terça-feira, 25 de julho de 2017

26 de julho: São Joaquim e Santa Ana, pais da Virgem Maria.

Evangelho (Mt 13,1-9): Naquele dia, Jesus saiu de casa e sentou-se à beira-mar. Uma grande multidão ajuntou-se em seu redor. Por isso, ele entrou num barco e sentou-se ali, enquanto a multidão ficava de pé, na praia. Ele falou-lhes muitas coisas em parábolas, dizendo: «O semeador saiu para semear. Enquanto semeava, algumas sementes caíram à beira do caminho, e os pássaros vieram e as comeram. Outras caíram em terreno cheio de pedras, onde não havia muita terra. Logo brotaram, porque a terra não era profunda. Mas, quando o sol saiu, ficaram queimadas e, como não tinham raiz, secaram. Outras caíram no meio dos espinhos, que cresceram sufocando as sementes. Outras caíram em terra boa e produziram frutos: umas cem, outra sessenta, outra trinta. Quem tem ouvidos, ouça».

«O semeador saiu para semear»

P. Julio César RAMOS González SDB (Mendoza, Argentina)

Hoje, Jesus-na pluma de Mateus— nos introduz nos mistérios do Reino através desta forma tão característica de apresentar-nos sua dinâmica, por meio de Parábolas.

A semente é a palavra proclamada, e o semeador é Ele mesmo. Ele não procura semear no melhor dos terrenos, mas assegurar a melhor das colheitas. Ele veio para que todos «tenham vida, e a tenham em abundância» (Jo 10,10). Por isso, é que Ele não se poupa em espalhar punhados generosos de sementes, seja «à beira do caminho (Mt 13,4), como no «terreno cheio de pedras» (v. 5), ou «no meio dos espinhos» (v. 7), e finalmente «em terra boa» (v.8).

Assim, as sementes espalhadas por generosos punhos produzem a porcentagem de rendimento que as possibilidades “toponímicas” lhes permitem. O Concílio Vaticano II diz: «A palavra do Senhor é comparada à semente lançada ao campo: os que a ouvem com fé e pertencem ao pequeno rebanho de Cristo, acolheram o reino de Deus; e então a semente germina por virtude própria e cresce até ao tempo da ceifa» (Lumen gentium, n. 5).

«Os que a ouvem com fé», nos diz o Concílio. Você está acostumado a ouvi-la, talvez a lê-la e quiçá a refleti-la. Segundo a profundidade de sua escuta na fé será sua possibilidade de produzir frutos. Embora estes venham, de certa forma, garantidos pela potência vital da Palavra-semente, não é menor a responsabilidade que tens na escuta atenta dessa Palavra. Por isso, «Quem tem ouvidos, ouça» (Mt 13,9).

Pede hoje ao Senhor o mesmo desejo do profeta: «Bastava descobrir tuas palavras e eu já as devorava, tuas palavras para mim são prazer e alegria do coração, pois a ti sou consagrado, Senhor, Deus dos exércitos» (Jr 15,16).

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* No capítulo 13 do Evangelho de Mateus começa o terceiro grande discurso, o Sermão das Parábolas. Como já dissemos anteriormente no comentário do evangelho do dia 9 de julho, Mateus organizou o seu evangelho como uma nova edição da Lei de Deus ou como um novo “Pentateuco” com seus cinco livros. Por isso, o seu evangelho traz cinco grandes discursos ou ensinamentos de Jesus, seguidos por partes narrativas, nas quais se descreve como Jesus praticava o que tinha ensinado nos discursos. Eis o esquema:
Introdução: nascimento e preparação do Messias (Mt 1 a 4)
1. Sermão da Montanha: a porta de entrada no Reino (Mt 5 a 7)
Narrativa Mt 8 e 9
2. Sermão da Missão: como anunciar e irradiar o Reino (Mt 10)
Narrativa Mt 11 e 12
3. Sermão das Parábolas: o mistério do Reino presente na vida (Mt 13)
Narrativa Mt 14 a 17
4. Sermão da Comunidade: a nova maneira de conviver no Reino (Mt 18)
Narrativa 19 a 23
5. Sermão da vinda futura do Reino: a utopia que sustenta a esperança (Mt 24 e 25)
Conclusão: paixão, morte e ressurreição (Mt 26 a 28).

* No evangelho de hoje vamos meditar sobre a parábola da semente. Jesus tinha um jeito bem popular de ensinar por meio de comparações e parábolas. Geralmente, quando terminava de contar uma parábola, ele não explicava, mas costumava dizer: “Quem tem ouvidos para ouvir ouça!” (Mt 11,15; 13,9.43). De vez em quando, ele explicava para os discípulos (Mt 13,36). As parábolas falam das coisas da vida: semente, lâmpada, grão de mostarda, sal, etc. São coisas que existem na vida de todos, tanto do povo daquele tempo como de hoje. Deste modo, a experiência que hoje nós temos destas coisas da vida tornam-se para nós um meio para descobrir a presença do mistério de Deus em nossas vidas. Falar em Parábolas é revelar o mistério do Reino presente na vida.

* Mateus 13,1-3: Sentado num barco, Jesus ensina o povo.
Como no Sermão da Montanha (Mt 5,1-2), também aqui Mateus faz uma breve introdução ao Sermão das Parábolas, descrevendo o jeito de Jesus ensinar o povo na praia, sentado no barco, e muita gente ao redor para escutar. Jesus não era uma pessoa estudada (Jo 7,15). Não tinha frequentado a escola superior de Jerusalém. Vinha do interior, da roça, de Nazaré. Era um desconhecido, meio camponês, meio artesão. Sem pedir licença às autoridades religiosas, começou a ensinar o povo. O povo gostava de ouvi-lo. Jesus ensinava, sobretudo através de parábolas. Já vimos várias: do pescador de homens (Mt 4,19), do sal (Mt 5,13), da lâmpada (Mt 5,15), das aves do céu e dos lírios do campo (Mt 6,26.28), da casa construída na rocha (Mt 7,24). Mas agora, no capítulo 13, as parábolas começam a ter um significado especial: servem para revelar o mistério do Reino de Deus presente no meio do povo e na atividade de Jesus.

* Mateus 13,4-8: A parábola da semente retrata a vida do camponês.
Naquele tempo, não era fácil viver da agricultura. O terreno tinha muitas pedras. Muito mato. Pouca chuva, muito sol. Além disso, muitas vezes, o povo encurtava estrada e, passando no meio do campo, pisava nas plantas (Mt 12,1). Mesmo assim, apesar de tudo isso, todo ano, o agricultor semeava e plantava, confiando na força da semente, na generosidade da natureza. A parábola do semeador descreve o que todos sabiam e faziam: a semente jogada pelo agricultor vai caindo. Uma parte cai à beira do caminho; outra parte, nas pedras ou entre os espinhos; outra parte em terra boa, onde, de acordo com a qualidade do terreno, vai produzindo trinta, sessenta e até cem. Uma parábola é uma comparação. Ela usa as coisas conhecidas e visíveis da vida para explicar as coisas invisíveis e desconhecidas do Reino de Deus. O povo da Galileia entendia de semente, de terreno, chuva, sol, e colheita. Ora, eram exatamente estas coisas conhecidas do povo que Jesus usou na parábola para explicar o mistério do Reino.

* Mateus 13,9: Quem tem ouvidos ouça
A expressão “Quem tem ouvidos ouça” significa: “É isso! Vocês ouviram. Agora tratem de entender!” O caminho para chegar ao entendimento da parábola é a busca: “Tratem de entender!” A parábola não entrega tudo pronto, mas leva a pensar e faz descobrir a partir da própria experiência que os ouvintes têm da semente. Provoca a criatividade e a participação. Não é uma doutrina que já vem pronta para ser ensinada e decorada. A Parábola não dá água engarrafada, mas entrega a fonte. O agricultor que escutou a parábola, diz: “Semente no terreno, eu sei o que é! Mas Jesus diz que isso tem a ver com o Reino de Deus. O que seria?” E aí você pode imaginar as longas conversas do povo! A parábola mexe com o povo e leva a escutar a natureza e a pensar na vida. Certa vez, alguém perguntou numa comunidade: “Jesus falou que devemos ser sal. Para que serve o sal?” Discutiram e, no fim, encontraram mais de dez finalidades diferentes para o sal! Aí foram aplicar tudo isto à vida da comunidade e descobriram que ser sal é difícil e exigente. A parábola funcionou!

Para um confronto pessoal
1. Como foi o ensino do catecismo que você recebeu quando criança? Foi de comparações tiradas da vida? Você lembra alguma comparação importante que a catequista contou? E hoje, como é a catequese na sua comunidade?
2. Às vezes, somos caminho; outras vezes, pedra; outras vezes, espinhos; outras vezes, é terra boa. O que sou eu? Na nossa comunidade, o que somos? Quais os frutos que a Palavra de Deus está produzindo na minha vida, na minha família e na nossa comunidade: trinta, sessenta ou cem?

segunda-feira, 24 de julho de 2017

25 de julho: São Tiago, Apóstolo

Evangelho (Mt 20,20-28): A mãe dos filhos de Zebedeu, com seus filhos, aproximou-se de Jesus e prostrou-se para lhe fazer um pedido. Ele perguntou: «Que queres?». Ela respondeu: «Manda que estes meus dois filhos se sentem, no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda». Jesus disse: «Não sabeis o que estais pedindo. Podeis beber o cálice que eu vou beber?». Eles responderam: «Sim, podemos». Declarou Jesus: «Do meu cálice bebereis, mas o sentar-se à minha direita e à minha esquerda não depende de mim. É para aqueles a quem meu Pai o preparou». Quando os outros dez ouviram isso, ficaram zangados com os dois irmãos. Jesus, porém, chamou-os e disse: «Sabeis que os chefes das nações as dominam e os grandes fazem sentir seu poder. Entre vós não deverá ser assim. Quem quiser ser o maior entre vós seja aquele que vos serve, e quem quiser ser o primeiro entre vós, seja vosso escravo. Pois o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos».

«Podes beber do cálice que eu vou beber?»

Mons. Octavio RUIZ Arenas (Città del Vaticano)

Hoje, o episódio que nos narra este fragmento do Evangelho nos põe diante a uma situação que ocorre com muita frequência nas diferentes comunidades cristãs. João e Santiago foram muito generosos ao abandonar sua casa e suas redes para seguir Jesus. Escutaram que o Senhor anuncia um Reino e que oferece a vida eterna, mas não chegam a entender ainda a nova dimensão que apresenta o Senhor e, por isso, sua mãe pedir a algo bom, mas que estão nas simples aspirações humanas: «Manda que estes dois filhos meus que se sentem, um a tua direita e outro a tua esquerda, em teu Reino» (Mt 20,21).

Igualmente, nós escutamos e seguimos o Senhor, como fizeram os primeiros discípulos de Jesus, mas não sempre chegamos entender totalmente sua mensagem e nos deixamos levar por interesses pessoais ou ambições dentro da igreja. Esquecemos que ao aceitar ao Senhor, temos que entregarmos confiança e de maneira plena a Ele, que não podemos pensar em obter a gloria sem ter aceitado a cruz.

A resposta que lhes dá Jesus pões exatamente a entonação neste aspecto: para participar de seu Reino, o que importa é aceitar beber de seu próprio «cálice» (cf. Mt 20,22), ou seja, estar dispostos a entregar nossa vida por amor a Deus e dedicarmos ao serviço de nossos irmãos, com a mesma atitude de misericórdia que teve Jesus. O Papa Francisco, em sua primeira homilia, ressaltava que para seguir a Jesus devemos caminhar com a cruz, pois «quando caminhamos sem a cruz, quando confessamos um Cristo sem cruz, não somos discípulos do Senhor».

«Não sabeis o que estais pedindo (...) sentar-se à minha direita e à minha esquerda (...) é para aqueles a quem meu Pai o preparou».

+ Rev. D. Antoni ORIOL i Tataret (Vic, Barcelona, Espanha)

Hoje, no fragmento do Evangelho de São Mateus encontramos vários ensinamentos. Vou destacar apenas um, aquele que se refere ao absoluto domínio de Deus sobre a História: tanto a de todos os homens em seu conjunto (a humanidade), como a de todos e cada um dos grupos humanos (no caso, por exemplo, o grupo familiar dos Zebedeus), como também a de cada indivíduo. Por isto Jesus disse-lhes claramente: «Não sabeis o que estais pedindo» (Mt 20,22).

Sentar-se-ão à direita de Jesus Cristo aqueles a quem seu Pai tenha destinado: «Mas o sentar-se à minha direita e à minha esquerda não depende de mim. É para aqueles a quem meu Pai o preparou» (Mt 20,23). Assim, tal como se escuta. Como escreve Cervantes na célebre obra Dom Quixote: «Não se move a folha na árvore, sem a vontade do Senhor». E isto é assim porque Deus é Deus. Dito de outro jeito: se não fosse assim, Deus não seria Deus.

Na presença disso, que indiscutivelmente se sobrepõe a todo condicionamento humano, aos homens só resta, em princípio, à aceitação e a adoração (porque Deus se nos revelou como o Absoluto); a confiança e o amor enquanto caminhamos (porque Deus se revelou a nós, também, como Pai); e no final... no final, o maior e o mais definitivo: sentar-nos junto a Jesus (à sua direita ou à sua esquerda, isso é uma questão secundária, sem dúvida).

O enigma da eleição e da predestinação divinas só se resolve, da nossa parte, com a confiança. Mais vale um miligrama de confiança depositado no coração de Deus, que todo o peso do universo pressionando sobre nosso pobre prato da balança. Na verdade, «Santiago viveu pouco tempo, pois já demonstrava uma grande fé: desprezou todas as coisas humanas e ascendeu a um patamar tão inefável, que morreu imediatamente» (São João Crisóstomo).

Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* Jesus e os discípulos estão a caminho de Jerusalém (Mt 20,17). Jesus sabe que vão matá-lo (Mt 20,8). O profeta Isaías já o tinha anunciado (Is 50,4-6; 53,1-10). Sua morte não será fruto de um destino cego ou de um plano já preestabelecido, mas será consequência do compromisso livremente assumido de ser fiel à missão que recebeu do Pai junto aos pobres da sua terra. Jesus já tinha avisado que o discípulo deve seguir o mestre e carregar sua cruz atrás dele (Mt 16,21.24), Mas os discípulos não entendiam bem o que estava acontecendo (Mt 16,22-23; 17,23). O sofrimento e a cruz não combinavam com a ideia que eles tinham do messias.

* Mateus 20,20-21: O pedido da mãe dos filhos de Zebedeu
Os discípulos não só não entendem, mas continuam com suas ambições pessoais. A mãe dos filhos de Zebedeu, como porta-voz de seus dois filhos Tiago e João, chega perto de Jesus para pedir um favor: "Promete que meus dois filhos se sentem, um à tua direita e o outro à tua esquerda, no teu Reino". Eles não tinham entendido a proposta de Jesus. Estavam preocupados só com os próprios interesses. Isto reflete as tensões nas comunidades, tanto no tempo de Jesus e de Mateus, como hoje nas nossas comunidades.

* Mateus 20,22-23: A resposta de Jesus
Jesus reage com firmeza. Ele responde aos filhos e não à mãe: "Vocês não sabem o que estão pedindo. Por acaso, vocês podem beber o cálice que eu vou beber?" Trata-se do cálice do sofrimento. Jesus quer saber se eles, em vez do lugar de honra, aceitam entregar sua vida até à morte. Os dois respondem: “Podemos!” Era uma resposta sincera e Jesus confirma: "Vocês vão beber do meu cálice”. Ao mesmo tempo, parece uma resposta precipitada, pois, poucos dias depois, abandonaram Jesus e o deixaram sozinho na hora do sofrimento (Mt 26,51). Eles não têm muita consciência crítica, nem percebem sua realidade pessoal. E Jesus completa: “Não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou esquerda. É meu Pai quem dará esses lugares àqueles para os quais ele mesmo preparou". O que ele, Jesus, tem para oferecer é o cálice do sofrimento da cruz.

* Mateus 20,24-27: Entre vocês não seja assim
“Quando os outros dez discípulos ouviram isso, ficaram com raiva dos dois irmãos”. O pedido que a mãe fez em nome dos dois, provocou briga e discussão no grupo. Jesus os chamou e falou sobre o exercício do poder: "Vocês sabem: os governadores das nações têm poder sobre elas, e os grandes têm autoridade sobre elas. Entre vocês não deverá ser assim: quem de vocês quiser ser grande, deve tornar-se o servidor de vocês; e quem de vocês quiser ser o primeiro, deverá tornar-se servo de vocês. Entre vocês não deve ser assim! Quem quiser ser o maior, seja o servidor de todos!”. Naquele tempo, os que detinham o poder não prestavam conta ao povo. Agiam conforme bem entendiam (cf. Mc 14,3-12). O império romano controlava o mundo e o mantinha submisso pela força das armas e, assim, através de tributos, taxas e impostos, conseguia concentrar a riqueza dos povos na mão de poucos lá em Roma. A sociedade era caracterizada pelo exercício repressivo e abusivo do poder. Jesus tem outra proposta. Ele traz ensinamentos contra os privilégios e contra a rivalidade. Inverte o sistema e insiste na atitude de serviço como remédio contra a ambição pessoal. A comunidade deve preparar uma alternativa. Quando império romano desintegrar, vítima das suas próprias contradições internas, as comunidades deverão estar preparadas para oferecer ao povo um modelo alternativo de convivência social.

* Mateus 20,28: O resumo da vida de Jesus
Jesus define a sua vida e a sua missão: “O Filho do Homem não veio para ser servido. Ele veio para servir, e para dar a sua vida como resgate em favor de muitos”. Nesta auto-definição de Jesus estão implicados três títulos que o definem e que eram para os primeiros cristãos o início da Cristologia: Filho do Homem, Servo de Javé e Irmão mais velho (Parente próximo ou Goêl).  Jesus é o messias Servidor, anunciado pelo profeta Isaías (cf. Is 42,1-9; 49,1-6; 50,4-9; 52,13-53,12). Aprendeu da mãe que disse: “Eis aqui a serva do Senhor!” (Lc 1,38). Proposta totalmente nova para a sociedade daquele tempo.

Para um confronto pessoal
1. Tiago e João pedem favores, Jesus promete sofrimento. E eu, o que busco na minha relação com Deus e o que peço na oração? Como acolho o sofrimento que acontece na vida e que é o contrário daquilo que pedimos na oração?
2. Jesus diz: “Entre vocês não deve ser assim!” Nosso jeito de viver na comunidade e na igreja está de acordo com este conselho de Jesus?

domingo, 23 de julho de 2017

24 de julho

Beato João Soreth
PRESBÍTERO DE NOSSA ORDEM
FUNDADOR DAS ORDENS II E III


Nasceu em Caen, na Normandia, no ano de 1394. Foi Mestre de Teologia, governou a Província, e em 1451 foi Prior Geral da Ordem até à sua morte em Angers (França), no ano de 1471. Restaurou e promoveu a observância regular. Escreveu um célebre comentário sobre a Regra. Em 1462 publicou as Constituições revistas. É considerado como fundador das Ordens Segunda e Terceira.

INVITATÓRIO
Ant. Vinde, adoremos a Cristo, Príncipe dos pastores.

LAUDES
Hino de Laudes e Vésperas
Ó glorioso João Soreth,
santo e ilustre carmelita,
teu zelo não se limita
ao convento onde entraste;
o amor à observância
em tua vida foi ânsia,
que até o fim conservaste.

Eleito em Avinhão Prior Geral,
à expansão da Ordem consagraste
o esforço da existência inteira;
organizar a vida conventual
do Carmelo feminino procuraste
e, recorrendo a Roma, alcançaste
a Regra da Ordem Terceira.

Não consegue, porém, o mundo vão
perturbar o teu simples coração;
a humana glória não buscaste
nem favor algum te seduziu,
poder e honrarias recusaste:
o ideal, que teus passos conduziu,
foi o amor que à Igreja dedicaste.

Bela coroa mereceste!
Pelo amor à Eucaristia
e à Santa Virgem Maria
já o prêmio recebeste;
na visão da eterna luz
lembra junto de Jesus
a Ordem, em que viveste.

Ao Pai toda glória damos,
por Jesus Cristo Senhor;
e ao Espírito Consolador
louvor igual tributamos.

Ant. 1 Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada no alto do monte.

Salmos e cântico do I Domingo.

Ant. 2 Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o Pai que está no Céu.

Ant. 3 A palavra de Deus é viva e eficaz, mais penetrante que uma espada de dois gumes.

Cântico evangélico
Ant. É este o homem, cuja vida brilha como uma luz, cuja prudência supera toda prova, cujo zelo é sempre temperado pela misericórdia.

Leitura, Responsório breve e Preces do Comum dos Pastores.

Oração
Senhor, que escolhestes o Beato João Soreth para renovar a vida religiosa e promover as fundações das Carmelitas, concedei-nos, por sua intercessão, a graça de uma fidelidade cada vez maior no seguimento de Cristo e de Maria, sua Mãe. Por N.S.J.C.

VÉSPERAS

Tudo do Comum dos Pastores ou Santos homens – para Religiosos. (exceto)

Cântico evangélico
Ant. O homem de fé fortaleceu a sua cidade e nos dias dos ímpios reforçou a piedade.

Oração
Senhor, que escolhestes o Beato João Soreth para renovar a vida religiosa e promover as fundações das Carmelitas, concedei-nos, por sua intercessão, a graça de uma fidelidade cada vez maior no seguimento de Cristo e de Maria, sua Mãe. Por N.S.J.C.

Mesmo dia 24 de julho

Beatas Maria Pilar de São Francisco de Borja, Teresa do Menino Jesus e Maria de São José,
Virgens de nossa Ordem e mártires

Maria Pilar de S. Francisco de Borja (nascida em Tarazona, perto de Barcelona, no dia 30 de dezembro de 1877), Teresa do Menino Jesus e de S. João da Cruz (nascida em Mochales no dia 5 de março de 1909) e Maria Angeles de S. José (nascida em Getafe no dia 6 de março de 1905), carmelitas descalças do mosteiro de S. José de Guadalajara (Espanha), sofreram o martírio no dia 24 de julho de 1936, depois de terem confessado a sua fé em Cristo Rei e de terem oferecido as suas vidas pela Igreja. São as primícias dos inumeráveis mártires da guerra civil espanhola de 1936-1939. Foram beatificadas por João Paulo II no dia 29 de março de 1987.

Salmodia, Leitura, Responsório breve e Preces do Dia Corrente.

Oração
Senhor nosso Deus, fortaleza dos humildes, que admiravelmente amparastes no martírio as bem-aventuradas virgens Maria Pilar, Teresa e Maria Angeles, concedei-nos, por sua intercessão, que, assim como elas derramaram o sangue por Cristo Rei, também nós permaneçamos fiéis a Vós e à vossa Igreja até à morte. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, ...

Mesmo dia 24 de julho
B. Maria das Mercês do Sagrado Coração Prat
Religiosa da Companhia de Santa Teresa
Virgem e mártir
A Beata Mercedes nasceu em Barcelona (Espanha) a 6 de março de 1880. Entrou para a Companhia de Sta. Teresa no dia 27 de agosto de 1904. Uma das irmãs com que conviveu definiu-a Mercedes como "uma Teresiana segundo o Coração de Deus." Quando estourou a Guerra Civil Espanhola, repetia com frequência quando falava dos perigos da revolução que se desenvolvia na Espanha: "Aconteça o que acontecer, o Coração de Jesus triunfará". Foi então que se lhe viu prolongar seus momentos de oração diante do sacrário. Dali, sem dúvida, lhe vinham a confiança e a fortaleza ilimitadas. Em julho de 1936, teve a oportunidade de testemunhar a sua obediência e entrega. Ao perguntar-lhe alguns milicianos quem era, respondeu que uma religiosa do ensino; e ao perguntar-lhes se sabiam que por isso podiam ser fuziladas, Mercedes e a irmã que a acompanhava não o ignoravam. "Nos vão matar", disse ao sair de Ganduxer, “mas vamos lá, obedecerei porque o Senhor o quer." Foram horas de angústia para as duas irmãs, interrogatórios, ameaças, simulação de fuzilamento... foi um dia longo o 23 de julho. Finalmente, na madrugada do dia 24, na estrada da Rabasada, o pelotão de fuzilamento encontrou a Mercedes com a oração nos lábios.  Ferida de morte repetiu entre gemidos: "Jesus, José e Maria" e suas últimas palavras foram as do Pai Nosso: "Perdoai-nos assim como nós perdoamos..." Em 29 de abril de 1990 foi beatificada pelo Papa João Paulo II.

Salmodia, Leitura, Responsório breve e Preces do Dia Corrente.

Oração
Deus Pai de infinita bondade, que destes à beata Maria Mercedes Prat, virgem o espírito de fortaleza para consumar no martírio sua oblação a Vós e à Igreja; concedei-nos, por sua intercessão que arraigados na caridade de Cristo, nunca nos separemos de seu amor Por Nosso Senhor Jesus Cristo...


Segunda-feira da 16ª semana do Tempo Comum

Beato João Soreth
Presbítero de nossa Ordem
Fundador das Ordens II e III do Carmo
Evangelho (Mt 12,38-42): Naquele tempo, alguns escribas e fariseus disseram a Jesus: «Mestre, queremos ver um sinal da tua parte». Ele respondeu-lhes: «Uma geração perversa e adúltera busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal do profeta Jonas. De fato, assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim também o Filho do Homem estará três dias e três noites no seio da terra. No dia do Juízo, os habitantes de Nínive se levantarão juntamente com esta geração e a condenarão, pois eles mostraram arrependimento com a pregação de Jonas, e aqui está quem é mais do que Jonas. No dia do Juízo, a rainha do Sul se levantará juntamente com esta geração e a condenará; pois ela veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão, e aqui está quem é mais do que Salomão».

«Mestre, queremos ver um sinal da tua parte»

Pe. Joel PIRES Teixeira (Faro, Portugal)

Hoje, Jesus é colocado à prova, por «alguns escribas e fariseus» (Mt 12,38; cf. Mc 10,12), estes sentem-se ameaçados pela pessoa de Jesus, não por razões de fé, mas sim de poder. Com medo de perder o seu poder, procuram descredibilizar Jesus, provocando-O. Estes “alguns”, somos muitas vezes nós, quando procuramos seguir os nossos egoísmos e interesses individuais; quando olhamos para a Igreja como uma realidade meramente humana e não como projeto de amor de Deus por e para cada um de nós.

A resposta de Jesus é clara: «Nenhum sinal lhe será dado» (cf. Mt 12,39), não por ter medo, mas para centrar e recordar que os “sinais” são relação de comunhão e amor entre Deus e a humanidade e não de interesses e poderes individuais. Jesus recorda que há muitos sinais dados por Deus, não é provocando ou chantageando Deus, que se consegue chegar a Ele.

Jesus é o sinal maior. Neste dia a Palavra é um convite para que cada um de nós compreenda, com humildade, que só um coração convertido, voltado para Deus, pode acolher, interpretar e viver este sinal que é Jesus. A humildade é a realidade que nos aproxima não só de Deus, mas também da humanidade. Pela humildade reconhecemos as nossas limitações e virtudes, mas sobretudo vemos os outros como irmãos e Deus como Pai.

Como nos recorda o Papa Francisco: «O Senhor é deveras paciente para conosco! Não se cansa de recomeçar de novo, cada vez que caímos». Por isso, apesar das nossas faltas e provocações, o Senhor está de braços abertos para nos acolher e recomeçar. Que procuremos que na nossa vida, e hoje em particular, esta palavra ganhe vida em nós. A alegria do cristão está em ser reconhecido pelo amor que se vê na sua vida, amor que brota de Jesus.

«Mestre, queremos ver um sinal da tua parte»

+ Rev. D. Lluís ROQUÉ i Roqué (Manresa, Barcelona, Espanha)

Beatas Maria Pilar de São Francisco de Borja, 
Teresa do Menino Jesus e Maria de São José,
Virgens de nossa Ordem e mártires
Hoje, no Evangelho, contemplamos alguns mestres da Lei e fariseus que pretendem que Jesus demonstre a sua origem divina através de um sinal prodigioso (cf. Mt 12,38). Ele já havia realizado muitos, mais do que os necessários para provar que não só vinha de Deus, mas que Ele próprio era Deus. Porém, apesar de tantos milagres que realizara, tal não fora suficiente: por mais que fizesse, não teriam acreditado.

Jesus, servindo-se de um sinal prodigioso do Antigo Testamento, anuncia, em tom profético, a sua morte, sepultura e ressurreição: «De fato, assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim também o Filho do Homem estará três dias e três noites no seio da terra» (Mt 12,40), e daí sairá cheio de vida.

O povo de Nínive recuperou a amizade com Deus, mediante a conversão e a penitência. Também nós, através da conversão, da penitência e do Batismo, fomos sepultados com Cristo e vivemos com Ele e por Ele, agora e para sempre, tendo dado um verdadeiro passo pascal: da morte para a vida, do pecado para a graça. Libertos da escravidão do demônio, tornamo-nos filhos de Deus. É o grande prodígio, que ilumina a nossa fé e a esperança de vivermos amando como Deus manda, possuindo Deus Amor em plenitude.

Grandes prodígios, tanto o da Páscoa de Jesus, como o da nossa através do Batismo. Ninguém os viu, já que Jesus saiu do sepulcro, cheio de vida, e nós saímos do pecado, cheios de vida divina. Assim o cremos e vivemos evitando cair na incredulidade daqueles que querem ver para crer, ou dos que gostariam de ver a Igreja sem a opacidade dos homens que a formam. Que o mistério pascal de Cristo, que tão profundamente repercute em toda a humanidade e em toda a criação, nos baste, pois ele é a causa de tantos “milagres da graça”.

A Virgem Maria confiou na Palavra de Deus, e não teve que correr até ao sepulcro para embalsamar o corpo de seu Filho e para comprovar que o sepulcro estava vazio: ela simplesmente acreditou e “viu”.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

B. Mª das Mercês do Sagrado Coração Prat
Religiosa da Companhia de Santa Teresa
Virgem e mártir
* O evangelho de hoje traz mais uma discussão entre Jesus e as autoridades religiosas da época. Desta vez são os doutores da lei e os fariseus que pedem que Jesus faça um sinal para eles. Jesus já tinha realizado muitos sinais: curou o leproso (Mt 8,1-4), curou o empregado do centurião (Mt 8,5-13), a sogra de Pedro (Mt 8,14-15), os doentes e possessos da cidade (Mt 8,16), acalmou a tempestade (Mt 8,23-27), expulsou os demônios (Mt 8,28-34) e tantos outros milagres. O povo, vendo os sinais reconheceu em Jesus o Servo de Javé (Mt 8,17; 12,17-21). Mas os doutores e os fariseus não foram capazes de perceber o significado de tantos sinais que Jesus já tinha realizado. Eles queriam algo diferente.

* Mateus 12,38: O pedido de doutores e fariseus por um sinal
Os fariseus chegam e dizem a Jesus: "Mestre, queremos ver um sinal realizado por ti".  Querem que Jesus realize para eles um sinal, um milagre, para que eles possam examinar e verificar se Jesus é ou não o enviado por Deus conforme eles o imaginavam e esperavam. Querem prová-lo. Querem que se Jesus se submeta aos critérios deles, para que possam enquadrá-lo dentro do esquema do messianismo deles. Não há neles abertura para uma possível conversão. Não tinham entendido nada de tudo que Jesus tinha feito.

* Mateus 12,39: A resposta de Jesus: o sinal de Jonas
Jesus não se submete ao pedido das autoridades religiosas, pois não há sinceridade no pedido deles. "Uma geração má e adúltera busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal do profeta Jonas”. Estas palavras proferem um julgamento muito forte a respeito dos doutores e fariseus. Elas evocam o oráculo de Oséias que denunciava o povo como esposa infiel e adúltera (Os 2,4). O evangelho de Marcos diz que Jesus, diante do pedido dos fariseus, soltou um profundo suspiro (Mc 8,12), provavelmente de desgosto e de tristeza diante de tão grande cegueira. Pois não adianta mostrar uma pintura bonita a quem não quer abrir os olhos. Quem fecha os olhos não pode ver! O único sinal que lhe será dado é o sinal de Jonas.

* Mateus 12,41: Aqui está mais do que Jonas
Jesus aponta para o futuro: “Assim como Jonas passou três dias e três noites no ventre da baleia, assim também o Filho do Homem passará três dias e três noites no seio da terra”. Ou seja, o único sinal será a ressurreição de Jesus que se prolongará na ressurreição de seus seguidores. Este é o sinal que, futuramente, vai ser dado aos doutores e fariseus. Eles serão confrontados com o fato de que Jesus, por eles condenado à morte de cruz, será ressuscitado por Deus e continuará ressuscitando de muitas maneiras naqueles que nele acreditarem, por exemplo, ele ressuscitará no testemunho dos apóstolos “pessoas iletradas” que terão a coragem de enfrentar as autoridades anunciando a ressurreição de Jesus (At 4,13). O que converte é o testemunho! Não os milagres. “No dia do julgamento, os homens da cidade de Nínive ficarão de pé contra esta geração, e a condenarão. Porque eles fizeram penitência quando ouviram Jonas pregar”. O povo de Nínive se converteu diante do testemunho da pregação de Jonas e vai denunciar a incredulidade dos doutores e dos fariseus. Pois “aqui está quem é maior do que Jonas”.

* Mateus 12,42: Aqui está mais do que Salomão
A alusão à conversão do povo de Nínive associou e fez lembrar o episódio da Rainha de Sabá: “No dia do julgamento, a rainha do Sul se levantará contra esta geração, e a condenará. Porque ela veio de uma terra distante para ouvir a sabedoria de Salomão. E aqui está quem é maior do que Salomão". Esta evocação quase ocasional do episódio da Rainha de Sabá que reconheceu a sabedoria de Salomão, mostra como se usava a Bíblia naquele tempo. Era por associação. A regra principal da interpretação era esta: “A Bíblia se explica pela Bíblia”. Até hoje, esta é uma das normas mais importantes para a interpretação da Bíblia, sobretudo para a Leitura Orante da Palavra de Deus.

Para um confronto pessoal
1) Converter-se é mudar não só de comportamento moral, mas também de idéias e de modo de pensar. Moralista é quem muda de comportamento, mas mantém seu modo de pensar inalterável. E eu, quem sou?
2) Diante da atual renovação da Igreja, sou fariseu que pede mais um sinal ou sou como o povo que reconhece que este é o caminho que Deus quer?

sábado, 22 de julho de 2017

Domingo XVI do Tempo Comum.

Textos: Sab 12, 13.16-19; Rm 8, 26-27; Mt 13, 24-43

Evangelho (Mt 13,24-43): Jesus apresentou-lhes outra parábola: «O Reino dos Céus é como alguém que semeou boa semente no seu campo. Enquanto todos dormiam, veio seu inimigo, semeou joio no meio do trigo e foi embora. Quando o trigo cresceu e as espigas começaram a se formar, apareceu também o joio. Os servos foram procurar o dono e lhe disseram: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde veio então o joio? ’ O dono respondeu: ‘Foi algum inimigo que fez isso’. Os servos perguntaram ao dono: ‘Queres que vamos retirar o joio?’  Não!’, disse ele. ‘Pode acontecer que, ao retirar o joio, arranqueis também o trigo. Deixai crescer um e outro até a colheita. No momento da colheita, direi aos que cortam o trigo: retirai primeiro o joio e amarrai-o em feixes para ser queimado! O trigo, porém, guardai-o no meu celeiro!’». Jesus apresentou-lhes outra parábola ainda: “O Reino dos Céus é como um grão de mostarda que alguém pegou e semeou no seu campo. Embora seja a menor de todas as sementes, quando cresce, fica maior que as outras hortaliças e torna-se um arbusto, a tal ponto que os pássaros do céu vêm fazer ninhos em seus ramos». E contou-lhes mais uma parábola: “O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pegou e escondeu em três porções de farinha, até que tudo ficasse fermentado». Jesus falava tudo isso em parábolas às multidões. Nada lhes falava sem usar de parábolas, para se cumprir o que foi dito pelo profeta: ‘Abrirei a boca para falar em parábolas; vou proclamar coisas escondidas desde a criação do mundo’». Então Jesus deixou as multidões e foi para casa. Seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: “Explica-nos a parábola do joio!». Ele respondeu: «Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem. O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno. O inimigo que semeou o joio é o diabo. A colheita é o fim dos tempos. Os que cortam o trigo são os anjos. Como o joio é retirado e queimado no fogo, assim também acontecerá no fim dos tempos: o Filho do Homem enviará seus anjos e eles retirarão do seu Reino toda causa de pecado e os que praticam o mal; depois, serão jogados na fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes. Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça».

«Foi algum inimigo que fez isso»

P. Ramón LOYOLA Paternina LC (Barcelona, Espanha)

Hoje Cristo. Sempre, Cristo. Dele viemos; de Ele vêm todas as boas sementes semeadas na nossa vida. Deus visita-nos — como diz o Kempis — com a consolação e a desolação, com o sabor doce e o amargo, com a flor e a espinha, com o frio e o calor, com a beleza e o sofrimento, com a alegria e a tristeza, com o valor e com o medo... Porque tudo foi redimido em Cristo (Ele também teve medo e venceu-o). Como nos diz são Paulo, «que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus» (Rm 8,28).

Tudo isto está bem, mas... Existe um mistério de iniquidade que não procede de Deus e que nos excede e que devasta o jardim de Deus que é a Igreja. E quiséramos que Deus fosse “como” mais poderoso, que estivesse mais presente, que mandasse mais e não deixasse atuar essas forças desoladoras: «Queres que vamos retirar o joio? (Mt 13,28). Isto dizia o Papa João Paulo II no seu último livro Memória e identidade: «Sofremos com paciência a misericórdia de Deus», que espera até ao último momento para oferecer a salvação a todas as almas, especialmente às mais necessitadas da sua misericórdia («Deixai crescer um e outro até a colheita» (Mt 13,30). Como é o Senhor da vida de cada pessoa e da história da humanidade, move os fios de nossas existências, respeitando nossa liberdade, de modo que — junto com a prova — dá-nos a graça sobre abundante para resistir, para santificar-nos, para ir até Ele, para ser oferenda permanente, para fazer crescer o Reino.

Cristo divino pedagogo, introduze-nos na sua escola de vida a través de cada encontro, cada acontecimento. Sai a nosso encontro; diz-nos — Não temais. Coragem. Eu venci o mundo. Eu estou convosco todos os dias, até o fim (cfr. Jo 16,33; Mt 28,20). Diz-nos também: Não julgueis; ou melhor —como eu— esperai, confiai, rezai pelos que se equivocam, santificai-os com membros que vos interessam muito por ser do vosso próprio corpo.

Por que Deus permite tanto joio-tanto mal- no campo do mundo?

Pe. Antônio Rivero, L.C.

A essa pergunta nos responde a primeira leitura de hoje: “Ao pecador lhe dás tempo para que se arrependa”. E para isso, Deus nos manda o seu Espírito que nos ajuda na nossa debilidade (segunda leitura). Aliás, Deus é clemente e misericordioso (Salmo). Mas também temos que colocar a nossa parte: vigilância, porque o inimigo da nossa alma não dorme e quer semear o seu joio nos momentos de sonolência e distração da nossa parte (evangelho).

Em primeiro lugar, é um fato que Deus dia e noite semeia no nosso coração excelente semente de bondade, verdade, beleza, honestidade, justiça, pureza, caridade. E faz isso só ao entrarmos com a alma aberta em oração e abrirmos a Bíblia, ou só ao irmos à missa e participarmos consciente e fervorosamente da mesa da Palavra e da Eucaristia, ou quando escutamos atentamente uma homilia ou assistimos com prazer um retiro, ou estamos sentados conversando com bons amigos, ou no meio de um contratempo ou doença. Deus nunca dorme.

Em segundo lugar, mas também é um fato que o inimigo da nossa alma, o diabo, também não dorme, e nos espia e nos rodeia como um leão a rugir, buscando quem devorar. Ele não quer destruir a boa semente de Deus, mas quer semear o seu joio para ele cresça e se confunda com a semente boa, e inclusive quer conquistar essa boa semente e convertê-la em joio. E tudo com um único objetivo: perder a nossa alma. Não quer que o bom trigo de Deus se expanda pelos cantinhos deste mundo, das famílias, dos corações. Quer semear o joio do ódio, da divisão, da insensibilidade e da indiferença diante de tanta pobreza e miséria de muitos de nossos irmãos. E quer semeá-la no campo da medicina com esses métodos anticonceptivos e abortivos; no recinto sagrado do matrimônio semeando a ideologia de gênero e aplaudindo a legalização das uniões de pessoas do mesmo sexo; no campo da cultura, inoculando o liberalismo e a ditadura do relativismo; até mesmo já entrou na Igreja santa de Cristo e semeou e provocou durante séculos e séculos heresias e cismas e escândalos.

Finalmente, qual é a relação de Deus diante da ação do inimigo? Ele poderia perfeitamente arrancar de uma vez o joio e tampar a boca de Satanás, e estava acabado, pois para isso é onipotente. Mas não Ele não faz isso. Alguma razão terá no seu coração; sim, o seu amor misericordioso. Por uma parte, tem paciência e misericórdia e espera que algum dia esse joio se converta em bom trigo, pois Ele não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva. Por outra parte, também quer que o bom trigo faça sem parar e com consciência o seu trabalho de fermento e seja provado diante do joio, para que assim se fortaleça e cresça mais firme e convencido. Deus nos quer livres e respeita a nossa liberdade.

Para refletir: olhando o meu coração, o que abunda: boa semente ou joio? Se existe mais, boa semente, o que faço para fazê-la crescer, molhá-la, adubá-la, derramá-la por onde for com a ajuda de Deus e do seu Espírito? E se existe joio, o que estou esperando para ir convertendo-o em boa semente, desde a oração e os sacramentos?

Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail: arivero@legionaries.org

sexta-feira, 21 de julho de 2017

22 de julho: Santa Maria Madalena, igual aos Apóstolos.

Sta Maria Madalena
Igual aos Apóstolos
Evangelho (Jo 20,1-2.11-18): No primeiro dia da semana, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, Maria Madalena foi ao túmulo e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo. Ela saiu correndo e foi se encontrar com Simão Pedro e com o outro discípulo, aquele que Jesus mais amava. Disse-lhes: «Tiraram o Senhor do túmulo e não sabemos onde o colocaram». Maria tinha ficado perto do túmulo, do lado de fora, chorando. Enquanto chorava, inclinou-se para olhar dentro do túmulo. Ela enxergou dois anjos, vestidos de branco, sentados onde tinha sido posto o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. Os anjos perguntaram: «Mulher, por que choras». Ela respondeu: «Levaram o meu Senhor e não sei onde o colocaram». Dizendo isto, Maria virou-se para trás e enxergou Jesus, de pé, mas ela não sabia que era Jesus. Jesus perguntou-lhe: «Mulher, por que choras? Quem procuras?». Pensando que fosse o jardineiro, ela disse: «Senhor, se foste tu que o levaste, dize-me onde o colocaste, e eu irei buscá-lo». Então, Jesus falou: «Maria!». Ela voltou-se e exclamou, em hebraico: «Rabûni!» (que quer dizer: Mestre). Jesus disse: «Não me segures, pois ainda não subi para junto do Pai. Mas vai dizer aos meus irmãos: subo para junto do meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus». Então, Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: «Eu vi o Senhor», e contou o que ele lhe tinha dito.

«Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Eu vi o Senhor”»

Rev. D. Antoni CAROL i Hostench (Sant Cugat del Vallès, Barcelona, Espanha)

Hoje, celebramos com satisfação a santa Maria Madalena. Com satisfação e benefício para nossa fé! Porque seu caminho poderia muito bem ser o nosso. A Madalena vinha de longe (cf. Lc 7,36-50) e chegou muito longe... , no amanhecer da Ressurreição, Maria buscou Jesus, encontrou Jesus ressuscitado e chegou ao Pai de Jesus, o “Pai nosso”. Aquela manhã, Jesus Cristo descobriu o mais valioso da nossa fé: que ela também era filha de Deus.

No itinerário de Maria de Magdala descobrimos alguns aspectos importantes da fé. Em primeiro lugar, admiramos sua valentia. A fé, mesmo sendo um dom de Deus, requer coragem por parte do crente. O natural em nós é a tendência ao visível, ao que se pode agarrar com a mão. Pois Deus é essencialmente invisível, fé «sempre tem algo de ruptura arriscada e de salto, porque implica a ousadia de ver o autenticamente real naquilo que não se vê» (Bento XVI). Maria vendo a Cristo ressuscitado também “vê” também ao Padre, ao Senhor.

Por outro lado, ao “salto da fé” «se chega pelo que a Bíblia chama conversão ou arrependimento: só quem muda recebe» (Papa Bento). Não foi este o primeiro passo de Maria? Não há de ser este também um passo reiterado em nossas vidas?

Na conversão de Madalena houve muito amor: ela não economizou em perfumes para seu Amor. O amor: hei aqui outro “veículo” da fé, porque nem escutamos, nem vemos, nem cremos a quem não amamos. No Evangelho de são João aparece claramente que «crer é escutar e, ao mesmo tempo, ver (…)». Naquele amanhecer, Maria Madalena arrisca por seu Amor, ouve ao seu Amor (basta-lhe escutar «Maria» para reconhecer) e conhecer ao Pai. «De manhã de Páscoa (…), a Maria Madalena que vê a Jesus, pede-se que o contemple em seu caminho ao Pai, até chegar à plena confissão: ‘Tenho visto ao Senhor’ (Jn 20,18)» (Papa Francisco).

«Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: Eu vi o Senhor»

Rev. D. Albert SOLS i Lúcia (Barcelona, Espanha)

Hoje, celebramos a festa de Santa Maria Madalena. Costuma ser próprio da juventude apaixonar-se loucamente por um filme, chegando a identificar-se pessoalmente com algum dos protagonistas. Nesse sentido, nós, os cristãos, deveríamos ser sempre jovens perante a vida de Jesus de Nazaré e identificar-nos com essa grande mulher de que fala o Evangelho, Maria Madalena. Ela seguiu os passos de Jesus, escutou a Sua Palavra. Cristo soube corresponder e concedeu-lhe o histórico privilégio de ser a primeira pessoa a quem foi comunicada a ressurreição.

Diz o evangelista que, ao princípio, ela não O reconheceu, confundiu-o com um camponês daquele lugar. Mas quando o Senhor a chamou pelo seu nome «Maria», talvez pela maneira peculiar como o disse, então esta santa mulher não duvidou nem um instante: «Ela voltou-se e exclamou, em hebraico: «Rabûní! —que quer dizer: “Mestre”—» (Jo, 20,16). Depois do seu encontro com Jesus, ela foi a primeira que correu a anunciar aos outros discípulos: «Então, Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Eu vi o Senhor”, e contou o que Ele lhe tinha dito» (Jo, 20,18).

O cristão que, no seu programa diário de vida, cultiva a intimidade com Cristo, na Eucaristia, fazendo um tempo de oração contemplativa e cuidando a leitura assídua do Evangelho de Jesus, também terá o privilégio de escutar o chamamento pessoal do Senhor. É o próprio Cristo que nos chama pessoalmente, pelo nosso nome, e nos anima a seguir o caminho firme da santidade.

«A oração é conversação e diálogo com Deus: contemplação para os que se distraem certeza das coisas que se esperam, igualdade de condição e de honra com os anjos, progresso e incremento dos bens, emenda dos pecados, remédio para os males, fruto dos bens presentes, garantia dos bens futuros» (S. Gregório de Nissa).

Digamos ao Senhor: Jesus, que a minha amizade contigo seja tão forte e tão profunda que, como Maria Madalena, eu seja capaz de Te reconhecer na minha vida.

Reflexão de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* O evangelho de hoje traz a aparição de Jesus a Maria Madalena, cuja festa hoje celebramos. A morte de Jesus, seu grande amigo, trouxe para ela uma perda do sentido da vida. Mas ela não desistiu da busca. Foi ao sepulcro para reencontrar aquele que a morte lhe havia roubado. Há momentos na vida em que tudo desmorona. Parece que tudo acabou. Morte, desastre, doença, decepção, traição! Tantas coisas que podem tirar o chão debaixo dos nossos pés e jogar-nos numa crise profunda. Mas também acontece o seguinte. Como que de repente, o reencontro com uma pessoa amiga pode refazer a vida e nos fazer redescobrir que o amor é mais forte do que a morte e a derrota. Na maneira de descrever a aparição de Jesus a Maria Madalena transparecem as etapas da travessia que ela teve de fazer, desde a busca dolorosa do falecido amigo até o reencontro com o ressuscitado. Estas são também as etapas pelas quais passamos todos nós, ao longo da vida, na busca em direção a Deus e na vivência do Evangelho. É o processo de morte e ressurreição que se prolonga no dia-a-dia da vida.

* João 20,1: Maria Madalena vai ao sepulcro
Havia um amor muito grande entre Jesus e Maria Madalena. Ela foi uma das poucas pessoas que tiveram a coragem de ficar com Jesus até a hora da sua morte na cruz. Depois do repouso obrigatório do sábado, ela voltou ao sepulcro para estar no lugar onde tinha encontrado o Amado pela última vez. Mas, para a sua surpresa, o sepulcro estava vazio!

* João 20,11-13: Maria Madalena chora, mas busca. 
Chorando, Maria Madalena inclinou-se e olhou para dentro do túmulo, onde viu dois anjos vestidos de branco, sentados no lugar onde o corpo de Jesus tinha sido colocado, um na cabeceira e outro nos pés. Os anjos perguntam: "Por que você chora?" Resposta: "Levaram meu senhor e não sei onde o colocaram!" Maria Madalena busca o Jesus que ela tinha conhecido, o mesmo com quem tinha convivido durante três anos.

* João 20,14-15: Maria Madalena conversa com Jesus sem reconhecê-lo.
Os discípulos de Emaús viram Jesus mas não o reconheceram (Lc 24,15-16). O mesmo acontece com Maria Madalena. Ela vê Jesus, mas não o reconhece. Pensa que é o jardineiro. Como os anjos, Jesus também pergunta: "Por que você chora?" E acrescenta: "A quem está procurando?" Resposta: "Se foi você que o levou, diga-me, que eu vou buscá-lo!" Ela ainda busca o Jesus do passado, o mesmo de três dias atrás. A imagem de Jesus do passado impede que ela reconheça o Jesus vivo, presente na frente dela.

* João 20,16: Maria Madalena reconhece Jesus.
Jesus pronuncia o nome: "Maria!" (Miriam) Foi o sinal de reconhecimento: a mesma voz, o mesmo jeito de pronunciar o nome. Ela responde: "Mestre!" (Rabôni) Jesus tinha voltado. A primeira impressão é de que a morte foi apenas um incidente doloroso de percurso, mas que agora tudo tinha voltado a ser como antes. Maria abraça Jesus com força. Era o mesmo Jesus que tinha morrido na cruz, o mesmo que ela tinha conhecido e amado. Aqui se realiza o que Jesus disse na parábola do Bom Pastor: "Ele as chama pelo nome e elas conhecem a sua voz". - "Eu conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem" (Jo 10,3.4.14).

* João 20,17: Maria Madalena recebe a missão de anunciar a ressurreição aos apóstolos.
De fato, é o mesmo Jesus, mas a maneira de ele estar junto dela já não é mais a mesma. Jesus lhe diz: "Não me segure, porque anda não subi para o Pai!" Jesus vai para junto do Pai. Maria Madalena deve soltá-lo e assumir sua missão: “Vá dizer aos meus irmãos que subo para junto do meu Pai, que é Pai de vocês, do meu Deus, que é o Deus de vocês”. Chama os discípulos de “meus irmãos”. Subindo para o Pai, Jesus abriu o caminho para nós e fez com que Deus ficasse, de novo, perto de nós. “Quero que eles estejam comigo onde eu estiver” (Jo 17,24; 14,3).

* João 20,18: A dignidade e missão de Madalena e das Mulheres
Maria Madalena é citada como discípula de Jesus (Lc 8,1-2); como testemunha da sua crucifixão (Mc 15,40-41; Mt 27,55-56; Jo 19,25), do seu sepultamento (Mc 15,47; Lc 23,55; Mt 27,61), e da sua ressurreição (Mc 16,1-8; Mt 28,1-10; Lc 24,1-10; Jo 20,1.11-18). E agora ela recebe a ordem, a ordenação, de ir aos Doze e anunciar a eles que Jesus está vivo. Sem esta Boa Nova da Ressurreição, as sete lâmpadas dos sacramentos se apagariam (Mt 28,10; Jo 20,17-18).

Para um confronto pessoal
1) Você já passou por uma experiência que lhe deu esse sentimento de perda e de morte? O que foi que lhe trouxe vida nova e lhe devolveu a esperança e a alegria de viver?
2) Maria Madalena buscava Jesus de um jeito e o reencontrou de outro jeito. Como isto acontece hoje na nossa vida?