segunda-feira, 5 de abril de 2021

Terça-feira da oitava da Páscoa

 São Pedro de Verona, Presbítero e Mártir

1ª Leitura (At 2,36-41): No dia de Pentecostes, disse Pedro aos judeus: «Saiba com absoluta certeza toda a casa de Israel que Deus fez Senhor e Messias esse Jesus que vós crucificastes». Ouvindo isto, sentiram todos o coração trespassado e perguntaram a Pedro e aos outros Apóstolos: «Que havemos de fazer, irmãos?» Pedro respondeu-lhes: «Convertei-vos e peça cada um de vós o Baptismo em nome de Jesus Cristo, para vos serem perdoados os pecados. Recebereis então o dom do Espírito Santo, porque a promessa desse dom é para vós, para os vossos filhos e para quantos, de longe, ouvirem o apelo do Senhor nosso Deus». E com muitas outras palavras os persuadia e exortava, dizendo: «Salvai-vos desta geração perversa». Os que aceitaram as palavras de Pedro receberam o Baptismo e naquele dia juntaram-se aos discípulos cerca de três mil pessoas.

Salmo Responsorial: 32

R. A bondade do Senhor encheu a terra.

A palavra do Senhor é reta, da fidelidade nascem as suas obras. Ele ama a justiça e a retidão: a terra está cheia da bondade do Senhor.

Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem, para os que esperam na sua bondade, para libertar da morte as suas almas e os alimentar no tempo da fome.

A nossa alma espera o Senhor: Ele é o nosso amparo e protetor. Venha sobre nós a vossa bondade, porque em Vós esperamos, Senhor.

Aleluia. Este é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria. Aleluia.

Evangelho (Jo 20,11-18): Maria tinha ficado perto do túmulo, do lado de fora, chorando. Enquanto chorava, inclinou-se para olhar dentro do túmulo. Ela enxergou dois anjos, vestidos de branco, sentados onde tinha sido posto o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. Os anjos perguntaram: «Mulher, por que choras». Ela respondeu: «Levaram o meu Senhor e não sei onde o colocaram». Dizendo isto, Maria virou-se para trás e enxergou Jesus, de pé, mas ela não sabia que era Jesus. Jesus perguntou-lhe: «Mulher, por que choras? Quem procuras?». Pensando que fosse o jardineiro, ela disse: «Senhor, se foste tu que o levaste, dize-me onde o colocaste, e eu irei buscá-lo». Então, Jesus falou: «Maria!». Ela voltou-se e exclamou, em hebraico: «Rabûni!»(que quer dizer: Mestre). Jesus disse: «Não me segures, pois ainda não subi para junto do Pai. Mas vai dizer aos meus irmãos: subo para junto do meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus». Então, Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: «Eu vi o Senhor», e contou o que ele lhe tinha dito.

«Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: ‘Eu vi o Senhor’»

+ Rev. D. Antoni ORIOL i Tataret (Vic, Barcelona, Espanha)

Hoje, na figura de Maria Madalena, podemos contemplar dois níveis de aceitação de nosso Salvador: imperfeito, o primeiro; completo, o segundo. Desde o primeiro, Maria se nos apresenta como uma sincera discípula de Jesus. Ela o segue, mestre incomparável; está heroicamente ligada, crucificado por amor; o busca, mais além da morte, sepultado e desaparecido. Quão impregnadas de admirável entrega ao seu “Senhor” são as duas exclamações que nos conservou, como pérolas incomparáveis, o evangelista João: «Levaram o meu Senhor e não sei onde o colocaram!» (Jo 20,13); «Senhor, se foste tu que o levaste, diz-me onde o colocaste, e eu irei buscá-lo» (Jo 20,15). Poucos discípulos contemplaram a história, tão carinhosos e leais como a Madalena.

No entanto, a boa noticia de hoje, desta terça-feira, oitava de Páscoa, supera infinitamente toda bondade ética e toda fé religiosa em um Jesus admirável, mas, em último término, morto; e nos traslada ao âmbito da fé no Ressuscitado. Aquele Jesus que, em um primeiro momento, deixando-a no nível da fé imperfeita, se dirige à Madalena perguntando-lhe: «Mulher, por que você está chorando» (Jo 20,15) e à qual ela, com olhos míopes, responde como corresponde a um hortelão que se interessa pelo seu sentimento; aquele Jesus, agora, em um segundo momento, definitivo, a interpelou com seu nome: «Maria!» e a comove até o ponto estremecê-la de ressurreição e de vida, isto é, Dele mesmo, o Ressuscitado, o Vivente por sempre. Resultado? Madalena crente e Madalena apóstolo: «Então Maria Madalena foi e anunciou aos seus discípulos: eu vi o senhor» e contou o que Jesus tinha dito (Jo 20,18).

Hoje não deixa de ser frequente o caso dos cristãos que não veem claro o mais além desta vida, assim, que duvidam da ressurreição de Jesus. Estarei entre eles? De modo semelhante são numerosos os cristãos que têm suficiente fé como para seguir-lhe privadamente, mas que temem proclamar apostolicamente. Faço parte desse grupo? Se assim for, como Maria Madalena, digamos-lhe: —Mestre!, abracemo-nos aos seus pés e vamos encontrar os nossos irmãos para dizer-lhes: —O Senhor ressuscitou e eu o vi.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* O Capítulo 20 de João, além da aparição de Jesus a Madalena, traz vários outros episódios que revelam a riqueza da experiência da ressurreição: (1) do discípulo amado e de Pedro (Jo 20,1-10); (2) de Maria Madalena (Jo 20,11-18); (3) da comunidade dos discípulos (Jo 20,19-23) e (4) do apóstolo Tomé (Jo 20,24-29). O objetivo da redação do Evangelho é levar as pessoas a crer em Jesus e, acreditando nele, ter a vida (Jo 20,30-3).

* Na maneira de descrever a aparição de Jesus a Maria Madalena transparecem as etapas da travessia que ela teve de fazer, desde a busca dolorosa até o reencontro da Páscoa. Estas são também as etapas pelas quais passamos todos nós, ao longo da vida, na busca em direção a Deus e na vivência do Evangelho.

* João 20,11-13: Maria Madalena chora, mas busca.  Havia um amor muito grande entre Jesus e Maria Madalena. Ela foi uma das poucas pessoas que tiveram a coragem de ficar com Jesus até a hora da sua morte na cruz. Depois do repouso obrigatório do sábado, ela voltou ao sepulcro para estar no lugar onde tinha encontrado o Amado pela última vez. Mas, para a sua surpresa, o sepulcro estava vazio! Os anjos perguntam: "Por que você chora?" Resposta: "Levaram meu senhor e não sei onde o colocaram!" Maria Madalena buscava o Jesus, o mesmo Jesus, que ela tinha conhecido e com quem tinha convivido durante três anos.

* João 20,14-15: Maria Madalena conversa com Jesus sem reconhecê-lo. Os discípulos de Emaús viram Jesus mas não o reconheceram (Lc 24,15-16). O mesmo acontece com Maria Madalena. Ela vê Jesus, mas não o reconhece. Pensa que é o jardineiro. Como os anjos, Jesus pergunta: "Por que você chora?" E acrescenta: "A quem está procurando?" Resposta: "Se foi você que o levou, diga-me, que eu vou buscá-lo!" Ela ainda busca o Jesus do passado, o mesmo de três dias atrás. É a imagem de Jesus do passado que a impede de reconhecer o Jesus vivo, presente na frente dela.

* João 20,16: Maria Madalena reconhece Jesus. Jesus pronuncia o nome: "Maria!" Foi o sinal de reconhecimento: a mesma voz, o mesmo jeito de pronunciar o nome. Ela responde: "Mestre!" Jesus tinha voltado, o mesmo que tinha morrido na cruz. A primeira impressão é que a morte foi apenas um incidente doloroso de percurso, mas que agora tudo tinha voltado a ser como antes. Maria abraça Jesus com força. Era o mesmo Jesus que ela tinha conhecido e amado. Realiza-se o que dizia a parábola do Bom Pastor: "Ele as chama pelo nome e elas conhecem a sua voz". - "Eu conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem" (Jo 10,3.4.14).

4. João 20,17-18: Maria Madalena recebe a missão de anunciar a ressurreição aos apóstolos.  De fato, é o mesmo Jesus, mas a maneira de ele estar junto dela já não é mais a mesma. Jesus lhe diz: "Não me segure, porque anda não subi para o Pai!" Ele vai para junto do Pai. Maria Madalena deve soltar Jesus e assumir sua missão: anunciar aos irmãos que ele, Jesus, subiu para o Pai. Jesus abriu o caminho para nós e fez com que Deus ficasse, de novo, perto de nós.

Para um confronto pessoal

1. Você já passou por uma experiência que lhe deu um sentimento de perda e de morte? Como foi? O que foi que lhe trouxe vida nova e lhe devolveu a esperança e a alegria de viver?

2. Qual a mudança que se operou em Maria Madalena ao longo do diálogo? Maria Madalena buscava Jesus de um jeito e o reencontrou de outro jeito. Como isto acontece hoje na nossa vida?

sexta-feira, 2 de abril de 2021

Segunda-feira da oitava da Páscoa

 São Vicente Ferrer, presbítero

1ª Leitura (At 2,14.22-33): No dia de Pentecostes, Pedro, de pé, com os onze Apóstolos, ergueu a voz e falou ao povo: «Homens da Judeia e vós todos que habitais em Jerusalém, compreendei o que está a acontecer e ouvi as minhas palavras: Jesus de Nazaré foi um homem acreditado por Deus junto de vós com milagres, prodígios e sinais, que Deus realizou no meio de vós, por seu intermédio, como sabeis. Depois de entregue, segundo o desígnio imutável e a previsão de Deus, vós destes-Lhe a morte, cravando-O na cruz pela mão de gente perversa. Mas Deus ressuscitou-O, livrando-O dos laços da morte, porque não era possível que Ele ficasse sob o seu domínio. Diz David a seu respeito: ‘O Senhor está sempre na minha presença, com Ele a meu lado não vacilarei. Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta e até o meu corpo descansa tranquilo. Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos, nem deixareis o vosso Santo sofrer a corrupção. Destes-me a conhecer os caminhos da vida, a alegria plena em vossa presença’. Irmãos, seja-me permitido falar-vos com toda a liberdade: o patriarca David morreu e foi sepultado e o seu túmulo encontra-se ainda hoje entre nós. Mas, como era profeta e sabia que Deus lhe prometera sob juramento que um descendente do seu sangue havia de sentar-se no seu trono, viu e proclamou antecipadamente a ressurreição de Cristo, dizendo que Ele não O abandonou na mansão dos mortos, nem a sua carne conheceu a corrupção. Foi este Jesus que Deus ressuscitou e disso todos nós somos testemunhas. Tendo sido exaltado pelo poder de Deus, recebeu do Pai a promessa do Espírito Santo, que Ele derramou, como vedes e ouvis».

Salmo Responsorial: 15

R. Defendei-me, Senhor: Vós sois o meu refúgio.

Senhor, porção da minha herança e do meu cálice, está nas vossas mãos o meu destino. O Senhor está sempre na minha presença, com Ele a meu lado não vacilarei.

Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta, e até o meu corpo descansa tranquilo. Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos, nem deixareis o vosso fiel sofrer a corrupção.

Dar-me-eis a conhecer os caminhos da vida, alegria plena em vossa presença, delícias eternas à vossa direita.

Aleluia. Este é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria. Aleluia.

Evangelho (Mt 28,8-15): As mulheres partiram depressa do sepulcro. Estavam com medo, mas correram com grande alegria, para dar a notícia aos discípulos.  Nisso, o próprio Jesus veio-lhes ao encontro e disse: «Alegrai-vos!». Elas se aproximaram e abraçaram seus pés, em adoração. Jesus lhes disse: «Não tenhais medo; ide anunciar a meus irmãos que vão para a Galileia. Lá me verão». Quando foram embora, alguns da guarda entraram na cidade e comunicaram aos sumos sacerdotes o que tinha acontecido. Reunidos com os anciãos, deliberaram dar bastante dinheiro aos soldados; e instruíram-nos: «Contai o seguinte: ‘Durante a noite vieram os discípulos dele e o roubaram, enquanto estávamos dormindo’. E se isso chegar aos ouvidos do governador, nós o tranquilizaremos, para que não vos castigue». Eles aceitaram o dinheiro e fizeram como lhes fora instruído. E essa versão ficou divulgada entre os judeus, até o presente dia.

«E saindo às pressas do túmulo, com sentimentos de temor e de grande alegria, correram para dar a notícia aos discípulos»

Rev. D. Joan COSTA i Bou (Barcelona, Espanha)

Hoje, a alegria da ressurreição faz das mulheres que foram ao túmulo, mensageiras valentes de Cristo. «Uma grande alegria» sentem em seus corações pelo anuncio do anjo sobre a ressurreição do Mestre. E foram «correndo» do túmulo a anunciar aos Apóstolos. Não podem ficar inativas e seus corações explodiriam se não o comunicavam a todos os discípulos. Ressoam em nossas almas as palavras de Paulo: «O amor de Cristo nos impele» (2Cor 5,14).

Jesus faz se o «encontradiço»: o faz com Maria Madalena e a outra Maria —assim agradece e paga Cristo sua ousadia de buscá-lo muito cedo pela manhã— e também o faz com todos os homens e mulheres do mundo.

As reações das mulheres ante a presença do Senhor expressam as atitudes mais profundas do ser humano diante de Aquele que é o nosso Criador e Redentor: a submissão—«abraçaram seus pés» (Mt 28,9) — e a adoração. Que grande lição para apreender a estar diante de Cristo Eucaristia!

«Não tenhais medo» (Mt 28,10), diz Jesus às santas mulheres. Medo do Senhor? Nunca, se é o Amor dos amores! Temor de perdê-lo? Sim, porque conhecemos a própria debilidade. Por isso abracemo-nos bem forte aos seus pés. Como aos Apóstolos no mar embravecido e os discípulos de Emaús peçamos-lhe: Senhor, não nos deixes!

E o Mestre envia as mulheres a anunciar a boa nova aos discípulos. Essa é também tarefa nossa, e missão divina desde o dia do nosso batismo: anunciar a Cristo por todo o mundo, «para que todo o mundo possa encontrar a Cristo, para que Cristo possa percorrer com cada um o caminho da vida, com a potência da verdade (...) que contém o mistério da Encarnação e da Redenção, com a potência do amor que irradia dela» (João Paulo II).

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm

* Páscoa! O evangelho de hoje descreve a experiência de ressurreição das discípulas de Jesus. No início do seu evangelho, ao apresentar Jesus, Mateus tinha dito que Jesus é Emanuel, Deus Conosco (Mt 1,23). Agora, no fim, ele comunica e amplia a mesma certeza da fé, pois proclama que Jesus ressuscitou (Mt 28,6) e que ele estará conosco sempre, até o fim dos tempos! (Mt 28,20). Nas contradições da vida, esta verdade muitas vezes é contestada. Não faltam as oposições. Os inimigos, os chefes dos judeus, se defendem contra a Boa Notícia da ressurreição e mandaram dizer que o corpo foi roubado pelos discípulos (Mt 28,11-13). Tudo isto acontece hoje. De um lado, o esforço de tanta gente boa para viver e testemunhar a ressurreição. De outro lado, tanta gente maldosa que combate a ressurreição e a vida.

* No evangelho de Mateus, a verdade da ressurreição de Jesus é contada através de uma linguagem simbólica, que revela o sentido escondido dos acontecimentos. Mateus fala de tremor de terra, de relâmpagos e anjos que anunciam a vitória de Jesus sobre a morte (Mt 28,2-4). É a linguagem apocalíptica, muito comum naquela época, para anunciar que, finalmente, o mundo foi transformado pelo poder de Deus! Realizou-se a esperança dos pobres que reafirmam sua fé: “Ele está vivo, no meio de nós!”

* Mateus 28,8: A alegria da Ressurreição vence o medo.  Na madrugada do domingo, o primeiro dia da semana, duas mulheres foram ao sepulcro, Maria Madalena e Maria de Tiago, chamada a outra Maria. De repente, a terra tremeu e um anjo apareceu como um relâmpago. Os guardas que estavam vigiando o túmulo desmaiaram. As mulheres ficaram com medo, mas o anjo as reanimou, anunciando a vitória de Jesus sobre a morte e enviando-as a reunir os discípulos de Jesus na Galileia. É na Galileia que eles poderão vê-lo de novo. Lá, onde tudo começou, acontecerá a grande revelação do Ressuscitado. A alegria da ressurreição começa a vencer o medo. Inicia-se o anúncio da vida e da ressurreição.

* Mateus 28,9-10, A aparição de Jesus às mulheres.  As mulheres saem correndo. Dentro delas, há um misto de medo e de alegria. Sentimentos próprios de quem faz uma profunda experiência do Mistério de Deus. De repente, o próprio Jesus vai ao encontro delas e diz: “Alegrai-vos!”. Elas se prostram e o adoram. É a postura de quem acredita e acolhe a presença de Deus, mesmo que ela surpreenda e ultrapasse a capacidade humana de compreensão. Agora é o próprio Jesus que dá a ordem de reunir os irmãos na Galileia: "Não tenham medo. Vão anunciar aos meus irmãos que se dirijam para a Galileia. Lá eles me verão".

* Mateus 28,11-15: A astúcia dos inimigos da Boa Nova.  A mesma oposição que Jesus encontrou em vida, aparece agora depois da sua ressurreição. Os chefes dos sacerdotes se reúnem e dão dinheiro aos guardas. Eles devem espalhar o boato de que os discípulos roubaram o corpo de Jesus e inventaram essa conversa de ressurreição. Os chefes recusam e combatem a Boa Notícia da Ressurreição. Preferem acreditar que tudo não passou de uma invenção dos discípulos e das discípulas de Jesus.

O significado do testemunho das mulheres.  A presença das mulheres na morte, no enterro e na ressurreição de Jesus é significativa. Elas testemunharam a morte de Jesus (Mt 27,54-56). No momento do enterro, elas ficaram sentadas diante do sepulcro e, portanto, podiam dar testemunho do lugar onde fora colocado o corpo de Jesus (Mt 27,61). Agora, na madrugada do domingo, elas estão lá de novo. Sabem que aquele sepulcro vazio é realmente o de Jesus! A profunda experiência de morte e ressurreição que elas fizeram transformou suas vidas. Elas mesmas ressuscitaram e se tornaram testemunhas qualificadas da ressurreição nas Comunidades cristãs. Por isso, recebem a ordem de anunciar: "Jesus está vivo! Ele ressuscitou!"

Para um confronto pessoal

1) Qual é a experiência de ressurreição na minha vida? Existe em mim alguma força que procura combater a experiência de ressurreição? Como reajo?

2) Qual é hoje a missão da nossa comunidade como discípulos e discípulas de Jesus? De onde podemos tirar força e coragem para cumprir nossa missão?

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Domingo de Páscoa

VIGILIA PASCAL

Evangelho (Mc 16,1-7): Quando terminou o sábado, Maria Madalena, Salomé e Maria, mãe de Tiago, compraram especiarias aromáticas para ungir o corpo de Jesus. No primeiro dia da semana, bem cedo, ao nascer do sol, elas se dirigiram ao sepulcro, perguntando umas às outras: "Quem removerá para nós a pedra da entrada do sepulcro?" Mas, quando foram verificar, viram que a pedra, que era muito grande, havia sido removida. Entrando no sepulcro, viram um jovem vestido de roupas brancas assentado à direita e ficaram amedrontadas. "Não tenham medo", disse ele. "Vocês estão procurando Jesus, o Nazareno, que foi crucificado. Ele ressuscitou! Não está aqui. Vejam o lugar onde o haviam posto. Vão e digam aos discípulos dele e a Pedro: Ele está indo adiante de vocês para a Galileia. Lá vocês o verão, como ele disse."

«Jesus de Nazaré, o Crucificado. Ressuscitou»

+ Mons. Ramon MALLA i Call ( Bispo Emérito de Lleida (Lleida, Espanha)

Hoje, a Igreja celebra com júbilo a festa principal: o triunfo de sua Cabeça, Cristo Jesus. A Ressurreição de Jesus Cristo é um fato do qual não podemos duvidar. É compreensível que não seja estranho que um fato celestial, um corpo ressuscitado, não possa ser captado por meios terrenais. Mas, logo Maria Madalena e a mãe do Apóstolo Thiago, recebiam um testemunho indubitável, comprovado depois com muitas aparições, realizadas de modo tal que excluem totalmente a suspeita de alucinações. «Não vos assusteis! Procurais Jesus, o nazareno, aquele que foi crucificado? Ele ressuscitou! Não está aqui! Vede o lugar onde o puseram!» (Mc 16,6).

Além do gozo pelo fato da Ressurreição de Cristo, este acontecimento nos trai a alegria de contar com uma resposta, jubilosa e clara, aos interrogantes do homem: Que nos espera no final da vida? Que sentido tem o sofrimento na Terra? Não podemos duvidar que, depois da morte, espera-nos uma vida nova, que será eterna: «Lá o vereis, como ele vos disse!» (Mc 16,7). São Paulo o afirma com grande convencimento: «E, se já morremos com Cristo, cremos que também viveremos com Ele. Sabemos que Cristo, ressuscitado, dos mortos, não morre mais. A morte não tem mais poder sobre ele» (Rom 6,8-9). Logicamente, à interrogante sobre o final da vida, o cristão responde com alegre esperança.

O Evangelho de hoje ressalta que o jovem —o anjo— que fala às mulheres, une os dois conceitos de dor e glória: O que ressuscitou no mesmo que foi crucificado. Diz são Leão Magno: «...(pela tua cruz) os crentes recebem a força da debilidade, glória do opróbio e, vida da morte», as cruzes quotidianas são, então, caminho da Ressurreição.

Missa do dia

1ª Leitura (At 10,34a.37-43): Naqueles dias, Pedro tomou a palavra e disse: «Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do baptismo que João pregou: Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando a todos os que eram oprimidos pelo Demónio, porque Deus estava com Ele. Nós somos testemunhas de tudo o que Ele fez no país dos judeus e em Jerusalém; e eles mataram-n'O, suspendendo-O na cruz. Deus ressuscitou-O ao terceiro dia e permitiu-Lhe manifestar-Se¬, não a todo o povo, mas às testemunhas de antemão designadas por Deus, a nós que comemos e bebemos com Ele, depois de ter ressuscitado dos mortos. Jesus mandou-nos pregar ao povo e testemunhar que Ele foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos. É d'Ele que todos os profetas dão o seguinte testemunho: quem acredita n’Ele recebe pelo seu nome a remissão dos pecados».

Salmo Responsorial: 117

R. Este é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria.

Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, porque é eterna a sua misericórdia. Diga a casa de Israel: é eterna a Sua misericórdia.

A mão do Senhor fez prodígios, a mão do Senhor foi magnífica. Não morrerei, mas hei-de viver, para anunciar as obras do Senhor.

A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se pedra angular. Tudo isto veio do Senhor: e é admirável aos nossos olhos.

2ª Leitura (Col 3,1-4): Irmãos: Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde Cristo Se encontra, sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da terra. Porque vós morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a vossa vida, Se manifestar, então também vós vos haveis de manifestar com Ele na glória.

SEQUÊNCIA PASCAL

À Vítima pascal Ofereçam os cristãos sacrifícios de louvor O Cordeiro resgatou as ovelhas: Cristo, o Inocente, reconciliou com o Pai os pecadores.

A morte e a vida travaram um dmirável combate: depois de morto, vive e reina o Autor da vida. Diz-nos, Maria: Que viste no caminho? Vi o sepulcro de Cristo vivo, e a glória do ressuscitado. Vi as testemunhas dos Anjos, vi o sudário e a mortalha.

Ressuscitou Cristo, minha esperança: precederá os seus discípulos na Galileia. Sabemos e acreditamos: Cristo ressuscitou dos mortos: Ó Rei vitorioso, tende piedade de nós.

Aleluia. Cristo, nosso Cordeiro Pascal, foi imolado: celebremos a festa do Senhor. Aleluia.

Evangelho (Jo 20,1-9): No primeiro dia da semana, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, Maria Madalena foi ao túmulo e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo. Ela saiu correndo e foi se encontrar com Simão Pedro e com o outro discípulo, aquele que Jesus mais amava. Disse-lhes: «Tiraram o Senhor do túmulo e não sabemos onde o colocaram». Pedro e o outro discípulo saíram e foram ao túmulo. Os dois corriam juntos, e o outro discípulo correu mais depressa, chegando primeiro ao túmulo. Inclinando-se, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou. Simão Pedro, que vinha seguindo, chegou também e entrou no túmulo. Ele observou as faixas de linho no chão, e o pano que tinha coberto a cabeça de Jesus: este pano não estava com as faixas, mas enrolado num lugar à parte. O outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo, entrou também, viu e creu. De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos.

«O outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo, entrou também, viu e creu»

Mons. Joan Enric VIVES i Sicília Bispo de Urgell (Lleida, Espanha)

Hoje «é o dia que o Senhor fez», iremos cantando ao longo de toda a Páscoa. Essa expressão do Salmo 117 inunda a celebração da fé cristã, O Pai ressuscitou a seu Filho Jesus Cristo, o Amado, Aquele em quem se compraz porque amou a ponto de dar sua vida por todos.

Vivamos a Páscoa com muita alegria. Cristo ressuscitou: celebremo-lo cheios de alegria e de amor. Hoje, Jesus Cristo venceu a morte, o pecado, a tristeza… e nos abriu as portas da nova vida, a autêntica vida que o Espírito Santo continua a nos dar por pura graça. Que ninguém fique triste! Cristo é nossa Paz e nosso Caminho para sempre. Ele, hoje, «revela o homem a si mesmo e descobre-lhe a sua vocação sublime» (Concílio Vaticano II, Gaudium et Spes 22).

O grande sinal que nos dá o Evangelho é que o sepulcro de Jesus está vazio. Já não temos de procurar entre os mortos Aquele que vive, porque ressuscitou. E os discípulos, que depois o verão Ressuscitado, isto é, que o experimentarão vivo em um maravilhoso encontro de fé, percebem que há um vazio no lugar de sua sepultura. Sepulcro vazio e aparições serão os grandes sinais para a fé do crente. O Evangelho diz que «o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo, entrou também, viu e creu» (Jo 20,8). Ele soube compreender, pela fé, que aquele vazio e, por sua vez, aquela mortalha e aquele sudário bem dobrados, eram pequenos sinais do passo de Deus, da nova vida. O amor sabe captar, a partir de pequenos detalhes, o que os outros, sem ele, não captam. O «discípulo que Jesus mais amava» (Jo 20,2) guiava-se pelo amor que havia recebido de Cristo.

O “ver” e o “crer” dos discípulos hão de ser também os nossos. Renovemos nossa fé pascoal. Que Cristo seja, em tudo, o nosso Senhor. Deixemos que sua Vida vivifique a nossa e renovemos a graça do batismo que recebemos. Façamo-nos seus apóstolos e seus discípulos. Guiemo-nos pelo amor e anunciemos a todo o mundo a felicidade de crer em Jesus Cristo. Sejamos testemunhos esperançosos de sua Ressurreição.

Sábado Santo, o dia do silêncio

O Sábado Santo é o dia entre a dor pela morte de Jesus e a alegria da sua ressurreição. A comunidade está em silêncio, à espera, também recordando a perplexidade dos apóstolos após a morte de Cristo. Os protagonistas são o recolhimento e a meditação.

Roberta Barbi - Cidade do Vaticano

O Sábado Santo, ou Grande Sábado, foi justamente definido por alguém como "o mais longo dos dias", um tempo de reflexão, que pode ampliar-se na vida de cada um. Não há celebrações, é um dia "alitúrgico", não nos aproximamos da Eucaristia, mas espera-se em silêncio, para reviver a consternação dos apóstolos após a morte de Jesus.

Mesmo iniciando na noite de sábado, de fato, a Vigília Pascal é considerada parte da liturgia da Páscoa da Ressurreição. É também o dia da "crise" da Palavra: os próprios Evangelhos não falam nada, podemos somente imaginar que este seja o tempo em que o corpo de Jesus permanece no sepulcro, enquanto os apóstolos, sendo um dia de repouso para os judeus, permanecem sem saber o que aconteceria a seguir.

Nem sempre foi silêncio ...

A reforma litúrgica de Pio XII de uma certa maneira "restaurou" o Sábado Santo como dia de silêncio e de espera, no qual todo cristão, ainda hoje, medita sobre a morte de Jesus e sobre a própria, exercitando-se na espera desta última, o inevitável fim da vida terrena. Neste dia, a fé é provada porque o Messias está morto e ninguém sabe o que irá acontecer,  pode-se somente viver na espera de que o vazio que se sente seja preenchido.

O dia da descida à mansão dos mortos

Mesmo que tudo esteja em silêncio, Cristo age. Segundo antiga tradição, de fato, neste dia Jesus desce à mansão dos mortos, nas profundezas do reino da morte, para salvar o homem e levá-lo consigo para o céu, onde nos precede e onde nos espera de braços abertos. Lá, encontra Adão, o primeiro homem que aqui simboliza toda a humanidade, o sacode, o desperta e lhe dá o anúncio da salvação do qual ninguém está excluído, colocando de fato uma ponte entre o sepulcro e o Reino de Deus. Jesus carrega a arma infalível da Cruz, porque "com a morte vence a morte".

A hora da mãe

Há cerca de trinta anos, o Sábado Santo é também o dia em que, segundo a tradição bizantina, celebra-se a Hora da Mãe. Em outras palavras, concentra-se na figura de Maria, na qual à dor pela morte de seu filho une-se a esperança de sua ressurreição.

Maria é referida como Mater Dolorosa já por Santo Inácio de Loyola; deixamo-lo aos pés da Cruz, abandonada pelo Filho que morreu e que antes de expirar a confiou a João, porque Maria, chamada à missão de Mãe, não pode permanecer sem filhos. Mas a dor e a fé de Maria aqui, são a dor e a fé das quais nasce toda a Igreja, que ali está, com ela, aos pés da Cruz, sendo iluminada pela esperança. A partir do Ano Mariano de 1987, esta celebração em Roma realiza-se na Basílica de Santa Maria Maior. 

P. Jacques PHILIPPE (Cordes sur Ciel, França)

Hoje, não meditamos nenhum evangelho em particular, dado que é um dia que carece de liturgia. Mas, com Maria, a única que permaneceu firme na fé e na esperança depois da trágica morte de seu Filho, preparamo-nos, no silêncio e na oração, para celebrar a festa da nossa libertação em Cristo, que é o cumprimento do Evangelho.

A coincidência temporal dos acontecimentos entre a morte e a ressurreição do Senhor e a festa judaica anual da Páscoa, memorial da libertação da escravidão no Egito, permite compreender o sentido libertador da cruz de Jesus, novo cordeiro pascal, cujo sangue nos preserva da morte.

Outra coincidência no tempo, menos assinalada porém sem dúvida muito rica em significado, é a que existe com a festa judaica semanal do “Sabbat”. Esta começa na tarde de sexta-feira, quando a mãe de família acende as luzes em cada casa judia, terminando no sábado de tarde. Recordando que depois do trabalho da criação, depois de ter feito o mundo do nada, Deus descansou no sétimo dia. Ele quis que também o homem descanse no sétimo dia, em ação de graças pela beleza da obra do Criador, e como sinal da aliança de amor entre Deus e Israel, sendo Deus invocado na liturgia judaica do Sabbat como o esposo de Israel. O Sabbat é o dia em que se convida cada um a acolher a paz de Deus, o seu “Shalom”.

Deste modo, depois do doloroso trabalho da cruz, «em que o homem é forjado de novo» segundo a expressão de Catarina de Sena, Jesus entra no seu descanso no mesmo momento em que se acendem as primeiras luzes do Sabbat: “Tudo está realizado” (Jo 19,30). Agora completou-se a obra da nova criação: o homem, antigo prisioneiro do nada do pecado, converte-se numa nova criatura em Cristo. Uma nova aliança entre Deus e a humanidade, que nada poderá jamais romper, acaba de ser selada, já que doravante toda a infidelidade pode ser lavada no sangue e na água que brotam da cruz.

Diz a Carta aos Hebreus: «Por isso, resta um repouso sabático para o povo de Deus» (Heb 4,9). A fé em Cristo a ele nos dá acesso. Que o nosso verdadeiro descanso, a nossa paz profunda, não a de um só dia, mas para toda a vida, seja uma esperança total na infinita misericórdia de Deus, de acordo com o convite do Salmo 16: «A minha carne descansará na esperança, pois tu não entregarás a minha alma ao abismo». Que nos preparemos com um coração novo para celebrar na alegria as bodas do Cordeiro e nos deixemos desposar plenamente pelo amor de Deus manifestado em Cristo.

+ Pe. Joan BUSQUETS i Masana (Sabadell, Barcelona, Espanha)

Hoje, propriamente, não há “evangelho” para meditar ou —melhor— deveríamos meditar todo o Evangelho em maiúscula (a Boa Nova), porque todo ele desemboca no que hoje recordamos: a entrega de Jesus à Morte para ressuscitar e dar-nos uma Vida Nova.

Hoje, a Igreja não se separa do sepulcro do Senhor, meditando sua Paixão e sua Morte. Não celebramos a Eucaristia até que haja terminado o dia, até amanhã, que começará com a Solene Vigília da ressurreição. Hoje é dia de silêncio, de dor, de tristeza, de reflexão e de espera. Hoje não encontramos a Reserva Eucarística no sacrário. Há só a lembrança e o símbolo de seu “amor até o extremo”, a Santa Cruz que adoramos devotamente.

Hoje é o dia para acompanhar Maria, a mãe. Devemos acompanhá-la para poder entender um pouco o significado deste sepulcro o qual velamos. Ela, que com ternura e amor guardava em seu coração de mãe os mistérios que não acabava de entender daquele Filho que era o Salvador dos homens, está triste e sofrendo: «Ela veio para a sua casa, mas os seus não a receberam» (Jo 1,11). É também a tristeza da outra mãe, a Santa Igreja, que sofre pela rejeição de tantos homens e mulheres que não acolheram Aquele que para eles era a Luz e a Vida.

Hoje, rezando com estas duas mães, o seguidor de Cristo reflete e vai repetindo a antífona da pregaria das Laudes: «Cristo humilhou-se a si mesmo tornando-se obediente até a morte e morte de cruz! «Por isso o exaltou grandemente e lhe deu o Nome que está acima de qualquer outro nome» (cf. Flp 2,8-9).

Hoje, o fiel cristão escuta a Homilia Antiga sobre o Sábado Santo que a Igreja lê na liturgia do Oficio de Leitura: «Hoje há um grande silêncio na terra. Um grande silêncio e solidão. Um grande silêncio porque o Rei dorme. A terra se estremeceu e se ficou imóvel porque Deus está dormindo em carne e ressuscitou aos que dormiam há séculos. “Deus morreu na carne e despertou os do abismo».

Preparemo-nos com Nossa Senhora da Soledade para viver a explosão da Ressurreição e para celebrar e proclamar —quando se acabe este dia triste— com a outra mãe, a Santa Igreja: Jesus ressuscitou tal como o havia anunciado! (cf. Mt 28,6).

terça-feira, 30 de março de 2021

VIA SACRA CARMELITA

C – Irmãos, preparemos os nossos corações à contemplação da Paixão e Morte de nosso Salvador.  Sua Morte nos releva o quanto Deus nos ama, e, ao mesmo tempo, nos manifesta a gravidade do nosso pecado. Ao arrependimento deve unir-se a gratidão e o empenho por uma vida nova no amor.  Peçamos, então, perdão dos nossos pecados, para que possamos meditar com devoção o Mistério da Paixão e Morte do Senhor Jesus.

T - Senhor meu Jesus Cristo, Deus e Homem verdadeiro, Criador e Redentor meu: por serdes Vós quem sois, sumamente bom e digno de ser amado sobre todas as coisas, e porque Vos amo e estimo, pesa-me, Senhor, de todo o meu coração, de Vos Ter ofendido; pesa-me também de Ter perdido o céu e merecido o inferno; e proponho firmemente, ajudado com o auxílio de Vossa divina graça, emendar-me e nunca mais Vos tornar a ofender. Espero alcançar o perdão de minhas culpas pela Vossa infinita misericórdia.

P – Concedei-nos, Senhor nosso Deus, sermos encontrados também nós, por vossa graça, caminhando sempre alegremente na mesma caridade com a qual, por amor do mundo, vosso Filho entregou-se à morte. Por Cristo, nosso Senhor.

T – Amém.

1º PASSO: JESUS ANGUSTIADO NO JARDIM DAS OLIVEIRAS

C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.

L - DO EVANGELHO DE SÃO LUCAS: Conforme o seu costume, Jesus dirigiu-se para o monte das Oliveiras, seguido dos seus discípulos.  Ao chegar àquele lugar, disse-lhes: Orai para que não caiais em tentação. Depois afastou-se deles à distância de um tiro de pedra e, ajoelhando-se, orava: Pai, se é de teu agrado, afasta de mim este cálice! Não se faça, todavia, a minha vontade, mas sim a tua.  Apareceu-lhe então um anjo do céu para confortá-lo. Ele entrou em agonia e orava ainda com mais instância, e seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra.

C - Nós Vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos.

R - Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

Pai Nosso, Ave Maria e Glória

P - Concedei-nos, ó Deus onipotente, pela Paixão de vosso Filho unigênito, que respiremos aliviados, nós que desfalecemos por causa da nossa fraqueza. Por Cristo, nosso Senhor.

T – Amém.

C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito bem impressas

R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.

2º PASSO: JESUS PRESO E CONDENADO PELO SINÉDRIO

C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.

L - DO EVANGELHO DE SÃO LUCAS: À frente da multidão vinha um dos Doze, que se chamava Judas. Achegou-se de Jesus para beijá-lo.  Jesus perguntou-lhe: Judas, com um beijo traís o Filho do Homem? ... Prenderam-no então e conduziram-no à casa do príncipe dos sacerdotes. Os homens que guardavam Jesus escarneciam dele e davam-lhe bofetadas. Cobriam-lhe o rosto e diziam: Adivinha quem te bateu!   E injuriavam-no ainda de outros modos.

C - Nós Vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos.

R - Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

Pai Nosso, Ave Maria e Glória.

P - Senhor, Deus e Pai nosso, que pela Paixão de vosso Filho unigênito nos destes a vida, fazei que, unidos à sua Morte pela penitência, possamos também participar, com todos os homens, de sua ressurreição. Por Cristo, nosso Senhor.

T – Amém.

C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito bem impressas

R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.

3º PASSO: JESUS FLAGELADO

C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.

L - DOS EVANGELHOS DE SÃO LUCAS E SÃO JOÃO: Pilatos ainda interveio: Mas que mal fez ele, então? Não achei nele nada que mereça a morte; irei, portanto, castigá-lo e, depois, o soltarei... Pilatos, então, mandou flagelar Jesus.

C - Nós Vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos.

R - Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

Pai Nosso, Ave Maria e Glória.

P - Concedei, ó Deus onipotente e misericordioso, que, movidos e confortados por vosso Espírito, portemos sempre em nosso corpo a mortificação de Jesus, a fim de que se manifeste em nós também a sua Vida. Por Cristo, nosso Senhor.

T – Amém.

C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito bem impressas

R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.

4º PASSO: JESUS COROADO DE ESPINHOS

C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.

L - DO EVANGELHO DE SÃO MATEUS: Os soldados do governador conduziram Jesus para o pretório e rodearam-no com todo o pelotão.  Arrancaram-lhe as vestes e colocaram-lhe um manto escarlate. Depois, trançaram uma coroa de espinhos, meteram-lha na cabeça e puseram-lhe na mão uma vara. Dobrando os joelhos diante dele, diziam com escárnio: Salve rei dos judeus! Cuspiam-lhe no rosto e, tomando da vara, davam-lhe golpes na cabeça.

C - Nós Vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos.

R - Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

Pai Nosso, Ave Maria e Glória.

P - Olhai com amor, ó Pai, para a vossa família, pela qual nosso Senhor Jesus Cristo não hesitou em entregar-se aos inimigos e sofrer o suplício da cruz. Vós que viveis e reinais para sempre.

T – Amém.

C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito bem impressas

R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.

5º PASSO: JESUS CONDENADO POR PILATOS.

C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.

L - DO EVANGELHO DE SÃO JOÃO: Pilatos saiu outra vez e disse-lhes: Eis que vo-lo trago fora, para que saibais que não acho nele nenhum motivo de acusação.   Apareceu então Jesus, trazendo a coroa de espinhos e o manto de púrpura. Pilatos disse: Eis o homem! Mas eles clamavam: Fora com ele! Fora com ele! Crucifica-o! Pilatos entregou-o então a eles para que fosse crucificado.

C - Nós Vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos.

R - Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

Pai Nosso, Ave Maria e Glória.

P - Ó Deus eterno e todo-poderoso, destes aos homens, por modelo, o Cristo, vosso Filho e nosso Salvador, feito homem e humilhado até a morte na cruz: concedei-nos lembrar-nos sempre do ensinamento de sua paixão, para participarmos da glória de sua ressurreição.  Por Cristo, nosso Senhor.

T – Amém.

C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito bem impressas

R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.

6º PASSO: JESUS CARREGA A CRUZ PARA O CALVÁRIO.

C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.

L - DO EVANGELHO DE SÃO LUCAS: Seguia-o uma grande multidão de povo e de mulheres, que batiam no peito e o lamentavam.  Voltando-se para elas, Jesus disse: Filhas de Jerusalém, não choreis sobre mim, mas chorai sobre vós mesmas e sobre vossos filhos.

C - Nós Vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos.

R - Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

Pai Nosso, Ave Maria e Glória.

P - Ó Deus, pela Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo destruístes a morte que o pecado transmitiu a todos. Concedei que nos tornemos semelhantes ao vosso Filho e, assim como trouxemos pela natureza a imagem do homem terreno, possamos trazer pela graça a imagem do homem novo. Por Cristo, nosso Senhor.

T – Amém.

C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito bem impressas

R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.

7º PASSO: JESUS MORRE NA CRUZ.

C - Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

T - Que quis padecer e morrer na cruz por nosso amor.

L - DO EVANGELHO DE SÃO LUCAS: Chegados ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram, como também os ladrões, um à direita e outro à esquerda. E Jesus dizia: Pai perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem. ... Era quase à hora sexta e em toda a terra houve trevas até a hora nona.  Escureceu-se o sol e o véu do templo rasgou-se pelo meio.  Jesus deu então um grande brado e disse: Pai, nas tuas mãos, entrego o meu espírito. E, dizendo isso, expirou.

C- Nós Vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos.

R - Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

Pai Nosso, Ave Maria e Glória.

P - Ó Deus, vós quisestes que vosso Filho sofresse por nós o suplício da cruz a fim de nos libertar do poder do inimigo; concedei que nós, vossos servos, alcancemos a graça da ressurreição. Por Cristo, nosso Senhor.

T – Amém.

C - Santa Mãe, isto eu vos peço: que fiquem no meu peito bem impressas

R - As chagas de Jesus crucificado e as dores do vosso maternal Coração.

RITOS FINAIS:

P. Sobre vosso povo, Senhor, que celebrou a Paixão de vosso Filho esperando em sua Ressurreição, fazei que desçam copiosas bênçãos, venha o perdão, seja dado o consolo, aumente a fé e firme-se a eterna redenção. Por Cristo, nosso Senhor.

T - Deus nosso Pai, que haveis determinado que se salvem vossos escolhidos por meio dos sofrimentos e da Cruz!  Ajudai-nos a suportar os nossos sofrimentos com o Espírito de paciência e resignação que nos deixou vosso unigênito Filho Jesus Cristo, e fazei que em todas as nossas aflições, sejam da alma, sejam do corpo, repitamos com fé e submissão as palavras que Ele Vos dirigiu em sua dolorosa agonia.  “Pai, não se faça minha vontade, mas sim a vossa!" Amém.

BÊNÇÃO FINAL

P. Deus, Pai de misericórdia, que vos propõe, na Paixão de seu Filho unigênito, o modelo da caridade, vos dê também de receber, servindo a Deus e aos homens, o dom inefável de sua bênção.

T. Amém.

P. Ele vos alcance a graça da vida eterna por meio de Cristo, cuja Morte temporal, conforme a vossa fé, vos livrou da morte eterna.

T – Amém.

P. Ele vos dê participar da Ressurreição de Cristo que vos ensinou o caminho da mortificação e da penitência.

T – Amém.

P. E a benção de Deus todo-poderoso, Pai e Filho, e Espírito Santo, desça sobre vós e permaneça para sempre.

T – Amém.

P. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe

T. Graças a Deus.


Sexta-feira Santa

Textos: Is 52, 13- 53,12; Hb 4, 14-16; 5, 7-9; João 18, 1-19, 42: Paixão de Cristo segundo São João.

Evangelho (Jo 18,1—19,42): Dito isso, Jesus saiu com seus discípulos para o outro lado da torrente do Cedron. Lá havia um jardim, no qual ele entrou com os seus discípulos. Também Judas, o traidor, conhecia o lugar, porque Jesus muitas vezes ali se reunia com seus discípulos. Judas, pois, levou o batalhão romano e os guardas dos sumos sacerdotes e dos fariseus, com lanternas, tochas e armas(…) O  , o comandante e os guardas dos judeus prenderam Jesus e o amarraram. Primeiro, conduziram-no a Anás (…). Anás, então, mandou-o, amarrado, a Caifás. (…) De Caifás, levaram Jesus ao palácio do governador. Era de madrugada (…). Pilatos, então, mandou açoitar Jesus. Os soldados trançaram uma coroa de espinhos, a puseram na cabeça de Jesus e o vestiram com um manto de púrpura. Aproximavam-se dele e diziam: «Viva o Rei dos Judeus!»; e batiam nele. Pilatos saiu outra vez e disse aos judeus: «Olhai! Eu o trago aqui fora, diante de vós, para que saibais que eu não encontro nele nenhum motivo de condenação». Então, Jesus veio para fora, trazendo a coroa de espinhos e o manto de púrpura. Ele disse-lhes: «Eis o homem!». Quando o viram, os sumos sacerdotes e seus guardas começaram a gritar: «Crucifica-o! Crucifica-o!». (…) Então, lhes entregou Jesus para ser crucificado. Carregando a sua cruz, ele saiu para o lugar chamado Calvário (em hebraico: Gólgota). Lá, eles o crucificaram (…). Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe e a irmã de sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: «Mulher, eis o teu filho!». Depois disse ao discípulo: «Eis a tua mãe!». A partir daquela hora, o discípulo a acolheu no que era seu. Depois disso, sabendo Jesus que tudo estava consumado, e para que se cumprisse a Escritura até o fim, disse: «Tenho sede!». Havia ali uma jarra cheia de vinagre. Amarraram num ramo de hissopo uma esponja embebida de vinagre e a levaram à sua boca. Ele tomou o vinagre e disse: «Está consumado». E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.

A hora de Jesus no Horto de Getsêmani

Elaborado com base nos textos de Bento XVI) (Città del Vaticano, Vaticano)

Hoje o Monte das Oliveiras — o mesmo de então—um dos lugares mais venerados do cristianismo. Nele encontramos um dramático ponto culminante do mistério de nosso Redentor: ai Jesus experimentou a "última solidão", toda a tribulação do ser homem. Aí, o abismo do pecado e do mal chegou até o fundo da alma. Ai se estremeceu diante da morte eminente. Ai o beijou o traidor. Ai todos os discípulos o abandonaram.

São João recolhe todas estas experiências e dá uma interpretação teológica do lugar: com a palavra "horto" faz alusão à narração do Paraíso e do pecado original. Quer nos dizer que ao se retomar aquela historia. Naquele horto, no "jardim" do Éden, se produz uma traição, mas "horto" é também o lugar da ressurreição.

No horto Jesus aceitou até o fundo a vontade do Pai, a fez sua, e assim deu uma transformação a historia. Aqui Ele lutou também por mim!

A Paixão de Cristo

Rev. D. Antoni CAROL i Hostench(Sant Cugat del Vallès, Barcelona, Espanha)

Hoje, assombrados, comemoramos a Paixão de Jesus Cristo. Hei aqui seu itinerário: o cenáculo da Eucaristia, o Horto de Getsemani, os palácios de Caifás e Herodes, o pretório de Pilatos, o Calvário da morte e o túmulo. Em cada um destes locais, entre uns e outros, fizemos sofrer a Jesus.

Deus podia nós redimir de mil modos diferentes. Escolheu o caminho do sofrimento até dar a vida. “Perder a vida” é a manifestação mais radical de amor. Não há improvisação: Profetizado já no Antigo Testamento, Jesus o predisse várias vezes; na Última Ceia nos deu de presente como alimento seu "Corpo que será entregue"; em Getsemani reza e diz "sim" a Deus-Pai. Na Cruz — plenamente consciente — mais uma vez diz “SIM”, entregando com liberdade e serenidade seu espírito.

Jesus, meu Redentor, cuidarei de ti com minhas mãos, te defenderei com meus braços, te exaltarei com inteligência, te adorarei com todo meu coração. O farei com tua e nossa Bendita Mãe, Santa Maria.

A postura do orador: Jesus reza de joelhos

Elaborado com base nos textos de Bento XVI) (Città del Vaticano, Vaticano)

Hoje, depois da exortação à vigilância dirigida aos Apóstolos, Jesus se distancia um pouco. Começa propriamente a oração do Monte das Oliveiras. Mateus e Marcos nos dizem que Jesus caiu com o rosto na terra: a postura de oração que expressa a extrema submissão à vontade de Deus, o abandono mais radical a Ele; uma postura que a liturgia ocidental inclui ainda na sexta-feira Santa e na profissão monástica, assim como na Ordenação de diáconos, presbíteros e bispos.

No entanto, Lucas diz que Jesus orou de joelhos. Introduz assim, baseando-se na postura de oração, esta luta noturna de Jesus no contexto da historia da oração cristã: enquanto a lapidavam, Estevão dobra os joelhos e ora (cf. At 7,60); Pedro se ajoelha antes de ressuscitar a Tabita da morte (cf. At 9,40); se ajoelha Paulo quando se despede dos presbíteros de Efésio (cf. At 20,36)…

Contemplemos Jesus, o Servo sofredor. O que não sofreu para nos salvar!

 Pe Antônio Rivero LC

A Quinta-feira Santa foi “a hora de Jesus”. A Sexta-feira Santa é, sobretudo, “a hora de Satanás”. Duas horas que se reduzem a uma só hora, “a hora do Mistério Pascal”, com os seus dois ponteiros: a entrega de Cristo e a maldade humana. A celebração da Paixão de hoje, que não é missa, tem três partes: primeira parte, liturgia da Palavra e oração universal; segunda parte, adoração da santa cruz e, terceira parte, sagrada Comunhão. Também podemos dividi-la assim: Paixão proclamada nas leituras, Paixão invocada na oração universal, Paixão venerada no beijo à santa cruz e Paixão comunicada na comunhão.

Em primeiro lugar, quem resiste contemplar este Servo sofredor? Desprezado, sem estima, leproso, ferido de Deus, humilhado, trespassado pelas nossas rebeliões (1ª leitura), com medo, pavor, tristeza, tédio, gritos, lágrimas. Ai, jogado no horto das oliveiras. Ai, aniquilado e sangrando na flagelação. Ai, blasfemado, injuriado, insultado na cruz. Ai, pregado mãos e pés no madeiro ignominioso da cruz. Ai, com o flanco sangrando pela culpa dessa lança cruel. Ai, deitado na cruz, o céu fechado sem a voz do seu Pai e uma noite escura interior terrível.

Em segundo lugar, não obstante, esse Servo sofredor é modelo e exemplo para nós (2ª leitura). Modelo de obediência ao Pai acima de tudo. Modelo de amor pelos homens até dar a vida por eles. Modelo de perdão sem medida. Modelo de mansidão, que diante de tanta injustiça não esperneou nem sequer se rebelou. Modelo de generosidade, que enquanto ao seu redor cada um tirava um proveito para si, Ele nada reservou para si mesmo. Modelo na hora de sofrer com paciência tanto atropelamento, golpes, empurrões, cusparadas, bofetadas, açoites, coroa de espinhos. Modelo de fidelidade até o final ao plano de Deus. Modelo de confiança nas mãos do seu Pai. 

Finalmente, cada um de nós tem algo de culpa na dor deste Servo sofredor. Os Judas que traem Jesus e o vendem por umas moedas de prazer. Os Pedros que negam Jesus para salvar a sua pele. Os outros discípulos que o abandonam de medo da cruz. Os que o martirizam e crucificam fazendo sofrer os seus irmãos, com os quais Cristo se identifica. Os Anás que estão bem apoltronados no seu sofá amidonado, que escondem no seu palácio uma máfia, sendo ele o padrinho onipotente, cético e agnóstico, disposto a dar uma bofetada em Jesus diante da força da verdade que ele não aceitava; sim, esse Anás que passará para a história como o protótipo de homem que faz valer os seus direitos de “autoridade aposentada”, para humilhar os outros, dar-se importância… E como não pôde, recorreu à violência baixa e própria de vilões. Homem orgulhoso, expeditivo, frontal, prático, seguro de sim mesmo. Também estão os Caifás. Caifás era homem mais político que ético: estava interessado na religião do “interesse”, disposto a praticá-la, embora tivesse que passar por cima da morte, enquanto lhe proporcionasse algo. Este era Caifás: um juiz que pronunciou a sentença, muito antes que o juízo começasse. Homem orgulhoso, expeditivo, frontal, cortante, prático, seguro de sim mesmo. Culpa também têm os covardes Pilatos de turno que preferem lavar as mãos para não perder o posto de prestígio, embora tenham que sacrificar a verdade e dar morte ao inocente. Claro está que têm o seu peso de culpa os Herodes supersticiosos, sensuais, frívolos que pretendem servir-se de Jesus como diversão da festa. E também os Barrabás, baderneiros, criminais, assassinos. Menos mal que também estavam os que consolaram Jesus: a sua santa Mãe, João evangelista, o Cireneu, as santas mulheres, a Verônica.     

Para refletir: Quero acompanhar Cristo na sua Paixão e Morte, ou serei mais um na lista de quem fizer Cristo sofrer neste ano? Qual personagem da Paixão eu quero protagonizar neste ano?

Para rezar: Senhor, piedade e misericórdia. Senhor, obrigado por ter me salvado. Senhor, dai-me a graça de lutar contra o pecado e de levar a minha própria cruz, pequeno pedaço da vossa enorme cruz.

Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail:  arivero@legionaries.org