Santo Antônio Maria Claret, bispo
Beato João Ângelo Porro,
presbítero
Bta. Benigna Cardoso da Silva, virgem e mártir
1ª Leitura (Ef 4,7-16): Irmãos:
A cada um de nós foi concedida a graça, na medida em que recebeu o dom de
Cristo. Por isso diz a Escritura: «Subiu às alturas, sujeitou um grupo de
cativos, concedeu dons aos homens». Que quer dizer «subiu», senão que também
desceu às regiões inferiores da terra? Aquele que desceu é o mesmo que subiu
acima de todos os céus, a fim de encher o universo. Foi Ele também que a uns
constituiu apóstolos, a outros evangelistas e a outros pastores e mestres, para
o aperfeiçoamento dos cristãos em ordem ao trabalho do ministério e à
edificação do Corpo de Cristo, até que cheguemos todos à unidade da fé e do
conhecimento do Filho de Deus, ao estado de homem perfeito, à medida de Cristo
na sua plenitude. Assim, já não somos crianças inconstantes, levados ao sabor
de todas as correntes de doutrina, à mercê da maldade dos homens, da astúcia
com que induzem ao erro. Pelo contrário, praticando a verdade na caridade,
cresceremos em tudo para Cristo, que é a Cabeça. É por Ele que o corpo inteiro,
coordenado e unido por meio de todas as junturas, opera o seu crescimento
orgânico, segundo a atividade de cada uma das partes, a fim de se edificar na
caridade.
Salmo Responsorial: 121
R. Vamos com alegria para a casa do Senhor.
Alegrei-me quando me disseram: «Vamos para a casa do
Senhor». Detiveram-se os nossos passos às tuas portas, Jerusalém.
Jerusalém, cidade bem edificada, que forma tão belo
conjunto! Para lá sobem as tribos, as tribos do Senhor.
Segundo o costume de Israel, para celebrar o nome do Senhor;
ali estão os tribunais da justiça, os tribunais da casa de David.
Aleluia. Eu não quero a morte do pecador, diz o Senhor,
mas que se converta e viva. Aleluia.
Evangelho (Lc 13,1-9): Nesse
momento, chegaram algumas pessoas trazendo a Jesus notícias a respeito dos
galileus que Pilatos tinha matado, misturando o sangue deles com o dos
sacrifícios que ofereciam. Ele lhes respondeu: «Pensais que esses galileus eram
mais pecadores do que qualquer outro galileu, por terem sofrido tal coisa?
Digo-vos que não. Mas se vós não vos converterdes, perecereis todos do mesmo
modo. E aqueles dezoito que morreram quando a torre de Siloé caiu sobre eles?
Pensais que eram mais culpados do que qualquer outro morador de Jerusalém? Eu
vos digo que não. Mas, se não vos converterdes, perecereis todos do mesmo
modo». E Jesus contou esta parábola: «Certo homem tinha uma figueira plantada
na sua vinha. Foi lá procurar figos e não encontrou. Então disse ao agricultor:
Já faz três anos que venho procurando figos nesta figueira e nada encontro.
Corta-a! Para que está ocupando inutilmente a terra? Ele, porém, respondeu:
‘Senhor, deixa-a ainda este ano. Vou cavar em volta e pôr adubo. Pode ser que
venha a dar fruto. Se não der, então a cortarás’».
«Se não vos converterdes, perecereis todos do mesmo modo»
Rev. D. Francesc d’Assis LEÓN Romero (Rubí, Barcelona,
Espanha)
Hoje, o Evangelho apresenta-nos duas situações paralelas: a
dos galileus assassinados e a dos 18 que morreram na queda da torre de Siloé
(cf. Lc 13,1-5). Embora estes homens tenham sofrido este castigo, isso não
significa que aqueles que não o sofreram estejam isentos de culpa e da
necessidade de conversão. Este é o núcleo da Palavra de hoje: a necessidade que
«todos» temos de conversão, de voltar inteiramente o coração para Deus, e de o
fazer continuamente, até que o nosso coração alcance a medida de Cristo, pois
«Deus ama-te tal como és, mas sonha-te ainda melhor!» (Leão XIV).
O castigo que Deus nos inflige em consequência do pecado
pessoal pode ser temporário ou medicinal e visa precisamente a nossa conversão.
Mas o castigo também pode ser irrevogável e definitivo, como acreditamos que
acontece no inferno, para aqueles que se fecharam definitivamente à salvação.
Para Santo António Maria Claret, pensar que havia almas que sofriam este
castigo horrorizava-o e comovia-o de tal maneira no seu apostolado que o apelo
dos pecadores à conversão constituía o núcleo da sua pregação.
Na parábola da figueira (cf. Lc 13,6-9), vemos que Deus
espera a nossa conversão e nos dá oportunidades para nos convertermos. Mas —
atenção! — isso não acontecerá indefinidamente e, por isso, «é hoje – não
amanhã – que é preciso converter-se» (Leão XIV).
Contudo, embora o que nos leva à conversão possa ser, num
primeiro momento, o temor do castigo, o principal motivo da nossa conversão
deve ser, acima de tudo, a contemplação da humanidade de Cristo e do seu amor
pessoal por nós, incomparavelmente mais agradável e fonte de maior felicidade
do que qualquer um dos prazeres mais intensos deste mundo! Por isso, na
verdade, é em algo tão simples como a oração e a humildade que se trava o
verdadeiro combate da nossa conversão. Oração e humildade! Oração e humildade!
Oração e humildade!
«Foi lá procurar figos (...) e não encontrou»
Rev. D. Antoni ORIOL i Tataret (Vic, Barcelona, Espanha)
Hoje, as palavras de Jesus convidam-nos a meditar sobre o
inconveniente da hipocrisia: «Certo homem tinha uma figueira plantada na sua
vinha. Foi lá procurar figos e não encontro» (Lc 13,6). O hipócrita aparenta
ser o que não é. Essa mentira, no seu extremo, chega a parecer virtude (aspecto
moral) sendo um vício, ou devoção (aspecto religioso), uma vez que procura o
próprio eu e os seus interesses e não a Deus. A hipocrisia moral pulula no
mundo, a religiosa prejudica a Igreja.
As inventivas de Jesus contra os escribas e os fariseus mais
claras e diretas em outras passagens do Evangelho são terríveis. Não podemos
ler ou ouvir o que acabamos de escutar e ler sem que estas palavras nos cheguem
ao fundo do coração, se realmente as escutamos e entendemos.
O direi no plural, uma vez que todos experimentamos a
distância entre o que parecemos ser e o que realmente somos. É o que se passa
com os políticos quando nos aproveitamos do país, proclamando que estamos ao
seu serviço; com os agentes de segurança quando protegemos grupos corruptos em
nome da ordem pública; com os profissionais de saúde quando eliminamos vidas
incipientes ou terminais em nome da medicina; com os meios de comunicação
social quando falseamos as notícias e pervertemos as pessoas afirmando que as
estamos divertindo; com os administradores dos fundos públicos quando desviamos
parte deles para os nossos bolsos (individuais ou do partido) e alardeamos
honestidade pública; com os leigos quando impedimos a dimensão pública da
religião em nome da liberdade de consciência; com os religiosos quando vivemos
das nossas instituições sem fidelidade ao espírito e às exigências dos
fundadores; com os sacerdotes quando vivemos do altar mas não servimos
abnegadamente os nossos fiéis, com espírito evangélico; etc.
Ah!: E tu e eu também, na medida em que a nossa consciência
nos diz o que devemos fazer e deixamos de o fazer para nos dedicarmos
unicamente a ver o argueiro no olho dos outros, sem sequer querer dar-nos conta
da trave que cega o nosso. Ou não?
- Jesus, Salvador do mundo, salva-nos das nossas pequenas,
médias e grandes hipocrisias!
Pensamentos para o Evangelho de hoje
« Tu estavas dentro de mim e eu fora, e assim por fora te
procurava; e, deforme como era, me lançava sobre essas coisas lindas que tu
criaste! Tu estavas comigo, mas eu não estava contigo. Segurava-me longe de ti
aquelas coisas que, se não estivessem em ti, não existiriam» (Santo Agostinho)
«A fé autêntica, aberta aos outros e ao perdão, faz
milagres. A figueira representa a esterilidade, uma vida que não produz fruto,
incapaz de fazer o bem. E Jesus maldisse a árvore da figueira porque não tem
feito o seu para gerar fruto» (Francisco)
«O pecado está presente na história do homem. Seria vão
tentar ignorá-lo ou dar outros nomes a esta obscura realidade. Para tentar
compreender o que é o pecado, temos primeiro de reconhecer o laco profundo que
une o homem a Deus, porque, fora desta relação, o mal do pecado não é
desmascarado na sua verdadeira identidade de recusa e oposição a Deus, embora
continue a pesar na vida do homem e na história» (Catecismo da Igreja Católica,
n° 386)
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
* O evangelho de hoje traz informações que só existem no
evangelho de Lucas e não tem passagens paralelas nos outros evangelhos.
Estamos meditando a longa caminhada de Jesus desde a Galileia até Jerusalém e
que ocupa quase a metade do evangelho de Lucas desde o capítulo 9 até o
capítulo 19 (Lc 9,51 a 19,28). É nesta parte que Lucas colocou a maior parte
das informações que ele obteve sobre a vida e o ensinamento de Jesus (Lc
1,1-4).
* Lucas 13,1: O acontecimento que pede uma explicação. “Nesse
tempo, chegaram algumas pessoas levando notícias a Jesus sobre os galileus que
Pilatos tinha matado, enquanto ofereciam sacrifícios”. Quando lemos os jornais
ou quando assistimos ao noticiário na TV, recebemos muitas informações, mas nem
sempre avaliamos todo o seu significado. Escutamos tudo, mas não sabemos bem o
que fazer com tantas informações e notícias. Notícias terríveis como tsunami,
terrorismo, guerras, fome, violência, crime, atentados, etc. Assim foram levar
a Jesus a notícia do terrível massacre que Pilatos, governador romano, fez com
alguns peregrinos samaritanos. Notícias assim nos incomodam. Elas nos derrubam:
“O que posso fazer?” Para acalmar a consciência, muitos se defendem e dizem:
“Culpa deles! Não trabalharam! Povo preguiçoso!” No tempo de Jesus, o povo se
defendia dizendo: “Castigo de Deus pelos pecados deles!” (Jo 9,2-3). Desde
séculos se ensinava: “Os samaritanos não prestam. Eles têm uma religião
errada!” (2Rs 17,24-41)!
* Lucas 13,2-3: A resposta de Jesus. Jesus tem outra
opinião. "Pensam vocês que esses galileus, por terem sofrido tal sorte,
eram mais pecadores do que todos os outros galileus? De modo algum, lhes digo
eu. E se vocês não se converterem, vão morrer todos do mesmo modo”. Jesus ajuda
as pessoas a ler os fatos com outros olhos e a tirar uma conclusão para a sua
vida. Ele diz que não foi castigo de Deus. Pelo contrário. “E se vocês não se
converterem, vão morrer todos do mesmo modo” Ele procura alertar para o apelo à
conversão e mudança.
* Lucas 13,4-5: Jesus comenta um outro fato. “E
aqueles dezoito que morreram quando a torre de Siloé caiu em cima deles? Pensam
vocês que eram mais culpados do que todos os outros moradores de Jerusalém?
Deve ter sido um desastre muito comentado na cidade. Um temporal derrubou a
torre de Siloé e matou dezoito pessoas que estavam se abrigando debaixo dela. O
comentário normal era: “Castigo de Deus!” Jesus repete: “De modo algum, lhes
digo eu. E se vocês não se converterem, vão morrer todos do mesmo modo".
Eles não fizeram a conversão, a mudança, e quarenta anos depois Jerusalém foi
destruída e muita gente morreu assassinado no Templo como os samaritanos e
muito mais gente morreu debaixo dos escombros das muralhas da cidade. Jesus
tentou prevenir, mas não atenderam ao pedido de paz: “Jerusalém! Jerusalém!”
(Lc 13,34). Jesus ensina a descobrir os apelos que vem dos acontecimentos da
vida do dia a dia.
* Lucas 13,6-9: Uma parábola para fazer o povo pensar e
descobrir o projeto de Deus. "Certo homem tinha uma figueira plantada
no meio da vinha. Foi até ela procurar figos, e não encontrou. Então disse ao
agricultor: Olhe! Hoje faz três anos que venho buscar figos nesta figueira, e
não encontro nada! Corte-a. Ela só fica aí esgotando a terra. Mas o agricultor
respondeu: Senhor, deixa a figueira ainda este ano. Vou cavar em volta dela e
pôr adubo. Quem sabe, no futuro ela dará fruto! Se não der, então a cortarás”.
Muitas vezes, a vinha é usada tanto para indicar o carinho que Deus para com seu
povo, como a falta de correspondência da parte do povo ao amor de Deus (Is
5,1-7; 27,2-5; Jr 2,21; 8,13; Ez 19,10-14; Os 10,1-8; Mq 7,1; João 15,1-6). Na
parábola, o proprietário da vinha é Deus Pai. O agricultor que intercede pela
vinha é Jesus. Ele insiste com o Pai para alargar o espaço da conversão.
Para um confronto pessoal
1) O povo de Deus a vinha de Deus. Eu sou um pedaço
desta vinha. Aplico a mim a parábola da vinha. Que conclusões tiro?
2) O que faço com as notícias que recebo? Procuro ter
uma opinião crítica, ou sigo a opinião da maioria e dos meios de comunicação?
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