domingo, 10 de outubro de 2021

NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO APARECIDA, PADROEIRA DO BRASIL

I Leitura (Ester 5,1-2;7,2-3) - Três dias depois Ester se revestiu de seus trajes reais e se apresentou na câmara interior do palácio, diante do aposento real, onde estava o rei sentado sobre seu trono, diante da porta de entrada do edifício. Logo que o rei viu a rainha Ester no átrio, esta conquistou suas boas graças, de sorte que ele estendeu o cetro de ouro que tinha na mão. E Ester se aproximou para tocá-lo. No segundo dia, bebendo vinho, disse ainda o rei a Ester: "Qual é teu pedido, rainha Ester? Será atendido. Que é que desejas? Fosse mesmo a metade de meu reino, tu obterias". A rainha respondeu: "Se achei graça a teus olhos, ó rei, e se ao rei lhe parecer bem, concede-me a vida, eis o meu pedido; salva meu povo, eis o meu desejo".

Salmo Responsorial 44/45

R. Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: que o rei se encante com vossa beleza!

Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: "Esquecei vosso povo e casa paterna! Que o rei se encante com vossa beleza! Prestai-lhe homenagem: é vosso senhor!

O povo de Tiro vos traz seus presentes, os grandes do povo vos pedem favores. Majestosa, a princesa real vem chegando, vestida de ricos brocados de ouro.

Em vestes vistosas ao rei se dirige, e as virgens amigas lhe formam cortejo; entre cantos de festa e com grande alegria, ingressam, então, no palácio real"

II Leitura (Apocalipse 12,1.5.13.15-16) - Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas. Ela deu à luz um Filho, um menino, aquele que deve reger todas as nações pagãs com cetro de ferro. Mas seu Filho foi arrebatado para junto de Deus e do seu trono. O Dragão, vendo que fora precipitado na terra, perseguiu a Mulher que dera à luz o Menino. A Serpente vomitou contra a Mulher um rio de água, para fazê-la submergir. A terra, porém, acudiu à Mulher, abrindo a boca para engolir o rio que o Dragão vomitara.

Aleluia, aleluia, aleluia. Disse a mãe de Jesus aos serventes: “Fazei tudo o que ele disser!”

Evangelho (João 2,1-11) - Naquele tempo, 2 1 três dias depois, celebravam-se bodas em Caná da Galiléia, e achava-se ali a mãe de Jesus. Também foram convidados Jesus e os seus discípulos. Como viesse a faltar vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: "Eles já não têm vinho". Respondeu-lhe Jesus: "Mulher, isso compete a nós? Minha hora ainda não chegou". Disse, então, sua mãe aos serventes: "Fazei o que ele vos disser". Ora, achavam-se ali seis talhas de pedra para as purificações dos judeus, que continham cada qual duas ou três medidas. Jesus ordena-lhes: "Enchei as talhas de água". Eles encheram-nas até em cima. "Tirai agora", disse-lhes Jesus, "e levai ao chefe dos serventes". E levaram. Logo que o chefe dos serventes provou da água tornada vinho, não sabendo de onde era (se bem que o soubessem os serventes, pois tinham tirado a água), chamou o noivo e disse-lhe: "É costume servir primeiro o vinho bom e, depois, quando os convidados já estão quase embriagados, servir o menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora". Este foi o primeiro milagre de Jesus; realizou-o em Caná da Galiléia. Manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele.

"Fazei o que Ele vos disser".

O relato das bodas de Caná constitui uma releitura da aliança que Deus realizou com o povo de Israel. O compromisso de amor mútuo foi rompido por sucessivas infidelidades por parte de Israel, desde a opção pela monarquia até a organização do sistema sacerdotal de pureza. Não é por acaso que, logo após as bodas de Caná, Jesus se dirige ao Templo, onde, profeticamente, denuncia a exploração ali instalada e anuncia um novo Templo, que é ele próprio.

Na festa de casamento, Jesus é apresentado como o esposo da nova humanidade. O sistema judaico, organizado segundo os interesses de uma elite religiosa, esvaziou o sentido da antiga aliança; já não respondia ao amor de Deus. A imposição de um legalismo excludente criou imenso vazio no coração do povo. Os seis potes vazios representam as festas judaicas (o Evangelho de João apresenta seis delas), que deveriam ser expressão de plena alegria pela presença amorosa e salvadora de Deus. No entanto, estão vazias, perderam o verdadeiro conteúdo que saciaria a sede que o povo tem de Deus.

A comunidade de João manifesta sua fé em Jesus como Deus-esposo que vem resgatar (Caná significa “adquirir”) sua esposa e oferecer-lhe o vinho do amor e da alegria. Essa festa de casamento, portanto, é a celebração da nova aliança. A esposa é o novo povo de Deus, formado pelas comunidades cristãs. A esposa é representada pela mãe de Jesus. Por isso Jesus se dirige a ela chamando-a de “mulher”. Ela executa um papel muito especial: percebe que naquela festa falta o essencial. Dirige-se a Jesus, pois sabe que dele vem a solução: “Eles não têm mais vinho”. Jesus lhe responde que sua hora ainda não chegou. O texto supõe que aquela mãe-mulher-comunidade entendeu perfeitamente e, por isso, confia em Jesus: “Fazei tudo o que ele disser”. Na cena seguinte, vemos Jesus-esposo dizendo de modo imperativo aos que serviam: “Enchei os potes de água”, e depois: “Tirai e levai ao mestre-sala”. Este provou sem saber de onde viera o melhor vinho. Porém, “os que serviam estavam sabendo”. O vinho em abundância simboliza o dom do amor de Deus para a humanidade. É a volta da plena alegria oferecida por Deus, que celebra com seu povo a aliança definitiva.

João faz questão de dizer que “esse foi o princípio dos sinais… e os discípulos acreditaram nele”. Até a “hora de Jesus” – o momento de sua morte e glorificação –, vários outros sinais serão por ele realizados. O tema da aliança contemplado no primeiro sinal serve como chave de interpretação para todos os demais. No final do evangelho, João vai dizer: “Esses sinais foram escritos para que vocês acreditem que Jesus é o Messias, o Filho de Deus. E para que, acreditando, vocês tenham a vida em seu nome” (20,31). Nesse mesmo evangelho, Jesus declarou: “Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância” (10,10).

A mãe de Jesus, que aparece nas bodas de Caná como representante do novo povo de Deus, indica como podemos ser fiéis à aliança com Deus: permanecendo atentos às necessidades do povo, contando com a graça de Jesus presente no meio de nós e pondo-nos a serviço do seu projeto de vida em abundância para todos.

 “A Mãe de Jesus estava presente”

A comunidade joanina reservou para nós a belíssima narrativa das bodas de Caná, uma pequena cidade da Galiléia. Com uma população atual em tono de 8.000 habitantes, Caná da Galileia é a cidade de maior proporção de cristãos em Israel/Palestina, cerca de 25%. Cristãos e muçulmanos convivem aí de forma pacífica. Caná significa adquirir, tendo, por isso, um valor simbólico na realização do primeiro milagre de Jesus. Faltou vinho em Caná, na havia tempo hábil para o noivo comprar mais vinho. Jesus, sim, foi capaz de “adquirir”  um vinho novo e de muita qualidade. O que isso significa?

Como vimos no evangelho de hoje, Jesus fez aí, numa festa de casamento, o seu primeiro milagre: transformou água e vinho. O matrimonio era realizado em três etapas, a saber: namoro, noivado e núpcias. A festa de casamento durava sete dias. Era o terceiro dia, o vinho tinha acabado. Jesus e sua família eram convidados. Maria solicitou a Jesus que fizesse seu primeiro milagre. Uma igreja, relembrando esse episódio foi edificada em 1879, sobre uma bizantina e outra cruzada. Os cristãos aí renovam as promessas matrimoniais. Na sua cripta, encontram-se vasos de cerâmica. Naquele tempo, eram usados vasos de pedra, de modo que a água pudesse estar sempre pura.

O matrimônio, no Primeiro Testamento, foi relido como símbolo do casamento entre Deus e Israel (Os 2, 16-25; Is 1, 21-13; 49, 14-16). Dentre esses textos, é muito conhecida a experiência do profeta Oseias com a sua esposa infiel, Gomer, símbolo da infidelidade de Israel. No evangelho de João, Jesus é o novo esposo de Israel que, simbolicamente está celebrando a sua festa de matrimônio, na qual faltava uma coisa essencial, o vinho. Maria, sua mãe, sabedora do papel do filho no novo Israel, lhe pede para resolver imediatamente a questão, pois a festa não podia terminar e as promessas divinas nele deveriam se cumprir. Sendo Jesus o messias, o esposo que deveria, por obrigação cultural, oferecer vinho durante a festa. Jesus era o Messias-esposo. E Maria sabia disso. Qual mãe não conhece bem o seu filho!

O vinho, naquele tempo, era o sinal de alegria nas festas. Foi num jantar de páscoa, onde são consumidas cinco taças de vinho, cada uma delas com o seu simbolismo próprio, que Jesus toma, ao final da ceia, uma taça de vinho e diz que se tratava do seu sangue, o da salvação. O vinho era também o símbolo do amor no casamento. Basta ler o livro Cântico dos Cânticos, que fala do amor e do vinho (Ct 1,2; 7,10).

A resposta de Jesus não é muito elegante com a mãe, ao dizer-lhe: “Que queres de mim, mulher? A minha hora ainda não chegou.” (v.4).  A hora de Jesus é sua morte que levaria à ressurreição. Maria nem se importa com a sua resposta e diz aos criados que façam tudo que ele ordenar. Muitos já explicaram o fato de Jesus não se dirigir a Maria como mãe, mas como mulher, dizendo que mulher, aqui representa a nova Eva, a mulher mãe de Israel, a esposa de Jesus, os novos judeus seguidores do messias Jesus. Não temos como discordar dessas afirmativas. No entanto, vale lembrar que tradição dos evangelhos apócrifos, ao relatar esse mesmo episódio, diz que Jesus ao receber os criados com talhas de água enviadas por Maria, balança a cabeça, encolhe os ombros e diz rindo aos criados: “Faça o que ela está pedindo. Que filho pode negar um pedido de mãe? O melhor será atendê-la o quanto antes, porque senão irá insistir até conseguir o que quer”. E disse aos criados: Enchei as talhas de água!”[2] O relato apócrifo aparece mais lógica. Maria é a mãe que adianta a hora do filho. Nela estão todos que acreditaram e acreditam em Jesus, como filho de Deus. Ela nos revela que seu filho é o próprio vinho novo, o esposo da humanidade, a nova humanidade, simbolicamente representada pelas seis talhas de pedra. O seis relembra o dia da criação do ser humano (Gn 1,26), bem como a imperfeição, o incompleto. A besta do apocalipse é representada com o número 666. Por serem de pedras, as talhas recordam as tábuas da lei selada entre Deus e povo, na pessoa de Moisés, o “tirado das águas”, conforme seu próprio nome significa. Agora, é Jesus, o novo Moisés, pede para colocar água nas talha e a transforma em vinho.

Jesus realizou o seu primeiro sinal e nele a glória de Deus. E todos crerem, mas quem roubou a cena no evento foi Maria. Não por menos, ele deveria aparecer também em nosso país. Ela é a Aparecida do Norte, do Brasil e todos os cristãos, de modo especial, nós de fé católica.

ORAÇÃO

Virgem Mãe Aparecida, Mãe de Deus e nossa! Vela pelo povo brasileiro, acolhe nosso brado filial!

Intercede com tua oração materna por nossos governantes: que sejam retos, justos, servidores do bem comum, sobretudo dos mais necessitados!

Sê consolo para quem chora, força para quem se encontra alquebrado, inspiração e encorajamento para os pobres, saúde para os enfermos e rosto maternal de Deus para todos nós! Vela pelas crianças, mantém na harmonia as famílias de nossa Pátria, vela pela paz no campo e nas cidades!

Senhora Aparecida, protege a Santa Igreja em terras brasileiras! Roga pelo clero, pelos religiosos, por todo o povo de Deus!

Ajuda-nos, Mãe de Deus-Jesus e Mãe nossa, ajuda-nos a construir um Brasil mais cristão, mais justo, mais pacífico e solidário… e que, pelas tuas preces maternas, jorre para nós o vinho bom da alegria e sejamos todos, um dia, herdeiros do Reino dos céus. Amém!

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