São
João de Capistrano, presbítero
Beato
João Ângelo Porro, presbítero
1ª
Leitura (Rom 6,19-23): Irmãos: Falo com linguagem humana, por causa da
vossa fraqueza: Assim como entregastes os vossos membros como escravos ao
serviço da impureza e da desordem, que conduz à revolta contra Deus, colocai
agora os vossos membros ao serviço da justiça, que conduz à santidade. Na
verdade, quando éreis escravos do pecado, éreis livres em relação à justiça.
Mas que fruto colhestes então dessas obras de que atualmente vos envergonhais?
De facto, o seu fim é a morte. Mas agora, libertos do pecado e tornados servos
de Deus, produzis o fruto que conduz à santificação, cujo fim é a vida eterna.
Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna,
em Jesus Cristo, nosso Senhor.
Salmo
Responsorial: 1
R. Feliz o homem que pôs a sua
esperança no Senhor.
Feliz o homem que não segue o
conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, mas antes se
compraz na lei do Senhor, e nela medita dia e noite.
É como árvore plantada à beira
das águas: dá fruto a seu tempo e sua folhagem não murcha. Tudo quanto fizer
será bem-sucedido.
Bem diferente é a sorte dos
ímpios: são como palha que o vento leva. O Senhor vela pelo caminho dos justos,
mas o caminho dos pecadores leva à perdição.
Aleluia. Considero todas as
coisas como prejuízo, para ganhar a Cristo e n’Ele me encontrar. Aleluia.
Evangelho
(Lc 12,49-53): Naquele tempo, o Senhor disse aos seus discípulos: «Fogo
eu vim lançar sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso! Um batismo
eu devo receber, e como estou ansioso até que isto se cumpra! Pensais que eu
vim trazer a paz à terra? Pelo contrário, eu vos digo, vim trazer a divisão.
Pois daqui em diante, numa família de cinco pessoas, três ficarão divididas
contra duas e duas contra três; ficarão divididos: pai contra filho e filho
contra pai; mãe contra filha e filha contra mãe; sogra conta nora e nora contra
sogra».
«Fogo eu vim lançar sobre a
terra»
Rev. D. Joan MARQUÉS i Suriñach (Vilamarí,
Girona, Espanha)
Hoje, o Evangelho apresenta-nos
Jesus como uma pessoa de grandes desejos: Fogo eu vim lançar sobre a terra, e
como gostaria que já estivesse aceso! (Lc 12,49). Jesus já queria ver o mundo a
arder em caridade e em virtude. Nada menos! Tem que passar pela prova de um
batismo, quer dizer, da cruz, e já queria tê-la passado. Naturalmente! Jesus
tem planos e tem pressa em vê-los realizados. Poderíamos dizer que é pressa de
uma santa impaciência. Também nós temos ideias e projetos, e queríamos vê-los
realizados rapidamente. O tempo estorva-nos. Como estou ansioso até que isto se
cumpra! (Lc 12,50), disse Jesus.
É a pressão da vida, a inquietude
experimentada pelas pessoas que têm grandes projetos. Por outro lado, quem não
tenha desejos é um covarde, um morto, um freio. E, além disso, é um triste, um
amargurado que costuma desabafar criticando os que trabalham. São as pessoas
com desejos que se mexem e originam movimento à sua volta, as que avançam e
fazem avançar.
Tem grandes desejos! Aponta bem
para o alto! Busca a perfeição pessoal, a da tua família, a do teu trabalho, a
das tuas obras, a dos cargos que te confiem. Os santos aspiraram ao máximo. Não
se assustaram diante do esforço e da pressão. Mexeram-se. Mexe-te tu também!
Lembra-te das palavras de Santo Agostinho: Se dizes já chega, estás perdido.
Acrescenta sempre, caminha sempre. Avança sempre; não pares no caminho, não
retrocedas, não te desvies. O que não avança, pára; retrocede o que volta a
pensar no ponto de partida, desvia-se o que deserta. É melhor o coxo que anda
no caminho que o que corre fora do caminho. E acrescenta: Examina-te e não te
contentes com o que és se queres chegar ao que não és. Porque no instante em
que te deleites contigo mesmo, terás parado. Mexes-te ou estás parado? Pede
ajuda à Santíssima Virgem, Mãe da Esperança.
Pensamentos para o Evangelho
de hoje
«A oração nada mais é do que a
união com Deus. Qualquer pessoa de coração puro e unido a Deus experimenta em
si próprio uma suavidade e doçura que o embriaga, sente-se como se estivesse
envolvido por uma luz admirável» (São João Maria Vianney)
«No “sim” ao abandonar-se
inclui-se a coragem de se deixar queimar pelo fogo da paixão de Jesus Cristo»
(Bento XVI)
«Da parte de Jesus, o seu
baptismo é a aceitação e a inauguração da sua missão de Servo sofredor.
Deixa-se contar entre o número dos pecadores. É já o Cordeiro de Deus que tira
o pecado do mundo´ (Jo 1, 29); e antecipa já o «baptismo» da sua morte sangrenta.
Vem, desde já, para cumprir toda a justiça´ (Mt 3,15). Quer dizer que Se
submete inteiramente à vontade do Pai e aceita por amor o baptismo da morte
para a remissão dos nossos pecados (...)» (Catecismo da Igreja Católica, nº
536)
Reflexões de Frei Carlos
Mesters, O.Carm.
* O evangelho de hoje traz
algumas frases soltas de Jesus. A primeira sobre o fogo na terra só ocorre
em Lucas. As outras têm frases mais ou menos paralelas em Mateus. Isto nos
remete para o problema da origem da composição destes dois evangelhos que já
fez correr muita tinta ao longo dos últimos dois séculos e só será resolvido
plenamente quando pudermos conversar com Mateus e Lucas, depois da nossa
ressurreição.
* Lucas 12,49-50: Jesus veio
trazer fogo sobre a terra. "Eu vim para lançar fogo sobre a terra: e
como gostaria que já estivesse aceso! Devo ser batizado com um batismo, e como
estou ansioso até que isso se cumpra!” A imagem do fogo ocorre muito na Bíblia
e não tem um sentido único. Pode ser imagem de devastação e castigo e também
pode ser imagem de purificação e iluminação (Is 1,25; Zc 13,9). Pode até evocar
proteção como transparece em Isaías: “Se passar pelo fogo, estarei contigo” (Is
43,2). João Batista batizava com água, mas depois dele Jesus haveria de batizar
pelo fogo (Lc 3,16). Aqui, a imagem do fogo é associada à ação do Espírito
Santo que desceu no dia de Pentecostes sob a imagem de línguas de fogo (At
2,2-4). Imagens e símbolos nunca têm um sentido obrigatório, totalmente
definido, que não permitiria divergência. Nesse caso já não seria imagem nem
símbolo. É da natureza do símbolo provocar a imaginação dos ouvintes e
expectadores. Deixando liberdade aos ouvintes, a imagem do fogo combinado com a
imagem do batismo indica a direção na qual Jesus quer que a gente dirija a
imaginação. Batismo é associado com água e é sempre expressão de um
compromisso. Em outro lugar o batismo aparece como símbolo do compromisso de
Jesus com a sua paixão: “Vocês podem ser batizados com o batismo com que serei
batizado?”. (Mc 10,38-39).
* Lucas 12,51-53: Jesus veio
trazer a divisão. Jesus sempre fala em paz (Mt 5,9; Mc 9,50; Lc 1,79; 10,5;
19,38; 24,36; Jo 14,27; 16,33; 20,21.26). Então, como entender a frase do
evangelho de hoje que parece dizer o contrário: “Vocês pensam que eu vim trazer
a paz sobre a terra? Pelo contrário, eu lhes digo, vim trazer divisão”. Esta
afirmação não significa que Jesus estivesse a favor da divisão. Não! Jesus não
quer a divisão. Mas o anúncio da verdade de que ele, Jesus de Nazaré, era o
Messias tornou-se motivo de muita divisão entre os judeus. Dentro da mesma
família ou comunidade, uns eram a favor e outros radicalmente contra. Neste
sentido a Boa Nova de Jesus era realmente uma fonte de divisão, um “sinal de
contradição” (Lc 2,34) ou, como dizia Jesus: “Ficarão divididos: o pai contra o
filho, e o filho contra o pai; a mãe contra a filha, e a filha contra a mãe; a
sogra contra a nora, e a nora contra a sogra”. Era o que estava acontecendo, de
fato, nas famílias e nas comunidades: muita divisão, muita discussão, como consequência
do anúncio da Boa Nova entre os judeus daquela época, uns aceitando, outros
negando. O mesmo vale para o anúncio da fraternidade como o valor supremo da
convivência humana. Nem todos concordavam com este anúncio, pois preferiam
manter seus privilégios. Por isso, não tinham medo de perseguir os que
anunciavam a fraternidade e a partilha. Esta é a divisão que surgia e que está
na origem da paixão e morte de Jesus. Era o que estava acontecendo. Era o
julgamento em andamento. Jesus quer é a união de todos na verdade (cf. Jo
17,17-23). Até hoje é assim. Muitas vezes, lá onde a Igreja se renova, o apelo
da Boa Nova se torna um “sinal de contradição” e de divisão. Pessoas que
durante anos viveram acomodadas na rotina da sua vida cristã, já não querem ser
incomodadas pelas “inovações” do Vaticano II. Incomodadas pelas mudanças, elas
usam toda a sua inteligência para encontrar argumentos em defesa de suas
opiniões e para condenar as mudanças como contrárias ao que elas pensam ser a
verdadeira fé.
Para um confronto pessoal
1) Buscando a união, Jesus
era causa de divisão. Isto já aconteceu com você?
2) Diante das mudanças na
Igreja, como me situo?
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