sábado, 12 de janeiro de 2019

Batismo do Senhor


1ª Leitura (Is 42, 1-4.6-7): Diz o Senhor: «Eis o meu servo, a quem Eu protejo, o meu eleito, enlevo da minha alma. Sobre ele fiz repousar o meu espírito, para que leve a justiça às nações. Não gritará, nem levantará a voz, nem se fará ouvir nas praças; não quebrará a cana fendida, nem apagará a torcida que ainda fumega: proclamará fielmente a justiça. Não desfalecerá nem desistirá, enquanto não estabelecer a justiça na terra, a doutrina que as ilhas longínquas esperam. Fui Eu, o Senhor, que te chamei segundo a justiça; tomei-te pela mão, formei-te e fiz de ti a aliança do povo e a luz das nações, para abrires os olhos aos cegos, tirares do cárcere os prisioneiros e da prisão os que habitam nas trevas».

Salmo Responsorial: 28
R. O Senhor abençoará o seu povo na paz.

Tributai ao Senhor, filhos de Deus, tributai ao Senhor glória e poder. Tributai ao Senhor a glória do seu nome, adorai o Senhor com ornamentos sagrados.

A voz do Senhor ressoa sobre as nuvens, o Senhor está sobre a vastidão das águas. A voz do Senhor é poderosa, a voz do Senhor é majestosa.

A majestade de Deus faz ecoar o seu trovão e no seu templo todos clamam: Glória! Sobre as águas do dilúvio senta-Se o Senhor, o Senhor senta-Se como Rei eterno.

2ª Leitura (At 10, 34-38): Naqueles dias, Pedro tomou a palavra e disse: «Na verdade, eu reconheço que Deus não faz acepção de pessoas, mas, em qualquer nação, aquele que O teme e pratica a justiça é-Lhe agradável. Ele enviou a sua palavra aos filhos de Israel, anunciando a paz por Jesus Cristo, que é o Senhor de todos. Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do baptismo que João pregou: Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo demónio, porque Deus estava com Ele».

Aleluia. Abriram-se os céus e ouviu-se a voz do Pai: «Este é o meu Filho muito amado: escutai-O». Aleluia.

Evangelho (Lc 3,15-16.21-22): Como o povo estivesse na expectativa, todos se perguntavam interiormente se João era ou não o Cristo, e ele respondia a todos: «Eu vos batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu. Eu não sou digno de desatar a correia de as suas sandálias. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo». Enquanto todo o povo estava batizado. Quando Jesus, também batizado, se pôs em oração, o céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre ele, em forma corpórea, como uma pomba. E do céu veio uma voz: «Tu és o meu filho amado; em ti está meu pleno agrado».

«Tu és o meu filho amado; em ti está meu pleno agrado»

+ Pe. Joan BUSQUETS i Masana (Sabadell, Barcelona, Espanha)

Hoje contemplamos Jesus já adulto. O menino da Manjedoura faz-se homem completo, maduro e respeitável e, chega o momento em que deve trabalhar na obra que o Pai lhe confiou. É assim como o encontramos no Jordão no momento de começar esta labor. Outro mais na fila daqueles contemporâneos seus que iam ouvir a João e lhe pedir o banho do batismo, com signo de purificação e renovação interior.

Ali, Jesus é descoberto e assinalado por Deus: «Enquanto todo o povo estava batizado Quando Jesus, também batizado, se pôs em oração, o céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre ele, em forma corpórea, como uma pomba. E do céu veio uma voz: “Tu és o meu filho amado; em ti está meu pleno agrado» (Lc 3,21-22). É o primeiro ato da sua vida pública, sua investidura como Messias.

É também o prefácio de seu modo de agir: Não agirá com violência, nem com gritos e aspereza, senão com silêncio e suavidade. Não cortará a canha quebrada, senão que a ajudará a se manter firme. Abrirá o olhos aos cegos e liberará os cativos. Os sinais messiânicos que descrevia Isaías, cumprir-se-ão nele. Nós somos os beneficiários de tudo isso porque, como lemos hoje na carta de São Paulo: «Ele nos salvou, não por causa dos atos de justiça que tivéssemos praticado, mas por sua misericórdia, mediante o banho da regeneração e renovação do Espírito Santo. Este Espírito, ele o derramou copiosamente sobre nós por Jesus Cristo, nosso Salvador para que, justificados pela sua graça, nos tornemos, na esperança, herdeiros da vida eterna» (Tit 3,5-7).

A festa do Batismo de Jesus deve nos ajudar a lembrar nosso próprio Batismo e compromissos que por nós tomaram nossos pais e padrinhos ao nos apresentar na Igreja para nos fazer discípulos de Jesus: «O Batismo nos liberou de todos os males, que são os pecados, mas com a graça de Deus devemos cumprir com bondade» (S. Cesáreo de Arles).

«…em Ti pus toda a minha complacência»

P. Luciano Miguel, sdb

Sto Hilário de Poitiers, bispo
A festa do Batismo do Senhor dá início ao Tempo comum, após toda a dinâmica celebrativa do Natal. Jesus, de repente, cresce para a sua missão, para o anúncio do Reino. Agora é “homem novo”, “filho muito amado”, predileção de Deus. É agora aquele a quem todo o crente deve seguir, assumindo radicalmente as suas atitudes e o seu projeto. É pelo Espírito que se revela a verdadeira identidade de Jesus: ser Filho. A sua missão na história e o seu destino são compromisso na obra do Pai. E Ele sabe que consequência terá esta missão e este compromisso: a salvação de todos os homens na abundância da sua vida sem fim.

João tomou a palavra e disse-lhes: «Eu batizo-vos com água, mas vai chegar quem é mais forte do que eu, do qual não sou digno de desatar as correias das sandálias.

João prima, como sempre, pela honestidade, verdade e humildade: ele não é o Messias, afirma-o com todas as letras. Marca perfeitamente a diferença quase abismal entre os dois, entre o seu batismo e o do Messias que o povo espera e que já está perto. Põe Jesus mesmo no topo, pois nem sequer nas correias das sandálias d’Ele, João é digno de tocar.
A honestidade e a humildade de João hoje soam a escândalo. Perante tanta ânsia de poder mesmo aniquilando a dignidade do outro, frente à ânsia de aparecer e de parecer que hoje permeiam o sector público e privado, certamente haveria quem não deixaria perder a oportunidade de João Batista para subir na escala social. No momento presente ninguém pode negar esta triste realidade. Como reajo eu a tais comportamentos? Acusando? Condenando? Desesperando? Ou procurando ir contra a corrente mesmo nas coisas e factos mais insignificantes? Ou pior ainda, deixando-me arrastar por essa corrente? O meu sentir íntimo e agir exterior são tais que interpelam positivamente as pessoas que vivem ao meu lado?

Ele batizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo.

João explica ao povo a diferença entre o seu baptismo apenas de água e o do Messias que seria no Espírito e no fogo. Ou seja, enquanto o dele apenas era um convite à conversão, o de Jesus teria capacidade para os purificar e lhes perdoar os pecados. Mais tarde Jesus recordá-lo-á a Nicodemos: “Quem não renascer pelo Espírito…”
É pelo Espírito Santo que Deus atua nos sacramentos. Nós apenas costumamos fixar-nos na parte visível, mas essa não é a principal. Como adultos, procuramos reviver o grande acontecimento do nosso Batismo? Tomamos consciência que, a um dado momento, assumimos livre e responsavelmente a realidade do nosso Batismo que os nossos pais e padrinhos prometeram em nosso nome? Que projeção tem o Batismo, início da nossa filiação divina, na vida de cristãos que levamos? Sentimo-nos comprometidos com as promessas aí feitas? Sentimo-nos batizados e habitados pelo Espírito?

Quando todo o povo recebeu o batismo, Jesus também foi batizado;

O Evangelho apenas nos indica a sucessão dos acontecimentos. Jesus parece dar a vez a todos, ficando Ele para o fim. Mesmo assim em nada se faz notar diferente dos outros. Embora sendo Filho de Deus, alinha-se ao lado de todos aqueles que necessitavam de um batismo de penitência e conversão. Tremendo exemplo de humildade e de comunhão conosco. Aceita o Batismo de água para o transformar em Batismo também de Espírito Santo.
Inserindo-se no grupo de João Batista, e submetendo-se a um ato público de humilhação, Jesus como que abre um novo estilo de esperar o Messias. Já não são apenas os Judeus mas também os pagãos que vêm escutar João e batizar-se. O batismo de Jesus como que abre as portas à universalidade de filhos de Deus. Se Santo Agostinho diz que “Jesus foi batizar-se para nos deixar uma fonte de limpeza: desde que Ele desceu ao rio a água tudo purifica”, São Paulo avança mais e afirma que “todos os que fostes batizados em Cristo, vos revestistes de Cristo; já não há judeu nem grego…”. O Batismo de Jesus passa a ser o anúncio do “homem novo” em que todos nós nos tornamos ao sermos batizados. É o universalismo da salvação.

E, enquanto orava, o Céu abriu-se e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corporal, como uma pomba.

São Lucas associa aqui o Batismo e a oração. Como em várias outras passagens do seu Evangelho, é nos momentos em que Jesus reza que a glória de Deus se manifesta mais visivelmente. Aqui é o céu que se abre e o Espírito Santo desce em forma de pomba. Batismo, oração e Espírito Santo são inseparáveis.
A oração cria um ambiente adaptado para a revelação de Deus e ao mesmo tempo apresenta-nos a Jesus na sua plena humanidade, necessitando confiar-se ao Pai para conhecer qual era a sua missão e como realizá-la plenamente. A comunhão entre Jesus e o Espírito torna-se aqui mais que evidente. Por isso João diz que Jesus nos batizará “com o Espírito e com o fogo”. Jesus atua no Espírito e pelo Espírito. Temos consciência que não é apenas no Batismo mas em todos os Sacramentos que o Espírito está presente e atuante? Como O sentimos, por exemplo, na Eucaristia e na Reconciliação? O Espírito não desce apenas sobre Jesus mas permanece em Jesus. Temos consciência que também está em nós?

E do Céu fez-se ouvir uma voz: «Tu és o meu Filho muito amado: em Ti pus toda a minha complacência».

O Céu abre-se para descer o Espírito Santo e a voz que, pelo seu conteúdo, é evidentemente a do Pai. E assim no Batismo de Jesus torna-se presente a Santíssima Trindade. “Fez-se ouvir uma voz”. Quem a ouviu? Quem captou a divindade que o Pai confere ao Filho com estas palavras? Para além de toda a dimensão visível e audível, o texto encerra uma grande manifestação do Deus Uno e Trino.
Antes vimos a comunhão de Jesus com o Espírito Santo. Agora trata-se da comunhão com o Pai. Jesus inicia com o Batismo - e com a ternura especial do Pai -, a sua missão de servo sofredor: a sua vida pública. De onde vem esta “complacência”? Precisamente da atitude do Filho que em tudo procura cumprir a vontade do Pai. São Paulo recorda-nos: “Pelo Batismo sepultamo-nos juntamente com Ele, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos, mediante a glória do Pai, assim caminhemos nós também numa vida nova”. “Vida nova”, “fazer a vontade do Pai”, “Viver como batizados”. Aceitamos estes desafios?

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

12 de janeiro (Féria do tempo de Natal)


1ª Leitura (1Jo 5,14-21): Caríssimos: Esta é a confiança que temos em Deus: se Lhe pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, Ele escuta-nos. E sabendo que nos escuta em tudo o que Lhe pedirmos, sabemos também que alcançaremos o que Lhe tivermos pedido. Se alguém vir seu irmão cometer um pecado que não o leva à morte, reze e Deus lhe dará a vida, se de fato o pecado cometido não leva à morte. Há um pecado que leva à morte; não é por este pecado que eu digo que se reze. Toda a iniquidade é pecado, mas nem todo o pecado leva à morte. Sabemos que todo aquele que nasceu de Deus não peca, porque o guarda Aquele que foi gerado por Deus e o Maligno não o pode atingir. Sabemos que somos de Deus, mas o mundo inteiro está sujeito ao Maligno. E sabemos também que veio o Filho de Deus e nos deu inteligência para conhecermos o Verdadeiro. Nós estamos no Verdadeiro, por seu Filho, Jesus Cristo, que é o Deus verdadeiro e a vida eterna. Meus filhos, guardai-vos dos falsos deuses.

Salmo Responsorial: 149
R. O Senhor ama o seu povo.

Cantai ao Senhor um cântico novo, cantai ao Senhor na assembleia dos santos. Alegre-se Israel em seu Criador, rejubilem os filhos de Sião em seu Rei.

Louvem o seu nome com danças, cantem ao som do tímpano e da cítara, porque o Senhor ama o seu povo, coroa os humildes com a vitória.

Exultem de alegria os fiéis, cantem jubilosos em suas casas; em sua boca os louvores de Deus. Esta é a glória de todos os seus fiéis.

Aleluia. O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam na sombria região da morte uma luz se levantou. Aleluia.

Evangelho (Jo 3,22-30): Depois disso, Jesus e seus discípulos foram para a região da Judéia. Ele ficava lá com eles e batizava. João também estava batizando, em Enon, perto de Salim, onde havia muita água. As pessoas iam lá para serem batizadas. João ainda não tinha sido lançado na prisão. Surgiu então, da parte dos discípulos de João, uma discussão com um judeu, a respeito da purificação. Eles foram falar com João: «Mestre, aquele que estava contigo do outro lado do Jordão, e de quem tu deste testemunho, está batizando, e todos vão a ele». João respondeu: «Ninguém pode receber coisa alguma, se não lhe for dada do céu. Vós mesmos sois testemunhas daquilo que eu disse: ‘Eu não sou o Cristo, mas fui enviado à sua frente’. Quem recebe a noiva é o noivo, mas o amigo do noivo, que está presente e o escuta, enche-se de alegria, quando ouve a voz do noivo. Esta é a minha alegria, e ela ficou completa. É necessário que ele cresça, e eu diminua».

«É necessário que ele cresça, e eu diminua»

Rev. D. Antoni CAROL i Hostench (Sant Cugat del Vallès, Barcelona, Espanha)

Hoje ficamos surpresos vendo Jesus e o Batista batizando “em paralelo”. Dizemos, sim, “em paralelo”, mas isso só acontece aparentemente, porque João o Batista remite a Jesus, que é o Messias, o "novo Moises", o Profeta tão esperado, aquele que vem para nos dar a Deus. «Que trouxe [Jesus]? A resposta é muito simples: A Deus. Trouxe a Deus» (Bento XVI).

Em consequência e imediatamente João aclara o sentido do batismo: Realmente, trata-se de uma purificação, mas «diferença-se das acostumadas abluções religiosas» daquele tempo e, —como afirmou o papa Bento— «Deve ser a consumação concreta de uma mudança que determina de modo novo e para sempre toda a vida». Assim, o batismo cristão comporta uma mudança tão radical como um novo nascimento, até o ponto de nos converter em um novo ser.

Purificação, certamente, mas, para despojar-se do "homem velho", morrer a si mesmo e —pela graça— nascer a uma nova vida: A vida divina, algo que «ninguém pode receber (…) se não lhe for dada do céu» (Jo 3,28). O Concílio II de Orange ensinou que «amar a Deus é exclusivamente um dom de Deus. Ele mesmo que, sem ser amado, ama, concedeu-nos que lhe amássemos. Fomos amados quando ainda lhe éramos desagradáveis, para que nos concedera algo com que agradar-lhe».

Hei aqui, então, nossa tarefa pela santidade: Aprofundar na humildade para abrir espaço à ação de Deus e deixá-lo fazer. O importante não é tanto o que eu faça, mas que Ele atue em mim: «É necessário que ele cresça, e eu diminua» (Jo 3,30). E nossa alegria será tanto mais completa quanto mais desapareça o próprio eu e, mais presente se faça o Esposo em nosso coração e nas nossas obras.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm

* Tanto João Batista como Jesus, ambos apontavam um rumo novo para o povo. Mas Jesus, depois de ter aderido ao movimento de João Batista e de ter sido batizado por ele, deu um passo a mais e criou o seu próprio movimento. Ele chegou a batizar pessoas no rio Jordão ao mesmo tempo que João Batista. Ambos atraíam o povo pobre e abandonado da Palestina, anunciando a chegada da Boa Nova do Reino de Deus.

* Jesus, o novo pregador, estava levando uma certa vantagem sobre João Batista. Ele batizava mais gente e atraía mais discípulos. Surgiu então uma tensão entre os discípulos de João e os de Jesus a respeito da "purificação", isto é, a respeito do valor do batismo. Os discípulos de João Batista sentiam uma certa inveja e foram falar com João para informá-lo a respeito do movimento de Jesus.

* A resposta de João aos seus discípulos é uma resposta bonita, que revela a grandeza de alma. João ajudou seus discípulos a verem as coisas com mais objetividade. Ele usou três argumentos: 1) Ninguém recebe nada a não ser aquilo que lhe foi dado por Deus. Se Jesus faz coisas tão bonitas, é porque as recebeu de Deus (Jo 3,27). Em vez de inveja, os discípulos deveriam sentir alegria. 2) João reafirma, novamente, que ele, João, não é o Messias mas apenas o precursor (Jo 3,28). 3) No fim, ele usa uma comparação, tirada das festas de casamento. Naquele tempo, lá na Palestina, no dia da festa do casamento, na casa da noiva, os assim chamados "amigos do noivo" aguardavam a chegada do noivo para poder apresentá-lo à noiva. No caso, Jesus é o noivo, o povo é a noiva e ele, João, é o amigo do noivo. João Batista diz que, na voz de Jesus, reconheceu a voz do noivo e ele pôde apresentá-lo à noiva, ao povo. Neste momento, a noiva, o povo, deixa de lado o amigo do noivo e vai atrás de Jesus, porque reconheceu nele a voz do seu noivo! Por isso, é grande a alegria de João, "alegria completa". João não quer nada para si! Sua missão é apresentar o noivo à noiva! A frase final resume tudo: "É necessário que ele cresça e eu diminua!" Esta frase é também o programa de toda pessoa seguidora de Jesus.

* Naquele fim do primeiro século, tanto na Palestina como na Ásia Menor, onde quer que houvesse alguma comunidade de judeus, havia também gente que tinha estado em contato com João Batista ou que tinha sido batizada por ele (At 19,3). Vistos do lado de fora, o movimento de João Batista e o de Jesus eram muito semelhantes entre si. Os dois anunciavam a chegada do Reino (cf. Mt 3,1-2; 4,17). Deve ter havido uma certa confusão e tensão entre os seguidores de João e os de Jesus. Por isso era tão importante o testemunho de João sobre Jesus. Todos os quatro evangelhos se preocupam em relatar as palavras de João Batista dizendo que ele não é o messias. Para as comunidades cristãs, a resposta de João "Ele deve crescer e eu devo diminuir" valia não só para os discípulos de João da época de Jesus, mas também para os discípulos das comunidades batistas do fim do primeiro século.

Para um confronto pessoal
1. “Ele deve crescer e eu diminuir”. É o programa de João. É também o meu programa?
2. O que importa é que a noiva encontre o noivo. Somos porta-vozes, nada mais. Será que eu sou?

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

11 de janeiro (Féria do tempo de Natal)


1ª Leitura (1Jo 5,5-13): Caríssimos: Quem é o vencedor do mundo senão aquele que acredita que Jesus é o Filho de Deus? Este é O que veio pela água e pelo sangue: Jesus Cristo; não só com a água, mas com a água e o sangue. É o Espírito que dá testemunho, porque o Espírito é a verdade. São três que dão testemunho: o Espírito, a água e o sangue; e os três estão de acordo. Se aceitamos o testemunho dos homens, o testemunho de Deus é maior, porque o testemunho de Deus consiste naquele que Ele deu de seu Filho. Quem acredita no Filho de Deus tem em si mesmo este testemunho. Quem não acredita em Deus considera-O um mentiroso, porque não acredita no testemunho dado por Deus acerca de seu Filho. E o testemunho é este: Deus deu-nos a vida eterna e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida, quem não tem o Filho de Deus não tem a vida. Escrevo-vos estas coisas, para saberdes que tendes a vida eterna, vós que acreditais no nome do Filho de Deus.

Salmo Responsorial: 147
R. Jerusalém, louva o teu Senhor.

Glorifica, Jerusalém, o Senhor, louva, Sião, o teu Deus. Ele reforçou as tuas portas e abençoou os teus filhos.

Estabeleceu a paz nas tuas fronteiras e saciou-te com a flor da farinha. Envia à terra a sua palavra, corre veloz a sua mensagem.

Revelou a sua palavra a Jacó, suas leis e preceitos a Israel. Não fez assim com nenhum outro povo, a nenhum outro manifestou os seus juízos.

Aleluia. Jesus proclamava o Evangelho do reino e curava todas as doenças entre o povo. Aleluia.

Evangelho (Jo 5,12-16): Estando Jesus numa das cidades, apareceu um homem coberto de lepra. Ao ver Jesus, ele caiu com o rosto em terra e suplicou-lhe: «Senhor, se queres, tens o poder de purificar-me». Estendendo a mão, Jesus tocou nele e disse: «Quero, fica purificado». E imediatamente a lepra desapareceu. E ordenou-lhe que não o contasse a ninguém. «Mas», disse, «vai mostrar-te ao sacerdote e apresenta por tua purificação a oferenda prescrita por Moisés. Isso lhes servirá de testemunho». Cada vez mais, sua fama se espalhava, e as multidões acorriam para ouvi-lo e para serem curadas de suas doenças. Ele, porém, se retirava para lugares desertos, onde se entregava à oração.

«Cada vez mais, sua fama se espalhava»

Rev. D. Santi COLLELL i Aguirre (La Garriga, Barcelona, Espanha)

Hoje temos uma grande responsabilidade em fazer que «sua fama» (Lc 5,15) continue se estendendo, sobre tudo, a todos aqueles e aquelas que não lhe conhecem ou que, por diversas razões e circunstâncias, se afastaram Dele.

Mas, este contágio não será possível se antes nós, cada um e cada uma, não temos sido capazes de reconhecer nossas próprias “lepras” particulares e de nos acercar a Cristo tendo consciência de que somente Ele nos pode liberar de maneira eficaz de todos nossos egoísmos, invejas, orgulhos e rancores...

Que a fama de Cristo se estenda a todos os cantos de nossa sociedade depende, em grande medida, dos ”encontros particulares” que tivemos com Ele. Quanto mais e mais intensamente nos impregnemos de seu Evangelho, de seu amor, de sua capacidade de escutar, de acolher, de perdoar, de aceitar o outro (por diferente que seja), mais capazes seremos nós de dá-lo a conhecer a nosso entorno.

O leproso do Evangelho que hoje se lê na Eucaristia é alguém que tem feito um duplo exercício de humildade. O de reconhecer qual é seu mal e, o de aceitar a Jesus como seu Salvador. Cristo é quem nos dá a oportunidade de fazer uma mudança radical e profunda na nossa vida. Diante de tudo aquilo que é impedimento para o amor e que tem se enquistado nos nossos corações e em nossas vidas, Cristo, com seu testemunho de vida e de Vida Nova, propõem-nos uma alternativa totalmente real e possível. A alternativa do amor, da ternura da misericórdia. Jesus, diante de quem é diferente a Ele (o leproso) não escapa, não o ignora, não o “despacha” à administração, nem às instituições ou às “ong’s”. Cristo aceita o reto do encontro e, ao “enfermo” lhe oferece aquilo que necessita, a cura/purificação.

Nós temos que ser capazes de oferecer aos que se aproximam a nossas vidas aquilo que recebemos do Senhor. Mas, antes será necessário encontrar-nos com Ele e renovar nosso compromisso de viver seu Evangelho nos pequenos detalhes de cada dia.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm

* Um leproso chega perto de Jesus. Era um excluído. Devia viver afastado. Quem tocasse nele ficava impuro! Mas aquele leproso teve muita coragem. Transgrediu as normas da religião para poder chegar perto de Jesus. Ele diz: Se queres, podes curar-me! Ou seja: “Não precisa tocar-me! Basta o senhor querer para eu ficar curado!” A frase revela duas doenças: 1) a doença da lepra que o tornava impuro; 2) a doença da solidão a que era condenado pela sociedade e pela religião. Revela também a grande fé do homem no poder de Jesus. Profundamente compadecido, Jesus cura as duas doenças. Primeiro, para curar a solidão, toca no leproso. É como se dissesse: “Para mim, você não é um excluído. Eu te acolho como irmão!” Em seguida, cura a lepra dizendo: Quero! Seja curado!

* O leproso, para poder entrar em contato com Jesus, tinha transgredido as normas da lei. Da mesma forma, Jesus, para poder ajudar aquele excluído e, assim, revelar um rosto novo de Deus, transgrede as normas da sua religião e toca no leproso. Naquele tempo, quem tocava num leproso tornava-se um impuro perante as autoridades religiosas e perante a lei da época.

* Jesus não só cura, mas também quer que a pessoa curada possa conviver. Ele reintegra a pessoa na convivência. Naquele tempo, para um leproso ser novamente acolhido na comunidade, ele precisava ter um atestado de cura assinado por um sacerdote. É como hoje. O doente só sai do hospital com o documento assinado pelo médico de plantão. Jesus obrigou o fulano a buscar o documento, para que ele pudesse conviver normalmente. Obrigou as autoridades a reconhecer que o homem tinha sido curado.

* Jesus tinha proibido o leproso de falar sobre a cura. O Evangelho de Marcos informa que esta proibição não adiantou nada. O leproso, assim que partiu, começou a divulgar a notícia, de modo que Jesus já não podia entrar publicamente numa cidade. Permanecia fora, em lugares desertos (Mc 1,45). Por que? É que Jesus tinha tocado no leproso. Por isso, na opinião da religião daquele tempo, agora ele mesmo era um impuro e devia viver afastado de todos. Já não podia entrar nas cidades. E Marcos mostra ainda que o povo pouco se importava com estas normas oficiais, pois de toda a parte vinham a ele (Mc 1,45). Subversão total!

* O duplo recado que Lucas e Marcos dão às comunidades do seu tempo e a todos nós é este:
1) anunciar a Boa Nova é dar testemunho da experiência concreta que se tem de Jesus. O leproso, o que ele anuncia? Ele conta aos outros o bem que Jesus lhe fez. Só isso! Tudo isso! E é este testemunho que leva os outros a aceitar a Boa Nova de Deus que Jesus nos trouxe.
2) Para levar a Boa Nova de Deus ao povo, não se deve ter medo de transgredir normas religiosas que são contrárias ao projeto de Deus e que dificultam a comunicação, o diálogo e a vivência do amor. Mesmo que isto traga dificuldades para a gente, como trouxe para Jesus.

Para um confronto pessoal
1. Para ajudar o próximo, Jesus transgrediu a lei da pureza. Existem hoje leis na igreja que dificultam ou impedem a prática do amor ao próximo?
2. O leproso para poder ser curado teve coragem a opinião pública do seu tempo. E eu?

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

10 de janeiro (Féria do tempo de Natal)

São Gonçalo de Amarante, religioso da OP

1ª Leitura (1Jo 4,19—5,4): Caríssimos: Nós devemos amar, porque Deus nos amou primeiro. Se alguém disser: «Amo a Deus» e odiar o seu irmão, é mentiroso. Quem não ama o seu irmão, que vê, não pode amar a Deus, que não vê. É este o mandamento que recebemos d’Ele: quem ama a Deus ame também o seu irmão. Quem acredita que Jesus é o Messias nasceu de Deus e quem ama Aquele que gerou ama também o que d’Ele nasceu. Nós sabemos que amamos os filhos de Deus quando amamos a Deus, cumprindo os seus mandamentos, porque o amor de Deus consiste em guardar os seus mandamentos. E os seus mandamentos não são pesados, porque todo o que nasceu de Deus vence o mundo. E esta é a vitória que venceu o mundo: a nossa fé.

Salmo Responsorial: 71
R. Virão adorar-Vos, Senhor, todos os povos da terra.

Deus, concedei ao rei o poder de julgar e a vossa justiça ao filho do rei. Ele governará o vosso povo com justiça e os vossos pobres com equidade.

Ele os libertará da opressão e da violência e o sangue deles será precioso a seus olhos; por ele hão de rezar sempre e todos os dias o bendirão.

O seu nome será eternamente bendito e durará tanto como a luz do sol; nele serão abençoadas todas as nações, todos os povos da terra o hão-de bendizer.

Aleluia. O Senhor enviou-me a anunciar aos pobres a boa nova, a proclamar aos cativos a redenção. Aleluia.

Evangelho (Lc 4,14-22): Jesus voltou para a Galileia, com a força do Espírito, e sua fama se espalhou por toda a região. Ele ensinava nas sinagogas deles, e todos o elogiavam.  Foi então a Nazaré, onde se tinha criado. Conforme seu costume, no dia de sábado, foi à sinagoga e levantou-se para fazer a leitura. Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, encontrou o lugar onde está escrito: «O Espírito do Senhor está sobre mim, pois ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Nova aos pobres: enviou-me para proclamar a libertação aos presos e, aos cegos, a recuperação da vista; para dar liberdade aos oprimidos e proclamar um ano de graça da parte do Senhor». Depois, fechou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-se. Os olhos de todos, na sinagoga, estavam fixos nele. Então, começou a dizer-lhes: «Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir». Todos testemunhavam a favor dele, maravilhados com as palavras cheias de graça que saíam de sua boca. E perguntavam: «Não é este o filho de José?».

«Cada vez mais, sua fama se espalhava»

Rev. D. Santi COLLELL i Aguirre (La Garriga, Barcelona, Espanha)

Hoje temos uma grande responsabilidade em fazer que «sua fama» (Lc 5,15) continue se estendendo, sobre tudo, a todos aqueles e aquelas que não lhe conhecem ou que, por diversas razões e circunstâncias, se afastaram Dele.

Mas, este contágio não será possível se antes nós, cada um e cada uma, não temos sido capazes de reconhecer nossas próprias “lepras” particulares e de nos acercar a Cristo tendo consciência de que somente Ele nos pode liberar de maneira eficaz de todos nossos egoísmos, invejas, orgulhos e rancores...

Que a fama de Cristo se estenda a todos os cantos de nossa sociedade depende, em grande medida, dos ”encontros particulares” que tivemos com Ele. Quanto mais e mais intensamente nos impregnemos de seu Evangelho, de seu amor, de sua capacidade de escutar, de acolher, de perdoar, de aceitar o outro (por diferente que seja), mais capazes seremos nós de dá-lo a conhecer a nosso entorno.

O leproso do Evangelho que hoje se lê na Eucaristia é alguém que tem feito um duplo exercício de humildade. O de reconhecer qual é seu mal e, o de aceitar a Jesus como seu Salvador. Cristo é quem nos dá a oportunidade de fazer uma mudança radical e profunda na nossa vida. Diante de tudo aquilo que é impedimento para o amor e que tem se enquistado nos nossos corações e em nossas vidas, Cristo, com seu testemunho de vida e de Vida Nova, propõem-nos uma alternativa totalmente real e possível. A alternativa do amor, da ternura da misericórdia. Jesus, diante de quem é diferente a Ele (o leproso) não escapa, não o ignora, não o “despacha” à administração, nem às instituições ou às “ong’s”. Cristo aceita o reto do encontro e, ao “enfermo” lhe oferece aquilo que necessita, a cura/purificação.

Nós temos que ser capazes de oferecer aos que se aproximam a nossas vidas aquilo que recebemos do Senhor. Mas, antes será necessário encontrar-nos com Ele e renovar nosso compromisso de viver seu Evangelho nos pequenos detalhes de cada dia.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm

* Animado pelo Espírito Santo, Jesus volta para a Galileia e começa a anunciar a Boa Nova do Reino de Deus. Andando pelas comunidades e ensinando nas sinagogas, ele chega em Nazaré, onde tinha sido criado. Estava de volta na comunidade, onde, desde pequeno, tinha participado das celebrações durante trinta anos. No sábado seguinte, conforme o seu costume, ele vai na sinagoga para estar com o povo e participar da celebração.

* Jesus se levantou para fazer a leitura. Escolheu o texto de Isaías que falava dos pobres, presos, cegos e oprimidos. O texto refletia a situação do povo da Galileia no tempo de Jesus. Em nome de Deus, Jesus toma posição em defesa da vida do seu povo e, com as palavras de Isaías, define a sua missão: anunciar a Boa Nova aos pobres, proclamar a libertação aos presos e a recuperação da vista aos cegos, restituir a liberdade aos oprimidos. Retomando a antiga tradição dos profetas, ele proclama “um ano de graça da parte do Senhor”. Proclama o ano do jubileu. Jesus quer reconstruir a comunidade, o clã, para que fosse novamente expressão da sua fé em Deus! Pois, se Deus é Pai/Mãe, todos e todas devemos ser irmãos e irmãs uns dos outros.

* No antigo Israel, a grande família, o clã ou a comunidade, era a base da convivência social. Era a proteção das famílias e das pessoas, a garantia da posse da terra, o veículo principal da tradição e a defesa da identidade do povo. Era a maneira concreta de se encarnar o amor de Deus no amor ao próximo. Defender o clã, a comunidade, era o mesmo que defender a Aliança com Deus. Na Galileia do tempo de Jesus, um duplo cativeiro marcava a vida do povo e estava contribuindo para a desintegração do clã, da comunidade: o cativeiro da política do governo de Herodes Antipas (4 aC a 39 dC) e o cativeiro da religião oficial. Por causa do sistema de exploração e de repressão da política de Herodes Antipas, apoiada pelo Império Romano, muita gente ficava sobrando e sem lugar, excluída e sem emprego (Lc 14,21; Mt 20,3.5-6). O clã, a comunidade, ficou enfraquecida. As famílias e as pessoas ficaram sem ajuda, sem defesa. E a religião oficial, mantida pelas autoridades religiosas da época, em vez de fortalecer a comunidade, para que ela pudesse acolher os excluídos, reforçava ainda mais esse cativeiro. A Lei de Deus era usada para legitimar a exclusão de muita gente: mulheres, crianças, samaritanos, estrangeiros, leprosos, possessos, publicanos, doentes, mutilados, paraplégicos. Era o contrário da fraternidade que Deus sonhou para todos! Assim, tanto a conjuntura política e econômica como a ideologia religiosa, tudo conspirava para enfraquecer a comunidade local e impedir, assim, a manifestação do Reino de Deus. O programa de Jesus, baseado no profeta Isaías oferecia uma alternativa.

* Terminada a leitura, Jesus atualizou o texto e o ligou com a vida do povo dizendo: “Hoje se cumpriu esta escritura nos ouvidos de vocês!” A sua maneira de ligar a Bíblia com a vida do povo, provocou uma dupla reação. Uns acreditaram e ficaram admirados. Outros tiveram uma reação de descrédito. Ficaram escandalizados e já não queriam saber dele. Diziam: “Não é este o filho de José?” (Lc 4,22) Por que ficaram escandalizados? É que Jesus falou em acolher os pobres, os cegos, os oprimidos. Mas eles não aceitaram a sua proposta. E assim, no momento em que apresentou o seu projeto de acolher os excluídos, ele mesmo foi excluído!

Para um confronto pessoal
1. Jesus ligou a fé em Deus com a situação social do seu povo. E eu, como vivo a minha fé em Deus?
2. No lugar onde eu moro existem cegos, presos, oprimidos? O que faço?

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

9 de janeiro


Santo André Corsini
Bispo de nossa Ordem


Nasceu dentro de uma família muito conhecida em Florença: a família Corsini, no ano de 1302. Seus pais não podiam ter filhos, mas não desistiam, estavam sempre rezando nesta intenção até que veio esta graça e tiveram um filho. O nome: André. Os pais fizeram de tudo para bem formá-lo. Com apenas 15 anos, ele dava tanto trabalho e decepções para seus pais que sua mãe chegou a desabafar: “Filho, você é, de fato, aquele lobo que eu sonhava”. Ele ficou assustado, não imaginava o quanto os caminhos errados e a vida de pecado que ele estava levando, ainda tão cedo, decepcionava tanto e feria a sua mãe. Mas a mãe completou o sonho: “Este lobo entrava numa igreja e se transformava em cordeiro”. André guardou aquilo no coração e, sem a mãe saber, no outro dia, ele entrou numa igreja. Aos pés de uma imagem de Nossa Senhora ele orava, e a graça aconteceu. Ele retomou seus valores, começou uma caminhada de conversão e falou para o provincial carmelita que queria entrar para a vida religiosa. Não se sabe, ao certo, se foi imediatamente ou fez um caminho vocacional, o fato é que entrou para a vida religiosa na obediência às regras, na vida de oração e penitência. Ele foi crescendo nessa liberdade, que é dom de Deus para o ser humano. Santo André ia se colocando a serviço dos doentes, dos pobres, nos trabalhos tão simples como os da cozinha. Ele também saía para mendigar para as necessidades de sua comunidade. Passou humilhação, mas sempre centrado em Cristo. Os santos foram e continuam a ser pessoas que comunicaram Cristo para o mundo. Mas Deus tinha mais para André. Ele ordenou-se padre e como tal continuava nesse testemunho de Cristo até que Nosso Senhor o escolheu para Bispo de Fiesoli. De início, ele não aceitou e fugiu para a Cartuxa de Florença e ficou escondido; ao ponto de as pessoas não saberem onde ele estava e escolher outro para ser bispo, pela necessidade. Mas um anjo, uma criança apareceu no meio do povo indicando onde ele estava escondido. Apareceu também outra criança para ele lhe dizendo que ele não devia temer, porque Deus estaria com ele e a Virgem Maria estaria presente em todos os momentos. Distinguiu-se pelo zelo apostólico, prudência e amor em relação aos pobres. Em 1373, no dia de Natal, Nossa Senhora apareceu para ele dizendo do seu falecimento que estava próximo. Morreu a 6 de janeiro de 1374. Foi canonizado em 29 de abril de 1629.

INVITATÓRIO
R. Vinde, adoremos a Cristo, o grande Pontífice, que se compadece de nós.

LAUDES
Hino
André o Carmelo te canta,
ao festejar o teu dia!
Que nessa Morada Santa
ressoe nossa alegria!

Oh! Que brilhante porvir
clara Estrela te mostrou!
No caminho a seguir
a Mãe de Deus te guiou.

Alistado nas fileiras
dos ungidos do Senhor,
não te poupaste as canseiras,
sábio e prudente Pastor.

Recorda-te, Santo André,
dos irmãos que, reunidos,
professam a mesma fé,
no amor de Cristo unidos.

Ao Bom e Supremo Pastor,
na tua festividade
se preste honra e louvor
no tempo e na eternidade.

Ant.1. Chamei o meu servo para colocar o poder nas suas mãos e o estabelecer num trono de glória.

Salmos e Cântico do Domingo da I Semana.

Ant.2. A esmola para ele é como um selo e ele conservará a graça como a menina dos seus olhos.

Ant.3. Fiéis são as obras das suas mãos; o louvor do Senhor permanece eternamente.

Leitura breve - Is 25,3-4c
Um povo forte vos glorificará e a cidade das nações poderosas vos temerá, porque sois o refúgio do fraco, o amparo do pobre na sua tribulação, um abrigo contra a tempestade e uma sombra contra o calor.

Responsório breve
R. Tive fome * e me destes de comer. R. Tive fome.
V. Todas as vezes que o fizestes a um destes meus irmãos mais
pequeninos, foi a Mim que o fizestes. * E me destes de comer.
Glória ao Pai. R. Tive fome.

Cântico Evangélico Ant. à escolha 1 ou 2
Ant1. Eu era os olhos para o cego, os pés para o coxo, o pai para os pobres, e com muito carinho examinava a causa dos desconhecidos.
ou
Ant2 Felizes os construtores da paz, porque serão chamados filhos de Deus, diz o Senhor.

Preces
Nosso Senhor Jesus Cristo escuta propício as preces dos necessitados e cumula de bens os famintos; por isso supliquemos com fé:

R. Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia.

Vós, que misericordiosamente reunistes no vosso nome o vosso rebanho,
- fazei que não se perca nenhum daqueles que o Pai vos deu. R.

Vós, que aos pecadores concedeis a conversão e dais a força aos débeis,
- dai-nos a plenitude da graça e a salvação. R.

Vós, que a todos amais com infinito amor,
- fazei que os fiéis vivam unidos entre si na unidade do espírito e pelo vínculo da paz. R.

Vós, que mediante a graça concedeis a todos a paz,
- fazei que hoje tenhamos paz com todos. R.

Vós, que consolastes os tristes e humildes,
- ajudai os pobres nas suas tribulações. R.

(intenções livres)

Pai nosso

Oração

Pai Santo, que chamais vossos filhos àqueles que promovem a paz, concedei-nos, pela intercessão de Santo André Corsini, admirável mediador da paz, a graça de trabalhar incansavelmente pela instauração da justiça, que pode garantir aos homens a paz firme e verdadeira. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

VÉSPERAS
Hino
Qual vento que vem e passa,
assim o sopro divino
fez renascer pela graça
a alma de André Corsini

Que triunfo! Que alegria!
Foi vencida a encruzilhada,
e já na Ordem de Maria
para sempre dá entrada.

Não o destina o Senhor
a viver na solidão:
espera-o a cruz de Pastor
- alta e difícil missão.

Trabalha, sofre e ora,
se na fé jamais fraqueja,
a caridade o devora
pela unidade da Igreja.

Pai, a todos concedei
vosso perdão e amor!
Nossas preces atendei
por Jesus, nosso Senhor.

Ant.1. Fez o bem e praticou a verdade na presença do Senhor, procurando a Deus com todo o coração.

Salmos e Cântico do Comum dos pastores: para bispos

Ant.2. Foi encontrado perfeito e no tempo da ira tornou-se o elo da reconciliação.

Ant.3. Apascentarei as minhas ovelhas e eu as farei descansar.

Leitura breve - 1Pd 5,1-4
Exorto aos presbíteros que estão entre vós, eu, presbítero como eles, testemunha dos sofrimentos e participante da glória que será revelada: sede pastores do rebanho de Deus confiado a vós; cuidai dele, não por coação, mas de coração generoso; não por torpe ganância, mas livremente; não como dominadores daqueles que vos foram confiados, mas antes, como modelos do rebanho. Assim, quando aparecer o Pastor supremo, recebereis a coroa permanente da glória.

Responsório breve
R. Eis o amigo dos irmãos,
* que intercede pelo povo. R. Eis o amigo.
V. Dedicou sua vida em favor dos seus irmãos.
* Que intercede. Glória ao Pai. R. Eis o amigo.

Cântico Evangélico
Ant.1. Este é o Sumo Sacerdote que na sua vida restaurou o Templo e nos seus dias fortificou o Santuário.
ou
Ant.2. O Reino de Deus não é questão de comida e bebida; é justiça, é paz e alegria no Espírito Santo. Quem serve a Cristo nestas coisas agrada a Deus e é estimado pelos homens.

Preces
Bendigamos a Cristo que decidiu ser semelhante em tudo a seus irmãos, a fim de se tornar o misericordioso e fiel Pontífice junto de Deus; supliquemos, dizendo:

R. Concedei-nos, Senhor, os tesouros do vosso amor.

Robustecei os ministros da vossa Igreja, para que,
- pregando aos demais, sejam encontrados fiéis no vosso serviço. R.

Fazei que os vossos sacerdotes sejam sal da terra e luz do mundo,
- para que com seu trabalho renovem a Igreja no seu interior. R.

Ensinai-nos hoje a reconhecer-vos presente em todos os nossos irmãos e irmãs
- e a encontrar-vos principalmente nos pobres e nos excluídos. R.

Nós vos pedimos pelos membros da vossa Igreja atribulados pela doença,
- libertai os prisioneiros, iluminai os cegos, socorrer os órfãos e as viúvas. R.
(intenções livres)

Tende misericórdia dos nossos irmãos e irmãs defuntos,
- associai-os aos outros irmãos, que já descansam em Cristo. R.

Oração

Pai santo, que chamais vossos filhos àqueles que promovem a paz, concedei-nos, pela intercessão de Santo André Corsini, admirável mediador da paz, a graça de trabalhar incansavelmente pela instauração da justiça, que pode garantir aos homens a paz firme e verdadeira. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.