sexta-feira, 19 de abril de 2019

Sábado Santo


P. Jacques PHILIPPE (Cordes sur Ciel, França)

Hoje, não meditamos nenhum evangelho em particular, dado que é um dia que carece de liturgia. Mas, com Maria, a única que permaneceu firme na fé e na esperança depois da trágica morte de seu Filho, preparamo-nos, no silêncio e na oração, para celebrar a festa da nossa libertação em Cristo, que é o cumprimento do Evangelho.

A coincidência temporal dos acontecimentos entre a morte e a ressurreição do Senhor e a festa judaica anual da Páscoa, memorial da libertação da escravidão no Egito, permite compreender o sentido libertador da cruz de Jesus, novo cordeiro pascal, cujo sangue nos preserva da morte.

Outra coincidência no tempo, menos assinalada porém sem dúvida muito rica em significado, é a que existe com a festa judaica semanal do “Sabbat”. Esta começa na tarde de sexta-feira, quando a mãe de família acende as luzes em cada casa judia, terminando no sábado de tarde. Recordando que depois do trabalho da criação, depois de ter feito o mundo do nada, Deus descansou no sétimo dia. Ele quis que também o homem descanse no sétimo dia, em ação de graças pela beleza da obra do Criador, e como sinal da aliança de amor entre Deus e Israel, sendo Deus invocado na liturgia judaica do Sabbat como o esposo de Israel. O Sabbat é o dia em que se convida cada um a acolher a paz de Deus, o seu “Shalom”.

Deste modo, depois do doloroso trabalho da cruz, «em que o homem é forjado de novo» segundo a expressão de Catarina de Sena, Jesus entra no seu descanso no mesmo momento em que se acendem as primeiras luzes do Sabbat: “Tudo está realizado” (Jo 19,30). Agora completou-se a obra da nova criação: o homem, antigo prisioneiro do nada do pecado, converte-se numa nova criatura em Cristo. Uma nova aliança entre Deus e a humanidade, que nada poderá jamais romper, acaba de ser selada, já que doravante toda a infidelidade pode ser lavada no sangue e na água que brotam da cruz.

Diz a Carta aos Hebreus: «Por isso, resta um repouso sabático para o povo de Deus» (Hb 4,9). A fé em Cristo a ele nos dá acesso. Que o nosso verdadeiro descanso, a nossa paz profunda, não a de um só dia, mas para toda a vida, seja uma esperança total na infinita misericórdia de Deus, de acordo com o convite do Salmo 16: «A minha carne descansará na esperança, pois tu não entregarás a minha alma ao abismo». Que nos preparemos com um coração novo para celebrar na alegria as bodas do Cordeiro e nos deixemos desposar plenamente pelo amor de Deus manifestado em Cristo.

+ Pe. Joan BUSQUETS i Masana (Sabadell, Barcelona, Espanha)

Hoje, propriamente, não há “evangelho” para meditar ou —melhor— deveríamos meditar todo o Evangelho em maiúscula (a Boa Nova), porque todo ele desemboca no que hoje recordamos: a entrega de Jesus à Morte para ressuscitar e dar-nos uma Vida Nova.

Hoje, a Igreja não se separa do sepulcro do Senhor, meditando sua Paixão e sua Morte. Não celebramos a Eucaristia até que haja terminado o dia, até amanhã, que começará com a Solene Vigília da ressurreição. Hoje é dia de silêncio, de dor, de tristeza, de reflexão e de espera. Hoje não encontramos a Reserva Eucarística no sacrário. Há só a lembrança e o símbolo de seu “amor até o extremo”, a Santa Cruz que adoramos devotamente.

Hoje é o dia para acompanhar Maria, a mãe. Devemos acompanhá-la para poder entender um pouco o significado deste sepulcro o qual velamos. Ela, que com ternura e amor guardava em seu coração de mãe os mistérios que não acabava de entender daquele Filho que era o Salvador dos homens, está triste e sofrendo: «Ela veio para a sua casa, mas os seus não a receberam» (Jo 1,11). É também a tristeza da outra mãe, a Santa Igreja, que sofre pela rejeição de tantos homens e mulheres que não acolheram Aquele que para eles era a Luz e a Vida.

Hoje, rezando com estas duas mães, o seguidor de Cristo reflete e vai repetindo a antífona da pregaria das Laudes: «Cristo humilhou-se a si mesmo tornando-se obediente até a morte e morte de cruz! «Por isso o exaltou grandemente e lhe deu o Nome que está acima de qualquer outro nome» (cf. Fl 2,8-9).

Hoje, o fiel cristão escuta a Homilia Antiga sobre o Sábado Santo que a Igreja lê na liturgia do Oficio de Leitura: «Hoje há um grande silêncio na terra. Um grande silêncio e solidão. Um grande silêncio porque o Rei dorme. A terra se estremeceu e se ficou imóvel porque Deus está dormindo em carne e ressuscitou aos que dormiam há séculos. “Deus morreu na carne e despertou os do abismo».

Preparemo-nos com Nossa Senhora da Soledade para viver a explosão da Ressurreição e para celebrar e proclamar —quando se acabe este dia triste— com a outra mãe, a Santa Igreja: Jesus ressuscitou tal como o havia anunciado! (cf. Mt 28,6).

quinta-feira, 18 de abril de 2019

SEXTA-FEIRA SANTA


1ª Leitura (Is 52,13–53,12): Vede como vai prosperar o meu servo: subirá, elevar-se-á, será exaltado. Assim como, à sua vista, muitos se encheram de espanto, tão desfigurado estava o seu rosto que tinha perdido toda a aparência de um ser humano, assim se hão de encher de assombro muitas nações e, diante dele, os reis ficarão calados, porque hão de ver o que nunca lhes tinham contado e observar o que nunca tinham ouvido. Quem acreditou no que ouvimos dizer? A quem se revelou o braço do Senhor? O meu servo cresceu diante do Senhor como um rebento, como raiz numa terra árida, sem distinção nem beleza para atrair o nosso olhar, nem aspecto agradável que possa cativar-nos. Desprezado e repelido pelos homens, homem de dores, acostumado ao sofrimento, era como aquele de quem se desvia o rosto, pessoa desprezível e sem valor para nós. Ele suportou as nossas enfermidades e tomou sobre si as nossas dores. Mas nós víamos nele um homem castigado, ferido por Deus e humilhado. Ele foi trespassado por causa das nossas culpas e esmagado por causa das nossas iniquidades. Caiu sobre ele o castigo que nos salva: pelas suas chagas fomos curados. Todos nós, como ovelhas, andávamos errantes, cada qual seguia o seu caminho. E o Senhor fez cair sobre ele as faltas de todos nós. Maltratado, humilhou-se voluntariamente e não abriu a boca. Como cordeiro levado ao matadouro, como ovelha muda ante aqueles que a tosquiam, ele não abriu a boca. Foi eliminado por sentença iníqua, mas quem se preocupa com a sua sorte? Foi arrancado da terra dos vivos e ferido de morte pelos pecados do seu povo. Foi-lhe dada sepultura entre os ímpios e um túmulo no meio de malfeitores, embora não tivesse cometido injustiça, nem se tivesse encontrado mentira na sua boca. Aprouve ao Senhor esmagar o seu servo pelo sofrimento. Mas se oferecer a sua vida como sacrifício de expiação, terá uma descendência duradoira, viverá longos dias e a obra do Senhor prosperará em suas mãos. Terminados os sofrimentos, verá a luz e ficará saciado na sua sabedoria. O justo, meu servo, justificará a muitos e tomará sobre si as suas iniquidades. Por isso, Eu lhe darei as multidões como prémio e terá parte nos despojos no meio dos poderosos; porque ele próprio entregou a sua vida à morte e foi contado entre os malfeitores, tomou sobre si as culpas das multidões e intercedeu pelos pecadores.

Salmo Responsorial: 30
R. Pai, em vossas mãos entrego o meu espírito.

Em Vós, Senhor, me refugio, jamais serei confundido, pela vossa justiça, salvai-me. Em vossas mãos entrego o meu espírito, Senhor, Deus fiel, salvai-me.

Tornei-me o escárnio dos meus inimigos, o desprezo dos meus vizinhos e o terror dos meus conhecidos: todos evitam passar por mim. Esqueceram-me como se fosse um morto, tornei-me como um objeto abandonado.

Eu, porém, confio no Senhor: Disse: «Vós sois o meu Deus, nas vossas mãos está o meu destino». Livrai-me das mãos dos meus inimigos e de quantos me perseguem.

Fazei brilhar sobre mim a vossa face, salvai-me pela vossa bondade. Tende coragem e animai-vos, vós todos que esperais no Senhor.

2ª Leitura (Heb 4,14-16; 5,7-9): Irmãos: Tendo nós um sumo sacerdote que penetrou os Céus, Jesus, Filho de Deus, permaneçamos firmes na profissão da nossa fé. Na verdade, nós não temos um sumo sacerdote incapaz de Se compadecer das nossas fraquezas. Pelo contrário, Ele mesmo foi provado em tudo, à nossa semelhança, exceto no pecado. Vamos, portanto, cheios de confiança, ao trono da graça, a fim de alcançarmos misericórdia e obtermos a graça de um auxílio oportuno. Nos dias da sua vida mortal, Ele dirigiu preces e súplicas, com grandes clamores e lágrimas, Àquele que O podia livrar da morte, e foi atendido por causa da sua piedade. Apesar de ser Filho, aprendeu a obediência no sofrimento. E, tendo atingido a sua plenitude, tornou-Se, para todos os que Lhe obedecem, causa de salvação eterna.

Cristo obedeceu até à morte e morte de cruz. Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes.

Evangelho (Jo 18,1—19,42): Dito isso, Jesus saiu com seus discípulos para o outro lado da torrente do Cedron. Lá havia um jardim, no qual ele entrou com os seus discípulos. Também Judas, o traidor, conhecia o lugar, porque Jesus muitas vezes ali se reunia com seus discípulos. Judas, pois, levou o batalhão romano e os guardas dos sumos sacerdotes e dos fariseus, com lanternas, tochas e armas, e chegou ali. Jesus, então, sabendo tudo o que ia acontecer com ele, saiu e disse: «A quem procurais?» — «A Jesus de Nazaré!», responderam. Ele disse: «Sou eu». Judas, o traidor, estava com eles. Quando Jesus disse «Sou eu», eles recuaram e caíram por terra. De novo perguntou-lhes: «A quem procurais?» Responderam: «A Jesus de Nazaré», Jesus retomou: «Já vos disse que sou eu. Se é a mim que procurais, deixai que estes aqui se retirem». Assim se cumpria a palavra que ele tinha dito: «Não perdi nenhum daqueles que me deste». Simão Pedro, que tinha uma espada, puxou-a e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a ponta da orelha direita. O nome do servo era Malco. Jesus disse a Pedro: «Guarda a tua espada na bainha. Será que não vou beber o cálice que o Pai me deu?». O batalhão, o comandante e os guardas dos judeus prenderam Jesus e o amarraram. Primeiro, conduziram-no a Anás, sogro de Caifás, o sumo sacerdote daquele ano. Caifás é quem tinha aconselhado aos judeus: «É conveniente que um só homem morra pelo povo». Simão Pedro e um outro discípulo seguiam Jesus. Este discípulo era conhecido do sumo sacerdote. Ele entrou com Jesus no pátio do sumo sacerdote. Pedro ficou do lado de fora, perto da porta. O outro discípulo, que era conhecido do sumo sacerdote, saiu, conversou com a empregada da porta e levou Pedro para dentro. A criada da porta disse a Pedro: «Não pertences tu também aos discípulos desse homem?». Ele respondeu: «Não». Os servos e os guardas tinham feito um fogo, porque fazia frio; estavam se aquecendo, e Pedro estava com eles para se aquecer. O sumo sacerdote interrogou Jesus a respeito dos seus discípulos e do seu ensinamento. Jesus respondeu: «Eu falei abertamente ao mundo. Eu sempre ensinei nas sinagogas e no templo, onde os judeus se reúnem. Nada falei às escondidas. Por que me interrogas? Pergunta aos que ouviram o que eu falei; eles sabem o que eu disse». Quando assim falou, um dos guardas que ali estavam deu uma bofetada em Jesus, dizendo: «É assim que respondes ao sumo sacerdote?». Jesus replicou-lhe: «Se falei mal, mostra em que falei mal; e se falei certo, por que me bates?». Anás, então, mandou-o, amarrado, a Caifás. Simão Pedro continuava lá, aquecendo-se. Disseram-lhe: «Não és tu, também, um dos discípulos dele?». Pedro negou: «Não». Então um dos servos do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro tinha cortado a orelha, disse: «Será que não te vi no jardim com ele?». Pedro negou de novo, e na mesma hora o galo cantou. De Caifás, levaram Jesus ao palácio do governador. Era de madrugada. Eles mesmos não entraram no palácio, para não se contaminarem e poderem comer a páscoa. Pilatos saiu ao encontro deles e disse: «Que acusação apresentais contra este homem?». Eles responderam: «Se não fosse um malfeitor, não o teríamos entregue a ti!». Pilatos disse: «Tomai-o vós mesmos e julgai-o segundo vossa lei». Os judeus responderam: «Não nos é permitido matar ninguém». Assim se realizava o que Jesus tinha dito, indicando de que morte havia de morrer. Pilatos entrou, de volta, no palácio, chamou Jesus e perguntou-lhe: «Tu és o Rei dos Judeus?». Jesus respondeu: «Estás dizendo isto por ti mesmo, ou outros te disseram isso de mim?». Pilatos respondeu: «Acaso sou eu judeu? Teu povo e os sumos sacerdotes te entregaram a mim. Que fizeste?». Jesus respondeu: «O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse
deste mundo, os meus guardas lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas, o meu reino não é daqui». Pilatos disse: «Então, tu és rei?». Jesus respondeu: «Tu dizes que eu sou rei. Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz». Pilatos lhe disse: «Que é a verdade?». Dito isso, saiu ao encontro dos judeus e declarou: «Eu não encontro nele nenhum motivo de condenação. Mas existe entre vós um costume de que, por ocasião da Páscoa, eu vos solte um preso. Quereis que eu vos solte o Rei dos Judeus?». Eles, então, se puseram a gritar: «Este não, mas Barrabás!». Ora, Barrabás era um assaltante.  Pilatos, então, mandou açoitar Jesus. Os soldados trançaram uma coroa de espinhos, a puseram na cabeça de Jesus e o vestiram com um manto de púrpura. Aproximavam-se dele e diziam: «Viva o Rei dos Judeus! »; e batiam nele. Pilatos saiu outra vez e disse aos judeus: «Olhai! Eu o trago aqui fora, diante de vós, para que saibais que eu não encontro nele nenhum motivo de condenação». Então, Jesus veio para fora, trazendo a coroa de espinhos e o manto de púrpura. Ele disse-lhes: «Eis o homem!” Quando o viram, os sumos sacerdotes e seus guardas começaram a gritar: «Crucifica-o! Crucifica-o!”. Pilatos respondeu: «Levai-o, vós mesmos, para o crucificar, porque eu não encontro nele nenhum motivo de condenação». Os judeus responderam-lhe: «Nós temos uma Lei, e segundo esta Lei ele deve morrer, porque se fez Filho de Deus». Quando Pilatos ouviu isso, ficou com mais medo ainda. Entrou no palácio outra vez e perguntou a Jesus: «De onde és tu?». Jesus ficou calado. Então Pilatos disse-lhe: «Não me respondes? Não sabes que tenho poder para te soltar e poder para te crucificar?». Jesus respondeu: «Tu não terias poder algum sobre mim, se não te fosse dado do alto. Por isso, quem me entregou a ti tem maior pecado». Por causa disso, Pilatos procurava soltar Jesus. Mas os judeus continuavam gritando: «Se soltas este homem, não és amigo de César. Todo aquele que se faz rei, declara-se contra César». Ouvindo estas palavras, Pilatos trouxe Jesus para fora e sentou-se no tribunal, no lugar conhecido como Pavimento (em hebraico: Gábata). Era o dia da preparação da páscoa, por volta do meio-dia. Pilatos disse aos judeus: «Eis o vosso rei». Eles, porém, gritavam: «Fora! Fora! Crucifica-o!». Pilatos disse: «Vou crucificar o vosso rei?». Os sumos sacerdotes responderam: «Não temos rei senão César». Pilatos, então, lhes entregou Jesus para ser crucificado. Eles tomaram conta de Jesus. Carregando a sua cruz, ele
saiu para o lugar chamado Calvário (em hebraico: Gólgota). Lá, eles o crucificaram com outros dois, um de cada lado, ficando Jesus no meio. Pilatos tinha mandado escrever e afixar na cruz um letreiro; estava escrito assim: «Jesus de Nazaré, o Rei dos Judeus». Muitos judeus leram o letreiro, porque o lugar onde Jesus foi crucificado era perto da cidade; e estava escrito em hebraico, em latim e em grego. Os sumos sacerdotes disseram então a Pilatos: «Não escrevas: ‘O Rei dos Judeus’, e sim: ‘Ele disse: Eu sou o Rei dos Judeus’. Pilatos respondeu: «O que escrevi, escrevi». Depois que crucificaram Jesus, os soldados pegaram suas vestes e as dividiram em quatro partes, uma para cada soldado. A túnica era feita sem costura, uma peça só de cima a baixo. Eles combinaram: «Não vamos rasgar a túnica. Vamos tirar sorte para ver de quem será». Assim cumpriu-se a Escritura: «Repartiram entre as minhas vestes e tiraram a sorte sobre minha túnica». Foi isso que os soldados fizeram. Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe e a irmã de sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: «Mulher, eis o teu filho!». Depois disse ao discípulo: «Eis a tua mãe!». A partir daquela hora, o discípulo a acolheu no que era seu.  Depois disso, sabendo Jesus que tudo estava consumado, e para que se cumprisse a Escritura até o fim, disse: «Tenho sede!». Havia ali uma jarra cheia de vinagre. Amarraram num ramo de hissopo uma esponja embebida de vinagre e a levaram à sua boca. Ele tomou o vinagre e disse: “Está consumado”. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito. Era o dia de preparação do sábado, e este seria solene. Para que os corpos não ficassem na cruz no sábado, os judeus pediram a Pilatos que mandasse quebrar as pernas dos crucificados e os tirasse da cruz. Os soldados foram e quebraram as pernas, primeiro a um dos crucificados com ele e depois ao outro. Chegando a Jesus viram que já estava morto. Por isso, não lhe quebraram as pernas, mas um soldado golpeou-lhe o lado com uma lança, e imediatamente saiu sangue e água. (Aquele que viu dá testemunho, e o seu testemunho é verdadeiro; ele sabe que fala a verdade, para que vós, também, acrediteis.) Isto aconteceu para que se cumprisse a Escritura que diz: «Não quebrarão nenhum dos seus ossos». E um outro texto da Escritura diz: «Olharão para aquele que traspassaram». Depois disso, José de Arimatéia pediu a Pilatos para retirar o corpo de Jesus; ele era discípulo de Jesus às escondidas, por medo dos judeus. Pilatos o permitiu. José veio e retirou o corpo. Veio também Nicodemos, aquele que anteriormente tinha ido a Jesus de noite; ele trouxe uns trinta quilos de perfume feito de mirra e de aloés. Eles pegaram o corpo de Jesus e o envolveram, com os perfumes, em faixas de linho, do modo como os judeus costumam sepultar. No lugar onde Jesus foi crucificado havia um jardim e, no jardim, um túmulo novo, onde ninguém tinha sido ainda sepultado. Por ser dia de preparação para os judeus, e como o túmulo estava perto, foi lá que eles colocaram Jesus.

«Ele tomou o vinagre e disse: “Está consumado”. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito»

Rev. D. Francesc CATARINEU i Vilageliu (Sabadell, Barcelona, Espanha)

Hoje celebramos o primeiro dia do Tríduo Pascal. Por tanto é o dia da Cruz vitoriosa, desde donde Jesus nos deixou o melhor de Ele mesmo: Maria como mãe, o perdão —também os verdugos— e a confiança total em Deus Pai.

Escutamos na leitura da Paixão que nos transmite o testemunho de São João, presente no Calvário com Maria, a Mãe do Senhor e as mulheres. É um relato rico em simbologia, onde cada pequeno detalhe tem sentido. Mas também o silêncio e a austeridade da Igreja, hoje nos ajudam a viver num clima de oração, atentos ao dom que celebramos.

Diante deste mistério tão grande, estamos chamados —mais que tudo— a ver. A fé cristã não é a relação reverencial a um Deus que está longe e abstrato que desconhecemos, senão a adesão a uma Pessoa, verdadeiro homem como nós e também verdadeiro Deus. O “Invisível” fez-se carne da nossa carne, e assumiu ser homem até a morte e morte de cruz. Foi uma morte aceitada como resgate por todos, morte redentora, morte que nos dá vida. Aqueles que estavam aí e o viram, nos transmitiram os fatos e ao mesmo tempo, nos descobrem o sentido daquela morte.

Ante isto, sentimo-nos agradecidos e admirados. Conhecemos o preço do amor: «Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos» (Jo 15,13). A oração cristã não é só pedir, senão— e principalmente— admirar agradecidos.

Para nós, Jesus é modelo que temos que imitar, quer dizer, reproduzir em nós as suas atitudes. Temos que ser pessoas que amam até darmo-nos e que confiamos no Pai em toda adversidade.

Isto contrasta com a atmosfera indiferente da nossa sociedade; por isso o nosso testemunho tem que ser mais valente do que nunca, já que o dom é para todos. Como diz Melitão de Sardes, «Ele nos fez passar da escravidão à liberdade, das trevas à luz, da morte à vida. Ele é a Páscoa da nossa salvação».

Contemplemos Jesus, o Servo sofredor. O que não sofreu para nos salvar!

Pe. Antonio Rivero, L.C.

A Quinta-feira Santa foi “a hora de Jesus”. A Sexta-feira Santa é, sobretudo, “a hora de Satanás”. Duas horas que se reduzem a uma só hora, “a hora do Mistério Pascal”, com os seus dois ponteiros: a entrega de Cristo e a maldade humana. A celebração da Paixão de hoje, que não é missa, tem três partes: primeira parte, liturgia da Palavra e oração universal; segunda parte, adoração da santa cruz e, terceira parte, sagrada Comunhão. Também podemos dividi-la assim: Paixão proclamada nas leituras, Paixão invocada na oração universal, Paixão venerada no beijo à santa cruz e Paixão comunicada na comunhão.

Em primeiro lugar, quem resiste contemplar este Servo sofredor? Desprezado, sem estima, leproso, ferido de Deus, humilhado, trespassado pelas nossas rebeliões (1 leitura), com medo, pavor, tristeza, tédio, gritos, lágrimas. Ai, jogado no horto das oliveiras. Ai, aniquilado e sangrando na flagelação. Ai, blasfemado, injuriado, insultado na cruz. Ai, pregado mãos e pés no madeiro ignominioso da cruz. Ai, com o flanco sangrando pela culpa dessa lança cruel. Ai, deitado na cruz, o céu fechado sem a voz do seu Pai e uma noite escura interior terrível.

Em segundo lugar, não obstante, esse Servo sofredor é modelo e exemplo para nós (2a leitura). Modelo de obediência ao Pai acima de tudo. Modelo de amor pelos homens até dar a vida por eles. Modelo de perdão sem medida. Modelo de mansidão, que diante de tanta injustiça não esperneou nem sequer se rebelou. Modelo de generosidade, que enquanto ao seu redor cada um tirava um proveito para si, Ele nada reservou para si mesmo. Modelo na hora de sofrer com paciência tanto atropelamento, golpes, empurrões, cusparadas, bofetadas, açoites, coroa de espinhos. Modelo de fidelidade até o final ao plano de Deus. Modelo de confiança nas mãos do seu Pai. 

Finalmente, cada um de nós tem algo de culpa na dor deste Servo sofredor. Os Judas que traem Jesus e o vendem por umas moedas de prazer. Os Pedros que negam Jesus para salvar a sua pele. Os outros discípulos que o abandonam de medo da cruz. Os que o martirizam e crucificam fazendo sofrer os seus irmãos, com os quais Cristo se identifica. Os Anás que estão bem apoltronados no seu sofá amidonado, que escondem no seu palácio uma máfia, sendo ele o padrinho onipotente, cético e agnóstico, disposto a dar uma bofetada em Jesus diante da força da verdade que ele não aceitava; sim, esse Anás que passará para a história como o protótipo de homem que faz valer os seus direitos de “autoridade aposentada”, para humilhar os outros, dar-se importância… E como não pôde, recorreu à violência baixa e própria de vilões. Homem orgulhoso, expeditivo, frontal, prático, seguro de sim mesmo. Também estão os Caifás. Caifás era homem mais político que ético: estava interessado na religião do “interesse”, disposto a praticá-la, embora tivesse que passar por cima da morte, enquanto lhe proporcionasse algo. Este era Caifás: um juiz que pronunciou a sentença, muito antes que o juízo começasse. Homem orgulhoso, expeditivo, frontal, cortante, prático, seguro de sim mesmo. Culpa também têm os covardes Pilatos de turno que preferem lavar as mãos para não perder o posto de prestígio, embora tenham que sacrificar a verdade e dar morte ao inocente. Claro está que têm o seu peso de culpa os Herodes supersticiosos, sensuais, frívolos que pretendem servir-se de Jesus como diversão da festa. E também os Barrabás, baderneiros, criminais, assassinos. Menos mal que também estavam os que consolaram Jesus: a sua santa Mãe, João evangelista, o Cireneu, as santas mulheres, a Verônica.     

Para refletir: Quero acompanhar Cristo na sua Paixão e Morte, ou serei mais um na lista de quem fizer Cristo sofrer neste ano? Qual personagem da Paixão eu quero protagonizar neste ano?

Para rezar: Senhor, piedade e misericórdia. Senhor, obrigado por ter me salvado. Senhor, dai-me a graça de lutar contra o pecado e de levar a minha própria cruz, pequeno pedaço da vossa enorme cruz.

Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail:  arivero@legionaries.org.

quarta-feira, 17 de abril de 2019

18 de abril


Beata Maria da Encarnação
Viúva e Religiosa de nossa Ordem


Nasceu em Paris em 1566. Impedida de realizar a sua aspiração ao estado religioso, foi obrigada a casar-se aos dezesseis anos. Mãe de sete filhos e esposa dedicada aos deveres familiares, santificou-se no meio das grandes dificuldades que atribularam o seu lar. Movida pela leitura das obras de S. Teresa, empenhou-se em introduzir em França o Carmelo Teresiano. Em 1603 conseguiu as devidas autorizações e construiu a primeira fundação para religiosas vindas de Espanha, entre as quais a Beata Ana de S. Bartolomeu e Ana de Jesus. Esta obra mereceu-lhe o título de «Mãe e Fundadora do Carmelo em França». Após a morte do seu marido (1613), entrou também ela para o Carmelo de Amiens, onde se distinguiu no espírito de oração e no zelo pela propagação da fé. Morreu no Carmelo de Pontoise em 18 de abril de 1618.

Salmodia, leitura, responsório breve e preces do dia corrente.

LAUDES
Cântico evangélico
Ant. O que pedirdes a meu Pai, em meu nome, ele vo-lo dará, diz o Senhor. Aleluia.

Oração
Senhor, concedestes à Beata Maria da Encarnação insigne propagadora do Carmelo, uma fortaleza singular para vos servir nos diversos estados da vida cristã e superar todas as dificuldades; concedei à vossa família vencer com ânimo todos os embates e perseverar até o fim em vosso Santo Amor. Por nosso Senhor, Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!

VÉSPERAS
Cântico evangélico
Ant. Não trabalhei só por mim, mas por todos os que procuram a verdade. Aleluia.

Quinta-feira Santa (Missa vespertina da Ceia do Senhor)


1ª Leitura (Ex 12,1-8.11-14): Naqueles dias, o Senhor disse a Moisés e a Aarão na terra do Egito: «Este mês será para vós o princípio dos meses; fareis dele o primeiro mês do ano. Falai a toda a comunidade de Israel e dizei-lhe: No dia dez deste mês, procure cada qual um cordeiro por família, uma rês por cada casa. Se a família for pequena demais para comer um cordeiro, junte-se ao vizinho mais próximo, segundo o número de pessoas, tendo em conta o que cada um pode comer. Tomareis um animal sem defeito, macho e de um ano de idade. Podeis escolher um cordeiro ou um cabrito. Deveis conservá-lo até ao dia catorze desse mês. Então, toda a assembleia da comunidade de Israel o imolará ao cair da tarde. Recolherão depois o seu sangue, que será espalhado nos dois umbrais e na padieira da porta das casas em que o comerem. E comerão a carne nessa mesma noite; comê-la-ão assada ao fogo, com pães ázimos e ervas amargas. Quando o comerdes, tereis os rins cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão. Comereis a toda a pressa: é a Páscoa do Senhor. Nessa mesma noite, passarei pela terra do Egito e hei de ferir de morte, na terra do Egito, todos os primogénitos, desde os homens até aos animais. Assim exercerei a minha justiça contra os deuses do Egito, Eu, o Senhor. O sangue será para vós um sinal, nas casas em que estiverdes: ao ver o sangue, passarei adiante e não sereis atingidos pelo flagelo exterminador, quando Eu ferir a terra do Egito. Esse dia será para vós uma data memorável, que haveis de celebrar com uma festa em honra do Senhor. Festejá-lo-eis de geração em geração, como instituição perpétua».

Salmo Responsorial: 115
R. O cálice de bênção é comunhão do Sangue de Cristo.

Como agradecerei ao Senhor tudo quanto Ele me deu? Elevarei o cálice da salvação, invocando o nome do Senhor.

É preciosa aos olhos do Senhor a morte dos seus fiéis. Senhor, sou vosso servo, filho da vossa serva: quebrastes as minhas cadeias.

Oferecer-Vos-ei um sacrifício de louvor, invocando, Senhor, o vosso nome. Cumprirei as minhas promessas ao Senhor, na presença de todo o povo.

2ª Leitura (1Cor 11,23-26): Irmãos: Eu recebi do Senhor o que também vos transmiti: o Senhor Jesus, na noite em que ia ser entregue, tomou o pão e, dando graças, partiu-o e disse: «Isto é o meu Corpo, entregue por vós. Fazei isto em memória de Mim». Do mesmo modo, no fim da ceia, tomou o cálice e disse: «Este cálice é a nova aliança no meu Sangue. Todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de Mim». Na verdade, todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciareis a morte do Senhor, até que Ele venha.

Dou-vos um mandamento novo, diz o Senhor: Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei.

Evangelho (Jo 13,1-15): Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que tinha chegado a sua hora, hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim. Foi durante a ceia. O diabo já tinha seduzido Judas Iscariotes para entregar Jesus. Sabendo que o Pai tinha posto tudo em suas mãos e que de junto de Deus saíra e para Deus voltava, Jesus levantou-se da ceia, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a à cintura. Derramou água numa bacia, pôs-se a lavar os pés dos discípulos e enxugava-os com a toalha que trazia à cintura.  Chegou assim a Simão Pedro. Este disse: «Senhor, tu vais lavar-me os pés?» Jesus respondeu: «Agora não entendes o que estou fazendo; mais tarde compreenderás». Pedro disse: «Tu não me lavarás os pés nunca!» Mas Jesus respondeu: «Se eu não te lavar, não terás parte comigo». Simão Pedro disse: «Senhor, então lava-me não só os pés, mas também as mãos e a cabeça». Jesus respondeu: «Quem tomou banho não precisa lavar senão os pés, pois está inteiramente limpo. Vós também estais limpos, mas não todos». Ele já sabia quem o iria entregar. Por isso disse: «Não estais todos limpos».  Depois de lavar os pés dos discípulos, Jesus vestiu o manto e voltou ao seu lugar. Disse aos discípulos: «Entendeis o que eu vos fiz? Vós me chamais de Mestre e Senhor; e dizeis bem, porque sou. Se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo, para que façais assim como eu fiz para vós».

«Se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros»

Mons. Josep Àngel SAIZ i Meneses Bispo de Terrassa. (Barcelona, Espanha)

Hoje lembramos aquela primeira Quinta-feira Santa da história, na qual Jesus Cristo se reúne com os seus discípulos para celebrar a Páscoa. Então inaugurou a nova Páscoa da nova Aliança, na que se oferece em sacrifício pela salvação de todos.

Na Santa Ceia, ao mesmo tempo que a Eucaristia, Cristo institui o sacerdócio ministerial. Mediante este, poderá se perpetuar o sacramento da Eucaristia. O prefácio da Missa Crismal revela-nos o sentido: «Ele escolhe alguns para fazê-los participes de seu ministério santo; para que renovem o sacrifício da redenção, alimentem a teu povo com a tua Palavra e o reconfortem com os teus sacramentos».

E aquela mesma Quinta-feira, Jesus nos dá o mandamento do amor: «Amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei» (Jo 13,34). Antes, o amor fundamentava-se na recompensa esperada em troca, ou no cumprimento de uma norma imposta. Agora, o amor cristão fundamenta-se em Cristo. Ele nos ama até dar a vida: essa tem que ser a medida do amor do discípulo, e esse tem que ser o sinal, a característica do reconhecimento cristão.

Mas, o homem não tem a capacidade para amar assim. Não é simplesmente o fruto de um esforço, senão dom de Deus. Afortunadamente, Ele é amor e —ao mesmo tempo— fonte de amor que se nos dá no Pão Eucarístico.

Finalmente, hoje contemplamos o lavatório dos pés. Na atitude de servo, Jesus lava os pés dos Apóstolos, e lhes recomenda que o façam uns aos outros (cf. Jo 13,14).

Há algo mais que uma lição de humildade neste gesto do Mestre. É como uma antecipação, como um símbolo da Paixão, da humilhação total que sofrerá para salvar todos os homens.

O teólogo Romano Guardini diz que «a atitude do pequeno que se inclina ante o grande, ainda não é humildade. É, simplesmente, verdade. O grande que se humilha ante o pequeno, é o verdadeiro humilde». Por isto Jesus Cristo é autenticamente humilde. Ante este Cristo humilde, nossos moldes se quebram. Jesus Cristo inverte os valores humanos e convida-nos a segui-lo para construir um mundo novo e diferente desde o serviço.

Dia do Amor feito entrega e presentes.

Pe. Antônio Rivero, L.C.

Na primeira Páscoa cristã, Deus Pai por amor nos entrega generosamente o seu Filho-Cordeiro imaculado e imolado para a nossa salvação (primeira leitura). Jesus por amor nos entrega o sacerdócio, a Eucaristia e o mandamento do amor (evangelho e segunda leitura). Somente precisamos de mãos e coração para receber estes presentes maravilhosos, agradecer com amor e corresponder com a nossa entrega.

Em primeiro lugar, nesta Santa Missa Vespertina da Ceia do Senhor a Igreja comemora aqueles momentos nos quais Cristo nos deu as máximas provas do seu amor, oferecendo a sua vida por nós. Com esta celebração começa o solene Tríduo Pascal, onde o mistério infinito do Amor de Deus pela humanidade caída se desprende diante dos nossos olhos e nos convida à gratidão, à adoração, à reparação e à imitação. Este amor se faz entrega e presente: o presente do sacerdócio ministerial, o presente da Eucaristia e o presente do mandamento novo do amor.

Em segundo lugar, o que simbolizam esses três presentes? No lavatório é o amor que se humilha. Na Eucaristia é o amor que se imola, isto é, se partilha, se compartilha e se reparte, perpetuando o sacrifício de Cristo na cruz. No sacerdócio é o amor que se faz visível e se prolonga em homens de carne e osso, aos quais Jesus faz “outros Cristos” para que o representem e se configuram com Ele, que é Cabeça e Pastor.

Finalmente, diante do presente do lavatório e do mandamento do amor, só me resta deixar que Cristo lave os meus pés e a minha consciência e me abaixar para lavar os pés dos meus irmãos com a caridade. Diante do presente da Eucaristia, somente resta agradecer, receber a Eucaristia com um coração limpo e fazer-nos eucaristias vivas para os nossos irmãos, para que a nossa vida seja uma Eucaristia permanente, isto é, uma imolação constante pelos demais, uma presencia consoladora para os demais e um fator de unidade com os demais. Diante do presente do Sacerdócio, somente resta rezar a Deus para que mande santos sacerdotes à sua Igreja que sejam “outros Cristos”.

Para refletir: como estou tratando o mandamento do amor: com delicadeza ou piso esse mandamento com meu egoísmo e soberba? Como vivo a Eucaristia: com fervor, limpeza interior e adoração? Peço a Deus que tenha piedade de nós enviando santas e abundantes vocações ao sacerdócio?

Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail: arivero@legionaries.org

terça-feira, 16 de abril de 2019

VIA SACRA COM SANTA TERESA DE ÁVILA (CARMELITAS DESCALÇAS DE BRÉSCIA)


L -  Leitor
J – Palavras de Jesus a Teresa
T – Palavras de Teresa

INÍCIO

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

J - “Já sabes o desposório que há entre ti e Mim e, havendo isso, o que Eu tenho é teu, e assim te dou todos os sofrimentos e dores que passei; com isso, podes pedir a Meu Pai como se fossem coisas próprias tuas’. (R 51)

T - ‘Pensando no Senhor, na sua vida e paixão, recorda-se de Seu mansíssimo e formoso rosto. Isso consola muitíssimo, dando-nos o mesmo gosto que teríamos se víssemos uma pessoa que nos faz muitíssimo bem – principalmente se não a conhecêssemos’.
(6 M 9, 14.)

1ª Estação - JESUS É CONDENADO À MORTE


V. Nós vos adoramos, ó Cristo.
R Porque pela vossa santa Cruz remistes o mundo.

L - “O governador respondeu-lhes: “Qual dos dois quereis que vos solte?’ Disseram: ‘Barrabás’, Pilatos perguntou: ‘Que farei de Jesus, que chamam de Cristo?’ Todos responderam: ‘Seja crucificado!’ Tornou a dizer-lhes: ‘Mas que mal ele fez?’ Eles, porém, gritaram com mais veemência: ’Seja crucificado!’” (Mt 27, 21-23)

J - “Põe os olhos em mim, pobre e depreciado”. (R 8)

T - ‘Com tão bom amigo presente, com tão bom capitão, que se ofereceu para sofrer em primeiro lugar, tudo se pode suportar’
(V 22, 6)

‘De pé a Mãe dolorosa,
Junto da cruz, lacrimosa,
Via Jesus que pendia’.

2ªEstação - JESUS CARREGA A CRUZ


V. Nós vos adoramos, ó Cristo.
R Porque pela vossa santa Cruz remistes o mundo

L - “E ele saiu, carregando a sua cruz, e chegou ao chamado ‘Lugar da Caveira’ – em hebraico chamado Gólgota”. (Jo 19, 17)

J - “Pensas, filha que o merecimento está no gozar? Ele não está senão em trabalhar, em padecer, em amar”. (R 36)

T - ‘Toma a tua cruz e segue-me
Apegai-vos à cruz que vosso Esposo tomou sobrem Si e entendei que ela deve ser a vossa tarefa. Aquela que mais puder padecer, que padeça mais por ele e será a mais feliz’. (2 M 7)

‘No coração traspassado
Sente o gládio enterrado
De uma cruel profecia’.

3ª Estação - JESUS CAI PELA PRIMEIRA VEZ


V. Nós vos adoramos, ó Cristo.
R Porque pela vossa santa Cruz remistes o mundo

L - ‘E no entanto, eram as nossas enfermidades que ele levava sobre si, as nossas dores que ele carregava’ (Is 53, 4)

J - “O filhos dos homens, até quando sereis duros de coração?”(V 39, 24)

T - ‘Ó Senhor do mundo, verdadeiro Esposo meu, como vos reduzistes a este estado? Se assim é, Senhor, que tudo isso quereis passar por mim, o que é isso que eu passo por vós? Marchemos juntos, Senhor, por onde fordes, terei de ir, por onde passardes terei de passar’..(C 26, 6)

‘Mãe entre todas bendita,
Do Filho único aflita
A imensa dor assistia. ’

4ª Estação - JESUS ENCONTRA SUA MÃE


V. Nós vos adoramos, ó Cristo.
R Porque pela vossa santa Cruz remistes o mundo

L - “Simeão abençoou e disse a Maria, a Mãe: ’Eis que este menino foi colocado para queda e para o soerguimento de muitos em Israel, e como um sinal de contradição – e a ti, uma espada traspassará tua alma!” (Lc 2, 34-35)

J - “Vê a minha vida toda cheia de padecimento”.(R 36)

T - ‘Vimos sempre que aqueles que acompanharam
Cristo Nosso Senhor mais de perto foram os que mais padeceram. Vejamos os sofrimentos de sua gloriosa Mãe, bem como de seus santos apóstolos
Se amamos muito seremos capazes de sofrer muito’. (7 M 4, 6; C 32, 7)

‘E suspirando chorava,
E da cruz não se afastava
Ao ver que o Filho morria,

5ª Estação - O CIRINEU AJUDA JESUS A LEVAR A CRUZ


V. Nós vos adoramos, ó Cristo.
R Porque pela vossa santa Cruz remistes o mundo

L - “Enquanto o levavam, tomaram um certo Simão de Cirene, que vinha do campo, e impuseram-lhe a cruz para levá-la atrás de Jesus”. (Lc 23, 26)

J - “Não é pouco o que faço por ti”. (V 40, 1)

T - ‘Senhor, em tudo estou entregue ao vosso querer, para seguir-vos por onde quer que fordes, até a morte de cruz, determinada a ajudar-vos a carregá-la e a não deixar-vos sozinho com ela’. (V 11)

‘Pobre Mãe tão desolada,
Ao vê-la assim traspassada,
Quem de dor não choraria?

6ª Estação - VERÔNICA ENXUGA O ROSTO DE JESUS


V. Nós vos adoramos, ó Cristo.
R Porque pela vossa santa Cruz remistes o mundo

L - “E ali foi transfigurado diante deles. O seu rosto resplandeceu como o sol e as suas vestes tornaram-se alvas como a luz”. (Mt 17,2)

J - “Põe os olhos em mim, para que tudo o que fizeres seja conforme ao que eu fiz”. (R 11)

T - ‘Considero muitas vezes, ó meu Cristo, como são doces e cheios de encanto os olhos que mostrais à alma que vos ama e que quereis olhar com amor. Um só desses dulcissimos olhares, pousado sobre a alma que já tendes por vossa, basta, parece-me, para retribuir-lhe por muitos anos de serviço’. (C ‘E’ 14, 1)

‘Quem na terra há que resista,
Se a Mãe assim se contrista
Ante uma tal agonia?’

7ª Estação - JESUS CAI PELA SEGUNDA VEZ


V. Nós vos adoramos, ó Cristo.
R Porque pela vossa santa Cruz remistes o mundo

L - “Mas ele foi trespassado por causa de nossas transgressões, esmagado em virtude de nas nossas iniqüidades. O castigo que havia de trazer-nos a paz, caiu sobre ele, sim, por suas feridas fomos curados”. (Is 53, 5)

J - “Como são poucos os que me amam verdadeiramente!”. (V 40, 1)

T - ‘Peço-vos somente que o olheis... Sabei filhas minhas, que este vosso Esposo jamais vos perde vista... não espera senão um olhar vosso.
Ele porá em vós os seus olhos formosos e piedosos, cheios de lágrimas, esquecendo-se de Suas dores para consolar as vossas. ’ (C 26, 3.5)

‘Para salvar sua gente,
Eis que seu Filho inocente
Suor e sangue vertiam’

8ª Estação - JESUS CONSOLA AS FILHAS DE JERUSALÉM


V. Nós vos adoramos, ó Cristo.
R Porque pela vossa santa Cruz remistes o mundo

L - “Grande multidão do povo o seguia, como também mulheres que batiam no peito e se lamentavam por causa dele”. (Lc 23, 27)

J - “Não sou Eu o teu Deus? Não vês quão mal sou tratado ali? Se Me amas, porque não te condóis de mim?”. (R 27)

T - ‘Não vamos ao menos chorar com as filhas de Jerusalém...
Somos ou não esposas de rei tão importante?Se o somos, que mulher honrada haverá que não participe, mesmo que por sua vontade não o queira, das desonras praticadas contra o seu esposo? Seja como for, da honra e da desonra participam um e outro. Pois é disparate partilhar do Seu reino e dele gozassem querer participar das desonras e sofrimentos’. (V 27, 13; C 13, 2)

‘Na cruz, por seu Pai chamando,
Vai a cabeça inclinando,
Enquanto escurece o dia’.

9ª Estação - JESUS CAI PELA TERCEIRA VEZ


V. Nós vos adoramos, ó Cristo.
R Porque pela vossa santa Cruz remistes o mundo

L - “O sopro de nossas narinas, o ungido de Javé, foi preso nas suas fossas”. (Lam 4, 20)

J - “Crê, filha, que meu Pai dá maiores sofrimentos àqueles que mais ama, e que a estes responde o amor. Em que te posso demonstrá-lo mais do que ao querer para ti o que quis para mim?”. (R 36)

T - ‘Tropeçando, caindo com vosso Esposo, não vos afasteis da cruz nem a deixeis. Considerai muito o cansaço com que ele vai caminhando e quão maior é o Seu sofrimento diante do que padeceis, por grandes que queirais pintar. Saireis consoladas dele, pois vereis que são coisas de nada comparadas com o que sofreu o Senhor’. (C 26, 7)

‘Faze, ó Mãe, fonte de amor,
Que eu sinta em mim tua dor
Para contigo chorar’.

10ª Estação - JESUS É DESPOJADO DE SUAS VESTES


V. Nós vos adoramos, ó Cristo.
R Porque pela vossa santa Cruz remistes o mundo

L - “Jesus dizia: ‘Pai, perdoa-os: não sabem o que fazem’. Depois, repartindo suas vestes, sorteavam-nas”. (Lc 23, 34)

J - “Grande coisa é seguir-Me liberto de tudo como Eu me pus na cruz”. (R 64)

T - ‘Contemplava Cristo na cruz, tão pobre e desnudo, eu lhe suplicava com lágrimas que fizesse as coisas de maneira que eu me visse tão pobre quanto ele’. (V 35, 3)

‘Faze arde meu coração,
Partilhar sua paixão,
E teu Jesus consolar’.

11ª Estação - JESUS PREGADO NA CRUZ


V. Nós vos adoramos, ó Cristo.
R Porque pela vossa santa Cruz remistes o mundo

L - “Eu, quando for elevado da terra atrairei todos a mim”. (Jo 12, 32)

J - “Vê estas chagas, que nunca chegarão a este ponto as tuas dores”. (R 36)

T - ‘Ponde os olhos no Crucificado e tudo vos parecerá pouco.
Se Sua Majestade nos mostrou o Seu amor com tão espantosas obras e sofrimento, como querei contenta-lo só com palavras? Sabeis o que significa ser de fato espiritual? É fazer-se escravo de Deus, marcado com o Seu selo, o da cruz’. (7 M 4, 8)

‘Em sangue as chagas me lavem
E no meu peito se gravem,
Para não mais se apagar’.

12ª Estação - JESUS MORRE NA CRUZ


V. Nós vos adoramos, ó Cristo.
R Porque pela vossa santa Cruz remistes o mundo

L - “Era já mais ou menos a hora sexta quando houve trevas sobre a terra inteira até a hora nona, tendo desaparecido o sol. O véu do santuário rasgou-se ao meio, e Jesus deu um grande grito: ‘Pai, em tuas mãos, entrego o meu espírito’. Dizendo isto, expirou”. (Lc 23, 44-46)

J - “Filha, Eu quero que o Meu sangue te seja de proveito, e que não tenhas medo de que a minha misericórdia te falte”. (R 26)

T - ‘Ó Senhor da minha alma e Bem meu, Jesus Cristo Crucificado! Não encontro outro meio para não cair a não ser apegar-me à cruz e confiar naquele que nela foi pregado. Jesus é o Amigo verdadeiro que nunca falta!’ (V 22, 3)

‘Que do Cristo eu traga a morte,
Sua paixão me conforte,
Sua cruz possa abraçar’

13ª Estação - JESUS DEPOSTO DA CRUZ


V. Nós vos adoramos, ó Cristo.
R Porque pela vossa santa Cruz remistes o mundo

L - “Chegada a tarde, veio um homem rico de Arimatéia, chamado José, o qual também se tornara discípulo de Jesus. E dirigindo-se a Pilatos, pediu-lhe o corpo de Jesus. Então Pilatos mandou que lhe fosse entregue. José, tomando o corpo, envolveu-o num lençol limpo”. (Mt 27, 57-59)

J - “Não penses, quando vês minha Mãe tendo-me nos braços, que Eu gozava daquelas consolações sem grave tormento”. (R 36)

T - ‘Filhas, busquemos nossa consolação em sofrer por amor daquele que tanto sofreu’. (Vida)

‘Ó dá-me enquanto viver
Com Jesus Cristo sofrer,
Contigo sempre chorar’.

14ª Estação - JESUS COLOCADO NO SEPULCRO


V. Nós vos adoramos, ó Cristo.
R Porque pela vossa santa Cruz remistes o mundo

L - “Em verdade, em verdade, vos digo: Se o grão de trigo que cai na terra não morrer, permanecerá só; mas se morrer, produzirá muito fruto”, (Jo 12, 24)

J - “Que temes? Que podes perder senão a vida, que tantas vezes me tens oferecido?” (R 50)

T - ‘Como já não busca seu contentamento, mas o de Deus, a esposa se compraz em imitar em algum ponto a dolorosíssima vida que Cristo viveu’. (CAD 7, 8)

‘Quero ficar junto à cruz,
Velar contigo a Jesus,
E o teu pranto enxugar’

15ª Estação - JESUS RESSUSCITA


V. Nós vos adoramos, ó Cristo.
R Porque pela vossa santa Cruz remistes o mundo

L - “Digno é o Cordeiro imolado de receber o poder, a riqueza, a sabedoria, a força, a honra, a glória e o louvor” (Ap 5, 12)

J - “Aqui me vês, filha, pois sou Eu; mostra tuas mãos’, (parecendo-me que as tomava e as aproximava do seu lado. E disse): ’Olha as minhas chagas; Não estás sem Mim. A brevidade da vida passa”. (R 15)

T - ‘Se estais alegres, vede-O ressuscitado, pois o simples imaginar que Ele saiu do sepulcro vos alegrará. Com que esplendor, com que formosura, com que majestade, quão vitorioso, quão alegre! Como quem se saiu bem da batalha onde conquistou um reino tão importante, que Ele deseja dar-vos por inteiro, junto Consigo’ (C 26, 4)

‘Vindo, ó Jesus, minha hora
Por estas dores de agora
No céu mereça um lugar’.

CONCLUSÃO

J - “Não tenhas medo, filha, que alguém tenha poder para afastar-te de Mim. até agora não o tinhas merecido; doravante, defenderás Minha honra não só como Criador, como Rei e como teu Deus, mas como verdadeira esposa Minha: Minha honra é a tua, e a tua Minha”. (R 35)

T - ‘Somos participantes disso, agora passei a ver a coisa de outra maneira e vejo de modo muito diferente o que o Senhor padeceu – como coisa própria – o que me dá grande alívio’.
‘Não se deixe a Paixão e a Vida de Cristo que é de onde nos veio e vem todo bem’. (R 51; V 13, 13).