domingo, 26 de julho de 2015

Segunda-feira da 17ª semana do Tempo Comum

Evangelho (Mt 13,31-35): Naquele tempo Jesus apresentou-lhes outra parábola ainda: «O Reino dos Céus é como um grão de mostarda que alguém pegou e semeou no seu campo. Embora seja a menor de todas as sementes, quando cresce, fica maior que as outras hortaliças e torna-se um arbusto, a tal ponto que os pássaros do céu vêm fazer ninhos em seus ramos».  E contou-lhes mais uma parábola: «O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pegou e escondeu em três porções de farinha, até que tudo ficasse fermentado». Jesus falava tudo isso em parábolas às multidões. Nada lhes falava sem usar de parábolas, para se cumprir o que foi dito pelo profeta: «Abrirei a boca para falar em parábolas; vou proclamar coisas escondidas desde a criação do mundo».

«Nada lhes falava sem usar de parábolas»

Rev. D. Josep Mª MANRESA Lamarca (Les Fonts del Vallès, Barcelona, Espanha)

Hoje, o Evangelho apresenta-nos Jesus predicando aos seus discípulos. E o faz do jeito que nele é habitual, através das parábolas, quer dizer, empregando imagens simples e comuns para explicar os grandes mistérios escondidos do Reino. Assim todo mundo podia entender, desde as pessoas com maior formação até as menos formadas.

«O Reino dos Céus é como um grão de mostarda...» (Mt 13,31). Os grãos de mostarda não se veem, são muito pequenos, mas se temos cuidado deles e os regamos... Acabam se tornando em grandes árvores. «O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pegou e escondeu em três porções de farinha...» (Mt 13,33). O fermento não se vê, mas se não estivesse aí, a massa não subiria. Assim também é a vida cristã, a vida da graça: não se percebe no exterior, não faz barulho, mas... se você deixa que se introduza no seu coração, a graça divina vai fazendo frutificar a semente e transformando assim às pessoas pecadoras em santas.

Esta graça divina dá-se nos pela fé, pela oração, pelos sacramentos, pela caridade. Mas a vida da graça é, sobretudo, um dom que devemos esperar e desejar com humildade. Um dom que sábios e eruditos deste mundo não sabem valorar, mas que Deus Nosso Senhor quer fazer chegar aos humildes e simples.

Tomara que quando nos procure, encontre-nos não no grupo dos orgulhosos, mas naquele dos humildes, que se reconhecem fracos e pecadores, mas muito agradecidos e confiando na bondade do Senhor. Assim, o grão de mostarda chegará a ser uma grande árvore; assim o fermento da Palavra de Deus dará em nós frutos de vida eterna. Porque, «quanto mais se abaixa o coração pela humildade, mais se levanta até a perfeição» (São Agostinho).

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

Bto Tito Brandsma,
Presbítero de nossa Ordem, Mártir
* Estamos meditando o Sermão das Parábolas, cujo objetivo é revelar, por meio de comparações, o mistério do Reino de Deus presente na vida do povo. O evangelho de hoje traz duas pequenas parábolas, da semente de mostarda e do fermento. Nelas Jesus conta duas histórias tiradas da vida de cada dia que vão servir como meio de comparação para ajudar o povo a descobrir o mistério do Reino. Ao meditar estas duas histórias não se deve logo querer descobrir o que cada elemento das histórias nos tem a dizer sobre o Reino. Antes disso, se deve olhar, primeiro, a história em si mesma como um todo e procurar descobrir qual o ponto central em torno do qual a história foi construída, pois é este ponto central que servirá como meio de comparação para revelar o Reino de Deus. Vamos ver qual o ponto central das duas parábolas.

* Mateus 13,31-32: A parábola da semente de mostarda
Jesus diz: "O Reino do Céu é como uma semente de mostarda“ e, em seguida, ele conta a história: uma semente bem pequena é lançada no campo; mesmo sendo pequena, ela cresce, fica maior que as outras plantas e chega a atrair os passarinhos para fazer nela seus ninhos. Jesus não explica a história. Aqui vale o que ele disse em outra ocasião: “Quem tem ouvidos para ouvir ouça! ” Ou seja: “É isso. Vocês ouviram e agora tratem de entender! ” Compete a nós descobrir o que esta história nos revela sobre o Reino de Deus presente em nossas vidas. Assim, por meio desta história da semente de mostarda Jesus provoca nossa fantasia, pois cada um de nós entende algo de semente. Jesus espera que as pessoas, nós todos, comecemos a partilhar o que cada um descobriu. Partilho aqui três pontos que descobri sobre o Reino a partir desta parábola: (1) Jesus diz: "O Reino do Céu é como uma semente de mostarda“. O Reino não é algo abstrato, não é uma ideia. É uma presença no meio de nós (Lc 17,21). Como é esta presença? Ela é como a semente de mostarda: presença bem pequena, humilde, que quase não se vê. Trata-se do próprio Jesus, um pobre camponês carpinteiro, andando pela Galileia, falando do Reino ao povo das aldeias. O Reino de Deus não segue os critérios dos grandes do mundo. Tem outro modo de pensar e de proceder. (2) A parábola evoca uma profecia de Ezequiel, onde se diz que Deus vai pegar um pequeno broto de cedro e plantá-lo nas alturas da montanha de Israel. Este pequeno broto de cedro ”vai soltar ramos e produzir frutos, e se transformará num cedro gigante. Os passarinhos farão nele seus ninhos, e os pássaros se abrigarão à sombra de seus ramos E todas as árvores do campo saberão que sou eu, Javé, que rebaixo a árvore alta e elevo a árvore baixa, seco a árvore verde e faço brotar a árvore seca. Eu, Javé, falo e faço". (Ez 17,22-23). (3) A semente de mostarda, mesmo sendo pequena, cresce e suscita esperança. Como a semente de mostarda, assim o Reino tem uma força interior e cresce. Cresce como? Cresce através da pregação de Jesus e dos discípulos e discípulas nos povoados da Galileia. Cresce, até hoje, através do testemunho das comunidades e se torna uma boa notícia de Deus que irradia e atrai o povo. A pessoa que chega perto da comunidade, se sente acolhida, em casa, e faz nela seu ninho, a sua morada. No fim, a parábola deixa uma pergunta no ar: quem são os passarinhos? A pergunta vai ter resposta mais adiante no evangelho. O texto sugere que se trata dos pagãos que vão poder entrar no Reino (Mt 15,21-28).

V Centenário do Nascimento 
(1515-2015)
* Mateus 13,33: A parábola do fermento
A história da segunda parábola é esta: uma mulher pega um pouco de fermento e o mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado. Novamente, Jesus não explica. Só diz: "O Reino do Céu é como o fermento...”. Como na primeira parábola, fica por nossa conta de descobrir o significado para nós hoje. Partilho alguns pontos que descobri e me fizeram pensar:
(1) O que cresce não é o fermento, mas sim a massa.
(2) Trata-se de uma coisa bem caseira, do trabalho da mulher em casa.
(3) Fermento tem algo de podre que é misturado na massa pura da farinha.
(4) O objetivo é fazer levedar a massa toda e não apenas uma parte.
(5) Fermento não tem finalidade em si mesma, mas serve apenas para fazer crescer a massa.

* Mateus 13,34-35: Por que Jesus fala em parábolas
Aqui, no fim do Sermão das Parábolas, Mateus traz um esclarecimento sobre o motivo que levava Jesus a ensinar o povo em forma de parábolas. Ele diz que era para se cumprir a profecia que dizia: "Abrirei a boca para usar parábolas; vou proclamar coisas escondidas desde a criação do mundo". Na realidade, o texto citado não é de um profeta, mas de um salmo (Sl 78,2). É que para os primeiros cristãos todo o Antigo Testamento era uma grande profecia a anunciar veladamente a vinda do Messias e a realização das promessas de Deus. Em Marcos 4,34-34, o motivo que levava Jesus a ensinar o povo por meio de parábolas era para adaptar a mensagem à capacidade do povo. Por serem exemplos tirados da vida do povo, Jesus ajudava as pessoas a descobrir as coisas de Deus no quotidiano. Tornava a vida transparente. Fazia perceber que o extraordinário de Deus se esconde nas coisas ordinárias e comuns da vida de cada dia. O povo entendia da vida. Nas parábolas recebia a chave para abri-la e encontrar dentro dela os sinais de Deus. No fim do Sermão das Parábolas, em Mateus 13,52, como ainda veremos, vai ser dado outro motivo que levava Jesus a ensinar por meio de parábolas.

Para um confronto pessoal
1. Qual o ponto destas duas parábolas de que você mais gostou ou que mais chamou a sua atenção? Por que?
2. Qual a semente que, sem você se dar conta, cresceu em você e na sua comunidade?

sábado, 25 de julho de 2015

26 de julho

São Joaquim e Santa Ana
Pais da Virgem Maria
Protetores Secundários da Ordem do Carmo

XVII Domingo do Tempo Comum

Textos: 2 Re 4, 42-44; Ef 4, 1-6; Jo 6, 1-15

Evangelho (Jo 6,1-15): Naquele tempo Jesus foi para o outro lado do mar da Galileia, ou seja, de Tiberíades. Uma grande multidão o seguia, vendo os sinais que ele fazia a favor dos doentes. Jesus subiu a montanha e sentou-se lá com os seus discípulos. Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus. Levantando os olhos e vendo uma grande multidão que vinha a ele, Jesus disse a Filipe: «Onde vamos comprar pão para que estes possam comer?». Disse isso para testar Filipe, pois ele sabia muito bem o que ia fazer. Filipe respondeu: «Nem duzentos denários de pão bastariam para dar um pouquinho a cada um». Um dos discípulos, André, irmão de Simão Pedro, disse: «Está aqui um menino com cinco pães de cevada e dois peixes. Mas, que é isso para tanta gente?». Jesus disse: «Fazei as pessoas sentar-se». Naquele lugar havia muita relva, e lá se sentaram os homens em número de aproximadamente cinco mil. Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu aos que estavam sentados, tanto quanto queriam. E fez o mesmo com os peixes. Depois que se fartaram, disse aos discípulos: «Juntai os pedaços que sobraram, para que nada se perca!». Eles juntaram e encheram doze cestos, com os pedaços que sobraram dos cinco pães de cevada que comeram. À vista do sinal que Jesus tinha realizado, as pessoas exclamavam: «Este é verdadeiramente o profeta, aquele que deve vir ao mundo». Quando Jesus percebeu que queriam levá-lo para proclamá-lo rei, novamente se retirou sozinho para a montanha.

«Uma grande multidão o seguia»

Rev. D. Pere CALMELL i Turet (Barcelona, Espanha).

Sant'Ana
Hoje, podemos contemplar como se forja no nosso interior tanto o amor humano como o amor sobrenatural, já que temos um mesmo coração para amar a Deus e aos outros.

Geralmente, o amor vai abrindo passo no coração humano quando se descobre o atrativo do outro: sua simpatia, sua bondade. É o caso do «rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixes» (Jo 6,9). Dá a Jesus tudo o que leva, os pães e os peixes, porque se deixou conquistar pelo atrativo de Jesus. —Descobri o atrativo do Senhor?

A continuação, o enamoramento, fruto de sentir-se correspondido. Disse que «muita gente o seguia porque viam os sinais que ele realizava nos enfermos» (Jo 6,2). Jesus os escutava, os obedecia, porque sabia o que eles necessitavam.

Jesus Cristo sente um poderoso atrativo por mim e quer minha realização humana y sobrenatural. Ama-me tal como sou, com minhas misérias, porque peço perdão e, com sua ajuda, continuo esforçando-me.

«Jesus percebendo que tentavam vir tomá-lo pela força para proclamá-lo rei, fugiu novamente ao monte Ele só» (Jo 6,15). E lhes dirá no dia seguinte: «Em verdade, em verdade vos digo: vós me buscais, não porque hás visto sinais, e sim porque hás comido dos pães e vos hás saciado» (Jo 6,26). Santo Agustinho escreve: «Quantos há que procuram Jesus, guiados somente por interesses temporais! (...) apenas se procura a Jesus por Jesus».

A plenitude do amor é o amor de doação; quando se quer o bem do ser amado, sem esperar nada em troca, mesmo que seja ao preço do sacrifício pessoal.

Hoje, eu posso lhe dizer: «Senhor, que nos fazes participar do milagre da Eucaristia: pedimos que não te escondas, que vivas conosco, que te vejamos, que te toquemos, que te sintamos, que queiramos estar sempre ao teu lado, que sejas o Rei de nossas vidas e de nossos trabalhos» (São Josémaria).

“Dai-lhes vós mesmos de comer”.

Pe. Antonio Rivero, L.C.

São Joaquim
Síntese da mensagem: Durante cinco domingos seguidos lemos no capítulo seis de São João, onde se narra o discurso-catequese de Jesus sobre o Pão da vida. João é o teólogo da Eucaristia. Poderíamos resumir assim as ideias destes domingos: milagre dos pães (domingo 17), diálogo sobre o maná do deserto (domingo 18); o que significa crer em Jesus (domingo 19); o que significa comer Jesus (domingo 20) e finalmente as reações dos ouvintes e discípulos diante do discurso do Pão da vida (domingo 21). A vida cristã tem o seu centro na Eucaristia. Sem a Eucaristia não podemos viver. A Eucaristia exige e nos compromete a compartilhar também os nossos diversos pães com os irmãos: “Dai-lhes vós mesmos de comer”. Sim, dar o nosso pão para o povo (1ª leitura). E dá-lo com humildade, amabilidade, compreensão (2ª leitura).

Em primeiro lugar, Jesus hoje dá um exemplo maravilhoso para todos nós, cristãos e não cristãos: vê a multidão que o segue, sente compaixão por ela porque a vê faminta e soluciona esta necessidade básica- a fome-, símbolo de outra necessidade profunda, a necessidade de Deus, da sua Palavra e do seu amor. Agora bem, Cristo quer também a nossa colaboração e por isso diz: “Dai-lhes vós mesmos de comer”. É um grande desafio que requer fé, confiança e generosidade da nossa parte para compartilhar o muito ou o pouco que tivermos. Graças à colaboração de todos Deus operou o grande milagre da multiplicação dos pães e dos peixes. Assim foi também no caso de Eliseu na primeira leitura de hoje.

Em segundo lugar, a Igreja seguiu o exemplo de Jesus durante estes 21 séculos de história, obedecendo ao imperativo “Dai-lhes vós mesmos de comer”. A Igreja repartiu generosamente o pão da compaixão e da ternura com os doentes, anciãos, órfãos. Soube conjugar a evangelização com a beneficência e o cuidado material dos mais pobres, colaborando e completando o que num princípio pertenceria aos deveres de cada Estado. Testemunho desta ação caritativa e de promoção humana e cristã são as diversas ordens e congregações religiosas: As Missionárias da Caridade da beata Madre Teresa de Calcutá; as irmãzinhas dos Anciãos desamparados de Santa Teresa de Jesus Jornet e Ibars; os Irmãos Hospitaleiros de São João de Deus; os servidores dos enfermos de São Camilo de Lélis; as servas de Maria ministras dos enfermos de Santa Soledad Torres Acosta; os Oratorianos de São Felipe Neri... E uma coroa de cristãos comprometidos, missionários, voluntários, religiosos e religiosas que trabalham desinteressadamente no campo sanitário e educativo, e “compartilham o seu pão” com os que não o têm. Esta colaboração é às vezes econômica e outras, a doação de si mesmos, do seu tempo, do seu trabalho. E fazem isso não só com os países do Terceiro Mundo, mas bem próximo, no seu próprio ambiente, no qual os anciãos e os enfermos ou os pobres necessitam o “pão” da nossa acolhida, ternura e proximidade.      

Finalmente, esse “Dai-lhes vós mesmos de comer” implica, pois, compartilhar o pão material. Mas, sobretudo, é um símbolo muito expressivo de outros “pães” dos que também tem fome a humanidade: a cultura, pois muitos não têm escola; trabalho digno e estável; moradia para os que estão na rua dormindo debaixo das pontes ou jogados em qualquer praça; possibilidades de vida especialmente para emigrantes que abandonam o seu país em busca de um futuro melhor. Cristo não só da de comer ou cura os doentes e ressuscita os mortos; também prega o Reino, perdoa os pecados, conduz a Deus. Não quer que fiquem somente no mero fato do milagre material, mas que deem o salto à fé e ao compromisso da doação. Este discurso de São João no capítulo seis levará pouco a pouco os leitores à compreensão mais profunda do sacramento da Eucaristia.   

Para refletir: Quantos pães e peixes eu tenho dentro da minha mochila? Compartilho com os demais ou gosto de comer sozinho num cantinho? O que aconteceria se todos compartilhássemos o pouco ou o muito que temos? O que aconteceria se Cristo não compartilhasse conosco a sua Eucaristia, a sua Santa Mãe, a sua Palavra, a sua Cruz, os seus sonhos, as suas alegrias e as suas tristezas?

Para rezar: Senhor, perdoai o meu egoísmo por não querer repartir o meu pão com os meus irmãos. Limpai os meus olhos para ver as necessidades do meu próximo. Alarga o meu coração para sentir compaixão por ele. E especialmente, dai-me mãos para saber compartilhar e repartir o meu pão com os necessitados, consciente de que assim sigo o vosso exemplo e o exemplo de tantos santos.

Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail: arivero@legionaries.org


sexta-feira, 24 de julho de 2015

25 de julho: São Tiago, Apóstolo

Evangelho (Mt 20,20-28): A mãe dos filhos de Zebedeu, com seus filhos, aproximou-se de Jesus e prostrou-se para lhe fazer um pedido. Ele perguntou: «Que queres?». Ela respondeu: «Manda que estes meus dois filhos se sentem, no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda». Jesus disse: «Não sabeis o que estais pedindo. Podeis beber o cálice que eu vou beber?». Eles responderam: «Sim, podemos». Declarou Jesus: «Do meu cálice bebereis, mas o sentar-se à minha direita e à minha esquerda não depende de mim. É para aqueles a quem meu Pai o preparou». Quando os outros dez ouviram isso, ficaram zangados com os dois irmãos. Jesus, porém, chamou-os e disse: «Sabeis que os chefes das nações as dominam e os grandes fazem sentir seu poder. Entre vós não deverá ser assim. Quem quiser ser o maior entre vós seja aquele que vos serve, e quem quiser ser o primeiro entre vós, seja vosso escravo. Pois o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos».

«Podes beber do cálice que eu vou beber?»

Mons. Octavio RUIZ Arenas Secretário do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização (Città del Vaticano, Vaticano)

Hoje, o episódio que nos narra este fragmento do Evangelho nos põe diante a uma situação que ocorre com muita frequência nas diferentes comunidades cristãs. João e Tiago foram muito generosos ao abandonar sua casa e suas redes para seguir Jesus. Escutaram que o Senhor anuncia um Reino e que oferece a vida eterna, mas não chegam a entender ainda a nova dimensão que Ele apresenta e, por isso, sua mãe pede a algo bom, mas que está nas simples aspirações humanas: «Manda que estes dois filhos meus que se sentem, um a tua direita e outro a tua esquerda, em teu Reino» (Mt 20,21).

Igualmente, nós escutamos e seguimos o Senhor, como fizeram os primeiros discípulos de Jesus, mas não sempre chegamos entender totalmente sua mensagem e nos deixamos levar por interesses pessoais ou ambições dentro da igreja. Esquecemos que ao aceitar ao Senhor, temos que entregarmos confiança e de maneira plena a Ele, que não podemos pensar em obter a gloria sem ter aceitado a cruz.

A resposta que lhes dá Jesus põe exatamente a entonação neste aspecto: para participar de seu Reino, o que importa é aceitar beber de seu próprio «cálice» (cf. Mt 20,22), ou seja, estar dispostos a entregar nossa vida por amor a Deus e dedicarmos ao serviço de nossos irmãos, com a mesma atitude de misericórdia que teve Jesus. O Papa Francisco, em sua primeira homilia, ressaltava que para seguir a Jesus devemos caminhar com a cruz, pois «quando caminhamos sem a cruz, quando confessamos um Cristo sem cruz, não somos discípulos do Senhor».

«Não sabeis o que estais pedindo (...) sentar-se à minha direita e à minha esquerda (...) é para aqueles a quem meu Pai o preparou»

+ Rev. D. Antoni ORIOL i Tataret (Vic, Barcelona, Espanha)

S. Tiago Maior, Apóstolo
Hoje, no fragmento do Evangelho de São Mateus encontramos vários ensinamentos. Vou destacar apenas um, aquele que se refere ao absoluto domínio de Deus sobre a História: tanto a de todos os homens em seu conjunto (a humanidade), como a de todos e cada um dos grupos humanos (no caso, por exemplo, o grupo familiar dos Zebedeus), como também a de cada indivíduo. Por isto Jesus disse-lhes claramente: «Não sabeis o que estais pedindo» (Mt 20,22).

Se sentarão à direita de Jesus Cristo aqueles a quem seu Pai tenha destinado: «Mas o sentar-se à minha direita e à minha esquerda não depende de mim. É para aqueles a quem meu Pai o preparou» (Mt 20,23). Assim, tal como se escuta. Como escreve Cervantes na célebre obra Dom Quixote: «Não se move a folha na árvore, sem a vontade do Senhor». E isto é assim porque Deus é Deus. Dito de outro jeito: se não fosse assim, Deus não seria Deus.

Na presença disso, que indiscutivelmente se sobrepõe a todo condicionamento humano, aos homens só resta, em princípio, à aceitação e a adoração (porque Deus se nos revelou como o Absoluto);a confiança e o amor enquanto caminhamos (porque Deus se revelou a nós, também, como Pai); e no final... no final, o maior e o mais definitivo: sentar-nos junto à Jesus (à sua direita ou à sua esquerda, isso é uma questão secundária, sem dúvida).

O enigma da eleição e da predestinação divinas só se resolve, da nossa parte, com a confiança. Mais vale um miligrama de confiança depositado no coração de Deus, que todo o peso do universo pressionando sobre nosso pobre prato da balança. Na verdade, «Santiago viveu pouco tempo, pois já demonstrava uma grande fé: desprezou todas as coisas humanas e ascendeu a um patamar tão inefável, que morreu imediatamente» (São João Crisóstomo).

Reflexão de Frei Carlos Mesters, OCarm.

* O evangelho de hoje dois assuntos: o pedido da mãe dos filhos de Zebedeu (Mt 20,20-23) e a discussão dos discípulos pelo primeiro lugar (Mt 20,24-28).

V Centenário do Nascimento (1515-2015)
* Mateus 20,20-21: O pedido da mãe pelo primeiro lugar para os filhos.
Os discípulos não só não entendem o alcance da mensagem de Jesus, mas continuam com suas ambições pessoais. Enquanto Jesus insistia no serviço e na doação, eles teimavam em pedir os primeiros lugares no Reino. A mãe de Tiago e João, levando consigo os dois filhos, chega perto de Jesus e pede um lugar na glória do Reino para os dois filhos, um à direita e outro à esquerda de Jesus. Os dois não entenderam a proposta de Jesus. Estavam preocupados só com os próprios interesses. Sinal de que a ideologia dominante da época tinha penetrado profundamente na mentalidade dos discípulos. Apesar da convivência de vários anos com Jesus, eles não tinham renovado sua maneira de ver as coisas. Olhavam para Jesus com o olhar antigo. Queriam uma recompensa pelo fato de seguir a Jesus. As mesmas tensões existiam nas comunidades no tempo de Mateus e existem até hoje nas nossas comunidades.

* Mateus 20,22-23: A resposta de Jesus.
Jesus reage com firmeza: “Vocês não sabem o que estão pedindo!” E pergunta se eles são capazes de beber o cálice que ele, Jesus, vai beber, e se estão dispostos a receber o batismo que ele vai receber. É o cálice do sofrimento, o batismo de sangue! Jesus quer saber se eles, em vez do lugar de honra, aceitam entregar a vida até à morte. Os dois respondem: “Podemos!” Parece uma resposta da boca para fora, pois, poucos dias depois, abandonaram Jesus e o deixaram sozinho na hora do sofrimento (Mc 14,50). Eles não têm muita consciência crítica, nem percebem sua realidade pessoal. Quanto ao lugar de honra no Reino ao lado de Jesus, quem o dá é o Pai. O que ele, Jesus, tem para oferecer é o cálice e o batismo, o sofrimento e a cruz.

* Mateus 20,24-27: Entre vocês não seja assim.
Jesus fala, novamente, sobre o exercício do poder (cf. Mc 9,33-35). Naquele tempo, os que detinham o poder não prestavam conta ao povo. Agiam conforme bem entendiam (cf. Mc 6,27-28). O império romano controlava o mundo e o mantinha submisso pela força das armas e, assim, através de tributos, taxas e impostos, conseguia concentrar a riqueza dos povos na mão de poucos lá em Roma. A sociedade era caracterizada pelo exercício repressivo e abusivo do poder. Jesus tem outra proposta. Ele diz: “Entre vocês não deve ser assim! Quem quiser ser o maior, seja o servidor de todos!” Ele traz ensinamentos contra os privilégios e contra a rivalidade. Quer mudar o sistema e insiste no serviço como remédio contra a ambição pessoal.

* Mateus 20,28: O resumo da vida de Jesus.
Jesus define a sua missão e a sua vida: “Não vim para ser servido, mas para servir!” Veio dar sua vida em resgate para muitos. Ele é o messias Servidor, anunciado pelo profeta Isaías (cf. Is 42,1-9; 49,1-6; 50,4-9; 52,13-53,12). Aprendeu da mãe que disse: “Eis aqui a serva do Senhor!”(Lc 1,38). Proposta totalmente nova para a sociedade daquele tempo.

Para um confronto pessoal
1. Tiago e João pedem favores, Jesus promete sofrimento. E eu, o que peço a Jesus na oração? Como acolho o sofrimento e as dores que acontecem na minha vida?
2. Jesus diz: “Entre vocês não deve ser assim!” Meu jeito de viver em comunidade está de acordo com este conselho de Jesus?

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Mesmo dia 24 de julho

B. Maria das Mercês do Sagrado Coração Prat
Religiosa da Companhia de Santa Teresa
Virgem e mártir


A Beata Mercedes nasceu em Barcelona (Espanha) a 6 de março de 1880. Entrou para a Companhia de Sta. Teresa no dia 27 de agosto de 1904. Uma das irmãs com que conviveu definiu-a Mercedes como "uma Teresiana segundo o Coração de Deus." Quando estourou a Guerra Civil Espanhola, repetia com frequência quando falava dos perigos da revolução que se desenvolvia na Espanha: "Aconteça o que acontecer, o Coração de Jesus triunfará". Foi então que se lhe viu prolongar seus momentos de oração diante do sacrário. Dali, sem dúvida, lhe vinham a confiança e a fortaleza ilimitadas. Em julho de 1936, teve a oportunidade de testemunhar a sua obediência e entrega. Ao perguntar-lhe alguns milicianos quem era, respondeu que uma religiosa do ensino; e ao perguntar-lhes se sabiam que por isso podiam ser fuziladas, Mercedes e a irmã que a acompanhava não o ignoravam. "Nos vão matar", disse ao sair de Ganduxer, “mas vamos lá, obedecerei porque o Senhor o quer." Foram horas de angústia para as duas irmãs, interrogatórios, ameaças, simulação de fuzilamento... foi um dia longo o 23 de julho. Finalmente, na madrugada do dia 24, na estrada da Rabasada, o pelotão de fuzilamento encontrou a Mercedes com a oração nos lábios.  Ferida de morte repetiu entre gemidos: "Jesus, José e Maria" e suas últimas palavras foram as do Pai Nosso: "Perdoai-nos assim como nós perdoamos..." Em 29 de abril de 1990 foi beatificada pelo Papa João Paulo II.

Salmodia, Leitura, Responsório breve e Preces do Dia Corrente.

Oração
Deus Pai de infinita bondade, que destes à beata Maria Mercedes Prat, virgem o espírito de fortaleza para consumar no martírio sua oblação a Vós e à Igreja; concedei-nos, por sua intercessão que arraigados na caridade de Cristo, nunca nos separemos de seu amor Por Nosso Senhor Jesus Cristo...


24 de julho

Beato João Soreth
PRESBÍTERO DE NOSSA ORDEM
FUNDADOR DAS ORDENS II E III


Nasceu em Caen, na Normandia, no ano de 1394. Foi Mestre de Teologia, governou a Província, e em 1451 foi Prior Geral da Ordem até à sua morte em Angers (França), no ano de 1471. Restaurou e promoveu a observância regular. Escreveu um célebre comentário sobre a Regra. Em 1462 publicou as Constituições revistas. É considerado como fundador das Ordens Segunda e Terceira.

INVITATÓRIO
Ant. Vinde, adoremos a Cristo, Príncipe dos pastores.

LAUDES
Hino de Laudes e Vésperas
Ó glorioso João Soreth,
santo e ilustre carmelita,
teu zelo não se limita
ao convento onde entraste;
o amor à observância
em tua vida foi ânsia,
que até o fim conservaste.

Eleito em Avinhão Prior Geral,
à expansão da Ordem consagraste
o esforço da existência inteira;
organizar a vida conventual
do Carmelo feminino procuraste
e, recorrendo a Roma, alcançaste
a Regra da Ordem Terceira.

Não consegue, porém, o mundo vão
perturbar o teu simples coração;
a humana glória não buscaste
nem favor algum te seduziu,
poder e honrarias recusaste:
o ideal, que teus passos conduziu,
foi o amor que à Igreja dedicaste.

Bela coroa mereceste!
Pelo amor à Eucaristia
e à Santa Virgem Maria
já o prêmio recebeste;
na visão da eterna luz
lembra junto de Jesus
a Ordem, em que viveste.

Ao Pai toda glória damos,
por Jesus Cristo Senhor;
e ao Espírito Consolador
louvor igual tributamos.

Ant. 1 Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada no alto do monte.

Salmos e cântico do I Domingo.

Ant. 2 Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o Pai que está no Céu.

Ant. 3 A palavra de Deus é viva e eficaz, mais penetrante que uma espada de dois gumes.

Cântico evangélico
Ant. É este o homem, cuja vida brilha como uma luz, cuja prudência supera toda prova, cujo zelo é sempre temperado pela misericórdia.

Leitura, Responsório breve e Preces do Comum dos Pastores.

Oração
Senhor, que escolhestes o Beato João Soreth para renovar a vida religiosa e promover as fundações das Carmelitas, concedei-nos, por sua intercessão, a graça de uma fidelidade cada vez maior no seguimento de Cristo e de Maria, sua Mãe. Por N.S.J.C.

VÉSPERAS

Tudo do Comum dos Pastores ou Santos homens - para Religiosos. (exceto)

Cântico evangélico
Ant. O homem de fé fortaleceu a sua cidade e nos dias dos ímpios reforçou a piedade.

Oração
Senhor, que escolhestes o Beato João Soreth para renovar a vida religiosa e promover as fundações das Carmelitas, concedei-nos, por sua intercessão, a graça de uma fidelidade cada vez maior no seguimento de Cristo e de Maria, sua Mãe. Por N.S.J.C.

Sexta-feira da 16ª semana do Tempo Comum

Evangelho (Mt 13,18-23): Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: «Vós, portanto, ouvi o significado da parábola do semeador. A todo aquele que ouve a palavra do Reino e não a compreende, vem o Maligno e rouba o que foi semeado em seu coração; esse é o grão que foi semeado à beira do caminho. O que foi semeado nas pedras é quem ouve a palavra e logo a recebe com alegria; mas não tem raiz em si mesmo, é de momento: quando chega tribulação ou perseguição por causa da palavra, ele desiste logo. O que foi semeado no meio dos espinhos é quem ouve a palavra, mas as preocupações do mundo e a ilusão da riqueza sufocam a palavra, e ele fica sem fruto. O que foi semeado em terra boa é quem ouve a palavra e a entende; este produz fruto: um cem, outro sessenta e outro trinta».

«Vós, portanto, ouvi o significado da parábola do semeador»

P. Josep LAPLANA OSB Monje de Montserrat (Montserrat, Barcelona, Espanha)

Hoje, contemplamos a Deus como um lavrador bom e magnânimo, que semeia com as mãos cheias. Não poupou nada para a redenção do homem, mas gastou tudo em seu próprio Filho, Jesus Cristo, que como grão enterrado (morte e sepultamento) converteu-se em nossa vida e ressurreição graças à sua santa Ressurreição.

Deus é um agricultor paciente. Os tempos pertencem o Pai, porque só Ele sabe o dia e a hora (cf. Mc 13,32) de ceifar e de separar os grãos da palha. Deus espera. Também nós temos de esperar, sincronizando o relógio da nossa esperança com o desígnio salvador de Deus. Diz São Tiago «Olhai o agricultor: ele espera com paciência o precioso fruto da terra, até cair a chuva do outono ou da primavera» (Tg 5,7). Deus espera a colheita fazendo-a crescer com a sua graça. Nós tampouco não podemos dormir, mas devemos colaborar com a graça de Deus prestando a nossa cooperação, sem pôr obstáculos a esta ação transformadora de Deus.

O cultivo de Deus que nasce e cresce assim na terra é um fato visível em seus efeitos; podemos vê-los nos milagres autênticos e nos exemplos clamorosos de santidade de vida. Há muita gente que depois de haver escutado todas as palavras e o ruído deste mundo, tem fome e sede de ouvir a autêntica Palavra de Deus, ali onde ela se encontra viva e encarnada. Há milhões de pessoas que vivem a sua pertença a Jesus Cristo e à Igreja com o mesmo entusiasmo inicial do Evangelho, pois a palavra divina «encontra a terra onde germinar e dar fruto» (São Agostinho); o que temos que fazer é levantar a nossa moral e olhar o futuro com olhos de fé.

O êxito da colheita não se encontra nas nossas estratégias humanas nem no marketing, mas na iniciativa salvadora de Deus “rico em misericórdia” e na eficácia do Espírito Santo, que pode transformar as nossas vidas para que demos frutos saborosos de caridade e de contagiosa alegria.

Reflexão

• Contexto. A partir do capítulo 12, aparece uma oposição entre os líderes religiosos de Israel, os escribas e fariseus, de um lado, enquanto por outro lado, entre as multidões que ouvem Jesus maravilhadas com suas ações prodigiosas, vai-se formando pouco a pouco um grupo de discípulos de características ainda não definidas, mas que segue a Jesus com perseverança. A doze destes discípulos Jesus dá o dom da sua autoridade e de seus poderes; envia-os como mensageiros do reino e lhes dá instruções exigentes e radicais (10,5-39). No momento da controvérsia com seus adversários, Jesus reconhece a sua verdadeira parentela não linha da carne (mãe, irmãos), mas sim nos que o seguem, ouvem e fazem a vontade do Pai (12,46 -50). Este último relato nos permite imaginar que o público a quem Jesus dirige a palavra é duplo: de um lado, os discípulos aos quais lhes concede conhecer os mistérios do reino (13,11) e que são capazes de compreendê-los (13,50) e, por outro lado, a multidão que parece estar privada desta compreensão profunda (13,11. 34-36). Às grandes multidões que se reúnem para ouvir Jesus é apresentada em primeiro lugar a parábola do semeador. Jesus fala de uma semente que cai na terra ou não. O seu crescimento depende do lugar onde ela cai, é possível que seja impedida até o ponto de não dar frutos, como acontece nas três primeiras categorias de terra: "o caminho" (lugar duro por causa da passagem de homens e animais), "o terreno rochoso" (formada por rochas), "cardos" (terra coberta de espinhos). No entanto, aquela que cai na "boa terra" dá um fruto excelente ainda que em quantidades diferentes. O leitor é orientado a prestar mais atenção ao fruto do grão que à ação do semeador. Além disso, Mateus focaliza a atenção do público sobre a boa terra e sobre fruto que ela é capaz de produzir excepcionalmente. A primeira parte da parábola termina com uma advertência: “Aquele que tem ouvidos, ouça." (v. 9), é uma chamada para a liberdade de ouvir. A palavra de Jesus pode permanecer uma simples "parábola" para uma multidão incapaz de entender, mas para aquele que se deixa conduzir por sua força pode revelar "os mistérios do reino dos céus." O acolher a palavra de Jesus é o que distingue os discípulos e a multidão anônima, a fé dos primeiros revela a cegueira dos segundos e os empurra a buscar para além da parábola.

• Ouvir e compreender. É sempre Jesus quem conduz os discípulos no caminho certo para a compreensão da parábola. No futuro, será a Igreja a ser guiada através dos discípulos para a compreensão da Palavra de Jesus. Na explicação da parábola, os dois verbos "ouvir" e "entender" aparecem em 13,23: “A terra boa semeada é aquele que ouve a palavra e a compreende." É na compreensão onde o discípulo que ouve cada dia a Palavra de Jesus se distingue das multidões que só a escutam ocasionalmente.

• Impedimentos à compreensão. Jesus refere-se, principalmente, à resposta negativa que seus contemporâneos dão à sua pregação do reino dos céus. Esta resposta negativa está ligada a impedimentos de vários tipos. O terreno da beira do caminho é aquele que os pedestres tornaram endurecido e aparece totalmente negativo: "Todo mundo sabe que não serve para nada lançar a semente no caminho: não há as condições necessárias para o crescimento. Depois as pessoas passam, pisoteiam e destroem a semente. A semente não lança em qualquer parte” (Carlos Mesters). Antes de tudo está a responsabilidade pessoal do indivíduo: acolher a Palavra de Deus no próprio coração; se ao contrário cai em um coração "endurecido", teimoso em suas convicções e na indiferença, se oferece campo ao maligno que acaba completar por completar esta atitude persistente de fechamento à Palavra de Deus.

O solo pedregoso. Se o primeiro obstáculo é um coração insensível e indiferente, a imagem da semente que cai sobre pedras, sobre rochas e entre os espinhos, indica o coração imerso em uma vida superficial e mundana. Estes estilos de vida são a energia que impedem que a Palavra dê frutos. Ele dá um vislumbre de ouvir, mas logo se torna bloqueado, não só pelas provações e tribulações inevitáveis, mas também para o envolvimento do coração nas preocupações e riqueza. A vida não profunda e superficial provoca a instabilidade.

A boa terra é o coração que ouve e compreende a palavra; esta dá frutos. Esse desempenho é o trabalho da Palavra em um coração acolhedor. Trata-se de uma compreensão dinâmica, que se deixa envolver pela ação de Deus presente na Palavra de Jesus. A compreensão da sua Palavra permanecerá inacessível se negligenciarmos o encontro com ele e não o deixamos que dialogue conosco.

Para um confronto pessoal
1. A escuta da Palavra de Deus, te leva à compreensão profunda ou permanece apenas como um exercício intelectual?
2. És coração acolhedor e disponível, dócil para chegar a uma compreensão plena da Palavra?