sábado, 18 de julho de 2015

XVI Domingo do Tempo Comum

Textos: Jr 23, 1-6; Ef 2, 13-18; Mc 6, 30-34

Evangelho (Mc 6,30-34): Naquele tempo, os apóstolos se reuniram junto de Jesus e lhe contaram tudo o que tinham feito e ensinado. Ele disse-lhes: «Vinde, a sós, para um lugar deserto, e descansai um pouco!» Havia, de fato, tanta gente chegando e saindo, que não tinham nem tempo para comer. Foram, então, de barco, para um lugar deserto, a sós. Muitos os viram partir e perceberam a intenção; saíram então de todas as cidades e, a pé, correram à frente e chegaram lá antes deles. Ao sair do barco, Jesus viu uma grande multidão e encheu-se de compaixão por eles, porque eram como ovelhas que não têm pastor. E começou, então, a ensinar-lhes muitas coisas.

«Vinde, a sós, para um lugar deserto, e descansai um pouco!»

Rev. D. David AMADO i Fernández (Barcelona, Espanha)

Hoje, o Evangelho nos convida a descobrir a importância de descansar no Senhor. Os apóstolos voltavam da missão que Jesus lhes havia dado. Haviam expulsado demônios, curado doentes e pregado o Evangelho. Estavam cansados e Jesus lhes disse: «vinde, a sós, para um lugar deserto, e descansai um pouco!» (Mc 6, 31).

Uma das tentações a que pode sucumbir qualquer cristão é a de querer fazer muitas coisas descuidando do trato com o Senhor. O Catecismo recorda que, na hora de fazer oração, um dos maiores perigos é pensar que há outras coisas mais urgentes e, dessa forma, se acaba descuidando do trato com Deus. Por isso Jesus, a seus Apóstolos, que trabalharam muito, que estavam esgotados e eufóricos porque tudo lhes correu bem, manda que descansem. E, acrescenta o Evangelho «foram, então, de barco, para um lugar deserto, a sós» (Mc 6,32). Para poder rezar bem são necessárias, ao menos duas coisas: a primeira é estar com Jesus, porque é a pessoa com que vamos falar. Temos que ter certeza de que estamos com Ele. Por isso todo tempo de oração começa, geralmente, e é o mais difícil, com um ato de presença de Deus. Tomar consciência de que estamos com Ele. E a segunda é a necessidade de solidão. Se queremos falar com alguém, ter uma conversa íntima e profunda, escolhemos um lugar isolado.

São Pedro Julião Eymard recomendava descansar em Jesus depois de comungar. E advertia do perigo de encher a ação de graças com muitas palavras ditas de cabeça. Dizia, que depois de receber o Corpo de Cristo, o melhor é estar um tempo em silêncio, para repor nossas forças deixando que Jesus nos fale no silêncio do nosso coração. Às vezes, muito melhor do que explicar a Ele nossos projetos é deixar que Jesus nos instrua e anime.

Como deve ser o pastor?

Pe. Antonio Rivero, L.C

V Centenário do Nascimento (1515-2015)
No 4º domingo da Páscoa Jesus era apresentado para nós, com maiúscula. Hoje a liturgia nos apresenta os bons e os maus pastores. Aquelas pessoas colocadas para o cuidado dos demais, socialmente ou eclesiasticamente devem ter umas qualidades. Se for o contrário, as pessoas sob o seu cuidado se desorientam, como ovelhas sem pastor, e podem se perder.

Em primeiro lugar, Jeremias denuncia fortemente, para o bem de Deus, os maus pastores e líderes religiosos do seu povo (1ª leitura). Não lhes interessa realmente o povo; mais ainda, dispersam o rebanho, exploram e se preocupam pouco com ele. Às vezes é o povo que reclama dos maus pastores. Esta vez é o próprio Deus que reclama deles. Mas os profetas nunca denunciaram sem a esperança de um anúncio. O anúncio de Jeremias é a vinda do Bom Pastor, cheio de justiça e compaixão pelo seu povo. Quem foi esse Bom Pastor, senão Jesus?

Em segundo lugar, não é fácil apascentar, guiar, cuidar e defender as nossas ovelhas. Umas estão doentes e cansadas. Outras são rebeldes e ariscas. Também tem ovelhas que engoliram o veneno que os falsos pastores lhes ofereceram e estão quase mortas: o veneno da teologia da prosperidade, o veneno do consumismo, o veneno do liberalismo desenfreado, o veneno de tantas ideologias que estão nos afogando, o veneno de tantos paraísos psicodélicos, o veneno da corrupção. Não só as ovelhas podem estar em situação de risco; também os mesmos pastores: estão cansados, deixaram de rezar ou rezam pouco, têm também o perigo de escutar outros assobios sibilinos e enganadores. O que fazer? O que fez Jesus e que nos narra no evangelho de hoje. Para com as ovelhas: ver, sentir compaixão e começar a pregar e ensinar. Ver como está cada ovelha. Sentir um infinito amor por elas. Curá-las. Alimentá-las com o pão da Palavra. E para os pastores Cristo recomenda descanso, isto é, retiro espiritual para rezar e repor forças. 

Finalmente, hoje é bom nos perguntar como estamos vivendo a nossa vocação de “pastor”, pois todos nós temos esta missão em certo sentido. Pastores são os pais de família para com os seus filhos; quais alimentos lhes dão: carinho, diálogo, conselho, exemplo? Pastores, como nos faz lembrar o Antigo Testamento, também são os governantes, que governam o povo em representação de Deus..., porém, têm consciência disto alguns dos nossos governantes que exploram as ovelhas, humilham-nas, procurando só o lucro? Pastores são também os nossos professores e mestres com os seus alunos e discípulos; em quais pastagens os conduzem: à verdade científica, filosófica e teologia? Pastores são também os responsáveis dos diversos movimentos eclesiais para com os seus irmãos; aonde querem dirigi-los: ao seu próprio “gueto” fechado e fanático ou a um discernimento profético das necessidades mais urgentes da Igreja? Pastores são os sacerdotes ao serviço das suas paróquias; como tratamos as ovelhas que são de Cristo e que Ele nos encarregou: paternalismo ou paternidade; autoritarismo ou autoridade, respeitando os talentos e ajudando-os a colocar ao serviço da paróquia? Pastores são os bispos nas suas dioceses. Pastor é o Papa ao serviço da Igreja universal. O Papa Francisco nos pede a todos cuidar-nos da “cultura e da globalização da indiferença”, que não vê as necessidades de tantas ovelhas que estão se perdendo e desorientadas e feridas e com fome. E aos pastores da Igreja- bispos e sacerdotes- pede-nos fugir do desejo de fazer carreira e a preocupação do lucro no serviço que prestamos ao nosso povo, como pastores.   

Para refletir: Cristo hoje teria que me corrigir ou parabenizar pela minha missão de pastorear? Sinto compaixão ao ver tantas ovelhas sem pastor? O que faço por essas ovelhas?

Para rezar: pode servir o salmo 23:
O Senhor é o meu bom pastor, nada me falta.
Pelos verdes prados me faz repousar,
E às fontes tranquilas me conduz
Restaura as minhas forças.
Guia-me pelo caminho direito,
Em honra do seu Nome.
Se eu andasse por vales escuros,
Ainda assim não terei nenhum medo,
Porque está meu Senhor junto a mim.
O teu bastão e o teu cajado me dão segurança.
Preparas um banquete à vista dos meus inimigos,
Perfumas a minha cabeça e o meu cálice transborda.
O teu amor e a tua bondade me acompanharão
Todos os dias da minha vida;
E habitarei na casa do Senhor
Todos os dias da minha vida.

Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail:  arivero@legionaries.org

Nenhum comentário:

Postar um comentário

DEIXE AQUI SEU SUA SUGESTÃO