sexta-feira, 16 de outubro de 2026

XXIX Domingo do Tempo Comum

São Lucas, Evangelista
 
1ª Leitura (Is 45,1.4-6):
Assim fala o Senhor a Ciro, seu ungido, a quem tomou pela mão direita, para subjugar diante dele as nações e fazer cair as armas da cintura dos reis, para abrir as portas à sua frente, sem que nenhuma lhe seja fechada: «Por causa de Jacob, meu servo, e de Israel, meu eleito, Eu te chamei pelo teu nome e te dei um título glorioso, quando ainda não Me conhecias. Eu sou o Senhor e não há outro; fora de Mim não há Deus. Eu te cingi, quando ainda não Me conhecias, para que se saiba, do Oriente ao Ocidente, que fora de Mim não há outro. Eu sou o Senhor e mais ninguém».
 
Salmo Responsorial: 95
R. Aclamai a glória e o poder do Senhor.
 
Cantai ao Senhor um cântico novo, cantai ao Senhor, terra inteira. Publicai entre as nações a sua glória, em todos os povos as suas maravilhas.
 
O Senhor é grande e digno de louvor, mais temível que todos os deuses. Os deuses dos gentios não passam de ídolos, foi o Senhor quem fez os céus.
 
Dai ao Senhor, ó família dos povos, dai ao Senhor glória e poder. Dai ao Senhor a glória do seu nome, levai-Lhe oferendas e entrai nos seus átrios.
 
Adorai o Senhor com ornamentos sagrados, trema diante d’Ele a terra inteira. Dizei entre as nações: «O Senhor é Rei», governa os povos com equidade.
 
2ª Leitura (1Tes 1,1-5b): Paulo, Silvano e Timóteo à Igreja dos Tessalonicenses, que está em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo: A graça e a paz estejam convosco. Damos continuamente graças a Deus por todos vós, ao fazermos menção de vós nas nossas orações. Recordamos a atividade da vossa fé, o esforço da vossa caridade e a firmeza da vossa esperança em Nosso Senhor Jesus Cristo, na presença de Deus, nosso Pai. Nós sabemos, irmãos amados por Deus, como fostes escolhidos. O nosso Evangelho não vos foi pregado somente com palavras, mas também com obras poderosas, com a ação do Espírito Santo.
 
Aleluia. Vós brilhais como estrelas no mundo, ostentando a palavra da vida. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 22,15-21): Os fariseus saíram e fizeram um plano para apanhar Jesus em alguma palavra. Mandaram os seus discípulos, junto com alguns partidários de Herodes, para perguntar: «Mestre, sabemos que és verdadeiro e que ensinas o caminho de Deus segundo a verdade. Não te deixas influenciar por ninguém, pois não olhas a aparência das pessoas. Dize-nos o que pensas: é permitido, ou não, pagar imposto a César?». Jesus percebeu-lhes a maldade e disse: «Hipócritas! Por que me armais uma cilada? Mostrai-me a moeda do imposto!». Apresentaram-lhe a moeda. «De quem é esta figura e a inscrição?», perguntou ele. «De César», responderam. Ele então lhes disse: «Devolvei, pois, a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus»
 
«Devolvei, pois, a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus»
 
P. Antoni POU OSB Monje de Montserrat (Montserrat, Barcelona, Espanha)
 
Hoje, apresenta-se nos para nossa consideração uma “famosa” afirmação de Jesus Cristo: «A César o que é de César e a Deus, o que é de Deus» (Mt 22,21).
 
Não entenderíamos bem esta frase sem levar em conta o contexto no qual Jesus a pronuncia: «Os fariseus saíram e fizeram um plano para apanhar Jesus em alguma palavra» (Mt 22,15), e Jesus advertiu a sua maldade (cf. v. 18). Assim, pois a resposta de Jesus está calculada. Ao ouvi-la, os fariseus ficaram surpreendidos, não a esperavam. Se claramente, tivesse ido contra do César, lhe teriam podido denunciar; se tivesse ido claramente a favor de pagar o tributo ao César, teriam marchado satisfeitos de sua astúcia. Mas Jesus Cristo, sem falar  contra do César, o tem relativizado: tem que dar a Deus o que é de Deus, e Deus é Senhor inclusive dos poderes deste mundo.
 
O César, como todo governante, não pode exercer um poder arbitrário, porque seu poder lhe é dado como “prenda” ou garantia; como os servos da parábola dos talentos, que têm que responder ante o Senhor pelo uso dos talentos. No Evangelho de São João, Jesus diz a Pilatos: «Tu não terias poder algum sobre mim, se não te fosse dado do alto» (Jo 19,11). Jesus não quer apresentar-se como um agitador político. Simplesmente, põe as coisas em seu lugar.
 
A interpretação que se tem feito às vezes de Mt 22,21 é que a Igreja não deveria “imiscuir-se em política”, senão somente ocupar-se do culto. Mas esta interpretação é totalmente falsa, porque ocupar-se de Deus não é só ocupar-se do culto, senão preocupar-se pela justiça, e pelos homens, que são os filhos de Deus. Pretender que a Igreja permaneça nas sacristias, que faça-se de surda, cega e muda ante os problemas morais e humanos de nosso tempo, é tirar de Deus o que é de Deus. «A tolerância que só admite Deus como opinião privada, mas que lhe nega o domínio público (...) não é tolerância, senão hipocrisia» (Bento XVI).
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«A moeda do César é feita de ouro, onde está gravada sua imagem; A moeda de Deus é o homem, em quem está figurada a imagem de Deus; portanto, dai vossas riquezas ao César e guardai a consciência de vossa inocência para Deus» (Santo Hilário de Poitiers)
 
« A consagração prioritária a Deus e a esperança Nele não implicam uma fuga da realidade, mas ainda mais um retorno efetivo a Deus daquilo que Lhe pertence» (Francisco)
 
« O cidadão é obrigado, em consciência, a não seguir as prescrições das autoridades civis, quando tais prescrições forem contrárias às exigências de ordem moral, aos direitos fundamentais das pessoas ou aos ensinamentos do Evangelho (…)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 2.242
 
“Devolvei, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus».
 
Do site da Ordem do Carmo em Portugal
 
v. 15. Estamos no Templo de Jerusalém, na última semana da vida terrena de Jesus
. Irritados com o seu denodo e postos em causa pelas suas parábolas, os fariseus procuram a todo o custo um pretexto para o condenar. Retiram-se e reúnem-se em conselho, para arquitetar um plano (12,14; 27,1.7; 28,12) que faça Jesus cair numa armadilha (1Sm 28,9) e o obrigue a comprometer-se, definindo publicamente a sua posição sobre três pontos controversos da Lei, entre os rabinos (vv. 15-40).
 
• v. 16. O primeiro ponto diz respeito ao imposto pago ao Imperador. Além dos impostos indiretos (portagens, direitos alfandegários e outros), todos os habitantes das províncias romanas (exceto as crianças e os idosos), deviam pagar ao Império uma quantia estipulada por Roma, o imposto (lat. census) que servia para subsidiar os serviços públicos: escolas, estradas, exército, etc. Na Judeia, este imposto só foi introduzido em 6 d.C., quando Herodes Arquelau foi deposto por Roma a pedido dos judeus e a Judeia foi reduzida a província romana (Fl.Jos. Bell. 2,8,1). Os partidários de Herodes e os saduceus (a alta sociedade e a aristocracia sacerdotal) eram a favor da força romana ocupante. Já os movimentos revolucionários estavam contra (cf. At 5,37), pois consideravam o imperador um usurpador da primazia divina, sendo o imposto um sinal infamante de sujeição a Roma, ou seja, ao culto idolátrico ao Imperador. Por isso, interditavam os seus partidários de o pagarem. Já os fariseus, embora não o aceitassem, toleravam-no, advogando que a sujeição a Roma era melhor do que a anarquia. São estes que, escondendo-se atrás dos seus emissários, enviam a Jesus uns discípulos, acompanhados por testemunhas afetas ao rei Herodes Agripa I (os “herodianos”: Mc 3,6).
 
• Começam por adular Jesus (Pv 29,5!), a) chamando-o “Mestre” (Mt, 12x, 3x aqui, introduzindo cada uma das três questões: vv. 24.36); b) afirmando que “sabem” (Jo 3,2) que Jesus é “verdadeiro” (gr. alethés: Sb 2,17; Jo 7,18; Pv 22,21; Jb 42,7; como atributo divino: Sb 12,27; Jo 3,33; 8,26; Rm 3,4);e c) que ensina o “caminho de Deus”, isto é, a palavra e a vontade de Deus (3,8; Gn 18,19; Dt 5,33; 8,6; 10,12; 30,16 Sl 18,31; 76,14; Is 2,3; 40,3; 48,17), com verdade (Sl 25,9s; Ml 2,6; Jo 14,6) e imparcialidade, sem se deixar influenciar pela condição ou estatuto social das pessoas (lit. “e não te importas acerca de ninguém, pois não olhas [= ajuízas a partir d]o rosto de homens”: Ml 2,9; Gl 2,6; 1Sm 16,7; Is 11,3).
 
• v. 17. Perguntam-lhe, então, se é lícito ou não “pagar imposto” ao imperador (gr. kaiser, lt. Caesar). É uma cilada: se Jesus responder afirmativamente será considerado inimigo do povo, um colaboracionista dos romanos; se o rejeitar, estará a instigar o povo à desobediência ao Imperador, devendo, por isso, ser julgado em tribunal e condenado.
 
• v. 18. Mas Jesus, que “conhece” o íntimo dos corações (12,15; 16,8; 26,10; Sl 139,1s.5.23), desmascara a “hipocrisia” e “maldade” dos fariseus que o “tentam”, isto é, o põem à prova (16,1; 19,3; 22,35; Ex 17,2!; Nm 14,22; Sl 95,9; Midr TanB, Apend. Re’eh 1), procurando um pretexto para o condenar à morte.
 
• v. 19. Jesus, à boa maneira rabínica, responde-lhes com outra pergunta. Pede-lhes que lhe mostrem a moeda do imposto. v. 20. Eles apresentam-lhe um denário (20,2) e Jesus pergunta-lhes de quem são a imagem e a inscrição que nele figuram. Nele vê-se: a) no anverso, a efígie de Tibério com a inscrição: Ti[berius] Caesar Divi Aug[usti] F[ilius] Augustus (“Imperador Tibério, filho do divino Augusto, Augusto”); e no reverso: Pontif[ex] Maxim[us] (“Sumo sacerdote”). Ambas as inscrições são uma profissão de fé na divindade do Imperador, pelo que tal moeda não podia ser usada no Templo, pois isso seria considerado uma profanação do Templo, por ser uma violação dos dois primeiros mandamentos da Lei de Deus (Ex 20,3s).
 
• v. 21: Rm 13,7. Eles respondem: “de César”, ou seja, do Imperador. Jesus conclui: “Devolvei, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. “Devolver” (gr. apodídômi) significa “restituir a alguém o que lhe é devido” (5,26; 6,4.6.18; 12,36; 16,27; 18,25s.28ss.34; 20,8; 21,41; 27,58).
 
• Para Jesus, ninguém pode, nem deve, alhear-se das suas obrigações para com a sociedade da qual se faz parte. Seja em que circunstâncias for, o cristão é chamado a ser um cidadão exemplar, de pleno direito, que contribui para o bem comum. Isto é “devolver a César o que é de César” (1Pd 2,13s.17). Mas ninguém, nem sequer o Imperador, pode arrogar-se a dignidade divina, pretendendo ter uma autoridade absoluta sobre as pessoas, as suas consciências e vidas, nem exigir que lhe tributem a veneração e a obediência que só a Deus são devidas: todos, também o Imperador, devem reconhecer e confessar que só Deus é o único Senhor e prestar-lhe o culto que lhe é devido (4,10).
 
• Se as moedas têm o cunho de César – simples homem mortal, cujo poder, limitado no tempo, se estende apenas até às fronteiras do Império –, que lhe seja dada a parte que é dele, o imposto. O homem, porém, tem inscrita em si não a imagem de César, mas a de Deus, a cuja imagem e semelhança foi criado” (Gn 1,26s). Por isso, o homem pertence a Deus, Senhor do universo, e só a Ele deve prestar culto, fazendo acima de tudo a sua vontade, para lhe ser “restituído”, tal como Deus o quis. É o que dentro de poucos dias, Jesus, entregue pelos chefes do seu povo a Pilatos, representante de César, vai fazer através da sua paixão, morte e ressurreição: restaurar a imagem e semelhança de Deus no homem, desfiguradas pelo pecado, a fim de o restituir a Deus, fazendo-as resplandecer nele, não apenas no Império romano, durante o reinado de um Imperador, mas sempre e em toda a parte.
 
• Jesus recusa-se, pois, a entrar em discussões de caráter político e reconduz a questão a um nível mais profundo e exigente. O que importa é que cada pessoa só a Deus reconheça como seu Pai e Senhor e realize a sua vocação de ser filho de Deus. Tudo o resto deve ser relativizado, inclusive a submissão ao poder político e o compromisso social, os quais só atingem a sua verdadeira finalidade quando ajudam a pessoa a corresponder à vocação, missão e deveres que Deus lhe confiou na família, na sociedade e na Igreja, de modo a contribuir para o bem comum e a difusão do Reino de Deus.  
 
MEDITAÇÃO
• Não raro, na nossa sociedade, Deus é marginalizado e reduzido ao silêncio para ser substituído por outros deuses: o dinheiro, o poder, o sexo, o desporto, a afirmação pessoal, os afetos, etc. Como me situo perante isto? Há outros deuses na minha vida? Quais?
• Reconheço em mim e nos outros a imagem de Deus? Ela brilha nas minhas atitudes, palavras e obras?
• Que missão me confiou Deus na Igreja e na sociedade? Como a levo a cabo: agindo com retidão e falando a verdade, só para agradar a Deus, ou procurando outros interesses e buscando outros fins?

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Sábado XXVIII do Tempo Comum

Santo Inácio de Antioquia, bispo e mártir
 
1ª Leitura (Ef 1,15-23):
Irmãos: Tendo ouvido falar da vossa fé no Senhor Jesus e da vossa caridade para com todos os cristãos, não cesso de dar graças por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações. O Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda um espírito de sabedoria e de revelação para O conhecerdes plenamente. Ele ilumine os olhos do vosso coração, para compreenderdes a esperança a que fostes chamados, os tesouros de glória da sua herança entre os santos e a incomensurável grandeza do seu poder para nós os crentes. Assim o mostra a eficácia da poderosa força que exerceu em Cristo, que Ele ressuscitou dos mortos e colocou à sua direita nos Céus, acima de todo o Principado, Poder, Virtude e Soberania, acima de todo o nome que é pronunciado, não só neste mundo, mas também no mundo que há-de vir. Tudo submeteu aos seus pés e pô-lo acima de todas as coisas como Cabeça de toda a Igreja, que é o seu Corpo, a plenitude d’Aquele que preenche tudo em todos.
 
Salmo Responsorial: 8
R. Destes poder ao vosso Filho sobre a obra das vossas mãos.
 
Como é admirável, Senhor, o vosso nome em toda a terra! A vossa majestade está acima dos céus. Da boca das crianças e meninos de peito sai um louvor que confunde os vossos adversários.
 
Quando contemplo os céus, obra das vossas mãos, a lua e as estrelas que lá colocastes, Que é o homem para que Vos lembreis dele, o filho do homem para dele Vos ocupardes?
 
Fizestes dele quase um ser divino, de honra e glória o coroastes; destes-lhe poder sobre a obra das vossas mãos, tudo submetestes a seus pés.
 
Aleluia. O Espírito da verdade dará testemunho de Mim, diz o Senhor, e vós também dareis testemunho. Aleluia.
 
Evangelho (Lc 12,8-12): Naquele tempo, o Senhor disse aos seus discípulos: Eu vos digo: todo aquele que se declarar por mim diante do povo, o Filho do Homem também se declarará a favor dele diante dos anjos de Deus. Aquele, porém, que me renegar diante do povo será renegado diante dos anjos de Deus. Todo aquele que falar uma palavra contra o Filho do Homem será perdoado. Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo não será perdoado. Quando vos conduzirem diante das sinagogas, magistrados e autoridades, não vos preocupeis com os argumentos para vos defender, nem com o que dizer. Pois nessa hora o Espírito Santo vos ensinará o que deveis dizer.
 
«Aquele que se declarar por mim diante do povo, o Filho do Homem também se declarará a favor»
 
P. Alexis MANIRAGABA (Ruhengeri, Ruanda)
 
Hoje, o Senhor desperta nossa fé e esperança Nele. Jesus nos antecipa que teremos que comparecer ante o exército celestial para sermos examinados. E aquele tenha se declarado a favor de Jesus aderindo à sua missão «também o Filho do homem se declarará por Ele» (Lc 12,8). Tal confissão pública se realizará em palavras, em atos e durante toda a vida.
 
Esta interpelação à confissão é ainda mais necessária e urgente em nossos tempos, nos que há pessoas que não querem escutar a voz de Deus nem seguir seu caminho de vida. No entanto, a confissão de nossa fé terá a um forte seguimento. Portanto, não sejamos confessores nem por medo de um castigo, que será mais severo para os apóstatas, nem pela abundante recompensa reservada aos fiéis. Nosso testemunho é necessário e urgente para a vida do mundo, Deus mesmo nos pede, tal como disse São Juan Crisóstomo: «Deus não se contenta com a fé interior; Ele pede a confissão exterior e pública, e nos move assim a uma confiança e a um amor maior».
 
Nossa confissão é sustentada pela força e pela garantia de seu Espírito que está ativo dentro de nós e que nos defende. O reconhecimento de Jesus Cristo ante seus anjos é de vital importância já que este feito nos permitirá vê-lo cara a cara, viver com Ele e ser inundados de sua luz. Ao mesmo tempo, o contrário não será outra coisa que sofrer e perder a vida, ficar privado da luz e despojado de todos os bens. Peçamos, pois, a graça de evitar toda negação nem que seja por medo ao suplício ou por ignorância; pelas heresias, pela fé estéril e pela falta de responsabilidade, ou porque queremos evitar o martírio. Sejamos fortes, o Espírito Santo está conosco! E «com o Espírito Santo está sempre Maria (…) e Ela tem feito possível a explosão missionária produzida em Pentecostes» (Papa Francisco).
 
«O Espírito Santo vos ensinará o que deveis dizer»
 
Rev. D. Albert TAULÉ i Viñas (Barcelona, Espanha)
 
Hoje ressoam outra vez as palavras de Jesus convidando-nos a reconhecê-lo diante dos homens. Todo aquele que se declarar por mim diante do povo, o Filho do Homem também se declarará a favor dele diante dos anjos de Deus (Lc 12,8). Estamos num tempo, em que na vida pública reivindica-se a laicidade, obrigando os crentes a manifestar sua fé somente no âmbito privado. Quando um cristã, um presbítero, um bispo, o Papa..., diz alguma coisa publicamente, porém seja cheia de sentido comum, incomoda, somente porque vem de quem vem, como se nós, não tivéssemos direito - como todo o mundo!- a dizer o que pensamos. Por mais que lhes incomode, não podemos deixar de anunciar o Evangelho. Igualmente, o Espírito Santo vos ensinará o que deveis dizer (Lc 12,12). São Cirilo de Jerusalém, afirmava que o Espírito Santo, que habita em aqueles que estão bem-dispostos, inspira-lhes como doutor aquilo que vão dizer.
 
As agressões que fazem aos cristãs, têm uma gravidade diferente, já que não é o mesmo falar mal de um membro da Igreja (às vezes com razão, por causa de nossas deficiências), que agredir a Jesus Cristo (se o veem somente em sua dimensão humana), ou injuriar ao Espírito Santo, já seja blasfemando, já seja negando a existência e os atributos de Deus.
 
Também refere-se ao perdão da ofensa, até mesmo quando o pecado é leve, é preciso uma atitude prévia que é o arrependimento. Se não houver arrependimento, o perdão é inviável, já que a ponte está quebrada por um lado. Por isso, Jesus diz que existem pecados que nem Deus perdoará, se não existe por parte do pecador a atitude humilde de reconhecer seu pecado (cf. Lc 12,10).
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«A impenitência é blasfêmia contra o Espírito, que não se perdoa neste mundo nem no outro, porque a penitência alcança o perdão nesta vida, que vale para a outra» (Santo Agostinho)
 
«A Igreja precisa dos santos de cada dia, os da vida ordinária. Eles são as testemunhas que levam a Igreja adiante, e o demonstram com a coerência de vida e com a força do Espírito Santo que receberam como dom” (Francisco)
 
«(…) Não há limites para a misericórdia de Deus, mas quem recusa deliberadamente receber a misericórdia de Deus, pelo arrependimento, rejeita o perdão dos seus pecados e a salvação oferecida pelo Espírito Santo. Tal endurecimento pode levar à impenitência final e à perdição eterna» (Catecismo da Igreja Católica, nº 1864)
 
Reflexão
 
• O contexto.
No capítulo 11, que precede a nossa história , Lucas, no caminho de Jesus para Jerusalém, mostra a sua intenção de revelar as profundezas do agir misericordioso de Deus e, ao mesmo tempo, a profunda miséria que se encontra no coração do homem, e particularmente nos que têm a missão de ser testemunhas da Palavra e da ação do Espírito Santo no mundo. Jesus apresenta esses fatos com uma série de reflexões que surtem efeito no leitor: ser atraído pela força da sua Palavra até o ponto de sentir-se julgado e despojado dentro das pretensões de grandeza que perturbam o homem (9,46 ). Além disso o leitor se identifica com várias atitudes que o ensinamento de Jesus suscita: antes de tudo se reconhece no discípulo no seguimento a Jesus e no envio diante dele como mensageiro do reino; no que tem dúvidas para segui-lo; no fariseu ou o doutor da lei, escravos de suas próprias interpretações e estilo de vida. Em síntese, o percurso do leitor pelo capítulo 11 é caracterizado deste encontro com o ensinamento de Jesus que revela a intimidade de Deus, o coração misericordioso de Deus, mas também a verdade do seu ser como homem. No entanto, no capítulo 12 Jesus contrapõe ao juízo pervertido do homem a benevolência de Deus, que dá sempre de modo superabundante . Está em jogo a vida do homem. Deve-se prestar atenção à perversão do julgamento humano, ou melhor, à hipocrisia que distorce os valores para promover apenas o seu próprio interesse e vantagens, em vez de ter um interesse na vida, aquela que é recebida de graça. A palavra de Jesus lança ao leitor um apelo sobre como lidar com a questão da vida: o homem será julgado por seu comportamento diante das ameaças. É necessário preocupar-se não tanto com os homens que podem "matar o corpo", mas ter no coração o temor de Deus que julga e corrige. Jesus não promete a seus discípulos que serão protegidos das ameaças e perseguições, mas lhes assegura a ajuda de Deus nos momentos de dificuldade.
 
• Saber reconhecer Jesus. O compromisso corajoso em reconhecer publicamente a amizade com Jesus comporta como consequência a comunhão pessoal com ele quando ele vier para julgar o mundo. Ao mesmo tempo, "aquele que me nega", o que tem medo de confessar e reconhecer publicamente a Jesus, se condena sozinho. O leitor é convidado a refletir sobre a importância crucial de Jesus na história da salvação: é preciso se decidir estar com Jesus ou contra ele e sua palavra de graça; desta decisão, reconhecer ou negar a Jesus depende a nossa salvação. Lucas evidencia que a comunhão oferecida por Jesus no tempo presente aos seus discípulos será confirmada e alcançará a perfeição no momento de sua vinda na glória (“quando vier na sua glória, na do Pai e dos santos anjos”: 9,26) . O apelo às comunidades cristãs é muito evidente: mas se se é exposto às hostilidades do mundo, é indispensável dar um testemunho corajoso de Jesus, de comunhão com Ele e não se envergonhar de ser e se mostrar cristão.
 
• A blasfêmia contra o Espírito Santo. Blasfemar é aqui entendido por Lucas como o falar ofensivo ou falar contra. Este verbo foi aplicado a Jesus  quando em 5,21 ele tinha perdoado os pecados. A questão levantada nesta passagem pode apresentar alguma dificuldade para o leitor: é menos grave blasfêmia contra o Filho do homem do que a contra o Espírito Santo? A linguagem de Jesus pode parecer um pouco forte para o leitor do Evangelho de Lucas: ao longo do evangelho vê-se Jesus mostrando a atitude de Deus que vai em busca do pecador, que é exigente, mas que sabe esperar o momento do retorno a Ele ou o amadurecimento do pecador. Em Marcos e Mateus, a blasfêmia contra o Espírito Santo é a falta de reconhecimento do poder de Deus nos exorcismos de Jesus. Mas em Lucas mais precisamente significa a rejeição consciente e livre de Espírito profético que atua nas obras e ensinamento de Jesus, ou seja, a rejeição ao encontro com o agir misericordioso e salvífico do Pai. A falta de reconhecimento da origem divina da missão de Jesus, a ofensa direta à pessoa de Jesus , podem ser perdoadas, mas aquele que nega o Espírito Santo trabalhando na missão de Jesus não será perdoado. Não se trata da oposição entre a pessoa de Jesus e do Espírito Santo, ou dum contraste ou símbolo de dois períodos distintos da história, o de Jesus e da comunidade pós-pascal, mas em última análise, o evangelista trata de demonstrar que negar a pessoa de Cristo equivale a blasfemar contra o Espírito Santo.
 
Para um confronto pessoal
1) Você está ciente de que de ser cristão comporta dificuldades, perigos e riscos, a ponto de arriscar a própria vida para testemunhar a amizade pessoal com Jesus?
2) Você se vergonha de ser cristão? Você prefere o julgamento dos homens, sua aprovação, ou o fato de não perder sua amizade com Cristo?

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Sexta-feira da 28ª semana do Tempo Comum

Santa Margarida Maria Alacoque, virgem
Santa Edwiges, viúva e religiosa
São Gerardo Majella, religioso
 
1ª Leitura (Ef 1,11-14):
Irmãos: Em Cristo fomos constituídos herdeiros, por termos sido predestinados, segundo os desígnios d’Aquele que tudo realiza conforme a decisão da sua vontade, para sermos um hino de louvor da sua glória, nós que desde o começo esperámos em Cristo. Foi n’Ele que vós também, depois de ouvirdes a palavra da verdade, o Evangelho da vossa salvação, abraçastes a fé e fostes marcados pelo Espírito Santo. E o Espírito Santo prometido é o penhor da nossa herança, para a redenção do povo que Deus adquiriu para louvor da sua glória.
 
Salmo Responsorial: 32
R. Feliz o povo que o Senhor escolheu para sua herança.
 
Justos, aclamai o Senhor, os corações retos devem louvá-lo. Cantai-Lhe um cântico novo, cantai-Lhe com arte e com alma.
 
A palavra do Senhor é reta, da fidelidade nascem as suas obras. Ele ama a justiça e a retidão, a terra está cheia da bondade do Senhor.
 
Feliz a nação que tem o Senhor por seu Deus, o povo que Ele escolheu para sua herança. Do Céu o Senhor contempla e observa todos os homens.
 
Aleluia. Desça sobre nós a vossa bondade, porque em Vós esperamos, Senhor. Aleluia.
 
Evangelho (Lc 12,1-7): Entretanto, milhares de pessoas se ajuntaram, a ponto de uns pisarem os outros. Jesus começou a falar, primeiro a seus discípulos: Cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. Não há nada de oculto que não venha a ser revelado, e não há nada de escondido que não venha a ser conhecido. Portanto, tudo o que tiverdes dito na escuridão, será ouvido à luz do dia; e o que tiverdes pronunciado ao pé do ouvido, nos quartos, será proclamado sobre os telhados. A vós, porém, meus amigos, eu digo: não tenhais medo dos que matam o corpo e depois não podem fazer mais nada. Vou mostrar-vos a quem deveis temer: temei Aquele que, depois de fazer morrer, tem o poder de lançar-vos no inferno. Sim, eu vos digo, a este deveis temer. Não se vendem cinco pardais por duas moedinhas? No entanto, nenhum deles é esquecido por Deus. Até mesmo os cabelos de vossa cabeça estão todos contados. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais.
 
«Não temais, pois. Mais valor tendes vós do que numerosos pardais»
 
Pe. Salomon BADATANA Mccj(Wau, Sudão do Sul)
 
Hoje, contemplamos Nosso Senhor Jesus Cristo dirigindo-se à multidão depois de se ter enfrentado com as autoridades religiosas judaicas, ou seja, com os fariseus e os escribas. O Evangelho conta-nos que a multidão era tão grande que se atropelavam uns aos outros. Aí fica claro que estavam sedentos da Palavra de Jesus, que falava com tão extraordinária autoridade aos seus líderes religiosos.
 
Mas S. Lucas informa-nos que, antes de mais, Jesus começou a falar aos seus discípulos dizendo: «Guardai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia» (Lc 12,1). Nosso Senhor quer levar-nos à prática da sinceridade e transparência, superando a hipocrisia com que procediam os fariseus e os escribas, pois mostravam uma atitude externa não conforme com o seu caminho interior de vida: fingiam ser o que não eram.
 
É contra isto que Jesus nos quer prevenir no Evangelho de hoje quando diz: «Nada há escondido que não venha a ser conhecido.» (Lc 12,2). Sim, tudo virá a ser revelado. Por este motivo devemos lutar para ajustar a nossa vida de acordo com o que professamos e proclamamos. Obviamente, isto não é fácil. Mas não devemos temer, pois o nosso Deus está atento. Tal como disse S. João Paulo II, «o amor de Deus não impõe cargas que não possamos levar (…). Porque para tudo o que nos peça, Ele nos capacitará com a ajuda necessária». Nada se passa sem que Ele o saiba. Até os nossos cabelos estão contados! Sim, nós temos valor perante Deus. Não tenhamos medo, pois o seu amor não tem limites.
 
Senhor, concede-nos a sabedoria para conduzirmos a nossa vida de acordo com as exigências da nossa fé, mesmo no meio das dificuldades deste mundo. Ámém.
 
«Cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia»
 
P. Raimondo M. SORGIA Mannai OP (San Domenico di Fiesole, Florença, Italia)
 
Hoje o Senhor nos convida a refletir sobre um tipo de má levedura que não fermenta o pão, mas sim o engrandece em aparência, deixando-o cru e incapaz de nutrir: Cuidado com o fermento dos fariseus; (Lc 12,1). Chama-se hipocrisia e é somente aparência de bem, máscara feita com farrapos de cores atraentes, mas encobrem vícios e deformidades morais, infecções no espírito e micróbios que sujam o pensamento e, por tanto, a própria existência.
 
Por isso, Jesus, adverte ter cuidado com esses usurpadores que, ao predicar com maus exemplos e com o brilho de palavras mentirosas, tentam semear ao redor uma infecção. Lembro que um jornalista, brilhante por seu estilo e professor de filosofia, quis afrontar a posição da Igreja sobre a questão do matrimônio entre homossexuais. E, com passo alegre e uma grande quantidade de sofismas enormes como elefantes, tentou contrariar as boas razões que o Magistério expôs em um documento recente. Vemos aqui um fariseu de nossos dias, que depois de ter-se declarado batizado e crente, afastou-se do pensamento da Igreja e do espírito de Cristo, pretendendo passar por mestre, acompanhante e guia dos fiéis.
 
Passando a outro assunto, o Mestre aconselha distinguir entre medo e medo: não tenhais medo dos que matam o corpo e depois não podem fazer mais nada, (Lc 12,4), seriam os perseguidores da ideia cristã, que matam a dezenas de fiéis em tempos de caçar homens ou de vez em quando a testemunhas singulares de Jesus Cristo.
 
Medo absolutamente diverso e motivado é o poder perder o corpo e a alma e, isso está nas mãos do Juiz divino; não que morra a alma (seria uma sorte para o pecador), mas sim que goste de uma amargura que se pode chamar de mortal no sentido de absoluta e interminável. Se escolheres viver bem aqui, não serás enviado às penas eternas. Aqui não podes escolher não morrer, enquanto vives escolhe o não morrer eternamente (Santo Agostinho).
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Não tema nenhum inimigo externo: supere-se a si mesmo e o mundo será derrotado» (Santo Agostinho)
 
«A coerência na vida, entre a fé e o testemunho. Este é um cristão, não tanto pelo que diz, mas pelo que faz! Esta coerência que nos dá vida é uma graça do Espírito Santo que devemos de pedir» (Francisco)
 
«A hierarquia das criaturas é expressa pela ordem dos ‘seis dias’, indo do menos perfeito para o mais perfeito. Deus ama todas as suas criaturas e cuida de cada uma, até dos passarinhos (…)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 342)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
*
  O evangelho de hoje traz uma última crítica de Jesus contra as autoridades religiosas do seu tempo.
 
* Lucas 12,1ª: Milhares buscam Jesus. “Enquanto isso, milhares de pessoas se reuniram, de modo que uns pisavam nos outros”. Esta frase deixa transparecer a enorme popularidade de Jesus e o desejo do povo de encontrar-se com ele (cf. Mc 6,31; Mt 13,2). Deixa transparecer também o abandono em que se encontrava o povo. “São como ovelhas sem pastor”, dizia Jesus em outra ocasião quando via a multidão aproximar-se dele para ouvir a sua palavra (Mc 6,34).
 
* Lucas 12,1b: Cuidado com a hipocrisia. “Jesus começou a falar, primeiro a seus discípulos: "Tomem cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia”.  Marcos já falava do fermento dos fariseus e dos herodianos e sugeria que se tratava da mentalidade ou da ideologia dominante da época que esperava um messias glorioso e poderoso (Mc 8,15; 8,31-33). Aqui no nosso texto, Lucas identifica o fermento dos fariseus com a hipocrisia. Hipocrisia é uma atitude que inverte os valores. Esconde a verdade. Mostra uma casca bonita que encobre e disfarça a podridão dentro da casca. No caso, a hipocrisia era a casca aparente da fidelidade máxima à palavra de Deus que escondia a contradição da vida deles. Jesus quer o contrário. Quer a coerência que não deixa no escondido.
 
* Lucas 12,2-3: O escondido será revelado. “Não há nada de escondido que não venha a ser revelado, e não há nada de oculto que não venha a ser conhecido. Pelo contrário, tudo o que vocês tiverem feito na escuridão, será ouvido à luz do dia; e o que vocês tiverem pronunciado em segredo, nos quartos, será proclamado sobre os telhados".  É a segunda vez que Lucas fala deste assunto (cf. Lc 8,17). Em vez da hipocrisia dos fariseus que esconde a verdade, os discípulos devem ter a sinceridade. Não devem ter medo da verdade. Jesus os convida a partilhar com os outros os ensinamentos que dele aprenderam. Os discípulos não podem conservá-los só para si, mas devem divulgá-los. Um dia, as máscaras vão cair e tudo será revelado às claras, proclamado sobre os telhados (cf. Mt 10,26-27).  
 
* Lucas 12,4-5: Não ter medo
“Pois bem, eu digo a vocês, meus amigos: não tenham medo daqueles que matam o corpo, e depois disso nada mais têm a fazer. Vou mostrar a quem vocês devem temer: tenham medo daquele que, depois de ter matado, tem poder de jogá-los no inferno. Eu lhes digo: é a este que vocês devem temer”. Aqui Jesus se dirige aos seus amigos, os discípulos e discípulas. Eles não devem ter medo daqueles que matam o corpo, que torturam, machucam e fazem sofrer. Os torturadores podem até matar o corpo, mas não conseguem matar neles a liberdade e o espírito. Devem ter medo, isto sim, de que o medo do sofrimento os leve a esconder ou a negar a verdade e, assim, os faça ofender a Deus. Pois quem se afasta de Deus se perde para sempre.
 
* Lucas 12,6-7: Vocês valem mais que muitos pardais, “Não se vendem cinco pardais por alguns trocados? No entanto, nenhum deles é esquecido por Deus. Até mesmo os cabelos da cabeça de vocês estão todos contados. Não tenham medo! Vocês valem mais do que muitos pardais”. Os discípulos não devem ter medo de nada, pois eles estão na mão de Deus. Jesus manda olhar os passarinhos. Dois pardais se vendem por poucos centavos e no entanto nenhum pardal cai no chão sem o consentimento do Pai. Até os cabelos na cabeça estão contados. Lucas diz que nenhum cabelo cai sem a licença do Pai (Lc 21,18). E caem tantos cabelos! Por isso, “não tenham medo. Vocês valem muito mais que muitos pardais”. É a lição que Jesus tirou da contemplação da natureza. (cf Mt 10,29-31)
 
* A contemplação da natureza. No Sermão da Montanha, a mensagem mais importante, Jesus a tirou da contemplação da natureza. Eles dizem: "Vocês ouviram o que foi dito: 'Ame o seu próximo, e odeie o seu inimigo!' Eu, porém, lhes digo: amem os seus inimigos, e rezem por aqueles que perseguem vocês! Assim vocês se tornarão filhos do Pai que está no céu, porque ele faz o sol nascer sobre maus e bons, e a chuva cair sobre justos e injustos. Portanto, sejam perfeitos como é perfeito o Pai de vocês que está no céu." (Mt 5,43-45.48). A observação do ritmo do sol e da chuva levaram Jesus e esta afirmação revolucionária: “Eu lhes digo amem os seus inimigos!” O mesmo vale para o convite de olhar os lírios do campo e as aves do céu (Mt 6,25-30). Esta surpreendente atitude contemplativa diante da natureza levou Jesus a criticar verdades aparentemente eternas. Seis vezes em seguida ele teve a coragem de corrigir publicamente a Lei de Deus: “Antigamente foi dito, mas eu digo...”. A descoberta feita na contemplação renovada da natureza tornou-se para ele uma luz muito importante para reler a história com outros olhos e descobrir nela luzes que antes não eram percebidas. Hoje está em andamento uma nova visão do universo. As descobertas da ciência a respeito da imensidão do macrocosmo e do microcosmo estão sendo fonte de uma nova contemplação do universo, Já está começando a crítica de muitas verdades aparentemente eternas.
 
Para um confronto pessoal
1) O escondido será revelado. Tem em mim algo do qual tenho medo de que seja revelado?
2) A contemplação dos pardais e das coisas da natureza levaram Jesus a atitudes novas e surpreendentes que revelavam a bondade gratuita de Deus. Tenho costume de contemplar a natureza?

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Quinta-feira da 28ª semana do Tempo Comum

S. Teresa de Jesus, virgem de nossa Ordem e Doutora da Igreja
 
1ª Leitura (Ef 1,1-10):
Irmãos: Paulo, Apóstolo de Jesus Cristo por vontade de Deus, aos cristãos que vivem em Éfeso, fiéis em Jesus Cristo. A graça e a paz de Deus, nosso Pai, e de Jesus Cristo, nosso Senhor, estejam convosco. Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto dos Céus nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo. N’Ele nos escolheu, antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, em caridade, na sua presença. Ele nos predestinou, conforme a benevolência da sua vontade, a fim de sermos seus filhos adoptivos, por Jesus Cristo, para louvor da sua glória e da graça que derramou sobre nós, por seu amado Filho. N’Ele, pelo seu sangue, temos a redenção e a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça, que Ele nos concedeu em abundância, com plena sabedoria e inteligência. Ele deu-nos a conhecer o mistério da sua vontade, o desígnio de benevolência n’Ele de antemão estabelecido, para se realizar na plenitude dos tempos: instaurar todas as coisas em Cristo, tudo o que há nos Céus e na terra.
 
Salmo Responsorial: 97
R. O Senhor revelou a sua salvação.
 
Cantai ao Senhor um cântico novo pelas maravilhas que Ele operou. A sua mão e o seu santo braço Lhe deram a vitória.
 
O Senhor deu a conhecer a salvação, revelou aos olhos das nações a sua justiça. Recordou-Se da sua bondade e fidelidade em favor da casa de Israel.
 
Os confins da terra puderam ver a salvação do nosso Deus. Aclamai o Senhor, terra inteira, exultai de alegria e cantai.
 
Cantai ao Senhor ao som da cítara, ao som da cítara e da lira; ao som da tuba e da trombeta, aclamai o Senhor, nosso Rei.
 
Aleluia. Eu sou o caminho, a verdade e a vida, diz o Senhor: ninguém vai ao Pai senão por Mim. Aleluia.
 
Evangelho (Lc 11,47-54): Naquele tempo, o Senhor disse: «Ai de vós, porque construís os túmulos dos profetas! No entanto, foram vossos pais que os mataram. Com isso, sois testemunhas e aprovais as ações de vossos pais, pois eles mataram os profetas e vós construís os túmulos. É por isso que a sabedoria de Deus afirmou: Eu lhes enviarei profetas e apóstolos, e a alguns, eles matarão ou perseguirão; por isso se pedirá conta a esta geração do sangue de todos os profetas derramado desde a criação do mundo, desde o sangue de Abel até o sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e o Santuário. Sim, eu vos digo: esta geração terá de prestar conta disso. Ai de vós, doutores da Lei, porque ficastes com a chave da ciência!: vós mesmos não entrastes, e ainda impedistes os que queriam entrar». Quando Jesus saiu de lá, os escribas e os fariseus começaram a importuná-lo e a provocá-lo em muitos pontos, armando ciladas para apanhá-lo em suas próprias palavras.
 
«Construís os túmulos dos profetas! No entanto, foram vossos pais que os mataram»
 
Rev. D. Pedro-José YNARAJA i Díaz (El Montanyà, Barcelona, Espanha)
 
Hoje o Evangelho nos fala do sentido, aceitação e trato dado aos profetas: «Eu lhes enviarei profetas e apóstolos, e a alguns, eles matarão ou perseguirão» (Lc 11,49).
 
São pessoas de diferente condição social ou religiosa, que tem recebido a mensagem divina e tem se impregnado dela; impulsionadas pelo Espírito, o expressam com signos ou palavras compreensíveis para seu tempo. É uma mensagem transmitida através de discursos, nunca lisonjeiros, ou ações, quase sempre difíceis de aceitar. Uma característica da profecia é sua incomodidade. O dom resulta incômodo para aquele que o recebe, o esfolia internamente e, é molesto para seu entorno, que hoje, graças à Internet ou aos satélites, pode se estender ao mundo todo.
 
Os contemporâneos do profeta pretendem o condenar ao silêncio, o caluniam, o desacreditam, assim até que morre. Chega então o momento de lhe erigir o sepulcro e, de lhe organizar homenagens, quando já não incomoda. Não faltam atualmente profetas que gozam de fama universal. A Madre Teresa, João XXIII, Monsenhor Romero... Lembramo-nos daquilo que nos reclamavam e nos exigiam? Aplicamos o que nos fizeram ver? A nossa geração se lhe pedirá contas sob a capa de ozônio que destruiu, da desertificação que nossa dilapidação de água causou, mas também do ostracismo que temos reduzido aos nossos profetas
 
Ainda há pessoas que se reservam para elas o direito de saber em exclusiva, que o compartilham “no melhor dos casos” com os seus, com aqueles que lhe permitem continuar no colo dos seus sucessos e da fama. Pessoas que fecham o passo aos que tentam entrar nos âmbitos do conhecimento, não seja que talvez saibam tanto quanto eles e os ultrapassem: «Ai de vós, doutores da Lei, porque ficastes com a chave da ciência! vós mesmos não entrastes, e ainda impedistes os que queriam entrar».
 
Agora, como nos tempos de Jesus, muitos analisam frases e estudam textos para desacreditar aos que incomodam com suas palavras: É esse nosso agir? «Não há nada mais perigoso que julgar as coisas de Deus com os discursos humanos» (São João Crisóstomo).
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«O que pensar de quem se enfeita com um nome e não o é? Assim, muitos chamam-se cristãos, mas não são encontrados assim na realidade, porque não são o que dizem, nem na vida, nem nos costumes, nem na esperança, nem na caridade» (Santo Agostinho)
 
«É característico da tentação adotar uma aparência moral: não nos convida diretamente a fazer o mal, isso seria muito grosseiro. Finge mostrar-nos o melhor» (Bento XVI)
 
«Em toda a sua vida, Jesus mostra-Se como nosso modelo: Ele é o “homem perfeito”, que nos convida a tornarmo-nos seus discípulos e a segui-Lo; com a sua humilhação, deu-nos um exemplo a imitar; com a sua oração, convida-nos à oração; com a sua pobreza, incita--nos a aceitar livremente o despojamento e as perseguições» (Catecismo da Igreja Católica, nº 520)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
*
Novamente, pela enésima vez, o evangelho de hoje fala do conflito entre Jesus e as autoridades religiosas da época.
 
* Lucas 11,47-48: Ai de vocês, que constroem túmulos para os profetas. “Ai de vocês, porque constroem túmulos para os profetas; no entanto, foram os pais de vocês que os mataram. Com isso, vocês são testemunhas e aprovam as obras dos pais de vocês, pois eles mataram os profetas, e vocês constroem os túmulos”. Mateus diz que se trata de escribas e fariseus (Mt 23,19). O raciocínio de Jesus é claro. Se os pais mataram os profetas e os filhos construíram os túmulos, é porque os filhos  aprovaram o crime dos pais. Além disso, todo mundo sabe que profeta morto não incomoda. Deste modo os filhos tornam-se testemunhas e cúmplices no mesmo crime (cf. Mt 23,29-32).
 
* Lucas 11,49-51: Pedir contas do sangue derramado desde a criação do mundo. “É por isso que a sabedoria de Deus disse: 'Eu lhes enviarei profetas e apóstolos. Eles os matarão e perseguirão, a fim de que se peçam contas a esta geração do sangue de todos os profetas, derramado desde a criação do mundo, desde o sangue de Abel até o sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e o santuário'. Sim, eu digo a vocês: pedirão contas disso a esta geração”. Comparado com o evangelho de Mateus, Lucas costuma oferecer uma versão abreviada do texto de Mateus. Mas aqui ele acrescentou a observação: “derramado desde a criação do mundo, desde o sangue de Abel”. Ele fez a mesma coisa com a genealogia de Jesus. Mateus, que escrevia para os judeus convertidos, começa em Abraão (Mt 1,1.2.17), enquanto Lucas vai até Adão (Lc 3,38). Lucas universaliza e inclui os pagãos, pois escreve o seu evangelho para os pagãos convertidos. A informação sobre o assassinato de Zacarias no Templo é dada pelo livro das Crônicas: “Então o espírito de Deus se apoderou de Zacarias, filho do sacerdote Joiada. Ele se dirigiu ao povo e disse: "Assim fala Deus: Por que é que vocês estão desobedecendo aos mandamentos de Javé? Vocês vão se arruinar. Vocês abandonaram Javé, e ele também os abandona!" Então eles se reuniram contra o profeta e, por ordem do rei, o apedrejaram no pátio do Templo de Javé”.  (2Cr 24,20-21). Jesus conhecia a história do seu povo até nas minúcias. Ele sabe que vai ser o próximo na lista de Abel até Zacarias. Até hoje a lista continua aberta. Muita gente é morta pela causa da justiça e da verdade.
 
* Lucas 11,52: Ai de vocês, especialistas em leis. “Ai de vocês, especialistas em leis, porque vocês se apoderaram da chave da ciência. Vocês mesmos não entraram, e impediram os que queriam entrar". Fecham o Reino como? Eles pensam ter o monopólio da ciência a respeito de Deus e da lei de Deus e impõem o seu modo de ver aos outros, sem deixar margem para um pensamento diferente. Apresentam Deus apenas como juiz severo e em nome de Deus impõem leis e normas que não têm nada a ver com os mandamentos de Deus, falsificam a imagem do Reino e matam nos outros o desejo de servir a Deus e ao Reino. Uma comunidade que se organiza ao redor deste falso deus “não entra no Reino”, nem é expressão do Reino, e impede que seus membros entrem no Reino. É importante notar a diferença entre Mateus e Lucas. Mateus fala da entrada no Reino do céu e a frase é redigida na forma verbal do presente: "Ai de vocês, doutores da Lei e fariseus hipócritas! Vocês fecham o Reino do Céu para os homens. Nem vocês entram, nem deixam entrar aqueles que desejam” (Mt 23,13). A expressão entrar no Reino do Céu pode significar entrar no céu depois da morte, mas é mais provável que se trate da entrada na comunidade ao redor de Jesus e nas comunidades dos primeiros cristãos. Lucas fala da chave da ciência e a frase é redigida na forma verbal do passado. Lucas simplesmente consta que a pretensão dos escribas de possuir a chave da ciência a respeito de Deus e da lei de Deus impediu a eles de reconhecer Jesus como Messias e impediu que o povo judeu reconhecesse Jesus como messias: Vocês se apoderaram da chave da ciência. Vocês mesmos não entraram, e impediram os que queriam entrar.
 
* Lucas 11,53-54: Reação contra Jesus. A reação das autoridades religiosas contra Jesus foi imediata. “Quando Jesus saiu daí, os doutores da Lei e os fariseus começaram a tratá-lo mal, e a provocá-lo sobre muitos pontos. Armavam ciladas, para pegá-lo de surpresa em qualquer coisa que saísse de sua boca”. Considerando-se os únicos intérpretes verdadeiros da lei de Deus, tentam provocar Jesus em torno da interpretação da Bíblia para poder pegá-lo de surpresa em qualquer coisa que saísse de sua boca. Assim, continua e cresce a oposição contra Jesus e cresce o desejo de eliminá-lo (Lc 6,11; 11,53-54; 19,48; 20,19-20; 22,2).
 
Para um confronto pessoal
1) Muitas pessoas que queriam entrar foram impedidas de entrar ou deixaram de crer por causa de atitudes anti-evangélicas de sacerdotes. Você tem experiência neste ponto?
2) Os escribas começaram a criticar Jesus que pensava e agia diferente deles. Não é difícil encontrar motivos para criticar quem pensa diferente de nós. Você tem experiência neste ponto?
 Santa Teresa de Jesus
Virgem de Nossa Ordem e Doutora da Igreja
Patrona da Ordem Terceira do Carmo
 

Nasceu em Ávila (Espanha) no ano 1515. Tendo entrado na Ordem das Carmelitas, fez grandes progressos no caminho da perfeição e teve revelações místicas. Ao empreender a reforma da Ordem teve de sofrer muitas tribulações, mas tudo suportou com coragem invencível. A doutrina profunda que escreveu nos seus livros é fruto das suas experiências místicas. Morreu em Alba de Tormes (Salamanca) no ano 1582.
 
INVITATÓRIO
R. Ao Senhor, Fonte da Sabedoria, vinde adoremos!
 
LAUDES
Hino
Deixando teus pais, Teresa,
quiseste aos mouros pregar,
trazê-los todos ao Cristo,
ou teu sangue derramar.
 
Pena porém mais suave
o Esposo a ti reservou:
tombares de amor ferida,
ao dardo que te enviou.
 
Acende, pois, nossas almas,
na chama do eterno amor:
jamais vejamos do inferno
o fogo devorador.
 
Louvamos contigo ao Filho,
que ao trino Deus nos conduz;
ele é o Jesus de Teresa,
Tu, Teresa de Jesus!
 
Ant 1. A minha alma tem sede de vós e por vós suspira, ó meu Deus.
 
Salmos e cântico do domingo da I Semana
 
Ant 2. Todas as criaturas vos agradeçam, Senhor, e os vossos santos com louvores vos bendigam.
 
Ant.3. As vossas misericórdias, Senhor, eternamente cantarei na assembleia dos vossos santos.
 
Leitura Breve - 2Cor 4,5-7
Não nos pregamos a nós mesmos, pregamos a Jesus Cristo, o Senhor. Quanto a nós, apresentamo-nos a vós como vossos servos por causa de Jesus. Pois o Deus que disse: "Das trevas brilhe a luz!", foi ele quem reluziu em nossos corações, para que brilhe em todo o seu esplendor o conhecimento da sua glória, que se reflete no rosto de Cristo. Ora trazemos este tesouro em vasos de argila, para que reconheçam todos que este poder extraordinário vem de Deus e não de nós.
 
Responsório breve
R. Falou-me o coração * é a vossa face que eu procuro, Senhor.
R. Falou-me o coração.
V. Senhor, a vossa face eu procuro. * É a vossa face.
Glória ao Pai. R. Falou-me o coração.
 
Cântico evangélico
Ant. Quem me ama será amado por meu Pai. Eu o amarei e a ele me manifestarei.
 
Preces
Aclamemos com alegria o Senhor da Glória, a Coroa de todos os Santos, que nos concedeu hoje a graça de celebrarmos Santa Teresa; e digamos:
 
R. Glória a vós, Senhor!
 
Senhor, fonte de vida e de santidade, que manifestais nos vossos Santos as maravilhas da vossa graça,
- queremos com Santa Teresa cantar eternamente as vossas misericórdias. R.
 
Vós, que desejais abrasar todo o mundo com o fogo do vosso Amor,
- fazei que sejamos, como Santa Teresa, servidores do vosso Amor entre os nossos irmãos. R.
 
Vós, que revelais aos vossos Anjos os mistérios do vosso coração,
- associai-nos mais a vós, para que, tendo experimentado melhor o vosso amor em nós, conduzamos os irmãos para vós. R.
 
Vós, que proclamastes bem-aventurados os puros de coração e prometestes que haveriam de ver-vos,
- purificai o nosso olhar, para que vos descubramos em todas as criaturas e nos elevemos sempre para vós. R.
 
Vós, que resistis aos soberbos e dais inteligência aos simples,
- fazei que sejamos humildes de coração, para adquirirmos em benefício de toda a Igreja a sabedoria, que nos enriquece. R.
 
(intenções livres)
 
Pai nosso...
 
Oração
Ó Deus, que pelo Espírito Santo fizestes surgir Santa Teresa para recordar à Igreja o caminho da perfeição, dai-nos encontrar sempre alimento em sua doutrina celeste e sentir em nós o desejo da verdadeira santidade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
 
VÉSPERAS
Hino
Este é o dia em que Teresa,
qual pomba de branca alvura,
à terra tão pouco presa,
o templo do céu procura.
 
As falas do Espírito escuta:
Amada, vem do Carmelo!
Esquece, irmã, tua gruta,
que o meu amor é mais belo.
 
Cantemos o Esposo amado,
que vem desposar Teresa
com seu anel de noivado
e a lâmpada sempre acesa.
 
Ant.1. O Senhor mostrou-me a Cidade Santa, resplandecente da Glória de Deus, e brilhava como pedra preciosíssima.
 
Salmos e Cântico do Comum das Virgens ou dos Doutores da Igreja.
 
Ant.2. Esta é a morada de Deus entre os homens: no meio deles vai habitar o Senhor.
 
Ant.3. Procuro completar na minha própria carne o que falta das tribulações de Cristo, em solidariedade com o seu Corpo, isto é, a Igreja.
 
Leitura breve – Jd 20-21
Vós, porém, caríssimos, edificai-vos mutuamente sobre o fundamento da vossa santíssima fé; rezai no Espírito Santo, de modo que vos mantenhais no amor de Deus, aguardando a misericórdia de Nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna.
 
Responsório breve
R. Vós sois * o templo do Deus Vivo. R. Vós sois.
V. E o Espírito de Deus habita em vós. * O templo.
Glória ao Pai. R. Vós sois.
 
Cântico Evangélico
Ant. Não se perturbe o vosso coração: na casa de meu Pai existem muitas moradas e eu vou preparar um lugar para vós.
 
Preces
Glorifiquemos a Cristo, que amou a sua Igreja e se entregou por ela para santificá-la; e pedindo-lhe que a conserve sempre santa e imaculada em todos os seus membros, digamos com muita confiança:
 
R. Protegei, Senhor, a vossa Igreja!
 
Vós, que sois a Cabeça da Igreja, que alimentais e protegeis.
- fazei que todos os fiéis permaneçam sempre unidos convosco pela fé e pela caridade. R.
 
Vós, que edificastes a Igreja sobre o fundamento dos Apóstolos e, por meio deles, nos ensinais a verdade e nos conduzis à vossa mesa,
- iluminai e dirigi aqueles que colocastes à sua frente. R.
 
Vós, que amastes e escolhestes alguns membros do vosso povo, para que anunciassem a vossa palavra aos irmãos,
- enviai trabalhadores para a vossa messe. R.
                                                                                                                Vós, que não cessais de chamar discípulos que, para edificação da Igreja, vos seguem mais de perto na castidade, pobreza e obediência,
- fazei que todos os religiosos, tendo a Virgem Maria por Mãe e Mestra, vos sigam e sirvam fielmente. R.
 
Vós, que suscitastes na Igreja a família do Carmelo,
- concedei aos Carmelitas a graça da fidelidade ao espírito de oração e de zelo apostólico, a exemplo de Santa Teresa. R.
 
(intenções livres)
 
Vós, que morrestes para nos justificar e ressuscitastes para nos livrar da morte eterna,
- concedei aos nossos irmãos e irmãs falecidos a alegria da Páscoa eterna na comunhão com Maria e todos os vossos Santos. R.
 
Pai Nosso ...
 
Oração
Ó Deus, que pelo Espírito Santo fizestes surgir Santa Teresa para recordar à Igreja o caminho da perfeição, dai-nos encontrar sempre alimento em sua doutrina celeste e sentir em nós o desejo da verdadeira santidade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Quarta-feira da 28ª semana do Tempo Comum

1ª Leitura (Gal 5,18-25):
Irmãos: Se vos deixais conduzir pelo Espírito, não estais sujeitos à Lei de Moisés. As obras da carne são bem conhecidas: luxúria, imoralidade, libertinagem, idolatria, feitiçaria, inimizades, ciúmes, discórdias, ira, rivalidades, dissenções, facciosismos, invejas, embriaguez, orgias e coisas semelhantes a estas, sobre as quais vos previno, como já vos disse: os que praticam estas ações não herdarão o reino de Deus. Pelo contrário, os frutos do Espírito são: caridade, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, temperança. Contra coisas como estas não há lei. Os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne com as suas paixões e apetites. Se vivemos pelo Espírito, caminhemos também segundo o Espírito.
 
Salmo Responsorial: 1
R. Quem Vos segue, Senhor, terá a luz da vida.
 
Feliz o homem que não segue o conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores nem toma parte na reunião dos maldizentes; mas antes se compraz na lei do Senhor e nela medita dia e noite.
 
É como árvore plantada à beira das águas: dá fruto a seu tempo e a sua folhagem não murcha. Tudo quanto fizer será bem-sucedido.
 
Bem diferente é a sorte dos ímpios: são como a palha que o vento leva. O Senhor vela pelo caminho dos justos, mas o caminho dos pecadores leva à perdição.
 
Aleluia. As minhas ovelhas escutam a minha voz, diz o Senhor; Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me. Aleluia.
 
Evangelho (Lc 11,42-46): Naquele tempo, o Senhor disse: «Ai de vós, fariseus, porque pagais o dízimo da hortelã, da arruda e de todas as outras ervas, mas deixais de lado a justiça e o amor de Deus. Isto é que deveríeis praticar, sem negligenciar aquilo. Ai de vós, fariseus, porque gostais do primeiro assento nas sinagogas e de serdes cumprimentados nas praças. Ai de vós, porque sois como túmulos que não se veem, sobre os quais as pessoas andam sem saber». Um doutor da Lei tomou a palavra e disse: «Mestre, falando assim, insultas também a nós!». Jesus respondeu: «Ai de vós igualmente, doutores da Lei, porque carregais as pessoas com fardos insuportáveis, e vós mesmos, nem com um só dedo, não tocais nesses fardos!».
 
«Isto é que deveríeis praticar, sem negligenciar aquilo»
 
Rev. D. Joaquim FONT i Gassol (Igualada, Barcelona, Espanha)
 
Hoje o Divino Mestre dá-nos algumas lições: entre elas, fala-nos dos dízimos e também da coerência que devem ter os educadores (pais, mestres e todo cristão apóstolo). No Evangelho segundo São Lucas da Missa de hoje, o ensino aparece de maneira mais sintética, mas nas passagens paralelas de Mateus (23,1ss.) é bastante extenso e concreto. Todo o pensamento do Senhor conclui em que a alma de nossa atividade deve de ser a justiça, a caridade, a misericórdia e a fidelidade (cf. Lc 11,42).
 
Os dízimos no Antigo Testamento e nossa atual colaboração com a Igreja, segundo as leis e os costumes, vão na mesma linha. Mas dando o valor da lei obrigatória às pequenas coisas—como o faziam os Mestres da Lei— é exagerado e fadigoso: «Ai de vós igualmente, doutores da Lei, porque carregais as pessoas com fardos insuportáveis, e vós mesmos, nem com um só dedo, não tocais nesses fardos!» (Lc 11,46).
 
É verdade que as pessoas que afinam têm delicadezas de generosidade. Tivemos vivências recentes de pessoas que da colheita trazem para a Igreja —para o culto e para os pobres— 10% (o dízimo); outros que reservam a primeira flor (as primícias), o melhor fruto do seu horto; ou também oferecem a mesma quantia que gastaram na viagem de lazer ou de férias; outros trazem o produto preferido do seu trabalho, tudo isso com o mesmo fim. Adivinha-se aí assimilado, o espírito do Santo Evangelho. O amor é engenhoso; das coisas pequenas obtém alegrias e méritos perante Deus.
 
O bom pastor passa na frente do rebanho. Os bons pais são modelo: o exemplo arrasta. Os bons educadores esforçam-se em viver as virtudes que ensinam. Isso é a coerência. Não só com um dedo, senão com a mão toda: Vida de Sacrário, devoção à Virgem, pequenos serviços no lar, difundir bom humor cristão... «As almas grandes dão-se conta das pequenas coisas» (São Josemaria).
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Fazei tudo por Amor. Portanto, não há pequenas obras: tudo é grande. A perseverança nas pequenas coisas, por Amor, é heroísmo» (São Josemaria)
 
«Muitos podem conhecer a ciência, mesmo a teologia. Mas se eles não fizerem essa teologia de joelhos, ou seja, humildemente, como os pequenos, não compreenderão nada» (Francisco)
 
«Jesus (...) muitas vezes argumentou, no quadro da interpretação rabínica da Lei (366). Mas, ao mesmo tempo, Jesus tinha forçosamente de Se confrontar com os doutores da Lei porque não Se contentava com propor a sua interpretação a par das deles: ‘ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas’ (Mt 7, 28-29)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 581)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
* No Evangelho de hoje continua o relacionamento conflituoso entre Jesus e as autoridades religiosas da época.
Hoje, na igreja acontece o mesmo conflito. Numa determinada diocese, o bispo convocou os pobres a participar ativamente. Eles atenderam ao pedido e em grande número começaram a participar. Surgiu um grave conflito. Os ricos diziam que foram excluídos e alguns sacerdotes começaram a dizer: “O bispo só faz política e esquece o evangelho!”
 
* Lucas 11,42: Ai de vocês, que deixam de lado a justiça e o amor. “Ai de vocês, fariseus, porque vocês pagam o dízimo da hortelã, da arruda e de todas as outras ervas, mas deixam de lado a justiça e o amor de Deus. Vocês deveriam praticar isso, sem deixar de lado aquilo”.  Esta crítica de Jesus contra os líderes religiosos daquela época pode ser repetida contra muitos líderes religiosos dos séculos seguintes, até hoje. Muitas vezes, em nome de Deus, insistimos em detalhes e esquecemos a justiça e o amor. Por exemplo, o jansenismo tornou árida a vivência da fé, insistindo em observâncias e penitências que desviaram o povo do caminho do amor. A irmã carmelita Santa Teresa de Lisieux foi criada nesse ambiente jansenista que marcava a França no fim do século XIX. Foi a partir de uma dolorosa experiência pessoal, que ela soube recuperar a gratuidade do amor de Deus como a força que deve animar por dentro a observância das normas. Pois, sem a experiência do amor, as observâncias fazem de Deus um ídolo.
 
* A observação final de Jesus dizia: “Vocês deveriam praticar isso, sem deixar de lado aquilo”. Esta advertência  faz lembrar uma outra observação de Jesus que serve de comentário: "Não pensem que eu vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim abolir, mas dar-lhes pleno cumprimento. Eu garanto a vocês: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem sequer uma letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo aconteça. Portanto, quem desobedecer a um só desses mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazer o mesmo, será considerado o menor no Reino do Céu. Por outro lado, quem os praticar e ensinar, será considerado grande no Reino do Céu. Com efeito, eu lhes garanto: se a justiça de vocês não superar a dos doutores da Lei e dos fariseus, vocês não entrarão no Reino do Céu" (Mt 5,17-20)
 
* Lucas 11,43: Ai de vocês, que gostam dos lugares de honra. “Ai de vocês, fariseus, porque gostam do lugar de honra nas sinagogas, e de serem cumprimentados em praças públicas”.  Jesus chama a atenção dos discípulos para o comportamento hipócrita de alguns fariseus. Estes tinham gosto em circular pelas praças com longas túnicas, receber as saudações do povo, ocupar os primeiros lugares nas sinagogas e os lugares de honra nos banquetes (cf. Mt 6,5; 23,5-7). Marcos acrescenta que eles gostavam de entrar nas casas das viúvas e fazer longas preces em troca de dinheiro! Pessoas assim vão receber um julgamento mais severo (Mc 12,38-40). Hoje acontece o mesmo na nossa igreja.
 
* Lucas 11,44: Ai de vocês, túmulos escondidos. “Ai de vocês, porque são como túmulos que não se veem, e os homens pisam sobre eles sem saber". Lucas modificou a comparação. Em Mateus se diz: “Vocês são como sepulcros caiados: por fora parecem bonitos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e podridão! Assim também vocês: por fora, parecem justos diante dos outros, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e injustiça” (Mt 23,27-28).  A imagem de “sepulcros caiados” fala por si e não precisa de comentário. Por meio dela, Jesus condena os que mantêm uma aparência fictícia de pessoa correta, mas cujo interior é a negação total daquilo que querem fazer aparecer para fora. Lucas fala em sepulcros escondidos: “Ai de vocês, porque são como túmulos que não se veem, e os homens pisam sobre eles sem saber". Quem pisa ou toca num sepulcro torna-se impuro, mesmo quando o sepulcro existe escondido debaixo do chão. A imagem é muito forte: por fora, o fariseu de sempre parece justo e bom, mas esse aspecto é um engano, pois dentro dele existe um sepulcro escondido que, sem o povo se dar conta, espalha um veneno que mata, comunica uma mentalidade que afasta de Deus, sugere uma compreensão errada da Boa Nova do Reino. Uma ideologia que faz do Deus vivo um ídolo morto!
 
* Lucas 11,45-46: Crítica do doutor da lei e a resposta de Jesus. “Um especialista em leis tomou a palavra, e disse: "Mestre, falando assim insultas também a nós!"  Na resposta Jesus não voltou atrás mas deixou bem claro que a mesma crítica valia também para os escribas: "Ai de vocês também, especialistas em leis! Porque vocês impõem sobre os homens cargas insuportáveis, e vocês mesmos não tocam essas cargas nem com um só dedo”. No Sermão da Montanha, Jesus expressou a mesma crítica que serve de comentário: “Os doutores da Lei e os fariseus têm autoridade para interpretar a Lei de Moisés. Por isso, vocês devem fazer e observar tudo o que eles dizem. Mas não imitem suas ações, pois eles falam e não praticam. Amarram pesados fardos e os colocam no ombro dos outros, mas eles mesmos não estão dispostos a movê-los, nem sequer com um dedo” (Mt 23,2-4). 
 
Para um confronto pessoal
1) A hipocrisia mantém uma aparência enganadora. Até onde atua em mim a hipocrisia? Até onde a hipocrisia atua na nossa igreja?
2) Jesus criticava os escribas que insistiam na observância disciplinar das coisas miúdas da lei como dízimo da hortelã, da arruda e de todas as ervas, e esqueciam de insistir no objetivo da lei que é a prática da justiça e do amor. Vale para mim esta crítica?