Santa Brígida, viúva e religiosa
São João Cassiano, presbítero
1ª Leitura (Jer
2,1-3.7-8.12-13): O Senhor dirigiu-me a palavra, dizendo: «Vai proclamar
aos ouvidos de Jerusalém: Assim fala o Senhor: Lembro-Me do afeto da tua
juventude, do amor do teu noivado, quando Me seguias no deserto, numa terra
onde não se semeia. Israel era então uma herança sagrada do Senhor, primícias
da sua colheita. Aqueles que a devoravam recebiam a paga: a desgraça caía sobre
eles – oráculo do Senhor –. Eu conduzi-vos a uma terra de pomares, para
comerdes dos seus ricos frutos. Mas logo que entrastes, profanastes a minha
terra e fizestes da minha herança um lugar abominável. Os sacerdotes não
perguntavam: ‘Onde está o Senhor?’. Os mestres da Lei não Me conheceram, os
guias do povo revoltaram-se contra Mim, os profetas vaticinaram em nome de Baal
e foram atrás de deuses que nada valem. Pasmai de tudo isto, ó céus, estremecei
de horror e espanto – diz o Senhor –, porque o meu povo cometeu dois pecados:
abandonaram-Me a Mim, fonte de água viva, e cavaram cisternas, cisternas rotas,
que não conservam a água».
Salmo Responsorial: 35
R. Em Vós, Senhor, está a fonte da vida.
Senhor, até aos céus se eleva a vossa bondade e até às
nuvens a vossa fidelidade. A vossa justiça é como os montes altíssimos, os
vossos juízos são como o abismo profundo.
Como é admirável, Senhor, a vossa bondade! À sombra das
vossas asas se refugiam os homens. Podem saciar-se da abundância da vossa casa
e Vós os inebriais com a torrente das vossas delícias.
Em Vós está a fonte da vida e é na vossa luz que vemos a
luz. Conservai a vossa bondade aos que Vos conhecem e a vossa justiça aos retos
de coração.
Aleluia. Bendito sejais, ó Pai, Senhor do céu e da terra,
porque revelastes aos pequeninos os mistérios do reino. Aleluia.
Evangelho (Mt 13,10-17): Naquele
tempo, os discípulos aproximaram-se e disseram a Jesus: «Por que lhes falas em
parábolas?». Ele respondeu: «Porque a vós foi dado conhecer os mistérios do
Reino dos Céus, mas a eles não. Pois a quem tem será dado ainda mais, e terá em
abundância; mas a quem não tem será tirado até o que tem. Por isto eu lhes falo
em parábolas: porque olhando não enxergam e ouvindo não escutam, nem entendem.
Deste modo se cumpre neles a profecia de Isaías: ‘Por mais que escuteis, não
entendereis, por mais que olheis, nada vereis. Pois o coração deste povo se
endureceu, e eles ouviram com o ouvido indisposto. Fecharam os seus olhos, para
não verem com os olhos, para não ouvirem com os ouvidos, nem entenderem com o
coração, nem se converterem para que eu os pudesse curar’. Felizes são vossos
olhos, porque veem, e vossos ouvidos, porque ouvem! Em verdade vos digo, muitos
profetas e justos desejaram ver o que estais vendo, e não viram; desejaram
ouvir o que estais ouvindo, e não ouviram».
«Felizes são vossos olhos, porque veem, e vossos ouvidos,
porque ouvem!»
Rev. D. Manel MALLOL Pratginestós (Terrassa, Barcelona,
Espanha)
Hoje, recordamos o “louvor” dirigido por Jesus aos que se
juntavam a Ele: «felizes são vossos olhos, porque veem, e vossos ouvidos,
porque ouvem!» (Mt 13,16). E perguntamo-nos: Estas palavras de Jesus dirigem-se
também a nós, ou são somente para aqueles que O viram e escutaram diretamente?
Parece que os felizes são eles, pois tiveram a sorte de conviver com Jesus, de
permanecer fisicamente e de modo sensível a seu lado. Enquanto nós estaríamos
antes entre os justos e profetas - sem sermos justos, nem profetas! - que
gostariam de O ver e ouvir.
Não esqueçamos, porém, que o Senhor se refere aos justos e
profetas anteriores à sua vinda, à sua revelação: «Garanto-vos que muitos
profetas e justos desejaram ver o que estais vendo, mas não viram» (Mt 10,17).
Com Ele chega a plenitude dos tempos, e nós estamos nessa plenitude, já estamos
no tempo de Cristo, no tempo da salvação. É verdade que não vimos Jesus com os
nossos olhos, mas conhecemo-Lo. E não escutámos a sua voz com os nossos
ouvidos, mas sim escutámos e escutaremos as suas palavras. O conhecimento que a
fé nos dá, embora não seja sensível, é um conhecimento autêntico, põe-nos em
contacto com a verdade e, por isso, nos dá a felicidade e a alegria.
Agradeçamos a nossa fé cristã, contentes com ela. Tentemos
que o trato com Jesus seja próximo e não distante, tal como o tratavam aqueles
discípulos que estavam junto a Ele, que O viram e ouviram. Não olhemos para
Jesus indo do presente ao passado, e sim do presente ao presente, estamos
realmente no seu tempo, um tempo que não acaba. A oração - falar com Deus -, e
a Eucaristia – recebê-Lo – garantem-nos esta proximidade e fazem-nos realmente
felizes ao vê-Lo com olhos e ouvidos de fé. «Recebe, pois, a imagem de Deus que
perdeste pelas tuas más obras» (Santo Agostinho).
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Porque ao que tem vai se lhe dar. Como se dizer: a aquele
que tem desejo e zelo vai se lhe dar tudo o que vem de Deus; pelo contrário, a
aquele que está privado de esse desejo e não por de sua parte quanto pode para
o conseguir, esse não receberá os dons de Deus» (São João Crisóstomo)
«” Por que lhes falas em parábolas? Para estimular
precisamente a decisão, a conversão do coração. As parábolas, por sua natureza,
requerem um esforço de interpretação, interpelam a inteligência, mas também a
liberdade» (Bento XVI)
«O Reino dos céus foi inaugurado na terra por Cristo.
“Resplandece para os homens na palavra, nas obras e na presença de Cristo”
(Concilio Vaticano II). A Igreja é o gérmen e o princípio deste Reino (...)»
(Catecismo da Igreja Católica, n° 567)
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
* O Capítulo 13 traz o Sermão das Parábolas. Seguindo
o texto de Marcos (Mc 4,1-34), Mateus omitiu a parábola da semente que germina
sozinha (Mc 4,26-29), ampliou a discussão sobre o porquê das parábolas (Mt
13,10-17) e acrescentou as parábolas do joio e do trigo (Mt 13,24-30), do
fermento (Mt 13,33), do tesouro (Mt 13,44), da pérola (Mt 13,45-46) e da rede
(Mt 13,47-50). Junto com as do semeador (Mt 13,4-11) e do grão de mostarda (Mt
13,31-32), são ao todo sete parábolas no Sermão das Parábolas (Mt 13,1-50).
* Mateus 13,10: A pergunta. No evangelho de Marcos,
os discípulos pedem uma explicação das parábolas (Mc 4,10). Aqui em Mateus, a
perspectiva é outra. Eles querem saber por que Jesus, quando fala ao povo, só
fala em parábolas: "Por que usas parábolas para falar com eles?" Qual
o motivo desta diferença?
* Mateus 13,11-13: A vocês é dado conhecer o mistério do
Reino. Jesus responde: "Porque a vocês foi dado conhecer os mistérios
do Reino do Céu, mas a eles não. Pois, a quem tem, será dado ainda mais, será
dado em abundância; mas daquele que não tem, será tirado até o pouco que tem”.
Por que será que aos apóstolos era dado conhecer, e aos outros não? Uma
comparação para ajudar na compreensão. Duas pessoas escutam a mãe ensinar:
"quem ama não corta casaco". Uma das duas é filha e outra não. A
filha entendeu e a outra não entendeu nada. Por que? É que na casa da mãe a
expressão "cortar casaco" significava caluniar. Assim, o ensinamento
da mãe ajudou a filha a entender melhor como praticar o amor. Cresceu nela
aquilo que ela já sabia. A quem tem, será dado ainda mais. A outra pessoa não
entendeu nada e perdeu até o pouco que pensava entender a respeito de amor e de
casaco. Ficou confusa e não conseguiu entender o que o amor tem a ver com
casaco. Daquele que não tem, será tirado até o pouco que tem. Uma parábola
revela e esconde ao mesmo tempo! Revela para “os de dentro”, que aceitam Jesus
como Messias Servo. Esconde para os que insistem em dizer que o Messias será e
deve ser um Rei Glorioso. Estes entendem as imagens da parábola, mas não chegam
a entender o seu significado. Enquanto os discípulos crescem naquilo que já
sabem a respeito do Messias. Os outros não entendem nada e perdem até o pouco
que pensavam saber sobre o Reino e o Messias.
* Mateus 13,14-15: A realização da profecia de Isaías. Como
da outra vez (Mt 12,18-21), nesta reação diferente do povo e dos fariseus
frente ao ensinamento das parábolas, Mateus vê novamente uma realização da
profecia de Isaías. Ele até cita por extenso o texto de Isaías que fala por si:
“É certo que vocês ouvirão, porém nada compreenderão. É certo que vocês
enxergarão, porém nada verão. Porque o coração desse povo se tornou insensível.
Eles são duros de ouvido e fecharam os olhos, para não ver com os olhos, e não
ouvir com os ouvidos, não compreender com o coração e não se converter. Assim
eles não podem ser curados”.
* Mateus 13,16-17: Felizes os olhos que veem o que vocês
estão vendo. Tudo isso explica a frase final: “Vocês, porém, são felizes,
porque seus olhos veem e seus ouvidos ouvem.
Eu garanto a vocês: muitos profetas e justos desejaram ver o que vocês
estão vendo, e não puderam ver; desejaram ouvir o que vocês estão ouvindo, e
não puderam ouvir”.
* As parábolas: um novo jeito de falar ao povo sobre Deus.
O povo ficava impressionado com o jeito que Jesus tinha de ensinar. “Um
novo ensinamento! Dado com autoridade! Diferente dos escribas!” (Mc 7,28).
Jesus tinha uma capacidade muito grande de encontrar imagens bem simples para
comparar as coisas de Deus com as coisas da vida que o povo conhecia e
experimentava na sua luta diária pela sobrevivência. Isto supõe duas coisas:
estar por dentro das coisas da vida do povo, e estar por dentro das coisas de
Deus, do Reino de Deus. Em algumas parábolas acontecem coisas que não costumam
acontecer na vida. Por exemplo, onde se viu um pastor de cem ovelhas abandonar
noventa e nove para encontrar aquela única que se perdeu? (Lc 15,4) Onde se viu
um pai acolher com festa o filho devasso, sem dar nenhuma palavra de censura?
(Lc 15,20-24). Onde se viu um samaritano ser melhor que o levita e o sacerdote?
(Lc 10,29-37). A parábola provoca para pensar. Ela leva a pessoa a se envolver
na história a partir da sua própria experiência de vida. Faz com que nossa
própria experiência nos leve a descobrir que Deus está presente no cotidiano da
nossa vida. A parábola é uma forma participativa de ensinar, de educar. Não dá
tudo trocado em miúdo. Não faz saber, mas faz descobrir. A parábola muda os
olhos, faz a pessoa ser contemplativa, observadora da realidade. Aqui está a
novidade do ensino das parábolas de Jesus, diferente dos doutores que ensinavam
que Deus só se manifestava na observância da lei. Para Jesus, “o Reino não é
fruto de observância. O Reino está presente no meio de vocês!” (Lc 17,21). Mas
os ouvintes nem sempre o percebiam.
Para um confronto pessoal
1) Jesus disse: “A vocês foi dado conhecer os
mistérios do Reino”. Quando leio os evangelhos, sou como os que não entendem
nada ou como aqueles a quem é dado conhecer o Reino?
2) Qual a parábola de Jesus com mais me identifica?
Por que°
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