quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

III Domingo do Tempo Comum

Domingo da Palavra
Conversão de São Paulo
 
1ª Leitura (Is 8,23b–9,3):
Assim como no tempo passado foi humilhada a terra de Zabulon e de Neftali, também no futuro será coberto de glória o caminho do mar, o Além do Jordão, a Galileia dos gentios. O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz se levantou. Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento. Rejubilam na vossa presença, como os que se alegram no tempo da colheita, como exultam os que repartem despojos. Vós quebrastes, como no dia de Madiã, o jugo que pesava sobre o povo, o madeiro que ele tinha sobre os ombros e o bastão do opressor.
 
Salmo Responsorial: 26
R. O Senhor é minha luz e salvação.
 
O Senhor é minha luz e salvação: a quem hei de temer? O Senhor é protetor da minha vida: de quem hei de ter medo?
 
Uma coisa peço ao Senhor, por ela anseio: habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para gozar da suavidade do Senhor e visitar o seu santuário.
 
Espero vir a contemplar a bondade do Senhor na terra dos vivos. Confia no Senhor, sê forte. Tem confiança e confia no Senhor.
 
2ª Leitura (1Cor 1,10-13.17): Irmãos: Rogo-vos, pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma linguagem e que não haja divisões entre vós, permanecendo bem unidos, no mesmo pensar e no mesmo agir. Eu soube, meus irmãos, pela gente de Cloé, que há divisões entre vós, que há entre vós quem diga: «Eu sou de Paulo», «eu de Apolo», «eu de Pedro», «eu de Cristo». Estará Cristo dividido? Porventura Paulo foi crucificado por vós? Foi em nome de Paulo que recebestes o Baptismo? Na verdade, Cristo não me enviou para batizar, mas para anunciar o Evangelho; não, porém, com sabedoria de palavras, a fim de não desvirtuar a cruz de Cristo.
 
Aleluia. Jesus proclamava o Evangelho do reino e curava todas as doenças entre o povo. Aleluia.
 
Evangelho (Mt 4,12-23): Quando soube que João tinha sido preso, Jesus retirou-se para a Galileia. Deixou Nazaré e foi morar em Cafarnaum, às margens do mar da Galileia, no território de Zabulon e de Neftali, para cumprir-se o que foi dito pelo profeta Isaías: «Terra de Zabulon, terra de Neftali, caminho do mar, região além do Jordão, Galileia, entregue às nações pagãs! O povo que ficava nas trevas viu uma grande luz, para os habitantes da região sombria da morte uma luz surgiu». Daí em diante, Jesus começou a anunciar: “Convertei-vos, pois o Reino dos Céus está próximo». Caminhando à beira do mar da Galileia, Jesus viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André. Estavam jogando as redes ao mar, pois eram pescadores. Jesus disse-lhes: «Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens». Eles, imediatamente, deixaram as redes e o seguiram. Prosseguindo adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João. Estavam no barco, com seu pai Zebedeu, consertando as redes. Ele os chamou. Deixando imediatamente o barco e o pai, eles o seguiram. Jesus percorria toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, anunciando a Boa Nova do Reino e curando toda espécie de doença e enfermidade do povo.
 
«Jesus percorria toda a Galileia»
 
Rev. D. Josep RIBOT i Margarit  (Tarragona, Espanha)
 
Hoje, Jesus dá-nos uma lição de “santa prudência”, perfeitamente compatível com a audácia e a valentia. Efectivamente, Ele - que não tem medo de proclamar a verdade - decide retirar-se, ao ver que - como já tinham feito com João Baptista - os seus inimigos O querem matar: «Sai daqui, porque Herodes te quer matar» (Lc 13,31). - Se Àquele que passou fazendo o bem, os seus detratores tentaram causar dano, não se estranhe que também soframos perseguições, como nos anunciou o Senhor.
 
«Quando soube que João tinha sido preso, Jesus retirou-se para a Galileia» (Mt 4,12). Seria imprudente desafiar os perigos sem um motivo que o exigisse. Apenas na oração discernimos quando o silêncio ou a inatividade - deixar passar o tempo - são sintomas de sabedoria, ou de cobardia e falta de fortaleza. A paciência, ciência da paz, ajuda a decidir com serenidade nos momentos difíceis, se não perdermos a visão sobrenatural.
 
«Jesus percorria toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, anunciando a Boa Nova do Reino e curando toda a espécie de doenças e enfermidades do povo» (Mt 4,23). Nem as ameaças, nem o medo ao que dirão ou as possíveis críticas nos podem impedir de fazer o bem. Aqueles que estamos chamados a ser sal e luz, promotores do bem e da verdade, não podemos ceder diante da chantagem da ameaça, que tantas vezes não passará de um perigo hipotético ou meramente verbal.
 
Decididos, audazes, sem procurar desculpas para adiar a ação apostólica para “depois”. Dizem que «o “depois” é o advérbio dos vencidos». Por isso, São Josemaria recomendava, «uma receita eficaz para o teu espírito apostólico: Planos concretos, não de sábado a sábado, mas de hoje para amanhã (...)».
 
Cumprir a vontade de Deus, ser justos em qualquer ambiente e seguir os ditames da consciência bem formada exige uma fortaleza que devemos pedir para todos, porque o perigo da cobardia é grande. Peçamos à nossa Mãe do Céu que nos ajude a cumprir sempre e em tudo a vontade de Deus, imitando a sua fortaleza ao pé da Cruz.
 
Pensamentos para o Evangelho de hoje
«Não serei pobre em méritos, entanto Ele não o seja em misericórdia. E, embora tenha consciência de meus muitos pecados, se o pecado cresceu, mais desbordante foi a graça. E, se a misericórdia do Senhor é para sempre, eu também cantarei eternamente as misericórdias do Senhor» (São Bernardo)
 
«Naveguem mar adentro, e jogar as redes! Também vocês estão chamados a converter-se em “pescadores de homens”. Não duvidem em empregar vossa vida para testemunhar com alegria o Evangelho, especialmente a vossos coetâneos» (Francisco)
 
«Aquele que, com ajuda de Deus, aceitaram o convite de Cristo e livremente Lhe responderam, foram por sua vez impelidos, pelo amor do mesmo Cristo, a anunciar por toda a parte a Boa-Nova» (Catecismo da Igreja Católica, n° 3)
 
Jesus: a Luz que dissipa as trevas
 
Pe. Pedro Viva, Diocese de Leiria-Fátima
 
* Celebrarmos, neste domingo, o Domingo da Palavra, a liturgia coloca o nosso olhar sobre a pessoa de Jesus.
Ele é a verdadeira luz que brilha nas trevas. Assim O apresenta o evangelista Mateus, citando o texto do profeta Isaías que nos serve de primeira leitura. E, ao mesmo tempo e sem demoras, Jesus começa a sua pregação nas sinagogas e nas aldeias por onde passava. Não sem antes ter chamado os primeiros quatro Apóstolos (dois pares de irmãos) para que sejam testemunhas d’Ele: do que viram e do que ouviram. É Ele o único fundamento da Igreja. Fundamento lembrado por Paulo na sua Primeira Carta aos Coríntios, tentando superar as divisões que se instalaram nela, também a propósito de motivos religiosos. É através da pregação que a Igreja, hoje, de forma particular, pode apresentar Cristo ao mundo. Pregação que fará brotar frutos de caridade.
 
* Depois das narrações dos chamados Evangelhos da Infância de Jesus e após o Seu Batismo no Jordão, Jesus inicia a sua missão na Galileia, mais precisamente nos territórios de Zabulon e Neftali, fixando-se em Cafarnaum, à beira do Lago de Genesaré, que funcionará como ponto de partida das suas pregações pelas regiões vizinhas. Não sendo a capital política (era Tiberíades), nem tendo a importância de Magdala, mas rica, acabava por ser tida como a capital religiosa da Galileia, fazendo fronteira com Golan e por onde passava o famoso «caminho do Mar» que levava do Egipto à Mesopotâmia. Considerada terra de pagãos pelos judeus mais zelosos, pois os seus habitantes tinham-se misturado com outros povos, é precisamente aqui que Jesus quis iniciar a Sua ação messiânica de redenção e salvação. 
 
* Tendo nascido em Belém, da Judeia, Jesus cresceu e viveu grande parte da vida em Nazaré. Nos últimos três anos da Sua vida, quando iniciou a pregação sobre o Reino de Deus fixa-se em Cafarnaum. Não deixa de ser interessante considerar que a Galileia, região que os judeus mais ortodoxos consideravam uma terra de pagãos, tenha sido a escolhida por Jesus para iniciar as suas pregações. Particularmente Cafarnaum, ficava na fronteira com o mundo pagão. Aponta já para a nova realidade que Jesus vem ensinar: a universalidade da salvação, ou seja, não um exclusivo do povo judeu, mas uma proposta feita a todos os povos. «… O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam na sombria região da morte, uma luz se levantou». ´
 
* Num segundo momento do texto apresenta-se o conteúdo da mensagem e da missão de Jesus: «Arrependei-vos, porque o reino de Deus está próximo». É Jesus, Ele mesmo, a concretização desse Reino: um reino de Justiça, paz, misericórdia, bem diferente dos reinos do mundo e de muitos reinados que o povo judeu conheceu, com monarcas mais preocupados com os seus interesses pessoais do que com a causa do bem comum, como bem denunciaram muitos profetas. Para acolher este novo Reino e fazer parte dele é necessário o arrependimento. Não basta uma operação de cosmética superficial. É necessário mudar de mentalidade e, de coração, deixar que Deus reine. Assim era para aqueles primeiros discípulos e para nós, hoje. 
 
* Jesus chama a Si os primeiros discípulos. Ao contrário dos rabis, até então, que eram escolhidos pelos seus discípulos, é Jesus que toma a iniciativa de chamar, formar e depois de entrarem em profunda sintonia com o Seu projeto salvador, enviá-los em missão para darem testemunho do que viram e ouviram. Aliás, será esse um dos critérios para nos primeiros tempos se agregar alguém ao colégio dos Apóstolos: alguém que testemunhou os ensinamentos de Jesus, alguém que fez caminhada com eles. E eles, de imediato, deixaram as suas famílias, as suas profissões, o seu quadro mental de referências, as suas seguranças económicas e seguiram Jesus. Certamente não entenderam tudo de uma vez. Mas a generosidade do seu sim deve ser para nós inspirador. Para além dos cálculos, ser cristão e, por consequência, discípulo-missionário, é um risco que vale a pena correr. 
 
* Por fim, vemos Jesus atuar: «ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do reino e curando todas as doenças e enfermidades entre o povo».
Às palavras, juntam-se os gestos de Jesus. As Suas Palavras dizem e fazem. Não são palavras inconsequentes ou de pura retórica. São palavras de vida eterna, como um dia lhe dirá Pedro. São palavras que levantam, perdoam, reconstroem vidas. 
 
* A celebração da Eucaristia é constituída por dois momentos fundamentais: a liturgia da Palavra e a liturgia Eucarística. A Palavra de Deus não é um adorno: ela é a expressão da vontade e dos projetos de Deus a nosso respeito e para nosso bem. Se não escutarmos a Palavra, como poderemos conhecer os projetos do Senhor, como poderemos responder ao Seu chamamento com prontidão, como fizeram Pedro, André, Tiago e João? Neste domingo da Palavra, é mais uma oportunidade que temos para deixar que as Palavras do Senhor ecoem no mais profundo do nosso coração.
 
* Em Jesus, o anúncio do Reino de Deus não é mera proclamação, mas realização. O início da pregação de Jesus foi verdadeiro bálsamo para aqueles pobres de Israel que esperavam a concretização das promessas de Deus, anunciadas por Isaías e que Jesus assume por inteiro: «cumpriu-se hoje mesmo aquilo que acabais de ouvir». Quem participa na Eucaristia deve ser capaz de tirar consequências sociais para a sua vida e para a vida da comunidade.
 
* «Arrependei-vos, porque o reino de Deus está próximo». O Hoje da Salvação, realizado por Jesus, deve concretizar-se em nós com uma dupla atitude que se implica mutuamente: de arrependimento e de fé. Sem fé não há verdadeiro arrependimento (é mero esforço nosso) e o arrependimento reforça em nós a confiança na misericórdia de Deus. O ato penitencial, no início da Eucaristia, ajuda-nos a tomar consciência da nossa condição de penitentes sempre necessitados de perdão.
 
* «Vinde e segui-Me e farei de vós pescadores de homens». Ao contrário do comodismo que nos instala, Jesus desinstala-nos e propõe-nos segui-Lo. E é na medida que nos dispomos a segui-Lo que poderemos assumir a Sua missão, hoje. Ser pescador de homens é resgatar quem está na iminência de se perder nas ondas do mar revolto da vida.
 
MEDITAÇÃO
1 -
Como respondo à Palavra de Deus?
2 - Como me preparo para receber Jesus com um coração puro? Celebro com frequência o Sacramento da Reconciliação?
3 - Que contributo quero eu dar para ajudar quem vive na tristeza, no desespero, na angústia?

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