Bto Isidoro Bakanja, leigo e
mártir de nossa Ordem
Sta. Joana Francisca de
Chantal, viúva e religiosa
Bta Vitória Díez y Bustos de
Molina, virgem e mártir, do Instituto Teresiano
1ª Leitura (Ez 9,1-7; 10,18-22):
Eu ouvi o Senhor bradar com voz forte: «Aproximai-vos, flagelos da
cidade, cada um com o seu instrumento de morte na mão». E do pórtico superior
que dá para o norte saíram seis homens, trazendo cada um na mão o seu
instrumento de morte. No meio deles estava um homem vestido de linho, com um
estojo de escriba à cintura. Aproximaram-se e pararam junto do altar de bronze.
A glória do Deus de Israel elevou-se dos querubins em que poisava e dirigiu-se
para o limiar do templo. Depois chamou o homem vestido de linho, que trazia à
cintura o estojo de escriba. Disse-lhe o Senhor: «Vai pela cidade, percorre
Jerusalém e assinala com uma cruz na fronte os homens que gemem e se lamentam
por causa das abominações que nela se praticam». Depois, ouvi o Senhor dizer
aos outros: «Percorrei a cidade atrás dele e feri sem piedade e sem compaixão:
velhos, novos, donzelas, crianças e mulheres, matai-os, exterminai-os a todos.
Mas não toqueis naqueles que foram assinalados com a cruz. Começai pelo meu
santuário». E eles começaram pelos anciãos que estavam diante do templo. A
seguir, ordenou-lhes: «Profanai o templo, enchei de cadáveres os seus átrios e
saí». Eles saíram e continuaram o massacre na cidade. A glória do Senhor deixou
o limiar do templo e pairou sobre os querubins. Os querubins abriram as asas e
elevaram-se do solo à minha vista, elevando-se as rodas com eles. Pararam à
entrada da porta oriental do templo do Senhor e a glória do Deus de Israel
pairava sobre eles. Eram os seres vivos que eu tinha visto sob o Deus de
Israel, nas margens do rio Quebar, e reconheci então que eram querubins. Cada
um tinha quatro faces e quatro asas e, debaixo das asas, uma espécie de mãos
humanas. As suas faces eram semelhantes às que eu vira nas margens do rio
Quebar. Cada um seguia sempre em frente.
Salmo Responsorial: 112
R. A glória do Senhor está acima dos céus.
Louvai, servos do Senhor, louvai o nome do Senhor. Bendito
seja o nome do Senhor, agora e para sempre.
Desde o nascer ao pôr do sol, seja louvado o nome do Senhor.
O Senhor domina sobre todos os povos, a sua glória está acima dos céus.
Quem se compara ao Senhor nosso Deus, que tem o seu trono
nas alturas e Se inclina lá do alto a olhar o céu e a terra?
Aleluia. Em Cristo, Deus reconcilia o mundo consigo e
confiou-nos a palavra da reconciliação. Aleluia.
Evangelho (Mt 18,15-20): Naquele
tempo, disse Jesus a seus discípulos: «Se teu irmão pecar contra ti, vai
corrigi-lo, tu e ele a sós! Se ele te ouvir, terás ganhado o teu irmão. Se ele
não te ouvir, toma contigo mais uma ou duas pessoas, de modo que toda questão
seja decidida sob a palavra de duas ou três testemunhas. Se ele não vos der
ouvido, dize-o à Igreja. Se nem mesmo à Igreja ele ouvir, seja tratado como se
fosse um pagão ou um publicano. Em verdade vos digo, tudo o que ligardes na
terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no
céu. Eu vos digo mais isto: se dois de vós estiverem de acordo, na terra, sobre
qualquer coisa que quiserem pedir, meu Pai que está nos céus o concederá. Pois
onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou ali, no meio deles».
«Se teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, tu e ele a
sós! (...) Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou ali,
no meio deles»
Rev. D. Pedro-José YNARAJA i Díaz(El Montanyà, Barcelona,
Espanha)
Hoje, neste breve fragmento do Evangelho, o Senhor nos
ensina três importantes modos de proceder que frequentemente se ignoram.
Compreensão e advertência com o amigo ou o colega. Faça-o
ver, com discrição e reservadamente («tu e ele a sós»), com claridade («vai
corrigi-lo»), o seu comportamento equivocado para que acerte o seu caminho na
vida. Acudir à colaboração de um amigo, se a primeira tentativa não deu certo.
E, se nem assim se consegue a sua conversão e, se seu pecar escandaliza, não
duvide em exercer a denúncia profética e pública, que hoje pode ser uma carta
ao diretor de uma publicação, uma manifestação pública ou um cartaz. Esta
maneira de proceder é uma exigência que pesa para o mesmo que a prática, e que
frequentemente é ingrata e incômoda. Por tudo isso é mais fácil escolher o que
chamamos equivocadamente de “caridade cristã” e, que costuma ser puro
escapismo, comodidade, covardia, falsa tolerância. Na verdade, «está reservada
a mesma pena para os que fazem o mal e para aqueles que o consentem» (São
Bernardo).
Todo cristão tem o direito de solicitar dos nossos
sacerdotes o perdão de Deus e da sua Igreja. O psicólogo, em um determinado
momento, pode apaziguar o seu estado de ânimo; o psiquiatra em um ato médico
pode conseguir vencer um transtorno endógeno. Ambas as atitudes são muito
úteis, mas insuficientes para determinadas situações. Só Deus é capaz de
perdoar, apagar, esquecer, pulverizar destruindo o pecado pessoal. E só, sua
Igreja pode atar ou desatar comportamentos, transcendendo a sentença no céu. E
com isso gozar da paz interior e começar a ser feliz.
Nas mãos e palavras do sacerdote está o privilégio de tomar
o pão e que Jesus - Eucaristia seja realmente presença e alimento. Qualquer
discípulo do Reino pode unir-se a outro, ou melhor, pode unir-se a muitos e,
com fervor, Fé, coragem e Esperança, submergir no mundo e convertê-lo em
verdadeiro corpo do Jesus - Místico. E, na sua companhia acudir a Deus Pai que
escutará às suas súplicas, pois seu Filho comprometeu-se a isso: «pois onde
dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou ali, no meio deles» (Mt
18,20).
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«No silencio Ele nos escuta, no silencio Ele fala à alma e
no silencio escutamos sua voz» (Santa Teresa de Calcutá)
«A fé não é unicamente uma opção individual. Por sua mesma
natureza, se abre a “nós”, se dá sempre dentro da comunhão da Igreja»
(Francisco)
«“Jesus Cristo, que morreu, que ressuscitou, que está à
direita de Deus, que intercede por nós” (Rm 8,34), está presente na sua Igreja
de múltiplos modos: na sua Palavra, na oração da sua Igreja, “onde dois ou três
estão reunidos em Meu nome” (Mt 18,20), nos pobres, nos doentes, nos
prisioneiros, nos seus sacramentos, dos quais é o autor (...)» (Catecismo da
Igreja Católica, n° 1373)
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
* No evangelho de hoje e de amanhã vamos ler e meditar a
segunda parte do Sermão da Comunidade. O evangelho de hoje fala da correção
fraterna (Mt 18,15-18) e da oração em comum (Mt 18,19-20). O de amanhã fala do
perdão (Mt 18,21-22) e traz a parábola do perdão sem limites (Mt 18,23-35). A palavra-chave
desta segunda parte é “perdoar”. O acento cai na reconciliação. Para que possa
haver reconciliação que permita o retorno dos pequenos, é importante saber
dialogar e perdoar, pois o fundamento da fraternidade é o amor gratuito de
Deus. Só assim a comunidade será um sinal do Reino. Não é fácil perdoar. Certas
mágoas continuam machucando o coração. Há pessoas que dizem: "Eu perdoo,
mas não esqueço!" Rancor, tensões, brigas, opiniões diferentes, ofensas,
provocações dificultam o perdão e a reconciliação.
* A organização das palavras de Jesus nos cinco grandes
Sermões do evangelho de Mateus mostra que, já no fim do primeiro século, as
comunidades tinham formas bem concretas de catequese. O Sermão da
Comunidade (Mt 18,1-35), por exemplo, traz instruções atualizadas de como
proceder em caso de algum conflito entre os membros da comunidade e como
encontrar critérios para solucionar os conflitos. Mateus reuniu aquelas frases
de Jesus que pudessem ajudar as comunidades do fim do primeiro século a superar
os dois problemas agudos que elas enfrentavam naquele momento, a saber, a saída
dos pequenos por causa do escândalo de alguns e a necessidade de diálogo para
superar o rigorismo de outros e acolher os pequenos, os pobres, na comunidade.
* Mateus 18,15-18: A correção fraterna e o poder de
perdoar. Estes versículos trazem normas simples de como proceder no caso de
algum conflito na comunidade. Se um irmão ou uma irmã pecar, isto é, se tiver
um comportamento não de acordo com a vida da comunidade, não se deve logo
denunciá-los. Primeiro, procure conversar a sós. Procure saber os motivos do
outro. Se não der resultado, leve mais duas ou três pessoas da comunidade para
ver se consegue algum resultado. Só em caso extremo, deve levar o problema para
a comunidade toda. E se a pessoa não quiser escutar a comunidade, que ela seja
para você “como um publicano ou pagão”, isto é, como alguém que já não faz
parte da comunidade. Não é você que está excluindo, mas é a pessoa, ela mesma,
que se exclui a si mesma. A comunidade reunida apenas constata e ratifica a
exclusão. A graça de poder perdoar e reconciliar em nome de Deus foi dada a
Pedro (Mt 16,19), aos apóstolos (Jo 20,23) e, aqui no Sermão da Comunidade, à
própria comunidade (Mt 18,18). Isto revela a importância das decisões que a
comunidade toma com relação a seus membros.
* Mateus 18,19: A oração em comum. A exclusão não
significa que a pessoa seja abandonada à sua própria sorte. Não! Ela pode estar
separada da comunidade, mas nunca estará separada de Deus. Caso a conversa na
comunidade não der resultado e a pessoa não quiser integrar-se na vida da
comunidade, resta o último recurso de rezar juntos ao Pai para conseguir a
reconciliação. E Jesus garante que o Pai vai atender: “Se dois de vocês na
terra estiverem de acordo sobre qualquer coisa que queiram pedir, isso lhes
será concedido por meu Pai que está no céu”.
* Mateus 18,20: A presença de Jesus na comunidade. O
motivo da certeza de ser ouvido pelo Pai é a promessa de Jesus: “Onde dois ou
três estiverem reunidos em meu nome, estarei no meio deles!” Jesus é o centro,
o eixo, da comunidade e, como tal, junto com a Comunidade ele estará rezando
conosco ao Pai, para que conceda o dom do retorno ao irmão ou à irmã que se
excluiu.
Para um confronto pessoal
1. Por que será que é tão difícil perdoar? Na nossa
comunidade existe espaço para a reconciliação? De que maneira?
2. Jesus disse: "Onde dois ou três estão
reunidos em meu nome, estarei no meio deles". O que significa isto para
nós hoje?
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