Beata Joana Scopélli, virgem
da nossa Ordem
Sta Paulina do Coração de
Jesus Agonizante, virgem
1ª Leitura (Os 11,1-4.8c-9): Eis
o que diz o Senhor: «Quando Israel era ainda criança, já Eu o amava; e, para o
fazer sair do Egipto, chamei o meu filho. Mas quanto mais Eu os chamava, mais
eles se afastavam de Mim. Ofereciam sacrifícios a Baal e queimavam incenso aos
ídolos. Contudo, Eu ensinava Efraim a andar e trazia-o nos braços; mas não
compreenderam que era Eu quem cuidava deles. Atraía-os com laços humanos, com
vínculos de amor. Tratava-os como quem pega um menino ao colo, inclinava-Me
para lhes dar de comer. O meu coração agita-se dentro de Mim, estremece de
compaixão. Não cederei ao ardor da minha ira, nem voltarei a destruir Efraim.
Porque Eu sou Deus e não homem, sou o Santo no meio de ti e não venho para
destruir».
Salmo Responsorial: 79
R. Mostrai-nos, Senhor, o vosso rosto e seremos salvos.
Pastor de Israel, escutai, Vós que estais sentado sobre os
Querubins, aparecei. Despertai o vosso poder e vinde em nosso auxílio.
Deus dos Exércitos, vinde de novo, olhai dos céus e vede,
visitai esta vinha. Protegei a cepa que a vossa mão direita plantou, o rebento
que fortalecestes para Vós.
Aleluia. Está próximo o reino de Deus: arrependei-vos e
acreditai no Evangelho. Aleluia.
Evangelho (Mt 10,7-15): Naquele
tempo, disse Jesus a seus discípulos: «No vosso caminho, proclamai: O Reino dos
Céus está próximo. Curai doentes, ressuscitai mortos, purificai leprosos,
expulsai demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar! Não leveis ouro,
nem prata, nem dinheiro à cintura; nem sacola para o caminho, nem duas túnicas,
nem sandálias, nem bastão, pois o trabalhador tem direito a seu sustento. Em
qualquer cidade ou povoado em que entrardes, procurai saber quem ali é digno e
permanecei com ele até a vossa partida. Ao entrardes na casa, saudai-a: se a
casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; se ela não for digna, volte para
vós a vossa paz. Se alguém não vos receber, nem escutar vossas palavras, saí
daquela casa ou daquela cidade e sacudi a poeira dos vossos pés. Em verdade,
vos digo: no dia do juízo, a terra de Sodoma e Gomorra receberá uma sentença
menos dura do que aquela cidade».
«No vosso caminho, proclamai: O Reino dos Céus está
próximo»
Rev. D. Antonio BORDAS i Belmonte (L’Ametlla de Mar,
Tarragona, Espanha)
Hoje, o texto do Evangelho convida-nos a evangelizar;
diz-nos: «Pregai» (cf. Mt 10,7). O anúncio é a boa nova de Jesus, que tenta
falar-nos sobre o reino de Deus, que Ele é nosso salvador, enviado pelo Pai ao
mundo e, por este motivo, o único que nos pode renovar desde o nosso interior e
mudar a sociedade em que vivemos.
Jesus anunciava que «o Reino dos Céus está próximo» (Mt
10,7). Ele anunciava o reino de Deus, que se fazia presente entre os homens e
mulheres à medida que o bem avançava e o mal retrocedia.
Jesus quer a salvação do homem total, seu corpo e seu
espírito; mais ainda, perante o enigma que preocupa a humanidade, que é a
morte, Jesus propõe a ressurreição. Quem vive morto pelo pecado, quando
recupera a graça, experimenta uma nova vida. Este é um grande mistério que
começamos a experimentar a partir de nosso baptismo: os cristãos estamos
chamados à ressurreição.
Uma amostra de como o Papa Francisco procura o bem do homem:
«Esta ‘cultura do descarte’ tornou-nos insensíveis também ao esbanjamento e ao
desaproveitamento de alimentos. Outrora, os nossos avós prestavam muita atenção
a não perder nada da comida que sobejava. A comida que se desaproveita é como
se fosse roubada da mesa do pobre, de quantos têm fome!».
Jesus diz-nos que sejamos sempre portadores de paz. Quando
os sacerdotes levam a Comunhão a um enfermo dizem: «A paz do Senhor esteja
nesta casa!». E a paz de Cristo permanece aí, se houver pessoas dignas dela.
Para receber os dons do reino de Deus é necessário ter boa disposição interior.
Por outro lado, também vemos como muita gente dá desculpas para não receber o
Evangelho.
Temos uma grande responsabilidade entre os homens: é que,
depois de crer, não podemos deixar de anunciar o Evangelho, porque vivemos dele
e queremos que outros também vivam.
«Não leveis nem ouro, nem prata (...) para o caminho»
Rev. D. David COMPTE i Verdaguer (Manlleu, Barcelona,
Espanha)
Hoje, até o imprevisível queremos prever. Hoje, se
multiplicam os serviços em domicílio. E se hoje falamos tanto de paz, talvez
seja porque temos muita necessidade dela. Hoje, o Evangelho nos fala exatamente
desses vários “hoje”. Mas vamos por partes.
Queremos prever até o imprevisível: em breve estaremos
fazendo um seguro para o caso do nosso seguro falhar. Ou então quando
comprarmos uma calça o vendedor nos vai oferecer um modelo com manchas ou com o
desbotado já incluído! O Evangelho de hoje, com a sua proposta de irmos sem
bagagem («Não leveis nem ouro nem prata...»), nos convida à confiança e à
disponibilidade. Mas nos alerta: isto não significa um descuido nem tampouco
improviso. Viver esta realidade só é possível quando nossa vida está enraizada
no fundamental: na pessoa de Cristo. Como dizia o Papa João Paulo II, «é
necessário respeitar um princípio essencial da visão cristã de vida: a primazia
da graça (...). Não se há de esquecer que, sem Cristo, nada podemos fazer» (cf.
Jo 15,5).
Também afirmamos que hoje proliferam os serviços em
domicílio: não cozinhamos mais em casa, agora o arroz com feijão é feito para
você, na sua casa, por outros. Isto é um exemplo de como a sociedade pretende
se organizar prescindindo dos outros. Hoje Jesus nos diz: «Ide»; saí. Isto quer
dizer, preocupe-se com quem está ao seu lado. Estejamos, portanto atentos e
abertos para as necessidades dos mais próximos.
Férias! Uma paisagem tranquila... Serão sinônimos de paz?
Talvez devêssemos duvidar disto. Às vezes é um descanso para as angústias
interiores, que mais adiante voltarão a despertar. Nós cristãos sabemos que
somos portadores de paz, e mais ainda, que esta paz impregna todo nosso ser
—mesmo quando à nossa volta o ambiente seja hostil— na medida em que seguirmos
de perto a Jesus.
Deixemos que Jesus nos toque, pela força do Cristo de Hoje!
E..., «quem encontrou verdadeiramente a Cristo não deve guardá-Lo só para si,
deve anunciá-Lo» (João Paulo II).
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Os milagres visíveis brilham para atrair os corações
daqueles que os admiram pela fé nas coisas invisíveis, muito mais admiráveis»
(São Gregório Magno)
«Os santos são os que mais podem nos ajudar a compreender o
sentido profundo das Bem-aventuranças» (Francisco)
«(…) É impossível alguém apropriar-se dos bens espirituais e
comportar-se a respeito deles como proprietário ou dono, pois eles têm a sua
fonte em Deus, e só d'Ele se podem receber gratuitamente» (Catecismo da Igreja
Católica, nº 2.121)
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
* O evangelho de hoje traz a segunda parte do envio dos
discípulos. Ontem vimos a insistência de Jesus em dirigir-se primeiro para
as ovelhas perdidas de Israel. Hoje, veremos as instruções concretas de como
realizar a missão.
* Mateus 10,7: O objetivo da missão: revelar a presença
do Reino. “Vão e anunciem: O Reino do Céu está próximo”. O objetivo
principal é anunciar a proximidade do Reino. Aqui está a novidade trazida por
Jesus. Para os outros judeus ainda faltava muito para o Reino poder chegar. Só
chegaria, depois que eles tivessem realizado a sua parte. A chegada do Reino
dependia do esforço deles. Para os fariseus, por exemplo, o Reino só chegaria
quando a observância da Lei fosse perfeita. Para os Essênios, quando o país
fosse purificado. Jesus pensa diferente. Ele tem outra maneira de ler os fatos.
Ele diz que o prazo já se esgotou (Mc 1,15). Quando ele diz que o Reino está
próximo ou que o Reino chegou, Jesus não quer dizer que o Reino estava chegando
só naquele momento, mas sim que já estava aí, independentemente do esforço
feito pelo povo. Aquilo que todos esperavam, já estava presente no meio do
povo, gratuitamente, mas o povo não o sabia, nem o percebia (cf. Lc 17,21).
Jesus o percebeu! Pois ele lia a realidade com um olhar diferente. E é esta
presença escondida do Reino no meio do povo, que ele vai revelar e anunciar aos
pobres da sua terra (Lc 4,18). Esta é a semente de mostarda que vai receber a
chuva da sua palavra e o calor do seu amor.
* Mateus 10,8: Os sinais da presença do Reino: acolher os
excluídos. Como anunciar a presença do Reino? Só por meio de palavras e
discursos? Não! Os sinais da presença do Reino são antes de tudo gestos
concretos, realizados de graça: “Curem os doentes, ressuscitem os mortos,
purifiquem os leprosos, expulsem os demônios. Vocês receberam de graça, deem
também de graça”. Isto significa que os discípulos devem acolher para dentro da
comunidade os que dela foram excluídos. Esta prática solidária critica tanto a
religião como a sociedade excludente, e aponta saídas concretas.
* Mateus 10,9-10: Não levar nada no caminho. Ao
contrário dos outros missionários, os discípulos e as discípulas de Jesus não
podem levar nada: “Não levem nos cintos moedas de ouro, de prata ou de cobre;
nem sacola para o caminho, nem duas túnicas, nem calçados, nem bastão, porque o
operário tem direito ao seu alimento”. Isto significa que devem confiar na
hospitalidade do povo. Pois o discípulo que vai sem nada levando apenas a paz
(Mc 10,13), mostra que confia no povo. Acredita que vai ser acolhido, que vai
poder participar da vida e do trabalho do povo do lugar e que vai poder
sobreviver com aquilo que receberá em troca, pois o operário direito ao seu
alimento. Isto significa que os discípulos devem confiar na partilha Por meio
desta prática eles criticam as leis de exclusão e resgatam os antigos valores
da convivência comunitária.
* Mateus 10,11-13: Partilhar a paz na comunidade. Os
discípulos não devem andar de casa em casa, mas devem procurar uma pessoa de
Paz e permanecer nesta casa. Isto é, devem conviver de maneira estável. Assim,
por meio desta nova prática, criticam a cultura de acumulação que marcava a
política do Império Romano, e anunciam um novo modelo de convivência. Caso
todas estas exigências forem preenchidas, os discípulos podem gritar: O Reino
chegou! Anunciar o Reino não consiste, em primeiro lugar, em ensinar verdades e
doutrinas, mas sim em provocar a uma nova maneira fraterna de viver e de
conviver a partir da Boa Nova que Jesus nos trouxe de que Deus é Pai e Mãe de
todos e de todas.
* Mateus 10,14-15: A severidade da ameaça. Como
entender esta ameaça tão severa? É que Jesus não veio trazer uma coisa
totalmente nova. Ele veio resgatar os valores comunitários do passado: a
hospitalidade, a partilha, a comunhão de mesa, a acolhida aos excluídos. Isto
explica a severidade contra os que recusam a mensagem. Pois eles não recusam
algo novo, mas sim o seu próprio passado, a sua própria cultura e sabedoria! A
pedagogia de Jesus tem por objetivo desenterrar a memória, resgatar a sabedoria
do povo, reconstruir a comunidade, renovar a Aliança, refazer a vida.
Para um confronto pessoal
1) Como realizar hoje a recomendação de não levar
nada no caminho quando se vai em missão?
2) Jesus manda procurar uma pessoa de paz, para poder
viver na casa dela. Quais seria hoje uma pessoa de paz a quem nos dirigir no
anúncio da Boa Nova?
Nenhum comentário:
Postar um comentário
DEIXE AQUI SEU SUA SUGESTÃO