segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Quarta-feira de Cinzas

São Teotónio, presbítero
Beato João de Fiésole (Fra Angélico), presbítero
 
1ª Leitura (Joel 2,12-18):
Agora, diz o Senhor: "voltai para mim com todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos; rasgai o coração, e não as vestes; e voltai para o Senhor, vosso Deus; ele é benigno e compassivo, paciente e cheio de misericórdia, inclinado a perdoar o castigo". Quem sabe, se ele se volta para vós e vos perdoa, e deixa atrás de si a bênção, oblação e libação para o Senhor, vosso Deus? Tocai trombeta em Sião, prescrevei o jejum sagrado, convocai a assembleia; congregai o povo, realizai cerimônias de culto, reuni anciãos, ajuntai crianças e lactentes; deixe o esposo seu aposento, e a esposa, seu leito. Chorem, postos entre o vestíbulo e o altar, os ministros sagrados do Senhor, e digam: "Perdoa, Senhor, a teu povo, e não deixes que esta tua herança sofra infâmia e que as nações a dominem". Por que se haveria de dizer entre os povos: "Onde está o Deus deles?" Então o Senhor encheu-se de zelo por sua terra e perdoou ao seu povo.
 
Salmo Responsorial: 50
R. Misericórdia, ó Senhor, pois pecamos!
 
Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! Na imensidão do vosso amor, purificai-me! Lavai-me todo inteiro do pecado e apagai completamente a minha culpa!
 
Eu reconheço toda a minha iniquidade, o meu pecado está sempre à minha frente. Foi contra vós, só contra vós, que eu pequei, pratiquei o que é mau aos vossos olhos!
 
Criai em mim um coração que seja puro, dai-me de novo um espírito decidido. Ó Senhor, não me afasteis de vossa face, nem retireis de mim o vosso Santo Espírito!
 
Dai-me de novo a alegria de ser salvo e confirmai-me com espírito generoso! Abri meus lábios, ó Senhor, para cantar, e minha boca anunciará vosso louvor!
 
2ª Leitura (2Cor 5:20–6,2): Irmãos: Somos embaixadores de Cristo, e é Deus mesmo que exorta através de nós. Em nome de Cristo, nós vos suplicamos: deixai-vos reconciliar com Deus. Aquele que não cometeu nenhum pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele nós nos tornemos justiça de Deus. Como colaboradores de Cristo, nós vos exortamos a não receberdes em vão a graça de Deus, pois ele diz: "No momento favorável, eu te ouvi e, no dia da salvação, eu te socorri". É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação.
 
Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: Não fecheis os corações como em Meriba!
 
Evangelho (Mt 6,1-6.16-18): «Guardai-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles; aliás, não tereis galardão junto de vosso Pai, que está nos céus. Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita; Para que a tua esmola seja dada em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, ele mesmo te recompensará publicamente. E, quando orares, não sejas como os hipócritas; pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente. E, quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram os seus rostos, para que aos homens pareça que jejuam. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. Tu, porém, quando jejuares, unge a tua cabeça, e lava o teu rosto, Para não pareceres aos homens que jejuas, mas a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente».
 
«Guardai-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles»
 
Pe. Luís A. GALA Rodríguez (Campeche, México)
 
Hoje começamos o nosso recorrido à Páscoa, e o Evangelho nos lembra os deveres fundamentais do cristão, não só como preparação a um tempo litúrgico, mas em preparação à Páscoa Eterna: «Cuidado! não pratiqueis vossa justiça na frente dos outros, só para serdes notados. De outra forma, não recebereis recompensa do vosso Pai que está nos céus» (Mt 6,1). A justiça da que Jesus nos fala consiste em viver conforme aos princípios evangélicos, sem esquecer que «Eu vos digo: Se vossa justiça não for maior que a dos escribas e dos fariseus, não entrareis no Reino dos Céus» (Mt 5,20).
 
A justiça nos leva ao amor, manifestado na esmola e em obras de misericórdia: «Tu, porém, quando deres esmola, não saiba tua mão esquerda o que faz a direita» (Mt 6,3). Não é que se devam ocultar as obras boas, mas que não se deve pensar em elogio humano ao fazê-lo, sem desejar nenhum outro bem superior e celestial. Em outras palavras, devo dar esmola de tal modo que nem eu tenha a sensação de estar fazendo uma boa ação, que merece uma recompensa por parte de Deus e elogio por parte dos homens.
 
Bento XVI insistia em que socorrer aos necessitados é um dever de justiça, mesmo antes que um ato de caridade: «A caridade supera a justiça (…), mas nunca existe sem a justiça, que induz a dar ao outro o que é "dele", o que lhe pertence em razão de seu ser e do seu agir». Não devemos esquecer que não somos proprietários absolutos dos bens que possuímos, e sim administradores. Cristo nos ensinou que a autêntica caridade é aquela que não se limita a "dar" esmola, e sim que o leva a "dar" a própria pessoa, a oferecer-se a Deus como culto espiritual (cf. Rom 12,1) esse seria o verdadeiro gesto de justiça e caridade cristã, «de modo que tua esmola fique escondida. E o teu Pai, que vê no escondido, te dará a recompensa» (Mt 6,4).
 
«Guardai-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles»
 
Rev. D. Manel VALLS i Serra (Barcelona, Espanha)
 
Hoje iniciamos a Quaresma: «É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação» (2Cor 6,2). A imposição da cinza —que devemos receber— é acompanhada por uma destas duas fórmulas. A antiga: «Lembre-se de que és pó e pó serás»; e a que introduziu a liturgia renovada do Concilio: «Converta-se e creia no Evangelho». Ambas as fórmulas são um convite a contemplar de uma maneira diferente —normalmente tão superficial— nossa vida. O Papa São Clemente I nos lembra que «o Senhor quer que todos os que o amam se convertam».
 
No Evangelho, Jesus pede a prática da esmola, o jejum e a oração longe de toda hipocrisia: «Por isso, quando você der esmola, não mande tocar trombeta na frente, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem elogiados pelos homens. Eu garanto a vocês: eles já receberam a recompensa» (Mt 6,2). Os hipócritas, energicamente denunciados por Jesus Cristo, se caracterizam pela falsidade de seu coração. Mas, Jesus adverte hoje não só da hipocrisia subjetiva senão também da objetiva: cumprir, inclusive de boa-fé, tudo o que manda a Lei de Deus e a Escritura Santa, mas fazendo de maneira que fique na mera prática exterior, sem a correspondente conversão interior.
 
Então, a esmola reduzida —à “gorjeta”— deixa de ser um ato fraternal e se reduz a um gesto tranquilizador que não muda a maneira de ver o irmão, nem faz sentir a caridade de prestar-lhe a atenção que ele merece. O jejum, por outro lado, fica limitado ao cumprimento formal, que já não lembra em nenhum momento a necessidade de moderar nosso consumismo compulsivo, nem a necessidade que temos de ser curados da “bulimia espiritual”. Finalmente, a oração —reduzida a estéril monólogo— não chega a ser autêntica abertura espiritual, colóquio íntimo com o Pai e escuta atenta do Evangelho do Filho.
 
A religião dos hipócritas é una religião triste, legalista, moralista, de uma grande pobreza de espírito. Pelo contrário, a Quaresma cristã é o convite que cada ano nos faz a Igreja a um aprofundamento interior, a una conversão exigente, a una penitência humilde, para que dando os frutos pertencentes que o Senhor espera de nós, vivamos com a máxima plenitude de alegria e o gozo espiritual da Páscoa.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Nestes dias, deve-se dar uma atenção especial no cuidado e na devoção ao cumprimento das coisas que os cristãos devem fazer em todos os momentos: assim viveremos, em santo jejum, esta Quaresma de instituição apostólica» (S. Leão Magno)
 
«Sabemos que este mundo cada vez mais artificial nos leva a viver uma cultura do "fazer", do "útil", onde inadvertidamente Igreja excluímos Deus do nosso horizonte. A Quaresma chama-nos a "despertarmos" para nos lembrarmos simplesmente que não somos Deus» (Francisco)
 
«A Lei nova pratica os atos da religião: a esmola, a oração, o jejum, ordenando-os para “o Pai que vê no segredo”, ao contrário do desejo “de ser visto pelos homens”» (Catecismo da Igreja Católica, 1.969)
 
Mensagem do Evangelho
 
Três são as coisas, ó irmãos, pelas quais a fé está firme, perdura a devoção, resta a virtude: a oração, o jejum, a misericórdia. Aquilo pelo qual a oração bate, obtém-no o jejum, recebe-o a misericórdia. Estas três coisas, oração, jejum, misericórdia, são uma coisa só e recebem vida uma da outra. O jejum é a alma da oração e a misericórdia a vida do jejum. Ninguém as divida, porque não conseguem estar separadas. Aquele que tem somente uma e não tem as três juntas, não tem nada. Portanto quem reza, jejue. Quem jejua tenha misericórdia. Quem ao pedir deseja ser atendido, atenda quem lhe dirige um pedido. Quem quer encontrar aberto para si o coração de Deus não feche o seu a quem o suplica. Quem jejua compreenda bem o que significa para os outros não ter de comer. Escute quem tem fome, se quer que Deus aceite o seu jejum. Tenha compaixão, quem espera compaixão. Quem pede piedade, exerça-a. Quem quer que lhe seja concedido um dom, abra a sua mão aos outros. É um mau pedinte aquele que nega aos outros aquilo que pede para si. Ó homem, sê tu mesmo, para ti, regra da misericórdia. O modo como queres que se use misericórdia contigo, usa-o tu com os outros. A largura de misericórdia que queres para ti, tem-na para os outros. Oferece aos outros aquela mesma pronta misericórdia que desejas para ti. Portanto, oração, jejum, misericórdia sejam para nós uma força medianeira junto de Deus, sejam para nós uma única defesa, uma única oração sob três aspetos. Tu que jejuas, sabe que o teu campo vazio se ficar vazia a misericórdia. Aquilo que tu tiveres dado na misericórdia, voltará abundantemente ao teu celeiro. Portanto, ó homem, para que tu não venhas a perder com o teu querer para ti, distribui aos outros e então recolherás. Dá-te a ti mesmo, dando ao pobre, porque aquilo que tiveres deixado em herança a um outro, tu não o terás.
 
Meditação pessoal do Evangelho e Partilha em grupo
Qual é o ponto do texto que mais te impressionou, ou que mais te agradou?
Como compreender a advertência inicial feita por Jesus?
O que critica e o que ensina Jesus sobre a esmola? Faz um resumo para ti.
O que critica e o que ensina Jesus sobre a oração? Faz um resumo para ti.
O que critica e o que ensina Jesus sobre o jejum? Faz um resumo para ti.
 

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