São Bernardo, abade e doutor
da Igreja
Beato Jorge Häffner,
presbítero da OTCD e mártir.
1ª Leitura (Ez 36,23-28): Eis
o que diz o Senhor: «Manifestarei a santidade do meu grande nome, profanado por
vós entre as nações para onde fostes. E as nações reconhecerão que Eu sou o
Senhor – oráculo do Senhor Deus – quando a seus olhos Eu manifestar a minha
santidade, a vosso respeito. Então retirar-vos-ei de entre as nações,
reunir-vos-ei de todos os países, para vos restabelecer na vossa terra.
Derramarei sobre vós água pura e ficareis limpos de todas as imundícies; e
purificar-vos-ei de todos os falsos deuses. Dar-vos-ei um coração novo e
infundirei em vós um espírito novo. Arrancarei do vosso peito o coração de
pedra e dar-vos-ei um coração de carne. Infundirei em vós o meu espírito e
farei que vivais segundo os meus preceitos, que observeis e ponhais em prática
as minhas leis. Habitareis na terra que dei a vossos pais; sereis o meu povo e
Eu serei o vosso Deus».
Salmo Responsorial: 50
R. Derramarei sobre vós água pura e ficareis limpos de
toda a iniquidade.
Criai em mim, ó Deus, um coração puro e fazei nascer dentro
de mim um espírito firme. Não queirais repelir-me da vossa presença e não
retireis de mim o vosso espírito de santidade.
Dai-me de novo a alegria da vossa salvação e sustentai-me
com espírito generoso. Ensinarei aos pecadores os vossos caminhos e os
transviados hão de voltar para Vós.
Não é do sacrifício que Vos agradais e, se eu oferecer um
holocausto, não o aceitareis. Sacrifício agradável a Deus é o espírito
arrependido: não desprezeis, Senhor, um espírito humilhado e contrito.
Aleluia. Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os
vossos corações. Aleluia.
Evangelho (Mt 22,1-14): Naquele
tempo, Jesus voltou a falar em parábolas aos sumos sacerdotes e aos anciãos do
povo, dizendo: «O Reino dos Céus é como um rei que preparou a festa de
casamento do seu filho. Mandou seus servos chamar os convidados para a festa,
mas estes não quiseram vir. Mandou então outros servos, com esta ordem: ‘Dizei
aos convidados: já preparei o banquete, os bois e os animais cevados já foram
abatidos e tudo está pronto. Vinde para a festa!’. Mas os convidados não deram
a menor atenção: um foi para seu campo, outro para seus negócios, outros
agarraram os servos, bateram neles e os mataram. O rei ficou irritado e mandou
suas tropas matar aqueles assassinos e incendiar a cidade deles. Em seguida,
disse aos servos: ‘A festa de casamento está pronta, mas os convidados não
foram dignos dela. Portanto, ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para
a festa todos os que encontrardes’. Os servos saíram pelos caminhos e reuniram
todos os que encontraram, maus e bons. E a sala da festa ficou cheia de
convidados. Quando o rei entrou para ver os convidados, observou um homem que
não estava em traje de festa, e perguntou-lhe: ‘Meu caro, como entraste aqui
sem o traje de festa?’. Mas o homem ficou sem responder. Então o rei disse aos
que serviam: ‘Amarrai os pés e as mãos desse homem e lançai-o fora, nas trevas!
Ali haverá choro e ranger de dentes’. Pois muitos são chamados, mas poucos são
escolhidos».
«Já preparei o banquete, os bois e os animais cevados já
foram abatidos e tudo está pronto. Vinde para a festa!»
Rev. D. David AMADO i Fernández (Barcelona, Espanha)
Hoje, a parábola evangélica nos fala do banquete do Reino. É
uma figura recorrente na predicação de Jesus. Trata-se dessa festa de casamento
que acontecerá ao final dos tempos e que será a união de Jesus com a sua
Igreja. Ela é a esposa de Cristo que caminha pelo mundo, mas que vai se unir
finalmente ao seu Amado para sempre. Deus Padre tem preparado essa festa e quer
que todos os homens assistam a ela. Por isso diz a todos os homens: «Vinde para
a festa!» (Mt 22,4).
A parábola, no entanto, tem um desenvolvimento trágico, pois
muitos, «não deram a menor atenção: um foi para seu campo, outro para seus
negócios... » (Mt 22,5). Por isso, a misericórdia de Deus vai se dirigindo a
pessoas cada vez mais distantes. É como um noivo que vai se casar e convida a
seus familiares e amigos, mas eles não querem assistir; chama depois a
conhecidos e colegas de trabalho e vizinhos, mas todos dão desculpas;
finalmente convida qualquer pessoa que encontra, pois tem preparado um banquete
e quer que haja convidados na mesa. Algo parecido acontece com Deus.
Mas também, os diferentes personagens que aparecem na
parábola podem ser imagem dos estados da nossa alma. Pela graça batismal somos
amigos de Deus e coerdeiros com Cristo: temos um lugar reservado no banquete.
Se esquecermos nossa condição de filhos, Deus passa a nos tratar como
conhecidos, mas continua nos convidando. Se deixarmos morrer em nós a graça,
convertemo-nos em gente do caminho, transeuntes sem oficio nem beneficio sob as
coisas do Reino. Mas Deus segue chamando.
A chamada chega a qualquer momento. É por convite. Ninguém
tem direito. É Deus quem presta atenção em nós e diz: «Vinde para a festa!». E
o convite há de ser aceito com palavras e fatos. Por isso aquele convidado malvestido
é expulso: «Meu caro, como entraste aqui sem o traje de festa?» (Mt 22,12).
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Reconhece, oh cristão, a altíssima dignidade desta tua sabedoria,
e entende bem qual há de ser a tua conduta e quais os prêmios que te são
prometidos» (São Leão Magno)
«O cristão é aquele que está convidado a uma festa, à
alegria, à alegria de ser salvo, à alegria de ser redimido, à alegria de
participar da vida com Jesus. Tu estás convidado à festa!» (Francisco)
«Entra-se no povo de Deus pela fé e pelo Baptismo. ‘Todos os
homens são chamados a fazer parte do povo de Deus’ (260), para que, em Cristo,
‘os homens constituam uma só família e um único povo de Deus’ (261)» (Catecismo
da Igreja Católica, nº 804)
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
* O evangelho de hoje traz a parábola do banquete que se
encontra em Mateus e em Lucas, mas com diferenças significativas, provenientes
da perspectiva de cada evangelista. O pano de fundo, porém, que levou os
dois evangelistas a conservar esta parábola é o mesmo. Na comunidades dos
primeiros cristãos, tanto de Mateus como de Lucas, continuava bem vivo o
problema da convivência entre judeus convertidos e pagãos convertidos. Os
judeus tinham normas antigas que os impediam de comer com os pagãos. Mesmo
depois de terem entrado na comunidade cristã, muitos judeus mantinham o costume
antigo de não sentar à mesma mesa com um pagão. Assim, Pedro teve conflitos na
comunidade de Jerusalém, por ter entrado na casa de Cornélio, um pagão, e ter
comido com ele (At 11,3). Este mesmo problema, porém, era vivido de maneira
diferente nas comunidades de Lucas e nas de Mateus. Nas comunidades de Lucas,
apesar das diferenças de raça, classe e gênero, eles tinham um grande ideal de
partilha e de comunhão (At 2,42; 4,32; 5,12). Por isso, no evangelho de Lucas
(Lc 14,15-24), a parábola insiste no convite feito a todos. O dono da festa,
indignado com a desistência dos primeiros convidados, mandou chamar os pobres,
os aleijados, os cegos, os mancos para virem participar do banquete. Mesmo
assim sobrava lugar. Então, o dono da festa mandou convidar todo mundo, até que
a casa ficasse cheia. No evangelho de Mateus, a primeira parte da parábola (Mt
22,1-10) tem o mesmo objetivo de Lucas. Ele chega a dizer que o dono da festa
mandou entrar “bons e maus” (Mt 22,10). Mas no fim ele acrescenta uma outra
parábola (Mt 22,11-14) sobre o traje de festa, que insiste no que é específico
dos judeus, a saber, a necessidade da pureza para poder comparecer diante de
Deus.
* Mateus 22,1-2: O convite para todos. Alguns
manuscritos dizem que a parábola foi contada para os chefes dos sacerdotes e
aos anciãos do povo. Esta afirmação pode até servir como chave de leitura, pois
ajuda a compreender alguns pontos estranhos que aparecem na história que Jesus
conta. A parábola começa assim: "O Reino do Céu é como um rei que preparou
a festa de casamento do seu filho”. Esta afirmação inicial evoca a esperança
mais profunda: o desejo do povo de estar com Deus para sempre. Várias vezes nos
evangelhos se alude a esta esperança, sugerindo que Jesus, o filho do Rei, é o
noivo que veio preparar o casamento (Mc 2,19; Ap 21,2; 19,9).
* Mateus 22,3-6:
Os convidados não quiseram vir. O rei fez dois convites muita
insistentes, mas os convidados não quiseram vir. “Um foi para o seu campo,
outro foi fazer os seus negócios, e outros agarraram os empregados, bateram
neles, e os mataram”. Em Lucas são os
deveres da vida cotidiana que impedem os convidados de aceitar o convite. O
primeiro diz: “Comprei um terreno. Preciso vê-lo!” O segundo: “Comprei cinco
juntas de bois! Vou experimentá-las!” O terceiro: “Casei. Não posso ir!” (cf.
Lc 14,18-20). Dentro das normas e costumes da época, aquelas pessoas tinham o
direito e até o dever de recusar o convite que lhes foi feito (cf Dt 20,5-7).
* Mateus 22,7: Uma
guerra incompreensível. A reação do rei diante da recusa surpreende.
“Indignado, o rei mandou suas tropas, que mataram aqueles assassinos, e puseram
fogo na cidade deles. Como entender esta reação tão violenta? A parábola foi
contada para os chefes dos sacerdotes e aos anciãos do povo (Mt 22,1), os
responsáveis pelos da nação. Muitas vezes, Jesus tinha falado a eles sobre a
necessidade da conversão. Ele chegou a chorar sobre a cidade de Jerusalém e
dizer: "Se também você compreendesse hoje o caminho da paz! Agora, porém, isso
está escondido aos seus olhos! Vão chegar dias em que os inimigos farão
trincheiras contra você, a cercarão e apertarão de todos os lados. Eles
esmagarão você e seus filhos, e não deixarão em você pedra sobre pedra. Porque
você não reconheceu o tempo em que Deus veio para visitá-la." (Lc
14,41-44). A reação violenta do rei na parábola refere-se provavelmente ao que
aconteceu de fato de acordo com a previsão de Jesus. Quarenta anos depois,
Jerusalém foi destruída (Lc 19,41-44; 21,6;).
* Mateus 22,8-10:
O convite permanece de pé. Pela terceira vez, o rei convida o povo.
Ele disse aos empregados: “A festa de casamento está pronta, mas os convidados
não a mereceram. Portanto, vão até as encruzilhadas dos caminhos, e convidem
para a festa todos os que vocês encontrarem. Então os empregados saíram pelos
caminhos, e reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala da festa
ficou cheia de convidados“. Os maus que eram excluídos como impuros da
participação no culto dos judeus, agora são convidados, especificamente, pelo
rei para participar da festa. No contexto da época, os maus eram os pagãos.
Eles também são convidados para participar da festa de casamento.
* Mateus 22,11-14: O traje de festa. Estes versos
contam como o rei entrou na sala da festa e viu alguém sem o traje da festa. O
rei perguntou: 'Amigo, como foi que você entrou aqui sem o traje de festa?' Mas
o homem nada respondeu. A história conta
que o homem foi amarrado e jogado fora na escuridão. E conclui: “Muitos são
chamados, e poucos são escolhidos”.
Alguns estudiosos acham que aqui se trata de uma segunda parábola que
foi acrescentada para abrandar a impressão que ficou da primeira parábola onde
se disse que “maus e bons” entraram para a festa (Mt 22,10). Mesmo admitindo
que já não é a observância da lei que nos traz a salvação, mas sim a fé no amor
gratuito de Deus, isto em nada diminui a necessidade da pureza do coração como
condição para poder comparecer diante de Deus.
Para um confronto pessoal
1. Quais as pessoas que normalmente são convidadas
para as nossas festas? Por que? Quais as
pessoas que não são convidadas para as nossas festas? Por que?
2. Quais os motivos que hoje limitam a participação
de muitas pessoas na sociedade e na igreja?
Quais os motivos que certas pessoas alegam para se excluir do dever de
participar na comunidade? Será que são motivos justos?
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