sábado, 28 de dezembro de 2013

Meditação para a Solenidade da Sagrada Familia

Textos: Eclesiástico 3, 2-6.12-14; Colossenses 3, 12-21; Mateus 2, 13-15.19-23
P. Antonio Rivero, L.C.

Ideia principal: Esse Menino que nasce em Belém nasce numa família humana, que é modelo para todas as famílias.

Aspectos desta ideia:
Em primeiro lugar, nos perguntemos como vivia esta família humana de Jesus. Unidos na oração e na obediência a Deus: “Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito... retorna à terra de Israel”. Unidos no amor mútuo: “levantou-se durante a noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito”. Unidos no trabalho, na dor e nas provações: “… porque Herodes vai procurar o menino para matá-lo” (Evangelho). Um programa para as famílias de hoje.

Em segundo lugar, nos perguntemos como vivem algumas das nossas famílias hoje. Umas, unidas na oração, no amor e na dor. Outras, nem tanto, experimentando a separação, o divórcio, vivendo como se Deus não existisse e se deixando levar pelo canto das sereias, deixando as janelas da afetividade abertas de par em par aos novos ares de libertação, ou abrindo a porta do coração a piratas intrusos que pretendem somente destroçar a barca matrimonial e familiar. Famílias que vivem por motivos de interesse, ou de mera convivência civilizada, e não na fé, na oração e na certeza de saber que são amadas e abençoadas por Deus com um santo sacramento.

Finalmente, nos perguntemos como deveriam viver as nossas famílias, seguindo o exemplo da Sagrada Família de Nazaré. Deus no centro. O amor como motivação e coroa. A dor como prova para exercitar as virtudes teologais e olhar para o alto. Os filhos honrando os seus pais, não lhes causando tristezas, obedecendo-lhes (segunda leitura) e cuidando deles na velhice (primeira leitura). Os pais revestidos de respeito e amor entre eles, e de bondade, humildade, mansidão, paciência, perdão, amor para com os filhos e piedade e gratidão com Deus (segunda leitura).

Para refletir:
1. Pais de família: parecem com José?
2. Mães, parecem com Maria?
3. Filhos, parecem com o Menino Jesus?
4. Meditam juntos sobre o Quarto Mandamento da lei de Deus, tão bem explicado no Catecismo da Igreja Católica nos números 2217-2218?

Sagrada Família de Jesus, Maria e José

«Há de chamar-se Nazareno».

Neste primeiro domingo, depois da Solenidade do Natal, a Igreja celebra a Festa da Sagrada Família. O Evangelho convida-nos a viver com José e Maria os acontecimentos que sucederam ao nascimento de Jesus em Belém. Um acontecimento algo movimentado, assinalado por um êxodo e por um regresso. O protagonista que se destaca é José, chamado a desempenhar um papel fundamental na tutela nos primeiros dias de vida do Filho de Deus.

Avisado de novo em sonhos pelo Anjo, este pai adotivo do Salvador deve agora defender e proteger a pequena criança no núcleo familiar, da maldade e do ódio de Herodes e seus cúmplices. Estes sonhos constituídos apenas por palavras, são palavras do Senhor, que só pedem para serem acolhidas. Dentro das narrativas da Infância de Jesus, é um modo de mostrar a revelação da vontade de Deus em relação a José e Maria e indicar a sua total disponibilidade em segui-la, sem oferecer resistência.

Graças à obediência, à vontade divina e à dedicação total de José em tomar conta do Menino e de Maria, o drama dos acontecimentos que envolve já a vida de Jesus, acaba com um final feliz. É maravilhoso contemplar a união que se estabeleceu entre eles. E esta união é sinal de que a família, com a graça de Deus, é a célula primordial onde o Amor é mais forte que todas as dificuldades. A Família de Nazaré é modelo para todas as famílias. Basta acolhê-la no seio de cada lar e tê-la como exemplo.
Ir. Anabela Silva fma

Evangelho (Mt 1, 18- 24) - «Depois dos Magos partirem, o Anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse-lhe: “Levanta-te, toma o Menino e Sua Mãe e foge para o Egito e fica lá até que eu te diga, pois Herodes vai procurar o menino para matá-lo.” José levantou-se de noite, tomou o Menino e sua Mãe e partiu para o Egito e ficou lá até à morte de Herodes. Assim se cumpriu o que o Senhor anunciara pelo profeta: “Do Egito chamei o meu filho.” Quando Herodes morreu, o Anjo apareceu em sonhos a José no Egito e disse-lhe: “Levanta-te, toma o Menino e sua Mãe e vai para a terra de Israel, pois aqueles que atentavam contra a vida do Menino já morreram.” José levantou-se, tomou o Menino e sua Mãe, e voltou para a terra de Israel. Mas quando ouviu dizer que Arquelau reinava na Judeia, em lugar de seu pai, Herodes, teve receio de ir para lá. E, avisado em sonhos, retirou-se para a região da Galileia e foi morar numa cidade chamada Nazaré. Assim se cumpriu o que fora anunciado pelos Profetas: “Há de chamar-se Nazareno.”

«Depois dos Magos partirem, o Anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse-lhe: “Levanta-te, toma o Menino e Sua Mãe e foge para o Egito e fica lá até que eu te diga, pois Herodes vai procurar o menino para matá-lo.”»
Os Magos vindos do Oriente terminaram a sua missão. Cumpriram o objetivo da sua viagem: encontraram o Menino. E ao encontrá-l’O podem agora voltar, levando dentro de si a experiência do encontro e levam-na para a vida. O Anjo, sem perder tempo, pois o tempo urge, com três verbos imperativos diz a José para se pôr a caminho: levanta-te, toma e fica. Já não se trata de um acontecimento de esperança mas de algo a defender e a proteger. Existe um perigo: ao contrário dos Magos que vieram para conhecê-lo e adorar, há quem O queira identificar para matá-lo.
Parece que ainda não saboreamos o grande acontecimento do Natal e entram as trevas para “escurecer” a luz da vinda de Jesus. É uma escuridão diferente: não se trata de uma escuridão provocada pela ausência de Deus, mas pela ação do homem, e do homem sem Deus. A vida do recém-nascido, do Salvador, não pode crescer na serenidade e na normalidade dos dias. Já se encontra em perigo e de novo é necessário uma intervenção divina. Não há tempo para grandes explicações nem considerações. É preciso pôr-se a caminho, partir, com a angústia e a rapidez de quem foge para não ser reconhecido. É preciso pôr-se a caminho para fugir da maldade que muitas vezes vem das trevas humanas; é preciso pôr-se a caminho com alguém que nos ama e em quem confiamos; é preciso pôr-se a caminho e deixar o que não nos deixa encontrar Deus. É preciso acolher os sinais de Deus que nos orientam para a luz. Quando o fazemos Ele caminha conosco, Ele é o Deus- conosco.

«José levantou-se de noite, tomou o Menino e sua Mãe e partiu para o Egito e ficou lá até à morte de Herodes. Assim se cumpriu o que o Senhor anunciara pelo profeta: “Do Egito chamei o meu Filho.”
José, homem do silêncio e da obediência. Não diz nada, apenas escuta, crê e colabora. O Anjo explicou-lhe que não havia tempo a perder: era preciso agir! Por isso, não faz grandes cálculos e raciocínios. Nem sequer pede esclarecimentos, nem se lamenta por ter aceitado uma missão que exigia tanto empenho. Põe-se a caminho, provavelmente ainda cansado da viagem feita da Galileia para a Judeia e ainda confuso com a missão daquele Menino. Não espera o nascer da aurora: recolhe o que tem e aceita partir.
José tinha partido com Maria para um recenseamento que certificaria a existência da sua família e agora José reparte para dar um futuro a este pequeno núcleo familiar que Herodes quer eliminar. Para que Jesus possa crescer é necessário esperar a cessação do perigo: que o rei terreno morra. Só assim, o Rei poderá entrar na sua terra.
Possivelmente, algo de semelhante pode acontecer com a nossa vida espiritual: quantas vezes temos e devemos repartir depois de uma queda, de um desânimo, de um sofrimento; quantas vezes a vida nos reserva perigos tão grandes de não os conseguirmos enfrentar, mas só evitar. E, hoje, nos nossos tempos, podemos constatar que a nossa vida espiritual está em perigo, mais que a integridade física. Encontramo-nos rodeados de outros inimigos, de outras riquezas, e por vezes, por governantes invisíveis que nos têm dependentes e que querem matar-nos a alma. Talvez, também para nós, haja um caminho de êxodo e de regresso a fazer…

«Quando Herodes morreu, o Anjo apareceu em sonhos a José no Egito e disse-lhe: “Levanta-te, toma o Menino e sua Mãe e vai para a terra de Israel, pois aqueles que atentavam contra a vida do Menino já morreram.”
Também Herodes chegou ao final dos seus dias, sem conseguir atingir o seu objetivo: matar Aquele que considerava um possível rival. O monarca não teve qualquer intenção de se aproximar de Jesus como a intenção dos Magos que queriam aproximar-se de Jesus e reconhecer n’Ele o poder de Deus.
Nos últimos anos da sua vida, empenhou-se em conspirar e investir na morte de Jesus, levando à sua frente a morte de centenas de mulheres e filhos. Paralelamente a este triste cenário, para a família de José, abre-se a esperança de poderem entrar na sua pátria. Vez por vez, o Anjo mensageiro revela a este homem, que colabora em pleno, os possíveis passos, encontrando-o sempre pronto para realizá-los.  
José é o verdadeiro anjo da guarda de Jesus e Maria: permanece, quotidianamente, numa atitude de escuta de Deus e dos seus mensageiros, colocando a sua experiência ao serviço do projeto de Deus. Como o grande patriarca Abraão, também ele protege e cuida do filho amado com fé, no silêncio, de forma ativa. O Anjo vai convidando-o a “levantar-se” e iniciar um novo trilho de caminho, abandonando aquele já percorrido. Mais uma vez, o Evangelho não nos dá a conhecer o pensamento de José e o que possa ter dito nem mesmo como reagiu. O pedido, uma ordem não se discute, faz-se. Mas isto é fé, e José é um homem de fé. Não uma fé cega, por nada esclarecida. José conhece e compreende os motivos do seu peregrinar, pois o Anjo explica-lhe bem o porquê. Por isso está pronto a partir. O caminho ainda é longo mas é aquele para regressar a casa.
A fé é o caminho para nos levar à casa, ao encontro com o Senhor. É o caminho para regressarmos à nossa terra, à nossa pátria celeste. Uma escuta atenta, uma esperança e caridade ativa e uma fé iluminada, leva-nos a viver cada dia, o regresso à casa do Pai, à casa do Amor.

«José levantou-se, tomou o Menino e sua Mãe, e voltou para a terra de Israel.»
José segue com exatidão as indicações que o Anjo continua a revelar-lhe. Com a mesma determinação, o chefe de família, passa do sono para a vigilância e dirige-se para a terra dos seus pais. Há pouca coisa para levar: apenas uma criança e uma jovem mãe, o mistério do desígnio de Deus, que José não desiste de acolher, mesmo que não entenda tudo. Uma jovem família mas já posta à prova: uma grande responsabilidade que o carpinteiro de Nazaré vive com simplicidade e completa humildade.
A obediência de José é mais uma vez exemplar. O seu proceder não é glorioso, vitorioso, mas silencioso, vigilante. Ao longo do texto, não se faz a menção de que alguém os acolheu, os socorreu ou que lhes tenha dado algum sustento para o caminho. Maria e José confiam completamente em Deus que aos poucos conduz a sua existência e os guia no seu projeto de redenção. Esta simples frase do Evangelho, mais do que deixar-nos intuir que a vida de Maria e de José era um continuo itinerário de escuta e obediência serena e confiante, sem procurar compreender tudo de uma só vez, diz-nos que Jesus teve uma família normal, que viveu as alegrias, as preocupações e canseiras do quotidiano, que atravessou momentos dolorosos, de dúvidas, de procura, de incompreensão e algumas vezes de insucesso e de frustração.
A grande fortaleza desta família: a união entre eles. Uma união fundada na disponibilidade a Deus, sobre uma fé concreta e profunda capaz de confiar sem “ses” nem meios “ses” aos Seus modos misteriosos de proceder.

«Mas quando ouviu dizer que Arquelau reinava na Judeia, em lugar de seu pai, Herodes, teve receio de ir para lá. E, avisado em sonhos, retirou-se para a região da Galileia…»
À morte de Herodes, o Imperador Augusto executa o seu testamento e reparte a Palestina pelos seus três filhos: Arquelau, Antipas e Filipe. Arquelau torna-se tetrarca da Judeia e Samaria. Governou poucos anos; foi destituído porque era incapaz de acalmar revoltas e rebeliões. A sua maldade chegou até ao Egito, aos ouvidos de José, que como homem sábio compreende como proteger o pequeno Jesus, e depois de ter escutado mais uma revelação, escolhe partir para a Judeia e parte para a Galileia.
Mais uma vez José escuta a mensagem do Anjo. A sua inteligência e o seu coração, que fazem também a experiência do medo, deliberam que é melhor percorrer toda a palestina, até à região da Galileia. A sua obediência não é formal, mas essencial reavivada e aprofundada pela atitude de vigilância. Neste itinerário feito de partidas, paragens e repartidas, José escutou, acolheu, refletiu e procurou. Neste momento tem o compromisso de levar são e salvo o Menino, de preservá-lo, defender de qualquer perigo. Por isso, desta vez, não se limita a seguir uma ordem, mas faz algo mais: participa de modo ativo e responsável no projeto de Deus. Escolhe estabelecer-se longe da ação de Arquelau e sobe para Nazaré. Em muitos momentos da vida é preciso colaborar com o projeto de Deus. É importante escutar e escolher o que os pode salvar ou pôr a salvo. Somos convidados a usar a nossa inteligência e prudência na realização do desígnio de Deus e saber distinguir com clareza o que é bom e o que é mau na história. Somos chamados a colaborar, de modo concreto e de forma inteligente, na obra de Deus no mundo.

«… e foi morar numa cidade chamada Nazaré. Assim se cumpriu o que fora anunciado pelos Profetas: “Há de chamar-se Nazareno.”»
 A longa viagem de Jesus, guiada pelos seus pais, finalmente chegou ao fim. A santa família regressa à pátria, ao lugar de partida. José e Maria tinham partido, apenas se tinham conhecido e provavelmente partiram com o juízo de muitos concidadãos; ao regressarem deste itinerário encontram-se profundamente unidos e quer Maria quer José viram o desvelar-se do projeto de Deus ao qual tinham aderido. Também neste regresso S. Mateus refere que mais uma profecia se tinha cumprido (ver Is 11,1)
Deus completa a sua obra favorecendo a entrada de Jesus na Palestina. Através de Maria e José, dois humildes servos do Senhor, assentou as bases para o seu projeto de salvação. Agora Jesus poderá crescer em sabedoria, idade e graça e ser verdadeiramente o Deus conosco, de quem o Homem, nós, temos necessidade.
Também nós, como Maria e José, somos chamados a cuidar da vida de Jesus na terra e em nós. Se Ele estiver em nós, seremos homens e mulheres de Deus e será mais fácil dar ao mundo aquilo que ele mais precisa: Deus.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Leitura da Patrística

São Maxilimiliano Kolbe (1894-1941), franciscano, mártir

«Ao chegar a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher»

Sempre que se contempla a Imaculada sente-se no coração a necessidade de nos aproximarmos dela. [...] Aqueles que a amam e aqueles que escrevem sobre ela param para perceber quem ela é, mesmo que a não conheçam em profundidade. Quem é ela em relação a Deus Pai? Ele é o seu criador, certamente; Ela diz de si própria: «Eu sou a serva do Senhor» (Lc 1,38). Mas o que é também? É a preferida do Pai Eterno. Não podemos conceber isto; as palavras humanas não chegam para o expressar.

O Pai Celeste quis que a segunda pessoa da Santíssima Trindade, seu Filho, tivesse por mãe, no tempo, a Imaculada. Ela é verdadeiramente a Mãe do Filho de Deus. Quão difícil de compreender! É necessário estarmos bem unidos à Mãe de Deus para compreendermos mais profundamente este mistério. A Virgem Maria é a Mãe do Filho de Deus, é verdadeiramente Mãe de Deus [...], pelo que não pode ser comparada com os outros santos. 

Ser criado, ser adotado por Deus, isso ainda se pode entender. Mas ser realmente a Mãe de Deus, e não apenas a mãe da humanidade de Jesus, ultrapassa a nossa inteligência. É uma verdade de fé.

E é Esposa do Espírito Santo. Também isto não é possível conceber! O Espírito Santo uniu-se de tal maneira à Imaculada, que formou com Ela um só ser. [...] Em tudo isto, a nossa inteligência não é suficiente, pois a Trindade é infinita. E, mesmo que tivéssemos um conhecimento total, há uma distância infinita entre o que nós conhecemos da Santíssima Trindade e o que ela é realmente. Mais tarde, no céu, entenderemos bem melhor este mistério.

Mesmo depois de milhares e milhares de anos, este conhecimento permanecerá sempre limitado, sendo necessária a eternidade para atingirmos o conhecimento perfeito.

28 de dezembro: Os Santos Inocentes, mártires

Santos Inocentes circundam a Sagrada Família
Evangelho (Mt 2,13-18): Depois que os magos se retiraram, o anjo do Senhor apareceu em sonho a José e lhe disse: «Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito! Fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para matá-lo». José levantou-se, de noite, com o menino e a mãe, e retirou-se para o Egito; e lá ficou até à morte de Herodes. Assim se cumpriu o que o Senhor tinha dito pelo profeta: «Do Egito chamei o meu filho».  Quando Herodes percebeu que os magos o tinham enganado, ficou furioso. Mandou matar todos os meninos de Belém e de todo o território vizinho, de dois anos para baixo, de acordo com o tempo indicado pelos magos. Assim se cumpriu o que foi dito pelo profeta Jeremias: «Ouviu-se um grito em Ramá, choro e grande lamento: é Raquel que chora seus filhos e não quer ser consolada, pois não existem mais».

Comentário: Rev. D. Joan Pere PULIDO i Gutiérrez (Sant Feliu de Llobregat, Espanha)

José levantou-se, de noite, com o menino e a mãe, e retirou-se para o Egito

Hoje celebramos a festa dos Santos Inocentes, mártires. Introduzidos nas celebrações de Natal, não podemos ignorar a mensagem que a liturgia quer nos transmitir para definir, ainda mais, a Boa Nova do nascimento de Jesus, com dois acentos bem claros. Em primeiro lugar, a predisposição de São José no desígnio salvador de Deus, aceitando sua vontade. E, por sua vez, o mal, a injustiça que frequentemente encontramos em nossa vida, concretizada na morte martirial das crianças Inocentes. Tudo isso pede de nós uma atitude e uma resposta pessoal e social.

São José nos oferece um testemunho bem claro de resposta decidida perante o chamado de Deus. Nele nos sentimos identificados quando devemos tomar decisões nos momentos difíceis de nossa vida e de nossa fé: «Levantou-se de noite, com o menino e a mãe, e retirou-se para Egito» (Mt 2,14).

Nossa fé em Deus implica a nossa vida. Faz que nos levantemos, quer dizer faz nos estar atentos às coisas que acontecem em nosso redor, porque —frequentemente— é o lugar onde Deus fala. Faz nos tomar ao Menino com sua mãe, quer dizer, Deus faz se nos próximo, companheiro de caminho, reforçando a nossa fé, esperança e caridade. E faz nos sair de noite para Egito, isto é, convida-nos a não ter medo perante nossa própria vida, que com frequência enche-se de noites difíceis de iluminar.

Estas crianças mártires, também hoje, têm nomes concretos em crianças, jovens, casais, pessoas idosas, imigrantes, doentes... que pedem a resposta de nossa caridade. Assim nos o diz João Paulo II: «Em efeito, são muitas, em nosso tempo, as necessidades que interpelam à sensibilidade cristã. É hora de uma nova imaginação da caridade, que se desdobre não só na eficácia da ajuda emprestada, mas também na capacidade de nos fazer próximos e solidários com o que sofre».

Que a nova luz, clara e forte de Deus feito Menino encha nossas vidas e consolide nossa fé, nossa esperança e nossa caridade.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm

* O Evangelho de Mateus, redigido em torno dos anos 80 e 90, tem a preocupação de mostrar que em Jesus se realizam as profecias. Muitas vezes se diz: “Isto aconteceu para que se realizasse o que diz a escritura...” (cf. Mt 1,22; 2,17.23; 4,14; 5,17; etc). É porque os destinatários do Evangelho de Mateus são as comunidades de judeus convertidos que viviam uma crise profunda de fé e de identidade. Depois da destruição de Jerusalém no ano 70, os fariseus eram o único grupo sobrevivente do judaísmo. Nos anos 80, quando eles começaram a se reorganizar, crescia a oposição entre judeus fariseus e judeus cristãos. Estes últimos acabaram sendo excomungados da sinagoga e separados do povo das promessas. A excomunhão tornou agudo o problema da identidade. Já não podiam mais frequentar suas sinagogas. E vinha a dúvida: Será que erramos? Quem é o verdadeiro povo de Deus? Jesus é realmente o Messias?

* É para este grupo sofrido que Mateus escreve o seu evangelho como Evangelho da consolação para ajudá-los a superar o trauma da ruptura; como Evangelho da revelação para mostrar que Jesus é o verdadeiro Messias, o novo Moisés, no qual se realizam as promessas; como Evangelho da nova prática para ensinar o caminho de como alcançar a nova justiça, maior do que a justiça dos fariseus (Mt 5,20).

* No evangelho de hoje transparece esta preocupação de Mateus. Ele consola as comunidades perseguidas mostrando que Jesus também foi perseguido. Ele revela que Jesus é o Messias, pois por duas vezes insiste em dizer que as profecias nele se realizaram; e sugere ainda que Jesus seja o novo Moisés, pois como Moisés foi perseguido e teve que fugir. Ele aponta um novo caminho, sugerindo que devem fazer como os magos que souberam driblar a vigilância da Herodes e voltaram por um ouro caminho para casa.

Para um confronto pessoal
1. Herodes mandou matar as crianças de Belém. O Herodes de hoje continua matando milhões de crianças. Elas morrem de fome, de doença, de desnutrição, de aborto. Quem é hoje Herodes?
2. Mateus ajuda a superar a crise de fé e de identidade. Hoje, muitos vivem uma crise profunda de fé e de identidade. Como o Evangelho pode ajudar a superar esta crise?

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Meditação sobre os Evangelhos do Natal

I Meditação

Textos: Isaías 9, 1-3.5-6; Tito 2, 11-14; Lucas 2, 1-14.

Ideia principal: nasce Cristo para nós e nos convida a festejar seu nascimento.
Pe. Antonio Rivero, L.C.

Resumo da mensagem: “Hoje” nasceu para nós o Salvador. Este “hoje” quer significar que o que celebramos no Natal não é um simples aniversário, mas um “sacramento’, ou seja, uma atualização sacramental do fato salvífico do nascimento humano do Filho de Deus.

Aspectos desta ideia:
Em primeiro lugar, o Natal é a condensação do “ontem” de Belém e do “amanhã” da última vinda do Senhor no “hoje” da celebração deste ano, um acontecimento sempre novo, não só uma lembrança folclórica dos fatos passados. “Hoje”, depois do duro e cruel desterro, estamos vendo uma Luz grande que brilha para nós e nos salva. “Hoje” encontramos o gozo e  a alegria por esta vitória e libertação. “Hoje”, da estirpe do Rei David, nasceu para nós um Menino, que é o Libertador, o Deus Forte, o Príncipe da Paz. “Hoje” esse menino instaura o seu Reino e nos traz a sua graça divina, o direito e a justiça (primeira leitura).

Em segundo lugar, este Deus que em Cristo nos traz “hoje” a salvação, o fez através da sua entrega. Assim, nos resgatou de toda iniquidade e nos purificou. Isto nos exige, hoje, levar uma vida digna, sóbria, justa e piedosa; renunciar á impiedade e aos desejos mundanos (segunda leitura).

Finalmente, “hoje” Maria continua buscando um lugar, um coração para colocar o seu Filho Jesus. “Hoje” José nos pede ajuda para limpar e preparar o nosso presépio interior. “Hoje” Maria nos oferece o seu Filho para a nossa adoração e admiração. “Hoje” cada um de nós pode envolvê-lo com as faixas do nosso amor e carinho. “Hoje” podemos cantar para Ele, como fizeram os anjos nesta noite bendita, com as vozes da nossa fé e da nossa humildade. “Hoje” devíamos ir correndo à gruta, como os pastores, para oferecer-lhe o melhor que temos e somos.

Para refletir: Tenho o coração aberto e limpo para receber este Menino Jesus, que vem humilde para trazer-me a salvação “hoje”? Existe algo que me impede “hoje” de abrir-lhe a porta da minha hospedaria? O que é? Maria terá que passar direto porque encontrou tudo fechado em mim?

II Meditação
Textos: Isaias 52, 7-10; Hebreus 1, 1-6; João 1, 1-18

Idéia Principal: Cristo é a Palavra definitiva e última que Deus Pai pronunciou.
Pe. Antonio Rivero, L.C.

Resumo da mensagem: Este menino que nasce em Belém é a Palavra definitiva do Pai que nos traz uma mensagem clara, nítida, inteligível e consoladora para todos: Deus nos ama, quer nos salvar e fazer participantes da filiação divina pela graça. As frases dos Santos Padres são muito atrevidas: “Deus se faz homem para que o homem se faça Deus pela graça e participe na vida divina... O homem é um ser que recebeu a ordem de fazer-se Deus... Eu sou homem por natureza e Deus pela graça.”

Aspectos desta ideia:
Em primeiro lugar, Deus nos falou em épocas passadas por outros mensageiros –os profetas-, mas agora o faz diretamente pelo seu Filho ao qual nomeou herdeiro de tudo, que é reflexo da sua glória, marca de seu ser, criador (segunda leitura). Palavra que anunciará a boa nova; pregará o direito, a justiça e a paz; nos consolará, nos resgatará e purificará (primeira e segunda leitura). Palavra que é Deus, vida, luz, e que se encarnou para se fazer audível, inteligível, habitar entre nós e nos fazer partícipes da filiação divina através da graça (evangelho). Palavra definitiva, última e perfeita; não esperamos outra. Esta Palavra explicará tudo e dará razão de tudo e a todos, sem exceção.

Em segundo lugar, essa Palavra definitiva necessita uns ouvidos novos que a escutem; uma mente aberta que a entenda e se deixe iluminar pela luz da fé; um coração limpo que rumine e que a interiorize e faça fecundar; uma vontade decidida para pôr em prática o que essa Palavra lhe peça; uma língua sem travas que, como autêntico mensageiro, a transmita por todas as partes com alegria, integridade e sem distorcer nem manipular.

Finalmente, como consequência, quem, podendo, não escute ou não aceite essa Palavra, e não a receba com amor e liberdade, ficará na escuridão, cairá no erro, sofrerá a tristeza, seguirá na escravidão. Como consequência não terá Natal no seu coração. Não poderá contagiar a alegria e a esperança que essa Palavra traz a todos. Não será salvo.

Para refletir: O que me impede escutar essa Palavra? Quais prejuízos há na minha mente que se fecha a esta Palavra? Por que não se fecunda essa Palavra no meu coração? Por que a minha vontade está presa a mil escravidões? De quais escravidões, Deus tem que me salvar este ano: materialismo, pessimismo, intolerância, rancor, preguiça, sensualidade, violência?

27 de dezembro: São João, Apóstolo e Evangelista

Evangelho (Jo 20,2-8): Maria Madalena saiu correndo e foi se encontrar com Simão Pedro e com o outro discípulo, aquele que Jesus mais amava. Disse-lhes: «Tiraram o Senhor do túmulo e não sabemos onde o colocaram». Pedro e o outro discípulo saíram e foram ao túmulo. Os dois corriam juntos, e o outro discípulo correu mais depressa, chegando primeiro ao túmulo. Inclinando-se, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou. Simão Pedro, que vinha seguindo, chegou também e entrou no túmulo. Ele observou as faixas de linho no chão, e o pano que tinha coberto a cabeça de Jesus: este pano não estava com as faixas, mas enrolado num lugar à parte. O outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo, entrou também, viu e creu.

Comentário: Rev. D. Manel VALLS i Serra (Barcelona, Espanha)

Viu e creu

Hoje, a liturgia celebra a solenidade de são João, apóstolo e evangelista. Ao dia seguinte de Natal, a Igreja celebra a festa do primeiro mártir da fé cristã: são Estevão. E ao dia seguinte, a festa de são João, aquele que melhor e mais profundamente penetra no mistério do Verbo encarnado, o primeiro "teólogo" e modelo de tudo verdadeiro “teólogo”. A passagem do seu Evangelho que hoje se propõe ajuda-nos a contemplar o Natal desde a perspectiva da Ressurreição do Senhor. Por isso, João, ao chegar até o túmulo vazio, «viu e creu» (Jo 20,8). Confiados na testemunha dos Apóstolos, nos vemos movidos em cada Natal a "ver" e "crer".

Cada um pode reviver esses "ver" e "crer" a propósito do nascimento de Jesus, o Verbo encarnado. João movido pela intuição do seu coração — e, deveríamos acrescentar pela "graça"— "vê mais além do que seus olhos naquele momento podem contemplar. Na realidade, se ele crê, vê sem "ter visto" ainda a Cristo, com o qual já tem implícita a louvação para aqueles que «não viram, e creram!» (Jo 20,29), com o qual acaba o capítulo do seu Evangelho.

Pedro e João "correm" juntos até o túmulo, mais o texto nos diz que João «o outro discípulo correu mais depressa, chegando primeiro ao túmulo» (Jo 20,4). Parece como se João desejasse mais estar ao lado de Aquele que amava —Cristo— do que estar fisicamente ao lado de Pedro, ante o qual, porém — com um gesto de esperá-lo e que seja ele quem entre primeiro ao túmulo — demonstra que é Pedro quem tem a primazia no Colégio Apostólico. Com tudo, o coração ardente, cheio de zelo, fervoroso de amor por João, é o que o leva a "correr" e "avançar", convidando-nos a viver igualmente a nossa fé com este desejo ardente de encontrar ao Ressuscitado.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm

* O evangelho de hoje traz o trecho do Evangelho de João, que fala do Discípulo Amado. Provavelmente, escolheram este texto para ser lido e meditado no dia de hoje, festa de São João Evangelista, por causa da identificação espontânea que todos fazemos do discípulo amado com o apóstolo João. O curioso é que, em canto algum do evangelho de João, se diz que o discípulo amado é João. Mas desde o mais remoto início da Igreja sempre se insistiu na identificação dos dois. Porém, insistindo demais na semelhança entre os dois corremos o risco de perder um aspecto muito importante da mensagem do Evangelho a respeito do discípulo amado.

* No evangelho de João o discípulo amado representa a nova comunidade que nasce ao redor de Jesus. O Discípulo Amado está ao pé da Cruz junto com Maria, a mãe de Jesus (Jo 19,26). Maria representa o Povo da antiga aliança. No fim do primeiro século, época em que foi feita a redação final do Evangelho de João, havia o conflito crescente entre a sinagoga e a igreja. Alguns cristãos queriam abandonar o Antigo Testamento e ficar só com o Novo Testamento. Ao pé da Cruz Jesus diz: “Mulher, eis aí teu filho!” e ao discípulo amado: “Filho, eis aí tua mãe!” Os dois devem permanecer unidos, como mãe e filho. Separar o Antigo Testamento do Novo Testamento era naquele tempo o mesmo que hoje chamamos de separação entre fé (NT) e vida (AT).

* No evangelho de hoje, Pedro e o Discípulo Amado, alertados pelo testemunho de Maria Madalena, correm juntos para o Santo Sepulcro. O jovem é mais veloz que o velho e chega primeiro. Ele olha para dentro do sepulcro, observa tudo, mas não entra. Ele deixa Pedro entrar primeiro. Pedro entrou. É sugestiva a maneira como o evangelho descreve a reação dos dois homens diante do que ambos viram: “Então Pedro, que vinha correndo atrás, chegou também e entrou no túmulo. Viu os panos de linho estendidos no chão e o sudário que tinha sido usado para cobrir a cabeça de Jesus. Mas o sudário não estava com os panos de linho no chão; estava enrolado num lugar à parte. Então o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo, entrou também. Ele viu e acreditou”. Ambos viram a mesma coisa, mas só se diz do Discípulo Amado que ele acreditou: “Depois entrou o discípulo: olhou e acreditou!” Por quê? Será que Pedro não acreditou?

* O discípulo amado tem um olhar diferente que percebe mais que os outros. Tem um olhar amoroso que percebe a presença da novidade de Deus. Na madrugada depois daquela noite de pescaria e depois da pesca milagrosa, é ele, o discípulo amado, que percebe a presença de Jesus e diz: “É o Senhor!” (Jo 21,7). Naquela ocasião, Pedro, alertado pela afirmação do discípulo amado também reconheceu e começou a enxergar. Pedro aprendeu do discípulo amado. Em seguida, Jesus perguntou três vezes; “Pedro, você me ama?” (Jo 21,15.16.17). Por três vezes, Pedro respondeu: “Tu sabes que eu te amo!” Depois da terceira vez, Jesus confiou as ovelhas aos cuidados de Pedro, pois neste momento também Pedro se tornou “Discípulo Amado”.

Para um confronto pessoal
1. Todos que acreditamos em Jesus somos hoje o Discípulo Amado. Será que tenho o mesmo olhar amoroso para perceber a presença de Deus e crer na sua ressurreição?
2. Separar o Antigo do Novo Testamento é o mesmo que separar Vida e Fé. Como faço e vivo isto?

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Laicato Carmelita

Queridos irmãos no Carmelo:

Com grande alegria comunicamos a nomeação do nosso irmão José Araújo Filho, do quadro de formadores do nosso Sodalício da Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo de Sergipe, para compor o grupo de Leigos Carmelitas que acessora o Conselho Geral da Ordem.
José Araújo que será o representante do Laicato latino-americano, foi convidado pelo nosso Provincial e pelo Frei Raul Maravi, Conselheiro para a América Latina.
Demos graças a Deus por esta nomeação e rezemos por ele nesta nova missão.