Rainha Santa Isabel de
Portugal
Beata Maria Crucificada Cúrcio,
virgem de nossa Ordem
são Pedro Jorge Frassáti,
leigo
1ª Leitura (Am 9,11-15): Eis
o que diz o Senhor: «Naquele dia voltarei a erguer a tenda arruinada de David,
repararei as suas brechas, restaurarei as suas ruínas e reconstruí-la-ei como
nos tempos de outrora. Assim poderão conquistar o resto de Edom e de todas as
nações em que o meu nome foi proclamado, – diz o Senhor, que cumprirá a sua
palavra –. Dias virão – diz o Senhor – em que o homem que lavra seguirá de
perto o que ceifa e o que pisa as uvas seguirá de perto aquele que planta. O
vinho novo jorrará dos montes e escorrerá das colinas. Farei voltar os cativos
do meu povo de Israel: eles reconstruirão as cidades devastadas e habitarão
nelas, plantarão vinhas e beberão o seu vinho, cultivarão pomares e comerão os
seus frutos. Plantá-los-ei na sua terra e não mais serão arrancados da terra
que Eu lhes dei» – diz o Senhor, teu Deus.
Salmo Responsorial: 84
R. O Senhor anuncia a paz ao seu povo.
Escutemos o que diz o Senhor: Deus fala de paz ao seu povo e
aos seus fiéis e a quantos de coração a Ele se convertem.
Encontraram-se a misericórdia e a fidelidade, abraçaram-se a
paz e a justiça. A fidelidade vai germinar da terra e a justiça descerá do Céu.
O Senhor dará ainda o que é bom e a nossa terra produzirá os
seus frutos. A justiça caminhará à sua frente e a paz seguirá os seus passos.
Aleluia. As minhas ovelhas escutam a minha voz, diz o
Senhor; Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me. Aleluia.
Evangelho (Mt 9,14-17): Aproximaram-se
de Jesus os discípulos de João e perguntaram: «Por que jejuamos, nós e os
fariseus, ao passo que os teus discípulos não jejuam?». Jesus lhes respondeu:
«Acaso os convidados do casamento podem estar de luto enquanto o noivo está com
eles? Dias virão em que o noivo lhes será tirado. Então jejuarão. Ninguém põe
remendo de pano novo em roupa velha, porque o remendo novo repuxa o pano velho
e o rasgão fica maior ainda. Também não se põe vinho novo em odres velhos,
senão os odres se arrebentam, o vinho se derrama e os odres se perdem. Mas
vinho novo se põe em odres novos, e assim os dois se conservam».
«Dias virão em que o noivo lhes será tirado. Então
jejuarão»
Rev. D. Joaquim FORTUNY i Vizcarro (Cunit, Tarragona,
Espanha)
Hoje notamos os novos tempos que se iniciam com Jesus, a sua
nova doutrina que é ensinada com autoridade, e, como todas as coisas novas,
vemos como elas chocam e questionam a realidade e os valores dominantes na
sociedade. Assim, nas páginas que precedem o Evangelho que estamos
contemplando, vemos a Jesus perdoando os pecados, o paralítico sendo curado e,
ao mesmo tempo, acompanhamos como isso escandaliza os fariseus. Vemos também
Jesus, chamado à casa de Mateus, o cobrador de impostos, comendo com eles outros
publicanos e pecadores, o que fez os fariseus “subir pelas paredes”. No
Evangelho de hoje são os discípulos de João que se aproximam de Jesus porque
não compreendem que Ele e seus discípulos não jejuem.
Jesus que nunca deixa a ninguém sem resposta, lhes dirá:
«Acaso os convidados do casamento podem estar de luto enquanto o noivo está com
eles? Dias virão em que o noivo lhes será tirado. Então jejuarão» (Mt 9,15). O
jejum era, e é, uma prática penitencial que contribui para «adquirir o domínio
sobre nossos instintos e a liberdade de coração» (Catecismo da Igreja Católica,
n. 2043) e a implorar à misericórdia divina. Mas nesses momentos, a
misericórdia e o amor infinito de Deus estavam no meio deles com a presença de
Jesus, o Verbo Encarnado. Como podiam jejuar? Só havia uma atitude possível: a
alegria, o gozo pela presença de Deus feito homem. Como poderiam jejuar se
Jesus havia revelado uma maneira nova de relacionar-se com Deus, um espírito
novo que rompia com todas aquelas maneiras antigas de viver?
Hoje Jesus está: «Eis que estou convosco todos os dias, até
o fim dos tempos» (Mt 28,20) e também não está, porque voltou ao Pai e por isso
clamamos: Vem Senhor Jesus!
Estamos vivendo tempos de expectativa. Por isso, convém
renovar-nos a cada dia, com o espírito novo de Jesus, desprendendo-nos de
nossas rotinas, jejuando de tudo aquilo que nos impeça de avançar a uma
identificação plena com Cristo, à santidade. «Justo é nosso choro —nosso jejum—
se queimamos em desejos de vê-lo» (Santo Agostinho).
À Santa Maria, supliquemos que nos outorgue as graças que
necessitamos para viver a alegria de nos sabermos filhos amados de Deus.
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«O jejum é o timoneiro da vida humana e governa todo o navio
do nosso corpo» (São Pedro Crisólogo)
«Ao vinho novo, odres novos. E por esta razão, a Igreja pede
a todos nós que façamos algumas mudanças, pede-nos que ponhamos de lado as
estruturas perecíveis: não servem para nada! E abraçar outras novas, as do
Evangelho» (Francisco)
«Os leigos realizam a sua missão profética também pela
evangelização, isto é, pelo anúncio de Cristo, concretizado no testemunho da
vida e na palavra´. Para os leigos, esta ação evangelizadora adquire um
carácter específico e uma particular eficácia, por se realizar nas condições
ordinárias da vida secular´ (Concilio Vaticano II)» (Catecismo da Igreja
Católica, nº 905)
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
* Mateus 9,14: A pergunta dos discípulos de
João em torno da prática do jejum. O jejum é um costume muito antigo,
praticado por quase todas as religiões. O próprio Jesus o praticou durante
quarenta dias (Mt 4,2). Mas ele não insiste com os discípulos para que façam o
mesmo. Deixa a eles a liberdade. Por isso, os discípulos de João Batista e dos
fariseus, que eram obrigados a jejuar, querem saber porque Jesus não insiste no
jejum: "Nós e os fariseus fazemos jejum. Por que os teus
discípulos não fazem jejum?"
* Mateus 9,15: A resposta de Jesus. Jesus
responde com uma comparação em forma de pergunta: “Vocês acham que os
amigos do noivo podem estar de luto, enquanto o noivo está com eles?” Jesus
associa o jejum com luto, e ele se considera o noivo. Enquanto o noivo está com
os amigos do noivo, isto é, durante a festa do casamento, estes não precisam
jejuar. Durante o tempo em que ele, Jesus, estiver com os discípulos, é festa
de casamento. Não precisam nem podem jejuar. Um dia, porém, o noivo vai ser
tirado. Será um dia de luto. Aí, se quiserem, poderão jejuar. Jesus alude à sua
morte. Sabe e sente que, se ele continuar neste caminho de liberdade, as
autoridades vão querer matá-lo.
* Mateus 9,16-17: Vinho novo em odre
novo! Nestes dois versículos, o evangelho de Mateus traz duas sentenças
soltas de Jesus sobre o remendo novo em pano velho e sobre o vinho novo em odre
novo. Estas palavras jogam uma luz sobre as discussões e conflitos de Jesus com
as autoridades religiosas da época. Não se coloca remendo de pano novo em roupa
velha. Na hora de lavar, o remendo novo repuxa o vestido velho e o estraga mais
ainda. Ninguém coloca vinho novo em odre velho, porque o vinho novo pela
fermentação faz estourar o odre velho. Vinho novo em odre novo! A religião
defendida pelas autoridades religiosas era como roupa velha, como odre velho.
Tanto os discípulos de João como os fariseus, os dois procuravam renovar a
religião. Na realidade, porém, faziam apenas remendos e, por isso, corriam o perigo
de comprometer e estragar tanto a novidade deles como os costumes antigos. Não
se deve querer combinar o novo que Jesus trouxe com os costumes antigos. Ou um,
ou outro! O vinho novo que Jesus trouxe faz estourar o odre velho. Tem que
saber separar as coisas. Muito provavelmente, Mateus traz estas palavras de
Jesus para orientar as comunidades dos anos 80. Havia um grupo de
judeu-cristãos que queriam reduzir a novidade de Jesus ao tamanho do judaísmo
de antes da vinda de Jesus. Jesus não é contra o que é “velho”. O que ele não
quer é que o velho se imponha ao novo e,
assim, o impeça de manifestar-se. Não se pode reler o Vaticano II com
mentalidade pré-conciliar, como alguns procuram fazer hoje.
Para um confronto pessoal
1. Quais os conflitos em torno de práticas religiosas
que, hoje, trazem sofrimento para as pessoas e são motivo de muita discussão e
polêmica? Qual a imagem de Deus que está por trás de todos estes preconceitos,
normas e proibições?
2. Como entender a frase de Jesus: “Não colocar
remendo de pano novo em roupa velha”? Qual a mensagem que você tira de tudo
isto para a sua comunidade hoje?
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