sábado, 5 de maio de 2012

MÊS DE MARIA

MEDITAÇÃO – 6º dia
CAPÍTULO 6 - A PERFEIÇÃO ESPECIAL DA VIDA MARIANA
Trata-se do fato que a vida mariana possui em si alguma perfeição maior do que a vida simples e unitiva com Deus. Comparação com os Santos. Esta vida é mariano-divina: em Deus e por Deus e, simultaneamente, em Maria e por Maria.
O Espírito Santo nos ensina e também a experiência de algumas pessoas piedosas nos mostra que a vida mariana ou a vida em Maria se fundamenta na vida divina ou em Deus. Ela pode ser contemplada como um grau superior ao estado de união simples com Deus, o Nosso Sumo Bem, ou uma vida divina simples ou em vida em Deus. Segundo o modo comum de falar, Deus é o fim único e último da alma. Ele é, outrossim, o Bem único, absoluto e supremo: a alma é criada para alcançá-lo. Toda a sua felicidade e beatitude, nesta vida e na outra, consistem em adquiri-Lo, contemplá-Lo, possuí-Lo e gozá-Lo.... Contudo a alma pode, num outro sentido, tender e levantar-se para mais alto. É o que vamos explicar a seguir. Os santos no céu gozam todos à glória de Deus, face a face. São transfigurados pela luz da glória e inundados pelo amor beatífico, no qual consiste sua mais alta felicidade e beatitude.... Porém, além desta beatitude ou vida gloriosa essencial, eles se deleitam numa glória e alegria acidental, cada um na medida dos seus merecimentos segundo a disposição de Deus, que recompensa os atos bons. Isto consiste, por exemplo, na contemplação da Humanidade Santíssima de Cristo, ou de suas Santas Chagas, ou da Santa Cruz como meio da nossa salvação, ou também da Santíssima Mãe de Deus, de São José ou de outros santos; ou ainda consiste no conhecimento puro de alguns mistérios divinos, e assim por diante. Aqueles gozos acidentais, um santo possui num grau maior, outro num grau menor. Neste sentido podemos dizer que um santo está na glória, que abrange vários objetos que geram felicidade, num grau mais alto do que outro, desde que o amor beatífico é naquele santo mais forte do que no outro. De modo mais ou menos similar, nesta vida são dados graças, dons e favores acidentais para algumas almas piedosas. Assim, num certo sentido, à semelhança dos santos elas são elevadas a um grau mais perfeito e mais alto de amor unitivo, para chegarem aos poucos a uma vida mais perfeita de amor e de gozo de Deus. Neste sentido a vida mariana, ligada com a vida divina, é mais perfeita e um grau mais elevada do que a simples vida contemplativa e unitiva. Aquela vida mariana é como se fosse dupla, quer dizer divina e mariana em Deus e em Maria, pela simples contemplação, amor e certo gozo de Deus em Maria, e de Maria em Deus. Quando a alma piedosa pelo Espírito de Deus, que mora nela, é movida continuamente e cada vez de novo, a ter diante de si, - contemplando, amando e vivenciando – aqueles dois objetos de contemplação, Deus em Maria e Maria em Deus, então, pode-se dizer, que ela vive uma vida divino-mariana em Deus e uma vida mariano-divina em Maria. Prova-se assim que, dedicando-se pelas ações, palavras e pensamentos a aumentar o amor, serviço e glorificação destes dois objetos de contemplação, a alma vive para Deus e para Maria. Esta vida divino-mariana, então, é mais perfeita do que a simples vida divina, desde que o Espírito de Amor, além da união com Deus e sem impedimento algum para esta, une a alma também com Maria e faz com que a alma se entretenha simultaneamente com Deus e Maria. Assim esta vida divino-mariana, ao menos quanto a extensão, é mais perfeita do que quando se entretém somente a respeito de Deus ou em Deus. Assim também a vida dos santos é – em extensão e de modo acidental – mais perfeita, quando tem mais objetos de alegria além do próprio Deus.

LECTIO DIVINA DA V SEMANA DA PÁSCOA
Pe. Juan Freitas, sdb

«QUEM PERMANECE EM MIM E EU NELE DÁ MUITO FRUTO»
Os gestos e as palavras de Jesus, neste contexto, representam as suas últimas indicações, o seu "testamento". Os discípulos recebem, aqui, as coordenadas para poderem continuar no mundo a missão de Jesus.
     Neste texto de São João, o evangelista serve-se de elementos simbólicos como a videira, os ramos, o agricultor e o fruto. Com estes elementos simbólicos o evangelista põe em realce a relação entre Jesus-videira, Pai-agricultor e a comunidade dos discípulos como os ramos.
     A vinha é a planta pela qual o agricultor tem mais predileção porque dessa produz o vinho da alegria. Jesus retoma a imagem do antigo testamento para recordar que na antiga aliança Deus vinha apresentado como o dono da vinha e no novo testamento Cristo identifica-se com a videira: «Eu sou a verdadeira vide». Deus vive no meio de nós não como patrão mas como linfa vital. Jesus é a linfa vital do mundo, que dá vida!

Evangelho segundo São João (Jo 15, 1-8)
     «Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Eu sou a verdadeira vide e meu Pai é o agricultor. Ele corta todo o ramo que está em Mim e não dá fruto e limpa todo aquele que dá fruto, para que dê ainda mais fruto. Vós já estais limpos, por causa da palavra que vos anunciei. Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós, se não permanecerdes em Mim. Eu sou a videira, vós sois os ramos. Se alguém permanece em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto, porque sem Mim nada podeis fazer. Se alguém não permanece em Mim, será lançado fora, como o ramo, e secará. Esses ramos, apanham-nos, lançam-nos ao fogo e eles ardem. Se permanecerdes em Mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes e ser-vos-á concedido. A glória de meu Pai é que deis muito fruto. Então vos tornareis meus discípulos».

SEGUNDA-FEIRA

Palavra - «Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Eu sou a verdadeira vide e meu Pai é o agricultor”».
        «Eu sou a verdadeira vide»: uma afirmação semelhante a tantas outras como: «Eu sou o verdadeiro pão do céu», «eu sou a luz do mundo». Estas afirmações têm um denotado tom polemico mas em todas, Jesus revela-se a si próprio como aquele que está disposto a dar-se totalmente.

Meditação
      «Eu sou…». Jesus de novo, diz-nos em pessoa quem é e revela-nos assim outros traços da sua identidade. Tantas vezes pensamos e refletimos: quem é Deus? Ele hoje de novo nos recorda «Eu sou a verdadeira vide e o meu Pai é o agricultor». Uma imagem simples e evidente da natureza que nos recorda o mistério da vida. Toca-nos a nós hoje refletimos sobre o que para nós significam estas palavras que ele hoje nos quer dirigir a cada um de nós.

Oração
       Ajuda-me Senhor a descobrir-te e a reconhecer-te sempre melhor. Tu nos falas, tu revelas-te, tu nos dizes «eu sou a verdadeira vide e o meu pai é o agricultor». Ajuda-nos também a descobrir a importância desta forte relação entre pai e filho, entre nós e tu. Ajuda-nos a descobrir-te como nosso agricultor, como verdadeira vide.

Ação
   Quem é o meu agricultor? Eu deixo-me trabalhar, deixo que o Senhor trabalhe em mim, na minha vida. Se ele é o agricultor, e ele para mim tem um plano de salvação, posso hoje refletir: «Senhor que queres de mim».

TERÇA-FEIRA

Palavra - «Ele corta todo o ramo que está em Mim e não dá fruto e limpa todo aquele que dá fruto, para que dê ainda mais fruto».
        A comparação videira-vinha é muito frequente no antigo testamento, e é uma das simbologias mais usadas para indicar o povo da aliança. No antigo testamento, na maioria dos casos, a simbologia da vinha evidencia o contraste entre o amor de Deus e a infidelidade de Israel. O texto de hoje recorda-nos que Jesus dá plenitude à esperança de Israel. Nele podemos dar fruto.

Meditação
     «para que dê ainda mais fruto». Aqui está o centro da mensagem de hoje. Deus chama-nos a frutificar, a dar fruto. Ele para nós tem um projeto de salvação, ele conta conosco, ele precisa de nós aqui e agora. Sou chamado assim a dar fruto porque os ramos da vinha, os ramos das árvores dão fruto. Dar fruto exige também deixar-se cultivar, deixar que o agricultor prepare tudo para a produção. Neste sentido a mensagem oferecida na simbologia da poda.

Oração
     Ajuda-nos Senhor nos momentos de esterilidade a recomeçar de ti, ajuda-nos a descobrir que de vez em quando temos que “podar” a nossa vida e recomeçar de novo da verdadeira vide. Ajuda-nos Senhor a descobrir-te nosso agricultor e ajuda-nos a descobrir em ti a verdadeira vide que nos leva a dar frutos.

Ação
        «para que dê ainda mais fruto». Este é também o objetivo das grandes empresas que apostam seriamente em crescer, que refletem com balanços e novos projetos. Porque não refletir hoje sobre o meu projeto pessoal de vida, que é aquela bússola que orienta o meu caminho? Se já refleti no passado sobre o meu projeto posso fazer uma revisão deste, senão é uma boa oportunidade para começar a elaborar o projeto pessoal de vida à luz da fé.

QUARTA-FEIRA

Palavra - «Vós já estais limpos, por causa da palavra que vos anunciei. Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós».
    A Palavra de Deus renova e purifica a vida. «Permanecei» é o grande convite que Jesus nos faz, ele hoje renova-nos assim o seu convite a permanecer, a ficar, a demorar com Ele, a construir e manter uma relação, a descobrir sempre mais que ele nos chama a viver no seu amor.

Meditação
      Ao pedido dos discípulos de Emaús para que ficasse «com» eles, Jesus responde com um dom muito maior: através do sacramento da Eucaristia encontrou o modo de permanecer «dentro» deles. Receber a Eucaristia é entrar em comunhão profunda com Jesus. «Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós» (Jo 15,4). Esta relação de íntima e recíproca «permanência» permite-nos antecipar de algum modo o céu na terra. Não é porventura este o maior anseio do homem? Não foi isso mesmo o que Deus Se propôs, ao realizar na história o seu desígnio de salvação? Ele colocou no coração do homem a «fome» da sua Palavra (cf. Am 8,11), uma fome que ficará saciada apenas na plena união com Ele. A comunhão eucarística foi-nos dada para «nos saciarmos» de Deus sobre esta terra, à espera da saciedade plena no céu (Cf. João Paulo II, Mane Nobiscum Domine, n.19)

Oração
 Obrigado, Senhor, pela tua presença constante ao meu lado! Obrigado porque permaneces sempre ao nosso lado de modo especial na Eucaristia, na tua Palavra, na comunidade.
 Obrigado porque Tu és a força no momento de fraqueza,
 a alegria no momento de tristeza.
 Tu és a paz na tribulação e na angústia,
 és a rocha que alicerça meus projetos,
 e o embalo harmonioso que me acalma nas noites de inquietação.
 Tu és a luz que ilumina o meu caminho
 e a luz que me faz caminhar.
 Tu envolves toda a minha vida e estás presente em cada momento que vacilo.
 Quando caio, me levantas;
 quando me decepciono, me animas;
 quando sinto medo, me fortaleces.
 Em ti confio Senhor e a todo momento agradeço a tua presença e me faz agora dizer:
 «Permanecei em Mim»

Ação
   Vou procurar um momento ao longo do dia para estar com ele, para permanecer nele. Um momento especial, fora do normal para dizer-lhe eu quero permanecer em ti.

QUINTA-FEIRA

Palavra - «Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós, se não permanecerdes em Mim. Eu sou a videira, vós sois os ramos».
        A comparação da vinha continua o seu curso. «Eu sou a videira, vós sois os ramos». Deste modo Jesus recorda-nos que dele vem a salvação, dele vem a seiva, dele vem a vida.

Meditação
   «O ramo não pode dar fruto por si mesmo». Quantas vezes temos a tentação de pensar que não precisamos de Deus. Jesus nos recorda hoje que sem ele não damos fruto. Jesus continua assim o seu convite a uma relação íntima que envolva todo o nosso ser.
    «Nele e por ele fomos regenerados no Espírito Santo, par produzirmos frutos de vida, não da vida antiga e envelhecida, mas daquela vida nova que procede do amor para com ele. Esta vida nova, porém, só poderemos conservá-la se nos mantivermos perfeitamente inseridos em Cristo, se aderirmos fielmente aos santos mandamentos que nos formam dados, se guardarmos com solicitude este título de nobreza adquirida e se não permitirmos que se entristeça o Espírito que habita em nós, quer dizer, Deus que por ele mora em nós. O evangelista João nos ensina sabiamente de que modo estamos em Cristo e ele em nós, quando diz: a prova de que permanecemos com ele, e ele conosco, é que ele nos deu o seu Espírito (1Jo 4,13).
          Assim como a raiz faz chegar aos ramos a sua seiva natural, também o Unigênito de Deus concede aos homens, sobretudo aos que lhe estão unidos pela fé, o seu Espírito. Ele os conduz à santidade perfeita, comunica-lhes a afinidade e parentesco com sua natureza e a do Pai, alimenta-os na piedade e dá-lhes a sabedoria de toda virtude e bondade» (São Cirilo de Alexandria).

Oração
 Perdão Senhor pelas vezes que te abandonei.
 Pelas vezes que neguei a tua presença.
 Pelas vezes que não quis permanecer em ti.
 Obrigado Senhor porque de novo me acolhes e me convidas a permanecer em Ti.

Ação
     Vou procurar dar algum fruto hoje. Que fruto o Senhor quer que eu produza hoje para o bem dos meus irmãos e irmãs? Talvez em pequeno gesto, uma palavra, um sorriso.

SEXTA-FEIRA

Palavra - «Se alguém permanece em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto, porque sem Mim nada podeis fazer. Se alguém não permanece em Mim, será lançado fora, como o ramo, e secará. Esses ramos, apanham-nos, lançam-nos ao fogo e eles ardem».
        O presente texto evidencia um conceito fundamental da teologia de São João. Cristo é o único Senhor e o centro da vida do homem. A separação é destinada à esterilidade. A nossa vida é destinada a este encontro: Criastes-nos para Vós [ó Senhor], e o nosso coração está inquieto, enquanto não descansar em Vós», escrevia Santo Agostinho (Confissões, I, 1).

Meditação
          «O Filho não pode fazer nada por sua conta» (Jo 5,19 e 30); “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5). Este “nada” que os discípulos partilham com Jesus exprime ao mesmo tempo a força e a fraqueza do ministério apostólico (Joseph card. Ratzinger). Nada! Esta palavra não pode passar desapercebida, pois é mesmo forte.
       «Sem mim nada podeis fazer» (Jo 15,5). Só podemos exercer a nossa missão com Jesus, deixando a ele a plena e soberana iniciativa. Não bastam as nossas capacidades, nem os nossos pobres esforços para sermos “enviados” por Jesus, como ele foi enviado pelo Pai (cf. Jo 13,20): é absolutamente necessário que vivamos com ele (cf. Mc 3,14), em plena comunhão com ele, e que procuremos sempre trabalhar como enviados que participam da única missão do Filho. Nós não possuímos nada de próprio para levar aos homens, nós não somos nada sem o Senhor que opera em nós e através de nós, não podemos fazer nada senão em obediência e comunhão como «Filho não pode fazer nada por si mesmo» (Jo 5,19).

Oração
       Vou procurar recordar e repetir ao longo do dia: «Tudo posso naquele que me dá força» (Fil 4,13) porque como diz Jesus «sem Mim nada podeis fazer».

Ação
     Jesus diz: “Sem mim nada podei fazer”. Tenho consciência disto? Deixo que Deus tenha uma presença ativa e decisiva nas minhas opções, nas minhas palavras, nos meus gestos?...

SÁBADO

Palavra - «Se permanecerdes em Mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes e ser-vos-á concedido. A glória de meu Pai é que deis muito fruto. Então vos tornareis meus discípulos».
      Jesus nos convida de novo a acolher a sua palavra para poder ser seus discípulos.

Meditação
      Se pedires Deus te dará. Se buscares, Deus te fará encontrar. Se bateres, Deus te abrirá a porta. Pois tudo o que pedes, recebes de Deus. O que buscas, encontras em Deus e, para quem bate, Deus abrirá as portas.

Oração
   Ajuda-nos Senhor a ser teus discípulos, ajuda-nos sempre mais a apropriar-nos desta palavra, apropriar-nos de ti, da tua vida, para que possamos ser teus verdadeiros discípulos. Discípulos convictos que sem ti nada podemos fazer.

Ação
        Neste ano da Palavra de Deus, procurarei estar mais atento à liturgia da Palavra e amanhã na Eucaristia dominical procurarei fazer um esforço especial pois Jesus fala-me diretamente a mim e quer comunicar comigo.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Santo Ângelo 
Pai e Protomartir da Ordem do Carmo.

Memória obrigatória - Comum dos mártires.

        Nasceu em Jerusalém em 1185, numa família de tradição judaica.
Seus pais, de idade avançada, converteram-se ao Cristianismo por causa de um sonho. Neste sonho, Nossa Senhora os visitou, dizendo que sua família receberia uma grande graça: o nascimento de uma nova criança. E assim aconteceu. Ângelo percebeu o chamado de Deus, e recebeu junto com seu irmão João, recém-nascido, a graça do santo Batismo.
Santo Ângelo se abriu à vontade de Deus através da vida de oração e penitência. Viveu em muitos conventos da Palestina e da Ásia Menor. Entrou para a Ordem do Carmo quando tinha apenas dezoito anos e, em 1213, foi ordenado sacerdote aos vinte e cinco. Recebeu muitas graças do Senhor, sobretudo o dom da profecia e dos milagres,
Ainda segundo a tradição, Ângelo saiu do monte Carmelo com os primeiros carmelitas que foram para Roma a fim de obter do papa Honório III a aprovação da Regra do Carmo e, depois, imigraram para a Sicília.
Em Roma, ao visitar a basílica de São João do Latrão, encontrou-se com  S. Domingos de Gusmão e S. Francisco de Assis, que lhe anunciaram a sua morte como mártir de Jesus Cristo.
                Dentre seus grandes feitos, o que mais se destaca é o trabalho de evangelização que manteve entre os hereges cátaros. A história narra que ele conseguiu converter até uma mulher que, antes disso, mantinha uma vida de pecados com um rico senhor do lugar.
No dia 5 de maio de 1220, Ângelo, um homem dócil e corajoso, fez sua última pregação na igreja de São Tiago de Licata, na Sicília. Nesse dia foi morto,  com apenas 34 anos, vítima daquele rico homem, que não se conformou com o abandono e a conversão de sua amante, encomendando o assassinato.           
Santo Ângelo, junto com Santo Alberto de Trapani, foram os dois primeiros santos canonizados da Ordem do Carmo e, por isso, é chamado um dos “Pais da Ordem”.

Oração:
Senhor, nosso Deus, força dos fiéis e coroa dos mártires, que conduzistes Santo Ângelo do Carmelo à glória do martírio, concedei-nos, por sua intercessão, que, imitando fielmente o seu exemplo, possamos oferecer até à morte o testemunho da vossa presença e da vossa bondade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

Leia, abaixo, a 6ª meditação do Mês de Maria.
MÊS DE MARIA

MEDITAÇÃO – 5º dia
CAPÍTULO 5 - A VIDA MARIANA É TOTALMENTE ORIENTADA PARA O REINO DE JESUS E PARA DEUS COMO NOSSO FIM ÚLTIMO

 Viver e morrer por amor a Maria deve ser orientado para viver e morrer por amor a Deus; nesta vida mariana não se busca “próprio interesse”.
Observe-se aqui, que viver e morrer por e para Maria deve ser ordenado e orientado por e para Deus. Deve-se dizer o mesmo sobre o culto, o amor e a veneração para com os santos. Assim como Maria está orientada, totalmente, de corpo e alma, para a glória de Deus e vive na eternidade para Deus, para Seu amor e glória; assim temos de viver e morrer por Maria, não como se ela fosse nosso fim último nem pensando ou procurando nosso próprio proveito ou outra coisa fora de Deus, mas com aquela finalidade exclusiva de que, vivendo e morrendo em Maria e por Maria, vivamos e morramos mais perfeitamente em Deus e por Deus. O reinado perfeito de Maria em nós anda junto com o Reino perfeito de Jesus, uma vez que o reino de Maria não está em disputa com o Reino de Jesus, mas está totalmente orientado para este Reino e consagrado ao mesmo. Por isso a pessoa, que ama a Deus e quer ser filha fiel desta terna Mãe, cuida com atenção e constância de que, em tudo o que fizer, a caridade e o amor de Deus derramados no coração dela pelo Espírito Santo que lhe foi dado (Rm 5,5) se estendam e fluam para Maria também. Numa inclinação suave, a alma se refugia em Maria, orienta-se amorosamente para Ela, pensando n’Ela, em todas as circunstâncias, com familiaridade e com veneração por Ela no coração. Este fluxo e refluxo e esta extensão do amor de Deus para a Mãe Amável voltam, refluem e chegam a Deus e não são concedidos e exercidos por nenhuma outra razão do que por amor a Deus. Isto se realiza com perfeição na alma quando é o Espírito de Deus que – no mais íntimo do nosso ser-move e dirige livremente todo este jogo de amor. Então, experimenta-se que esta vida por e para Maria não impede a vida por e para Deus, mas, ao contrário, é mais uma ajuda e estímulo constante para isto. Ou melhor dizendo, é um fluir do amor de Deus por meio de Maria e com Maria para Deus, um fluir que se funde no amor e repouso em Deus junto com a Mãe bondosa; ou ainda, esta vida de amor para com nossa Amável Mãe coexiste com a vida de amor para com Deus e repousa finalmente, como sua meta final, em Deus.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

MÊS DE MARIA

MEDITAÇÃO – 4º dia
CAPÍTULO 4 - A EXPERIENCIA MARIANA: O REINO DE MARIA E NÓS
Trata-se de viver, trabalhar, sofrer e morrer por amor a Deus; e isto é também viver, trabalhar, sofrer e morrer por amor a Maria, a nossa bondosa Mãe. De que maneira?
Como se pode deduzir pelo que foi dito anteriormente, a alma que ama a Deus também pode viver em Maria. Pode-se perguntar se cabe viver por amor a Maria, assim como é necessário viver por amor a Deus. E eu respondo: sim. A alma que ama Deus vive por e para Deus, ou seja, todas as suas atividades, esforços e afeições direcionam-se para a glorificação de Deus de acordo com a sua vontade e para o amor. Do mesmo modo a alma tenta viver com relação a Maria, isto é, todas as suas ações e paixões se orientam para Maria e para Seu serviço, glorificação e amor. Também Maria deve ser honrada, glorificada e amada. Deve-se promover o reino d’Ela, realizado e ampliado no Reino de Jesus, Seu Filho. Assim como nós vivemos, trabalhamos, sofremos e morremos por Jesus, assim também devemos viver, trabalhar, sofrer e morrer por Maria. Assim como Jesus deve ter o Seu Reino em nós, assim Maria deve também reinar em nós e dispor de nossos trabalhos e sofrimentos. Deste modo, Ela deve, com nossa colaboração, tomar posse total de Seu reino, cujo direito Ela possui como Rainha do céu e da terra e de todos os justos e santos. Este título que Ela não possuiria se não coubesse a Ela o poder de reinar sobre nós e nós não devêssemos viver segundo Sua complacência para Seu serviço e Sua glorificação. Assim São Pedro Tomás, uma “joia” da Ordem do Carmo, estabeleceu e venerou Maria como Rainha de sua alma, dedicando todo o seu trabalho e sua vida, continuamente, à glorificação e amor de Maria. Como sinal do reinado total d’Ela sobre ele, trazia gravado em seu coração o nome Santíssimo de Maria. O santo carmelita Gerardo, como sinal de que a reconhecia como sua Rainha, rezava diariamente o ofício da gloriosa Assunção de Maria ao céu para, continuamente pensar em Maria como Rainha do céu e da terra. Ele levou também Santo Estevão, rei da Hungria, e este reconhecimento e este consagrou, por isso, o seu reino a Ela como Rainha e ordenou que seus súditos a chamassem Senhora ou Rainha. Isto nos deve ensinar a orientar toda a nossa vida para a glorificação de Maria. Além disso, sendo Ela a Mãe de todos os eleitos, é evidente que nós devemos mostrar-lhe um afeto filial e terno amor em toda a nossa vida, trabalhos, sofrimentos e morte. Assim, Ela será nosso desejo, nosso ideal e nosso refúgio, estando convencidos que, enquanto vivemos, vivemos por esta Rainha e Mãe, enquanto morremos, morremos por esta Mestra e Mãe. Quer vivendo quer morrendo, queremos ser filhos desta Mãe. Por isso parece que a estou ouvindo dizer-nos: “Ainda que tivésseis dez mil amas ou madrastas, não tendes, todavia, muitas mães, pois Eu vos gerei em Cristo Jesus” (1Cor 4,15).

quarta-feira, 2 de maio de 2012

MÊS DE MARIA

MEDITAÇÃO – 3º dia
 CAPÍTULO 3  - O AMOR PARA COM DEUS, COMO PRINCÍPIO DA VIDA MARIANA

Trata-se do amor de Deus. Como este se orienta para a Mãe amável e faz com que a alma viva simultaneamente em Deus e em Maria; como a alma se comporta a respeito da Mãe de Deus, mesmo além de uma graça especial do espírito.
Quando este afeto terníssimo filial e cândido do coração para com a nossa terna Mãe se move na alma – sustentado pelo Espírito de Deus ou do Amor Divino – então tudo flui espontaneamente e até mesmo a natureza de homem parece transformada. Assim, ela se reveste de inocência, ternura, simplicidade e outras qualidades e inclinações de uma criança em relação à sua querida mãe. A alma se comporta a respeito de Maria, com inocência e candura. Então, “o amor de Deus é derramado no seu coração pela virtude do Espírito Santo, que lhe foi dado.” (Rm 5,5) E como é aquele mesmo espírito que move, dirige e anima a alma é o principal ator neste jogo de amor, assim também esta relação inocente e filial da alma com a Mãe amável não é outra coisa senão um transbordar do Divino Amor que se move na alma e a conduz suavemente à terna Mãe. Ao mesmo tempo este Divino Amor transbordante lança a alma de Maria, com grande mestria e com a mesma ternura amorosa. Assim a alma é arrastada por Maria até o oceano de Deus, sem necessidade de intermediários e sem impedimento algum ou confusão do espírito. E este amor para com Deus e para com Maria parece um só e mês o amor, como se fosse uma espécie de contínuo fluxo e refluxo divino, enquanto a alma, junto com a amável Mãe, descansa amorosa e calmamente em Deus. Ou melhor, dizendo: é “um e o mesmo Espírito” que opera e realiza este afeto de amor para com Deus e Maria “como e quando Ele quiser” (1 Cor12,11); enchendo-a de amor e transformando-a algumas vezes em esposa amantíssima, reclinada nos braços do seu Amado, e outras vezes em cândida criança no colo desta Mãe dulcíssima. Uma vez passado este transbordamento e operação do Espírito Santo ou do Amor Divino, o filho devoto de Maria fica com uma saudosa e amorosa recordação d’Ela e com uma inclinação amorosa para com a Mãe. Entretanto, não com tanto candor e ternura como antes, porém com um afeto mais racional, maduro e varonil. Sim, mesmo que a alma quisesse e pretendesse, não poderia mais comportar-se e agir de modo tão terno e amoroso como antes. Se o tentasse, pareceria artificial, enquanto que anteriormente o comportamento dela foi natural e espontâneo sem fingimento algum, porque foi movido pelo Espírito de Deus, que mora nela e opera de modo diverso segundo sua santa vontade, quando e como quiser (cf. 1Cor12,11).Dir-se-ia que há duas pessoas numa só alma, que alternativamente operam o que a cada uma corresponde sem artificialismo ou simulação, mas com toda a naturalidade, como se da mesma natureza brotasse ora uma coisa, ora outra. Assim, constantemente a alma fica admirada consigo mesma ao perceber e surpreender em si, num tempo tão curto, disposições e inclinações tão diferentes e contrárias, como se não fosse uma só e idêntica pessoa. Para que este jogo de amor não fique perturbado, a alma deve sempre prestar atenção às inclinações interiores e espontâneas e segui-las com toda a simplicidade sem forçar demais o seu espírito.

terça-feira, 1 de maio de 2012


MÊS DE MARIA

MEDITAÇÃO – 2º dia
CAPÍTULO 2 - A VIDA MARIANA SE DEIXA CONDUZIR EM TUDO POR UM AMOR FILIAL PARA COM A NOSSA MÃE CELESTE
Trata-se de viver em Deus, - o que pode ser simultaneamente - um viver em Maria. Tanto por uma graça especial, como por um hábito adquirido com a prática, pode-se viver esta vida mariano-divina nos trabalhos, nos sofrimentos e na morte.
Agora, nós vamos mostrar como a vida Deiforme ou Vida Divina em Deus também é vivida em Maria. Para viver em Deus temos que, em todas as nossas ações, omissões e paixões, tanto corporais como espirituais, causadas pelos homens ou pelos espíritos maus, proceder com atitude de reverência e amor, de modo delicado e livre, com o íntimo voltado para Deus, desejando-O como se vivêssemos tranquilamente em Sua presença. Assim, exatamente como o salvador deixava que todas as Suas obras as fizesse o Pai que n’Ele morava e, ao mesmo tempo, as realizava também Ele com o Pai, com suave, amorosa e reverencial inclinação de espírito para o Seu Pai Celeste. Do mesmo modo, podemos também viver em Maria, nossa mãe amantíssima, procurando em tudo o que fazemos ou sofremos, no que realizamos ou omitimos, nas nossas penas, dores, aflições e dificuldades, conservar e até fomentar em nós uma filial, terna e inocente elevação do nosso espírito, uma amorosa aspiração ou respiração para Maria como uma Mãe amantíssima e diletíssima em Deus. Deste modo, entre nós e Ela e, através d’Ela, entre nós e Deus, se estabelece um suave fluxo e refluxo de amor.
Isto parece realizá-lo, de vez em quando, o Espírito Santo na nossa alma mediante a difusão, redundância e transbordamento do amor de Deus para Maria e d’Ela de novo para Deus. Isto vemos acontecer com Santa Maria Madalena de Pazzi, que pela exuberância da divina caridade sempre se refugiava na Virgem, Mãe de Deus, como sua mãe dulcíssima, procurava saídas para a inclinação filial e manifestações de amor, cheia de ternura e candura, mesmo nos êxtases que o Espírito de Deus operava nela. Cheias desses exemplos são as vidas de vários santos, como São Bernardo, São Pedro Tomás, o Beato Herman Joseph e outros. Tal disposição operada espontaneamente pelo Espírito de Amor na alma ou pelo hábito adquirido por meio de atos contínuos de amor facilita esta inclinação para com nossa bondosa Mãe. Assim, uma doce e contínua recordação d’Ela enche a alma. De maneira similar a alma experimenta, em todas as suas atividades, uma recordação amorosa e reverencial de Deus; porque, pelo exercício fiel da fé e do amor, a alma adquire o costume ou hábito de ficar pensando, sempre em todos os lugares, na Presença de Deus e se torna repleta de um sentimento autêntico de amor por Deus, com tal facilidade que lhe parece impossível esquecer-se de Deus. Portanto, do mesmo modo, o filho de Maria pelo exercício contínuo de pensar n’Ela, como Sua Mãe Amável, adquire o hábito deste pensar filial e amoroso, de tal modo, que todos os seus pensamentos e sentimentos se orientem ao mesmo tempo para Ela e para Deus, e a alma nem pode esquecer Sua Mãe Amável nem tampouco a Deus. Tal hábito tinha adquirido o carmelita São Pedro Tomás, Patriarca de Constantinopla. Ele ficava totalmente voltado com filial inclinação para Maria, como Sua Mãe Amável, nas suas atividades e no exercício de suas elevadas funções e missões apostólicas. Ela, por sua parte, o envolveu sempre com maternal ternura e cuidado, consolando-o e fortificando-o.