sexta-feira, 10 de abril de 2026

II Domingo da Páscoa – DOMINGO DA DIVINA MISERICÓRDIA

1ª Leitura (At 4,32-35):
A multidão dos que haviam abraçado a fé tinha um só coração e uma só alma; ninguém chamava seu ao que lhe pertencia, mas tudo entre eles era comum. Os Apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus com grande poder e gozavam todos de grande simpatia. Não havia entre eles qualquer necessitado, porque todos os que possuíam terras ou casas vendiam-nas e traziam o produto das vendas, que depunham aos pés dos Apóstolos. Distribuía-se então a cada um conforme a sua necessidade.
 
Salmo Responsorial: 117
R. Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, porque é eterna a sua misericórdia.
 
Diga a casa de Israel: é eterna a sua misericórdia. Diga a casa de Aarão: é eterna a sua misericórdia. Digam os que temem o Senhor: é eterna a sua misericórdia.
 
A mão do Senhor fez prodígios, a mão do Senhor foi magnífica. Não morrerei, mas hei-de viver, para anunciar as obras do Senhor. Com dureza me castigou o Senhor, mas não me deixou morrer.
 
A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se pedra angular. Tudo isto veio do Senhor: é admirável aos nossos olhos. Este é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria.
 
2ª Leitura (1Jo 5,1-6): Caríssimos: Quem acredita que Jesus é o Messias, nasceu de Deus, e quem ama Aquele que gerou ama também Aquele que nasceu d’Ele. Nós sabemos que amamos os filhos de Deus quando amamos a Deus e cumprimos os seus mandamentos, porque o amor de Deus consiste em guardar os seus mandamentos. E os seus mandamentos não são pesados, porque todo o que nasceu de Deus vence o mundo. Esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé. Quem é o vencedor do mundo senão aquele que acredita que Jesus é o Filho de Deus? Este é o que veio pela água e pelo sangue: Jesus Cristo; não só com a água, mas com a água e o sangue. É o Espírito que dá testemunho, porque o Espírito é a verdade.
 
Aleluia. Disse o Senhor a Tomé: «Porque Me viste, acreditaste; felizes os que acreditam sem terem visto». Aleluia.
 
Evangelho (Jo 20,19-31): Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, os discípulos estavam reunidos, com as portas fechadas por medo dos judeus. Jesus entrou e pôs-se no meio deles. Disse: «A paz esteja convosco». Dito isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos, então, se alegraram por verem o Senhor. Jesus disse, de novo: «A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou também eu vos envio». Então, soprou sobre eles e falou: «Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, serão perdoados; a quem os retiverdes, ficarão retidos». Tomé, chamado Gêmeo, que era um dos Doze, não estava com eles quando Jesus veio. Os outros discípulos contaram-lhe: «Nós vimos o Senhor!». Mas Tomé disse: «Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos, se eu não puser a mão no seu lado, não acreditarei». Oito dias depois, os discípulos encontravam-se reunidos na casa, e Tomé estava com eles. Estando as portas fechadas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». Depois disse a Tomé: «Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado e não sejas incrédulo, mas crê!». Tomé respondeu: «Meu Senhor e meu Deus!». Jesus lhe disse: «Creste porque me viste? Bem-aventurados os que não viram, e creram!». Jesus fez diante dos discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.
 
«A quem perdoardes os pecados, serão perdoados»
 
Rev. D. Fernando VÁZQUEZ-DODERO Romero (Terrassa, Barcelona, Espanha)
 
Hoje, a Igreja convida-nos a celebrar a misericórdia do Senhor, esse amor imenso e delicado de Deus, que nos ama apesar de sermos tão pouca coisa. Durante toda a Semana Santa contemplámos até que ponto pode chegar a nossa miséria e, sobretudo, quão grande e misericordioso é o amor de Deus.
 
No Evangelho de hoje encontramos um novo sinal de que o seu amor quer alcançar até os recantos mais obscuros do nosso coração. Contemplamos como Jesus Cristo quer perdoar os pecados através dos seus discípulos: «Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, serão perdoados» (Jo 20,23). Deus ama-nos a tal ponto que deseja sempre perdoar-nos. Quer fazer-Se presente em toda a nossa vida e na nossa história; quer descer até à profundidade do nosso pecado para nos amar e transformar completamente, em tudo o que diz respeito à nossa pessoa.
 
O Papa Leão XIV, contemplando o Sábado Santo, dizia: «É o dia em que o céu visita a terra mais profundamente. É o tempo em que cada recanto da história humana é tocado pela luz da Páscoa. E se Cristo pôde descer até lá, nada pode ser excluído da sua redenção. Nem as nossas noites, nem sequer as nossas culpas mais antigas, nem mesmo os nossos laços rompidos. Não há passado tão arruinado, não há história tão comprometida que não possa ser tocada pela misericórdia!».
 
Assim é o amor de Deus: um amor como não há outro, que abraça a nossa miséria e quer perdoar-nos para nos devolver sempre à luz. E quer fazê-lo de um modo ainda mais surpreendente: «Como o Pai me enviou também eu vos envio» (Jo 20,21). Ou seja, quer fazê-lo através da Igreja, por meio de outros homens — os sacerdotes — também pecadores, como aquele que se confessa, mas chamados a ser testemunhas e instrumentos da sua misericórdia.
 
«Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, serão perdoados»
 
Rev. D. Joan Ant. MATEO i García (Tremp, Lleida, Espanha)
 
Hoje, segundo Domingo da Páscoa, completamos a oitava deste tempo litúrgico, uma das oitavas —juntamente com a do Natal— que a renovação litúrgica do Concílio Vaticano II manteve. Durante oito dias, contemplamos o mesmo mistério a aprofundamo-lo à luz do Espírito Santo.
 
Por desígnio do Papa João Paulo II, a este Domingo chama-se o Domingo da Divina Misericórdia. Trata-se de algo que vai muito mais além de uma devoção particular. Como explicou o Santo Padre na sua encíclica Dives in misericórdia, a Divina Misericórdia é a manifestação amorosa de Deus em uma história ferida pelo pecado. A palavra “Misericórdia” tem a sua origem em duas palavras: “Miséria” e “Coração”. Deus coloca a nossa miserável situação devida ao pecado no Seu coração de Pai, que é fiel aos Seus desígnios. Jesus Cristo, morto e ressuscitado, é a suprema manifestação e atuação da Divina Misericórdia. «Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigénito» (Jo 3,16) e entregou-O à morte para que fossemos salvos. «Para redimir o escravo sacrificou o Filho», temos proclamado no Pregão pascal da Vigília. E, uma vez ressuscitado, constituiu-O em fonte de salvação para todos os que creem nele. Pela fé e pela conversão, acolhemos o tesouro da Divina Misericórdia.
 
A Santa Madre Igreja, que quer que os seus filhos vivam da vida do Ressuscitado, manda que —pelo menos na Páscoa— se comungue na graça de Deus. A cinquentena pascal é o tempo oportuno para cumprir esta determinação. É um bom momento para confessar-se, acolhendo o poder de perdoar os pecados que o Senhor ressuscitado conferiu à sua Igreja, já que Ele disse aos Apóstolos: «Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados» (Jo 20,22-23). Assim iremos ao encontro das fontes da Divina Misericórdia. E não hesitemos em levar os nossos amigos a estas fontes de vida: à Eucaristia e à Confissão. Jesus ressuscitado conta conosco.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«E a Vós, Senhor, que vedes claramente, com os vossos olhos, os abismos da consciência humana o que, de mim, Te poderia passar despercebido, mesmo que me recusasse a confessá-lo?» (Santo Agostinho)
 
«Muitas vezes pensamos que confessar-nos é como ir à lavandaria. Mas Jesus, no confessionário, não é uma lavandaria. A confissão é um encontro com Jesus que nos espera tal qual somos» (Francisco)
 
«Cristo age em cada um dos sacramentos. Ele dirige-Se pessoalmente a cada um dos pecadores: “Meu filho, os teus pecados são-te perdoados” (Mc 2, 5); Ele é o médico que Se inclina sobre cada um dos doentes com necessidade d'Ele para os curar: alivia-os e reintegra-os na comunhão fraterna. A confissão pessoal é, pois, a forma mais significativa da reconciliação com Deus e com a Igreja» (Catecismo da Igreja Católica, nº 1.484)
 
Para lá das portas fechadas
 
Pe. Rui Ruivo
 
* A liturgia da Palavra do II Domingo da Páscoa, em particular o Evangelho, coloca-nos no luminoso dia de Páscoa.
Estes oito dias pascais vivemo-los como um só grande dia pascal. Neste segundo Domingo da Páscoa, Domingo da Misericórdia, Jesus Cristo dá-nos o dom do perdão dos pecados, ou seja, a sua misericórdia, que vem envolta na paz dispensada igualmente por Si. Das mãos traspassadas pelos cravos passam todas as bênçãos e graças do Céu. Apesar das portas fechadas que Jesus Cristo encontra, o Ressuscitado continua a vir à senda da história humana com a mesma força capaz de abrir as vidas a algo Maior.
 
* Para lá das portas fechadas, aquele primeiro dia da semana intenso e cheio de novidade traz à ‘luz do dia’ os encontros de Jesus Ressuscitado, com um novo modo de ser e aparecer, sem deixar de ter as marcas da cruz. O Ressuscitado, continuando a fazer-se passagem (Páscoa), vem derrubar as portas do medo, vem trazer a sua paz e o seu perdão, não só àqueles que ali estavam reunidos e com medo, como também a nós neste tempo em que vivemos. Jesus é O que vem sempre e mais uma vez para o meio da nossa vida e nos reúne à sua volta, em permanente Páscoa.
 
* O episódio de Tomé mostra-nos que fora da comunidade é mais difícil ver Jesus. Mas, em comunidade, à imagem do nosso Deus que é comunhão, ver Jesus torna-se mais fácil. É neste tom de vida em comunhão, dos que se reúnem em nome de Jesus Cristo ressuscitado, que nos fala a 1ª leitura dos Atos dos Apóstolos: “Os irmãos eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações… viviam unidos e tinham tudo em comum”.
 
* Mais do que a sua incredulidade, o caso de Tomé mostra também o seu ato de fé ao reconhecer Jesus Cristo, como seu Senhor e seu Deus. Já não tem necessidade de “meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no lado de Jesus”. O desejo de querer ver Jesus, para além da falta de fé de Tomé, é o desejo de querer estar com Jesus, de estar próximo dele, de O ter na sua vida. Que bom seria se tivéssemos também nós o desejo de tocar e de ver Jesus. Para nós, na Eucaristia, isso é possível.
 
* O Senhor Ressuscitado, tal como a Tomé, também hoje nos pede para pormos o nosso dedo nas suas mãos feridas e no seu lado aberto que se manifesta em tantos dos nossos irmãos e por toda a humanidade. O encontro com o Senhor Jesus ressuscitado pede-nos isso. É o compromisso que devemos levar e realizar quando saímos de cada Eucaristia. Prolongar a Eucaristia é também tocar as feridas do Ressuscitado na humanidade
 
* “Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco»”.  Aquele primeiro dia da semana é cada domingo, é cada semana que se inicia com a Páscoa Semanal.
 
* “Disseram-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele respondeu-lhes: «Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei»”. Mal chega Tomé, os discípulos apressam-se a contar o encontro que tiveram, o seu coração jorra de alegria pascal. Tomé oferece alguma resistência a crer nessa alegria.
 
* “Depois disse a Tomé: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». Tomé respondeu-Lhe: «Meu Senhor e meu Deus!». Disse-lhe Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto»”. Jesus vem continuamente à vida de Tomé, sem desistir. Tomé só precisa de estar no lugar certo. Há lugares na nossa vida onde não conseguimos ver Jesus. 
 
MEDITAÇÃO
1 - Tenho a Eucaristia como primeiro dia para uma semana com Jesus Cristo no meio, e alegro-me com a sua presença?
2 - Na Eucaristia, sinto que Jesus me encontra? Quando me encontro com Jesus Cristo, fico cheio de alegria e com o desejo de contar e partilhar esse encontro?
3 - Reconheço que, na minha comunidade, Jesus Cristo está presente em particular quando nos reunimos para celebrar a Eucaristia?

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