sábado, 9 de setembro de 2023

Segunda-feira da 23ª semana do Tempo Comum

S. João Gabriel Perboyre, presbítero e mártir
Bta Mª de Jesus Lopez Rivas, Virgem de nossa Ordem
 
1ª Leitura (Col 1,24—2,3):
Irmãos: Agora alegro-me com os sofrimentos que suporto por vós e completo na minha carne o que falta à paixão de Cristo, em benefício do seu corpo que é a Igreja. Dela me tornei ministro, em virtude do cargo que Deus me confiou a vosso respeito, isto é, anunciar-vos em plenitude a palavra de Deus, o mistério que ficou oculto ao longo dos séculos e que foi agora manifestado aos seus santos. Deus quis dar-lhes a conhecer em que consiste, entre os gentios, a glória inestimável deste mistério: Cristo no meio de vós, esperança da glória. E nós O anunciamos, advertindo todos os homens e instruindo-os em toda a sabedoria, a fim de os apresentarmos todos perfeitos em Cristo. É para isso que eu trabalho, combatendo com o apoio da sua força, que atua em mim poderosamente. Quero que saibais como é grande a luta que sustento por vós, pelos de Laodiceia e por tantos outros que não me viram pessoalmente. Luto para que os seus corações sejam confortados e, estreitamente unidos na caridade, alcancem em toda a sua riqueza a plenitude da inteligência, o conhecimento do mistério de Deus, que é Cristo, no qual estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência.
 
Salmo Responsorial: 61
R. Em Deus está a minha salvação e a minha glória.
 
Só em Deus descansa a minha alma, d’Ele vem a minha esperança. Ele é meu refúgio e salvação, minha fortaleza: jamais serei abalado.
 
Povo de Deus, em todo o tempo ponde n’Ele a vossa confiança, desafogai em sua presença os vossos corações. Deus é o nosso refúgio.
 
Aleluia. As minhas ovelhas escutam a minha voz, diz o Senhor; Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me. Aleluia.
 
Evangelho (Lc 6,6-11): Num outro sábado, Jesus entrou na sinagoga e começou a ensinar. Lá estava um homem que tinha a mão direita seca. Os escribas e os fariseus observavam Jesus, para ver se ele faria uma cura no dia de sábado, a fim de terem motivo para acusá-lo. Ele, porém, conhecendo-lhes os pensamentos, disse ao homem da mão seca: Levanta-te e fica aqui no meio! Ele se levantou e ficou de pé. Jesus disse-lhes: Eu vos pergunto: em dia de sábado, o que é permitido, fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixar morrer? Passando o olhar sobre todos eles, Jesus disse ao homem: Estende a mão! O homem assim o fez e a mão ficou curada. Eles se encheram de raiva e começaram a discutir entre si sobre o que fariam contra Jesus.
 
«Levanta-te e fica aqui no meio (...). Estende a mão»
 
P. Júlio César RAMOS González SDB (Mendoza, Argentina)
 
Hoje Jesus nos dá exemplo de liberdade. Falamos muitíssimo dela nos nossos dias. Mas a diferença do que hoje se apregoa e até se vive como liberdade, a de Jesus, é uma liberdade totalmente associada e aderida à ação do Pai. Ele mesmo dirá: Vos garanto que o Filho do homem não pode fazer nada por si só e sim somente o que vê o Pai fazer; o que faz o Pai, faz o Filho (Jo 5,19). E o Pai só obra, só age por amor.
 
O amor não se impõe, mas faz agir, mobiliza devolvendo com amplidão a vida. Aquele mandato de Jesus: Levanta-te e fica aqui no meio (Lc 6,8); tem a força recriadora daquele que ama, e pela palavra age. Mas ainda, o outro: Estende tua mão,(Lc 6,10), que termina conseguindo o milagre, restabelece definitivamente a força e a vida daquele que estava débil e morto. Salvar é arrancar da morte e, é a mesma palavra que se traduz por sanar. Jesus curando, salva o que havia de morto nesse pobre homem doente, e isso é um claro signo do amor de Deus Pai para com suas criaturas. Assim, na nova criação onde o Filho não faz outra coisa mais do que vê fazer ao Pai, a nova lei que imperará será a do amor que se põe em obra e, não a de um descanso que inativa, inclusive, para fazer o bem ao irmão necessitado.
 
Então, liberdade e amor conjugados é a chave para hoje. Liberdade e amor conjugados à maneira de Jesus. Aquilo de: ama e faz o que queiras, de Santo Agostinho tem hoje vigência plena, para aprender a configurar-se totalmente com Cristo Salvador.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«O projeto de Deus vai além da capacidade de conhecimento e compreensão do homem, mas, pelo contrário, só Ele conhece os nossos pensamentos, as nossas ações e até o nosso futuro» (S. João Damasceno)
 
«Sem a ideia do Redentor, não se pode suportar a verdade da própria culpa e recorre-se à primeira falsidade: a cegueira dessa culpa, da qual nascem todas as outras falsidades e, finalmente, a incapacidade geral de enfrentar a verdade» (Bento XVI)
 
«(…)Cheio de compaixão, Cristo autoriza-Se, em dia de sábado, a fazer o bem em vez do mal, a salvar uma vida antes que perdê-la (87). O sábado é o dia do Senhor das misericórdias e da honra de Deus (88). ‘O Filho do Homem é Senhor do próprio sábado’ (Mc 2,28)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 2.173)
 
Reflexão

• Contexto. Esta passagem apresenta Jesus curando um homem que tinha uma das mãos atrofiada. Ao contrário do contexto dos capítulos 3-4, onde Jesus aparece sozinho, aqui Jesus aparece rodeado por seus discípulos e mulheres que o acompanhavam. Nos estágios iniciais desta jornada, o leitor encontrará diferentes formas de ouvir a palavra de Jesus, seguindo o que em última análise, poderia ser resumida em duas experiências que exigem, por sua vez, dois tipos de aproximação para Jesus: a de Pedro (5,1-11) e a do centurião (7,1-10). Pedro encontra Jesus depois da pesca milagrosa. Jesus o convida para ser um pescador de homens, e Pedro cai depois ajoelhando-se diante de Jesus: "Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador" (5,8). O centurião não tem comunicação direta com Jesus: ouviu falar coisas boas sobre Jesus e, por isso envia-lhe intermediários para pedir a cura de seu servo que está morrendo; ele não pede algo para si, mas sim para uma pessoa muito querida. A figura de Pedro representa a atitude daquele que, sentindo-se pecador, coloca seu trabalho sob a influência da Palavra de Jesus. O centurião, mostrando sua solicitude pelo servo, aprende a ouvir a Deus. Pois bem, a cura do homem com a mão seca se coloca entre estas vias ou atitudes que caracterizam a itinerância da vida de Jesus. O milagre ocorre em um contexto de discussão ou controvérsia: as espigas arrancadas no sábado e uma cura também no sábado, precisamente a mão atrofiada. Entre as duas discussões, a palavra de Jesus desempenha um papel crucial: "O Filho do Homem é senhor do sábado" (6,5). Indo para a nossa passagem, perguntamo-nos o que significa esta mão atrofiada? É um símbolo da salvação do homem que é conduzido à sua situação original, a da criação. Além disso, a mão direita expressa atividade humana. Jesus devolve a este dia, o sábado, seu sentido mais profundo: é o dia da alegria, da restauração e não da limitação. O sábado Jesus que apresenta é o sábado messiânico, não o sábado legalista; as curas realizadas por ele são sinais do tempo messiânico, da restauração e libertação do homem. 
 
• Dinâmica do milagre. Lucas coloca diante de Jesus um homem com uma mão sem força, seca, paralisada. Ninguém se interessa em pedir a sua cura e menos ainda ele diretamente está interessado. Mas a doença não era apenas um problema individual, mas os seus efeitos repercutem em toda a comunidade. Neste relato não emerge tanto o problema da doença, mas sim a sua relação com o sábado. Jesus é criticado porque ele curou em dia de sábado. A diferença entre Jesus e os fariseus consiste em que estes, em dia de sábado, não trabalham com base no mandamento do amor que é a essência da lei. Jesus, depois de ordenar ao homem para se pôr no meio da assembleia, faz uma pergunta decisiva: "É lícito curar no sábado, ou não?". Os espaços de resposta são reduzidos: curar ou não curar (v. 9). Imagine a dificuldade dos fariseus: tinham que excluir que num sábado se pudesse fazer o mal ou conduzir o homem à perdição e menos ainda curar, visto que ajudar no sábado somente era permitido em casos de extrema necessidade. Os fariseus se sentem provocados e isto por sua vez provoca sua agressividade. Aparece evidente que a intenção de Jesus ao curar no sábado é procurar o bem do homem, a pessoa que está doente. Esta motivação de amor nos convida a refletir sobre o nosso comportamento e fundamentá-lo no comportamento de Jesus que salva. Jesus não presta atenção apenas para a cura do enfermo, mas também está interessado no comportamento dos adversários: curá-los de sua distorcida atitude ao observar a lei. Observar o sábado sem ajudar o próximo em suas doenças não está em conformidade com a vontade de Deus. Para o evangelista, a função do sábado é fazer o bem, salvar como Jesus fez em sua vida terrena.   
 
Para um confronto pessoal
1. Você se sente interpelado pelas palavras de Jesus? Como você se compromete em seu serviço à vida? Você sabe criar condições para que o outro viva melhor?
2. Você sabe colocar no centro da sua atenção a todos os homens e suas necessidades?

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