Bta Mª Felícia de Jesus
Sacramentado, virgem de nossa Ordem
S. Pedro Chanel, presbítero e
mártir
S. Luís Maria Grignion de
Montfort, presbítero
Sta. Gianna Beretta Molla, leiga
1ª Leitura (At 11,19-26): Naqueles
dias, os irmãos que se tinham dispersado, devido à perseguição desencadeada
pelo caso de Estêvão, caminharam até à Fenícia, Chipre e Antioquia. Mas
anunciavam a palavra apenas aos judeus. Houve, contudo, entre eles alguns
homens de Chipre e de Cirene, que, ao chegarem a Antioquia, começaram a falar
também aos gregos, anunciando-lhes o Senhor Jesus. A mão do Senhor estava com
eles e foi grande o número dos que abraçaram a fé e se converteram ao Senhor. A
notícia chegou aos ouvidos da Igreja de Jerusalém e mandaram Barnabé a
Antioquia. Quando este chegou e viu a ação da graça de Deus, encheu-se de
alegria e exortou a todos a que se conservassem fiéis ao Senhor, de coração
sincero; era realmente um homem bom e cheio do Espírito Santo e de fé. Assim
uma grande multidão aderiu ao Senhor. Então Barnabé foi a Tarso procurar Saulo
e, tendo-o encontrado, trouxe-o para Antioquia. Passaram juntos nesta Igreja um
ano inteiro e ensinaram muita gente. Foi em Antioquia que, pela primeira vez,
se deu aos discípulos o nome de «cristãos».
Salmo Responsorial: 86
R. Povos da terra, louvai o Senhor.
O Senhor ama a cidade, por Ele fundada sobre os montes
santos; ama as portas de Sião mais que todas as moradas de Jacob. Grandes
coisas se dizem de ti, ó cidade de Deus.
Contarei o Egipto e a Babilónia entre os meus adoradores; a
Filisteia, Tiro e a Etiópia, uns e outros ali nasceram. E dir-se-á em Sião:
«Todos lá nasceram, o próprio Altíssimo a consolidou».
O Senhor escreverá no registo dos povos: «Este nasceu em
Sião». E irão dançando e cantando: «Todas as minhas fontes estão em ti».
Aleluia. As minhas ovelhas ouvem a minha voz, diz o
Senhor; Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me. Aleluia.
Evangelho (Jo 10,22-30): Em
Jerusalém celebrava-se a festa da Dedicação. Era inverno. Jesus andava pelo
templo, no pórtico de Salomão. Os judeus, então, o rodearam e disseram-lhe:
«Até quando nos deixarás em suspenso? Se tu és o Cristo, dize-nos
abertamente!». Jesus respondeu: «Eu já vos disse, mas vós não acreditais. As
obras que eu faço em nome do meu pai dão testemunho de mim. Vós, porém, não
acreditais, porque não sois das minhas ovelhas. As minhas ovelhas escutam a
minha voz, eu as conheço e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna. Por isso,
elas nunca se perderão e ninguém vai arrancá-las da minha mão. Meu Pai, que me
deu estas ovelhas, é maior do que todos, e ninguém pode arrancá-las da mão do
Pai. Eu e o Pai somos um».
«Eu e o Pai somos um»
Rev. D. Miquel MASATS i Roca (Girona, Espanha)
Hoje, vemos Jesus que «andava pelo Templo, no pórtico de
Salomão» (Jo 10,23), durante a festa da Dedicação em Jerusalém. Então, os
judeus pedem-lhe: «Se tu és o Cristo, diz-nos abertamente», e Jesus
responde-lhes: «Eu já vos disse, mas vós não acreditais» (Jo 10,24.25).
Só a fé dá ao homem a capacidade de reconhecer Jesus Cristo
como o Filho de Deus. No ano de 2000, João Paulo II, no encontro com os jovens
em Tor Vergata, falava do “laboratório da fé”. Há muitas respostas para a
pergunta «Quem dizem as multidões que eu sou?» (Lc 9,18) … Depois, porém, Jesus
passa para o plano pessoal: «E vós, quem dizeis que eu sou?» Para responder
corretamente a esta pergunta é necessária a “revelação do Pai”. Para responder
como Pedro — «Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo» (Mt 16,16)— faz falta a
graça de Deus.
Contudo, embora Deus queira que todas as pessoas acreditem e
se salvem, só os homens humildes têm a capacidade de acolher este dom. «Entre
os humildes está a sabedoria», lê-se no livro dos Provérbios (11,2). A
verdadeira sabedoria do homem consiste em confiar em Deus.
Santo Tomás de Aquino comenta esta passagem do Evangelho
dizendo: «Consigo ver graças à luz do sol, mas se fechar os olhos, não vejo;
porém a culpa não é do sol, mas minha».
Jesus diz-lhes que, se não creem, que acreditem, pelo menos,
devido às obras que faz, que manifestam o poder de Deus. «As obras que eu faço
em nome do meu pai dão testemunho de mim» (Jo 10,25).
Jesus conhece as suas ovelhas e as suas ovelhas escutam a
Sua voz. A fé leva à intimidade com Jesus na oração. O que é a oração senão o
trato com Jesus Cristo, que sabemos que nos ama e nos conduz ao Pai? O
resultado e o prêmio desta intimidade com Jesus nesta vida, é a vida eterna,
como lemos no Evangelho.
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Deus é o ser infinitamente perfeito que é a Santíssima
Trindade» (Santo Toribio de Mogrovejo)
«A vida no seu verdadeiro sentido não a temos só para nós,
nem só por nós próprios: é uma relação. Se estamos em relação com Aquele que
não morre, então estamos na vida. Então “vivemos”» (Bento XVI)
«Movidos pela graça do Espírito Santo e atraídos pelo Pai,
nós cremos e confessamos a respeito de Jesus: ‘Tu és o Cristo, o Filho de Deus
vivo’ (Mt 16, 16). Foi sobre o rochedo desta fé, confessada por Pedro, que
Cristo edificou a sua Igreja» (Catecismo da Igreja Católica, nº 424)
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
* Os capítulos 1 a 12 do evangelho de João são chamados
“O Livro dos Sinais”. Neles acontece a revelação progressiva do Mistério de
Deus em Jesus. Na mesma medida em que Jesus vai fazendo a revelação, crescem a
adesão e a oposição a ele de acordo com a visão com que cada um espera a
chegada do Messias. Esta maneira de descrever a atividade de Jesus não é só
para informar como a adesão a Jesus acontecia naquele tempo, mas também e
sobretudo como ela deve acontecer hoje em nós, seus leitores e suas leitoras.
Naquele tempo, todos esperavam a chegada do Messias e tinham os seus critérios
para poder reconhecê-lo. Queriam que ele fosse do jeito que eles o imaginavam.
Mas Jesus não se submete a esta exigência. Ele revela o Pai do jeito que o Pai
é e não do jeito que o auditório o gostaria. Ele pede conversão no modo de
pensar e de agir. Hoje também, cada um
de nós tem os seus gostos e preferências. Às vezes, lemos o evangelho para ver
se encontramos nele a confirmação dos nossos desejos. O evangelho de hoje traz
uma luz a este respeito.
* João 10,22-24: Os Judeus interpelam Jesus. Era frio. Mês de outubro. Festa da dedicação
que celebrava a purificação do templo feita por Judas Macabeu (2Mc 4,36.59).
Era uma festa bem popular de muitas luzes. Jesus anda na esplanada do Templo,
no Pórtico de Salomão. Os judeus o questionam: "Até quando nos irás deixar
em dúvida? Se tu és o Messias, dize-nos abertamente". Eles querem que
Jesus se defina e que eles possam verificar, a partir dos critérios deles, se
Jesus é ou não é o Messias. Querem provas. É a atitude de quem se sente dono da
situação. Os novatos devem apresentar suas credenciais. Do contrário não terão
direito de falar e de atuar.
* João 10,25-26: Resposta de Jesus: as obras que faço dão
testemunho de mim. A resposta de
Jesus é sempre a mesma: "Eu já disse, mas vocês não acreditam em mim. As
obras que eu faço em nome do meu Pai, dão testemunho de mim; vocês, porém, não
querem acreditar, porque vocês não são minhas ovelhas”. Não se trata de dar
provas. Nem adiantaria. Quando uma pessoa não quer aceitar o testemunho de
alguém, não há prova que o leve a pensar diferente. O problema de fundo é a
abertura desinteressada da pessoa para Deus e para a verdade. Onde houver esta
abertura, Jesus é reconhecido pelas suas ovelhas. “Quem é pela verdade escuta
minha voz” dirá Jesus mais adiante a Pilatos (Jo 18,37). Esta abertura estava
faltando nos fariseus.
* João 10,27-28: As minhas ovelhas conhecem minha voz. Jesus retoma a parábola do Bom Pastor que
conhece suas ovelhas e é conhecido por elas. Este mútuo entendimento - entre
Jesus que vem em nome do Pai e as pessoas que se abrem para a verdade - é fonte
de vida eterna. Esta união entre o criador e a criatura através de Jesus supera
a ameaça da morte: “Elas jamais perecerão e ninguém as arrebatará de minha
mão!” Estão seguras e salvas e, por isso mesmo, em paz e com plena liberdade.
* João 10,29-30:
Eu e o Pai somos um. Estes dois
versículos abordam o mistério da unidade entre Jesus e o Pai: “Meu Pai, que
tudo entregou a mim, é maior do que todos. Ninguém pode arrancar coisa alguma
da mão do Pai. O Pai e eu somos um”. Esta e várias outras frases nos deixam
entrever algo deste mistério maior: “Quem vê a mim vê o Pai” (Jo 14,9). “Eu
estou no Pai e o Pai está em mim” (Jo 10,38). Esta unidade entre Jesus e o Pai
não é automática, mas é fruto da obediência: “Eu sempre faço o que o Pai me mostra que é para fazer”
(Jo 8,29; 6,38; 17,4). “Meu alimento é fazer a vontade do Pai (Jo 4,34; 5,30).
A carta aos hebreus diz que Jesus teve que aprender, através do sofrimento, o
que é ser obediente (Hb 5,8). “Ele foi obediente até à morte, e morte de Cruz”
(Fl 2,8). A obediência de Jesus não é disciplinar, mas é profética. Ele obedece
para ser total transparência e, assim, ser revelação do Pai. Por isso, ele
podia dizer: “Eu e o pai somos um!” Foi um longo processo de obediência e de
encarnação que durou 33 anos. Começou com o Sim de Maria (Lc 1,38) e terminou
com “Tudo está consumado!” (Jo 19,30).
Para um confronto pessoal
1) Minha obediência a Deus é disciplinar ou
profética? Revelo algo de Deus ou só me preocupa com a minha própria salvação?
2) Jesus não se submeteu às exigências dos que
queriam verificar se ele era mesmo o messias. Existe em mim algo desta atitude
dominadora e inquisidora dos adversários de Jesus?
Nenhum comentário:
Postar um comentário
DEIXE AQUI SEU SUA SUGESTÃO