sexta-feira, 31 de março de 2023

Domingo de Ramos

 São Francisco de Paula, presbítero

Evangelho - Procissão - Mt 21,1-11
- Naquele tempo: Jesus e seus discípulos aproximaram-se de Jerusalém e chegaram a Betfagé, no monte das Oliveiras. Então Jesus enviou dois discípulos, dizendo-lhes: 'Ide até o povoado que está ali na frente, e logo encontrareis uma jumenta amarrada, e com ela um jumentinho. Desamarrai-a e trazei-os a mim! Se alguém vos disser alguma coisa, direis: 'O Senhor precisa deles, mas logo os devolverá'.' Isso aconteceu para se cumprir o que foi dito pelo profeta: 'Dizei à filha de Sião: Eis que o teu rei vem a ti, manso e montado num jumento, num jumentinho, num potro de jumenta.' Então os discípulos foram e fizeram como Jesus lhes havia mandado. Trouxeram a jumenta e o jumentinho e puseram sobre eles suas vestes, e Jesus montou. A numerosa multidão estendeu suas vestes pelo caminho, enquanto outros cortavam ramos das árvores, e os espalhavam pelo caminho. As multidões que iam na frente de Jesus e os que o seguiam, gritavam: 'Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus!' Quando Jesus entrou em Jerusalém a cidade inteira se agitou, e diziam: 'Quem é este homem?' E as multidões respondiam: 'Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galileia.'

Comentário Pe. Thomaz Hughes, SVD

Neste primeiro dia da Semana Santa, na tradição católica no Brasil, com certeza não há comunidade que não celebre, com muito entusiasmo, a comemoração da entrada de Jesus em Jerusalém.  Organizam-se procissões e encenações, e quase todos fazem questão de levar alguns ramos bentos para a casa.

Porém é muito importante resgatar o verdadeiro sentido da entrada de Jesus em Jerusalém, para que possamos celebrar a festa com mais profundidade.  O próprio Evangelho de Mateus nos dá uma dica, quando em v. 5 cita o profeta Zacarias.  Pois Jesus, escolhendo entrar na capital desta maneira, estava fazendo uma releitura de Zacarias 9, 9-10.  O profeta (conhecido como Segundo Zacarias, pois capítulos 9-14 do livro são pós-exílicos) vivia em uma situação de grande opressão e pobreza, quando Palestina e o seu povo eram dominados pelo Império Grego, depois de Alexandre Magno. O profeta procura animar o seu povo oprimido, manter viva a chama de resistência através da esperança na chegada de um Messias, que teria três grandes características: seria rei (9, 9-10), bom pastor (11,4-17) e “transpassado”(12, 9-14).  Portanto, quando Jesus e os seus discípulos fizeram a sua entrada em Jerusalém, era uma maneira forte de proclamar a chegada do Messias, do Rei esperado pelos pobres de Javé.

Mas o rei proclamado por Zacarias e concretizado em Jesus era bem diferente dos reis dos países de então.  Enquanto estes faziam questão de apresentar-se publicamente com toda a pompa, montados sobre cavalos imponentes, o rei previsto por Zacarias iria entrar em Jerusalém montando um jumento – o animal do pequeno agricultor.  Pois o seu reino seria, não de dominação, opulência e opressão, mas de paz, de justiça e de solidariedade: “Dance de alegria, cidade de Sião; grite de alegria, cidade de Jerusalém, pois agora o seu rei está chegando, justo e vitorioso.  Ele é pobre, vem montado num jumento, num jumentinho, filho duma jumenta. Ele destruirá os carros de guerra de Efraim e os cavalos de Jerusalém; quebrará o arco de guerra.  Anunciará a paz a todas as nações, e o seu domínio irá de mar a mar” (Zc 9,9).

A entrada em Jerusalém de Jesus era verdadeiramente uma entrada triunfal – mas do triunfo de Deus, do Messias dos pobres e justos, e uma viravolta nos valores da sociedade.  Era a rejeição dos valores opressores dos Reinos mundanos, a celebração de Javé, o libertador, que “ouve o clamor dos pobres e sofridos” (cf Ex 3,7).  Celebrar a memória deste evento no Domingo de Ramos deve nos levar a um compromisso maior com a construção de um mundo de paz verdadeira, fruto de justiça, partilha e solidariedade.  Assim nos empolgaremos na defesa da vida no e do nosso planeta.  Quando falamos da entrada triunfal, lembremo-nos que é o triunfo da fraqueza de Deus, da Cruz, do projeto do Reino, pois como disse Paulo, “a loucura de Deus é mais sábia do que os homens, e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens” (I Cor 1,25).  Cuidemos de não transformar a celebração litúrgica em um folclore, glorificando o poder e a dominação, fazendo o que fizeram em Jerusalém, conforme o hino “Queriam um grande Rei que fosse forte, dominador e por isso não creram nele e mataram o Salvador”.  A celebração de Domingo de Ramos é realmente uma da vitória, mas da vitória que vem de fidelidade ao projeto de Deus, no seguimento de Jesus, até a Cruz e a Ressurreição.  Evitemos criar uma caricatura de Jesus como Rei poderoso, conforme os padrões da nossa sociedade, e procuremos recuperar a finalidade da ação profética de Jesus – reacender a esperança dos excluídos, marginalizados, pobres e oprimidos, assumindo cada vez mais ações concretas na busca da construção da “Terra Sem Males”.
 
MISSA

1ª Leitura (Is 50,4-7):
O Senhor deu-me a graça de falar como um discípulo, para que eu saiba dizer uma palavra de alento aos que andam abatidos. Todas as manhãs Ele desperta os meus ouvidos, para eu escutar, como escutam os discípulos. O Senhor Deus abriu-me os ouvidos e eu não resisti nem recuei um passo. Apresentei as costas àqueles que me batiam e a face aos que me arrancavam a barba; não desviei o meu rosto dos que me insultavam e cuspiam. Mas o Senhor Deus veio em meu auxílio, e, por isso, não fiquei envergonhado; tornei o meu rosto duro como pedra, e sei que não ficarei desiludido.

Salmo Responsorial: 21
R. Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?

Todos os que me veem escarnecem de mim, estendem os lábios e meneiam a cabeça: «Confiou no Senhor, Ele que o livre, Ele que o salve, se é seu amigo».

Matilhas de cães me rodearam, cercou-me um bando de malfeitores. Trespassaram as minhas mãos e os meus pés, posso contar todos os meus ossos.

Repartiram entre si as minhas vestes e deitaram sortes sobre a minha túnica. Mas Vós, Senhor, não Vos afasteis de mim, sois a minha força, apressai-Vos a socorrer-me.

Hei de falar do vosso nome aos meus irmãos, hei de louvar-Vos no meio da assembleia. Vós, que temeis o Senhor, louvai-O, glorificai-O, vós todos os filhos de Jacob, reverenciai-O, vós todos os filhos de Israel.

2ª Leitura (Flp 2,6-11): Cristo Jesus, que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz. Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus todos se ajoelhem no céu, na terra e nos abismos, e toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.

Cristo obedeceu até à morte e morte de cruz. Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes.

Evangelho (Mt 26,14—27,66):
Um dos doze, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os sumos sacerdotes e disse: «Que me dareis se eu vos entregar Jesus?». Combinaram trinta moedas de prata. E daí em diante, ele procurava uma oportunidade para entregá-lo. No primeiro dia dos Pães sem fermento, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: «Onde queres que façamos os preparativos para comeres a páscoa?». Jesus respondeu: «Ide à cidade, procurai certo homem e dizei-lhe: ‘O Mestre manda dizer: o meu tempo está próximo, vou celebrar a ceia pascal em tua casa, junto com meus discípulos’». Os discípulos fizeram como Jesus mandou e prepararam a ceia pascal. Ao anoitecer, Jesus se pôs à mesa com os Doze. Enquanto comiam, ele disse: «Em verdade vos digo, um de vós me vai entregar». Eles ficaram muito tristes e, um por um, começaram a perguntar-lhe: «Acaso sou eu, Senhor?». Ele respondeu: «Aquele que se serviu comigo do prato é que vai me entregar. O Filho do Homem se vai, conforme está escrito a seu respeito. Ai, porém, daquele por quem o Filho do Homem é entregue! Melhor seria que tal homem nunca tivesse nascido!». Então Judas, o traidor, perguntou: «Mestre, serei eu?” Jesus lhe respondeu: «Tu o dizes». Enquanto estavam comendo, Jesus tomou o pão e pronunciou a bênção, partiu-o, deu-o aos discípulos e disse: «Tomai, comei, isto é o meu corpo». Em seguida, pegou um cálice, deu graças e passou-o a eles, dizendo: «Bebei dele todos, pois este é o meu sangue da nova aliança, que é derramado em favor de muitos, para remissão dos pecados. Eu vos digo: de hoje em diante não beberei deste fruto da videira, até o dia em que, convosco, beberei o vinho novo no Reino do meu Pai». Depois de cantarem o salmo, saíram para o Monte das Oliveiras. Então Jesus disse aos discípulos: «Esta noite, todos vós caireis, no que respeita a mim. Pois está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho se dispersarão». Mas, depois de ressuscitar, eu irei à vossa frente para a Galiléia». Pedro lhe disse: «Mesmo que todos venham a cair, eu jamais». Jesus lhe declarou: «Em verdade eu te digo: esta noite, antes que o galo cante, três vezes me negarás”. Pedro respondeu: «Ainda que eu tenha de morrer contigo, não te negarei». E todos os discípulos disseram a mesma coisa. Jesus chegou com eles a uma propriedade chamada Getsêmani e disse aos discípulos: «Sentai-vos, enquanto eu vou orar ali!».Levou consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu e começou a ficar triste e angustiado.
Então lhes disse: «Sinto uma tristeza mortal! Ficai aqui e vigiai comigo! Ele foi um pouco mais adiante, caiu com o rosto por terra e orou: «Meu pai, se possível, que este cálice passe de mim. Contudo, não seja feito como eu quero, mas como tu queres». Quando voltou para junto dos discípulos, encontrou-os dormindo. Disse então a Pedro: «Não fostes capazes de ficar vigiando uma só hora comigo? Vigiai e orai, para não cairdes em tentação; pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca». Jesus afastou-se pela segunda vez e orou: «Meu Pai, se este cálice não pode passar sem que eu o beba, seja feita a tua vontade!». Voltou novamente e encontrou os discípulos dormindo, pois seus olhos estavam pesados. Deixando-os, afastou-se e orou pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras. Então voltou para junto dos discípulos e disse: «Ainda dormis e descansais? Chegou a hora! O Filho do Homem está sendo entregue às mãos dos pecadores. Levantai-vos, vamos! Aquele que vai me entregar está chegando». Jesus ainda falava, quando veio Judas, um dos Doze, com uma grande multidão armada de espadas e paus; vinham da parte dos sumos sacerdotes e dos anciãos do povo. O traidor tinha combinado com eles um sinal: «Aquele que eu beijar, é ele: prendei-o!». Judas logo se aproximou de Jesus, dizendo: «Salve, Rabi!». E beijou-o. Jesus lhe disse: «Amigo, para que vieste?». Então os outros avançaram, lançaram as mãos sobre Jesus e o prenderam. Nisso, um dos que estavam com Jesus estendeu a mão, puxou a espada e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha. Jesus, porém, lhe disse: «Guarda a espada na bainha! Pois todos os que usam a espada, pela espada morrerão. Ou pensas que eu não poderia recorrer ao meu Pai, que me mandaria logo mais de doze legiões de anjos? Mas como se cumpririam então as Escrituras, que dizem que isso deve acontecer?». Naquela hora, Jesus disse à multidão: «Viestes com espadas e paus para me prender, como se eu fosse um bandido. Todos os dias, no templo, eu me sentava para ensinar, e não me prendestes. Tudo isso, porém, aconteceu para se cumprir o que está escrito nos profetas. Então todos os discípulos o abandonaram, e fugiram. Os que prenderam Jesus levaram-no à casa do sumo sacerdote Caifás, onde estavam reunidos os escribas e os anciãos. Pedro seguia Jesus de longe, até o pátio do sumo sacerdote. Entrou e sentou-se com os guardas para ver como terminaria tudo aquilo. Ora, os sumos sacerdotes e o sinédrio inteiro procuravam um falso testemunho contra Jesus, a fim de condená-lo à morte. E nada encontraram, embora se apresentassem muitas falsas testemunhas. Por fim, vieram duas testemunhas, que afirmavam: «Este homem declarou: ‘Posso destruir o Santuário de Deus e construí-lo de novo em três dias’». Então o sumo sacerdote levantou-se e perguntou a Jesus: «Nada tens a responder ao que estes testemunham contra ti?». Jesus, porém, continuava calado. E o sumo sacerdote disse-lhe: «Eu te conjuro, pelo Deus vivo, dize-nos se tu és o Cristo, o Filho de Deus». Jesus respondeu: «Tu o disseste. Além disso, eu vos digo que de agora em diante vereis o Filho do Homem sentado à direita do Todo-Poderoso, vindo nas nuvens do céu». Então o sumo sacerdote rasgou suas vestes e disse: «Blasfemou! Que necessidade temos ainda de testemunhas? Pois agora ouvistes a blasfêmia. Que vos parece?». Responderam: «É réu de morte!». Então cuspiram no rosto de Jesus e bateram nele. Outros o golpearam, dizendo: «Profetiza para nós, Cristo! Quem é que te bateu? ».
Pedro estava sentado fora, no pátio. Uma criada aproximou-se dele e disse: «Tu também estavas com Jesus, o galileu!». Mas ele negou diante de todos: «Não sei de que estás falando». E saiu para a entrada do pátio. Então, uma outra criada viu Pedro e disse aos que estavam ali: «Este também estava com Jesus, o nazareno». Pedro negou outra vez, jurando: «Nem conheço esse homem!». Pouco depois, os que estavam ali aproximaram-se de Pedro e disseram: «É claro que tu também és um deles, pois o teu modo de falar te denuncia». Pedro começou a praguejar e a jurar: «Não conheço esse homem!». E nesse instante, um galo cantou. Pedro se lembrou do que Jesus lhe tinha dito: «Antes que um galo cante, três vezes me negarás». E saindo dali, chorou amargamente. De manhã cedo, todos os sumos sacerdotes e os anciãos do povo deliberaram a respeito de Jesus para levá-lo à morte. Então, o amarraram, levaram-no e o entregaram a Pilatos, o governador. Judas, o traidor, ao ver que Jesus fora condenado, ficou arrependido e foi devolver as trinta moedas de prata aos sumos sacerdotes e aos anciãos, dizendo: «Pequei, entregando à morte um inocente». Eles responderam: «Que temos nós com isso? O problema é teu». E ele jogou as moedas no Santuário, saiu e foi se enforcar. Recolhendo as moedas, os sumos sacerdotes disseram: «É contra a Lei depositá-las no tesouro do templo, porque é preço de sangue». Então deliberaram comprar com esse dinheiro o Campo do Oleiro, para aí fazer o cemitério dos forasteiros. É por isso que aquele campo até hoje se chama «Campo de Sangue». Cumpriu-se então o que tinha dito o profeta Jeremias: «Eles pegaram as trinta moedas de prata — preço do Precioso, preço com que os filhos de Israel o avaliaram — e as deram em troca do Campo do Oleiro, conforme o Senhor me ordenou». Jesus foi conduzido à presença do governador, e este o interrogou: «Tu és o rei dos judeus?». Jesus declarou: «Tu o dizes». E quando foi acusado pelos sumos sacerdotes e anciãos, nada respondeu. Então Pilatos perguntou: «Não estás ouvindo de quanta coisa eles te acusam?». Mas Jesus não respondeu uma só palavra, de modo que o governador ficou muito admirado. Na festa da Páscoa, o governador costumava soltar um preso que a multidão quisesse. Naquela ocasião, tinham um preso famoso, chamado Barrabás. Então Pilatos perguntou à multidão reunida: «Quem quereis que eu vos solte: Barrabás, ou Jesus, que é chamado o Cristo?». Pilatos bem sabia que eles haviam entregado Jesus por inveja. Enquanto estava sentado no tribunal, sua mulher mandou dizer a ele: «Não te envolvas com esse justo, pois esta noite, em sonho, sofri muito por causa dele». Os sumos sacerdotes e os anciãos, porém, instigaram as multidões para que pedissem Barrabás e fizessem Jesus morrer. O governador tornou a perguntar: «Qual dos dois quereis que eu solte?». Eles gritaram: «Barrabás». Pilatos perguntou: «Que farei com Jesus, que é chamado o Cristo?». Todos gritaram: «Seja crucificado!». Pilatos falou: «Mas, que mal ele fez?». Eles, porém, gritaram com mais força: «Seja crucificado!». Pilatos viu que nada conseguia e que poderia haver uma revolta. Então mandou trazer água, lavou as mãos diante da multidão, e disse: «Eu não sou responsável pelo sangue deste homem. A responsabilidade é vossa!». O povo todo respondeu: «Que o sangue dele recaia sobre nós e sobre nossos filhos». Então Pilatos soltou Barrabás, mandou açoitar Jesus e entregou-o para ser crucificado. Em seguida, os soldados do governador levaram Jesus ao pretório e reuniram todo o batalhão em volta dele. Tiraram-lhe a roupa e o vestiram com um manto vermelho; depois trançaram uma coroa de espinhos, puseram-na em sua cabeça, e uma vara em sua mão direita. Então se ajoelharam diante de Jesus e zombavam, dizendo: «Salve, rei dos judeus!». Cuspiram nele e, pegando a vara, bateram-lhe na cabeça. Depois de zombar dele, tiraram-lhe o manto vermelho e o vestiram com suas próprias roupas. Daí o levaram para crucificar. Ao saírem, encontraram um homem chamado Simão, que era de Cirene, e o obrigaram a carregar a cruz de Jesus. E chegaram a um lugar chamado Gólgota, que quer dizer Calvário. Deram-lhe de beber vinho misturado com fel. Ele provou, mas não quis beber. Depois de o crucificarem, repartiram as suas vestes tirando a sorte. E ficaram ali sentados, montando guarda. Acima da cabeça de Jesus puseram o motivo da condenação: «Este é Jesus, o Rei dos Judeus». Com ele também crucificaram dois ladrões, um à sua direita e outro, à esquerda. Os que passavam por ali o insultavam, balançando a cabeça e dizendo: «Tu que destróis o templo e o reconstróis em três dias, salva-te a ti mesmo! Se és o Filho de Deus, desce da cruz!». Do mesmo modo zombavam de Jesus os sumos sacerdotes, junto com os escribas e os anciãos, dizendo: «A outros salvou, a si mesmo não pode salvar! É Rei de Israel: desça agora da cruz, e acreditaremos nele. Confiou em Deus; que o livre agora, se é que o ama! Pois ele disse: ‘Eu sou Filho de Deus’». Do mesmo modo, também o insultavam os dois ladrões que foram crucificados com ele.
Desde o meio-dia, uma escuridão cobriu toda a terra até às três horas da tarde. Pelas três da tarde, Jesus deu um forte grito: «Eli, Eli, lamá sabactâni?», que quer dizer: «Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?». Alguns dos que ali estavam, ouvindo-o disseram: «Ele está chamando por Elias!». E logo um deles correndo, pegou uma esponja, ensopou-a com vinagre, colocou-a numa vara e lhe deu de beber. Outros, porém, disseram: «Deixa, vamos ver se Elias vem salvá-lo!”. Então Jesus deu outra vez um forte grito e entregou o espírito. Nisso, o véu do Santuário rasgou-se de alto a baixo, em duas partes, a terra tremeu e as pedras se partiram. Os túmulos se abriram e muitos corpos dos santos falecidos ressuscitaram! Saindo dos túmulos, depois da ressurreição de Jesus, entraram na Cidade Santa e apareceram a muitas pessoas. O centurião e os que com ele montavam a guarda junto de Jesus, ao notarem o terremoto e tudo que havia acontecido, ficaram com muito medo e disseram: «Este era verdadeiramente Filho de Deus!». Grande número de mulheres estava ali, observando de longe. Elas haviam acompanhado Jesus desde a Galileia, prestando-lhe serviços. Entre elas estavam Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu. Ao entardecer, veio um homem rico de Arimatéia, chamado José, que também se tornara discípulo de Jesus. Ele foi procurar Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Então Pilatos mandou que lhe entregassem o corpo. José, tomando o corpo, envolveu-o num lençol limpo e o colocou num túmulo novo, que mandara escavar na rocha. Em seguida, rolou uma grande pedra na entrada do túmulo e retirou-se. Maria Madalena e a outra Maria estavam ali sentadas, em frente ao sepulcro. No dia seguinte, terminado já o dia de preparação do sábado, os sumos sacerdotes e os fariseus foram ter com Pilatos e disseram: «Senhor, lembramo-nos de que este impostor, quando ainda estava vivo, disse: ‘Depois de três dias vou ressuscitar!’ Manda, portanto, assegurar o sepulcro até ao terceiro dia, para não acontecer que os discípulos venham roubar o corpo e digam ao povo: ‘Ele ressuscitou dos mortos! ’, pois essa última impostura seria pior do que a primeira». Pilatos respondeu: «Aí tendes uma guarda. Ide assegurar o sepulcro como melhor vos parecer». Então eles foram assegurar o sepulcro: lacraram a pedra e deixaram ali a guarda.

«Tu és o rei dos judeus?»

Rev. D. Antoni CAROL i Hostench (Sant Cugat del Vallès, Barcelona, Espanha)

Hoje somos convidados a contemplar o estilo da realeza de Cristo salvador. Jesus é Rei, e —exatamente— no último domingo do ano litúrgico celebramos ao Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo. Sim, Ele é Rei, mas seu reino é o «Reino da verdade e da vida, o Reino da santidade e da graça, o Reino da justiça, o amor e a paz» (Prefácio da Solenidade de Cristo Rei). Realeza surpreendente! Os homens, com a nossa mentalidade terrenal, não estamos acostumados a isso.

Um Rei bom, manso, que vê o bem das almas: «O meu reino não é deste mundo» (Jo 18,36). Ele deixa fazer. Em tom depreciativo e de zombaria, «`Es tu o rei dos judeus?´. Jesus respondeu: `Tu o dizes´» (Mt 27,11). Ainda mais zombaria: Jesus é comparado com Barrabás, e a multidão deve escolher a liberação de um dos dois: «Quem quereis que eu vos solte, Barrabás ou Jesus, que é chamado o Cristo?» (Mt 27,17). E... preferem Barrabás! (cf. Mt 27,21). E... Jesus cala e se oferece em holocausto por nós, que o julgamos!

Pouco antes, quando chegava a Jerusalém, com entusiasmo e simpleza, «a numerosa multidão estendeu seus mantos no caminho, enquanto outros cortavam ramos de árvores e os espalhavam no caminho. As multidões na frente e atrás dele clamavam: «`Hosana ao Filho de David! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nos céus´» (Mt 21.8-9). Mas, agora, esses mesmos gritam: «`Seja crucificado». Pilatos insistiu: «`Mas, que mal ele fez?´». Eles, porém, gritaram com mais força: «`Seja crucificado!´» (Mt 27, 22-23). «`Vou crucificar o vosso rei?» Os sumos sacerdotes responderam: «`Não temos rei senão César´» (Jo 19,15).

Este Rei não se impõe, se oferece. Sua realeza está impregnada de espírito de serviço. «O Senhor vem, mas não rodeado de pompa, como se fosse conquistar a glória. Ele não discutirá, diz a Escritura, nem gritará, e ninguém ouvirá sua voz. Pelo contrário, será manso e humilde, (...) imitemos os que foram ao seu encontro. Não para estendermos à sua frente, no caminho, ramos de oliveira ou de palma, tapetes ou mantos, mas para prostrarmos a seus pés, com humildade e retidão de espírito» (Santo André de Creta, bispo).

Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Jesus, que nunca tinha pecado, foi crucificado por ti; e tu, não te crucificás por Ele? Não es tu que lhe faz um favor a Ele, uma vez que tu primeiro; o que estás a fazer apenas é devolver-Lhe o favor, liquidando a dívida que tens para com Aquele que por ti foi crucificado no Gólgota» (São Cirilo de Jerusalém)

«Assim como entrou em Jerusalém, também quer entrar nas nossas cidades e nas nossas vidas. Como fez no Evangelho, cavalgando num simples burrico, ele vem até nós, humildemente, mas vem `em nome do Senhor´» (Francisco)

«(...) Ora, o «rei da glória» (Sl 24, 7-10) entra na sua cidade’, montado num jumento´. Não conquista a filha de Sião (Jerusalém), figura da sua Igreja, nem pela astúcia nem pela violência, mas pela humildade que dá testemunho da verdade. Por isso é que, naquele dia, os súbditos do seu Reino, são as crianças e os `pobres de Deus´, que O aclamam, tal como os anjos O tinham anunciado aos pastores (...)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 559)

Sábado V da Quaresma

1ª Leitura (Ez 37,21-28):
Assim fala o Senhor Deus: «Vou tirar os filhos de Israel do meio das nações para onde foram, vou reuni-los de toda a parte, para os reconduzir à sua terra. Farei deles um só povo, na sua terra, nas montanhas de Israel, e um só rei reinará sobre todos eles. Nunca mais tornarão a ser duas nações, nem ficarão divididos em dois reinos. Não voltarão a manchar-se com os seus ídolos, com todas as suas abominações e pecados. Hei de livrá-los de todas as infidelidades que cometeram e hei de purificá-los, para que sejam o meu povo e Eu seja o seu Deus. O meu servo David será o seu rei, o único pastor de todos eles. Caminharão segundo os meus mandamentos e obedecerão às minhas leis, pondo-as em prática. Habitarão na terra que dei ao meu servo Jacob, a terra em que moraram os vossos pais. Aí habitarão eles e os seus filhos e os filhos dos seus filhos para sempre; e o meu servo David será o seu soberano para sempre. Farei com eles uma aliança de paz, uma aliança eterna entre Mim e eles. Hei de estabelecê-los, hei de multiplicá-los e colocarei no meio deles o meu santuário para sempre. A minha morada será no meio deles: serei o seu Deus e eles serão o meu povo. As nações saberão que Eu sou o Senhor, que santifico Israel, quando o meu santuário estiver no meio deles para sempre».

Salmo Responsorial: Jer 31
R. Como o pastor guarda o seu rebanho, assim nos guarda o Senhor.

Escutai, ó povos, a palavra do Senhor e anunciai-as às ilhas distantes: Aquele que dispersou Israel vai reuni-lo e guardá-lo como um pastor ao seu rebanho.

O Senhor resgatou Jacob e libertou-o das mãos do seu dominador. Regressarão com brados de alegria ao monte Sião, acorrendo às bênçãos do Senhor.

A virgem dançará alegremente, exultarão os jovens e os velhos. Converterei o seu luto em alegria e a sua dor será mudada em consolação e júbilo.

Deixai todos os vossos pecados, diz o Senhor; criai um coração novo e um espírito novo.

Evangelho (Jo 11,45-56): Muitos judeus que tinham ido à casa de Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele. Alguns, porém, foram contar aos fariseus o que Jesus tinha feito. Os sumos sacerdotes e os fariseus, então, reuniram o sinédrio e discutiam: «Que vamos fazer? Este homem faz muitos sinais. Se deixarmos que ele continue assim, todos vão acreditar nele; os romanos virão e destruirão o nosso Lugar Santo e a nossa nação». Um deles, chamado Caifás, sumo sacerdote naquele ano, disse: «Vós não entendeis nada! Não percebeis que é melhor um só morrer pelo povo do que perecer a nação inteira?». Caifás não falou isso por si mesmo. Sendo sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus iria morrer pela nação; e não só pela nação, mas também para reunir os filhos de Deus dispersos. A partir desse dia, decidiram matar Jesus. Por isso, Jesus não andava mais em público no meio dos judeus. Ele foi para uma região perto do deserto, para uma cidade chamada Efraim. Lá permaneceu com os seus discípulos. A Páscoa dos judeus estava próxima. Muita gente da região tinha subido a Jerusalém para se purificar antes da Páscoa. Eles procuravam Jesus e, reunidos no templo, comentavam: «Que vos parece? Será que ele não vem para a festa?» Entretanto, os sumos sacerdotes e os fariseus tinham dado a seguinte ordem: se alguém soubesse onde Jesus estava, devia comunicá-lo, para que o prendessem.

«Jesus iria morrer pela nação; e não só pela nação, mas também para reunir os filhos de Deus dispersos»

Rev. D. Xavier ROMERO i Galdeano (Cervera, Lleida, Espanha)

Hoje, de caminho para Jerusalém, Jesus sente-se perseguido, vigiado, sentenciado, porque quanto maior e original tem sido sua revelação —o anúncio do Reino— mais ampla e mais clara tem sido a divisão e a oposição que ele encontrou nos ouvintes. «Então muitos judeus, que tinham ido à casa de Maria e que viram o que Jesus fez, acreditaram nele. Alguns, foram ao encontro dos fariseus e contaram o que Jesus tinha feito». (cf. Jo 11,45-46).

As palavras negativas de Caifás, «Vocês não percebem que é melhor um só homem morrer pelo povo, do que a nação inteira perecer?» (Jo 11,50), Jesus as assumirá positivamente na redenção feita por nós. Jesus, o Filho Unigênito de Deus, morre na cruz por amor a todos! Morre para realizar o plano do Pai, quer dizer, «E não só pela nação, mas também para reunir os filhos de Deus que estavam dispersos» (Jo 11,52).

E esta é a maravilha e a criatividade de nosso Deus! Caifás, com sua sentença («Convém que morra um só...») não faz mais que, por ódio, eliminar a um idealista; por outro lado, Deus Pai, enviando o seu Filho por amor a nós, faz algo maravilhoso: converter aquela sentença malévola em una obra de amor redentora, porque para Deus Pai, cada homem vale todo o sangue derramado por Jesus Cristo!

Daqui a uma semana cantaremos —em solene vigília— o Pregão Pascoal. A través dessa maravilhosa oração, a Igreja faz louvor ao pecado original. E não o faz porque desconheça sua gravidade, e sim porque Deus —em sua bondade infinita— tem feito proezas como resposta ao pecado do homem. Isto é, ante o “desgosto original”, Ele respondeu com a Encarnação, com o sacrifício pessoal e com a instituição da Eucaristia. Por isso, a liturgia cantará no próximo sábado: «Que assombroso benefício de teu amor por nós! Que incomparável ternura e caridade! Oh feliz culpa que mereceu tal Redentor!».

Espero que nossas sentenças, palavras e ações não sejam impedimentos para a evangelização, uma vez que nós também recebemos de Cristo a responsabilidade, de reunir os filhos de Deus dispersos: «Portanto, vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo» (Mt 28,19).

Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Só um morreu por todos; e este mesmo é aquele que agora por todas as igrejas, no mistério do pão e do vinho, morto, nos alimenta; acreditado, nos vivifica; consagrado, santifica quem os consagra» (São Gaudêncio de Brescia)

«Para os cristãos sempre haverá perseguições, incompreensões. Mas devem de ser encaradas com a certeza de que Jesus é o Senhor, e este é o desafio e a cruz da nossa fé» (Francisco)

«(…) A Bíblia venera algumas grandes figuras das "nações", como "o justo Abel", o rei e sacerdote Melquisedec (…), ou os justos "Noé, Danel e Job". Deste modo, a Escritura exprime o alto grau de santidade que podem atingir os que vivem segundo a aliança de Noé, na expectativa de que Cristo ‘reúna, na unidade, todos os filhos de Deus dispersos’ (Jo 11, 52)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 58)

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

*
  O evangelho de hoje traz a parte final do longo relato da ressurreição de Lázaro em Betânia, na casa de Marta e Maria (João 11,1-56). A ressurreição de Lázaro é o sétimo sinal (milagre) de Jesus no evangelho de João e é também o ponto alto e decisivo da revelação que ele vinha fazendo de Deus e de si mesmo.

*  A pequena comunidade de Betânia, onde Jesus gostava de hospedar-se, reflete a situação e o estilo de vida das pequenas comunidades do Discípulo Amado no fim do primeiro século lá na Ásia Menor. Betânia quer dizer "Casa dos pobres". Eram comunidades pobres de gente pobre. Marta quer dizer "Senhora" (coordenadora): uma mulher coordenava a comunidade. Lázaro significa "Deus ajuda": a comunidade pobre esperava tudo de Deus. Maria significa "amada de Javé": era a discípula amada, imagem da comunidade. O episódio da ressurreição de Lázaro comunicava esta certeza: Jesus traz vida para a comunidade dos pobres. Jesus é fonte de vida para todos que nele acreditam.

*  João 11,45-46: A repercussão do sétimo Sinal no meio do povo. Depois da ressurreição de Lázaro (Jo 11,1-44), vem a descrição da repercussão deste sinal no meio do povo. O povo estava dividido. “Muitos judeus, que tinham ido à casa de Maria e que viram o que Jesus fez, acreditaram nele”. Mas outros “foram ao encontro dos fariseus e contaram o que Jesus tinha feito.  Estes últimos fizeram a denúncia. Para poder entender esta reação negativa de uma parte do povo é preciso levar em conta que a metade da população de Jerusalém dependia em tudo do Templo para poder viver e sobreviver. Por isso, dificilmente eles iriam apoiar um desconhecido profeta da Galileia que criticava o Templo e as autoridades. Isto também explica como alguns se prestavam para ser informantes das autoridades.

*  João 11,47-53: A repercussão do sétimo Sinal no meio das autoridade. A notícia da ressurreição de Lázaro fez crescer a popularidade de Jesus. Por isso, os líderes religiosos convocam o conselho, o sinédrio, a autoridade máxima, para discernir o que fazer. Pois, “esse homem está realizando muitos sinais. Se deixamos que ele continue assim, todos vão acreditar nele; os romanos virão e destruirão o Templo e toda a nação”. Eles tinham medo dos romanos. De fato, o passado, desde a invasão romano em 64 antes de Cristo até à época de Jesus, já tinha mostrado várias vezes que os romanos reprimiam com toda a violência qualquer tentativa de rebelião popular (cf Atos 5,35-37). No caso de Jesus, a reação romana poderia levar à perda de tudo, inclusive do Templo e da posição privilegiada dos sacerdotes. Por isso, Caifás, o sumo sacerdote, decide: “É melhor um só homem morrer pelo povo, do que a nação inteira perecer”. E o evangelista faz este bonito comentário: “Caifás não falou isso por si mesmo. Sendo sumo sacerdote nesse ano, profetizou que Jesus ia morrer pela nação. E não só pela nação, mas também para reunir juntos os filhos de Deus que estavam dispersos”. Assim, a partir deste momento, os líderes, preocupados com o crescimento da liderança de Jesus e motivados pelo medo dos romanos, decidem matar Jesus.

*  João 11,54-56: A repercussão do sétimo Sinal na vida de Jesus. O resultado final é que Jesus tinha que viver como clandestino. “Ele não andava mais em público entre os judeus. Retirou-se para uma região perto do deserto. Foi para uma cidade chamada Efraim, onde ficou com seus discípulos”. A páscoa estava próxima. Nessa época do ano, a população de Jerusalém triplicava por causa do grande número de peregrinos e romeiros. A conversa de todos era em torno de Jesus: "Que é que vocês acham? Será que ele não vem para a festa?" Da mesma maneira, na época em que foi escrito o evangelho, no fim do primeiro século, época da perseguição do imperador Domiciano (81 a 96), as comunidades cristãs que traziam a vida para os outros viam-se obrigadas a viver na clandestinidade.

*  Uma chave para entender o sétimo sinal da ressurreição de Lázaro. Lázaro estava doente. As irmãs Marta e Maria mandaram chamar Jesus: "Aquele a quem amas está doente!" (Jo 11,3.5). Jesus atende ao pedido e explica aos discípulos: "Essa doença não é mortal, mas é para a glória de Deus, para que por nela seja glorificado o Filho de Deus!" (Jo 11,4) No evangelho de João, a glorificação de Jesus acontece através da sua morte (Jo 12,23; 17,1). Uma das causas da sua condenação à morte vai ser a ressurreição de Lázaro (Jo 11,50; 12,10). Muitos judeus estavam na casa de Marta e Maria para consolá-las da perda do irmão. Os judeus, representantes da Antiga Aliança, só sabem consolar. Não trazem vida nova. Jesus é que vai trazer vida nova! Assim, de um lado, a ameaça de morte contra Jesus! De outro lado, Jesus chegando para vencer a morte! É neste contexto de conflito entre vida e morte, que se realiza o sétimo sinal da ressurreição de Lázaro.

Marta diz que crê na ressurreição. Os fariseus e a maioria do povo também acreditavam na Ressurreição (At 23,6-10; Mc 12,18). Acreditavam, mas não a revelavam. Era apenas fé na ressurreição no fim dos tempos e não na ressurreição presente na história, aqui e agora. Esta fé antiga não renovava a vida. Pois não basta crer na ressurreição que vai acontecer no final dos tempos, mas tem que crer que a Ressurreição já está presente aqui e agora na pessoa de Jesus e naqueles que acreditam em Jesus. Sobre estes a morte já não tem mais nenhum poder, porque Jesus é a "ressurreição e a vida". Mesmo sem ver o sinal concreto da ressurreição de Lázaro, Marta confessa a sua fé: "Eu creio que tu és o Cristo, o filho de Deus que vem ao mundo" (Jo 11,27).

Jesus manda tirar a pedra. Marta reage: "Senhor, já cheira mal! É o quarto dia!"(Jo 11,39).  Novamente, Jesus a desafia apelando para a fé na ressurreição, aqui e agora, como um sinal da glória de Deus: "Não te disse que, se creres, verás a glória de Deus?" (Jo 11,40). Retiraram a pedra. Diante do sepulcro aberto e diante da incredulidade das pessoas, Jesus se dirige ao Pai. Na sua prece, primeiro, faz ação de graças: "Pai, dou-te graças, porque me ouviste. Eu sabia que tu sempre me ouves!" (Jo 11,41-42). Jesus conhece o Pai e confia nele. Mas agora ele pede um sinal por causa da multidão que o rodeia, para que possa acreditar que ele, Jesus, é o enviado do Pai. Em seguida, ele grita em alta voz, grito criador: "Lázaro, vem para fora!" E Lázaro veio para fora (Jo 11,43-44). É o triunfo da vida sobre a morte, da fé sobre a incredulidade! Um agricultor comentou: "A nós cabe retirar a pedra! E aí Deus ressuscita a comunidade. Tem gente que não quer tirar a pedra, e por isso a comunidade deles não tem vida!"

Para um confronto pessoal
1) O que significa para mim, bem concretamente, crer na ressurreição?
2) Parte do povo aceitava Jesus, parte não aceitava. Hoje, parte do povo aceita a renovação da igreja, e parte não aceita. E eu?

quarta-feira, 29 de março de 2023

SETE DORES DE NOSSA SENHORA

ORAÇÃO INICIAL: Virgem Dolorosíssima, seríamos ingratos se não nos esforçássemos em promover a memória e o culto de vossas Dores particulares graças para uma sincera penitência, oportunos auxílios e socorros em todas as necessidades e perigos. Alcançai-nos Senhora, de Vosso Divino Filho, pelos mérito de Vossas Dores e lágrimas, a graça...(pedir a graça)

1ª Dor: “Quanto a ti, uma espada de dor transpassará a tua alma” (Lc 2,35)
 

Senhor, ao ouvir a profecia de Simeão, admiramos a fé serena e a fortaleza de Maria, nascidas da consciência do sentido de suas dores. 

Concedei a todos nós, a sabedoria e a coragem, para sabermos enfrentar os sofrimentos do mundo de hoje.
 
1 Pai-Nosso, 7 Ave-Marias e Glória
Maria, minha mãe, fazei que meu coração acompanhe vossas dores na morte de Jesus!
 
2ª Dor: “Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito” (MT 2,13)
 

A defesa da vida de Jesus, ameaçada por Herodes, obriga Maria e José a fugirem para o Egito com o menino. Nós te pedimos, 

ó Maria, que intercedas por nós, para que os sofrimentos do dia a dia, não nos façam desistir de lutar por um mundo mais justo e fraterno, buscando com fidelidade e coragem, a defesa da vida.
 
1 Pai-Nosso, 7 Ave-Marias e Glória
Maria, minha mãe, fazei que meu coração acompanhe vossas dores na morte de Jesus!
 
3ª Dor: “...quando voltaram, o menino Jesus ficou em Jerusalém” (Lc 2,42)
 

Contemplando o sofrimento de Maria quando perde Jesus no templo, nos unimos a ela, para estarmos em comunhão com tantas famílias que sofrem a perda de seus filhos.

Concedei-nos Maria, a graça de ir ao encontro dos que se perdem, na busca do sentido da vida.
 
1 Pai-Nosso, 7 Ave-Marias e Glória
Maria, minha mãe, fazei que meu coração acompanhe vossas dores na morte de Jesus!
 
4ª Dor: “Seguia-o grande multidão de povo e de mulheres” (Lc 23,27)
 

Maria encontra Jesus e o segue até o Calvário. Acompanhemos a dor das mães que com seus filhos carregam a cruz das injustiças sociais que desrespeitam a vida humana.

Ó Maria, tu que encorajas as mães a não abandonar seus filhos em nenhum momento, sobretudo na dor, ensinai-nos a ser solidários com os fracos e desamparados.
 
1 Pai-Nosso, 7 Ave-Marias e Glória
Maria, minha mãe, fazei que meu coração acompanhe vossas dores na morte de Jesus!
 
5ª Dor: “Junto à cruz de Jesus estava de pé sua mãe” (Jô 19,25)
 

Maria, de pé, não abandona Jesus. Mantém-se firme ao seu lado, e também hoje não abandona seus filhos. Continua conosco, sob a cruz dos crucificados deste mundo. 

Contigo Maria, queremos estar junto de nossos irmãos. Ajudai-nos a ser uma presença que conforte e anime.
 
1 Pai-Nosso / 7 Ave-Marias e Glória
Maria, minha mãe, fazei que meu coração acompanhe vossas dores na morte de Jesus!
 
6ª Dor: “Jesus é descido da cruz...” (Lc 23,53)
 

Intensa foi a dor de Maria ao acolher em seus braços o filho morto. Em nossos dias, muitas mães sofrem com seus filhos, vítimas da violência e discriminação social.

Deus da vida, iluminai-nos e fortalecei-nos para que não percamos a esperança de transformar as estruturas humanas de nosso mundo.
 
1 Pai-Nosso / 7 Ave-Marias e Glória
Maria, minha mãe, fazei que meu coração acompanhe vossas dores na morte de Jesus!
 
7ª Dor: “...Jesus foi envolvido em um lençol e depositado em um túmulo cavado na rocha” (Lc 23,53)
 

Maria mãe querida, quanta dor sofrestes ao ver seu Filho sepultado. Soubestes recolher-se em silêncio, e aguardar a resposta de Deus. 

Ensinai-nos ó mãe, a conservar a serenidade e a esperança, quando nada parece ter sentido.
 
1 Pai-Nosso, 7 Ave-Marias e Glória
Maria, minha mãe, fazei que meu coração acompanhe vossas dores na morte de Jesus!
 
ORAÇÃO FINAL: Maria, Mãe da Santa Esperança, que estás sempre conosco, como sempre estivestes com Jesus, durante toda sua Vida, Paixão, Morte e Ressurreição, intercedei por nós junto à Santíssima Trindade, para que experimentemos sua consolação, nesta e na outra vida. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém!

ORAÇÃO: Lembrai-Vos, ó Rainha dos Mártires, das saudades cruciantes que atormentam o Vosso Imaculado Coração durante as trinta e seis horas de sepultura do Vosso Divino Filho. Pelas dores acerbadíssimas da vossa saudade. Acendei-nos na alma o desejo de ver a Deus no Céu, e alcançai-nos, um dia, a eterna Bem-aventurança. Enquanto, porém, neste desterro peregrinamos, obtendo-nos as graças que nos são necessárias para amarmos e servimos a Jesus com fidelidade até a morte: e, se for da sua vontade adorável, impetrai-me a mercê que Vos imploro com inteira confiança.

Mês de São José - Sexta-feira da 5ª semana da Quaresma

Sexta-feira das Dores de Nossa Senhora
Beata Joana de Toulouse, Virgem de nossa Ordem e Primeira Carmelita da Ordem Terceira.

ORAÇÃO PREPARATÓRIA
- Com humildade e respeito aqui nos reunimos, ó Divino Jesus, para oferecer, todos os dias deste mês, as homenagens de nossa devoção ao glorioso Patriarca S. José. Vós nos animais a recorrer com toda a confiança aos vossos benditos Santos, pois que as honras que lhes tributamos revertem em vossa própria glória. Com justos motivos, portanto, esperamos vos seja agradável o tributo quotidiano que vimos prestar ao Esposo castíssimo de Maria, vossa Mãe santíssima, a São José, vosso amado Pai adotivo. Ó meu Deus, concedei-nos a graça de amar e honrar a São José como o amastes na terra e o honrais no céu. E vós, ó glorioso Patriarca, pela vossa estreita união com Jesus e Maria; vós que, à custa de vossas abençoadas fadigas e suores, nutristes a um e outro, desempenhando neste mundo o papel do Divino Padre Eterno; alcançai-nos luz e graça para terminar com fruto estes devotos exercícios que em vosso louvor alegremente começamos. Amém.

LECTIO DIVINA
1ª Leitura (Jer 20,10-13): Disse Jeremias: «Eu ouvia as invectivas da multidão: ‘Terror por toda a parte! Denunciai-o, vamos denunciá-lo!’ Todos os meus amigos esperavam que eu desse um passo em falso: ‘Talvez ele se deixe enganar e assim o poderemos dominar e nos vingaremos dele’. Mas o Senhor está comigo como herói poderoso e os meus perseguidores cairão vencidos. Ficarão cheios de vergonha pelo seu fracasso, ignomínia eterna que não será esquecida. Senhor do Universo, que sondais o justo e perscrutais os rins e o coração, possa eu ver o castigo que dareis a essa gente, pois a Vós confiei a minha causa. Cantai ao Senhor, louvai o Senhor, que salvou a vida do pobre das mãos dos perversos».

Salmo Responsorial: 17
R. Na minha angústia invoquei o Senhor e do seu templo Ele ouviu a minha voz.

Eu Vos amo, Senhor, minha força, minha fortaleza, meu refúgio e meu libertador.

Meu Deus, auxílio em que ponho a minha confiança, sois meu protetor, minha defesa e meu salvador. Invoquei o Senhor – louvado seja Ele – e fiquei salvo de meus inimigos.

Cercaram-me as ondas da morte e encheram-me de terror as torrentes malignas; envolveram-me em laços funestos e a morte prendeu-me em suas redes.

Na minha aflição invoquei o Senhor e clamei pelo meu Deus. Do seu templo Ele ouviu a minha voz e o meu clamor chegou aos seus ouvidos.

As vossas palavras, Senhor, são espírito e vida, Vós tendes palavras de vida eterna.

Evangelho (Jo 10,31-42): De novo, os judeus pegaram em pedras para apedrejar Jesus. E ele lhes disse: «Eu vos mostrei muitas obras boas da parte do Pai. Por qual delas me quereis apedrejar?». Os judeus responderam: «Não queremos te apedrejar por causa de uma obra boa, mas por causa da blasfêmia. Tu, sendo apenas um homem, pretendes ser Deus»! Jesus respondeu: «Acaso não está escrito na vossa Lei: ‘Eu disse: sois deuses’? Ora, ninguém pode anular a Escritura. Se a Lei chama deuses as pessoas às quais se dirigiu a palavra de Deus, por que, então, acusais de blasfêmia àquele que o Pai consagrou e enviou ao mundo, só porque disse: ‘Eu sou Filho de Deus’? Se não faço as obras do meu Pai, não acrediteis em mim. Mas, se eu as faço, mesmo que não queirais crer em mim, crede nas minhas obras, para que saibais e reconheçais que o Pai está em mim e eu no Pai”. Mais uma vez, procuravam prendê-lo, mas ele escapou das suas mãos. Jesus se retirou de novo para o outro lado do Jordão, para o lugar onde, antes, João esteve batizando. Ele permaneceu lá, e muitos foram a ele. Diziam: «João não fez nenhum sinal, mas tudo o que ele falou a respeito deste homem é verdade». E muitos, ali, passaram a crer nele.

«Por qual delas me quereis apedrejar?»

Rev. D. Carles ELÍAS i Cao (Barcelona, Espanha)

Hoje sexta-feira, quando falta só uma semana para comemorar a morte do Senhor, o Evangelho nos apresenta os motivos de sua condena. Jesus tenta mostrar a verdade, mas os judeus o têm por blasfemo e réu de lapidação. Jesus fala das obras que realiza. Obras de Deus que o acreditam, de como pode dar-se a si mesmo o título de “Filho de Deus”... No entanto, fala desde umas categorias difíceis de entender para seus adversários: “estar com a verdade”, “escutar sua voz”...; fala-lhes desde o seguimento e o compromisso com sua pessoa que fazem com que Jesus seja conhecido e amado —«Jesus virou-se para trás, e vendo que o seguiam, perguntou: «O que é que vocês estão procurando?» Eles disseram: «Rabi (que quer dizer Mestre), onde moras?» (Jo 1,38)—. Mas tudo parece inútil: é tão grande o que Jesus tenta dizer que eles não podem entender, somente poderão compreender os pequenos e simples, porque o Reino está escondido aos sábios e entendidos.

Jesus luta por apresentar argumentos que possam ser aceitos, mas a tentativa é em vão. No fundo, morrerá por dizer a verdade sobre si mesmo, por ser fiel a si mesmo, à sua identidade e à sua missão. Como profeta, apresentará um chamado à conversão e será rejeitado, um novo rosto de Deus e será esculpido, uma nova fraternidade e será abandonado.

Novamente se levanta a Cruz do Senhor com toda sua força como estandarte verdadeiro, como única razão indiscutível: «Oh admirável virtude da santa cruz! Oh inefável gloria do Pai! Nela podemos considerar o tribunal do Senhor, o juízo do mundo e o poder do crucificado. Oh, sim, Senhor: atraíste a ti todas as coisas quando, A cada dia eu estendia a mão para um povo desobediente (cf. Is 65,2), o universo inteiro compreendeu que devia render homenagem a tua majestade!» (São Leão Magno). Jesus fugirá ao outro lado do Jordão e quem realmente acredita Nele o buscará ali dispostos a segui-lo e a escutá-lo.

Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Acreditar para compreender e compreender para acreditar» (Santo Agostinho)

«Muitas pessoas estiveram em estreito contato com Jesus e não acreditaram nele... Se tiveres o coração fechado, a fé não entra. Deus Pai atrai-nos sempre para Jesus; somos nós que abrimos ou fechamos os nossos corações» (Francisco)

«Os sinais realizados por Jesus testemunham que o Pai O enviou. Convidam a crer n'Ele. Aos que se Lhe dirigem com fé, concede-lhes o que pedem. Assim, os milagres fortificam a fé n'Aquele que faz as obras do seu Pai: testemunham que Ele é o Filho de Deus (cf. Jo 10,31-38)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 548)

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

Estamos chegando perto da Semana Santa, em que comemoramos e atualizamos a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Desde a quarta semana da quaresma, os textos dos evangelhos diários são tirados quase exclusivamente do Evangelho de João, dos capítulos que acentuam a tensão dramática entre, de um lado, a revelação progressiva que Jesus faz do mistério do Pai que o enche por inteiro e, de outro lado, o fechamento progressivo da parte dos judeus que se tornam cada vez mais impenetráveis à mensagem de Jesus. O trágico deste fechamento é que ele é feito em nome da fidelidade a Deus. É em nome de Deus que eles rejeitam Jesus.

*  Esta maneira de João apresentar o conflito entre Jesus e as autoridade religiosas não é só algo que aconteceu no longínquo passado. É também um espelho que reflete o que acontece hoje. É em nome de Deus que algumas pessoas se transformam em bombas vivas e matam os outros. É em nome de Deus que nós, membros das três religiões do Deus de Abraão, judeus, cristãos e muçulmanos, nós condenamos e nos combatemos mutuamente, ao longo da história. É tão difícil e tão necessário o ecumenismo entre nós. Em nome de Deus foram feitas muitas barbaridades e continuam sendo feitas até hoje. A quaresma é um período importante para parar e perguntar qual a imagem de Deus que habita o meu ser?

* João 10,31-33: Os judeus querem apedrejar Jesus.  Os judeus apanham pedras para matar Jesus. Jesus pergunta: "Por ordem do meu Pai, tenho feito muitas coisas boas na presença de vocês. Por qual delas vocês me querem apedrejar?" A resposta: "Não queremos te apedrejar por causa de boas obras, e sim por causa de uma blasfêmia: tu és apenas um homem, e te fazes passar por Deus." Querem matar Jesus por blasfêmia. A lei mandava apedrejar tais pessoas.

* João 10,34-36: A Bíblia chama todos de Filhos de Deus. Eles querem matar Jesus porque ele se faz passar por Deus. Jesus responde em nome da mesma Lei de Deus: "Por acaso, não é na Lei de vocês que está escrito: 'Eu disse: vocês são deuses'? Ninguém pode anular a Escritura. Ora, a Lei chama de deuses as pessoas para as quais a palavra de Deus foi dirigida. O Pai me consagrou e me enviou ao mundo. Por que vocês me acusam de blasfêmia, se eu digo que sou Filho de Deus?”.

* Estranhamente, Jesus diz “a lei de vocês”. Ele deveria dizer “nossa lei”. Por que ele fala assim? Aqui transparece novamente a ruptura trágica entre Judeus e Cristãos, dois irmãos, filhos do mesmo pai Abraão, que se tornaram inimigos irredutíveis a ponto de os cristãos dizerem “a lei de vocês”, como se não fosse mais nossa lei.

* João 10,37-38: Ao menos acreditem nas obras que faço.  Jesus torna a falar das obras que ele faz e que são a revelação do Pai. Se eu não faço as obras de meu Pai, não me creiais. Mas se as faço, e se não quiserdes crer em mim, crede nas minhas obras, para que saibais e reconheçais que o Pai está em mim e eu no Pai. As mesmas palavras Jesus vai pronunciar para os discípulos na última Ceia (Jo 14,10-11).

* João 10,39-42: Novamente querem matá-lo, mas ele escapou das mãos deles.  Não houve nenhum sinal de conversão. Eles continuam achando que Jesus é blasfemo e insistem em querer matá-lo. Não há futuro para Jesus. Sua morte está decretada, mas sua hora ainda não chegou. Jesus sai e atravessa o Jordão para o lugar onde João tinha batizado. Assim mostra a continuidade da sua missão com a missão de João. Ajudava o povo a perceber a linha da ação de Deus na história. O povo reconhece em Jesus aquele que João tinha anunciado.

Para um confronto pessoal
1) Os judeus condenam Jesus em nome de Deus, em nome da imagem que eles têm de Deus. Já aconteceu eu condenar alguém em nome de Deus e depois descobrir que eu estava errado?
2) Jesus se diz “Filho de Deus”. Quando eu professo no Credo que Jesus é o Filho de Deus, qual o conteúdo que eu coloco nesta minha profissão de fé?
 
ORAÇÃO - Ó glorioso S. José, a bondade de vosso coração é sem limites e indizível, e neste mês que a piedade dos fiéis vos consagrou mais generosas do que nunca se abrem as vossas mãos benfazejas. Distribui entre nós, ó nosso amado Pai, os dons preciosíssimos da graça celestial da qual sois ecônomo e o tesoureiro; Deus vos criou para seu primeiro esmoler. Ah! que nem um só de vossos servos possa dizer que vos invocou em vão nestes dias. Que todos venham, que todos se apresentem ante vosso trono e invoquem vossa intercessão, a fim de viverem e morrerem santamente, a vosso exemplo nos braços de Jesus e no ósculo beatíssimo de Maria. Amém.
 
LADAINHA DE SÃO JOSÉ (atualizada)
Senhor tende piedade de nós.
Jesus Cristo tende piedade de nós.
Senhor tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, escutai-nos.
Deus Pai do Céu, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, ...
Deus Espírito Santo Paráclito, ...
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, ...
Santa Maria, rogai por nós.
São José,
Ilustre filho de Davi,
Luz dos Patriarcas,
Esposo da Mãe de Deus,
Guardião do Redentor,
Guarda da puríssima Virgem,
Provedor do Filho de Deus,
Zeloso defensor de Cristo,
Servo de Cristo,
Ministro da salvação,
Chefe da Sagrada Família,
José justíssimo,
José castíssimo,
José prudentíssimo,
José fortíssimo,
José obedientíssimo,
José fidelíssimo,
Espelho de paciência,
Amante da pobreza,
Modelo dos trabalhadores,
Honra da vida em família,
Guardião das virgens,
Sustentáculo das famílias,
Amparo nas dificuldades,
Socorro dos miseráveis,
Esperança dos enfermos,
Patrono dos exilados,
Consolo dos aflitos,
Defensor dos pobres,
Patrono dos moribundos,
Terror dos demônios,
Protetor da Santa Igreja,
Patrono da Ordem Carmelita,
 
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade nós.
 
V. - O Senhor o constituiu dono de sua casa.
R. - E fê-lo príncipe de todas as suas possessões.
 
ORAÇÃO: Deus, que por vossa inefável Providência vos dignastes eleger o bem-aventurado São José para Esposo de vossa Mãe Santíssima concedei-nos, nós vos pedimos, que mereçamos ter como intercessor no céu aquele a quem veneramos na terra como nosso Protetor. Vós que viveis e reinais com Deus Padre na unidade do Espírito Santo. Amém.

31 de março

 
Beata Joana de Toulouse
Virgem de nossa Ordem
Primeira Carmelita da Ordem Terceira.
 
Joana de Toulouse era filha e herdeira de Raimundo VII, Conde de Toulouse, e de Joana da Inglaterra, teria nascido em 1220. Ela mesma era Condessa de Toulouse desde 1249 até a sua morte. Decidiu viver reclusa, no convento carmelita de Toulouse (França), onde se distinguiu por sua austeridade. Joana recebeu o hábito de terciária das mãos de São Simão Stock, merecendo assim ser considerada fundadora da Ordem Terceira do Carmelo. Ela não apenas empregou inteiramente o seu tempo, como também o seu dinheiro, para a formação dos religiosos carmelitas Amava falar das coisas celestes com os jovens religiosos e rezava muito por eles, o que por sua vez lhe trazia grande proveito espiritual. Joana é citada ao mesmo tempo como terciária e como monja; não é de se excluir que tenha professado a regra carmelitana, como fizeram outras mulheres "conversas" suas contemporâneas. Faleceu em 25 de agosto de 1271. Foi oficialmente beatificada por Leão XIII em 1895.
 
Comum das virgens, ou das Santas Mulheres (para Religiosas)
 
Oração
Ouvi, Senhor, as súplicas dos vossos fiéis que devotamente celebram as virtudes da Beata Joana. e concedei-lhes a graça de crescerem sempre no vosso amor e nele perseverarem até à morte. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.
 

terça-feira, 28 de março de 2023

Via Sacra com os Santos Carmelitas

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
Amém.
 
Comentário inicial: Estamos reunidos em nome do Senhor. Ele está aqui conosco, como prometeu. Vamos percorrer na fé o trajeto que Jesus fez desde o Pretório de Pôncio Pilatos até ao cimo do Calvário, onde Ele deu a vida pela salvação do mundo. Conosco está também a Virgem Santa Maria. Ela esteve no cimo do Gólgota. Mulher da dor, Mãe de misericórdia, Ela inclina-Se sobre os seus filhos, para ver os seus sofrimentos, para levar conforto e reavivar a esperança.
 
1ª Estação: Jesus é condenado à morte

 
V. Nós vos adoramos, ó Cristo.
R Porque pela vossa santa Cruz remistes o mundo.
 
Do Evangelho de S. Marcos (15,14-15): Pilatos insistiu: «Que fez Ele de mal?». Mas eles gritaram ainda mais: «Crucifica-o!». Pilatos, desejando agradar à multidão, soltou-lhes Barrabás; e, depois de mandar flagelar Jesus, entregou-o para ser crucificado.
 
Quando a alma chega a não prestar atenção aos louvores, cada vez menos presta atenção às críticas. A crítica fortalece a alma, a qual vai adquirindo um particular e terno amor cada vez maior para com os seus perseguidores. (Santa Teresa de Jesus).
 
Senhor, a minha alma está diante de ti. Tu conheces-me profundamente, sabes tudo sobre mim, lês o mais profundo da minha intimidade. Tu recolhes cada lágrima e respondes aos meus sorrisos. Na minha vida não há nenhum espaço ou tempo que tu não visites com o teu amor e com a tua amizade. Dou-te graças por tudo isto, meu Deus. O meu caminho nesta vida está já decidido: quero estar contigo em cada momento, na alegria e no cansaço, na paz e na incompreensão, na companhia e na solidão. A tua presença, ó Jesus, fortalece a minha alma, mesmo na debilidade.
 
C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
2ª Estação: Jesus carrega com a cruz

 
V. Nós vos adoramos, ó Cristo.
R Porque pela vossa santa Cruz remistes o mundo.
 
Do Evangelho de S. Marcos (15, 20): Depois de o terem escarnecido, tiraram-lhe o manto de púrpura e revestiram-no das suas vestes. Depois o levaram dali, para o crucificarem.
 
Jesus prodigaliza as suas cruzes como o sinal mais seguro da sua ternura, porque deseja fazer-te semelhante a Ele. Por que ter medo de não ser capaz de levar a cruz sem desfalecer?  (Santa Teresa do Menino Jesus).
 
Senhor, muitas vezes na minha vida experimentei a tua ternura, sobretudo nos momentos de dor, quando não encontrei palavras para pronunciar, quando me era impossível orar, quando sozinho se fazia presente a noite… Tu estavas a meu lado, talvez no silêncio, com um toque apenas perceptível. Ó Jesus, muitas vezes te vi assim e pude olhar-te nos olhos. Quando voltava para a luz, quando as lágrimas tinham secado, sentia-me um pouco mais igual a ti.
 
C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
3ª Estação: Jesus cai pela primeira vez sob o peso da cruz

 
V. Nós vos adoramos, ó Cristo.
R Porque pela vossa santa Cruz remistes o mundo.
 
Do livro do Profeta Isaías (53, 4-6): Na verdade, ele tomou sobre si as nossas doenças, carregou as nossas dores. Nós o reputávamos como um leproso, ferido por Deus e humilhado. Mas foi ferido por causa dos nossos crimes, esmagado por causa das nossas iniquidades. O castigo que nos salva caiu sobre ele, fomos curados pelas suas chagas. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas perdidas, cada um seguindo o seu caminho. Mas o Senhor carregou sobre ele todos os nossos crimes.
 
A coragem em sofrer muito ou sofrer pouco está sempre na proporção do amor. (Santa Teresa de Jesus).
 
Senhor, sei que não te conheço como deveria nem como desejaria. Sei que me falta muito caminho por andar indo atrás de ti, seguindo as tuas pisadas à sombra da cruz. Do que unicamente posso presumir é das minhas debilidades e dos meus erros. Humanamente falando, ó Jesus, sou pouca coisa, mas tendo-te a ti no coração e na vida, sinto-me rico e feliz. Não quero esconder-me de ti; abro as minhas mãos e o meu coração para que possas entrar na minha pobreza com a verdadeira riqueza, que é a tua Cruz. Sim, meu Salvador, este é o sinal do Amor.
 
C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
4ª Estação: Jesus encontra sua Mãe

 
V. Nós vos adoramos, ó Cristo.
R Porque pela vossa santa Cruz remistes o mundo.
 
Do Evangelho de S. Lucas (2, 34-35.51): Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: «Este menino está aqui para queda e ressurgimento de muitos em Israel e para ser sinal de contradição; uma espada trespassará a tua alma. Assim hão de revelar-se os pensamentos de muitos corações». Depois desceu com eles, voltou para Nazaré e era-lhes submisso. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração.
 
Na Sagrada Escritura encontramos poucas palavras da Virgem, mas são como grãos de ouro puro: se os fundirmos com o fogo de uma amorosa contemplação, serão suficientes para irradiar sobre toda a nossa vida o esplendor luminoso das virtudes de Maria. (Santa Teresa Benedita da Cruz).
 
Senhor, neste momento eu também quero permanecer em silêncio, para captar o intercâmbio de amor infinito que te une à tua Mãe e a tua Mãe a ti. Ó Jesus, levanto os olhos e vejo-te, continuo a olhar o teu rosto, teus olhos de Filho, que refletem a figura da tua Mãe. Tu não falas, mas ofereces a tua Presença: entregas-te a ti mesmo e entregas a tua Mãe. Eu a recebo como minha Senhora, como minha Mãe dulcíssima.
 
C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
5ª Estação: O Cireneu ajuda Jesus a levar a cruz

 
V. Nós vos adoramos, ó Cristo.
R Porque pela vossa santa Cruz remistes o mundo.
 
Do Evangelho de S. Marcos (15 21-22): Para lhe levar a cruz, requisitaram um homem que passava por ali ao regressar dos campos, um tal Simão de Cirene, pai de Alexandre e de Rufo. E conduziram-no ao lugar do Gólgota, que quer dizer “lugar do Crânio”.
 
Breve momento de silêncio.
 
Cada um tem a cruz que deve levar, ainda que cada cruz seja diferente das outras. Quem quiser conquistar a liberdade de espírito e não sentir-se continuamente atribulado, deve começar por não espantar-se da cruz. Então verá como o Senhor o ajuda a levá-la (S. João da Cruz).
 
Senhor, tenho medo. Desejaria fugir perante qualquer dor ou provação. Sobretudo, espanta-me e bloqueia-me a solidão. Cada vez que aparece na minha vida a sombra da cruz, custa-me continuar a esperar. Sinto-me cansado, ó Jesus. Não obstante, desejo aproximar-me do teu coração. Estendo a minha mão e tomo a tua; ofereço-te a pouca força que tenho, o nada que sou. Somente contigo poderei levar também a cruz.
 
C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
6ª Estação: A Verônica enxuga o rosto de Jesus

 
V. Nós vos adoramos, ó Cristo.
R Porque pela vossa santa Cruz remistes o mundo.
 
Do livro do Profeta Isaías (53, 2-3): O servo cresceu diante do Senhor como um rebento, como raiz em terra árida, sem figura nem beleza. Vimo-lo sem aspecto atraente, desprezado e abandonado pelos homens, como alguém cheio de dores, habituado ao sofrimento, diante do qual se tapa o rosto, menosprezado e desconsiderado.
 
Ao longo do caminho da cruz Jesus não está só. Hoje, como então, estão não só os adversários como também as pessoas que o ajudam. Representando a quantos o amam e desejam ajudá-lo está a Verônica. (Santa Teresa Benedita da Cruz).
 
Senhor, tenho um desejo no coração: ser teu amigo, caminhar contigo, compartilhar a vida contigo. Sei que estás a sofrer ao percorrer o caminho da dor. Vejo muitas pessoas à tua volta. Também eu te procuro, aproximo-me o mais que posso. Quero amar-te; já nada mais me importa. Junto à Verônica procuro o teu rosto, pois tu és a minha Luz.
 
C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
7ª Estação: Jesus cai pela segunda vez

 
V. Nós vos adoramos, ó Cristo.
R Porque pela vossa santa Cruz remistes o mundo.
 
Do Livro das Lamentações (3, 1-2.9.16): Eu sou o homem que conheceu a miséria, sob a vara da sua ira. Conduziu-me e fez-me caminhar nas trevas e não na luz. Bloqueou-me o caminho com pedras, fez-me seguir por estrada errada. Quebrou-me os dentes com uma pedra, e mergulhou-me na cinza.
 
Quando caminhas na noite escura e no vazio da pobreza espiritual, pensas que te falta tudo e todos – inclusivamente Deus -. Contudo não te falta nada (S. João da Cruz).
 
Faltas-me, Senhor! Como podes dizer que estás perto de mim, que compartilhas tudo comigo? Sinto a solidão, a dor, a angústia. Também tu caíste sob o peso de um infinito sofrimento. Como poderei encontrar-te de novo, meu Pastor? Eu, ovelha tresmalhada, tenho necessidade de ti. Levanta-te, aparece de novo, ó bom Pastor! Então seguir-te-ei todos os dias da minha vida.
 
C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
8ª Estação: Jesus consola as filhas de Jerusalém

 
V. Nós vos adoramos, ó Cristo.
R Porque pela vossa santa Cruz remistes o mundo.
 
Do Evangelho de S. Lucas (23, 28-31): Jesus voltou-se para elas e disse-lhes: «Filhas de Jerusalém, não choreis por mim, chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos; pois dias virão em que se dirá: ‘Felizes as estéreis, os ventres que não geraram e os peitos que não amamentaram’. Hão de, então, dizer aos montes: ‘Caí sobre nós!’. E às colinas: ‘Cobri-nos!’. Porque se tratam assim a árvore verde, o que não acontecerá à seca?».
 
Ó Jesus, deixa que eu chore por mim mesmo, pois não sou senão uma árvore seca que só serve para ser lançada ao fogo. Porém tu dás nova vida à árvore seca enxertando-a na árvore da cruz (Beato Tito Brandsma).
 
Tu, Senhor, és o meu Fogo. Como árvore pobre e sem vida, só desejo lançar-me nos teus braços. Recebe-me, rogo-te. Não importa que isto signifique que terei de me abraçar à cruz da tua dor. Só contigo posso novamente ser feliz. As nossas lágrimas unir-se-ão num canto de alegria.
 
C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
9ª Estação: Jesus cai pela terceira vez

 
V. Nós vos adoramos, ó Cristo.
R Porque pela vossa santa Cruz remistes o mundo.
 
Do Livro de Isaías (53, 6-7): Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas perdidas, cada um seguindo o seu caminho. Mas o Senhor carregou sobre ele todos os nossos crimes. Foi maltratado, mas humilhou-se e não abriu a boca, como um cordeiro que é levado ao matadouro, ou como uma ovelha emudecida nas mãos do tosquiador.
 
Ainda que caias cem vezes, levanta-te cada vez mais com maior presteza, demonstrando assim o teu amor por Ele (Santa Teresa do Menino Jesus).
 
Senhor, tenho vergonha de mim mesmo; caio e volto a cair, perco-me, afasto-me, encerro-me. Quando estou assim, no chão e sem forças, entendo que a única coisa que há que fazer, o único passo a dar, é voltar a entrar em mim mesmo, como o filho pródigo, e ali, no fundo da alma, voltar a descobrir o teu amor por mim. Agarrado a ele poderei ressurgir, movido somente por uma infinita confiança na tua ternura de Amigo, ó meu Salvador.
 
C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
10ª Estação: Jesus é despojado das suas vestes

 
V. Nós vos adoramos, ó Cristo.
R Porque pela vossa santa Cruz remistes o mundo.
 
Do Evangelho de S. Marcos (15, 24): Depois, O crucificaram e repartiram entre si as suas vestes, tirando-as à sorte, para ver o que cabia a cada um.
 
A alma despojada de si mesma e revestida de Jesus Cristo não tem de temer nada do mundo exterior. Por isso, renuncio cada dia a mim mesma, a fim de que Cristo possa crescer em mim. (Sta Isabel da Trindade).
 
Senhor, muitas vezes senti-me despojado do que considerava valioso, indispensável para viver. Muitas experiências no mundo ajudaram-me a entender que no fim nada permanece, senão unicamente a tua presença, o teu amor fiel. Então pensei abandonar muitas coisas inúteis, inclusivamente muitas companhias que não me conduziam a ti. Aos poucos fui-me despojando e revesti-me do vestido mais formoso que és tu, ó Jesus.
 
C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
11ª Estação: Jesus é cravado na cruz

 
V. Nós vos adoramos, ó Cristo.
R Porque pela vossa santa Cruz remistes o mundo.
 
Do Evangelho de S. Marcos (15, 25-27): Eram umas nove horas da manhã, quando o crucificaram. Na inscrição com a condenação, lia-se: «O rei dos judeus.» Com Ele crucificaram dois ladrões, um à sua direita e o outro à sua esquerda.
 
Decidi permanecer em espírito aos pés da cruz para receber aí o orvalho divino, o sangue que caía no chão, sem que ninguém se apressasse a recolhê-lo. Então compreendi que devia derramá-lo sobre as almas. (Santa Teresa do Menino Jesus).
 
Senhor, pela tua graça cheguei até aqui, até aos pés da tua cruz. Contemplo-te cravado no madeiro, cravado sobretudo à dor, ao amor, à vontade de nos salvar. Cada gota do teu sangue que cai é uma promessa de vida nova para cada um de nós, teus filhos, espalhados pelo mundo inteiro, ao longo da nossa pobre história humana. Como teu irmão, ó Jesus, desejo aprender em cada dia a recolher as gotas preciosas da tua palavra e quero entregá-la depois a quantos encontro no meu caminho, sem a guardar para mim.
 
C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
12ª Estação: Jesus morre na cruz

 
V. Nós vos adoramos, ó Cristo.
R Porque pela vossa santa Cruz remistes o mundo.
 
Do Evangelho de S. Marcos (15, 33-34.37.39): Ao chegar o meio-dia, fez-se trevas por toda a terra, até às três da tarde. E às três da tarde, Jesus exclamou em alta voz: «Eloí, Eloí, lemá sabachtáni?», que quer dizer: «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?». (…) Mas Jesus, com um grito forte, expirou. (…) O centurião que estava em frente dele, ao vê-lo expirar daquela maneira, disse: «Verdadeiramente este homem era Filho de Deus!».
 
A morte não pode resultar amarga para a alma que ama, já que nela encontra toda a doçura e o deleite do amor. A alma goza da morte como se estivesse a pensar no seu noivado ou no seu matrimonio, por isso deseja o dia e a hora da sua morte. (S. João da Cruz).
 
Senhor, a tua morte é para mim uma grande escola; nela posso aprender a amar, a viver de verdade; nela posso encontrar sentido para a minha vida. Diante de ti, Crucificado, descubro que o amor e a dor são uma mesma coisa e que por isso a morte foi anulada, e a partir de agora jamais poderá triunfar. Junto a ti, toda a pequena morte, converte-se em doce experiência de vida, porque agora sei que na dor posso encontrar o amor. Obrigado, Senhor Jesus.
 
C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
13ª Estação: Jesus é descido da cruz

 
V. Nós vos adoramos, ó Cristo.
R Porque pela vossa santa Cruz remistes o mundo.
 
Do Evangelho de S. Marcos (15, 42-43.46): Ao cair da tarde, visto ser a Preparação, isto é, véspera do sábado, José de Arimateia, respeitável membro do Conselho, que também esperava o Reino de Deus, foi corajosamente procurar Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus.(…) Depois de comprar um lençol, desceu o corpo da cruz e envolveu-o nele. Em seguida, depositou-o num sepulcro cavado na rocha e rolou uma pedra sobre a entrada do sepulcro.
 
Seguindo os teus caminhos não poderás chegar aonde desejas, nem sequer através da mais alta contemplação, mas somente através de uma grande humildade e de uma total disponibilidade do coração. (Santa Teresa do Menino Jesus).
 
Senhor, eu sei que não tenho nada de grande, vistoso e importante para te oferecer. Não tenho nada, unicamente o meu coração. Depois deste longo caminho seguindo os teus passos na prova e na dor da cruz, somente desejo entregar-te o meu coração, o meu amor, a minha vida. Entrego-me ao teu abraço sabendo que me acolhes tal como sou.
 
C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
14ª Estação: o corpo de Jesus é colocado no túmulo

 
V. Nós vos adoramos, ó Cristo.
R Porque pela vossa santa Cruz remistes o mundo.
 
Do Evangelho de S. Marcos (15, 46-47): José de Arimateia, depois de comprar um lençol, desceu o corpo da cruz e envolveu-o nele. Em seguida, depositou-o num sepulcro cavado na rocha e rolou uma pedra sobre a entrada do sepulcro. Maria de Magdala e Maria, mãe de José, observavam onde o depositaram.
 
Parece-me que o bom Deus lhe pede um abandono e confiança sem limites nas horas dolorosas em que sente esses terríveis vazios. Pense que, nessa altura, Ele está a escavar na sua alma maiores capacidades para O receber, de algum modo infinitas como Ele mesmo. Tente, então, pela vontade, ficar inteiramente feliz, mesmo sob a mão que a crucifica; dir-lhe-ei até que encare cada sofrimento, cada provação “como uma prova de amor”, que lhe vem diretamente da parte do bom Deus, para se unir a Ele. (Sta Isabel da Trindade).
 
Senhor, o último passo é uma descida profunda, é entrar na obscuridade do túmulo. Ao chegar ao cimo eu esperava ver uma luz mais clara, receber os benéficos raios do sol. No entanto, ainda não é o tempo. Quero permanecer contigo, baixar também até à solidão tenebrosa do túmulo. Não tenho medo, pois creio que o teu amor é mais forte; sei que ressuscitarás e também me farás viver.
 
C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.