VENERÁVEL ORDEM TERCEIRA DO CARMO DE SERGIPE FUNDAÇÃO 1666 REFUNDAÇÃO 2003-PROVÍNCIA CARMELITANA PERNAMBUCANA
quinta-feira, 25 de novembro de 2021
Sábado XXXIV do Tempo Comum
quarta-feira, 24 de novembro de 2021
Sexta-feira da 34ª semana do Tempo Comum
Salmo Responsorial: Dan 3
R. Louvai o Senhor,
exaltai-O para sempre.
Montes e colinas, bendizei o Senhor, louvai-O e exaltai-O
para sempre.
Plantas que germinam na terra, bendizei o Senhor, louvai-O e
exaltai-O para sempre.
Mares e rios, bendizei o Senhor, louvai-O e exaltai-O para
sempre.
Fontes, bendizei o Senhor, louvai-O e exaltai-O para sempre.
Monstros e animais marinhos, bendizei o Senhor, louvai-O e
exaltai-O para sempre.
Aves do céu, bendizei o Senhor, louvai-O e exaltai-O para
sempre.
Animais e rebanhos, bendizei o Senhor, louvai-O e exaltai-O
para sempre.
Aleluia. Erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está
próxima. Aleluia.
Evangelho (Lc 21,29-33): E Jesus contou-lhes uma
parábola: «Olhai a figueira e todas as árvores. Quando começam a brotar, basta olhá-las
para saber que o verão está perto. Vós, do mesmo modo, quando virdes acontecer
essas coisas, ficai sabendo que o Reino de Deus está perto. Em verdade vos
digo: esta geração não passará antes que tudo aconteça. O céu e a terra
passarão, mas as minhas palavras não passarão».
«Quando virdes acontecer essas coisas, ficai sabendo que o Reino de
Deus está perto»
Diácono D. Evaldo PINA
FILHO (Brasília, Brasil)
Segundo o Papa Bento XVI, «a Palavra de Deus impele-nos a
mudar o nosso conceito de realismo». Efetivamente, «realista é quem conhece o
fundamento de tudo no Verbo de Deus». Essa Palavra viva que nos indica o verão
como sinal de proximidade e de exuberância da luminosidade é a própria Luz:
«quando virdes acontecer essas coisas, ficai sabendo que o Reino de Deus está
perto» (Lc 21,31). Neste sentido, «a Palavra já não é apenas audível, não
possui apenas uma voz, agora a Palavra tem um rosto (...) que podemos ver:
Jesus de Nazaré” (Bento XVI).
A comunicação de Jesus com o Pai foi perfeita; e tudo o que
Ele recebeu do Pai, Ele deu-nos a nós, comunicando-se da mesma forma perfeita
conosco. Assim, a proximidade do Reino de Deus, que expressa a livre iniciativa
de Deus que vem ao nosso encontro, deve mover-nos a reconhecer a proximidade do
Reino, para que também nós nos comuniquemos de forma perfeita com o Pai por
meio da Palavra do Senhor – Verbum Domini -, reconhecendo os sinais do Reino de
Deus que está perto como realização das promessas do Pai em Cristo Jesus.
«O Reino de Deus está perto»
+ Rev. D. Albert TAULÉ
i Viñas (Barcelona, Espanha)
O discurso escatológico que lemos nestes dias, segue um
estilo profético que distorce deliberadamente a cronologia, de maneira que põe
no mesmo plano acontecimentos que hão de acontecer em momentos diversos. O fato
de que no fragmento escolhido para a leitura de hoje tenhamos um âmbito muito
reduzido, dá-nos pé para pensar que teríamos que entender o que se nos diz como
algo dirigido a nós, aqui e agora: «esta geração não passará antes que tudo
aconteça» (Lc 21,32). De fato, Orígenes comenta: «Tudo isto pode suceder em
cada um de nós; em nós pode ficar destruída a morte, definitiva inimiga nossa».
Eu queria falar hoje como os profetas: estamos a ponto de
contemplar um grande broto na Igreja. Vede os sinais dos tempos (cf Mt 16,3).
Rapidamente ocorrerão coisas muito importantes. Não tenhais medo. Permanecei no
vosso lugar. Semeai com entusiasmo. Depois podereis recolher formosas colheitas
(cf. Sal 126,6). É verdade que o homem inimigo continuará a semear a discórdia.
O mal não ficará separado até ao fim dos tempos (cf. Mt 13,30). Mas o Reino de
Deus já está aqui entre nós. E abre caminho, ainda que com muito esforço (cf.
Mt 11,12).
O Papa João Paulo II dizia-nos no início do terceiro
milênio: «Duc in altum» (cf. Lc 5,4). Às vezes temos a sensação de não fazer
nada proveitoso, ou inclusive de retroceder. Mas estas impressões pessimistas
procedem de cálculos excessivamente humanos, ou da má imagem que malevolamente
difundem de nós alguns meios de comunicação. A realidade escondida, que não faz
ruído, é o trabalho constante realizado por todos com a força que nos dá o
Espírito Santo.
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
* Lucas 21,29-31:
Olhem a figueira e todas as árvores
Jesus manda olhar a natureza: "Olhem a figueira e todas
as árvores. Vendo que elas estão dando brotos, vocês logo sabem que o verão
está perto. Vocês também, quando virem acontecer essas coisas, fiquem sabendo
que o Reino de Deus está perto”. Jesus
pede para a gente contemplar os fenômenos da natureza para aprender deles como
ler e interpretar as coisas que estão acontecendo no mundo. O aparecimento de brotos
na figueira é um sinal evidente de que o verão está chegando. Assim, o
aparecimento daqueles sete sinais é uma prova de “que o Reino de Deus está
perto!” Fazer este discernimento não é fácil. Uma pessoa sozinha não dá conta
do recado. É refletindo juntos em comunidade que a luz aparece. E a luz é esta:
experimentar em tudo que acontece um apelo para a gente nunca se fechar no
momento presente, mas manter o horizonte aberto e perceber em tudo que acontece
uma seta que aponta para além dela mesma em direção ao futuro. Mas a hora exata
da chegada do Reino, porém, ninguém sabe. No evangelho de Marcos, Jesus chega a
dizer: "Quanto a esse dia e essa hora, ninguém sabe nada, nem os anjos,
nem o Filho, mas somente o Pai!" (Mc 13,32).
* Lucas 21,32-33:
“Eu garanto a vocês: tudo isso vai acontecer, antes que
passe esta geração. O céu e a terra desaparecerão, mas as minhas palavras não
desaparecerão. Esta palavra de Jesus evoca a profecia de Isaías que dizia:
"Todo ser humano é erva e toda a sua beleza é como a flor do campo: a erva
seca, a flor murcha, quando sobre elas sopra o vento de Javé; a erva seca, a
flor murcha, mas a palavra do nosso Deus se realiza sempre” (Is 40,7-8). A
palavra de Jesus é fonte da nossa esperança. O que ele disse vai acontecer!
* A vinda do Messias
e o fim do mundo
Hoje, muita gente vive preocupado com o fim do mundo.
Alguns, baseando-se numa leitura errada e fundamentalista do Apocalipse de
João, chegam a calcular a data exata do fim do mundo. No passado, a partir dos
“mil anos”, mencionados no Apocalipse (Ap 20,7), se costumava repetir: “De 1000
passou, mas de 2000 não passará!” Por isso, na medida em que o ano 2000 chegava
mais perto, muitos ficavam preocupados. Teve até gente que, angustiada com a
chegada do fim do mundo, chegou a cometer suicídio. Mas o ano 2000 passou e
nada aconteceu. O fim não chegou! A mesma problemática havia nas comunidades
cristãs dos primeiros séculos. Elas viviam na expectativa da vinda iminente de
Jesus. Jesus viria realizar o Juízo Final para encerrar a história injusta do
mundo cá de baixo e inaugurar a nova fase da história, a fase definitiva do
Novo Céu e da Nova Terra. Achavam que isto aconteceria dentro de uma ou duas
gerações. Muita gente ainda estaria viva quando Jesus fosse aparecer glorioso
no céu (1Ts 4,16-17; Mc 9,1). Havia até pessoas que já nem trabalhavam mais,
porque achavam que a vinda fosse coisa de poucos dias ou semanas (2Tes 2,1-3;
3,11). Assim pensavam. Mas até hoje, a vinda de Jesus ainda não aconteceu! Como
entender esta demora? Nas ruas das cidades, a gente vê pintado nas paredes
Jesus voltará! Vem ou não vem? E como
será a vinda? Muitas vezes, a afirmação “Jesus voltará” é usada para meter medo
nas pessoas e obrigá-las a frequentar uma determinada igreja!
No Novo Testamento a volta de Jesus sempre é motivo de
alegria e de paz! Para os explorados e oprimidos, a vinda de Jesus é uma Boa
Notícia! Quando vai acontecer esta
vinda? Entre os judeus, as opiniões eram variadas. Os saduceus e os herodianos
diziam: “Os tempos messiânicos já chegaram!” Achavam que o bem-estar deles durante
o governo de Herodes fosse expressão do Reino de Deus. Por isso, não queriam
mudança e combatiam a pregação de Jesus que convocava o povo a mudar e a
converter-se. Os fariseus diziam: “A chegada do Reino vai depender do nosso
esforço na observância da lei!” Os essênios diziam: “O Reino prometido só
chegará quando tivermos purificado o país de todas as impurezas”. Entre os
cristãos havia a mesma variedade de opiniões. Alguns da comunidade de
Tessalônica na Grécia, apoiando-se na pregação de Paulo, diziam: “Jesus vai
voltar logo!” (1 Tes 4,13-18; 2 Tes 2,2). Paulo responde que não era tão
simples como eles imaginavam. E aos que já não trabalhavam avisa: “Quem não
quiser trabalhar não tem direito de comer!” (2Tes 3,10). Provavelmente, eram
uns preguiçosos que, na hora do almoço, iam mendigar a comida na casa do
vizinho. Outros cristãos eram de opinião que Jesus só voltaria depois que o
evangelho fosse anunciado no mundo inteiro (At 1,6-11). E achavam que, quanto
maior o esforço de evangelizar, mais rápido viria o fim do mundo. Outros,
cansados de esperar, diziam: “Ele não vai voltar nunca! (2 Pd 3,4). Outros,
baseando-se em palavras do próprio Jesus, diziam acertadamente: “Ele já está no
meio de nós!” (Mt 25,40).
Hoje acontece o
mesmo. Tem gente que diz: “Do jeito que está, está bem, tanto na Igreja
como na sociedade”. Eles não querem mudança. Outros esperam pela volta imediata
de Jesus. Outros acham que Jesus só voltará através do nosso trabalho e
anúncio. Para nós, Jesus já está no nosso meio (Mt 28,20). Ele já está do nosso
lado na luta pela justiça, pela paz, pela vida. Mas a plenitude ainda não
chegou. Por isso, aguardamos com firme esperança a libertação plena da
humanidade e da natureza (Rm 8,22-25).
Para um confronto
pessoal
1) Jesus pede
para olhar a figueira, para contemplar os fenômenos da natureza. Na minha vida
já aprendi alguma coisa contemplando a natureza?
2) Jesus disse:
“O céu e a terra desaparecerão, mas as minhas palavras não desaparecerão”. Como
encarno estas palavras de Jesus em minha vida?
terça-feira, 23 de novembro de 2021
Quinta-feira da 34ª semana do Tempo Comum
Sta. Catarina de Alexandria, virgem e mártir
Salmo Responsorial: Dan 3
R. Louvai o Senhor,
exaltai-O para sempre.
Orvalhos e gelos, bendizei o Senhor, louvai-O e exaltai-O
para sempre.
Frios e aragens, bendizei o Senhor, louvai-O e exaltai-O
para sempre.
Gelos e neves, bendizei o Senhor, louvai-O e exaltai-O para
sempre.
Noites e dias, bendizei o Senhor, louvai-O e exaltai-O para
sempre.
Luz e trevas, bendizei o Senhor, louvai-O e exaltai-O para
sempre.
Relâmpagos e nuvens, bendizei o Senhor, louvai-O e exaltai-O
para sempre.
Bendiga a terra o Senhor, louve-O e exalte-O para sempre.
Aleluia. Erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está
próxima. Aleluia.
Evangelho (Lc 21,20-28): Naquele tempo, Jesus
disse aos discípulos: «Quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, ficai
sabendo que a sua destruição está próxima. Então, os que estiverem na Judéia
fujam para as montanhas; os que estiverem na cidade afastem-se dela, e os que
estiverem fora da cidade, nela nem entrem. Pois esses dias são de vingança,
para que se cumpra tudo o que dizem as Escrituras. Ai das mulheres grávidas e
daquelas que estiverem amamentando naqueles dias, pois haverá grande angústia
na terra e ira contra este povo. Serão abatidos pela espada e levados presos
para todas as nações. E Jerusalém será pisada pelos pagãos, até que se complete
o tempo marcado para eles. Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na
terra, as nações ficarão angustiadas, apavoradas com o bramido do mar e das
ondas. As pessoas vão desmaiar de medo, só em pensar no que vai acontecer ao
mundo, porque as potências celestes serão abaladas. Então, verão o Filho do
Homem, vindo numa nuvem, com grande poder e glória. Quando estas coisas
começarem a acontecer, levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa
libertação está próxima».
«Levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está
próxima»
Frei Lluc TORCAL Monge
do Monastério de Sta. Mª de Poblet (Santa Maria de Poblet, Tarragona, Espanha)
Porém, será esta a mensagem que hoje nos dirige o Evangelho?
Fiquemos atentos às últimas palavras: «Quando estas coisas começarem a
acontecer, levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está
próxima» (Lc 21,28). O núcleo da mensagem destes últimos dias do ano litúrgico
não é o medo; mas sim, a esperança da futura libertação, ou seja, a esperança
completamente cristã de alcançar a plenitude da vida com o Senhor, na qual
participarão, também, nosso corpo e o mundo que nos rodeia. Os acontecimentos
narrados tão dramaticamente indicam, de modo simbólico, a participação de toda
a criação na segunda vinda do Senhor, como já participou na primeira,
especialmente no momento de sua paixão, quando o céu escureceu e a terra
tremeu. A dimensão cósmica não será abandonada no final dos tempos, já que é
uma dimensão que acompanha o homem desde que entrou no Paraíso.
A esperança do cristão não é enganadora, porque quando essas
coisas começarem a acontecer —nos diz o próprio Senhor— «Então, verão o Filho
do Homem, vindo numa nuvem, com grande poder e glória» (Lc 21,27). Não vivamos
angustiados perante a segunda vinda do Senhor, a sua Parusia: meditemos, antes,
nas profundas palavras de Santo Agostinho que, já no seu tempo, ao ver os
cristãos temerosos frente ao regresso do Senhor, se pergunta: «Como pode a Esposa
ter medo do seu Esposo?»
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
* Lucas
21,20-24. O sétimo sinal: a destruição
de Jerusalém. Jerusalém era para eles a Cidade Eterna. E agora ela estava
destruída! Como explicar este fato? Será que Deus não deu conta do recado?
Difícil para nós imaginar o trauma e a crise de fé que a destruição de
Jerusalém causou nas comunidades tantos dos judeus como dos cristãos. Aqui cabe
uma breve observação sobre a composição dos Evangelhos de Lucas e de Marcos.
Lucas escreve no ano 85. Ele usou o evangelho de Marcos para compor a sua narrativa
sobre Jesus. Marcos escrevia no ano 70, o mesmo ano em que Jerusalém estava
sendo cercada e destruída pelos exércitos romanos. Por isso, Marcos escreveu
dando uma dica ao leitor: “Quando virdes a abominação da desolação instalada
onde não devia estar - (aqui ele abre um parêntesis e diz) “que o leitor
entenda!” (Fecha parêntesis) - então, os
que estiverem na Judéia devem fugir para as montanhas”. (Mc 13,14). Quando
Lucas menciona a destruição de Jerusalém, já fazia mais de quinze anos que
Jerusalém estava em ruínas. Por isso, ele omitiu o parêntesis de Marcos. Lucas
diz: "Quando vocês virem Jerusalém cercada de acampamentos, fiquem sabendo
que a destruição dela está próxima. Então, os que estiverem na Judéia, devem
fugir para as montanhas; os que estiverem no meio da cidade, devem afastar-se;
os que estiverem no campo, não entrem na cidade. Pois esses dias são de
vingança, para que se cumpra tudo o que dizem as Escrituras. Infelizes das
mulheres grávidas e daquelas que estiverem amamentando nesses dias, pois haverá
uma grande desgraça nessa terra e uma ira contra esse povo. Serão mortos pela
espada e levados presos para todas as nações. Jerusalém será pisada pelos
pagãos, até que o tempo dos pagãos se completa". Ao ouvirem Jesus anunciar a perseguição (6°
sinal) e a destruição de Jerusalém (7° sinal), os leitores das comunidades
perseguidas do tempo de Lucas concluíam: “Este é o nosso hoje! Estamos no 6° e
no 7° sinal!”
* Lucas 21,25-26: O
oitavo sinal: mudanças no sol e na lua. Quando será o fim? No fim, após ter
ouvido falar de todos estes sinais que já tinham acontecido, ficava esta
pergunta: “O projeto de Deus avançou muito e as etapas previstas por Jesus já
se realizaram. Estamos agora na sexta e na sétima etapa. Quantas etapas ou
sinais será que ainda faltam até que chegue o fim? Será que falta muito?” A
resposta vem agora no 8° sinal: "Haverá sinais no sol, na lua e nas
estrelas. E na terra, as nações cairão no desespero, apavoradas com o barulho
do mar e das ondas. Os homens desmaiarão de medo e ansiedade, pelo que vai
acontecer ao universo, porque os poderes do espaço ficarão abalados”. O 8° sinal é diferente dos outros sinais. Os
sinais no céu e na terra são uma amostra de que está chegando, ao mesmo tempo,
o fim do velho mundo, da antiga criação, e o início da chegada do novo céu e da
nova terra. Quando a casca do ovo começa a rachar é sinal de que o novo está
aparecendo. É a chegada do Mundo Novo que está provocando a desintegração do
mundo antigo. Conclusão: falta muito pouco! O Reino de Deus já está chegando.
Dá para aguentar!
* Lucas 21,27-28: A
chegada do Reino de Deus e a aparição do Filho do Homem. “Então eles verão
o Filho do Homem vindo sobre uma nuvem, com poder e grande glória. Quando essas
coisas começarem a acontecer, levantem-se e ergam a cabeça, porque a libertação
de vocês está próxima.” Neste anúncio, Jesus descreve a chegada do Reino com
imagens tiradas da profecia de Daniel (Dn 7,1-14). Daniel diz que, depois das
desgraças causadas pelos reinos deste mundo, virá o Reino de Deus. Os reinos
deste mundo, todos eles, tinham figura de animal: leão, urso, pantera e
besta-fera (Dn 7,3-7). São reinos animalescos, desumanizam a vida, como
acontece com o reino neoliberal até hoje! O Reino de Deus, porém, aparece com o
aspecto de Filho de Homem, isto é, com aspecto humano de gente (Dn 7,13). É um
reino humano. Construir este reino que humaniza, é a tarefa do povo das
comunidades. É a nova história que devemos realizar e que deve reunir gente dos
quatro cantos do mundo. O título Filho do Homem é o nome que Jesus gostava de
usar. Só nos quatro evangelhos o nome aparece mais de 80 (oitenta) vezes! Toda
dor que suportamos desde agora, toda luta em favor da vida, toda perseguição
por causa da justiça, tudo é dor de parto, semente do Reino que vai chegar no
8° sinal.
Para um confronto
pessoal
1) Perseguição
das comunidades, destruição de Jerusalém. Desespero. Diante dos acontecimentos
que hoje fazem o povo sofrer eu me desespero? Qual a fonte da minha esperança?
2) Filho do Homem
é o título que Jesus gostava de usar. Ele queria humanizar a vida. Quanto mais
humano, tanto mais divino, dizia o Papa Leão Magno. No meu relacionamento com
os outros sou humano? Humanizo?
segunda-feira, 22 de novembro de 2021
Quarta-feira da 34ª semana do Tempo Comum
Salmo Responsorial:
R/. Louvai o Senhor,
exaltai-O para sempre.
Sol e lua, bendizei o Senhor, louvai-O e exaltai-O para
sempre.
Estrelas do céu, bendizei o Senhor, louvai-O e exaltai-O
para sempre.
Chuvas e orvalhos, bendizei o Senhor, louvai-O e exaltai-O
para sempre.
Todos os ventos, bendizei o Senhor, louvai-O e exaltai-O
para sempre.
Fogo e calor, bendizei o Senhor, louvai-O e exaltai-O para
sempre.
Frio e geada, bendizei o Senhor, louvai-O e exaltai-O para
sempre.
Aleluia. Sê fiel até à morte, diz o Senhor, e dar-te-ei a coroa da
vida. Aleluia.
Evangelho (Lc 21,12-19): Naquele tempo, Jesus
disse aos discípulos: «Antes disso tudo, porém, sereis presos e perseguidos;
sereis entregues às sinagogas e jogados na prisão; sereis levados diante de
reis e governadores por causa do meu nome. Será uma ocasião para dardes
testemunho. Determinai não preparar vossa defesa, porque eu vos darei palavras
tão acertadas que nenhum dos inimigos vos poderá resistir ou rebater. Sereis
entregues até mesmo pelos próprios pais, irmãos, parentes e amigos. A alguns de
vós matarão. Sereis odiados por todos, por causa de meu nome. Mas nem um só fio
de cabelo cairá da vossa cabeça. É pela vossa perseverança que conseguireis
salvar a vossa vida!».
«É pela vossa perseverança que conseguireis salvar a vossa vida!»
Rev. D. Antoni CAROL i
Hostench (Sant Cugat del Vallès, Barcelona, Espanha)
Por que o discípulo não é mais do que o Mestre —«sereis
odiados por todos, por causa de meu nome» (Lc 21,17) — e, se o Senhor foi sinal
de contradição, necessariamente o seremos nós, os seus discípulos. O Reino de
Deus será arrebatado pelos que se fazem violência, pelos que lutam contra os
inimigos da alma, pelos que combatem com bravura essa «belíssima guerra de paz
e de amor», como gostava de dizer São Josemaria Escrivá, em que consiste a vida
cristã. Não há rosas sem espinhos, e o caminho até ao Céu não é uma senda sem
dificuldades. De aí que sem a virtude cardeal da fortaleza nossas boas
intenções acabariam sendo estéreis. E a perseverança faz parte da fortaleza.
Anima-nos, em concreto, a ter as forças suficientes para tolerar com alegria as
contradições.
A perseverança em grau extremo dá-se na cruz. Por isso a
perseverança confere liberdade ao outorgar a possessão de si mesmo mediante o
amor. A promessa de Cristo é indefectível: «É pela vossa perseverança que
conseguireis salvar a vossa vida» (Lc 21,19) e isto é assim porque o que nos
salva é a Cruz. É a força do amor que nos dá a cada um a paciente e gozosa
aceitação da Vontade de Deus, quando esta —como acontece na Cruz— contraria num
primeiro momento a nossa pobre vontade humana.
Só num primeiro momento, porque depois se liberta a
desbordante energia da perseverança que nos leva a compreender a difícil
ciência da cruz. Por isso, a perseverança gera paciência, que vai muito mais
além do que a simples resignação. Mas, nada tem que ver com atitudes estoicas.
A paciência contribui decididamente para entender que a Cruz, muito mais do que
dor, é essencialmente amor.
Quem entendeu melhor que ninguém esta verdade salvadora, a
nossa Mãe do Céu, nos ajudará também a nós a compreendê-la.
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
1º sinal: os falsos messias (Lc 21,8);
2º sinal: guerra e revoluções (Lc 21,9);
3º sinal: nação lutará contra outra nação, um reino contra
outro reino (Lc 21,10);
4º sinal: terremotos em vários lugares (Lc 21,11);
5º sinal: fome, peste e sinais no céu (Lc 21,11).
Até aqui foi o evangelho de ontem. Agora, no evangelho de
hoje, mais um sinal:
6º sinal: a perseguição dos cristãos (Lc 21,12-19)
* Lucas 21,12. O
sexto sinal da perseguição. Várias vezes, durante os poucos anos que passou
entre nós, Jesus tinha avisado aos discípulos que eles iam ser perseguidos.
Aqui, no último discurso, ele repete o mesmo aviso e faz saber que a
perseguição deve ser levada em conta no discernimento dos sinais dos tempos:
"Antes que essas coisas aconteçam, vocês serão presos e perseguidos;
entregarão vocês às sinagogas, e serão lançados na prisão; serão levados diante
de reis e governadores, por causa do meu nome”. E destes acontecimentos,
aparentemente tão negativos, Jesus tinha dito: “Não fiquem apavorados. Primeiro
essas coisas devem acontecer, mas não será logo o fim." (Lc 21,9). E o
evangelho de Marcos acrescenta que todos estes sinais são "apenas o começo
das dores de parto!" (Mc 13,8) Ora, dores de parto, mesmo sendo muito
dolorosas para a mãe, não são sinal de morte, mas sim de vida! Não são motivo
de medo, mas sim de esperança! Esta maneira de ler os fatos trazia tranquilidade
para as comunidades perseguidas. Assim, lendo ou ouvindo estes sinais,
profetizados por Jesus no ano 33, os leitores de Lucas dos anos oitenta podiam
concluir: "Todas estas coisas já estão acontecendo conforme o plano
previsto e anunciado por Jesus! Por tanto, a história não escapou da mão de
Deus! Deus está conosco!"
* Lucas 21,13-15: A
missão dos cristãos em época de perseguição. A perseguição não é uma
fatalidade, nem pode ser motivo de desânimo ou de desespero, mas deve ser vista
como uma oportunidade, oferecida por Deus, para as comunidades realizarem a
missão de testemunhar com coragem a Boa Nova de Deus. Jesus diz: “Isso
acontecerá para que vocês deem testemunho. Portanto, tirem da cabeça a ideia de
que vocês devem planejar com antecedência a própria defesa; porque eu lhes
darei palavras de sabedoria, de tal modo que nenhum dos inimigos poderá
resistir ou rebater vocês”. Por meio desta afirmação Jesus anima os cristãos
perseguidos que viviam angustiados. Ele faz saber que, mesmo perseguidos, eles
tinham uma missão a cumprir, a saber: testemunhar a Boa Nova de Deus e, assim,
ser um sinal do Reino (At 1,8). O testemunho corajoso levaria o povo a repetir
o que diziam os magos do Egito diante dos sinais e da coragem de Moisés e
Aarão: “Aqui há o dedo de Deus!” (Ex 8,15). Conclusão: se as comunidades não
devem preocupar-se, se tudo está nas mãos de Deus, se tudo já era previsto por
Deus, se tudo não passa de dor de parto, então não há motivo para ficarmos
preocupados.
* Lucas 21,16-17:
Perseguição até dentro da própria família. “E vocês serão entregues até
mesmo pelos próprios pais, irmãos, parentes e amigos. E eles matarão alguns de
vocês. Vocês serão odiados por todos, por causa do meu nome”. A perseguição não
vinha só de fora, da parte do império, mas também de dentro, da parte da
própria família. Numa mesma família, uns aceitavam a Boa Nova, outros não. O
anúncio da Boa Nova provocava divisões no interior das famílias. Havia até
pessoas que, baseando-se na Lei de Deus, chegavam a denunciar e matar seus
próprios familiares que se declaravam seguidores de Jesus (Dt 13,7-12).
* Lucas 21,18-19: A
fonte da esperança e da resistência. “Mas não perderão um só fio de
cabelo. É permanecendo firmes que vocês
irão ganhar a vida!" Esta
observação final de Jesus lembra a outra palavra que Jesus tinha dito: “nenhum
cabelo vai cair da cabeça de vocês!” (Lc 21,18). Esta comparação era um apelo
forte a não perder a fé e a continuar firme na comunidade. E confirma o que
Jesus já tinha dito em outra ocasião: “Quem quiser salvar a sua vida, vai
perdê-la; mas, quem perde a sua vida por causa de mim, esse a salvará” (Lc
9,24).
Para um confronto
pessoal
1) Como você
costuma ler as etapas da história da sua vida e do seu país?
2) Olhando a
história da humanidade dos últimos 50 anos, a esperança aumentou em você, ou
diminuiu?
domingo, 21 de novembro de 2021
Terça-feira da 34ª semana do Tempo Comum
Salmo Responsorial: Dan 3
R. Louvai o Senhor,
exaltai-O para sempre.
Obras do Senhor, bendizei o Senhor, louvai-O e exaltai-O
para sempre.
Céus, bendizei o Senhor, louvai-O e exaltai-O para sempre.
Anjos do Senhor, bendizei o Senhor, louvai-O e exaltai-O
para sempre.
Águas que estais sobre os céus, bendizei o Senhor, louvai-O
e exaltai-O para sempre.
Poderes do Senhor, bendizei o Senhor, louvai-O e exaltai-O
para sempre.
Aleluia. Sê fiel até à morte, diz o Senhor, e dar-te-ei a coroa da
vida. Aleluia.
Evangelho (Lc 21,5-11): Naquele tempo, algumas
pessoas comentavam a respeito do templo, que era enfeitado com belas pedras e
com ofertas votivas. Jesus disse: «Admirais essas coisas? Dias virão em que não
ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído». Mas eles perguntaram: «Mestre,
quando será, e qual o sinal de que isso está para acontecer?». Ele respondeu:
«Cuidado para não serdes enganados, porque muitos virão em meu nome, dizendo:
Sou eu! e ainda: O tempo está próximo. Não andeis atrás dessa gente! Quando
ouvirdes falar em guerras e revoluções, não fiqueis apavorados. É preciso que
essas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim? E Jesus continuou:
«Há de se levantar povo contra povo e reino contra reino. Haverá grandes
terremotos, fome e pestes em vários lugares; acontecerão coisas pavorosas, e
haverá grandes sinais no céu».
«Não ficará pedra sobre pedra»
+ Rev. D. Antoni ORIOL
i Tataret (Vic, Barcelona, Espanha)
Desde onde? Até onde? Ninguém sabe, nem pode saber, com exceção,
em última análise, de uma suposta matéria eterna que nega Deus, usurpando-o dos
Seus atributos. Como tentam fazer-nos comungar com rodas de moinho aqueles que
recusam comungar com a finitude e precariedade próprias da condição humana!
Nós, os discípulos do Filho de Deus feito homem, de Jesus,
escutamos as Suas palavras e, fazendo-as muito nossas, meditamos nelas. Eis que
nos diz: «Cuidado para não serdes enganados» (Lc 21,8). Quem no-lo diz é Aquele
que veio para dar testemunho da verdade, afirmando que aqueles que são da
verdade escutam a Sua voz.
E também nos garante: «Não será logo o fim» (Lc 21,9). O
que, por um lado, quer dizer que dispomos de um tempo de salvação e que nos
convém aproveitá-lo; e, por outro lado, que, de qualquer modo, o fim virá. Sim,
Jesus virá «julgar os vivos e os mortos», como professamos no Credo.
Leitores de Meditando o Evangelho de hoje, queridos irmãos e
amigos: em uns versículos mais adiante, do fragmento que agora comento, Jesus
anima-nos e consola-nos com estas palavras que, em Seu nome, vos repito: «É
pela vossa perseverança que conseguireis salvar a vossa vida!» (Lc 21,19).
Respondendo com a energia de um hino cristão, exortamo-nos
uns aos outros: «Perseveremos, pois já tocamos o Céu com a mão!»
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
* Lucas 21,5-7:
Introdução ao Discurso Apocalíptico. Nos dias anteriores ao Discurso
Apocalíptico, Jesus tinha rompido com o Templo (Lc 19,45-48), com os sacerdotes
e os anciãos (Lc 20,1-26), com os saduceus (Lc 20,27-40), com os escribas que
exploravam as viúvas (Lc 20,41-47) e no fim, como vimos no evangelho de ontem,
terminou elogiando a viúva que deu em esmola tudo que possuía (Lc 21,1-4).
Agora, no evangelho de hoje, ouvindo como “algumas pessoas comentavam sobre o
Templo, enfeitado com pedras bonitas e com coisas dadas em promessa”, Jesus
responde anunciando a destruição total do Templo: "Vocês estão admirando
essas coisas? Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra. Tudo será
destruído." Ouvindo este comentário
de Jesus, os discípulos perguntam: "Mestre, quando vai acontecer isso?
Qual será o sinal de que essas coisas estarão para acontecer?" Eles querem mais informação. O Discurso
Apocalíptico que segue é a resposta de Jesus a esta pergunta dos discípulos
sobre o quando e o como da destruição do Templo. O evangelho de Marcos informa
o seguinte sobre o contexto em que Jesus pronunciou este discurso. Ele diz que
Jesus tinha saído da cidade e estava sentado no Monte das Oliveiras (Mc
13,2-4). Lá do alto do Monte ele tinha uma visão majestosa sobre o Templo.
Marcos informa ainda que havia só quatro discípulos para escutar o último
discurso. No início da sua pregação, três anos antes, lá na Galileia, as
multidões iam atrás de Jesus para escutar suas palavras. Agora, no último
discurso, há apenas quatro ouvintes: Pedro, Tiago, João e André (Mc 13,3).
Eficiência e bom resultado nem sempre se medem pela quantidade!
* Lucas 21,8:
Objetivo do discurso: "Não se deixem enganar!" Os discípulos tinham perguntado: "Mestre,
quando vai acontecer isso? Qual será o sinal de que essas coisas estarão para
acontecer?” Jesus começa a sua resposta com uma advertência: "Cuidado para
que vocês não sejam enganados, porque muitos virão em meu nome, dizendo: 'Sou
eu!' E ainda: 'O tempo já chegou'. Não sigam essa gente”. Em época de mudanças
e de confusão sempre aparecem pessoas que querem tirar proveito da situação enganando
os outros. Isto acontece hoje e estava acontecendo nos anos 80, época em que
Lucas escreve o seu evangelho. Diante dos desastres e guerras daqueles anos,
diante da destruição de Jerusalém do ano 70 e diante da perseguição dos
cristãos pelo império romano, muitos pensavam que o fim dos tempos estivesse
chegando. Havia até gente que dizia: “Deus já não controla mais os fatos!
Estamos perdidos!” Por isso, a preocupação principal dos discursos
apocalípticos é sempre a mesma: ajudar as comunidades a discernir melhor os
sinais dos tempos para não serem enganadas pelas conversas do povo sobre o fim
do mundo: "Cuidado para que vocês não sejam enganados!". Em seguida,
vem o discurso que oferece sinais para ajudá-los no discernimento e, assim,
aumentar neles a esperança.
3. Lucas 21,9-11: Sinais
para ajudar a ler os fatos. Depois desta breve introdução, começa o
discurso propriamente dito: “Quando vocês ouvirem falar de guerras e
revoluções, não fiquem apavorados. Primeiro, essas coisas devem acontecer, mas
não será logo o fim." E Jesus continuou: "Uma nação lutará contra
outra, um reino contra outro reino. Haverá grandes terremotos, fome e pestes em
vários lugares. Vão acontecer coisas pavorosas e grandes sinais vindos do
céu.". Para entender bem estas palavras, é bom lembrar o seguinte. Jesus
vivia e falava no ano 33. Os leitores de Lucas viviam e escutavam no ano 85.
Ora, nos cinquenta anos entre o ano 33 e o ano 85, a maioria das coisas
mencionadas por Jesus já tinham acontecido e eram do conhecimento de todos. Por
exemplo, em várias partes do mundo havia guerras, apareciam falsos messias,
surgiam doenças e pestes e, na Ásia Menor, os terremotos eram frequentes. Num
estilo bem apocalíptico, o discurso enumera todos estes acontecimentos, um
depois do outro, como sinais ou como etapas do projeto de Deus em andamento na
história do Povo de Deus, desde a época de Jesus até o fim dos tempos:
1º sinal: os falsos messias (Lc 21,8);
2º sinal: guerra e revoluções (Lc 21,9);
3º sinal: nação lutará contra outra nação, um reino contra
outro reino (Lc 21,10);
4º sinal: terremotos em vários lugares (Lc 21,11);
5º sinal: fome, peste e sinais no céu (Lc 21,11);
Até aqui vai o evangelho de hoje. O evangelho de amanhã traz
mais um sinal: a perseguição das comunidades cristãs (Lc 21,12). O evangelho de
depois de amanhã traz mais dois sinais: a destruição de Jerusalém e o início da
desintegração da criação. Assim, por meio destes sinais do Discurso
Apocalíptico, as comunidades dos anos oitenta, época em que Lucas escreve o seu
evangelho, podiam calcular a que altura se encontrava a execução do plano de
Deus, e descobrir que a história não tinha escapado da mão de Deus. Tudo estava
conforme tinha sido previsto e anunciado por Jesus no Discurso Apocalíptico.
Para um confronto
pessoal
1. Qual o
sentimento que você teve durante a leitura deste evangelho de hoje? De medo ou
de paz?
2. Você acha que
o fim do mundo está próximo? O que responder aos que dizem que o fim do mundo
está próximo? O que, hoje, anima o povo a resistir e ter esperança?
Segunda-feira da 34ª semana do Tempo Comum
Santa Cecilia, virgem e mártir
Salmo Responsorial: Dan 3
R. Digno é o Senhor
de louvor e de glória para sempre.
Bendito sejais, Senhor, Deus dos nossos pais: digno de
louvor e de glória para sempre. Bendito o vosso nome glorioso e santo: digno de
louvor e de glória para sempre.
Bendito sejais no templo santo da vossa glória: digno de
louvor e de glória para sempre. Bendito sejais no trono da vossa realeza: digno
de louvor e de glória para sempre.
Bendito sejais, Vós que sondais os abismos e estais sentado
sobre os Querubins: digno de louvor e de glória para sempre. Bendito sejais no
firmamento do céu: digno de louvor e de glória para sempre.
Aleluia. Vigiai e estai preparados, para vos apresentardes sem temor
diante do Filho do homem. Aleluia.
Evangelho (Lc 21,1-4): Naquele tempo, ao levantar
os olhos, Jesus viu pessoas ricas depositando ofertas no cofre. Viu também uma
viúva necessitada que deu duas moedinhas. E ele comentou: «Em verdade, vos
digo: esta viúva pobre deu mais do que todos os outros. Pois todos eles
depositaram como oferta parte do que tinham de sobra, mas ela, da sua pobreza,
ofereceu tudo que tinha para viver».
«Mas ela, da sua pobreza, ofereceu tudo que tinha para viver»
Rev. D. Àngel Eugeni
PÉREZ i Sánchez (Barcelona, Espanha)
Pelo fato de essas coisas pequenas passarem desconhecidas, a
sua retidão de intenção está garantida: com elas não procuramos o
reconhecimento dos outros, nem a glória humana. Só Deus as descobrirá no nosso
coração, como só Jesus se apercebeu da generosidade da viúva. É mais do que
garantido que a pobre mulher não anunciou o seu gesto com um toque de trompete
e até é possível que se envergonhasse bastante e se sentisse ridícula perante o
olhar dos ricos, que deitavam grandes donativos no cofre do templo e disso
faziam alarde. Porém, a sua generosidade, que a levou a tirar forças da
fraqueza no meio da sua indigência, mereceu o elogio do Senhor, que vê o
coração das pessoas: «Em verdade, vos digo: esta viúva pobre deu mais do que
todos os outros. Pois todos eles depositaram como oferta parte do que tinham de
sobra, mas ela, da sua pobreza, ofereceu tudo que tinha para viver» (Lc
21,3-4).
A generosidade da viúva pobre é uma boa lição para nós, discípulos
de Cristo. Podemos dar muitas coisas, como os ricos que «depositavam as suas
ofertas no cofre» (Lc 21,1), mas nada disso terá valor se só dermos “daquilo
que nos sobra”, sem amor e sem espírito de generosidade, sem nos oferecermos a
nós próprios. Diz Sto. Agostinho: «Eles punham os olhos nas grandes oferendas
dos ricos, louvando-os por isso. Porém, embora tivessem logo visto a viúva,
quantos viram aquelas duas moedas? ... Ela deu tudo o que possuía. Tinha muito,
porque tinha Deus no seu coração. É muito mais ter Deus na alma do que ouro na
arca». É bem certo: se somos generosos com Deus, muito mais o será Ele conosco.
Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.
* No início da
Igreja, as primeiras comunidades cristãs, na sua maioria, eram de gente pobre
(1 Cor 1,26). Aos poucos, foram entrando também pessoas mais ricas, o que
trouxe consigo vários problemas. As tensões sociais, que marcavam o império
romano, começaram a marcar também a vida das comunidades. Isto se manifestava,
por exemplo, quando elas se reuniam para celebrar a ceia (1Cor 11,20-22), ou
quando faziam reunião (Tg 2,1-4). Por isso, o ensinamento do gesto da viúva era
muito atual, tanto para eles, como para nós hoje.
* Lucas 21,1-2: A esmola da viúva. Jesus estava em frente
ao cofre do Templo e observava como todo mundo colocava aí a sua esmola. Os
pobres jogavam poucos centavos, os ricos jogavam moedas de grande valor. Os
cofres do Templo recebiam muito dinheiro. Todo mundo trazia alguma coisa para a
manutenção do culto, para o sustento do clero e para a conservação do prédio.
Parte deste dinheiro era usada para ajudar os pobres, pois naquele tempo não
havia previdência social. Os pobres viviam entregues à caridade pública. As
pessoas mais necessitadas eram os órfãos e as viúvas. Elas dependiam em tudo da
caridade dos outros, mas mesmo assim, faziam questão de partilhar com os outros
o pouco que possuíam. Assim, uma viúva bem pobre colocou sua esmola no cofre do
templo. Dois centavos, apenas!
* Lucas 21,3-4: O
comentário de Jesus. O que vale mais: os poucos centavos da viúva ou as
muitas moedas dos ricos? Para a maioria, as moedas dos ricos eram muito mais
úteis para fazer caridade, do que os poucos centavos da viúva. Os discípulos,
por exemplo, pensavam que o problema do povo só poderia ser resolvido com muito
dinheiro. Por ocasião da multiplicação dos pães, eles tinham dado a sugestão de
comprar pão para dar de comer ao povo (Lc 9,13; Mc 6,37). Filipe chegou a
dizer: “Duzentos denários não bastam para dar um pouco para cada um!” (Jo 6,7).
De fato, para quem pensa assim, os dois centavos da viúva não servem para nada.
Mas Jesus diz: “Esta viúva depositou mais do que todos os outros”. Jesus tem
critérios diferentes. Chamando a atenção dos discípulos para o gesto da viúva,
ele ensina a eles e a nós onde devemos procurar a manifestação da vontade de
Deus, a saber, nos pobres e na partilha. E um critério muito importante é este:
“Todos os outros depositaram do que estava sobrando para eles. Mas a viúva, na
sua pobreza, depositou tudo o que possuía para viver”.
* Esmola, partilha,
riqueza. A prática de dar esmolas era muito importante para os judeus. Era
considerada uma “boa obra”, pois a lei do Antigo Testamento dizia: “Nunca
deixará de haver pobres na terra; por isso, eu te ordeno: abre a mão em favor
do teu irmão, do teu humilde e do teu pobre em tua terra”. (Dt 15,11). As
esmolas, colocadas no cofre do templo, seja para o culto, seja para os
necessitados, órfãos ou viúvas, eram consideradas como uma ação agradável a
Deus (Eclo 35,2; cf. Eclo 17,17; 29,12; 40,24). Dar esmola era uma maneira de
reconhecer que todos os bens e dons pertencem a Deus e que nós somos apenas
administradores desses dons. Mas a tendência à acumulação continua muito forte.
Cada vez de novo, ela renasce no coração humano. A conversão é sempre
necessária. Por isso Jesus dizia ao jovem rico: “Vai, vende tudo o que tens, dá
para os pobres” (Mc 10,21). A mesma exigência é repetida nos outros evangelhos:
“Vendei vossos bens e dai esmolas. Fazei bolsas que não fiquem velhas, um
tesouro inesgotável nos céus, onde o ladrão não chega nem a traça rói” (Lc
12,33-34; Mt 6,9-20). A prática da partilha e da solidariedade é uma das
características que o Espírito de Jesus quer realizar nas comunidades. O
resultado da efusão do Espírito no dia de Pentecoste era este: “Não havia entre
eles necessitado algum. De fato, os que possuíam terrenos ou casas, vendendo-os,
traziam o resultado da venda e o colocavam aos pés dos apóstolos” (At 4,34-35ª;
2,44-45). Estas esmolas colocadas aos pés dos apóstolos não eram acumuladas,
mas “distribuía-se, então, a cada um, segundo a sua necessidade” (At 4,35b;
2,45). A entrada de ricos na comunidade cristã possibilitou, por um lado, uma
expansão do cristianismo, dando melhores condições para as viagens
missionárias. Mas, por outro lado, a tendência à acumulação bloqueava o
movimento da solidariedade e da partilha. Tiago ajudava as pessoas a tomarem
consciência do caminho equivocado: “Pois bem, agora vós, ricos, chorai por
causa das desgraças que estão a sobrevir. A vossa riqueza apodreceu e as vossas
vestes estão carcomidas pelas traças.” (Tg 5,1-3). Para aprender o caminho do
Reino, todos precisam tornar-se alunos daquela viúva pobre, que partilhou com
os outros até o necessário para viver (Lc 21,4).
Para um confronto
pessoal
1. Quais as
dificuldades e alegrias que você já encontrou em sua vida ao praticar a
solidariedade e a partilha com os outros?
2. Como é que os
dois centavos da viúva podem valer mais que as muitas moedas dos ricos? Qual a
mensagem deste texto para nós hoje?