sábado, 8 de fevereiro de 2020

V Domingo do Tempo Comum


1ª Leitura (Is 58,7-10): Eis o que diz o Senhor: «Reparte o teu pão com o faminto, dá pousada aos pobres sem abrigo, leva roupa ao que não tem que vestir e não voltes as costas ao teu semelhante. Então a tua luz despontará como a aurora e as tuas feridas não tardarão a sarar. Preceder-te-á a tua justiça e seguir-te-á a glória do Senhor. Então, se chamares, o Senhor responderá, se O invocares, dir-te-á: ‘Aqui estou’. Se tirares do meio de ti a opressão, os gestos de ameaça e as palavras ofensivas, se deres do teu pão ao faminto e matares a fome ao indigente, a tua luz brilhará na escuridão e a tua noite será como o meio-dia».

Salmo Responsorial: 111
R. Para o homem reco nascerá uma luz no meio das trevas.

Brilha aos homens retos, como luz nas trevas, o homem misericordioso, compassivo e justo. Ditoso o homem que se compadece e empresta e dispõe das suas coisas com justiça.

Este jamais será abalado; o justo deixará memória eterna. Ele não receia más notícias: seu coração está firme, confiado no Senhor.

O seu coração é inabalável, nada teme; reparte com largueza pelos pobres, a sua generosidade permanece para sempre e pode levantar a cabeça com altivez.

2ª Leitura (1Cor 2,1-5): Quando fui ter convosco, irmãos, não me apresentei com sublimidade de linguagem ou de sabedoria a anunciar-vos o mistério de Deus. Pensei que, entre vós, não devia saber nada senão Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado. Apresentei-me diante de vós cheio de fraqueza e de temor e a tremer deveras. A minha palavra e a minha pregação não se basearam na linguagem convincente da sabedoria humana, mas na poderosa manifestação do Espírito Santo, para que a vossa fé não se fundasse na sabedoria humana, mas no poder de Deus.

Aleluia. Eu sou a luz do mundo, diz o Senhor: quem Me segue terá a luz da vida. Aleluia.

Evangelho (Mt 5,13-16): «Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal perde seu sabor, com que se salgará? Não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e pisado pelas pessoas. Vós sois a luz do mundo. Uma cidade construída sobre a montanha não fica escondida. Não se acende uma lâmpada para colocá-la debaixo de uma caixa, mas sim no candelabro, onde ela brilha para todos os que estão em casa. Assim também brilhe a vossa luz diante das pessoas, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus».

«Vós sois a luz do mundo»

Rev. D. Josep FONT i Gallart (Tremp, Lleida, Espanha)

Sta Apolônia, Virgem e Már
Hoje, o Evangelho nos faz uma grande chamada a sermos testemunhos de Cristo. E nos convida a sê-lo de duas maneiras, aparentemente, contraditórias: como o sal e como a luz.

O sal não se vê, mas se nota; se sente no, paladar. Há muitas pessoas que “não se deixam ver”, porque são como “formiguinhas” que não param de trabalhar e de fazer o bem. Ao seu lado se pode sentir a paz, a serenidade, a alegria. Têm —como está de moda dizer hoje— “boas energias”.

A luz não se pode esconder. Há pessoas que “as vemos de longe”: Santa Teresa de Calcutá, o Papa, o Sacerdote de algum lugar. Ocupam postos importantes por sua liderança natural ou por seu ministério concreto. Estação “acima do candeeiro”. Como diz o Evangelho de hoje, «Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre uma montanha. Nem se acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas sim para colocá-la sobre o candeeiro, a fim de que brilhe a todos os que estão em casa» (cf. Mt 5,14.15).

Todos estão chamados a ser sal e luz. Jesus mesmo foi “sal” durante trinta anos de vida oculta em Nazaré. Dizem que São Luiz Gonzaga, enquanto brincava, ao perguntar-lhe que faria se soubesse que em poucos minutos morreria, respondeu: «Continuaria brincando». Continuaria fazendo a vida normal de cada dia, fazendo a vida agradável aos companheiros de jogo.

Às vezes estamos chamados a ser luz. E somos de una maneira clara quando professamos nossa fé em momentos difíceis. Os mártires são grandes iluminados. E hoje, de acordo com o ambiente, somente o fato de ir à missa já é motivo de burlas. Ir á missa já é ser “luz”. E a luz sempre se vê; mesmo que seja muito pequena. Uma luzinha pode mudar uma noite.

Peçamos uns pelos outros ao Senhor para que saibamos ser sempre sal. E saibamos ser luz quando seja necessário ser. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós (cf. Mt 5,16).

Luz do mundo e sal da Terra

Hoje, no Evangelho, escutamos umas frases de Jesus que nos são velhas conhecidas, tão velhas, que riscam não significar muita coisa: “Vós sois o sal da terra; vós sois a luz do mundo” – diz-nos o Senhor! Pois bem, com unção e humildade, como se escutássemos pela primeira vez, escutemos, procuremos compreender e acolhamos essas afirmações, para encontrarmos nelas a Vida e vivermos de verdade!

 “Vós sois o sal da terra!” O sal, na Escritura, aparece como o elemento que dá sabor, purifica e conserva, tornando perenes e duradouros os alimentos… Daí a expressão “aliança de sal”, isto é, “uma aliança perene aos olhos do Senhor” (Nm 18,19). Por causa dessa pureza e perenidade, é que Israel deveria ajuntar o sal a toda oferta que fizesse ao Senhor Deus: “Salgarás toda a oblação que ofereceres, e não deixarás de pôr na tua oblação sal da aliança de teu Deus; a toda a oferenda juntarás uma oferenda de sal a teu Deus” (Lv 2,13). Pois bem, irmãos caríssimos, vós sois o sal que dá sabor, pureza e conservação ao mundo diante de Deus! Sois a pitadinha de sal que torna o mundo uma oferenda agradável e aceitável ao Senhor! Sois tão pequenos, tão poucos, tão frágeis, tão impotentes, tão tolos! Lembrai-vos da leitura do Domingo passado: “Entre vós não há muitos sábios de sabedoria humana nem muitos poderosos nem muitos nobres… Deus escolheu o que o mundo considera como estúpido, para assim confundir o que é forte; Deus escolheu o que o mundo considera sem importância e desprezado, o que não tem nenhuma serventia, para, assim, mostrar a inutilidade do que é considerado importante… É graças a ele que vós sois em Cristo..” (1Cor 1,26-31). Sim, sois essa pitadinha de nada, esse tico desprezível de sal.. E, no entanto, sois o sabor, a purificação, a conservação da aliança entre Deus e o mundo! Sois, em Cristo Jesus, o povo sacerdotal! Por isso, a nós, o Senhor ordena: “Tende sal em vós mesmos” (Mc 9,50); em outras palavras: uni-vos a mim, ao meu sacerdócio, à minha vida entregue ao Pai como amor que se entrega para a vida do mundo! Lembremo-nos do conselho de São Paulo: “Exorto-vos, portanto, irmãos, pela misericórdia de Deus, a que ofereçais vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: esse é o vosso culto espiritual. E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando a vossa mente, a fim de poderdes discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, agradável e perfeito” (Rm 12,1-2). Era este o significado daquela pitadinha de sal que o sacerdote colocou nos nossos lábios no momento do nosso Batismo, quando nos tornamos membros do povo da aliança, povo sacerdotal. Colocando-nos o sal, ele recordou as palavras de Jesus: “Vós sois o sal da terra!” No entanto, não nos iludamos: somente seremos sal, se permanecermos unidos a Cristo! Sem ele, seremos insípidos, seremos como o mundo, sem sabor e para nada serviremos, “senão para sermos jogados fora e pisados pelos homens”.

 “Vós sois a luz do mundo!” – Que afirmação impressionante! Um só é a luz: Aquele que disse de si próprio: “Eu sou a luz do mundo!” (Jo 8,12). Como pode, então, dizer agora que nós somos luz? Escutemos: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida!” (Jo 8,12). Eis: se em Cristo – e somente nele – somos sal da aliança selada na cruz, também somente na sua luz, seguindo seus passos, tornamo-nos luz. É isso que nos afirma o Apóstolo: “Outrora éreis treva! Agora, sois luz no Senhor! Andai como filhos da luz!” (Ef 5,8). Por nós mesmos não somos sal, mas insípidos; por nós mesmos não somos luz, mas trevas tenebrosas! Mas, em Cristo, damos sabor ao mundo e somos reflexos da luz do Senhor! Não somos luz, mas iluminados pela luz de Cristo, refletiremos a luz sobre o mundo tenebroso, como a lua que, sem ter luz própria, mas iluminada pela luz do sol, ilumina de modo belíssimo a noite escura…

Portanto, meus caros, tenhamos cuidado: somente seremos sal se nos deixarmos salgar pelo Senhor no cadinho da provação e da participação na sua cruz; somente seremos luz se nos deixarmos iluminar pela luz fulgurante que brota da sua cruz! Que o cristão não busque outro sal ou outra luz, a não ser o Cristo e Cristo na sua humildade, na sua pobreza, no seu serviço, na sua disponibilidade total em relação ao Pai: “Não julguei saber coisa alguma entre vós, a não ser Jesus Cristo, e este, crucificado!” Aquilo que passa da cruz do Senhor, que foge da cruz do Senhor, que procura outro caminho e outra lógica, que não a da cruz que conduz à ressurreição, não salga e não ilumina! Então, que brilhe a luz de Cristo em nossa vida e em nossas obras! Que o nosso modo de viver dê novo sabor a este mundo tão insosso pelo pecado – vede no carnaval: quanta treva, quanta insipidez, quanto velho gosto da velha podridão do velho pecado! Se no nosso modo de viver formos sal e luz, cumprir-se-á em nós a palavra do Profeta: “Então, brilhará tua luz como a aurora e a glória do Senhor te seguirá!”.

Eis a nossa missão, eis a nossa vocação, eis a ordem que o Senhor nos dá! Agora, compete a nós! Como nos perguntava Paul Claudel, poeta francês, convertido a Cristo na metade do século XX: “Ó vós, cristãos, que tendes a luz, que fazeis com essa luz?” Ó irmãos, ó irmãs! “Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus!” Que o Senhor no-lo conceda por sua graça. Amém!

"Com sua vida, o discípulo dá sabor ao mundo e o ilumina!".

iCatolica.com

Caros irmãos e irmãs, relemos neste domingo umas das mais belas imagens com que Jesus comparou seus discípulos, na maioria pescadores que deixaram tudo para segui-lo. A eles disse: “Vós sois o sal da terra… Vós sois a luz do mundo” (Mt 5,13.14). Inicialmente, Jesus chama seus discípulos de sal da terra porque o sal serve para preservar muitos alimentos da corrupção. Essa é a missão dos discípulos. Eles devem salvar os homens da corrupção moral.  O sal serve ainda para dar gosto e sabor, e a missão dos discípulos de Jesus é semelhante: devem eles preservar e salvar os homens da corrupção do pecado por meio do exemplo e da palavra.

Jesus adverte que se o sal se corromper, para nada mais serve, por isto é lançado fora e pisado pelos homens (v. 13).  Na Palestina, as pessoas pobres frequentemente recolhiam sal nas margens do mar morto. Este sal, como vinha cheio de impurezas, facilmente se deteriorava, por isto, era jogado fora e pisado pelos homens.  Os orientais, naqueles tempos, tinham o costume de jogar nas estradas todo e qualquer lixo. Vale lembrar que naquele tempo a população era menor e não adotava os costumes de higiene que temos hoje, como a coleta de lixo. O sal corrompido se tornava lixo e era então pisado e desprezado por todos.

E Jesus compara os seus discípulos ao sal, pois cabia aos discípulos transmitir à comunidade o sabor dos ensinamentos do Divino Mestre. O sal é feito para dar gosto, para dar sabor aos alimentos.  É o sal que tempera os alimentos. “Temperar” quer dizer dar gosto justo; nem sal demais, nem sal de menos. Ele vem a significar, então, que o discípulo de Cristo deve representar na comunidade o equilíbrio, o bom senso, a prudência própria do homem sábio, o homem da harmonia, da tranquilidade e da paz.

O sal é a primeira das imagens à qual Jesus apela para definir a identidade de seus discípulos.  Elemento familiar a qualquer cultura, desde sempre foi empregado para dar sabor à comida. Inclusive, até a aparição do frio industrial, geladeira ou frigorífico, era praticamente o único meio para preservar os alimentos que se corrompem facilmente, especialmente a carne. Mas, além disso, na cultura bíblica e judaica, o sal significava também a sabedoria, por esta razão, nas línguas latinas os vocábulos sabor, saber e sabedoria pertencem à mesma raiz semântica e família linguística.  Neste sentido, o sal acaba sendo um simbolismo feliz, de grande riqueza expressiva, para sinalizar a missão do seguidor de Jesus no meio da sociedade.

O sal é ainda um protagonista muito especial no âmbito culinário.  Sua presença discreta na comida não é detectada; mas sua ausência não pode ser dissimulada. O sal dissolve-se completamente nos alimentos e se perde em agradável sabor. Essa é sua condição: passar despercebido, mas atuar eficazmente. Como símbolo religioso o sal significa que o cristão deve temperar o mundo, com o seu exemplo e testemunho. Por isto, o uso do sal, no ritual do batismo, representa o sabor com o qual cada cristão deve temperar o mundo. Devido a estas características do sal, a lei judaica prescrevia colocar um pouco de sal em cima da oferenda apresentada a Deus, em sinal de aliança: “Salgarás toda a oblação que ofereceres, e não deixarás de pôr na tua oblação sal da aliança de teu Deus; a toda a oferenda juntarás uma oferenda de sal a teu Deus” (Lv 2,13). 

O simbolismo da luz, por sua vez, tem um longo e fecundo itinerário bíblico: desde a primeira página do Livro do Gênesis, que descreve a criação da luz por Deus, passando depois para a coluna de fogo que guiava o povo israelita em seu êxodo do Egito, e continuando pela luz dos tempos messiânicos anunciada pelos profetas, especialmente pelo profeta Isaías, para chegar à plena luz da revelação de Cristo Jesus.  Ele afirmou de si mesmo: “Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não anda em trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12). 

E Jesus disse também: “Vós sois a luz do mundo” (v. 14).  Naturalmente, um reflexo da grande luz da verdade e da santidade, que é o próprio Cristo.  Acende-se se uma luz para que ilumine. Ninguém acende uma lâmpada para escondê-la debaixo de uma vasilha, mas para colocá-la em lugar alto, a fim de que brilhe para todos os que estão na casa.  Ninguém deve fazer o bem com a finalidade de ser visto, seria vaidade. Mas, por outro lado, sua vida deve ser tão digna e tão pura, que possa servir de luz para o caminho dos outros.

Jesus compara seus discípulos à luz, por isto, devem eles iluminar o mundo com a doutrina que receberam de Jesus. Iluminar com a vida exemplar e santa e devem ter em mira a glória de Deus e a salvação das almas, luz para iluminar o caminho, para que todos caminhem em busca da verdadeira fé. A verdade e a doutrina da salvação devem ser propagadas por toda parte. Jesus diz que ninguém acende uma luz para escondê-la. A fé cristã é uma luz, a única luz e deve estar acima de tudo para iluminar.

Destas considerações nasce uma lição: o testemunho que devemos dar de nossa vida e o serviço que podemos prestar aos outros. E neste serviço Jesus concretiza a nossa identidade: luz e sal da terra. Bela maneira de expressar a nossa tarefa, a tarefa de cada cristão: ser sal da terra, ser luz do mundo, sal humilde, que atua por dentro, que não se nota, mas que é indispensável, a tal ponto que se perder o seu sabor não serviria mais para nada.

Somos chamados a ser aquele que ilumina. E aquele que crê em Jesus se converte em luz para si mesmo e para os outros. A palavra do Senhor era para o povo Israelita “a lâmpada para os seus passos e luz em seu caminho” (Sl 118,105). Também o novo Povo de Deus, a comunidade dos fiéis que seguem a Cristo, tem a missão de ser luz do mundo. A fé em Cristo é a luz do cristão. Jesus se serve de um dos elementos simbólicos mais significativos da vida humana. A luz é símbolo de vida, de alegria e felicidade.  Está indissoluvelmente ligada à vida, a ponto de se identificar com ela. A luz se torna símbolo do próprio Deus, da vida divina. Deus não é só Criador da luz (cf. Gn 1,3-5), Ele se manifesta como luz que exprime sua glória, que salva e dá a vida ao homem (cf. Is 10,17; 60,19). Neste sentido, ressalta o apóstolo Paulo: “Deus é luz e nele não há trevas” (1Cor 1,5).

No Antigo Testamento, o Servo do Senhor é anunciado como “luz das nações” (Is 51,4).  A luz de Deus, a sua vida, apareceu visivelmente em Jesus (cf. Jo 1,4.9). Ele é a luz do mundo (cf. Jo 3,19) que ilumina todo homem. Como o sol ilumina a estrada, assim o Cristo ilumina o caminho da humanidade para Deus, fonte de vida e de alegria. Em forma exortativa, o evangelho dá uma indicação sobre testemunho do cristão: “Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus” (Mt 5,16). O agir do cristão deve ser um espelho do agir de Deus, um reflexo de sua glória que não atrai a atenção para si, mas para Deus. Os cristãos recebem, portanto, uma missão em relação a todos os homens: com a fé e com a caridade podem orientar, consagrar, tornar fecunda a humanidade.

Todos nós somos também discípulos do Senhor e somos chamados, através da nossa vida cristã, a dar sabor aos mais diversos ambientes, para preservá-los da corrupção, como faz o sal. Mas se perdermos sabor e cancelarmos a nossa presença de sal e luz, perderemos a eficiência.  Peçamos uma vez mais a intercessão da Virgem Maria, ela que também é chamada pelo povo cristão de Nossa Senhora da Luz, para que possamos ser, em todos os instantes, sal e luz para todos. Assim seja. 

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

7 de fevereiro


Beato Pio IX, Papa
“Confrade Carmelita”

Papa Pio IX, nascido Giovanni Maria Mastai-Ferretti (1792-1878), foi Papa durante 31 anos, 7 meses e 22 dias, entre 16 de junho de 1846 e a data do seu falecimento. É o pontificado mais longo da história depois de São Pedro. Pio IX foi o papa, que proclamou a verdade de Cristo, a quem estava intimamente unido, promovendo o culto da Santíssima Virgem Maria, - ao definir o dogma da Imaculada Conceição - e convocando o Concílio Vaticano I (1878).Foi beatificado pela sua Igreja Católica, em 3 de setembro de 2000, pelo Papa João Paulo II.

Salmodia, leitura, responsório breve e preces do dia corrente.

Oração
Senhor nosso Deus, que, em tempos de grandes transformações culturais e sociais, guiastes vossa Igreja, confiando-a ao seguro magistério, ao incansável zelo apostólico e à ardente caridade do beato Pio IX, nós vos pedimos, pela intercessão da Virgem Santa, que ele proclamou Imaculada, sermos confirmados na fé, alimentados na esperança e revigorados na caridade. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Sábado IV do Tempo Comum


Beato Pio IX, Papa
"Confrade Carmelita"
1ª Leitura (1Re 3,4-15): Naqueles dias o rei Salomão foi oferecer sacrifícios a Gabaon, porque era o principal dos altos lugares sagrados; Salomão ofereceu mil holocaustos sobre aquele altar. Em Gabaon, durante a noite, o Senhor apareceu em sonhos a Salomão e disse-lhe: «Pede-Me o que quiseres». Salomão respondeu: «Vós manifestastes grande benevolência para com o vosso servo David, meu pai, porque ele andou na vossa presença com fidelidade, justiça e retidão de coração. Mantivestes com ele tão grande benevolência que lhe destes um filho para suceder no seu trono, como acontece neste dia. Senhor, meu Deus, Vós fizestes reinar o vosso servo em lugar do meu pai David e eu sou muito novo e não sei como proceder. Este vosso servo está no meio do povo escolhido, um povo imenso, inumerável, que não se pode contar nem calcular. Dai, portanto, ao vosso servo um coração inteligente, para saber distinguir o bem do mal; pois, quem poderia governar este vosso povo tão numeroso?». Agradou ao Senhor esta súplica de Salomão e disse-lhe: «Porque foi este o teu pedido e já que não pediste longa vida, nem riqueza, nem a morte dos teus inimigos, mas sabedoria para praticar a justiça, vou satisfazer o teu desejo. Dou-te um coração sábio e esclarecido, como nunca houve antes de ti nem haverá depois de ti. Dar-te-ei também o que não pediste: dou-te riqueza e glória, de modo que, durante a tua vida, não haverá, entre os reis, ninguém como tu».

Salmo Responsorial: 118
R. Ensinai-me, Senhor, os vossos mandamentos.

Como há de o jovem manter puro o seu caminho? Guardando as vossas palavras. De todo o coração Vos procuro, não me deixeis afastar dos vossos andamentos.

Conservo a vossa palavra dentro do coração, para não pecar contra Vós. Bendito sejais, Senhor,
ensinai-me os vossos decretos.

Enuncio com os meus lábios todos os juízos da vossa boca. Sinto mais alegria em seguir as vossas ordens do que em todas as riquezas.

Aleluia. As minhas ovelhas escutam a minha voz, diz o Senhor; Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me. Aleluia.

Evangelho (Mc 6,30-34): Os apóstolos se reuniram junto de Jesus e lhe contaram tudo o que tinham feito e ensinado. Ele disse-lhes: «Vinde, a sós, para um lugar deserto, e descansai um pouco!». Havia, de fato, tanta gente chegando e saindo, que não tinham nem tempo para comer. Foram, então, de barco, para um lugar deserto, a sós. Muitos os viram partir e perceberam a intenção; saíram então de todas as cidades e, a pé, correram à frente e chegaram lá antes deles. Ao sair do barco, Jesus viu uma grande multidão e encheu-se de compaixão por eles, porque eram como ovelhas que não têm pastor. E começou, então, a ensinar-lhes muitas coisas.

«Vinde, a sós, para um lugar deserto, e descansai um pouco! Havia, de fato, tanta gente chegando e saindo, que não tinham nem tempo para comer»

Rev. D. David COMPTE i Verdaguer(Manlleu, Barcelona, Espanha)

Sta Jojefina Bakita, Virgem
Hoje, o Evangelho nos sugere uma situação, uma necessidade e um paradoxo que são muito atuais.

Uma situação. Os Apóstolos estão “estressados”: «Ele disse-lhes: Vinde à parte, para algum lugar deserto, e descansai um pouco. Porque eram muitos os que iam e vinham e nem tinham tempo para comer» (Mc 6,31). Frequentemente nós nos vemos achegados à mesma mudança. O trabalho exige boa parte de nossas energias; a família, onde cada membro quer palpar nosso amor; as outras atividades nas que nos comprometemos, que nos fazem bem e, ao mesmo tempo, beneficiam a terceiros... Querer é poder? Talvez seja mais razoável reconhecer que não podemos tudo aquilo que gostaríamos.

Uma necessidade. O corpo, a cabeça e o coração reclamam um direito: descanso. Nestes versículos temos um manual, frequentemente ignorado, sobre o descanso. Aí destaca a comunicação. Os Apóstolos «Os apóstolos voltaram para junto de Jesus e contaram-lhe tudo o que haviam feito e ensinado» (Mc 6,30). Comunicação com Deus, seguindo o fio do mais profundo de nosso coração. E — que surpresa!— encontramos a Deus que nos espera. E espera encontrar-nos com nossos cansaços.

Jesus lhes diz: «Vinde à parte, para algum lugar deserto, e descansai um pouco. Porque eram muitos os que iam e vinham e nem tinham tempo para comer» (Mc 6,31). No plano de Deus há um lugar para o descanso! É mais, nossa existência, com todo seu peso, deve descansar em Deus. O descobriu o inquieto Agostinho: «Nos criastes para ti e nosso coração está inquieto até que não descanse em ti». O repouso de Deus é criativo; não “anestésico”: encontrar-se com seu amor centra nosso coração e nossos pensamentos.

Um paradoxo. A cena do Evangelho acaba “mal”: os discípulos não podem repousar. O plano de Jesus fracassa: são abordados pelas pessoas. Não puderam “desconectar”. Nós, com frequência, não podemos liberar-nos de nossas obrigações (filhos, conjugue, trabalho...): seria como trair-nos! Impõe-se encontrar a Deus nestas realidades. Se existe comunicação com Deus, se nosso coração descansa Nele, relativizaremos tensões inúteis... E a realidade —desnuda de quimeras— mostrará melhor o sinal de Deus. Nele, ali, repousaremos.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* O evangelho de hoje está em vivo contraste com o de ontem! De um lado, o banquete de morte, promovido por Herodes com os grandes do reino no palácio da Capital, durante o qual João Batista foi assassinado, (Mc 6,17-29). Do outro lado, o banquete de vida, promovido por Jesus com o povo faminto da Galileia lá no deserto (Mc 6,30-44). O evangelho de hoje só traz a introdução à multiplicação dos pães descrevendo o ensino de Jesus.

* Marcos 6,30-32. O acolhimento dado aos discípulos.
“Os apóstolos se reuniram com Jesus e contaram tudo o que haviam feito e ensinado. Havia aí tanta gente que chegava e saía, a tal ponto que Jesus e os discípulos não tinham tempo nem para comer. Então Jesus disse para eles: Vamos sozinhos para algum lugar deserto, para que vocês descansem um pouco" Estes versículos mostram como Jesus formava seus discípulos. Ele se preocupava não só com o conteúdo da pregação, mas também com o descanso. Levou-os a um lugar mais tranquilo para poder descansar e fazer uma revisão.

* Marcos 6,33-34. O acolhimento dado ao povo.
O povo percebeu que Jesus tinha ido para o outro lado do lago, e eles foram atrás dele procurando alcançá-lo andando por terra até o outro lado. “Quando saiu da barca, Jesus viu uma grande multidão e teve compaixão, porque eles estavam como ovelhas sem pastor. Então começou a ensinar muitas coisas para eles”. Ao ver aquela multidão, Jesus ficou com dó, “pois eles estavam como ovelhas sem pastor”. Ele esqueceu o descanso e começou a ensinar. Ao perceber o povo sem pastor, Jesus começou a ser pastor. Começou a ensinar. Como diz o Salmo: “O Senhor é meu pastor! Nada me falta! “Ele me guia por bons caminhos, por causa do seu nome. Embora eu caminhe por um vale tenebroso, nenhum mal temerei, pois junto a mim estás; teu bastão e teu cajado me deixam tranquilo. Diante de mim preparas a mesa, à frente dos meus opressores” (Sl 23,1.3-5).” Jesus queria descansar junto com os discípulos, mas o desejo de atender à necessidade do povo levou-o a deixar de lado o descanso. Algo semelhante aconteceu quando ele se encontrou coma a samaritana. Os discípulos foram buscar comida. Quando voltaram, disseram a Jesus: “Mestre, come alguma coisa!” (Jo 4,31), mas ele respondeu: “Eu tenho um alimento para comer que vocês não conhecem” (Jo 4,32). O desejo de atender à necessidade do povo samaritano levou-a a esquecer a fome. “Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra” (Jo 4,34). Em primeiro lugar o atendimento ao povo que o procurava. A comida vem depois.

Então Jesus começou a ensinar muitas coisas para eles
O evangelho de Marcos muitas vezes informa que Jesus ensinava. O povo ficava impressionado: “Um novo ensinamento! Dado com autoridade! Diferente dos escribas!” (Mc 1,22.27). Ensinar era o que Jesus mais fazia (Mc 2,13; 4,1-2; 6,34). Era o costume dele (Mc 10,1). Por mais de quinze vezes Marcos diz que Jesus ensinava, mas raramente diz o que ele ensinava. Será que Marcos não se interessava pelo conteúdo? Depende do que a gente entende por conteúdo! Ensinar não é só uma questão de ensinar verdades novas para o povo decorar. O conteúdo que Jesus tinha para dar transparecia não só nas palavras, mas também nos gestos e no próprio jeito de ele se relacionar com as pessoas. O conteúdo nunca está desligado da pessoa que o comunica. Jesus era uma pessoa acolhedora (Mc 6,34). Queria bem ao povo. A bondade e o amor que transparecem nas suas palavras faziam parte do conteúdo. Eram o seu tempero. Conteúdo bom sem bondade é como leite derramado. Este novo jeito de ensinar de Jesus manifestava-se de muitas maneiras. Jesus aceita como discípulos não só homens, mas também mulheres. Ensina não só na sinagoga, mas em qualquer lugar onde houvesse gente para escutá-lo: na sinagoga, em casa, na praia, na montanha, na planície, no caminho, no barco, no deserto. Não cria relacionamento de aluno-professor, mas sim de discípulo-mestre. O professor dá aula e o aluno está com ele só durante o tempo de aula. O mestre dá testemunho e o discípulo convive com ele 24 horas por dia. É mais difícil ser mestre do que professor! Nós não somos alunos de Jesus, mas sim discípulos e discípulas! O ensino de Jesus era uma comunicação que transbordava da abundância do coração nas formas mais variadas: como conversa que tenta esclarecer os fatos (Mc 9,9-13), como comparação ou parábola que faz o povo pensar e participar (Mc 4,33), como explicação do que ele mesmo pensava e fazia (Mc 7,17-23), como discussão que não foge do polêmico (Mc 2,6-12), como crítica que denuncia o falso e o errado (Mc 12,38-40). Era sempre um testemunho do que ele mesmo vivia, uma expressão do seu amor! (Mt 11,28-30).

Para um confronto pessoal
1. Como você faz quando deve ensinar aos outros algo da fé e da religião? Imita Jesus?
2. Jesus se preocupa não só com o conteúdo, mas também com o descanso. Como foi o ensino de religião que você recebeu na infância? As catequistas imitavam Jesus?

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

7 de fevereiro


AS CINCO CHAGAS DO SENHOR


Invitatório

Ant. Cristo foi trespassado por nosso amor: vinde, adoremos

Laudes

Hino
Cinco chagas, cinco fontes.
Com água de vida eterna,
Onde as almas sequiosas
Podem matar sua sede!

Depois de ressuscitar,
Guardou Cristo estes sinais
Do combate glorioso
Em que venceu o inimigo;

Para que as chagas visíveis
Mostrassem às gerações
A ferida invisível
Do amor mais forte que a morte:

Chagas puras e santíssimas
Que o nosso povo venera
E que na sua bandeira
São penhor da salvação.

Pelas chagas de seu Filho,
Louvado seja Deus Pai
E o Espírito divino
Agora e sempre adoremos.

Salmos e cântico do Domingo I.

Ant. 1 Quando chegaram ao monte Calvário, crucificaram Jesus.

Ant. 2 Um dos soldados trespassou-Lhe o lado com a lança, e logo saiu sangue e água.

Ant. 3 Hão de olhar para Aquele que trespassaram, hão de chorá-lo todos os povos da terra.

Leitura breve: Zac 12, 10
Derramarei sobre a casa de David e sobre os habitantes de Jerusalém um espírito de piedade e de oração, e eles voltarão os olhos para aquele a quem trespassaram. Lamentar-se-ão por ele como se lamenta um filho único, hão de chorá-lo como se chora a morte do primogénito.

Responsório breve
V. Foi trespassado por causa das nossas culpas; pelas suas Chagas fomos curados.
R. Foi trespassado por causa das nossas culpas; pelas suas Chagas fomos curados.
V. Suportou as nossas enfermidades e tomou sobre Si as nossas dores.
R. Pelas suas Chagas fomos curados.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Foi trespassado por causa das nossas culpas; pelas suas Chagas fomos curados.

Cântico evangélico (Benedictus)
Ant. Bendito seja Deus, que pelas Chagas de Cristo redimiu o seu povo.

Preces
Oremos a Cristo, nosso Redentor, que pelas suas Chagas nos salvou; e digamos confiadamente:

R: Pelas vossas santas Chagas, salvai-nos, Senhor.

Jesus, Salvador do mundo, ferido pelos pecados do vosso povo,
— salvai as nossas almas, porque somos pecadores.

Jesus, Médico da humanidade, homem de dores e acostumado ao sofrimento,
— curai as feridas do vosso povo.

Jesus, Mestre de todos os homens, que aprendestes a obedecer até à morte,
— ensinai-nos a obedecer aos vossos mandamentos.

Jesus, bom pastor, que destes a vida pelas ovelhas,
— reuni-nos a todos num só rebanho sob um só pastor.

Pai nosso

Oração
Deus de infinita misericórdia, que por meio do vosso Filho Unigênito, pregado na cruz, quisestes salvar todos os homens, concedei-nos que, venerando na terra as suas santas Chagas, mereçamos gozar no Céu o fruto redentor do seu Sangue. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

Vésperas

Hino
Cinco chagas, cinco fontes.
Com água de vida eterna,
Onde as almas sequiosas
Podem matar sua sede!

Depois de ressuscitar,
Guardou Cristo estes sinais
Do combate glorioso
Em que venceu o inimigo;

Para que as chagas visíveis
Mostrassem às gerações
A ferida invisível
Do amor mais forte que a morte:

Chagas puras e santíssimas
Que o nosso povo venera
E que na sua bandeira
São penhor da salvação.

Pelas chagas de seu Filho,
Louvado seja Deus Pai
E o Espírito divino
Agora e sempre adoremos.

Salmodia
Ant. 1 Vede as minhas mãos e os meus pés: sou Eu.

Salmo 140 (141), 1-9
1 Senhor, a Vós clamo, socorrei-me sem demora, *
 escutai a minha voz quando Vos invoco.
2 Suba até Vós a minha oração como incenso, *
 elevem-se minhas mãos como oblação da tarde
3 Guardai, Senhor, a minha boca, *
 defendei a porta dos meus lábios. 
4 Não deixeis meu coração inclinar-se para o  mal, *
 nem praticar a iniquidade com os malfeitores, †
 nem tomar parte em seus lautos banquetes.
5 Castigue-me o justo *
 e repreenda-me com misericórdia,
 mas o óleo dos ímpios nunca me perfume a cabeça; *
 enquanto fazem o mal, não deixarei de rezar.
6 Os seus chefes foram precipitados contra o rochedo *
 e compreenderam como eram suaves as minhas palavras.
7 Tal como terra cavada e lavrada, *
 foram seus ossos dispersos à boca do abismo.
8 Para Vós, Senhor Deus, se voltam os meus olhos; *
 em Vós me refugio, não me desampareis.
9 Defendei-me do laço que me prepararam, *
 defendei-me das ciladas dos malfeitores.

Ant. Vede as minhas mãos e os meus pés: sou Eu.

Ant. 2 Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos.

Salmo 141 (142)
2 Em alta voz clamo ao Senhor, *
 em alta voz imploro o Senhor.
3 Ponho diante d’Ele a minha aflição, *
 diante d’Ele descubro a minha angústia.
4 Quando me desfalece o ânimo, *
 Vós conheceis o meu caminho.
 Na senda que vou trilhando *
 esconderam um laço.
5 Olhai à direita, e vede: *
 não há quem se interesse por mim.
 Não encontro refúgio, *
 não há quem olhe pela minha vida.
6 Clamei por Vós, Senhor; *
 disse: Sois o meu abrigo, †
 a minha herança na terra dos vivos.
7 Atendei o meu clamor: *
 estou reduzido à miséria.
 Livrai-me dos meus perseguidores: *
 eles são mais fortes do que eu.
8 Tirai-me desta prisão *
 e darei graças ao vosso nome.
 Os justos hão de rodear-me, *
 pelo bem que me fizestes.

Ant. Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos.

Ant. 3 Mete a tua mão no meu lado e não sejas incrédulo, mas fiel.

Cântico Filip 2, 6-11
6 Cristo Jesus, que era de condição divina, *
 não Se valeu da sua igualdade com Deus, †
7 mas aniquilou-Se a Si próprio.
 Assumindo a condição de servo, *
 tornou-Se semelhante aos homens.
 Aparecendo como homem,
8 humilhou-Se ainda mais, *
 obedecendo até à morte e morte de cruz.
9 Por isso, Deus O exaltou *
 e Lhe deu o nome que está acima de todos os nomes,
10 para que ao nome de Jesus todos se ajoelhem, *
 no céu, na terra e nos abismos,
11 e toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor, *
 para glória de Deus Pai.

Ant. Mete a tua mão no meu lado e não sejas incrédulo, mas fiel.

Leitura breve: 1 Pedro 2, 21b-24
Cristo sofreu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigamos os seus passos. Ele não cometeu pecado algum, e na sua boca não se encontrou engano. Insultado, não pagava com injúrias; maltratado, não respondia com ameaças. Mas entregava-Se Àquele que julga com justiça. Suportou os nossos pecados no seu Corpo sobre a cruz, a fim de que, mortos para os nossos pecados, vivamos para a justiça. Pelas suas Chagas fomos curados.

Responsório breve
V. Nós Vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo.
R. Nós Vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo.
V. Que pela vossa paixão remistes o mundo.
R. Nós Vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Nós Vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo.

Cântico evangélico (Magnificat)
Ant. Jesus apareceu no meio dos seus discípulos e disse-lhes: A paz esteja convosco. E tendo dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado.

Preces
Oremos a Cristo nosso Redentor, que pelas suas Chagas nos salvou; e digamos confiadamente:

R: Pelas vossas santas Chagas, perdoai-nos, Senhor.

Eterno Rei do mundo, que mostrastes aos Apóstolos as Chagas das mãos e dos pés,
— libertai o coração dos vossos fiéis de toda a dúvida e perturbação.

Supremo Juiz da humanidade, que curastes a incredulidade de São Tomé, fazendo-o tocar a Chaga do vosso lado,
— iluminai os olhos do nosso coração para Vos proclamarmos fielmente nosso Deus e Senhor.

Vítima divina, que, pregado no madeiro da cruz, tomastes sobre Vós o castigo dos nossos pecados,
— convertei-nos a Vós, Pastor e Guarda das nossas almas.

Filho de Deus, que do vosso Coração, ferido pela lança do soldado, fizestes brotar sangue e água,
— renovai continuamente a vossa Igreja com o cálice da salvação e a água da vida eterna.

Cordeiro de Deus, que pela vossa morte merecestes receber o poder, a sabedoria, a honra e a glória,
— fazei que descansem dos seus trabalhos os que morreram na vossa graça.

Pai nosso

Oração
Deus de infinita misericórdia, que por meio do vosso Filho Unigênito, pregado na cruz, quisestes salvar todos os homens, concedei-nos que, venerando na terra as suas santas Chagas, mereçamos gozar no Céu o fruto redentor do seu Sangue. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

7 de fevereiro: FESTA DAS SANTAS CHAGAS DE JESUS

Festa das Stas Chagas de Jesus

1ª Leitura (Si 47,2-13): Assim como é separada a gordura da vítima no sacrifício de comunhão, assim David foi escolhido entre os filhos de Israel. Brincou no meio de leões, como se fossem cabritos, e no meio de ursos, como se fossem cordeiros. Não foi ele que, ainda jovem, matou o gigante e evitou a humilhação do seu povo, atirando com a funda uma pedra que abateu a arrogância de Golias? Ele invocou o Senhor Altíssimo, que deu força à sua mão direita, para derrubar um valente guerreiro e exaltar a honra do seu povo. Então exaltaram-no por ter abatido dez mil, louvaram-no pelas bênçãos do Senhor e deram-lhe uma coroa de glória. Exterminou os inimigos que o rodeavam e aniquilou os seus adversários filisteus, destruindo para sempre o seu poder. Em todas as suas obras prestou homenagem ao Santo, ao Altíssimo, com palavras de glória. De todo o coração entoou os seus louvores, para mostrar o seu amor a Deus, seu Criador. Estabeleceu cantores diante do altar e as suas vozes entoavam suaves cânticos. Deu grande esplendor às festas e a maior beleza aos tempos sagrados, quando os cantores celebravam o santo nome do Senhor, enchendo de harmonia o santuário desde o romper do dia. O Senhor perdoou as suas faltas, exaltou o seu poder para sempre, concedeu-lhe uma régia aliança e um trono glorioso em Israel.

Salmo Responsorial: 17
R. Bendito seja Deus, meu salvador.

O caminho de Deus é perfeito, a palavra do Senhor é provada. Deus é um escudo protetor para todos os que n’Ele confiam.

Viva o Senhor, bendito seja o meu protetor; exaltado seja Deus, meu salvador, que me libertou da ira dos meus inimigos e me salvou dos homens violentos.

Senhor, eu Vos louvarei entre os povos e cantarei salmos ao vosso nome. O Senhor dá ao seu Rei grandes vitórias e usa de bondade para com o seu Ungido.

Aleluia. Felizes os que recebem a palavra de Deus de coração sincero e generoso e produzem fruto pela perseverança. Aleluia.

Evangelho (Mc 6,14-29): O rei Herodes ouviu falar de Jesus, pois o nome dele tinha-se tornado muito conhecido. Até se dizia: «João Batista ressuscitou dos mortos, e é por isso que atuam nele essas forças milagrosas!» Outros diziam: «É Elias!» Ainda outros: «É um profeta como um dos antigos profetas». Depois de ouvir isso, Herodes dizia: «Esse João, que eu mandei decapitar, ressuscitou». De fato, Herodes tinha mandado prender João e acorrentá-lo na prisão, por causa de Herodíades, mulher de seu irmão Filipe, com a qual ele se tinha casado. Pois João vivia dizendo a Herodes: «Não te é permitido ter a mulher do teu irmão». Por isso, Herodíades lhe tinha ódio e queria matá-lo, mas não conseguia, pois Herodes temia João, sabendo que era um homem justo e santo, e até lhe dava proteção. Ele gostava muito de ouvi-lo, mas ficava desconcertado. Finalmente, chegou o dia oportuno. Por ocasião de seu aniversário, Herodes ofereceu uma festa para os proeminentes da corte, os chefes militares e os grandes da Galileia. A filha de Herodíades entrou e dançou, agradando a Herodes e a seus convidados. O rei, então, disse à moça: «Pede-me o que quiseres, e eu te darei». E fez até um juramento: «Eu te darei qualquer coisa que me pedires, ainda que seja a metade do meu reino». Ela saiu e perguntou à mãe: «Que devo pedir?» A mãe respondeu: «A cabeça de João Batista». Voltando depressa para junto do rei, a moça pediu: «Quero que me dês agora, num prato, a cabeça de João Batista». O rei ficou muito triste, mas, por causa do juramento e dos convidados, não quis faltar com a palavra. Imediatamente, mandou um carrasco cortar e trazer a cabeça de João. O carrasco foi e, lá na prisão, cortou-lhe a cabeça, trouxe-a num prato e deu à moça. E ela a entregou à sua mãe. Quando os discípulos de João ficaram sabendo, vieram e pegaram o corpo dele e o puseram numa sepultura.

«O rei Herodes ouviu falar de Jesus, pois o nome dele tinha-se tornado muito conhecido.»

Rev. D. Ferran BLASI i Birbe (Barcelona, Espanha)

Hoje, nesta passagem de Marcos, falasse-nos da fama de Jesus conhecido pelos seus milagres e ensinamentos. Era tal esta fama que algumas pessoas pensavam que se tratava do parente e precursor de Jesus, João Batista, que teria ressuscitado de entre os mortos. E assim o queria imaginar Herodes, o que o tinha mandado matar. Mas este Jesus era muito mais que os outros homens de Deus: mais que aquele João; mais que qualquer dos profetas que falavam em nome do Altíssimo: Ele era o Filho de Deus feito Homem, perfeito Deus e perfeito Homem. Este Jesus —presente entre nós—, como homem, pode compreender-nos e, como Deus, pode conceder-nos tudo o que necessitamos.

João, o precursor, que tinha sido enviado por Deus antes que Jesus, com o seu martírio, precedeu-o também na Sua paixão e morte. Foi também uma morte injustamente atribuída a um homem santo, por parte do tetrarca Herodes, seguramente contrariado, pois ele apreciava-o e escutava-o com respeito. Mas, por fim, João era claro e firme com o rei quando lhe critica a sua conduta merecedora de censura, pois não lhe era lícito tomar como esposa a Herodias, a mulher do seu irmão.

Herodes tinha cedido ao pedido que lhe tinha feito a filha de Herodias, instigada pela sua mãe, quando, num banquete —depois da dança que tinha agradado ao rei— perante os convidados, jurou à bailarina dar-lhe tudo o que lhe pedisse. «Que lhe peço?», pergunta à sua mãe que lhe responde: «A cabeça de João Batista» (Mc 6,24). E o reizinho manda executar a Batista. Era um juramento que de nenhuma forma o obrigava, pois era coisa má, contra a justiça e contra a consciência.

Uma vez mais, a experiência ensina que uma virtude deve estar unida a todas as outras, e todas hão de crescer de maneira orgânica, como os dedos de uma mão. E também que quando se incorre num vício, prosseguem-se os outros.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* O evangelho de hoje descreve como João Batista foi vítima da corrupção e da prepotência do Governo de Herodes. Foi morto sem processo, durante um banquete de Herodes com os grandes do reino. O texto traz muitas informações sobre o tempo em que Jesus vivia e sobre a maneira como era exercido o poder pelos poderosos da época. Desde o começo do evangelho de Marcos ficou um suspense. Ele tinha dito: “Depois que João foi preso, Jesus voltou para a Galileia e começou a anunciar a Boa Nova de Deus!” (Mc 1,14). No evangelho de hoje, como que de repente, ficamos sabendo que Herodes já tinha matado João Batista. Assim, na cabeça do leitor e da leitora, vem logo a pergunta: “E o que será que ele vai fazer com Jesus? Vai dar a ele o mesmo destino?” Além disso, ao fazer um balanço das opiniões do povo e de Herodes sobre Jesus, Marcos provoca uma outra pergunta: “Quem é Jesus?” Esta última pergunta vai crescendo ao longo do evangelho até receber a resposta definitiva pela boca do centurião ao pé da Cruz: "De fato, esse homem era mesmo Filho de Deus!" (Mc 15,39)

* Marcos 6,14-16. Quem é Jesus?
O texto começa com um balanço das opiniões do povo e de Herodes sobre Jesus. Alguns associavam Jesus com João Batista e Elias. Outro o identificavam como um Profeta, isto é, como alguém que falava em nome de Deus, que tinha a coragem de denunciar as injustiças dos poderosos e que sabia animar a esperança dos pequenos. As pessoas procuravam compreender Jesus a partir das coisas que elas mesmas conheciam, acreditavam e esperavam. Tentavam enquadrá-lo dentro dos critérios familiares do Antigo Testamento com suas profecias e esperanças, e da Tradição dos Antigos com suas leis. Mas eram critérios insuficientes. Jesus não cabia lá dentro. Ele era maior!

* Marcos 6,17-20. A causa do assassinato de João.
Galileia, terra de Jesus, era governada por Herodes Antipas, filho do rei Herodes, o Grande, desde 4 antes de Cristo até 39 depois de Cristo. Ao todo, 43 anos! Durante todo o tempo que Jesus viveu, não houve mudança de governo na Galileia! Herodes Antipas era dono absoluto de tudo, não prestava conta a ninguém, fazia o que bem entendia. Prepotência, falta de ética, poder absoluto, sem controle por parte do povo! Mas quem mandava mesmo na Palestina, desde 63 antes de Cristo, era o Império Romano. Herodes, para não ser deposto, procurava agradar a Roma em tudo. Insistia sobretudo numa administração eficiente que desse lucro ao Império. A preocupação dele era a sua própria promoção e segurança. Por isso, reprimia qualquer tipo de subversão. Flávio José, um escritor daquela época, informa que o motivo da prisão de João Batista era o medo que Herodes tinha de um levante popular. Herodes gostava de ser chamado de benfeitor do povo, mas na realidade era um tirano (cf. Lc 22,25). A denúncia de João contra ele (Mc 6,18), foi a gota que fez transbordar o copo, e João foi preso.

* Marcos 6,21-29: A trama do assassinato.
Aniversário e banquete de festa, com danças e orgias! Era o ambiente em que se costuravam as alianças. A festa contava com a presença “dos grandes da corte, dos oficiais e das pessoas importantes da Galileia”. É nesse ambiente que se trama o assassinato de João Batista. João, o profeta, era uma denúncia viva desse sistema corrupto. Por isso foi eliminado sob pretexto de um problema de vingança pessoal. Tudo isto revela a fraqueza moral de Herodes. Tanto poder acumulado na mão de um homem sem controle de si! No entusiasmo da festa e do vinho, Herodes fez um juramento leviano a uma jovem dançarina. Supersticioso como era, pensava que devia manter esse juramento. Para Herodes, a vida dos súditos não valia nada. Dispunha deles como dispunha da posição das cadeiras na sala. Marcos conta o fato tal qual e deixa às comunidades e a nós a tarefa de tirarmos as conclusões.

Para um confronto pessoal
1. Você conhece casos de pessoas que morreram vítimas da corrupção e da dominação dos poderosos? E na nossa comunidade e na igreja, há vítimas de desmando e de autoritarismo?
2. Herodes, o poderoso que pensava ser o dono da vida e da morte do povo, era um grande supersticioso com medo diante de João Batista. Era um covarde diante dos grandes. Um bajulador corrupto diante da moça. Superstição, covardia e corrupção marcavam o exercício do poder de Herodes. Compare com o exercício do poder religioso e civil hoje nos vários níveis da sociedade e da Igreja.