sábado, 8 de janeiro de 2022

Segunda-feira da 1ª semana do Tempo Comum

 São Gonçalo de Amarante, Presbítero

1ª Leitura (1Sam 1,1-8): Havia um homem natural de Ramá, um sufita dos montes de Efraim, chamado Elcana, filho de Jeroão, filho de Eliú, filho de Toú, filho de Suf de Efraim. Tinha duas mulheres, uma chamada Ana e outra chamada Fenena. Fenena tinha filhos; Ana, porém, não os tinha. Esse homem costumava subir todos os anos da sua cidade até Silo, para adorar o Senhor do Universo e oferecer-Lhe sacrifícios. Aí se encontravam os dois filhos de Heli, Hofni e Fineias, sacerdotes do Senhor. Cada vez que Elcana oferecia um sacrifício, costumava dar porções da vítima a sua mulher Fenena e a todos os seus filhos e filhas. Embora amasse muito Ana, dava-lhe apenas uma porção, porque o Senhor a tinha feito estéril. A sua rival irritava-a com humilhações, porque o Senhor a tinha deixado estéril. Assim acontecia todos os anos e, sempre que subiam à casa do Senhor, Fenena ofendia Ana. Ana chorava e não comia. Então Elcana, seu marido, disse-lhe: «Ana, porque choras? Porque não comes? Porque estás tão triste? Não sou melhor para ti do que dez filhos?».

Salmo Responsorial: 115

R. Oferecer-Vos-ei, Senhor, um sacrifício de louvor.

Como agradecerei ao Senhor tudo quanto Ele me deu? Elevarei o cálice da salvação, invocando o nome do Senhor.

Cumprirei as minhas promessas ao Senhor na presença de todo o povo. É preciosa aos olhos do Senhor a morte dos seus fiéis.

Senhor, sou vosso servo, filho da vossa serva: quebrastes as minhas cadeias. Oferecer-Vos-ei um sacrifício de louvor, invocando, Senhor, o vosso nome.

Cumprirei as minhas promessas ao Senhor na presença de todo o povo, nos átrios da casa do Senhor, dentro dos teus muros, Jerusalém.

Aleluia. Está próximo o reino de Deus; arrependei-vos e acreditai no Evangelho. Aleluia.

Evangelho (Mc 1,14-20): Depois que João foi preso, Jesus veio para a Galileia, proclamando a Boa Nova de Deus: «Completou-se o tempo, e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede na Boa Nova». Caminhando à beira do mar da Galileia, Jesus viu Simão e o irmão deste, André, lançando as redes ao mar, pois eram pescadores. Então disse-lhes: «Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens». E eles, imediatamente, deixaram as redes e o seguiram. Prosseguindo um pouco adiante, viu também Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão, João, consertando as redes no barco. Imediatamente, Jesus os chamou. E eles, deixando o pai Zebedeu no barco com os empregados, puseram-se a seguir Jesus».

«Convertei-vos e crede na Boa Nova»

Rev. D. Joan COSTA i Bou (Barcelona, Espanha)

Hoje, o Evangelho nos convida à conversão. «Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no Evangelho» (Mc 1,15). Converter-se, a que? Melhor seria dizer, a quem? A Cristo! Assim o expressou: «Quem ama seu pai ou sua mãe mais que a mim, não é digno de mim. Quem ama seu filho mais que a mim, não é digno de mim» (Mt 10,37).

Converter-se significa acolher agradecidos o dom da fé e fazê-lo operativo pela caridade. Converter-se quer dizer reconhecer a Cristo como único senhor e rei de nossos corações, dos que pode dispor. Converter-se implica descobrir Cristo em todos os acontecimentos da história humana, também da nossa pessoal, consciente de que Ele é a origem, o centro e o fim de toda história, e que por Ele tudo foi redimido e Nele alcança sua plenitude. Converter-se supõe viver de esperança, porque Ele venceu o pecado, o maligno e a morte, e a Eucaristia é a garantia.

Converter-se comporta amar a Nosso Senhor por acima de tudo aqui na terra, com todo nosso coração, com toda nossa alma e com todas nossas forças. Converter-se pressupõe entregar-lhe nosso entendimento e nossa vontade, de tal maneira que nosso comportamento faça realidade o lema episcopal do Santo Papa, João Paulo II, Totus tuus, quer dizer, Todo teu, Deus meu; e todo é: tempo, qualidades, bens, ilusões, projetos, saúde, família, trabalho, descanso, tudo. Converter-se requer, então, amar a vontade de Deus em Cristo acima de tudo e gozar, agradecidos, de tudo o que acontece de parte de Deus, inclusive contradições, humilhações, doenças, e descobri-las como tesouros que nos permitem manifestar mais plenamente nosso amor a Deus: si Você o quer assim, eu também o quero!

Converter-se pede, assim, como os apóstolos Simão, André, Jaime e João, deixar «imediatamente as redes» e ir-se com Ele (cf. Mc 1,18), uma vez ouvida a sua voz. Converter-se é que Cristo seja tudo em nós.

Pensamentos para o Evangelho de hoje

«Do mesmo jeito que os pecados com sua fetidez ocultam o valor da salvação, ao chorá-los transformam-se em ouro valioso» (São Gregório Magno)

«Preparar o caminho, preparar também a nossa vida, é próprio de Deus, do amor de Deus por cada um de nós. Ele não nos faz cristãos por geração espontânea. Ele prepara nosso caminho, prepara nossa vida, por muito tempo» (Francisco)

«[À Confissão] chama-se sacramento da Conversão, pois realiza sacramentalmente o convite de Jesus à conversão (cf. Mc 1,15), o caminho de volta ao Pai, do qual a pessoa se afastou pelo pecado. Chama-se sacramento da Penitência, porque consagra o esforço pessoal e eclesial de conversão, de arrependimento e de satisfação do cristão pecador» (Catecismo da Igreja Católica, n° 1423).

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* Depois que João foi preso, Jesus voltou para a Galileia proclamando a Boa Nova de Deus. João foi preso pelo rei Herodes por ter denunciado o comportamento imoral do rei (Lc 3,18-20). A prisão de João Batista não assustou a Jesus! Pelo contrário! Ele viu nela um sinal da chegada do Reino. E hoje, será que sabemos ler os fatos da política e da violência urbana para anunciar a Boa Nova de Deus?

* Jesus proclamava a Boa Nova de Deus. A Boa Nova é de Deus não só porque ela vem de Deus, mas também e sobretudo porque Deus é o seu conteúdo. Deus, Ele mesmo, é a maior Boa Notícia para a vida humana. Ele responde à aspiração mais profunda do nosso coração. Em Jesus aparece o que acontece quando um ser humano deixar Deus entrar e reinar. Esta Boa Notícia do Reino de Deus anunciada por Jesus tem quatro aspectos:

1. Esgotou-se o prazo!  Para os outros judeus o prazo ainda não tinha se esgotado. Faltava muito para o Reino poder chegar. Para os fariseus, por exemplo, o Reino só poderia chegar quando a observância da Lei fosse perfeita. Jesus tem outra maneira de ler os fatos. Ele diz que o prazo já se esgotou.

2. O Reino de Deus chegou!  Para os fariseus a chegada do Reino dependia do esforço deles. Só chegaria, depois que eles tivessem observado toda a lei. Jesus diz o contrário: “O Reino chegou!” Já estava aí! Independente do esforço feito! Quando Jesus diz “O Reino chegou!”, ele não quer dizer que o Reino estava chegando só naquele momento, mas sim que já estava aí. Aquilo que todos esperavam, já estava presente na vida deles, e eles não o sabiam, nem o percebiam (cf. Lc 17,21). Jesus o percebeu! Pois ele lia a realidade com um olhar diferente. E é esta presença escondida do Reino no meio do povo, que Jesus vai revelar aos pobres da sua terra. É esta a semente do Reino que vai receber a chuva da sua palavra e o calor do seu amor.

3. Convertei-vos!  O sentido exato é mudar o modo de pensar e de viver. Para poder perceber a presença do Reino na vida, a pessoa terá que começar a pensar e viver de maneira diferente. Terá que mudar de vida e encontrar outra forma de convivência! Terá que deixar de lado o legalismo do ensino dos fariseus e permitir que a nova experiência de Deus invada sua vida e lhe dê olhos novos para ler e entender os fatos.

4. Acreditem nesta Boa Notícia!  Não era fácil aceitar esta mensagem. Não é fácil você começar a pensar diferentemente de tudo que aprendeu, desde pequeno. Isto só é possível através de um ato de fé. Quando alguém vem trazer uma notícia diferente, difícil de ser aceita, você só a aceitará se a pessoa que traz a notícia for de confiança. Aí, você dirá aos outros: “Pode aceitar! Eu conheço a pessoa! Ela não engana. É de confiança!”. Jesus é de confiança!

* O primeiro objetivo do anúncio da Boa Nova é formar comunidade. Jesus passa, olha e chama. Os primeiros quatro chamados, Simão, André, João e Tiago, escutam, largam tudo e seguem a Jesus para formar comunidade com ele. Parece amor à primeira vista! Conforme a narração de Marcos, tudo aconteceu logo no primeiro encontro com Jesus. Comparando com os outros evangelhos, a gente percebe que os quatro já conheciam a Jesus (Jo 1,39; Lc 5,1-11). Já tiveram a oportunidade de conviver com ele, de vê-lo ajudar o povo e de escutá-lo na sinagoga. Sabiam como ele vivia e o que pensava. O chamado não foi coisa de um só momento, mas sim de repetidos chamados e convites, de avanços e recuos. O chamado começa e recomeça sempre de novo! Na prática, coincide com a convivência dos três anos com Jesus, desde o batismo até o momento em que Jesus foi levado ao céu (At 1,21-22). Então, por que Marcos o apresenta como um fato repentino de amor à primeira vista? Marcos pensa no ideal: o encontro com Jesus deve provocar uma mudança radical na nossa vida!

Para um confronto pessoal

1)   Um fato político, a prisão de João, levou Jesus a iniciar o anúncio da Boa Nova de Deus. Hoje, os fatos da política e da polícia influem no anúncio que fazemos da Boa Nova ao povo?        

2) “Convertei-vos! Acreditem nesta Boa Notícia!” Como isto está acontecendo na minha vida?

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

O Batismo do Senhor

 S. André Corsini, Bispo de nossa Ordem

1ª Leitura (Is 42, 1-4.6-7): Diz o Senhor: «Eis o meu servo, a quem Eu protejo, o meu eleito, enlevo da minha alma. Sobre ele fiz repousar o meu espírito, para que leve a justiça às nações. Não gritará, nem levantará a voz, nem se fará ouvir nas praças; não quebrará a cana fendida, nem apagará a torcida que ainda fumega: proclamará fielmente a justiça. Não desfalecerá nem desistirá, enquanto não estabelecer a justiça na terra, a doutrina que as ilhas longínquas esperam. Fui Eu, o Senhor, que te chamei segundo a justiça; tomei-te pela mão, formei-te e fiz de ti a aliança do povo e a luz das nações, para abrires os olhos aos cegos, tirares do cárcere os prisioneiros e da prisão os que habitam nas trevas».

Salmo Responsorial: 28

R. O Senhor abençoará o seu povo na paz.

Tributai ao Senhor, filhos de Deus, tributai ao Senhor glória e poder. Tributai ao Senhor a glória do seu nome, adorai o Senhor com ornamentos sagrados.

A voz do Senhor ressoa sobre as nuvens, o Senhor está sobre a vastidão das águas. A voz do Senhor é poderosa, a voz do Senhor é majestosa.

A majestade de Deus faz ecoar o seu trovão e no seu templo todos clamam: Glória! Sobre as águas do dilúvio senta-Se o Senhor, o Senhor senta-Se como Rei eterno.

2ª Leitura (At 10, 34-38): Naqueles dias, Pedro tomou a palavra e disse: «Na verdade, eu reconheço que Deus não faz acepção de pessoas, mas, em qualquer nação, aquele que O teme e pratica a justiça é-Lhe agradável. Ele enviou a sua palavra aos filhos de Israel, anunciando a paz por Jesus Cristo, que é o Senhor de todos. Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do baptismo que João pregou: Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo demónio, porque Deus estava com Ele».

Aleluia. Abriram-se os céus e ouviu-se a voz do Pai: «Este é o meu Filho muito amado: escutai-O». Aleluia.

Evangelho (Lc 3,15-16.21-22): Como o povo estivesse na expectativa, todos se perguntavam interiormente se João era ou não o Cristo, e ele respondia a todos: «Eu vos batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu. Eu não sou digno de desatar a correia de as suas sandálias. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo». Enquanto todo o povo estava batizado. Quando Jesus, também batizado, se pôs em oração, o céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre ele, em forma corpórea, como uma pomba. E do céu veio uma voz: «Tu és o meu filho amado; em ti está meu pleno agrado».

«Tu és o meu filho amado; em ti está meu pleno agrado»

+ Pe. Joan BUSQUETS i Masana (Sabadell, Barcelona, Espanha)

Hoje contemplamos Jesus já adulto. O menino da Manjedoura faz-se homem completo, maduro e respeitável e, chega o momento em que deve trabalhar na obra que o Pai lhe confiou. É assim como o encontramos no Jordão no momento de começar esta labor. Outro mais na fila daqueles contemporâneos seus que iam ouvir a João e lhe pedir o banho do batismo, com signo de purificação e renovação interior.

Ali, Jesus é descoberto e assinalado por Deus: «Enquanto todo o povo estava batizado Quando Jesus, também batizado, se pôs em oração, o céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre ele, em forma corpórea, como uma pomba. E do céu veio uma voz: “Tu és o meu filho amado; em ti está meu pleno agrado» (Lc 3,21-22). É o primeiro ato da sua vida pública, sua investidura como Messias.

É também o prefácio de seu modo de agir: Não agirá com violência, nem com gritos e aspereza, senão com silêncio e suavidade. Não cortará a canha quebrada, senão que a ajudará a se manter firme. Abrirá o olhos aos cegos e liberará os cativos. Os sinais messiânicos que descrevia Isaías, cumpriram-se nele. Nós somos os beneficiários de tudo isso porque, como lemos hoje na carta de São Paulo: «Ele nos salvou, não por causa dos atos de justiça que tivéssemos praticado, mas por sua misericórdia, mediante o banho da regeneração e renovação do Espírito Santo. Este Espírito, ele o derramou copiosamente sobre nós por Jesus Cristo, nosso Salvador para que, justificados pela sua graça, nos tornemos, na esperança, herdeiros da vida eterna» (Tit 3,5-7).

A festa do Batismo de Jesus deve nos ajudar a lembrar nosso próprio Batismo e compromissos que por nós tomaram nossos pais e padrinhos ao nos apresentar na Igreja para nos fazer discípulos de Jesus: «O Batismo nos liberou de todos os males, que são os pecados, mas com a graça de Deus devemos cumprir com bondade» (San Cesáreo de Arles).

Pensamentos para o Evangelho de hoje

«Reconhece, cristão, a tua dignidade e, visto que foste feito partícipe da natureza divina, não penses em regressar com um comportamento indigno às velhas vilezas... O teu preço é o sangue de Cristo!» (São Leão Magno)

«No Baptismo somos consagrados pelo Espírito Santo. A palavra “cristão” significa isto: consagrado como Jesus, no mesmo Espírito. Se quiserem que os vossos filhos se tornem cristãos autênticos, ajudem-os a crescer no calor do amor de Deus, na luz da sua Palavra» (Francisco)

«Pelo Batismo, o cristão é sacramentalmente assimilado a Jesus que, no seu baptismo, antecipa a sua morte e ressurreição. Deve entrar neste mistério de humilde abatimento e de penitência, descer à água com Jesus, para de lá subir com Ele, renascer da água e do Espírito para se tornar, no Filho, filho-amado do Pai e ‘viver numa vida nova’ (Rm 6, 4) (…)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 537).

Reflexão do Pe. Antonio Rivero, L.C.

O batismo- nascimento no Espírito- é o segundo presente da misericórdia divina, depois do nosso nascimento na carne.

Com o batismo Deus nos faz seus filhos adotivos, dá-nos o seu Filho Jesus como irmão, converte a nossa alma no templo do Espírito Santo onde habitará para formar em nós a imagem de Cristo Jesus, capacita-nos para ser membros ativos e comprometidos da Igreja santa e missionária, e nossa dá como herança a vida eterna. Diante tamanho presente, só nos resta: agradecer e corresponder a Deus com uma vida santa e reta.

Em primeiro lugar, Jesus não tinha necessidade do batismo para si, porque não tinha pecado. Porém, sim teve necessidade do batismo para significar a sua missão: veio para carregar sobre si os nossos pecados, para morrer ao pecado no nosso lugar, para ressurgir a uma vida nova: vida que agora está a nossa disposição. João prevê que o que vem detrás dele administrará um batismo muito mais eficaz que o seu: “Ele os batizará com o Espírito Santo e fogo”. O batismo de Jesus será eficaz. O batismo de João é um sinal: serve para indicar o batismo de Jesus, e Jesus o recebe como sinal da sua própria missão, que consiste em morrer e ressuscitar por nós, a fim de poder administrar-nos o batismo no Espírito Santo. Por isso, no evangelho de Lucas que lemos hoje se produz a manifestação do Espírito Santo. Abrindo-se o céu, desce sobre Jesus o Espírito Santo, como uma aparência corpórea, como uma pomba.

Em segundo lugar, o Pai celestial queria estar também presente nesse momento sublime: “Este é o meu Filho amado, o predileto”. Com estas palavras, o Pai glorifica e eleva o seu Filho. A humilhação de Jesus de colocar-se na fila dos pecadores para ser batizado por João é uma humilhação que produz uma glorificação, porque o Pai celestial confirma a missão salvadora e redentora de Cristo. Deste modo, temos aqui todo o mistério pascal de Jesus, anunciado com o rito do batismo de João: descer e se submergir na água, purificar essas águas com a sua divindade para que tenham a propriedade de lavar os nossos pecados e de sepultá-los, e depois ressurgir para começar uma vida nova de ressuscitado. Por isso o batismo é purificação, lavagem, regeneração, iluminação, destruição do pecado e começo de uma vida nova em Cristo Jesus.

Finalmente, será São Paulo na segunda leitura de hoje a Tito quem nos lembra o nosso batismo, a dignidade com a que somos revestidos e as consequências morais a que nos compromete o dom do batismo na nossa vida. Paulo chama isso de “banho do segundo nascimento... renovação pelo Espírito Santo”. Presente saído do coração misericordioso de Deus. Com gratuito, não baseado nas boas obras realizadas previamente por nós. Graça divina para nos dedicar “às boas obras” e “renunciar a impiedade e aos desejos mundanos, e levar desde já uma vida sóbria, honrada e religiosa”.

Para refletir: Agradeço com frequência ao dom do batismo? Como festejo o dia grandioso do meu santo batismo? Se sou pai ou mãe de família, batizo quanto antes os meus filhos? Ponho nomes de santos aos meus filhos? Quem me vê, pode deduzir pela minha conduta justa, santa e reta que sou batizado, seguidor de Cristo?

Para rezar: Obrigado, Senhor, pelo dom do batismo, por ter me feito filho adotivo vosso, irmão de Cristo, templo do Espírito Santo e membro comprometido da vossa Igreja. Que nunca manche o vestido da minha dignidade cristã. Que nunca permita que apaguem a luz da minha fé recebida no meu batismo. Que seja fiel às promessas do meu batismo, que renovei na minha confirmação. Amém.

Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail: arivero@legionaries.org

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

9 de janeiro

 Santo André Corsini, 
Bispo de nossa Ordem
 

Nasceu dentro de uma família muito conhecida em Florença: a família Corsini, no ano de 1302. Seus pais não podiam ter filhos, mas não desistiam, estavam sempre rezando nesta intenção até que veio esta graça e tiveram um filho. O nome: André. Os pais fizeram de tudo para bem formá-lo. Com apenas 15 anos, ele dava tanto trabalho e decepções para seus pais que sua mãe chegou a desabafar: “Filho, você é, de fato, aquele lobo que eu sonhava”. Ele ficou assustado, não imaginava o quanto os caminhos errados e a vida de pecado que ele estava levando, ainda tão cedo, decepcionava tanto e feria a sua mãe. Mas a mãe completou o sonho: “Este lobo entrava numa igreja e se transformava em cordeiro”. André guardou aquilo no coração e, sem a mãe saber, no outro dia, ele entrou numa igreja. Aos pés de uma imagem de Nossa Senhora ele orava, e a graça aconteceu. Ele retomou seus valores, começou uma caminhada de conversão e falou para o provincial carmelita que queria entrar para a vida religiosa. Não se sabe, ao certo, se foi imediatamente ou fez um caminho vocacional, o fato é que entrou para a vida religiosa na obediência às regras, na vida de oração e penitência. Ele foi crescendo nessa liberdade, que é dom de Deus para o ser humano. Santo André ia se colocando a serviço dos doentes, dos pobres, nos trabalhos tão simples como os da cozinha. Ele também saía para mendigar para as necessidades de sua comunidade. Passou humilhação, mas sempre centrado em Cristo. Os santos foram e continuam a ser pessoas que comunicaram Cristo para o mundo. Mas Deus tinha mais para André. Ele ordenou-se padre e como tal continuava nesse testemunho de Cristo até que Nosso Senhor o escolheu para Bispo de Fiesoli. De início, ele não aceitou e fugiu para a Cartuxa de Florença e ficou escondido; ao ponto de as pessoas não saberem onde ele estava e escolher outro para ser bispo, pela necessidade. Mas um anjo, uma criança apareceu no meio do povo indicando onde ele estava escondido. Apareceu também outra criança para ele lhe dizendo que ele não devia temer, porque Deus estaria com ele e a Virgem Maria estaria presente em todos os momentos. Distinguiu-se pelo zelo apostólico, prudência e amor em relação aos pobres. Em 1373, no dia de Natal, Nossa Senhora apareceu para ele dizendo do seu falecimento que estava próximo. Morreu a 6 de janeiro de 1374. Foi canonizado em 29 de abril de 1629.
 
INVITATÓRIO
R. Vinde, adoremos a Cristo, o grande Pontífice, que se compadece de nós.
 
LAUDES
Hino
André o Carmelo te canta,
ao festejar o teu dia!
Que nessa Morada Santa
ressoe nossa alegria!
 
Oh! Que brilhante porvir
clara Estrela te mostrou!
No caminho a seguir
a Mãe de Deus te guiou.
 
Alistado nas fileiras
dos ungidos do Senhor,
não te poupaste as canseiras,
sábio e prudente Pastor.
 
Recorda-te, Santo André,
dos irmãos que, reunidos,
professam a mesma fé,
no amor de Cristo unidos.
 
Ao Bom e Supremo Pastor,
na tua festividade
se preste honra e louvor
no tempo e na eternidade.
 
Ant. 1. Chamei o meu servo para colocar o poder nas suas mãos e o estabelecer num trono de glória.
 
Salmos e Cântico do Domingo da I Semana.
 
Ant. 2. A esmola para ele é como um selo e ele conservará a graça como a menina dos seus olhos.
 
Ant. 3. Fiéis são as obras das suas mãos; o louvor do Senhor permanece eternamente.
 
Leitura breve - Is 25,3-4c
Um povo forte vos glorificará e a cidade das nações poderosas vos temerá, porque sois o refúgio do fraco, o amparo do pobre na sua tribulação, um abrigo contra a tempestade e uma sombra contra o calor.
 
Responsório breve
R. Tive fome * e me destes de comer. R. Tive fome.
v. Todas as vezes que o fizestes a um destes meus irmãos mais
pequeninos, foi a Mim que o fizestes. * E me destes de comer.
Glória ao Pai. R. Tive fome.
 
Cântico Evangélico Ant. à escolha 1) ou 2)
Ant1. Eu era os olhos para o cego, os pés para o coxo, o pai para os pobres, e com muito carinho examinava a causa dos desconhecidos.
ou
Ant2 Felizes os construtores da paz, porque serão chamados filhos de Deus, diz o Senhor.
 
Preces
Nosso Senhor Jesus Cristo escuta propício as preces dos necessitados e cumula de bens os famintos; por isso supliquemos com fé:
 
R. Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia.
 
Vós, que misericordiosamente reunistes no vosso nome o vosso rebanho,
- fazei que não se perca nenhum daqueles que o Pai vos deu. R.
 
Vós, que aos pecadores concedeis a conversão e dais a força aos débeis,
- dai-nos a plenitude da graça e a salvação. R.
 
Vós, que a todos amais com infinito amor,
- fazei que os fiéis vivam unidos entre si na unidade do espírito e pelo vínculo da paz. R.
 
Vós, que mediante a graça concedeis a todos a paz,
- fazei que hoje tenhamos paz com todos. R.
 
Vós, que consolastes os tristes e humildes,
- ajudai os pobres nas suas tribulações. R.
 
(intenções livres)
 
Pai nosso
 
Oração
Pai santo, que chamais vossos filhos àqueles que promovem a paz, concedei-nos, pela intercessão de Santo André Corsini, admirável mediador da paz, a graça de trabalhar incansavelmente pela instauração da justiça, que pode garantir aos homens a paz firme e verdadeira. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
 
VÉSPERAS
Hino
Qual vento que vem e passa,
assim o sopro divino
fez renascer pela graça
a alma de André Corsini
 
Que triunfo! Que alegria!
Foi vencida a encruzilhada,
e já na Ordem de Maria
para sempre dá entrada.
 
Não o destina o Senhor
a viver na solidão:
espera-o a cruz de Pastor
- alta e difícil missão.
 
Trabalha, sofre e ora,
se na fé jamais fraqueja,
a caridade o devora
pela unidade da Igreja.
 
Pai, a todos concedei
vosso perdão e amor!
Nossas preces atendei
por Jesus, noss *o Senhor.
 
Ant.1. Fez o bem e praticou a verdade na presença do Senhor, procurando a Deus com todo o coração.
 
Salmos e Cântico do Comum dos pastores: para bispos
 
Ant.2. Foi encontrado perfeito e no tempo da ira tornou-se o elo da reconciliação.
 
Ant.3. Apascentarei as minhas ovelhas e eu as farei descansar.
 
Leitura breve - 1Pd 5,1-4
Exorto aos presbíteros que estão entre vós, eu, presbítero como eles, testemunha dos sofrimentos e participante da glória que será revelada: sede pastores do rebanho de Deus confiado a vós; cuidai dele, não por coação, mas de coração generoso; não por torpe ganância, mas livremente; não como dominadores daqueles que vos foram confiados, mas antes, como modelos do rebanho. Assim, quando aparecer o Pastor supremo, recebereis a coroa permanente da glória.
 
Responsório breve
R. Eis o amigo dos irmãos,
* que intercede pelo povo. R. Eis o amigo.
V. Dedicou sua vida em favor dos seus irmãos.
* Que intercede. * Glória ao Pai. R. Eis o amigo.
 
Cântico Evangélico
Ant1. Este é o Sumo Sacerdote que na sua vida restaurou o Templo e nos seus dias fortificou o Santuário.
ou
Ant2. O Reino de Deus não é questão de comida e bebida; é justiça, é paz e alegria no Espírito Santo. Quem serve a Cristo nestas coisas agrada a Deus e é estimado pelos homens.
 
Preces
Bendigamos a Cristo que decidiu ser semelhante em tudo a seus irmãos, a fim de se tornar o misericordioso e fiel Pontífice junto de Deus; supliquemos, dizendo:
 
R. Concedei-nos, Senhor, os tesouros do vosso amor.
 
Robustecei os ministros da vossa Igreja, para que,
- pregando aos demais, sejam encontrados fiéis no vosso serviço. R.
 
Fazei que os vossos sacerdotes sejam sal da terra e luz do mundo,
- para que com seu trabalho renovem a Igreja no seu interior. R.
 
Ensinai-nos hoje a reconhecer-vos presente em todos os nossos irmãos e irmãs
- e a encontrar-vos principalmente nos pobres e nos excluídos. R.
 
Nós vos pedimos pelos membros da vossa Igreja atribulados pela doença,
- libertai os prisioneiros, iluminai os cegos, socorrer os órfãos e as viúvas. R.
(intenções livres)
 
Tende misericórdia dos nossos irmãos e irmãs defuntos,
- associai-os aos outros irmãos, que já descansam em Cristo. R.
 
Oração
Pai santo, que chamais vossos filhos àqueles que promovem a paz, concedei-nos, pela intercessão de Santo André Corsini, admirável mediador da paz, a graça de trabalhar incansavelmente pela instauração da justiça, que pode garantir aos homens a paz firme e verdadeira. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

Sábado depois da Epifania

 S. Pedro Tomás, Patriarca Latino de Constantinopla, Bispo de nossa Ordem

1ª Leitura (1Jo 5,14-21): Caríssimos: Esta é a confiança que temos em Deus: se Lhe pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, Ele escuta-nos. E sabendo que nos escuta em tudo o que Lhe pedirmos, sabemos também que alcançaremos o que Lhe tivermos pedido. Se alguém vir seu irmão cometer um pecado que não o leva à morte, reze e Deus lhe dará a vida, se de facto o pecado cometido não leva à morte. Há um pecado que leva à morte; não é por este pecado que eu digo que se reze. Toda a iniquidade é pecado, mas nem todo o pecado leva à morte. Sabemos que todo aquele que nasceu de Deus não peca, porque o guarda Aquele que foi gerado por Deus e o Maligno não o pode atingir. Sabemos que somos de Deus, mas o mundo inteiro está sujeito ao Maligno. E sabemos também que veio o Filho de Deus e nos deu inteligência para conhecermos o Verdadeiro. Nós estamos no Verdadeiro, por seu Filho, Jesus Cristo, que é o Deus verdadeiro e a vida eterna. Meus filhos, guardai-vos dos falsos deuses.

Salmo Responsorial: 149

R. O Senhor ama o seu povo.

Cantai ao Senhor um cântico novo, cantai ao Senhor na assembleia dos santos. Alegre-se Israel em seu Criador, rejubilem os filhos de Sião em seu Rei.

Louvem o seu nome com danças, cantem ao som do tímpano e da cítara, porque o Senhor ama o seu povo, coroa os humildes com a vitória.

Exultem de alegria os fiéis, cantem jubilosos em suas casas; em sua boca os louvores de Deus. Esta é a glória de todos os seus fiéis.

Aleluia. O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam na sombria região da morte uma luz se levantou. Aleluia.

Evangelho (Jo 3,22-30): Depois disso, Jesus e seus discípulos foram para a região da Judéia. Ele ficava lá com eles e batizava. João também estava batizando, em Enon, perto de Salim, onde havia muita água. As pessoas iam lá para serem batizadas. João ainda não tinha sido lançado na prisão. Surgiu então, da parte dos discípulos de João, uma discussão com um judeu, a respeito da purificação. Eles foram falar com João: «Mestre, aquele que estava contigo do outro lado do Jordão, e de quem tu deste testemunho, está batizando, e todos vão a ele». João respondeu: «Ninguém pode receber coisa alguma, se não lhe for dada do céu. Vós mesmos sois testemunhas daquilo que eu disse: ‘Eu não sou o Cristo, mas fui enviado à sua frente’. Quem recebe a noiva é o noivo, mas o amigo do noivo, que está presente e o escuta, enche-se de alegria, quando ouve a voz do noivo. Esta é a minha alegria, e ela ficou completa. É necessário que ele cresça, e eu diminua».

«É necessário que ele cresça, e eu diminua»

Rev. D. Antoni CAROL i Hostench (Sant Cugat del Vallès, Barcelona, Espanha)

Hoje ficamos surpresos vendo Jesus e o Batista batizando “em paralelo”. Dizemos, sim, “em paralelo”, mas isso só acontece aparentemente, porque João o Batista remite a Jesus, que é o Messias, o "novo Moises", o Profeta tão esperado, aquele que vem para nos dar a Deus. «Que trouxe [Jesus]? A resposta é muito simples: A Deus. Trouxe a Deus» (Bento XVI).

Em consequência e imediatamente João aclara o sentido do batismo: Realmente, trata-se de uma purificação, mas «diferença-se das acostumadas abluções religiosas» daquele tempo e, —como afirmou o papa Bento— «Deve-se a consumação concreta de uma mudança que determina de modo novo e para sempre toda a vida». Assim, o batismo cristão comporta uma mudança tão radical como um novo nascimento, até o ponto de nos converter em um novo ser.

Purificação, certamente, mas, para despojar-se do "homem velho", morrer a si mesmo e —pela graça— nascer a uma nova vida: A vida divina, algo que «ninguém pode receber (…) se não lhe for dada do céu» (Jo 3,28). O Concílio II de Orange ensinou que «amar a Deus é exclusivamente um dom de Deus. Ele mesmo que, sem ser amado, ama, concedeu-nos que lhe amássemos. Fomos amados quando ainda lhe éramos desagradáveis, para que nos concedera algo com que agradar-lhe».

Hei aqui, então, nossa tarefa pela santidade: Aprofundar na humildade para abrir espaço à ação de Deus e deixá-lo fazer. O importante não é tanto o que eu faça, mas que Ele atue em mim: «É necessário que ele cresça, e eu diminua» (Jo 3,30). E nossa alegria será tanto mais completa quanto mais desapareça o próprio eu e, mais presente se faça o Esposo em nosso coração e nas nossas obras.

Pensamentos para o Evangelho de hoje

«É necessário que Cristo cresça em ti para que progridas no seu conhecimento e amor: porque quanto mais O conheces e O amas, tanto mais Cristo cresce em ti» (Santo Tomás de Aquino)

«Finalmente tinha chegado um profeta cuja vida também o acreditava como tal e anunciava-se, de novo, a ação de Deus na história: João batizava com agua mas, o Maior —Aquele que batizará no Espirito Santo— está quase a chegar» (Benedito XVI)

«Cristo, Filho de Deus feito homem, é a Palavra única, perfeita e insuperável do Pai. N'Ele, o Pai disse tudo. Não haverá outra palavra além dessa» (Catecismo da Igreja Católica, nº 65).

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm

* Tanto João Batista como Jesus, ambos apontavam um rumo novo para o povo. Mas Jesus, depois de ter aderido ao movimento de João Batista e de ter sido batizado por ele, deu um passo a mais e criou o seu próprio movimento. Ele chegou a batizar pessoas no rio Jordão ao mesmo tempo que João Batista. Ambos atraíam o povo pobre e abandonado da Palestina, anunciando a chegada da Boa Nova do Reino de Deus.

* Jesus, o novo pregador, estava levando uma certa vantagem sobre João Batista. Ele batizava mais gente e atraía mais discípulos. Surgiu então uma tensão entre os discípulos de João e os de Jesus a respeito da "purificação", isto é, a respeito do valor do batismo. Os discípulos de João Batista sentiam uma certa inveja e foram falar com João para informá-lo a respeito do movimento de Jesus.

* A resposta de João aos seus discípulos é uma resposta bonita, que revela a grandeza de alma. João ajudou seus discípulos a verem as coisas com mais objetividade. Ele usou três argumentos: 1) Ninguém recebe nada a não ser aquilo que lhe foi dado por Deus. Se Jesus faz coisas tão bonitas, é porque as recebeu de Deus (Jo 3,27). Em vez de inveja, os discípulos deveriam sentir alegria. 2) João reafirma, novamente, que ele, João, não é o Messias mas apenas o precursor (Jo 3,28). 3) No fim, ele usa uma comparação, tirada das festas de casamento. Naquele tempo, lá na Palestina, no dia da festa do casamento, na casa da noiva, os assim chamados "amigos do noivo" aguardavam a chegada do noivo para poder apresentá-lo à noiva. No caso, Jesus é o noivo, o povo é a noiva e ele, João, é o amigo do noivo. João Batista diz que, na voz de Jesus, reconheceu a voz do noivo e ele pôde apresentá-lo à noiva, ao povo. Neste momento, a noiva, o povo, deixa de lado o amigo do noivo e vai atrás de Jesus, porque reconheceu nele a voz do seu noivo! Por isso, é grande a alegria de João, "alegria completa". João não quer nada para si! Sua missão é apresentar o noivo à noiva! A frase final resume tudo: "É necessário que ele cresça e eu diminua!" Esta frase é também o programa de toda pessoa seguidora de Jesus.

* Naquele fim do primeiro século, tanto na Palestina como na Ásia Menor, onde quer que houvesse alguma comunidade de judeus, havia também gente que tinha estado em contato com João Batista ou que tinha sido batizada por ele (At 19,3). Vistos do lado de fora, o movimento de João Batista e o de Jesus eram muito semelhantes entre si. Os dois anunciavam a chegada do Reino (cf. Mt 3,1-2; 4,17). Deve ter havido uma certa confusão e tensão entre os seguidores de João e os de Jesus. Por isso era tão importante o testemunho de João sobre Jesus. Todos os quatro evangelhos se preocupam em relatar as palavras de João Batista dizendo que ele não é o messias. Para as comunidades cristãs, a resposta de João "Ele deve crescer e eu devo diminuir" valia não só para os discípulos de João da época de Jesus, mas também para os discípulos das comunidades batistas do fim do primeiro século.

Para um confronto pessoal

1. “Ele deve crescer e eu diminuir”. É o programa de João. É também o meu programa?

2. O que importa é que a noiva encontre o noivo. Somos porta-vozes, nada mais. Será que eu sou?