sábado, 10 de abril de 2021

Segunda-feira da 2ª semana da Páscoa

1ª Leitura (At 4, 23-31): Naqueles dias, Pedro e João, tendo sido postos em liberdade, voltaram para junto dos seus e contaram-lhes tudo o que os príncipes dos sacerdotes e os anciãos lhes tinham dito. Depois de os ouvirem, invocaram a Deus numa só alma, dizendo: «Senhor, Vós fizestes o céu, a terra, o mar e tudo o que neles se encontra; Vós dissestes, mediante o Espírito Santo, pela boca do nosso pai David, vosso servo: ‘Porque se agitaram em tumulto as nações e os povos intentaram vãos projetos? Revoltaram-se os reis da terra e os príncipes conspiraram juntos contra o Senhor e contra o seu Ungido’. Na verdade, Herodes e Pôncio Pilatos uniram-se nesta cidade com as nações pagãs e os povos de Israel contra o vosso santo servo Jesus, a quem ungistes. Assim cumpriram tudo o que o vosso poder e sabedoria tinham de antemão determinado. E agora, Senhor, vede como nos ameaçam e concedei aos vossos servos que possam anunciar com toda a confiança a vossa palavra. Estendei a vossa mão, para que se realizem curas, milagres e prodígios, em nome do vosso santo servo Jesus». Depois de terem rezado, tremeu o lugar onde estavam reunidos: todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a anunciar com firmeza a palavra de Deus.

Salmo Responsorial: 2

R. Felizes aqueles que confiam no Senhor.

Porque se agitam em tumulto as nações e os povos intentam vãos projetos? Revoltam-se os reis da terra e os príncipes conspiram juntos contra o Senhor e contra o seu Ungido: «Quebremos as suas algemas e atiremos para longe o seu jugo».

Aquele que mora nos céus sorri, o Senhor escarnece deles. Então lhes fala com ira e com sua cólera os atemoriza: «Fui Eu quem ungiu o meu Rei sobre Sião, minha montanha sagrada».

Vou proclamar o decreto do Senhor. Ele disse-me: «Tu és meu filho, Eu hoje te gerei. Pede-me e te darei as nações como herança e os confins da terra para teu domínio. Hás de governá-los com ceptro de ferro, quebrá-los como vasos de barro».

Aleluia. Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Aleluia.

Evangelho (Jo 3,1-8): Havia alguém dentre os fariseus, chamado Nicodemos, um dos chefes dos judeus. À noite, ele foi se encontrar com Jesus e lhe disse: «Rabi, sabemos que vieste como mestre da parte de Deus, pois ninguém é capaz de fazer os sinais que tu fazes, se Deus não está com ele». Jesus respondeu: «Em verdade, em verdade, te digo: se alguém não nascer do alto, não poderá ver o Reino de Deus!». Nicodemos perguntou: «Como pode alguém nascer, se já é velho? Ele poderá entrar uma segunda vez no ventre de sua mãe para nascer?». Jesus respondeu: «Em verdade, em verdade, te digo: se alguém não nascer da água e do Espírito, não poderá entrar no Reino de Deus. O que nasceu da carne é carne; o que nasceu do Espírito é espírito. Não te admires do que eu te disse: É necessário para vós nascer do alto. O vento sopra onde quer e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim é também todo aquele que nasceu do Espírito».

«Se alguém não nascer do alto, não poderá ver o Reino de Deus!»

Frei Josep Mª MASSANA i Mola OFM (Barcelona, Espanha)

Hoje, um «magistrado judeu» (Jo 3,1) vai ao encontro de Jesus. O Evangelho diz que o faz de noite: o que diriam os seus colegas se soubessem deste fato? Nesta instrução de Jesus encontramos uma catequese batismal, que seguramente circulava na comunidade do Evangelista.

Há alguns dias atrás celebramos a Vigília Pascal. Uma parte integrante desta vigília era a celebração do Batismo, que é a Páscoa, a passagem da morte para a vida. A bênção solene da água e a renovação das promessas foram momentos chave naquela noite santa.

No ritual do batismo faz-se uma imersão na água (símbolo da morte) e uma saída da mesma água (imagem da nova vida). É se submergido juntamente com o pecado e emerge-se depois renovado. Isto é o que Jesus denomina como «nascer do alto» ou «nascer de novo» (cf. Jo 3,3). Isto é “nascer da água”, “nascer do Espírito” ou “do sopro do vento...”.

Água e Espírito são os símbolos usados por Jesus. Ambos exprimem a ação do Espírito Santo que purifica e dá vida, limpa e anima, sacia a sede e faz respirar, suaviza e fala. Água e Espírito realizam uma única operação.

Por outro lado, Jesus fala também da oposição entre carne e Espírito: «O que nasceu da carne é carne; o que nasceu do Espírito é espírito» (Jo 3,6). O homem carnal nasce humanamente quando se dá a sua concepção na Terra. Mas o homem espiritual morre para o que é puramente carnal e nasce espiritualmente através do Batismo, que é nascer de novo e do alto. Há uma bela frase de São Paulo que poderia ser o nosso tema de reflexão e ação, sobretudo neste tempo pascal: «Ou ignorais que todos nós, que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados na sua morte? Pelo Batismo fomos, pois, sepultados com Ele na morte, para que, tal como Cristo foi ressuscitado de entre os mortos pela glória do Pai, também nós caminhemos numa vida nova» (Rm 6,3-4).

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm

* O evangelho de hoje traz uma parte da conversa de Jesus com Nicodemos. Nicodemos aparece várias vezes no evangelho de João (Jo 3,1-13; 7,50-52; 19,39). Ele era uma pessoa de certa posição social. Tinha liderança entre os judeus e fazia parte do supremo tribunal chamado Sinédrio. No evangelho de João, ele representa o grupo de judeus que eram piedosos e sinceros, mas que não chegavam a entender tudo que Jesus fazia e falava. Nicodemos tinha ouvido falar dos sinais, das coisas maravilhosas que Jesus realizava, e ficou impressionado. Ele quer conversar com Jesus para poder entender melhor. Ele era uma pessoa estudada que pensava entender as coisas de Deus. Ele esperava o Messias com o livrinho da lei na mão para verificar se o novo anunciado por Jesus estava de acordo. Jesus faz perceber a Nicodemos que a única maneira para alguém poder entender as coisas de Deus é nascer de novo! Hoje acontece a mesma coisa. Alguns são como Nicodemos: só aceitam como novo aquilo que está de acordo com as suas próprias ideias. O que não estiver de acordo é recusado como sendo contrário à tradição. Outros se deixam surpreender pelos fatos e não têm medo de dizer: "Nasci de novo!"

* João 3,1: Um homem, chamado Nicodemos - Pouco antes do encontro de Jesus com Nicodemos, o evangelista falava da fé imperfeita de certas pessoas que só se interessavam pelos milagres de Jesus (Jo 2,23-25). Nicodemos era uma destas pessoas. Tinha boa vontade mas a sua fé ainda era imperfeita. A conversa com Jesus vai ajudá-lo a perceber que deve dar um passo a mais para poder aprofundar sua fé em Jesus e em Deus.

* João 3,2: 1ª pergunta de Nicodemos: tensão entre o velho e o novo - Nicodemos era um fariseu, pessoa de destaque entre os judeus e com um bom raciocínio. Ele foi encontrar Jesus de noite e lhe diz: "Você vem da parte de Deus como um mestre, pois ninguém é capaz de fazer os sinais que você faz!" Nicodemos opina sobre Jesus a partir dos argumentos que ele, Nicodemos, tem dentro de si. Isto já é um passo importante, mas não basta para conhecer Jesus. Os sinais que Jesus faz podem despertar a pessoa e produzir nela um interesse. Podem gerar curiosidade, mas não geram entrega nem fé. Não fazem ver o Reino de Deus presente em Jesus. Para isto é necessário dar mais um passo. Qual é este passo?

* João 3,3: Resposta de Jesus: "Tem que nascer de novo!" - Para que Nicodemos possa perceber o Reino presente em Jesus, ele terá que nascer de novo, do alto. Quem tenta compreender Jesus só a partir dos seus próprios argumentos, não consegue entendê-lo. Jesus é maior. Enquanto Nicodemos fica só com o catecismo do passado na mão, não vai poder entender Jesus. Ele terá que abrir mão de tudo. Terá que deixar de lado suas próprias certezas e seguranças e entregar-se totalmente. Terá que fazer uma escolha entre, de um lado, manter a segurança que lhe vem da religião organizada com suas leis e tradições e, do outro lado, lançar-se na aventura do Espírito que Jesus lhe propõe.

* João 3,4: 2ª pergunta de Nicodemos: Como é possível nascer de novo? Nicodemos não dá o braço a torcer e torna a perguntar com certa ironia: "Como uma pessoa pode nascer sendo já velha? Poderá entrar uma segunda vez no seio de sua mãe e nascer?" Nicodemos tomou as palavras de Jesus ao pé da letra e, por isso, não entendeu nada. Ele deveria ter percebido que as palavras de Jesus tinham um sentido simbólico.

*  João 3,5-8: Resposta de Jesus: Nascer do alto, nascer do espírito. Jesus explica o que quer dizer: nascer do alto ou nascer de novo. É "nascer da água e do Espírito". Aqui temos uma alusão muito clara ao batismo. Através da conversa de Jesus com Nicodemos, o evangelista nos convida a fazer uma revisão do nosso batismo. Ele relata as seguintes palavras de Jesus: "O que nasceu da carne é carne. O que nasceu do Espírito é Espírito". Carne significa aquilo que nasce só das ideias nossas. O que nasce de nós tem o nosso tamanho. Nascer do Espírito é outra coisa! O Espírito é como o vento. "O vento sopra onde quer e você ouve o seu ruído, mas você não sabe de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com todo aquele que nasceu do espírito" O vento tem, dentro de si, um rumo, uma direção. Nós percebemos a direção do vento, por exemplo, no vento Norte ou vento Sul, mas não conhecemos nem controlamos a causa a partir da qual o vento se movimenta nesta ou naquela direção. Assim é o Espírito. "Ninguém é senhor do Espírito" (Ecl 8,8). O que mais caracteriza o vento, o Espírito, é a liberdade. O vento, o espírito, é livre, não pode ser controlado. Ele age sobre os outros e ninguém consegue agir sobre ele. Sua origem é mistério, seu destino é mistério. O barqueiro deve, primeiro, descobrir o rumo do vento. Depois, deve colocar as velas de acordo com este rumo. É o que Nicodemos e todos nós temos de fazer.

* Uma chave para entender melhor as palavras de Jesus sobre o Espírito Santo. A língua hebraica usa a mesma palavra para dizer vento e espírito. Como dissemos, o vento tem, dentro de si, um rumo, uma direção: vento Norte, vento Sul. O Espírito de Deus tem um rumo, um projeto, que já se manifestava na criação. O Espírito estava presente na criação sob a forma de uma ave pairando sobre as águas do caos (Gn 1,2). Ano após ano, ele renova a face da terra e coloca a natureza em movimento através da sequência das estações (Sl 104,30; 147,18). Este mesmo Espírito está presente também na história. Fez recuar o Mar Vermelho (Ex 14,21) e trouxe as codornizes para o povo comer (Nm 11,31). Esteve com Moisés e, a partir dele, se distribuiu nas lideranças do povo (Nm 11,24-25). Tomava posse dos líderes e os levava a realizar ações libertadoras: Otoniel (Jz 3,10), Gedeão (Jz 6,34), Jefté (Jz 11,29), Sansão (Jz 13,25; 14,6.19; 15,14), Saul (1Sm 11,6), e Débora, a profetisa (Jz 4,4). Esteve presente no grupo dos profetas e agia neles com força contagiosa (1Sm 10,5-6.10). Sua ação nos profetas produziu inveja nos outros, mas Moisés reagiu: "Oxalá todo o povo fosse profeta e recebesse o Espírito de Javé!" (Nm 11,29).

* Ao longo dos séculos cresceu a esperança de que o Espírito de Deus orientasse o Messias na realização do projeto de Deus (Is 11,1-9) e descesse sobre todo o povo de Deus (Ez 36,27; 39,29; Is 32,15; 44,3). A grande promessa do Espírito transparece de várias maneiras nos profetas do exílio: a visão dos ossos secos, ressuscitados pela força do Espírito de Deus (Ez 37,1-14); a efusão do Espírito de Deus sobre todo o povo (Jl 3,1-5); a visão do Messias-Servo que será ungido pelo Espírito para estabelecer o direito na terra e anunciar a Boa Nova aos pobres (Is 42,1; 44,1-3; 61,1-3). Eles vislumbram um futuro, em que o povo, cada vez de novo, renasce pela efusão do Espírito (Ez 36,26-27; Sl 51,12; cf. Is 32,15-20).

* O evangelho de João usa muitas imagens e símbolos para significar a ação do Espírito. Como na criação (Gn 1,1), assim o Espírito desceu sobre Jesus "como uma pomba, vinda do céu" (Jo 1,32). É o começo da nova criação! Jesus fala as palavras de Deus e nos comunica o Espírito sem medida (Jo 3,34). Suas palavras são Espírito e vida (Jo 6,63). Quando Jesus se despediu, ele disse que ia enviar um outro consolador, um outro defensor, para ficar conosco. É o Espírito Santo (Jo 14,16-17). Através da sua paixão, morte e ressurreição, Jesus conquistou o dom do Espírito para nós. Através do batismo todos nós recebemos este mesmo Espírito de Jesus (Jo 1,33). Quando apareceu aos apóstolos, soprou sobre eles e disse: "Recebei o Espírito Santo!" (Jo 20,22). O Espírito é como água que jorra de dentro das pessoas que creem em Jesus (Jo 7,37-39; 4,14). O primeiro efeito da ação do Espírito em nós é a reconciliação: "Aqueles a quem vocês perdoarem os pecados serão perdoados; aqueles aos quais retiverem, serão retidos" (Jo 20,23). O Espírito nos é dado para que possamos lembrar e entender o significado pleno das palavras de Jesus (Jo 14,26; 16,12-13). Animados pelo Espírito de Jesus podemos adorar a Deus em qualquer lugar (Jo 4,23-24). Aqui se realiza a liberdade do Espírito de que fala São Paulo: "Onde há o Espírito do Senhor, aí está a liberdade” (2Cor 3,17).

Para um confronto pessoal

1. Como você costuma reagir diante das novidades que se apresentam? É como Nicodemos ou aceita a surpresa de Deus?

2. Jesus compara a ação do Espírito Santo com o vento (Jo 3,8). O que esta comparação nos revela sobre a ação do Espírito de Deus na minha vida? Você já passou por alguma experiência que lhe deu a sensação de nascer de novo?

sexta-feira, 9 de abril de 2021

II Domingo da Páscoa - DOMINGO DA DIVINA MISERICÓRDIA


1ª Leitura (At 4,32-35): A multidão dos que haviam abraçado a fé tinha um só coração e uma só alma; ninguém chamava seu ao que lhe pertencia, mas tudo entre eles era comum. Os Apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus com grande poder e gozavam todos de grande simpatia. Não havia entre eles qualquer necessitado, porque todos os que possuíam terras ou casas vendiam-nas e traziam o produto das vendas, que depunham aos pés dos Apóstolos. Distribuía-se então a cada um conforme a sua necessidade.

Salmo Responsorial: 117

R. Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, porque é eterna a sua misericórdia.

Diga a casa de Israel: é eterna a sua misericórdia. Diga a casa de Aarão: é eterna a sua misericórdia. Digam os que temem o Senhor: é eterna a sua misericórdia.

A mão do Senhor fez prodígios, a mão do Senhor foi magnífica. Não morrerei, mas hei de viver, para anunciar as obras do Senhor. Com dureza me castigou o Senhor, mas não me deixou morrer.

A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se pedra angular. Tudo isto veio do Senhor: é admirável aos nossos olhos. Este é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria.

2ª Leitura (1Jo 5,1-6): Caríssimos: Quem acredita que Jesus é o Messias, nasceu de Deus, e quem ama Aquele que gerou ama também Aquele que nasceu d’Ele. Nós sabemos que amamos os filhos de Deus quando amamos a Deus e cumprimos os seus mandamentos, porque o amor de Deus consiste em guardar os seus mandamentos. E os seus mandamentos não são pesados, porque todo o que nasceu de Deus vence o mundo. Esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé. Quem é o vencedor do mundo senão aquele que acredita que Jesus é o Filho de Deus? Este é o que veio pela água e pelo sangue: Jesus Cristo; não só com a água, mas com a água e o sangue. É o Espírito que dá testemunho, porque o Espírito é a verdade.

Aleluia. Disse o Senhor a Tomé: «Porque Me viste, acreditaste; felizes os que acreditam sem terem visto». Aleluia.

Evangelho (Jo 20,19-31): Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, os discípulos estavam reunidos, com as portas fechadas por medo dos judeus. Jesus entrou e pôs-se no meio deles. Disse: «A paz esteja convosco». Dito isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos, então, se alegraram por verem o Senhor. Jesus disse, de novo: «A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou também eu vos envio». Então, soprou sobre eles e falou: «Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, serão perdoados; a quem os retiverdes, ficarão retidos». Tomé, chamado Gêmeo, que era um dos Doze, não estava com eles quando Jesus veio. Os outros discípulos contaram-lhe: «Nós vimos o Senhor!». Mas Tomé disse: «Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos, se eu não puser a mão no seu lado, não acreditarei». Oito dias depois, os discípulos encontravam-se reunidos na casa, e Tomé estava com eles. Estando as portas fechadas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». Depois disse a Tomé: «Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado e não sejas incrédulo, mas crê!». Tomé respondeu: «Meu Senhor e meu Deus!». Jesus lhe disse: «Creste porque me viste? Bem-aventurados os que não viram, e creram!». Jesus fez diante dos discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.

«Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, serão perdoados»

Rev. D. Joan Ant. MATEO i García (Tremp, Lleida, Espanha)

Hoje, segundo Domingo da Páscoa, completamos a oitava deste tempo litúrgico, uma das oitavas — juntamente com a do Natal — que a renovação litúrgica do Concílio Vaticano II manteve. Durante oito dias, contemplamos o mesmo mistério a aprofundamo-lo à luz do Espírito Santo.

Por desígnio do Papa João Paulo II, a este Domingo chama-se o Domingo da Divina Misericórdia. Trata-se de algo que vai muito mais além de uma devoção particular. Como explicou o Santo Padre na sua encíclica Dives in misericordia, a Divina Misericórdia é a manifestação amorosa de Deus em uma história ferida pelo pecado. A palavra “Misericórdia” tem a sua origem em duas palavras: “Miséria” e “Coração”. Deus coloca a nossa miserável situação devida ao pecado no Seu coração de Pai, que é fiel aos Seus desígnios. Jesus Cristo, morto e ressuscitado, é a suprema manifestação e atuação da Divina Misericórdia. «Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigénito» (Jo 3,16) e entregou-O à morte para que fossemos salvos. «Para redimir o escravo sacrificou o Filho», temos proclamado no Pregão pascal da Vígilia. E, uma vez ressuscitado, constituiu-O em fonte de salvação para todos os que creem nele. Pela fé e pela conversão, acolhemos o tesouro da Divina Misericórdia.

A Santa Madre Igreja, que quer que os seus filhos vivam da vida do Ressuscitado, manda que —pelo menos na Páscoa— se comungue na graça de Deus. A cinquentinha pascal é o tempo oportuno para cumprir esta determinação. É um bom momento para confessar-se, acolhendo o poder de perdoar os pecados que o Senhor ressuscitado conferiu à sua Igreja, já que Ele disse aos Apóstolos: «Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados» (Jo 20,22-23). Assim iremos ao encontro das fontes da Divina Misericórdia. E não hesitemos em levar os nossos amigos a estas fontes de vida: à Eucaristia e à Confissão. Jesus ressuscitado conta conosco.

“Meu Senhor e meu Deus”

Pe Antonio Rivero L.C.

Que os “Tomés” que andam por aí pedindo teimosamente provas e com a fé recaída se encontrem neste ano jubilar com Jesus misericordioso e que lhe mostre com carinho as suas chagas para que eles metam o seu dedo, creiam Nele e o anunciem por todas as partes do mundo.

Este domingo se chamava domingo “in albis”, ou seja, “in albis deponendis”, “o domingo no qual se despojam já os vestidos brancos” aqueles que antigamente tinham recebido o batismo na noite da Vigília Pascal. Hoje este domingo se chama, por indicação do Papa João Paulo II “Domingo II de Páscoa ou da divina misericórdia”. Neste ano da misericórdia este domingo deverá ser vivido com mais realce, se puder. Que ao passar junto dos nossos irmãos a nossa sombra reflita a luz de Cristo que os ilumina e consola (1ª leitura). E assim possam se encontrar com Cristo ressuscitado e exclamar com Tomé: “Meu Senhor e meu Deus” (Evangelho).

Em primeiro lugar, que muitos estão atravessando uma crise de fé, é evidente. Repetem o que os outros experimentara. Albert Camus no seu livro “a Peste” faz dizer o ateu Rieux, que não é mais que a sua mesma sombra: “Eu vivo na noite”, pois não podia compaginar a bondade de Deus e o sofrimento dos inocentes. O maior místico dos séculos na Igreja, São João da Cruz, diz: isto é “a noite escura da alma”, porque de Deus não sentia nem o consolo nem o olhar nem o sussurro. Santa Teresa de Lisieux: “Assaltam-me pensamentos como os que podem ter os piores materialistas”, porque Deus desaparecia para ela nos telões da criação. A Beata Teresa de Calcutá também viveu esta crise: “Há tanta contradição na minha alma: um profundo almejo de Deus, tão profundo que faz dano; um sofrimento contínuo, e com isso o sentimento de não ser querida por Deus, rejeitada, vazia, sem fé, sem amor, sem zelo… O céu não significa nada para mim, para mim parece um lugar vazio!”. Santa Teresa de Jesus, a grande mística de Ávila, descreve assim a sua: “ó valha-me Deus, e que são os trabalhos interiores e exteriores que padece uma alma até entrar na sétima morada… Nenhum consolo é admissível nesta tempestade…”. E, se fosse pouco, Jesus na cruz: Meu Deus, por que me abandonaste?!”. Ou seja que aqui, de Tomés pela vida afora, quem mais e quem menos. Pois a estes Tomés Jesus quer mostrar as suas chagas e curá-los, como o apóstolo Tomé.      

Em segundo lugar, o que fazer diante destas dúvidas e crises de fé? Culpar o ateísmo teórico do marxismo e os seus sequazes, o laicismo e esceticismo de intelectuais honradas ou baratos, o humanismo ateu de progressistas cavernícolas, que reduzem a religião à correção ética da vida ou ao compromisso social com o proletariado ou à auto realização da pessoa? Mas para dizer a verdade, parte da culpa está em alguns cristãos. Assim declararam os 2000 padres conciliares no Concílio Vaticano II ao falar do ateísmo em 1965: “também os que creem têm nisto a sua parte de responsabilidade…em quanto que, com o descuido da educação religiosa, ou com a exposição inadequada da doutrina ou inclusive com os defeitos da sua vida religiosa, moral e social, velaram mais que revelaram o genuíno rosto de Deus e da religião” (Gaudium et spes, 19). Também a estes crentes incoerentes Cristo ressuscitado quer lhes mostrar o seu lado aberto para convidá-los a meter a mão e voltar à fé simples que lhes transmitiram os seus avós e talvez a mãe de família. E assim possam exclamar de coração: “Meu Senhor e meu Deus”.   

Finalmente, e agora compete a nós ver a mensagem para cada um de nós. É o momento de revisar a nossa fé em Cristo ressuscitado, não seja que tenha algum Tomé escondido entre alguma greta do nosso coração ou da nossa mente. A todos nós chega a tentação de pedir a Deus um “seguro de felicidade”, ou pouco menos, ver o rosto de Deus, ou receber provas ou sinais de que vamos por bom caminho. Quem de nós não teve uma crise de fé, ou porque Deus parece ter entrado em eclipse na nossa vida, ou porque se acumularam as desgraças que nos fazem duvidar do seu amor, ou porque as tentações nos levam por caminhos não retos ou porque nos esfriamos no nosso fervor inicial? Jesus misericordioso quer se aproximar. Convida-nos a colocar o nosso dedo também nas suas chagas para que as nossas dúvidas se convertam em certezas, as nossas tristezas em alegrias, as nossas desconfianças em seguranças, a nossa teimosia em humildade, as nossas tempestades em calma. Aprendamos de Tomé a nos despojar de falsos apoios, a estar um pouco menos seguros de nós mesmos e aceitar a purificação que se supõem nesses momentos de escuridão. Se os santos tiveram esses momentos, quem somos nós para pedir a Deus que os tire de nós? “Meu Senhor e meu Deus”.

Para refletir: Como me comporto quando há nuvens escuras na minha vida? Tenho medos e me alimento de dúvidas? Ou ao contrário, esses momentos são ocasião para amadurecer na minha fé? Quantas vezes ao dia exclamo: “Meu Senhor e meu Deus”?

Para rezar: rezemos hoje a Maria e sempre que sintamos essas escuridões:
Sob a vossa proteção nos acolhemos,
Santa Mãe de Deus;
Não desprezeis as nossas súplicas
Que vos dirigimos
Nas nossas necessidades,
Antes bem livrai-nos de todo perigo,
Ó Virgem gloriosa e bendita!
Amém.

Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail:  arivero@legionaries.org

quinta-feira, 8 de abril de 2021

Sábado da oitava da Páscoa

1ª Leitura (At 4,13-21): Naqueles dias, os chefes do povo, os anciãos e os escribas, vendo a firmeza de Pedro e de João e verificando que eram homens iletrados e plebeus, ficaram surpreendidos. Reconheciam-nos como companheiros de Jesus, mas, como viam diante deles o homem que fora curado, nada podiam replicar. Mandaram-nos então sair do Sinédrio e começaram a deliberar entre si: «Que havemos de fazer a estes homens? Que se realizou por meio deles um milagre, sabem-no todos os habitantes de Jerusalém e não podemos negá-lo. Mas para que isto não continue a divulgar-se entre o povo, vamos intimá-los com ameaças que não falem desse nome a ninguém. Chamaram-nos então e proibiram-nos terminantemente falar ou ensinar em nome de Jesus. Mas Pedro e João responderam: «Se é justo aos olhos de Deus obedecer-vos antes a vós que a Ele, julgai-o vós próprios. Nós é que não podemos calar o que vimos e ouvimos». Depois de novas ameaças, puseram-nos em liberdade, pois não encontravam modo de os castigar, por causa do povo, uma vez que todos davam glória a Deus pelo que tinha acontecido.

Salmo Responsorial: 117

R. Eu Vos dou graças, Senhor, porque me ouvistes.

Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, porque é eterna a sua misericórdia. O Senhor é a minha força e a minha glória, foi Ele o meu salvador. Há gritos de júbilo e de vitória nas tendas dos justos.

A mão do Senhor fez prodígios, a mão do Senhor foi magnífica. Não morrerei, mas hei de viver para anunciar as obras do Senhor. Com dureza me castigou o Senhor, mas não me deixou morrer.

Abri-me as portas da justiça: entrarei para dar graças ao Senhor. Esta é a porta do Senhor: os justos entrarão por ela. Eu Vos darei graças porque me ouvistes e fostes o meu salvador.

Aleluia. Este é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria. Aleluia.

Evangelho (Mc 16,9-15): Ressuscitado na madrugada do primeiro dia depois do sábado, Jesus apareceu primeiro a Maria Madalena, de quem tinha expulsado sete demônios. Ela foi anunciar o fato aos seguidores de Jesus, que estavam de luto e choravam. Quando ouviram que ele estava vivo e tinha sido visto por ela, não acreditaram. Depois disso, Jesus apareceu a dois deles, sob outra aparência, enquanto estavam indo para o campo. Eles contaram aos outros. Também não acreditaram nesses dois. Por fim, Jesus apareceu aos onze discípulos, enquanto estavam comendo. Ele os criticou pela falta de fé e pela dureza de coração, porque não tinham acreditado naqueles que o tinham visto ressuscitado. E disse-lhes: «Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa Nova a toda criatura!».

«Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa Nova a toda criatura!»

P. Jacques PHILIPPE (Cordes sur Ciel, França)

Hoje, confiando em Jesus ressuscitado, temos de redescobrir o Evangelho como “boa nova”. O Evangelho não é uma lei que nos oprime. Alguma vez podemos cair na tentação de pensar que os que não são cristãos estão mais tranquilos do que nós e fazem o que querem, enquanto que nós temos de cumprir uma lista de mandamentos. É uma visão das coisas meramente superficial.

Pessoalmente, uma das minhas maiores preocupações é que o Evangelho se apresente sempre como uma boa nova, uma notícia feliz, que nos encha o coração de alegria e consolo.

Os ensinamentos de Jesus são sem dúvida exigentes, mas Teresa do Menino Jesus ajuda-nos a percebê-los realmente como uma boa nova, uma vez que para ela o Evangelho não é outra coisa senão a revelação da ternura de Deus, da misericórdia de Deus com cada um dos seus filhos, e aponta as leis da vida que levam à felicidade. O centro da vida cristã consiste em acolher com reconhecimento a ternura e a bondade de Deus - revelação do seu amor misericordioso - e deixar-se transformar por esse amor.

O itinerário espiritual seguido por Sta. Teresinha, o “pequeno caminho”, é um autêntico caminho de santidade, um caminho para todos, feito de tal maneira que ninguém pode desanimar, nem os mais humildes, nem os mais pobres, nem os mais pecadores. Teresa antecipa assim o Concílio Vaticano II que afirma com segurança que a santidade não é um caminho excepcional, mas um chamamento para todos os cristãos, do qual ninguém deve ser excluído. Até o mais vulnerável e miserável dos homens pode responder à chamada à santidade.

Esta santidade consiste num «caminho de confiança e amor». Assim, «o elevador que há de elevar-me até ao céu são os teus braços, Jesus! (…). Tu, meu Deus, superaste a minha esperança, e eu quero cantar as tuas misericórdias» (Santa Teresa de Lisieux).

«Maria Madalena foi anunciar o fato aos seguidores de Jesus, não acreditaram»

P. Raimondo M. SORGIA Mannai OP (San Domenico de Fiesole, Florença, Itália)

Hoje, o Evangelho nos oferece a oportunidade de meditar alguns aspectos que cada um de nós tem experiência: estamos certos de amar a Jesus, o consideramos o maior dos nossos amigos; não obstante, quem de nós poderia afirmar não tê-Lo traído nunca? Pensemos se, pelo menos alguma vez, não O vendemos mal, por algo ilusório de péssima envoltura. Em segundo lugar, ainda que estejamos frequentemente tentados a nos valorizar demais como cristãos, porém, o testemunho da nossa própria consciência nos impõe calar-nos e humilhar-nos, imitando o publicano que não ousava nem mesmo levantar a cabeça, batendo-se no peito, enquanto repetia: «Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador» (Lc 18,13).

Dito tudo isto, não pode surpreender-nos a conduta dos discípulos. Conheceram pessoalmente Jesus, apreciaram-lhe suas dotes da mente, do coração, as qualidades incomparáveis de sua predicação. Contudo, quando Jesus já havia ressuscitado, uma das mulheres do grupo —Maria Madalena— «Foi ela noticiá-lo aos que estiveram com ele, os quais estavam aflitos e chorosos» (Mc 16,10) e, ao invés de interromperem as lágrimas e começarem dançar de alegria, não lhe creem. É o sinal de que nosso centro de gravidade é a terra.

Os discípulos tinham ante eles próprios o anuncio inédito da Ressurreição, e, no entanto, preferem continuar afligindo-se deles mesmos. Pecamos, sim! Traímos-lhe, sim! Celebramos-lhe uma espécie de exéquias pagãs, sim! Depois de bater o peito, joguemo-nos aos seus pés, com a cabeça bem alta, olhando para cima, e de frente! Em marcha seguindo Ele, seguindo o seu ritmo. Disse sabiamente o escritor francês Gustave Flaubert: «Acho que se olhássemos sempre para o céu, acabaríamos adquirindo asas». O homem que estava imerso no pecado, na ignorância e na tibieza, desde hoje e para sempre saberá que, graças à Ressurreição de Cristo, «encontra-se como imerso na luz do meio dia».

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm

*  O evangelho de hoje faz parte de uma unidade literária mais ampla (Mc 16,9-20) que traz uma lista ou um resumo de várias aparições de Jesus: (1) Jesus aparece a Maria Madalena, mas os discípulos não aceitam o testemunho dela (Mc 16,9-11); (2) Jesus aparece a dois discípulos, mas os outros não creram no testemunho deles (Mc 16,12-13); (3) Jesus aparece aos Onze, critica a falta de fé e dá ordem de anunciar a Boa Nova a todos (Mc 16,14-18); (4) Jesus sobe ao céu e continua cooperando com os discípulos (Mc 16,19-20).

* Além desta lista de aparições do evangelho de Marcos, existem outras listas de aparições que nem sempre coincidem entre si. Por exemplo, a lista conservada por Paulo na carta aos Coríntios é bem diferente (1 Cor 15,3-8). Esta variedade mostra que, inicialmente, os cristãos não se preocupavam em provar a ressurreição por meio das aparições. Para eles a fé na ressurreição era tão evidente e tão vivida, que não havia necessidade de prova. Uma pessoa que toma banho de sol na praia não se preocupa em provar que o sol existe. Ela mesma, bronzeada, é a prova viva de que o sol existe. As comunidades, elas mesmas, existindo no meio daquele império imenso, eram uma prova viva da ressurreição. As listas das aparições começam a aparecer mais tarde, na segunda geração, para rebater as críticas dos adversários.

* Marcos 16,9-11: Jesus aparece a Maria de Mágdala, mas os outros discípulos não creram nela.  Jesus aparece primeiro a Maria Madalena. Ela foi anunciá-lo aos outros. Para vir ao mundo, Deus quis depender do sim de uma jovem de 15 ou 16 anos, chamada Maria, lá de Nazaré (Lc 1,38). Para ser reconhecido como vivo no meio de nós, quis depender do anúncio de uma moça que tinha sido libertada de sete demônios, também chamada Maria, lá de Mágdala! (Por isso, era chamada Maria Magdalena). Mas os outros não acreditaram nela. Marcos diz que Jesus apareceu primeiro a Madalena. Na lista das aparições, transmitida na carta aos Coríntios (1 Cor 15,3-8), já não constam as aparições de Jesus às mulheres. Os primeiros cristãos tiveram dificuldade de crer no testemunho das mulheres. É pena!

* Marcos 16,12-13: Jesus aparece a dois discípulos, mas os outros não creram neles.  Sem muitos detalhes, Marcos se refere a uma aparição de Jesus a dois discípulos, “enquanto estavam a caminho do campo”. Trata-se, provavelmente, de um resumo da aparição de Jesus aos discípulos de Emaús, narrada por Lucas (Lc 24,13-35). Marcos insiste em dizer que “os outros não acreditaram nem mesmo nestes”.

* Marcos 16,14-15: Jesus critica a incredulidade e manda anunciar a Boa Nova a todas as criaturas.  Por fim, Jesus aparece aos onze discípulos e os repreende por não terem acreditado nas pessoas que o tinham visto ressuscitado. Novamente, Marcos se refere à resistência dos discípulos em crer no testemunho daqueles e daquelas que experimentaram a ressurreição de Jesus. Por que será? Provavelmente, para ensinar três coisas. Primeiro, que a fé em Jesus passa pela fé nas pessoas que dão testemunho dele. Segundo, que ninguém deve desanimar, quando a dúvida e a descrença nascem no coração. Terceiro, para rebater as críticas dos que diziam que cristão é ingênuo e aceita sem crítica qualquer notícia, pois os onze discípulos tiveram muita dificuldade em aceitar a verdade da ressurreição!

* O evangelho de hoje termina com o envio: “Ide pelo mundo inteiro e proclamai a Boa Nova a toda criatura!” Jesus lhes confere a missão de anunciar a Boa Nova a toda a criatura.

Para um confronto pessoal

1)  Maria Madalena, os dois discípulos de Emaús e os onze discípulos: quem é que teve maior dificuldade em crer na ressurreição? Por que? Eu me identifico com qual deles?

2) Quais são os sinais que mais convencem as pessoas da presença de Jesus no nosso meio?

quarta-feira, 7 de abril de 2021

LADAINHA DE JESUS RESSUSCITADO

Senhor tende piedade de nós.
Cristo tende piedade de nós.
Senhor tende piedade de nós.
 
Cristo ouvi-nos.
Cristo atendei-nos.
 
Deus Pai do Céu, tende piedade nós.
Deus Filho Redentor do mundo ...
Deus Espirito Santo ...
Santíssima Trindade que sois um só́ Deus ...
 
Jesus, morto pelos nossos pecados e ressuscitado para nossa justificação,
TENDE PIEDADE DE NÓS.
Jesus, que ressuscitastes glorioso do sepulcro,
Jesus Ressuscitado, anunciado pelo anjo às santas mulheres,
Jesus Ressuscitado, que confiastes a Maria Madalena o primeiro anúncio da alegria pascal,
Jesus Ressuscitado, que caminhastes com os discípulos de Emaús,
Jesus Ressuscitado, que explicastes as Escrituras aos discípulos,
Jesus Ressuscitado, reconhecido ao partir do pão,
Jesus Ressuscitado, que vos manifestastes a Simão Pedro,
Jesus Ressuscitado, que aparecestes a Tiago,
Jesus Ressuscitado, que aparecestes aos apóstolos reunidos no Cenáculo,
Jesus Ressuscitado, que vos manifestastes a mais de quinhentos discípulos reunidos,
Jesus Ressuscitado, que concedestes à Igreja a missão de perdoar os pecados,
Jesus Ressuscitado, que confirmastes a fé de S. Tomé Apóstolo,
Jesus Ressuscitado, nosso Senhor e nosso Deus,
Jesus Ressuscitado, que vos manifestastes às margens do mar da Galileia,
Jesus Ressuscitado, reconhecido pelo discípulo amado,
Jesus Ressuscitado, que recebestes a confissão de amor do apóstolo Pedro,
Jesus Ressuscitado, que confiastes a Pedro o pastoreio das ovelhas,
Jesus Ressuscitado, que abençoastes os discípulos,
Jesus Ressuscitado, que prometestes permanecer conosco até o fim do mundo,
Jesus Ressuscitado, que subistes glorioso aos céus,
Jesus Ressuscitado, que enviastes o Espírito Santo prometido,
Jesus Ressuscitado, que aparecestes glorioso a S. Estêvão em seu martírio,
Jesus Ressuscitado, que vos manifestastes a S. Paulo no caminho de Damasco,
Jesus Ressuscitado, que morrestes e ressuscitastes para ser Senhor dos vivos e dos mortos,
Jesus Ressuscitado, estabelecido Filho de Deus, com poder, por sua ressurreição,
Jesus Ressuscitado, cumprimento das profecias e fundamento da nossa Fé,
Jesus Ressuscitado, no qual todas as coisas se fazem novas
Jesus Ressuscitado, por quem nos tornamos novas criaturas,
Jesus Ressuscitado, primícia dos que adormeceram e promessa da nossa  ressurreição,
Jesus Ressuscitado, em quem Deus fez habitar toda plenitude da divindade,
Jesus Ressuscitado, pedra rejeitada pelos construtores que se tornou a pedra angular,
Jesus Ressuscitado, que entrando no Céu estais diante de Deus e intercedeis em nosso favor,
Jesus Ressuscitado, por quem Deus nos reconciliou consigo, perdoando nossos pecados,
Jesus Ressuscitado, pelo qual nós temos acesso ao Pai, num só́ Espirito,
Jesus Ressuscitado, que recebestes do Pai o Espirito, e o derramastes sobre o mundo,
Jesus Ressuscitado, causa e modelo da nossa Ressurreição,
Jesus Ressuscitado, que ressuscitareis para a vida eterna todo aquele que crê em Vós,
Jesus Ressuscitado, Caminho, Verdade e Vida de todo aquele que crê em Vós,
Jesus Ressuscitado, que enviais discípulos a anunciar o Evangelho pelo mundo inteiro,
Jesus Ressuscitado, que nos tornastes filhos de Deus e herdeiros do Céu,
Jesus Ressuscitado, presente e atuante na Igreja,
Jesus Ressuscitado, que nos chamais a ressuscitar da morte do pecado,
Jesus Ressuscitado, em quem experimentamos liberdade de Filhos de Deus,
Jesus Ressuscitado, por quem nos tornamos morada de Deus pelo Espirito,
Jesus Ressuscitado, por quem nos tornamos membros do mesmo Corpo,
Jesus Ressuscitado, que abris nossa mente para entender as Escrituras,
Jesus Ressuscitado, que vos revelais a nós na Eucaristia,
Jesus Ressuscitado, que nos convidais a reviver a Vossa Páscoa em cada Eucaristia,
Jesus Ressuscitado, em quem experimentamos a vitória sobre a morte e o medo,
Jesus Ressuscitado, que confortais os que sofrem pela justiça,
Jesus Ressuscitado, em quem encontramos os meios necessários para a restauração da sociedade,
Jesus Ressuscitado, em quem já́ somos ressuscitados,
Jesus Ressuscitado, em quem vivemos, não para nós mesmos, mas para Deus,
Jesus Ressuscitado, que voltareis glorioso no fim dos tempos,
Jesus Ressuscitado, que vireis com poder e glória para julgar os vivos e os mortos,
Jesus Ressuscitado, que nos convidais a partilhar convosco a vida e a glória do Céu,
 
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos ...
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos ...
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, tende piedade ...

L: Salvador do Mundo salvai-nos.
T: Vós que nos libertastes pela Cruz e Ressurreição.

Oração:
Ó Deus, por vosso Filho unigênito, vencedor da morte, abristes para nós as portas da eternidade. Concedei que, celebrando a ressurreição do Senhor, e renovados pelo vosso Espírito, ressuscitemos na luz da vida nova. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Sexta-feira da oitava da Páscoa

1ª Leitura (At 4,1-12): Naqueles dias, estavam Pedro e João a falar ao povo, depois da cura do cego de nascença, quando surgiram os sacerdotes, o comandante do templo e os saduceus, irritados por eles estarem a ensinar o povo e a anunciar a ressurreição dos mortos que se verificara em Jesus. Apoderaram-se deles e, porque já era tarde, meteram-nos na prisão, até ao dia seguinte. Entretanto, muitos dos que tinham ouvido a palavra de Deus abraçaram a fé e o número de homens elevou-se a uns cinco mil. No dia seguinte, os chefes do povo, os anciãos e os escribas reuniram-se em Jerusalém, com o sumo sacerdote Anás, com Caifás, João e Alexandre, e todos os que eram da família dos príncipes dos sacerdotes. Mandaram vir os Apóstolos à sua presença e começaram a interrogá-los: «Com que poder ou em nome de quem fizestes semelhante coisa?» Então Pedro, cheio do Espírito Santo, disse-lhes: «Chefes do povo e anciãos, já que hoje somos interrogados sobre um benefício feito a um enfermo e o modo como ele foi curado, ficai sabendo todos vós e todo o povo de Israel: É em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, que vós crucificastes e Deus ressuscitou dos mortos, é por Ele que este homem se encontra perfeitamente curado na vossa presença. Jesus é a pedra que vós, os construtores, desprezastes e que veio a tornar se pedra angular. E em nenhum outro há salvação, pois não existe debaixo do céu outro nome, dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos».

Salmo Responsorial: 117

R. A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se pedra angular.

Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, porque é eterna a sua misericórdia. Diga a casa de Israel: é eterna a sua misericórdia. Digam os que temem o Senhor: é eterna a sua misericórdia.

A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se pedra angular. Tudo isto veio do Senhor: é admirável aos nossos olhos. Este é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria.

Senhor, salvai os vossos servos, Senhor, dai-nos a vitória. Bendito o que vem em nome do Senhor, da casa do Senhor nós vos abençoamos. O Senhor é Deus e fez brilhar sobre nós a sua luz.

Aleluia. Este é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria. Aleluia.

Evangelho (Jo 21,1-14): Depois disso, Jesus apareceu de novo aos discípulos, à beira do mar de Tiberíades. A aparição foi assim: Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Gêmeo, Natanael, de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos dele. Simão Pedro disse a eles: «Eu vou pescar». Eles disseram: «Nós vamos contigo». Saíram, entraram no barco, mas não pescaram nada naquela noite. Já de manhã, Jesus estava aí na praia, mas os discípulos não sabiam que era Jesus. Ele perguntou: «Filhinhos, tendes alguma coisa para comer?». Responderam: «Não». Ele lhes disse: «Lançai a rede à direita do barco e achareis». Eles lançaram a rede e não conseguiam puxá-la para fora, por causa da quantidade de peixes. Então, o discípulo que Jesus mais amava disse a Pedro: «É o Senhor!». Simão Pedro, ouvindo dizer que era o Senhor, vestiu e arregaçou a túnica (pois estava nu) e lançou-se ao mar. Os outros discípulos vieram com o barco, arrastando as redes com os peixes. Na realidade, não estavam longe da terra, mas somente uns cem metros. Quando chegaram à terra, viram umas brasas preparadas, com peixe em cima e pão. Jesus disse-lhes: «Trazei alguns dos peixes que apanhastes». Então, Simão Pedro subiu e arrastou a rede para terra. Estava cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes; e apesar de tantos peixes, a rede não se rasgou. Jesus disse-lhes: «Vinde comer». Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar quem era ele, pois sabiam que era o Senhor. Jesus aproximou-se, tomou o pão e deu a eles. E fez a mesma coisa com o peixe. Esta foi a terceira vez que Jesus, ressuscitado dos mortos, apareceu aos discípulos.

«Esta foi a terceira vez que Jesus, ressuscitado dos mortos, apareceu aos discípulos»

Rev. D. Joaquim MONRÓS i Guitart (Tarragona, Espanha)

Hoje, pela terceira vez Jesus aparece aos discípulos desde que ressuscitou. Pedro voltava ao seu trabalho de pescador e os outros se encorajam para acompanhá-lo. É lógico que como ele era pescador antes de seguir a Jesus, o continue sendo depois, não obstante haja quem ache estranho que ele não tenha abandonado seu honrado trabalho para seguir a Cristo.

Naquela noite eles não pescaram nada! Quando ao amanhecer Jesus aparece, eles não o reconhecem, até que Ele lhes pede algo para comer. Ao dizer-lhe que não têm nada, Ele lhes indica onde devem lançar a rede. Muito embora os pescadores saibam de todas as coisas, e neste caso tinham lutado sem conseguir resultados, eles lhe obedecem. «Oh, poder da obediência! — O lago de Genezaré negava seus peixes à rede de Pedro. Uma noite inteira em vão. – Agora, obediente, tornou a lançar a rede na água e pescaram (...) uma grande quantidade de peixes. Creiam em mim: o milagre se repete a cada dia» (São Josemaria Escrivá)

O evangelista faz notar que eram «cento e cinquenta e três» grandes peixes (cf. Jo 21,11) e, embora sendo tantos, as redes não se romperam. São detalhes que se deve ter em conta, já que a Redenção foi realizada com obediência responsável e em meio às tarefas habituais.

Todos sabiam «que era o Senhor. Jesus aproximou-se, tomou o pão e deu a eles» (cf. Jo 21, 12-13). Fez o mesmo com os peixes. Tanto o alimento espiritual como também o alimento material não faltarão, se obedecemos. Ele ensina aos seus seguidores mais próximos e nos torna a dizer através de João Paulo II: «No início do novo milênio ressoam no nosso coração as palavras com que um dia Jesus (...) convidou o Apóstolo a ‘fazer-se ao largo” para a pesca: ‘Duc in altumc’ (Lc 5,4). Pedro e os primeiros companheiros confiaram na palavra de Cristo e ‘pegaram uma grande quantidade de peixes’ (cf. Lc 5, 6). Estas palavras ressoam hoje aos nossos ouvidos».

Pela obediência, como a de Maria, pedimos ao Senhor que continue dando frutos apostólicos para toda a Igreja.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm

*  O evangelho de hoje faz parte de uma unidade literária mais ampla (Mc 16,9-20) que traz uma lista ou um resumo de várias aparições de Jesus: (1) Jesus aparece a Maria Madalena, mas os discípulos não aceitam o testemunho dela (Mc 16,9-11); (2) Jesus aparece a dois discípulos, mas os outros não creram no testemunho deles (Mc 16,12-13); (3) Jesus aparece aos Onze, critica a falta de fé e dá ordem de anunciar a Boa Nova a todos (Mc 16,14-18); (4) Jesus sobe ao céu e continua cooperando com os discípulos (Mc 16,19-20).

* Além desta lista de aparições do evangelho de Marcos, existem outras listas de aparições que nem sempre coincidem entre si. Por exemplo, a lista conservada por Paulo na carta aos Coríntios é bem diferente (1 Cor 15,3-8). Esta variedade mostra que, inicialmente, os cristãos não se preocupavam em provar a ressurreição por meio das aparições. Para eles a fé na ressurreição era tão evidente e tão vivida, que não havia necessidade de prova. Uma pessoa que toma banho de sol na praia não se preocupa em provar que o sol existe. Ela mesma, bronzeada, é a prova viva de que o sol existe. As comunidades, elas mesmas, existindo no meio daquele império imenso, eram uma prova viva da ressurreição. As listas das aparições começam a aparecer mais tarde, na segunda geração, para rebater as críticas dos adversários.

* Marcos 16,9-11: Jesus aparece a Maria de Mágdala, mas os outros discípulos não creram nela.  Jesus aparece primeiro a Maria Madalena. Ela foi anunciá-lo aos outros. Para vir ao mundo, Deus quis depender do sim de uma jovem de 15 ou 16 anos, chamada Maria, lá de Nazaré (Lc 1,38). Para ser reconhecido como vivo no meio de nós, quis depender do anúncio de uma moça que tinha sido libertada de sete demônios, também chamada Maria, lá de Mágdala! (Por isso, era chamada Maria Magdalena). Mas os outros não acreditaram nela. Marcos diz que Jesus apareceu primeiro a Madalena. Na lista das aparições, transmitida na carta aos Coríntios (1 Cor 15,3-8), já não constam as aparições de Jesus às mulheres. Os primeiros cristãos tiveram dificuldade de crer no testemunho das mulheres. É pena!

* Marcos 16,12-13: Jesus aparece a dois discípulos, mas os outros não creram neles.  Sem muitos detalhes, Marcos se refere a uma aparição de Jesus a dois discípulos, “enquanto estavam a caminho do campo”. Trata-se, provavelmente, de um resumo da aparição de Jesus aos discípulos de Emaús, narrada por Lucas (Lc 24,13-35). Marcos insiste em dizer que “os outros não acreditaram nem mesmo nestes”.

* Marcos 16,14-15: Jesus critica a incredulidade e manda anunciar a Boa Nova a todas as criaturas.  Por fim, Jesus aparece aos onze discípulos e os repreende por não terem acreditado nas pessoas que o tinham visto ressuscitado. Novamente, Marcos se refere à resistência dos discípulos em crer no testemunho daqueles e daquelas que experimentaram a ressurreição de Jesus. Por que será? Provavelmente, para ensinar três coisas. Primeiro, que a fé em Jesus passa pela fé nas pessoas que dão testemunho dele. Segundo, que ninguém deve desanimar, quando a dúvida e a descrença nascem no coração. Terceiro, para rebater as críticas dos que diziam que cristão é ingênuo e aceita sem crítica qualquer notícia, pois os onze discípulos tiveram muita dificuldade em aceitar a verdade da ressurreição!

* O evangelho de hoje termina com o envio: “Ide pelo mundo inteiro e proclamai a Boa Nova a toda criatura!” Jesus lhes confere a missão de anunciar a Boa Nova a toda a criatura.

Para um confronto pessoal

1)  Maria Madalena, os dois discípulos de Emaús e os onze discípulos: quem é que teve maior dificuldade em crer na ressurreição? Por que? Eu me identifico com qual deles?

2) Quais são os sinais que mais convencem as pessoas da presença de Jesus no nosso meio?

terça-feira, 6 de abril de 2021

COROA CARMELITA DAS SETE ALEGRIAS DE NOSSA SENHORA

Deus eterno e todo-poderoso, que sempre vos alegrais em derramar o fecundo orvalho de vossas graças sobre o perfumado jardim do Carmelo, concedei hoje este orvalho vivificador a todas as plantas cultivadas neste místico Jardim de Maria. Fazei que imitemos os exemplos dos santos e santas que nos precederam, vivendo só para Vós, na contínua meditação de vossa Santa Lei e na submissão a vossa vontade.

E vós, bondosíssima Virgem do Carmo, que com tantos favores honrais os Carmelitas, dirigi, do vosso trono, um piedoso olhar sobre todos os que fazemos parte de vossa privilegiada família; abençoai-nos e dignai-vos aceitar esta coroa de vossas principais alegrias, com a qual me proponho a honrar-vos neste dia; e concedei-me, enfim, que depois de viver cristãmente neste desterro, alcance o porto da glória, como já o alcançastes de vosso divino Filho Jesus para todos os que, invocando-vos com fé e imitando vossas virtudes, morrerem piedosamente com vosso Santo Escapulário. Amém.

1. A ANUNCIAÇÃO

"O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo te envolverá com sua sombra. Por isso aquele que nascer será chamado Filho do Altíssimo" (Lc 1,35)

Senhora do Carmo, Rainha do Céu, uno-me a vós na alegria que sentistes quando o Eterno Verbo se encarnou em vosso

puríssimo seio, e destes vosso pronto consentimento dizendo: "Eis aqui a serva do Senhor", sem nenhum prejuízo para vós, mas antes aumentando vossa inefável pureza.

PAI NOSSO + AVE MARIA + GLÓRIA

2. NASCIMENTO DE JESUS

"Maria deu à luz seu Filho primogênito e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria" (Lc 2,7).

Senhora do Carmo, Mãe Santíssima do Verbo Eterno, uno-me a vós na alegria que sentistes, quando destes à luz o Salvador, o tão desejado Messias, formado no vosso puríssimo seio, para resgatar o gênero humano, escravizado pela culpa de nossos primeiros pais.

PAI NOSSO + AVE MARIA + GLÓRIA

3. EPIFANIA

"Os Magos, entrando na casa, acharam o Menino com Maria, sua Mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram. Depois, abrindo seus tesouros, ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra." (Mt 2, 11)

Senhora do Carmo, Causa de nossa Alegria, uno-me a vós na alegria que sentistes, vendo os três Magos do Oriente, prostrados aos pés de vosso Filho, adorando-o como Senhor do mundo, trazendo-lhe ofertas e declarando-o Sumo-Sacerdote, Rei e Redentor.

PAI NOSSO + AVE MARIA + GLÓRIA

4. RESSURREIÇÃO DE JESUS

"O anjo disse às mulheres: Por que buscais entre os mortos aquele que está vivo? Não está aqui, mas ressuscitou" (Lc 24,5-6).

Senhora do Carmo, Virgem Imaculada, uno-me a vós na alegria que sentistes, vendo vosso Filho, ressuscitado e glorioso, sendo aniquilado o pecado, espoliado o inferno e consolado o Paraíso.

PAI NOSSO + AVE MARIA + GLÓRIA

5. ASCENSÃO

"Jesus foi elevado, à vista deles, e uma nuvem o retirou aos seus olhos. Continuavam olhando para o Céu, enquanto Jesus subia. Apresentaram-se a eles, então, dois homens vestidos de branco, que lhes disseram: 'Homens da Galileia, por que ficais aqui, parados, olhando para o céu? Esse Jesus que, do meio de vós, foi elevado ao Céu, virá assim, do mesmo modo como o vistes partir para o Céu" (At 1, 9-11).

Senhora do Carmo, Refúgio dos Pecadores, uno-me a vós na alegria que sentistes, vendo vosso amado Filho triunfante subir ao Céu, acompanhado e louvado pelos anjos, para reinar eternamente à direita do Eterno Pai.

PAI NOSSO + AVE MARIA + GLÓRIA

6. PENTECOSTES

"Todos eles perseveravam unanimemente na oração, juntamente com as mulheres, entre elas Maria, Mãe de Jesus" (At 1,14).

"Chegando o dia de Pentecostes estavam todos reunidos no mesmo lugar... e ficaram todos cheios do Espírito Santo" (At 2,14).

Senhora do Carmo, Mãe Castíssima, uno-me a vós na alegria que sentistes, quando, no dia de Pentecostes, fostes cumulada dos dons do Espírito Santo, estando com os apóstolos no Cenáculo, perseverantes e unânimes na oração.

PAI NOSSO + AVE MARIA + GLÓRIA

7. ASSUNÇÃO

“Apareceu um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas”. (Ap 12,1).

Senhora do Carmo, Virgem Gloriosa, uno-me a vós na alegria que sentistes, quando fostes elevada ao Céu em corpo e alma, para serdes coroada pela Santíssima Trindade como Rainha dos Céus e da Terra.

PAI NOSSO + AVE MARIA + GLÓRIA

SALVE RAINHA