Beata Alexandrina Maria da
Costa, virgem leiga
Sto Eduardo, o Confessor, rei
1ª Leitura (Gal 5,1-6): Irmãos:
Foi para a verdadeira liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permanecei
firmes e não torneis a sujeitar-vos ao jugo da escravidão. Sou eu, Paulo, que
vos digo: Se vos fizerdes circuncidar, Cristo de nada vos servirá. De novo
asseguro a todo o homem que se faz circuncidar: fica obrigado a cumprir toda a
Lei de Moisés. Vós os que procurais a justificação por essa Lei, separastes-vos
de Cristo e perdestes a graça de Deus. Nós, porém, é pelo Espírito Santo, em
virtude da fé, que esperamos alcançar a justificação. Porque em Jesus Cristo,
nem a circuncisão nem a incircuncisão tem qualquer valor, mas só a fé, que atua
pela caridade.
Salmo Responsorial: 118
R. Desça sobre mim, Senhor, a vossa bondade.
Desça sobre mim a vossa bondade, salvai-me segundo a vossa
promessa. Não me tireis da boca a palavra da verdade, porque eu espero nos
vossos juízos.
Quero cumprir fielmente a vossa lei, agora e para sempre.
Andarei seguro no meu caminho, porque busquei os vossos preceitos.
Ponho as minhas delícias nos vossos mandamentos, porque
muito os amo. Estendo as mãos para os vossos mandamentos e medito nos vossos
decretos.
Aleluia. A palavra de Deus é viva e eficaz, conhece os
pensamentos e intenções do coração. Aleluia.
Evangelho (Lc 11,37-41): Naquele
tempo, enquanto Jesus estava falando, um fariseu o convidou para jantar em sua
casa. Jesus foi e pôs-se à mesa. O fariseu ficou admirado ao ver que ele não
tinha feito a lavação ritual antes da refeição. O Senhor disse-lhe: Vós,
fariseus, limpais por fora o copo e a travessa, mas o vosso interior está cheio
de roubos e maldades. Insensatos! Aquele que fez o exterior não fez também o
interior? Antes, dai em esmola o que está dentro, e tudo ficará puro para vós.
«Antes, dai em esmola o que está dentro, e tudo ficará
puro para vós»
Rev. D. Pedro IGLESIAS Martínez (Ripollet, Barcelona,
Espanha)
Hoje, o evangelista situa a Jesus num banquete: Um fariseu
rogou-lhe que fora a comer com ele (Lc 11,37). A boas horas teve tal
ocorrência! Que cara deveu pôr o anfitrião quando o convidado saltou a norma
ritual de se lavar (que não era um preceito da Lei, senão da tradição dos
antigos rabinos) e além disso lhes censurou categoricamente a ele e ao seu
grupo social. O fariseu não acertou no dia e, o comportamento de Jesus, como
dizemos hoje, não foi politicamente correto.
Os evangelhos mostram-nos que ao Senhor lhe importava pouco
o que dirão e o politicamente correto; por isso, pese a quem pese, ambas coisas
não devem ser norma de atuação de quem se considere cristão. Jesus condena
claramente a atuação própria da dupla moral, a hipocrisia que procura
conveniência ou o engano: Vós, fariseus, limpais por fora o copo e a travessa,
mas o vosso interior está cheio de roubos e maldades (Lc 11,39). Como sempre, a
Palavra de Deus nos interpela sobre usos e costumes de nossa vida quotidiana,
na que acabamos convertendo em valores ciladas que tentam dissimular os pecados
de soberbia, egoísmo e orgulho, numa tentativa de globalizar a moral no
politicamente correto, para não destoar e não ficar marginados, sem que importe
o preço a pagar, nem como enegreçamos nossa alma, pois, afinal de contas, todo
mundo o faz.
Dizia São Basilio que de nada deve fugir o homem prudente
tanto como de viver segundo a opinião dos demais. Se somos testemunhas de
Cristo, temos de saber que a verdade sempre é e será verdade, ainda que chovam
chuços. Esta é nossa missão no meio dos homens com quem compartilhamos a vida,
tentando nos manter limpos segundo o modelo de homem que Deus nos revela em
Cristo. A limpeza do espírito passa acima das formas sociais e, se em algum
momento surge-nos a dúvida, lembre-se que os limpos de coração verão a Deus.
Que a cada um escolha o objetivo de sua mirada para toda a eternidade.
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«As coisas parecem-nos menos difíceis quando as vemos feitas
nos outros» (Santo Ambrósio)
«A fé vai antes de tudo da palavra à ideia, mas sempre tem
que voltar da ideia à palavra e à ação» (Bento XVI)
«Os pais são os primeiros responsáveis pela educação dos
filhos. Testemunham esta responsabilidade, primeiro pela criação dum lar onde
são regra a ternura, o perdão, o respeito, a fidelidade e o serviço
desinteressado. O lar é um lugar apropriado para a educação das virtudes (…)»
(Catecismo da Igreja Católica, nº 2.223)
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
* No evangelho de hoje continua o relacionamento tenso
entre Jesus e as autoridades religiosas daquele tempo. Apesar de tenso,
havia algo de familiar entre Jesus e os fariseus. Convidado para jantar na casa
deles, Jesus aceita o convite. Jesus não perde a liberdade diante deles, nem os
fariseus diante de Jesus.
* Lucas 11,37-38: Admiração do fariseu diante da
liberdade de Jesus. “Enquanto Jesus falava, um fariseu o convidou para
jantar em casa. Jesus entrou, e se pôs à mesa. O fariseu ficou admirado ao ver
que Jesus não tinha lavado as mãos antes da refeição”. Jesus aceita o convite
para jantar na casa do fariseu, mas não muda o seu modo de agir, pois senta-se
à mesma sem lavar as mãos. Nem o fariseu muda de atitude frente a Jesus, pois
expressa a sua admiração pelo fato de Jesus não lavar as mãos. Naquele tempo,
lavar as mãos antes das refeições era uma obrigação religiosa, imposta ao povo
em nome da pureza, exigida pela lei de Deus. O fariseu estranhou o fato de
Jesus não observar esta norma religiosa. Mesmo assim, apesar de totalmente
diferentes, o fariseu e Jesus tinham algo em comum: a seriedade de vida. O
jeito de viver dos fariseus era assim: cada dia, dedicavam oito horas ao estudo
e à meditação da lei de Deus, outras oito horas ao trabalho para poder
sobreviver com a família e oito horas ao descanso. Este testemunho sério da sua
vida dava a eles uma grande liderança popular. Talvez seja por isso, que,
apesar de totalmente diferentes, os dois, Jesus e os fariseus, se entendiam e
se criticavam mutuamente, sem perder a possibilidade do diálogo.
* Lucas 11,39-41:
A resposta de Jesus. “Vocês, fariseus, limpam o copo e o prato por fora,
mas o interior de vocês está cheio de roubo e maldade. Gente sem juízo! Aquele
que fez o exterior, não fez também o interior? Antes, deem em esmola o que
vocês possuem, e tudo ficará puro para vocês”. Os fariseus observavam a lei de
forma literal. Olhavam só a letra e, por isso, eram incapazes de perceber o
espírito da lei, o objetivo que a observância da lei queria alcançar na vida
das pessoas. Por exemplo, na lei está escrito: “Ame o seu próximo como a si
mesmo” (Lv 19,18). E eles comentavam: “Devemos amar o próximo, sim, mas só o
próximo, os outros não!” E daí nascia a discussão em torno da questão: “Quem é
meu próximo?” (Lc 10,29) O apóstolo Paulo escreve na sua segunda carta aos
Coríntios: “A letra mata, é o espírito que dá vida à letra” (2Cor 3,6). No
Sermão da Montanha, Jesus critica os que observam a letra da lei mas transgredem
o espírito da lei (Mt 5,20). Para ser fiel ao que Deus pede de nós não basta
observar só a letra da lei. Isto seria o mesmo que limpar o copo e o prato por
fora e deixar o interior cheio de sujeira: roubo e maldade. Não basta não
matar, não roubar, não cometer adultério, não jurar. Só observa plenamente a
lei de Deus aquele que, para além da letra, vai até à raiz e arranca de dentro
de si os desejos de “roubo e de maldade” que possam levar ao assassinato, ao
roubo, ao adultério. É na prática do amor que se realiza a plenitude da lei
(cf. Mt 5,21-48).
Para um confronto pessoal
1) Nossa Igreja hoje merece esta acusação de Jesus
contra os escribas e fariseus? Eu mereço?
2) Respeitar a seriedade de vida dos outros que
pensam diferente de nós pode facilitar o diálogo tão necessário e tão difícil
hoje em dia. Como pratico o diálogo na família, no trabalho e na comunidade?