segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Quarta-feira da 25ª semana do Tempo Comum

 S. Tomás de Villanova, Bispo

1ª Leitura (1Esd 9,5-9): Na hora da oblação da tarde, eu, Esdras, levantei-me da minha prostração e, com as vestes e o manto rasgados, pus-me de joelhos, estendi as mãos para o Senhor, meu Deus, e disse: «Meu Deus, tenho tanta vergonha e confusão que não posso levantar o rosto para Vós, meu Deus. Porque as nossas iniquidades multiplicaram-se acima das nossas cabeças e os nossos pecados acumularam-se até ao céu. Desde o tempo dos nossos pais até ao dia de hoje, são grandes as nossas culpas. Por causa dos nossos pecados, nós, os nossos reis e os nossos sacerdotes, fomos entregues às mãos dos reis das nações, à espada, ao cativeiro, à rapina e à vergonha, como acontece neste dia. Mas agora, em pouco tempo, o Senhor, nosso Deus, concedeu-nos a graça de conservar entre nós um resto de sobreviventes e de nos dar asilo no seu lugar santo. Assim o nosso Deus iluminou os nossos olhos e deu-nos um pouco de vida na nossa escravidão. Porque nós éramos escravos, mas, na nossa escravidão, o nosso Deus não nos abandonou: atraiu sobre nós a benevolência dos reis da Pérsia, dando-nos a vida necessária para erguer a casa do nosso Deus e restaurar as suas ruínas e concedendo-nos um abrigo seguro em Judá e Jerusalém».

Salmo Responsorial: Tob 13

R. Bendito seja Deus, que vive eternamente.

Bendito seja Deus, que vive eternamente: o seu reino permanece por todos os séculos. Nas suas mãos está o castigo e o perdão, a vida e a morte, nada e ninguém escapa ao seu poder.

Dai-Lhe graças, filhos de Israel, diante das nações, porque Ele vos dispersou no meio dos gentios, mas entre eles manifestou a sua grandeza: Exaltai-O diante de todos os seres vivos.

Por nossos pecados Ele nos castiga, mas de novo usará de misericórdia e vos reunirá de todas as nações, entre as quais vos dispersastes.

Na terra do meu exílio louvarei o meu Senhor, darei a conhecer o seu poder e a sua grandeza a um povo de pecadores. Vinde, pecadores, e praticai a justiça na sua presença: talvez vos mostre a sua benevolência e a sua misericórdia.

Aleluia. Está próximo o reino de Deus: arrependei-vos e acreditai no Evangelho. Aleluia.

Evangelho (Lc 9,1-6): Jesus convocou os Doze e deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios e para curar doenças. Ele os enviou para anunciar o Reino de Deus e curar os enfermos. E disse-lhes: «Não leveis nada pelo caminho: nem cajado, nem sacola, nem pão, nem dinheiro, nem duas túnicas. Na casa onde entrardes, permanecei ali, até partirdes daí. Quanto àqueles que não vos acolherem, ao sairdes daquela cidade, sacudi a poeira dos vossos pés, para que sirva de testemunho contra eles». Os discípulos partiram e percorriam os povoados, anunciando a Boa Nova e fazendo curas por toda parte.

«Jesus convocou os Doze e deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios e para curar doenças»

Rev. D. Jordi CASTELLET i Sala (Sant Hipòlit de Voltregà, Barcelona, Espanha)

Hoje vivemos tempos em que novas doenças mentais alcançam difusões inesperadas, como nunca tinha havido no curso da história. O ritmo de vida atual impõe estresse às pessoas, corrida para consumir e aparentar mais do que o vizinho, tudo isso acompanhado de fortes doses de individualismo, que constroem uma pessoa isolada do resto dos mortais. Essa solidão a que muitos se veem obrigados por conveniências sociais, pela pressão laboral, por convenções escravizantes, faz com que muitos sucumbiam à depressão, às neuroses, às histerias, às esquizofrenias ou outros desequilíbrios que marcam profundamente o futuro daquela pessoa.

«Reunindo Jesus os Doze apóstolos, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios, e para curar enfermidades» (Lc 9,1). Transtornos, esses, que podemos identificar no mesmo Evangelho como doenças mentais.

O encontro com Cristo, pessoa completa e realizada, dá um equilíbrio e uma paz capazes de serenar os ânimos e de fazer a pessoa se reencontrar com ela mesma, dando claridade e luz em sua vida, bom para instruir e ensinar, educar os jovens e os idosos e, encaminhar as pessoas pelo caminho da vida, aquela que nunca haverá de murchar-se.

Os Apóstolos «partiram, pois, e percorriam as aldeias, pregando o Evangelho e fazendo curas por toda parte» (Lc 9,6). Essa é também nossa missão: viver e meditar o Evangelho, a mesma palavra de Jesus, a fim de permitir que ela penetre no nosso penetrar interior. Assim, pouco a pouco, poderemos encontrar o caminho a seguir e a liberdade a realizar. Como escreveu são João Paulo II, «a paz deve realizar-se na verdade (...); deve realizar-se em liberdade».

Que seja o próprio Jesus Cristo, que nos chamou à fé e à felicidade eterna, quem nos encha de sua esperança e amor, Ele que nos deu uma nova vida e um futuro inesgotável.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* O evangelho de hoje traz a descrição da missão que os Doze receberam de Jesus. Mais adiante, Lucas fala da missão dos setenta e dois discípulos (Lc 10,1-12). Os dois se completam e revelam a missão da igreja.

* Lucas 9,1-2. Envio dos doze para a missão. “Jesus convocou os Doze, e lhes deu poder e autoridade sobre os demônios e para curar as doenças. E os enviou a pregar o Reino de Deus e a curar”.  Chamando os doze, Jesus intensificou o anúncio da Boa Nova. O objetivo da missão é simples e claro: eles recebem poder e autoridade para expulsar os demônios, para curar as doenças e para anunciar o Reino de Deus. Assim como o povo ficava admirado diante da autoridade de Jesus sobre os espíritos impuros e diante da sua maneira de anunciar a Boa Nova (Lc 4,32.36), o mesmo deverá acontecer com a pregação dos doze apóstolos.

* Lucas 9,3-5. As instruções para a Missão. Jesus os enviou com as seguintes recomendações: não podem levar nada “nem bastão, nem sacola, nem pão, nem dinheiro, nem duas túnicas”.  Não podem andar de casa em casa mas “em qualquer casa onde entrarem, fiquem aí, até se retirarem do lugar” Caso não forem recebidos, “sacudam a poeira dos pés, como protesto contra eles". Como veremos, estas recomendações estranhas para nós tem um significado muito importante.

* Lucas 9,6. A execução da missão. E eles foram. É o começo de uma nova etapa. Agora já não é só Jesus, mas é todo o grupo que vai anunciar a Boa Nova de Deus ao povo. Se a pregação de Jesus já dava conflito, quanto mais agora, com a pregação de todo o grupo.

* Os quarto pontos básicos da missão. No tempo de Jesus havia vários outros movimentos de renovação: essênios, fariseus, zelotes. Também eles procuravam uma nova maneira de conviver em comunidade e tinham os seus missionários (cf. Mt 23,15). Mas estes, quando iam em missão, iam prevenidos. Levavam sacola e dinheiro para cuidar da sua própria comida. Pois não confiavam na comida do povo que nem sempre era ritualmente “pura”. Ao contrário dos outros missionários, os discípulos e as discípulas de Jesus receberam recomendações diferentes que nos ajudam a entender os pontos fundamentais da missão de anunciar a Boa Nova:

1) Devem ir sem nada (Lc 9,3; 10,4). Isto significa que Jesus os obriga a confiar na hospitalidade. Pois quem vai sem nada, vai porque confia no povo e acredita que vai ser recebido. Com esta atitude eles criticam as leis de exclusão, ensinadas pela religião oficial, e mostravam, pela nova prática, que tinham outros critérios de comunidade.

2) Devem ficar hospedados na primeira casa até se retirar do lugar (Lc 9,4; 10,7). Isto é, devem conviver de maneira estável e não andar de casa em casa. Devem trabalhar como todo mundo e viver do que recebem em troca, “pois o operário merece o seu salário” (Lc 10,7). Com outras palavras, eles devem participar da vida e do trabalho do povo, e o povo os acolherá na sua comunidade e partilhará com eles casa e comida. Isto significa que devem confiar na partilha. Isto também explica a severidade da crítica contra os que recusavam a mensagem: sacudir a poeira dos pés, como protesto contra eles (Lc 10,10-12), pois não recusam algo novo, mas sim o seu próprio passado.

3) Devem tratar dos doentes e expulsar os demônios (Lc 9,1; 10,9; Mt 10,8). Isto é, devem exercer a função de “defensor” (goêl) e acolher para dentro do clã, dentro da comunidade, os excluídos. Com esta atitude criticam a situação de desintegração da vida comunitária do clã e apontam saídas concretas. A expulsão de demônios é sinal de que chegou o Reino de Deus (Lc 11,20).

4) Devem comer o que o povo lhes dava (Lc 10,8). Não podem viver separados com sua própria comida mas devem aceitar a comunhão de mesa. Isto significa que, no contato com o povo, não devem ter medo de perder a pureza tal como era ensinada na época. Com esta atitude criticam as leis da pureza em vigor e mostram, pela nova prática, que possuem outro acesso à pureza, isto é, à intimidade com Deus.

Estes eram os quatro pontos básicos da vida comunitária que deviam marcar a atitude dos missionários ou das missionárias que anunciavam a Boa Nova de Deus em nome de Jesus: hospitalidade, partilha, comunhão de mesa, e acolhida aos excluídos (defensor, goêl). Caso estas quatro exigências fossem preenchidas, eles podiam e deviam gritar aos quatro ventos: “O Reino chegou!” (cf. Lc 10,1-12; 9,1-6; Mc 6,7-13; Mt 10,6-16). Pois o Reino de Deus que Jesus nos revelou não é uma doutrina, nem um catecismo, nem uma lei. O Reino de Deus acontece e se faz presente quando as pessoas, motivadas pela sua fé em Jesus, decidem conviver em comunidade para, assim, testemunhar e revelar a todos que Deus é Pai e Mãe e que, portanto, nós, seres humanos, somos irmãos e irmãs uns dos outros. Jesus queria que a comunidade local fosse novamente uma expressão da Aliança, do Reino, do amor de Deus como Pai, que faz de todos irmãos e irmãs.

Para um confronto pessoal

1. A participação na comunidade tem ajudado você a acolher e a confiar mais nas pessoas, sobretudo nos mais simples e pobres?

2. Qual o ponto da missão dos apóstolos que tem maior importância para nós hoje? Por que?

21 de setembro: São Mateus, apóstolo e evangelista

Ven Jerônimo Gracian da Mãe de Deus, presbítero de nossa Ordem

1ª Leitura (Ef 4,1-7.11-13): Irmãos: Eu, prisioneiro pela causa do Senhor, recomendo-vos que vos comporteis segundo a maneira de viver a que fostes chamados: procedei com toda a humildade, mansidão e paciência; suportai-vos uns aos outros com caridade; empenhai-vos em manter a unidade do espírito pelo vínculo da paz. Há um só Corpo e um só Espírito, como existe uma só esperança na vida a que fostes chamados. Há um só Senhor, uma só fé, um só Baptismo. Há um só Deus e Pai de todos, que está acima de todos, atua em todos e em todos Se encontra. A cada um de nós foi concedida a graça, na medida em que recebeu o dom de Cristo. Foi Ele que a uns constituiu apóstolos, a outros evangelistas e a outros pastores e mestres, para o aperfeiçoamento dos cristãos, em ordem ao trabalho do ministério, para a edificação do Corpo de Cristo, até que cheguemos todos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, ao estado de homem perfeito, à medida de Cristo na sua plenitude.

Salmo Responsorial: 18

R. A sua mensagem ressoou por toda a terra.

Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos. O dia transmite ao outro esta mensagem e a noite a dá a conhecer à outra noite.

Não são palavras nem linguagem cujo sentido se não perceba. O seu eco ressoou por toda a terra e a sua notícia até aos confins do mundo.

Aleluia. Nós Vos louvamos, ó Deus; nós Vos bendizemos, Senhor. O coro glorioso dos Apóstolos canta os vossos louvores. Aleluia.

Evangelho (Mt 9,9-13): Ao passar, Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: «Segue-me!». Ele se levantou e seguiu-o. Depois, enquanto estava à mesa na casa de Mateus, vieram muitos publicanos e pecadores e sentaram-se à mesa, junto com Jesus e seus discípulos. Alguns fariseus viram isso e disseram aos discípulos: «Por que vosso mestre come com os publicanos e pecadores?». Tendo ouvido a pergunta, Jesus disse: «Não são as pessoas com saúde que precisam de médico, mas as doentes. Ide, pois, aprender o que significa: Misericórdia eu quero, não sacrifícios. De fato, não é a justos que vim chamar, mas a pecadores».

«Não é a justos que vim chamar, mas a pecadores»

Rev. D. Joan PUJOL i Balcells (La Seu d'Urgell, Lleida, Espanha)

Hoje celebramos a festa do apóstolo e evangelista São Mateus. Ele mesmo nos conta no seu Evangelho sobre a sua conversão. Estava sentado na coletoria de impostos e Jesus o convidou a segui-lo. Mateus -diz o Evangelho- «se levantou e seguiu-o» (Mt 9,9). Com Mateus chega ao grupo dos Doze um homem totalmente diferente dos outros apóstolos, tanto pela sua formação como pela sua posição social e riqueza. Seu pai lhe fez estudar economia para poder fixar o preço do trigo e do vinho, dos peixes que seriam trazidos por Pedro e André e os filhos de Zebedeu e o das pérolas preciosas das quais fala o Evangelho.

Seu ofício, de coletor de impostos, era mal visto. Aqueles que o exerciam eram considerados publicanos e pecadores. Estava ao serviço do rei Herodes, senhor da Galileia, um rei detestado pelo seu povo e que o Novo Testamento nos apresenta como um adúltero, o assassino de João Batista e aquele que escarneceu Jesus a Sexta Feira Santa. O que pensaria Mateus quando ia render contas ao Rei Herodes? A conversão de Mateus devia supor uma verdadeira liberação, como o demonstra o banquete ao que convidou os publicanos e pecadores. Foi a sua maneira de demonstrar agradecimento ao Mestre por ter podido sair de uma situação miserável e encontrar a verdadeira felicidade. São Beda o Venerável, comentando a conversão de Mateus, escreve: «A conversão de um coletor de impostos dá exemplo de penitência e de indulgência a outros coletores de impostos e pecadores (...). No primeiro instante da sua conversão, atrai até Ele, que é como dizer até a salvação, a um grupo inteiro de pecadores».

Na sua conversão se faz presente a misericórdia de Deus como se manifesta nas palavras de Jesus frente à crítica dos fariseus: «Misericórdia eu quero, não sacrifícios. De fato, não é a justos que vim chamar, mas a pecadores» (Mt 9,13).

Reflexão

* Mateus 9,9:  O chamado para seguir Jesus. As primeiras pessoas chamadas para seguir Jesus eram quatro pescadores, todos judeus (Mt 4,18-22). Agora, Jesus chama um publicano, considerado pecador e tratado como impuro pelas comunidades mais observantes dos fariseus. Nos outros evangelhos, este publicano se chama Levi. Aqui, o nome dele é Mateus que significa dom de Deus ou dado por Deus. As comunidades, em vez de excluir o publicano como impuro, devem considerá-lo como um Dom de Deus para a comunidade, pois a presença dele faz com que a comunidade se torne sinal de salvação para todos! Como os primeiros quatro chamados, assim o publicano Mateus larga tudo que tem e segue Jesus. O seguimento de Jesus exige ruptura. Mateus largou a coletoria, sua fonte de renda, e foi atrás de Jesus!

* Mateus 9,10: Jesus senta à mesa junto com pecadores e publicanos. Naquele tempo, os judeus viviam separados dos pagãos e dos pecadores e não comiam com eles na mesma mesa. Os judeus cristãos deviam romper este isolamento e criar comunhão de mesa com os pagãos e os impuros. Foi isto que Jesus ensinou no Sermão da Montanha como sendo uma expressão do amor universal de Deus Pai. (Mt 5,44-48). A missão das comunidades era oferecer um lugar aos que não tinham lugar. Mas esta nova lei não era aceita por todos. Em algumas comunidades, as pessoas vindas do paganismo, mesmo sendo cristãs, não eram aceitas na mesma mesa (cf. At 10,28; 11,3; Gal 2,12). O texto do evangelho de hoje mostra como Jesus comia com publicanos e pecadores na mesma casa e na mesma mesa. 

* Mateus 9,11: A pergunta dos fariseus. Para os judeus era proibida a comunhão de mesa com publicanos e pagãos, mas Jesus nem liga. Ele até faz uma confraternização com eles. Os fariseus, vendo a atitude de Jesus, perguntam aos discípulos: "Por que o mestre de vocês come com os cobradores de impostos e os pecadores?" Esta pergunta pode ser interpretada como expressão do desejo deles de quererem saber por que Jesus agia assim. Outros interpretam a pergunta como crítica deles ao comportamento de Jesus, pois durante mais de quinhentos anos, desde os tempos do cativeiro na Babilônia até à época de Jesus, os judeus tinham observado as leis da pureza. Esta observância secular tornou-se para eles um forte sinal identidade. Ao mesmo tempo, era fator de sua separação no meio dos outros povos. Assim, por causa das leis da pureza, não podiam nem conseguiam sentar na mesma mesa para comer com pagãos. Comer com pagãos significava contaminar-se, tornar-se impuro. Os preceitos da pureza legal eram rigorosamente observados, tanto na Palestina como nas comunidades judaicas da Diáspora. Na época de Jesus, havia mais de quinhentos preceitos para preservar a pureza. Nos anos setenta, época em que Mateus escreve, este conflito era muito atual.

* Mateus 9,12-13: Eu quero misericórdia e não sacrifício. Jesus ouviu a pergunta dos fariseus aos discípulos e responde com dois esclarecimentos. O primeiro é tirado do bom senso: "As pessoas que têm saúde não precisam de médico, mas só as que estão doentes”. O outro é tirado da Bíblia: “Aprendam, pois, o que significa: Eu quero a misericórdia e não o sacrifício”. Por meio destes dois esclarecimentos Jesus explicita e esclarece a sua missão junto ao povo: “Eu não vim para chamar os justos, e sim os pecadores".  Jesus nega a crítica dos fariseus, nem aceita os argumentos deles, pois nasciam de uma ideia falsa da Lei de Deus. Ele mesmo invoca a Bíblia: "Eu quero misericórdia e não sacrifício!" Para Jesus a misericórdia é mais importante que a pureza legal. Ele apela para a tradição profética para dizer que a misericórdia vale mais para Deus do que os todos sacrifícios (Os 6,6; Is 1,10-17). Deus tem entranhas de misericórdia, que se comovem diante das faltas do seu povo (Os 11,8-9).

Para um confronto pessoal

1. Hoje, na nossa sociedade, quem é o marginalizado e o excluído? Por que? Na nossa comunidade temos preconceitos? Quais? Qual o desafio que as palavras de Jesus colocam para a nossa comunidade hoje?

2. Jesus manda o povo ler e entender o Antigo Testamento que diz: "Quero misericórdia e não sacrifício". O que Jesus quer com isto para nós hoje?

Segunda-feira da 25ª semana do Tempo Comum

1ª Leitura (1Esd 1,1-6): No primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia, para se cumprir a palavra do Senhor, pronunciada pela boca de Jeremias, o Senhor despertou o espírito de Ciro, rei da Pérsia, que mandou publicar em todo o seu reino, de viva voz e por escrito, a seguinte proclamação: «Assim fala Ciro, rei da Pérsia: O Senhor, Deus do Céu, entregou-me todos os reinos da terra e Ele próprio me encarregou de Lhe construir um templo em Jerusalém, na terra de Judá. Quem de entre vós faz parte do seu povo? O seu Deus esteja com ele e suba a Jerusalém de Judá, para construir o templo do Senhor, o Deus de Israel, que habita em Jerusalém. E todos os sobreviventes do povo, onde quer que residam, devem ser ajudados pelos habitantes do lugar, com prata, ouro, bens e rebanhos, e também com oferendas voluntárias, para o templo de Deus, que habita em Jerusalém». Então levantaram-se os chefes de família de Judá e de Benjamim, os sacerdotes e os levitas, enfim, todos os que o Senhor inspirou para reconstruir o templo do Senhor em Jerusalém. Todos os seus vizinhos os ajudaram em tudo, com prata, ouro, bens, rebanhos e objetos preciosos, e também com toda a espécie de ofertas voluntárias.

Salmo Responsorial: 125

R. O Senhor fez maravilhas em favor do seu povo.

Quando o Senhor fez regressar os cativos de Sião, parecia-nos viver um sonho. Da nossa boca brotavam expressões de alegria e de nossos lábios cânticos de júbilo.

Diziam então os pagãos: «O Senhor fez por eles grandes coisas». Sim, grandes coisas fez por nós o Senhor, estamos exultantes de alegria.

Fazei regressar, Senhor, os nossos cativos, como as torrentes do deserto. Os que semeiam em lágrimas recolhem com alegria.

À ida, vão a chorar, levando as sementes; à volta, vêm a cantar, trazendo os molhos de espigas.

Aleluia. Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus. Aleluia.

Evangelho (Lc 8,16-18): «Ninguém acende uma lâmpada para escondê-la debaixo de uma vasilha ou colocá-la debaixo da cama; ela é posta no candelabro, a fim de que os que entram vejam a claridade. Ora, nada há de escondido que não venha a ser descoberto. Nada há de secreto que não venha a ser conhecido e se tornar público. Olhai, portanto, a maneira como ouvis! Pois a quem tem será dado, e a quem não tem, até aquilo que julga ter lhe será tirado!».

«Ela é posta no candelabro, a fim de que os que entram vejam a claridade »

+ Rev. D. Joaquim FONT i Gassol (Igualada, Barcelona, Espanha)

Hoje, este Evangelho tão breve é rico em temas que chamam a nossa atenção. Em primeiro lugar, “dar luz”: tudo é evidente aos olhos de Deus! Segundo grande tema: as Graças estão encadeadas, a fidelidade a uma atrai as outras: «Gratia pro Gratia» (Jo 1,16).

Luz para os que entram na Igreja! Desde há séculos, as mães cristãs ensinaram os seus filhos na intimidade, com palavras expressivas, mas sobretudo com a “luz” do seu bom exemplo. Também semearam, com a típica candura popular e evangélica, comprimida em muitos provérbios, plenos de sabedoria e, ao mesmo tempo, de fé. Um deles é o seguinte: «Iluminar e não defumar». São Mateus diz-nos: «…onde ela brilha para todos os que estão em casa. Assim também brilhe a vossa luz diante das pessoas, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus (Mt 5,15-16).

O nosso exame de consciência, no final de cada dia, pode comparar-se ao trabalho do lojista, que verifica a caixa para ver o fruto do seu trabalho. Não começa por perguntar: Quanto perdi? Antes, pelo contrário: Quanto ganhei? E imediatamente: Como poderei ganhar mais amanhã, que posso fazer para melhorar? A revisão do nosso dia acaba com uma ação de graças e, por contraste, com um ato de dor amoroso. Dói-me não ter amado mais, e espero cheio de confiança, começar amanhã o novo dia para agradar mais a Nosso Senhor, que sempre me vê, e me acompanha e me ama tanto. Quero proporcionar mais luz e diminuir o fumo do fogo do meu amor.

Nos serões familiares, os pais e os avós forjaram – e continuam a forjar – a personalidade e a piedade das crianças de hoje e dos homens de amanhã. Vale a pena! É urgente! Maria, Estrela da Manhã, Virgem do amanhecer que precede a Luz do Sol-Jesus, guia-nos e dá-nos a mão. «Oh, Virgem ditosa! É impossível que se perca aquele em quem pões o teu olhar» (Santo Anselmo).

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* O evangelho de hoje traz três pequenos dizeres de Jesus. São frases soltas que Lucas colocou aqui logo depois da parábola da semente (Lc 8,4-8) e da sua explicação aos discípulos (Lc 8,9-15). Este contexto literário, em que Lucas colocou as três frases, ajuda a entender como ele quer que a gente entenda estas frases de Jesus.

* Lucas 8,16: A lâmpada que ilumina. "Ninguém acende uma lâmpada para cobri-la com uma vasilha ou colocá-la debaixo da cama. Ele a coloca no candeeiro, a fim de que todos os que entram, vejam a luz”.  Esta frase de Jesus é uma pequena parábola. Jesus não explica, pois todo mundo sabia de que se tratava. Era algo da vida de todos os dias. Naquele tempo, não havia luz elétrica. Você imagine o seguinte. A família está reunida em casa. Começa a escurecer. Alguém levanta, pega a lamparina, acende e coloca debaixo de um caixote ou debaixo de uma cama. O que o pessoal vai dizer? Todo mundo vai gritar: “Seu bobo! Coloque a luz na mesa!” Numa reunião bíblica, alguém fez o seguinte comentário: A palavra de Deus é uma lamparina para ser acesa na escuridão da noite. Enquanto ela estiver dentro do livro fechado da Bíblia, ela é como a lamparina debaixo do caixote. Ela só é colocada na mesa e ilumina a casa, quando for lida em comunidade e ligada à vida.

No contexto em que Lucas colocou esta frase, ela se refere à explicação que Jesus deu da parábola da semente (Lc 8,9-15). É como se dissesse: as coisas que vocês acabaram de ouvir, vocês não devem guardá-las para si mesmos, mas devem irradiá-las aos outros. Um cristão não deve ter medo de dar testemunho e de irradiar a Boa Nova. Humildade é importante, mas é falsa a humildade que esconde os dons de Deus dados para edificar a comunidade (1Cor 12,4-26; Rom 12,3-8).

* Lucas 8,17: O escondido se tornará manifesto. “Tudo o que está escondido, deverá tornar-se manifesto; e tudo o que está em segredo, deverá tornar-se conhecido e claramente manifesto.”  Esta segunda frase de Jesus, de acordo com o contexto em que foi posto por Lucas, também se refere aos ensinamentos que Jesus deu em particular aos discípulos (Lc 8,9-10). Os discípulos não podem conservá-los só para si, mas devem divulgá-los, pois fazem parte da Boa Nova de Deus que Jesus nos trouxe.

* Lucas 8,18: Prestar atenção aos preconceitos. “Prestem atenção como vocês ouvem: para quem tem alguma coisa, será dado ainda mais; para aquele que não tem, será tirado até mesmo o que ele pensa ter". Naquele tempo, havia muitos preconceitos sobre o Messias que impediam o povo de entender de maneira correta a Boa Nova do Reino que Jesus anunciava. Por isso, esta advertência de Jesus com relação aos preconceitos tinha muita atualidade. Jesus pede aos discípulos para tomar consciência dos preconceitos com que escutam o ensinamento que ele lhes oferece. Através desta frase de Jesus, Lucas está dizendo às comunidades e a todos nós: “Prestem bem atenção nas ideias com que vocês olham para Jesus!”  Pois, se a cor dos óculos é verde, tudo aparece verde. Se for azul, tudo será azul! Se a ideia com que eu olho para Jesus for errada, tudo o que penso, recebo e ensino sobre Jesus estará ameaçado de erro. Se eu penso que o messias deve ser um rei glorioso, não vou entender nada do que Jesus ensina sobre a Cruz, sobre o sofrimento, perseguição e compromisso, e até vou perder aquilo que eu pensava possuir. Unindo esta terceira frase com a primeira, pode-se concluir o seguinte: quem segurar fechado em si o que receber e não o distribuir aos outros, perde aquilo que tem, pois vai apodrecer.

Para um confronto pessoal

1. Você já teve experiência de preconceitos que o impediam de perceber e de apreciar no seu devido valor, as coisas boas que as pessoas fazem?

2. Você já percebeu os preconceitos que estão por trás de certas histórias, piadas e parábolas que as pessoas contam?

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Domingo XXV do Tempo Comum

 175 anos da aparição de Nossa Senhora da Salete
S. Gennaro, bispo e mártir

1ª Leitura (Sab 2,12.17-20): Disseram os ímpios: «Armemos ciladas ao justo, porque nos incomoda e se opõe às nossas obras; censura-nos as transgressões à lei e repreende-nos as faltas de educação. Vejamos se as suas palavras são verdadeiras, observemos como é a sua morte. Porque, se o justo é filho de Deus, Deus o protegerá e o livrará das mãos dos seus adversários. Provemo-lo com ultrajes e torturas, para conhecermos a sua mansidão e apreciarmos a sua paciência. Condenemo-lo à morte infame, porque, segundo diz, Alguém virá socorrê-lo.

Salmo Responsorial: 53

R. O Senhor sustenta a minha vida.

Senhor, salvai-me pelo vosso nome, pelo vosso poder fazei-me justiça. Senhor, ouvi a minha oração, atendei às palavras da minha boca.

Levantaram-se contra mim os arrogantes e os violentos atentaram contra a minha vida. Não têm a Deus na sua presença.

Deus vem em meu auxílio, o Senhor sustenta a minha vida. De bom grado oferecerei sacrifícios, cantarei a glória do vosso nome, Senhor.

2ª Leitura (Tg 3,16—4,3): Caríssimos: Onde há inveja e rivalidade, também há desordem e toda a espécie de más ações. Mas a sabedoria que vem do alto é pura, pacífica, compreensiva e generosa, cheia de misericórdia e de boas obras, imparcial e sem hipocrisia. O fruto da justiça semeia-se na paz para aqueles que praticam a paz. De onde vêm as guerras? De onde procedem os conflitos entre vós? Não é precisamente das paixões que lutam nos vossos membros? Cobiçais e nada conseguis: então assassinais. Sois invejosos e não podeis obter nada: então entrais em conflitos e guerras. Nada tendes, porque nada pedis. Pedis e não recebeis, porque pedis mal, pois o que pedis é para satisfazer as vossas paixões.

Aleluia. Deus chamou-nos por meio do Evangelho, para alcançarmos a glória de Nosso Senhor Jesus Cristo. Aleluia.

Evangelho (Mc 9,30-37): Partindo dali, Jesus e seus discípulos atravessavam a Galileia, mas ele não queria que ninguém o soubesse. Ele ensinava seus discípulos e dizia-lhes: «O Filho do Homem vai ser entregue às mãos dos homens, e eles o matarão. Morto, porém, três dias depois ressuscitará». Mas eles não compreendiam o que lhes dizia e tinham medo de perguntar. Chegaram a Cafarnaum. Estando em casa, Jesus perguntou-lhes: «Que discutíeis pelo caminho?». Eles, no entanto, ficaram calados, porque pelo caminho tinham discutido quem era o maior. Jesus sentou-se, chamou os Doze e lhes disse: «Se alguém quiser ser o primeiro, seja o último de todos, aquele que serve a todos!». Em seguida, pegou uma criança, colocou-a no meio deles e, abraçando-a, disse: «Quem acolher em meu nome uma destas crianças, estará acolhendo a mim mesmo. E quem me acolher, estará acolhendo, não a mim, mas Àquele que me enviou».

«O Filho do Homem vai ser entregue (...). Morto, porém, três dias depois ressuscitará»

Rev. D. Pedro-José YNARAJA i Díaz (El Montanyà, Barcelona, Espanha)

Hoje, o Evangelho conta-nos que Jesus caminhava com os seus discípulos, evitando povoados, por uma grande planície. Para se conhecerem, não há nada melhor que caminhar e viajar em companhia. Surge então com facilidade a confidência. E a confidência é confiança. E a confiança é comunicar amor. O amor deslumbra e impressiona ao descobrirmos o mistério que se alberga no mais íntimo do coração humano. Com emoção, o Maestro fala aos seus discípulos do mistério que rói o seu interior. Umas vezes é ilusão, outras, ao pensá-lo, sente medo; a maioria das vezes sabe que não o entenderão. Mas eles são seus amigos, deve comunicar-lhes tudo o que recebeu do Pai e até agora assim o vem fazendo. Não o entendem, mas estão em sintonia com a emoção com que lhes fala, que é estima, prova de que eles contam com Ele, mesmo que seja pouca coisa, para conseguir que os seus projetos tenham êxito. Será entregue, o matarão, mas ressuscitará ao terceiro dia (cf. Mc 9,31).

Morte e ressurreição. Para uns serão conceitos enigmáticos; para outros axiomas inaceitáveis. Ele veio revela-lo, a gritar que chegou a sorte gozosa para o gênero humano, apesar que para que assim seja terá Ele, o amigo, o irmão mais velho, o Filho do Pai, que passar por cruéis sofrimentos. Mas, oh triste paradoxo: enquanto vive essa tragédia interior, eles discutem sobre quem subirá mais alto no pódio dos campeões, quando chegue ao final da corrida para o seu Reino. Agimos nós de maneira diferente? Quem está livre de ambição que atire a primeira pedra.

Jesus proclama novos valores. O importante não é triunfar, mas sim servir; assim o demonstrará no dia culminante do seu quefazer evangelizador, lavando-lhes os pés. A grandeza não está na erudição do sábio mas sim na ingenuidade da criança. «Ainda que soubesses de memória toda a Bíblia e as sentenças de todos os filósofos, de que te serviria tudo isso sem caridade e sem graça de Deus?» (Tomás de Kempis). Saudando o sábio satisfazemos a nossa vaidade, abraçando o menino abraçamos a Deus e dele nos contagiamos e nos divinizamos.

A humildade nos ajuda a andar em verdade!

Postado por ✝ icatolica.com

A liturgia do 25º Domingo do Comum convida os crentes a prescindir da “sabedoria do mundo” e a escolher a “sabedoria de Deus”. Só a “sabedoria de Deus” – dizem os textos bíblicos deste domingo – possibilitará ao homem o acesso à vida plena, à felicidade sem fim.

Jesus, sabendo que os discípulos “haviam discutido entre si qual deles seria o maior” (Mc 9,34), lhes dá uma lição de humildade: “Se alguém quiser ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos” (Mc 9,35).

A humildade encontra-se nos fundamentos da vida interior, ou seja, ela está na raiz de outras virtudes. A humildade remove os obstáculos para que a pessoa receba as graças de Deus, já que “Deus resiste aos soberbos e dá a sua graça aos humildes” (Tg 4,6). A humildade e a fé formam um par maravilhoso: a primeira remove os obstáculos à graça, entre os quais o orgulho; a segunda estabelece o primeiro contato com Deus.

A humildade se funda na verdade e na justiça. Santa Teresa dizia que a humildade é andar em verdade. A humildade nos dá o conhecimento, cada vez mais profundo, sobre nós mesmos. Também se funda na justiça porque exige que o ser humano dê a Deus toda a honra e toda a glória.

Na prática, humildade não é dizer que não se tem qualidades, quando na verdade se tem (isso seria hipocrisia); tampouco se trata de inventar qualidades que não possuímos (isso seria mentira e soberba). Não podemos buscar uma espécie de “humildade de jogadores de futebol” em entrevistas, mais ou menos assim e com os clássicos erros de português: “É, nós estamos de parabéns, apesar de nós não ter feito todos os gol que queria, agente seguimos as orientações do técnico e joguemos com humildade, e, provamos que com nós ninguém pode…”. Além de evitar este tipo de humildade, o cristão não pode ser uma pessoa encolhida: sem ideias próprias, meio covarde, com cara de coitado, um “Jeca Tatu”.

A humildade autoriza o filho de Deus a admirar todos os dons, naturais e sobrenaturais, que recebeu, mas sem atribuir-se a si mesmo o magnífico lenço pintado que vê em si, pois sabe que o divino Artista é Deus, para quem deve ir encaminhada toda a glória. Esta virtude também nos ajuda a ver a nossa pequenez e o quanto somos fracos. Em suma, a humildade é uma disposição da alma que nos inclina a moderar o apetite da própria excelência, levando-nos a evitar tanto a hipocrisia quanto a soberba.

A hipocrisia é ridícula! Andar cabisbaixo, com a cabeça meio torta e negar virtudes que se tem são, no fundo, características de uma falsa humildade. O curioso é que tais pessoas poderiam dizer de si mesmas: “eu sou um pobre pecador, não valho nada, sou um orgulhoso. Que Deus tenha pena de mim!”. Mas, se alguém lhe diz: “você é um orgulhoso e um pobre pecador”, então elas se irritam ao extremo. Ou seja: outros não podem dizer aquilo que elas dizem sem acreditar. É preciso lutar também contra a sensibilidade doentia: “o que pensarão de mim?”, “o que dirão de mim?”, “será que eles gostaram?”, “magoaram-me!” Nós não precisamos desprezar-nos diante dos outros para mostrar que somos humildes, mas também não precisamos supervalorizar-nos internamente. É suficiente mostrar-nos como somos, isto é, com autenticidade e moderando a própria desordem interior. Quando se é inteligente, por exemplo, e alguém elogia isso em nós, podemos dizer simplesmente um “obrigado”. Também é importante que, aceitado o elogio, dirijamos, no silêncio do nosso coração, esse louvor ao Senhor: “para Deus toda a glória!”

Por outro lado, não vamos andar por aí divulgando as nossas virtudes, os nossos cargos e as nossas responsabilidades; poderiam ser manifestações de soberba. Outra coisa seria a necessidade de utilizar alguma vez uma coisa meritória que tenhamos feito para reclamar um direito que por justiça nos pertence. Um exemplo: o aluno que estudou muito e fez uma boa prova tem o direito de que lhe deem uma boa nota; se fez uma ótima prova, a nota também deverá ser ótima. Não é soberba ir reclamar com o professor no caso de que a nota tenha sido baixa ou menor do que aquela que ele julgava justa. Em nome da verdade e sem falsa humildade, o tal aluno pode – e até deveria – reclamar e lutar pelos seus direitos.

Jesus nos convida hoje a reconquista da infância espiritual.

Protagonistas à primeira vista no evangelho de hoje: as crianças. Os japoneses tem a criança na vitrina, os alemães no colégio, os espanhóis nos altares. Os judeus, pelo contrário, aguentavam-na porque algum dia seria um adulto. A sua presencia não significava nada nas sinagogas, nem em nenhuma parte. Parecia que chegar a ser velho era o topo dos méritos. Conversar com uma criança era jogar fora as próprias palavras. Quando vemos os apóstolos afastando do seu Mestre os pequeninos, entendemos que não faziam senão o que teriam feito qualquer judeu da época. Mas Jesus quebraria com a sua época. Onde prevalecia a astúcia, entronizaria a simplicidade; onde mandava a força, levantaria a debilidade; num mundo de velhos, pediria aos seus apóstolos que se tornassem a ser como crianças.

A criança ordinariamente não tende a fazer trapaça, não é maliciosa (1 leitura). A criança nem se deixa levar da cobiça até o ponto de ambicionar o indesejável (2 leitura). A criança é transparente, sincera. Quem melhor entendeu esta infância espiritual que Santa Teresinha do Menino Jesus. Eis aqui as suas palavras: “posso, pois, apesar da minha pequenez, aspirar à santidade. Engrandecer-me, é impossível! Tenho que me suportar assim como sou, com as minhas inumeráveis imperfeições; mas quero buscar o jeito de ir para o céu, por um caminhozinho muito reto, muito curto, por um caminhozinho inteiramente novo... Quero também encontrar um elevador para chegar até Jesus, já que sou pequena demais para subir pela rude escada da perfeição... Pedi, então, aos Livros Santos que me indiquem o elevador desejado, e encontrei estas palavras pronunciadas pela boca da mesma Sabedoria eterna: Se alguém for pequeno que venha a mim. Aproximei-me, pois, a Deus, adivinhando que tinha encontrado o que procurava, e, ao querer saber o que fará Deus com o pequeninho, continuei buscando, e eis aqui o que encontrei: Como uma mãe acaricia o seu filhinho, assim eu os consolarei; sereis levados ao meu peito, e eu os acariciarei sobre o meu colo... Ah, nunca tinham vindo para alegrar a minha alma umas palavras tão ternas e tão melodiosas. O elevador, que vai me levar para o céu, são os vossos braços, ó Jesus! Para isto, não tenho nenhuma necessidade de crescer, antes, pelo contrário, convém que continue sendo pequena e, cada dia, seja mais e mais”.

Jesus nos convida hoje a reconquista da infância espiritual. Deixo-lhes aqui uns parágrafos do meu livro sobre Jesus Cristo: “a infância que Jesus propõe não é o infantilismo, que é sinônimo de imaturidade, egoísmo, capricho. É, pelo contrário, a reconquista da inocência, da limpeza interior, do olhar limpo das coisas e das pessoas, desse sorriso sincero e cristalino, desse compartilhar generosamente as minhas coisas e o meu tempo. Infância significa simplicidade espiritual, esse não me complicar, não ser retorcido, não buscar segundas intenções. Infância espiritual significa confiança ilimitada em Deus, o meu Pai, fé serena e amor sem limites. Infância espiritual é não deixar envelhecer o coração, conservá-lo sempre jovem, terno, doce e amável. Infância espiritual é não pedir contar nem garantias a Deus. Agora bem, a infância espiritual não significa ignorância das coisas, mas o saber essas coisas, olhá-las, pensá-las, julgá-las como Deus faria. A tergiversação das coisas, a manipulação das coisas, os preconceitos e as reservas, já traz consigo a malícia de quem se acha inteligente e esperto. E esta malícia dá morte à infância espiritual. A infância espiritual não significa viver sem cruz, de costas para a cruz; não significa escolher o lado doce da vida, nem sequer nos esconder e vendar os nossos próprios olhos para não vermos o mal que pulula no nosso mundo. Não. A infância espiritual, compreendida muito bem por Santa Teresinha do Menino Jesus, supõe ver muito mais profundo os males e tratar de solucioná-los com a oração e o sacrifício. E diante da cruz, colocar um rosto sereno, confiante e inclusive sorridente. Quase ninguém das suas irmãs do Carmelo se dava conta do muito que sofria Santa Teresinha. Ela vivia abandonada nas mãos do seu Pai Deus. E isso era suficiente”.

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Sábado XXIV do Tempo Comum

I Leitura (1Tm 6,13-16): Em presença de Deus, que dá a vida a todas as coisas, e de Cristo Jesus, que ante Pôncio Pilatos abertamente testemunhou a verdade, recomendo-te que guardes o mandamento sem mácula, irrepreensível, até a aparição de nosso Senhor Jesus Cristo, a qual a seu tempo será realizada pelo bem-aventurado e único Soberano, Rei dos reis e Senhor dos senhores, o único que possui a imortalidade e habita em luz inacessível, a quem nenhum homem viu, nem pode ver. A ele, honra e poder eterno! Amém.

Salmo Responsorial 99/100

R. Com canto apresentai-vos diante do Senhor!

Aclamai o Senhor, ó terra inteira, servi ao Senhor com alegria, ide a ele, cantando jubilosos!

Sabei que o Senhor, só ele, é Deus, ele mesmo nos fez, e somos seus, nós somos seu povo e seu rebanho.

Entrai por suas portas dando graças e em seus átrios com hinos de louvor; dai-lhe graças, seu nome bendizei!

Sim, é bom o Senhor e nosso Deus, sua bondade perdura para sempre, seu amor é fiel eternamente!

Aleluia. Felizes os que observam a palavra do Senhor de reto coração e que produzem muitos frutos, até o fim perseverantes! Aleluia

Evangelho (Lc 8,4-15): Naquele tempo, ajuntou-se uma grande multidão, e de todas as cidades iam até Jesus. Ele, então, contou uma parábola: «O semeador saiu a semear. Ao semear, uma parte da semente caiu à beira do caminho e foi pisada; e os pássaros do céu a comeram. Outra parte caiu sobre as pedras; brotou, mas secou, por falta de umidade. Outra parte caiu entre os espinhos e, crescendo ao mesmo tempo, os espinhos a sufocaram. Ainda outra parte caiu em terra boa; brotou e deu frutos, até cem por um». Depois de dizer isso, ele exclamou: «Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!». Seus discípulos faziam perguntas sobre o sentido da parábola. Jesus, então, lhes disse: «A vós foi dado conhecer os mistérios do Reino de Deus. Aos outros, porém, só por meio de parábolas, de modo que, olhando, não enxergam e ouvindo, não entendem. A parábola quer dizer o seguinte: a semente é a Palavra de Deus. Os que caem à beira do caminho são os que escutam, mas logo vem o Diabo e arranca a palavra do seu coração, para que não acreditem e não se salvem. Os que ficam sobre as pedras são os que ouvem e acolhem a palavra com alegria, mas não têm raízes. Por um momento, acreditam, mas quando chega a tentação, desistem. Aquilo que caiu entre os espinhos são os que escutam, mas vivendo em meio às preocupações, as riquezas e os prazeres da vida, são sufocados e não chegam a amadurecer. O que caiu em terra boa são aqueles que, ouvindo com um coração bom e generoso, conservam a Palavra e dão fruto pela perseverança».

«O que caiu em terra boa são aqueles que, (...) dão fruto pela perseverança»

Rev. D. Lluís RAVENTÓS i Artés (Tarragona, Espanha)

Hoje, Jesus nos fala de um semeador que «saiu a semear» (Lc 8,5) e aquela semente era precisamente «a Palavra de Deus». Mas «crescendo ao mesmo tempo, os espinhos a sufocaram» (Lc 8,7).

Há uma grande variedade de espinhos. «Aquilo que caiu entre os espinhos são os que escutam, mas vivendo em meio as preocupações, as riquezas e os prazeres da vida, são sufocados e não chegam a amadurecer» (Lc 8,14).

-Senhor, por acaso sou culpável de ter preocupações? Já quisera não tê-las, mas vêm por todas partes! Não entendo por que hão de privar-me da sua Palavra, se não são pecado, nem vicio, nem defeito.

-Por que esquece que Eu sou o seu Pai e deixa-se escravizar por uma manhã que não sabe se chegará!

«Se vivêssemos com mais confiança na Providência divina, seguros -com uma fé firmíssima- dessa proteção diária que nunca nos falta, quantas preocupações ou aflições nos pouparíamos! Desapareceria uma quantidade de quimeras que, na boca de Jesus, são próprias dos pagãos, dos homens mundanos (cf. Lc 12,30), das pessoas que são carentes de sentido sobrenatural (...). Eu quisera gravar a fogo na vossa mente -nos diz São Josemaria- que temos todos os motivos para andar com otimismo nesta terra, com a alma desasida de tudo de tantas coisas que parecem imprescindíveis, já que vosso Pai sabe muito bem o que necessitais! (cf. Lc 12,30), e Ele vos provê de tudo». Disse Davi: «Depõe no Senhor os teus cuidados e, ele te susterá» (Sal 54,23). Assim fez São José quando o Senhor o provou: reflexionou, consultou, orou, tomou uma resolução e deixou tudo nas mãos de Deus. Quando veio o Anjo -comenta Mn. Ballarín-, não quis despertá-lo e falou em sonhos. Enfim, «Eu não devo ter mais preocupações que a tua Glória..., numa palavra, teu Amor» (São Josemaria).

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

S. José de Cupertino
Presbítero
* No evangelho de hoje, vamos meditar sobre a parábola da semente. Jesus tinha um jeito bem popular de ensinar por meio de parábolas. Uma parábola é uma comparação que usa as coisas conhecidas e visíveis da vida para explicar as coisas invisíveis e desconhecidas do Reino de Deus. Jesus tinha uma capacidade muito grande de encontrar imagens bem simples para comparar as coisas de Deus com as coisas da vida que o povo conhecia e experimentava na sua luta diária pela sobrevivência. Isto supõe duas coisas: estar por dentro das coisas da vida, e estar por dentro das coisas de Deus, do Reino de Deus. Por exemplo, o povo da Galileia entendia de semente, de terreno, chuva, sol, sal, flores, colheita, pescaria, etc. Ora, são exatamente estas coisas conhecidas do povo que Jesus usa nas parábolas para explicar o mistério do Reino. O agricultor que escutou, diz: “Semente no terreno, eu sei o que é! Jesus diz que isso tem a ver com o Reino de Deus. O que seria?” E aí você pode imaginar as longas conversas do povo! A parábola mexe com o povo e leva a escutar a natureza e a pensar na vida.

* Quando terminava de contar uma parábola, Jesus não a explicava, mas costumava dizer: “Quem tem ouvidos para ouvir ouça!” O que significava: “É isso! Vocês ouviram. Agora, tratem de entender!” De vez em quando, ele explicava para os discípulos. O povo gostava desse jeito de ensinar, porque Jesus acreditava na capacidade do pessoal de descobrir o sentido das parábolas. A experiência que o povo tinha da vida era para ele um meio para descobrir a presença do mistério de Deus em suas vidas e criar coragem para não desanimar na caminhada.

* Lucas 8,4: A multidão atrás de Jesus. Lucas diz: Ajuntou-se uma grande multidão, e de todas as cidades as pessoas iam até Jesus. Então ele contou esta parábola. Marcos descreve como Jesus contou a parábola. Havia tanta gente que ele, para não ser atropelado, entrou num barco e sentado no barco ensinava o povo que estava na praia (Mc 4,1).

* Lucas 8,5-8a: A parábola da semente retrata a vida do camponês. Naquele tempo, não era fácil viver da agricultura. O terreno tinha muita pedra. Muito mato. Pouca chuva, muito sol. Além disso, muitas vezes, o povo encurtava estrada e, passando no meio do campo, pisava nas plantas (Mc 2,23). Mesmo assim, apesar de tudo isso, todo ano, o agricultor semeava e plantava, confiando na força da semente, na generosidade da natureza.

* Lucas 8,8b: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça! No fim, Jesus termina dizendo: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!” O caminho para chegar ao entendimento da parábola é a busca: “Tratem de entender!” A parábola não entrega tudo pronto, mas leva a pessoa a pensar. Faz com que ela descubra a mensagem a partir da experiência que ela mesma tem da semente. Provoca a criatividade e a participação. Não é uma doutrina que já vem pronta para ser ensinada e decorada. A Parábola não dá água engarrafada, mas entrega a fonte.

* Lucas 8,9-10: Jesus explica a parábola aos discípulos. Em casa, a sós com Jesus, os discípulos querem saber o significado da parábola. Jesus respondeu por meio de uma frase difícil e misteriosa. Ele diz aos discípulos: "A vocês foi dado conhecer os mistérios do Reino de Deus. Mas, aos outros ele vem por meio de parábolas, para que olhando não vejam, e ouvindo não compreendam". Esta frase faz a gente se perguntar: Afinal, a parábola serve para que? Para esclarecer ou para esconder? Será que Jesus usava parábolas, para que o povo continuasse na ignorância e não chegasse a se converter? Certamente que não! Pois em outro lugar se diz que Jesus usava parábolas “conforme a capacidade dos ouvintes” (Mc 4,33). Parábola revela e esconde ao mesmo tempo! Revela para “os de dentro”, que aceitam Jesus como Messias Servidor. Esconde para os que insistem em ver nele o Messias como Rei grandioso. Estes entendem as imagens da parábola, mas não chegam a entender o seu significado.

* Lucas 8,11-15: A explicação da parábola, parte por parte. Uma por uma, Jesus explica as partes da parábola, desde a semente e o terreno até à colheita. Alguns estudiosos acham que esta explicação foi acrescentada depois. Não seria de Jesus, mas de alguma comunidade. É bem possível. Tanto faz! Pois dentro do botão da parábola está a flor da explicação. Botão e flor, ambos têm a mesma origem que é Jesus. Por isso, nós também podemos continuar a reflexão e descobrir outras coisas bonitas dentro da parábola. Certa vez, alguém perguntou numa comunidade: “Jesus falou que devemos ser sal. Para que serve o sal?” As pessoas foram dando sua opinião a partir da experiência que cada um tinha do sal. Discutiram e, no fim, encontraram mais de dez finalidades diferentes para o sal! Aí foram aplicar tudo isto à vida da comunidade e descobriram que ser sal é difícil e exigente. A parábola funcionou! O mesmo vale para a semente. Todo mundo tem alguma experiência de semente.

Para um confronto pessoal

1. A semente cai em quatro lugares diferentes: caminho, pedra, espinhos e terra boa. O que significa cada um destes quatro terrenos? Que terreno sou eu? Às vezes, a gente é pedra. Outras vezes, é espinho. Outras vezes, é caminho. Outras vezes, é terra boa. Na nossa comunidade, o que somos normalmente?

2. Quais os frutos que a Palavra de Deus está produzindo na nossa vida e na nossa comunidade?

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

17 de setembro

 Santo Alberto, Patriarca de Jerusalém
Legislador de nossa Ordem

 
Nasceu em meados do século XII, em Castro de Gualteri, diocese de Parma, Itália. Pediu sua admissão entre os cônegos regulares da Santa Cruz de Mortara e aí se tornou Prior, no ano de 1180. Foi nomeado Bispo de Bobbio em 1184 e, a seguir, de Vercelli em 1191. Transferido para o Patriarcado de Jerusalém em 1205, com a palavra e com o exemplo, mostrou-se autêntico pastor a serviço da paz. Durante seu patriarcado (1206-1214), reuniu em comunidade os eremitas do Monte Carmelo e escreveu-lhes uma Regra. Devendo repreender e depor por má conduta o administrador do Hospital do Espírito Santo, foi morto por ele no dia 14 de setembro de 1214, em São João de Acre.
 
INVITATÓRIO
R. Vinde, adoremos o Senhor, legislador supremo!
 
LAUDES
Hino
Deus nos chamou à santidade,
A ser louvador de sua glória,
Em Jesus, o Verbo Encarnado,
Que se inseriu em nossa História.
 
Aspirando seguir a Cristo,
Deixemos nele o homem velho,
Que o seu Espírito nos guie,
Para vivermos o Evangelho.
 
A Deus unidos no Amor
E servindo à Humanidade,
Seguiremos a nossa Regra,
Chegaremos à santidade.
 
Que Santo Alberto por nós rogue,
Pra que na santa solidão,
Fiéis ao Espírito de Cristo,
Sempre nos mova a sua unção.
 
Assim louvaremos o Pai
Por seu Filho, nosso Senhor,
Com o Espírito Paráclito
Que em nós derrama o seu amor.
 
Ant.1 – Dai-me o saber, e cumprirei a vossa Lei e de todo coração a guardarei.
 
Salmos do Primeiro Domingo.
 
Ant.2 – A Palavra de Cristo, com toda a sua riqueza habite em vós; do fundo dos vossos corações cantai a Deus.
 
Ant.3 – Esta é uma estrada boa e santa; ide por ela!
 
Leitura breve - Hb 13,7-9a
Lembrai-vos dos vossos dirigentes, que vos pregaram a palavra de Deus e, considerando o fim da sua vida, imitai-lhes a fé. Jesus Cristo é o mesmo, ontem e hoje e por toda a eternidade. Não vos deixeis enganar por qualquer espécie de doutrina estranha.
 
Responsório breve
R. Sobre ti, Jerusalém, * coloquei sentinelas R. Sobre ti.
v. Para anunciarem, dia e noite, o nome do Senhor. * Coloquei.
Glória ao Pai. R. Sobre ti.
 
Cântico evangélico (1Mc 2,27)
Ant. "Acompanhe-me quem tiver zelo pela Lei e quiser manter a Aliança!" Então muitos, que amavam a justiça e o direito, desceram para o deserto.
 
Preces
Louvemos o Senhor Jesus, Pastor e Guia das nossas almas, e nele colocando a nossa esperança, supliquemos-lhe confiantemente:
 
R. Protegei, Senhor, o vosso povo!
 
Recebei, Senhor, os nossos anseios e projetos
- como primícias deste novo dia. R.
 
Fazei, Senhor, que nos deixemos guiar pela nossa Regra,
- a fim de proclamarmos o vosso amor diante dos homens. R.
 
Fazei que vos amemos de modo a vos possuirmos
- e que pratiquemos o bem, e a nossa vida vos glorifique. R
 
Concedei-nos fidelidade à vossa Lei,
- para que, guardando-a no coração, perseveremos até o fim. R.
 
Ensinai-nos o caminho, que conduz ao alto do Carmelo,
- para que vos sirvamos de coração puro e consciência reta. R.
 
(intenções livres)
 
Pai Nosso ...
 
Oração
Senhor, que por intermédio de Santo Alberto nos destes uma evangélica Fórmula de Vida, concedei-nos, por sua intercessão, viver sempre na contemplação de Jesus Cristo e servi-lo com fidelidade até a morte.  Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
 
VÉSPERAS
Hino
No decorrer deste dia
O Céu pareceu mais perto
Do Carmelo em alegria,
Por Festejar Santo Alberto.
 
Virtuoso Patriarca
De palavra benfazeja,
Presença que deixou marca
Em tempos duros da Igreja.
 
Legislador santo e prudente,
Que tesouro nos deixaste!
Quem sempre o tiver presente
Tem tudo quanto lhe baste.
 
Na Pátria celestial,
Desse lugar onde habitas,
Protege de todo mal
A Ordem dos Carmelitas!
 
Glória a vós, Pai de bondade,
E a Jesus Cristo Senhor,
E por toda a eternidade!
Com o Espírito de Amor.
 
Ant1. Indicai-me o caminho a seguir, pois a vós eu elevo a minha alma.
 
Do comum dos pastores, exceto:
 
Ant2. Filho, guarda os meus preceitos e a minha lei como a menina dos teus olhos.
 
Ant3. É justo o Senhor em seus caminhos; é santo em todas as obras que Ele faz.
 
Leitura breve - Tg 1,22,25
Sedes praticantes da Palavra e não meros ouvintes, enganando-vos a vós mesmos. Aquele, porém, que se debruça sobre a Lei da Liberdade, agora levada à perfeição, e nela persevera, não como um ouvinte distraído, mas praticante do que ela ordena, esse será feliz.
 
Responsório breve
V. lnclinai o meu coração * para as vossas leis. R. lnclinai.
R. E dai-me a vida pelos vossos mandamentos. * Para as
vossas. Glória ao Pai. R. lnclinai.
 
Cântico evangélico
Ant. A Palavra de Cristo estabeleça morada em vós abundantemente; cantai a Deus de todo coração; e sede agradecidos.
 
Preces
Glorifiquemos a Cristo, que reconciliou o mundo com Deus e suscitou Santo Alberto para nos oferecer da parte de Deus uma Regra de Vida; peçamos-Lhe com fé.
 
R. Lembrai-vos, Senhor, desta vossa família!
 
Senhor Jesus, em cujo obséquio abraçamos a vida religiosa,
- fazei que vos sirvamos com um coração puro e uma consciência reta. R.
 
Vós, que nos concedeis superiores para nos servirem e orientarem para vós,
- fazei que vos reconheçamos nas suas palavras e nos seus exemplos. R.
 
Vós, que nos chamastes para meditarmos dia e noite na vossa Lei,
- fazei que a vossa palavra habite abundantemente em nós, na boca e no coração. R.
 
Vós, que nos recomendais o silêncio, onde possamos encontrar-vos,
- fazei-nos compreender que é no silêncio e na esperança que se encontra a nossa força. R.
 
Vós, que denominais a vida do homem sobre a terra como um exercício para a guerra,
- dai coragem aos tímidos, levantai os decaídos, e derramai em todos o vosso Espírito. R.
(intenções livres)
 
Lembrai-vos de todos os que em vida associastes à vossa família,
- para que eternamente vos louvem no monte da vossa glória. R.
 
Pai nosso
 
Oração
 Senhor, que por intermédio de Santo Alberto nos destes uma evangélica Fórmula de Vida, concedei-nos, por sua intercessão, viver sempre na contemplação de Jesus Cristo e servi-lo com fidelidade até a morte.  Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.