciar a Boa Nova aos pobres” (Lc 4, 18). Ele mesmo vive como pobre. Não possui nada para si, nem mesmo uma pedra para reclinar a cabeça (Lc 9,58). E a quem quer segui-lo para conviver com ele, manda escolher: ou Deus, ou o dinheiro! (Mt 6,24). Manda fazer opção pelos pobres como propôs ao jovem rico! (Mc 10,21) Esta maneira diferente de acolher os pobres e de conviver com eles era uma amostra do Reino de Deus.
 
Para um confronto pessoal
1. Uma pessoa que vive preocupada com a sua riqueza ou com a aquisição dos bens que a propaganda do consumismo lhe oferece, será que ela pode libertar-se de tudo isto para seguir Jesus e viver em paz numa comunidade cristã? É possível? O que você acha?
2. O que significa para nós hoje: “Vai vende tudo, dá aos pobres”?  É possível tomar isto ao pé da letra? Conhece alguém que conseguiu largar tudo por causa do Reino
?

16 de agosto

 Beata Maria Sacrário de São Luís de Gonzaga
Virgem e Mártir de nossa Ordem
 
Maria Sacrário de São Luís Gonzaga nasceu em Lillo, Província de Toledo, Espanha, no dia 8 de janeiro de 1881. Fez o curso de Farmácia, sendo uma das primeiras mulheres que alcançaram o título na Espanha. Em 1915, entrou no mosteiro das Carmelitas Descalças de Santa Ana e São José de Madri, demonstrando ser uma mulher de “caráter forte e enérgico, capaz de levar até ao fim os mais altos ideais de santidade”, como foi testemunhado pela sua Mestra de noviças.  No início de julho de 1936, Madre Maria Sacrário foi de novo eleita Priora da comunidade, e após alguns dias o Carmelo foi assaltado por uma multidão violenta que saqueou e destruiu muitas coisas. No dia 14 de agosto desse mesmo ano, os soldados levaram a Madre prisioneira. No dia 15 de agosto ela foi fuzilada, concretizando-se assim o seu desejo de morrer mártir por Cristo, imolando-se pelo bem da Igreja.
 
Salmodia, leitura, responsório breve e preces do dia corrente.
 
Oração
Deus, Pai de bondade e fonte de toda santidade, que destes a vossa serva, a beata Maria Sacrário de São Luiz Gonzaga o dom da fortaleza para suportar os tormentos do martírio, concedei-nos que seguindo seu exemplo, nossa vida seja uma oferenda agradável a vossos olhos, e participemos também da graça do martírio pelo cumprimento fiel de vossa santa vontade em todos os momentos de nossa vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

XX Domingo do Tempo Comum

São Roque, leigo
Santo Estêvão, rei da Hungria.
 
1ª Leitura (Is 56,1.6-7):
Eis o que diz o Senhor: «Respeitai o direito, praticai a justiça, porque a minha salvação está perto e a minha justiça não tardará a manifestar-se. Quanto aos estrangeiros que desejam unir-se ao Senhor para O servirem, para amarem o seu nome e serem seus servos, se guardarem o sábado, sem o profanarem, se forem fiéis à minha aliança, hei de conduzi-los ao meu santo monte, hei de enchê-los de alegria na minha casa de oração. Os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceites no meu altar, porque a minha casa será chamada 'casa de oração para todos os povos'».
 
Salmo Responsorial: 66
R. Louvado sejais, Senhor, pelos povos de toda a terra.
 
Deus Se compadeça de nós e nos dê a sua bênção, resplandeça sobre nós a luz do seu rosto. Na terra se conhecerão os vossos caminhos e entre os povos a vossa salvação.
 
Alegrem-se e exultem as nações, porque julgais os povos com justiça e governais as nações sobre a terra.
 
Os povos Vos louvem, ó Deus, todos os povos Vos louvem. Deus nos dê a sua bênção e chegue o seu temor aos confins da terra.
 
2ª Leitura (Rom 11,13-15.29-32): Irmãos: É a vós, os gentios, que eu falo: Enquanto eu for Apóstolo dos gentios, procurarei prestigiar o meu ministério a ver se provoco o ciúme dos homens da minha raça e salvo alguns deles. Porque, se da sua rejeição resultou a reconciliação do mundo, o que será a sua reintegração senão uma ressurreição de entre os mortos? Porque os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis. Vós fostes outrora desobedientes a Deus e agora alcançastes misericórdia, devido à desobediência dos judeus. Assim também eles desobedecem agora, de modo que, devido à misericórdia obtida por vós, também eles agora alcancem misericórdia. Efectivamente, Deus encerrou a todos na desobediência, para usar de misericórdia para com todos.
 
Aleluia. Jesus proclamava o evangelho do reino e curava todas as doenças entre o povo. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 15,21-28): Partindo dali, Jesus foi para a região de Tiro e Sidônia. Uma mulher cananeia, vinda daquela região, pôs-se a gritar: «Senhor, filho de Davi, tem compaixão de mim: minha filha é cruelmente atormentada por um demônio!». Ele não lhe respondeu palavra alguma. Seus discípulos aproximaram-se e lhe pediram: Manda embora essa mulher, pois ela vem gritando atrás de nós». Ele tomou a palavra: «Eu fui enviado somente às ovelhas perdidas da casa de Israel». Mas a mulher veio prostrar-se diante de Jesus e começou a implorar: «Senhor, socorre-me!». Ele lhe disse: «Não fica bem tirar o pão dos filhos para jogá-lo aos cachorrinhos”. Ela insistiu: «É verdade, Senhor; mas os cachorrinhos também comem as migalhas que caem da mesa de seus donos!». Diante disso, Jesus respondeu: «Mulher, grande é tua fé! Como queres, te seja feito!». E a partir daquela hora, sua filha ficou curada.
 
«Senhor; mas os cachorrinhos também comem as migalhas que caem da mesa de seus donos!»
 
Rev. D. Joan SERRA i Fontanet (Barcelona, Espanha)
 
Hoje contemplamos a cena da cananeia: uma mulher pagã, não israelita, que tinha uma filha muito doente, endemoninhada, e que ouviu falar de Jesus. Saiu ao seu encontro e aos gritos diz-lhe: «Senhor, filho de Davi, tem compaixão de mim: minha filha é cruelmente atormentada por um demônio!» (Mt 15,22). Não lhe pede nada, apenas lhe conta a doença de que padece a sua filha, confiando em que Jesus a curará.
 
Jesus finge-se surdo. Por quê? Provavelmente porque tinha visto a fé daquela mulher e desejava que aumentasse. Ela continua suplicando, de tal forma que até os discípulos pedem a Jesus que a mande embora. A fé desta mulher manifesta-se, sobretudo, na sua humilde insistência, sublinhada pelas palavras do discípulo: «Manda embora essa mulher, pois ela vem gritando atrás de nós» (Mt 15,23).
 
A Mulher continua suplicando; não se cansa. O silêncio de Jesus explica-se pois apenas veio para a casa de Israel. Apesar disso, depois da ressurreição, dirá aos discípulos: «Ide por todo o mundo e proclamai a Boa Nova a toda a criação» (Mc 16,15).
 
Este silêncio de Deus, por vezes, atormenta-nos. Quantas vezes nos queixamos deste silêncio? Mas a cananeia prostra-se, põe-se de joelhos. É a postura de adoração. Ele responde-lhe que não é correto tirar o pão dos filhos e dá-lo aos cães. Mas ela responde: «É verdade, Senhor; mas os cachorrinhos também comem as migalhas que caem da mesa de seus donos!» (Mt 15,26-27).
 
Esta mulher é muito espevitada. Não se zanga, não lhe parece mal, e até lhe dá razão: «Tens razão, Senhor». Mas consegue pô-lo do seu lado. É como se lhe dissesse: —Sou como um cão, mas um cão que está sob a proteção do seu amo.
 
A cananeia oferece-nos uma grande lição: dá razão ao Senhor que sempre a tem. —Não queiras ter razão quando te apresentares perante o Senhor. Não te queixes nunca e, se te queixares, termina dizendo: «Senhor, faça-se a tua vontade».
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Aprendamos a humildade, ou melhor, agarremo-la. Se ainda não a possuímos, aprendamo-la. Se a possuímos, não a percamos» (Santo Agostinho)
 
«O Senhor não fecha os olhos diante das necessidades dos seus filhos e, se por vezes parece insensível às suas súplicas, é somente para os pôr à prova e para refortalecer a sua fé» (Bento XVI)
 
«Do mesmo modo que Jesus ora ao Pai e Lhe dá graças antes de receber os seus dons, assim também nos ensina esta audácia filial: `tudo o que pedirdes na oração, acreditai que já o alcançastes´ (Mc 11, 24) (...). Assim como Jesus Se entristece por causa da “falta de fé” dos seus conterrâneos (Mc 6, 6) e da «pouca fé» dos seus discípulos, também Se enche de admiração perante a “grande fé” do centurião romano e da cananeia» (Catecismo da Igreja Católica, nº 2.610)
 
Ó mulher, grande é a tua fé!
 
D. António Couto (Texto adaptado)
 
* Nos finais do século primeiro (o Evangelho segundo Mateus aparece durante a década de oitenta), alguns judeu-cristãos ainda tinham dificuldade em aceitar a entrada dos pagãos na Igreja de Jesus.
Mateus recorda-lhes, então, que para Jesus o que é decisivo não é a raça, a história, a eleição, mas a adesão firme e convicta à proposta de salvação que, em Jesus, Deus faz aos homens. O texto mostra que a proposta de Jesus é para todos. A comunidade de Jesus é, verdadeiramente, uma comunidade universal. Aquilo que é decisivo, no acesso à salvação, é a fé, isto é, a capacidade de aderir a Jesus e à sua proposta de vida.
 
* O Evangelho deste 20º Domingo do Tempo Comum serve-nos uma página absolutamente desarmante, retirada de Mateus 15,21-28. Jesus abandona Genesaré, na costa ocidental do Mar da Galileia, e vai para a região de Tiro e de Sidon, atual Líbano, terra pagã.
 
* Uma mulher e mãe «libanesa», carregada com o drama da sua filha doente, situação verdadeira ontem como hoje, e que hoje bem podemos estender à Palestina, à Síria e ao Iraque, vem implorar de Jesus, num grito que lhe sai do fundo das entranhas, que lhe «faça graça» (Mateus 15,22), isto é, que olhe para ela com bondade e ternura como uma mãe que dirige o seu olhar embevecido para o bebé que embala nos braços.
 
* O texto diz que Jesus nem lhe respondeu (Mateus 15,23). Mas a mulher não desiste, mas insiste e vai mais longe, prostrando-se agora diante de Jesus (Mateus 15,25). O gesto significa orientar a sua vida toda para Jesus, pôr-se totalmente na dependência de Jesus. A reação de Jesus é de uma dureza extrema: afasta a pobre mulher e mãe duramente, catalogando-a na classe dos cachorros [= pagãos] e não dos filhos [= judeus] (Mateus 15,26). Só para estes é que ele veio.
 
* A mulher replica de modo admirável: é verdade, Senhor!
Os filhos estão reclinados à mesa, mas os cachorros comem debaixo da mesa as migalhas que caem! (Mateus 15,27). «Mulher da grande fé!», replicou Jesus, «faça-se como queres!» (Mateus 15,28).
 
* Note-se bem que é a única vez que Jesus fala da «grande fé». E atribui-a a uma mulher e mãe «libanesa» cujo amor nunca se vergou perante a dureza e as dificuldades da vida. Em contraponto com esta mulher da «grande fé», note-se bem que Pedro é o homem da «pequena fé» (Mateus 14,31), do mesmo modo que os discípulos são também os homens «da pequena fé» (Mateus 6,30; 8,26; 16,8; 17,20). Admirável ainda que Jesus diga a esta mulher que não desiste, mas insiste e persiste: «faça-se como queres», um paralelo claro da oração do «Pai Nosso»: «Faça-se a tua vontade» (Mateus 6,10)!
 
* O episódio é de uma crueza e de uma beleza inauditas. Mas há ainda mais: é a insistência desta mulher e mãe «libanesa» que, por assim dizer, obriga Jesus a passar mais uma fronteira: dos hebreus para os pagãos!

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

15 de agosto: Assunção de Virgem santa Maria

S. Tarcísio, mártir
 
1ª Leitura (Ap 11,19; 12,1.3-6.10):
O templo de Deus abriu-se no Céu e a arca da aliança foi vista no seu templo. Apareceu no Céu um sinal grandioso: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça. Estava para ser mãe e gritava com as dores e ânsias da maternidade. E apareceu no Céu outro sinal: um enorme dragão cor de fogo, com sete cabeças e dez chifres e nas cabeças sete diademas. A cauda arrastava um terço das estrelas do céu e lançou-as sobre a terra. O dragão colocou-se diante da mulher que estava para ser mãe, para lhe devorar o filho, logo que nascesse. Ela teve um filho varão, que há-de reger todas as nações com ceptro de ferro. O filho foi levado para junto de Deus e do seu trono e a mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar. E ouvi uma voz poderosa que clamava no Céu: «Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e o domínio do seu Ungido».
 
Salmo Responsorial: 44
R. À vossa direita, Senhor, a Rainha do Céu, ornada do ouro mais fino.
 
Ao vosso encontro vêm filhas de reis, à vossa direita está a rainha, ornada com ouro de Ofir. Ouve, minha filha, vê e presta atenção, esquece o teu povo e a casa de teu pai.
 
Da tua beleza se enamora o Rei; Ele é o teu Senhor, presta-Lhe homenagem. Cheias de entusiasmo e alegria, entram no palácio do Rei.
 
2ª Leitura (1Cor 15,20-27): Irmãos: Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram. Uma vez que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos; porque, do mesmo modo que em Adão todos morreram, assim também em Cristo serão todos restituídos à vida. Cada qual, porém, na sua ordem: primeiro, Cristo, como primícias; a seguir, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. Depois será o fim, quando Cristo entregar o reino a Deus seu Pai depois de ter aniquilado toda a soberania, autoridade e poder. É necessário que Ele reine, até que tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés. E o último inimigo a ser aniquilado é a morte, porque Deus tudo colocou debaixo dos seus pés. Mas quando se diz que tudo Lhe está submetido é claro que se exceptua Aquele que Lhe submeteu todas as coisas.
 
Aleluia. Maria foi elevada ao Céu: alegra-se a multidão dos Anjos. Aleluia.
 
Evangelho (Lc 1,39-56): Naqueles dias, Maria partiu apressadamente para a região montanhosa, dirigindo-se a uma cidade de Judá. Ela entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou de alegria em seu ventre, e Isabel ficou repleta do Espírito Santo. Com voz forte, ela exclamou: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Como mereço que a mãe do meu Senhor venha me visitar? Logo que a tua saudação ressoou nos meus ouvidos, o menino pulou de alegria no meu ventre. Feliz aquela que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido!». Maria então disse: «A minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque ele olhou para a humildade de sua serva. Todas as gerações, de agora em diante, me chamarão feliz, porque o Poderoso fez para mim coisas grandiosas. O seu nome é santo, e sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem. Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os que tem planos orgulhosos no coração. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Encheu de bens os famintos, e mandou embora os ricos de mãos vazias. Acolheu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre». Maria ficou três meses com Isabel. Depois, voltou para sua casa.
 
«A minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador»
 
Dom Josep ALEGRE Abade emérito de Santa Mª Poblet (Tarragona, Espanha)

Hoje celebramos a solenidade da Assunção de Santa Maria em corpo e alma aos Céus. «Hoje diz São Bernardo sobe ao Céu a Virgem cheia de glória e enche de gozo os cidadãos celestes». E acrescentará essas preciosas palavras: «Que presente mais maravilhoso nossa terra envia hoje ao Céu! Com esse gesto sublime de amizade que é dar e receber se fundem o humano e o divino, o terreno e o celeste, o humilde e o nobre. O fruto mais escolhido da terra está aí, de onde procedem as melhores dádivas, e as oferendas, de maior valor. Elevadas às alturas, a Virgem Santa esbanjará suas graças aos homens».
 
A primeira graça é a Palavra, que Ela soube guardar com tanta fidelidade no coração e fazê-la frutificar desde seu profundo silêncio acolhedor. Com esta Palavra em seu espaço interior, gerando a Vida em seu ventre para os homens, «Maria partiu apressadamente para a região montanhosa, dirigindo-se a uma cidade de Judá. Ela entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel» (Lc 1,39-40). A presença de Maria fez a alegria transbordar: «Logo que a tua saudação ressoou nos meus ouvidos, o menino pulou de alegria no meu ventre» (Lc 1,44), exclama Isabel.
 
Principalmente, nos faz o dom de seu louvor, sua mesma alegria feita canto, seu Magníficat: «A minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador...» (Lc 1,46-47). Que presente mais formoso nos devolve hoje o céu com o canto de Maria, feito Palavra de Deus! Neste canto achamos os indícios para aprender como se fundem o humano e o divino, o terreno e o celeste, e chegar a responder como Ela ao presente que nos faz Deus em seu Filho, através de sua Santa Mãe: para ser um presente de Deus para o mundo e, amanhã, um presente de nossa humanidade a Deus, seguindo o exemplo de Maria, que nos precede nesta glorificação à qual estamos destinados.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«A festa da Assunção de Nossa Senhora nos propõe a realidade dessa alegre esperança. Ainda somos peregrinos, mas Nossa Mãe nos precedeu e já nos indica o fim do caminho: Ela nos repete que é possível chegar e que, se formos fiéis, chegaremos» (São Josemaria)
 
«Nesta Solenidade da Assunção olhamos para Maria: Ela nos leva à esperança, a um futuro cheio de alegria e nos ensina o caminho para alcançá-lo: acolher o seu Filho na fé; nunca perder a amizade com Ele, mas deixar-se iluminar e guiar pela sua palavra» (Bento XVI)
 
«Terminado o curso da sua vida terrena, a santíssima Virgem Maria foi elevada em corpo e alma para a glória do céu, onde participa já na glória da ressurreição do seu Filho, antecipando a ressurreição de todos os membros do Seu Corpo» (Catecismo da Igreja Católica, nº 974)
 
“Um sinal grandioso no céu: uma mulher vestida de sol”
 
* Celebramos hoje a solenidade da Assunção de Nossa Senhora ao Céu.  Nesta solenidade, a Igreja celebra a glorificação de Maria, isto é, a sua salvação plena, a sua elevação ao Céu, a sua ressurreição. Aquela que na sua vida terrena deu à luz o Salvador e se fez presente na vida do Filho de Deus encarnado, é agora acolhida junto do Filho de Deus glorificado. Mas não pensemos que este dia diz apenas respeito a Nossa Senhora. Este dia diz também respeito a nós e à Igreja, porque celebrando a ressurreição de Maria, celebramos a esperança da nossa própria ressurreição, a consumação da Igreja e o triunfo sobre a morte. Por isso, celebrar este dia é afirmar, com toda a convicção da nossa alma: há razões para ter esperança! Um dia, receberemos a vida eterna, a vida junto de Deus! 
 
Elevada ao Céu, Maria é sinal de esperança para o povo peregrino
 
D. António Marto
 
*
A fé da Igreja crê e afirma que a Virgem Maria, uma vez concluída a sua vida terrestre, foi elevada à glória de Deus, assumida na plenitude da vida eterna na totalidade do seu ser corpóreo-espiritual com toda a riqueza da sua humanidade, feminilidade e maternidade.
 
* Alguém escreveu que o mistério da assunção gloriosa de Maria ao Céu é mais para ser cantado do que explicado. É a festa do coroamento da existência da Mãe de Jesus. O nosso povo compreende esta verdade com a intuição da fé e do coração. Aquela que foi a primeira e única a receber Jesus, o Filho de Deus, no seu coração e no seu seio, que O seguiu fielmente toda a vida, é também a primeira dos redimidos a ser recebida pelo Filho ressuscitado, a participar da plenitude da vida eterna, que nós chamamos Céu, Paraíso, Casa do Pai. Assim, Maria indica-nos, de modo luminoso, a beleza da meta definitiva da nossa peregrinação no mundo.
 
* Além disso, continua a exercer a sua maternidade espiritual e universal de modo novo. Unida totalmente a Deus no Céu, ela não se afasta de nós, não vai para uma galáxia ou zona distante e desconhecida do nosso universo. “O Céu de Deus não pertence à geografia cósmica (o céu das estrelas), mas à geografia do coração” (J. Ratzinger), isto é, do amor eterno e santo. Assim, Maria elevada ao Céu participa do amor universal de Deus e da sua presença conosco. Está muito próxima de nós, de cada um de nós, na comunhão dos santos. Tem um coração grande como o amor de mãe que partilha do amor universal de Deus. Pode estar perto, escutar, ajudar, interceder, acompanhar e advertir como mãe do bom conselho.
 
* Como a mulher do Apocalipse (Ap 12, 1-10), não nos deixa sós, mas assiste-nos na constante luta com as forças destruidoras do mal, simbolizadas na figura do dragão sanguinário, no combate entre o bem e o mal, a vida e a morte, a graça de Deus e o pecado. “De facto, depois de elevada aos Céus, não abandonou esta missão salutar… Com o seu amor de mãe, cuida dos irmãos do seu Filho que ainda peregrinam e se debatem entre perigos e angústias, até que sejam conduzidos à Pátria feliz. Por isso, a santíssima Virgem é invocada na Igreja com os títulos de advogada, auxiliadora, amparo e medianeira” (LG 62).
 
* Nesta missão, a Mãe celeste pode visitar-nos com o seu amor materno, para trazer esperança e consolação ao povo peregrino no meio das lutas e tribulações da história.
 
 Palavra para o caminho
 
* “A festa da Assunção, tão querida à tradição popular, constitui para todos os crentes uma ocasião útil para meditar acerca do sentido verdadeiro e sobre o valor da existência humana na perspectiva da eternidade. Queridos irmãos e irmãs, é o Céu a nossa habitação definitiva. Dali Maria encoraja-nos com o seu exemplo a aceitar a vontade de Deus, a não nos deixarmos seduzir pelas chamadas falazes de tudo o que é efémero e passageiro, a não ceder às tentações do egoísmo e do mal que apagam no coração a alegria da vida” (Bento XVI, 15 de Agosto 2005).
 
* “A tradição cristã colocou no meio do inverno uma das festas marianas mais antigas e sugestivas, a solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria. Assim como Jesus ressuscitou dos mortos e subiu à direita do Pai, também Maria, depois de concluir o percurso da sua existência na terra, foi levada ao céu. A liturgia de hoje recorda-nos esta consoladora verdade de fé, enquanto canta os louvores daquela que foi coroada de glória incomparável. Lemos no trecho do Apocalipse, hoje proposto à nossa meditação «Apareceu no céu um grande sinal:  uma Mulher vestida de sol, com a Lua debaixo dos pés e com uma coroa de doze estrelas na cabeça» (12, 1).
 
* Nesta mulher resplandecente de luz, os Padres da Igreja reconheceram Maria. No seu triunfo, o povo cristão peregrino na história entrevê o cumprimento das próprias expectativas e o sinal seguro da sua esperança.


Reflexão:
1) Maria é exemplo e sustento para todos os crentes: encoraja-nos a não desanimar diante das dificuldades e dos problemas inevitáveis de todos os dias. Garante-nos a sua ajuda e recorda-nos que o essencial consiste em buscar e aspirar às «coisas do alto, e não às coisas da terra» (cf. Cl 3, 2). Com efeito, arrebatados pelas preocupações diárias, corremos o risco de considerar que se encontra aqui, neste mundo onde só estamos de passagem, a derradeira finalidade da existência humana. Ao contrário, o Paraíso é a verdadeira meta da nossa peregrinação terrena. Como seriam diferentes os nossos dias, se fossem animados por esta perspectiva! Assim foi para os santos. As suas existências testemunham que quando se vive com o coração constantemente orientado para o céu, as realidades terrenas são vividas no seu justo valor porque são iluminadas pela verdade eterna do amor divino” (Bento XVI, 15 de Agosto 2006).
2) “É um mistério grandioso, aquele que hoje celebramos, é sobretudo um mistério de esperança e de alegria para todos nós: em Maria vemos a meta para a qual caminham todos aqueles que sabem vincular a própria vida à vida de Jesus, que O sabem seguir como Maria. Então, esta solenidade fala do nosso futuro, diz-nos que também nós estaremos ao lado de Jesus na alegria de Deus e convida-nos a ter coragem, a acreditar que o poder da Ressurreição de Cristo pode agir também em nós, tornando-nos homens e mulheres que, todos os dias, procuram viver como ressuscitados, levando à obscuridade do mal que existe no mundo, a luz do bem” (Bento XVI, 15 de Agosto de 2011).