sábado, 9 de maio de 2015

MÊS DE MARIA - Domingo da 6ª semana da Páscoa


Textos: Atos 10, 25-26. 34-35. 44-48; 1 Jo 4, 7-10; Jo 15, 9-17

Evangelho (Jo 15,9-17): Naquele tempo, Jesus falou assim aos seus discípulos: «Como meu Pai me ama, assim também eu vos amo. Permanecei no meu amor. Se observardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu observei o que mandou meu Pai e permaneço no seu amor. Eu vos disse isso, para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa. Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida por seus amigos. Vos sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu Senhor. Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai. Não fostes vós que me escolhestes; fui eu que vos escolhi e vos designei, para dardes fruto e para que o vosso fruto permaneça. Assim, tudo o que pedirdes ao Pai, em meu nome, ele vos dará. O que eu vos mando é que vos ameis uns aos outros».

Comentário: Rev. D. Francesc CATARINEU i Vilageliu (Sabadell, Barcelona, Espanha)

Eu vos chamo amigos

Hoje celebramos o último domingo antes das solenidades da Ascensão e Pentecostes, que encerram a Páscoa. Se ao longo destes domingos Jesus ressuscitado se manifestou como o Bom Pastor e a videira a quem há que estar unido como os sarmentos, hoje nos abre de par em par seu Coração.

Naturalmente, no seu Coração somente achamos amor. Aquilo que constitui o mistério mais profundo de Deus é que é Amor. Tudo o que fez desde a criação até a redenção é por amor. Tudo o que espera de nós como resposta a sua ação é amor. Por isso, suas palavras ressoam hoje: «Permanecei no meu amor» (Jo 15,9). O amor pede reciprocidade, é como um diálogo que nos faz corresponder com um amor crescente ao seu amor primeiro.

Um fruto do amor é a alegria: «Eu vos disse isso, para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa» (Jo 15,11). Se nossa vida não reflete a alegria de acreditar, se deixamo-nos afogar pelas contrariedades sem ver que o Senhor está aí presente e nos consola, é porque não conhecemos suficientemente Jesus.

Deus sempre tem a iniciativa. Nos diz expressamente ao afirmar que «fui eu que vos escolhi» (Jo 15,16). Nós sentimos a tentação de pensar que escolhemos, mas não fizemos nada mais que responder a uma chamada. Escolheu-nos gratuitamente para sermos amigos: «Já não vos chamo servos, (...); Eu vos chamo amigos» (Jo 15,15).

Nos começos, Deus fala com Adão como um amigo fala com seu amigo. Cristo, novo Adão, nos recuperou não apenas a amizade de antes, senão a intimidade com Deus, já que Deus é Amor.

Tudo se resume nesta palavra: “amar”. Nos lembra santo Agostinho: «O Mestre bom nos recomenda tão frequentemente a caridade como o único mandamento possível. Sem a caridade todas as outras boas qualidades não servem de nada. A caridade, em efeito, conduz ao homem necessariamente a todas as outras virtudes que o fazem bom».

Vivência da caridade.

Pe. Antonio Rivero, L.C.

V Centenário do Nascimento (1515-2015)
O mandamento novo que Cristo nos deixou é este: “Amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado”. É um imperativo, não uma opção. Não tem limites nem exclusão (1 leitura). E a medida está clara: como Cristo (evangelho).

Em primeiro lugar, consideremos a caridade e o amor que teve e tem Deus conosco. Características: amor sem fronteira, universal, eterno, infinito, sem arrependimentos e gratuito. Manifestações: criou-nos por amor; conserva-nos por amor: cuida de nós com a sua providência por amor. Atrevo-me a me encarar com este Deus rico em misericórdia, para não cair em ingenuidade e abusarmos assim Dele. Vós, ó Deus, é possível que acrediteis que o vosso amor mexa com o homem e com a mulher destes tempos? No passado mais crente, piedoso e praticante, até vai! Mas não errastes de calendário, com todo respeito?  Eu, como o novo Abraão (cf. Gen 18) volto a perguntar ao Deus infinito no seu amor: Deus, o vosso amor faz feliz o homem e a mulher de hoje, enfrascado noutras coisas mais importantes da vida que em estar olhando para cima? Se isto fosse o paraíso terrenal, até passaria! Se nós, os cidadãos, fossemos anjos, os políticos arcanjos, o governo um querubim e o presidente um serafim, opa! Mas... Pois sim, apesar dessas perguntas quase blasfemas temos que dizer: sim, Deus nos quer ao seu estilo eterno, glorioso, infinito; isto é, como Deus manda; como Deus é. Ninguém pode duvidar do amor de Deus para conosco, as suas criaturas, os seus filhos, os seus amigos.      

Em segundo lugar, consideremos a caridade que nos manifestou Cristo Jesus. Características: amor pessoal, apaixonado, misericordioso, paciente. O Filho de Deus por amor deixou o céu serenamente e desceu a esta terra que não o recebeu e o tratou com desprezo. Por amor passou fazendo o bem pelo nosso mundo, pregando, curando, ensinando, derramando a ternura de Deus. Por amor afrontou os sofrimentos sem muita história e sem muito lero-lero durante as horas da sua amarga Paixão. Por amor nos fez estes presentes no dia da Quinta-feira Santa: a Eucaristia, o Sacerdócio e o Mandamento da caridade. E na Sexta-feira Santa abriu o seu lado e nos ofereceu o perdão, a sua Mãe Santíssima, a fundação da Igreja e os sacramentos. Por amor, já ressuscitado, envia-nos no dia de Pentecostes o seu Santo Espírito que nos explicará tudo com paciência e bondade, e nos santificará. E desde o céu, por amor, Ele será o nosso eterno intercessor e mediador diante do Pai para que todos nos salvemos. Cristo foi, é e será a caridade visível do Pai eterno e invisível. Cristo nos marcou a medida da caridade: como Ele nos amou. Por tanto, sem medida. E não deixou uma opção, mas um imperativo: “Amai-vos uns aos outros”. 

Finalmente, consideremos a caridade que devemos ter entre nós. Nisto demonstramos que somos cristãos, seguidores de Cristo. Com a caridade e o amor elevaríamos este mundo. Com este amor divino, posto no nosso coração, construiríamos famílias esplêndidas, comunidades unidas. Acabariam as guerras e as fomes e os crimes e os ódios e as vinganças. E haveria paz, alegria, convivência. Não, este amor do qual falamos não é o amor que alguns dos namorados cacarejam desde o pau mais alto do galinheiro das suas ingenuidades. Não é o amor do garotinho que para conseguir as suas balinhas e chocolates diz para o papai que o ama. Não é o amor que sussurram às vezes alguns maridos para conseguir as relações íntimas e sagradas- às vezes sem o verdadeiro amor- com a sua esposa que sim esperava algo mais do isso. Não é o amor do que dá para receber em troca. Não. O amor cristão é outra coisa e tem umas características bem precisas enunciadas por São Paulo na sua primeira carta aos Coríntios no capítulo 13: amor paciente, prestativo, sem inveja nem aparências, sem orgulho nem baixeza, sem ira e sem interesse de por meio; amor que tudo perdoa; que não se alegra com o mal do próximo e sempre desfruta com o triunfo do outro. Amor que tudo aguenta, tudo espera, tudo suporta.  

Para refletir: Se for verdade que no final da vida serei julgado por como vivi a caridade com Deus e com os meus irmãos, vou desde agora preparando essa prova final? Como é o meu amor com os irmãos: universal, delicado, paciente, misericordioso? Tenho guetos no meu coração, isto é, grupos fechados onde não podem entrar outras pessoas? A quem não alcançou ainda a minha caridade cristã? Por quê?

Para rezar: Senhor, dilatai o meu coração para que eu possa amar com as mesmas entranhas com que Vós amais. Senhor, perdoai-me tanto egoísmo e fechamento de coração. Senhor, dai-me a vossa caridade e isso me basta.

Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail:  arivero@legionaries.org

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