terça-feira, 11 de julho de 2017

Quarta-feira da 14ª semana do Tempo Comum

Sta Zélia e S. Luís Martim, Leigos
Evangelho (Mt 10,1-7): Naquele tempo, chamando os doze discípulos, Jesus deu-lhes poder para expulsar os espíritos impuros e curar todo tipo de doença e de enfermidade. Estes são os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e depois André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o cananeu, e Judas Iscariotes, que foi o traidor de Jesus. Jesus enviou esses doze, com as seguintes recomendações: «Não deveis ir aos territórios dos pagãos, nem entrar nas cidades dos samaritanos! Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! No vosso caminho, proclamai: O Reino dos Céus está próximo».

«Ide e proclamai: O Reino dos Céus está próximo»

Rev. D. Fernando PERALES i Madueño (Terrassa, Barcelona, Espanha)

Hoje, o Evangelho nos mostra Jesus enviando os seus discípulos em missão: «Jesus enviou esses doze, com as seguintes recomendações» (Mt 10,5). Os doze discípulos formaram então o Colégio Apostólico, que significa missionário; a Igreja, que em sua peregrinação terrena, é uma comunidade missionária, pois tem a sua origem no cumprimento da missão do Filho e do Espírito Santo segundo os desígnios de Deus Pai. Do mesmo modo que Pedro e os demais apóstolos constituem um só Colégio Apostólico por instituição do Senhor, assim o Romano Pontífice, sucessor de Pedro, e os Bispos, sucessores dos Apóstolos, formam um todo sobre o qual recai o dever de anunciar o Evangelho por toda a terra.

Entre os discípulos enviados em missão, encontramos aqueles aos quais Cristo conferiu um lugar destacado e uma maior responsabilidade, como Pedro; e a outros como Tadeu, do qual quase não temos notícias; afinal, os Evangelhos foram escritos para nos comunicar a Boa Nova e não para satisfazer nossa curiosidade. Nós, por nossa parte, devemos rezar por todos os bispos, pelos importantes e pelos menos conhecidos, e viver em comunhão com eles: «Segui a todos os bispos, como Jesus Cristo seguiu ao Pai, e ao Colégio dos Anciãos como aos Apóstolos» (Santo Inácio de Antioquia). Jesus não buscou pessoas instruídas, mas simplesmente as disponíveis e capazes de segui-lo até o fim. Isto me ensina que eu, como cristão, também devo sentir-me responsável por uma parte da obra de salvação de Jesus. Afasto o mal? Ajudo meus irmãos?

Como a obra está em seu começo, Jesus logo estabelece uns limites: «Não deveis ir aos territórios dos pagãos, nem entrar nas cidades dos samaritanos! Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! No vosso caminho, proclamai: O Reino dos Céus está próximo» (Mt 10,5-6). Hoje há de se fazer tudo o que se possa, com a certeza de que Deus chamará a todos os pagãos e samaritanos em outra fase do trabalho missionário.

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* No capítulo 10 do Evangelho de Mateus começa o segundo grande discurso, o Sermão da Missão. Mateus organizou o seu evangelho como uma nova edição da Lei de Deus ou como um novo “pentateuco” com seus cinco livros. Por isso, o seu evangelho traz cinco grandes discursos ou ensinamentos de Jesus, seguidos por partes narrativas, nas quais ele descreve como Jesus praticava o que tinha ensinado nos discursos. Eis o esquema:
Introdução: nascimento e preparação do Messias (Mt 1 a 4)
1. Sermão da Montanha: a porta de entrada no Reino (Mt 5 a 7)
Narrativa Mt 8 e 9
2. Sermão da Missão: como anunciar e irradiar o Reino (Mt 10)
Narrativa Mt 11 e 12
3. Sermão das Parábolas: o mistério do Reino presente na vida (Mt 13)
Narrativa Mt 14 a 17
4. Sermão da Comunidade: a nova maneira de conviver no Reino (Mt 18)
Narrativa 19 a 23
5. Sermão da vinda futura do Reino: a utopia que sustenta a esperança (Mt 24 e 25)
Conclusão: paixão, morte e ressurreição (Mt 26 a 28).

* O evangelho de hoje traz o início do Sermão da Missão, no qual se acentuam três assuntos:
(1) o chamado dos discípulos (Mt 10,1);
(2) a lista dos nomes dos doze apóstolos que vão ser os destinatários do sermão da missão (Mt 10,2-4);
(3) o envio dos doze (Mt 10,5-7).

* Mateus 10,1: O chamado dos doze discípulos
Mateus já tinha falado do chamado dos discípulos (Mt 4,18-22; 9,9). Aqui, no começo do Sermão da Missão, ele traz um resumo: “Então Jesus chamou seus discípulos e deu-lhes poder para expulsar os espíritos maus, e para curar qualquer tipo de doença e enfermidade”. A tarefa ou missão do discípulo é seguir Jesus, o Mestre, formando comunidade com ele e realizando a mesma missão de Jesus: expulsar os espíritos maus, curar qualquer tipo de doença e enfermidade. No evangelho de Marcos, eles recebem a mesma dupla missão, formulada com outras palavras: Jesus constituiu o grupo dos Doze, para que ficassem com ele e para enviá-los a pregar, com autoridade para expulsar os demônios” (Mc 3,14-15).
1) Estar com ele, isto é, formar comunidade, na qual Jesus é o eixo.
2) Pregar e ter poder para expulsar demônio, isto é, anunciar a Boa Nova e combater o poder do mal que estraga a vida do povo e aliena as pessoas. Lucas diz que Jesus rezou a noite toda e, no dia seguinte, chamou os discípulos. Rezou a Deus para saber a quem escolher (Lc 6,12-13).

* Mateus 10,2-4: A lista dos nomes dos doze apóstolos.
Grande parte destes nomes vem do Antigo Testamento. Por exemplo, Simeão é o nome de um dos filhos do patriarca Jacó (Gn 29,33). Tiago é o mesmo que Jacó (Gn 25,26). Judas é o nome de outro filho de Jacó (Gn 35,23). Mateus também tinha o nome de Levi (Mc 2,14), que é outro filho de Jacó (Gn 35,23). Dos doze apóstolos, sete têm nome que vem do tempo dos patriarcas. Dois se chamam Simão; dois, Tiago; dois, Judas; um, Levi! Só tem um com nome grego: Filipe. Isto revela o desejo do povo de refazer a história desde o começo! Seria como hoje numa família bem brasileira, na qual todos os filhos têm nomes do tempo dos índios Raoni, Ubiratan, Jussara, etc, e só têm nome americano Washington. Vale a pena pensar nos nomes que hoje damos para os filhos. Como eles, cada um de nós é chamado por Deus pelo nome.

* Mateus 10,5-7: O envio ou missão dos doze apóstolos para as ovelhas perdidas de Israel.
Depois de ter enumerado os nomes dos doze, Jesus os envia com estas recomendações: "Não tomem o caminho dos pagãos, e não entrem nas cidades dos samaritanos. Vão primeiro às ovelhas perdidas da casa de Israel. Vão e anunciem: O Reino do Céu está próximo”. Nesta única frase há uma tripla insistência em mostrar que a preferência da missão é para com a casa de Israel:
(1) Não tomar o caminho dos pagãos,
(2) não entrar nas cidades samaritanas,
(3) ir primeiro para as ovelhas perdidas de Israel.
Aqui transparece uma resposta à dúvida dos primeiros cristãos em torno da abertura para os pagãos. Paulo, que afirmava com tanta firmeza a abertura para os pagãos, concorda em dizer que a Boa Nova trazida por Jesus devia ser anunciada primeiro aos judeus e, depois, aos pagãos (Rom 9,1 a 11,36; cf. At 1,8; 11,3; 13,46; 15,1.5.23-29). Mais adiante, no mesmo evangelho de Mateus, na conversa de Jesus com a mulher cananeia, acontecerá a abertura para os pagãos (Mt 15,21-29).

* O envio dos apóstolos para todos os povos. Depois da ressurreição de Jesus, há vários episódios do envio dos apóstolos não só para os judeus, mas para todos os povos. Em Mateus: “Ide e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei. E eis que eu estarei com convosco todos os dias até à consumação dos séculos” (Mt 28,19-20). Em Marcos: “Ide por todo mundo, proclamai a Boa Nova a toda criatura. Aquele que crer e for batizado será salvo; o que não crer será condenado” (Mc 15-16). Em Lucas: "Assim está escrito: O Messias sofrerá e ressuscitará dos mortos no terceiro dia, e no seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. E vocês são testemunhas disso. (Lc 24,46-48; At 1,8) João resume tudo nesta frase: “Como Pai me enviou, eu envio vocês!” (Jo 20,21).

Para um confronto pessoal
1. Você já pensou no significado do seu nome? Já perguntou a seus pais por que motivo lhe deram o nome que você tem? Você gosta do seu nome?
2. Jesus chama os discípulos. O seu chamado tem uma dupla finalidade: formar comunidade e ir em missão. Como vivo esta dupla finalidade na minha vida?

segunda-feira, 10 de julho de 2017

NOVENA DE NOSSA SENHORA DO CARMO - 5º DIA


ORAÇÃO PREPARATÓRIA
Pai, olha com benevolência para aqueles que se revestem com o Escapulário do Carmo. Faz com que, deixando-se amar pela Virgem Maria, Mãe do vosso Filho e Mãe do Carmelo, sejam conformes à imagem de Jesus Cristo. E depois de terem percorrido, livres de todos os perigos, o caminho da vida, possam entrar na glória da vossa Casa. Por Cristo, Senhor nosso. Amém. (Bento XVI)

JACULATÓRIAS
1. Gloriosa Virgem Santa
Sois a estrela que nos guia
Com o poder ilimitado
Que tendes no Céu, Maria.
Ave Maria...

2. Gloriosa Virgem Santa
De Deus, formosa Raquel.
Sois brasão dos Carmelitas,
Sois a glória de Israel.
Ave Maria...

3. Gloriosa Virgem Santa
Do Carmelo sois a flor.
Sois a filha predileta
De Deus, nosso Criador.
Ave Maria...

ANTÍFONA MARIANA
Flor do Carmelo,
Videira florescente,
Esplendor do Céu,
Virgem fecunda
e singular.
Mãe amável,
Mas sempre Virgem,
Aos carmelitas,
Sede propícia,
Ó Estrela do Mar.

HINO

Dizei lábios meus
palavras benditas,
em louvor da Virgem,
Mãe dos carmelitas.

Senhora do Carmo,
vinde em meu favor,
o inimigo afastai
com o vosso valor.

Deus vos salve Mestra,
em tudo divina,
que no Carmo destes
a melhor doutrina.

Como no deserto
a nuvem luminosa
sois a nuvem guia
Virgem, tão formosa.

Ó Mãe, nos guiais
para o bom Jesus
E o Céu apontais
qual farol de luz.

Permiti também,
pelo vosso ensino
que por Deus, tenhamos
um feliz destino.

Virgem pura e santa
Mãe e protetora
sois dos carmelitas
gentil condutora.

Em nosso caminho
de fadiga e dor
vosso Escapulário
é sinal de amor.

Fostes protetora
do Menino Santo.
Guardai-nos Senhora
sob o vosso manto.

Junto à Cruz de Cristo
De pé, lacrimosa.
Junto a nossa cruz
Estais prestimosa.

Oh! Rogai por nós,
Mãe dos carmelitas,
para que vivamos
onde vós habitais.

A minha oração
atendei, Senhor,
chegue ao vosso trono
este meu louvor!

MEDITAÇÃO – Maria na sua missão de mãe de família, na sua casa de Nazaré
Contemplamos Maria como mãe de família, na sua casa em Nazaré, na vida simples de todos os dias, na intimidade do Seu lar de amor, onde vive com Jesus e José. Ela é a educadora de Jesus, juntamente com José; esta é a missão que o Senhor lhes confia. A Família de Jesus, Maria e José é, na delicadeza das relações entre as pessoas, o espelho da Trindade encarnada sobre a terra. Nesta Família, cada uma das pessoas que a compõem só procura uma coisa: cumprir a vontade de Deus. O mesmo devemos fazer na nossa Comunidade. Em Nazaré não havia inquietações inúteis. Sabiam que Deus velava por eles, esperavam tudo de Deus, por isso eram silenciosos. Maria convida-nos a viver desta certeza que o Senhor cuida de nós a cada instante.

Mãe carinhosa e cheia de ternura, ensina-nos a Tua contemplação de Deus, infunde em nós aquelas virtudes de que sempre esteve adornado o Teu lar de Nazaré, para que, onde quer que nos encontremos, reproduzamos sobre a terra a beleza das relações que se viviam na Tua casa de Nazaré: o céu de Deus refletido sobre a terra.

LADAINHA DE NOSSA SENHORA DA ESPERANÇA
Senhor, tende piedade de nós!
Jesus Cristo, tende piedade de nós!
Senhor, tende piedade de nós!

Deus Pai, nosso Criador, tende piedade de nós!
Deus Filho, nosso Redentor, tende piedade de nós!
Deus Espírito Santo, nosso Santificador, tende piedade de nós!
Trindade Santa, único Deus, tende piedade de nós!

Ave, Maria, Virgem entre os anjos, rogai por nós!
Ave, Maria, Virgem entre as virgens,
Ave, Maria, Virgem puríssima,
Ave, Maria, Virgem castíssima,
Ave, Maria, Virgem intacta,
Ave, Maria, Virgem amável,
Ave, Maria, Virgem admirável,
Ave, Maria, Virgem digna de veneração,
Ave, Maria, Virgem digna de louvor,
Ave, Maria, Virgem e Templo do Espírito Santo,
Ave, Maria, Mãe de Deus,
Ave, Maria, Mãe do Criador,
Ave, Maria, Mãe do Redentor,
Ave, Maria, Mãe do Senhor ressuscitado,
Ave, Maria, Mãe do Sumo Juiz,
Ave, Maria, Mãe de Cristo, nossa glória,
Ave, Maria, Mãe da Igreja,
Ave, Maria, Mãe de toda graça,
Ave, Maria, Mãe de misericórdia,
Ave, Maria, refúgio dos pecadores,
Ave, Maria, saúde dos enfermos,
Ave, Maria, consolação dos aflitos,
Ave, Maria, advogada dos míseros,
Ave, Maria, mediadora dos cristãos,
Ave, Maria, esperança nossa,
Ave, Maria, mestra de humildade,
Ave, Maria, mestra de obediência,
Ave, Maria, mestra de prudência,
Ave, Maria, fonte de salvação e de graça,
Ave, Maria, fonte de consolação e perdão,
Ave, Maria, salvação e esperança de quem espera em vós,
Ave, Maria, rainha do universo,
Ave, Maria, rainha dos anjos,
Ave, Maria, rainha dos patriarcas,
Ave, Maria, rainha dos profetas,
Ave, Maria, rainha dos apóstolos,
Ave, Maria, rainha dos mártires,
Ave, Maria, rainha dos confessores,
Ave, Maria, rainha das virgens,
Ave, Maria, rainha de todos os eleitos,
Ave, Maria, rainha de todos os santos,

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Jesus!
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Jesus!
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós!

Rogai por nós, Rainha do Escapulário!
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo!

ORAÇÃO:
Maria, Rainha e Mãe dos Carmelitas, que lhes destes como penhor da salvação o Santo Escapulário, nós vos agradecemos e Vos suplicamos a graça de viver na fidelidade à Lei de Deus para que em nossa morte possamos contar com a vossa presença e ir ao céu contemplar-Vos eternamente.

Terça-feira da 14ª semana do Tempo Comum - São Bento, abade.

São Bento, abade
Pai dos Monges do Ocidente
Evangelho (Mt 9,32-38): Naquele tempo as pessoas trouxeram a Jesus um possesso mudo. Expulso o demônio, o mudo começou a falar. As multidões ficaram admiradas e diziam: «Nunca se viu coisa igual em Israel». Os fariseus, porém, diziam: «É pelo chefe dos demônios que ele expulsa os demônios». Jesus começou a percorrer todas as cidades e povoados, ensinando em suas sinagogas, proclamando a Boa Nova do Reino e curando todo tipo de doença e de enfermidade. Ao ver as multidões, Jesus encheu-se de compaixão por elas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor. Então disse aos discípulos: «A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para sua colheita!».

«Pedi, pois, ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para sua colheita!»

. D. Joan SOLÀ i Triadú (Girona, Espanha)

Hoje, o Evangelho nos fala da cura de um endemoninhado mudo, que provoca diferentes reações nos fariseus e na multidão. Enquanto os fariseus, ante a evidência de um prodígio inegável, atribuem isso a poderes demoníacos - «É pelo chefe dos demônios que ele expulsa os demônios» (Mt 9,34), a multidão fica maravilhada: «Nunca se viu coisa igual em Israel» (Mt 9,33). São João Crisóstomo, comentando essa passagem, diz: «O que verdadeiramente incomodava aos fariseus era que consideravam Jesus superior a todos, não somente aos que existiam então, mas a todos os que haviam existido anteriormente».

Jesus não se abala ante a aversão dos fariseus, Ele continua fiel à sua missão. Na verdade, Jesus, ante a evidência de que os guias de Israel, ao invés de guiar e instruir o rebanho, o estavam afastando do bom caminho, apiedou-se daquela multidão cansada e abatida, como ovelhas sem pastor. Que as multidões desejam e agradeçam uma boa orientação ficou comprovado nas visitas pastorais do Papa João Paulo II a tantos países do mundo. Quantas multidões reunidas em volta dele! Como escutavam sua palavra, sobretudo os jovens! E o Papa não rebaixava o Evangelho, mas o pregava com todas as suas exigências.

Todos nós, «se fôssemos consequentes com a nossa fé - nos diz São Josémaria Escrivã - se olhássemos à nossa volta e contemplássemos o espetáculo da História e do Mundo, não poderíamos senão deixar crescer nos nossos corações os mesmos sentimentos que animaram os de Jesus Cristo», o que nos conduziria a uma generosa tarefa apostólica. Mas é evidente a desproporção que existe entre o grande número de pessoas que esperam a pregação da Boa Nova e a escassez de operários. A solução Jesus nos dá ao final do Evangelho: Pedi, pois, ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para sua colheita! (cf. Mt 9,38).

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* O evangelho de hoje traz dois assuntos: (1) a cura de um endemoninhado mudo (Mt 9,32-34) e (2) um resumo das atividades de Jesus (Mt 9,35-38). Estes dois episódios encerram a parte narrativa dos capítulos 8 e 9 do evangelho de Mateus na qual o evangelista procura mostrar como Jesus praticava os ensinamentos dados no Sermão da Montanha (Mt 5 a 7). No capítulo 10, cuja meditação começa no evangelho de amanhã, veremos o segundo grande discurso de Jesus: o Sermão da Missão (Mt 10,1-42).

* Mateus 9,32-33a: A cura de um mudo.
Num único versículo, Mateus descreve como trouxeram um endemoninhado mudo até Jesus, como Jesus expulsou o demônio e como o mudo começou a falar de novo. O que impressiona na atitude de Jesus, aqui e em todos os quatro evangelhos, é o cuidado e o carinho com as pessoas doentes. As doenças eram muitas, e a previdência social, inexistente. As doenças não eram só as deficiências corporais: mudez, surdez, paralisia, lepra, cegueira e tantos outros males. No fundo, estas doenças eram apenas a manifestação de um mal muito mais amplo e mais profundo que arruinava a saúde do povo, a saber, o total abandono e o estado deprimente e desumano em que ele era obrigado a viver. As atividades e as curas de Jesus se dirigiam não só contra as deficiências corporais, mas também e sobretudo contra esse mal maior do abandono material e espiritual em que o povo era condenado a passar os poucos anos da sua vida. Pois, além da exploração econômica que roubava a metade do orçamento familiar, a religião oficial da época, em vez de ajudar o povo a encontrar em Deus uma força para resistir e ter esperança, ensinava que as doenças eram castigo de Deus pelo pecado. Aumentava nele o sentimento de exclusão e de condenação. Jesus fazia o contrário. O acolhimento cheio de ternura e a cura dos enfermos faziam parte do esforço mais amplo para refazer o relacionamento humano entre as pessoas e restabelecer a convivência comunitária e fraterna nos povoados e aldeias da Galileia, sua terra.

* Mateus 9,33b-34: A dupla interpretação da cura do mudo
Diante da cura do endemoninhado mudo, a reação do povo é de admiração e de gratidão: “Nunca se viu coisa semelhante em Israel!” A reação dos fariseus é de desconfiança e de malícia: “É pelo príncipe dos demônios que ele expulse os demônios!” Não podendo negar os fatos que provocam a admiração do povo, a única maneira que os fariseus encontravam para neutralizar a influência de Jesus junto ao povo era atribuir a expulsão ao poder maligno. Marcos traz uma longa argumentação de Jesus para mostrar a malícia e a falta de coerência da interpretação dos fariseus (Mc 3,22-27). Mateus não traz nenhuma resposta de Jesus à interpretação dos fariseus, pois quando a malícia é evidente, a verdade brilha por si mesma.

* Mateus 9,35:  Incansável, Jesus percorre os povoados
É bonita a descrição da atividade incansável de Jesus, na qual transparece a dupla preocupação a que aludimos: o acolhimento cheio de ternura e a cura dos enfermos: “Jesus percorria todas as cidades e povoados, ensinando em suas sinagogas, pregando a Boa Notícia do Reino, e curando todo tipo de doença e enfermidade”. Nos capítulos anteriores, Mateus já tinha aludido várias vezes a esta atividade ambulante de Jesus pelos povoados Galileia (Mt 4,23-24; 8,16).

* Mateus 9,36:  A compaixão de Jesus.
“Vendo as multidões, Jesus teve compaixão, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor”. Os que deviam ser os pastores não eram pastores, não cuidavam do rebanho. Jesus procura ser o pastor (Jo 10,11-14). Mateus vê aqui a realização da profecia do Servo de Javé que “levou nossas enfermidades e carregou nossas doenças” (Mt 8,17 e Is 53,4). Como Jesus, a grande preocupação do Servo era “encontrar uma palavra de conforto para quem estava desanimado” (Is 50,4). A mesma compaixão para com o povo abandonado, Jesus a mostrou por ocasião da multiplicação dos pães: são como ovelhas sem pastor (Mt 15,32). O evangelho de Mateus tem uma preocupação constante em revelar aos judeus convertidas das comunidades da Galileia e da Síria que Jesus é o Messias anunciado pelos profetas. Por isso, frequentemente, ele mostra como nas atividades de Jesus se realizam as profecias (cf. Mt 1,23; 2,5.15.17.23; 3,3; 4,14-16; etc.).

* Mateus 9,37-38:  A messe é grande e os operários são poucos
Jesus transmite aos discípulos a preocupação e a compaixão que o animam por dentro: "A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos! Por isso, peçam ao dono da colheita que mande trabalhadores para a colheita".

Para um confronto pessoal
1) Compaixão diante das multidões cansadas e famintas. Na história da humanidade, nunca houve tanta gente cansada e faminta como hoje. A TV divulga os fatos, mas não oferece resposta. Será que nós cristãos conseguimos ter em nós a mesma compaixão de Jesus e irradiá-la aos outros?
2) A bondade de Jesus para com os pobres incomodava os fariseus. Estes recorrem à malícia para desfazer e neutralizar o incômodo que Jesus causava. Existem muitas atitudes boas nas pessoas que me incomodam? Como eu as interpreto: com admiração agradecida como o povo ou com malícia como os fariseus?

domingo, 9 de julho de 2017

NOVENA DE NOSSA SENHORA DO CARMO - 4º DIA


ORAÇÃO PREPARATÓRIA
Pai, olha com benevolência para aqueles que se revestem com o Escapulário do Carmo. Faz com que, deixando-se amar pela Virgem Maria, Mãe do vosso Filho e Mãe do Carmelo, sejam conformes à imagem de Jesus Cristo. E depois de terem percorrido, livres de todos os perigos, o caminho da vida, possam entrar na glória da vossa Casa. Por Cristo, Senhor nosso. Amém.

JACULATÓRIAS
1. Gloriosa Virgem Santa
Sois a estrela que nos guia
Com o poder ilimitado
Que tendes no Céu, Maria.
Ave Maria...

2. Gloriosa Virgem Santa
De Deus, formosa Raquel.
Sois brasão dos Carmelitas,
Sois a glória de Israel.
Ave Maria...

3. Gloriosa Virgem Santa
Do Carmelo sois a flor.
Sois a filha predileta
De Deus, nosso Criador.
Ave Maria...

ANTÍFONA MARIANA
Flor do Carmelo,
Videira florescente,
Esplendor do Céu,
Virgem fecunda
e singular.
Mãe amável,
Mas sempre Virgem,
Aos carmelitas,
Sede propícia,
Ó Estrela do Mar.

HINO

Dizei lábios meus
palavras benditas,
em louvor da Virgem,
Mãe dos carmelitas.

Senhora do Carmo,
vinde em meu favor,
o inimigo afastai
com o vosso valor.

Deus vos salve Aurora,
que tanta alegrastes
ao Monte Carmelo,
quando o visitastes

E, na vossa infância,
sem mais esperar
logo aos carmelitas
quisestes honrar.

Ao Monte subindo,
com eles faláveis
palavras tão santas,
que os consoláveis.

Cheios de saudades,
em vos retirando,
deixáveis a todos,
por vós suspirando.

E na despedida,
por veneração,
onde vós pisáveis,
beijavam o chão.

Estes exercícios
e santo respeito
pedimos, Senhora,
gravai-nos no peito

Todo o Carmelo,
ditoso e feliz,
por vossa presença
ao bom Deus bendiz.

Oh! Rogai por nós,
Mãe dos carmelitas,
para que vivamos
onde vós habitais.

A minha oração
atendei, Senhor,
chegue ao vosso trono
este meu louvor!

MEDITAÇÃO – Maria sempre disponível para obedecer à vontade de Deus nos acontecimentos da vida
Maria, em cada momento da sua vida, deixa-Se conduzir por Deus. Muitas vezes vemo-La itinerante, numa vida de instabilidade, mas sempre dócil e totalmente confiante, obediente e disponível à voz de Deus. Está sempre pronta a acolher o momento presente como ele se apresenta, sem manifestar preferências ou queixas. Tem Deus sempre com Ela. Que mais pode desejar o Seu coração? Maria sabe que o Senhor é o Eterno Presente e, por isso, está toda presente a Ele! Depois da Encarnação de Jesus e, porque Ele viveu e assumiu integralmente a nossa condição humana, todos os âmbitos da nossa vida, ficaram impregnados para sempre da Sua presença. Então, em cada acontecimento, seja que aspecto e forma tiver, o Senhor está lá, e Maria acompanha-nos, porque Maria é inseparável do Seu Filho. Sempre que dissermos sim, incondicionalmente, a cada acontecimento da nossa vida, Maria faz-Se presente, porque onde se diz “sim” a Deus, ai está Maria toda presente.

Maria, nossa Mãe, sempre itinerante pelos caminhos da vontade de Deus, alcança-nos a graça de em todos os acontecimentos da nossa vida, reconhecermos a voz do Senhor e encaminha-nos sempre com a Tua mão carinhosa até ao Céu.

LADAINHA DE NOSSA SENHORA
EM NAZARÉ
Maria de Nazaré, rogai por nós.
Menina que encantou os olhos de Deus,
Amada de José,
Jovem questionadora,
Servidora do Senhor,
Mulher do “Sim” sempre renovado.
Aquela que medita o sentido dos fatos,
Educadora de Jesus,
Aquela que vê Deus nos véus do cotidiano,
Mãe do Deus conosco,
NA CASA DE ISABEL – MAGNIFICAT
Maria missionária, rogai por nós.
Símbolo da solidariedade,
Feliz porque acreditou nas promessas de Deus,
Amiga de Isabel,
Cantora das obras de Deus,
Símbolo de inteireza,
Profetiza da justiça,
Esperança de libertação,
EM BELÉM
Maria de Belém, rogai por nós.
Companheira de José,
Jovem Mãe de Jesus,
Amiga dos pastores,
Primeira testemunha da encarnação,
Símbolo da alegria,
NO TEMPLO DE JERUSALÉM
Maria de Jerusalém, rogai por nós.
Mulher oferente,
Peregrina na fé,
Aquela que crê, sem tudo compreender,
Nos caminhos da Palestina
Maria da palestina, rogai por nós.
Primeira discípula do Senhor,
Aquela que acolheu a Palavra de Deus,
Aquela que guardou a palavra no coração,
Aquela que frutificou a Palavra,
Nossa irmã na fé,
Pedagoga da fé em Caná,
Atenta às necessidades humanas,
Coração livre, aberto e desapegado,
EM JERUSALÉM
Maria de Jerusalém, rogai por nós.
Firme junto à cruz,
Símbolo do sofrimento assumido,
Ícone da fé,
Perseverante em oração no cenáculo,
Testemunha da ressurreição de Jesus,
Batizada no Espírito em Pentecostes,
NA TERRA E NO CÉU
Maria, tão humana e tão divina, rogai por nós.
Glorificada junto de Deus,
Filha predileta do Pai,
Mãe, educadora e discípula do Filho,
Templo do Espírito Santo,
Modelo dos cristãos,
Símbolo humano da ternura de Deus,
Mãe das mães,
Aquela que está mais perto de Deus e mais perto de nós,

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor!
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor!
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós!

Rogai por nós, ó Maria, Esposa do Espírito Santo!
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo!

ORAÇÃO:
Maria, Virgem Mãe Imaculada, Rainha do Carmelo, que tendes concedido as mais extraordinárias graças através de vosso santo escapulário, ajudai-me a trazê-lo dignamente, conservando a pureza de coração e de costumes, repelindo tudo o que possa magoar o vosso olhar puríssimo.

Segunda-feira da 14ª semana do Tempo Comum

Evangelho (Mt 9,18-26): Enquanto Jesus estava falando, um chefe aproximou-se, prostrou-se diante dele e disse: «Minha filha faleceu agora mesmo; mas vem impor a mão sobre ela, e viverá». Jesus levantou-se e o acompanhou, junto com os discípulos. Nisto, uma mulher que havia doze anos sofria de hemorragias veio por trás dele e tocou na franja de seu manto. Ela pensava consigo: «Se eu conseguir ao menos tocar no seu manto, ficarei curada». Jesus voltou-se e, ao vê-la, disse: «Coragem, filha! A tua fé te salvou». E a mulher ficou curada a partir daquele instante. Chegando à casa do chefe, Jesus viu os tocadores de flauta e a multidão agitada, e disse: «Retirai-vos! A menina não morreu; ela dorme». Mas eles zombavam dele. Afastada a multidão, ele entrou, pegou a menina pela mão, e ela se levantou. E a notícia disso espalhou-se por toda aquela região.

«A tua fé te Salvou»

Rev. D. Antoni CAROL i Hostench (Sant Cugat del Vallès, Barcelona, Espanha)

Hoje, a Liturgia da Palavra nos convida a admirar duas magníficas manifestações de fé. Tão magníficas que comoveram o coração de Jesus Cristo e provocaram imediatamente a sua resposta. O Senhor não se deixa vencer em generosidade!

«Minha filha faleceu agora mesmo; mas vem impor a mão sobre ela, e viverá» (Mt 9,18). Quase poderíamos dizer que com uma fé consistente nós «obrigamos» a Deus. Ele gosta desta espécie de obrigação. O outro testemunho de fé do Evangelho de hoje também é impressionante: «Se eu conseguir ao menos tocar no seu manto, ficarei curada» (Mt 9,21).

Poderíamos afirmar que Deus se deixa «manipular» de bom grado pela nossa boa-fé. O que Ele não admite é que O tentemos por desconfiança. Este foi o caso de Zacarias, que pediu uma prova ao arcanjo Gabriel: «Zacarias disse ao anjo: Como posso ter certeza disso?» (Lc 1,18). O Arcanjo não cedeu à desconfiança de Zacarias e respondeu: «Eu sou Gabriel, e estou sempre na presença de Deus (...). E agora, ficarás mudo, sem poder falar até o dia em que estas coisas acontecerem, já que não acreditaste nas minhas palavras, que se cumprirão no tempo certo» (Lc 1,19-20). E assim aconteceu.

É Ele mesmo quem deseja “obrigar-se” conosco e deixar-se “prender” por nossa fé: «Eu vos digo: pedi e vos será dado; procurai e encontrareis; batei e a porta vos será aberta» (Lc 11,9). Ele é nosso Pai, e não quer negar nada do que convém aos seus filhos.

Entretanto, é necessário que lhe manifestemos confiantemente os nossos pedidos. A confiança e a conaturalidade com Deus requerem intimidade: para confiar em alguém é preciso conhecê-lo, e para conhecê-lo é necessário conviver com ele. Assim, «a fé faz brotar a oração, e a oração - enquanto brota - alcança a firmeza da fé» (Santo Agostinho). Não nos esqueçamos do louvor que mereceu Santa Maria: «Feliz aquela que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido!» (Lc 1,45).

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

* O evangelho de hoje nos leva a meditar dois milagres de Jesus em favor de duas mulheres. O primeiro foi em favor de uma senhora, considerada impura por causa de uma hemorragia irregular que já durava doze anos. O outro, em favor de uma menina que acabava de falecer. Conforme a mentalidade daquela época, qualquer pessoa que tocasse em sangue ou em cadáver era considerada impura e quem tocasse nela também ficava impura. Sangue e morte eram fatores de exclusão! Por isso, aquelas duas mulheres eram pessoas marginalizadas, excluídas da participação na comunidade. Quem nelas tocasse também estaria impura, impedida de participar na comunidade, e já não poderia relacionar-se com Deus. Para poder ser readmitida na plena participação comunitária teria de fazer o rito de purificação, prescrito pelas normas da lei. Ora, curando através da fé a impureza daquela senhora, Jesus abriu um novo caminho para Deus que já não dependia dos ritos de purificação, controlados pelos sacerdotes. Ressuscitando a menina, venceu o poder da morte e abriu um novo horizonte para a vida.

* Mateus 9,18-19: A morte da menina.
Enquanto Jesus ainda estava falando, um chefe do lugar vem interceder pela filha que acabava de morrer. Ele pede que Jesus venha e imponha a mão na menina, “e ela viverá”. O chefe crê que Jesus tem o poder de devolver a vida à filha. Sinal de muita fé em Jesus da parte do pai da menina. Jesus se levanta e vai com ele levando consigo os discípulos. Este é o ponto de partida para os dois episódios que seguem: a cura da mulher com doze anos de hemorragia e a ressurreição da menina. O evangelho de Marcos traz os mesmos dois episódios, mas com muitos detalhes: o chefe se chamava Jairo e era um dos chefes da sinagoga. A menina ainda não estava morta, e tinha doze anos, etc. (Mc 5,21-43). Mateus abreviou a narração tão viva de Marcos.

* Mateus 9,20-21: A situação da mulher.
Durante a caminhada para a casa do chefe, uma mulher que sofria doze anos de hemorragia irregular aproxima-se de Jesus em busca de cura. Doze anos de hemorragia! Por isso, ela vivia excluída, pois, como dissemos, naquele tempo o sangue tornava a pessoa impura. Marcos informa que a mulher tinha gastado toda a sua economia com os médicos e, em vez de ficar melhor, ficou pior (Mc 5,25-26). Ela tinha ouvido falar de Jesus (Mc 5,27). Por isso, nasceu nela uma nova esperança. Dizia consigo: “Se ao menos tocar na roupa dele, eu ficarei curada”. O catecismo da época mandava dizer: “Se eu tocar na roupa dele, ele ficará impuro”. A mulher pensava exatamente o contrário! Sinal de muita coragem. Sinal de que as mulheres não concordavam com tudo o que as autoridades religiosas ensinavam. O ensinamento dos fariseus e dos escribas não conseguia controlar o pensamento do povo! Graças a Deus! A mulher aproximou-se por de trás de Jesus, tocou na roupa dele, e ficou curada.

* Mateus 9,22. A palavra iluminadora de Jesus
Jesus voltando-se e vendo a mulher declara: “Coragem, minha filha, sua fé curou você!” Frase curta, mas que deixa transparecer três pontos muito importantes:
(1) Dizendo “Minha filha”, Jesus acolhe a mulher na nova comunidade, que se formava ao seu redor. Ela já não é uma excluída.
(2) Aquilo que ela esperava e acreditava aconteceu de fato. Ela ficou curada. Prova de que o catecismo das autoridades religiosas não estava correto e que em Jesus se abriu um novo caminho para as pessoas poderem obter a pureza exigida pela lei e entrar em contato com Deus.
(3) Jesus reconhece que, sem a fé daquela senhora, ele não poderia ter feito o milagre. A cura não foi um rito mágico, mas um ato de fé.

* Mateus 9,23-24:  Na casa de chefe.
Em seguida, Jesus vai para a casa do chefe. Ao ver o alvoroço dos que faziam luto pela morte da menina, mandou que todo mundo saísse. Dizia: “A criança não morreu. Está dormindo!”. O pessoal deu risada. O povo sabe distinguir quando uma pessoa está dormindo ou quando está morta. Para eles, a morte era uma barreira que ninguém poderia ultrapassar! É a risada de Abraão e de Sara, isto é, dos que não conseguem crer que para Deus nada é impossível (Gn 17,17; 18,12-14; Lc 1,37). As palavras de Jesus têm ainda um significado mais profundo. A situação das comunidades do tempo de Mateus parecia uma situação de morte. Elas também tinham que ouvir: “Não é morte! Vocês é que estão dormindo! Acordem!”

* Mateus 9,25-26:  A ressurreição da menina.
Jesus não deu importância à risada do povo. Ele esperou até que todos saíssem da casa. Aí ele entrou, tomou a criança pela mão e ela se levantou. Marcos conservou as palavras de Jesus: “Talita kúmi!”, o que quer dizer: Menina, levanta-te (Mc 5,41). A notícia espalhou-se por toda aquela região. Fez o povo acreditar que Jesus é o Senhor da vida que vence a morte.

Para um confronto pessoal
1. Hoje, quais as categorias de pessoas que se sentem excluídas da participação na comunidade cristã?  Quais os fatores que hoje causam a exclusão de tantas pessoas e lhes dificultam a vida tanto na família como na sociedade?
2. “A criança não morreu. Está dormindo!” “Não é morte! Vocês é que estão dormindo! Acordem!” Esta é a mensagem do evangelho de hoje. O que ela diz para mim? Sou daqueles que dão risada?