Sta. Catarina de Sena, virgem
e doutora da Igreja
Bto Nicolau de Narbonne, presbítero
e 8º Prior Geral de nossa Ordem
1ª Leitura (At 12,24—13,5): Naqueles
dias, a palavra de Deus crescia e multiplicava-se. Depois de Barnabé e Saulo
cumprirem a sua missão, voltaram de Jerusalém, trazendo consigo João, que tinha
o sobrenome de Marcos. Na Igreja de Antioquia havia profetas e doutores:
Barnabé, Simeão, chamado o Negro, Lúcio de Cirene, Manaen, irmão colaço do
tetrarca Herodes e Saulo. Estando eles a celebrar o culto do Senhor e a jejuar,
disse-lhes o Espírito Santo: «Separai Barnabé e Saulo para o trabalho a que os
chamei». Então, depois de terem jejuado e orado, impuseram-lhes as mãos e
deixaram- nos partir. Enviados pelo Espírito Santo, Barnabé e Saulo desceram a
Selêucia e de lá navegaram para Chipre. Tendo chegado a Salamina, começaram a
anunciar a palavra de Deus nas sinagogas dos judeus.
Salmo Responsorial: 66
R. Louvado sejais, Senhor, pelos povos de toda a terra.
Deus Se compadeça de nós e nos dê a sua bênção, resplandeça
sobre nós a luz do seu rosto. Na terra se conhecerão os vossos caminhos e entre
os povos a vossa salvação.
Alegrem-se e exultem as nações, porque julgais os povos com
justiça e governais as nações sobre a terra.
Os povos Vos louvem, ó Deus, todos os povos Vos louvem. Deus
nos dê a sua bênção e chegue o seu louvor aos confins da terra.
Aleluia. Eu sou a luz do mundo, diz o Senhor; quem Me
segue terá a luz da vida. Aleluia.
Evangelho (Jo 12,44-50): Jesus
exclamou: «Quem crê em mim, não é em mim que crê, mas naquele que me enviou.
Quem me vê, vê aquele que me enviou. Eu vim ao mundo como luz, para que todo
aquele que crê em mim não permaneça nas trevas. Se alguém ouve as minhas
palavras e não as observa, não sou eu que o julgo, porque vim não para julgar o
mundo, mas para salvá-lo. Quem me rejeita e não acolhe as minhas palavras já
tem quem o julgue: a palavra que eu falei o julgará no último dia. Porque eu
não falei por conta própria, mas o Pai que me enviou, ele é quem me ordenou o
que devo dizer e falar. E eu sei: o que ele ordena é vida eterna. Portanto, o
que eu falo, eu o falo de acordo com o que o Pai me disse».
«Quem crê em mim, não é em mim que crê, mas naquele que
me enviou»
P. Julio César RAMOS González SDB (Mendoza, Argentina)
Hoje, Jesus grita; grita como alguém que precisa que suas
palavras sejam ouvidas por todos. Seu grito sintetiza sua missão salvadora,
pois tem vindo «não para julgar o mundo, mas para salvá-lo» (Jo 12,47), não por
si mesmo, mas em nome do «Pai que me enviou, ele é quem me ordenou o que devo
dizer e falar» (Jo 12,49).
Ainda não faz um mês que celebramos o Tríduo Pascal: o Pai
estava tão presente na hora extrema, na hora da Cruz! Como escreveu João Paulo
II, «Jesus, aflito pela previsão da prova que o esperava, ante Deus, o invoca
com sua habitual e carinhosa expressão de confiança: ‘Abba, Pai’». Nas horas
seguintes, se faz evidente o diálogo estreito do Filho com o Pai: «Pai,
perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem» (Lc 23,34); «Pai, nas tuas mãos
entrego o meu espírito» (Lc 23, 46).
A importância da obra do Pai, e do seu enviado, merece a
resposta de quem o escuta. Essa resposta é o crer, ou seja, a fé (cf. Jo
12,44); fé que nos dá — por Jesus mesmo — a luz para não continuar na
escuridão. Ao contrário, quem rejeita esses dons e manifestações e não acolhe
essas palavras «já tem quem o julgue: a Palavra» (Jo 12,48).
Aceitar Jesus, então, é crer, ver, ouvir ao Pai, significa
não estar na escuridão, obedecer ao mandato da vida eterna. Bem-vinda seja a
repreensão de São João da Cruz: «[O Pai] tudo nos falou por esta palavra só
(...). Por isso, quem quiser perguntar alguma coisa a Deus ou ter uma visão ou
revelação, seria não só uma necedade, também estaria ofendendo a Deus, já que
não estaria colocando seu olhar em Cristo, evitando querer alguma outra coisa
ou novidade».
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Dilate o seu coração. Saia ao encontro do sol da luz eterna
que ilumina a todo o homem. Esta luz verdadeira brilha para todos, mas quem
fecha as suas janelas priva-se da luz eterna» (Santo Ambrósio)
«Precisamos desta luz que vem do alto para responder
coerentemente à vocação que recebemos. Para a Igreja, ser missionário equivale
a deixar-se iluminar por Deus e refletir a sua luz» (Francisco)
«Em Jesus Cristo, a verdade de Deus manifestou-se na sua
totalidade. ‘Cheio de graça e de verdade’(Jo 1,14), Ele é a ‘luz do mundo’ (Jo
8, 12) (…). Quem Nele crê não fica nas trevas (…)» (Catecismo da Igreja
Católica, nº 2.466)
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
* O Evangelho de hoje traz a parte final do Livro do
Sinais (1 a 12), na qual o evangelista faz um balanço. Muitos acreditaram
em Jesus e tinham a coragem de manifestar sua fé publicamente como discípulos e
as discípulas. Outros acreditaram, mas não tiveram a coragem de manifestar
publicamente sua fé. Tinham medo de serem expulsos da sinagoga. E muitos não acreditaram:
“Apesar de Jesus ter realizado na presença deles tantos sinais, não acreditaram
nele. Assim se cumpriu a palavra dita pelo profeta Isaías: "Senhor, quem
acreditou em nossa mensagem? Para quem foi revelada a força do Senhor?"
(Jo 12,37-38). Depois desta constatação geral, João retoma alguns dos temas
centrais do seu evangelho:
* João 12,44-45: Crer em Jesus é crer naquele que o
enviou. Esta frase é um resumo do
evangelho de João. É o tema que aparece e reaparece de muitas maneiras. Jesus
está tão unido ao Pai, que ele já não fala em nome próprio, mas sempre em nome
do Pai. Quem vê a Jesus vê o Pai. Se quiser conhecer a Deus, olhe para Jesus.
Deus é Jesus!
* João 12,46: Jesus é a luz que veio ao mundo. Aqui
João retoma o que já tinha sido dito no prólogo: “O Verbo era a luz verdadeira
que ilumina todo ser humano” (Jo 1,9). “A luz brilha nas trevas, mas as trevas
não a apreenderam” (Jo 1,5). Aqui ele repete: “Eu vim ao mundo como luz, para
que todo aquele que acredita em mim não fique nas trevas”. Jesus é uma resposta viva às grandes
interrogações que movimentam e inspiram a busca do ser humano. Ele é uma luz
que clareia o horizonte. Faz descobrir o lado luminoso da escuridão da fé.
* João 12,47-48: Não vim para julgar o mundo.
Chegando no fim de uma etapa, surge a pergunta: “Como vai ser o julgamento?
Nestes dois versículos o evangelista esclarece o tema do julgamento. O
julgamento não se faz na base da ameaça com maldições. Jesus diz: Eu não
condeno quem ouve as minhas palavras e não obedece a elas, porque eu não vim
para condenar o mundo, mas para salvar o mundo. Quem me rejeita e não aceita
minhas palavras, já tem o seu juiz: a palavra que eu falei será o seu juiz no
último dia. O julgamento consiste na maneira como a pessoa se define frente à
verdade e frente a sua própria consciência.
* João 13,49-50: O que digo, eu o digo conforme o Pai me
disse. As últimas palavras do Livro dos Sinais são um resumo de tudo que
Jesus disse e fez até agora. Ele reafirma o que afirmava desde o começo: “Não
falei por mim mesmo. O Pai que me enviou, ele é quem me ordenou o que eu devia
dizer e falar. E eu sei que o mandamento dele é a vida eterna. Portanto, o que
digo, eu o digo conforme o Pai me disse”. Jesus é o reflexo fiel do Pai. Por
isso mesmo, ele não oferece prova nem argumento aos que o provocam para que se
legitime e apresente suas credenciais. É o Pai que o legitima através das obras
que ele faz. E dizendo obras, não se refere só aos grandes milagres, mas a tudo
que ele disse e fez, até nas mínimas coisas. Jesus, ele mesmo, é o Sinal do
Pai. Ele é o milagre ambulante, a transparência total. Ele já não se pertence,
mas é todo inteiro propriedade do Pai. As credenciais de um embaixador não vêm
dele mesmo, mas vem daquele a quem representa. Vem do Pai.
Para um confronto pessoal
1) João faz um balanço da atividade reveladora de
Jesus. Se eu fizer um balanço da minha vida, o que vai sobrar de positivo em
mim?
2) Existe algo em mim que me condena?
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