Santa Margarida Maria
Alacoque, virgem
Santa Edwiges, viúva e religiosa
São Gerardo Majella,
religioso
1ª Leitura (Ef 1,11-14): Irmãos:
Em Cristo fomos constituídos herdeiros, por termos sido predestinados, segundo
os desígnios d’Aquele que tudo realiza conforme a decisão da sua vontade, para
sermos um hino de louvor da sua glória, nós que desde o começo esperámos em
Cristo. Foi n’Ele que vós também, depois de ouvirdes a palavra da verdade, o
Evangelho da vossa salvação, abraçastes a fé e fostes marcados pelo Espírito
Santo. E o Espírito Santo prometido é o penhor da nossa herança, para a
redenção do povo que Deus adquiriu para louvor da sua glória.
Salmo Responsorial: 32
R. Feliz o povo que o Senhor escolheu para sua herança.
Justos, aclamai o Senhor, os corações retos devem louvá-lo.
Cantai-Lhe um cântico novo, cantai-Lhe com arte e com alma.
A palavra do Senhor é reta, da fidelidade nascem as suas
obras. Ele ama a justiça e a retidão, a terra está cheia da bondade do Senhor.
Feliz a nação que tem o Senhor por seu Deus, o povo que Ele
escolheu para sua herança. Do Céu o Senhor contempla e observa todos os homens.
Aleluia. Desça sobre nós a vossa bondade, porque em Vós
esperamos, Senhor. Aleluia.
Evangelho (Lc 12,1-7): Entretanto,
milhares de pessoas se ajuntaram, a ponto de uns pisarem os outros. Jesus
começou a falar, primeiro a seus discípulos: Cuidado com o fermento dos
fariseus, que é a hipocrisia. Não há nada de oculto que não venha a ser
revelado, e não há nada de escondido que não venha a ser conhecido. Portanto,
tudo o que tiverdes dito na escuridão, será ouvido à luz do dia; e o que
tiverdes pronunciado ao pé do ouvido, nos quartos, será proclamado sobre os
telhados. A vós, porém, meus amigos, eu digo: não tenhais medo dos que matam o
corpo e depois não podem fazer mais nada. Vou mostrar-vos a quem deveis temer:
temei Aquele que, depois de fazer morrer, tem o poder de lançar-vos no inferno.
Sim, eu vos digo, a este deveis temer. Não se vendem cinco pardais por duas
moedinhas? No entanto, nenhum deles é esquecido por Deus. Até mesmo os cabelos
de vossa cabeça estão todos contados. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que
muitos pardais.
«Não temais, pois. Mais valor tendes vós do que numerosos
pardais»
Pe. Salomon BADATANA Mccj(Wau, Sudão do Sul)
Hoje, contemplamos Nosso Senhor Jesus Cristo dirigindo-se à
multidão depois de se ter enfrentado com as autoridades religiosas judaicas, ou
seja, com os fariseus e os escribas. O Evangelho conta-nos que a multidão era
tão grande que se atropelavam uns aos outros. Aí fica claro que estavam
sedentos da Palavra de Jesus, que falava com tão extraordinária autoridade aos
seus líderes religiosos.
Mas S. Lucas informa-nos que, antes de mais, Jesus começou a
falar aos seus discípulos dizendo: «Guardai-vos do fermento dos fariseus, que é
a hipocrisia» (Lc 12,1). Nosso Senhor quer levar-nos à prática da sinceridade e
transparência, superando a hipocrisia com que procediam os fariseus e os
escribas, pois mostravam uma atitude externa não conforme com o seu caminho
interior de vida: fingiam ser o que não eram.
É contra isto que Jesus nos quer prevenir no Evangelho de
hoje quando diz: «Nada há escondido que não venha a ser conhecido.» (Lc 12,2).
Sim, tudo virá a ser revelado. Por este motivo devemos lutar para ajustar a
nossa vida de acordo com o que professamos e proclamamos. Obviamente, isto não
é fácil. Mas não devemos temer, pois o nosso Deus está atento. Tal como disse
S. João Paulo II, «o amor de Deus não impõe cargas que não possamos levar (…).
Porque para tudo o que nos peça, Ele nos capacitará com a ajuda necessária».
Nada se passa sem que Ele o saiba. Até os nossos cabelos estão contados! Sim,
nós temos valor perante Deus. Não tenhamos medo, pois o seu amor não tem
limites.
Senhor, concede-nos a sabedoria para conduzirmos a nossa
vida de acordo com as exigências da nossa fé, mesmo no meio das dificuldades
deste mundo. Ámém.
«Cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia»
P. Raimondo M. SORGIA Mannai OP (San Domenico di Fiesole,
Florença, Italia)
Hoje o Senhor nos convida a refletir sobre um tipo de má
levedura que não fermenta o pão, mas sim o engrandece em aparência, deixando-o
cru e incapaz de nutrir: Cuidado com o fermento dos fariseus; (Lc 12,1).
Chama-se hipocrisia e é somente aparência de bem, máscara feita com farrapos de
cores atraentes, mas encobrem vícios e deformidades morais, infecções no
espírito e micróbios que sujam o pensamento e, por tanto, a própria existência.
Por isso, Jesus, adverte ter cuidado com esses usurpadores
que, ao predicar com maus exemplos e com o brilho de palavras mentirosas,
tentam semear ao redor uma infecção. Lembro que um jornalista, brilhante por
seu estilo e professor de filosofia, quis afrontar a posição da Igreja sobre a
questão do matrimônio entre homossexuais. E, com passo alegre e uma grande
quantidade de sofismas enormes como elefantes, tentou contrariar as boas razões
que o Magistério expôs em um documento recente. Vemos aqui um fariseu de nossos
dias, que depois de ter-se declarado batizado e crente, afastou-se do
pensamento da Igreja e do espírito de Cristo, pretendendo passar por mestre,
acompanhante e guia dos fiéis.
Passando a outro assunto, o Mestre aconselha distinguir
entre medo e medo: não tenhais medo dos que matam o corpo e depois não podem
fazer mais nada, (Lc 12,4), seriam os perseguidores da ideia cristã, que matam
a dezenas de fiéis em tempos de caçar homens ou de vez em quando a testemunhas
singulares de Jesus Cristo.
Medo absolutamente diverso e motivado é o poder perder o
corpo e a alma e, isso está nas mãos do Juiz divino; não que morra a alma
(seria uma sorte para o pecador), mas sim que goste de uma amargura que se pode
chamar de mortal no sentido de absoluta e interminável. Se escolheres viver bem
aqui, não serás enviado às penas eternas. Aqui não podes escolher não morrer, enquanto
vives escolhe o não morrer eternamente (Santo Agostinho).
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Não tema nenhum inimigo externo: supere-se a si mesmo e o
mundo será derrotado» (Santo Agostinho)
«A coerência na vida, entre a fé e o testemunho. Este é um
cristão, não tanto pelo que diz, mas pelo que faz! Esta coerência que nos dá
vida é uma graça do Espírito Santo que devemos de pedir» (Francisco)
«A hierarquia das criaturas é expressa pela ordem dos ‘seis
dias’, indo do menos perfeito para o mais perfeito. Deus ama todas as suas
criaturas e cuida de cada uma, até dos passarinhos (…)» (Catecismo da Igreja
Católica, nº 342)
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
* O evangelho
de hoje traz uma última crítica de Jesus contra as autoridades religiosas do
seu tempo.
* Lucas 12,1ª: Milhares buscam Jesus. “Enquanto isso,
milhares de pessoas se reuniram, de modo que uns pisavam nos outros”. Esta
frase deixa transparecer a enorme popularidade de Jesus e o desejo do povo de
encontrar-se com ele (cf. Mc 6,31; Mt 13,2). Deixa transparecer também o
abandono em que se encontrava o povo. “São como ovelhas sem pastor”, dizia
Jesus em outra ocasião quando via a multidão aproximar-se dele para ouvir a sua
palavra (Mc 6,34).
* Lucas 12,1b: Cuidado com a hipocrisia. “Jesus
começou a falar, primeiro a seus discípulos: "Tomem cuidado com o fermento
dos fariseus, que é a hipocrisia”.
Marcos já falava do fermento dos fariseus e dos herodianos e sugeria que
se tratava da mentalidade ou da ideologia dominante da época que esperava um
messias glorioso e poderoso (Mc 8,15; 8,31-33). Aqui no nosso texto, Lucas
identifica o fermento dos fariseus com a hipocrisia. Hipocrisia é uma atitude
que inverte os valores. Esconde a verdade. Mostra uma casca bonita que encobre
e disfarça a podridão dentro da casca. No caso, a hipocrisia era a casca
aparente da fidelidade máxima à palavra de Deus que escondia a contradição da
vida deles. Jesus quer o contrário. Quer a coerência que não deixa no
escondido.
* Lucas 12,2-3: O escondido será revelado. “Não há
nada de escondido que não venha a ser revelado, e não há nada de oculto que não
venha a ser conhecido. Pelo contrário, tudo o que vocês tiverem feito na
escuridão, será ouvido à luz do dia; e o que vocês tiverem pronunciado em
segredo, nos quartos, será proclamado sobre os telhados". É a segunda vez que Lucas fala deste assunto
(cf. Lc 8,17). Em vez da hipocrisia dos fariseus que esconde a verdade, os
discípulos devem ter a sinceridade. Não devem ter medo da verdade. Jesus os
convida a partilhar com os outros os ensinamentos que dele aprenderam. Os
discípulos não podem conservá-los só para si, mas devem divulgá-los. Um dia, as
máscaras vão cair e tudo será revelado às claras, proclamado sobre os telhados
(cf. Mt 10,26-27).
* Lucas 12,4-5: Não ter medo
“Pois bem, eu digo a vocês, meus amigos: não tenham medo
daqueles que matam o corpo, e depois disso nada mais têm a fazer. Vou mostrar a
quem vocês devem temer: tenham medo daquele que, depois de ter matado, tem
poder de jogá-los no inferno. Eu lhes digo: é a este que vocês devem temer”.
Aqui Jesus se dirige aos seus amigos, os discípulos e discípulas. Eles não
devem ter medo daqueles que matam o corpo, que torturam, machucam e fazem
sofrer. Os torturadores podem até matar o corpo, mas não conseguem matar neles
a liberdade e o espírito. Devem ter medo, isto sim, de que o medo do sofrimento
os leve a esconder ou a negar a verdade e, assim, os faça ofender a Deus. Pois
quem se afasta de Deus se perde para sempre.
* Lucas 12,6-7: Vocês valem mais que muitos pardais, “Não
se vendem cinco pardais por alguns trocados? No entanto, nenhum deles é
esquecido por Deus. Até mesmo os cabelos da cabeça de vocês estão todos
contados. Não tenham medo! Vocês valem mais do que muitos pardais”. Os
discípulos não devem ter medo de nada, pois eles estão na mão de Deus. Jesus
manda olhar os passarinhos. Dois pardais se vendem por poucos centavos e no
entanto nenhum pardal cai no chão sem o consentimento do Pai. Até os cabelos na
cabeça estão contados. Lucas diz que nenhum cabelo cai sem a licença do Pai (Lc
21,18). E caem tantos cabelos! Por isso, “não tenham medo. Vocês valem muito
mais que muitos pardais”. É a lição que Jesus tirou da contemplação da
natureza. (cf Mt 10,29-31)
* A contemplação da natureza. No Sermão da Montanha,
a mensagem mais importante, Jesus a tirou da contemplação da natureza. Eles
dizem: "Vocês ouviram o que foi dito: 'Ame o seu próximo, e odeie o seu
inimigo!' Eu, porém, lhes digo: amem os seus inimigos, e rezem por aqueles que
perseguem vocês! Assim vocês se tornarão filhos do Pai que está no céu, porque
ele faz o sol nascer sobre maus e bons, e a chuva cair sobre justos e injustos.
Portanto, sejam perfeitos como é perfeito o Pai de vocês que está no céu."
(Mt 5,43-45.48). A observação do ritmo do sol e da chuva levaram Jesus e esta
afirmação revolucionária: “Eu lhes digo amem os seus inimigos!” O mesmo vale
para o convite de olhar os lírios do campo e as aves do céu (Mt 6,25-30). Esta
surpreendente atitude contemplativa diante da natureza levou Jesus a criticar
verdades aparentemente eternas. Seis vezes em seguida ele teve a coragem de
corrigir publicamente a Lei de Deus: “Antigamente foi dito, mas eu digo...”. A
descoberta feita na contemplação renovada da natureza tornou-se para ele uma
luz muito importante para reler a história com outros olhos e descobrir nela
luzes que antes não eram percebidas. Hoje está em andamento uma nova visão do
universo. As descobertas da ciência a respeito da imensidão do macrocosmo e do microcosmo
estão sendo fonte de uma nova contemplação do universo, Já está começando a
crítica de muitas verdades aparentemente eternas.
Para um confronto pessoal
1) O escondido será revelado. Tem em mim algo do qual
tenho medo de que seja revelado?
2) A contemplação dos pardais e das coisas da
natureza levaram Jesus a atitudes novas e surpreendentes que revelavam a
bondade gratuita de Deus. Tenho costume de contemplar a natureza?
Nenhum comentário:
Postar um comentário
DEIXE AQUI SEU SUA SUGESTÃO