Sta. Teresa de Jesus dos
Andes, virgem de nossa Ordem
Santo Henrique, imperador
1ª Leitura (Is 1,10-17): Escutai
a palavra do Senhor, chefes de Sodoma; dai ouvidos ao ensinamento do nosso
Deus, povo de Gomorra: «De que Me servem os vossos inúmeros sacrifícios? – diz
o Senhor – Estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de vitelos;
detesto o sangue de touros, cordeiros e cabritos. Quando vindes à minha
presença, quem vos convidou a pisar os meus átrios? Deixai de Me trazer ofertas
inúteis: o fumo do incenso Me repugna, não suporto as luas novas, os sábados,
as assembleias, a impiedade das vossas festas. Abomino do íntimo da alma as
vossas luas novas e as vossas solenidades, que se tornaram um peso para Mim e
não as suporto mais. Quando levantais as mãos, desvio de vós o meu olhar. Ainda
que multipliqueis as vossas preces, não lhes darei atenção, porque as vossas
mãos estão cheias de sangue. Lavai-vos, purificai-vos, afastai dos meus olhos a
malícia das vossas ações, deixai de praticar o mal e aprendei a fazer o bem.
Respeitai o direito, protegei o oprimido, fazei justiça ao órfão, defendei a
causa da viúva».
Salmo Responsorial: 49
R. A quem segue o caminho reto darei a salvação de Deus.
Não é pelos sacrifícios que Eu te repreendo: os teus
holocaustos estão sempre na minha presença. Não aceito os novilhos da tua casa
nem os cabritos do teu rebanho.
Como falas tanto na minha lei e trazes na boca a minha
aliança, tu que detestas os meus ensinamentos e desprezas as minhas palavras?
Fizeste isto e Eu calei-me; pensaste que Eu era como tu.
Hei-de acusar-te e lançar-te tudo em rosto. Honra-Me quem Me oferece um
sacrifício de louvor, a quem segue o caminho reto
darei a salvação de Deus.
Aleluia. Bem-aventurados os que sofrem perseguição por
amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus. Aleluia.
Evangelho (Mt 10,34-11,1): Naquele
tempo, disse Jesus a seus discípulos: «Não penseis que vim trazer paz à terra!
Não vim trazer paz, mas sim, a espada. De fato, eu vim pôr oposição entre o
filho e seu pai, a filha e sua mãe, a nora e sua sogra; e os inimigos serão os
próprios familiares. Quem ama pai ou mãe mais do que a mim, não é digno de mim.
E quem ama filho ou filha mais do que a mim não é digno de mim. E quem não toma
a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. Quem buscar sua vida a perderá,
e quem perder sua vida por causa de mim a encontrará. Quem vos recebe, é a mim
que está recebendo; e quem me recebe, está recebendo aquele que me enviou. Quem
receber um profeta por ele ser profeta, terá uma recompensa de profeta. Quem
receber um justo por ele ser justo, terá uma recompensa de justo. E quem der,
ainda que seja apenas um copo de água fresca, a um desses pequenos, por ser meu
discípulo, em verdade vos digo: não ficará sem receber sua recompensa”. Quando
Jesus terminou estas instruções aos doze discípulos, partiu dali, a fim de
ensinar e proclamar a Boa Nova nas cidades da região.
«E quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno
de mim»
Rev. D. Valentí ALONSO i Roig (Barcelona, Espanha)
Hoje, Jesus nos oferece uma importante mistura de
recomendações; é como um desses banquetes modernos onde os pratos são pequenas
porções para saborear. Trata-se de conselhos profundos e de difícil digestão,
destinados a seus discípulos na formação e preparação missionária (cf. Mt
11,1). Para gostar deles devemos contemplar o texto em partes diferentes.
Jesus começa dando a conhecer o efeito do seu ensino. Não
obstante os efeitos positivos, evidentes na atuação do Senhor, o Evangelho
evoca as contrariedades e contratempos da predicação: «e os inimigos serão os
próprios familiares» (Mt 10,36). Isso é o contraditório de viver na fé, temos a
possibilidade de enfrentarmos, até mesmo com os que estão mais perto de nós,
quando não compreendemos quem é Jesus, o Senhor, e não o percebemos como o
Mestre da comunhão.
Em um segundo momento Jesus nos pede para ocupar o lugar
mais alto na escala do amor: «Quem ama pai ou mãe mais do que a mim...» (Mt
10,37), «e quem ama filho ou filha mais do que a mim...» (Mt 10,37). Desse
jeito, propõe deixarmos acompanhar por Ele como presença de Deus, já que «quem
me recebe, está recebendo aquele que me enviou» (Mt 10,40). O resultado de
morar acompanhados pelo Senhor, acolhido em nossa morada, é gozar da recompensa
dos profetas e justos, porque temos recebido um profeta e um justo.
A recomendação do Mestre acaba valorizando as pequenas
demonstrações de ajuda e proteção às pessoas que moram acompanhadas pelo
Senhor, os seus discípulos, que somos todos os cristãos. «Quem der, ainda que
seja apenas um copo de água fresca, a um desses pequenos, por ser meu
discípulo...» (Mt 10,42). A partir deste conselho, nasce uma responsabilidade:
em relação ao próximo, sejamos conscientes de que as pessoas que moram com o
Senhor, quem quer que sejam, devem ser tratadas como Ele mesmo. São João Crisóstomo
diz: «Se o amor estivesse espalhado por todas as partes, nasceria dele uma
quantidade infinita de bens».
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Até que venha a paz, na qual não teremos qualquer inimigo,
a nossa tarefa é lutar longa, fiel e corajosamente, para que possamos merecer
ser coroados pelo Senhor Deus» (Santo Agostinho)
«A Virgem Maria, Rainha da Paz, partilhou até ao martírio da
alma a luta do seu Filho Jesus contra o Maligno. Invoquemos a sua intercessão
materna para nos ajudar sempre a sermos testemunhas da paz de Cristo, sem
jamais nos comprometermos com o mal» (Bento XVI)
«Tudo o que Cristo viveu, Ele próprio faz com que o possamos
viver n'Ele e Ele vivê-lo em nós. «Pela sua Encarnação, o Filho de Deus
uniu-Se, de certo modo, a cada homem» (Concilio Vaticano II). Nós somos
chamados a ser um só com Ele» (Catecismo da Igreja Católica, nº 521)
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
* A V Conferência dos bispos da América Latina,
realizada em Aparecida do Norte (2007), Brasil, elaborou um documento muito
importante sobre o tema: “Discípulos e Missionários de Jesus Cristo, para que
nele nossos povos tenham vida”. O Sermão da Missão do capítulo 10 do Evangelho
de São Mateus, que estamos meditando nestes dias, oferece muitas luzes para
poder realizar a missão de discípulos e missionários de Jesus Cristo. O
evangelho de hoje traz a parte final deste Sermão da Missão.
* Mateus 10,34-36: Não vim trazer a paz, mas sim a espada.
Jesus sempre fala em paz (Mt 5,9; Mc 9,50; Lc 1,79; 10,5; 19,38; 24,36; Jo
14,27; 16,33; 20,21.26). Então, como entender a frase do evangelho de hoje que
parece dizer o contrário: "Não pensem que eu vim trazer paz à terra; eu
não vim trazer a paz, e sim a espada”?
Esta afirmação não significa que Jesus estivesse a favor da divisão e da
espada. Não! Jesus não quer a espada (Jo 18,11) nem a divisão. Ele quer é a
união de todos na verdade (cf. Jo 17,17-23). Naquele tempo, porém, o anúncio da
verdade de que ele, Jesus de Nazaré, era o Messias tornou-se motivo de muita
divisão entre os judeus. Dentro da mesma família ou comunidade, uns eram a
favor e outros radicalmente contra. Neste sentido a Boa Nova de Jesus era
realmente uma fonte de divisão, um “sinal de contradição” (Lc 2,34) ou, como
dizia Jesus, ela trazia a espada. Assim se entende a outra advertência: “Eu vim
separar o filho de seu pai, a filha de sua mãe, a nora de sua sogra. E os
inimigos do homem serão os seus próprios familiares”. Era o que estava acontecendo,
de fato, nas famílias e nas comunidades: muita divisão, muita discussão, como consequência
do anúncio da Boa Nova entre os judeus daquela época, uns aceitando, outros
negando. Até hoje é assim. Muitas vezes, lá onde a Igreja se renova, o apelo da
Boa Nova se torna um “sinal de contradição” e de divisão. Pessoas que durante
anos viveram acomodadas na rotina da sua vida cristã, já não querem ser
incomodadas pelas “inovações” do Vaticano II. Incomodadas pelas mudanças, elas
usam toda a sua inteligência para encontrar argumentos em defesa de suas
opiniões e para condenar as mudanças como contrárias ao que elas pensam ser a
verdadeira fé.
* Mateus 10,37: Quem ama seu pai e sua mãe mais do que a
mim, não é digno de mim. Lucas traz esta mesma frase mas muito mais
exigente. Ele diz literalmente: "Se alguém vem a mim, e não odeia seu
próprio pai e mãe, mulher, filhos, irmãos, irmãs, e até mesmo sua própria vida,
esse não pode ser meu discípulo” (Lc 14,26). Como combinar esta afirmação de
Jesus com aquela outra em que ele manda observar o quarto mandamento: amar e
honrar pai e mãe? (Mc 7,10-12; Mt 19,19).
Duas observações: (1) O critério básico em que Jesus sempre insiste é
este: a Boa Nova de Deus deve ser o valor supremo da nossa vida. Não pode haver
um valor mais alto na vida. (2) A situação econômica social na época de Jesus era
tal que as famílias eram obrigadas a se fechar sobre si mesmas. Já não tinham
condições de manter as obrigações da convivência comunitária como, por exemplo,
a partilha, a hospitalidade, a comunhão de mesa e a acolhida aos excluídos.
Este fechamento individualista, causado pela conjuntura nacional e
internacional, provocava as seguintes distorções: (1) Impossibilitava a vida em comunidade. (2) Estreitava
o mandamento “honrar pai e mãe” exclusivamente para a pequena família nuclear e
não mais para a grande família da comunidade. (3) Impedia a manifestação plena da Boa Nova de Deus,
pois se Deus é Pai/Mãe, nós somos irmãos e irmãs uns dos outros. E esta verdade
deve encontrar sua expressão na vida em comunidade. Uma comunidade viva e
fraterna é o espelho do rosto de Deus. Convivência humana sem comunidade é
espelho rachado que desfigura o rosto de Deus. Neste contexto, o pedido de
Jesus para “odiar pai e mãe” significava que os discípulos e as discípulas
deviam superar o fechamento individualista da pequena família sobre si mesma e
alargá-la para a dimensão da comunidade. Jesus mesmo praticou o que ensinou
para os outros. Sua família queria chamá-lo de volta e fechar-se sobre si
mesma. Quando lhe deram o aviso: “Olha, tua mãe e teus irmãos estão aí fora e
te procuram”, ele respondeu: “Quem é minha mãe e meus irmãos?. E olhando para
as pessoas ao redor ele disse: “Aqui estão minha mãe e meus irmãos. Quem faz a
vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe" (Mc 3,32-35).
Alargou a família! Aliás, este era e continua sendo até hoje o único caminho
para a pequena família poder preservar e transmitir os valor em que acredita.
* Mateus 10,38-39: As exigências da missão dos discípulos.
Nestes dois versículos Jesus dá dois conselhos importantes e exigentes: (1) Tomar a
cruz atrás de Jesus: Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de
mim. Para perceber todo o alcance deste primeiro conselho convém ter presente o
testemunho de São Paulo: “Quanto a mim, que eu não me glorie, a não ser na cruz
de nosso Senhor Jesus Cristo, por meio do qual o mundo foi crucificado para
mim, e eu para o mundo” (Gl 6,14). Carregar a cruz implica, até hoje, na
ruptura radical com o sistema iníquo vigente no mundo. (2) Ter a
coragem de doar a vida: Quem procura conservar a própria vida, vai perdê-la. E
quem perde a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. Só se sente realizado
na vida quem for capaz de doar-se inteiramente pelos outros. Perde a vida quem
quer conservá-la só para si. Este segundo conselho é a confirmação da mais
profunda experiência humana: a fonte da vida está na doação da vida. É dando
que se recebe. Se o grão de trigo não morrer, ..… (Jo 12,24).
* Mateus 10,40: A identificação do discípulo com Jesus e
com o próprio Deus. Esta experiência tão humana da doação e da entrega
recebe aqui um clarão, um aprofundamento: “Quem recebe a vocês, recebe a mim; e
quem me recebe, recebe aquele que me enviou”. É na doação total de si que o
discípulo se identifica com Jesus; que se realiza o encontro dele com Deus, e
que Deus se deixa encontrar por quem o procura.
* Mateus 10,41-42: A recompensa de profeta, de justo e de
discípulo. Para encerrar o Sermão da Missão segue uma frase sobre a
recompensa: Quem recebe um profeta, por ser profeta, receberá a recompensa de
profeta. E quem recebe um justo, por ser justo, receberá a recompensa de
justo. Quem der ainda que seja apenas um
copo de água fria a um desses pequeninos, por ser meu discípulo, eu garanto a
vocês: não perderá a sua recompensa. Nesta frase existe uma sequência muito
significativa: o profeta é reconhecido pela sua missão como enviado de Deus. O
justo é reconhecido pelo seu comportamento, pela sua maneira perfeita de
observar a lei de Deus. O discípulo é reconhecido por nenhuma qualidade ou
missão especial, mas simplesmente pela sua condição social de gente pequena. O
Reino não é feito de coisas grandes. É como um prédio muito grande que se
constrói com tijolos pequenos. Quem despreza o tijolo nunca vai ter o prédio.
Até um copo de água serve de tijolo na construção do Reino.
* Mateus 11,1: O final do Sermão da Missão. Fim do
Sermão da Missão. Quando Jesus terminou de dar essas instruções aos seus doze
discípulos, partiu daí, a fim de ensinar e pregar nas cidades deles. Agora
Jesus parte para praticar o que ensinou. É o que veremos nos próximos dias
meditando os capítulos 11 e 12 do evangelho de Mateus.
Para um confronto pessoal
1) Perder a vida para poder ganhá-la. Você já teve
alguma experiência de sentir-se recompensado/a por um ato de doação ou de
entrega gratuita de si aos outros?
2) Quem recebe a vocês, recebe a mim, e quem recebe a
mim, recebe aquele que me enviou. Pare e pense no que Jesus diz aqui: ele e o
próprio Deus se identificam com você.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
DEIXE AQUI SEU SUA SUGESTÃO