sábado, 26 de julho de 2014

27 de julho

Beato Tito Brandsma
PRESBÍTERO NOSSA ORDEM E MÁRTIR

Nasceu na cidade de Bolsward, na Frísia (Holanda), no ano de 1881.  Ainda muito jovem, entrou para a Ordem do Carmo e foi ordenado sacerdote em 1905. Estudou em Roma, onde conseguiu o grau de Doutor em Filosofia na Universidade Gregoriana. Retomando para a Holanda, ensinou em diversas escolas e foi nomeado professor de Filosofia, Teologia Mística e sua história, na Universidade Católica de Nimega, da qual também foi eleito "Reitor Magnífico". Salientou-se pela sua afabilidade para com todos. Foi jornalista profissional e, em 1935, foi designado Assistente Eclesiástico dos jornalistas católicos. Opôs-se à ocupação nazista da Holanda e, baseando-se no Evangelho, combateu tenazmente a ideologia do Nacional Socialismo (Nazismo), defendeu a liberdade da Educação e da Imprensa católicas e protestou contra a perseguição às crianças de origem judaica. Por estas razões foi preso: começa desta forma o seu Calvário de campo em campo, de prisão em prisão e, depois de tantos sofrimentos e humilhações, foi assassinado em Dachau, no ano de 1942. Até o seu último suspiro, não se cansou de levar a paz e o conforto espiritual a todos os seus colegas de prisão. No meio de inúmeros e atrozes sofrimentos soube comunicar o bem, o amor e a paz. No dia 3 de novembro de 1985 foi proclamado beato da Igreja de Cristo pelo Papa João Paulo lI.

INVITATÓRIO
Ant. Vinde, adoremos o Senhor, Rei dos Mártires.

LAUDES
Hino
Ó Jesus, quando te contemplo,
eu redescubro, a sós contigo,
que te amo e que teu coração
me ama como a um dileto amigo.

Ainda que a descoberta exija
coragem, faz-me bem a dor:
por ela me assemelho a ti,
que ela é o caminho redentor.

Na minha dor me rejubilo;
já não a julgo sofrimento,
mas sim predestinada escolha,
que me une a ti neste momento.

Deixa-me, pois, nesta quietude,
malgrado o frio que me alcança.
Presença humana não permitas,
que a solidão já não me cansa,

pois de ti sinto-me tão próximo
como jamais antes senti.
Doce Jesus, fica comigo,
que tudo é bom junto de ti.

Salmos, Cântico, Leitura, Responsório e Preces do Comum de um Mártir

Cântico evangélico
Ant., Combati o bom combate, terminei a minha carreira, conservei a minha fé!

Preces do Comum de um Mártir.

Oração
Senhor Deus, fonte e origem da vida, infundistes no Beato Tito a força do vosso Espírito e a coragem, para, mesmo durante a crueldade da perseguição e do martírio, proclamar a liberdade da Igreja e a dignidade da pessoa humana. Concedei-nos, por sua intercessão, empenharmo-nos na construção do Reino da justiça e da paz, sem nos envergonharmos do Evangelho, e que, em cada momento da vida, reconheçamos a vossa presença misericordiosa. Por N.S. J.C.

VÉSPERAS
Hino
Seguir os passos de Cristo,
imitando a Virgem Maria,
tendo de Elias o espírito,
é lema do Carmo, nossa alegria.

Maria, ó Mãe da nossa alma
acende em nós o fulgor
da luz ardente e calma,
que a Tito deu força, coragem e amor.

Viver no Carmo é contemplar
o Deus a Elias revelado.
Vi ver no Carmo é habitar
no Tabor com Cristo Transfigurado.

Viver no Carmelo é aceitar
ser holocausto, que se deixa consumir,
sem temer, mas antes desejar
os raios divinos atrair.

Viver no Carmelo é fitar
a Cruz, que se ama e se deseja,
para nela e por ela alcançar
que Cristo viva nos membros da Igreja.

Salmos, Cântico, Leitura, Responsório e Preces do Comum de um Mártir

Cântico evangélico
Ant. Na dureza do combate o Senhor lhe deu a vitória, pois mais forte do que tudo é a força do amor.

Oração

Senhor Deus, fonte e origem da vida, infundistes no Beato Tito a força do vosso Espírito e a coragem, para, mesmo durante a crueldade da perseguição e do martírio, proclamar a liberdade da Igreja e a dignidade da pessoa humana. Concedei-nos, por sua intercessão, empenharmo-nos na construção do Reino da justiça e da paz, sem nos envergonharmos do Evangelho, e que, em cada momento da vida, reconheçamos a vossa presença misericordiosa. Por N.S. J.C. 

XVII domingo do Tempo Comum (2ª meditação)

Textos: 1Re 3, 5.7-12; Rm 8, 28-30; Mt 13, 44-52

O homem necessita a sabedoria, como Salomão, para discernir onde estão os verdadeiros valores, trabalhar para consegui-los e investir neles.

Comentário do Pe. Antonio Rivero, L.C.

Hoje Cristo nos convida a ser bons negociantes não só nas coisas materiais, mas também e, sobretudo nas espirituais (evangelho). Para isso necessitamos o dom da sabedoria (primeira leitura). O melhor negócio que podemos levar a término na nossa vida é reproduzir em nós a imagem de Cristo (segunda leitura).

Em primeiro lugar, o importante é que nós, os seguidores de Jesus, estejamos suficientemente preparados para descobrir que os valores do espírito (a virtude, a honradez, a verdade, o trabalho, o amor, a justiça, a fidelidade, a piedade, a fé, a esperança...) são mais importantes que todos os outros e fazer uma clara opção por eles. Outros valores são externos e caducos: saúde, dinheiro, amor, como se cantava em outros tempos na Espanha. O mundo nos encandila com coisas chamativas, com coisas baratas que não salvam e não dão felicidade autêntica.

Em segundo lugar, para isso necessitamos pedir a Deus que nos dê sabedoria, como pediu Salomão: “Peço-te que me concedas sabedoria de coração, para que saiba governar o teu povo e distinguir entre o bem e o mal”. Nós: “Senhor, concede-nos um coração sábio que saiba distinguir entre os verdadeiros valores que Tu nos entregaste e os ouropéis deste mundo enganador”. Deus não pode fechar os seus ouvidos diante de semelhante pedido. Optar pelos valores espirituais significa investir bem. É promessa de êxito e de alegria plena. O que aposta pelos valores seguros não fracassa.

Finalmente, não devemos esquecer que estes valores espirituais são caros. São tesouros escondidos no campo do mundo e da Igreja, que nos exigem vender tudo ou muito e comprar esse campo. São pérolas finas-não estanho-que não podemos rebaixar no mercado da vida mundana, sem vender as outras mil tranqueiras que escondemos de modo bobo no cofre do nosso interior, para poder adquirir essas joias. Não se trata de renunciar a coisas por ascética ou por masoquismo, mas porque isso que compramos são tesouros e pérolas que darão sentido pleno à nossa vida. Muitas vezes temos que sacrificar algo para conseguir o que vale mais. E o valor dos valores é Jesus Cristo, por quem temos que deixar todo o resto, se Ele nos pede para nos dedicar a Ele a ao seu Reino de corpo e alma. São Agostinho diria: “Esse tesouro é o Verbo-Deus que está escondido na carne de Cristo”. Quando São Paulo encontrou este tesouro disse que todo o resto é perda em comparação com Jesus Cristo.

Para refletir:
1. Posso dizer hoje com o salmista: “Mais estimo eu os preceitos da tua boca do que milhares de moedas de ouro e de prata”?
2. Eu já vendi tudo para comprar esses tesouros de Cristo que a Igreja me oferece: a doutrina santa saída dos lábios do mesmo Jesus Cristo, a graça divina infundida nos sacramentos e que faz da nossa alma outra pérola preciosa, riquíssima em virtudes, dons e sacrário do Deus três vezes santo?
3. Gostaria de recuperar o que já vendi para comprar o tesouro e a pérola? Seria uma espécie de loucura preferir as bagatelas ao tesouro e à pérola de Cristo e da sua Igreja?

XVII Domingo do Tempo Comum


«Entendestes tudo isto? »

O Evangelho deste Domingo propõe-nos as 3 últimas parábolas do Reino – do tesouro, da pérola e da rede – que, juntamente com as 4 precedentes (do semeador, da cizânia, do grão de mostarda e do fermento) constituem a riqueza do Evangelho de S. Mateus. Ao todo são 7 parábolas que Jesus dirige em parte, sentado no barco, à multidão presente no Lago de Tiberíades, e outra parte aos seus discípulos.
Ir. Anabela Silva, fma.

Esta passagem evangélica apresenta-nos parte da pregação de Jesus. O Mestre quer explicar-nos através da comparação/semelhança o que é o Reino dos Céus, quais as atitudes a adoptar. Mas, como já ouvimos tantas vezes, Jesus quer sobretudo dizer que o Seu reino, aquele a que Ele deu início com a Sua vinda à terra, com as suas palavras, com os seus gestos, com a sua Páscoa, já está presente na história humana.

A liturgia convida-nos a pararmos para uma breve reflexão/meditação na parte final do discurso das parábolas. Na escuta atenta da Sua palavra e rezando-a podemos descobrir que o Seu reino é o que de mais precioso podemos desejar. Ele já começou e manifesta-se continuamente, mas ainda há um caminho a fazer e até que se concretize plenamente trará consigo algumas contradições. É preciso agir com uma opção clara e radical nos confrontos com o reino dos Céus. Se de facto tem a importância de um tesouro ou de uma pérola de grande valor é preciso segurá-lo, renunciando a muitas outras coisas, para sermos entre aqueles que beneficiarão plenamente da Eternidade.

Evangelho (Mt 13, 44-52) - Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «O Reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido num campo. O homem que o encontrou tornou a escondê-lo e ficou tão contente que foi vender tudo quanto possuía e comprou aquele campo. O Reino dos Céus é semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas. Ao encontrar uma de grande valor, foi vender tudo quanto possuía e comprou essa pérola. O Reino dos Céus é semelhante a uma rede que, lançada ao mar, apanha toda a espécie de peixes. Logo que se enche, puxam-na para a praia e, sentando-se, escolhem os bons para os cestos e o que não presta deitam-no fora. Assim será no fim do mundo: os Anjos sairão a separar os maus do meio dos justos e a lança-los na fornalha ardente. Aí haverá choro e ranger de dentes. Entendestes tudo isto? » Eles responderam-Lhe: «Entendemos. » Disse-lhes então Jesus: «Por isso, todo o escriba instruído sobre o reino dos Céus é semelhante a um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e coisas velhas. »

«Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «O Reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido num campo. O homem que o encontrou tornou a escondê-lo e ficou tão contente que foi vender tudo quanto possuía e comprou aquele campo. »

Jesus conta uma breve parábola para explicar o que é o reino dos Céus. E compara-o a um grande tesouro, escondido, de difícil acesso e que é preciso procurar. Uma vez encontrado, e dado o seu valor, com toda a prontidão se está disposto a vender tudo para assegurar o tesouro. A parábola diz-nos que não se deseja apenas possuir o tesouro mas o campo onde ele estava escondido. Esta atitude que, aos olhos da lógica parece despropositada, é motivada pela alegria que esta descoberta desencadeou no coração de quem o encontrou.
O homem que encontrou o tesouro representa cada um de nós. Quem é que não sonha encontrar um grande tesouro que lhe assegure o futuro? Quantas vezes não nos encontramos a brincar ou a jogar à “caça ao tesouro”? Mas o tesouro de que nos fala a passagem bíblica é muito mais que isso: o tesouro é o próprio Jesus. Ele é a riqueza da vida cristã, é Ele que nos faz viver, mover e existir. Um tesouro que nos é dado como dom. Um tesouro incomparável para descobrir, guardar, viver e, como fez o homem da parábola, apostar tudo. Deixar tantas coisas supérfluas, sem hesitações, dúvidas… e apostar tudo para receber Tudo, Cristo. E nós, cristãos que fazemos com este dom?
Todos andamos à procura do mesmo: Encontrar a felicidade. Cristo pode ser o tesouro pelo qual tantos andamos à procura. E está à mão de semear.
Quem o encontra manifesta o encontro pela atitude de alegria. A alegria de se ter encontrado o tesouro mais valioso. E tudo se pode sintetizar a isto: ao encontrar Jesus, encontra-se a alegria e a certeza de que ao dar tudo se recebe muito mais. 

«O Reino dos Céus é semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas. Ao encontrar uma de grande valor, foi vender tudo quanto possuía e comprou essa pérola. »

Ainda uma simples parábola para nos dizer que o reino dos Céus é semelhante a uma pérola preciosa que um negociante procura, encontra e adquire-a pagando por ela um preço no valor de tudo quanto tem. Para a ter deve deixá-la por uns instantes e providenciar o dinheiro suficiente para a compra. Como o homem da primeira parábola, o negociante tenta rapidamente assegurar-se do precioso bem e não olha a despesas.
Se compararmos os dois homens podemos dizer que ambos se deixaram atrair pelo bem encontrado - o tesouro e a pérola. Um, fruto da sorte, outro, fruto do empenho. Ambos, perante realidades tão magníficas, tomam uma decisão definitiva e nessa decisão há um querer, há uma vontade.
O comportamento do negociante é imagem de quem procura, apaixonadamente, aquilo que dá sentido à sua vida. Quando realmente se encontra o que desde sempre o coração procura e deseja, vale a pena arriscar tudo. Por detrás existe uma vontade – eu quero. E tudo se faz para se viver com o bem que se encontra. O querer tanto algo e, sobretudo se é a razão da nossa alegria e do nosso viver, vende-se tudo. E o verdadeiro discípulo raramente fala do que deixou mas muito mais dá testemunho do que encontrou.

Beato Tito Brandsma, OCarm
Presbítero e Mártir
«O Reino dos Céus é semelhante a uma rede que, lançada ao mar, apanha toda a espécie de peixes. Logo que se enche, puxam-na para a praia e, sentando-se, escolhem os bons para os cestos e o que não presta deitam-no fora. »

Continuamos com mais uma parábola: o reino dos Céus é semelhante a uma rede que é utilizada segundo as suas funções – recolher do mar toda a espécie de peixe. Depois da pesca, sentados e libertos do cansaço da procura e da espera nas águas, os pescadores rapidamente procedem à separação, subdividindo segundo o tipo, a grandeza, o valor de cada peixe, e atenção em distinguir o que é bom e o que é menos bom.
Depois do paralelismo entre tesouro e pérola, uma parábola sobre a pesca. Em cena temos os pescadores como protagonistas que fizeram uma apanha abundante. Eles não regressaram enquanto as redes não estavam cheias. Se quisermos falar em termos de cristianismo diríamos que este é o tempo da Igreja. O tempo em que todos nós vivemos, o tempo da rede. Tempo do anúncio da mensagem de Cristo; um anúncio direcionado a todos – um anúncio ad agentes – uma bela notícia que irrompe pela vida e que leva a aderir segundo o empenho de cada um. Nas comunidades cristãs há uma variedade de peixes e existem peixes bons e peixes menos bons. No nosso coração, nas nossas intenções também se vive a bondade, as luzes e a maldade, as trevas. Uma dicotomia constante. E que por vezes não deixa vir ao de cima a realidade do Reino. Este é o tempo da misericórdia e da paciência de Deus. E o momento da separação chegará, até lá purifiquemo-nos de tudo o que em nós impede de fazer crescer o Reino dos Céus.

«Assim será no fim do mundo: os Anjos sairão a separar os maus do meio dos justos e a lança-los na fornalha ardente. Aí haverá choro e ranger de dentes. »

No fim dos tempos os anjos serão os encarregados/ responsáveis por separar aqueles que viveram de um modo bom daqueles que viveram de um modo mau. Os tempos no futuro indicam que o momento ainda está para acontecer. Será o tempo dos anjos e de Deus, a dimensão eterna, e não a do homem, dimensão terrena. É o tempo em que o destino dos maus será traçado: serão lançados na “fornalha ardente”, lugar de choro e de sofrimento.
Mais uma vez encontramos o paralelismo com o final da parábola da cizânia e da rede. Depois do tempo da Igreja chegará o tempo do juízo final onde a inevitável mistura de bondade e maldade, de autenticidade e hipocrisia, de bem e de mal na vida do homem levará a caminhos diversos. Aqui fala-se apenas do destino dos maus, mas se recordarmos a parábola da cizânia lembraremos que o destino dos justos é a alegria plena. A opção pelo tesouro, pela pérola dá fruto. O risco de se desperdiçar a vida apostando em “tesouros” errados não está longe. No fim não importa muito se fomos bons ou maus mas seremos julgados pelo bem que realizamos, pelos dons que recebemos e o que fizemos para que dessem fruto. No mundo de hoje temos de marcar pela diferença: ou apostamos no verdadeiro sentido da vida ou nunca sairemos dos tormentos da mesma.

«Entendestes tudo isto? » Eles responderam-Lhe: «Entendemos. »

Interessante que Jesus conclui o discurso com uma interrogação, dirigida não à multidão em geral mas aos discípulos em particular. É uma questão aparentemente simples. Interroga-os para que se tornem conscientes da importância de compreender quanto ouviram dos seus lábios. Todos os discípulos, em uníssono, responderam afirmativamente. Esses compreenderam as coisas que vêm reveladas aos pequeninos, aos simples e não a todos. Quem tem ouvidos para ouvir que ouça.
«Entendemos »… sim, quase poderíamos dizer. É a resposta a um renovado chamamento; é palavra agradável a Jesus o nosso “sim”. Os discípulos manifestaram que acolheram e entenderam bem a longa mensagem de Jesus, e intuíram o mistério do reino dos Céus. Chegou o tempo de passar à prática: trata-se de vivê-lo no quotidiano junto com Jesus, enquanto Ele permanece e vivê-lo depois, quando terão de dar razões do seu tesouro, da sua pérola que os conduziu a viver na rede da comunidade cristã. Sim, eles compreenderam que a verdadeira riqueza do seu viver é o reino. Não é muito diferente para nós. A mensagem continua a ser clara e transparente, o anúncio explícito. Talvez nos falte a audácia e a coragem se assumir uma vida que ao contrário do que possa parecer não nos pede renúncias mas que toquemos e acolhamos a verdadeira VIDA, a vida de Deus na nossa existência. 

«Disse-lhes então Jesus: «Por isso, todo o escriba instruído sobre o reino dos Céus é semelhante a um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e coisas velhas. »

A finalizar uma breve semelhança a conclusão de uma perícope evangélica: todo o escriba formado na escola rabínica do Antigo Testamento e na tradição hebraica e que tenha escutado o ensinamento em parábolas de Jesus e se tornou discípulo do reino é semelhante a um pai de família que, no seu tesouro, sabe distinguir o que é antigo do que é novo.
É para isto, para a compreensão da mensagem de Jesus, que os discípulos são sujeitos a uma radical transformação da sua vida: tendo sido destinatários privilegiados da boa notícia do Evangelho, de hebreus observantes tornam-se cristãos convictos de serem depositários de uma nova e radical verdade. São eles os novos mestres da Lei que supera e cumpre a lei antiga. Saberão distinguir as coisas antigas e daquelas novas, património do seu tesouro existencial.
Graças à experiência com Jesus, à luz do Seu evangelho os discípulos de ontem e de hoje saberão, em cada tempo e lugar, ensinar a novidade da mensagem cristã: Deus é Amor, está no meio de nós, no nosso campo e nos chama a colaborar para fazer crescer o seu Reino.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

26 de julho

S. Joaquim e Santa Ana, pais da Virgem Maria
Protetores secundários da Ordem

Tudo como na Liturgia das Horas no dia 26 de julho

SÁBADO XVI DO TEMPO COMUM

Evangelho (Mt 13,24-30): Jesus apresentou-lhes outra parábola: «O Reino dos Céus é como alguém que semeou boa semente no seu campo. Enquanto todos dormiam, veio seu inimigo, semeou joio no meio do trigo e foi embora. Quando o trigo cresceu e as espigas começaram a se formar, apareceu também o joio. Os servos foram procurar o dono e lhe disseram: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde veio então o joio? ’ O dono respondeu: ‘Foi algum inimigo que fez isso’. Os servos perguntaram ao dono: ‘Queres que vamos retirar o joio?’ ‘Não!’, disse ele. ‘Pode acontecer que, ao retirar o joio, arranqueis também o trigo. Deixai crescer um e outro até a colheita. No momento da colheita, direi aos que cortam o trigo: retirai primeiro o joio e amarrai-o em feixes para ser queimado! O trigo, porém, guardai-o no meu celeiro!».

Comentário: Rev. D. Manuel SÁNCHEZ Sánchez (Sevilla, Espanha)

Deixai crescer um e outro

Hoje consideramos uma parábola como uma ocasião para referir-nos à vida da comunidade onde se misturam, continuamente, o bem e o mal, o Evangelho e o pecado. A atitude lógica seria acabar com esta situação, tal como o pretendem os servos: «O dono respondeu: ‘Foi algum inimigo que fez isso’. Os servos perguntaram ao dono: ‘Queres que vamos retirar o joio?» (Mt 13,28). Mas a paciência de Deus é infinita, espera até o último momento — como um pai bom— a possibilidade de mudança: «Deixai crescer um e outro até a colheita» (Mt 13,30).

Uma realidade ambígua e medíocre, mas nela cresce o Reino. Trata-se de sentir-nos chamados a descobrir os sinais do Reino de Deus para potencializá-lo. E, por outro lado, não favorecer nada que ajude a contentar-nos na mediocridade. No entanto, o fato de viver em uma mescla de bem e de mal não deve impedir o progresso em nossa vida espiritual; o contrário seria converter nosso trigo em intriga. «Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde veio então o joio?» (Mt 13,27). É impossível crescer de outro modo, nem podemos procurar o Reino em nenhum outro lugar, senão nesta sociedade em que vivemos. Nossa tarefa será fazer com que nasça o Reino de Deus.

O Evangelho nos chama a não acreditar nos “puros”, a superar os aspectos de puritanismo e de intolerância que possam existir na comunidade cristã. Facilmente ocorrem atitudes deste tipo em todas as coletividades, por mais sadias que tentem ser. Em frente a um ideal, temos todos a tentação de pensar que alguns já o alcançamos e que outros estão longe. Jesus constata que todos estamos no caminho, absolutamente todos.

Vigiemos para que o maligno não se introduza em nossas vidas, coisa que ocorre quando nos acomodamos ao mundo. Dizia Santa Ângela da Cruz que «não devemos dar ouvidos às vozes do mundo, de que em todos os lugares se faz isto ou aquilo; nós sempre fazemos o mesmo, sem inventar variações, e seguindo a maneira de fazer as coisas, que são um tesouro escondido; são as que nos abrirão as portas do céu». Que a Santíssima Virgem Maria nos conceda acomodar-nos somente ao amor.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

S. Ana e N Sra do Carmo
* O evangelho de hoje traz a parábola do joio e do trigo. Tanto na sociedade como nas comunidades e na nossa vida familiar e pessoal, existe tudo misturado: qualidades boas e incoerências, limites e falhas. Nas nossas comunidades se reúnem pessoas de várias origens, cada uma com a sua história, com a sua vivência, a sua opinião, os seus anseios, as suas diferenças. Há pessoas que não sabem conviver com as diferenças. Querem ser juiz dos outros. Acham que só elas estão certas, e as outras erradas. A parábola do joio e do trigo ajuda a não cair na tentação de querer excluir da comunidade os que não pensam como nós.

* O pano de fundo da parábola do joio e do trigo.
Durante séculos, por causa da observância das leis de pureza, os judeus tinham vivido separados das outras nações. Este isolamento marcou a vida deles. Mesmo depois de convertidos, alguns continuavam nesta mesma observância que os separava dos outros. Eles queriam a pureza total. Qualquer sinal de impureza devia ser extirpado em nome de Deus. “Não pode haver tolerância com o pecado”, assim diziam. Mas outros como Paulo ensinavam que a Nova Lei de Deus trazida por Jesus estava pedindo o contrário! Eles diziam: "Não pode haver tolerância com o pecado, sim, mas deve haver tolerância com o pecador!"

* Mateus 13,24-26: A situação: joio e trigo crescem juntos
A palavra de Deus que faz nascer a comunidade é semente boa, mas dentro das comunidades sempre aparecem coisas que são contrárias à palavra de Deus. De onde vem? Esta era a discussão, o mistério, que levou a conservar e lembrar a parábola do joio e do trigo.

* Mateus 13,27-28a: A origem da mistura que existe na vida
Os empregados perguntam ao patrão: “Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde veio então o joio?” O dono respondeu: Um inimigo fez isso. Quem é este inimigo? O inimigo, o adversário, satanás ou diabo (Mt 13,39), é aquele que divide, que desvia. A tendência de divisão existe dentro da comunidade e existe dentro de cada um de nós. O desejo de dominar, de se aproveitar da comunidade para subir e tantos outros desejos interesseiros são divisionistas, são do inimigo que dorme dentro de cada um de nós.

São Joaquim
* Mateus 13,28b-30: A reação diferente diante da ambiguidade
Diante desta mistura do bem e do mal, os empregados queriam arrancar o joio. Pensavam: "Se deixarmos todo mundo dentro da comunidade, perdemos nossa razão de ser! Perdemos a identidade!" Queriam expulsar os que pensavam diferente. Mas esta não é a decisão do Dono da terra. Ele diz: "Deixa crescer juntos até a colheita!" O que vai decidir não é o que cada um fala e diz, mas sim o que cada um vive e faz. É pelo fruto produzido que Deus nos julgará (Mt 12,33). A força e o dinamismo do Reino se manifestam na comunidade. Mesmo sendo pequena e cheia de contradições, ela é um sinal do Reino. Mas ela não é dona nem proprietária do Reino, nem pode considerar-se totalmente justa. A parábola do joio e do trigo explica a maneira como a força do Reino age na história. É preciso ter uma opção clara pela justiça do Reino e, ao mesmo tempo, junto com a luta pela justiça, ter paciência e aprender a conviver e dialogar com as contradições e as diferenças. Na hora da colheita se fará a separação.

* O ensino em parábolas
A parábola é um instrumento pedagógico que usa o quotidiano para mostrar como a vida nos fala de Deus. Torna a realidade transparente e faz o olhar da gente ficar contemplativo. Uma parábola aponta para as coisas da vida e, por isso mesmo, é um ensinamento aberto, pois das coisas da vida todo mundo tem alguma experiência. O ensinamento em parábolas faz a pessoa partir da experiência que tem: semente, sal, luz, ovelha, flor, passarinho, mulher, criança, pai, rede, peixe, etc. Assim, ele torna a vida quotidiana transparente, reveladora da presença e da ação de Deus. Jesus não costumava explicar as parábolas. Ele deixava o sentido da parábola em aberto e não o determinava. Sinal de que acreditava na capacidade do povo de descobrir o sentido da parábola a partir da sua experiência de vida. De vez em quando, a pedido dos discípulos, ele explicava o sentido (Mt 13,10.36). Por exemplo, como fez com a parábola do joio e do trigo (Mt 13,36-43).

Para um confronto pessoal
1) Como a mistura do joio e do trigo se manifesta na nossa comunidade? Que consequências traz para a nossa vida?
2) Olhando no espelho da parábola, com quem sou mais parecido: com os empregados que querem arrancar o joio antes do tempo, ou com o dono que manda esperar até à hora da colheita?

quinta-feira, 24 de julho de 2014

25 de julho: São Tiago, Apóstolo

Evangelho (Mt 20,20-28): A mãe dos filhos de Zebedeu, com seus filhos, aproximou-se de Jesus e prostrou-se para lhe fazer um pedido. Ele perguntou: «Que queres?». Ela respondeu: «Manda que estes meus dois filhos se sentem, no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda». Jesus disse: «Não sabeis o que estais pedindo. Podeis beber o cálice que eu vou beber?». Eles responderam: «Sim, podemos». Declarou Jesus: «Do meu cálice bebereis, mas o sentar-se à minha direita e à minha esquerda não depende de mim. É para aqueles a quem meu Pai o preparou». Quando os outros dez ouviram isso, ficaram zangados com os dois irmãos. Jesus, porém, chamou-os e disse: «Sabeis que os chefes das nações as dominam e os grandes fazem sentir seu poder. Entre vós não deverá ser assim. Quem quiser ser o maior entre vós seja aquele que vos serve, e quem quiser ser o primeiro entre vós, seja vosso escravo. Pois o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos».

Comentário: Mons. Octavio RUIZ Arenas Secretário do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização (Città del Vaticano, Vaticano)

«Podes beber do cálice que eu vou beber?»

Hoje, o episódio que nos narra este fragmento do Evangelho nos põe diante a uma situação que ocorre com muita frequência nas diferentes comunidades cristãs. João e Santiago foram muito generosos ao abandonar sua casa e suas redes para seguir Jesus. Escutaram que o Senhor anuncia um Reino e que oferece a vida eterna, mas não chegam a entender ainda a nova dimensão que apresenta o Senhor e, por isso, sua mãe pedir a algo bom, mas que estão nas simples aspirações humanas: «Manda que estes dois filhos meus que se sentem, um a tua direita e outro a tua esquerda, em teu Reino» (Mt 20,21).

Igualmente, nós escutamos e seguimos o Senhor, como fizeram os primeiros discípulos de Jesus, mas não sempre chegamos entender totalmente sua mensagem e nos deixamos levar por interesses pessoais ou ambições dentro da igreja. Esquecemos que ao aceitar ao Senhor, temos que entregarmos confiança e de maneira plena a Ele, que não podemos pensar em obter a gloria sem ter aceitado a cruz.

A resposta que lhes dá Jesus põe exatamente a entonação neste aspecto: para participar de seu Reino, o que importa é aceitar beber de seu próprio «cálice» (cf. Mt 20,22), ou seja, estar dispostos a entregar nossa vida por amor a Deus e dedicarmos ao serviço de nossos irmãos, com a mesma atitude de misericórdia que teve Jesus. O Papa Francisco, em sua primeira homilia, ressaltava que para seguir a Jesus devemos caminhar com a cruz, pois «quando caminhamos sem a cruz, quando confessamos um Cristo sem cruz, não somos discípulos do Senhor».

Comentário: + Rev. D. Antoni ORIOL i Tataret (Vic, Barcelona, Espanha)

Não sabeis o que estais pedindo (...) sentar-se à minha direita e à minha esquerda (...) é para aqueles a quem meu Pai o preparou.

São Tiago, Apóstolo
Hoje, no fragmento do Evangelho de São Mateus encontramos vários ensinamentos. Vou destacar apenas um, aquele que se refere ao absoluto domínio de Deus sobre a História: tanto a de todos os homens em seu conjunto (a humanidade), como a de todos e cada um dos grupos humanos (no caso, por exemplo, o grupo familiar dos Zebedeus), como também a de cada indivíduo. Por isto Jesus disse-lhes claramente: «Não sabeis o que estais pedindo» (Mt 20,22).

Sentar-se-ão à direita de Jesus Cristo aqueles a quem seu Pai tenha destinado: «Mas o sentar-se à minha direita e à minha esquerda não depende de mim. É para aqueles a quem meu Pai o preparou» (Mt 20,23). Assim, tal como se escuta. Como escreve Cervantes na célebre obra Dom Quixote: «Não se move a folha na árvore, sem a vontade do Senhor». E isto é assim porque Deus é Deus. Dito de outro jeito: se não fosse assim, Deus não seria Deus.

Na presença disso, que indiscutivelmente se sobrepõe a todo condicionamento humano, aos homens só resta, em princípio, à aceitação e a adoração (porque Deus se nos revelou como o Absoluto);a confiança e o amor enquanto caminhamos (porque Deus se revelou a nós, também, como Pai); e no final... no final, o maior e o mais definitivo: sentar-nos junto à Jesus (à sua direita ou à sua esquerda, isso é uma questão secundária, sem dúvida).

O enigma da eleição e da predestinação divinas só se resolve, da nossa parte, com a confiança. Mais vale um miligrama de confiança depositado no coração de Deus, que todo o peso do universo pressionando sobre nosso pobre prato da balança. Na verdade, «Santiago viveu pouco tempo, pois já demonstrava uma grande fé: desprezou todas as coisas humanas e ascendeu a um patamar tão inefável, que morreu imediatamente» (São João Crisóstomo).

Reflexão de Frei Carlos Mesters, OCarm.

* O evangelho de hoje traz dois assuntos: o pedido da mãe dos filhos de Zebedeu (Mt 20,20-23) e a discussão dos discípulos pelo primeiro lugar (Mt 20,24-28).

* Mateus 20,20-21: O pedido da mãe pelo primeiro lugar para os filhos.
Os discípulos não só não entendem o alcance da mensagem de Jesus, mas continuam com suas ambições pessoais. Enquanto Jesus insistia no serviço e na doação, eles teimavam em pedir os primeiros lugares no Reino. A mãe de Tiago e João, levando consigo os dois filhos, chega perto de Jesus e pede um lugar na glória do Reino para os dois filhos, um à direita e outro à esquerda de Jesus. Os dois não entenderam a proposta de Jesus. Estavam preocupados só com os próprios interesses. Sinal de que a ideologia dominante da época tinha penetrado profundamente na mentalidade dos discípulos. Apesar da convivência de vários anos com Jesus, eles não tinham renovado sua maneira de ver as coisas. Olhavam para Jesus com o olhar antigo. Queriam uma recompensa pelo fato de seguir a Jesus. As mesmas tensões existiam nas comunidades no tempo de Mateus e existem até hoje nas nossas comunidades.

* Mateus 20,22-23: A resposta de Jesus
. Jesus reage com firmeza: “Vocês não sabem o que estão pedindo!” E pergunta se eles são capazes de beber o cálice que ele, Jesus, vai beber, e se estão dispostos a receber o batismo que ele vai receber. É o cálice do sofrimento, o batismo de sangue! Jesus quer saber se eles, em vez do lugar de honra, aceitam entregar a vida até à morte. Os dois respondem: “Podemos!” Parece uma resposta da boca para fora, pois, poucos dias depois, abandonaram Jesus e o deixaram sozinho na hora do sofrimento (Mc 14,50). Eles não têm muita consciência crítica, nem percebem sua realidade pessoal. Quanto ao lugar de honra no Reino ao lado de Jesus, quem o dá é o Pai. O que ele, Jesus, tem para oferecer é o cálice e o batismo, o sofrimento e a cruz.

* Mateus 20,24-27: Entre vocês não seja assim.
Jesus fala, novamente, sobre o exercício do poder (cf. Mc 9,33-35). Naquele tempo, os que detinham o poder não prestavam conta ao povo. Agiam conforme bem entendiam (cf. Mc 6,27-28). O império romano controlava o mundo e o mantinha submisso pela força das armas e, assim, através de tributos, taxas e impostos, conseguia concentrar a riqueza dos povos na mão de poucos lá em Roma. A sociedade era caracterizada pelo exercício repressivo e abusivo do poder. Jesus tem outra proposta. Ele diz: “Entre vocês não deve ser assim! Quem quiser ser o maior, seja o servidor de todos!” Ele traz ensinamentos contra os privilégios e contra a rivalidade. Quer mudar o sistema e insiste no serviço como remédio contra a ambição pessoal.

* Mateus 20,28: O resumo da vida de Jesus.
Jesus define a sua missão e a sua vida: “Não vim para ser servido, mas para servir!” Veio dar sua vida em resgate para muitos. Ele é o messias Servidor, anunciado pelo profeta Isaías (cf. Is 42,1-9; 49,1-6; 50,4-9; 52,13-53,12). Aprendeu da mãe que disse: “Eis aqui a serva do Senhor!”(Lc 1,38). Proposta totalmente nova para a sociedade daquele tempo.

Para um confronto pessoal
1. Tiago e João pedem favores, Jesus promete sofrimento. E eu, o que peço a Jesus na oração? Como acolho o sofrimento e as dores que acontecem na minha vida?
2. Jesus diz: “Entre vocês não deve ser assim!” Meu jeito de viver em comunidade está de acordo com este conselho de Jesus?

quarta-feira, 23 de julho de 2014

24 de julho

Beato João Soreth
PRESBÍTERO DE NOSSA ORDEM
FUNDADOR DAS ORDENS II E III


Nasceu em Caen, na Normandia, no ano de 1394. Foi Mestre de Teologia, governou a Província, e em 1451 foi Prior Geral da Ordem até à sua morte em Angers (França), no ano de 1471. Restaurou e promoveu a observância regular. Escreveu um célebre comentário sobre a Regra. Em 1462 publicou as Constituições revistas. É considerado como fundador das Ordens Segunda e Terceira.

INVITATÓRIO
Ant. Vinde, adoremos a Cristo, Príncipe dos pastores.

LAUDES
de Laudes e Vésperas
Ó glorioso João Soreth,
santo e ilustre carmelita,
teu zelo não se limita
ao convento onde entraste;
o amor à observância
em tua vida foi ânsia,
que até o fim conservaste.

Eleito em Avinhão Prior Geral,
à expansão da Ordem consagraste
o esforço da existência inteira;
organizar a vida conventual
do Carmelo feminino procuraste
e, recorrendo a Roma, alcançaste
a Regra da Ordem Terceira.

Não consegue, porém, o mundo vão
perturbar o teu simples coração;
a humana glória não buscaste
nem favor algum te seduziu,
poder e honrarias recusaste:
o ideal, que teus passos conduziu,
foi o amor que à Igreja dedicaste.

Bela coroa mereceste!
Pelo amor à Eucaristia
e à Santa Virgem Maria
já o prêmio recebeste;
na visão da eterna luz
lembra junto de Jesus
a Ordem, em que viveste.

Ao Pai toda glória damos,
por Jesus Cristo Senhor;
e ao Espírito Consolador
louvor igual tributamos.

Tudo do Comum dos Pastores ou Santos Homens - para religiosos. (exceto)

Oração
Senhor, que escolhestes o Beato João Soreth para renovar a vida religiosa e promover as fundações das Carmelitas, concedei-nos, por sua intercessão, a graça de uma fidelidade cada vez maior no seguimento de Cristo e de Maria, sua Mãe. Por N.S.J.C.

VÉSPERAS

Tudo do Comum dos Pastores ou Santos homens - para Religiosos.(exceto)

Cântico evangélico
Ant. O homem de fé fortaleceu a sua cidade e nos dias dos ímpios reforçou a piedade.

Oração
Senhor, que escolhestes o Beato João Soreth para renovar a vida religiosa e promover as fundações das Carmelitas, concedei-nos, por sua intercessão, a graça de uma fidelidade cada vez maior no seguimento de Cristo e de Maria, sua Mãe. Por N.S.J.C.

Mesmo dia 24 de julho
Beatas Maria Pilar de São Francisco de Borja,Teresa do Menino Jesus
e Maria de São José,
virgens de nossa Ordem e mártires


Maria Pilar de S. Francisco de Borja (nascida em Tarazona, perto de Barcelona, no dia 30 de dezembro de 1877), Teresa do Menino Jesus e de S. João da Cruz (nascida em Mochales no dia 5 de março de 1909) e Maria Ângeles de S. José (nascida em Getafe no dia 6 de março de 1905), carmelitas descalças do mosteiro de S. José de Guadalajara (Espanha), sofreram o martírio no dia 24 de julho de 1936, depois de terem confessado a sua fé em Cristo Rei e de terem oferecido as suas vidas pela Igreja. São as primícias dos inumeráveis mártires da guerra civil espanhola de 1936-1939. Foram beatificadas por João Paulo II no dia 29 de março de 1987.

Salmodia, Leitura, Responsório breve e Preces do Dia Corrente.

Oração
Senhor nosso Deus, fortaleza dos humildes, que admiravelmente amparastes no martírio as bem-aventuradas virgens Maria Pilar, Teresa e Maria Ângeles, concedei-nos, por sua intercessão, que, assim como elas derramaram o sangue por Cristo Rei, também nós permaneçamos fiéis a Vós e à vossa Igreja até à morte. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho,...

Mesmo dia 24 de julho
B. Maria das Mercês do Sagrado Coração Prat
religiosa da Companhia de Santa Teresa
virgem e mártir


A Beata Mercedes nasceu em Barcelona (Espanha) a 6 de março de 1880. Entrou para a Companhia de Sta. Teresa no dia 27 de agosto de 1904. Uma das irmãs com que conviveu definiu-a Mercedes como "uma Teresiana segundo o Coração de Deus." Quando estourou a Guerra Civil Espanhola, repetia com frequência quando falava dos perigos da revolução que se desenvolvia na Espanha: "Aconteça o que acontecer, o Coração de Jesus triunfará". Foi então que se lhe viu prolongar seus momentos de oração diante do sacrário. Dali, sem dúvida, lhe vinham a confiança e a fortaleza ilimitadas. Em julho de 1936, teve a oportunidade de testemunhar a sua obediência e entrega. Ao perguntar-lhe alguns milicianos quem era, respondeu que uma religiosa do ensino; e ao perguntar-lhes se sabiam que por isso podiam ser fuziladas, Mercedes e a irmã que a acompanhava não o ignoravam. "Nos vão matar", disse ao sair de Ganduxer, “mas vamos lá, obedecerei porque o Senhor o quer." Foram horas de angústia para as duas irmãs, interrogatórios, ameaças, simulação de fuzilamento... Foi um dia longo o 23 de julho. Finalmente, na madrugada do dia 24, na estrada da Rabasada, o pelotão de fuzilamento encontrou a Mercedes com a oração nos lábios.  Ferida de morte repetiu entre gemidos: "Jesus, José e Maria" e suas últimas palavras foram as do Pai Nosso: "Perdoai-nos assim como nós perdoamos..." Em 29 de abril de 1990 foi beatificada pelo Papa João Paulo II.

Salmodia, Leitura, Responsório breve e Preces do Dia Corrente.

Oração

Deus Pai de infinita bondade, que destes à beata Maria Mercedes Prat, virgem o espírito de fortaleza para consumar no martírio sua oblação a Vós e à Igreja; concedei-nos, por sua intercessão que arraigados na caridade de Cristo, nunca nos separemos de seu amor Por Nosso Senhor Jesus Cristo...