terça-feira, 13 de outubro de 2026

Quinta-feira da 28ª semana do Tempo Comum

S. Teresa de Jesus, virgem de nossa Ordem e Doutora da Igreja
 
1ª Leitura (Ef 1,1-10):
Irmãos: Paulo, Apóstolo de Jesus Cristo por vontade de Deus, aos cristãos que vivem em Éfeso, fiéis em Jesus Cristo. A graça e a paz de Deus, nosso Pai, e de Jesus Cristo, nosso Senhor, estejam convosco. Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto dos Céus nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo. N’Ele nos escolheu, antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, em caridade, na sua presença. Ele nos predestinou, conforme a benevolência da sua vontade, a fim de sermos seus filhos adoptivos, por Jesus Cristo, para louvor da sua glória e da graça que derramou sobre nós, por seu amado Filho. N’Ele, pelo seu sangue, temos a redenção e a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça, que Ele nos concedeu em abundância, com plena sabedoria e inteligência. Ele deu-nos a conhecer o mistério da sua vontade, o desígnio de benevolência n’Ele de antemão estabelecido, para se realizar na plenitude dos tempos: instaurar todas as coisas em Cristo, tudo o que há nos Céus e na terra.
 
Salmo Responsorial: 97
R. O Senhor revelou a sua salvação.
 
Cantai ao Senhor um cântico novo pelas maravilhas que Ele operou. A sua mão e o seu santo braço Lhe deram a vitória.
 
O Senhor deu a conhecer a salvação, revelou aos olhos das nações a sua justiça. Recordou-Se da sua bondade e fidelidade em favor da casa de Israel.
 
Os confins da terra puderam ver a salvação do nosso Deus. Aclamai o Senhor, terra inteira, exultai de alegria e cantai.
 
Cantai ao Senhor ao som da cítara, ao som da cítara e da lira; ao som da tuba e da trombeta, aclamai o Senhor, nosso Rei.
 
Aleluia. Eu sou o caminho, a verdade e a vida, diz o Senhor: ninguém vai ao Pai senão por Mim. Aleluia.
 
Evangelho (Lc 11,47-54): Naquele tempo, o Senhor disse: «Ai de vós, porque construís os túmulos dos profetas! No entanto, foram vossos pais que os mataram. Com isso, sois testemunhas e aprovais as ações de vossos pais, pois eles mataram os profetas e vós construís os túmulos. É por isso que a sabedoria de Deus afirmou: Eu lhes enviarei profetas e apóstolos, e a alguns, eles matarão ou perseguirão; por isso se pedirá conta a esta geração do sangue de todos os profetas derramado desde a criação do mundo, desde o sangue de Abel até o sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e o Santuário. Sim, eu vos digo: esta geração terá de prestar conta disso. Ai de vós, doutores da Lei, porque ficastes com a chave da ciência!: vós mesmos não entrastes, e ainda impedistes os que queriam entrar». Quando Jesus saiu de lá, os escribas e os fariseus começaram a importuná-lo e a provocá-lo em muitos pontos, armando ciladas para apanhá-lo em suas próprias palavras.
 
«Construís os túmulos dos profetas! No entanto, foram vossos pais que os mataram»
 
Rev. D. Pedro-José YNARAJA i Díaz (El Montanyà, Barcelona, Espanha)
 
Hoje o Evangelho nos fala do sentido, aceitação e trato dado aos profetas: «Eu lhes enviarei profetas e apóstolos, e a alguns, eles matarão ou perseguirão» (Lc 11,49).
 
São pessoas de diferente condição social ou religiosa, que tem recebido a mensagem divina e tem se impregnado dela; impulsionadas pelo Espírito, o expressam com signos ou palavras compreensíveis para seu tempo. É uma mensagem transmitida através de discursos, nunca lisonjeiros, ou ações, quase sempre difíceis de aceitar. Uma característica da profecia é sua incomodidade. O dom resulta incômodo para aquele que o recebe, o esfolia internamente e, é molesto para seu entorno, que hoje, graças à Internet ou aos satélites, pode se estender ao mundo todo.
 
Os contemporâneos do profeta pretendem o condenar ao silêncio, o caluniam, o desacreditam, assim até que morre. Chega então o momento de lhe erigir o sepulcro e, de lhe organizar homenagens, quando já não incomoda. Não faltam atualmente profetas que gozam de fama universal. A Madre Teresa, João XXIII, Monsenhor Romero... Lembramo-nos daquilo que nos reclamavam e nos exigiam? Aplicamos o que nos fizeram ver? A nossa geração se lhe pedirá contas sob a capa de ozônio que destruiu, da desertificação que nossa dilapidação de água causou, mas também do ostracismo que temos reduzido aos nossos profetas
 
Ainda há pessoas que se reservam para elas o direito de saber em exclusiva, que o compartilham “no melhor dos casos” com os seus, com aqueles que lhe permitem continuar no colo dos seus sucessos e da fama. Pessoas que fecham o passo aos que tentam entrar nos âmbitos do conhecimento, não seja que talvez saibam tanto quanto eles e os ultrapassem: «Ai de vós, doutores da Lei, porque ficastes com a chave da ciência! vós mesmos não entrastes, e ainda impedistes os que queriam entrar».
 
Agora, como nos tempos de Jesus, muitos analisam frases e estudam textos para desacreditar aos que incomodam com suas palavras: É esse nosso agir? «Não há nada mais perigoso que julgar as coisas de Deus com os discursos humanos» (São João Crisóstomo).
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«O que pensar de quem se enfeita com um nome e não o é? Assim, muitos chamam-se cristãos, mas não são encontrados assim na realidade, porque não são o que dizem, nem na vida, nem nos costumes, nem na esperança, nem na caridade» (Santo Agostinho)
 
«É característico da tentação adotar uma aparência moral: não nos convida diretamente a fazer o mal, isso seria muito grosseiro. Finge mostrar-nos o melhor» (Bento XVI)
 
«Em toda a sua vida, Jesus mostra-Se como nosso modelo: Ele é o “homem perfeito”, que nos convida a tornarmo-nos seus discípulos e a segui-Lo; com a sua humilhação, deu-nos um exemplo a imitar; com a sua oração, convida-nos à oração; com a sua pobreza, incita--nos a aceitar livremente o despojamento e as perseguições» (Catecismo da Igreja Católica, nº 520)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
*
Novamente, pela enésima vez, o evangelho de hoje fala do conflito entre Jesus e as autoridades religiosas da época.
 
* Lucas 11,47-48: Ai de vocês, que constroem túmulos para os profetas. “Ai de vocês, porque constroem túmulos para os profetas; no entanto, foram os pais de vocês que os mataram. Com isso, vocês são testemunhas e aprovam as obras dos pais de vocês, pois eles mataram os profetas, e vocês constroem os túmulos”. Mateus diz que se trata de escribas e fariseus (Mt 23,19). O raciocínio de Jesus é claro. Se os pais mataram os profetas e os filhos construíram os túmulos, é porque os filhos  aprovaram o crime dos pais. Além disso, todo mundo sabe que profeta morto não incomoda. Deste modo os filhos tornam-se testemunhas e cúmplices no mesmo crime (cf. Mt 23,29-32).
 
* Lucas 11,49-51: Pedir contas do sangue derramado desde a criação do mundo. “É por isso que a sabedoria de Deus disse: 'Eu lhes enviarei profetas e apóstolos. Eles os matarão e perseguirão, a fim de que se peçam contas a esta geração do sangue de todos os profetas, derramado desde a criação do mundo, desde o sangue de Abel até o sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e o santuário'. Sim, eu digo a vocês: pedirão contas disso a esta geração”. Comparado com o evangelho de Mateus, Lucas costuma oferecer uma versão abreviada do texto de Mateus. Mas aqui ele acrescentou a observação: “derramado desde a criação do mundo, desde o sangue de Abel”. Ele fez a mesma coisa com a genealogia de Jesus. Mateus, que escrevia para os judeus convertidos, começa em Abraão (Mt 1,1.2.17), enquanto Lucas vai até Adão (Lc 3,38). Lucas universaliza e inclui os pagãos, pois escreve o seu evangelho para os pagãos convertidos. A informação sobre o assassinato de Zacarias no Templo é dada pelo livro das Crônicas: “Então o espírito de Deus se apoderou de Zacarias, filho do sacerdote Joiada. Ele se dirigiu ao povo e disse: "Assim fala Deus: Por que é que vocês estão desobedecendo aos mandamentos de Javé? Vocês vão se arruinar. Vocês abandonaram Javé, e ele também os abandona!" Então eles se reuniram contra o profeta e, por ordem do rei, o apedrejaram no pátio do Templo de Javé”.  (2Cr 24,20-21). Jesus conhecia a história do seu povo até nas minúcias. Ele sabe que vai ser o próximo na lista de Abel até Zacarias. Até hoje a lista continua aberta. Muita gente é morta pela causa da justiça e da verdade.
 
* Lucas 11,52: Ai de vocês, especialistas em leis. “Ai de vocês, especialistas em leis, porque vocês se apoderaram da chave da ciência. Vocês mesmos não entraram, e impediram os que queriam entrar". Fecham o Reino como? Eles pensam ter o monopólio da ciência a respeito de Deus e da lei de Deus e impõem o seu modo de ver aos outros, sem deixar margem para um pensamento diferente. Apresentam Deus apenas como juiz severo e em nome de Deus impõem leis e normas que não têm nada a ver com os mandamentos de Deus, falsificam a imagem do Reino e matam nos outros o desejo de servir a Deus e ao Reino. Uma comunidade que se organiza ao redor deste falso deus “não entra no Reino”, nem é expressão do Reino, e impede que seus membros entrem no Reino. É importante notar a diferença entre Mateus e Lucas. Mateus fala da entrada no Reino do céu e a frase é redigida na forma verbal do presente: "Ai de vocês, doutores da Lei e fariseus hipócritas! Vocês fecham o Reino do Céu para os homens. Nem vocês entram, nem deixam entrar aqueles que desejam” (Mt 23,13). A expressão entrar no Reino do Céu pode significar entrar no céu depois da morte, mas é mais provável que se trate da entrada na comunidade ao redor de Jesus e nas comunidades dos primeiros cristãos. Lucas fala da chave da ciência e a frase é redigida na forma verbal do passado. Lucas simplesmente consta que a pretensão dos escribas de possuir a chave da ciência a respeito de Deus e da lei de Deus impediu a eles de reconhecer Jesus como Messias e impediu que o povo judeu reconhecesse Jesus como messias: Vocês se apoderaram da chave da ciência. Vocês mesmos não entraram, e impediram os que queriam entrar.
 
* Lucas 11,53-54: Reação contra Jesus. A reação das autoridades religiosas contra Jesus foi imediata. “Quando Jesus saiu daí, os doutores da Lei e os fariseus começaram a tratá-lo mal, e a provocá-lo sobre muitos pontos. Armavam ciladas, para pegá-lo de surpresa em qualquer coisa que saísse de sua boca”. Considerando-se os únicos intérpretes verdadeiros da lei de Deus, tentam provocar Jesus em torno da interpretação da Bíblia para poder pegá-lo de surpresa em qualquer coisa que saísse de sua boca. Assim, continua e cresce a oposição contra Jesus e cresce o desejo de eliminá-lo (Lc 6,11; 11,53-54; 19,48; 20,19-20; 22,2).
 
Para um confronto pessoal
1) Muitas pessoas que queriam entrar foram impedidas de entrar ou deixaram de crer por causa de atitudes anti-evangélicas de sacerdotes. Você tem experiência neste ponto?
2) Os escribas começaram a criticar Jesus que pensava e agia diferente deles. Não é difícil encontrar motivos para criticar quem pensa diferente de nós. Você tem experiência neste ponto?
 Santa Teresa de Jesus
Virgem de Nossa Ordem e Doutora da Igreja
Patrona da Ordem Terceira do Carmo
 

Nasceu em Ávila (Espanha) no ano 1515. Tendo entrado na Ordem das Carmelitas, fez grandes progressos no caminho da perfeição e teve revelações místicas. Ao empreender a reforma da Ordem teve de sofrer muitas tribulações, mas tudo suportou com coragem invencível. A doutrina profunda que escreveu nos seus livros é fruto das suas experiências místicas. Morreu em Alba de Tormes (Salamanca) no ano 1582.
 
INVITATÓRIO
R. Ao Senhor, Fonte da Sabedoria, vinde adoremos!
 
LAUDES
Hino
Deixando teus pais, Teresa,
quiseste aos mouros pregar,
trazê-los todos ao Cristo,
ou teu sangue derramar.
 
Pena porém mais suave
o Esposo a ti reservou:
tombares de amor ferida,
ao dardo que te enviou.
 
Acende, pois, nossas almas,
na chama do eterno amor:
jamais vejamos do inferno
o fogo devorador.
 
Louvamos contigo ao Filho,
que ao trino Deus nos conduz;
ele é o Jesus de Teresa,
Tu, Teresa de Jesus!
 
Ant 1. A minha alma tem sede de vós e por vós suspira, ó meu Deus.
 
Salmos e cântico do domingo da I Semana
 
Ant 2. Todas as criaturas vos agradeçam, Senhor, e os vossos santos com louvores vos bendigam.
 
Ant.3. As vossas misericórdias, Senhor, eternamente cantarei na assembleia dos vossos santos.
 
Leitura Breve - 2Cor 4,5-7
Não nos pregamos a nós mesmos, pregamos a Jesus Cristo, o Senhor. Quanto a nós, apresentamo-nos a vós como vossos servos por causa de Jesus. Pois o Deus que disse: "Das trevas brilhe a luz!", foi ele quem reluziu em nossos corações, para que brilhe em todo o seu esplendor o conhecimento da sua glória, que se reflete no rosto de Cristo. Ora trazemos este tesouro em vasos de argila, para que reconheçam todos que este poder extraordinário vem de Deus e não de nós.
 
Responsório breve
R. Falou-me o coração * é a vossa face que eu procuro, Senhor.
R. Falou-me o coração.
V. Senhor, a vossa face eu procuro. * É a vossa face.
Glória ao Pai. R. Falou-me o coração.
 
Cântico evangélico
Ant. Quem me ama será amado por meu Pai. Eu o amarei e a ele me manifestarei.
 
Preces
Aclamemos com alegria o Senhor da Glória, a Coroa de todos os Santos, que nos concedeu hoje a graça de celebrarmos Santa Teresa; e digamos:
 
R. Glória a vós, Senhor!
 
Senhor, fonte de vida e de santidade, que manifestais nos vossos Santos as maravilhas da vossa graça,
- queremos com Santa Teresa cantar eternamente as vossas misericórdias. R.
 
Vós, que desejais abrasar todo o mundo com o fogo do vosso Amor,
- fazei que sejamos, como Santa Teresa, servidores do vosso Amor entre os nossos irmãos. R.
 
Vós, que revelais aos vossos Anjos os mistérios do vosso coração,
- associai-nos mais a vós, para que, tendo experimentado melhor o vosso amor em nós, conduzamos os irmãos para vós. R.
 
Vós, que proclamastes bem-aventurados os puros de coração e prometestes que haveriam de ver-vos,
- purificai o nosso olhar, para que vos descubramos em todas as criaturas e nos elevemos sempre para vós. R.
 
Vós, que resistis aos soberbos e dais inteligência aos simples,
- fazei que sejamos humildes de coração, para adquirirmos em benefício de toda a Igreja a sabedoria, que nos enriquece. R.
 
(intenções livres)
 
Pai nosso...
 
Oração
Ó Deus, que pelo Espírito Santo fizestes surgir Santa Teresa para recordar à Igreja o caminho da perfeição, dai-nos encontrar sempre alimento em sua doutrina celeste e sentir em nós o desejo da verdadeira santidade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
 
VÉSPERAS
Hino
Este é o dia em que Teresa,
qual pomba de branca alvura,
à terra tão pouco presa,
o templo do céu procura.
 
As falas do Espírito escuta:
Amada, vem do Carmelo!
Esquece, irmã, tua gruta,
que o meu amor é mais belo.
 
Cantemos o Esposo amado,
que vem desposar Teresa
com seu anel de noivado
e a lâmpada sempre acesa.
 
Ant.1. O Senhor mostrou-me a Cidade Santa, resplandecente da Glória de Deus, e brilhava como pedra preciosíssima.
 
Salmos e Cântico do Comum das Virgens ou dos Doutores da Igreja.
 
Ant.2. Esta é a morada de Deus entre os homens: no meio deles vai habitar o Senhor.
 
Ant.3. Procuro completar na minha própria carne o que falta das tribulações de Cristo, em solidariedade com o seu Corpo, isto é, a Igreja.
 
Leitura breve – Jd 20-21
Vós, porém, caríssimos, edificai-vos mutuamente sobre o fundamento da vossa santíssima fé; rezai no Espírito Santo, de modo que vos mantenhais no amor de Deus, aguardando a misericórdia de Nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna.
 
Responsório breve
R. Vós sois * o templo do Deus Vivo. R. Vós sois.
V. E o Espírito de Deus habita em vós. * O templo.
Glória ao Pai. R. Vós sois.
 
Cântico Evangélico
Ant. Não se perturbe o vosso coração: na casa de meu Pai existem muitas moradas e eu vou preparar um lugar para vós.
 
Preces
Glorifiquemos a Cristo, que amou a sua Igreja e se entregou por ela para santificá-la; e pedindo-lhe que a conserve sempre santa e imaculada em todos os seus membros, digamos com muita confiança:
 
R. Protegei, Senhor, a vossa Igreja!
 
Vós, que sois a Cabeça da Igreja, que alimentais e protegeis.
- fazei que todos os fiéis permaneçam sempre unidos convosco pela fé e pela caridade. R.
 
Vós, que edificastes a Igreja sobre o fundamento dos Apóstolos e, por meio deles, nos ensinais a verdade e nos conduzis à vossa mesa,
- iluminai e dirigi aqueles que colocastes à sua frente. R.
 
Vós, que amastes e escolhestes alguns membros do vosso povo, para que anunciassem a vossa palavra aos irmãos,
- enviai trabalhadores para a vossa messe. R.
                                                                                                                Vós, que não cessais de chamar discípulos que, para edificação da Igreja, vos seguem mais de perto na castidade, pobreza e obediência,
- fazei que todos os religiosos, tendo a Virgem Maria por Mãe e Mestra, vos sigam e sirvam fielmente. R.
 
Vós, que suscitastes na Igreja a família do Carmelo,
- concedei aos Carmelitas a graça da fidelidade ao espírito de oração e de zelo apostólico, a exemplo de Santa Teresa. R.
 
(intenções livres)
 
Vós, que morrestes para nos justificar e ressuscitastes para nos livrar da morte eterna,
- concedei aos nossos irmãos e irmãs falecidos a alegria da Páscoa eterna na comunhão com Maria e todos os vossos Santos. R.
 
Pai Nosso ...
 
Oração
Ó Deus, que pelo Espírito Santo fizestes surgir Santa Teresa para recordar à Igreja o caminho da perfeição, dai-nos encontrar sempre alimento em sua doutrina celeste e sentir em nós o desejo da verdadeira santidade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Quarta-feira da 28ª semana do Tempo Comum

1ª Leitura (Gal 5,18-25):
Irmãos: Se vos deixais conduzir pelo Espírito, não estais sujeitos à Lei de Moisés. As obras da carne são bem conhecidas: luxúria, imoralidade, libertinagem, idolatria, feitiçaria, inimizades, ciúmes, discórdias, ira, rivalidades, dissenções, facciosismos, invejas, embriaguez, orgias e coisas semelhantes a estas, sobre as quais vos previno, como já vos disse: os que praticam estas ações não herdarão o reino de Deus. Pelo contrário, os frutos do Espírito são: caridade, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, temperança. Contra coisas como estas não há lei. Os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne com as suas paixões e apetites. Se vivemos pelo Espírito, caminhemos também segundo o Espírito.
 
Salmo Responsorial: 1
R. Quem Vos segue, Senhor, terá a luz da vida.
 
Feliz o homem que não segue o conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores nem toma parte na reunião dos maldizentes; mas antes se compraz na lei do Senhor e nela medita dia e noite.
 
É como árvore plantada à beira das águas: dá fruto a seu tempo e a sua folhagem não murcha. Tudo quanto fizer será bem-sucedido.
 
Bem diferente é a sorte dos ímpios: são como a palha que o vento leva. O Senhor vela pelo caminho dos justos, mas o caminho dos pecadores leva à perdição.
 
Aleluia. As minhas ovelhas escutam a minha voz, diz o Senhor; Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me. Aleluia.
 
Evangelho (Lc 11,42-46): Naquele tempo, o Senhor disse: «Ai de vós, fariseus, porque pagais o dízimo da hortelã, da arruda e de todas as outras ervas, mas deixais de lado a justiça e o amor de Deus. Isto é que deveríeis praticar, sem negligenciar aquilo. Ai de vós, fariseus, porque gostais do primeiro assento nas sinagogas e de serdes cumprimentados nas praças. Ai de vós, porque sois como túmulos que não se veem, sobre os quais as pessoas andam sem saber». Um doutor da Lei tomou a palavra e disse: «Mestre, falando assim, insultas também a nós!». Jesus respondeu: «Ai de vós igualmente, doutores da Lei, porque carregais as pessoas com fardos insuportáveis, e vós mesmos, nem com um só dedo, não tocais nesses fardos!».
 
«Isto é que deveríeis praticar, sem negligenciar aquilo»
 
Rev. D. Joaquim FONT i Gassol (Igualada, Barcelona, Espanha)
 
Hoje o Divino Mestre dá-nos algumas lições: entre elas, fala-nos dos dízimos e também da coerência que devem ter os educadores (pais, mestres e todo cristão apóstolo). No Evangelho segundo São Lucas da Missa de hoje, o ensino aparece de maneira mais sintética, mas nas passagens paralelas de Mateus (23,1ss.) é bastante extenso e concreto. Todo o pensamento do Senhor conclui em que a alma de nossa atividade deve de ser a justiça, a caridade, a misericórdia e a fidelidade (cf. Lc 11,42).
 
Os dízimos no Antigo Testamento e nossa atual colaboração com a Igreja, segundo as leis e os costumes, vão na mesma linha. Mas dando o valor da lei obrigatória às pequenas coisas—como o faziam os Mestres da Lei— é exagerado e fadigoso: «Ai de vós igualmente, doutores da Lei, porque carregais as pessoas com fardos insuportáveis, e vós mesmos, nem com um só dedo, não tocais nesses fardos!» (Lc 11,46).
 
É verdade que as pessoas que afinam têm delicadezas de generosidade. Tivemos vivências recentes de pessoas que da colheita trazem para a Igreja —para o culto e para os pobres— 10% (o dízimo); outros que reservam a primeira flor (as primícias), o melhor fruto do seu horto; ou também oferecem a mesma quantia que gastaram na viagem de lazer ou de férias; outros trazem o produto preferido do seu trabalho, tudo isso com o mesmo fim. Adivinha-se aí assimilado, o espírito do Santo Evangelho. O amor é engenhoso; das coisas pequenas obtém alegrias e méritos perante Deus.
 
O bom pastor passa na frente do rebanho. Os bons pais são modelo: o exemplo arrasta. Os bons educadores esforçam-se em viver as virtudes que ensinam. Isso é a coerência. Não só com um dedo, senão com a mão toda: Vida de Sacrário, devoção à Virgem, pequenos serviços no lar, difundir bom humor cristão... «As almas grandes dão-se conta das pequenas coisas» (São Josemaria).
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Fazei tudo por Amor. Portanto, não há pequenas obras: tudo é grande. A perseverança nas pequenas coisas, por Amor, é heroísmo» (São Josemaria)
 
«Muitos podem conhecer a ciência, mesmo a teologia. Mas se eles não fizerem essa teologia de joelhos, ou seja, humildemente, como os pequenos, não compreenderão nada» (Francisco)
 
«Jesus (...) muitas vezes argumentou, no quadro da interpretação rabínica da Lei (366). Mas, ao mesmo tempo, Jesus tinha forçosamente de Se confrontar com os doutores da Lei porque não Se contentava com propor a sua interpretação a par das deles: ‘ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas’ (Mt 7, 28-29)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 581)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
* No Evangelho de hoje continua o relacionamento conflituoso entre Jesus e as autoridades religiosas da época.
Hoje, na igreja acontece o mesmo conflito. Numa determinada diocese, o bispo convocou os pobres a participar ativamente. Eles atenderam ao pedido e em grande número começaram a participar. Surgiu um grave conflito. Os ricos diziam que foram excluídos e alguns sacerdotes começaram a dizer: “O bispo só faz política e esquece o evangelho!”
 
* Lucas 11,42: Ai de vocês, que deixam de lado a justiça e o amor. “Ai de vocês, fariseus, porque vocês pagam o dízimo da hortelã, da arruda e de todas as outras ervas, mas deixam de lado a justiça e o amor de Deus. Vocês deveriam praticar isso, sem deixar de lado aquilo”.  Esta crítica de Jesus contra os líderes religiosos daquela época pode ser repetida contra muitos líderes religiosos dos séculos seguintes, até hoje. Muitas vezes, em nome de Deus, insistimos em detalhes e esquecemos a justiça e o amor. Por exemplo, o jansenismo tornou árida a vivência da fé, insistindo em observâncias e penitências que desviaram o povo do caminho do amor. A irmã carmelita Santa Teresa de Lisieux foi criada nesse ambiente jansenista que marcava a França no fim do século XIX. Foi a partir de uma dolorosa experiência pessoal, que ela soube recuperar a gratuidade do amor de Deus como a força que deve animar por dentro a observância das normas. Pois, sem a experiência do amor, as observâncias fazem de Deus um ídolo.
 
* A observação final de Jesus dizia: “Vocês deveriam praticar isso, sem deixar de lado aquilo”. Esta advertência  faz lembrar uma outra observação de Jesus que serve de comentário: "Não pensem que eu vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim abolir, mas dar-lhes pleno cumprimento. Eu garanto a vocês: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem sequer uma letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo aconteça. Portanto, quem desobedecer a um só desses mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazer o mesmo, será considerado o menor no Reino do Céu. Por outro lado, quem os praticar e ensinar, será considerado grande no Reino do Céu. Com efeito, eu lhes garanto: se a justiça de vocês não superar a dos doutores da Lei e dos fariseus, vocês não entrarão no Reino do Céu" (Mt 5,17-20)
 
* Lucas 11,43: Ai de vocês, que gostam dos lugares de honra. “Ai de vocês, fariseus, porque gostam do lugar de honra nas sinagogas, e de serem cumprimentados em praças públicas”.  Jesus chama a atenção dos discípulos para o comportamento hipócrita de alguns fariseus. Estes tinham gosto em circular pelas praças com longas túnicas, receber as saudações do povo, ocupar os primeiros lugares nas sinagogas e os lugares de honra nos banquetes (cf. Mt 6,5; 23,5-7). Marcos acrescenta que eles gostavam de entrar nas casas das viúvas e fazer longas preces em troca de dinheiro! Pessoas assim vão receber um julgamento mais severo (Mc 12,38-40). Hoje acontece o mesmo na nossa igreja.
 
* Lucas 11,44: Ai de vocês, túmulos escondidos. “Ai de vocês, porque são como túmulos que não se veem, e os homens pisam sobre eles sem saber". Lucas modificou a comparação. Em Mateus se diz: “Vocês são como sepulcros caiados: por fora parecem bonitos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e podridão! Assim também vocês: por fora, parecem justos diante dos outros, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e injustiça” (Mt 23,27-28).  A imagem de “sepulcros caiados” fala por si e não precisa de comentário. Por meio dela, Jesus condena os que mantêm uma aparência fictícia de pessoa correta, mas cujo interior é a negação total daquilo que querem fazer aparecer para fora. Lucas fala em sepulcros escondidos: “Ai de vocês, porque são como túmulos que não se veem, e os homens pisam sobre eles sem saber". Quem pisa ou toca num sepulcro torna-se impuro, mesmo quando o sepulcro existe escondido debaixo do chão. A imagem é muito forte: por fora, o fariseu de sempre parece justo e bom, mas esse aspecto é um engano, pois dentro dele existe um sepulcro escondido que, sem o povo se dar conta, espalha um veneno que mata, comunica uma mentalidade que afasta de Deus, sugere uma compreensão errada da Boa Nova do Reino. Uma ideologia que faz do Deus vivo um ídolo morto!
 
* Lucas 11,45-46: Crítica do doutor da lei e a resposta de Jesus. “Um especialista em leis tomou a palavra, e disse: "Mestre, falando assim insultas também a nós!"  Na resposta Jesus não voltou atrás mas deixou bem claro que a mesma crítica valia também para os escribas: "Ai de vocês também, especialistas em leis! Porque vocês impõem sobre os homens cargas insuportáveis, e vocês mesmos não tocam essas cargas nem com um só dedo”. No Sermão da Montanha, Jesus expressou a mesma crítica que serve de comentário: “Os doutores da Lei e os fariseus têm autoridade para interpretar a Lei de Moisés. Por isso, vocês devem fazer e observar tudo o que eles dizem. Mas não imitem suas ações, pois eles falam e não praticam. Amarram pesados fardos e os colocam no ombro dos outros, mas eles mesmos não estão dispostos a movê-los, nem sequer com um dedo” (Mt 23,2-4). 
 
Para um confronto pessoal
1) A hipocrisia mantém uma aparência enganadora. Até onde atua em mim a hipocrisia? Até onde a hipocrisia atua na nossa igreja?
2) Jesus criticava os escribas que insistiam na observância disciplinar das coisas miúdas da lei como dízimo da hortelã, da arruda e de todas as ervas, e esqueciam de insistir no objetivo da lei que é a prática da justiça e do amor. Vale para mim esta crítica?

domingo, 11 de outubro de 2026

Terça-feira da 28ª semana do Tempo Comum

Beata Alexandrina Maria da Costa, virgem leiga
Sto Eduardo, o Confessor, rei
 
1ª Leitura (Gal 5,1-6):
Irmãos: Foi para a verdadeira liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permanecei firmes e não torneis a sujeitar-vos ao jugo da escravidão. Sou eu, Paulo, que vos digo: Se vos fizerdes circuncidar, Cristo de nada vos servirá. De novo asseguro a todo o homem que se faz circuncidar: fica obrigado a cumprir toda a Lei de Moisés. Vós os que procurais a justificação por essa Lei, separastes-vos de Cristo e perdestes a graça de Deus. Nós, porém, é pelo Espírito Santo, em virtude da fé, que esperamos alcançar a justificação. Porque em Jesus Cristo, nem a circuncisão nem a incircuncisão tem qualquer valor, mas só a fé, que atua pela caridade.
 
Salmo Responsorial: 118
R. Desça sobre mim, Senhor, a vossa bondade.
 
Desça sobre mim a vossa bondade, salvai-me segundo a vossa promessa. Não me tireis da boca a palavra da verdade, porque eu espero nos vossos juízos.
 
Quero cumprir fielmente a vossa lei, agora e para sempre. Andarei seguro no meu caminho, porque busquei os vossos preceitos.
 
Ponho as minhas delícias nos vossos mandamentos, porque muito os amo. Estendo as mãos para os vossos mandamentos e medito nos vossos decretos.
 
Aleluia. A palavra de Deus é viva e eficaz, conhece os pensamentos e intenções do coração. Aleluia.
 
Evangelho (Lc 11,37-41): Naquele tempo, enquanto Jesus estava falando, um fariseu o convidou para jantar em sua casa. Jesus foi e pôs-se à mesa. O fariseu ficou admirado ao ver que ele não tinha feito a lavação ritual antes da refeição. O Senhor disse-lhe: Vós, fariseus, limpais por fora o copo e a travessa, mas o vosso interior está cheio de roubos e maldades. Insensatos! Aquele que fez o exterior não fez também o interior? Antes, dai em esmola o que está dentro, e tudo ficará puro para vós.
 
«Antes, dai em esmola o que está dentro, e tudo ficará puro para vós»
 
Rev. D. Pedro IGLESIAS Martínez (Ripollet, Barcelona, Espanha)
 
Hoje, o evangelista situa a Jesus num banquete: Um fariseu rogou-lhe que fora a comer com ele (Lc 11,37). A boas horas teve tal ocorrência! Que cara deveu pôr o anfitrião quando o convidado saltou a norma ritual de se lavar (que não era um preceito da Lei, senão da tradição dos antigos rabinos) e além disso lhes censurou categoricamente a ele e ao seu grupo social. O fariseu não acertou no dia e, o comportamento de Jesus, como dizemos hoje, não foi politicamente correto.
 
Os evangelhos mostram-nos que ao Senhor lhe importava pouco o que dirão e o politicamente correto; por isso, pese a quem pese, ambas coisas não devem ser norma de atuação de quem se considere cristão. Jesus condena claramente a atuação própria da dupla moral, a hipocrisia que procura conveniência ou o engano: Vós, fariseus, limpais por fora o copo e a travessa, mas o vosso interior está cheio de roubos e maldades (Lc 11,39). Como sempre, a Palavra de Deus nos interpela sobre usos e costumes de nossa vida quotidiana, na que acabamos convertendo em valores ciladas que tentam dissimular os pecados de soberbia, egoísmo e orgulho, numa tentativa de globalizar a moral no politicamente correto, para não destoar e não ficar marginados, sem que importe o preço a pagar, nem como enegreçamos nossa alma, pois, afinal de contas, todo mundo o faz.
 
Dizia São Basilio que de nada deve fugir o homem prudente tanto como de viver segundo a opinião dos demais. Se somos testemunhas de Cristo, temos de saber que a verdade sempre é e será verdade, ainda que chovam chuços. Esta é nossa missão no meio dos homens com quem compartilhamos a vida, tentando nos manter limpos segundo o modelo de homem que Deus nos revela em Cristo. A limpeza do espírito passa acima das formas sociais e, se em algum momento surge-nos a dúvida, lembre-se que os limpos de coração verão a Deus. Que a cada um escolha o objetivo de sua mirada para toda a eternidade.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«As coisas parecem-nos menos difíceis quando as vemos feitas nos outros» (Santo Ambrósio)
 
«A fé vai antes de tudo da palavra à ideia, mas sempre tem que voltar da ideia à palavra e à ação» (Bento XVI)
 
«Os pais são os primeiros responsáveis pela educação dos filhos. Testemunham esta responsabilidade, primeiro pela criação dum lar onde são regra a ternura, o perdão, o respeito, a fidelidade e o serviço desinteressado. O lar é um lugar apropriado para a educação das virtudes (…)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 2.223)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
* No evangelho de hoje continua o relacionamento tenso entre Jesus e as autoridades religiosas daquele tempo.
Apesar de tenso, havia algo de familiar entre Jesus e os fariseus. Convidado para jantar na casa deles, Jesus aceita o convite. Jesus não perde a liberdade diante deles, nem os fariseus diante de Jesus.
 
* Lucas 11,37-38: Admiração do fariseu diante da liberdade de Jesus. “Enquanto Jesus falava, um fariseu o convidou para jantar em casa. Jesus entrou, e se pôs à mesa. O fariseu ficou admirado ao ver que Jesus não tinha lavado as mãos antes da refeição”. Jesus aceita o convite para jantar na casa do fariseu, mas não muda o seu modo de agir, pois senta-se à mesma sem lavar as mãos. Nem o fariseu muda de atitude frente a Jesus, pois expressa a sua admiração pelo fato de Jesus não lavar as mãos. Naquele tempo, lavar as mãos antes das refeições era uma obrigação religiosa, imposta ao povo em nome da pureza, exigida pela lei de Deus. O fariseu estranhou o fato de Jesus não observar esta norma religiosa. Mesmo assim, apesar de totalmente diferentes, o fariseu e Jesus tinham algo em comum: a seriedade de vida. O jeito de viver dos fariseus era assim: cada dia, dedicavam oito horas ao estudo e à meditação da lei de Deus, outras oito horas ao trabalho para poder sobreviver com a família e oito horas ao descanso. Este testemunho sério da sua vida dava a eles uma grande liderança popular. Talvez seja por isso, que, apesar de totalmente diferentes, os dois, Jesus e os fariseus, se entendiam e se criticavam mutuamente, sem perder a possibilidade do diálogo.
 
*  Lucas 11,39-41: A resposta de Jesus. “Vocês, fariseus, limpam o copo e o prato por fora, mas o interior de vocês está cheio de roubo e maldade. Gente sem juízo! Aquele que fez o exterior, não fez também o interior? Antes, deem em esmola o que vocês possuem, e tudo ficará puro para vocês”. Os fariseus observavam a lei de forma literal. Olhavam só a letra e, por isso, eram incapazes de perceber o espírito da lei, o objetivo que a observância da lei queria alcançar na vida das pessoas. Por exemplo, na lei está escrito: “Ame o seu próximo como a si mesmo” (Lv 19,18). E eles comentavam: “Devemos amar o próximo, sim, mas só o próximo, os outros não!” E daí nascia a discussão em torno da questão: “Quem é meu próximo?” (Lc 10,29) O apóstolo Paulo escreve na sua segunda carta aos Coríntios: “A letra mata, é o espírito que dá vida à letra” (2Cor 3,6). No Sermão da Montanha, Jesus critica os que observam a letra da lei mas transgredem o espírito da lei (Mt 5,20). Para ser fiel ao que Deus pede de nós não basta observar só a letra da lei. Isto seria o mesmo que limpar o copo e o prato por fora e deixar o interior cheio de sujeira: roubo e maldade. Não basta não matar, não roubar, não cometer adultério, não jurar. Só observa plenamente a lei de Deus aquele que, para além da letra, vai até à raiz e arranca de dentro de si os desejos de “roubo e de maldade” que possam levar ao assassinato, ao roubo, ao adultério. É na prática do amor que se realiza a plenitude da lei (cf. Mt 5,21-48).
 
Para um confronto pessoal
1) Nossa Igreja hoje merece esta acusação de Jesus contra os escribas e fariseus? Eu mereço?
2) Respeitar a seriedade de vida dos outros que pensam diferente de nós pode facilitar o diálogo tão necessário e tão difícil hoje em dia. Como pratico o diálogo na família, no trabalho e na comunidade?

sábado, 10 de outubro de 2026

SOLENIDADE DA BEM-AVENTURADA VIRGEM MARIA DA CONCEIÇÃO APARECIDA PADROEIRA DO BRASIL

S. Carlo Acutis, leigo
 
Primeira Leitura (Est 5,1b-2;7,2b-3)
- Ester revestiu-se com vestes de rainha e foi colocar-se no vestíbulo interno do palácio real, frente à residência do rei. O rei estava sentado no trono real, na sala do trono, frente à entrada. Ao ver a rainha Ester parada no vestíbulo, olhou para ela com agrado e estendeu-lhe o cetro de ouro que tinha na mão, e Ester aproximou-se para tocar a ponta do cetro. Então, o rei lhe disse: “O que me pedes, Ester; o que queres que eu faça? Ainda que me pedisses a metade do meu reino, ela te seria concedida”. Ester respondeu-lhe: “Se ganhei as tuas boas graças, ó rei, e se for de teu agrado, concede-me a vida – eis o meu pedido! – e a vida do meu povo – eis o meu desejo!
 
Salmo Responsorial – Do Salmo 44/45
R.: escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: que o Rei se encante com vossa beleza!
 
Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto:/ “Esquecei vosso povo e a casa paterna! Que o Rei se encante com vossa beleza!/ Prestai-lhe homenagem; é vosso Senhor!
 
O povo de Tiro vos traz seus presentes,/ os grandes do povo vos pedem favores. Majestosa, a princesa real vem chegando,/ vestida de ricos brocados de ouro.
 
Em vestes vistosas ao Rei se dirige,/ e as virgens amigas lhe formam cortejo;/ entre cantos de festa e com grande alegria,/ ingressam, então, no palácio real.
 
Segunda Leitura (Ap 12,1.5.13a.15-16ª): Apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas. E ela deu à luz um filho homem, que veio para governar todas as nações com cetro de ferro. Mas o filho foi levado para junto de Deus e do seu trono. Quando viu que tinha sido expulso para a terra, o dragão começou a perseguir a mulher que tinha dado à luz o menino. A serpente, então, vomitou como um rio de água atrás da mulher, a fim de a submergir. A terra, porém, veio em socorro da mulher.
 
Aleluia. Disse a mãe de Jesus aos serventes: “fazei tudo o que Ele disser!” Aleluia.
 
Evangelho (Jo 2,1-11): Naquele tempo, 1houve um casamento em Caná da Galileia. A mãe de Jesus estava presente. Também Jesus e seus discípulos tinham sido convidados para o casamento. Como o vinho veio a faltar, a mãe de Jesus lhe disse: “Eles não têm mais vinho”. Jesus respondeu-lhe: “Mulher, por que dizes isto a mim? Minha hora ainda não chegou”. Sua mãe disse aos que estavam servindo: “Fazei o que ele vos disser”. Estavam seis talhas de pedra colocadas aí para a purificação que os judeus costumam fazer. Em cada uma delas cabiam mais ou menos cem litros. Jesus disse aos que estavam servindo: “Enchei as talhas de água”. Encheram-nas até a boca. Jesus disse: “Agora tirai e levai ao mestre-sala”. E eles levaram. O mestre-sala experimentou a água, que se tinha transformado em vinho. Ele não sabia de onde vinha, mas os que estavam servindo sabiam, pois eram eles que tinham tirado a água. O mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse: “Todo mundo serve primeiro o vinho melhor e, quando os convidados já estão embriagados, serve o vinho menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora!” Este foi o início dos sinais de Jesus. Ele o realizou em Caná da Galileia e manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele.
 
Oração a Nossa Senhora Aparecida
 
Dom Henrique Soares da Costa

Virgem Mãe Aparecida, Mãe de Deus e nossa! Vela pelo povo brasileiro, acolhe nosso brado filial!
Intercede com tua oração materna por nossos governantes: que sejam retos, justos, servidores do bem comum, sobretudo dos mais necessitados!
Sê consolo para quem chora, força para quem se encontra alquebrado, inspiração e encorajamento para os pobres, saúde para os enfermos e rosto maternal de Deus para todos nós! Vela pelas crianças, mantém na harmonia as famílias de nossa Pátria, vela pela paz no campo e nas cidades!
Senhora Aparecida, protege a Santa Igreja em terras brasileiras! Roga pelo clero, pelos religiosos, por todo o povo de Deus!
Ajuda-nos, Mãe de Deus-Jesus e Mãe nossa, ajuda-nos a construir um Brasil mais cristão, mais justo, mais pacífico e solidário… e que, pelas tuas preces maternas, jorre para nós o vinho bom da alegria e sejamos todos, um dia, herdeiros do Reino dos céus. Amém!
 
Reflexão 
 
* A primeira parte do Quarto Evangelho é comumente chamada “O Livro dos Sinais”, pois, o evangelista relata uma série de sete sinais que, passo por passo, revelam quem é Jesus, e qual é a missão d’Ele (embora algumas bíblias traduzam o termo grego por “milagre”, a tradução mais correta é: “Sinal”). O primeiro desses sinais aconteceu no contexto das bodas de Caná, o nosso texto de hoje. Como quase todo o Evangelho de João, o relato está carregado de simbolismos, onde pessoas, números e eventos funcionam simbolicamente, para nos levar além da superfície das coisas, em uma caminhada de descoberta sobre a pessoa de Jesus.
 
* Um dos temas centrais do quarto evangelho é o da “hora” de Jesus. A “hora” não se refere à cronometria, mas à hora de glorificação de Jesus, por sua morte e ressurreição. Em resposta ao pedido feito por Maria (note que João nunca se refere a Ela pelo nome, mas pelo título “mulher”), usando de uma maneira um tanto estranha este termo para a mãe d’Ele, João quer indicar que Jesus rejeita uma esfera meramente humana de ação para Maria, para reservar para Ela um papel muito mais rico, ou seja, o da mãe dos seus discípulos. Maria somente vai aparecer mais uma vez neste evangelho - ao pé da cruz, onde Ela e o Discípulo Amado assumem um relacionamento de Filho e Mãe. Devemos lembrar que o Discípulo Amado simboliza a comunidade dos discípulos/as do Senhor.
 
* Não devemos reduzir a ação da Maria no texto à de uma incomparável intercessora. Embora seja comum esta interpretação na devoção popular, não se sustenta do ponto de vista exegético. É melhor ver Maria aqui como discípula exemplar, pois embora a resposta de Jesus indique um distanciamento entre a sua expectativa e a visão d’Ele, Ela continua com confiança n’Ele e leva outros a acreditar nele: “Façam tudo o que Ele lhes disser”.

* O simbolismo da água tornada vinho é também importante. Não era qualquer água - era a água da purificação dos judeus. Com essa história, João quer mostrar que doravante os ritos judaicos de purificação estão superados, pois a verdadeira purificação vem através de Jesus. Podemos entender isso como a mudança de uma prática religiosa baseada no medo do pecado, uma prática que excluía muita gente considerada impura, para uma nova relação entre Deus e a humanidade, a partir de Jesus. Assim, em Caná Jesus começa a substituir as práticas do judaísmo do Templo, o que vai continuar ao longo do Evangelho de João.
 
* A quantia do vinho chama a atenção - 600 litros!
O vinho em abundância era símbolo dos tempos messiânicos, e na tradição rabínica, a chegada do Messias seria marcada por uma colheita abundante de uvas. Assim João quer dizer que a expectativa messiânica se realiza em Jesus. E as talhas transbordantes simbolizam a graça abundante que Jesus traz.
 
* A figura do mestre-sala é também simbólica, bem como a dos serventes. Aquele que devia saber a origem do vinho da festa, não o sabia, enquanto estes, sabiam. Assim, o mestre-sala representa os chefes do Templo que não sabiam a origem de Jesus enquanto os servos representam os discípulos que acreditaram n’Ele.
 
* Fazendo comparação entre o vinho antigo e o novo, João quer reconhecer que a Antiga Aliança era boa, mas a Nova a superou. Os ritos e práticas judaicos, ligados à purificação e ao sacrifício, não têm mais sentido, pois uma nova era de relacionamento entre a humanidade e Deus começou em Jesus.
 
* O ponto culminante do relato está em v. 11: “Foi em Caná que Jesus começou os seus sinais, e os seus discípulo acreditaram n’Ele”. A fé deles não é intelectual ou teórica, mas o seguimento concreto do Mestre, na formação de novos relacionamentos de amor. Passo por passo, o autor vai revelando Jesus através de sinais para que nós, os leitores, possamos “acreditar que Jesus é o Messias, o Filho de Deus. E para que, acreditando, tenhamos a vida em seu nome” (Jo 20, 31).
 
Para um confronto pessoal
1) Maria diz: “Fazei tudo o que ele vos disser”. Como estou colocando em prática estas palavras da Mãe de Deus?
2) Percebo os sinais de Deus na vida e no mundo? Sou um sinal de Deus para os outros?

XXVIII Domingo do Tempo Comum

S. João XXIII, papa
 
1ª Leitura (Is 25,6-10a):
Sobre este monte, o Senhor do Universo há-de preparar para todos os povos um banquete de manjares suculentos, um banquete de vinhos deliciosos: comida de boa gordura, vinhos puríssimos. Sobre este monte, há-de tirar o véu que cobria todos os povos, o pano que envolvia todas as nações; destruirá a morte para sempre. O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces e fará desaparecer da terra inteira o opróbrio que pesa sobre o seu povo. Porque o Senhor falou. Dir-se-á naquele dia: «Eis o nosso Deus, de quem esperávamos a salvação; é o Senhor, em quem pusemos a nossa confiança. Alegremo-nos e rejubilemos, porque nos salvou. A mão do Senhor pousará sobre este monte».
 
Salmo Responsorial: 22
R. Habitarei para sempre na casa do Senhor.
 
O Senhor é meu pastor: nada me falta. Leva-me a descansar em verdes prados, conduz-me às águas refrescantes e reconforta a minha alma.
 
Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome. Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos, não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo: o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança.
 
Para mim preparais a mesa à vista dos meus adversários; com óleo me perfumais a cabeça e o meu cálice transborda.
 
A bondade e a graça hão de acompanhar-me todos os dias da minha vida, e habitarei na casa do Senhor para todo o sempre.
 
2ª Leitura (Fl 4,12-14.19-20): Irmãos: Sei viver na pobreza e sei viver na abundância. Em todo o tempo e em todas as circunstâncias, tenho aprendido a ter fartura e a passar fome, a viver desafogadamente e a padecer necessidade. Tudo posso n’Aquele que me conforta. No entanto, fizestes bem em tomar parte na minha aflição. O meu Deus proverá com abundância a todas as vossas necessidades, segundo a sua riqueza e magnificência, em Cristo Jesus. Glória a Deus, nosso Pai, pelos séculos dos séculos. Amém.
 
Aleluia. Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo ilumine os olhos do nosso coração, para sabermos a que esperança fomos chamados. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 22,1-14): Jesus voltou a falar em parábolas aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo, dizendo: «O Reino dos Céus é como um rei que preparou a festa de casamento do seu filho. Mandou seus servos chamar os convidados para a festa, mas estes não quiseram vir. Mandou então outros servos, com esta ordem: ‘Dizei aos convidados: já preparei o banquete, os bois e os animais cevados já foram abatidos e tudo está pronto. Vinde para a festa! ’. Mas os convidados não deram a menor atenção: um foi para seu campo, outro para seus negócios, outros agarraram os servos, bateram neles e os mataram. O rei ficou irritado e mandou suas tropas matar aqueles assassinos e incendiar a cidade deles. Em seguida, disse aos servos: ‘A festa de casamento está pronta, mas os convidados não foram dignos dela. Portanto, ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para a festa todos os que encontrardes’. Os servos saíram pelos caminhos e reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala da festa ficou cheia de convidados. Quando o rei entrou para ver os convidados, observou um homem que não estava em traje de festa e perguntou-lhe: ‘Meu caro, como entraste aqui sem o traje de festa?’ Mas o homem ficou sem responder. Então o rei disse aos que serviam: ‘Amarrai os pés e as mãos desse homem e lançai-o fora, nas trevas! Ali haverá choro e ranger de dentes’. Pois muitos são chamados, mas poucos são escolhidos».
 
«Ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para a festa todos os que encontrardes»
 
Pe Julio César RAMOS González SDB (Mendoza, Argentina)
 
Hoje, Jesus nos mostra o rei (o Pai), convidando —por meio de seus “servos” (os profetas), ao banquete da aliança de seu Filho com a humanidade (a salvação). O fez primeiro com Israel, «mas estes não quiseram vir» (Mt 22,3). Diante da negação, o Pai não deixa de insistir: «Já preparei o banquete, (...) e tudo está pronto. Vinde para a festa!» (v.4). Mas esse desdém, de escárnio e morte de seus servos, suscita o envio das tropas, a morte daqueles homicidas e a queima da “sua” cidade (cf. Mt 22,6-7): Jerusalém.
 
Assim, por outros “servos”, (apóstolos) —enviados a irem pelas «encruzilhadas dos caminhos» (Mt 22,9). «Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações e batizai-os...» dirá mais tarde o Senhor Jesus em Mt 28,19— é que fomos convidados, o resto da humanidade, quer dizer, «todos os que encontraram, maus e bons. E a sala da festa ficou cheia de convidados» (Mt 22,10): A Igreja. Mesmo assim, a questão, não é somente estar na sala do casamento pelo convite, mas tem a ver também, e muito, com a dignidade que se tem («traje de festa» cf. v. 12). São Jerônimo comentou ao respeito: «Os trajes da festa são preceitos do Senhor e as obras cumpridas segundo a Lei e o Evangelho que são as vestiduras do homem novo». Ou seja, as obras da caridade devem ser acompanhadas pela fé.
 
Sabemos que a Mãe Tereza, todas as noites, saía às ruas de Calcutá a recolher moribundos para dar-lhes, com amor, uma boa morte: limpos, bem-vestidos e, se era possível, batizados. Certa vez comentou: «Não tenho medo de morrer, porque quando esteja diante do Pai, haverá tantos pobres que lhe entreguei com os trajes de casamento que saberão defender-me» Bem-aventurada ela! — Aprendamos, nós, a lição.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Deus nos livre de ficarmos insensíveis à bondade de Cristo. Se Ele imitasse o nosso modo habitual de atuar, estaríamos perdidos. Por isso, já que nos tornámos seus discípulos, aprendamos a viver segundo o cristianismo» (Santo Inácio de Antioquia)
 
«A medicina prolongou o tempo do homem, mas será que temos tempo ou é o tempo que nos tem? A maioria, em todo o caso, não tem tempo para Deus, precisa do seu tempo para si, para os seus "negócios"...» (Bento XVI)
 
«Este mistério de comunhão bem-aventurada com Deus e com todos os que estão em Cristo ultrapassa toda a compreensão e toda a representação. A Sagrada Escritura fala-nos dele por imagens: vida, luz, paz, banquete de núpcias, vinho do Reino, casa do Pai, Jerusalém celeste, paraíso: aquilo que `nem os olhos viram, nem os ouvidos escutaram, nem jamais passou pelo pensamento do homem, Deus o preparou para aqueles que O amam´(1 Cor 2,9)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 1.027)
 
Há pão e vinho sobre a mesa
 
* Continuando a dirigir-se aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos, mas estando presentes também os discípulos e o povo, Jesus conta mais uma parábola.
Desta vez desvia-se do tema da vinha, escolhe como personagem principal um rei que prepara as núpcias do seu filho, prepara um banquete e envia servos para avisar os convidados. A intenção da parábola é apresentar o Reino dos Céus.
 
* A parábola está composta por duas partes. A primeira é preenchida pelo chamamento dos convidados para a festa e a segunda pela situação de um homem que se introduziu na sala do banquete sem a veste própria. Poderíamos ver aqui duas parábolas distintas, mas tal como as apresenta Mateus, numa só, estão no mesmo cenário das núpcias do filho do rei.
 
* Na primeira parte, o rei, que prepara o banquete das núpcias do filho, faz três chamamentos. Os dois primeiros dirigem-se às mesmas pessoas, os previamente convidados que, na primeira vez manifestam não estar interessados em ir ao banquete e na segunda vez se ocupam com outros afazeres e há até quem trate mal e mate os enviados do rei. O terceiro convite é dirigido a outras pessoas, os que nunca seriam convidados, os que não esperam o convite e não estão preparados para a festa, mas, ainda assim, aceitam ir e enchem a sala do banquete. Estes últimos são “bons e maus”.
 
* A segunda parte da parábola conta o diálogo do rei com um intruso que se apresentou sem traje nupcial e sobre quem vai recair uma pesada decisão.
 
* Na parábola podemos identificar o rei como sendo Deus e Jesus o seu filho. Então, estamos a falar das bodas do Cordeiro. Trata-se de um banquete preparado antecipadamente e com os convites feitos e entregues a tempo de os convidados se poderem preparar para a festa.
 
* Em qualquer momento, aquele que receber um convite, pode preparar-se e participar porque não há tempo a perder. O rei não desiste perante as manifestações de recusa, insiste no convite que é para todos não exclui ninguém. Só fica de fora quem se autoexcluir, resposta que será sempre incompreensível, perante a disponibilidade e interesse do rei.
 
* O rei só não admite a agressão aos enviados. Para a recusa ao convite o rei tem misericórdia suficiente para não lhe impor um castigo, mas a morte dos seus servos vai contra o mandamento mais importante “não matarás”, como já tinha acontecido na parábola dos vinhateiros, e vão ser castigados.
 
* Os encontrados nas encruzilhadas e nos caminhos fazem pensar nos amigos de Jesus, aqueles com quem ele come e bebe, os pecadores, publicanos e prostitutas. Já não importa quem vem, mas que a sala fique cheia. E é aqui que começa a segunda parte da parábola que centra a atenção sobre um homem que não tem veste nupcial. Mas, todos foram apanhados de surpresa. São todos pobres, famintos, doentes e pecadores, como podem ter veste nupcial?
 
* Que falta a este homem, a quem o rei chama amigo, para que seja considerado sem traje nupcial? Parece que a única possibilidade é a comunhão com a alegria do rei partilhada por todos os presentes. Este homem entrou, mas não está na festa, vive só para si, vive dentro de si, não partilha das alegrias dos outros, não está em comunhão com o rei nem partilha da sua alegria. O seu único interesse é comer do banquete do rei, mas não fazer festa com ele e com os outros convidados, por isso, não pode permanecer ali, porque está a contaminar o ambiente como seu egoísmo.
 
* Jesus continua a chamar-nos à conversão do coração. É fácil construir um coração que exclui os outros pelas suas diferenças ou pelas suas fragilidades. É fácil construir um mundo onde não cabem todos e onde atitudes contrárias às que entendemos como certas também não podem ter lugar. É fácil impor comportamentos aos outros mesmo que nós nem sempre nos ajustemos à medida que lhes impomos. Com a exclusão de pessoas, excluímos também a Deus, porque ele acolhe a todos. É tão fácil construir uma vida sem Deus, de tal modo que o seu convite para a festa se torna indiferente.
 
* Jesus conta mais uma parábola às autoridades do seu tempo, príncipes dos sacerdotes, anciãos e fariseus, para os fazer pensar num Deus misericordioso que tem lugar na sua casa para todos e apenas aguarda o tempo propício para lhe dizermos sim, ao convite para o seu amor. De facto, somos muitos os que sentimos que o Senhor nos chama para o banquete, mas teimamos em recusar, encontrando sempre motivos, razões e desculpas para não aceitar. Muitos há que até se tornam agressivos perante a possibilidade do chamamento, insistência do Senhor e a inevitabilidade de aceitar o convite. Há homens e mulheres a quem Deus envia como mensageiros e que sofrem na pele a recusa daqueles a quem Deus convidou para entrar no seu banquete.
 
* Na mesma parábola, Jesus, recorda que a sala do banquete vai encher-se, seja com uns ou com outros, com os convidados de lista ou com os convidados de última hora, os improváveis, mas o banquete do reino dos céus vai realizar-se e vai ser alegria para todos os que nele participarem.
 
* Tal como na profecia de Isaías, o banquete de Jesus é para todos. Todos os povos, todas as nações, todos os que choram, todos os que vivem na tristeza e todos os que se sentem oprimidos. Deus liberta de todos os constrangimentos aqueles que aceitarem entrar na sua festa.
 
* Há uma exigência para todos, a comunhão com o coração misericordioso do Pai. Que ninguém se escandalize porque o Pai perdoa a todos, mesmo aos que entendemos não terem ou não merecerem perdão.
 
* Em todos, é sempre a abundância de Deus que preenche e ninguém encontra conforto em si mesmo. Para todos o conforto está no filho do Rei, Jesus. É nele, como diz Paulo, que tudo podemos.
 
* É importante encontrar espaço para todos e também que ninguém se autoexclua do banquete por ter preenchido a sua vida com outras ocupações que impedem aceitar o convite de Deus. Há sempre um dia em que todos os impedimentos são removidos e nesse dia poderemos entrar na festa.
 
* Na parábola Jesus alerta os que preenchem a suas vidas com preocupações deste mundo, o trabalho exagerado, a ocupação permanente, a inquietação constante, a agressividade e violência, a irritabilidade, que impedem reconhecer e valorizar o coração generoso do Senhor, o rei da parábola e do seu filho, Jesus.
 
* Mas alerta também os que aceitam o convite e entram na sala do banquete, mas só pensam em si próprios. No banquete do rei todos se sentam, todos comem, mas todos são chamados a adquirir os sentimentos que encontram no coração do Senhor. A disponibilidade para servir os outros, a capacidade de partilhar, estar ao serviço de todos, preocupar-se para que não fique ninguém de fora, para que todos tenham acesso à comida, não excluir ninguém, satisfazer-se com o essencial, sentir a alegria de se dar, transformar o coração numa sala como a do rei que tem espaço todos. Numa palavra, construir um coração universal, é adquirir a veste própria, é revestir-se de Cristo e dos sentimentos que nele se podem encontrar.
 
* Hoje somos nós os chamados ao monte do Senhor, para participar no banquete das núpcias do Cordeiro. Temos uma resposta para dar que não é feita de palavras, mas de atitudes que transforme a festa na verdadeira comunhão universal dos homens com Deus.

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Sábado XXVII do Tempo Comum

1ª Leitura (Gal 3,22-29):
Irmãos: A Escritura declara que tudo está sujeito ao domínio do pecado. Deste modo, é pela fé em Jesus Cristo que a promessa da justificação é concedida aos que acreditam. Antes que viesse a fé, nós éramos prisioneiros, sob a proteção da Lei de Moisés, na expectativa da fé que havia de ser revelada. A Lei, portanto, serviu-nos de guia até à vinda de Cristo, para sermos então justificados pela fé. Mas depois que veio a fé, já não estamos sob o domínio desse guia. Porque todos vós sois filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo. De facto, todos vós, que fostes batizados em Cristo, fostes revestidos de Cristo. Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem nem mulher; todos vós sois um só em Cristo Jesus. Mas, se pertenceis a Cristo, sois então descendência de Abraão, herdeiros segundo a promessa.
 
Salmo Responsorial: 104
R. O Senhor recorda a sua aliança para sempre.
 
Cantai salmos e hinos ao Senhor, proclamai todas as suas maravilhas. Gloriai-vos no seu nome santo, exulte o coração dos que procuram o Senhor.
 
Procurai o Senhor e o seu poder, buscai sempre a sua face. Recordai as suas maravilhas, os seus prodígios e os oráculos da sua boca.
 
Vós, descendentes de Abraão, seu servo, filhos de Jacob, seu eleito, o Senhor é o nosso Deus e as suas sentenças são lei em toda a terra.
 
Aleluia. Felizes os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática. Aleluia.
 
Evangelho (Lc 11,27-28): Naquele tempo, enquanto Jesus assim falava, uma mulher levantou a voz no meio da multidão e lhe disse: Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram. Ele respondeu: Felizes, sobretudo, são os que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática.
 
«Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram»
 
Rev. D. Jaume AYMAR i Ragolta (Badalona, Barcelona, Espanha)
 
Hoje, escutamos o melhor dos louvores que Jesus podia fazer a sua própria Mãe: Felizes (...) são os que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática (Lc 11,28). Com essa resposta, Jesus Cristo não rejeita o apaixonado elogio que aquela simples mulher dedicava a sua Mãe, pelo contrário o aceita e vai além, explicando que Maria Santíssima é bem-aventurada, sobretudo! Pelo fato de ter sido boa e fiel no cumprimento da Palavra de Deus.
 
Às vezes me perguntam se os cristãos acreditam na predestinação, como acreditam outras religiões. Não! Os cristãos acreditamos que Deus tem reservado um destino de felicidade para nós. Deus quer que sejamos felizes, afortunados, bem-aventurados. Prestemos atenção em como essa palavra vai se repetindo nos ensinos de Jesus: Felizes, felizes, felizes... . Felizes os pobres, os mansos, os que têm fome e sede da justiça, os que não viram, e creram! (cf. Mt 5,3-12; Jn 20,29). Deus quer nossa felicidade, uma felicidade que começa já neste mundo, apesar de que os caminhos para chegar lá, não sejam nem a riqueza, nem o poder, nem o êxito fácil, nem a fama, senão o amor pobre e humilde de quem tudo o espera. A alegria de acreditar! Aquela da que falava o converso Jacques Maritain.
 
Trata-se de uma felicidade que é ainda maior do que a alegria de viver, porque acreditamos em uma vida sem fim, eterna. Maria, a Mãe de Jesus, não é somente afortunada por tê-lo trazido ao mundo, por tê-lo amamentado e criado; como percebia aquela espontânea mulher do povoado, senão, sobretudo, por ter sido ouvinte da Palavra e, por pô-la em prática: por ter amado e, por deixar se amar por seu Filho Jesus. Como escrevia o poeta: Poder dizer mãe e ouvir-se dizer filho meu / é a sorte que nos invejava Deus. Que Maria, Mãe do Amor Perfeito, rogue por nós.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«O Criador do homem, sendo nascido da raça humana, teve que escolher para si, entre todas, uma mãe como Ele sabia que lhe seria conveniente e agradável» (São Bernardo)
 
«Quem tem tempo para ouvir a sua Palavra e deixar-se fascinar pelo seu amor? A fé em Deus pede o abandono, cheio de confiança, nas mãos do Amor que sustenta o mundo» (Bento XVI)
 
«Deus revelou-Se plenamente enviando o seu próprio Filho, no qual estabeleceu a sua aliança para sempre. O Filho é a Palavra definitiva do Pai, de modo que, depois d'Ele, não haverá outra Revelação.» (Catecismo da Igreja Católica, nº 73)
 
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
 
*  O evangelho de hoje é bem curto, mas tem um significado importante no conjunto do evangelho de Lucas.
Ele nos traz a chave para entender o que Lucas ensina a respeito de Maria, a Mãe de Jesus, no assim chamado Evangelho da Infância (Lc 1 e 2).
 
* Lucas 11,27: A exclamação da mulher. “Enquanto Jesus dizia essas coisas, uma mulher levantou a voz no meio da multidão, e lhe disse: "Feliz o ventre que te carregou, e os seios que te amamentaram”. A imaginação criativa de alguns apócrifos sugere que aquela senhora era uma vizinha de Nossa Senhora lá em Nazaré. Tinha um filho, chamado Dimas, que, como tantos outros rapazes da Galileia daquela época, entrou na guerrilha contra os romanos, foi preso e executado junto com Jesus. Era o bom ladrão (Lc 23,39-43). A mãe dele, ouvindo Jesus falar tão bonito ao povo, lembrou de Maria, sua vizinha, e disse: “Como Maria deve ser feliz tendo um filho assim!”.
 
* Lucas 11,28: A resposta de Jesus. Jesus responde, fazendo o maior elogio à sua mãe: “Mais felizes são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática”. Lucas fala pouco de Maria: aqui (Lc 11,28) e no Evangelho da Infância (Lc 1 e 2). Para ele, Lucas, Maria é a Filha de Sião, imagem do novo povo de Deus. Ele apresenta Maria como modelo para a vida das comunidades. No Concílio Vaticano II, o documento preparado sobre Maria foi inserido como capítulo final no documento Lúmen Gentium sobre a Igreja. Maria é modelo para a Igreja. É sobretudo na maneira de Maria relacionar-se com a Palavra de Deus que Lucas vê o exemplo dela para a vida das comunidades: “Felizes os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática”. Maria nos ensina como acolher a Palavra de Deus, como encarná-la, vivê-la, aprofundá-la, ruminá-la, fazê-la nascer e crescer, deixar-nos moldar por ela, mesmo quando não a entendemos ou quando ela nos faz sofrer. Esta é a visão que está por de trás do Evangelho de Infância (Lc 1 e 2). A chave para entender estes dois capítulos nos é dada no evangelho de hoje: “Felizes os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática”. Veja como nestes capítulos Maria se relaciona com a Palavra de Deus.
1. Lucas 1,26-38:
A Anunciação: "Faça-se em mim segundo a tua palavra!"
Saber abrir-se, para que a Palavra de Deus seja acolhida e se encarne.
2. Lucas 1,39-45:
A Visitação: "Bem-aventurada aquela que acreditou!"
Saber reconhecer a Palavra de Deus numa visita e em tantos outros fatos da vida.
3. Lucas 1,46-56:
O Magnificat: “O Senhor fez em mim maravilhas!”
Reconhecer a Palavra na história do povo e produzir um canto de resistência e de esperança
4. Lucas 2,1-20:
O Nascimento: "Ela meditava sobre os fatos em seu coração"
Não havia lugar para eles. Os marginalizados acolhem a Palavra.
5. Lucas 2,21-32:
A Apresentação: "Meus olhos viram a tua salvação!"
Os muitos anos de vida purificam os olhos.
6. Lucas 2,33-38:
Simeão e Ana: "Uma espada vai atravessar sua alma"
Acolher e encarnar a palavra na vida, ser sinal de contradição.
7. Lucas 2,39-52:
Aos doze anos no templo: "Então, não sabiam que devo estar com o Pai?"
Eles não compreenderam a Palavras que lhes foi dita!
8. Lucas 11,27-28:
O Elogio à mãe: "Feliz o ventre que te carregou!"
Feliz quem ouve e pratica a Palavra
 
Para um confronto pessoal
1) Vocês conseguem descobrir a Palavra viva de Deus em sua vida?
2) Como você vive a devoção à Maria, a mãe de Jesus?