sábado, 22 de julho de 2017

Domingo XVI do Tempo Comum.

Textos: Sab 12, 13.16-19; Rm 8, 26-27; Mt 13, 24-43

Evangelho (Mt 13,24-43): Jesus apresentou-lhes outra parábola: «O Reino dos Céus é como alguém que semeou boa semente no seu campo. Enquanto todos dormiam, veio seu inimigo, semeou joio no meio do trigo e foi embora. Quando o trigo cresceu e as espigas começaram a se formar, apareceu também o joio. Os servos foram procurar o dono e lhe disseram: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde veio então o joio? ’ O dono respondeu: ‘Foi algum inimigo que fez isso’. Os servos perguntaram ao dono: ‘Queres que vamos retirar o joio?’  Não!’, disse ele. ‘Pode acontecer que, ao retirar o joio, arranqueis também o trigo. Deixai crescer um e outro até a colheita. No momento da colheita, direi aos que cortam o trigo: retirai primeiro o joio e amarrai-o em feixes para ser queimado! O trigo, porém, guardai-o no meu celeiro!’». Jesus apresentou-lhes outra parábola ainda: “O Reino dos Céus é como um grão de mostarda que alguém pegou e semeou no seu campo. Embora seja a menor de todas as sementes, quando cresce, fica maior que as outras hortaliças e torna-se um arbusto, a tal ponto que os pássaros do céu vêm fazer ninhos em seus ramos». E contou-lhes mais uma parábola: “O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pegou e escondeu em três porções de farinha, até que tudo ficasse fermentado». Jesus falava tudo isso em parábolas às multidões. Nada lhes falava sem usar de parábolas, para se cumprir o que foi dito pelo profeta: ‘Abrirei a boca para falar em parábolas; vou proclamar coisas escondidas desde a criação do mundo’». Então Jesus deixou as multidões e foi para casa. Seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: “Explica-nos a parábola do joio!». Ele respondeu: «Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem. O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno. O inimigo que semeou o joio é o diabo. A colheita é o fim dos tempos. Os que cortam o trigo são os anjos. Como o joio é retirado e queimado no fogo, assim também acontecerá no fim dos tempos: o Filho do Homem enviará seus anjos e eles retirarão do seu Reino toda causa de pecado e os que praticam o mal; depois, serão jogados na fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes. Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça».

«Foi algum inimigo que fez isso»

P. Ramón LOYOLA Paternina LC (Barcelona, Espanha)

Hoje Cristo. Sempre, Cristo. Dele viemos; de Ele vêm todas as boas sementes semeadas na nossa vida. Deus visita-nos — como diz o Kempis — com a consolação e a desolação, com o sabor doce e o amargo, com a flor e a espinha, com o frio e o calor, com a beleza e o sofrimento, com a alegria e a tristeza, com o valor e com o medo... Porque tudo foi redimido em Cristo (Ele também teve medo e venceu-o). Como nos diz são Paulo, «que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus» (Rm 8,28).

Tudo isto está bem, mas... Existe um mistério de iniquidade que não procede de Deus e que nos excede e que devasta o jardim de Deus que é a Igreja. E quiséramos que Deus fosse “como” mais poderoso, que estivesse mais presente, que mandasse mais e não deixasse atuar essas forças desoladoras: «Queres que vamos retirar o joio? (Mt 13,28). Isto dizia o Papa João Paulo II no seu último livro Memória e identidade: «Sofremos com paciência a misericórdia de Deus», que espera até ao último momento para oferecer a salvação a todas as almas, especialmente às mais necessitadas da sua misericórdia («Deixai crescer um e outro até a colheita» (Mt 13,30). Como é o Senhor da vida de cada pessoa e da história da humanidade, move os fios de nossas existências, respeitando nossa liberdade, de modo que — junto com a prova — dá-nos a graça sobre abundante para resistir, para santificar-nos, para ir até Ele, para ser oferenda permanente, para fazer crescer o Reino.

Cristo divino pedagogo, introduze-nos na sua escola de vida a través de cada encontro, cada acontecimento. Sai a nosso encontro; diz-nos — Não temais. Coragem. Eu venci o mundo. Eu estou convosco todos os dias, até o fim (cfr. Jo 16,33; Mt 28,20). Diz-nos também: Não julgueis; ou melhor —como eu— esperai, confiai, rezai pelos que se equivocam, santificai-os com membros que vos interessam muito por ser do vosso próprio corpo.

Por que Deus permite tanto joio-tanto mal- no campo do mundo?

Pe. Antônio Rivero, L.C.

A essa pergunta nos responde a primeira leitura de hoje: “Ao pecador lhe dás tempo para que se arrependa”. E para isso, Deus nos manda o seu Espírito que nos ajuda na nossa debilidade (segunda leitura). Aliás, Deus é clemente e misericordioso (Salmo). Mas também temos que colocar a nossa parte: vigilância, porque o inimigo da nossa alma não dorme e quer semear o seu joio nos momentos de sonolência e distração da nossa parte (evangelho).

Em primeiro lugar, é um fato que Deus dia e noite semeia no nosso coração excelente semente de bondade, verdade, beleza, honestidade, justiça, pureza, caridade. E faz isso só ao entrarmos com a alma aberta em oração e abrirmos a Bíblia, ou só ao irmos à missa e participarmos consciente e fervorosamente da mesa da Palavra e da Eucaristia, ou quando escutamos atentamente uma homilia ou assistimos com prazer um retiro, ou estamos sentados conversando com bons amigos, ou no meio de um contratempo ou doença. Deus nunca dorme.

Em segundo lugar, mas também é um fato que o inimigo da nossa alma, o diabo, também não dorme, e nos espia e nos rodeia como um leão a rugir, buscando quem devorar. Ele não quer destruir a boa semente de Deus, mas quer semear o seu joio para ele cresça e se confunda com a semente boa, e inclusive quer conquistar essa boa semente e convertê-la em joio. E tudo com um único objetivo: perder a nossa alma. Não quer que o bom trigo de Deus se expanda pelos cantinhos deste mundo, das famílias, dos corações. Quer semear o joio do ódio, da divisão, da insensibilidade e da indiferença diante de tanta pobreza e miséria de muitos de nossos irmãos. E quer semeá-la no campo da medicina com esses métodos anticonceptivos e abortivos; no recinto sagrado do matrimônio semeando a ideologia de gênero e aplaudindo a legalização das uniões de pessoas do mesmo sexo; no campo da cultura, inoculando o liberalismo e a ditadura do relativismo; até mesmo já entrou na Igreja santa de Cristo e semeou e provocou durante séculos e séculos heresias e cismas e escândalos.

Finalmente, qual é a relação de Deus diante da ação do inimigo? Ele poderia perfeitamente arrancar de uma vez o joio e tampar a boca de Satanás, e estava acabado, pois para isso é onipotente. Mas não Ele não faz isso. Alguma razão terá no seu coração; sim, o seu amor misericordioso. Por uma parte, tem paciência e misericórdia e espera que algum dia esse joio se converta em bom trigo, pois Ele não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva. Por outra parte, também quer que o bom trigo faça sem parar e com consciência o seu trabalho de fermento e seja provado diante do joio, para que assim se fortaleça e cresça mais firme e convencido. Deus nos quer livres e respeita a nossa liberdade.

Para refletir: olhando o meu coração, o que abunda: boa semente ou joio? Se existe mais, boa semente, o que faço para fazê-la crescer, molhá-la, adubá-la, derramá-la por onde for com a ajuda de Deus e do seu Espírito? E se existe joio, o que estou esperando para ir convertendo-o em boa semente, desde a oração e os sacramentos?

Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail: arivero@legionaries.org

sexta-feira, 21 de julho de 2017

22 de julho: Santa Maria Madalena, igual aos Apóstolos.

Sta Maria Madalena
Igual aos Apóstolos
Evangelho (Jo 20,1-2.11-18): No primeiro dia da semana, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, Maria Madalena foi ao túmulo e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo. Ela saiu correndo e foi se encontrar com Simão Pedro e com o outro discípulo, aquele que Jesus mais amava. Disse-lhes: «Tiraram o Senhor do túmulo e não sabemos onde o colocaram». Maria tinha ficado perto do túmulo, do lado de fora, chorando. Enquanto chorava, inclinou-se para olhar dentro do túmulo. Ela enxergou dois anjos, vestidos de branco, sentados onde tinha sido posto o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. Os anjos perguntaram: «Mulher, por que choras». Ela respondeu: «Levaram o meu Senhor e não sei onde o colocaram». Dizendo isto, Maria virou-se para trás e enxergou Jesus, de pé, mas ela não sabia que era Jesus. Jesus perguntou-lhe: «Mulher, por que choras? Quem procuras?». Pensando que fosse o jardineiro, ela disse: «Senhor, se foste tu que o levaste, dize-me onde o colocaste, e eu irei buscá-lo». Então, Jesus falou: «Maria!». Ela voltou-se e exclamou, em hebraico: «Rabûni!» (que quer dizer: Mestre). Jesus disse: «Não me segures, pois ainda não subi para junto do Pai. Mas vai dizer aos meus irmãos: subo para junto do meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus». Então, Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: «Eu vi o Senhor», e contou o que ele lhe tinha dito.

«Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Eu vi o Senhor”»

Rev. D. Antoni CAROL i Hostench (Sant Cugat del Vallès, Barcelona, Espanha)

Hoje, celebramos com satisfação a santa Maria Madalena. Com satisfação e benefício para nossa fé! Porque seu caminho poderia muito bem ser o nosso. A Madalena vinha de longe (cf. Lc 7,36-50) e chegou muito longe... , no amanhecer da Ressurreição, Maria buscou Jesus, encontrou Jesus ressuscitado e chegou ao Pai de Jesus, o “Pai nosso”. Aquela manhã, Jesus Cristo descobriu o mais valioso da nossa fé: que ela também era filha de Deus.

No itinerário de Maria de Magdala descobrimos alguns aspectos importantes da fé. Em primeiro lugar, admiramos sua valentia. A fé, mesmo sendo um dom de Deus, requer coragem por parte do crente. O natural em nós é a tendência ao visível, ao que se pode agarrar com a mão. Pois Deus é essencialmente invisível, fé «sempre tem algo de ruptura arriscada e de salto, porque implica a ousadia de ver o autenticamente real naquilo que não se vê» (Bento XVI). Maria vendo a Cristo ressuscitado também “vê” também ao Padre, ao Senhor.

Por outro lado, ao “salto da fé” «se chega pelo que a Bíblia chama conversão ou arrependimento: só quem muda recebe» (Papa Bento). Não foi este o primeiro passo de Maria? Não há de ser este também um passo reiterado em nossas vidas?

Na conversão de Madalena houve muito amor: ela não economizou em perfumes para seu Amor. O amor: hei aqui outro “veículo” da fé, porque nem escutamos, nem vemos, nem cremos a quem não amamos. No Evangelho de são João aparece claramente que «crer é escutar e, ao mesmo tempo, ver (…)». Naquele amanhecer, Maria Madalena arrisca por seu Amor, ouve ao seu Amor (basta-lhe escutar «Maria» para reconhecer) e conhecer ao Pai. «De manhã de Páscoa (…), a Maria Madalena que vê a Jesus, pede-se que o contemple em seu caminho ao Pai, até chegar à plena confissão: ‘Tenho visto ao Senhor’ (Jn 20,18)» (Papa Francisco).

«Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: Eu vi o Senhor»

Rev. D. Albert SOLS i Lúcia (Barcelona, Espanha)

Hoje, celebramos a festa de Santa Maria Madalena. Costuma ser próprio da juventude apaixonar-se loucamente por um filme, chegando a identificar-se pessoalmente com algum dos protagonistas. Nesse sentido, nós, os cristãos, deveríamos ser sempre jovens perante a vida de Jesus de Nazaré e identificar-nos com essa grande mulher de que fala o Evangelho, Maria Madalena. Ela seguiu os passos de Jesus, escutou a Sua Palavra. Cristo soube corresponder e concedeu-lhe o histórico privilégio de ser a primeira pessoa a quem foi comunicada a ressurreição.

Diz o evangelista que, ao princípio, ela não O reconheceu, confundiu-o com um camponês daquele lugar. Mas quando o Senhor a chamou pelo seu nome «Maria», talvez pela maneira peculiar como o disse, então esta santa mulher não duvidou nem um instante: «Ela voltou-se e exclamou, em hebraico: «Rabûní! —que quer dizer: “Mestre”—» (Jo, 20,16). Depois do seu encontro com Jesus, ela foi a primeira que correu a anunciar aos outros discípulos: «Então, Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Eu vi o Senhor”, e contou o que Ele lhe tinha dito» (Jo, 20,18).

O cristão que, no seu programa diário de vida, cultiva a intimidade com Cristo, na Eucaristia, fazendo um tempo de oração contemplativa e cuidando a leitura assídua do Evangelho de Jesus, também terá o privilégio de escutar o chamamento pessoal do Senhor. É o próprio Cristo que nos chama pessoalmente, pelo nosso nome, e nos anima a seguir o caminho firme da santidade.

«A oração é conversação e diálogo com Deus: contemplação para os que se distraem certeza das coisas que se esperam, igualdade de condição e de honra com os anjos, progresso e incremento dos bens, emenda dos pecados, remédio para os males, fruto dos bens presentes, garantia dos bens futuros» (S. Gregório de Nissa).

Digamos ao Senhor: Jesus, que a minha amizade contigo seja tão forte e tão profunda que, como Maria Madalena, eu seja capaz de Te reconhecer na minha vida.

Reflexão de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* O evangelho de hoje traz a aparição de Jesus a Maria Madalena, cuja festa hoje celebramos. A morte de Jesus, seu grande amigo, trouxe para ela uma perda do sentido da vida. Mas ela não desistiu da busca. Foi ao sepulcro para reencontrar aquele que a morte lhe havia roubado. Há momentos na vida em que tudo desmorona. Parece que tudo acabou. Morte, desastre, doença, decepção, traição! Tantas coisas que podem tirar o chão debaixo dos nossos pés e jogar-nos numa crise profunda. Mas também acontece o seguinte. Como que de repente, o reencontro com uma pessoa amiga pode refazer a vida e nos fazer redescobrir que o amor é mais forte do que a morte e a derrota. Na maneira de descrever a aparição de Jesus a Maria Madalena transparecem as etapas da travessia que ela teve de fazer, desde a busca dolorosa do falecido amigo até o reencontro com o ressuscitado. Estas são também as etapas pelas quais passamos todos nós, ao longo da vida, na busca em direção a Deus e na vivência do Evangelho. É o processo de morte e ressurreição que se prolonga no dia-a-dia da vida.

* João 20,1: Maria Madalena vai ao sepulcro
Havia um amor muito grande entre Jesus e Maria Madalena. Ela foi uma das poucas pessoas que tiveram a coragem de ficar com Jesus até a hora da sua morte na cruz. Depois do repouso obrigatório do sábado, ela voltou ao sepulcro para estar no lugar onde tinha encontrado o Amado pela última vez. Mas, para a sua surpresa, o sepulcro estava vazio!

* João 20,11-13: Maria Madalena chora, mas busca. 
Chorando, Maria Madalena inclinou-se e olhou para dentro do túmulo, onde viu dois anjos vestidos de branco, sentados no lugar onde o corpo de Jesus tinha sido colocado, um na cabeceira e outro nos pés. Os anjos perguntam: "Por que você chora?" Resposta: "Levaram meu senhor e não sei onde o colocaram!" Maria Madalena busca o Jesus que ela tinha conhecido, o mesmo com quem tinha convivido durante três anos.

* João 20,14-15: Maria Madalena conversa com Jesus sem reconhecê-lo.
Os discípulos de Emaús viram Jesus mas não o reconheceram (Lc 24,15-16). O mesmo acontece com Maria Madalena. Ela vê Jesus, mas não o reconhece. Pensa que é o jardineiro. Como os anjos, Jesus também pergunta: "Por que você chora?" E acrescenta: "A quem está procurando?" Resposta: "Se foi você que o levou, diga-me, que eu vou buscá-lo!" Ela ainda busca o Jesus do passado, o mesmo de três dias atrás. A imagem de Jesus do passado impede que ela reconheça o Jesus vivo, presente na frente dela.

* João 20,16: Maria Madalena reconhece Jesus.
Jesus pronuncia o nome: "Maria!" (Miriam) Foi o sinal de reconhecimento: a mesma voz, o mesmo jeito de pronunciar o nome. Ela responde: "Mestre!" (Rabôni) Jesus tinha voltado. A primeira impressão é de que a morte foi apenas um incidente doloroso de percurso, mas que agora tudo tinha voltado a ser como antes. Maria abraça Jesus com força. Era o mesmo Jesus que tinha morrido na cruz, o mesmo que ela tinha conhecido e amado. Aqui se realiza o que Jesus disse na parábola do Bom Pastor: "Ele as chama pelo nome e elas conhecem a sua voz". - "Eu conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem" (Jo 10,3.4.14).

* João 20,17: Maria Madalena recebe a missão de anunciar a ressurreição aos apóstolos.
De fato, é o mesmo Jesus, mas a maneira de ele estar junto dela já não é mais a mesma. Jesus lhe diz: "Não me segure, porque anda não subi para o Pai!" Jesus vai para junto do Pai. Maria Madalena deve soltá-lo e assumir sua missão: “Vá dizer aos meus irmãos que subo para junto do meu Pai, que é Pai de vocês, do meu Deus, que é o Deus de vocês”. Chama os discípulos de “meus irmãos”. Subindo para o Pai, Jesus abriu o caminho para nós e fez com que Deus ficasse, de novo, perto de nós. “Quero que eles estejam comigo onde eu estiver” (Jo 17,24; 14,3).

* João 20,18: A dignidade e missão de Madalena e das Mulheres
Maria Madalena é citada como discípula de Jesus (Lc 8,1-2); como testemunha da sua crucifixão (Mc 15,40-41; Mt 27,55-56; Jo 19,25), do seu sepultamento (Mc 15,47; Lc 23,55; Mt 27,61), e da sua ressurreição (Mc 16,1-8; Mt 28,1-10; Lc 24,1-10; Jo 20,1.11-18). E agora ela recebe a ordem, a ordenação, de ir aos Doze e anunciar a eles que Jesus está vivo. Sem esta Boa Nova da Ressurreição, as sete lâmpadas dos sacramentos se apagariam (Mt 28,10; Jo 20,17-18).

Para um confronto pessoal
1) Você já passou por uma experiência que lhe deu esse sentimento de perda e de morte? O que foi que lhe trouxe vida nova e lhe devolveu a esperança e a alegria de viver?
2) Maria Madalena buscava Jesus de um jeito e o reencontrou de outro jeito. Como isto acontece hoje na nossa vida?

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Sexta-feira da 15ª semana do Tempo Comum

São Lourenço de Bríndisi
Presbítero e Doutor
Evangelho (Mt 12,1-8): Naquele tempo, num dia de sábado, Jesus passou pelas plantações de trigo. Seus discípulos estavam com fome e começaram a arrancar espigas para comer. Vendo isso, os fariseus disseram-lhe: «Olha, os teus discípulos fazem o que não é permitido fazer em dia de sábado!». Jesus respondeu: «Nunca lestes o que fez Davi, quando ele teve fome e seus companheiros também? Ele entrou na casa de Deus e todos comeram os pães da oferenda, que nem a ele, nem aos seus companheiros era permitido comer, mas unicamente aos sacerdotes? Ou nunca lestes na Lei, que em dia de sábado, no templo, os sacerdotes violam o sábado e não são culpados? Ora, eu vos digo: aqui está quem é maior do que o templo. Se tivésseis chegado a compreender o que significa, ‘Misericórdia eu quero, não sacrifícios’, não condenaríeis inocentes. De fato, o Filho do Homem é Senhor do sábado».

«Misericórdia eu quero, não sacrifícios»

Rev. D. Josep RIBOT i Margarit (Tarragona, Espanha)

Hoje, o Senhor se aproxima do campo cultivado da sua vida, para recolher frutos de sua santidade. Encontrará caridade, amor a Deus e aos demais? Jesus, que corrige a casuística meticulosa dos rabinos que tornava insuportável a lei do descanso sabático, por acaso terá que lhe lembrar que a ele só interessa o seu coração, a sua capacidade de amar?

«Olha, os teus discípulos fazem o que não é permitido fazer em dia de sábado!» (Mt 12,2). Disseram-Lhe isto convencido, isso é o que é incrível. Como proibir alguém de fazer o bem sempre? Alguma coisa deve-lhe lembrar que nada o desculpa de não ajudar aos demais. A caridade verdadeira respeita as exigências da justiça, evitando a arbitrariedade ou o capricho, mas impede o rigorismo, que mata o espírito da lei de Deus, que é um convite contínuo a amar, a dar-se aos demais.

«Misericórdia eu quero, não sacrifícios» (Mt 12,7). Repete-o muitas vezes, para gravá-lo em teu coração: Deus, rico em misericórdia, nos quer misericordiosos. «Que próximo Deus está de quem confessa sua misericórdia! Sim, Deus não anda longe dos contritos de coração» (Santo Agostinho). E quão longe estamos de Deus quando permitimos que o nosso coração se endureça como uma pedra!

Jesus Cristo acusou os fariseus de condenar os inocentes. Grave acusação. E você? Você se interessa de verdade pelas coisas dos demais? Os julga com carinho, com simpatia, como quem julga a um amigo ou a um irmão? Procure não perder o norte da sua vida.

Peça à Virgem que o faça misericordioso, que saiba perdoar. Seja benévolo. E se descobre na sua vida algum detalhe que destoe dessa disposição de fundo, agora é um bom momento para retificar, formulando algum propósito eficaz.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* No evangelho de hoje veremos de perto um dos muitos conflitos entre Jesus e as autoridades religiosas da época. São conflitos em torno das práticas religiosas daquele tempo: jejum, pureza, observância do sábado, etc. Colocados em termos de hoje seriam conflitos como, por exemplo, casamento de pessoas divorciadas, amizade com prostitutas, acolher os homossexuais, comungar sem estar casado na igreja, faltar à missa no domingo, não fazer jejum na Sexta-feira Santa. São muitos os conflitos: em casa, na escola, no trabalho, na comunidade, na igreja, na vida pessoal, na sociedade. Conflitos de crescimento, de relacionamento, de idade, de mentalidade. Tantos! Viver a vida sem conflito é impossível. O conflito faz parte da vida e já aparece no nosso próprio nascimento. Nascemos com dor de parto. Os conflitos não são acidentes na estrada, mas são parte integrante do caminho, do processo de conversão. O que chama atenção é a maneira como Jesus enfrenta os conflitos. Na discussão com os adversários, não se tratava de ele obter razão contra eles, mas sim de fazer prevalecer a experiência que ele, Jesus, tinha de Deus como Pai e Mãe. A imagem de Deus dos outros era a de um juiz severo que só ameaçava e condenava. Jesus procurava fazer prevalecer a misericórdia sobre a observância cega de normas e de leis que não tinham mais nada a ver com o objetivo da Lei que é a prática do amor.

*  Mateus 12,1-2: Colher trigo em dia de sábado e a crítica dos fariseus
Num dia de sábado, os discípulos passavam pelas plantações e abriam caminho arrancando espigas para come-las. Estavam com fome. Os fariseus chegam e invocam a Bíblia para dizer que os discípulos estão cometendo uma transgressão da lei do Sábado (cf Ex 20,8-11). Jesus também usa a Bíblia e responde evocando três exemplos tirados da Escritura: (1) de Davi, (2) da legislação sobre o trabalho dos sacerdotes no templo e (3) da ação do profeta Oséias, ou seja, ele cita um livro histórico, um livro legislativo e um livro profético.

*  Mateus 12,3-4: O exemplo de Davi
Jesus lembra que o próprio Davi também fez uma coisa proibida pela lei, pois tirou os pães sagrados do templo e os deu de comer aos soldados que estavam com fome (1 Sm 21,2-7). Nenhum fariseu teria coragem de criticar o rei Davi!

*  Mateus 12,5-6: O exemplo dos sacerdotes
Acusado pelas autoridades religiosas, Jesus argumenta a partir do que elas mesmas, as próprias autoridades religiosas, fazem em dia de sábado. No templo de Jerusalém, em dia de sábado, os sacerdotes trabalham muito mais do que nos dias de semana, pois devem sacrificar os animais para os sacrifícios, devem limpar, varrer, carregar peso, degolar os animais etc. E ninguém dizia que era contra a lei, pois achavam normal. A própria lei os obrigava a fazer isto (Nm 28,9-10).

*  Mateus 12,7: O exemplo do profeta
Jesus cita a frase do profeta Oséias: Quero misericórdia e não sacrifício. A palavra misericórdia significa ter o coração (cor) na miséria (miseri) dos outros, ou seja, a pessoa misericordiosa deve estar bem perto do sofrimento das pessoas, deve identificar-se com elas. A palavra sacrifício significa fazer (fício) com que uma coisa fique consagrada (sacri), ou seja, quem oferece um sacrifício separa o objeto sacrificado do uso profano e o distancia da vida diária do povo. Se os fariseus tivessem em si este olhar do profeta Oséias, saberiam que o sacrifício mais agradável a Deus não a pessoa consagrada viver distanciada da realidade, mas sim ela colocar o coração inteiramente consagrado para aliviar a miséria dos irmãos e das irmãs. Eles não teriam condenado como culpados os que, na realidade eram inocentes.

*  Mateus 12,8: O Filho do Homem é dono do sábado
Jesus termina com esta frase: o Filho do Homem é dono até do sábado! Jesus, ele mesmo, é o critério da interpretação da Lei de Deus.Jesus conhecia a Bíblia de cor e salteado, e a invocava para mostrar que os argumentos dos outros não tinham fundamento. Naquele tempo, não havia Bíblias impressas como temos hoje em dia. Em cada comunidade só havia uma única Bíblia, escrita a mão, que ficava na sinagoga. Se Jesus conhecia tão bem a Bíblia, é sinal de que ele, durante os trinta anos de vida em Nazaré, deve ter participado intensamente da vida da comunidade, onde todo sábado se liam as escrituras. A nova experiência de Deus como Pai fazia com que Jesus chegasse a descobrir melhor qual tinha sido a intenção de Deus ao decretar as leis do Antigo Testamento. Convivendo com o povo da Galiléia durante trinta anos em Nazaré e sentindo na pele a opressão e a exclusão de tantos irmãos e irmãs em nome da Lei de Deus, Jesus deve ter percebido que isto não podia ser o sentido daquelas leis. Se Deus é Pai, então ele acolhe a todos como filhos e filhas. Se Deus é Pai, então nós temos que ser irmãos e irmãs uns dos outros. Foi o que Jesus viveu e pregou, desde o começo até o fim. A Lei deve estar a serviço da vida e da fraternidade. “O ser humano não foi feito para o sábado, mas o sábado para o ser humano” (Mc 2,27). Foi por causa da sua fidelidade a esta mensagem que Jesus foi preso e condenado à morte. Ele incomodou o sistema, e o sistema se defendeu, usando a força contra Jesus, pois ele queria a Lei a serviço da vida, e não vice-versa. Ainda falta muito para nós termos a mesma familiaridade com a Bíblia e a mesma participação na comunidade como Jesus.

Para um confronto pessoal
1. Que tipo de conflitos você vive na família, na sociedade e na igreja? Quais os conflitos em torno de práticas religiosas que, hoje, trazem sofrimento para as pessoas e são motivo de muita discussão e polêmica? Qual a imagem de Deus que está por trás de todos estes preconceitos, normas e proibições?
2. O que o conflito já ensinou a você nestes anos todos?  Qual a mensagem que você tira de tudo isto para as nossas comunidades de hoje?

quarta-feira, 19 de julho de 2017

20 de julho

Solenidade de Santo Elias Profeta,
PAI E INSPIRADOR DA NOSSA ORDEM.

INVITATÓRIO
R: Vinde, adoremos o Deus vivo, que nos fala por meio dos profetas!

LAUDES
Hino
Justo é, hoje, elevarmos às alturas
nossa mente e o Carmelo contemplar.
Com vibrante voz, louvar o grande Elias
e os seus méritos e glória anunciar.

Do Carmelo, é ele a honra e o ornamento,
é o Guia que a grei santa defendeu;
por seus membros, do Oriente ao Ocidente,
pelo mundo inteiro, a Ordem se estendeu.

Quando a fome castigava toda a terra,
ao profeta, vem um corvo alimentar.
e à viúva, que solícita o acolhe,
a farinha e o óleo faz multiplicar.

Por suas preces dirigidas a Javé,
ao menino, que a morte arrebatou,
dá o alento e, à viúva, sua mãe,
redivivo, são e forte lhe entregou.

Fecha as nuvens; torna a abri-las, seu poder,
ordenando, após triênio prolongado,
que, de novo, venha a chuva, lá do céu,
irrigar o solo e o torne fecundado.

Glória seja dada ao Pai, o Deus altíssimo,
e a seu Filho unigênito também;
como ao Espírito Divino, que é o Paráclito,
o louvor, o império, agora e sempre.  Amém.

Ant.1 – Vive o Senhor em cuja presença estou.

Salmos e cântico do I Domingo

Ant.2 – Sai e fica na montanha diante do Senhor”. E eis que o Senhor passa.

Ant.3 – Eu me consumo de ardente zelo pelo Senhor Deus dos Exércitos.

Leitura breve: 2Pd 1, 19-21
Assim se nos tornou ainda mais firme a palavra da profecia, que fazeis bem em ter diante dos olhos, como lâmpada que brilha em lugar escuro, até clarear o dia e levantar-se a estrela da manhã em vossos corações.  Pois deveis saber, antes de tudo, que nenhuma profecia da Escritura é objeto de interpretação pessoal, visto que jamais uma profecia foi proferida por vontade humana.  Mas foi sob o impulso do Espírito Santo que homens falaram da parte de Deus.

Responsório breve
R. Serei saciado, Senhor,
* Quando aparecer a vossa glória.  R. Serei.
V. Eu, porém, pela justiça contemplarei a vossa face.
* Quando.  Glória ao Pai.  R. Serei.

Cântico Evangélico
Ant. Senhor, Deus de Abraão, de Isaac e de Israel, saiba-se hoje que tu és Deus em Israel, e que eu sou teu servo!
                           
Preces
Supliquemos humildemente a Deus, nosso Pai, que outrora falou por meio dos profetas e hoje nos fala pelo Filho, por meio do qual deseja unir a si todos os homens, dizendo-lhe:

R. Senhor, atraí-nos a vós!

Senhor, que vos revelastes ao profeta Elias no silêncio e na solidão,
- concedei-nos que, desapegados de tudo o que nos impede de ouvir a vossa voz, sempre vos procuremos e encontremos.  R.

Senhor, que destes a Elias sedento a água restauradora da torrente do Carit,
- concedei que bebamos nas fontes vivas da caridade da contemplação. R.

Senhor, que sustentastes com vossa força o profeta Elias na caminhada para o monte Horeb,
- concedei que caminhemos incessantemente ao vosso encontro, sustentados pelo Corpo e Sangue de Cristo. R.

Senhor, que vos revelastes a Elias no sopro de uma brisa ligeira,
- concedei que, no silêncio, atentos e com pronta docilidade, saibamos perceber cada inspiração do Espírito Santo. R.

Senhor, que suscitastes Elias como fogo e o inflamastes de zelo pela vossa glória,
- concedei que, inflamados no vosso amor, sirvamos hoje à Igreja e aos irmãos, com generosa solicitude. R.
(intenções livres)

Pai nosso...

Oração
Deus eterno e todo-poderoso, que concedestes ao vosso profeta Elias, nosso Pai, viver na vossa presença e inflamar-se de zelo pela vossa glória, concedei-nos que, procurando sempre a vossa presença, nos tornemos no mundo testemunhas do vosso amor. PNSJC.

II VÉSPERAS
Hino
Louvemos o nosso Deus
- pois louvá-lo é nosso ofício
é a hora do Sacrifício,
que sobe aos céus.

Sacrifício de Jesus
e da dolorosa Mãe:
dele a salvação nos vem.
Bendita Cruz!

Sob o azul dos mesmos céus,
o sacrifício de Elias
clama ainda em nossos dias:
“Existe Deus! ”

Esta hora é, para nós
também, a do sacrifício,
que torna Deus propício
à nossa voz.

Em chamas de piedade,
à nossa ardente prece,
do céu o fogo desce
à humanidade.

Com o Céu, ó Deus de Amor
contemplamos tua glória,
proclamamos que a vitória
é do Senhor.

Ant.1 – Agora estou vendo que és um homem de Deus e que a Palavra do Senhor está na tua boca.

Salmos e Cântico do Comum dos Santos Homens

Ant.2 – Disse o Senhor a Elias: “Vá e se apresente a Acab, pois vou mandar a chuva sobre a terra.

Ant.3 – Elias subiu ao céu num redemoinho; e Eliseu não o viu mais.

Leitura breve: Hb 11,33-43c.17b-38
Pela fé os profetas subjugaram reinos, implantaram a justiça, conquistaram os bens prometidos, fecharam a boca dos leões, apagaram a violência do fogo, escaparam ao fio da espada e recobraram a força depois da doença; andaram errantes, vestidos de lãs de ovelhas e pele de cabras, indigentes, oprimidos e maltratados; vagaram por desertos e montanhas, refugiaram-se em cavernas e covas da terra.  O mundo não era digno deles!

Responsório breve.
R. Felizes * os que te viram!  R. Felizes.
V. E foram honrados com a tua amizade. * Os que te viram!
Glória ao Pai.  R. Felizes.

Cântico Evangélico
Ant. Vou mandar-vos o profeta Elias antes de chegar o Dia do Senhor, dia grande e terrível.  Há de reconciliar o coração dos pais com os filhos e o coração dos filhos com os pais.

Preces
Aclamemos o Deus Vivo e Verdadeiro que escolheu o Profeta Elias como arauto de sua onipotência e da sua misericórdia; e peçamos-lhe com fé, dizendo:

R. Senhor, fazei-nos testemunhas do vosso amor.

Vós, que estivestes presente ao Sacrifício de Elias e o consumistes com o fogo do céu,
- dignai-vos aceitar o nosso sacrifício vespertino de louvor em benefício da Igreja. R.

Vós que enviastes uma chuva salutar, em atenção às preces do nosso Pai Elias no Monte Carmelo,
- infundi em nós, que fomos chamados ao Carmelo, o espírito de oração, para que possamos atrair sobre o mundo as chuvas da vossa graça. R.

Vós, que estabelecestes o Profeta Elias ministro da reconciliação dos pais com os filhos,
- fazei-nos construtores da paz, para que a paz, que vem do vosso Cristo, reine ente os seres humanos. R.

Vós, que elegestes o Profeta Elias para defender a vossa justiça e o vosso culto,
- fazei crescer em nós a fome e sede de justiça, para que, restituindo-vos fielmente o que vos pertence, sirvamos aos irmãos com verdadeiro espírito evangélico.        R.

(intenções livres)

Vós que, no meio de um turbilhão de fogo, arrebatastes para junto de vós o nosso pai, o Profeta Elias,
- acolhei benignamente no Reino da vossa Glória os nossos irmãos e irmãs carmelitas já falecidos. R.

Pai nosso...

Oração
Deus eterno e todo-poderoso, que concedestes ao vosso profeta Elias, nosso Pai, viver na vossa presença e inflamar-se de zelo pela vossa glória, concedei-nos que, procurando sempre a vossa presença, nos tornemos no mundo testemunhas do vosso amor. PNSJC.


20 de julho - SOLENIDADE DE NOSSO PAI SANTO ELIAS PROFETA


ORAÇÃO:
Deus Todo-Poderoso e eterno, que concedeste a teu profeta Elias, nosso Pai, viver em tua presença e arder pelo zelo de tua glória, concede-nos buscar sempre teu rosto e ser no mundo testemunhas de teu amor. Amém.

MEDITAÇÃO:
Evangelho (Mt 11,28-30): Naquele tempo, disse Jesus, «vinde a mim, todos vós que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e sede discípulos meus, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vós. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve».

«Vinde a mim, todos vós que estais cansados (…) e encontrareis descanso para vós»

P. Julio César RAMOS González SDB (Mendoza, Argentina)

Hoje, diante um mundo que decidiu lhe dar as costas a Deus, diante um mundo hostil ao cristão e aos cristãos, escutar de Jesus (que é quem nos fala na liturgia ou na leitura pessoal da Palavra), provoca consolo, alegria e esperanças no meio das lutas quotidianas: «Vinde a mim, todos vós que estais cansados (…) e encontrareis descanso para vós» (Mt 11,28).

Consolo, porque estas palavras contem a promessa do alívio que provem do amor de Deus. Alegria, porque fazem que o coração manifeste na vida, a segurança na fé dessa promessa. Esperanças, porque caminhando, num mundo assim de definido contra Deus e nós os que acreditamos em Cristo sabemos que não tudo acaba com um fim, senão que muitos “fins” foram “inícios” de coisas muito melhores, como o mostrou sua própria ressurreição.

Nosso fim, para começo de novidades no amor de Deus, é estar sempre com Cristo. Nossa meta é ir indefectivelmente ao amor de Cristo, “jugo” de uma lei que não se baseia na limitada capacidade dos voluntarismos humanos, senão na eterna vontade salvadora de Deus.

Nesse sentido nos dirá Bento XVI numa de suas Catequeses: «Deus tem uma vontade com e para conosco e, esta deve se converter no que queremos e somos. A essência do céu estriba em que se cumpra sem reservas a vontade de Deus, ou para di-lo em outros termos, onde se cumpre a vontade de Deus há céu. Jesus mesmo é “céu” no sentido mais profundo e verdadeiro da palavra, Nele em quem e através de quem se cumpre totalmente a vontade de Deus. Nossa vontade nos afasta da vontade de Deus e nos transforma em mera “terra”. Mas Ele nos aceita, nos atrai para Si e, em comunhão com Ele, aprendemos a vontade de Deus». Que assim seja, então.

«Vinde a mim, todos vós que estais cansados»

Ir. Lluís SERRA i Llançana (Roma, Itália)

Hoje, as palavras de Jesus ressoam íntimas e próximas. Somos conscientes que o homem e a mulher contemporâneos sofrem uma enorme pressão psicológica. O mundo gira e dá voltas de tal maneira que não temos tempo, nem paz interior suficientes para assimilar estas mudanças. Afastamo-nos frequentemente da simplicidade evangélica e, estamos carregados de normas, compromissos, planejamentos e objetivos. Sentimo-nos abrumados e cansados de lutar sem perceber resultados convincentes. As pesquisas recentes afirmam que a depressão aumenta. O que nos falta para estarmos bem?

Hoje à luz do Evangelho, podemos revisar qual é nossa concepção de Deus. Como vivo e sinto a Deus no meu interior? Que sentimentos me provocam sua presença na minha vida? Jesus oferece sua compreensão quando sentimos o cansaço e temos vontade de repousar: «Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei». (Mt 11,28). Talvez temos lutado para ser perfeitos e no fundo a única coisa que queremos é sentir-nos amados. Em suas palavras encontramos resposta a nossa crise de sentido. Nosso ego joga-nos maus momentos e não nos permite ser tão bons como quiséssemos. Não vemos talvez a luz em determinadas épocas. Santa Juliana de Norwich, mística inglesa do século XIV, entendeu a mensagem de Jesus e escreveu: «Tudo irá bem, todas as coisas irão bem».

A proposta de Jesus —«aprendei de mim» (Mt 11,29)— implica seguir seu estilo de benevolência (querer o bem para todos) e de humildade de coração (virtude que faz referência a tocar de pés a terra e, a que só a Graça Divina nos pode fazer levantar o voo). Ser discípulo exige aceitar o jugo de Jesus, lembrando que seu jugo é «suave» e seu peso é «leve». Mas eu não sei se estamos convencidos que isso é assim. Viver como pessoa cristã em nosso contexto não é fácil, pois optamos por valores contra a corrente. Não se deixar levar pelo dinheiro, pelo prestígio ou pelo poder exige um esforço. Se o queremos fazer sozinhos, se transformará em uma empresa impossível. Com Jesus tudo é possível e suave.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* O evangelho de hoje tem apenas três versículos (Mt 11,28-30) que fazem parte de uma pequena unidade literária, uma das mais bonitas, na qual Jesus agradece ao Pai por ele revelar a sabedoria do Reino aos pequenos e por escondê-la aos doutores e entendidos (Mt 11,25-30). No breve comentário que segue incluiremos toda a pequena unidade literária.

* Mateus 11,25-26: Só os pequenos entendem e aceitam a Boa Nova do Reino
 Jesus faz uma prece: "Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequenos”. Os sábios, os doutores daquela época, tinham criado um sistema de leis que eles impunham ao povo em nome de Deus (Mt 23,3-4). Eles achavam que Deus exigia do povo estas observâncias. Mas a lei do amor, trazida por Jesus, dizia o contrário. O que importa para salvar-nos, não é o que nós fazemos para Deus, mas sim o que Deus, no seu grande amor, faz por nós! Deus quer misericórdia e não sacrifício (Mt 9,13). O povo pequeno e pobre entendia esta fala de Jesus e ficava alegre. Os sábios diziam que Jesus estava errado. Eles não podiam entender tal ensinamento. Sim, Pai, assim foi do teu agrado!  É do agrado do Pai que os pequenos entendam a mensagem do Reino e que os sábios e entendidos não o entendam! Se eles quiserem entendê-lo deverão fazer-se alunos dos pequenos! Este modo de pensar e ensinar subverte a convivência e incomoda.

* Mateus 11,27: A origem da nova Lei: o Filho conhece o Pai.
   Aquilo que o Pai nos tem a dizer, Ele o entregou a Jesus, e Jesus o revela aos pequenos, porque estes se abrem para a sua mensagem. Jesus, o Filho, conhece o Pai. Ele sabe o que o Pai nos queria comunicar quando, séculos atrás, entregou sua Lei a Moisés. Hoje também, Jesus está ensinando muita coisa aos pobres e pequenos e, através deles, a toda a sua Igreja.

* Mateus 11,28-30: O convite de Jesus que vale até hoje
Jesus convida a todos que estão cansados para vir até ele, e lhes promete descanso. Nós, das comunidades de hoje, deveríamos ser a continuação deste mesmo convite que Jesus dirigia ao povo cansado e oprimido debaixo do peso das observâncias exigidas pelas leis de pureza. Ele dizia: “Aprendam de mim que sou manso e humilde de coração”. Muitas vezes, esta frase foi manipulada para pedir ao povo submissão, mansidão e passividade. O que Jesus quer dizer é o contrário. Ele pede que o povo deixe de lado “os sábios e entendidos”, os professores de religião da época, e comece a aprender dele, de Jesus, um camponês do interior da Galileia, sem instrução superior, que se diz "manso e humilde de coração". Jesus não faz como os escribas que se exaltam de sua ciência, mas é como o povo que vive humilhado e explorado. Jesus, o novo mestre, sabia por experiência o que se passava no coração do povo e o que o povo sofria. Ele o viveu e conheceu de perto durante os trinta anos em Nazaré.

* O jeito de Jesus praticar o que ensinou no Sermão da Missão
Uma paixão se revela no jeito de Jesus anunciar a Boa Nova do Reino. Paixão pelo Pai e pelo povo pobre e abandonado da sua terra. Onde encontrava gente para escutá-lo, Jesus transmitia a Boa Nova. Em qualquer lugar. Nas sinagogas durante a celebração da Palavra (Mt 4,23). Nas casas de amigos (Mt 13,36). Andando pelo caminho com os discípulos (Mt 12,1-8). Ao longo do mar, à beira da praia, sentado num barco (Mt 13,1-3). Na montanha, de onde proclamou as bem-aventuranças (Mt 5,1). Nas praças das aldeias e cidades, onde o povo carregava seus doentes (Mt 14,34-36). Mesmo no Templo de Jerusalém, durante as romarias (Mt 26,55)! Em Jesus, tudo é revelação daquilo que o animava por dentro! Ele não só anunciava a Boa Nova do Reino. Ele mesmo era e continua sendo uma amostra viva do Reino. Nele aparece aquilo que acontece quando um ser humano deixa Deus reinar e tomar conta de sua vida. O evangelho de hoje revela a ternura com que Jesus acolhia os pequenos. Ele queria que eles encontrassem descanso e paz. Por causa desta sua opção pelos pequenos e excluídos, Jesus foi criticado e perseguido. Sofreu muito! O mesmo acontece hoje. Quando uma comunidade se abre e procura ser um lugar de acolhida e consolo, de descanso e paz também para os pequenos e excluídos de hoje que os estrangeiros e imigrantes, muitas pessoas reclamam e criticam.

Para um confronto pessoal
1) Você já experimentou alguma vez o descanse que Jesus prometeu?
2) Como as palavras de Jesus podem ajudar a nossa comunidade a ser um lugar de descanso para as nossas vidas?

LADAINHA IV
Senhor tende piedade de nós,
Jesus Cristo tende piedade de nós,
Senhor tende piedade de nós,

Deus Pai do Céu tende piedade de nós
Deus Filho Redentor do mundo tende piedade de nós
Deus Espírito Santo tende piedade de nós
Santíssima Trindade que sois um só Deus tende piedade de nós

Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós
Santa Maria, Mãe dos Carmelitas,
Santa Maria, Rainha dos profetas,
Santa Maria, honra e esplendor do Monte Carmelo,
São José, Patrono do Carmelo,

Santo Elias, Patriarca do Carmelo,
S. Elias, arauto da onipotência e da misericórdia divinas,
S. Elias, modelo dos monges,
S. Elias, honrado com a divina amizade,
S. Elias, homem de Deus,
S. Elias, pai e mestre dos profetas,
S. Elias, ponte entre as duas Alianças,
S. Elias, cuja missão foi continuada na palavra de João Batista,
S. Elias, que aparecestes com Moisés na Transfiguração no Monte Tabor,
S. Elias, conversastes com o Filho de Deus sobre a sua Páscoa,
S. Elias, que atestais o cumprimento da Lei e dos Profetas,
S. Elias, cuja tenda está no Céu,
S. Elias, profeta e testemunha da nova Aliança,
S. Elias, invocado por Jesus crucificado em sua agonia,
S. Elias, padroeiro dos órfãos e das viúvas,
S. Elias, patrono dos agonizantes,
S. Elias, punidor o pecado,
S. Elias, destruidor dos orgulhosos,
S. Elias, que ouvis o gemido dos sofredores,
S. Elias, que preservais intactos os ditos do Senhor,
S. Elias, que preparais o mundo para o juízo,
S. Elias, que purificais os corações com o fogo,
S. Elias, modelo de oração perseverante,
S. Elias, precursor do Messias,
S. Elias, que empurrais os tiranos à ruína,
S. Elias, sumo sacerdote e libertador,
S. Elias, guarda da pureza da lei de Moisés,
S. Elias, destruidor dos ídolos e demônios,
S. Elias, espelho da vida monástica,
S. Elias, fundador de uma nação Santa,
S. Elias, mestre dos Santos,
S. Elias, lutador contra o Anticristo,
S. Elias, indicado por s. Tiago como um exemplo de fé,
S. Elias, esperança do novo Israel,
S. Elias, esperança da Igreja a caminho,
S. Elias, estrela do coro dos profetas,
S. Elias, Pai e inspirador da Ordem do Carmo,

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos Senhor
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos Senhor
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende misericórdia de nós

V. Rogai por nós, santo Pai Elias.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oremos: Deus eterno e todo-poderoso, que concedestes ao bem-aventurado Elias, vosso profeta e nosso pai, a graça de viver na vossa presença e de se inflamar de zelo pela vossa glória, fazei que, procurando sempre a vossa presença, nos tornemos testemunhas do vosso amor.  Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amem.

ORAÇÃO FINAL
Santo Profeta Elias, pai admirável do Carmelo, olha clemente para este vosso filho que, sob a vossa inspiração, busca seguir o caminho que conduz à santidade. Cobri-me com o zelo do Senhor, infundi no meu coração o amor ao bem, aumentai em mim a fé a esperança e a caridade, para que eu possa descobrir na vida dos homens o verdadeiro Deus que passa, e convosco possa subir ao cume do monte Carmelo, monte do Senhor que vive e reina para sempre. Amém.