Sta. Teresa de S. Agostinho e
15 Companheiras, virgens e mártires de nossa Ordem
Btos. Inácio de
Azevedo, presbítero, e 39 companheiros, Mártires do Brasil.
1ª Leitura (Is
38,1-6.21-22.7-8): Naqueles dias, Ezequias, rei de Judá, contraiu doença
mortal. O profeta Isaías, filho de Amós, foi visitá-lo e disse-lhe: «Assim fala
o Senhor: Põe em ordem a tua casa, porque vais morrer e não viverás». Ezequias
voltou o rosto para a parede e orou ao Senhor, dizendo: «Lembrai-Vos, Senhor,
como tenho procedido fielmente e de coração sincero na vossa presença, como
tenho feito sempre o que agrada aos vossos olhos». Depois, Ezequias rompeu num
grande choro. Então a palavra do Senhor foi dirigida a Isaías, com esta
mensagem: «Vai dizer a Ezequias: Assim fala o Senhor, Deus de teu pai David:
Escutei a tua prece e vi as tuas lágrimas. Vou acrescentar à tua vida mais
quinze anos e hei de livrar-te das mãos do rei da Assíria, a ti e a esta
cidade, que Eu protegerei». Disse então Isaías: «Trazei um bolo de figos,
aplicai-o sobre a chaga e o rei ficará curado». Ezequias perguntou: «Que sinal
terei de que volto a subir ao templo do Senhor?». Isaías respondeu-lhe: «O sinal
da parte do Senhor de que cumprirá a sua palavra é este: Vou fazer que a sombra
do relógio de sol de Acaz volte para trás dez graus, que nele tinha avançado».
E o sol desandou dez graus que avançara no quadrante.
Salmo Responsorial: Is 38
R. Senhor, livrastes da morte a minha vida.
Eu disse: «Em meio da vida vou descer às portas da morte,
privado do resto dos meus anos. Não verei mais o Senhor na terra dos vivos, não
verei mais ninguém entre os habitantes do mundo».
Para longe de mim foi arrancada a minha morada, como tenda
de pastores. Como tecelão eu tecia a minha vida, mas cortaram-me a trama.
Por Vós, Senhor, viverá o meu espírito e o meu sofrimento se
converterá em paz. Preservastes a minha alma da corrupção da morte, perdoastes
todos os meus pecados.
Aleluia. As minhas ovelhas escutam a minha voz, diz o
Senhor; Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me. Aleluia.
Evangelho (Mt 12,1-8): Naquele
tempo, num dia de sábado, Jesus passou pelas plantações de trigo. Seus
discípulos estavam com fome e começaram a arrancar espigas para comer. Vendo
isso, os fariseus disseram-lhe: «Olha, os teus discípulos fazem o que não é
permitido fazer em dia de sábado!». Jesus respondeu: «Nunca lestes o que fez
Davi, quando ele teve fome e seus companheiros também? Ele entrou na casa de
Deus e todos comeram os pães da oferenda, que nem a ele, nem aos seus
companheiros era permitido comer, mas unicamente aos sacerdotes? Ou nunca
lestes na Lei, que em dia de sábado, no templo, os sacerdotes violam o sábado e
não são culpados? Ora, eu vos digo: aqui está quem é maior do que o templo. Se
tivésseis chegado a compreender o que significa, ‘Misericórdia eu quero, não
sacrifícios’, não condenaríeis inocentes. De fato, o Filho do Homem é Senhor do
sábado».
«Misericórdia eu quero, não sacrifícios»
Rev. D. Josep RIBOT i Margarit (Tarragona, Espanha)
Hoje, o Senhor se aproxima do campo cultivado da sua vida,
para recolher frutos de sua santidade. Encontrará caridade, amor a Deus e aos
demais? Jesus, que corrige a casuística meticulosa dos rabinos que tornava
insuportável a lei do descanso sabático, por acaso terá que lhe lembrar que a
ele só interessa o seu coração, a sua capacidade de amar?
«Olha, os teus discípulos fazem o que não é permitido fazer
em dia de sábado!» (Mt 12,2). Disseram-Lhe isto convencido, isso é o que é
incrível. Como proibir alguém de fazer o bem sempre? Alguma coisa deve-lhe
lembrar que nada o desculpa de não ajudar aos demais. A caridade verdadeira
respeita as exigências da justiça, evitando a arbitrariedade ou o capricho, mas
impede o rigorismo, que mata o espírito da lei de Deus, que é um convite
contínuo a amar, a dar-se aos demais.
«Misericórdia eu quero, não sacrifícios» (Mt 12,7). Repete-o
muitas vezes, para gravá-lo em teu coração: Deus, rico em misericórdia, nos
quer misericordiosos. «Que próximo Deus está de quem confessa sua misericórdia!
Sim, Deus não anda longe dos contritos de coração» (Santo Agostinho). E quão
longe estamos de Deus quando permitimos que o nosso coração se endureça como
uma pedra!
Jesus Cristo acusou os fariseus de condenar os inocentes.
Grave acusação. E você? Você se interessa de verdade pelas coisas dos demais?
Os julga com carinho, com simpatia, como quem julga a um amigo ou a um irmão?
Procure não perder o norte da sua vida.
Peça à Virgem que o faça misericordioso, que saiba perdoar.
Seja benévolo. E se descobre na sua vida algum detalhe que destoe dessa
disposição de fundo, agora é um bom momento para retificar, formulando algum
propósito eficaz.
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Doce é o nome da misericórdia; e se o nome é assim tão
doce, quanto mais doce o será ela própria? Aquele que desejar alcançar
misericórdia no céu deve praticá-la neste mundo» (São Cesáreo de Arles)
«Esta palavra de Deus [Jesus] chegou-nos através dos
Evangelhos, como uma das sínteses de toda a mensagem cristã: a verdadeira
religião consiste no amor a Deus e ao próximo» (Bento XVI)
«Proporcionando, com autoridade divina, a interpretação
definitiva da Lei, Jesus colocou-Se numa situação de confronto com certos
doutores da Lei (...), Isto vale sobretudo para a questão do sábado: Jesus
lembra, e muitas vezes com argumentos rabínicos, que o repouso sabático não é
violado pelo serviço de Deus ou do próximo (...)» (Catecismo da Igreja
Católica, nº 582)
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
* No evangelho de hoje veremos de perto um dos muitos
conflitos entre Jesus e as autoridades religiosas da época. São conflitos
em torno das práticas religiosas daquele tempo: jejum, pureza, observância do
sábado, etc. Colocados em termos de hoje seriam conflitos como, por exemplo,
casamento de pessoas divorciadas, amizade com prostitutas, acolher os
homossexuais, comungar sem estar casado na igreja, faltar à missa no domingo,
não fazer jejum na Sexta-feira Santa. São muitos os conflitos: em casa, na
escola, no trabalho, na comunidade, na igreja, na vida pessoal, na sociedade.
Conflitos de crescimento, de relacionamento, de idade, de mentalidade. Tantos!
Viver a vida sem conflito é impossível. O conflito faz parte da vida e já
aparece no nosso próprio nascimento. Nascemos com dor de parto. Os conflitos
não são acidentes na estrada, mas são parte integrante do caminho, do processo
de conversão. O que chama atenção é a maneira como Jesus enfrenta os conflitos.
Na discussão com os adversários, não se tratava de ele obter razão contra eles,
mas sim de fazer prevalecer a experiência que ele, Jesus, tinha de Deus como
Pai e Mãe. A imagem de Deus dos outros era a de um juiz severo que só ameaçava
e condenava. Jesus procurava fazer prevalecer a misericórdia sobre a
observância cega de normas e de leis que não tinham mais nada a ver com o
objetivo da Lei que é a prática do amor.
* Mateus 12,1-2: Colher trigo em dia de sábado e a
crítica dos fariseus. Num dia de sábado, os discípulos passavam pelas
plantações e abriam caminho arrancando espigas para comê-las. Estavam com fome.
Os fariseus chegam e invocam a Bíblia para dizer que os discípulos estão
cometendo uma transgressão da lei do Sábado (cf Ex 20,8-11). Jesus também usa a
Bíblia e responde evocando três exemplos tirados da Escritura: (1) de
Davi, (2)
da legislação sobre o trabalho dos sacerdotes no templo e (3) da ação
do profeta Oséias, ou seja, ele cita um livro histórico, um livro legislativo e
um livro profético.
* Mateus 12,3-4: O exemplo de Davi. Jesus lembra que
o próprio Davi também fez uma coisa proibida pela lei, pois tirou os pães
sagrados do templo e os deu de comer aos soldados que estavam com fome (1 Sm
21,2-7). Nenhum fariseu teria coragem de criticar o rei Davi!
* Mateus 12,5-6: O exemplo dos sacerdotes
Acusado pelas autoridades religiosas, Jesus argumenta a
partir do que elas mesmas, as próprias autoridades religiosas, fazem em dia de
sábado. No templo de Jerusalém, em dia de sábado, os sacerdotes trabalham muito
mais do que nos dias de semana, pois devem sacrificar os animais para os
sacrifícios, devem limpar, varrer, carregar peso, degolar os animais etc. E
ninguém dizia que era contra a lei, pois achavam normal. A própria lei os
obrigava a fazer isto (Nm 28,9-10).
* Mateus 12,7: O exemplo do profeta. Jesus cita a
frase do profeta Oséias: Quero misericórdia e não sacrifício. A palavra
misericórdia significa ter o coração (cor) na miséria (miseri) dos outros, ou
seja, a pessoa misericordiosa deve estar bem perto do sofrimento das pessoas,
deve identificar-se com elas. A palavra sacrifício significa fazer (fício) com
que uma coisa fique consagrada (sacri), ou seja, quem oferece um sacrifício
separa o objeto sacrificado do uso profano e o distancia da vida diária do
povo. Se os fariseus tivessem em si este olhar do profeta Oséias, saberiam que
o sacrifício mais agradável a Deus não a pessoa consagrada viver distanciada da
realidade, mas sim ela colocar o coração inteiramente consagrado para aliviar a
miséria dos irmãos e das irmãs. Eles não teriam condenado como culpados os que,
na realidade eram inocentes.
* Mateus 12,8: O Filho do Homem é dono do sábado. Jesus
termina com esta frase: o Filho do Homem é dono até do sábado! Jesus, ele
mesmo, é o critério da interpretação da Lei de Deus. Jesus conhecia a Bíblia de
cor e salteado, e a invocava para mostrar que os argumentos dos outros não
tinham fundamento. Naquele tempo, não havia Bíblias impressas como temos hoje
em dia. Em cada comunidade só havia uma única Bíblia, escrita a mão, que ficava
na sinagoga. Se Jesus conhecia tão bem a Bíblia, é sinal de que ele, durante os
trinta anos de vida em Nazaré, deve ter participado intensamente da vida da
comunidade, onde todo sábado se liam as escrituras. A nova experiência de Deus
como Pai fazia com que Jesus chegasse a descobrir melhor qual tinha sido a
intenção de Deus ao decretar as leis do Antigo Testamento. Convivendo com o
povo da Galileia durante trinta anos em Nazaré e sentindo na pele a opressão e
a exclusão de tantos irmãos e irmãs em nome da Lei de Deus, Jesus deve ter
percebido que isto não podia ser o sentido daquelas leis. Se Deus é Pai, então
ele acolhe a todos como filhos e filhas. Se Deus é Pai, então nós temos que ser
irmãos e irmãs uns dos outros. Foi o que Jesus viveu e pregou, desde o começo
até o fim. A Lei deve estar a serviço da vida e da fraternidade. “O ser humano
não foi feito para o sábado, mas o sábado para o ser humano” (Mc 2,27). Foi por
causa da sua fidelidade a esta mensagem que Jesus foi preso e condenado à
morte. Ele incomodou o sistema, e o sistema se defendeu, usando a força contra
Jesus, pois ele queria a Lei a serviço da vida, e não vice-versa. Ainda falta
muito para nós termos a mesma familiaridade com a Bíblia e a mesma participação
na comunidade como Jesus.
Para um confronto pessoal
1. Que tipo de conflitos você vive na família, na
sociedade e na igreja? Quais os conflitos em torno de práticas religiosas que,
hoje, trazem sofrimento para as pessoas e são motivo de muita discussão e
polêmica? Qual a imagem de Deus que está por trás de todos estes preconceitos,
normas e proibições?
2. O que o conflito já ensinou a você nestes anos
todos? Qual a mensagem que você tira de
tudo isto para as nossas comunidades de hoje?
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