quinta-feira, 6 de junho de 2013

7 de junho

Beata Ana de São Bartolomeu
Virgem de nossa Ordem
 Omite-se esta memória este ano por causa da solenidade do Coração de Jesus

Nasceu em Almendral (Ávila, Espanha) no dia 12 de outubro de 1549. Entrou em 1570 para o primeiro convento de S. José de Ávila e foi a primeira religiosa conversa da reforma teresiana. Professou a 15 de agosto de 1572 e foi muito estimada por S. Teresa, a ponto de a assistir nas viagens, nas doenças e na morte, em cujos braços a Santa morreu. Após a morte de S. Teresa, foi a alma da difusão do espírito e da obra teresiana em França (1604) e na Flandres (1612), na fidelidade ao carisma da reformadora e no zelo pelo bem da Igreja e pela salvação das almas. Morreu no mosteiro por ela fundado em Antuérpia (Anvers, Bélgica), no dia 7 de junho 1626, festa da Santíssima Trindade. Foi beatificada a 6 de maio de 1917 por Bento XV.

Comum das virgens ou das santas mulheres, para religiosas

Antífona do Benedictus
Ant. Onde está a humildade aí está a sabedoria, a sabedoria do humilde o exaltará (T.P. Aleluia)

Oração
Senhor nosso Deus, grandeza dos humildes, que adornastes a bem-aventurada Ana com as virtudes da caridade e da paciência, concedei-nos, por sua intercessão, que, seguindo e amando a Cristo nos irmãos, vivamos sempre no vosso amor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

Antífona do Magnificat

Ant. Deus escolheu os pobres deste mundo para fazê-los ricos com a fé e herdeiros do reino que prometeu àqueles que o amam. (T.P. Aleluia)

LEIA, ABAIXO, A LECTIO DIVINA DA SOLENIDADE DO CORAÇÃO DE JESUS

Solenidade do Sagrado Coração de Jesus

 As orações do Mês do Coração de Jesus estão na pasta de Informações e Orações

Evangelho (Lc 15,3-7): Então ele contou-lhes esta parábola: «Quem de vós que tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto e vai atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la? E quando a encontra, alegre a põe nos ombros e, chegando em casa, reúne os amigos e vizinhos, e diz: ‘Alegrai-vos comigo! Encontrei a minha ovelha que estava perdida!’ Eu vos digo: assim haverá no céu alegria por um só pecador que se converte, mais do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão».

Comentário: Rev. D. Pedro IGLESIAS Martínez (Rubí, Barcelona, Espanha)

Alegrai-vos comigo! Encontrei a minha ovelha que estava perdida!

Hoje celebramos a solenidade do Sagrado Coração de Jesus. Desde tempos remotos, o homem situa “fisicamente” no coração o melhor ou o pior do ser humano. Cristo nos mostra o seu, com as cicatrizes do nosso pecado, como símbolo de seu amor aos homens e, é desde este coração que vivifica e renova a história passada, presente e futura, desde donde contemplamos e podemos compreender a alegria Daquele que encontra o que havia perdido.

«Regozijai-vos comigo, achei a minha ovelha que se havia perdido.» (Lc 15,6). Quando escutamos estas palavras, tendemos sempre a situar-nos no grupo dos noventa e nove justos e observamos “distantes” como Jesus oferece a salvação a quantidade de conhecidos nossos que são muito pior que nós... Pois não! a alegria de Jesus tem um nome e um rosto. O meu, o teu, o daquele..., todos somos “a ovelha perdida” por nossos pecados; assim que..., não ponhamos mais lenha no fogo de nossa soberbia, que estamos totalmente convertidos!

No tempo em que vivemos, onde o conceito de pecado se relativiza ou se nega, no que o sacramento da penitência é considerado por alguns como uma coisa dura, triste e obsoleta, o Senhor em sua parábola nos fala de alegria, e não o faz somente aqui, pois é uma corrente que atravessa todo o Evangelho. Zaqueu convida Jesus a comer para celebrá-lo, depois de ser perdoado (cf. Lc 19,1-9); o pai do filho pródigo perdoa e dá uma festa por seu retorno (cf. Lc 15,11-32), e o Bom Pastor se regozija por encontrar a quem se havia separado do seu caminho.

Dizia São Josemaria (otcd) que um homem «vale o que vale seu coração». Meditemos desde o Evangelho de Lucas se o preço — que vai marcado na etiqueta do nosso coração— concorda com o valor do resgate que o Sagrado Coração de Jesus pagou por cada um de nós.

Oração
Coração de Jesus, anunciador das bem-aventuranças,
Fazei de nós testemunhas do amor!
Coração de Jesus, tentado e vencedor do demônio,
Coração de Jesus, portador e pleno do Espírito Santo,
Coração de Jesus, anunciador do evangelho do Reino,
Coração de Jesus, filho muito amado, em quem o Pai se compraz, que e merece ser ouvido por todos nós,
Coração de Jesus, que perdoais e curais, chamais à conversão e anunciais o reino,
Coração de Jesus, que fizestes milagres nunca vistos, e ensinais com autoridade,
Coração de Jesus, homem piedoso e mestre de oração,
Coração de Jesus, que nos amais, nos chamais para estar convosco e para anunciar-vos,
Coração de Jesus que vos identificais com os pobres e necessitados,
Coração de Jesus, em cujo Nome se realizam curas, sinais e prodígios,
Coração de Jesus, que une os cristãos num só coração e numa só alma,
Coração de Jesus, centro e vida de nossa comunidade,
Coração de Jesus, doador do Espírito Santo, 

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Quinta-feira da 9ª semana do Tempo Comum

As orações do Mês do Coração de Jesus estão na pasta de Informações e Orações

Evangelho (Mc 12,28-34): ): Um dos escribas, que tinha ouvido a discussão, percebeu que Jesus dera uma boa resposta. Então aproximou-se dele e perguntou: «Qual é o primeiro de todos os mandamentos?». Jesus respondeu: «O primeiro é este: ‘Ouve, Israel! O Senhor nosso Deus é um só. Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com toda a tua força!’ E o segundo mandamento é: ‘Amarás teu próximo como a ti mesmo’! Não existe outro mandamento maior do que estes».  O escriba disse a Jesus: «Muito bem, Mestre! Na verdade, é como disseste: ‘Ele é único, e não existe outro além dele’. Amar a Deus de todo o coração, com toda a mente e com toda a força, e amar o próximo como a si mesmo, isto supera todos os holocaustos e sacrifícios».  Percebendo Jesus que o escriba tinha respondido com inteligência, disse-lhe: «Tu não estás longe do Reino de Deus». E ninguém mais tinha coragem de fazer-lhe perguntas.

Comentário: P. Rodolf PUIGDOLLERS i Noblom SchP (La Roca del Vallès, Barcelona, Espanha)

Não existe outro mandamento maior do que estes

Hoje, um mestre da Lei pergunta a Jesus: «Qual é o primeiro de todos os mandamentos?» (Mc 12,28). A pergunta é capciosa. Em primeiro lugar, porque tenta estabelecer um ranking entre os diversos mandamentos; e, em segundo lugar, porque a pergunta se centra na Lei. É claro, trata-se da pergunta de um mestre da Lei.

A resposta do Senhor desmonta a espiritualidade daquele «mestre da Lei». Toda a atitude do discípulo de Jesus Cristo relativa a Deus fica resumida a um ponto duplo: «Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração» e «e amarás teu próximo como a ti mesmo» (Mc 12,31). O comportamento religioso fica definido na sua relação com Deus e com o próximo; e o comportamento humano, na sua relação com os outros e com Deus. Diz com outras palavras Santo Agostinho: «Ama e faz o que queiras». Ama a Deus e ama os outros, e o resto das coisas será conseqüência desse amor em plenitude.

O mestre da Lei entende-o perfeitamente. E indica que amar a Deus com todo o coração e aos outros como a si próprio «supera todos os holocaustos e sacrifícios» (Mc 12,33). Deus está esperando a resposta de cada pessoa, a entrega plena «de todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com toda a tua força» (Mc 12,30) a Ele, que é a Verdade e a Bondade, e a entrega generosa aos outros. Os «sacrifícios e oferendas» apenas fazem sentido na medida em que sejam expressão verdadeira deste duplo amor. E pensar que por vezes utilizamos os “pequenos mandamentos” e “os sacrifícios e oferendas” com uma pedra para criticar ou ferir o outro!

Jesus comenta a resposta do maestro da Lei com um «não estás longe do Reino de Deus» (Mc 12,34). Para Jesus Cristo ninguém que ame os outros acima de tudo está longe do reino de Deus.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* O evangelho de hoje traz uma conversa bonita entre Jesus e um doutor da lei. O doutor quer saber de Jesus qual o maior mandamento. Hoje também muita gente quer saber o que é o mais importante na religião. Uns dizem que é ser batizado. Outros, que é rezar. Outros dizem: ir à Missa ou participar do culto no domingo. Outros dizem: amar o próximo! Outros estão preocupados só com as aparências ou com os cargos na igreja.

* Marcos 12,28: A pergunta do doutor da Lei.
Um doutor da lei, que tinha assistido ao debate de Jesus com os saduceus (Mc 12,23-27), gostou da resposta de Jesus, percebeu a grande inteligência dele e quis aproveitar da ocasião para fazer uma pergunta: “Qual é o maior de todos os mandamentos?” Naquele tempo, os judeus tinham uma grande quantidade de normas para regulamentar na prática a observância dos Dez Mandamentos da Lei de Deus. Alguns diziam: “Todas estas normas têm o mesmo valor, pois todas vêm de Deus. Não compete a nós introduzir distinções nas coisas de Deus”. Outros diziam: “Algumas leis são mais importantes que as outras e, por isso, obrigam mais!” O doutor quer saber a opinião de Jesus.

* Marcos 12,29-31: A resposta de Jesus.
Jesus responde citando um trecho da Bíblia para dizer que o mandamento maior é “amar a Deus com todo o coração, com toda a alma, com todo o entendimento e com toda a força!” (Dt 6,4-5). No tempo de Jesus, os judeus piedosos fizeram deste texto do Deuteronômio uma oração e a recitavam três vezes ao dia: de manhã, ao meio dia e à noite. Era tão conhecida entre eles como entre nós, hoje, o Pai-Nosso. E Jesus acrescenta, citando novamente a Bíblia: “O segundo é este: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’ (Lev 19,18). Não existe outro mandamento maior do que estes dois”. Resposta breve e profunda! É o resumo de tudo que Jesus ensinou sobre Deus e sobre a vida (Mt 7,12).

* Marcos 12,32-33: A resposta do doutor da lei.
O doutor concordou com Jesus e tirou as conclusões: “Sim, amar a Deus e amar ao próximo é muito mais importante do que todos os holocaustos e todos os sacrifícios”. Ou seja, o mandamento do amor é mais importante que os mandamentos relacionados com o culto e os sacrifícios no Templo. Esta afirmação já vinha desde os profetas do Antigo Testamento (Os 6,6; Sl 40,6-8; Sl 51,16-17). Hoje diríamos que a prática do amor é mais importante que novenas, promessas, missas, rezas e procissões.

* Marcos 12,34: O resumo do Reino.
Jesus confirma a conclusão do doutor e diz: “Você não está longe do Reino!” De fato, o Reino de Deus consiste em reconhecer que o amor a Deus é igual ao amor ao próximo. Pois se Deus é Pai, nós todos somos irmãos e irmãs e temos que mostrar isto na prática, vivendo em comunidade. "Destes dois mandamento dependem toda a lei e os profetas!" (Mt 22,4) Os discípulos e as discípulas devem fixar na memória, na inteligência, no coração, nas mãos e nos pés esta lei maior do amor: não se chega a Deus a não ser através da doação total ao próximo!

* O primeiro mandamento. O maior e o primeiro mandamento foi e sempre será: “amar a Deus com todo o seu coração, com toda a sua alma, com todo o seu entendimento e com toda a sua força” (Mc 12,30). Na medida em que o povo de Deus, ao longo dos séculos, foi aprofundando o significado e o alcance do amor a Deus, foi percebendo que o amor de Deus só será real e verdadeiro, se ele se concretizar no amor ao próximo. Por isso, o segundo mandamento que pede o amor ao próximo é semelhante ao primeiro mandamento do amor a Deus (Mt 22,39; Mc 12,31). “Se alguém disser “Amo a Deus!”, mas odeia o seu irmão, é um mentiroso” (1Jo 4,20). “Toda a lei e os profetas dependem desses dois mandamentos” (Mt 22,40).

Para um confronto pessoal
1) Para você, o que é o mais importante na religião e na vida? Quais as dificuldades concretas para você poder viver aquilo que considera o mais importante?

2) Jesus disse ao doutor: “Você não está longe do Reino”. Hoje, será que eu estou mais perto ou mais longe do Reino de Deus do que o doutor elogiado por Jesus?

terça-feira, 4 de junho de 2013

Quarta-feira da 9ª semana do Tempo Comum

As orações do Mês do Coração de Jesus estão na pasta de Informações e Orações.

Evangelho (Mc 12,18-27): Uns saduceus, os quais dizem não existir ressurreição, aproximaram-se de Jesus e lhe perguntaram: «Mestre, Moisés deixou-nos escrito: ‘Se alguém tiver um irmão e este morrer, deixando a mulher sem filhos, ele deve casar-se com a mulher para dar descendência ao irmão’. Havia sete irmãos. O mais velho casou-se com uma mulher e morreu sem deixar descendência. O segundo, então, casou-se com ela e igualmente morreu sem deixar descendência. A mesma coisa aconteceu com o terceiro. E nenhum dos sete irmãos deixou descendência. Depois de todos, morreu também a mulher. Na ressurreição, quando ressuscitarem, ela será a esposa de qual deles? Pois os sete a tiveram por esposa?». Jesus respondeu: «Acaso não estais errados, porque não compreendeis as Escrituras, nem o poder de Deus? Quando ressuscitarem dos mortos, os homens e as mulheres não se casarão; serão como anjos no céu. Quanto à ressurreição dos mortos, não lestes, no livro de Moisés, na passagem da sarça ardente, como Deus lhe falou: ‘Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó! ’ Ele é Deus não de mortos, mas de vivos! Estais muito errados».

Comentário: Pbro. D. Federico Elías ALCAMÁN Riffo (Puchuncaví-Valparaíso, Chile)

Ele é Deus não de mortos, mas de vivos

Hoje, a Santa Igreja nos põe em nossa consideração — pela palavra de Cristo— a realidade da ressurreição e as propriedades dos corpos ressuscitados. Por conseguinte, o Evangelio narra-nos o encontro de Jesus com os saduceus, os que — por meio de um caso hipotético distorcido— apresentam-lhe uma dificuldade a respeito da ressurreição dos mortos, verdade na qual eles não acreditavam.

Dizem-lhe que, se uma mulher enviuvar sete vezes, «ela será a esposa de qual deles?» (Mc 12, 23). Procuram, desse jeito, ridicularizar a doutrina de Jesus. Mas, o Senhor desfaz a dificuldade expondo que, «quando ressuscitarem dos mortos, os homens e as mulheres não se casarão; serão como anjos no céu» (Mc 12,25).

Assim, nosso Senhor aproveita a circunstância para afirmar a existência da ressurreição, citando o que Deus lhe disse a Moisés no episódio da sarça: «Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó», e acrescenta: «Ele é Deus não de mortos, mas de vivos» (Mc 12,26-27). Jesus lhes reprova quanto estão errados, já que não entendem a Escritura nem o poder de Deus; e ainda mais, esta verdade já estava revelada no Antigo Testamento: assim o ensinaram Isaias, a mãe dos Macabeus, Jó e outros.

Santo Agostinho descrevia a vida como eterna e amorosa comunhão: «não padeceras aí limites nem estreiteza ao possuir tudo; terás tudo e teu irmão terá tudo também, porque vós, tu e ele, os convertereis em um só, e este único todo também terá a Aquele que os possua a ambos».

Nós, longe de duvidar das Escrituras e do poder misericordioso de Deus, aderimos com a mente e o coração a essa verdade esperançosa, gozamos de não ficar frustrados na nossa sede de vida, plena e eterna, a qual é confirmada no mesmo Deus, em sua glória e felicidade. Diante deste convite divino, fica-nos fomentar as nossas ânsias de ver a Deus, o nosso desejo de estar para sempre reinando junto a Ele.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* No evangelho de hoje continua o confronto entre Jesus e as autoridades. Depois dos sacerdotes, anciãos e escribas (Mc 12,1-12) e os fariseus e herodianos (Mc 12,13-17), agora aparecem os saduceus que fazem uma pergunta sobre a ressurreição. Assunto polêmico, que causava briga entre saduceus e fariseus (Mc 12,18-27; cf. At 23,6-1).

* Nas comunidades cristãs dos anos setenta, época em que Macros escreve o seu evangelho, havia alguns cristãos que, para não serem perseguidos, tentavam conciliar o projeto de Jesus com o projeto do império romano. Os outros que resistiam ao império eram perseguidos, acusados e interrogados pelas autoridades ou por vizinhos que se sentiam incomodados pelo testemunho deles. A descrição dos conflitos de Jesus com as autoridades era uma ajuda muito grande para os cristãos não se deixarem manipular pela ideologia do império. Ao lerem estes episódios de conflito de Jesus com as autoridades, os cristãos perseguidos se animavam e criavam coragem para continuar na caminhada.

* Marcos 12,18-23. Os Saduceus.
Os saduceus eram uma elite aristocrata de latifundiários e comerciantes. Eram conservadores. Não aceitavam a fé na ressurreição. Naquele tempo, esta fé começava a ser valorizada pelos fariseus e pela piedade popular. Ela animava a resistência do povo contra a dominação tanto dos romanos como dos sacerdotes, dos anciãos e dos próprios saduceus. Para os saduceus, o reino messiânico já estava presente na situação de bem-estar que eles estavam vivendo. Eles seguiam a assim chamada “Teologia da Retribuição” que distorcia a realidade. Segundo esta teologia, Deus retribui com riqueza e bem-estar aos que observam a lei de Deus, e castiga com sofrimento e pobreza os que praticam o mal. Assim, se entende por que os saduceus não queriam mudanças. Queriam que a religião permanecesse tal como era, imutável como o próprio Deus. Por isso não aceitavam a fé na ressurreição e na ajuda dos anjos, que sustentava a luta daqueles que buscavam mudanças e libertação.

* Marcos 12,19-23. A pergunta dos Saduceus.
Eles chegam até Jesus e, para criticar e ridicularizar a fé na ressurreição, contam o caso fictício daquela mulher que casou sete vezes e, no fim, morreu sem filhos. A assim chamada lei do levirato obrigava a viúva sem filhos a casar com o irmão do falecido marido. O filho que nascesse deste novo casamento era considerado filho do falecido marido. Assim, este teria uma descendência. Mas no caso proposto pelos saduceus, a mulher, apesar de ter tido sete maridos, ficou sem marido. Eles perguntam a Jesus: “Na ressurreição, quando eles ressuscitarem, de quem ela será? Todos os sete se casaram com ela!" Era para dizer que crer na ressurreição levaria a pessoa a aceitar o absurdo.

* Marcos 12,24-27: A resposta de Jesus.
Jesus responde duramente: “Vocês não entendem nada, nem do poder de Deus, nem da Escritura!” Jesus explica que a condição das pessoas depois da morte será totalmente diferente da condição atual. Depois da morte já não haverá mais casamento, mas todas serão como os anjos no céu. Os saduceus imaginavam a vida no céu igual à vida aqui na terra. No fim, Jesus conclui: “Nosso Deus não é um Deus de mortos, mas sim de vivos! Vocês estão muito errados!” Os discípulos e as discípulas devem estar de sobreaviso: quem estiver do lado destes saduceus estará do lado oposto de Deus!

Para um confronto pessoal
1) Qual é hoje o sentido da frase: “Deus não é Deus dos mortos, mas sim dos vivos!”

2) Será que eu creio mesmo na ressurreição? O que significa para mim “creio na ressurreição da carne e na vida eterna”?

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Terça-feira da 9ª semana do Tempo Comum

As orações do Mês do Coração de Jesus estão na pasta de Informações e Orações.

Evangelho (Mc 12,13-17): Então, mandaram alguns fariseus e partidários de Herodes, para apanhar Jesus em alguma palavra. Logo que chegaram, disseram-lhe: «Mestre, sabemos que és verdadeiro e não te deixas influenciar por ninguém. Tu não olhas a aparência das pessoas, mas ensinas segundo a verdade o caminho de Deus. Diz-nos: é permitido ou não pagar imposto a César? Devemos dá-lo ou não?».  Ele percebeu-lhes o fingimento e respondeu: «Por que me armais uma armadilha? Trazei-me a moeda do imposto para eu ver». Trouxeram-lhe uma moeda. Ele perguntou: «De quem é esta figura e a inscrição?». Responderam: «De César». Então, Jesus disse: «Devolvei, pois, a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus ». E estavam extremamente admirados a respeito dele.

Comentário: Rev. D. Manuel SÁNCHEZ Sánchez (Sevilla, Espanha)

Devolvei, pois, a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus

Hoje, maravilhamo-nos, mais uma vez, com o engenho e sabedoria de Cristo. Ele, com a sua magistral resposta, assinala diretamente a justa autonomia das realidades terrenas: «Devolvei, pois, a César o que é de César» (Mc 12,17).

Mas a Palavra de hoje é algo mais que saber sair de um apuro; é uma questão que tem atualidade em todos os momentos da nossa vida: que estou dando a Deus?; é realmente o mais importante na minha vida? Onde pus o coração? Porque… «onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração» (Lc 13,34).

De fato, segundo São Jerônimo, «tendes que dar forçosamente a César a moeda que tem impressa a sua imagem; mas vós entregai com gosto todo o vosso ser a Deus, porque em nós está impressa a sua imagem e não a de César». Ao longo da sua vida, Jesus Cristo apresenta constantemente a questão da eleição. Somos nós os que estamos chamados a escolher, e as opções são claras: viver partindo dos valores deste mundo, ou viver partindo dos valores do Evangelho.

É sempre tempo de escolha, tempo de conversão, tempo para voltar a “recolocar” a nossa vida na dinâmica de Deus. Será a oração e, especialmente a realizada com a Palavra de Deus, a que nos vai revelando o que Deus quer de nós. O que sabe escolher a Deus, converte-se em morada de Deus, pois «se alguém me ama, guardará a minha Palavra, e meu Pai o amará, e o veremos, e faremos morada nele» (Jo 14,23). É a oração que se converte na autêntica escola onde, como afirma Tertuliano, «Cristo nos vai ensinando qual era o desígnio do Pai que Ele realizava no mundo, e qual a conduta do homem para que seja conforme a esse mesmo desígnio» Saibamos, portanto, escolher o que nos convém!

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* No evangelho de hoje continua o confronto entre Jesus e as autoridades. Os sacerdotes, anciãos e escribas tinham sido criticados e denunciados por Jesus na parábola da vinha (Mc 12,1-12). Agora, os mesmos pedem aos fariseus e herodianos para armar uma cilada contra Jesus, a fim de poder apanhá-lo e condená-lo. Estes perguntam a Jesus sobre o imposto a ser pago aos romanos. Era um assunto polêmico que dividia a opinião pública. Os adversários de Jesus querem a todo custo acusá-lo e, assim, diminuir a sua influência junto do povo. Grupos, que antes eram inimigos entre si, agora se unem para combater Jesus que pisava no calo de todos eles. Isto acontece também hoje. Muitas vezes, pessoas ou grupos, inimigos entre si, se unem para defender seus privilégios contra aqueles que os incomodam com o anúncio da verdade e da justiça.

* Marcos 12,13-14. A pergunta dos fariseus e herodianos.
Fariseus e herodianos eram as lideranças locais nos povoados da Galiléia. Bem antes, eles já tinham decidido matar Jesus (Mc 3,6). Agora, a mando dos Sacerdotes e Anciãos, eles querem saber de Jesus se ele é a favor ou contra o pagamento do imposto aos romanos, a César. Pergunta esperta, cheia de malícia! Sob a aparência de fidelidade à lei de Deus, buscam motivos para poder acusá-lo. Se Jesus dissesse: “Deve pagar!”, poderiam acusá-lo junto ao povo como amigo dos romanos. Se ele dissesse: “Não deve pagar!”, poderiam acusá-lo junto às autoridades romanas como subversivo. Parecia uma sinuca sem saída!

* Marcos 12, 15-17: A resposta de Jesus.
Jesus percebe a hipocrisia. Na sua resposta, ele não perde tempo em discussões inúteis, e vai direto ao centro da questão. Em vez de responder e de discutir o assunto do tributo a César, ele pede que lhe mostrem a moeda, e pergunta: "De quem é esta imagem e inscrição?" Eles respondem: "De César!" Resposta de Jesus: "Então, dêem a César o que é de César, mas a Deus o que é de Deus!”. Na prática, eles já reconheciam a autoridade de César. Já estavam dando a César o que era de César, pois usavam as moedas dele para comprar e vender e até para pagar o imposto ao Templo! O que interessa a Jesus é que “dêem a Deus o que é de Deus!”, isto é, que devolvam a Deus o povo, por eles desviado, pois com os seus ensinamentos bloqueavam a entrada do Reino para o povo (Mt 23,13). Outros explicam esta frase de Jesus de outra maneira: “Dêem a Deus o que é de Deus!”, isto é, pratiquem a justiça e a honestidade conforme o exige a Lei de Deus, pois pela hipocrisia vocês estão negando a Deus o que lhe é devido. Os discípulos e as discípulas devem tomar consciência! Pois era o fermento destes fariseus e herodianos que estava cegando os olhos deles! (Mc 8,15).

Para um confronto pessoal
1. Você conhece algum caso de grupos ou de pessoas que eram inimigos entre si, mas que se juntaram para perseguir a pessoa honesta que os incomodava e denunciava? Isto já aconteceu alguma vez com você?

2. Qual é hoje o sentido da frase: “Dai a César o que é do César, e a Deus o que é de Deus”?

domingo, 2 de junho de 2013

Segunda-feira da 9ª Semana do Tempo Comum

As orações do Mês do Coração de Jesus estão na pasta de Informações e Orações

Evangelho (Mc 12,1-12): Jesus começou a falar-lhes em parábolas: «Um homem plantou uma vinha, pôs uma cerca em volta, cavou um lagar para pisar as uvas e construiu uma torre de guarda. Ele a alugou a uns lavradores e viajou para longe.  Depois mandou um servo para receber dos agricultores a sua parte dos frutos da vinha. Mas os agricultores o agarraram, bateram nele e o mandaram de volta sem nada. O proprietário mandou novamente outro servo. Este foi espancado na cabeça e ainda o insultaram. Mandou ainda um outro, e a esse mataram. E assim diversos outros: em uns bateram e a outros mataram. Agora restava ainda alguém: o filho amado. Por último, então, enviou o filho aos agricultores, pensando: ‘A meu filho respeitarão’. Mas aqueles agricultores disseram uns aos outros: ‘Este é o herdeiro. Vamos matá-lo, e a herança será nossa’. Agarraram o filho, mataram e o lançaram fora da vinha.  Que fará o dono da vinha? Ele virá e fará perecer os agricultores, e entregará a vinha a outros. Acaso não lestes na Escritura: ‘A pedra que os construtores rejeitaram, esta é que se tornou a pedra angular. Isto foi feito pelo Senhor, e é admirável aos nossos olhos'?» Eles procuravam prender Jesus, pois entenderam que tinha contado a parábola com referência a eles. Mas ficaram com medo da multidão; por isso, deixaram Jesus e foram embora.

Comentário: Fr. Alphonse DIAZ (Nairobi, Qunia)

Depois mandou um servo para receber dos agricultores a sua parte dos frutos da vinha

Hoje, o Senhor convida-nos a passear por sua vinha: «Um homem plantou uma vinha (...) e ele a alugou a uns lavradores» (Mc 12,1). Todos somos arrendatários dessa vinha. A vinha é o nosso próprio espírito, a Igreja e o mundo inteiro. Deus quer nossos frutos. Primeiro, a nossa santidade pessoal; depois um constante apostolado entre os meus amigos, a quem nosso exemplo e palavras devem animá-los a aproximarem-se cada dia mais a Cristo; finalmente, o mundo, que se converterá num lugar melhor para viver, se santificamos o nosso trabalho profissional, nossas relações sociais e nosso dever para o bem comum.

Que tipo de arrendatários somos? De aqueles que trabalham muito, ou daqueles quem se irritam quando o dono envia seus empregados para cobrar-nos o aluguel? Podemos nos opor aos que têm a responsabilidade de ajudar a proporcionar os frutos que Deus espera de nós. Podemos pôr objeções aos ensinos da Santa Mãe Igreja e do Papa, dos bispos, ou talvez, mais modestamente, dos nossos pais, nosso diretor espiritual, ou daquele bom amigo que está tentando ajudar-nos. Podemos, inclusive, voltarnos agressivos, e tentar ferí-los, ou até "matá-los" com nossa critica e comentários negativos. Deveríamos perguntar-nos os verdadeiros motivos desta postura. Talvez precisamos de um conhecimento mais profundo da nossa fé; quiçá devemos aprender a conhecer-nos melhor; fazer um melhor exame de consciência, para descobrir as razões pelas que não queremos produzir frutos.

Peçamos a nossa Mãe Maria ajuda para que possamos trabalhar com amor, sob a guia do Papa. Todos podemos ser "bons pastores" e "pescadores" de homens. «Então, vamos e peçamos ao Senhor que nos ajude a dar fruto, um fruto que permaneça. Só assim a terra se transforma de vale de lágrimas em jardim de Deus» (Papa Bento XVI). Nós poderíamos aproximar nosso espírito a Jesus Cristo, o espírito de nossos amigos, ou o do mundo inteiro, se apenas lêssemos e meditássemos os ensinos do Papa Bento, e tentássemos pô-los em prática.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm

* Jesus está em Jerusalém. É a última semana da sua vida. Ele está de volta na praça do Templo (Mc 11,27), onde agora começa o confronto direto com as autoridades. Os capítulos 11 e 12 descrevem os vários aspectos deste confronto:
(1) com os vendedores do Templo (Mc 12,11-26),
(2) com os sacerdotes, anciãos e escribas (Mc 11,27 a 12,12),
(3) com os fariseus e herodianos (Mc 12,13-17)
(4) com os saduceus (Mc 12,18-27), e
(5) novamente, com os escribas (Mc 12,28-40).
 No fim, depois da ruptura com todos eles, Jesus comenta o óbolo da viúva (Mc 12,41-44).
O evangelho de hoje descreve uma parte do conflito com os sacerdotes, anciãos e escribas (Mc 12,1-12). Através de todos estes confrontos, fica mais claro para os discípulos e para todos nós qual o projeto de Jesus e qual a intenção dos homens do poder.

* Marcos 12,1-9: A parábola da vinha: resposta indireta de Jesus aos homens do poder.
A parábola da vinha é um resumo da história de Israel. Resumo bonito, tirado do profeta Isaías (Is 5,1-7). Por meio dela Jesus dá uma resposta indireta aos sacerdotes, escribas e anciãos que tinham perguntado a ele: "Com que autoridade fazes tais coisas? Quem te deu autoridade para fazer isso?" (Mc 11,28). 
Nesta parábola, Jesus 
(1) revela qual a origem da sua autoridade: ele é o filho, o herdeiro (Mc 12,6)
(2) Denuncia o abuso da autoridade dos vinhateiros, isto é, dos sacerdotes e anciãos que não cuidavam do povo de Deus (Mc 12,3-8). 
(3) Defende a autoridade dos profetas, enviados por Deus, mas massacrados pelos vinhateiros (Mc 12,2-5). 
(4) Desmascara as autoridades que manipulam a religião e matam o filho, porque não querem perder a fonte de renda que conseguiram acumular para si, ao longo dos séculos (Mc 12,7).

* Marcos 12,10-12. A decisão dos homens do poder confirma a denúncia feita por Jesus.
Os sacerdotes, escribas e anciãos entenderam muito bem o significado da parábola, mas não se converteram. Pelo contrário! Mantiveram o seu projeto de prender Jesus (Mc 12,12). Rejeitaram “a pedra fundamental” (Mc 12,10), mas não tiveram a coragem de fazê-lo abertamente porque tinham medo do povo. Assim, os discípulos e as discípulas devem saber o que os espera no seguimento de Jesus!

Para um confronto pessoal
1. Alguma vez, como Jesus, você já se sentiu controlado/a indevidamente pelas autoridades do seu país, em casa na sua família, no seu trabalho ou na igreja? Qual foi a sua reação?

2. O que esta parábola nos ensina sobre a maneira de exercer a autoridade? E você, como exerce sua autoridade na família, na comunidade e no trabalho?

sábado, 1 de junho de 2013

IX DOMINGO DO TEMPO COMUM - Ano C

As orações do Mês do Coração de Jesus estão na pasta de Informações e Orações.

Lucas 7, 1-10 - Jesus entrou na cidade de Cafarnaum.  Havia aí um oficial romano que tinha um empregado, a quem estimava muito. O empregado estava doente, a ponto de morrer.  O oficial ouviu falar de Jesus, e enviou alguns anciãos dos judeus, para pedir a Jesus que fosse salvar o empregado.  Chegando onde Jesus estava, pediram-lhe com insistência: «O oficial merece que lhe faças esse favor,  porque ele estima o nosso povo, e até construiu uma sinagoga para nós.»  Então Jesus pôs-se a caminho com eles. Porém, quando já estava perto da casa, o oficial mandou alguns amigos dizer a Jesus: «Senhor, não te incomodes, pois eu não sou digno de que entres em minha casa;  nem sequer me atrevi a ir pessoalmente ao teu encontro. Mas dize uma palavra, e o meu empregado ficará curado.  Pois eu também estou sob a autoridade de oficiais superiores, e tenho soldados sob minhas ordens. E digo a um: Vá, e ele vai; e a outro: Venha, e ele vem; e ao meu empregado: Faça isso, e ele o faz.»  Ouvindo isso, Jesus ficou admirado. Voltou-se para a multidão que o seguia, e disse: «Eu declaro a vocês que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé.» Os mensageiros voltaram para a casa do oficial, e encontraram o empregado em perfeita saúde.

Fé, Dom de Deus e um Ato Humano
A fé é um dom gratuito de Deus, oferecido a todos os homens, sem exceção. Chamamos de dons infusos a fé, a esperança, e a caridade.
A fé é como uma semente. Quando nascemos Deus planta em nós a semente da fé, e nós nascemos com esta semente. É uma semente em potencial, que ainda não é ato, mas compete a nós darmos condições materiais para que a fé cresça.  Ou seja, a fé é dom de Deus que não nasce separadamente  da vontade humana, porque ninguém acredita se não quiser. Também ninguém acredita sem que Deus o permita.
A fé precisa ser estimulada, precisa ser exercitada, e para isto requer algumas atitudes importantes. Podemos tomar como exemplo o dom de tocar violão, a pessoa tem o dom mas precisa  treinar, estudar,  exercitar.

Passos para exercitar a fé:
· A caridade. A fé cresce na prática da caridade.
· A vivência sacramental. Buscar os sacramentos da confissão e da comunhão, mesmo que não tenha vontade e não o faça por sentimento. Santa Teresa D’Ávila ensinava que quando se tem vontade de ir à missa, vai; mas, se no domingo seguinte não se tem, não se deve deixar de ir,  porque é  justamente quando se vai sem ter vontade,  que se vai pela fé. - É o mesmo com a oração; quando se reza sem vontade, sem prazer, então, se age pela fé, e o valor desta oração é dobrado. Não é uma questão de sentir prazer, sentir vontade,  é uma questão de atitude. Não podemos reduzir a fé ao sensacionalismo, ao sentimento de estar com vontade ou não.
· Leitura da palavra de Deus. A fé unida à inteligência e à razão voa com maior facilidade.

A fé vem pelo pelo ouvido. Rm 10:17
O oficial ouviu falar de Jesus”. Segundo São Paulo “a fé vem pelo ouvir a palavra de Deus”. Ele nos mostra a necessidade do anúncio do Evangelho para que todos possam conhecer e crer em Jesus: “como invocarão aquele em quem não tem fé? E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão falar, se não houver quem pregue?” Tornar Jesus conhecido e amado; este é o primeiro compromisso do cristão comprometido com sua fé.

Fé na Intercessão dos Santos é licita?
O oficial enviou alguns anciãos dos judeus, para pedir a Jesus que fosse salvar o empregado”.  Reconhecendo suas limitações, o centurião pede a intervenção dos anciãos judeus, que apresentam a Jesus sua necessidade e intercedem por ele. E Jesus atendeu ao pedido dos anciãos que suplicavam pelo servo do oficial romano.  Não foram os anciãos que curaram o jovem.  Foi Jesus.  Mas é atendendo ao pedido deles e vendo a fé do romano que Jesus realiza o milagre. Portanto, recorrer a Nossa Senhora e aos santos, não é idolatria, porque, nós católicos não adoramos os santos, mas os veneramos e respeitamos como amigos de Deus. São nossos intercessores na comunhão dos Santos.

As características da fé do centurião:
Um pagão serve de exemplo para a multidão! Na boca de alguém considerado “impuro” se expressa a mais profunda fé! Quantas vezes a mesma coisa acontece hoje - pessoas consideradas impuras, ou tolas, ou ignorantes, dão lição de fé a nós, às vezes formados na teologia, praticantes dos sacramentos, estudiosos da religião?
A fé não depende do grau do estudo - é uma atitude profunda que brota da intimidade com Deus.
É de notar também a prontidão com que Jesus atende o pedido para ajudar o oficial. Embora esteja consciente que o homem é estrangeiro e pagão, a compaixão faz com que Jesus não se amarra aos limites costumeiros da prática religiosa do seu tempo, mas se prontifica até a entrar na casa de um “impuro”, pois para Jesus, ninguém pode ser taxado de impuro.

1º) Uma fé COMPASSIVA: Toda a lei de Deus se resume no amor e esse centurião mostrou que amava seu servo que estava doente, indo interceder a Jesus. Sua atitude em relação ao servo era incomum. De acordo com a lei romana, o servo era definido como uma ferramenta viva sem direitos e freqüentemente abusada por seu senhor. O centurião não queria nada pra ele. Ele poderia pedir algo a Jesus, com certeza ele teria alguma coisa a pedir, mas preferiu priorizar o sofrimento do seu servo. Ele se compadeceu do seu próximo. Certamente, isso agradou a Jesus, pois de imediato Ele respondeu: “Eu irei e o curarei”. Então, se queremos também nós agradar a Jesus, devemos, assim como centurião, seguir a palavra de Deus: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”(Lv 19, 18). Com essa passagem entendemos o que Deus fala que aquele que quer ser servido, sirva primeiro. São Tiago em sua carta (2:14) fala "Meus irmãos, que interessa se alguém disser que tem fé em Deus, e não fizer prova disso através de obras? Esse tipo de fé não salva ninguém."

2º) Uma fé HUMILDE: O centurião enviou antes anciãos judeus para rogar ao Senhor pelo seu servo, pois ele não se achava digno nem de chegar até Jesus. Após Jesus mostrar-se disposto a ir à casa do centurião para curar o servo enfermo, o próprio centurião se diz indigno de recebê-Lo. “Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha casa” . Com profundo respeito, ele nem pede que Jesus entre na sua casa - pois tal ação deixaria Jesus ritualmente impuro! Ele está consciente de não pertencer ao povo eleito, e sabe que para um judeu entrar em casa de um pagão seria sinal de impureza. Por isso não se crê digno de hospedar a Jesus. Ele conhece as normas dos judeus quanto à pureza, por isso não vai pessoalmente ter com Jesus, mas envia anciãos judeus para intercederem por ele junto a Jesus. Dizer-se indigno é reconhecer a autoridade de Jesus.
O centurião reconhece que Jesus Cristo é uma autoridade muito maior que ele. Devemos assim também nós, com humildade, reconhecermos que somos pequenos e frágeis perante o Senhor. Muitas súplicas são verdadeiras imposições ("eu determino") apresentadas com arrogância ao Senhor de tudo. Isto impede que Deus possa se aproximar de sua criatura. Um primeiro requisito da parte do suplicante é reconhecer quem ele é  a quem está se dirigindo. Cumpre entregar a Ele os problemas e deixar por conta dele as soluções.  Quem possui um coração humilde encontrará sempre o Deus santo.  Quem está convencido de suas qualidades e de seus direitos perante o Onipotente não oferece espaço para que Ele possa vir de encontro às necessidades de quem dele precisa, mesmo porque o orgulho impede a ação divina. É na fé e pela fé que Deus vem até à alma humilde e contrita. Esta reconhece suas limitações e assegura a possibilidade de Deus poder agir. São Paulo advertiu aos Gálatas: “Quem pensa ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo" (Gl 6,3), pois Deus, de fato, resiste aos soberbos. Quem possui a humildade e a fé do Centurião tudo alcança. O humilde possui ao lado dum sentimento profundo de seu nada e de sua fraqueza a percepção de riquezas infinitas e alegrias inefáveis que enchem o seu coração sempre fortificado na fé.

3º) Uma fé CONFIANTE: O centurião estava convencido de que Jesus podia curar o seu servo. Não duvidou, teve confiança. E ele foi além na sua fé quando acreditou que somente uma Palavra de Cristo e seu servo ficaria curado. Foi capaz de dar o testemunho de sua confiança em Jesus, ao ponto de declarar: “Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha casa. Dizei uma só palavra e meu servo será curado” (Mt 8,8). O centurião dava-se por satisfeito apenas com uma palavra de Jesus, nada mais que isso. Mostrou assim que acreditava que o poder de Cristo não se limitava e podia curar a distância.
Ele tem confiança absoluta em Jesus - basta a palavra d’Ele para que a cura se concretize! Aqui temos mais um exemplo do interesse de Lucas em enfatizar o poder da Palavra de Jesus (por exemplo, na versão lucana da cura da sogra do Pedro, Jesus não toca nela, como em Marcos, mas só ameaça a febre, e com a sua palavra, essa deixa a mulher - Lc 4, 39). A constatação da cura revela o poder vivificante e eficaz da Palavra do Senhor. Quantos seguidores de Cristo querem manifestações visíveis, enquanto Ele quer da parte de todos é uma fé inabalável, fruto de uma sinceridade interior que reconhece nele o Deus Todo-Poderoso que intervirá sempre no momento oportuno.
A certeza da eficácia da palavra de Jesus é prova de uma vigorosa fé na divindade d’Ele, segundo a interpretação dada por Santo Agostinho ao pedido: “Se eu, que estou subordinado, mando nos que estão debaixo de mim, tu, que não estás subordinado a ninguém, não poderás mandar em tua criatura, uma vez que todas as coisas foram feitas por ti e sem ti nada foi feito? Acreditava depender tudo da vontade do Salvador, bastando transmitir-Lhe seu pedido para obter a realização.

“Senhor, dê-nos a fé do oficial romano, e de muita gente simples e humilde. Diga uma só palavra e a nossa falta de fé será curada! Ajude-nos também a cultivar a compaixão que derruba as barreiras artificialmente criadas por causa da etnia, cultura, religião ou condição de vida.”

Para um questionamento:
1. E nós, como será a nossa fé?
2. Como está nossa confiança em Deus?
3. Que frutos nós temos visto de nossa fé?
4. A nossa fé tem influenciado o mundo ou é o mundo que está determinando a nossa fé?.