Santo Antônio Maria Zacarias,
presbítero
1ª Leitura (Zac 9,9-10): Eis
o que diz o Senhor: «Exulta de alegria, filha de Sião, solta brados de júbilo,
filha de Jerusalém. Eis o teu Rei, justo e salvador, que vem ao teu encontro,
humildemente montado num jumentinho, filho duma jumenta. Destruirá os carros de
combate de Efraim e os cavalos de guerra de Jerusalém; e será quebrado o arco
de guerra. Anunciará a paz às nações: o seu domínio irá de um mar ao outro mar
e do Rio até aos confins da terra».
Salmo Responsorial: 144
R. Louvarei para sempre o vosso nome, Senhor, meu Deus e
meu Rei.
Quero exaltar-Vos, meu Deus e meu Rei, e bendizer o vosso
nome para sempre. Quero bendizer-Vos, dia após dia, e louvar o vosso nome para
sempre.
O Senhor é clemente e compassivo, paciente e cheio de
bondade. O Senhor é bom para com todos e a sua misericórdia se estende a todas
as criaturas.
Graças Vos deem, Senhor, todas as criaturas e bendigam-Vos
os vossos fiéis. Proclamem a glória do vosso reino e anunciem os vossos feitos
gloriosos.
O Senhor é fiel à sua palavra e perfeito em todas as suas
obras. O Senhor ampara os que vacilam e levanta todos os oprimidos.
2ª Leitura (Rom 8,9.11-13): Irmãos:
Vós não estais sob o domínio da carne, mas do Espírito, se é que o Espírito de
Deus habita em vós. Mas se alguém não tem o Espírito de Cristo, não Lhe
pertence. Se o Espírito d’Aquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos
habita em vós, Ele, que ressuscitou Cristo Jesus de entre os mortos, também
dará vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós.
Assim, irmãos, não somos devedores à carne, para vivermos segundo a carne. Se
viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito fizerdes morrer as
obras da carne, vivereis.
Aleluia. Bendito sejais, ó Pai, Senhor do céu e da terra,
porque revelastes aos pequeninos os mistérios do reino. Aleluia.
Evangelho (Mt 11,25-30): Naquela
ocasião, Jesus pronunciou estas palavras: «Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da
terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste
aos pequeninos. Sim, Pai, assim foi do teu agrado. Tudo me foi entregue por meu
Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o
Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Vinde a mim, todos vós que
estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre
vós o meu jugo e sede discípulos meus, porque sou manso e humilde de coração, e
encontrareis descanso para vós. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve».
«Vinde a mim, todos vós que estais cansados e carregados
de fardos, e eu vos darei descanso»
P. Antoni POU OSB Monge de Montserrat (Montserrat,
Barcelona, Espanha)
Hoje, Jesus mostra-nos duas realidades que o definem: Ele é
quem conhece o Pai em toda a profundidade, e é «manso e humilde de coração» (Mt
11,29). Também aí podemos descobrir duas atitudes necessárias para poder
entender e viver o que Jesus nos oferece: a simplicidade e o desejo de nos
aproximarmos d’Ele.
Entrar no mistério do Reino é difícil, muitas vezes, para os
sábios e entendidos, porque não estão abertos à novidade da revelação divina;
Deus não deixa de se manifestar, mas eles pensam que já sabem tudo e, portanto,
Deus já não consegue surpreendê-los. Pelo contrário, os simples, como as
crianças nos seus melhores momentos, são receptivos, são como uma esponja que
absorve a água, têm capacidade de surpresa e de admiração. Também há excepções,
até há homens doutos em ciências humanas que são humildes no que se refere ao
conhecimento de Deus.
Jesus encontra o seu repouso no Pai, e a sua paz pode ser
refúgio para todos os que foram maltratados pela vida: «Vinde a mim, todos vós
que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso» (Mt
11,28). Jesus é humilde e a humildade é irmã da simplicidade. Quando aprendemos
a ser felizes através da simplicidade, então desfazem-se muitas complicações,
desaparecem muitas necessidades, e podemos enfim descansar. Jesus convida-nos a
segui-Lo; não nos engana: estar com Ele é levar o seu jugo, assumir as
exigências do amor. O sofrimento não nos será poupado, mas o seu fardo é leve,
porque o nosso sofrimento não será causado pelo nosso egoísmo, mas apenas
sofreremos o que seja necessário, por amor e com a ajuda do Espírito. Além
disso, não esqueçamos que «as tribulações que se sofrem por Deus são suavizadas
pela esperança» (Sto. Efrem).
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Vamos realmente impor a nós próprios o trabalho de aprender
a lição da santidade de Jesus, cujo coração era manso e humilde. A primeira
lição desse coração é um exame de consciência; o resto – amor e serviço –
segue-se imediatamente —amor e serviço— segue-se imediatamente» (Santa Teresa
de Calcutá)
«Jesus faz-nos conhecer o Pai. E para quem Ele revela isto?
Só quem tem coração de criança é capaz de receber esta revelação» (Francisco)
«O Reino é dos pobres e pequenos, quer dizer, dos que o
acolheram com um coração humilde (…). [Jesus] identifica-se com os pobres de
toda a espécie, e faz do amor ativo para com eles a condição da entrada no seu
Reino» (Catecismo da Igreja Católica, nº 544)
“Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração.”
Fr. Pedro Bravo, O.Carm.
Após o “discurso da missão” (9,36-11,1), Mateus introduz uma
secção narrativa, onde apresenta as reações e as atitudes que diversas pessoas
e grupos têm perante Jesus e o Evangelho do Reino (11,2-12,50). É nesta secção
que se insere o presente texto. Ele compõe-se de três “ditos” de Jesus: os dois
primeiros (vv. 25-27) são comuns a Lucas (Lc 10,21-22) e o terceiro (vv. 28-30)
é exclusivo de Mateus.
* v. 25. Jesus tomou a palavra e disse: «Louvo-te, Pai,
Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e
entendidos e as revelaste aos pequeninos. O primeiro dito de Jesus é uma
“confissão pública de louvor” (he. todah; gr. exomológesis; lat. confessio: Sl
95,2; 100,1.4; 136,26; Tb 12,6.22; 13,7; Sir 51,1) de Jesus a Deus. Jesus
invoca-o como “Pai” (5x, aqui) e confessa ser o único (cf. v. 27: “tudo”)
“Senhor do céu e da terra” (cf. 28,18; Js 2,11; 1Rs 8,23; 1Cr 29,11; Ne 9,6;
Est 4,17c; Jon 1,9; Is 45,18; Jr 23,24).
* Jesus louva o Pai porque escondeu (gr. kryptô:
“ocultou”) “estas coisas”, ou seja, “os mistérios do Reino dos céus” (13,11) –
guardados desde toda a eternidade em Deus (cf. 10,26; 13,35; Rm 16,25; 1Cor
2,7; Ef 3,9; Cl 1,26s; 2,2s; 1Tm 3,16) e agora revelados por Ele aos homens –,
“aos sábios e entendidos” (Is 29,14!), ou seja, aos fariseus, escribas e
doutores da Lei, que se consideravam justos, conhecedores e cumpridores da Lei
(“sábios”), que interpretam a Palavra de Deus à sua maneira, que confiavam nos
seus méritos e se apresentavam a si mesmos como exemplo para os outros, quando,
na realidade, não ajudavam, mas impediam as pessoas de chegar a Deus,
sobrecarregando-as com as suas normas que não passavam de preceitos humanos
(cf. 15,9; Is 29,13).
* “Mas as revelaste” (gr. apolalýpto: “des-cobrir”),
por Tua graça. “Aos pequeninos” (gr. népios, criança dos 3-7 anos: 21,16), ou
seja, aos simples, sem instrução (cf. Sr 51,23), aos que se arrependem,
reconhecendo que são pecadores, necessitados de salvação (cf. v. 20; 3,9), e
que, por isso, se abrem a Jesus e acolhem com alegria a sua Palavra (cf. 18,3;
19,14).
* v. 26. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado. É
nestes “pequeninos” que o Pai se “compraz” (cf. 18,10), pois é com eles que
Jesus, seu Filho, se identifica (cf. 18,5; 25,40.45).
* v. 27. Tudo Me foi entregue por meu Pai; ninguém
conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a
quem o Filho O quiser revelar. O segundo dito de Jesus relaciona-se com o
anterior. É uma “fórmula de revelação” onde Jesus mostra o que é que foi
escondido aos “sábios e entendidos” e revelado aos “pequeninos”: “o mistério”
do Reino de Deus, ou seja, o desígnio salvífico de Deus, em Jesus Cristo (cf.
Ef 1,9s).
* “Tudo” – a revelação definitiva de Deus, do
seu desígnio salvífico, a redenção do homem e a obra de salvação – foi
“entregue” pelo Pai a Jesus (cf. 28,18; Dn 7,14; Jo 3,35; 13,3), porque Ele é
“o Filho”, a “expressão da sua substância” (Hb 1,3).
* Os “sábios e entendidos” pensavam que bastava
esmiuçar a Lei, para conhecer Deus e fazer a sua vontade. Jesus diz que a
vontade de Deus é que todos reconheçam Deus como Pai e O reconheçam a Ele como
o seu Filho eterno (cf. Jo 17,3).
* “Conhecer” (gr. epiginôskô: “conhecer exatamente”;
“reconhecer”) não significa apenas “conhecer”, ter a experiência pessoal,
íntima, de Deus, numa vida em união com Ele, mas também “reconhecer”,
“perceber” que Deus e Jesus têm uma relação única, exclusiva e divina entre si,
em que Deus é “o Pai” de Jesus, e Jesus “o Filho” unigénito, o único que leva
ao Pai e O dá a conhecer (Jo 1,18; 14,6) de forma plena e definitiva, pois só
Ele, Deus feito homem (1,23), é a revelação do Pai.
* v. 28. Vinde a Mim todos os que andais cansados e
oprimidos e Eu vos darei descanso. O terceiro dito (vv. 28-30), exclusivo
de Mateus, é um convite, uma exortação sapiencial de Jesus a vir a Ele. No seu
tríplice apelo – a) “vinde a Mim”, b) “tomai o meu jugo” e c) “aprendei de mim”
–, Jesus aplica a si mesmo as palavras da sabedoria divina (Sr 24,14;
51,23.26s), apresentando-se implicitamente como a sabedoria de Deus encarnada
(cf. 11,19; 12,42).
* Este convite dirige-se: a)
a “todos”, não só aos judeus, mas também aos gentios; b) “que estão cansados” (lit. “exaustos”),
buscando, com trabalho árduo, o que não sacia (cf. Is 55,2); c) “e oprimidos” pelo fardo da Lei – tornado
insuportável pelos rabinos (cf. v. 30; 23,4) –, o “jugo da escravidão” que
sobre eles pesava (cf. Gl 5,1; Sr 40,1; Hb 2,15).
* Ao convite, segue-se a promessa: “E Eu vos darei
descanso”, ou seja, vos restaurarei (gr. anapaúô: v. 29), dando-vos o efetivo
repouso sabático, regenerador (cf. Ex 23,12; Dt 5,14), do Espírito Santo (cf.
Is 11,2), que vos libertará de todos os vossos inimigos (cf. 2 Sm 7,11; 1Cr
22,9), vos curará e salvará, saciando-vos com o meu manjar (cf. 26,26ss; Ez
34,14s; Sl 23), para que possais caminhar na presença de Deus (cf. Ex 33,14),
segundo a minha Palavra (cf. Jr 6,16), gozando da verdadeira paz (cf. Is 32,18;
Cl 1,19s; Ef 2,14-18).
* v. 29. Tomai o meu jugo sobre vós e aprendei de mim,
que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas
almas. Os rabinos aplicavam a imagem do “jugo” à Lei de Deus, a suprema
norma de vida (cf. Sir 51,26-27;6,24-30). Embora sustentassem que a Lei não era
um “jugo” pesado, na realidade tinham feito dela um “jugo” pesadíssimo, pois
ninguém conseguia cumprir todos os 613 mandamentos da Lei escrita e oral (cf.
At 15,10; Rm 2,17-23). Sendo o jugo uma peça de madeira grossa, adaptada ao
cachaço de dois animais, que serve para os apor ao carro ou ao arado, a imagem
sugere um trabalho (cf. Jo 6,27ss), a ser feito pelo discípulo em conjunto com
Jesus neste caso, o de pôr em prática a Sua palavra, o Evangelho.
* Quem toma o jugo de Jesus, é libertado por Ele da
escravidão da Lei, para O seguir, como seu único Mestre e Guia (23,9.11), dele
aprendendo a viver segundo o Evangelho. A este, Jesus convida-o a entrar na sua
escola, para dele aprender a ser um verdadeiro discípulo seu, sendo manso e
humilde como Ele, que o é, bem mais do que Moisés (Nm 12,3!).
* “Manso” (Mt, 3x: 5,5; 21,5) é aquele que é dócil na
sua relação com o próximo (cf. 1Pd 3,4s) e que, mesmo quando é insultado ou
privado dos seus direitos, não replica, nem alimenta sentimentos de ódio ou de
vingança. Jesus é o “Servo de Iavé” que não levanta a voz (12,18-21; Is 42,2) e
que, como “manso cordeiro” que não abre a boca, será conduzido ao matadouro
(cf. Jr 11,19; Is 53,1-12), levando a cabo, sem desanimar, nem desfalecer, a
sua missão de libertar o homem da escravidão do pecado (cf. Ez 34,27), até que
a sua salvação chegue aos confins da terra (cf. Is 42,4).
* “Humilde” é o “pobre em espírito” (5,3) que,
cônscio da sua fraqueza e impotência, não ambiciona o que é alto (cf. Rm
12,16), mas aceita a realidade, a sua condição de criatura (cf. Tg 1,9),
assumindo a sua dependência de Deus, reconhecendo que Deus é tudo e que tudo o
que ele é, pode e tem é dom de Deus, aspirando apenas a fazer o que Lhe é
agradável (cf. Sf 2,3; 3,12; 1 Pd 5,5), apoiado na Sua graça (cf. 2Cor 12,9s).
* Jesus é “manso e humilde de coração”, no seu
íntimo, diante de Deus, a partir da raiz do seu ser. Porém, só o reconhecem,
dele aprendem e nele “encontram descanso” (v. 28), os “pequeninos” (v. 25) que
acolhem a revelação do Pai (cf. 16,17).
* v. 30. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve».
Para estes, torna-se suave o jugo, e leve, agradável, o fardo que Jesus
impõe aos seus seguidores (cf. 1Jo 5,3), ou seja, o Espírito Santo, que não
sobrecarrega, mas antes cura, liberta, renova e salva os que creem em Jesus,
fazendo‑os
caminhar numa vida nova (cf. Rm 7,6; 8,1-17; Gl 5,1. 18; 2Cor 3,17s), indo ao
encontro de Jesus com fé
viva, esperança firme e
caridade ardente, na expectativa da plenitude final (cf. Rm 8,21).
MEDITAÇÃO
1. Como cheguei a Deus? Já experimentei o seu amor de
Pai? Como ajudar os outros a fazer uma experiência íntima e profunda de Deus?
2. O Senhor está sempre presente nas nossas vidas.
Entrego-me a Ele como meu único Senhor e Salvador?
3. Como me situo face ao amor do Pai e à sua proposta
em Jesus? Fico fechado no meu comodismo e instalação, orgulho e
autossuficiência, olhando para trás e para o que os outros fazem, ou estou
aberto e atento à novidade de Jesus, a fim de perceber a sua vontade, imitar os
seus gestos e seguir os seus caminhos?
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