quarta-feira, 1 de abril de 2026

VIA SACRA COM SÃO PIO DE PIETRELCINA

Esta Via Sacra é oficial, veio diretamente do Convento dos Frades Menores Capuchinos de Santa Maria das Graças de São Giovanni Rotondo: são as 14 estações da Via Sacra enriquecidas pelas frases, reflexões e meditações do Padre Pio
 
I ESTAÇÃO – JESUS É CONDENADO A MORTE

 
V. Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus Cristo!
R. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
 
Frase do Padre Pio:Temam o juízo de Deus, não aquele dos homens.”
 
C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
Oremos: Ó Deus, que pela Paixão de vosso Filho, nos tendes ensinado alcançar a glória eterna pelo Caminho da Cruz: concedei-nos sermos dignos de seguir no eterno triunfo, Aquele que seguimos ao longo do caminho do Calvário
 
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
Frase do Padre Pio:Aquilo que digo ao Senhor, sim, é que vou procurando a sua Obra, a regeneração da vida, a minha ressurreição espiritual, o verdadeiro amor substancial, a minha completa e sincera conversão Nele.”
 
II ESTAÇÃO – JESUS CARREGA A SUA CRUZ

 
V. Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus Cristo!
R. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
 
Frase do Padre Pio: “Quem começa a amar deve estar preparado para sofrer.”
 
C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
Oremos: Concedei-nos Senhor Deus, viver e agir na mesma caridade que levou vosso Filho a dar a própria vida por seus irmãos
 
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
Frase do Padre Pio: “Na dor Jesus está mais próximo; Ele vê, é Ele quem vem implorar sofrimento e lágrimas...; Ele necessita delas para as almas.”
 
III ESTAÇÃO – JESUS CAI PELA PRIMEIRA VEZ

 
V. Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus Cristo!
R. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
 
Frase do Padre Pio:Deixem-se guiar pelo Senhor no caminho amargo da vida.”
 
C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
Oremos: Oh! Deus Todo-Poderoso, protegei a humanidade, cansada e oprimida pela fraqueza humana, e concedei-lhe recomeçar a vida pela Paixão de vosso único Filho.
 
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
Frase do Padre Pio: “A minha vida está se tornando um martírio cruel, e apenas encontro conforto, resignando-me a viver pelo amor de Jesus.”
 
IV ESTAÇÃO – JESUS ENCONTRA SUA MÃE SANTÍSSIMA

 
V. Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus Cristo!
R. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
 
Frase do Padre Pio: “A Santíssima Virgem nos guie ao amor à cruz, aos sofrimentos e às dores.”
 
C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
Oremos: Perdoai Senhor os nossos pecados, e como não temos méritos que nos façam aceitáveis a Vós, concedei-nos a salvação através da intercessão da Mãe de vosso Filho.
 
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
Frase do Padre Pio: “Sempre nos associemos a essa tão querida Mãe: vamos sair ao lado dela seguindo Jesus fora de Jerusalém, símbolo e imagem do mundo que rejeita e nega Jesus Cristo.”
 
V ESTAÇÃO – JESUS RECEBE A AJUDA DO CIRINEU

 
V. Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus Cristo!
R. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
 
Frase do Padre Pio: “Ame o seu próximo por amor a Deus.”
 
C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
Oremos: Ó Deus, que eficientemente nos ajudais nas nossas fraquezas: concedei-nos a graça de acolher com júbilo a redenção realizada para nós e de manifestá-la com o testemunho da vida.
 
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
Frase do Padre Pio: “O próprio Jesus quer os meus sofrimentos; necessita deles para as almas. Porém, eu me pergunto, que alívio posso lhes dar com o meu sofrimento? Qual destino! Ó dulcíssimo Jesus, a que altura elevaste a minha alma.”
 
VI ESTAÇÃO – VERÔNICA ENXUGA A FACE DE JESUS

 
V. Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus Cristo!
R. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
 
Frase do Padre Pio: “Vamos seguir o exemplo do Sagrado Coração de Jesus, especialmente na dor.”
 
C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
Oremos: Ó Deus, que nos ordenais a ouvir o vosso Filho amado, alimentai-nos interiormente com a vossa palavra e purificai os olhos do nosso espírito, para que possamos contemplar a glória da vossa Face.
 
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
Frase do Padre Pio: “Estou preparado para sofrer, que Jesus esconda-me os seus belos olhos, contando que não esconda-me o seu amor, porque morrerei. Me falta a força, porém me recuso a ser privado de sofrer.”
 
VII ESTAÇÃO – JESUS CAI PELA SEGUNDA VEZ

 
V. Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus Cristo!
R. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
 
Frase do Padre Pio: “Jesus não mediu seu sangue para a salvação do homem.”
 
C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
Oremos: Ó Deus, que pela humilhação de vosso Filho, levantais o mundo prostrado pela sua queda; concedei aos vossos fiéis, uma eterna alegria, e depois de nos terdes libertado dos perigos da morte eterna, fazei-nos desfrutar da felicidade eterna.
 
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
Frase do Padre Pio: “Eu não almejo ao ponto que seja aliviada a cruz, porque sofrer com Jesus é importante para mim. Ao contemplar a cruz sobre as costas de Jesus, me sinto cada vez mais fortificado e exulto um santo júbilo.”
 
VIII ESTAÇÃO – JESUS ENCONTRA AS MULHERES DE JERUSALÉM

 
V. Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus Cristo!
R. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
 
Frase do Padre Pio: “Jesus veio a este mundo para salvar os pecadores.”
 
C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
Oremos: Para aqueles que esperam em vós, ó Senhor Deus, escolhei a compaixão ao invés da cólera: concedei-nos chorar adequadamente pelos pecados cometidos para merecer as graças da vossa consolação.
 
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
Frase do Padre Pio: “Ó Jesus, pudesse eu te amar, pudesse sofrer como desejo; e faze-lo feliz e acabar, de uma certa maneira, com as ingratidões dos homens em relação a ti.”.
 
IX ESTAÇÃO – JESUS CAI PELA TERCEIRA VEZ

 
V. Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus Cristo!
R. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
 
Frase do Padre Pio: “As almas de Jesus devem sofrer até o Calvário.”
 
C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
Oremos: Ó Senhor Deus, Vós sabeis que somos privados de qualquer força: protegei-nos no corpo e na alma, defendei o nosso corpo de todas as adversidades e purifica o nosso coração dos pensamentos malignos.
 
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
Frase do Padre Pio: “Olhemos sempre com olhos da fé... Jesus Cristo carregando a sua cruz, sobe o Calvário. nós o vimos sendo seguido por uma enorme multidão de almas que ao seu lado, levam a própria cruz.”
 
X ESTAÇÃO – JESUS É DESPIDO DE SUAS VESTES

 
V. Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus Cristo!
R. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
 
Frase do Padre Pio: “Bem-aventurados os que sofrem perseguições por amor à Jesus.”
 
C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
Oremos: Ó Senhor Deus, que em forma admirável criastes o homem à vossa imagem e semelhança e em forma mais admirável ainda redimistes os homens, concedei-nos resistir, com a força do espírito, as tentações do pecado, para chegar à glória eterna.
 
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
Frase do Padre Pio:Não tenha medo, eu lhe farei sofrer, mas lhe darei a força – Jesus vai repetindo – Desejo que a sua alma seja purificada e testada através do martírio diário e oculto.”
 
XI ESTAÇÃO – JESUS É PREGADO NA CRUZ

 
V. Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus Cristo!
R. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
 
Frase do Padre Pio: “Aos pés da Cruz aprendemos a amar.”
 
C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
Oremos: Ó Senhor Deus, que quisestes que o vosso Filho sofresse por nós o suplício da Cruz para nos libertar do poder do maligno: concedei aos vossos servos, a graça da ressurreição.
 
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
Frase do Padre Pio: “Quantas vezes – disse me Jesus – Filho, você me teria abandonado, se eu não tivesse te crucificado. Ao pé da cruz se aprende a amar e eu não a dou para todos, mas somente para as almas a mim mais queridas.”
 
XII ESTAÇÃO – JESUS MORRE NA CRUZ

 
V. Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus Cristo!
R. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
 
Frase do Padre Pio: “Ame Jesus, ame-o muito, mas para isso ame mais o seu sacrifício.”
 
C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
Oremos: Ó Senhor Jesus Cristo, que derramastes o vosso preciosíssimo Sangue para a remissão de nossos pecados: ouvi a nossa humilde oração e fazei com que, no dia do juízo final, à vossa direita nos seja dito: Vinde, benditos.
 
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
Frase do Padre Pio: “A cruz é a promessa de amor, a cruz é promessa de perdão. O amor que não é alimentado e nutrido pela cruz não é verdadeiro e reduz-se a palha e fogo.”
 
XIII ESTAÇÃO – JESUS É RETIRADO DA CRUZ

 
V. Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus Cristo!
R. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
 
Frase do Padre Pio: “Estima-te afortunado por teres sido considerado digno de poder participar dos sofrimentos do Homem-Deus.”
 
C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
Oremos: Ó Deus, quisestes que ao lado de Vosso Filho, erguido sobre a cruz, estivesse presente a sua Mãe dolorosa: concedei à vossa Igreja ser associada à ela na Paixão de Cristo, para poder participar da vida do Senhor ressuscitado.
 
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
Frase do Padre Pio: “Que a Virgem das Dores, através do seu Santíssimo Filho, permita que nos aprofundemos cada vez mais no Mistério da Cruz e de nos inebriarmos com os sofrimentos de Jesus.
 
XIV ESTAÇÃO – JESUS É DEPOSITADO NO SEPULCRO

 
V. Nós vos adoramos e vos bendizemos, Senhor Jesus Cristo!
R. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
 
Frase do Padre Pio: “O destino das almas escolhidas é o sofrimento.”
 
C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.
 
Oremos: Ó Deus, que destes como modelo para os homens Jesus Cristo, nosso Salvador, que se fez Homem e humilhado até a sua morte na cruz. Concedei-nos ter sempre presente esta prova de amor para participar da glória da ressurreição.
 
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
 
C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito, bem impressas,
R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.
 
Frase do Padre Pio: “Eu não quero mais do que isso, morrer ou amar a Deus: a morte ou o amor; porque a vida sem esse amor é pior que a morte.”
 
ORAÇÃO FINAL A JESUS CRUCIFICADO


Eis-me aqui, ó meu bom e dulcíssimo Jesus! Humildemente prostrado de joelhos em vossa presença, peço e suplico-vos, com todo o fervor de minha alma, que vos digneis gravar em meu l coração os mais vivos sentimentos de fé, esperança e caridade, de verdadeiro arrependimento de meus pecados e um firme propósito de emendar-me, enquanto vou considerando, com vivo afeto e dor, as vossas cinco chagas, tendo presentes as palavras que já o profeta Davi punha em vossa boca, ó bom Jesus: "Transpassaram minhas mãos e os meus pés e contaram todos os meus ossos" (S121, 17).
 
ORAÇÃO A NOSSA SENHORA DAS DORES


Ó Mãe das Dores, Rainha dos mártires, que tanto chorastes vosso Filho, morto para me salvar, alcançai-me uma verdadeira contrição dos meus pecados e uma sincera mudança de vida. Mãe, pela dor que experimentastes quando vosso divino Filho, no meio de tantos tormentos, inclinando a cabeça expirou à vossa vista sobre a cruz, eu vos suplico que me alcanceis uma boa morte. Por piedade, ó advogada dos pecadores, não deixeis de amparar a minha alma na aflição e no combate da terrível passagem desta vida à eternidade. E, como é possível que, neste momento, a palavra e a voz me faltem para pronunciar o vosso nome e o de Jesus, rogo-vos, desde já, a vós e a vosso divino Filho, que me socorrais nessa hora extrema, e assim direi: Jesus e Maria, entrego-vos a minha alma. Amém.

Sexta-Feira da Paixão do Senhor

1ª Leitura (Is 52,13–53,12):
Vede como vai prosperar o meu servo: subirá, elevar-se-á, será exaltado. Assim como, à sua vista, muitos se encheram de espanto, tão desfigurado estava o seu rosto que tinha perdido toda a aparência de um ser humano, assim se hão de encher de assombro muitas nações e, diante dele, os reis ficarão calados, porque hão de ver o que nunca lhes tinham contado e observar o que nunca tinham ouvido. Quem acreditou no que ouvimos dizer? A quem se revelou o braço do Senhor? O meu servo cresceu diante do Senhor como um rebento, como raiz numa terra árida, sem distinção nem beleza para atrair o nosso olhar, nem aspecto agradável que possa cativar-nos. Desprezado e repelido pelos homens, homem de dores, acostumado ao sofrimento, era como aquele de quem se desvia o rosto, pessoa desprezível e sem valor para nós. Ele suportou as nossas enfermidades e tomou sobre si as nossas dores. Mas nós víamos nele um homem castigado, ferido por Deus e humilhado. Ele foi trespassado por causa das nossas culpas e esmagado por causa das nossas iniquidades. Caiu sobre ele o castigo que nos salva: pelas suas chagas fomos curados. Todos nós, como ovelhas, andávamos errantes, cada qual seguia o seu caminho. E o Senhor fez cair sobre ele as faltas de todos nós. Maltratado, humilhou-se voluntariamente e não abriu a boca. Como cordeiro levado ao matadouro, como ovelha muda ante aqueles que a tosquiam, ele não abriu a boca. Foi eliminado por sentença iníqua, mas quem se preocupa com a sua sorte? Foi arrancado da terra dos vivos e ferido de morte pelos pecados do seu povo. Foi-lhe dada sepultura entre os ímpios e um túmulo no meio de malfeitores, embora não tivesse cometido injustiça, nem se tivesse encontrado mentira na sua boca. Aprouve ao Senhor esmagar o seu servo pelo sofrimento. Mas se oferecer a sua vida como sacrifício de expiação, terá uma descendência duradoira, viverá longos dias e a obra do Senhor prosperará em suas mãos. Terminados os sofrimentos, verá a luz e ficará saciado na sua sabedoria. O justo, meu servo, justificará a muitos e tomará sobre si as suas iniquidades. Por isso, Eu lhe darei as multidões como prémio e terá parte nos despojos no meio dos poderosos; porque ele próprio entregou a sua vida à morte e foi contado entre os malfeitores, tomou sobre si as culpas das multidões e intercedeu pelos pecadores.
 
Salmo Responsorial: 30
R. Pai, em vossas mãos entrego o meu espírito.
 
Em Vós, Senhor, me refugio, jamais serei confundido, pela vossa justiça, salvai-me. Em vossas mãos entrego o meu espírito, Senhor, Deus fiel, salvai-me.
 
Tornei-me o escárnio dos meus inimigos, o desprezo dos meus vizinhos e o terror dos meus conhecidos: todos evitam passar por mim. Esqueceram-me como se fosse um morto, tornei-me como um objeto abandonado.
 
Eu, porém, confio no Senhor: Disse: «Vós sois o meu Deus, nas vossas mãos está o meu destino». Livrai-me das mãos dos meus inimigos e de quantos me perseguem.
 
Fazei brilhar sobre mim a vossa face, salvai-me pela vossa bondade. Tende coragem e animai-vos, vós todos que esperais no Senhor.
 
2ª Leitura (Heb 4,14-16; 5,7-9): Irmãos: Tendo nós um sumo sacerdote que penetrou os Céus, Jesus, Filho de Deus, permaneçamos firmes na profissão da nossa fé. Na verdade, nós não temos um sumo sacerdote incapaz de Se compadecer das nossas fraquezas. Pelo contrário, Ele mesmo foi provado em tudo, à nossa semelhança, excepto no pecado. Vamos, portanto, cheios de confiança, ao trono da graça, a fim de alcançarmos misericórdia e obtermos a graça de um auxílio oportuno. Nos dias da sua vida mortal, Ele dirigiu preces e súplicas, com grandes clamores e lágrimas, Àquele que O podia livrar da morte, e foi atendido por causa da sua piedade. Apesar de ser Filho, aprendeu a obediência no sofrimento. E, tendo atingido a sua plenitude, tornou-Se, para todos os que Lhe obedecem, causa de salvação eterna.
 
Cristo obedeceu até à morte e morte de cruz. Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes.
 
Evangelho (Jo 18,1—19,42):
Dito isso, Jesus saiu com seus discípulos para o outro lado da torrente do Cedron. Lá havia um jardim, no qual ele entrou com os seus discípulos. Também Judas, o traidor, conhecia o lugar, porque Jesus muitas vezes ali se reunia com seus discípulos. Judas, pois, levou o batalhão romano e os guardas dos sumos sacerdotes e dos fariseus, com lanternas, tochas e armas, e chegou ali. Jesus, então, sabendo tudo o que ia acontecer com ele, saiu e disse: «A quem procurais?» — «A Jesus de Nazaré!», responderam. Ele disse: «Sou eu». Judas, o traidor, estava com eles. Quando Jesus disse «Sou eu», eles recuaram e caíram por terra. De novo perguntou-lhes: «A quem procurais?» Responderam: «A Jesus de Nazaré», Jesus retomou: «Já vos disse que sou eu. Se é a mim que procurais, deixai que estes aqui se retirem». Assim se cumpria a palavra que ele tinha dito: «Não perdi nenhum daqueles que me deste». Simão Pedro, que tinha uma espada, puxou-a e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a ponta da orelha direita. O nome do servo era Malco. Jesus disse a Pedro: «Guarda a tua espada na bainha. Será que não vou beber o cálice que o Pai me deu?». O batalhão, o comandante e os guardas dos judeus prenderam Jesus e o amarraram. Primeiro, conduziram-no a Anás, sogro de Caifás, o sumo sacerdote daquele ano. Caifás é quem tinha aconselhado aos judeus: «É conveniente que um só homem morra pelo povo». Simão Pedro e um outro discípulo seguiam Jesus. Este discípulo era conhecido do sumo sacerdote. Ele entrou com Jesus no pátio do sumo sacerdote. Pedro ficou do lado de fora, perto da porta. O outro discípulo, que era conhecido do sumo sacerdote, saiu, conversou com a empregada da porta e levou Pedro para dentro. A criada da porta disse a Pedro: «Não pertences tu também aos discípulos desse homem?». Ele respondeu: «Não». Os servos e os guardas tinham feito um fogo, porque fazia frio; estavam se aquecendo, e Pedro estava com eles para se aquecer. O sumo sacerdote interrogou Jesus a respeito dos seus discípulos e do seu ensinamento. Jesus respondeu: «Eu falei abertamente ao mundo. Eu sempre ensinei nas sinagogas e no templo, onde os judeus se reúnem. Nada falei às escondidas. Por que me interrogas? Pergunta aos que ouviram o que eu falei; eles sabem o que eu disse». Quando assim falou, um dos guardas que ali estavam deu uma bofetada em Jesus, dizendo: «É assim que respondes ao sumo sacerdote?». Jesus replicou-lhe: «Se falei mal, mostra em que falei mal; e se falei certo, por que me bates?». Anás, então, mandou-o, amarrado, a Caifás. Simão Pedro continuava lá, aquecendo-se. Disseram-lhe: «Não és tu, também, um dos discípulos dele?». Pedro negou: «Não». Então um dos servos do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro tinha cortado a orelha, disse: «Será que não te vi no jardim com ele?». Pedro negou de novo, e na mesma hora o galo cantou. De Caifás, levaram Jesus ao palácio do governador. Era de madrugada. Eles mesmos não entraram no palácio, para não se contaminarem e poderem comer a páscoa. Pilatos saiu ao encontro deles e disse: «Que acusação apresentais contra este homem?». Eles responderam: «Se não fosse um malfeitor, não o teríamos entregue a ti!». Pilatos disse: «Tomai-o vós mesmos e julgai-o segundo vossa lei». Os judeus responderam: «Não nos é permitido matar ninguém». Assim se realizava o que Jesus tinha dito, indicando de que morte havia de morrer. Pilatos entrou, de volta, no palácio, chamou Jesus e perguntou-lhe: «Tu és o Rei dos Judeus?». Jesus respondeu: «Estás dizendo isto por ti mesmo, ou outros te disseram isso de mim?». Pilatos respondeu: «Acaso sou eu judeu? Teu povo e os sumos sacerdotes te entregaram a mim. Que fizeste?». Jesus respondeu: «O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas, o meu reino não é daqui». Pilatos disse: «Então, tu és rei?». Jesus respondeu: «Tu dizes que eu sou rei. Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz». Pilatos lhe disse: «Que é a verdade?». Dito isso, saiu ao encontro dos judeus e declarou: «Eu não encontro nele nenhum motivo de condenação. Mas existe entre vós um costume de que, por ocasião da Páscoa, eu vos solte um preso. Quereis que eu vos solte o Rei dos Judeus?». Eles, então, se puseram a gritar: «Este não, mas Barrabás!». Ora, Barrabás era um assaltante. Pilatos, então, mandou açoitar Jesus. Os soldados trançaram uma coroa de espinhos, a puseram na cabeça de Jesus e o vestiram com um manto de púrpura. Aproximavam-se dele e diziam: «Viva o Rei dos Judeus!».; e batiam nele. Pilatos saiu outra vez e disse aos judeus: «Olhai! Eu o trago aqui fora, diante de vós, para que saibais que eu não encontro nele nenhum motivo de condenação».. Então, Jesus veio para fora, trazendo a coroa de espinhos e o manto de púrpura. Ele disse-lhes: «Eis o homem».! Quando o viram, os sumos sacerdotes e seus guardas começaram a gritar: «Crucifica-o! Crucifica-o!».Pilatos respondeu: «Levai-o, vós mesmos, para o crucificar, porque eu não encontro nele nenhum motivo de condenação».. Os judeus responderam-lhe: «Nós temos uma Lei, e segundo esta Lei ele deve morrer, porque se fez Filho de Deus». Quando Pilatos ouviu isso, ficou com mais medo ainda. Entrou no palácio outra vez e perguntou a Jesus: «De onde és tu?». Jesus ficou calado. Então Pilatos disse-lhe: «Não me respondes? Não sabes que tenho poder para te soltar e poder para te crucificar?». Jesus respondeu: «Tu não terias poder algum sobre mim, se não te fosse dado do alto. Por isso, quem me entregou a ti tem maior pecado». Por causa disso, Pilatos procurava soltar Jesus. Mas os judeus continuavam gritando: «Se soltas este homem, não és amigo de César. Todo aquele que se faz rei, declara-se contra César». Ouvindo estas palavras, Pilatos trouxe Jesus para fora e sentou-se no tribunal, no lugar conhecido como Pavimento ( em hebraico: Gábata). Era o dia da preparação da páscoa, por volta do meio-dia. Pilatos disse aos judeus: «Eis o vosso rei». Eles, porém, gritavam: «Fora! Fora! Crucifica-o!». Pilatos disse: «Vou crucificar o vosso rei?». Os sumos sacerdotes responderam: «Não temos rei senão César». Pilatos, então, lhes entregou Jesus para ser crucificado. Eles tomaram conta de Jesus. Carregando a sua cruz, ele saiu para o lugar chamado Calvário (em hebraico: Gólgota). Lá, eles o crucificaram com outros dois, um de cada lado, ficando Jesus no meio. Pilatos tinha mandado escrever e afixar na cruz um letreiro; estava escrito assim: «Jesus de Nazaré, o Rei dos Judeus». Muitos judeus leram o letreiro, porque o lugar onde Jesus foi crucificado era perto da cidade; e estava escrito em hebraico, em latim e em grego. Os sumos sacerdotes disseram então a Pilatos: «Não escrevas: ‘O Rei dos Judeus’, e sim: ‘Ele disse: Eu sou o Rei dos Judeus’. Pilatos respondeu: «O que escrevi, escrevi». Depois que crucificaram Jesus, os soldados pegaram suas vestes e as dividiram em quatro partes, uma para cada soldado. A túnica era feita sem costura, uma peça só de cima em baixo. Eles combinaram: «Não vamos rasgar a túnica. Vamos tirar sorte para ver de quem será». Assim cumpriu-se a Escritura: «Repartiram entre as minhas vestes e tiraram a sorte sobre minha túnica». Foi isso que os soldados fizeram. Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe e a irmã de sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: «Mulher, eis o teu filho!». Depois disse ao discípulo: «Eis a tua mãe!». A partir daquela hora, o discípulo a acolheu no que era seu. Depois disso, sabendo Jesus que tudo estava consumado, e para que se cumprisse a Escritura até o fim, disse: «Tenho sed!». Havia ali uma jarra cheia de vinagre. Amarraram num ramo de hissopo uma esponja embebida de vinagre e a levaram à sua boca. Ele tomou o vinagre e disse: “Está consumado”. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito. Era o dia de preparação do sábado, e este seria solene. Para que os corpos não ficassem na cruz no sábado, os judeus pediram a Pilatos que mandasse quebrar as pernas dos crucificados e os tirasse da cruz. Os soldados foram e quebraram as pernas, primeiro a um dos crucificados com ele e depois ao outro. Chegando a Jesus viram que já estava morto. Por isso, não lhe quebraram as pernas, mas um soldado golpeou-lhe o lado com uma lança, e imediatamente saiu sangue e água. (Aquele que viu dá testemunho, e o seu testemunho é verdadeiro; ele sabe que fala a verdade, para que vós, também, acrediteis.) Isto aconteceu para que se cumprisse a Escritura que diz: «Não quebrarão nenhum dos seus ossos». E um outro texto da Escritura diz: «Olharão para aquele que traspassaram». Depois disso, José de Arimatéia pediu a Pilatos para retirar o corpo de Jesus; ele era discípulo de Jesus às escondidas, por medo dos judeus. Pilatos o permitiu. José veio e retirou o corpo. Veio também Nicodemos, aquele que anteriormente tinha ido a Jesus de noite; ele trouxe uns trinta quilos de perfume feito de mirra e de aloés. Eles pegaram o corpo de Jesus e o envolveram, com os perfumes, em faixas de linho, do modo como os judeus costumam sepultar. No lugar onde Jesus foi crucificado havia um jardim e, no jardim, um túmulo novo, onde ninguém tinha sido ainda sepultado. Por ser dia de preparação para os judeus, e como o túmulo estava perto, foi lá que eles colocaram Jesus.
 
«Ele tomou o vinagre e disse: “Está consumado”. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito»
 
Rev. D. Francesc CATARINEU i Vilageliu (Sabadell, Barcelona, Espanha)
 
Hoje celebramos o primeiro dia do Tríduo Pascal. Por tanto é o dia da Cruz vitoriosa, desde donde Jesus nos deixou o melhor de Ele mesmo: Maria como mãe, o perdão —também os verdugos— e a confiança total em Deus Pai.
 
Escutamos na leitura da Paixão que nos transmite o testemunho de São João, presente no Calvário com Maria, a Mãe do Senhor e as mulheres. É um relato rico em simbologia, onde cada pequeno detalhe tem sentido. Mas também o silêncio e a austeridade da Igreja, hoje nos ajudam a viver num clima de oração, atentos ao dom que celebramos.
 
Diante deste mistério tão grande, estamos chamados —mais que tudo— a ver. A fé cristã não é a relação reverencial a um Deus que está longe e abstrato que desconhecemos, senão a adesão a uma Pessoa, verdadeiro homem como nós e também verdadeiro Deus. O “Invisível” fez-se carne da nossa carne, e assumiu ser homem até a morte e morte de cruz. Foi uma morte aceitada como resgate por todos, morte redentora, morte que nos dá vida. Aqueles que estavam aí e o viram, nos transmitiram os fatos e ao mesmo tempo, nos descobrem o sentido daquela morte.
 
Ante isto, sentimo-nos agradecidos e admirados. Conhecemos o preço do amor: «Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos» (Jo 15,13). A oração cristã não é só pedir, senão— e principalmente— admirar agradecidos.
 
Para nós, Jesus é modelo que temos que imitar, quer dizer, reproduzir em nós as suas atitudes. Temos que ser pessoas que amam até darmo-nos e que confiamos no Pai em toda adversidade.
 
Isto contrasta com a atmosfera indiferente da nossa sociedade; por isso o nosso testemunho tem que ser mais valente do que nunca, já que o dom é para todos. Como diz Militão de Sardes, «Ele nos fez passar da escravidão à liberdade, das trevas à luz, da morte à vida. Ele é a Páscoa da nossa salvação».
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«A cruz é a inclinação mais profunda da Divindade para com o homem. A cruz é como um toque de amor eterno nas feridas mais dolorosas da existência terrena do homem» (São João Paulo II)
 
«O perdão custa algo, sobretudo a quem perdoa (…). Deus só pode vencer a culpa e o sofrimento dos homens intervindo pessoalmente, sofrendo Ele proprio no seu Filho, que carregou este fardo e o superou dando-se a si mesmo» (Bento XVI)
 
«Este desejo de fazer seu o plano do amor de redenção do seu Pai, anima toda a vida de Jesus. A sua paixão redentora é a razão de ser da Encarnação: ‘Pai, salva-Me desta hora! Mas por causa disto, é que Eu cheguei a esta hora’ (Jo 12, 27). ‘O cálice que o Pai Me deu, não havia de bebê-lo?’ (Jo 18, 11). E ainda na cruz, antes de ‘tudo estar consumado’ (Jo 19, 30), diz: ‘Tenho sede’» (Catecismo da Igreja Católica, nº 607)