S. Maximiliano Maria Kolbe,
presbítero e mártir
Bta. Mª Patrocínio de S. José.
Virgem e Mártir de nossa Ordem
1ª Leitura (Ez
16,1-15.60.63): O Senhor dirigiu-me a palavra, dizendo: «Filho do homem,
mostra a Jerusalém as suas ações abomináveis e diz-lhe: Assim fala o Senhor
Deus a Jerusalém: Pela tua origem e nascimento, és da terra de Canaã. O teu pai
era amorreu e a tua mãe hitita. Quando nasceste, no dia em que vieste ao mundo,
não te cortaram o cordão, nem te banharam para seres purificada; não te fizeram
as fricções de sal, nem te envolveram em panos. Ninguém lançou sobre ti um
olhar compassivo; ninguém te prestou esses cuidados, nem teve pena de ti. No
dia em que nasceste, foste deixada no meio do campo, pela repugnância que
inspiravas. Quando passei junto de ti, vi que te revolvias no teu sangue. E,
vendo-te ensanguentada, Eu disse-te: ‘Quero que vivas’; e fiz-te crescer como a
erva dos campos. Cresceste, ganhaste corpo e chegaste à idade florida.
Formaram-se os teus seios, cresceram os teus cabelos, mas estavas nua. Passei
de novo junto de ti e vi que tinhas chegado à idade dos amores. Estendi sobre
ti a aba do meu manto e escondi a tua nudez. Fiz então um juramento e
estabeleci uma aliança contigo, – diz o Senhor Deus – e ficaste a pertencer-Me.
Lavei-te com água, limpei-te do sangue que te cobria e ungi-te com óleo.
Vesti-te com roupas bordadas, calcei-te sandálias de fino cabedal, dei-te uma
faixa de linho e um manto de seda. Adornei-te com joias, coloquei braceletes
nos teus pulsos e um colar ao teu pescoço. Pus-te um anel no nariz, brincos nas
orelhas e um precioso diadema na cabeça. Tinhas adornos de ouro e de prata, os
teus vestidos eram de linho fino, de seda e tecidos bordados, e o teu alimento
era a flor da farinha, mel e azeite. Tornaste-te cada vez mais bela e chegaste
a ser rainha. A tua fama divulgou-se entre as nações, por causa da tua
formosura, que era perfeita, graças ao esplendor com que Eu te tinha revestido,
– diz o Senhor Deus –. Mas tu confiaste na tua beleza e aproveitaste a tua fama
para te restituíres com todos os que passavam. Eu, porém, lembrar-Me-ei da
aliança que fiz contigo nos dias da tua juventude e estabelecerei contigo uma
aliança eterna, de modo que te lembres do passado e te humilhes e não voltes a
abrir a boca de vergonha, quando Eu te perdoar o que fizeste – diz o Senhor
Deus».
Salmo Responsorial: Is
R. Passou a vossa ira e Vós me consolastes, Senhor.
Deus é o meu Salvador, tenho confiança e nada temo. O Senhor
é a minha força e o meu louvor. Ele é a minha salvação.
Tirareis água com alegria das fontes da salvação. Agradecei
ao Senhor, invocai o seu nome; anunciai aos povos a grandeza das suas obras,
proclamai a todos que o seu nome é santo.
Cantai ao Senhor, porque Ele fez maravilhas, anunciai-as em
toda a terra. Entoai cânticos de alegria, habitantes de Sião, porque é grande
no meio de vós o Santo de Israel.
Aleluia. Escutai o que diz o Senhor, não como palavra dos
homens, mas como palavra de Deus. Aleluia.
Evangelho (Mt 19,3-12): Naquele
tempo, alguns fariseus aproximaram-se de Jesus e, para experimentá-lo,
perguntaram: «É permitido ao homem despedir sua mulher por qualquer motivo?».
Ele respondeu: «Nunca lestes que o Criador, desde o princípio, os fez homem e
mulher e disse: Por isso, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e
os dois formarão uma só carne? De modo que eles já não são dois, mas uma só
carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe». Perguntaram: «Como então
Moisés mandou dar atestado de divórcio e despedir a mulher?». Jesus respondeu:
«Moisés permitiu despedir a mulher, por causa da dureza do vosso coração. Mas
não foi assim desde o princípio. Ora, eu vos digo: quem despede sua mulher fora
o caso de união ilícita e se casa com outra, comete adultério». Os discípulos
disseram-lhe: «Se a situação do homem com a mulher é assim, é melhor não
casar-se». Ele respondeu: «Nem todos são capazes de entender isso, mas só
aqueles a quem é concedido. De fato, existem homens impossibilitados de
casar-se, porque nasceram assim; outros foram feitos assim por mão humana;
outros ainda, por causa do Reino dos Céus se fizeram incapazes do casamento.
Quem puder entender, entenda».
«Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe»
Fr. Roger J. LANDRY (Hyannis, Massachusetts, Estados Unidos)
Hoje, Jesus responde às perguntas dos seus contemporâneos
sobre o verdadeiro significado do matrimônio, ressaltando a indissolubilidade
do mesmo.
Sua resposta, no entanto, também proporciona a base adequada
para que nós, cristãos, possamos responder a aqueles cujos corações teimosos os
obrigam a procurar a ampliação da definição de matrimônio para os casais
homossexuais.
Ao fazer retroceder o matrimônio ao plano original de Deus,
Jesus ressalta quatro aspectos relevantes pelos quais só se pode unir em
matrimônio a um homem e uma mulher:
1) «O Criador,
desde o início, os fez macho e fêmea» (Mt 19,4). Jesus nos ensina que, no plano
divino, a masculinidade e a feminilidade têm um grande significado. Ignorar,
pois, é ignorar o que somos.
2) «Por isso, o
homem deixará seu pai e sua mãe, e se unirá à sua mulher» (Mt 19,5). No plano
de Deus não é que o homem abandone os seus pais e vá embora com quem ele
queira, mas sim com uma esposa.
3) «De maneira que
já não são dois, e sim uma só carne» (Mt 19,6). Esta união corporal vai mais
além da pouco duradoura união física que ocorre no ato conjugal. Refere-se à
união duradoura que se apresenta quando um homem e uma mulher, através do seu
amor, concebem uma nova vida que é o matrimônio perdurável ou união dos seus
corpos. Logicamente, que um homem com outro homem, ou uma mulher com outra
mulher, não pode ser considerado um único corpo dessa maneira.
4) «Pois o que
Deus uniu, o homem não separe» (Mt 19,6). Deus mesmo uniu em matrimônio ao
homem e à mulher e, sempre que tentamos separar o que Ele uniu, faremos por
nossa própria conta e por conta da sociedade.
Em sua catequese sobre Gênesis, o Papa João Paulo II disse:
«Em sua resposta aos fariseus, Jesus Cristo comenta aos interlocutores a visão
total do homem, sem o qual não é possível oferecer uma resposta adequada às
perguntas relacionadas com o matrimônio».
Cada um de nós está chamado a ser o eco desta Palavra de
Deus em nosso momento.
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«A estatura e os hábitos do homem podem mudar, mas a sua
natureza continua idêntica e a sua pessoa é a mesma» (São Vicente de Lerins)
«Na narração bíblica surge a ideia de que o homem é de
alguma forma, incompleto, constitutivamente no caminho para encontrar no outro
a parte complementária para a sua integridade, quer dizer, a ideia de que
apenas na comunhão com o outro sexo se pode considerar “completo”» (Bento XVI)
«A estima pela virgindade por amor do Reino e o sentido
cristão do matrimónio são inseparáveis e favorecem-se mutuamente» (Catecismo da
Igreja Católica, nº 1.620).
Reflexão
• Contexto. Até o capítulo 18, Mateus mostrou como os
discursos de Jesus marcaram as diferentes fases da constituição progressiva e
formação da comunidade dos discípulos em torno de seu Mestre. Agora em 19,1,
este pequeno grupo se afasta dos territórios da Galileia e chega nos
territórios da Judéia. O chamado de Jesus que envolve os seus discípulos avança
até a escolha decisiva: a aceitação ou rejeição da pessoa de Jesus. Esta fase
ocorre ao longo da estrada que leva a Jerusalém (capítulos 19-20), e,
finalmente, com a chegada à cidade e junto ao Templo (capítulos 21-23). Todos
os encontros que Jesus experimenta no decorrer desses capítulos ocorrem ao
longo do percurso da Galileia a Jerusalém.
• Encontro com os fariseus. Passando pela
Transjordânia (19,1), o primeiro encontro é com os fariseus e o tema de
discussão de Jesus com ele se torna motivo de reflexão para o grupo dos
discípulos. A pergunta dos fariseus é sobre o divórcio e, especialmente, coloca
Jesus em dificuldade sobre o amor dentro do casamento, a realidade mais sólida
e estável para toda a comunidade judaica. A intervenção dos fariseus quer
acusar o ensinamento de Jesus. Trata-se de um verdadeiro processo: Mateus o
considera como "colocar à prova", "um tentar". A pergunta é
realmente crucial: “É permitido a um homem rejeitar sua mulher por um motivo
qualquer?” (19,3). Ao leitor não escapa a tentativa equivocada dos fariseus de
interpretar o texto de Dt 24,1 para colocar Jesus em dificuldade: “Se um homem
toma uma mulher e se casa com ela, e esta depois não lhe agrada porque
descobriu nela algo inconveniente, ele lhe escreverá uma certidão de divórcio e
assim despedirá a mulher”. Este texto deu origem ao longo dos séculos a
inúmeras discussões: a admitir o divórcio por qualquer motivo, exigir um mínimo
de mau comportamento, um verdadeiro adultério.
• É Deus que une. Jesus responde aos fariseus
recorrendo a Gn 1,17; 2,24, trazendo o assunto à vontade primária de Deus
criador. O amor, que une o homem e a mulher, vem de Deus e por essa origem,
unifica e não pode separar. Se Jesus cita Gênesis 2,24: “Por isso, o homem
deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher; e os dois formarão uma só
carne” (19,5), é porque ele quer
enfatizar um princípio particular e absoluto: é a vontade criadora de Deus que
une um homem e uma mulher. Quando um homem e uma mulher se unem em matrimônio,
é Deus que os une; o termo "cônjuge" vem do verbo conjungir (ligar
intimamente), conjugar (associar, ligar e unir), ou seja, que a conjunção dos
dois parceiros sexuais é o efeito da palavra criadora de Deus. A resposta de
Jesus aos fariseus atinge o seu cume: o casamento é indissolúvel na sua
constituição original. Jesus continua desta vez recordando Ml 2,13-16: repudiar
a própria mulher é romper a aliança com Deus e segundo os profetas, esta
aliança é vivida principalmente pelos esposos em sua união conjugal (Os 1-3; Is
1,21-26; Jr 2,2; 3,1.6-12; Ez 16; 23; Is 54,6-10; 60-62). A resposta de Jesus
aparece em contradição com a lei de Moisés, que dá a possibilidade de conceder
um certificado de divórcio. No motivar a sua resposta, Jesus lembra aos
fariseus: se Moisés deu essa possibilidade é por causa da dureza dos vossos
corações (v. 8), mais especificamente por causa da vossa desobediência à
Palavra de Deus. A lei de Gn 1,26; 2,24 nunca foi modificada, mas Moisés foi
forçado a adaptá-la a uma atitude de desobediência. O primeiro casamento não
foi anulado pelo adultério. Ao homem de hoje e, especialmente, às comunidades
eclesiais a palavra de Jesus diz claramente que não deve haver divórcio, e, no
entanto, vemos que existem; na vida pastoral das pessoas divorciadas são
acolhidas, às quais está sempre aberta à possibilidade de entrar no reino. A
reação dos discípulos foi imediata: “Se tal é a condição do homem a respeito da
mulher, é melhor não se casar!” (v.10). A resposta de Jesus continua a
sustentar a indissolubilidade do matrimônio, impossível para a mentalidade
humana, mas possível para Deus. O eunuco de que Jesus fala não é aquele que não
pode gerar, mas aquele que, separado de sua esposa, continua a viver em
continência , mantendo-se fiel ao primeiro vínculo conjugal: é eunuco em
relação a todas as outras mulheres.
Para um confronto pessoal
1) Em relação ao casamento sabemos acolher o
ensinamento de Jesus com simplicidade, sem adaptá-lo às nossas próprias
escolhas legítimas de conveniência?
2) O Evangelho recorda-nos que o plano do Pai para o
homem e a mulher é um maravilhoso projeto de amor. Você está ciente de que o
amor tem uma lei imprescindível: implica o dom total e cheio da própria pessoa
para o outro?
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