quinta-feira, 31 de maio de 2012


MÊS DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

Primeiro dia
Origem e estabelecimento da devoção ao Sagrado Coração de Jesus

      A devoção ao Sagrado Coração de Jesus é tão antiga como a Igreja: pois começou na Cruz, onde este divino Coração, traspassado pelo ferro da lança, desde então abriu para os fiéis um asilo inviolável. Quem poderá duvidar que os primeiros cristãos, os mártires, beijando com aquela fé, com aquele amor que os fazia triunfar dos suplícios e até da morte, as chagas de Jesus crucificado, aplicando os lábios ao lado ferido do Redentor, meditando sua Paixão, não se lembrassem de ao mesmo tempo de seu Coração, transbordando de amor, e cujas chamas parece que se escapam pela ferida?
Assim é que os maiores Santos de todos os séculos, tais como, por exemplo, Santo Agostinho, São Bernardo, São Boaventura, Santa Gertrudes, Santa Matilde, Santa Catarina de Sena, penetraram o segredo desta devoção muito antes que ela fosse revelada de modo especial.
Estava, todavia, reservado ao século XVII ver tributado culto público ao Sagrado Coração de Jesus, e à França dar-lhe nascimento. A pessoa de quem se serviu Deus para manifestar os desígnios de sua misericórdia no estabelecimento desta devoção foi uma simples religiosa da Visitação, de Paray-le-Monial, de nome Margarida Maria.
Nosso Senhor Jesus Cristo, que já a tinha favorecido com preciosos dons, aparecendo-lhe um dia, disse-lhe: «Meu Divino Coração está tão abrasado em amor pelos homens, que não podendo mais conter em si as chamas de sua ardente caridade, lhe é necessário que as derrame por qualquer meio, e se lhes manifeste, a fim de enriquecê-los com os tesouros que em si encerra; tesouros cujo valor são graças de salvação e de santificação, para tirá-los do abismo da perdição.»
       Pouco tempo depois, os desígnios do divino Salvador foram manifestados a Santa Margarida Maria de um modo ainda mais claro.
Diz ela: "Estando diante do Santíssimo Sacramento em um dia de sua oitava, recebi de meu Deus graças inefáveis. Sentindo-me inflamada em desejos de retribuir-lhe amor com amor, disse-me Ele: «Tu só poderás provar-me mais amor, fazendo o que tantas vezes te hei pedido». E, mostrando-me seu divino Coração, disse-me: «Eis aqui o Coração que a tal ponto amou os homens, que nada poupou, até esgotar-se e consumir-se, para testemunhar-lhes seu amor; e entretanto só recebo da maior parte deles ingratidões, pelas irreverências, sacrilégios, desprezo e tibieza com que me tratam no meu Sacramento de amor. O que me é ainda mais sensível, é serem corações que me foram consagrados, os que assim me tratam. Por isso te peço que se dedique a primeira sexta-feira depois da oitava do Santíssimo Sacramento a uma festa particular com o fim de venerar o meu Coração, fazendo-lhe ato de reparação, comungando-se nesse dia em desagravo pelas indignidades recebidas durante o tempo em que esteve exposto sobre os altares.» «Prometo que meu Coração  dilatar-se-á para difundir com abundância os influxos de seu divino amor sobre todos quantos lhe tributarem essa homenagem, e fizerem com que outros lha tributem.»
A humilde religiosa respondeu: "Mas, Senhor, a quem vos dirigis? A tão pobre pecadora, cuja indignidade seria até capaz de impedir a realização do vosso desígnio. Há tantas almas generosas que o podem executar!"
Respondeu-lhe Nosso Senhor: «Ignoras por ventura, que me sirvo do que é fraco para confundir os fortes, e que é ordinariamente nos pequenos e pobres em espírito que manifesto meu poder com mais esplendor, a fim de que nada atribuam a si próprios?»
Tornou a Irmã: "Dai-me pois, meios para executar o que me ordenais". Jesus então acrescentou: «Dirige-te a meu servo (padre la Colombiére) e dize-lhe da minha parte que faça tudo que estiver a seu alcance para estabelecer esta devoção, e dar este prazer ao meu Coração. Ele não desanime com as dificuldades que encontrar, e que por certo não lhe faltarão; lembre-se antes que é todo-poderoso quem, de si desconfiado, em mim confia inteiramente.»
O Padre de la Colombiére, que havia experimentado com grande desvelo a santidade desta religiosa e conhecida por sinais sensíveis a verdade de suas comunicações com Deus, julgou dever contribuir para o estabelecimento de tão santa devoção, que nada tinha que a fizesse suspeita.
      Começou por si, e quis ser o primeiro discípulo do Coração de Jesus e o primeiro adorador, segundo as regras prescritas à Irmã Margarida Maria. Consagrou-se, pois, a este Sagrado Coração, e ao amor que lhe é devido dedicou a sexta-feira escolhida, 21 de junho de 1675, dia em que pôde considerar como o da primeira conquista do Coração de Jesus.
Desde então, censurada e combatida, esta devoção, como todas as obras do Senhor, estabeleceu-se afinal no mundo inteiro com prodigioso êxito, principalmente depois que foi solenemente aprovada pelos Sumos Pontífices. Assim se justificou a confiança com que Santa Margarida Maria dizia: "Mesmo que eu visse o mundo em peso desencadeado contra esta devoção, jamais perderia a esperança de vê-la fundada, visto que da própria boca de meu Salvador recebi esta certeza".

quarta-feira, 30 de maio de 2012


MÊS DE MARIA

ORAÇÃO PREPARATÓRIA
Senhor, todo poderoso e infinitamente perfeito, de quem procede todo o ser e para quem todas as criaturas devem sempre se elevar, eu vos consagro este mês e os exercícios de devoção que em cada um de seus dias praticar, oferecendo-os para vossa maior glória em honra de Maria Santíssima. Concedei-me a graça de santificá-lo com piedade, recolhimento e fervor.
Virgem Santa e Imaculada, minha terna Mãe, volvei para mim vossos olhares tão cheios de doçura e fazei-me sentir cada vez mais os benéficos efeitos de vossa valiosa proteção.
Anjos do céu, dirigi meus passos, guardai-me à sombra de vossas asas, pondo-me ao abrigo das ciladas do demônio, pedindo por mim a Jesus, Maria e José sua santa bênção. Amém.

MEDITAÇÃO – 31º dia
O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas (Lc 1,49)
Frei José Carlos Lopes Almeida, O

Ao chegar a casa de sua prima, Maria é louvada por Isabel como a bendita entre as mulheres, a bem-aventurada, a feliz, porque acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe tinha sido dito da parte do Senhor.
       Na sua humildade, e certamente ainda perdida no mistério que a envolvia, Maria canta um hino de louvor, eleva a sua voz para enaltecer o Senhor, pois o seu Espírito exulta de alegria no Deus seu Salvador.
O seu canto de louvor parte dessa consciência que o Senhor olhou para a sua humildade, dessa consciência de que o seu recato, a sua paz, a sua justiça, o despojamento da sua vontade para que se cumprisse a vontade de Deus, não conduziu a um aniquilamento, a uma nulidade, mas ao olhar benévolo e misericordioso de Deus para consigo. E a partir desse olhar e do seu acolhimento, da sua disponibilidade para a surpresa de Deus, o Todo-Poderoso fez em si maravilhas, atuou nela como em toda a obra da criação.
Maria é o novo paraíso, no qual pode ser formado o novo Adão, Maria é a nova terra ainda virgem, sem mancha de fogo nem arado, na qual pode ser lançada a semente da vida eterna. Maria é a nova história, um começo de uma nova história, porque o tempo velho era o tempo da promessa e agora é o tempo do acontecimento, o tempo do existir aqui e agora, o tempo do “Eu Sou”.
Por todas as razões Maria reconhece que o Senhor fez nela maravilhas, foi-a formando e moldando como mulher para que estivesse apta a ser a mãe do Salvador, fosse de fato bendita para poder acolher o sumo Bem que vinha viver entre os homens. E, portanto, não pode fazer outra coisa mais que acolher essa vinda, essa vida nova que quer nascer, e louvar a Deus pelo seu amor e a sua preferência por querer viver entre os homens.
Também nós, como Maria, somos convidados a reconhecer as maravilhas que o Senhor fez e faz em nós, a louvar cada obra e cada ação de Deus na nossa vida e na vida daqueles que nos rodeiam e amamos. E quantas maravilhas o Senhor vai fazendo!
O sol que nasce e vemos, a neblina que nos resfria, o pão de cada dia, um corpo amigo para amar, um filho para educar, um trabalho para nos realizar e dignificar, a palavra que trocamos com o desconhecido num desejo de bom dia, um abraço irmão, o cansaço do fim do dia e afinal ainda o corpo vivo.
Mas também a dor da partida e da ausência, a fé de uma eternidade junto de Deus, o crescimento na autonomia e na responsabilização, a fraqueza e os limites do outro, arestas que nos limam nas nossas próprias arestas, a injustiça e a guerra que apelam à nossa insensibilidade, a liberdade de poder fazer o bem ou fazer o mal e a alegria do bem que se fez e a tristeza pelo mal que se consentiu.
Não acreditamos num Deus ausente, e muito menos num Deus passivo. Deus vai fazendo história conosco, na nossa vida e na nossa relação com ele e com os outros. Não é um Deus determinista, e não somos umas marionetes nas suas mãos, mas não podemos negar que vivemos sempre à beira de um convite, de uma mão estendida cheia de estrelas para partilhar.
O Senhor fez em mim maravilhas, faz em mim maravilhas, e quer ainda mais que eu faça maravilhas com o que me oferece maravilhosamente do seu amor.

LADAINHA DE NOSSA SENHORA
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Deus Pai dos céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo,
Deus Espírito Santo,
Santíssima Trindade, que sois um só Deus,
Santa Maria, rogai por nós.
Santa Mãe de Deus,
Santa Virgem das virgens,
Mãe de Jesus Cristo,
Mãe da divina graça,
Mãe puríssima,
Mãe castíssima,
Mãe imaculada,
Mãe intacta,
Mãe amável,
Mãe admirável,
Mãe do bom conselho,
Mãe do Criador,
Mãe do Salvador,
Mãe da Igreja,
Virgem prudentíssima,
Virgem venerável,
Virgem louvável,
Virgem poderosa,
Virgem benigna,
Virgem fiel,
Espelho de justiça,
Sede da sabedoria,
Causa da nossa alegria,
Vaso espiritual,
Vaso honorífico,
Vaso insigne de devoção,
Rosa mística,
Torre de Davi,
Torre de marfim,
Casa de ouro,
Arca da aliança,
Porta do Céu,
Estrela da manhã,
Saúde dos enfermos,
Refúgio dos pecadores,
Consoladora dos aflitos,
Auxílio dos cristãos,
Esperança dos carmelitas,
Rainha dos anjos,
Rainha dos patriarcas,
Rainha dos profetas,
Rainha dos apóstolos,
Rainha dos mártires,
Rainha dos confessores,
Rainha das virgens,
Rainha de todos os santos,
Rainha concebida sem pecado original,
Rainha assunta ao céu,
Rainha do sacratíssimo Rosário,
Rainha das famílias,
Rainha e esplendor do Carmelo,
Rainha da paz,
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende misericórdia de nós.
V. – Rogai por nós, Santa Mãe de Deus.
R. – Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
OREMOS - Infundi, Senhor, como vos pedimos, vossa graça em nossas almas, para que nós que pela anunciação do Anjo viemos ao conhecimento da encarnação de Jesus Cristo, vosso Filho, pela sua paixão e morte de cruz, sejamos conduzidos à glória da ressurreição. Pelo mesmo Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.

ORAÇÃO COMPOSTA POR SANTO AFONSO DE LIGÓRIO
Ó Maria, filha predileta do Altíssimo, pudesse eu oferecer-vos e consagrar-vos os meus primeiros anos, como vós vos oferecestes e consagrastes ao Senhor no templo! Mas é já passado esse período de minha vida!
Todavia, antes começar tarde a vos servir do que ser sempre rebelde. Venho, pois, hoje, oferecer-me a Deus. Sustentai minha fraqueza, e por vossa intercessão alcançai-me de Jesus a graça de lhe ser fiel e a vós até a morte, a fim de que, depois de vos haver servido de todo o coração na vida, participe da glória e da felicidade eterna dos eleitos. Amém.

O “LEMBRAI-VOS” DE SÃO BERNARDO
Lembrai-vos, ó piedosíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que a vós têm recorrido, implorado vossa assistência e invocado o vosso socorro, tenha sido por vós abandonado. Animado de uma tal confiança, eu corro e venho a vós e, gemendo debaixo do peso dos meus pecados, me prostro a vossos pés, ó Virgem das virgens; não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Verbo encarnado, mas ouvi-as favoravelmente e dignai-vos atender-me. Amém.

terça-feira, 29 de maio de 2012


MÊS DE MARIA

MEDITAÇÃO – 30º dia
Santo Agostinho, Sermão 215

     Creiamos em Jesus Cristo, nosso Senhor, nascido do Espírito Santo e da Virgem Maria. Pois também a bem-aventurada Maria, acreditando, concebeu aquele a quem, acreditando, deu à luz. Ao escutar a mensagem de que haveria de ter um filho, perguntou ela como poderia acontecer isso, uma vez não conhecia varão. Com efeito, só conhecia um modo de conceber e dar à luz; ainda que, pessoalmente, não o tivesse experimentado, tinha aprendido com outras mulheres – a natureza é repetitiva – que homem nasce de um varão e de uma mulher. Recebeu, então, do anjo esta resposta: «O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso, o que nascer de ti será santo e será chamado Filho de Deus». Depois destas palavras do anjo, ela, cheia de fé e tendo concebido a Cristo na sua mente antes do que no seu seio, disse: «Eis aqui a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra». Cumpra-se, disse, que uma virgem conceba sem sémen de varão; nasça do Espírito Santo e de uma mulher virgem aquele em quem renascerá do Espírito Santo a Igreja, também virgem. Seja chamado Filho de Deus aquele Santo que há de nascer de mãe humana, mas sem pai humano, uma vez que foi conveniente que se fizesse filho do homem aquele que, de forma admirável, nasceu de Deus Pai sem mãe alguma.
Desta forma, assim como quando, ao nascer, saiu de um seio fechado, assim também, na mesma carne, quando adulto, já ressuscitado, entrou por portas fechadas. Estas coisas são maravilhosas, porque são divinas; são inefáveis, porque são inescrutáveis. A boca do homem não é capaz de explicá-las, porque tão pouco o coração é capaz de investigá-las. Maria acreditou e realizou-se nela aquilo em que acreditou. Creiamos, também nós, para que em nós possa igualmente realizar-se o que nela se realizou. Ainda que também este nascimento seja maravilhoso, pensa ó homem o que assumiu por ti o teu Deus, o que assumiu o criador pela criatura: Deus que permanece em Deus, o eterno que vive com o eterno, o Filho igual ao Pai, não desdenhou revestir-se da forma de servo em benefício dos servos, réus e pecadores. E isto não se deve a méritos humanos, pois merecíamos antes o castigo pelos nossos pecados; porém, se tivesse posto os olhos na nossa maldade, quem teria resistido? Assim, pelos servos ímpios e pecadores, o Senhor dignou-se nascer, como servo e homem, do Espírito Santo e da virgem Maria.

segunda-feira, 28 de maio de 2012


MÊS DE MARIA

MEDITAÇÃO – 29º dia
São Bernardo, Homilias em louvor da Virgem Mãe, Hom. 4

     Ouviste, ó Virgem, que vais conceber e dar à luz um filho, não por obra de homem – tu ouviste – mas do Espírito Santo. O Anjo espera tua resposta: já é tempo de voltar para Deus que o enviou. Também nós, Senhora, miseravelmente esmagados por uma sentença de condenação, esperamos tua palavra de misericórdia.
Eis que te é oferecido o preço de nossa salvação; se consentes, seremos livres. Todos fomos criados pelo Verbo eterno, mas caímos na morte; com uma breve resposta tua seremos recriados e novamente chamados à vida.
Ó Virgem cheia de bondade, o pobre Adão, expulso do paraíso com a sua mísera descendência, implora a tua resposta; Abraão a implora, Davi a implora. Os outros patriarcas, teus antepassados, que também habitam a região da sombra da morte, suplicam esta resposta. O mundo inteiro a espera, prostrado a teus pés.
E não é sem razão, pois de tua palavra depende o alívio dos infelizes, a redenção dos cativos, a liberdade dos condenados, enfim, a salvação de todos os filhos de Adão, de toda a tua raça.
Apressa-te, ó Virgem, em dar a tua resposta; responde sem demora ao Anjo, ou melhor, responde ao Senhor por meio do Anjo. Pronuncia uma palavra e recebe a Palavra; profere a tua palavra e concebe a Palavra de Deus; dize uma palavra passageira e abraça a Palavra eterna.
Por que demoras? Por que hesitas? Crê, consente, recebe. Que tua humildade se encha de coragem, tua modéstia de confiança. De modo algum convém que tua simplicidade virginal esqueça a prudência. Neste encontro único, porém, Virgem prudente, não temas a presunção. Pois, se tua modéstia no silêncio foi agradável a Deus, mais necessário é agora mostrar tua piedade pela palavra.
Abre, ó Virgem santa, teu coração à fé, teus lábios ao consentimento, teu seio ao Criador. Eis que o Desejado de todas as nações bate à tua porta.
Se tardas e ele passa, começarás novamente a procurar com lágrimas aquele que teu coração ama! Levanta-te, corre, abre. Levanta-te pela fé, corre pela entrega a Deus, abre pelo consentimento. Eis aqui, diz a Virgem, a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra (Lc 1,38).

domingo, 27 de maio de 2012


MÊS DE MARIA
MEDITAÇÃO – 28º dia
Maria não temas (Lc 1,30)

Frei José Carlos Lopes Almeida, OP
      Gabriel desce até Nazaré, a essa pequena aldeia perdia no meio de nada, para anunciar a uma jovem, a uma virgem desposada com José, um homem da tribo de David, que foi escolhida para ser a mãe do Salvador. O seu nome é Maria e espera-se o seu consentimento, a sua aceitação do convite de Deus. Espera-se, porque só ela pode dizer que sim, só ela.
A entrada do anjo e a sua saudação provocam uma perturbação no espírito e no coração da jovem donzela. Quem é ele, mas sobretudo quem é ela, que graça a habita ou o que fez para o Senhor estar com ela? Ela, uma pobre mulher que vive na intimidade do seu lar, no silêncio da sua pureza, nesse desejo de viver sem deixar marca.
Maria perturba-se na sua humildade, nesse desejo de despojamento, pois o anúncio do anjo coloca-a num estatuto que ela não conhece no seu coração, num patamar que a retira da sua simplicidade, nessa proeminência que nunca buscou nem deseja.
Maria não temas é a resposta do anjo ao temor, a essa interrogação que nasce dentro dela. O temor perturba e não nada pode perturbar este momento. Ele é demasiado importante para poder se perturbado, mesmo pela humildade.
Há muito em jogo, porque essa humildade pode perturbar e inviabilizar o projeto de Deus de habitar entre os homens, de construir o seu novo templo, e enquanto esse novo templo não se ergue é necessário que tu Marias sejas a tenda em que Deus habitará até à edificação do templo.
São apenas necessários nove meses para a construção, ainda que depois sejam necessários mais alguns anos para que esse templo cresça e se aperfeiçoe. Contudo é necessário lançar os alicerces, gerar o corpo, e a ti cabe essa tarefa, és convidada a essa missão.
Aceita Maria, porque todos esperamos esse novo templo, essa nova presença de Deus entre os homens, sem barreiras de línguas ou cores, sem fronteiras ou adros cercados. Aceita Maria, porque serás a Arca da Nova Aliança, não já construída de madeiras preciosas e revestida a ouro, mas feita da carne de todos homens e revestida da graça com Deus já te cumulou.
Aceita Maria, porque no teu sim também a nós se nos abre a porta de podermos ser templos, arcas da aliança, tenda sobre cuja cobertura repousará a sombra do Senhor. Aceita Maria, para também nós podermos experimentar a gestação e a maternidade, esse filho Outro que cresce em nós com aspirações de eternidade.
Não temas Maria, porque da tua audácia depende também a nossa ousadia.

sábado, 26 de maio de 2012


MÊS DE MARIA

MEDITAÇÃO – 27º dia
Solenidade de Pentecostes

Para a vigília:
O Espírito da Verdade vos conduzirá à verdade plena.
(Dos Sermões de São Leão Magno, papa)

     Amados filhos, os corações de todos os católicos reconhecem que a hodierna solenidade deve ser venerada dentre as principais festas. Sem dúvida, uma grande reverência inspira este dia consagrado pelo Espírito Santo com o extraordinário milagre do dom que ele fez de si mesmo. Com efeito, é o décimo dia depois que o Senhor subiu ao mais alto de todos os céus para se assentar à direita de Deus.
Este dia refulge também como o quinquagésimo depois da ressurreição, seu ponto de partida, encerrando grandes mistérios dos antigos e dos novos sacramentos, que demonstram claramente ter sido a graça prenunciada pela Lei e a Lei cumprida pela graça.
Como atestam os Atos dos Apóstolos, quando chegou o dia de Pentecostes, os discípulos estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído como de um forte vento, que encheu a casa em que estavam sentados. Então apareceram línguas como que de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram repletos do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia expressar-se (At 2,1-4). Como é veloz a palavra da Sabedoria! E onde Deus é mestre, quão depressa se aprende o que é ensinado! Não houve necessidade de tradução para ser entendida, nem de prática para ser utilizada, nem de tempo para ser estudada. Mas, pela ação do Espírito que sopra onde quer (cf. Jo 3, 8), as línguas próprias de cada povo se tornaram comuns, começando então a ressoar pelo mundo inteiro a pregação do Evangelho.
Desde esse dia, uma chuva de carismas e rios de bênçãos irrigaram todo deserto e toda terra árida, pois, a fim de renovar a face da terra, o Espírito de Deus pairava sobre as águas (Gn 1,2). E para dissipar as antigas trevas, cintilaram os fulgores de uma nova luz quando, pelo esplendor das línguas refulgentes, foi concebida a palavra luminosa do Senhor, palavra de fogo, possuidora de eficácia e de força para queimar, despertando a capacidade de compreensão e consumindo o pecado.
Amados filhos, a própria forma do acontecimento foi admirável, e, sem dúvida, naquela harmonia exultante de todas as vozes humanas, estava presente a majestade do Espírito Santo; mas, ninguém pense que sua substância divina tenha aparecido nos fatos vistos com os olhos do corpo. A natureza invisível, igualmente comum ao Pai e ao Filho, mostrou a qualidade de seu dom e de sua obra através do sinal que quis. No entanto, manteve oculto em sua divindade o que é próprio de sua essência. Pois, assim como o Pai e o Filho não podem ser alcançados pelo olhar humano, assim também o Espírito Santo.
Nada na Trindade divina é dessemelhante, nada é desigual, e todos os atributos que se podem pensar a respeito de sua substância em nada se distinguem, nem pelo poder nem pela glória nem pela eternidade. Quanto às propriedades das Pessoas, um é o Pai, outro é o Filho e outro é o Espírito Santo; todavia, a divindade não é diferente, nem é diversa a natureza. Do Pai é o Filho Unigênito, e o Espírito Santo é o Espírito do Pai e do Filho, não, porém, como qualquer criatura que pertence ao Pai e ao Filho, mas enquanto com ambos vive e possui o poder, subsistindo eternamente naquilo que é o Pai e o Filho.
Por isso, o Senhor, na véspera de sua paixão, prometendo a seus discípulos a vinda do Espírito Santo, afirma: Tenho ainda muitas coisas a vos dizer, mas não sois capazes de compreender agora. Quando ele vier, o Espírito da Verdade, vos conduzirá à verdade plena. Ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará até as coisas futuras. Tudo o que o Pai tem é meu. Por isso, eu vos disse que ele receberá do que é meu para vos anunciar (Jo 16, 12-13.15).
Isso não significa que algumas coisas pertençam ao Pai, outras ao Filho e outras ao Espírito Santo, mas tudo o que o Pai tem, o Filho igualmente tem, e o Espírito Santo também tem. Na Trindade sempre houve esta comunhão, porque nela tudo ter é o mesmo que sempre existir. A seu respeito, não se insinue na mente noção alguma de tempo, grau ou diferença; e se ninguém pode explicar o que é Deus, ninguém ouse afirmar acerca dele o que não é. É mais desculpável não falar da natureza inefável o que ela merece, do que atribuir-lhe o que é contrário.
Tudo o que os corações piedosos puderem conceber sobre a eterna e imutável glória do Pai, devem compreendê-lo como inseparável e sem distinção tanto do Filho como do Espírito Santo. Por conseguinte, proclamamos que a bem-aventurada Trindade é um só Deus, porque nas três Pessoas não há diferença alguma de substância, de poder, de vontade ou de ação. 

Para o dia:
Realiza-se em vós o que foi prenunciado nos dias da vinda do Espírito Santo
(Dos sermões de Santo Agostinho, Bispo)

Irmãos, despontou para nós o dia feliz em que a Santa Igreja brilha nos rostos dos fiéis e se abrasa em seus corações. De fato, estamos celebrando o dia em que o Senhor Jesus Cristo, glorificado pela ascensão depois que ressuscitou, mandou à terra o Espírito Santo. Efetivamente, está escrito no Evangelho: Se alguém tem sede venha a mim e beba. Quem crê em mim, de seu seio jorrarão rios de água viva. E prosseguindo o evangelista explica e afirma: Ele falava do Espírito que deviam receber os que nele cressem; pois não havia ainda Espírito, porque Jesus não fora ainda glorificado (Jo 7,37-39). Estava pois faltando agora que Jesus, já glorificado, após ter ressuscitado dos mortos e subido ao céu, mandasse o Espírito Santo. Enviá-lo-ia aquele que o prometera. E foi assim que aconteceu.
Depois de ter passado quarenta dias com seus discípulos, subiu ao céu o Senhor ressuscitado. E no qüinquagésimo dia, que hoje celebramos, enviou o Espírito Santo, como está escrito: De repente, veio do céu um ruído semelhante ao soprar de impetuoso vendaval. E apareceram umas como linguas de fogo, que se distribuiram e foram pousar sobre cada um deles. E começaram a falar em outras linguas, conforme o Espírito os impelia a falarem (At 2,2.3.4).
Aquele vento purificava os corações da palha da carne. Aquele fogo consumia o fogo da velha concupiscência. Aquelas linguas faladas pelos que estavam repletos do Espírito Santo prefiguravam a futura Igreja, que haveria de estar entre as linguas de todos os povos. De fato, após o dilúvio, a impiedade soberba dos homens construiu uma torre elevada contra o Senhor, e o gênero humano mereceu ser dividido em linguas diversas, começando cada povo a falar sua lingua para não ser entendido pelos outros povos. Agora, ao invés, a humilde piedade dos fiéis recolheu a diversidade destas linguas na unidade da Igreja, onde a caridade reuniu aquilo que a discórdia tinha espalhado. E os membros dispersos do corpo humano, como membros de um único corpo, voltam a ser unificados na única cabeça que é Cristo, fundidos na unidade de seu santo corpo pelo fogo do amor.
Por isso são inteiramente estranhos ao dom do Espírito Santo os que odeiam a graça da paz e não conservam a comunhão e a unidade. E, embora também eles hoje se reúnam solenemente e ouçam estas leituras em que se fala da promessa e da vinda do Espírito Santo, ouvem-nas como condenação e não como prêmio. Pois de que lhes serve ouvir com os ouvidos aquilo que rejeitam com o coração e celebrar o dia cuja luz odeiam? Vós, porém, irmãos, membros do corpo de Cristo, germes de unidade, filhos da paz, celebrai este dia alegres, celebrai-o seguros. Porque em vós se realiza aquilo que era prefigurado nos dias em que veio o Espírito Santo. Porque, como outrora quem recebia o Espírito Santo, embora fosse um homem só, falava todas as linguas, assim agora fala todas as linguas, através de todos os povos, a própria unidade. Estabelecidos nela, possuis o Espírito Santo, os que não estais separados por nenhum cisma da Igreja de Cristo que fala todas as linguas.


LEIA, ABAIXO, A LECTIO DIVINA PARA A SEMANA DE PENTECOSTES.

LECTIO DIVINA DA SEMANA DE PENTECOSTES
«A paz esteja convosco!»

 Ir. Mª das Dores Rodrigues, fma

A vinda do Espírito Santo em Pentecostes significa a irrupção da vida nova entre os seguidores de Jesus. A vinda do Espírito Santo significou para aquele punhado de discípulos o fim do medo e do temor. Abrem-se as portas da comunidade. Nasce a comunidade dos crentes livre, corajosa e testemunha da paz de Cristo vivo e ressuscitado. Na experiência do nosso Pentecostes esperamos também que o Espírito irrompa nas nossas vidas para nos dar força, para nos tornar mais comunidade, para vencer os nossos medos e nos tornar testemunhas de Jesus Ressuscitado vivo em nós.

 EVANGELHO – Jo 20,19-23
Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos».

SEGUNDA-FEIRA

PALAVRA - Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles...
Este primeiro dia da semana é o Domingo da ressurreição de Jesus. É no anoitecer deste dia que, segundo o Evangelista João, os discípulos recebem o dom do Espírito Santo. Começa por apresentar a situação dos discípulos: o “anoitecer”, as “portas fechadas”, o “medo” são o quadro de uma comunidade desamparada, desorientada e insegura. É uma comunidade que perdeu as suas referências e a sua identidade e que não sabe, agora, a que se agarrar, porque ainda não se encontrou com Cristo ressuscitado. Precisa fazer a experiência do Espírito; só depois, estará preparada para assumir a sua missão e dar testemunho da Salvação. Por isso, Jesus Ressuscitado vem colocar-se no meio deles, com a sua ação vivificadora.

MEDITAÇÃO
Tantas vezes somos assim: fechados, temerosos, inseguros, sem fé e sem esperança! Esquecemos ou ignoramos a força e o sentido deste ‘primeiro dia da semana’; a força da Ressurreição do Senhor; a novidade da salvação; a Nova Aliança que nos faz filhos e regenerados em e por Jesus. Porque somos assim, é o Senhor que toma a iniciativa e vem colocar-se no meio de nós, na nossa vida, no nosso coração, nas nossas comunidades, porque nos quer renovar pelo Seu Espírito!

ORAÇÃO
Vem, Senhor! No entardecer das nossas experiências de solidão e desamparo, na dureza das nossas portas do coração fechadas ao Amor, na angústia dos nossos medos, desânimos, vazios, aridez... vem, Senhor! Faz-Te presente em nós e no meio de nós! Bem sabemos que sempre estás. Mas a nossa pouca fé nem sempre nos permite dar conta de que estás para nos dares Vida. Mesmo assim, vem, Senhor!

AÇÃO
É necessário viver numa atitude de abertura e procura do Senhor ressuscitado que se faz sentir próximo e presente e nos surpreende de tantos modos!

TERÇA-FEIRA

PALAVRA - ...Colocou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco».
Os discípulos fazem a experiência do encontro com Jesus ressuscitado, descobrem-No como centro, ponto de referência, coordenada fundamental à volta do qual a comunidade se constrói e toma consciência da sua identidade cristã, consistente quando centrada no Ressuscitado. Jesus saúda-os, desejando-lhes “a paz” que é um dom messiânico. Neste contexto, esta paz significa a serenidade, tranquilidade, coragem e confiança que Jesus comunica e que permitirá aos discípulos superar o medo e a insegurança: a partir de agora, nada poderá derrotá-los, porque Jesus ressuscitado está “no meio deles”.

MEDITAÇÃO
Os nossos encontros com o Senhor, ou melhor, a percepção do encontro do Senhor que vem até nós, alimentam esta centralidade de Jesus na vida. Como estamos longe de que Ele seja o centro, o ponto de referência, o fundamento que dá consistência à existência?! Precisamos perceber a paz que Ele nos oferece; a paz que nos enche e renova! Só acolhendo as surpreendentes visitas que o Ressuscitado continua fazer, ultrapassando muros levantados e portas cerradas, seremos destinatários desta paz que nos sustenta na fé e nos impele na missão.

ORAÇÃO
 Vem, criador Espírito de Deus, visita o coração dos teus fiéis, e com a graça do alto os purifica.
 Enviado do Pai, consolador, sê para nós a fonte de água viva, o fogo do amor e a unção celeste.
 Ilumina a nossa mente, acende em nós a tua caridade, infunde em nosso peito a fortaleza.
 Livra-nos das ciladas do inimigo, dá-nos a Tua paz e evitaremos perigos e incertezas no caminho.
 (Hino da Liturgia do Pentecostes)

AÇÃO
 Deixar que Jesus entre na nossa vida com o dom da sua paz implica dar-lhe tempo, espaço, atenção, acolhimento, silêncio, adoração...

QUARTA-FEIRA

PALAVRA - Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor.
As “mãos e o lado” que Jesus mostra aos seus amigos na sequência da saudação são os “sinais” que evocam a Sua entrega, o amor total vivido até à cruz. É neste “sinal” de entrega da vida, no amor oferecido até à morte que os discípulos reconhecem Jesus. Estes “sinais” permanecem no Ressuscitado que é o Messias cujo amor se derrama sobre os discípulos do presente e do futuro e cuja entrega alimenta a comunidade até aos fins dos tempos. Daí a alegria que enche os discípulos nesta experiência de encontro com o Senhor Ressuscitado.

MEDITAÇÃO
Precisamos contemplar, constatar as “mãos e o lado” de Jesus. A maior lição de amor e de vida. Escutar o mandato que nos confia: dar a vida por amor! Quem somos nós para tão grande missão? Mas é para isso que se nos apresenta Ressuscitado, mas com os sinais da Cruz! Entrega! Amor sem limites! Convite, desafio! Ele está, pelo Seu Espírito. Enche-nos de paz, força, confiança e alegria.

ORAÇÃO
Vem, Espírito de Deus, com a tua luz e o teu amor. Abre-nos à fé. Ensina-nos a contemplar o Ressuscitado e nele os sinais de Amor de uma entrega total até à Cruz. Vem Espírito de amor e fortaleza, conduz-nos pelo caminho da entrega, da gratuidade e do serviço. Convence-nos de que só este é o caminho da Vida e da alegria profunda.

AÇÃO
Contemplar as mãos e o lado do Ressuscitado é aceitar o caminho da Cruz no concreto da vida; acolher de coração as dificuldades, os obstáculos, as incompreensões... inerentes ao Amor feito serviço e entrega. Com Ele, percorreremos assim, o caminho que nos conduz à alegria pascal.

QUINTA-FEIRA

PALAVRA - Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco.
De novo, a comunicação da Paz. Um dom do Espírito que o Ressuscitado reforça antes de enviar os discípulos em missão. Antecipa-se com o dom da paz que supera medos, incertezas, limitações, fragilidades, para que a missão do testemunho e anúncio da vida Nova se realize! Sem esta paz que brota do encontro com o Senhor, nada daquilo que qualquer discípulo de Jesus possa dizer ou fazer tem consistência.

MEDITAÇÃO
Precisamos desta insistência do Senhor em conceder-nos este dom do Espírito. Se Ele é o fundamento, o centro, a referência com Quem nos identificamos, por que tanta dispersão, preocupação, distração, agitação, por coisas não essenciais que nos ocupam e desviam da experiência e do anúncio do Senhor Ressuscitado?! Vem Senhor, com a força e a abundância da Tua paz.

ORAÇÃO
Vem, ó Espírito Santo, e a Tua luz celeste soltando raios piedosos nossos ânimos reveste.
És no trabalho descanso, refresco na calma ardente; és no pranto doce alívio de um ânimo penitente.
Suave origem do bem, ó fonte de luz divina, enche nossos corações, nossas almas ilumina.
(Hino da Liturgia do Pentecostes)

AÇÃO
 Acolhendo este dom da paz, seremos portadores e comunicadores da mesma paz àqueles com quem partilhamos a vida no dia a dia.

SEXTA-FEIRA

PALAVRA - Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós».
O envio dos discípulos antecede o dom do Espírito. Como chamados e enviados do Ressuscitado precisam da força do Espírito que os habitará, e lhes dará atitudes evangélicas e palavras de sabedoria. Eles serão o prolongamento da missão de Jesus e da sua Salvação. Só o dom do Espírito concede a audácia profética e o testemunho apostólico capaz de responder ao mandato: ide, anunciai o Evangelho.

MEDITAÇÃO
Cada um de nós é um enviado de Jesus a dar continuidade à sua presença. Todo o cristão é apóstolo e profeta. É-o por dom do Espírito que nos ungiu e nos habita! Somos templos do Espírito, portadores da sua Vida, mensageiros da Sua novidade, testemunhas do Seu amor! Como Jesus, também somos enviados, enviados a proclamar com a vida a grandeza libertadora do Amor de Deus.

ORAÇÃO
Vem, Espírito de Deus, Espírito de Amor e de doação. Vem ensinar-nos a escutar a Palavra de Jesus que nos chama e compromete, enviando-nos em missão. Que ninguém fique indiferente ao Teu convite. Vem, Espírito de coragem e docilidade, ensinar-nos a responder à vontade do Pai. Vem, ensinar-nos a ser enviados do Ressuscitado, mensageiros do Amor, guiados e animados pelo Espírito. Vem, remove-nos dos medos, comodismos, raciocínios, cobardias... Vem, impele-nos!

AÇÃO
 Somos chamados e enviados do Senhor. Com o auxílio e a luz do Seu Espírito faz-nos ver onde e como nos quer envolver no seu projeto de amor. Deixemos que o Espírito nos fale e conduza.

SÁBADO

PALAVRA - Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos».
Por fim a comunicação do Espírito. O gesto de soprar sobre os discípulos reproduz o gesto de Deus ao comunicar a vida ao homem de argila (cf. Gn 2,7). Com este “sopro”, Jesus transmite aos discípulos a vida nova e faz nascer o Homem Novo. Possuindo a vida em plenitude estão preparados para, como Jesus e no seu seguimento, fazerem da sua vida um dom de amor. Animados e movidos pelo Espírito são chamados a testemunhar, com gestos e palavras, o amor de Jesus. Jesus explicita ainda a missão dos discípulos: perdoar os pecados. São chamados a testemunhar a Vida e o amor que o Pai quer oferecer a todos os homens. A comunidade, animada pelo Espírito, é a mediadora desta oferta de salvação.

MEDITAÇÃO
O dom do Espírito é o sopro de Vida que brotou da Páscoa de Cristo; tudo renova, transforma e vivifica. Este mesmo Espírito que transformou os Apóstolos, habita-nos. Transforma o medo em coragem; o egoísmo em amor partilhado; o orgulho em serviço simples e humilde. É Ele que nos faz vencer obstáculos, superar fracassos, ultrapassar o cepticismo e a desilusão, reencontrar a orientação, readquirir a esperança e fé. É fundamental tomar consciência da presença contínua do Espírito do Senhor em nós, nos outros, nos nossos ambientes, famílias, comunidades, no mundo, e ficar atentos aos seus apelos, interpelações e indicações. Só Ele nos faz viver em Cristo.

ORAÇÃO
 Vinde Espírito Divino, celeste consolador, e realizai em nós as obras do vosso amor.
 Vinde Espírito Divino, com o dom da sapiência, ensinar a distinguir a verdade da aparência.
 Vinde Espírito Divino, com o dom da fortaleza, fazer crescer nossa fé com invencível firmeza.
 Vinde, Espírito Divino, vinde ao nosso coração, a mostrar-nos o caminho que conduz à salvação.
 (Hino da Liturgia do Pentecostes)

AÇÃO
Como Maria, Mulher dócil e obediente ao Espírito de Deus, tomemos consciência de que somos habitados, animados, fortalecidos, renovados e guiados por este mesmo Espírito que o Senhor nos envia.

sexta-feira, 25 de maio de 2012


MÊS DE MARIA
MEDITAÇÃO – 26º dia
Novena de Pentecostes 9º dia

O ESPÍRITO SANTO, FORÇA PARA TESTEMUNHAR JESUS 
Marco Antônio, otcarm
Na celebração da vigília de Pentecostes em 2004, em Roma, o Papa João Paulo II afirmou em seu discurso: “Desejo que a espiritualidade de Pentecostes se difunda na Igreja como um renovado salto de oração, de santidade, de comunhão e de anúncio” (29/05/2004).
Ora o elemento central de toda espiritualidade de Pentecostes não é um devocional, um rito litúrgico ou uma novena de orações, simplesmente, mas uma “experiência” do amor de Deus que nos leva a anunciar Jesus com destemor e alegria.
    É o Espírito Santo nos é dado para que possamos testemunhar Jesus morto e ressuscitado. É Ele quem nos permite falar em Nome de Deus, com a autoridade de Deus.(At 1,8).
      Não se pode anunciar eficazmente Jesus senão com a força do Espírito Santo (1Pd 1,12).
    Sem o Espírito Santo, transmite-se uma “doutrina”.  Com Ele há, no entanto, uma transmissão de experiência, de uma vida.  Antes de entender e elaborar uma teologia a respeito do Espírito Santo, os apóstolos tiveram uma experiência com Ele.
       A “sua Palavra” não revela somente que se trata da palavraque fala de Deus”, mas também da palavra do Deus que fala”, isto é, palavra que tem Deus por sujeito. (Jr 23,29)
    A Igreja existe antes de tudo pelo anúncio.  Um anúncio que, semelhante ao anúncio de Jesus, não começa pelos deveres e pelos Mandamentos, mas pelo Dom de Deus, pela graça; não por aquilo que o homem deve fazer, mas por aquilo que Deus fez por ele.
    Não basta renovar os conteúdos, as formas, os estilos e os meios de evangelização ou lutar para envolver os leigos.  Decisivo é se o anúncio é feito no “poder do Espírito Santo” ou sem ele (1Cor 2, 4-5).
      A Igreja e o mundo passam por um período de caos e de crise que não é necessariamente mau.   A crise é um desafio ao crescimento.
      O caos antecede a Criação  -  com a condição imprescindível de que o Espírito Santo esteja pairando sobre ele.
    O que a Igreja precisa hoje não é de uma nova legislação, nova teologia, novas estruturas nem nova liturgia.  Precisa de homens e mulheres cheios do Espírito Santo.
       Todas as outras coisas, sem o Espírito Santo, são como cadáveres sem alma.
       O Evangelho é o conteúdo do anúncio.  O Espírito Santo é o método, o princípio operativo – Ele é o “agente principal da evangelização” (Paulo VI).
        Mas o Espírito Santo opera por meio dos homens (João, Jesus, os Apóstolos) e não através de um plano, de um projeto ou de uma mensagem.  Deus não nos salva por meio de um “plano de salvação”, mas através da Pessoa de Jesus.
            Ele nos é dado para que possamos testemunhar Jesus:
Ø  Tornando-nos santos – Jo 16,15.
Ø  Com coragem – At 4,8 – At 4,13 – At 4,19 – At 5,29.
Ø  Com unção – Mt 10, 19-20.
Ø  Com esperança – At 5,42  “… cada dia…”
Ø  Com alegria – At 5,41
Ø  Com a força da oração – Rm 8,15-26 – 1Cor 12,3
           O Espírito Santo não não desce sobre edifícios, mas sobre homens.  Ele unge homens, não planos ou projetos.
       O dom do Espírito Santo não resulta de nossos esforços.  Não pode ser “merecido”.  Nada podemos “fazer” para consegui-lo.  Ele é pura dádiva de Deus.
      Antes de partir em missão, os apóstolos esperaram”.  Nós não sabemos ou não queremos esperar.
          É preciso resistir ao impulso de agir, do ímpeto de comunicar aos outros o que nós mesmos não entendemos.
      “Quando o Espírito Santo vier ... sereis minhas testemunhas”. – só depois do dom do Espírito Santo e não antes;  ou seremos testemunhas mentirosas ou pessoas inseguras e intrometidas, que sentem uma compulsão para converter os outros, a fim de se sentirem menos inseguras.
       Participamos de diversos seminários e grupos, assistimos belas palestras cheias de belas idéias; mas o poder para a prática de tudo isto?

Para adquirirmos esta Força, é preciso:
      1 – Uma atitude concreta – crer que Deus deseja dar o Espírito Santo.
       “Recebemos de Deus aquilo que esperamos.  Se esperamos pouco com certeza receberemos pouco.Se esperamos muito, também receberemos muito”. S. João da Cruz.
         Deus não nos abandona quando temos altas expectativas em relação a Ele.
       Há coisas que só podemos pedir a Deus com a condição “se for da vossa vontade”.  Essa condição não existe para implorar o Dom do Espírito, pois ele já é uma promessa explícita do Senhor.(Lc 11,13).
     2 – Uma prática concreta – o Pai quer nos dar o Espírito Santo, mas quer que nós o peçamos.
        O Espírito Santo é dado como resposta à oração e não à meditação ou à ação.
       A principal tarefa do cristão é revelar Jesus.  Por essa razão ele necessita pedir ao Pai a sua PROMESSA (At 1,4) e seu DOM (At 1,8).
        O mais característico da missão do evangelizador é a competência ou a capacidade em revelar Jesus ao mundo.  O cristão não transmite idéias, teologia, dogmas, etc.  O mundo não anseia por nada disto.  Anseia por Deus.
         A Igreja primitiva não transmitia uma teologia sobre Jesus, mas o próprio Jesus, na força e na experiência do poder do Espírito Santo. O homem faminto deseja comida de verdade e não figuras atraentes de comida.
       Precisamos estar “impregnados”, “encharcados”, “batizados” do e no Espírito Santo; precisamos passar pela experiência do Espírito Santo que nos é dado pelo Pai aos que lhe obedecem, vigiam, rezam e esperam com paciência.
       É preciso estar dispostos a anunciar Jesus, seguros de que o Espírito Santo está conosco desde que nós estejamos com ELE:
1 – Através da oração (Lc 11,13) –
2 – Através da obediência (At 5,32) – não é ouvido pelos homens senão aquele que ouve a Deus, isto é, que lhe obedece.
3 – Através da caridade ativa – não se pode “dar Jesus” senão como o Pai, “por amor” (Jo 3,16) e nunca através de julgamentos ou censuras.  É muito útil perguntar-nos antes de anunciar a Palavra de Deus ou expor sua vontade: eu amo estas pessoas como Deus as ama?
        Peça ao Espírito Santo, meu irmão, por intercessão de Nossa Senhora, queira descer sobre você, dando-lhe a sua força, para que você seja capaz de anunciar Jesus ao mundo.