sábado, 25 de maio de 2013

Santíssima Trindade

As orações do Mês de Maria estão na pasta de Informações e Orações

«Tenho ainda muitas coisas para vos dizer»

Comemoramos hoje a Solenidade da Santíssima Trindade. É grande este mistério de um Deus em três pessoas distintas. Contemplemos este mistério, o compromisso de Deus de estar sempre presente no meio de nós, que multiplicou para melhor demonstrar o seu amor, como Pai, Filho e Espírito Santo. Deus não é uma única pessoa, mas uma comunidade, uma família. Conheceremos melhor o nosso Deus se nos sentirmos amados pelo seu amor incondicional. E tanto nos amou, tal é o seu compromisso de nunca nos deixar sós que multiplicou (não dividiu) o seu amor por três.
Sérgio Paulo Pinto

EVANGELHO – Jo 16,12-15 - Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Tenho ainda muitas coisas para vos dizer, mas não as podeis compreender agora. Quando vier o Espírito da verdade, Ele vos guiará para a verdade plena; porque não falará de Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que está para vir. Ele Me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará. Tudo o que o Pai tem é meu. Por isso vos disse que Ele receberá do que é meu e vo-lo anunciará».

Meditação:
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Tenho ainda muitas coisas para vos dizer, mas não as podeis compreender agora.
Durante o tempo que Jesus esteve com os seus discípulos, partilharam tantas experiências fortes, tantas emoções vividas, tantos gestos extraordinários, tantas palavras que deram sentido a tantas vidas… Agora, na Última Ceia, prestes a terminar a convivência com os discípulos na terra, Jesus desejaria dizer-lhes ainda “muitas coisas”, falar-lhes provavelmente da sua cruz, da sua dor, da sua ressurreição… mas, infelizmente, eles não iriam compreender. Que pena! Porque não compreenderiam, se Jesus lhes falava em parábolas simples? Porque não compreendemos nós? Talvez, quando estamos com Jesus, gastamos o tempo todo a relatar os nossos desejos, os nossos projetos, as nossas dores, os nossos…, os nossos… e não lhe damos verdadeira atenção e disponibilidade de coração, para que Ele nos possa falar, dizer essas “muitas coisas” que ainda tem para nos dizer.

Quando vier o Espírito da verdade, Ele vos guiará para a verdade plena;
Pouco antes, também na Última Ceia, Jesus já tinha dito aos discípulos: “O Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, Ele ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito” (14,26). O dom do Espírito Santo guiará, portanto, os discípulos à compreensão da verdade plena, que se manifesta no Filho. Sem o dom do Espírito, sem o Espírito Santo que o Pai enviará em nome de Jesus… “muitas coisas” não as poderemos compreender, de “muitas coisas” não conheceremos a verdade plena. É grande este mistério da Santíssima Trindade, mas eis um Deus que se multiplica por amor, no Pai, no Filho e no Espírito Santo, para melhor se fazer presente na nossa vida. Como sentir-nos desamparados? O nosso Deus está conosco de tantas formas… porque quer estar sempre presente.

… porque não falará de Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que está para vir.
Antes de Jesus partir e deixar o mundo ao cuidado dos seus discípulos, prometeu deixar-lhes o seu Espírito. Tudo o que não lhes disse, tudo o que não pôde comunicar-lhes será revelado agora pelo Espírito. Ainda que se tivesse ausentado, Jesus não abandonou os seus: dando-lhes o seu Espírito concedeu-lhes um mestre que estará sempre com eles e conosco, seja lá onde estivermos. Ele dirá o que tiver ouvido do Pai e do Filho e anunciará os seus projetos, tal como nós discípulos somos convidados a proclamar todas as maravilhas operadas pelo nosso Deus e a anunciar ao mundo o amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo, um Deus sempre presente nas nossas vidas.

Ele Me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará.
O Espírito Santo glorifica, dá glória a Cristo, na medida em que guiará os discípulos ao conhecimento da verdade que n’Ele se manifesta e ao mesmo tempo, cumpre a sua missão de glorificar e manifestar o Pai. Todo o amor de Jesus pelos seus, os gestos carregados de vida, as palavras que enchem o coração, toda a missão de Jesus, está agora nas mãos do Espírito Santo, que estará sempre presente entre nós. O que Ele recebeu de Jesus é o que nos anunciará todos os dias. Recordará à comunidade dos crentes a mensagem de Jesus. Sentimos necessidade de ter Jesus pertinho de nós? Precisas d’Ele para caminhar firme? Só temos que abrir o coração ao seu Espírito, que Ele mesmo deixou entre nós, para fazer-se presente nas nossas vidas.

Tudo o que o Pai tem é meu.
“Tudo o que é Meu é Teu e tudo o que é Teu é Meu”, dirá Jesus mais adiante (17,10), num momento de profunda intimidade e oração com o Pai. O amor de Deus Pai que pensou em nós quando nada existia, e que nos deu guarida em seu coração, antes de nos formar no seio materno, é o mesmo amor de Jesus, que se entregou por nós, sem reservas, até às últimas consequências e continua a entregar-se através do seu Espírito. “Tudo o que o Pai tem é meu”: os seus projetos para a humanidade, o seu amor, o seu desejo de vivermos como filhos agradecidos e como irmãos… tudo isto foi abraçado por Jesus, tudo isto também é de Jesus, tudo isto deveria ser nosso, porque querido por nosso Pai. Assim revelaríamos ao mundo a mesma intimidade forte entre Jesus e o Pai.

Por isso vos disse que Ele receberá do que é meu e vo-lo anunciará».
Com esta expressão Jesus reforça a unidade e intimidade que o Espírito tem com Ele próprio e com o Pai. No entanto, de pouco nos servirá confessar a Trindade de Deus se não nos sentimos amados por Ele. Deixemo-nos conduzir pelo Espírito de Jesus, para que nos guia para Deus. Nada vale acreditar em Deus Pai, Filho e Espírito Santo, se não nos sentirmos filhos desse mesmo Deus e irmãos uns dos outros. A escuta atenta da voz do Espírito é a certeza da escuta da voz de Jesus, da sua palavra, dos seus projetos para nós, da forma como procedemos como seus discípulos. ‘Tudo o que é do Pai é nosso’… assim, o seu amor por cada um de nós está nas nossas mãos.

Algumas perguntas
1. Hoje existe um grande perigo que ameaça as comunidades cristãs. Estamos a cair na tentação de dividir Jesus, seguindo ou a um Jesus homem que com o seu agir mudou a história ou a um Jesus glorioso separado da sua existência terrena e, portanto, da nossa?
2. Estamos conscientes de que Jesus não é só um exemplo do passado mas é também, e sobretudo, o Salvador que está presente hoje no meio de nós? Que Jesus não é só objecto de contemplação e alegria mas o Messias com quem é preciso colaborar através do seu seguimento e da sua obra?
3. Deus não é uma abstracção, mas o Pai faz-se visível em Jesus. Empenhas-te em “vê-lo” e reconhecê-lo na humanidade de Jesus?
4. Estás atento ao Espírito da verdade que te comunica a verdade total acerca de Jesus?

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Maria Madalena de Pazzi, o tesouro escondido na Igreja


Aos 16 anos quando entrou no Carmelo
  Santa Maria Madalena de Pazzi (1566-1607), carmelita florentina e mestra de vida espiritual. Tamanha era a fama de sua santidade entre o povo e o clero, que muito cedo, em 1611, deu-se início a seu processo de beatificação. Importantes estudiosos afirmam que “Maria Madalena de Pazzi, ao lado de Ângela de Foligno e de Catarina de Sena, é, entre as italianas, a escritora espiritual mais conhecida”.
   Numa das famílias de maior destaque da nobreza florentina, Catarina nasceu em 2 de abril de 1566, segunda filha de Maria Buondelmonti e Camillo di Geri de’ Pazzi. Em dois períodos (de 1574 a 1578 e de 1580 a 1581), foi educanda em San Giovannino pelas Cavaleiras de Malta.
   Fez a Primeira Comunhão pouco antes de cumprir dez anos; dias depois se entregou para sempre ao Senhor com uma promessa de virgindade. Seus pais a pressionaram para que se casasse, porém ela se negou por ser fiel à sua vocação religiosa.
   Na idade de 16 anos entrou nas Carmelitas descalças (17 de novembro de 1582) no convento de Santa Maria dos Anjos de Florença, o mais antigo da 2ª Ordem, bem pouco tempo depois do final do Concílio de Trento (1545-1563). Recebeu o hábito em 1583, tomando o nome Maria Madalena. Em 29 de maio de 1584, estando tão doente que se temia que não se recuperasse, fez sua profissão como religiosa.
  Os primeiros cinco anos de vida monástica são os mais conhecidos da biografia de Santa Maria Madalena. No grande Carmelo de Santa Maria dos Anjos (o mais antigo da ordem), com quase oitenta monjas no período em que viveu Madalena, várias delas tinham um elevado perfil espiritual, desde a Madre Evangelista del Giocondo até Pacifica del Tovaglia, amiga e uma das principais “secretárias” da santa.
   Desde que recebeu o hábito até sua morte experimentou uma série de raptos e êxtases. Depois de sua profissão experimentou êxtases diários por 40 dias consecutivos. Ao final deste tempo parecia estar perto da morte. Entretanto, se recuperou milagrosamente, pela intercessão da Beata Maria Bartolomea Bagnesi, dominicana, cujo corpo incorrupto estava sepultado no Convento de Santa Maria dos Anjos.
 Dai em diante, apesar de sua saúde precária, pode cumprir com esmero as obrigações que lhe destinaram e praticar uma dura penitência.
  Algumas características de seus raptos e êxtases: às vezes os raptos eram tão fortes, que a induziam a movimentos rápidos (por exemplo, em direção a um objeto sagrado); frequentemente podia, em êxtase, levar a cabo seu trabalho com perfeita compostura e eficiência; durante seus momentos de rapto expressava máximas do amor divino e conselhos para a perfeição das almas, especialmente para as religiosas - estas foram copiadas por suas irmãs religiosas e foram publicadas; às vezes ela falava em seu nome, outras em nome de uma ou de outra Pessoa da Santíssima Trindade; os estados de êxtases não interferiam no serviço da santa na comunidade - manifestava um forte sentido comum, um governo estrito e disciplinado, acompanhado por uma grande caridade, o que a fez muito amada até sua morte.
   Por cerca de vinte anos ela viveu ocupada silenciosamente com essa mistura de oração e trabalho que é própria da vida monástica. Depois de ter sido responsável pela acolhida das jovens que vinham para o alojamento de forasteiras (1586-1589), ela esteve ligada, de várias maneiras, à formação das jovens a partir de 1589, até se tornar sub-prioresa a partir de 1604.
    A Santa fez muitos milagres e possuía dons extraordinários. Como mestra de noviças era notável seu milagroso dom de ler as mentes, não apenas das noviças, como também de pessoas fora do convento. Com frequência via as coisas à distância. Conta-se que em uma ocasião viu milagrosamente Santa Catarina de Ricci em seu convento de Prato lendo uma carta que lhe havia enviado e escrevendo a resposta, embora nunca se tivessem conhecido de maneira natural. Tinha o dom de profecia e de cura.
   Deus permitiu que ela sofresse a prova de uma terrível desolação interna, fortes tentações e ataques diabólicos externos por cinco anos (1585-90). Venceu a prova por sua valente adesão ao Senhor e sua humildade, cresceu em virtude e depois experimentou grande consolação.
Santa Maria Madalena de Pazzi era chamada a rezar e fazer penitência pela reforma de “todos os estados de vida na Igreja” e pela conversão de todos os homens. Ensinou que o sofrimento nos leva a um profundo nível espiritual e ajuda a salvar a alma. Por isso amava o sofrimento por amor de Deus e pela salvação das almas.
   A mística da Santa, na escola de Santa Catarina de Sena, é uma mística que chama à conversão todo o povo de Deus, não para “repreendê-lo”, como afirmam alguns, mas para que, diante do Espírito Santo que bate à porta, alguém “se abra a esse dom”.
 Nos três últimos anos de vida ficou inválida com grandes sofrimentos que aceitou com alegria heroica até o fim. Morreu no convento em 25 de maio de 1607 aos quarenta e um anos.
  Inúmeros milagres ocorreram depois de sua morte. Beatificada em 8 de maio de 1626 pelo Papa Urbano VIII, foi canonizada em 28 de abril de 1669 pelo Papa Clemente IX. Seu corpo incorrupto permanece na igreja de Santa Maria dos Anjos em Florença.

Oração de Combate Espiritual (Santa Maria Madalena de Pazzi

Ó Maria, quem vos olha, sente-se confortado em todas as suas aflições, tribulações, penas, vencedor de todas as tentações. Quem não sabe quem é Deus, recorra a vós, Maria! Quem não encontra misericórdia em Deus, recorra a vós, Maria! Quem não tem conformidade com a vontade de Deus, recorra a vós, Maria! Quem se abate pela fraqueza, recorra a vós, que sois toda forte e poderosa. Quem está em contínua luta, recorra a vós, que sois mar pacífico... Quem é tentado... recorra a vós, que sois Mãe da humildade, e nada afasta mais o demônio, que a humildade. Recorra a vós, recorra a vós, Maria! Amém.

Leia, abaixo, a Liturgia das Horas da Festa de Sta Maria Madalena de Pazzi e a Lectio Divina do Sábado da 7ª Semana do Tempo Comum.

25 de maio


SANTA MARIA MADALENA DE PAZZI
virgem de nossa Ordem.
FESTA

Nasceu em Florença em 1566. Educada piedosamente e admitida nas monjas Carmelitas, levou uma vida escondida de oração e abnegação. Pedia incessantemente pela reforma da Igreja e dirigiu as suas irmãs no caminho da perfeição. Morreu no ano de 1607, enriquecida por Deus de graças extraordinárias.

LAUDES

Hino
Tu, que já cantas o hino
que só as virgens entoam,
vê, do céu, tantos eleitos,
que o Carmelo, hoje, povoam.

Bens da terra, Madalena,
tiveste em conta de nada:
servir a Deus, só, quiseste,
como fiel desposada.

Por ser Cristo tua vida,
que imenso amor te prendeu!
Ele ungiu teu coração
e trocou-o pelo Seu.

Da mente a sublimes vôos
pelo Espírito te alçaste;
de amor ardente, ferida,
alta mística ensinaste.

Simples e obediente,
teu coração ilibado
deixou no claustro e na Igreja
o seu rastro perfumado.

Glória a quem a ti, por mestra,
às almas quis apontar.
Que esse Deus Trino, prá sempre,
por ti possamos gozar.

Ant 1. Por vós suspiro como a terra sequiosa, para ver o vosso poder e a vossa glória (Aleluia!)
Salmos e cântico do domingo da I Semana.
Ant 2. Confesso livremente a Cristo, minha alma está sedenta de Cristo, desejo estar para sempre com Cristo. (Aleluia!).
Ant 3. Com o tímpano e com a dança, com a harpa e com a cítara, todo o ser vivo louve o Senhor (Aleluia!)

Antífona do Cântico Evangélico (Benedictus)
Ant. O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi concedido. Aleluia.

Oração
Senhor, que amais a virgindade e cumulastes de dons celestes a virgem Santa Maria Madalena, abrasada no vosso amor, concedei-nos que, celebrando hoje a sua festa, imitemos o exemplo da sua pureza e caridade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

VÉSPERAS

Hino
Como corça sequiosa
desejavas noite e dia
aquela água misteriosa
da divina Eucaristia.

Nela o Filho te levava
ao Pai, que ali adoravas;
e o Amor te abrasava
o coração que Lhe davas.

Até que um dia mereceste
receber de sua mão,
em troca do que Lhe deste,
o seu próprio Coração.

Com a voz e com a vida
cantemos também contigo
à Trindade aqui escondida
em moídos grãos de trigo.

Ant 1. O meu coração e a minha carne exultam no Deus vivo. (Aleluia!)
Salmos e cântico do Comum das Santas Virgens
Ant 2. Na casa da mãe do meu Senhor eu falava de paz e de pureza. (Aleluia!)
Ant 3. Redimidos pelo Sangue de Cristo e assinalados pelo Espírito Santo, vivamos para o louvor da glória do Pai. (Aleluia!)

Antífona do Cântico Evangélico (Magnificat)
Ant. Conuzir-te-ei ao deserto e falar-te-ei ao coração.  Desposar-te-ei para sempre na misericórdia e no amor, e conhecerás o Senhor. Aleluia!

Oração
Senhor, que amais a virgindade e cumulastes de dons celestes a virgem Santa Maria Madalena, abrasada no vosso amor, concedei-nos que, celebrando hoje a sua festa, imitemos o exemplo da sua pureza e caridade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

Sábado VII do Tempo Comum


As orações do Mês de Maria estão na pasta de Informações e Orações.

Evangelho (Mc 10,13-16): Algumas pessoas traziam crianças para que Jesus as tocasse. Os discípulos, porém, as repreenderam. Vendo isso, Jesus se aborreceu e disse: «Deixai as crianças virem a mim. Não as impeçais, porque a pessoas assim é que pertence o Reino de Deus. Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele!». E abraçava as crianças e, impondo as mãos sobre elas, as abençoava.

Comentário: Rev. D. Josep Lluís SOCÍAS i Bruguera (Badalona, Barcelona, Espanha)

Deixai as crianças virem a mim

Hoje, as crianças são notícia. Mais que nunca, as crianças têm muito que dizer, porém que a palavra "criança" significa "aquele que não fala". O vemos nos meios tecnológicos: eles são capazes de fazê-los funcionar, de usá-los e, até, ensinar aos adultos sua correta utilização. Já dizia um articulista que, «apesar de que as crianças não falam, elas pensam».

No fragmento do Evangelho de Marcos encontramos varias considerações. «Algumas pessoas traziam crianças para que Jesus as tocasse. Os discípulos, porém, as repreenderam» (Mc 10,13). Mas o Senhor, a quem no Evangelho lido nos últimos dias o vimos fazer de tudo para todos, com maior certeza se faz com as crianças. Assim, «Vendo isso, Jesus se aborreceu e disse: ‘Deixai as crianças virem a mim. Não as impeçais, porque a pessoas assim é que pertence o Reino de Deus´» (Mc 10,14).

A caridade é ordenada: começa pelo mais necessitado. Quem está, pois, mais necessitado, mais "pobre" do que uma criança? Todo mundo tem direito a aproximar-se a Jesus; e a criança é a primeira que gozara deste direito: «Deixai as crianças virem a mim» (Mc 10,14).

Mas vejamos que, ao acolher aos mais necessitados, nós somos os primeiros beneficiados. Por isto, o Mestre adverte: «Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele!» (Mc 10,15). E, correspondendo ao talante simples e aberto das crianças, Ele as «abraçava (...) e, impondo as mãos sobre elas, as abençoava» (Mc 10,16).

Temos de aprender a arte de acolher o Reino de Deus. Quem for como uma criança — como os antigos "pobres de Yaveh"— percebe com facilidade que tudo é um dom, tudo é uma graça. E, para "receber" o favor de Deus, ouvir e contemplar com "silêncio receptivo". Segundo São Inácio de Antioquia, «vale mais calar e ser, do que falar e não ser (...). Aquele que possui a palavra de Jesus pode também, em verdade, escutar o silêncio de Jesus».

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* O evangelho de anteontem trazia conselhos de Jesus sobre o relacionamento dos adultos com os pequenos e excluídos (Mc 9,41-50). O evangelho de ontem trazia conselhos sobre o relacionamento entre homem e mulher, marido e esposa (Mc 10,1-12). O evangelho de hoje traz conselhos sobre o relacionamento com as mães e as crianças. Com os pequenos e excluídos Jesus pedia o máximo de acolhimento. No relacionamento homem-mulher, pedia o máximo de igualdade. Agora, com as crianças e suas mães, ele pede o máximo de ternura.

* Marcos 10,13-16: Receber o Reino como uma criança.
Trouxeram crianças para que Jesus as tocasse. Os discípulos tentam impedir. Por que impedem? O texto não diz. Talvez seja pelo fato de, conforme as normas rituais da época, crianças pequenas com suas mães, viverem quase constantemente na impureza legal. Tocar nelas significaria contrair impureza! Elas tocando em Jesus, ele também ficaria impuro! Mas Jesus não se incomoda com estas normas rituais da pureza legal. Ele corrige os discípulos e acolhe as mães com as crianças. Toca nelas, lhes dá um abraço dizendo: "Deixem as crianças vir a mim. Não lhes proíbam, porque o Reino de Deus pertence a elas”. E ele comenta: “Eu garanto a vocês: quem não receber como criança o Reino de Deus, nunca entrará nele." Então Jesus abraçou as crianças e abençoou-as, pondo a mão sobre elas. O que significa esta frase?
1) A criança recebe tudo dos pais. Ela não consegue merecer o que recebe, mas vive do amor gratuito.
2) Os pais recebem a criança como um dom de Deus e cuidam dela com todo carinho.
A preocupação dos pais não é dominar a criança, mas sim amá-la e educá-la, para que cresça e se realize!

* Um sinal do Reino: Acolher os pequenos e os excluídos
Há muitos sinais da presença atuante do Reino na vida e na atividade de Jesus. Um deles é a sua maneira de acolher as crianças e os pequenos. Além do episódio do evangelho de hoje, eis uma lista de alguns outros momentos de acolhida aos pequenos e crianças:

1. Acolher e não escandalizar. Uma das palavras mais duras de Jesus é contra aqueles que causam escândalo nos pequenos, isto é, que são o motivo pelo qual os pequenos deixam de crer em Deus. Para estes, melhor seria ter uma pedra de moinho amarrada no pescoço e ser jogado nas profundezas do mar (Mc 9,42; Lc 17,2; Mt 18,6).

2. Identificar-se com os pequenos. Jesus abraça as crianças e identifica-se com elas. Quem recebe uma criança, é a "mim que recebe" (Mc 9,37). “E tudo que vocês fizerem a um destes mais pequenos foi a mim que o fizeram” (Mt 25,40).

3. Tornar-se como criança. Jesus pede que os discípulos se tornem como criança e aceitem o Reino como criança. Sem isso não é possível entrar no Reino (Mc 10,15; Mt 18,3; Lc 9,46-48). Ele coloca a criança como professor de adulto! O que não era normal. Costumamos fazer o contrário.

4. Defender o direito da criança de gritar. Quando Jesus, entrando no Templo, derruba as mesas dos cambistas, são as crianças as que mais gritam. “Hosana ao filho de Davi!” (Mt 21,15). Criticadas pelos chefes dos sacerdotes e escribas, Jesus as defende e, em sua defesa, invoca até as Escrituras (Mt 21,16).

5. Agradecer pelo Reino presente nos pequenos. A alegria de Jesus é grande, quando percebe que as crianças, os pequenos, entendem as coisas do Reino que ele anunciava ao povo. “Pai, eu te agradeço!” (Mt 11,25-26) Jesus reconhece que os pequenos entendem melhor as coisas do Reino do que os doutores!

6. Acolher e curar. São muitas as crianças e jovens que ele acolhe, cura ou ressuscita: a filha do Jairo de 12 anos (Mc 5,41-42), a filha da mulher cananéia (Mc 7,29-30), o filho da viúva de Naim (Lc 7, 14-15), o menino epilético (Mc 9,25-26), o filho do Centurião (Lc 7,9-10), o filho do funcionário público (Jo 4,50), o menino dos cinco pães e dois peixes (Jo 6,9).

Para um confronto pessoal
1) Na nossa sociedade e na nossa comunidade, quem são os pequenos e os excluídos? Como está sendo o acolhimento que nós damos a eles?
2) Na minha vida, o que já aprendi das crianças sobre o Reino de Deus?

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Sexta-feira da 7ª semana do Tempo Comum


As orações do Mês de Maria estão na pasta de Informações e Orações

Evangelho (Mc 10,1-12): Jesus se pôs a caminho e foi dali para a região da Judeia, pelo outro lado do rio Jordão. As multidões mais uma vez se ajuntaram ao seu redor, e ele, como de costume, as ensinava. Aproximaram-se então alguns fariseus e, para experimentá-lo, perguntaram se era permitido ao homem despedir sua mulher Jesus perguntou: «Qual é o preceito de Moisés a respeito?». Os fariseus responderam: «Moisés permitiu escrever um atestado de divórcio e despedi-la». Jesus então disse: «Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés escreveu este preceito. No entanto, desde o princípio da criação Deus os fez homem e mulher. e os dois formarão uma só carne; assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu o homem não separe!». Em casa, os discípulos fizeram mais perguntas sobre o assunto. Jesus respondeu: «Quem despede sua mulher e se casa com outra, comete adultério contra a primeira. E se uma mulher despede seu marido e se casar com outro, comete adultério também».

Comentário: Rev. D. Miquel VENQUE i To (Barcelona, Espanha)

Como de costume, as ensinava

Hoje, Senhor, gostaria de fazer um momento de oração para te agradecer os teus ensinamentos. Tu ensinavas com autoridade e fazia-lo sempre que te deixávamos, aproveitavas todas as ocasiões: claro! Compreendo-te, a tua missão básica era transmitir a Palavra do Pai. E assim o fizeste.

Hoje, “pendurado” na Internet digo-te: Fala-me, quero fazer um momento de oração como fiel discípulo. Em primeiro lugar, queria pedir-te capacidade para aprender o que nos ensinas e em segundo, para saber ensiná-lo. Reconheço que é muito fácil cometer o erro de fazer-te dizer coisas que Tu não disseste e, com ousadia malévola, tentar que Tu digas aquilo que eu gosto. Reconheço que provávelmente sou mais duro de coração que esses ouvintes.

Eu conheço o teu Evangelho, o Magistério da Igreja, o Catecismo, e recordo aquelas palavras do Papa João Paulo II, na Carta às Famílias: «O projeto do utilitarismo assente numa liberdade orientada segundo o sentido individualista, quer dizer, uma liberdade vazia de responsabilidade, é o constitutivo da antítese do amor». Senhor, rompe o meu coração desejoso de felicidade utilitarista e faz-me entrar dentro da tua verdade divina, que tanto necessito.

Neste local de observação, como desde o cimo da montanha, compreendo que Tu digas que o amor matrimonial é definitivo, que o adultério —apesar de ser pecado como toda a ofensa grave cometida contra ti, que és o Senhor da Vida e do Amor— é um caminho errado para a felicidade: «Quem despede sua mulher e se casa com outra, comete adultério contra a primeira» (Mc 10,11).

Recordo um jovem que dizia: «Mossèn o pecado promete muito, não dá nada e rouba tudo». Que eu te compreenda bom Jesus, e que o saiba explicar: Aquilo que Tu uniste, o homem não o pode separar (cf. Mc 10,9). Fora daqui, fora dos teus caminhos, não encontrarei a autêntica felicidade. Jesus ensina-me de novo!

Obrigado Jesus, sou duro de coração, mas sei que tens razão.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* O evangelho de ontem trazia conselhos de Jesus sobre o relacionamento entre adultos e crianças, entre os grandes e os pequenos da sociedade. O evangelho de hoje traz conselhos sobre como deve ser o relacionamento entre homem e mulher, entre marido e mulher.

* Marcos 10,1-2: A pergunta dos fariseus: “o marido pode mandar a mulher embora?”
A pergunta é maliciosa. Ela pretende colocar Jesus à prova: “É lícito a um marido repudiar sua mulher?” Sinal de que Jesus tinha uma opinião diferente, pois do contrário os fariseus não iriam interrogá-lo sobre este assunto. Não perguntam se é lícito a esposa repudiar o marido. Isto nem passava pela cabeça deles. Sinal claro da forte dominação machista e da marginalização da mulher na sociedade daquele tempo.

* Marcos 10,3-9: A resposta de Jesus: o homem não pode repudiar a mulher.
Em vez de responder, Jesus pergunta: “O que diz a lei de Moisés?” A lei permitia o homem escrever uma carta de divórcio e repudiar sua mulher. Esta permissão revela o machismo. O homem podia repudiar a mulher, mas a mulher não tinha este mesmo direito. Jesus explica que Moisés agiu assim por causa da dureza de coração do povo, mas a intenção de Deus era outra quando criou o ser humano. Jesus volta ao projeto do Criador e nega ao homem o direito de repudiar sua mulher. Ele tira o privilégio do homem frente à mulher e pede o máximo de igualdade entre os dois.

* Marcos 10,10-12: Igualdade homem e mulher.
Em casa, os discípulos fazem perguntas sobre este assunto. Jesus tira as conclusões e reafirma a igualdade de direitos e deveres entre homem e mulher. Ele propõe um novo tipo de relacionamento entre os dois. Não permite o casamento em que o homem pode mandar a mulher embora, nem vice-versa. O evangelho de Mateus acrescenta um comentário dos discípulos sobre este assunto. Eles dizem: “Se a situação do homem com a mulher é assim, então é melhor não se casar” (Mt 19,10). Preferem não casar, do que casar sem o privilégio de poder continuar mandando na mulher e sem o direito de poder pedir divórcio caso ela não lhe agradar mais. Jesus vai até o fundo da questão e diz que há somente três casos em que se permite uma pessoa não casar: "Nem todos entendem isso, a não ser aqueles a quem é concedido. De fato, há homens castrados, porque nasceram assim; outros, porque os homens os fizeram assim; outros, ainda, se castraram por causa do Reino do Céu. Quem puder entender, entenda" (Mt 19,11-12).
Os três casos são: “(1) impotência, (2) castração e (3) por causa do Reino. Não casar só porque o homem se recusa a perder o domínio sobre a mulher, isto, a Nova Lei do Amor já não o permite! Tanto o casamento como o celibato, ambos devem estar a serviço do Reino e não a serviço de interesses egoístas. Nenhum dos dois pode ser motivo para manter o domínio machista do homem sobre a mulher. Jesus modificou o relacionamento homem-mulher, marido-esposa.

Para um confronto pessoal
1) Na minha vida pessoal, como vivo o relacionamento homem-mulher?
2) Na vida da minha família e da minha comunidade, como está sendo o relacionamento homem-mulher?

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Quinta-feira da 7ª semana do Tempo Comum


As orações do Mês de Maria estão na pasta de Informações e Orações.

Evangelho (Mc 9,41-50): «Quem vos der um copo de água para beber porque sois de Cristo, não ficará sem receber a sua recompensa. E quem provocar a queda um só destes pequenos que crêem em mim, melhor seria que lhe amarrassem uma grande pedra de moinho ao pescoço e o lançassem no mar. Se tua mão te leva à queda, corta-a! É melhor entrares na vida tendo só uma das mãos do que, tendo as duas, ires para o inferno, para o fogo que nunca se apaga. Se teu pé te leva à queda, corta-o! É melhor entrar na vida tendo só um dos pés do que, tendo os dois, ser lançado ao inferno. Se teu olho te leva à queda, arranca-o! É melhor entrar no Reino de Deus tendo um olho só do que, tendo os dois, ir para o inferno, onde o verme deles não morre e o fogo nunca se apaga. Todos serão salgados pelo fogo. O sal é uma coisa boa; mas se o sal perder o sabor, como devolver-lhe o sabor? Tende sal em vós mesmos e vivei em paz uns com os outros».

Comentário: Rev. D. Xavier PARÉS i Saltor (La Seu d'Urgell, Lleida, Espanha)

Quem vos der um copo de água para beber porque sois de Cristo, não ficará sem receber a sua recompensa

Hoje, o Evangelho proclamado é difícil de ser compreendido pela dureza das palavras de Jesus: «Se tua Mão te leva à queda, corta-a! (...). Se teu olho te leva à queda, arranca-o!» (Mc 9,43.47). É que Jesus é muito exigente com aqueles que somos seus seguidores. Simplesmente, Jesus nos diz que temos de saber renunciar às coisas que nos fazem mal, ainda que sejam coisas que gostamos muito, mas que podem ser motivo de pecado e de vicio. São Gregório deixou escrito «que não temos de desejar as coisas que só nos satisfazem as necessidades materiais e pecaminosas». Jesus exige que sejamos radicais. Em outro trecho do Evangelho também diz: «Quem buscar sua vida a perderá, e quem perder sua vida por causa de mim a encontrará» (Mt 10,39).

Por outro lado, esta exigência de Jesus quer ser uma exigência de amor e crescimento. Não quedaremos sem a sua recompensa. O que dará sentido às nossas coisas tem de ser sempre o amor: temos de aprender a dar um copo de água a quem o necessita, e não por interesse pessoal, senão por amor. Temos que descobrir Jesus Cristo nos mais necessitados e pobres. Jesus só denuncia severamente e condena aos que fazem mal e escandalizam e aos que afastam os pequenos do bem e da graça de Deus.

Finalmente, todos temos de passar a prova do fogo. É o fogo da caridade e do amor que purifica os nossos pecados, para poder ser o sal que dá bom gosto ao amor, ao serviço e à caridade. Na oração e na Eucaristia é onde os cristãos encontramos a força da fé e o bom gosto do sal de Cristo. Não ficaremos sem recompensa!

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* O Evangelho de hoje traz alguns conselhos de Jesus sobre o relacionamento dos adultos com os pequenos e excluídos. Naquele tempo, muita gente pequena era excluída e marginalizada. Não podia participar. Muitos deles perdiam a fé. O texto que vamos meditar tem algumas afirmações estranhas que, se tomadas ao pé da letra, causam perplexidade na gente.

* Marcos 9,41: Um copo de água tem recompensa.
Uma frase solta de Jesus foi inserida aqui: Eu garanto a vocês: quem der para vocês um copo de água porque vocês são de Cristo, não ficará sem receber sua recompensa. Dois pensamentos:
1) “Quem der para vocês um copo de água”: Jesus está indo para Jerusalém para entregar sua vida. Gesto de grande doação! Mas ele não esquece os gestos pequenos de doação no dia a dia da vida: um copo de água, um acolhimento, uma esmola, tantos gestos. Quem despreza o tijolo, nunca faz casa!
2) “Porque vocês são de Cristo”: Jesus se identifica conosco que queremos pertencer a Ele. Isto significa que, para Ele, temos muito valor.

* Marcos 9,42: Escândalo para os pequenos.
Escândalo, literalmente, é pedra no caminho, pedra no sapato; é aquilo que desvia uma pessoa do bom caminho. Escandalizar os pequenos é ser motivo pelo qual os pequenos se desviam do caminho e percam a fé em Deus. Quem faz isto recebe a seguinte sentença: “Corda no pescoço com pedra de moinho para ser jogado no fundo do mar!” Por que tanta severidade? É porque Jesus se identifica com os pequenos (Mt 25,40.45). Quem toca neles, toca em Jesus! Hoje, no mundo inteiro, os pequenos, os pobres, muitos deles estão saindo das igrejas tradicionais. Cada ano, só na América Latina, são em torno de três milhões de pessoas que migram para outras igrejas. Já não conseguem crer no que professamos na nossa igreja! Por que será? Até onde nós temos culpa? Merecemos a corda no pescoço?

* Marcos 9,43-48: Cortar mão e pé, arrancar o olho.
Jesus manda a pessoa arrancar mão, pé e olho, caso estes forem motivo de escândalo. Ele diz: “É melhor entrar na vida ou no Reino com um pé (mão, olho), do que entrar no inferno ou na geena com dois pés (mãos, olhos)”. Estas frases não podem ser tomadas ao pé da letra. Elas significam que a pessoa deve ser radical na opção por Deus e pelo Evangelho. A expressão ”geena (inferno) onde tem verme que não morre e o fogo que não se apaga”, é uma imagem para indicar a situação da pessoa que fica sem Deus. A geena era o nome de um vale perto de Jerusalém, onde se jogava o lixo da cidade e onde sempre havia um fogo de monturo queimando o lixo. Este lugar fedorento era usado pelo povo para simbolizar a situação da pessoa que ficava sem participar do Reino de Deus.

* Marcos 9,49-50: Sal e Paz
Estes dois versículos ajudam a entender as palavras severas sobre o escândalo. Jesus diz: “Tenham sal em vocês, e estejam em paz uns com os outros!” A comunidade, na qual se convive em paz, uns com os outros, é como o pouco de sal que tempera a comida toda. A convivência pacífica e fraterna na comunidade é o sal que tempera a vida do povo no bairro. É um sinal do Reino, uma revelação da Boa Notícia de Deus. Estamos sendo sal? Sal que não tempera não serve para mas nada!

* Jesus acolhe e defende a vida dos pequenos
Várias vezes, Jesus insiste no acolhimento a ser dado aos pequenos. “Quem acolhe a um destes pequenos em meu nome é a mim que acolhe” (Mc 9,37). Quem dá um copo de água a um destes pequenos não perderá a sua recompensa (Mt 10,42). Ele pede para não desprezar os pequenos (Mt 18,10). E no julgamento final os justos vão ser recebidos porque deram de comer a “um destes mais pequeninos” (Mt 25,40). Se Jesus insiste tanto no acolhimento a ser dado aos pequenos, é porque devia haver muita gente pequena sem acolhimento! De fato, mulheres e crianças não contavam (Mt 14,21; 15,38), eram desprezadas (Mt 18,10) e silenciadas (Mt 21,15-16). Até os apóstolos impediam que elas chegassem perto de Jesus (Mt 19,13; Mc 10,13-14). Em nome da lei de Deus, mal interpretada pelas autoridades religiosas da época, muita gente boa era excluída. Em vez de acolher os excluídos, a lei era usada para legitimar a exclusão. Nos evangelhos, a expressão “pequenos” (em grego se diz elachistoi, mikroi ou nepioi), às vezes, indica “criança”, outras vezes, indica os setores excluídos da sociedade. Não é fácil discernir. Às vezes, o que é “pequeno” num evangelho, é “criança” no outro. É porque criança pertencia à categoria dos “pequenos”, dos excluídos. Além disso, nem sempre é fácil discernir entre o que vem do tempo de Jesus e o que é do tempo das comunidades para as quais foram escritos os evangelhos. Mesmo assim, o que resulta claro é o contexto de exclusão que vigorava na época e a imagem que as primeiras comunidades conservaram de Jesus: Jesus se coloca do lado dos pequenos, dos excluídos, e assume a sua defesa.

Para um confronto pessoal
1) Na nossa sociedade e na nossa comunidade, quem são hoje os pequenos e os excluídos? Como está sendo o acolhimento que nós damos a eles?
2) “Corda no pescoço”. Será que o meu comportamento merece a corda ou uma cordinha no pescoço? E o comportamento da nossa comunidade: merece?

terça-feira, 21 de maio de 2013

22 de maio


Santa Joaquina de Vedruna, religiosa,
Religiosa de nossa Ordem
Fundadora das Carmelitas da Caridade
Memória facultativa


Nasceu em Barcelona (Espanha) no dia 16 de abril de 1783. Casou-se aos 16 anos com Teodoro de Mas e ficou viúva aos 33, com 9 filhos que educou cristãmente. Em 1826, movida por uma inspiração divina, fundou a Congregação das Irmãs Carmelitas da Caridade. A sua obra difundiu-se rapidamente por toda a Catalunha e dedicava-se ao cuidado dos doentes e à educação cristã das crianças, especialmente dos pobres. A sua espiritualidade assenta, sobretudo, na contemplação do mistério da SS. Trindade, donde brotam algumas características pessoais: oração, mortificação, desapego, humildade e caridade. Morreu em Vich em 1854. Beatificada a 19 de maio de 1940 por Pio XII, foi canonizada a 12 de abril de 1959 por João XXIII.

Tudo do comum das Santas Mulheres (para religiosas), exceto:

Cântico Evangélico (Benedictus)
Ant. Nisto conhecerão que sois meus discípulos se tiverdes amos uns para com os outros (T.P. Aleluia)

Oração
Senhor, nosso Deus, que suscitastes na vossa Igreja Santa Joaquina para a educação cristã da juventude e para alívio dos enfermos, concedei-nos que, seguindo o seu exemplo, dediquemos a nossa vida a servir-Vos diligentemente nos irmãos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

Cântico Evangélico (Magnificat)
Ant. Todas as vezes que fizestes isto a um dos menores dos meus irmãos, foi a mim que o fizestes, diz o Senhor. (T.P. Aleluia)