sexta-feira, 13 de março de 2026

MÊS DE SÃO JOSÉ – IV Domingo da Quaresma

ORAÇÃO PREPARATÓRIA
- Com humildade e respeito aqui nos reunimos, ó Divino Jesus, para oferecer, todos os dias deste mês, as homenagens de nossa devoção ao glorioso Patriarca S. José. Vós nos animais a recorrer com toda a confiança aos vossos benditos Santos, pois que as honras que lhes tributamos revertem em vossa própria glória. Com justos motivos, portanto, esperamos vos seja agradável o tributo quotidiano que vimos prestar ao Esposo castíssimo de Maria, vossa Mãe santíssima, a São José, vosso amado Pai adotivo. Ó meu Deus, concedei-nos a graça de amar e honrar a São José como o amastes na terra e o honrais no céu. E vós, ó glorioso Patriarca, pela vossa estreita união com Jesus e Maria; vós que, à custa de vossas abençoadas fadigas e suores, nutristes a um e outro, desempenhando neste mundo o papel do Divino Padre Eterno; alcançai-nos luz e graça para terminar com fruto estes devotos exercícios que em vosso louvor alegremente começamos. Amém.
 
LECTIO DIVINA
 
1ª Leitura (1Sam 16,1b.6-7.10-13a): Naqueles dias, o Senhor disse a Samuel: «Enche a âmbula de óleo e parte. Vou enviar-te a Jessé de Belém, pois escolhi um rei entre os seus filhos». Quando chegou, Samuel viu Eliab e pensou consigo: «Certamente é este o ungido do Senhor». Mas o Senhor disse a Samuel: «Não te impressiones com o seu belo aspecto, nem com a sua elevada estatura, pois não foi esse que Eu escolhi. Deus não vê como o homem; o homem olha às aparências, o Senhor vê o coração». Jessé fez passar os sete filhos diante de Samuel, mas Samuel declarou-lhe: «O Senhor não escolheu nenhum destes». E perguntou a Jessé: «Estão aqui todos os teus filhos?». Jessé respondeu-lhe: «Falta ainda o mais novo, que anda a guardar o rebanho». Samuel ordenou: «Manda-o chamar, porque não nos sentaremos à mesa, enquanto ele não chegar». Então Jessé mandou-o chamar: era ruivo, de belos olhos e agradável presença. O Senhor disse a Samuel: «Levanta-te e unge-o, porque é este mesmo». Samuel pegou na âmbula do óleo e ungiu-o no meio dos irmãos. Daquele dia em diante, o Espírito do Senhor apoderou-Se de David.
 
Salmo Responsorial: 22
R. O Senhor é meu pastor: nada me faltará.
 
O Senhor é meu pastor: nada me falta. Leva-me a descansar em verdes prados, conduz-me às águas refrescantes e reconforta a minha alma.
 
Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome. Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos, não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo: o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança.
 
Para mim preparais a mesa à vista dos meus adversários; com óleo me perfumais a cabeça e meu cálice transborda.
 
A bondade e a graça hão de acompanhar-me todos os dias da minha vida, e habitarei na casa do Senhor para todo o sempre.
 
2ª Leitura (Ef 5,8-14): Irmãos: Outrora vós éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Vivei como filhos da luz, porque o fruto da luz é a bondade, a justiça e a verdade. Procurai sempre o que mais agrada ao Senhor. Não tomeis parte nas obras das trevas, que nada trazem de bom; tratai antes as denunciar abertamente, porque o que eles fazem em segredo até é vergonhoso dizê-lo. Mas todas as coisas que são condenadas são postas a descoberto pela luz, e tudo o que assim se manifesta torna-se luz. É por isso que se diz: «Desperta, tu que dormes; levanta-te do meio dos mortos e Cristo brilhará sobre ti».
 
Eu sou a luz do mundo, diz o Senhor. Quem Me segue terá a luz da vida.
 
Evangelho (Jo 9,1-41): Jesus ia passando, quando viu um cego de nascença. Os seus discípulos lhe perguntaram: «Rabi, quem pecou para que ele nascesse cego, ele ou seus pais?» Jesus respondeu: «Nem ele, nem seus pais pecaram, mas é uma ocasião para que se manifestem nele as obras de Deus. É preciso que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia. Vem a noite, quando ninguém poderá trabalhar. Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo». Dito isso, cuspiu no chão, fez lama com a saliva e aplicou-a nos olhos do cego. Disse-lhe então: «Vai lavar-te na piscina de Siloé» (que quer dizer: Enviado). O cego foi, lavou-se e voltou enxergando. Os vizinhos e os que sempre viam o cego pedindo esmola diziam: «Não é ele que ficava sentado pedindo esmola?» Uns diziam: «Sim, é ele». Outros afirmavam: «Não é ele, mas alguém parecido com ele». Ele, porém, dizia: «Sou eu mesmo». Então lhe perguntaram: «Como é que se abriram os teus olhos?» Ele respondeu: «O homem chamado Jesus fez lodo, aplicou nos meus olhos e disse-me: ‘Vai a Siloé e lava-te’. Eu fui, lavei-me e comecei a ver». Perguntaram-lhe ainda: «Onde ele está?» Ele respondeu: «Não sei». Então levaram aos fariseus aquele que tinha sido cego. Ora, foi num dia de sábado que Jesus tinha feito lodo, e abrira os olhos do cego. Por sua vez, os fariseus perguntaram ao homem como tinha recuperado a vista. Respondeu-lhes: «Ele aplicou lodo nos meus olhos, e eu fui lavar-me e agora vejo!». Alguns dos fariseus disseram então: «Esse homem não vem de Deus, pois não observa o sábado»; outros, no entanto, diziam: «Como pode um pecador fazer tais sinais?» E havia divisão entre eles. Voltaram a interrogar o homem que antes era cego: «E tu, que dizes daquele que te abriu os olhos?» Ele respondeu: «É um profeta». Os judeus não acreditaram que ele tivesse sido cego e que tivesse começado a ver, até que chamassem os pais dele. Perguntaram-lhes: «Este é o vosso filho que dizeis ter nascido cego? Como é que ele está enxergando agora?» Os seus pais responderam: «Sabemos que este é o nosso filho e que nasceu cego. Como está enxergando, não sabemos. E quem lhe abriu os olhos, também não sabemos. Perguntai a ele; é maior de idade e pode falar sobre si mesmo». Seus pais disseram isso porque tinham medo dos judeus, pois estes já tinham combinado expulsar da sinagoga quem confessasse que Jesus era o Cristo. Foi por isso que os pais disseram: «Ele é maior de idade, perguntai a ele». Os judeus, outra vez, chamaram o que tinha sido cego e disseram-lhe: «Dá glória a Deus. Nós sabemos que esse homem é um pecador». Ele respondeu: «Se é pecador, não sei. Só sei que eu era cego e agora vejo». Eles perguntaram: «Que é que ele te fez? Como foi que ele te abriu os olhos?». Ele respondeu: «Já vos disse e não me escutastes. Por que quereis ouvir de novo? Acaso quereis tornar-vos discípulos dele?». Os fariseus, então, começaram a insultá-lo, dizendo: «Tu, sim, és discípulo dele. Nós somos discípulos de Moisés. Nós sabemos que Deus falou a Moisés; mas esse, não sabemos de onde é». O homem respondeu-lhes: «Isto é de admirar! Vós não sabeis de onde ele é? No entanto, ele abriu-me os olhos! Sabemos que Deus não ouve os pecadores, mas se alguém é piedoso e faz a sua vontade, a este ele ouve. Jamais se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença. Se esse homem não fosse de Deus, não conseguiria fazer nada». Eles responderam-lhe: «Tu nasceste todo em pecado e nos queres dar lição?» E o expulsaram. Jesus ficou sabendo que o tinham expulsado. Quando o encontrou, perguntou-lhe: «Tu crês no Filho do Homem?» Ele respondeu: «Quem é, Senhor, para que eu creia nele?» Jesus disse: «Tu o estás vendo; é aquele que está falando contigo». Ele exclamou: «Eu creio, Senhor!» E ajoelhou-se diante de Jesus. Então, Jesus disse: «Eu vim a este mundo para um julgamento, a fim de que os que não veem vejam, e os que veem se tornem cegos». Alguns fariseus que estavam com ele ouviram isso e lhe disseram: «Porventura também nós somos cegos?» Jesus respondeu-lhes: «Se fôsseis cegos não teríeis culpa; mas como dizeis: ‘Nós vemos’, o vosso pecado permanece».
 
«Vai lavar-te»
 
Rev. D. Joan Ant. MATEO i García (Tremp, Lleida, Espanha)
 
Hoje, quarto domingo de Quaresma —chamado domingo “alegrai-vos”— toda a liturgia nos convida a experimentar uma alegria profunda, um grande gozo pela proximidade da Páscoa.
 
Jesus foi causa de uma grande alegria para aquele cego de nascimento, a quem outorgou a vista corporal e a luz espiritual. O cego acreditou e recebeu a luz de Cristo. Não assim, aqueles fariseus que se achavam na sabedoria e na luz, permaneceram cegos pela sua dureza de coração e pelo seu pecado. De fato, «Os judeus não acreditavam que ele tivesse sido cego e que tivesse começado a ver, até que chamaram os pais dele» (Jo 9,18).
 
Quão necessário se faz a luz de Cristo para ver a realidade na sua verdadeira dimensão! Sem a luz da fé seríamos praticamente cegos. Nós recebemos a luz de Jesus Cristo e faz falta que toda a nossa vida seja iluminada por essa luz. Mais ainda, esta luz resplandecerá na santidade da vida para que atraia a muitos que ainda a desconhecem. Tudo isso supõe conversão e crescimento na caridade. Especialmente neste tempo de Quaresma e nesta última etapa. São Leão Magno nos exorta: Mesmo que todo tempo seja bom para se exercitar na virtude da caridade, estes dias de Quaresma nos convidam a fazê-lo de uma forma mais urgente.
 
Somente uma coisa pode nos separar da luz e da alegria que nos dá Jesus Cristo, e esta coisa é o pecado, o querer viver longe da luz do Senhor. Desafortunadamente, muitos —as vezes, nós mesmos— entramos neste tenebroso caminho e perdemos a luz e a paz. Santo Agostinho, partindo da sua própria experiência, afirmava que não há nada mais infeliz do que a felicidade daqueles que pecam.
 
A Páscoa está perto e o Senhor quer comunicar-nos toda a alegria da Ressurreição. Disponhamo-nos para acolhê-la e celebrá-la. «vai lavar-te» (Jo 9,7), diz-nos Jesus... Lavemo-nos nas águas purificadoras do sacramento da Penitência! Aí encontraremos a luz e a alegria, e realizaremos a melhor preparação para a Páscoa.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Recebe, então, a imagem de Deus que perdeste pelas tuas más obras» (Santo Agostinho)
 
«Também nós, por causa do pecado de Adão, nascemos “cegos”. O pecado feriu a humanidade, deixando-a nas trevas da morte, mas em Cristo resplandece a novidade da vida e a meta à que somos chamados» (Bento XVI)
 
«Frequentemente, Jesus pede aos doentes que acreditem. Serve-se de sinais para curar: saliva e imposição das mãos, lodo e lavagem. Por seu lado, os doentes procuram tocar-Lhe, ‘porque saía d'Ele uma força que a todos curava’ (Lc 6, 19). Por isso, nos sacramentos, Cristo continua a “tocar-nos” para nos curar» (Catecismo da Igreja Católica, nº 1504)
 
“Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.”
 
Do site da Ordem do Carmo em Portugal
 
* O texto do Evangelho deste 4º Domingo da Quaresma convida-nos a meditar a história da cura de um cego de nascença.
Encontramos aqui um exemplo concreto de como o 4º Evangelho revela o sentido profundo escondido nos factos da vida de Jesus. A história da cura do cego ajuda-nos a abrir os olhos acerca da imagem que cada um tem de Jesus. Muitas vezes, nas nossas cabeças, há um Jesus que parece um rei glorioso, distante da vida do povo. Nos Evangelhos, Jesus aparece como um Servo dos pobres, amigo dos pecadores. A imagem do Messias-Rei, que os fariseus tinham na sua mente impedia-os de reconhecer Jesus como Messias-Servo.
 
* Meditando a história do cego de nascença, faz bem recordar o contexto das comunidades cristãs da Ásia Menor nos finais do século I, para as quais João escreveu o seu Evangelho e que se identificavam com o cego e a sua cura. Elas mesmas, por causa de uma visão legalista da lei de Deus, eram cegas de nascimento. Mas, como aconteceu com o cego, também elas conseguiram ver a presença de Deus na pessoa de Jesus de Nazaré e converteram-se. Foi um processo doloroso! Na descrição das etapas e dos conflitos da cura do cego, o autor do quarto Evangelho evoca o percurso espiritual das comunidades, desde a escuridão até à plena luz da fé iluminada por Cristo.
 
* Jo 9, 1-5: A cegueira perante o mal que existe no mundo. Vendo o cego, os discípulos perguntaram: ”Rabi, quem foi que pecou para este homem ter nascido cego? Ele, ou os seus pais?”. Naquela época um defeito físico ou uma doença eram considerados como um castigo de Deus. Associar os defeitos físicos ao pecado era um modo através do qual os sacerdotes da Antiga Aliança mantinham o seu poder sobre a consciência do povo. Jesus ajuda a corrigir esta visão: “Nem pecou ele, nem os seus pais, mas isto aconteceu para nele se manifestarem as obras de Deus”. Obras de Deus é o mesmo que Sinais de Deus. O que era naquela época sinal da ausência de Deus, será sinal da sua presença luminosa no meio de nós. Jesus diz: “Temos de realizar as obras daquele que me enviou enquanto é dia. Vem aí a noite, em que ninguém pode atuar. Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo”. O Dia dos sinais começa a manifestar-se quando Jesus “ao terceiro dia” (Jo 2, 1) realiza “o primeiro sinal” em Caná (Jo 2, 11). Mas o Dia está por terminar. A noite está para chegar, porque estamos já no “sétimo dia”, o sábado, e a cura do cego é o sexto sinal (Jo 9, 14). A Noite é a morte de Jesus. O sétimo sinal será a vitória sobre a morte na ressurreição de Lázaro (Jo 11). No Evangelho de João há só sete sinais, milagres, que anunciam o grande sinal da Morte e Ressurreição de Jesus.
 
* Jo 9, 6-7: O sinal de “Enviado de Deus” produz diversas reações. Jesus cospe na terra, faz lama com a saliva, unge com lama os olhos do cego e pede-lhe que se vá lavar à piscina de Siloé. O homem vai e volta curado. Este é o sinal! João comenta dizendo que Siloé significa enviado. Jesus é o Enviado do Pai que realiza as obras de Deus, os sinais do Pai. O sinal deste “envio” é que o cego começa a ver.
 
* Jo 9, 8-13: A reação dos vizinhos. O cego é muito conhecido. Os vizinhos ficam na dúvida: “Não é este o que estava por aí sentado a pedir esmola? Então, perguntaram-lhe: «Como foi que os teus olhos se abriram?”. O que era cega atesta. “Esse Homem que se chama Jesus abriu-me os olhos”. O fundamento da fé em Jesus é aceitar que Ele é um ser humano como nós. Os vizinhos perguntam: “Onde está?” – “Não sei”, responde o que fora cego. Eles não ficam satisfeitos com a resposta do cego e para esclarecer o assunto levam o homem aos fariseus, as autoridades religiosas.
 
* Jo 9, 14-17: A reação dos fariseus. Aquela dia era um sábado, dia em que era proibido curar. Interrogado pelos fariseus, o homem volta de novo a contar tudo. Alguns fariseus, cegos pela observância da lei, comentam: “Este homem não vem de Deus porque não guarda o sábado!”. E não estavam dispostos a admitir que Jesus pudesse ser um sinal de Deus, porque tinha feito a cura do cego ao sábado. Mas outros fariseus, interpelados pelo sinal, respondem: “Como pode um pecador realizar semelhante sinal?”. E havia divisão entre eles. E perguntaram ao cego: “E tu que dizes acerca dele já que te abriu os olhos?”. E ele dá o seu testemunho: “É um Profeta!”.
 
* Jo 9, 18-23: A reação dos pais. Os fariseus, chamados agora judeus, não acreditavam que aquele homem tivesse sido cego. Pensavam que se tratava de um engano. Por isso mandaram chamar os pais e perguntaram-lhes: “É este o vosso filho, que vós dizeis ter nascido cego? Então como é que agora vê?”. Com muita cautela os pais responderam: “Sabemos que este é o nosso filho e que nasceu cego; 21mas não sabemos como é que agora vê, nem quem foi que o pôs a ver. Perguntai-lhe a ele. Já tem idade para falar de si”. A cegueira dos fariseus diante da evidência da cura produz temor nas pessoas. Quem confessasse ter fé em Cristo Messias era expulso da sinagoga. A conversa com os pais do cego revela a verdade, mas autoridades religiosas negam-se a aceitá-la. A sua cegueira é maior do que a evidência dos factos. Eles, que tanto insistiam na observância da lei, agora não querem aceitar a lei que declara válido o testemunho de duas pessoas (Jo 8, 17).
 
* Jo 9, 24-34: A sentença final dos fariseus relativamente a Jesus. Chamam de novo o cego e dizem-lhe: “Dá glória a Deus. Nós sabemos que esse homem é um pecador”. Neste caso “dar glória a Deus” significava: Pede perdão pela mentira que há pouco disseste! O cego dissera: “É um Profeta!”. Segundo os fariseus deveria dizer: “É um pecador!”. Mas o cego é inteligente e responde: “Se é um pecador, não sei. Só sei uma coisa: que eu era cego e agora vejo”. Contra este facto não há argumentos! De novo os fariseus perguntam: “Que fez contigo? Como te abriu os olhos?”. O cego responde com ironia: ”Eu já vo-lo disse, e não me destes ouvidos. Porque desejais ouvi-lo outra vez? Será que também quereis fazer-vos seus discípulos?” Então insultaram-no e disseram-lhe: “Discípulo dele és tu! Nós somos discípulos de Moisés! Sabemos que Deus falou a Moisés; mas, quanto a esse, não sabemos donde é!”. Com fina ironia, o cego responde de novo: “Ora isso é que é de espantar: que vós não saibais donde Ele é, e me tenha dado a vista!”. “Se não fosse de Deus não poderia fazer-me nada”. Perante a cegueira dos fariseus cresce no cego a luz da fé. Ele não aceita os raciocínios dos fariseus e confessa que Jesus vem do Pai. Esta confissão de fé resulta na sua expulsão da sinagoga. O mesmo acontecia nas comunidades cristãs dos fins do primeiro século. Quem professasse a fé em Jesus devia romper qualquer laço de união familiar e comunitário. O mesmo acontece hoje: quem decide ser fiel a Jesus corre o risco de ser excluído.
 
* Jo 9, 35-38: A conduta de fé do cego diante de Jesus. Jesus não abandona quem é perseguido por sua causa. Quando se inteira de que o expulsaram da sinagoga, encontra-se com o homem, ajuda-o a dar outro passo, convidando-o a assumir a sua fé e pergunta-lhe: “Tu crês no Filho do Homem?”. E ele responde: “E quem é, Senhor, para que eu creia nele?”. Diz-lhe Jesus: “Já o viste. É aquele que está a falar contigo”. O cego exclama: “Creio, Senhor!”. E prostrou-se diante dele. A conduta de fé do cego diante de Jesus é de absoluta confiança e total aceitação. Aceita tudo o que vem da parte de Jesus. Esta era a fé que sustentava as comunidades cristãs da Ásia Menor nos finais do século primeiro e que nos sustém a nós ainda hoje.
 
* Jo 9, 39-41: Uma reflexão final. O cego que não via, acaba por ver melhor do que os fariseus. As comunidades da Ásia Menor que eram cegas, descobrem a luz. Os fariseus que pensavam ver corretamente são mais cegos do que o cego de nascimento. Encerrados na velha observância, mentem ao dizerem que veem. Não há pior cego do que o que não quer ver!
 
Palavra para o caminho
Também nós, por causa do pecado de Adão nascemos «cegos», mas na pia baptismal fomos iluminados pela graça de Cristo. O pecado tinha ferido a humanidade destinando-a à obscuridade da morte, mas em Cristo resplandece a novidade da vida e a meta à qual somos chamados. N’Ele, fortalecidos pelo Espírito Santo, recebemos a força para vencer o mal e realizar o bem. De fato, a vida cristã é uma conformação contínua com Cristo, imagem do homem novo, para alcançar a comunhão plena com Deus. O Senhor Jesus é «a luz do mundo» (Jo 8, 12), porque n’Ele «resplandece o conhecimento da glória de Deus» (2 Cor 4, 6), que continua a revelar na complexa trama da história qual seja o sentido da existência humana. No rito do Baptismo, a entrega da vela, acesa no grande círio pascal símbolo de Cristo Ressuscitado, é um sinal que ajuda a compreender o que acontece no Sacramento. Quando a nossa vida se deixa iluminar pelo mistério de Cristo, experimenta a alegria de ser libertada por tudo o que ameaça a plena realização. Nestes dias que nos preparam para a Páscoa reavivemos em nós o dom recebido no Baptismo, aquela chama que por vezes arrisca ser sufocada. Alimentando-a com a oração e com a caridade em relação ao próximo (Bento XVI).
 
ORAÇÃO - Ó glorioso S. José, a bondade de vosso coração é sem limites e indizível, e neste mês que a piedade dos fiéis vos consagrou mais generosas do que nunca se abrem as vossas mãos benfazejas. Distribui entre nós, ó nosso amado Pai, os dons preciosíssimos da graça celestial da qual sois ecônomo e o tesoureiro; Deus vos criou para seu primeiro esmoler. Ah! que nem um só de vossos servos possa dizer que vos invocou em vão nestes dias. Que todos venham, que todos se apresentem ante vosso trono e invoquem vossa intercessão, a fim de viverem e morrerem santamente, a vosso exemplo nos braços de Jesus e no ósculo beatíssimo de Maria. Amém.
 
LADAINHA DE SÃO JOSÉ
 

Senhor tende piedade de nós.
Jesus Cristo tende piedade de nós.
Senhor tende piedade de nós.
 
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, escutai-nos.
 
Deus Pai do Céu, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, ...
Deus Espírito Santo Paráclito, ...
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, ...
 
Santa Maria, rogai por nós.
 
São José,
Ilustre filho de Davi,
Luz dos Patriarcas,
Esposo da Mãe de Deus,
Guardião do Redentor,
Guarda da puríssima Virgem,
Provedor do Filho de Deus,
Zeloso defensor de Cristo,
Servo de Cristo,
Ministro da salvação,
Chefe da Sagrada Família,
José justíssimo,
José castíssimo,
José prudentíssimo,
José fortíssimo,
José obedientíssimo,
José fidelíssimo,
Espelho de paciência,
Amante da pobreza,
Modelo dos trabalhadores,
Honra da vida em família,
Guardião das virgens,
Sustentáculo das famílias,
Amparo nas dificuldades,
Socorro dos miseráveis,
Esperança dos enfermos,
Patrono dos exilados,
Consolo dos aflitos,
Defensor dos pobres,
Patrono dos moribundos,
Terror dos demônios,
Protetor da Santa Igreja,
Patrono da Ordem Carmelita,
 
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade nós.
 
V. - O Senhor o constituiu dono de sua casa.
R. - E fê-lo príncipe de todas as suas possessões.
 
ORAÇÃO: Deus, que por vossa inefável Providência vos dignastes eleger o bem-aventurado São José para Esposo de vossa Mãe Santíssima concedei-nos, nós vos pedimos, que mereçamos ter como intercessor no céu aquele a quem veneramos na terra como nosso protetor. Vós que viveis e reinais com Deus Padre na unidade do Espírito Santo. Amém.
 
LEMBRAI-VOS
Lembrai-vos ó puríssimo Esposo de Maria Virgem, que jamais se ouviu dizer que alguém tivesse invocado a vossa proteção, implorado vosso socorro, não fosse por vós consolado e atendido. Com esta confiança venho à vossa presença e a vós fervorosamente me recomendo. Não desprezeis a minha súplica ó Pai virginal do Redentor, mas dignai-vos acolhê-la piedosamente. Amém.
 
ORAÇÃO A SÃO JOSÉ, PROTETOR DA IGREJA
A vós São José, recorremos na nossa tribulação,  e cheios de confiança, solicitamos a vossa proteção.
Pelo laço sagrado de caridade que vos uniu à Virgem Imaculada Mãe de Deus, e pelo amor paternal que tivestes para com o Menino Jesus, ardentemente suplicamos que lanceis um olhar benigno à herança que Jesus Cristo conquistou com o seu Sangue, e nos assistais, nas nossas necessidades, com o vosso auxílio e poder.
Protegei, ó guarda providente da Divina Família, a raça escolhida de Jesus Cristo;
Afastai para longe de nós, oh! Pai amantíssimo, a peste do erro e do vício; assisti-nos do alto do céu, ó nosso fortíssimo sustentáculo, na luta contra o poder das trevas;
E, assim como outrora salvastes da morte a vida ameaçada, do Menino Jesus assim também defendei agora a Santa Igreja de Deus contra as ciladas dos seus inimigos e contra toda a adversidade.
Amparai a cada um de nós, com vossa constante proteção, a fim de que a vosso exemplo e sustentados com o vosso auxílio, possamos viver virtuosamente, piedosamente morrer, e obter no Céu a eterna bem-aventurança. Amém.

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