segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Terça-feira da 26ª semana do Tempo Comum

São Jerônimo, Bispo e Doutor
Evangelho (Lc 9,51-56): Quando ia se completando o tempo para ser elevado ao céu, Jesus tomou a firme decisão de partir para Jerusalém. Enviou então mensageiros à sua frente, que se puseram a caminho e entraram num povoado de samaritanos, para lhe preparar hospedagem. Mas os samaritanos não o queriam receber, porque mostrava estar indo para Jerusalém. Vendo isso, os discípulos Tiago e João disseram: «Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu, para que os destrua?». Ele, porém, voltou-se e os repreendeu. E partiram para outro povoado».

Comentário: Rev. D. Llucià POU i Sabater (Granada, Espanha)

Voltou-se e os repreendeu

Hoje no Evangelho contemplamos como «Tiago e João disseram: ‘Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu, para que os destrua?’. Ele, porém, voltou-se e os repreendeu. E partirem para outro povoado» (Lc 9,54-55). São defeitos dos Apóstolos, que o Senhor corrige.

Conta a história de um homem que transportava água da Índia, carregava dois cântaros um a cada lado pendurado no extremo de um pau que se apoiava em seus ombros: Um era perfeito, e o outro tinha uma rachadura e perdia água. Este –triste- observava o outro tão perfeito e com vergonha e sentindo-se miserável, disse um dia ao seu amo: sinto muito, que por causa do meu defeito perca metade do meu conteúdo. Ele lhe respondeu: Quando voltarmos para casa repara nas flores que crescem no lado do caminho. E reparou: eram belíssimas flores, mas vendo que continuava a perder água, repetiu: Não sirvo, faço tudo mal. O senhor lhe respondeu: - reparaste que as flores só crescem no teu lado do caminho? Isto porque eu sempre soube que em ti havia uma rachadura, então plantei sementes do teu lado e a cada dia que fazia este trajeto tu regavas as sementes e assim pude recolher estas flores para o altar da Virgem Maria. Sem ti e a tua maneira de ser, não seria possível esta beleza.

Todos, de alguma maneira somos cântaros rachados, mas Deus conhece bem os seus filhos e dá-nos a possibilidade de aproveitar as rachaduras-defeitos para alguma coisa boa. Assim o apóstolo João - que hoje quere destruir—, com a correção do Senhor converte-se no apóstolo do amor nas suas cartas. Não se desanimou com as correções, senão que aproveitou o lado positivo do seu caráter impulsivo —a paixão— para o serviço do amor. Que nós, também sejamos capazes de aproveitar as correções, as contrariedades - sofrimento, fracasso, limitações— para “começar e recomeçar”, tal como São Josemaria definia a santidade: dóceis ao Espírito Santo para convertermos a Deus e sermos seus instrumentos.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* O evangelho de hoje conta como Jesus decide ir para Jerusalém.
Descreve também as primeiras dificuldades que ele encontra nesta caminhada. Traz o começo da longa e dura caminhada da periferia para a capital. Jesus deixa a Galileia e segue para Jerusalém. Nem todos o compreendem. Muitos o abandonam, pois as exigências são grandes. Hoje acontece o mesmo. Na caminhada das nossas comunidades também há incompreensão e abandono.

* “Jesus decide ir para Jerusalém”.
Esta decisão vai marcar a longa e dura viagem de Jesus desde a Galileia até Jerusalém, da periferia até a capital. Esta viagem ocupa mais de uma terça parte de todo o evangelho de Lucas (Lc 9,51 até 19,28). Sinal de que a caminhada até Jerusalém teve uma importância muito grande na vida de Jesus. A longa caminhada simboliza, ao mesmo tempo, a viagem que as comunidades estavam fazendo. Elas procuravam realizar a difícil passagem do mundo judeu para o mundo da cultura grega. Simbolizava também a tensão entre o Novo que continuava avançando e o Antigo que se fechava cada vez mais. E simboliza, ainda, a conversão que cada um de nós tem que fazer, procurando seguir Jesus. Durante a viagem, os discípulos e as discípulas tentam seguir Jesus, sem voltar atrás. Nem sempre o conseguem. Jesus dedica muito tempo à instrução dos que o seguem de perto. Um exemplo concreto desta instrução temos no evangelho de hoje. Logo no início da viagem, Jesus sai da Galileia e leva seus discípulos para dentro do território dos samaritanos. Ele procura formá-los para que possam entender a abertura para o Novo, para o “outro”, o diferente.

* Lucas 9,51: Jesus decide ir para Jerusalém
 O texto grego diz literalmente: "Quando se completaram os dias da sua assunção (ou arrebatamento), Jesus firmou o seu rosto para ir a Jerusalém”. A expressão assunção ou arrebatamento evoca o profeta Elias que foi arrebatado ao céu (2 Rs 2,9-11). A expressão firmar o rosto evoca o Servo de Javé que dizia: “Faço meu rosto duro como pedra, certo de não ser enganado” (Is 50,7). Evoca ainda uma ordem que o profeta Ezequiel recebeu de Deus: "Fixa a teu rosto contra Jerusalém!" (Ez 21,7). Usando tais expressões, Lucas sugere que, com a caminhada em direção a Jerusalém, começa uma oposição mais declarada de Jesus contra o projeto da ideologia oficial do Templo de Jerusalém. A ideologia do Templo queria um Messias glorioso e nacionalista. Jesus quer ser o Messias-Servo. Durante a longa viagem, esta oposição vai crescer e, no fim, vai terminar no arrebatamento ou na assunção de Jesus. A assunção de Jesus é a sua morte na Cruz, seguida da ressurreição.

2. Lucas 9,52-53: Fracassa a missão na Samaria
  Durante a viagem, o horizonte da missão se alarga. Logo no início, Jesus ultrapassa as fronteiras do território e da raça. Ele manda seus discípulos preparar a sua vinda numa aldeia da Samaria. Mas a missão junto dos samaritanos fracassou. Lucas diz que os samaritanos não receberam Jesus porque ele estava indo para Jerusalém. Porém, se os discípulos tivessem dito aos samaritanos: “Jesus está indo para Jerusalém para criticar o projeto do Templo e para exigir maior abertura”, Jesus teria sido aceito, pois os samaritanos eram da mesma opinião. O fracasso da missão deve-se, provavelmente, aos discípulos. Eles não entenderam por que Jesus “firmou a cara contra Jerusalém”. A propaganda oficial do Messias glorioso e nacionalista impedia-os de enxergar. Os discípulos não entenderam a abertura de Jesus, e a missão fracassou!

3. Lucas 9,54-55: Jesus recusa o pedido de vingança
 Tiago e João não querem levar desaforo para casa. Não aceitam que alguém não concorde com a ideia deles. Querem imitar Elias e usar o fogo para se vingar (2 Rs 1,10). Jesus recusa a proposta. Não quer o fogo. Certas Bíblias acrescentam: "Vocês não sabem de que espírito são movidos!" Significa que a reação dos dois discípulos não era do Espírito de Deus. Quando Pedro sugeriu a Jesus para não seguir pelo caminho do Messias Servo, Jesus chamou Pedro de Satanás (Mc 8,33). Satanás é o mau espírito que quer mudar o rumo da missão de Jesus. Recado de Lucas para as comunidades: os que querem impedir a missão junto dos pagãos são movidos pelo mau espírito!

* Durante os dez capítulos que descrevem a viagem até Jerusalém (Lc 9,51 a 19,28), Lucas, constantemente, lembra que Jesus está a caminho de Jerusalém (Lc 9,51.53.57; 10,1.38; 11,1; 13,22.33; 14,25; 17,11; 18,31; 18,37; 19,1.11.28). Raramente, porém, ele diz por onde Jesus passava. Só aqui no começo da viagem (Lc 9,51), no meio (Lc 17,11) e no fim (Lc 18,35; 19,1), você fica sabendo algo a respeito do lugar por onde Jesus estava passando. Isto vale para as comunidades de Lucas e para todos nós. O que é certo é que devemos caminhar. Não podemos parar. Nem sempre, porém, é claro e definido por onde passamos. O que é certo é o objetivo: Jerusalém.

Para um confronto pessoal
1) Quais os problemas que já apareceram em sua vida como consequência da decisão que você tomou de seguir Jesus?
2) O que aprendemos da pedagogia de Jesus com seus discípulos que queriam vingar-se dos samaritanos?

domingo, 28 de setembro de 2014

PREPARANDO-NOS PARA A FESTA DE SANTA TERESA DO MENINO JESUS

SEGUNDA-FEIRA: 

Sofrendo com Coragem

1. Motivação
"Já não desejo tampouco o sofrimento, nem a morte. No entanto, amo ambas as coisas. O que, porém, me atrai, é unicamente o amor". (Santa Teresinha)
Neste dia, nos deteremos nos sofrimentos de Santa Teresinha e na sua capacidade de suportá-lo com um sorriso. Pensaremos também nos nossos próprios sofrimentos e no modo como os enfrentamos. Para a Santa das Rosas, é preciso saber sofrer cada minuto. Não devemos antecipar os sofrimentos, preocupando-nos com as angústias de amanhã. É necessário, por outro lado, saber aproveitar o sofrimento como possibilidade de salvação do outro. Como temos encarados os nossos sofrimentos? Somos movidos pela certeza de que Deus está do nosso lado, segurando a nossa mão, todas as vezes em que choramos de dor e tristeza?

2. Leitura Bíblica: (Mt 26,36-41)
Então Jesus chega com eles a uma propriedade chamada Getsemâni e diz aos discípulos: `Ficai aqui enquanto eu vou rezar'. Levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, ele começou a sentir tristeza e angústia. Disse-lhes então: `Minha alma está triste a ponto de morrer. Permanecei aqui e vigiai comigo'. E indo um pouco mais longe e caindo de rosto em terra, ele orava, dizendo: `Meu Pai, se é possível, esta taça passe longe de mim! Todavia, não como eu quero, mas como tu queres!'Ele vem para junto dos discípulos e os encontra a dormir; diz a Pedro: `Então, não tivestes força para vigiar nem uma hora comigo! Vigiai e orai, a fim de não cairdes em poder da tentação. O espírito está cheio de ardor, mas a carne é fraca". (Momento de silêncio)

3. Oração
Ó Deus todo-poderoso, que nos dais Santa Teresinha como modelo, vede nossos esforços em viver os nossos compromissos batismais e ponde em nossos corações o mesmo ardor de santidade que marcou a vida de Santa Teresa do Menino Jesus. Vós que cumulastes de graças vossa serva Santa Teresinha, derramai vossas bênçãos sobre todos nós, que exaltamos vossa misericórdia. Nós vos pedimos, atendei-nos em nossas necessidades e socorrei-nos, ouvindo-nos de modo especial na graça que esperamos alcançar de vós.... (faz-se o pedido). Isso vos pedimos por Cristo nosso Senhor. Amém.

4. Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai.

5. Ladainha
Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Santa Maria, Rainha e Esplendor do Carmelo,
São José,
Santa Teresa, modelo para todos os consagrados, rogai por nós.
Santa Teresa, inflamada do zelo pela glória de Deus,
Santa Teresa, amante da vontade de Deus,
Santa Teresa, filha querida de Maria,
Santa Teresa, dedicada ao pai e senhor São José,
Santa Teresa, amante da paz,
Santa Teresa, generosa no perdão,
Santa Teresa, perseverantes na oração,
Santa Teresa, filha obediente da Igreja,
Santa Teresa, cheia de fervor angélico,
Santa Teresa, cheia de zelo apostólico,
Santa Teresa, crucificada na noite escura,
Santa Teresa, consumida pelo Amor de Deus,
Santa Teresa, que dissestes que não descansarias no Céu enquanto houvesse almas para salvar,
Santa Teresa, coroada gloriosamente no Céu,
Santa Teresa, que prometestes passar o Céu fazendo o bem sobre a terra,
Santa Teresa, nunca invocada sem alguma resposta,

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós!

Rogai por nós, Santa Teresa do Menino Jesus da Santa Face,
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém.

Oremos:
Ó Pai, Deus eterno, cuja misericórdia é infinita e a compaixão inesgotável, olhai para nós e fazei frutificar em nós o vosso amor misericordioso como fizestes em Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.

Oração:
Velai, ó Flor do Carmelo, por nossas famílias: que em nossos lares haja paz, compreensão e diálogo. Velai por nossa pátria, para que tenhamos governantes íntegros afinados com os anseios do povo sofrido.
Velai por nós, para que o espírito missionário impregne todas as nossas ações.
Amém.

29 de setembro

São Miguel, SÃO GABRIEL (anjo da Guarda da Ordem) e São Rafael.
Tudo como na Liturgia das Horas do dia 29 de setembro

Ladainha a São Gabriel Arcanjo

Senhor, tem piedade.
Cristo, tem piedade.
Senhor, tem piedade.
Cristo, ouvi-nos.
Cristo escutai-nos.
Deus Pai celestial, criador dos anjos, tem piedade de nós.
Deus Filho Redentor do mundo, Senhor dos Anjos,
Deus Espírito Santo, Vida dos anjos,
Santíssima Trindade, um só Deus verdadeiro, delícia dos Anjos,
Santa Maria Rainha dos Anjos, rogai por nós.
São Gabriel Arcanjo,
Força de Deus,
Príncipe do Céu,
Embaixador de Deus Pai,
Servidor do Verbo Divino,
Arauto da Encarnação,
Primeiro adorador do Verbo Encarnado,
Anunciador da grandeza de Jesus,
Mensageiro da Esperança,
Revelador das glórias de Maria,
Guardião da Virgem Imaculada,
Protetor contra o Maligno,
Zeloso pela honra de Jesus Cristo, rogai por nós.
Guardião de nosso Batismo,
Modelo de oração,
Flagelo dos incrédulos,
Mestre admirável,
Força dos justos,
Protetor das famílias cristãs,
Defensor da Fé,
Patrono dos sacerdotes,
Escudo da castidade,
Guia dos desorientados,
Conselheiro dos confundidos,
Guarda da Ordem do Carmo,
Cristo, ouvi-nos.
Cristo, escutai-nos.
O Senhor manda a seus anjos
Para cuidar-nos em todos os caminhos.

Oremos
Deus todo poderoso, que nos amais com amor eterno, enviai-nos os vossos Anjos para que nos defendam do Maligno, o fazei pelo Sangue precioso de vosso Filho, e pelos rogos da Santíssima Virgem Maria e de São Gabriel Arcanjo, em meio dos perigos, nos refugiamos em vós. Por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém.

Os santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael

São Miguel
Evangelho (Jo 1,47-51): Naquele tempo, Jesus viu Natanael que vinha ao seu encontro e declarou a respeito dele: Este é um verdadeiro israelita, no qual não há falsidade! Natanael disse-lhe: De onde me conheces? Jesus respondeu: Antes que Filipe te chamasse, quando estavas debaixo da figueira, eu te vi. Natanael exclamou: Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel! Jesus lhe respondeu: Estás crendo só porque falei que te vi debaixo da figueira? Verás coisas maiores que estas. E disse-lhe ainda: Em verdade, em verdade, vos digo: vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem.

Comentário: Cardenal Jorge MEJÍA Arquivista e Bibliotecário de la S.R.I. (Città del Vaticano, Vaticano)

Vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem!

Hoje, na festa dos Santos Arcanjos, Jesus manifesta aos seus Apostoles e a todos, a presença dos seus arcanjos e, a relação que com Ele mantêm. Os anjos estão na glória celestial, onde louvam perenemente ao Filho do homem, que é o Filho de Deus. O rodeiam e estão ao seu serviço.

Subir e descer nos lembra o episódio do sono do Patriarca Jacob, quem dormindo sobre uma pedra durante sua viagem à terra de origem de sua família (Mesopotâmia), enxerga aos anjos que descem e sobem por uma misteriosa escada que une o céu e a terra, enquanto Deus mesmo está de pé junto dele e lhe comunica sua mensagem. Reparemos a relação entre a comunicação divina e a presença ativa dos anjos.

Desse modo, Gabriel, Miguel e Rafael aparecem na Bíblia como presentes nas vicissitudes terrenas e levando aos homens -como nos diz São Gregório Magno- as comunicações, por meio de sua presença e, a suas mesmas ações, que mudam decisivamente nossas vidas. Chamam-se, precisamente arcanjos, príncipes dos anjos, porque são enviados para as missões mais importantes.

Gabriel foi enviado para anunciar a Maria Santíssima a concepção virginal do Filho de Deus, que é o princípio de nossa redenção (cf. Lc 1). Miguel luta contra anjos rebeldes e os expulsa do céu (cf. Ap 12). Nos anuncia, desse modo, o mistério da justiça divina, que também exerceu-se em seus anjos quando rebelaram-se e, dá-nos a segurança de sua vitória e a nossa sobre o mal. Rafael acompanha a Tobias júnior, o defende e, o aconselha e cura finalmente ao pai Tobit (cf. Tob). Por essa via, nos anuncia a presença dos anjos junto a cada uno de nós: o anjo que chamamos da Guarda.

Aprendamos desta celebração dos arcanjos que sobem e descem sobre o Filho do homem, que servem a Deus, mas lhe servem em nosso benefício. Dão glória à Trindade Santíssima e, o fazem também servindo-nos. Em consequência, vejamos que devoção lhes devemos e, quanta gratidão ao Pai que os envia para nosso bem.

Reflexão de Frei Carlos Mesters, OCarm

São Gabriel
* O evangelho de hoje na festa dos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael traz o diálogo entre Jesus e Natanael, no qual aparece a frase: "Eu lhes garanto: vocês verão o céu aberto, e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem". Esta frase ajuda a esclarecer algo a respeito dos arcanjos, cuja festa hoje celebramos.

* João 1,47-49: A conversa entre Jesus e Natanael
Foi Filipe que levou Natanael até Jesus (Jo 1,45-46). Natanael tinha exclamado: "De Nazaré pode vir coisa boa?" Natanael era de Caná, que ficava perto de Nazaré. Ao ver Natanael, Jesus diz: "Eis um israelita autêntico, sem falsidade!" E afirma que já o conhecia quando estava debaixo da figueira. Como é que Natanael podia ser um "israelita autêntico" se ele não aceitava Jesus como messias? Natanael "estava debaixo da figueira". A figueira era o símbolo de Israel (cf. Mq 4,4; Zc 3,10; 1Rs 5,5). "Estar debaixo da figueira" era o mesmo que ser fiel ao projeto do Deus de Israel. Israelita autêntico é aquele que sabe desfazer-se das suas próprias ideias quando percebe que estas estão em desacordo com o projeto de Deus. O israelita que não está disposto a fazer esta conversão não é autêntico nem honesto. Natanael é autêntico. Ele esperava o messias de acordo com o ensinamento oficial da época, conforme o qual o Messias viria de Belém na Judéia. O Messias não podia vir de Nazaré na Galileia (Jo 7,41-42.52). Por isso, Natanael resistia em aceitar Jesus como messias. Mas o encontro com Jesus ajudou-o a perceber que o projeto de Deus nem sempre é do jeito que a pessoa imagina ou deseja. Natanael reconhece o seu engano, muda de ideia, aceita Jesus como messias e confessa: "Mestre, tu és o filho de Deus, tu és o rei de Israel!"

* A diversidade do chamado.
Os evangelhos de Marcos, Mateus e Lucas apresentam o chamado dos primeiros discípulos de maneira muito mais resumida: Jesus passa na praia, chama Pedro e André. Logo depois, chama Tiago e João (Mc 1,16-20). O evangelho de João tem outro jeito de descrever o início da primeira comunidade que se formou ao redor de Jesus. Ele traz histórias bem mais concretas. O que chama a atenção é a variedade dos chamados e dos encontros das pessoas entre si e com Jesus. Deste modo, João ensina como se deve fazer para iniciar uma comunidade. É através de contatos e convites pessoais, até hoje! A uns, Jesus chamou diretamente (Jo 1,43). A outros, indiretamente (Jo 1,41-42). Num dia, chamou dois discípulos de João Batista (Jo 1,39). No dia seguinte, chamou Filipe que, por sua vez, chamou Natanael (Jo 1,45). Nenhum chamado se repete, porque cada pessoa é diferente. A gente nunca esquece os chamados e encontros importantes que marcam a vida da gente. Lembra até a hora e o dia (Jo 1,39).

* João 1,50-51: Os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem
A confissão de Natanael é apenas o começo. Quem for fiel, verá o céu aberto e os anjos subindo e descendo sobre o Filho do Homem. Experimentará que Jesus é a nova ligação entre Deus e nós, seres humanos. É a realização do sonho de Jacó (Gn 28,10-22).

São Rafael
* Os anjos subindo e descendo a escada
Hoje é a festa dos três arcanjos: Gabriel, Rafael e Miguel. Gabriel explicava ao profeta Daniel o significado das visões (Dn 8,16; 9,21). Foi o mesmo anjo Gabriel que levou a mensagem de Deus a Isabel (Lc 1,19) e a Maria, a mãe de Jesus (Lc 1,26). Seu nome significa “Deus é forte”. Rafael aparece no livro de Tobias. Ele acompanhou a Tobias, filho de Tobit e Ana, na viagem e o protegeu de todos os perigos. Ajudou Tobias a livrar Sara de um mau espírito e a curar Tobit, o pai, da cegueira. Seu nome significa “Deus cura”. Miguel ajudou o profeta Daniel nas suas lutas e dificuldades (Dn 10,13.21; 12,1). A carta de Judas diz que Miguel disputou com o diabo o corpo de Moisés (Jd 1,9). Foi Miguel que venceu o satanás, derrubando-o do céu e jogando-o no inferno (Ap 12,7). Seu nome significa “Quem é como Deus!” A palavra anjo significa mensageiro. Ele traz uma mensagem de Deus. Na Bíblia, a natureza inteira pode ser mensageira de Deus, revelando o amor de Deus por nós (Sl 104,4). O anjo pode ser o próprio Deus, enquanto volta a sua face para nós e nos revela a sua presença amorosa.

Para um confronto pessoal
1. Você já teve um encontro marcante na sua vida? Como foi que descobriu a chamada de Deus aí dentro?
2. Você já se interessou alguma vez, como Filipe, em chamar outra pessoa para participar da comunidade?

sábado, 27 de setembro de 2014

Álvaro del Portillo, um engenheiro civil nos altares

Pe. José Rafael Espírito Santo

São Josemaria Escrivá e o Beato Alvaro del Portillo
A pessoa que a Igreja Católica vai beatificou no sábado passado (ontem, 27 de setembro) em Madrid chama-se Álvaro del Portillo e era engenheiro civil.

Na verdade, também foi outras coisas, e bem relevantes: um dos primeiros padres do Opus Dei; bispo aos 76 anos; o colaborador mais próximo de S. Josemaria; colaborador do Concílio Vaticano II de 1959 a 1965 e da Cúria Romana até ao fim da vida; sucessor do fundador à frente do Opus Dei e por isso, conhecedor da grande diversidade da Igreja espalhada pelo mundo; amigo próximo de S. João Paulo II.

Era pessoa afável e cálida, com quem dá vontade de estar. Via as coisas com bondade, e dava paz. Era também realista, e de ingénuo não tinha nada. É ele que a Igreja vai beatificar.

Mas a Igreja beatifica os homens para se focar em Deus e não nos homens, pois, afinal, é Deus o grande “responsável” pelo que aconteceu na vida do santo.

Então, para quê conhecer a vida concreta dos santos? Para tropeçarmos nalguma dessas vidas e aí nos revermos. E para nunca mais voltarmos à velha falácia: “eu gostava de ser santo, mas não há condições”. Falso!: mentira disfarçada de humildade. Deus cruzou-se, e cruza-se, hoje, na minha vida, na tua vida, na vida de todos.

Isto é: a “santidade” não é coisa de laboratório, tubos de ensaio e luvas esterilizadas. É sempre drama da vida real, romance de graça e desgraça, queda e perdão, cair e levantar, começar e recomeçar.

Por isso, hoje gostava de falar de Álvaro del Portillo e em concreto: era engenheiro civil. Mas antes devo fazer a costumada “declaração de interesses”: também eu sou engenheiro civil. Dito isto, e apesar disto, creio que há razões importantes para o fazer.

Álvaro del Portillo foi engenheiro civil por insistência, até ao máximo, e por carácter. Explico.

Foi engenheiro civil por insistência. Teve de adiar o começo da licenciatura, para ajudar a sustentar a família trabalhando como técnico de obras públicas. Terminou já com 27 anos, pois, além disso, deu-se a terrível Guerra Civil em Espanha, e dedicava-se, apesar de tão jovem, a ajudar S. Josemaria. Em suma, teve de querer muito para ir até ao fim.

Foi engenheiro civil até ao máximo. Cada vez mais ligado ao fundador, aos 30 anos foi ordenado padre e, como seria previsível, deixou a engenharia como atividade profissional. Porém, assim que soube do início dos doutoramentos nas escolas superiores técnicas, candidatou-se com um projeto sobre a modernização de uma ponte metálica, e foi aprovado em 1965. Tinha 51 anos. Só que, desde 1959, colaborava assiduamente em várias comissões do Vaticano II. Ou seja: quis completar a sua formação técnica, sugando os restos de tempo disponível.

Foi engenheiro civil por carácter. Olhava a vida como engenheiro. Desenhava bem. Era prático, organizado, programava com realismo os objetivos e ponderava possibilidades. Recorria instintivamente a metáforas com pontes, equações, coeficientes, planos, mapas e tecnologia. O jornalista Vittorio Messori testemunha-o assim: “Dava mais vontade de nos confessarmos com ele do que fazer-lhe perguntas. Notava-se que tinha sido engenheiro, perito em pontes e estradas. Atrás do hábito de bispo era perceptível um homem do mundo”.

Aqui é preciso parar. Estamos habituados a que quando Deus chama se abandone tudo. E aqui vemos que, porque Deus chama, se abraça tudo. O mundo, o trabalho, a formação profissional, é também vocação. A que é preciso corresponder.

Talvez à grande maioria dos cristãos Deus peça, sim, que convertam o seu coração e mudem o mundo, mas não que mudem de mundo. Para isso são leigos.

Em Álvaro del Portillo ser engenheiro não foi um aspecto transitório, depois superado, e finalmente esquecido. Não. Foi um cromossoma que Deus pôs no seu DNA e que esteve sempre ativamente presente no seu genoma de leigo, sacerdote, bispo, prelado, beato.

O Papa Francisco sugeriu que ao pensar em Álvaro del Portillo sentíssemos o apelo de “imitar a vida humilde, feliz, escondida, silenciosa” de que é exemplo, e também o seu “testemunho decidido da perene novidade do Evangelho”. Rezo ao Senhor – e peço orações a quem se queira associar – entregando-Lhe nas mãos o desejo de que aceitemos o desafio do Santo Padre.

PREPARANDO-NOS PARA A FESTA DE SANTA TERESA DO MENINO JESUS

DOMINGO: 

Uma só Missão não basta


1. Motivação
"Queria ser missionária não só por alguns anos, mas quisera sê-lo desde a criação do mundo, e sê-lo até a consumação dos séculos". (Santa Teresinha)
Neste dia, contemplamos a Padroeira Universal das Missões, mensageira do amor, que permanece na Igreja como um modelo, lembrando-nos nosso dever de anunciar a Salvação a todos. A tarefa missionária deve envolver a todos os cristãos que, em decorrência da graça batismal, são chamados a evangelizar e a anunciar o nome de Jesus Cristo. E nós, temos testemunhado nossa fé através de nossas atitudes e palavras? Preocupo-me em ser missionário de Cristo em todos os ambientes nos quais me encontro?
                                        
2. Leitura Bíblica: (Jo 17,4-11)
Na quinta-feira Santa Jesus orou pelos discípulos dizendo: Pai, eu te glorifiquei na terra, conclui a obra que me encarregaste de realizar. E, agora, glorifica-me, Pai, junto de ti, com a glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse. Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste. Eram teus e mos deste e eles guardaram a tua palavra. Agora reconheceram que tudo quanto me deste vem de ti, porque as palavras que me deste eu lhas dei, e eles as acolheram e reconheceram verdadeiramente que saí de ti e creram que me enviaste. Por eles eu rogo; não rogo pelo mundo, mas pelos que me deste, porque são teus e tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu, e neles sou glorificado. Já não estou no mundo; mas eles permanecem no mundo e eu volto a ti. Pai Santo, guarda-os em teu nome - este nome que me deste! - para que sejam um como nós.

3. Oração
Ó Deus todo-poderoso, que nos dais Santa Teresinha como modelo, vede nossos esforços em viver os nossos compromissos batismais e ponde em nossos corações o mesmo ardor de santidade que marcou a vida de Santa Teresa do Menino Jesus. Vós que cumulastes de graças vossa serva Santa Teresinha, derramai vossas bênçãos sobre todos nós, que exaltamos vossa misericórdia. Nós vos pedimos, atendei-nos em nossas necessidades e socorrei-nos, ouvindo-nos de modo especial na graça que esperamos alcançar de vós.... (faz-se o pedido). Isso vos pedimos por Cristo nosso Senhor. Amém.

4. Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai

5. Ladainha
Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós
Santa Maria, Rainha e Esplendor do Carmelo,
São José,
Santa Teresa, Estrela luminosa do Carmelo, rogai por nós
Santa Teresa, Doutora da Pequena Via,
Santa Teresa, perfeição de fé,
Santa Teresa, pequena fortaleza de Deus,
Santa Teresa, vocação para o amor,
Santa Teresa, asceta e mística,
Santa Teresa, de confiança obstinada,
Santa Teresa, de confiança invencível,
Santa Teresa, de confiança heroica,
Santa Teresa, de confiança na própria fraqueza,
Santa Teresa, do desejo de santidade,
Santa Teresa, do desejo de amor,
Santa Teresa, do desejo de virtudes,
Santa Teresa, do desejo de renúncia,
Santa Teresa, do desejo de retidão,
Santa Teresa, do desejo de fidelidade
Santa Teresa, do desejo de perfeição,

Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos Senhor
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.

Rogai por nós, Santa Teresa do Menino Jesus da Santa Face,
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém

Oremos
Ó Deus Todo-poderoso e eterno, que abris as portas do Vosso Reino aos pequeninos e aos humildes. Concedei-nos a graça de seguirmos os passos da nossa irmã S. Teresa do Menino Jesus e da Santa Face pelo caminho pequenino da confiança que ela nos assinalou e pelo qual ele nos deseja conduzir. E assim, pela sua oração e pela sua sabedoria alcançaremos a revelação da Vossa glória. Por Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Oração
"Santa Teresinha do Menino Jesus, modelo de humildade, confiança e de amor! Do alto dos céus derrame sobre nós estas rosas que levas em teus braços:
a rosa da humildade para que vençamos nosso orgulho e aceitemos o Evangelho;
a rosa da confiança, para que nos abandonemos à vontade de DEUS;
a rosa do amor, para que abrindo nossa alma à graça Divina realizemos o único fim para o qual DEUS nos criou: Ama-lo e fazer com que ELE seja Amado,
Tu que passas teu Céu fazendo o bem na Terra, ajuda-me nas necessidades e proteja-me contra todo o mal. Amém."

XVI domingo do Tempo Comum

Textos: Ezequiel 18, 25-28; Filipenses 2, 1-11; Mateus 21, 28-32

Domingo da Bíblia
Evangelho (Mt 20,28-32): «Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, disse: ‘Filho, vai trabalhar hoje na vinha!’ O filho respondeu: ‘Não quero’. Mas depois mudou de atitude e foi. O pai dirigiu-se ao outro filho e disse a mesma coisa. Este respondeu: ‘Sim, senhor, eu vou’. Mas não foi.  Qual dos dois fez a vontade do pai?». Os sumos sacerdotes e os anciãos responderam: «O primeiro». Então Jesus lhes disse: «Em verdade vos digo que os publicanos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus. Pois João veio até vós, caminhando na justiça, e não acreditastes nele. Mas os publicanos e as prostitutas creram nele. Vós, porém, mesmo vendo isso, não vos arrependestes, para crer nele».

Não bastam as palavras, o que conta são os fatos.

Pe. Antonio Rivero, L.C.,

Resumo da mensagem: Cristo, falando aos dirigentes dos judeus, que acreditavam que pertencer ao povo eleito de Deus já estava tudo conseguido, fala-nos também para nós. Esta parábola será complementada com as próximas dos seguintes domingos: a vinha que o dono tem que arrendar para outros, e o banquete festivo ao que tem convidar outros, diante da rejeição dos primeiros convidados. O povo eleito não soube ver o dia da graça, não soube acolher o Enviado de Deus.

Em primeiro lugar, fatos, não palavras. O primeiro filho disse: “sim, mas não foi”. Jesus critica a hipocrisia dos fariseus, e a nossa, que cuidavam a fachada com mil palavras vazias e altissonantes, mas não os conteúdos da sua fé. Não poderia acontecer a mesma coisa conosco? É fácil quando estamos na igreja, cantar cantos ao Senhor, ou responder “amém” a orações e propósitos. Porém, depois essa fé se traduz em obras? Quantos de nós estamos batizados, fizemos a primeira comunhão, somos casados pela Igreja, vamos à missa aos domingos, levamos uma medalha no pescoço, fazemos peregrinações a santuários, rezamos o terço... e depois, na vida, o nosso estilo de atuação não se parece em nada ao que dizem acreditar. Pronunciamos o “sim” superficialmente, sem personalidade, por costume ou por medo.

Em segundo lugar, fatos, não palavras. O segundo filho, quem é? “Disse não, mas depois foi”. Quantos estamos refletidos nesse segundo filho! Temos momentos de rebeldia: rebeldia contra a autoridade paterna ou contra os superiores ou contra a Igreja ou contra Deus mesmo. Momentos de desânimo ou de birras. Momentos de inconstância e de cansaço. Momentos de irreflexão ou de egoísmo. Causas dessa mudança de humor? Influências externas que são autenticas rajadas ideológicas e éticas; talvez este filho do “não, mas sim” não recebeu a semente da fé na família ou na escola. Certamente não seria o modelo para seguir este filho; Jesus não nos convida a imitar este filho ou as prostitutas ou os publicanos, mas imitar a capacidade que tiveram de se converter e mudar. Se essas pessoas estão adiante no Reino, não é pelo que tinham sido, mas pela mudança que deram, como o bom ladrão, na última hora, na cruz.

Finalmente, fatos, não palavras. O ideal é dizer “sim” com convicção e logo ser consequente e perseverar no bem. Jesus já disse em outros momentos: “Não entrará no Reino dos Céus aquele que diz Senhor, Senhor, mas o que cumpre a vontade do meu Pai do céu... o que cumpre a vontade do meu Pai do céu, esse é o meu irmão, a minha irmã e a minha mãe... o que edifica sobre rocha é o que ouve estas palavras e as coloca em prática... que o nosso sim seja sim, e o nosso não, não”. As declarações, as promessas e as manifestações duram pouco. O que custa é agir com coerência. Dizer “sim” é simples. Mas agir conforme a esse “sim”, é outra história. Portanto: Sim, à vontade de Deus. Sim, à verdade, à castidade, à obediência, ao respeito, à caridade. Sim, para ajudar o pobre, o emigrante, o doente. Sim, à oração e ao sacrifício. Sim, aos momentos de luz e de escuridão; de alegria e de tristeza, de êxito e de fracasso. E por consequência: Não, ao pecado, e às manifestações do mesmo.

Para refletir: ao qual dos três filhos nos parecemos: “Sim, mas não... Não, mas sim... Sim e é sim? Com qual queremos parecer de hoje em adiante? Pensemos nisto: quantos santos e santas veneramos que foram do “Não, mas depois foram”: santo Agostinho, santa Maria Madalena, santo Inácio de Loyola...! E também temos santos do “Sim e foram”: santa Teresa do Menino Jesus, Teresa de Jesus, são João XXIII e são João Paulo II... Porém não temos santos do “Sim, mas não foi”.

Para rezar: Senhor, desejo aprender de Vós a dizer “Sim”, como a vossa Mãe Santíssima. Senhor, fácil é dizer de boca “Sim”, mas difícil praticá-lo. Dai-me coerência de vida entre a minha palavra e o meus fatos.

Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail: arivero@legionaries.org

Qual dos dois fez a vontade do pai?

Josef ARQUER (Berlin, Alemanha)

João Paulo I - 28 de setembro
Hoje, contemplamos o pai dono de uma vinha pedindo aos seus dois filhos: «Filho, vai trabalhar hoje na vinha!» (Mt 21,29). Um diz que “sim” e não vai. O outro diz que “não” e vai. Nenhum dos dois mantém a palavra dada.

Seguramente, o que diz “sim” e fica em casa não pretende enganar o seu pai. Será apenas preguiça, não apenas “preguiça para fazer”, mas também para refletir. O seu lema é: “O que me importa o que disse ontem?”.

O do “não”, sim que se importa com o que disse ontem. Tem remorsos pelo desaire com seu pai. Da dor arranca a valentia de retificar. Corrige a palavra falsa com o fato certo. “Errare, humanum est?”. Sim, mas ainda mais humano - e mais de acordo com a verdade interior gravada em nós— retificar. Mesmo que custe, porque significa humilhar-se, arrasar a soberba e a vaidade. Alguma que outra vez vivemos momentos assim: corrigir uma decisão precipitada, um juízo temerário, uma valorização injusta… Depois um suspiro de alivio: - Obrigado, Senhor!

«Em verdade vos digo que os publicanos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus» (Mt 21,31). S. João Crisóstomo realça a maestria psicológica do Senhor perante os “sumos sacerdotes”: «Não lhes atira à cara diretamente: Porque não acreditastes em João? Mas pelo contrario confronta-os - o que resulta muito mais pujante— com os publicanos e as prostitutas. Assim os recrimina com a força patente dos fatos, a malícia de um comportamento marcado pelos respeitos humanos e pela vanglória».

Inseridos na cena, provavelmente sentiremos a falta de um terceiro filho, dado às meias tintas, em cujo comportamento nos seria mais fácil reconhecer e pedir desculpa, envergonhados. Inventamo-lo com autorização de Senhor e ouvimo-lo responder ao pai, com voz apagada: `Pode ser que sim pode ser que não…” E há quem diga ter ouvido no final “o mais provável é que, talvez, quem sabe…”.