sexta-feira, 4 de maio de 2018

5 de maio


Santo Ângelo presbítero e mártir
PAI E PROTOMÁRTIR DA NOSSA ORDEM


Uma tradição muito antiga nos traz a luz sobre a vida de Ângelo. Os registros indicam que ele nasceu em 1185, na cidade de Jerusalém, de pais judeus pela religião, chamados José e Maria, nomes muito comuns na região. E que eles se converteram após Nossa Senhora ter avisado Ângelo, durante as orações, que ele teria um irmão, o que lhes parecia impossível, porque seus pais eram idosos. Mas isso aconteceu. Emocionados, receberam o batismo junto com a criança, à qual deram o nome de João. Mais tarde, ele também vestiu o hábito carmelita.  Ângelo viveu em muitos conventos da Palestina e da Ásia Menor. Recebeu muitas graças do Senhor, sobretudo o dom da profecia e dos milagres, depois de viver cinco anos no monte Carmelo, mesmo lugar onde viveu o profeta Elias. Entrou para a Ordem do Carmo quando tinha apenas dezoito anos e, em 1213, foi ordenado sacerdote.  Ainda segundo a tradição, Ângelo saiu do monte Carmelo com os primeiros carmelitas que foram para Roma a fim de obter do papa Honório III a aprovação da Regra do Carmelo, e depois imigraram para a Sicília.  Lá, ao visitar a basílica de São João, se encontrou com os santos, Domingos de Gusmão e Francisco de Assis. Na ocasião Ângelo predisse os estigmas a São Francisco. Ângelo recebeu de São Francisco o anúncio de que seria martirizado em breve.  Dentre seus grandes feitos, o que mais se destaca é o trabalho de evangelização que manteve entre os hereges cátaros daquela cidade. A história narra que ele conseguiu converter até uma mulher que, antes disso, mantinha uma vida de pecados, até mesmo uma relação incestuosa com Berengário, um rico senhor do lugar. Primeiro em segredo e depois publicamente tentou converter Berengário, que – desesperado por causa da conversão da irmã com quem vivia incestuosamente – no dia 5 de maio de 1220, enquanto Ângelo pregava junto à igreja dos santos Felipe e Tiago perto do mar, feriu o santo mortalmente com cinco golpes de espada. Antes de morrer, o santo recomendou para que não vingassem a sua morte. O culto de Santo Ângelo teve grande difusão entre os carmelitas e o povo. O Capítulo Geral dos Carmelitas de 1498 prescreveu que em todos os conventos carmelitas se fizesse uma comemoração todos os dias como memória de seu Protomártir. Logo uma igreja foi erguida no lugar de seu martírio, onde foi sepultado o seu corpo. A Igreja canonizou o mártir santo Ângelo em 1498. Porém somente em 1662 as suas relíquias foram transladadas para a igreja dos carmelitas. O seu culto se difundiu amplamente no meio dos fiéis e na Ordem do Carmo.  Santo Ângelo foi nomeado padroeiro de muitas localidades, inicialmente na Itália, depois em outras regiões da Europa. Sua veneração se mantém até os nossos dias, sendo invocado pelo povo e devotos nas situações de suas dificuldades. Os primeiros padres carmelitas da América difundiram a sua devoção, construindo igrejas, nomeando as aldeias que se formavam, e expandiram o seu culto, que também chegou ao Brasil.

INVITATÓRIO

R. Ao Senhor, o Rei dos Mártires, vinde, adoremos!

LAUDES

HINO
Exulta, ó Povo de Deus! E tu, ó santa milícia
Do Carmelo, que alegre vês de Ângelo a vitória!
Rejubila-te, ó terra bendita da bela Sicília

Ângelo, por Deus inspirado, só quis bens altíssimos:
Pela fuga do pecado desejou frutos dulcíssimos;
Feliz por deixar este mundo e suas loucas demências.

Foi proclamador da Verdade, da virtude pérola,
Joia de rara pureza, da paz domicílio,
Angélico no seu nome, na vida e nos méritos,

Se desde a infância buscou do Carmelo o vértice,
O Verbo da Vida o convidou a gozar do prêmio
E lá nas alturas viver: era o céu seu estímulo.

Os santos anjos se alegram de Ângelo no convívio:
Às belezas dos céus o sublimaram os seus méritos
E até Deus foi elevado no santo martírio.

Ao Eterno Pai querido poder, louvor e glória!
Júbilo eterno e vitória ao seu Filho Unigênito
Com o Paráclito Espírito, Amor-Misericórdia!

Ant. 1 Os meus lábios vos louvarão, Senhor, porque a vossa graça vale mais que a vida. Aleluia.

Salmos e cântico do I Domingo.

Ant. 2 Mártires do Senhor, bendizei para sempre o Senhor. Aleluia.

Ant. 3 Farei do vencedor uma coluna no meu templo, diz o Senhor. Aleluia.

Leitura breve, responsório breve e preces do comum de um mártir.

Cântico evangélico
Ant. Ó Santo Ângelo, do Carmelo emigraste e os caminhos do Senhor vieste preparar: agora pelo teu exemplo confirma os teus irmãos na santidade e na justiça, todos os dias de nossa vida.

Oração
Senhor, nosso Deus, força dos fiéis e coroa dos mártires, que conduzistes Santo Ângelo do Carmelo à glória do martírio, concedei-nos, por sua intercessão, que, imitando fielmente o seu exemplo, possamos oferecer até à morte o testemunho da vossa presença e da vossa bondade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

VÉSPERAS
Hino
Quando pela Palavra se combate,
Erguendo, não a espada, mas a cruz,
Como a cruz redentora do Calvário,
Também o sangue é luz.

Quando se renuncia à própria vida,
No gesto heroico da oblação suprema,
Para glória de Deus e bem das almas,
Também o sangue é poema.

Como a água das fontes cristalinas,
Brotando do sopé de serra brava,
Se é por Jesus que se derrama o sangue,
O sangue também lava.

Em cada Mártir o Senhor se exalta
Sobre os ódios da turba irada e cega.
Com a palavra, e mais do que a palavra,
O sangue também prega.

Honra e louvor ao Pai onipotente
E ao Filho, que por nós morreu na cruz,
E ao Espírito, que glorifica os Mártires
No Sangue de Jesus.

Tudo do Comum dos Santos Mártires, exceto:

Cântico evangélico
Ant. Ó Santo Ângelo, nosso irmão de caminhada neste mundo e agora tão feliz na Pátria, roga por nós que ainda estamos no desterro para que possamos gozar tua gloriosa companhia no Céu.

Oração
Senhor, nosso Deus, força dos fiéis e coroa dos mártires, que conduzistes Santo Ângelo do Carmelo à glória do martírio, concedei-nos, por sua intercessão, que, imitando fielmente o seu exemplo, possamos oferecer até à morte o testemunho da vossa presença e da vossa bondade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

Sábado V da Páscoa


1ª Leitura (At 16,1-10): Naqueles dias, Paulo chegou a Derbe e depois a Listra. Havia lá um discípulo chamado Timóteo, filho de uma judia crente e de pai grego. Os irmãos de Listra e de Icónio davam dele bom testemunho. Querendo Paulo levá-lo consigo, mandou-o circuncidar, por causa dos judeus que havia na região, pois todos sabiam que seu pai era grego. Nas cidades por onde passavam, transmitiam as decisões dos Apóstolos e anciãos de Jerusalém, recomendando que se cumprissem. Desse modo as Igrejas eram confirmadas na fé e cresciam em número, de dia para dia. Como o Espírito Santo os tinha impedido de anunciarem a palavra de Deus na Ásia, atravessaram a Frígia e o território da Galácia. Quando chegaram à fronteira da Mísia, tentaram dirigir-se à Bítínia, mas o Espírito de Jesus não lho permitiu. Atravessaram então a Mísia e desceram a Tróade. Durante a noite, Paulo teve uma visão: Um macedônio estava de pé diante dele e fazia-lhe este pedido: «Passa à Macedônia e vem ajudar-nos». Logo que ele teve esta visão, procuramos partir para a Macedônia, convencidos de que Deus nos chamava para anunciar ali o Evangelho.

Salmo Responsorial: 99
R. Aclamai o Senhor, terra inteira.
Aclamai o Senhor, terra inteira, servi o Senhor com alegria, vinde a Ele com cânticos de júbilo.

Sabei que o Senhor é Deus, Ele nos fez, a Ele pertencemos, somos o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.

Porque o Senhor é bom, eterna é a sua misericórdia, a sua fidelidade estende-se de geração em geração.

Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus.

Evangelho (Jo 15,18-21): «Se o mundo vos odeia, sabei que primeiro odiou a mim. Se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como ama o que é seu; mas, porque não sois do mundo, e porque eu vos escolhi do meio do mundo, por isso o mundo vos odeia. Recordai-vos daquilo que eu vos disse: ‘O servo não é maior do que o seu senhor’. Se me perseguiram, perseguirão a vós também. E se guardaram a minha palavra, guardarão também a vossa. Eles farão tudo isso por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou».

«Tudo isso por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou»

Rev. D. Ferran JARABO i Carbonell (Agullana, Girona, Espanha)

Hoje, o Evangelho contrapõe o mundo com os seguidores de Cristo. O mundo representa todo aquele pecado que encontramos em nossa vida. Uma das características do seguidor de Jesus é, pois, a luta contra o mal e o pecado que está no interior de cada homem e no mundo. Por isso, Jesus ressuscitado é luz, luz que ilumina a escuridão do mundo. Karol Wojtyla nos exortava a «que esta luz nos faça fortes e capazes de aceitar e amar a completa Verdade de Cristo, de amá-la mais quanto mais a contradiz o mundo».

Nem o cristão, nem a Igreja podem seguir as modas ou os critérios do mundo. O critério único, definitivo e iniludível é Cristo. Não é Jesus quem se deve de adaptar ao mundo em que vivemos; somos nós quem devemos transformar nossas vidas em Jesus. «Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre». Isso nos faz pensar. Quando nossa sociedade secularizada pede certas mudanças ou licenças aos cristãos e à Igreja, simplesmente nos está pedindo que nos afastemos de Deus. O Cristão deve manter-se fiel a Cristo e à sua mensagem. Diz São Irineu: «Deus não tem necessidade de nada; mas o homem tem necessidade de estar em comunhão com Deus. E a gloria do homem está em perseverar e manter-se no serviço de Deus».

Esta fidelidade pode trazer muitas vezes a persecução: «Se me perseguiram, perseguirão a vós também» (Jo 15,20). Não devemos ter medo da persecução; devemos temer não buscar com suficiente desejo cumprir a vontade do Senhor. Sejamos valentes proclamemos sem medo a Cristo ressuscitado, luz e alegria dos cristãos! Deixemos que o Espírito Santo nos transforme para sermos capazes de comunicar isto ao mundo!

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

Sto Ângelo de Jerusalém
Pai e Protomártir de nossa Ordem
* João 15,18-19: O ódio do mundo.
"Se o mundo odiar vocês, saibam que odiou primeiro a mim”. O cristão que segue Jesus é chamado a viver na contramão da sociedade. Num mundo organizado a partir dos interesses egoístas de pessoas e grupos, quem procura viver e irradiar o amor será crucificado. Este foi o destino de Jesus. Por isso, quando um cristão ou uma cristã é muito elogiado pelos poderes deste mundo e é exaltado como modelo para todos pelos meios de comunicação, convém desconfiar sempre um pouco. “Se vocês fossem do mundo, o mundo amaria o que é dele. Mas o mundo odiará vocês, porque vocês não são do mundo, pois eu escolhi vocês e os tirei do mundo”. Foi a escolha de Jesus que nos separou. É baseando-nos nesta escolha ou vocação gratuita de Jesus que teremos força para aguentar a perseguição e a calúnia, e que poderemos ter a alegria no meio das dificuldades.

* João 15,20: O servo não é maior que o seu senhor.
“Nenhum empregado é maior do que seu patrão. Se perseguiram a mim, vão perseguir vocês também; se guardaram a minha palavra, vão guardar também a palavra de vocês”. Jesus já tinha insistido neste mesmo ponto no lava-pés (Jo 13,16) e no discurso da Missão (Mt 10,24-25). E é esta identificação com Jesus que, ao longo dos séculos, deu tanta força às pessoas para continuar na caminhada e foi fonte de experiência mística para muitos santos e santas mártires.

* João 15,21: Perseguição por causa de Jesus.
“Farão isso a vocês por causa de meu nome, pois não reconhecem aquele que me enviou”.  A insistência repetida dos evangelhos em lembrar aquelas palavras de Jesus que possam ajudar as comunidades a entender o porquê das crises e das perseguições, é um sinal evidente de que nossos irmãos e irmãs das primeiras comunidades não tiveram uma vida fácil. Desde a perseguição de Nero em 64 depois de Cristo até o fim do primeiro século, eles viviam na eminência de poderem ser perseguidos, acusados, aprisionados e mortos a qualquer momento. A força que os sustentava era a certeza que Jesus comunicava de que Deus estava com eles.

Para confronto pessoal
1) Jesus se dirige a mim e me diz: Se você fosse do mundo, o mundo amaria o que é dele. Como aplico isto na minha vida?
2) Dentro de mim existem as duas tendências: o mundo e o evangelho. Qual dos dois está levando vantagem?

quinta-feira, 3 de maio de 2018

4 de maio


Mártires da Guerra Civil Espanhola

Vítimas da irracional repressão religiosa que sofreu a Igreja na Espanha entre 1931-39. Entre as 7000 vítimas, encontramos os Carmelitas que hoje celebramos: são 54 frades e 3 monjas carmelitas da Antiga Observância, 91 frades e 5 monjas carmelitas descalços, 26 Irmãs Carmelitas da Caridade de “Vedruna” e 4 Terceiros Carmelitas do Pe Palau. Não se contemplam aqui outros muitos leigos carmelitas terciários e confrades do escapulário que também deram a vida por sua fé católica.

Beato Eliseu Maneus

Frei Eliseu Maneus nasceu em São Mateus (Castellón), no dia 15 de dezembro de 1896, em cuja paróquia foi batizado. E entrou para Ordem Carmelita, recebeu o hábito em 1914. Sua Profissão Solene foi em 07 de setembro de 1919. Foi ordenado sacerdote no dia 06 de janeiro de 1921. Em 1931 o Padre Geral da Ordem Carmelita, solicitou voluntários para os trabalhos Missionários no Brasil, Frei Eliseu aceitou e partiu chegando ao convento do Carmo de Recife onde permaneceu por um ano. Em 1932 foi designado prior e pároco do Convento de Santo Alberto em Goiana PE, dedicando-se às visitas familiares, na administração dos sacramentos sobre tudo o da Reconciliação e sendo diretor espiritual da Ordem Secular Carmelita de Goiana. Por causa de saúde, teve que regressar para Espanha, sendo nomeado Mestre de Noviços no dia 5 de abril de 1934. Era muito devoto da Virgem do Carmo, e de Jesus Crucificado, sempre levava com ele um crucifixo. Seu lema era: “estender, às fronteiras, o amor de meu Rei Jesus e de minha Rainha, a Imaculada Virgem do Carmo”. Manifestou e fomentou no meio de seus fiéis este profundo amor à Virgem Maria e também à Santíssima Eucaristia. Seu ideal: “Arrebanhar uma plêiade de almas generosas dedicadas ao amor, ávidas por uma vida espiritual. ” O Beato Eliseu Maria Maneus, foi assassinado juntamente com 12 religiosos da comunidade Carmelitas de Tárrega, em 29 de julho de 1936. Tinha 40 anos de idade e 24 de vida religiosa, quando negou o comunismo espanhol depois de ser tentado pelos soldados comunistas a renunciar a fé e assumir o ideal comunista, sendo então martirizado por mão destes. Na hora do Martírio, gritou suas últimas palavras: “Viva Cristo Rei, e a Imaculada Conceição de Maria. ” O Papa Bento XVI o beatificou em 28 de outubro de 2007.


LAUDES
HINO
Aqui o Batismo proclama
Sua voz de glória e luz;
Aqui o mistério da Cruz
Vence a espada e vence a chama.

Se Cristo é a minha comida,
Deixai-me ser pão e vinho
No lagar e no moinho
Onde me arrancam a vida

O amor do reino dos Céus
Me conduza e me conforte,
Pela vida e pela morte,
Buscando o rosto de Deus.

Glória a Deus, Pai de bondade
E a Jesus Cristo Senhor
E ao Espírito de amor,
No tempo e na eternidade.

Salmodia, leitura, responsório breve e preces do dia corrente.

Cântico evangélico
Ant. Exultai e alegrai-vos, todos os Santos, porque é grande no Céu a vossa recompensa. Aleluia.

Oração
Senhor nosso Deus, que nos dais constância na fé e força na fraqueza, concedei-nos, pelo exemplo e pela intercessão dos vossos Mártires Carmelitas: Angel Prat e seus 16 companheiros, Carmelo Moyano e seus 9 companheiros e Alberto Marco Aleman com seus 8 companheiros, a graça de participar na morte e ressurreição de vosso Filho, para podermos também gozar convosco, na companhia de todos os Mártires, a plena alegria do vosso reino. Por Nosso Senhor...

VÉSPERAS

HINO
Poder e glória do Espírito,
Felizes todos os Mártires:
A carne sacrificada
Por Deus há de ressurgir.

Iguais aos grãos que se enterram
Para serem nosso pão,
Seu corpo se une ao de Cristo,
Oferta das nossas mãos.

Seu sangue se junta ao Sangue
De Cristo que nos redime.
É seiva ardente escorrendo
Das mesmas veias rasgadas.

Feliz quem dá sem medida,
Até dar a vida à morte.
Em Deus liberto, o seu rosto
No rosto de Deus se espelha.

É vã a carne sem alma,
É cinza espalhada ao vento.
Na Cruz, Senhor, sobrevive
A glória dos nossos corpos.

Morrendo nos vossos Mártires,
Em todos viveis, Senhor.
Neles a Igreja se exalta
Com a força do Espírito.

O grão chegará, na messe,
Ao dia do vosso Dia.
No reino do vosso Amor,
A morte é vida sem fim.

Salmodia, leitura, responsório breve e preces do dia corrente.

Cântico evangélico
Ant. Alegrem-se no Céu as almas dos Santos, que seguiram os passos de Cristo; e porque derramaram o sangue por seu amor, com Cristo reinarão eternamente.

Oração
Senhor nosso Deus, que nos dais constância na fé e força na fraqueza, concedei-nos, pelo exemplo e pela intercessão dos vossos Mártires Carmelitas: Angel Prat e seus dezesseis companheiros, Carmelo Moyano e seus nove companheiros e Alberto Marco Aleman com seus oito companheiros, a graça de participar na morte e ressurreição de vosso Filho, para podermos também gozar convosco, na companhia de todos os Mártires, a plena alegria do vosso reino. Por Nosso Senhor...

Sexta-feira da 5ª semana da Páscoa


1ª Leitura (At 15,22-31): Naqueles dias, os Apóstolos e os anciãos, de acordo com toda a Igreja de Jerusalém, resolveram escolher alguns irmãos, para os mandarem a Antioquia com Barnabé e Paulo: eram Judas, chamado Barsabás, e Silas, homens de autoridade entre os irmãos. Mandaram por eles esta carta: «Os Apóstolos e os anciãos, irmãos vossos, saúdam os irmãos de origem pagã, residentes em Antioquia, na Síria e na Cilícia. Tendo sabido que, sem nossa autorização, alguns dos nossos vos foram inquietar, perturbando as vossas almas com as suas palavras, resolvemos de comum acordo escolher delegados para vo-los enviarmos, juntamente com os nossos queridos Barnabé e Paulo, homens que expuseram a vida pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso vos mandamos Judas e Silas, que vos transmitirão de viva voz as nossas decisões. O Espírito Santo e nós decidimos não vos impor outras obrigações, além destas que são indispensáveis: abster-vos das carnes imoladas aos ídolos, do sangue, das carnes sufocadas e das relações imorais. Procedereis bem, evitando tudo isto. Adeus». Feitas as despedidas, os delegados desceram a Antioquia, onde reuniram a assembleia e entregaram a carta. Quando a leram, todos ficaram contentes com aquelas palavras de estímulo.

Salmo Responsorial: 56
R. Eu Vos louvarei, Senhor, no meio dos povos.
Firme está meu coração, ó Deus; meu coração está firme: quero cantar e salmodiar. Desperta, minha alma; despertai, lira e cítara: quero acordar a aurora.

Louvar-Vos-ei, Senhor, entre os povos, cantar-Vos-ei entre as nações; porque aos céus se eleva a vossa bondade e até às nuvens a vossa fidelidade.

Eu chamo-vos amigos, diz o Senhor, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi a meu Pai.

Evangelho (Jo 15,12-17): «Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida por seus amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu Senhor. Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai. Não fostes vós que me escolhestes; fui eu que vos escolhi e vos designei, para dardes fruto e para que o vosso fruto permaneça. Assim, tudo o que pedirdes ao Pai, em meu nome, ele vos dará. O que eu vos mando é que vos ameis uns aos outros».

«Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei»

Rev. D. Carles ELÍAS i Cao (Barcelona, Espanha)

Adicionar legenda
Hoje, o Senhor convida-nos ao amor fraterno: «Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei» (Jo 15,12), ou seja, como me haveis visto fazer a mim e como ainda me vereis fazer. Jesus fala-te como a um amigo, disse-te que o Pai te chama, que quer que sejas apostolo, e que te destina a dar fruto, um fruto que se manifesta no amor. São João Crisóstomo afirma: «Se o amor estivesse espalhado por todos os lados, nasceria dele uma infinidade de bens».

Amar é dar a vida. Sabem-no os esposos que, porque se amam, fazem uma doação recíproca da sua vida e assumem a responsabilidade de ser pais, aceitando também a abnegação e o sacrifício do seu tempo e do seu ser a favor daqueles a quem hão de cuidar, proteger, educar e formar como pessoas. Sabem-no os missionários que dão a sua vida pelo Evangelho, com um mesmo espírito cristão de sacrifício e abnegação. E sabem-no os religiosos, sacerdotes e bispos, sabe-o todo o discípulo de Jesus que se compromete com o Salvador.

Jesus disse-te um pouco antes qual é o requisito do amor, de dar fruto: «se o grão de trigo que cai na terra não morre, fica só. Mas, se morre, produz muito fruto» (Jo 12,24). Jesus convida-te a perder a tua vida, a que lha entregues a Ele sem medo, a morrer em ti próprio para poder amar o teu irmão com o amor de Cristo, com o amor sobrenatural. Jesus convida-te a atingir um amor operante, benfeitor e concreto; assim o entendeu o apóstolo Santiago quando disse: «Se um irmão o irmã minha estiver nu e carecer de sustento diário, e um de vocês lhe disser: «Ide em paz, aquecei-vos e saciai-vos», mas não lhes deres o suficiente para o corpo, de que lhe servirá? Assim também a fé, se não tem obras, está realmente morta» (2,15-17).

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

Bto Eliseu Maneus
Presbítero e Mártir de nossa Ordem
• João 15:12-13: amar os irmãos como Cristo nos amou.
O mandamento de Jesus é um só: "amar uns aos outros como Ele nos amou!" (Jo 15,12). Jesus supera o Antigo Testamento. O critério antigo era: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Lv 18,19). O novo critério é: "Amai-vos como Eu vos amei". Aqui ele diz a frase que cantamos até hoje: "Não há maior prova de amor do que dar a vida pelos irmãos!"

• João 15,14-15: Amigos e não servos.
"Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando", ou seja, a prática do amor até o dom total de si! Em seguida Jesus coloca um altíssimo ideal para a vida dos discípulos. Ele diz: "Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu Senhor. Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai.". Jesus não tinha mais segredos para seus discípulos. Tudo que escuta do Pai nos diz. Este é o belo ideal da vida em comunidade: alcançar uma total transparência, até o ponto de não ter segredos entre nós e confiar plenamente um no outro, para partilhar a experiência que temos de Deus e da vida e assim nos enriquecemos mutuamente. Os primeiros cristãos puderam realizar este ideal por alguns anos. "Eles eram um só coração e uma só alma" (At 4,32; 1,14, 2,42.46).

• João 15,16-17: Foi Jesus quem nos escolheu.
Não fomos nós que escolhemos Jesus. Foi ele quem nos encontrou, nos chamou e nos deu a missão de ir e dar fruto, e fruto que permaneça. Precisamos dele, mas ele também precisa de nós para continuar a fazer hoje o que ele fez com o povo da Galileia. A última recomendação: "O que eu vos mando é que vos ameis uns aos outros".

Para confronto pessoal
1. Amar o próximo como Jesus nos amou. Este é o ideal de todo cristão. Como eu estou vivendo este ideal?
2. Tudo o que eu ouvi de meu Pai vos tenho dito. Este é o ideal da comunidade: chegar a uma transparência total. Como vivo isto em minha comunidade?

quarta-feira, 2 de maio de 2018

3 de maio: Santos Filipe e Tiago, apóstolos


1ª Leitura (1Cor 15,1-8): Recordo-vos, irmãos, o Evangelho que vos anunciei e que recebestes, no qual permaneceis e pelo qual sereis salvos, se o conservais como eu vo-lo anunciei; aliás teríeis abraçado a fé em vão. Transmiti-vos em primeiro lugar o que eu mesmo recebi: Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e apareceu a Pedro e depois aos Doze. Em seguida apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maior parte ainda vive, enquanto alguns já faleceram. Posteriormente apareceu a Tiago e depois a todos os Apóstolos. Em último lugar, apareceu-me também a mim, como o abortivo.

Salmo Responsorial: 18
R. A sua mensagem ressoou por toda a terra.
Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos. O dia transmite ao outro esta mensagem e a noite a dá a conhecer à outra noite.

Não são palavras nem linguagem cujo sentido se não perceba. o seu eco ressoou por toda a terra e a sua notícia até aos confins do mundo.

Eu sou o caminho, a verdade e a vida, diz o Senhor. Filipe, quem Me vê, vê o Pai.

Evangelho (Jo 14,6-14): Naquele tempo, Jesus respondeu: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. Se me conhecestes, conhecereis também o meu Pai. Desde já o conheceis e o tendes visto». Filipe disse: «Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta». Jesus respondeu: «Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me conheces? Quem me viu, tem visto o Pai. Como é que tu dizes: ‘Mostra-nos o Pai’? Não acreditas que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo; é o Pai que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. Crede-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Crede, ao menos, por causa destas obras. Em verdade, em verdade, vos digo: quem crê em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai. E o que pedirdes em meu nome, eu o farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes algo em meu nome, eu o farei».

«Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Quem me viu, tem visto o Pai»

Rev. D. Joan SOLÀ i Triadú (Girona, Espanha)

Hoje celebramos a festa dos apóstolos Filipe e Tiago. O Evangelho refere-se àqueles diálogos que Jesus tinha somente com os Apóstolos, onde procurava ir formando-os, para que tivessem ideias claras sobre sua pessoa e sua missão. Os Apóstolos estavam imbuídos das ideias que os judeus haviam formado sobre a pessoa do Messias: esperavam um libertador terreno e político, enquanto que a pessoa de Jesus não respondia absolutamente nada a estas imagens preconcebidas.

As primeiras palavras que lemos no Evangelho de hoje é uma resposta a uma pergunta do apóstolo Tomé. Jesus respondeu: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim» (Jo 14,6). Esta resposta a Tomé dá pé à petição de Filipe: «Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta» (Jo 14,8). A resposta de Jesus é —em realidade— uma repreensão: Jesus respondeu: «Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me conheces? Quem me viu, tem visto o Pai. Como é que tu dizes: ‘Mostra-nos o Pai’?» (Jo 14,9).

Os Apóstolos não entendiam a unidade entre o Padre e Jesus, eles não podiam ver ao Deus e Homem na pessoa de Jesus. Ele não se limita a demonstrar sua igualdade com o Pai, mas também lhes recorda que eles serão os que continuarão com a sua obra salvadora: outorga-lhes o poder de fazer milagres, lhes promete que estará sempre com eles e, qualquer coisa que se peça em seu nome, será concedida.

Estas respostas de Jesus aos Apóstolos, também estão dirigidas a todos nós. São Josémaria, comentando este texto, diz: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida. O senhor com estas inequívocas palavras nos demonstrou qual é a vereda autêntica que leva à felicidade eterna (...). Declara a todos os homens, e especialmente nos recorda a quem, como tu e como eu, lhe dissemos que estamos decididos a levar a serio nossa vocação de cristãos».

Reflexão de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

S. Felipe e S. Tiago, Apóstolos
* João 14,6: Eu sou o caminho, a verdade e a vida.
Tomé tinha feito a pergunta: "Senhor, não sabemos para onde vai. Como podemos conhecer o caminho?" (Jo 14,5). Jesus responde: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida! Ninguém vai ao Pai senão por mim”. Três palavras importantes. Sem caminho, não se anda. Sem verdade, não se acerta. Sem vida, só há morte! Jesus explica o sentido. Ele é o caminho, porque "ninguém vem ao Pai senão por mim!" Pois, ele é a porta, por onde as ovelhas entram e saem (Jo 10,9). Jesus é a verdade, porque olhando para ele, estamos vendo a imagem do Pai. "Se vocês me conhecem, conhecerão também o Pai!" Jesus é a vida, porque caminhando como Jesus caminhou, estaremos unidos ao Pai e teremos a vida em nós!

* João 14,7: Conhecer Jesus é conhecer o Pai.
Jesus acrescentou: “Se vocês me conhecem, conhecerão também o meu Pai. Desde agora vocês o conhecem e já o viram". Jesus sempre fala do Pai, pois o Pai era a vida dele e transparecia em tudo que ele, Jesus, falava e fazia. Esta referência constante ao Pai provoca a pergunta de Filipe, cuja festa hoje celebramos.

* João 14,8-11: Filipe pergunta: "Mostra-nos o Pai, e basta!" 
Ver e experimentar o Pai era o desejo dos discípulos e das discípulas; era o desejo de muitas pessoas nas comunidades do Discípulo Amado da Ásia Menor e, até hoje, continua sendo o desejo de muitos de nós. Como experimentar a presença do Pai de que Jesus fala tanto? A resposta de Jesus é muito bonita e vale até hoje: "Filipe, tanto tempo estou no meio de vocês, e você ainda não me conhece! Quem me vê, vê o Pai!" A gente não deve pensar que Deus está longe de nós, como alguém distante e desconhecido. Quem quiser saber como é e quem é Deus Pai, basta olhar para Jesus. Ele o revelou nas palavras e gestos da sua vida! "O Pai está em mim e eu estou no Pai!" Através da sua obediência, Jesus está totalmente identificado com o Pai. Ele a cada momento fazia aquilo que o Pai mostrava que era para fazer (Jo 5,30; 8,28-29.38). Por isso, em Jesus tudo é revelação do Pai! E os sinais ou as obras de Jesus são as obras do Pai! Como diz o povo: "O filho é a cara do pai!" Em Jesus e por Jesus, Deus está no meio de nós.

* João 14,12-14: Promessa de Jesus. 
Jesus faz uma promessa para dizer que a intimidade dele com o Pai não é privilégio só dele, mas é possível para todos e todas que creem nele: Eu garanto a vocês: quem acredita em mim, fará as obras que eu faço, e fará maiores do que estas, porque eu vou para o Pai. O que vocês pedirem em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se vocês pedirem qualquer coisa em meu nome, eu o farei. Nós também, através de Jesus, podemos chegar a fazer coisas bonitas para os outros do jeito que Jesus fazia para o povo do seu tempo. Ele vai interceder por nós. Tudo que a gente pedir a ele, ele vai pedir ao Pai e vai conseguir, contanto que seja para servir. Jesus é o nosso defensor. Ele vai embora, mas não nos deixa sem defesa. Ele promete que vai pedir ao Pai para Ele mandar outro defensor ou consolador, o Espírito Santo (Jo 14,15-17). Jesus chegou a dizer que ele precisa ir embora, pois, do contrário, o Espírito Santo não poderá vir (Jo 16,7). É o Espírito Santo que realizará as coisas de Jesus em nós, desde que peçamos em nome de Jesus e observemos o grande mandamento da prática do amor.

Para confronto pessoal
1) Jesus é o caminho, a verdade e a vida. Sem caminho, sem verdade e sem vida não se vive. Procure deixar isto penetrar na sua consciência.
2) Duas perguntas importantes: Quem é Jesus para mim? Quem sou eu para Jesus?

terça-feira, 1 de maio de 2018

Quarta-feira da 5ª semana da Páscoa


1ª Leitura (At 15,1-6): Naqueles dias, alguns homens que desceram da Judeia começaram a ensinar aos irmãos de Antioquia: «Se não receberdes a circuncisão, segundo a lei de Moisés, não podereis salvar-vos». Isto provocou um conflito e uma discussão intensa que Paulo e Barnabé tiveram com eles. Então decidiram que Paulo e Barnabé e mais alguns discípulos subissem a Jerusalém para tratarem desta questão com os Apóstolos e os anciãos. Despedidos afavelmente pela Igreja, atravessaram a Fenícia e a Samaria, onde narravam a conversão dos gentios, causando grande contentamento a todos os irmãos. Ao chegarem a Jerusalém, foram recebidos pela Igreja, pelos Apóstolos e pelos anciãos, e contaram tudo o que Deus tinha feito por seu intermédio. Ergueram-se alguns homens do partido dos fariseus que tinham abraçado a fé, para dizerem que era preciso circuncidar os gentios e impor-lhes a observância da Lei de Moisés. Então os Apóstolos e os anciãos reuniram-se para examinar o assunto.

Salmo Responsorial: 121
R. Vamos com alegria para a casa do Senhor.
Alegrei-me quando me disseram: «Vamos para a casa do Senhor». Detiveram-se os nossos passos às tuas portas, Jerusalém.

Jerusalém, cidade bem edificada, que forma tão belo conjunto! Para lá sobem as tribos, as tribos do Senhor.

Segundo o costume de Israel, para celebrar o nome do Senhor; ali estão os tribunais da justiça, os tribunais da casa de David.

Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós, diz o Senhor. Quem permanece em Mim dá fruto abundante.

Evangelho (Jo 15,1-8): «Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não dá fruto em mim, ele corta; e todo ramo que dá fruto, ele limpa, para que dê mais fruto ainda. Vós já estais limpos por causa da palavra que vos falei. Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira e vós, os ramos. Aquele que permanece em mim, como eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim, nada podeis fazer. Quem não permanecer em mim será lançado fora, como um ramo, e secará. Tais ramos são apanhados, lançados ao fogo e queimados. Se permanecerdes em mim, e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e vos será dado. Nisto meu Pai é glorificado: que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos».

«Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós»

Rev. D. Antoni CAROL i Hostench (Sant Cugat del Vallès, Barcelona, Espanha)

Hoje, contemplamos novamente Jesus rodeado dos Apóstolos, em um clima de especial intimidade. Ele confia-lhes o que poderíamos considerar como as últimas recomendações: aquilo que se diz no último momento, justo na despedida, e que tem uma força especial, como se de um postremo testamento se tratasse.

Nos imaginamo-los no cenáculo. Ali, Jesus lhes tem lavado os pés, tem lhes anunciado novamente que tem que partir, tem lhes transmitido o mandamento do amor fraterno e os tem consolado com o dom da Eucaristia e a promessa do Espírito Santo (cf. Jo 14). Introduzidos já no capítulo décimo quinto deste Evangelho, achamos agora a exortação à unidade na caridade.

O Senhor não esconde aos discípulos os perigos e dificuldades que deverão afrontar no futuro: «Se me perseguiram, também vos hão de perseguir» (Jo 15,20). Mas eles não se acovardarão nem se abaterão ante o ódio do mundo: Jesus renova a promessa do envio do Defensor, garante-lhes a assistência em tudo aquilo que eles lhe peçam e, enfim, o Senhor roga ao Pai por eles —por nós todos—durante a sua oração sacerdotal (cf. Jo 17).

Nosso perigo não vem de fora: a pior ameaça pode surgir de nós mesmos ao faltar ao amor fraterno entre os membros do Corpo Místico de Cristo e ao faltar à unidade com a Cabeça deste Corpo. A recomendação é clara: «Eu sou a videira e vós, os ramos. Aquele que permanece em mim, como eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim, nada podeis fazer» (Jo 15,5).

As primeiras gerações de cristãos conservaram uma consciência muito viva da necessidade de permanecer unidos pela caridade: Temos aqui o testemunho de um Padre da Igreja, Santo Inácio da Antioquia: «Correis todos a uma como a um só templo de Deus, como a um só altar, a um só Jesus Cristo que procede de um só Pai». Tem aqui também a indicação de Santa Maria, Mãe dos cristãos: «Fazei o que ele vos disser» (Jo 2,5).

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

Sto Atanásio, Bispo e Doutor
* Os Capítulos 15 até 17 do Evangelho de João trazem vários ensinamentos de Jesus que o evangelista juntou e colocou aqui no contexto amigo e fraterno do último encontro de Jesus com seus discípulos:
Jo 15,1-17: Reflexões em torno da parábola da videira
Jo 15,18 a 16,4a: Conselhos sobre a maneira de como comportar-se quando forem perseguidos
Jo 16,4b-15: Promessa sobre a vinda do Espírito Santo
Jo 16,16-33: Reflexões sobre a despedida e o retorno de Jesus
Jo 17,1-26: O Testamento de Jesus em forma de oração

* Os Evangelhos de hoje e de amanhã trazem uma parte da reflexão de Jesus em torno da parábola da videira. Para entender bem todo o alcance desta parábola, é importante estudar bem as palavras que Jesus usou. Igualmente importante é você observar de perto uma videira ou uma planta qualquer para ver como ela cresce e como acontece a ligação entre o tronco e os ramos, e como o fruto nasce do tronco e dos ramos.

* João 15,1-2: Jesus apresenta a comparação da videira
No Antigo Testamento, a imagem da videira indicava o povo de Israel (Is 5,1-2). O povo era como uma videira que Deus plantou com muito carinho nas encostas das montanhas da Palestina (Sl 80,9-12). Mas a videira não correspondeu ao que Deus esperava. Em vez de uvas boas deu um fruto azedo que não prestava para nada (Is 5,3-4). Jesus é a nova videira, a verdadeira. Numa única frase ele nos entrega toda a comparação. Ele diz: "Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor. Todo ramo em mim que não produz fruto, ele o corta. E todo ramo que produz fruto, ele o poda!".  A poda é dolorosa, mas é necessária. Ela purifica a videira, para que cresça e produza mais frutos.

* João 15,3-6: Jesus explica e aplica a parábola  
Os discípulos já são puros. Já foram podados pela palavra que ouviram de Jesus. Até hoje, Deus faz a poda em nós através da sua Palavra que nos chega pela Bíblia e por tantos outros meios. Jesus alarga a parábola e diz: "Eu sou a videira e vocês são os ramos!"  Não se trata de duas coisas distintas: de um lado a videira, do outro, os ramos. Não! Videira sem ramos não existe. Nós somos parte de Jesus. Jesus é o todo. Para que um ramo possa produzir fruto, deve estar unido à videira. Só assim consegue receber a seiva. "Sem mim vocês não podem fazer nada!" Ramo que não produz fruto é cortado. Ele seca e é recolhido para ser queimado. Não serve para mais nada, nem para lenha!

* João 15,7-8: Permanecer no amor.  
Nosso modelo é aquilo que Jesus mesmo viveu no seu relacionamento com o Pai. Ele diz: "Assim como o Pai me amou, também eu amei vocês. Permaneçam no meu amor!" Ele insiste em dizer que devemos permanecer nele e que as palavras dele devem permanecer em nós. E chega a dizer: "Se vocês permanecerem em mim e minhas palavras permanecerem em vocês, aí podem pedir qualquer coisa e vocês o terão!"  Pois o que o Pai mais quer é que nos tornemos discípulos e discípulas de Jesus e, assim, produzamos muito fruto.

Para confronto pessoal
1. Quais as podas ou momentos difíceis, que já passei na minha vida e que me ajudaram a crescer? Quais as podas ou momentos difíceis, que passamos na nossa comunidade e nos ajudaram a crescer?
2. O que mantém a planta unida e viva, capaz de dar frutos, é a seiva que a percorre. Qual é a seiva que percorre nossa comunidade a mantém viva, capaz de produzir frutos?