Bta. Francisca de Amboise,
viúva e religiosa de nossa Ordem
1ª Leitura (Flp 3,3-8a): Irmãos:
Os verdadeiros circuncidados somos nós, que prestamos culto a Deus segundo o
seu Espírito e nos gloriamos em Jesus Cristo, sem confiarmos na carne. É
verdade que eu também poderia confiar na carne. Se alguém julga poder gloriar-se
na carne, poderia eu com maior razão: Fui circuncidado aos oito dias, sou da
raça de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu filho de hebreus. Quanto à Lei
judaica, era fariseu; quanto ao zelo, era perseguidor da Igreja; quanto à
justiça segundo a Lei, vivia irrepreensivelmente. Mas tudo isso, que era para
mim lucro, considerei-o como perda por causa de Cristo. Mais ainda: considero
todas as coisas como prejuízo, comparando-as com o bem supremo, que é o
conhecimento de Jesus Cristo, meu Senhor. Por Ele, renunciei a todas as coisas
e considerei tudo como lixo, para ganhar Cristo.
Salmo Responsorial: 104
R. Exulte o coração dos que procuram o Senhor.
Cantai salmos e hinos ao Senhor, proclamai todas as suas
maravilhas. Gloriai-vos no seu nome santo, exulte o coração dos que procuram o
Senhor.
Procurai o Senhor e o seu poder, buscai sempre a sua face.
Recordai as suas maravilhas, os seus prodígios e os oráculos da sua boca.
Vós, descendentes de Abraão, seu servo, filhos de Jacob, seu
eleito, o Senhor é o nosso Deus e as suas sentenças são lei em toda a terra.
Aleluia. Vinde a Mim, vós todos que andais cansados e
oprimidos e Eu vos aliviarei, diz o Senhor. Aleluia.
Evangelho (Lc 15,1-10): Naquele
tempo, todos os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar.
Os fariseus e os escribas, porém, murmuravam contra ele. «Este homem acolhe os
pecadores e come com eles». Então ele contou-lhes esta parábola: «Quem de vós
que tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto e vai
atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la? E quando a encontra, alegre a põe
nos ombros e, chegando em casa, reúne os amigos e vizinhos, e diz: Alegrai-vos
comigo! Encontrei a minha ovelha que estava perdida! Eu vos digo: assim haverá
no céu alegria por um só pecador que se converte, mais do que por noventa e
nove justos que não precisam de conversão. E se uma mulher tem dez moedas de
prata e perde uma, não acende a lâmpada, varre a casa e procura cuidadosamente
até encontrá-la? Quando a encontra, reúne as amigas e vizinhas, e diz:
Alegrai-vos comigo! Encontrei a moeda que tinha perdido! Assim, eu vos digo,
haverá alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se converte». E
Jesus continuou. «Um homem tinha dois filhos. O filho mais novo disse ao pai:
Pai, dá-me a parte da herança que me cabe. E o pai dividiu os bens entre eles.
Poucos dias depois, o filho mais novo juntou o que era seu e partiu para um
lugar distante. E ali esbanjou tudo numa vida desenfreada. Quando tinha
esbanjado tudo o que possuía, chegou uma grande fome àquela região, e ele
começou a passar necessidade. Então, foi pedir trabalho a um homem do lugar,
que o mandou para seu sítio cuidar dos porcos.
«Haverá no céu alegria por um só pecador que se converte»
Rev. D. Francesc NICOLAU i Pous (Barcelona, Espanha)
Hoje, o evangelista da misericórdia de Deus nos expõe duas
parábolas de Jesus que iluminam a conduta divina para com os pecadores que
regressam ao bom caminho. Com a imagem tão humana da alegria, nos revela a
bondade de Deus que se alegra com o retorno de quem havia se afastado do
pecado. É como um retorno à casa do Padre (como dirá mais explicitamente em Lc
15,11-32). O Senhor não veio para condenar o mundo, e sim para salvá-lo (cf. Jn
3,17), e fez tudo isso acolhendo aos pecadores que com plena confiança.
«Aproximavam-se de Jesus os publicanos e os pecadores para ouvi-lo» (Lc 15,1),
já que Ele lhes curava a alma como um médico cura o corpo dos enfermos (cf. Mt
9,12). Os fariseus eram tidos como boas pessoas e não sentiam necessidade do
médico, e por eles -disse o evangelista- que Jesus propôs as parábolas que hoje
lemos.
Se nós nos sentimos espiritualmente enfermos, Jesus nos
atenderá e se alegrará de que acudamos a Ele. Contudo, se nós, como os
orgulhosos fariseus pensássemos que não era necessário pedir perdão, o Médico
divino não poderia obrar em nós. Sentirmos pecadores, o faremos cada vez que
recitamos o Pai Nosso, pois ao rezar dizemos «perdoa nossas ofensas...». e
quanto devemos agradecer que o faça! Quanto agradecimento também devemos sentir
pelo sacramento da reconciliação que pôs ao nosso alcance tão compassivamente!
Que a soberbia não nos faça menosprezar. Santo Agostinho nos disse que Jesus
Cristo, Deus Homem, nos deu exemplo de humildade para curar-nos do tumor da
soberbia, «já que grande miséria é o homem soberbo, mas maior é a misericórdia
de Deus humilde».
Digamos ainda que a lição que Jesus dá aos fariseus é
exemplar também para nós; não podemos nos afastar de nós os pecadores. O Senhor
quer que nos amemos como Ele nos amou (cf. Jn 13,34) e devemos sentir grande
gozo quando possamos levar uma ovelha errante ao redil ou recobrar uma moeda
perdida.
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Nisto reside a maravilhosa misericórdia de Deus para conosco:
em que Cristo não morreu pelos justos ou pelos santos, mas pelos pecadores e
pelos ímpios» (São Leão Magno)
«O bom pastor, o bom cristão sai, está sempre de saída: sai
de si mesmo, sai para Deus, na oração, na adoração; ele está a serviço dos
outros para levar a mensagem da salvação» (Francisco)
«Os ministros ordenados são também responsáveis pela
formação na oração dos seus irmãos e irmãs em Cristo. Servos do Bom Pastor, são
ordenados para guiar o povo de Deus até às fontes vivas da oração: a Palavra de
Deus, a Liturgia, a vida teologal, o «hoje» de Deus nas situações concretas
(36)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 2.686)
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
* O evangelho de hoje traz as primeiras duas das três
parábolas ligadas entre si pela mesma palavra. Tratam de três coisas
perdidas: ovelha perdida (Lc 15,3-7), moeda perdida (Lc 15,8-10), e filho
perdido (Lc 15,11-32). As três parábola são dirigidas para os fariseus e os
doutores da lei que criticavam Jesus (Lc 15,1-3). Isto é, são dirigidas para o
fariseu ou para o doutor da lei que existe em cada um de nós.
* Lucas 15,1-3: Os destinatários das parábolas. Estes
três primeiros versos descrevem o contexto em que foram pronunciadas as três
parábolas: “Todos os cobradores de impostos e pecadores se aproximavam de Jesus
para o escutar. Mas os fariseus e os doutores da Lei criticavam a Jesus”.: De
um lado, se encontram os cobradores de impostos e os pecadores; do outro lado,
os fariseus e os doutores da lei. Lucas diz com um pouco de exagero: “Todos os
publicanos e pecadores se aproximavam de Jesus para o escutar”. Algo em Jesus
os atraía. É a palavra de Jesus que os atrai (cf Is 50,4). Eles querem ouvi-lo.
Sinal de que não se sentem condenados, mas sim acolhidos por ele. A crítica dos
fariseus e escribas é esta: "Esse homem acolhe pecadores, e come com
eles!". No envio dos setenta e dois discípulos (Lc 10,1-9), Jesus tinha
mandado acolher os excluídos, os doentes e possessos (Mt 10,8; Lc 10,9) e
praticar a comunhão de mesa (Lc 10,8).
* Lucas 15,4: Parábola da ovelha perdida. A parábola
da ovelha perdida começa com uma pergunta: "Se um de vocês tem cem ovelhas
e perde uma, será que não deixa as noventa e nove no campo para ir atrás da
ovelha que se perdeu, até encontrá-la?” Antes de ele mesmo dar a resposta,
Jesus deve ter olhado os ouvintes para ver como responderiam. A pergunta é
formulada de tal maneira que a resposta só pode ser positiva: “Sim, ele vai
atrás da ovelha perdida!” E você, como responderia? Você deixaria as noventa e
nove ovelhas no campo para ir atrás de uma única que se perdeu? Quem faria
isso? Provavelmente, a maioria terá respondido: “Jesus, aqui entre nós, ninguém
faria uma coisa tão absurda. Diz o provérbio: “Melhor um passarinho na mão do
que dez voando!”
* Lucas 15,5-7: Jesus interpreta a parábola da ovelha
perdida. Ora, na parábola o dono das ovelhas faz o que ninguém faria: larga
tudo e vai atrás da ovelha perdida. Só Deus mesmo para tomar uma tal atitude!
Jesus quer que o fariseu ou o escriba que existe em nós, em mim, tome
consciência. Os fariseus e os escribas abandonavam os pecadores e os excluíam.
Eles nunca iriam atrás da ovelha perdida. Deixariam que ela se perdesse no
deserto. Eles preferem as noventa e nove que não se perderam. Mas Jesus se
coloca na pele da ovelha que se perdeu e que, naquele contexto da religião
oficial, cairia no desespero, sem esperança de ser acolhida. Jesus faz saber a
eles e a nós: “Se por acaso você se sentir perdido, pecador, lembre-se que,
para Deus, você vale mais que as noventa e nove outras ovelhas. Deus vai atrás
de você. E caso você se converter, saiba que “no céu haverá mais alegria por um
só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam
de conversão."
* Lucas 15,8-10: Parábola da moeda perdida. A segunda
parábola: "Se uma mulher tem dez moedas de prata e perde uma, será que não
acende uma lâmpada, varre a casa, e procura cuidadosamente, até encontra a
moeda? Quando a encontra, reúne amigas e vizinhas, para dizer: 'Alegrem-se
comigo! Eu encontrei a moeda que tinha perdido'. E eu lhes declaro: os anjos de
Deus sentem a mesma alegria por um só pecador que se converte". Deus fica
alegre conosco. Os anjos ficam alegres conosco. A parábola era para comunicar
esperança a quem estava ameaçado de desespero pela religião oficial. Esta
mensagem evoca o que Deus nos diz no livro do profeta Isaías: “Eu te gravei na
palma da minha mão!” (Is 49,16). “Tu és precioso aos meus olhos, eu te amo!”
(Is 43,4)
Para um confronto pessoal
1) Você andaria atrás da ovelha perdida?
2) Você acha que a igreja de hoje é fiel a esta
parábola de Jesus?