1ª Leitura (Gal 3,1-5): Ó
gálatas insensatos, quem vos fascinou, depois de ter sido apresentada aos
vossos olhos a imagem de Jesus Cristo crucificado? Só quero que me respondais
ao seguinte: Foi por cumprirdes as obras da Lei de Moisés que recebestes o Espírito
Santo, ou porque ouvistes a mensagem da fé? Sois tão insensatos que, tendo
começado com o Espírito, acabais agora na carne? Foi em vão que recebestes
tantos dons? Se é que foi em vão! Aquele que vos dá o Espírito e realiza
milagres entre vós procede assim por cumprirdes as obras da Lei de Moisés, ou
porque ouvistes a mensagem da fé?
Salmo Responsorial: Lc 1
R. Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, que visitou e redimiu o seu povo.
O Senhor nos deu um Salvador poderoso, na casa de David, seu
servo, como prometeu pela boca dos seus santos, os profetas dos tempos antigos;
Para nos libertar dos nossos inimigos e das mãos daqueles
que nos odeiam; para mostrar a sua misericórdia a favor dos nossos pais,
recordando a sua sagrada aliança:
O juramento que fizera a Abraão, nosso pai, que nos havia de
conceder esta graça: de O servirmos um dia, sem temor, livres das mãos dos
nossos inimigos, em santidade e justiça na sua presença, todos os dias da nossa
vida.
Evangelho (Lc 11,5-13): Naquele
tempo, disse Jesus a seus discípulos: «Imaginai que um de vós tem um amigo e, à
meia-noite, o procura, dizendo: Amigo, empresta-me três pães, pois um amigo meu
chegou de viagem e nada tenho para lhe oferecer. O outro responde lá de dentro:
?Não me incomodes. A porta já está trancada. Meus filhos e eu já estamos
deitados, não posso me levantar para te dar os pães?. Digo-vos: mesmo que não
se levante para dá-los por ser seu amigo, vai levantar-se por causa de sua
impertinência e lhe dará quanto for necessário. Portanto, eu vos digo: pedi e
vos será dado; procurai e encontrareis; batei e a porta vos será aberta. Pois
todo aquele que pede recebe; quem procura encontra; e a quem bate, a porta será
aberta. Algum de vós que é pai, se o filho pedir um peixe, lhe dará uma cobra?
Ou ainda, se pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Ora, se vós, que sois maus,
sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do céu dará o
Espírito Santo aos que lhe pedirem!».
Hoje, o Evangelho é uma catequese de Jesus a respeito da oração. Afirma solenemente que o Pai sempre a escuta: «Pedi e vos será dado; procurai e encontrareis; batei e a porta vos será aberta» (Lc 11,9).
As vezes podemos pensar que a prática nos mostra que isso
não sempre acontece, que não sempre age assim. É necessário rezar com as
atitudes corretas!
A primeira é a constância, a perseverança. Devemos rezar sem
nos desanimar nunca, não obstante nos pareça que nossa súplica bate com um
rechaço, ou que não é escutada imediatamente. É a atitude daquele homem
inoportuno que a meia noite vai lhe pedir um favor ao seu amigo. Com sua
insistência recebe os pães que precisa. Deus é o amigo que escuta desde dentro
a quem é constante. Havemos de confiar em que acabará por nos dar o que
pedimos, porque além de ser amigo, é Pai.
A segunda atitude que Jesus nos ensina é a confiança e o
amor dos filhos. A paternidade de Deus ultrapassa imensamente à humana, que é
limitada e imperfeita: «Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos
vossos filhos, quanto mais o Pai do céu ... !» (Lc 11,13).
Terceira: Havemos de pedir principalmente o Espírito Santo e
não somente coisas materiais. Jesus nos anima a pedi-lo, assegurando-nos que o
receberemos: «...quanto mais o Pai do céu dará o Espírito Santo aos que lhe
pedirem!» (Lc 11,13). Esta petição sempre é escutada. É como pedir a graça da
oração, já que o Espírito Santo é sua fonte e origem.
O beato frade Gil de Asís, colega de São Francisco, resume a
ideia de esse Evangelho quando diz: «Reze com fidelidade e devoção, porque uma
graça que Deus não lhe deu uma vez, pode dá-la em outra ocasião. Por sua conta
põe humildemente toda a mente em Deus e, Deus porá em você sua graça, conforme
lhe praza».
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«A tua verdade disse que se chamarmos nos responderão, que se pedirmos, receberemos: — Ó Pai Eterno, os teus servos clamam. Responde-lhes!» (Santa Catarina de Sena)
«Quando precisamos de ajuda, Jesus não nos diz para nos
resignarmos e fecharmo-nos em nós mesmos, mas para nos voltarmos para o Pai e
Lhe pedirmos com confiança todas as nossas necessidades, desde aquelas que são
mais evidentes e cotidianas» (Papa Francisco)
«O Espírito Santo, que ensina a Igreja e lhe recorda tudo o
que Jesus disse, também a educa para a vida de oração, suscitando expressões
que se renovam no âmbito de formas permanentes: bênção, petição, intercessão, ação
de graças e louvor.» (Catecismo da Igreja Católica, nº 2644)
* O evangelho de hoje dá continuidade ao assunto da
oração, iniciado ontem com o ensinamento do Pai Nosso (Lc 11,1-4). Hoje
Jesus ensina que devemos rezar com fé e insistência, sem esmorecer. Para isto
ele usa uma parábola provocadora.
* Lucas 11,5-7: A parábola que provoca. Como de
costume, quando ele tem uma coisa importante para ensinar, Jesus recorre a uma
comparação, uma parábola. Hoje ele nos conta uma história curiosa que termina
em pergunta, e ele dirige esta pergunta ao povo que o escutava e também a nós
que hoje lemos ou escutamos a história: "Se alguém de vocês tivesse um
amigo, e fosse procurá-lo à meia-noite, dizendo: 'Amigo, me empreste três pães,
porque um amigo meu chegou de viagem, e não tenho nada para oferecer a ele'.
Será que lá de dentro o outro responderia: 'Não me amole! Já tranquei a porta,
meus filhos e eu já nos deitamos; não posso me levantar para lhe dar os
pães?” Antes de Jesus mesmo dar a
resposta, ele quer que você dê a sua opinião. O que você responderia: sim ou
não?
* Lucas 11,8: Jesus mesmo responde à provocação. Jesus
dá a sua resposta: “Eu declaro a vocês: mesmo que o outro não se levante para
dar os pães porque é um amigo seu, vai levantar-se ao menos por causa da
amolação, e dar tudo aquilo que o amigo necessita”. Se não fosse Jesus, será
que você teria a coragem de inventar uma história na qual se sugere que Deus
atende às nossas orações para ver-se livre da amolação? A resposta de Jesus
reforça a mensagem sobre a oração, a saber: Deus atende sempre à nossa oração.
Esta parábola lembra a outra, também em Lucas, da viúva que insiste em
conseguir seus direitos junto ao juiz ateu que não se importa com Deus nem com
a justiça e que atende à viúva não porque quer ser justo, mas porque quer
ver-se livre da amolação da mulher (Lc 18,3-5). Em seguida, Jesus tira duas conclusões
para aplicar a mensagem da parábola na vida.
* Lucas 11,9-10: A primeira aplicação da Parábola. “Portanto,
eu lhes digo: peçam, e lhes será dado! Procurem, e encontrarão! Batam, e
abrirão a porta para vocês! Pois, todo aquele que pede, recebe; quem procura,
acha; e a quem bate, a porta será aberta”. Pedir, procurar, bater! Jesus não
coloca condição. Se você pedir, vai receber. Se você procurar, vai encontrar.
Se você bater na porta, ela vai ser aberta. Jesus não diz quanto tempo vai
durar o pedir, o buscar, o bater, mas é certo que vai ter resultado.
* Lucas 11,11-12: A segunda aplicação da parábola. “Será
que alguém de vocês que é pai, se o filho lhe pede um peixe, em lugar do peixe
lhe dá uma cobra? 12 Ou ainda: se pede
um ovo, será que vai lhe dar um escorpião?”
Esta segunda aplicação deixa transparecer o público que escutava as
palavras de Jesus e também o jeito de ele ensinar em forma de diálogo. Ele
pergunta: “Vocês que são pais, quando o filho pede um peixe, vocês dão uma
cobra?” O povo responde: “Não!” – “E se pede um ovo, vocês dão um
escorpião?” - “Não!” Por meio do diálogo, Jesus envolve as pessoas
na comparação e, pela resposta que recebe delas, ele as compromete com a
mensagem da parábola.
* Lucas 11,13: A mensagem: receber o dom do Espírito
Santo. “Se vocês, que são maus, sabem dar coisas boas aos filhos, quanto
mais o Pai do céu! Ele dará o Espírito Santo àqueles que o pedirem." O dom máximo que Deus tem para nós é o dom do
Espírito Santo. Quando fomos criados, ele soprou o seu espírito nas nossas
narinas e nós nos tornamos um ser vivente (Gn 2,7). Na segunda criação através
da fé em Jesus, ele nos dá novamente o Espírito, o mesmo Espírito que fez com
que a Palavra se encarnasse em Maria (Lc 1,35). Com a ajuda do Espírito Santo,
o processo da encarnação da Palavra continuou até à hora da morte da Cruz. No
fim, na hora da morte, Jesus devolveu o Espírito ao Pai: “Em tuas mãos entrega
o meu espírito” (Lc 23,46). É este Espírito que Jesus nos prometeu como fonte
de verdade e de compreensão (Jo 14,14-17; 16,13), e como ajuda no meio das
perseguições (Mt 10,20; At 4,31). Este Espírito não se compra a preço de
dinheiro nos shopping centros. A única maneira de consegui-lo é através da
oração. Foram nove dias de oração que conseguiu o dom abundante do Espírito no
dia de Pentecostes (At 1,14; 2,1-4).
Para um confronto pessoal
1) Como você responde à provocação da parábola? Uma pessoa que vive num apartamento pequeno em cidade grande, como ela responderia? Abriria a porta?
2) Quando você reza, reza com a convicção de conseguir o que pede?
R. Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, que visitou e redimiu o seu povo.
Aleluia. Abri, Senhor, o nosso coração, para recebermos a
palavra do vosso Filho. Aleluia.
«O Pai do céu dará o Espírito Santo aos que lhe pedirem»
Frei Josep Mª MASSANA i Mola OFM (Barcelona, Espanha)
Hoje, o Evangelho é uma catequese de Jesus a respeito da oração. Afirma solenemente que o Pai sempre a escuta: «Pedi e vos será dado; procurai e encontrareis; batei e a porta vos será aberta» (Lc 11,9).
«A tua verdade disse que se chamarmos nos responderão, que se pedirmos, receberemos: — Ó Pai Eterno, os teus servos clamam. Responde-lhes!» (Santa Catarina de Sena)
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
1) Como você responde à provocação da parábola? Uma pessoa que vive num apartamento pequeno em cidade grande, como ela responderia? Abriria a porta?
2) Quando você reza, reza com a convicção de conseguir o que pede?
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