São Nicolau de Tolentino, presbítero
1ª Leitura (1Cor
8,1b-7.11-13): Irmãos: A ciência envaidece, ao passo que a caridade
edifica. Se alguém pensa que sabe alguma coisa, ainda não sabe como deve saber.
Mas se alguém ama a Deus, é conhecido por Deus. Sobre a questão de comer carnes
imoladas aos ídolos, bem sabemos que um ídolo não é nada no mundo e que não há
senão um único Deus. Porque, embora digam haver deuses no céu e na terra, – na
verdade são muitos esses deuses e esses senhores – para nós há um só Deus: o
Pai, de quem tudo procede e para o qual fomos criados; e há um só Senhor, Jesus
Cristo, pelo qual tudo existe e pelo qual também nós existimos. Mas nem todos
têm esta ciência. Alguns, habituados até há pouco tempo à idolatria, comem as
carnes imoladas como se estivessem consagradas aos ídolos, e a sua consciência,
que é fraca, fica manchada. Deste modo, pela tua ciência, perecerá o fraco,
esse irmão por quem Cristo morreu! E ao pecardes assim contra esses irmãos,
ferindo a sua consciência, que é fraca, é contra Cristo que pecais. Por isso,
se o alimento se torna para o meu irmão ocasião de pecado, nunca mais comerei
carne, a fim de não ser para ele ocasião de pecado.
Salmo Responsorial: 138
R. Conduzi-me, Senhor, pelo caminho da eternidade.
Senhor, Vós conheceis o íntimo do meu ser: sabeis quando me
sento e quando me levanto. De longe penetrais o meu pensamento, observais todos
os meus passos.
Vós formastes as entranhas do meu corpo e me criastes no
seio de minha mãe. Dou-Vos graças por me terdes feito tão maravilhosamente:
admiráveis são as vossas obras.
Sondai-me, Senhor, e vede o meu coração, observai a
intimidade dos meus pensamentos. Vede que não ande pelo mau caminho, conduzi-me
pelo caminho da eternidade.
Aleluia. Se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em
nós e o seu amor em nós é perfeito. Aleluia.
Evangelho (Lc 6,27-38): Naquele
tempo, disse Jesus a seus discípulos: «A vós, porém, que me escutais, eu digo:
amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos odeiam. Falai bem dos que
falam mal de vós e orai por aqueles que vos caluniam. Se alguém te bater numa
face, oferece também a outra. E se alguém tomar o teu manto, deixa levar também
a túnica. Dá a quem te pedir e, se alguém tirar do que é teu, não peças de
volta. Assim como desejais que os outros vos tratem, tratai-os do mesmo modo.
Se amais somente aqueles que vos amam, que generosidade é essa? Até os
pecadores amam aqueles que os amam. E se fazeis o bem somente aos que vos fazem
o bem, que generosidade é essa? Os pecadores também agem assim. E se prestais
ajuda somente àqueles de quem esperais receber, que generosidade é essa? Até os
pecadores prestam ajuda aos pecadores, para receberem o equivalente. Amai os
vossos inimigos, fazei o bem e prestai ajuda sem esperar coisa alguma em troca.
Então, a vossa recompensa será grande. Sereis filhos do Altíssimo, porque ele é
bondoso também para com os ingratos e maus. Sede misericordiosos como vosso Pai
é misericordioso. Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não
sereis condenados; perdoai e sereis perdoados. Dai e vos será dado. Uma medida
boa, socada, sacudida e transbordante será colocada na dobra da vossa veste,
pois a medida que usardes para os outros, servirá também para vós».
«Sede misericordiosos como vosso Pai é misericordioso»
Rev. D. Jaume AYMAR i Ragolta (Badalona, Barcelona, Espanha)
Hoje, no Evangelho, o Senhor pede-nos duas vezes que amemos
os nossos inimigos. E oferece, seguidamente, três situações concretas e
positivas deste mandamento: fazei o bem aos que vos odeiam, benzei aos que vos
maldizem e orai por aqueles que vos caluniam. É um mandamento que parece
difícil de cumprir: como podemos amar os que não nos amam? Mais ainda, como
podemos amar aqueles que temos a certeza de que nos querem mal? Chegar a amar
desta maneira é um dom de Deus, mas é preciso que estejamos abertos a Ele. Bem
pensado, amar os inimigos é humanamente falando, a coisa mais sábia que podemos
fazer: o inimigo amado sente-se desarmado; amá-lo pode ser condição da
possibilidade de deixar de ser inimigo. Jesus continua nesta mesma linha,
dizendo: «Se alguém te bater numa face, oferece também a outra» (Lc, 6,29).
Poderia parecer um excesso de mansidão. Mas, que fez Jesus quando foi
esbofeteado na sua Paixão? Certamente não contra-atacou, mas respondeu com tal
firmeza, cheia de caridade, que deve ter surpreendido aquele servo irado: «Se
falei mal, mostra em que falei mal; e se falei certo, por que me bates?» (Jo
18,22-23).
Todas as religiões têm uma máxima de ouro: «Não faças aos
outros o que não queres que te façam a ti». Jesus é o único que a fórmula de
modo positivo: «Assim como desejais que os outros vos tratem, tratai-os do
mesmo modo» (Lc 6,31). Esta regra de ouro constitui o fundamento de toda a
moral. São João Crisóstomo, comentando este versículo, ensina-nos: «Ainda há
mais, porque Jesus não disse somente: desejai todo o bem para os outros, mas
fazei o bem aos outros»; logo, a máxima de ouro proposta por Jesus não pode
reduzir-se a um mero desejo, mas tem que se traduzir em obras.
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Que bom é o Senhor...! Ele sempre combina suas provações
com a força que nos dá» (Santa Teresinha de Lisieux)
«Quando a gente aprende a se acusar a sim mesmo é
misericordioso com os outros» (Francisco)
« (...) Toda a Lei evangélica se apoia no “mandamento novo”
de Jesus (Jo 13, 34): de nos amarmos uns aos outros como Ele nos amou (cf. Jo
15,12)» (Catecismo da Igreja Católica, n° 1970)
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
* O evangelho de hoje traz a segunda parte do “Sermão da
Planície”. Na primeira parte (Lc 6,20-26), Jesus se dirigia aos discípulos
(Lc 6,20). Na segunda parte (Lc 6,27-49), ele se dirige “a vocês que me
escutam”, isto é, àquela multidão imensa de pobres e doentes, vinda de todos os
lados (Lc 6,17-19).
* Lucas 6,27-30:
Amar os inimigos! As palavras que Jesus dirige a este povo são
exigentes e difíceis: amar os inimigos, não amaldiçoar, oferecer a outra face a
quem bate no rosto, não reclamar quando alguém toma o que é nosso. Tomadas ao
pé da letra, estas frases parecem favorecer os ricos que roubam. Mas nem o
próprio Jesus as observou ao pé da letra. Quando o soldado lhe bateu no rosto,
não ofereceu a outra face, mas reagiu com firmeza. “Se falei errado, prove! Se
falei certo, porque me bates?” (Jo 18,22-23). Então, como entender estas palavras?
Os versículos seguintes ajudam a entender o que Jesus quer ensinar.
* Lucas 6,31-36: A
Regra de Ouro! Imitar Deus. Duas frases de Jesus ajudam a entender o que
ele quis ensinar. A primeira frase é a assim chamada Regra de Ouro: "O que
vocês desejam que os outros lhes façam, façam vocês a eles!” (Lc 6,31). A
segunda frase é: "Procurem ser misericordiosos como o Pai do céu é
misericordioso!" (Lc 6,36). Estas duas frases mostram que Jesus não quer
simplesmente virar a mesa ou inverter a situação, pois aí nada mudaria. Ele
quer mudar o sistema. O Novo que ele quer construir vem da nova experiência de
Deus como Pai cheio de ternura que acolhe a todos! As palavras de ameaça contra
os ricos não podem ser ocasião para os pobres se vingarem. Jesus manda ter a
atitude contrária: "Amai os vossos inimigos!" O amor não pode
depender do que eu recebo do outro. O amor verdadeiro deve querer o bem do
outro independentemente do que ele ou ela faz por mim. O amor deve ser
criativo, pois assim é o amor de Deus por nós: "Procurem ser
misericordiosos como o Pai do céu é misericordioso!". Mateus diz a mesma coisa com outras palavras:
“Sede perfeitos como vosso Pai do céu é perfeito” (Mt 5,48). Nunca ninguém
poderá chegar a dizer: Hoje fui perfeito como o Pai do céu é perfeito! Fui
misericordioso como o Pai do céu é misericordioso”. Estaremos sempre abaixo da
medida que Jesus colocou diante de nós.
* No evangelho de Lucas, a Regra de Ouro diz: "O que
vocês desejam que os outros lhes façam, façam vocês a eles!” (Lc 6,31)
O evangelho de Mateus traz uma formulação um pouco diferente: "Tudo o que
vocês desejam que os outros façam a vocês, façam vocês também a eles” e
acrescenta: “Pois nisso consistem a Lei e os Profetas" (Mt 7,12).
Praticamente todas as religiões do mundo inteiro tem a mesma Regra de ouro com
formulações diversas. Sinal de que aqui se expressa uma intuição ou um desejo
universal que nasce do fundo do coração humano.
* Lucas 6,37-38: A medida que vocês usarem para os
outros, será usada para vocês. "Não julguem, e vocês não serão
julgados; não condenem, e não serão condenados; perdoem, e serão
perdoados. Deem, e será dado a vocês;
colocarão nos braços de vocês uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante.
Porque a mesma medida que vocês usarem para os outros, será usada para vocês”.
São quatro conselhos: dois na forma negativa: não julgar, não condenar; e dois
na forma positiva: perdoar e doar com medida abundante. Quando diz “e será dado
a vocês”, Jesus alude ao tratamento que Deus quer ter para conosco. Mas quando
a nossa maneira de tratar os outros é mesquinha, Deus não pode usar para
conosco a medida abundante e transbordante que Ele gostaria de usar.
* Celebrar a visita de Deus. O Sermão da Planície ou
Sermão da Montanha, desde o seu começo, leva os ouvintes a fazer uma escolha,
uma opção, a favor dos pobres. No Antigo Testamento, várias vezes, Deus colocou
o povo diante da mesma escolha de bênção ou de maldição. Ao povo era concedida
a liberdade para escolher: "Eu lhes propus a vida ou a morte, a bênção ou
a maldição. Escolha, portanto, a vida, para que você e seus descendentes possam
viver" (Dt 30,19). Não é Deus quem condena, mas é o próprio povo de acordo
com a escolha que fará entre a vida e a morte, entre o bem e o mal. Estes
momentos de escolha são os momentos da visita de Deus ao seu povo (Gn 21,1;
50,24-25; Ex 3,16; 32,34; Jr 29,10; Sl 59,6; Sl 65,10; Sl 80,15, Sl 106,4).
Lucas é o único evangelista a empregar esta imagem da visita de Deus (Lc 1,68.
78; 7,16; 19,44; At 15,16). Para Lucas Jesus é a visita de Deus que coloca o
povo diante da escolha da bênção ou da maldição: "Felizes vocês,
pobres!" e "Ai de vocês, ricos!" Mas o povo não reconheceu a
visita de Deus (Lc 19,44).
Para um confronto pessoal
1) Será que nós olhamos a vida e as pessoas com o
mesmo olhar de Jesus?
2) O que quer dizer hoje "ser misericordioso
como o Pai do céu é misericordioso"?
Nenhum comentário:
Postar um comentário
DEIXE AQUI SEU SUA SUGESTÃO