Bto. João Soreth, presbítero
de nossa Ordem e fundador das Ordens II e III
Btas. Maria Pilar de São
Francisco de Borja, Teresa do Menino Jesus e Maria de São José, virgens e
mártires de nossa Ordem
Bta. Mª das Mercês do Sagrado
Coração Prat, religiosa da Companhia de Santa Teresa, virgem e mártir
1ª Leitura (Jer 3,14-17): Assim
fala o Senhor: «Voltai para Mim, filhos rebeldes, porque Eu sou o vosso Senhor.
Eu vos tomarei, um de uma cidade e dois de uma família, para vos conduzir a
Sião. Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, que vos apascentarão com
inteligência e sabedoria. Nesses dias – diz o Senhor – quando crescerdes e vos
multiplicardes na terra, não mais se falará da arca da aliança do Senhor. Não
tornará a ser recordada, ninguém mais pensará nela; nunca se dará pela sua
falta, nem será construída outra nova. Nesse tempo, chamarão a Jerusalém ‘Trono
do Senhor’; em Jerusalém se reunirão todos os povos em nome do Senhor e não
seguirão mais a dureza do seu coração perverso».
Salmo Responsorial: Jer 31
R. Como o pastor guarda o seu rebanho, assim nos guarda o
Senhor.
Escutai, ó povos, a palavra do Senhor e anunciai-a às ilhas
distantes: Aquele que dispersou Israel vai reuni-lo e guardá-lo como um pastor
ao seu rebanho.
O Senhor resgatou Jacob e libertou-o das mãos do seu
dominador. Regressarão com brados de alegria ao monte Sião, acorrendo às
bênçãos do Senhor.
A virgem dançará alegremente, exultarão os jovens e os
velhos. Converterei o seu luto em alegria e a sua dor será mudada em consolação
e júbilo.
Aleluia. Felizes os que recebem a palavra de Deus de
coração sincero e generoso e produzem fruto pela perseverança. Aleluia.
Evangelho (Mt 13,18-23): Naquele
tempo, disse Jesus a seus discípulos: «Vós, portanto, ouvi o significado da
parábola do semeador. A todo aquele que ouve a palavra do Reino e não a
compreende, vem o Maligno e rouba o que foi semeado em seu coração; esse é o
grão que foi semeado à beira do caminho. O que foi semeado nas pedras é quem
ouve a palavra e logo a recebe com alegria; mas não tem raiz em si mesmo, é de
momento: quando chega tribulação ou perseguição por causa da palavra, ele
desiste logo. O que foi semeado no meio dos espinhos é quem ouve a palavra, mas
as preocupações do mundo e a ilusão da riqueza sufocam a palavra, e ele fica
sem fruto. O que foi semeado em terra boa é quem ouve a palavra e a entende;
este produz fruto: um cem, outro sessenta e outro trinta».
«Vós, portanto, ouvi o significado da parábola do
semeador»
P. Josep LAPLANA OSB Monge de Montserrat (Montserrat,
Barcelona, Espanha)
Hoje, contemplamos a Deus como um lavrador bom e magnânimo,
que semeia com as mãos cheias. Não poupou nada para a redenção do homem, mas
gastou tudo em seu próprio Filho, Jesus Cristo, que como grão enterrado (morte
e sepultamento) converteu-se em nossa vida e ressurreição graças à sua santa
Ressurreição.
Deus é um agricultor paciente. Os tempos pertencem o Pai,
porque só Ele sabe o dia e a hora (cf. Mc 13,32) de ceifar e de separar os
grãos da palha. Deus espera. Também nós temos de esperar, sincronizando o
relógio da nossa esperança com o desígnio salvador de Deus. Diz São Tiago
«Olhai o agricultor: ele espera com paciência o precioso fruto da terra, até
cair a chuva do outono ou da primavera» (Tg 5,7). Deus espera a colheita fazendo-a
crescer com a sua graça. Nós tampouco não podemos dormir, mas devemos colaborar
com a graça de Deus prestando a nossa cooperação, sem pôr obstáculos a esta
ação transformadora de Deus.
O cultivo de Deus que nasce e cresce assim na terra é um
fato visível em seus efeitos; podemos vê-los nos milagres autênticos e nos
exemplos clamorosos de santidade de vida. Há muita gente que depois de haver
escutado todas as palavras e o ruído deste mundo, tem fome e sede de ouvir a
autêntica Palavra de Deus, ali onde ela se encontra viva e encarnada. Há
milhões de pessoas que vivem a sua pertença a Jesus Cristo e à Igreja com o
mesmo entusiasmo inicial do Evangelho, pois a palavra divina «encontra a terra
onde germinar e dar fruto» (São Agostinho); o que temos que fazer é levantar a
nossa moral e olhar o futuro com olhos de fé.
O êxito da colheita não se encontra nas nossas estratégias
humanas nem no marketing, mas na iniciativa salvadora de Deus “rico em
misericórdia” e na eficácia do Espírito Santo, que pode transformar as nossas
vidas para que demos frutos saborosos de caridade e de contagiosa alegria.
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«As obras boas que fazemos não são nada se não somos capazes
de suportar também pacientemente os males. Quanto mais ascende alguém na
perfeição, tanto mais cresce contra ele a adversidade do mundo» (São Gregório
Magno)
«Deus é generoso no seu amor — literalmente, derrama-o em
abundância, nunca se cansando de semear até que a sua semente germine e dê
fruto» (Leão XIV)
«Mas esta “relação íntima e vital que une a homem a Deus”
pode ser esquecida, desconhecida e até explicitamente rejeitada pelo homem.
Tais atitudes podem ter origens diversas a revolta contra o mal existente no
mundo, a ignorância ou a indiferença religiosa, as preocupações do mundo e das
riquezas, o mau exemplo dos crentes, as correntes de pensamento hostis à
religião e, finalmente, a atitude do homem pecador que, por medo, se esconde de
Deus e foge quando Ele o chama» (Catecismo da Igreja Católica, n° 29)
Reflexão
• Contexto. A partir do capítulo 12, aparece uma
oposição entre os líderes religiosos de Israel, os escribas e fariseus, de um
lado, enquanto por outro lado, entre as multidões que ouvem Jesus maravilhadas
com suas ações prodigiosas, vai-se formando pouco a pouco um grupo de
discípulos de características ainda não definidas, mas que segue a Jesus com
perseverança. A doze destes discípulos Jesus dá o dom da sua autoridade e de
seus poderes; envia-os como mensageiros do reino e lhes dá instruções exigentes
e radicais (10,5-39). No momento da controvérsia com seus adversários, Jesus
reconhece a sua verdadeira parentela não vinha da carne (mãe, irmãos), mas sim
nos que o seguem, ouvem e fazem a vontade do Pai (12,46 -50). Este último
relato nos permite imaginar que o público a quem Jesus dirige a palavra é
duplo: de um lado, os discípulos aos quais lhes concede conhecer os mistérios
do reino (13,11) e que são capazes de compreendê-los (13,50 ) e, por outro
lado, a multidão que parece estar privada desta compreensão profunda
(13,11.34-36). Às grandes multidões que se reúnem para ouvir Jesus é
apresentada em primeiro lugar a parábola do semeador. Jesus fala de uma semente
que cai na terra ou não. O seu crescimento depende do lugar onde ela cai, é
possível que seja impedida até o ponto de não dar frutos, como acontece nas
três primeiras categorias de terra: "o caminho" (lugar duro por causa
da passagem de homens e animais), "o terreno rochoso" (formada por
rochas), "cardos" (terra coberta de espinhos). No entanto, aquela que
cai na "boa terra" dá um fruto excelente ainda que em quantidades
diferentes. O leitor é orientado a prestar mais atenção ao fruto do grão que à
ação do semeador. Além disso, Mateus focaliza a atenção do público sobre a boa
terra e sobre fruto que ela é capaz de produzir excepcionalmente. A primeira
parte da parábola termina com uma advertência: “Aquele que tem ouvidos,
ouça." (v. 9), é uma chamada para a liberdade de ouvir. A palavra de Jesus
pode permanecer uma simples "parábola" para uma multidão incapaz de
entender, mas para aquele que se deixa conduzir por sua força pode revelar
"os mistérios do reino dos céus." O acolher a palavra de Jesus é o
que distingue os discípulos e a multidão anônima, a fé dos primeiros revela a
cegueira dos segundos e os empurra a buscar para além da parábola.
• Ouvir e compreender. É sempre Jesus quem conduz os
discípulos no caminho certo para a compreensão da parábola. No futuro, será a
Igreja a ser guiada através dos discípulos para a compreensão da Palavra de
Jesus. Na explicação da parábola, os dois verbos "ouvir" e "entender"
aparecem em 13,23: “A terra boa semeada é aquele que ouve a palavra e a
compreende." É na compreensão onde o discípulo que ouve cada dia a Palavra
de Jesus se distingue das multidões que só a escutam ocasionalmente.
• Impedimentos à compreensão. Jesus refere-se,
principalmente, à resposta negativa que seus contemporâneos dão à sua pregação
do reino dos céus. Esta resposta negativa está ligada a impedimentos de vários
tipos. O terreno da beira do caminho é aquele que os pedestres tornaram endurecido
e aparece totalmente negativo: "Todo mundo sabe que não serve para nada
lançar a semente no caminho: não há as condições necessárias para o
crescimento. Depois as pessoas passam, pisoteiam e destroem a semente. A
semente não se lança em qualquer parte” (Carlos Mesters). Antes de tudo está a
responsabilidade pessoal do indivíduo: acolher a Palavra de Deus no próprio
coração; se ao contrário cai em um coração "endurecido", teimoso em
suas convicções e na indiferença, se oferece campo ao maligno que acaba
completar por completar esta atitude persistente de fechamento à Palavra de
Deus.
* O solo pedregoso. Se o primeiro obstáculo é um
coração insensível e indiferente, a imagem da semente que cai sobre pedras,
sobre rochas e entre os espinhos, indica o coração imerso em uma vida
superficial e mundana. Estes estilos de vida são a energia que impedem que a Palavra
dê frutos. Ele dá um vislumbre de ouvir, mas logo se torna bloqueado, não só
pelas provações e tribulações inevitáveis, mas também para o envolvimento do
coração nas preocupações e riqueza. A vida não profunda e superficial provoca a
instabilidade.
* A boa terra é o coração que ouve e compreende a
palavra; esta dá frutos. Esse desempenho é o trabalho da Palavra em um
coração acolhedor. Trata-se de uma compreensão dinâmica, que se deixa envolver
pela ação de Deus presente na Palavra de Jesus. A compreensão da sua Palavra
permanecerá inacessível se negligenciarmos o encontro com ele e não o deixamos
que dialogue conosco.
Para um confronto pessoal
1. A escuta da Palavra de Deus, te leva à compreensão
profunda ou permanece apenas como um exercício intelectual?
2. És coração acolhedor e disponível, dócil para
chegar a uma compreensão plena da Palavra?
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